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3 aplicações

para o
gerenciamento
da qualidade
analítica
Controle Interno da Qualidade
em Laboratórios Clínicos

Publicado por
Este conteúdo 3 aplicações para o gerenciamento da qualidade analítica

é adequado para mim?


Prof. Silvio de Almeida Basques
é médico, com Residência e Pós-
Graduação pela Universidade Federal
Iniciante de Minas Gerais. Recebeu Título de
Especialista pela Sociedade Brasileira
Conteúdo destinado a profissionais que estão iniciando os de Patologia Clínica. É Professor
trabalhos de controle da qualidade. Conteúdos com essa Aposentado do Departamento de
classificação geralmente incluem dicas e passo-a-passo para o Clínica Médica da Faculdade de
aprendizado de conceitos básicos e fundamentais. Medicina da UFMG e Ex-Professor de
Informática Médica da UFMG.
Implantou o Sistema de Informática
Este conteúdo!
Intermediário Laboratorial do Hospital dos
Servidores do Estado de Minas Gerais
Prof Silvio de A. Basques
basques@qualichart.com.br

(HGIP).
Conteúdo destinado a profissionais que já estão familiarizados
com o controle da qualidade e têm experiência na execução do 3 abordagens no
Criou e orienta sistemas de
processo. Conteúdos assim geralmente incluem conceitos e gerenciamento da qualidade
informática para o Controle Interno
teorias para um entendimento mais completo do assunto. analítica
da Qualidade, além de Sistema para
Auditoria Interna em Laboratórios.
Apresenta o Programa Sábado às 11,
Avançado para laboratórios. Criou e dirigiu o
LABConsult – Tecnologia e Informação
Os conteúdos assim classificados são dirigidos a profissionais mais para Laboratórios Clínicos.
experientes no controle da qualidade. Geralmente incluem conceitos Produziu e cooperou em várias
pouco usuais e que ainda não são de domínio geral. São indicados edições de cursos para o Controle da
também para profissionais que desejam lecionar sobre o assunto. Qualidade em Laboratórios.

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Sumário
Introdução pág. 6
• Etapas do Gerenciamento da Qualidade pág. 10
• Controle da Qualidade Estatístico pág. 12
Interpretação visual do gráfico de Levey-Jennings pág. 14
• Parâmetros para o gráfico de controle pág. 17
• Exemplo de interpretação do gráfico de controle pág. 19
Análise pelas regras múltiplas do controle interno pág. 22
• O valor Z pág. 26
Comparação do Coeficiente de Variação com valores de imprecisão máxima pág. 27
Conclusão e recursos adicionais pág. 30

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Diversas pessoas que nos de Almeida Basques, que atuou


antecederam, trabalharam com brilhantemente e foi reconhecido em
afinco e fizeram seguidores na tarefa todo o Brasil, dentre outros trabalhos
de contribuir para o estudo e ações desenvolvidos em sua vida, pelas
pela qualidade em laboratórios entusiasmadas palestras, cursos,
clínicos. Somos muito gratos a esses conferências e afins, sobre o tema
profissionais e reverenciamos em Controle da Qualidade1,9 .
especial a memória do Dr. José Carlos

Homenagem ao Dr. JCABasques


Em uma época de pioneirismo da Patologia
Clínica, seu espírito empírico guiou-o para a área
laboratorial, primeiramente no laboratório do
Hospital do IPSEMG e também com o Dr. Orion
de Bastos, seu sócio na Hemoclínica. Dada a
necessidade de produção de reagentes “in house”,
comparecia voluntariamente aos sábados ao

Introdução
Laboratório do IPSEMG para preparar os reagentes
a serem usados no setor de química, junto com o
Dr. Geraldo Lustosa Cabral, outro grande parceiro
seu. Da otimização desses procedimentos e
metodologias formou-se o embrião do que viria
Dr. José Carlos de A. Basques
a ser a Labtest, uma das primeiras empresas 1941-2009
nacionais em reagentes para laboratório e hoje entre
as maiores da América Latina, motivo de grande
satisfação para si. O Dr. José Carlos foi um estudioso
do controle da qualidade em laboratórios clínicos.

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Não há força maior


que a de uma ideia, parte do GDQ. Nossa intenção é
que a participação em Programas
de Ensaios de Proficiência é
cujo tempo chegou. difundir a necessidade de realizar o
GDQ, o que pode ser feito de início
imprescindível, mas não é o bastante.
Victor Hugo

pelo Controle Interno da Qualidade, no
Quando há 14 anos lançamos um
Controle Estatístico dos Processos.
software para o Controle Interno
Até então, um paradigma muito
da Qualidade acreditávamos no
difundido em nosso país é que se o
Nós entendemos que a qualidade dos de conhecer em profundidade os seu valor como ferramenta de
laboratório realiza o Controle Externo
resultados é uma responsabilidade sistemas analíticos, as normas auxílio em uma dessas etapas, mas
por meio dos Ensaios de Proficiência
dos profissionais do laboratório operacionais e o controle estatístico que não dispensava outras ações,
estaria garantindo a qualidade de
clínico, nos seus diferentes de processos. Ações coordenadas mesmo anteriores, de planejamento
suas análises. “Este procedimento,
papeis. Cabe ao diretor a tarefa de nesses dois níveis principais e revisões para o CIQ, bem como
além de não ser suficiente para
estabelecer e conduzir seu laboratório propiciam o criar e implantar o melhor de participação do laboratório em
agregar qualidade nos processos do
no grande cenário, assumindo essa Gerenciamento da Qualidade (GDQ). ensaios de proficiência, ou seja, a
laboratório, tem a grave limitação
responsabilidade e traduzindo-a na Avaliação Externa da Qualidade.
de não exercer a verificação diária
implementação do Gerenciamento Todos nós aprendemos e
dos resultados. Como os resultados
da Qualidade. Deve cuidar do reconhecemos que o Gerenciamento Nossa convicção é que os laboratórios
das avaliações tardam para retornar
atendimento às normas legais da Qualidade é um conjunto complexo devem dispor de ferramenta prática
aos participantes do programa,
(Regulamento Técnico da ANVISA), de ações, que se baseiam no e efetiva para tangibilizar algum
os procedimentos do controle do
do atendimento aos requisitos planejamento, nas implementações, indicador de controle, o que o faria
processo deixam de ser efetivos
dos programas de acreditação e no controle e na reelaboração de transpor o grande fosso existente
porque, quando as ações corretivas
disponibilização de instrumentos, processos para o contínuo ganho da para muitos, entre sua atividade e os
são implementadas, muitos
insumos e ferramentas adequados qualidade. O escopo que procuramos modernos métodos de aferição da
resultados com defeitos podem
para o melhor desempenho do setor abordar neste e em outros de nossos qualidade disponíveis.
ter sido liberados”. Entendemos
analítico. Aos profissionais analistas artigos se refere ao controle de
cabe o também importante papel processos analíticos, que é apenas

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Essas palavras introdutórias são podem ver no diagrama, é a terceira


Etapas do Gerenciamento da Qualidade importantes para que os novos do processo. Com isso reafirmamos
estudantes do assunto percebam que que o Controle Interno da Qualidade,
vamos cuidar aqui neste artigo de embora muito importante, não
apenas uma etapa do Gerenciamento é o todo das ações com que os
São diversos os enfoques para se podemos resumir essa abordagem no da Qualidade, aplicando ai métodos profissionais de laboratórios devem
entender e planejar as ações pela já bastante conhecido ciclo PDCA, sigla estatísticos. Essa etapa corresponde se preocupar para garantir qualidade
qualidade. Todas as definições da que vem do inglês Plan, Do, Check, no PDCA ao Controle (Check) que como no seu trabalho.
qualidade podem ser interpretadas, Action, ou seja, Planejar, Executar,
no campo de atuação do laboratório Controlar e Agir. Esse ciclo é muito
clínico, como sendo o estabelecimento conhecido na sociedade e por todos
de condições para que todos os testes que alguma vez trabalharam com
realizados auxiliem os clínicos na o desenvolvimento organizacional
prática da excelência da medicina9. e implantação de sistemas da
qualidade. O início é sempre pelo
Na atualidade, modernos métodos planejamento.
para o GDQ envolvem muito mais que
o controle estatístico de processos. O laboratório deve então cuidar pelo
Devem ser agregados ao GDQ e são menos dessas quatro etapas do
componentes básicos, os elementos gerenciamento, o que pode ser um
essenciais das boas práticas de bom começo. Agregar outras ações,
laboratório, qualidade assegurada, como por exemplo, para a fase pré-
melhoria da qualidade e planejamento analítica, fará com que o caminho
9,10
da qualidade . para a qualidade seja mais acertado e
O ciclo P D C A d eave
os clientes sejam melhor atendidos.
s e r v isto d e fo rmo ntín u a .
Numa visão geral e bastante pe rm a n e nt e e croce ss o
simplificada como vamos cuidar aqui, O GD Q é u m p a o
qu e re qu e r re v is
pe riódica .

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Controle da Qualidade Estatístico

Os procedimentos de Controle da Trabalha-se em laboratórios clínicos O CEP é um sistema de controle análises com parâmetros de variação
Qualidade Estatístico são usados em com análises que fornecem dados aplicado em diversos setores da aceitável em condições estáveis.
todos os ramos de atividades. Em quantitativos e outros qualitativos. sociedade e se aplica muito bem Essas comparações têm bases
laboratórios clínicos são estabelecidos Para os do primeiro tipo a estatística ao laboratório clínico, quando a estatísticas e fornecem elementos
para acompanhar o desempenho trouxe grande contribuição no estatística é usada na verificação da para julgamento da qualidade. Nossa
analítico de um sistema e alertar estabelecimento de metodologias variação do processo. Isso corre em proposição é que os profissionais
os profissionais da ocorrência de no controle dos processos de contraste com outros componentes de laboratório possam dispor de
problemas que possam comprometer análises. O uso de métodos de do plano de controle da qualidade, três abordagens para a qualidade
a utilidade dos resultados dos controle adequados, implantados questão mais ampla e fundamental, analítica. Possam assim fazer as
exames dos pacientes para as após planejamento, permite que o que envolve a manutenção preventiva, comparações dos resultados das
finalidades médicas. No ciclo do PDCA Gestor da Qualidade acompanhe verificação de instrumentos, análises dos materiais de controle,
corresponde à terceira etapa, ou fase. seus sistemas analíticos de modo treinamentos de pessoal etc. O CEP de forma padronizada e prática e de
Esse tipo de controle é o “sonho de a se antecipar, de preferência, a é apenas uma parte da estratégia de alcance amplo para os laboratórios
consumo” de diferentes gerentes um momento de deterioração. É a controle em um laboratório e deve ser clínicos brasileiros.
de organizações, que gostariam de idéia que dá suporte à realização assim entendido.
ter sistemas de medições e coleta continuada do controle interno da
de indicadores para aferição do seu qualidade, ou seja, realizar o Controle O Controle Interno da Qualidade é Te r a li n h a m e ntoro ndize a ca o
estado de controle e da sua qualidade. Estatístico de Processos (CEP) e feito por meio da análise repetida de co n ce it o s e pa d
Os laboratórios clínicos já têm essa detectar alterações na estabilidade materiais de controle estáveis, que d e co n d ut a s é qu e a
facilidade, com os métodos do CIQ. que impliquem em aumento da são produzidos com essa finalidade, e
im po rt a nt e pa ra co n d u zir
e qu ipe sa iba s e e n a o
imprecisão. a comparação dos resultados dessas e m sit u a cõe s d d o
co nfo rm id a d e s
co nt ro le.

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O chamado Gráfico de Levey-Jennings Levey e Jennings introduziram essa


é genericamente um gráfico de aplicação em 1950, a partir de gráfico
controle, em que os resultados de de controle utilizado na indústria
uma corrida analítica são plotados desde 1931, quando foi criado pelo
em função do tempo, ou a seqüência estatístico Walter A. Shewhart. A
das próprias corridas. Os pontos contribuição de Levey e Jennings foi
são unidos por linhas que exibem essa importante ferramenta, que
para quem o analisa, as diferentes recebeu contribuição posterior de

Interpretação
expressões que interessam ao Henry e Segalove que utilizaram os
controle interno, como desvios, limites de ± 3s, baseados em análise
tendências e aleatoriedades. de séries de longo prazo.

visual do gráfico 212 mg/dl +3s

de Levey-
208 mg/dl +2s

204 mg/dl +1s

Jennings
Xm

68,26%
95,46%
200 mg/dl

99,73%
Xm
196 mg/dl -1s

192 mg/dl -2s

188 mg/dl -3s


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Corridas Analíticas  
Figura 2 – Gráfico para Colesterol total

 
 
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Parâmetros para o gráfico de controle

O gráfico de Levey-Jennings é como se segue: As múltiplas linhas representam bem possível que o valor de média
uma forma gráfica simples de 68,26% das vezes estarão na faixa distância padronizada de número de do próprio laboratório seja diferente
plotar os resultados de análises de ± 1 DP desvios padrão (DP) acima ou abaixo da média do fabricante. Se for muito
repetidas de um material conhecido, 95,46% das vezes entre ± 2 DP da média, Xm, que é representada diferente para determinado analito,
chamado Material de Controle. 99,73% das vezes entre ± 3 DP pela linha verde. A linha azul distante o Gerente da Qualidade deverá
Pode ser entendido como uma ± 1 DP, a linha amarela distante ± 2DP analisar seus resultados dos Ensaios
representação da curva de Gauss, Em saúde, é habitual trabalharmos e a linha vermelha distante ± 3DP. O de Proficiência (Controle Externo da
se essa fosse girada em 90 graus, no chamado intervalo de confiança modelo é simples e de grande valor Qualidade), para verificar como anda a
como representado na figura 2. de 95% (erro < 0,05). Para esse valor para a monitorização de processos exatidão desse analito.
Os valores obtidos na análise do encontraremos na curva de Gauss a de medidas. Todos podem plotar o
material na bancada são lançados faixa de +- 2 DP. Vale dizer então que gráfico de Levey-Jennings, usando, Para o parâmetro DP, representado
no gráfico, sucessivamente. Valores os resultados do controle cairão 95% por exemplo, o papel milimetrado, ou às vezes como ‘s’, do inglês standard
mais distantes da linha de Xm são das vezes nessa faixa, em condições usando planilhas eletrônicas. Porém deviation, que é uma medida de
indicadores de maior variação do de sistema analítico estável. Num isso está longe de ser prático e hoje dispersão, de erro aleatório devemos
método, ou seja, de aumento da sistema ainda estável, é de se esperar podemos ter melhores resultados ter um cuidado ainda maior. É
imprecisão. que alguns valores ocorram fora com as ferramentas computacionais. aconselhável que se utilize o valor
dessa faixa, mas ainda menores que 3 fornecido pelo fabricante do material
A distribuição dos valores obtidos DP, em cerca de 5% das vezes. Não se A linha verde é central e por de controle (valor de bula), apenas
nas análises segue a chamada pode considerar como erro, ou convenção a linha da média, no na condução de uma primeira fase
distribuição normal. É esperado que rejeição um valor entre 2 e 3 DP, mas valor em uso como referência para de análise do lote do material, que
os resultados oscilem em torno da apenas alerta .
3
o gráfico. É central também porque pode ser chamada fase em preparo.
média em ocorrências previsíveis, média é uma medida de tendência É nessa fase que o laboratório apura
central. É representada por Xm e pode os valores próprios para média e
ser a princípio o valor fornecido pelo desvio padrão, já verificando também
fabricante do material de controle. É o Coeficiente de Variação (CV).

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Considere que muitos fabricantes que 10 dias. O objetivo é a obtenção


entregam suas bulas com uma faixa do valor de DP que será usado na Exemplo de interpretação do gráfico de controle
de variação e não o valor de DP. Para demarcação de limites do gráfico de
métodos manuais de CIQ, o profissional Levey-Jennings. Chamamos a essa
compara o resultado do controle obtido fase de “Fase em preparo”. Após Figura 3
em bancada com os dois valores dessa execução dessa fase e obtenção
faixa. É muito prático, mas é bastante dos valores de média e de DP, é
ineficiente. Não é uma boa prática recomendado adotar esses valores
de Controle Interno da Qualidade como parâmetros no gráfico de
porque tem baixo índice de detecção controle, fazer a análise visual e testar
de erros. Ademais, é sabido que os as regras múltiplas. Essa segunda
fabricantes têm tendência a fornecer fase é chamada de “Fase em ativos” e
faixas muito amplas. Sendo assim, representa o momento de indicações
a análise comparativa do resultado para aceitação, ou do desempenho do
pela faixa é de baixa sensibilidade sistema analítico.
na detecção de problemas e é de
 
resultados incompletos. É difícil falar A necessidade de realizar a fase .  
ai em controle da qualidade. Sistemas em preparo antes de efetivamente
A figura 3 exemplifica como a real de um laboratório de médio porte,
eletrônicos não usam faixa como testar as regras faz com que muitos
interpretação do gráfico de Levey- ao longo de 21 dias e plotados em
parâmetro, mas usam objetivamente profissionais procurem obter todo o
Jennings para dois níveis de controle seqüência para estabelecer a linha de
o valor de DP e fornecem mais material de controle do mesmo lote
aponta uma deterioração do sistema, base do próprio laboratório, ou seja,
informações. com o fornecedor, com perspectiva
num erro sistemático. a fase em preparo. O analista pôde
de duração (tempo de consumo) por
obter duas informações importantes
Enfatizamos que para utilização de pelo menos seis meses. O ideal é que
Os dados das corridas para dois desde o início e até a oitava corrida
cada novo lote de material é necessário seja por um ano. O tempo mais longo
controles foram obtidos em ambiente analítica:
que o laboratório estabeleça seus é fator de economia, porque dispensa
próprios parâmetros para esse lote, ter que realizar fases em preparo de
realizando pelo menos 20 corridas modo muito amiúde.
analíticas, em período nunca menor

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1. Que a média dos valores estava um erro sistemático, o que levou o (análises dos materiais de controle), Controle Interno da Qualidade vale a
abaixo da indicada pelo fornecedor do analista a investigar a causa. Ele aplicação da estatística, a plotagem máxima de Peter Drucker: o que não é
material de controle, uma vez que os entendeu que a causa mais provável e análise do gráfico e a constatação medido, não pode ser gerenciado. Aqui
resultados oscilavam abaixo da linha seria a deterioração do reagente. de que havia um problema. A partir foi bem medido e o gerenciamento
de Xm (linha verde), cerca de 1 desvio Foi realizada a troca do lote de daí a tomada de decisão foi a troca propiciou decisão e uma ação eficaz.
padrão. reagente e ensaiados novamente os do regente, talvez considerando
2. Que a oscilação era de pequena controles. Os resultados da corrida o histórico desse analito e desse
o
amplitude indicando um CV menor que 16 e seguintes foram considerados reagente. A corrida foi rejeitada e O ex e m p lo e v id eznacia
o calculado pelos valores do fabricante, aprovados e os valores retornaram os controles foram re-analisados. va lo r e m s e rea li ocor rroe m
o que era bom. aos níveis de antes da deterioração, Concluiu que o sistema analítico
CIQ. Pro ble m a sé s e rm o s
e o im po rt a nt e e be- lo s.
Como o objetivo era estabelecer os embora ainda diferentes do valor Xm recuperou o equilíbrio desejado. ca pa z e s d e pe rcint e rn o
parâmetros de média e desvio padrão oferecido pelo fabricante. Se m o co nt ro le o s e rm o s
do próprio laboratório, esses valores Nessas ações podemos constatar n a o h a ve ri a co mn o ss o
foram considerados a princípio A interpretação do gráfico de controle as três últimas fases do ciclo do info rm a d o s qu ess e d e
trouxe grande contribuição na PDCA. O analista realizou a Gestão
si st e m a p re cis a a ría m o s
aceitáveis.
re v is a o. C o nti n u lt a d o s
detecção de deterioração do sistema, da Qualidade, com base em medições e nt re g a n d o re s ua d a vez
O aspecto mais importante esteve ainda na fase em preparo, ou seja, nos controles e indicadores que d o s pa cie nt e s c
na percepção da tendência, da ainda sem aplicação das regras de apoiaram sua tomada de decisão. m a is in co rret o s.
corrida analítica de 9 a 15. Indicava controle. Foram feitas medições Ficou evidente que também no

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As regras múltiplas do controle naquela fase. Dessa forma, a


da qualidade, também chamadas eficiência das regras múltiplas, tanto
de “Regras de Westgard” (James para detecção de erros quanto para
5
O. Westgard, PhD) , representam se evitarem as falsas rejeições torna-
uma das mais amplas e elegantes se notável, visando detecção de
abordagens para a detecção de eventuais perdas de estabilidade dos
problemas de controle. Elas usam sistemas analíticos.
um conjunto de critérios de decisão

Análise pelas
para identificar se uma corrida Temos visto que a aplicação das
analítica está em controle, ou se regras múltiplas no controle interno
fora de controle. Elas são aplicáveis é fácil se for utilizado um sistema

regras múltiplas
geralmente com duas a quatro de computador. Realizar o trabalho
medidas de controles por corrida, manualmente é mais difícil. O uso
o que vale dizer, com dois a quatro de planilhas eletrônicas no Controle

do controle
níveis de controle. Em bioquímica, Interno da Qualidade, como Excel® é
dois níveis são geralmente aplicados uma alternativa adotada por muitos
com bons resultados, para a maioria analistas, mas sabemos que os que

interno
dos analitos. usam não conseguem lidar bem
com a avalancha de dados de difícil
A utilização das regras múltiplas gerenciamento, pior ainda, para
deve se dar após a fase inicial – fase realizar todos os cálculos para muitos
em preparo - de ensaios de novo analitos. Essa forma acarreta também
lote de material de controle, tendo restrição e afastamento dos demais
como base os valores de Xm e de DP membros da equipe de colaboradores
determinados no próprio laboratório, no laboratório, que não têm muitas

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vezes conhecimento das regras e que os módulos QC dos equipamentos


do programa Excel® para a prática analisadores por diversos motivos.
quotidiana. É muito importante Há hoje programas gratuitos e on line na aplicação das regras múltiplas, que Na figura 4 vê-se a representação
o total engajamento do pessoal que oferecem os testes pelas regras não há uma regra, ou um conjunto de de uma regra muito importante, que
atuante em bancada, para melhores múltiplas e a plotagem do gráfico de regras que se deva aplicar a todos os quando violada, frequentemente
resultados de todas as ações de Levey-Jennings. testes, indiscriminadamente. Alguns indica um erro do tipo aleatório, ou
controle da qualidade. Defendemos o métodos têm melhor precisão que mais raramente, um erro sistemático
uso de um programa de computador É muito importante que o outros e é razoável que se aplique a de grande magnitude.
dedicado, que é até mesmo melhor planejamento da qualidade considere eles um conjunto diferente de regras,
que a outros. Por outro lado, alguns É a regra 1:3s e significa que o
testes podem demandar diferentes resultado ultrapassa em 3 DP o valor
Figura 4 exigências de controle e por isso da média, para mais, ou para menos.
menos regras são necessárias. Num sistema estável é uma situação
improvável e por isso o critério é de
Descrevemos em detalhes cada rejeição da corrida.
uma das regras mais usuais, em
outro documento disponível, “Regras
Multiplas – Visão Geral das Regras de
Westgard do Controle da Qualidade”.
Sugerimos sua consulta.

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O valor Z

Os sistemas de informática realizam regras, é de 200 mg/dl e o DP é de 4,5 Comparação


do Coeficiente
diversos cálculos na avaliação do mg/dl. A corrida analítica forneceu
CIQ e retornam ao usuário o maior o valor de 209 mg/dl. O valor Z será
número de informações auxiliares. então igual a 2 (209 – 200 = 9; 9/4,5 =

de Variação
Isso agrega valor ao CIQ. Desses 2).
cálculos os sistemas obtém o valor Z,
que representa a quantidade de DP Os programas de computador

com valores
existente a partir da média, para mais, exibem para o usuário o valor Z, ou
6
ou para menos . Então será sempre seja, quantos DP estão contidos na
de valor positivo. Para o gráfico de dispersão daquele valor da corrida, o

de imprecisão
Levey-Jennings e para aplicação das que representa também a amplitude
regras múltiplas considera-se o valor da dispersão. Maior o valor Z, maior a
Z, daí a sua importância. dispersão, ou seja, a imprecisão.

Por exemplo: Para o Colesterol total,


o valor de média de uso no gráfico de
Levey-Jennings e para aplicação das
máxima

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As características de desempenho * 100. É expresso em porcentagem O CV pode ser usado para se que propicie um CV razoável, menor
de um sistema analítico que são e provê uma boa estimativa do comparar o desempenho de um que a imprecisão máxima desejável
importantes para um planejamento desempenho do método analítico, e outro laboratório, num método publicada na literatura .
2

de procedimentos da qualidade são quanto à variabilidade. A média é especificado. O CV será menor, quanto
a imprecisão (erro aleatório) e o bias. uma medida de tendência central menor for a variação dos resultados O trabalho de Ricós e cols. é muito
É fundamental analisar criticamente e se relaciona com a exatidão, ou do controle, ou seja, haverá menor importante para consulta pelo
o desempenho do sistema analítico com situação de erros sistemáticos. imprecisão5. laboratório, para referência da
para identificar oportunidades de O DP reflete o alargamento da imprecisão. Ele oferece uma tabela
melhoria na qualidade da medição distribuição dos valores medidos e se O pior cenário para erros no bastante valiosa, com inúmeros
para se obterem valores menores relaciona com a imprecisão, ou erros laboratório é dado pelo Erro Total, testes e os valores para Imprecisão
para o erro aleatório, por redução da aleatórios. O DP será maior conforme o qual representa a combinação Máxima e para Erro Total, dentre
imprecisão e para o bias, reduzindo a concentração do analito medido no do erro sistemático (bias) e o erro outros. Muitos profissionais de
o erro sistemático . A avaliação da material de controle5. É de se esperar aleatório (imprecisão) estimados
9
laboratório estão usando esses dados
imprecisão faz parte do escopo do que o DP para o nível 1, com valor de para um método e estando numa como referência, especialmente para
Controle Interno da Qualidade e tem média no intervalo de referência do mesma direção. Cuidando apenas da comparação do seu resultado de CV
sido objeto deste trabalho. O bias método seja menor que o DP do nível imprecisão, quanto menor for o CV do com o valor da Imprecisão Máxima. A
não será tratado aqui, porque foge ao 2, com valor geralmente elevado, no método, melhor, porque “sobra” mais meta é trabalhar para conseguir que o
escopo. nível patológico. Como o CV reflete espaço para o erro sistemático, antes CV esteja menor que o valor publicado
um índice do DP e média, ele sim é de comprometer a qualidade final do para Imprecisão máxima.
A medida da imprecisão pode ser melhor expressão da imprecisão para seu resultado. Portanto é uma meta
dada pelo Coeficiente de Variação (CV), diferentes concentrações e pode ser interessante para ser alcançada pelo
calculado pela fórmula CV = DP / Xm usado para comparações. laboratório a utilização de um método

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Conclusão e recursos adicionais

A qualidade no laboratório é função de abordagens amplas e muitas vezes


complexas. Neste trabalho buscamos enfatizar a qualidade analítica, sob
três enfoques. Não é tudo, mas é um passo importante, porque pode trazer à
Gere automaticamente o
Gráfico de Levey-Jennings
superfície erros que se encontram muitas vezes obscuros, inaparentes. Debatê-
los é uma oportunidade notável para os laboratórios clínicos brasileiros.

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Publicado em maio de 2012

Bibliografia
1. Basques, JCA. Usando Controles no Laboratório Clínico. Labtest Diagnóstica, 2009.
2. Ricós, C. et al. Current databases on biologic variation: pros, cons and progress. Scand J Clin Lab
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