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Colorações

Introdução e Motivação
O objetivo deste artigo é apresentar uma técnica frequentemente útil em problemas de
combinatória: colorações.
Uma coloração consiste em pintar um tabuleiro ou diagrama de uma certa forma, de
modo a que o enunciado com essa coloração “se porte bem” (isto poderá ser mais claro mais
à frente).
As colorações podem ser usadas para mostrar que certas hipóteses não são possíveis, para
encontrar máximos ou mínimos, para provar que certos enunciados se verificam, etc.
Como é comum em problemas de combinatória, o seu uso pode parecer “sacado do rabo”,
no entanto, após conhecer alguns tipos de colorações e com algum treinam deixa de ser
tanto.
Este artigo contém a resolução e motivação de alguns problemas, com a intenção de
mostrar e exemplificar alguns “tipos comuns” de colorações e de transmitir a motivação e
dedução ao leitor para as encontrar. Para começar, vamos resolver 3 problemas. Incentiva-se
que o leitor tente resolver os problemas antes de ver as resoluções aqui apresentadas.

Problema 1. Pretende-se preencher um tabuleiro de xadrez 8×8 com dominós, sendo


que cada dominó ocupa exatamente duas casas adjacentes do tabuleiro, de modo a que cada
casa tenha um e só um dominó a cobri-la. Ao tabuleiro retiraram-se cantos opostos, será
possível preencher o tabuleiro?

Problema 2. (Rússia 1996). Será possível cobrir um tabuleiro 5×7 com trominós em
forma de L, com sobreposições, de modo a que cada casa do tabuleiro seja coberta pelo
mesmo número de trominós?

Problema 3. Pretende-se preencher um tabuleiro 6 por 6, (sem sobreposições nem a


ocupar o exterior do tabuleiro) com tetraminós apenas de um tipo. Dois tetraminós dizem-se
do mesmo tipo se um deles for uma rotação/reflexão do outro. Os tipos de tetraminós são:

Com quais destes 4 tipos de tetraminós é possível preencher o tabuleiro?


Resoluções:
Problema 1. Pretende-se preencher um tabuleiro de xadrez 8×8 com dominós, sendo
que cada dominó ocupa exatamente duas casas adjacentes do tabuleiro, de modo a que cada
casa tenha um e só um dominó a cobri-la. Ao tabuleiro retiraram-se cantos opostos, será
possível preencher o tabuleiro?

Spoiler

Solução: Não.

Em qualquer tentativa de preencher o


tabuleiro, no final haverá duas casas por cobrir,
possivelmente com um vértice em comum mas
sem um lado, como na imagem ao lado. Mas o
que impede estas duas casas finais de serem
adjacentes e porque é que não podemos cobrir o
tabuleiro? Nós queremos que estas duas casas
sejam, ou mostrar que não podem ser. Mas
como é que podemos mostrar isso?

Talvez colorir o tabuleiro seja uma solução (é). Ora, nós queremos uma coloração que
envolva casas adjacentes, pintá-las da mesma cor? Tudo seria igual. E que tal pintar as casas
adjacentes de uma cor diferente, como num tabuleiro de xadrez?

Um dominó ocupa duas casas de cores diferentes e neste tabuleiro temos tantas casas
brancas como pretas. No entanto, estamos a retirar duas casas ao tabuleiro, dois cantos
opostos, e olha, dois cantos opostos têm a mesma cor! O que é que isso implica? Uma peça
ocupa o mesmo número de casas brancas e de casas pretas, pelo que o número de casas
brancas e o número de casas pretas têm de ser igual para ser possível cobrir o tabuleiro, mas
ao tirar os dois cantos opostos deixam de ser. Temos assim o problema resolvido.
Temos assim pelo menos um problema que é resolvido pintando o tabuleiro, não é o
único no entanto, tal como pintar o tabuleiro como um tabuleiro de xadrez não é a única
maneira de pintar um tabuleiro. Vejamos o Problema 2.:

Problema 2. (Rússia 1996). Será possível cobrir um tabuleiro 5×7 com


trominós em forma de L, com sobreposições, de modo a que cada casa do
tabuleiro seja coberta pelo mesmo número de trominós?

spoiler

Solução: Não.

O nosso objetivo é mostrar que não é possível. Como podemos fazer isto? Pintar como
um tabuleiro de xadrez claramente não resolve o problema, e agora? Precisamos de uma
coloração que condicione um tabuleiro coberto por trominós em forma de L, mas como
podemos arranjar uma? Ao mexericar com o nosso trominó, podemos reparar no seguinte:

Um trominó que esteja a cobrir a casa roxa consegue cobrir qualquer


outra casa do quadrado 3×3 que o rodeia e só. Se pintarmos casas de
roxo forma deste quadrado o trominó não a consegue cobrir.

Um trominó só consegue cobrir uma das casas pretas do tabuleiro à


esquerda. Ora, neste caso, como temos as casas pretas na borda do
tabuleiro, há uma densidade maior considerável de casas pretas, será
que isto nos dá algo de útil?

Pintemos o tabuleiro todo temos esta coloração.


Podemos agora reparar que ao tentar cobrir sem
sobreposições o tabuleiro com tróminos em forma de
L vão sobrar sempre pelo menos 1 casa preta, já que
só podemos cobrir uma por peça e só cabem 11
peças. Isto parece estranho, mas estas peças parecem
“mais difíceis” de cobrir.
Repare-se então que temos 12 casas pretas e 35
casas no total. Sabemos que cada casa preta só pode ser coberta por um trominó em forma
de L. Ora, 12 é maior do que 35/3, o que indica que não é possível. Na verdade, se o
enunciado fosse possível, haveria pelo menos 12n trominós, onde n é o número de peças que
cobrem cada casa. Mas se temos pelo menos 12n trominós, temos então que pelo menos 36n
casas cobertas por trominós (a contar com repetições), mas só poderíamos ter 35n
“coberturas” de casas, já que o tabuleiro tem 35 casas – contradição.

Usamos uma outra coloração de uma outra maneira para resolver um problema. Primeiro
usamos que uma peça cobria sempre o mesmo e que a distribuição de cores do tabuleiro não
permitia o enunciado. Agora usamos uma coloração para encontrar um mínimo de peças
usadas.
No entanto, ainda há mais maneiras de usar colorações, como no Problema 3.:

Problema 3. Pretende-se preencher um tabuleiro 6 por 6, (sem sobreposições nem a


ocupar o exterior do tabuleiro) com tetraminós apenas de um tipo. Dois tetraminós dizem-se
do mesmo tipo se um deles for uma rotação/reflexão do outro. Os tipos de tetraminós são:

Com quais destes 4 tipos de tetraminós é possível preencher o tabuleiro?

spoiler

Solução: Não é possível com nenhum dos tipos.

Comecemos com as peças de tipo 1. À primeira vista pode parecer possível, mas
repetidas tentativas levaram a pensar que não, mas os nossos tetraminós parecem peças
“boas” para preencher tabuleiros, porque é que havia de não ser possível?
Olhemos então para o tamanho do tabuleiro, 6×6. Será este tamanho relevante? O lado
do quadrado é par, mas claro que é par, temos de o cobrir com tetraminós que ocupam 4
casas. Mas ei, não é múltiplo 4, usamos 9 peças para preencher o tabuleiro. Como é que isto
é importante? Bem, sem conhecer a próxima ideia é capaz de ser difícil perceber.
Pintemos o tabuleiro como o tradicional tabuleiro de xadrez:

Como é que tudo o que foi dito e feito até agora pode ser
útil? Olhemos para as “posições” dos tetraminós nesta
coloração:

Independentemente da posição, os tetraminós vão ter um


número ímpar de casas de cada cor.

Como é que isto resolve este caso? Vimos anteriormente que temos de cobrir o tabuleiro
com 9 peças, peças essas que ocupam um número ímpar de cada cor. Olha, a soma de um
número ímpar de ímpares é ímpar e a nossa coloração tem 18 casas de cada cor – o caso está
resolvido.

Temos aqui uma nova forma de usar colorações – Paridade/Congruências. Este truque
consiste em usar uma coloração tal que que cada peça tenha sempre um número
par/ímpar/congruente com... e usar isso da forma apropriada para resolver o problema.
E com tipo 2? Vamos tentar usar a mesma ideia.

Queremos uma coloração que tenha um número ímpar de


casas de cada cor em cada peça, como podemos arranjar
uma? Xadrez? Não. Então? Repara-se que estes trominós
ocupam 3 casas de uma linha/coluna e 1 uma da adjacente,
será isto nos ajuda?
Porque não pintar coluna sim coluna não? Funciona para
trominós verticais e por acaso também funciona com
trominós horizontais (é fácil verificar).
Novamente, com o mesmo argumento usado para com as
peças de tipo 1 mas com uma coloração diferentes, temos
que não é possível preencher o tabuleiro com trominós de
tipo 2 como pretendido.

Então e as peças de tipo 3 e 4? Nenhuma destas duas colorações funcionar.

As peças de tipo 3 são apenas duas e são direitinhas, podemos não conseguir resolver o
problema usando 2 cores, mas e que tal usar 4? Será que há uma coloração com 4 cores tal
que cada peça de tipo 3 tenha uma cor de cada e uma cor apareça mais na coloração do que
outra? Ao pintar cada linha com uma sequência da cores A-B-C-D-A-B-... e depois a ajustar
as linhas de modo a que as peças horizontais também ocupem uma casa de cada cor é
natural chegar a:
É fácil de verificar que cada peça de tipo 4 ocupa uma
casa de cada cor. Temos 9 casas vermelhas e verdes, mas
temos 10 azuis e 8 amarelas, e teríamos de ter 9 de cada
cor para ser possível! Resolvemos este caso com um
argumento semelhante ao argumento usado no Problema
1. Só que com 4 cores em vez de duas.

Como alguns leitores poderão ter reparado, podemos


pintar as casas vermelhas e amarelas de uma cor e as
azuis e verdes de outra e a prova continuaria correta, no
entanto usar 4 cores é muito mais natural

As peças de tipo 4 são aquelas para as quais é mais


difícil arranjar uma coloração naturalmente, o mais fácil é
resolver o problema sem usar colorações. Mas a verdade é
que temos uma coloração que resolve o ultimo caso - a
coloração ao lado. Mas só encontramos esta coloração
devido à coloração para peças de tipo 3, esta coloração
para trominós de tipo 4 é bastante difícil de chegar lá.
A coloração para as peças de tipo 3 não é nada natural.
Temos então várias maneiras de colorir o tabuleiro, às vezes é útil uma coloração em que
cada peça tenha sempre o mesmo número de peças de cada cor e o tabuleiro esteja pintado
de forma que cada cor não apareça com a mesma frequência, ou podemos arranjar uma
coloração em que cada peça cubra no máximo uma casa de uma certa cor e temos mais
casas dessa cor do que espaço para cobrir com essas peças ou ainda usar argumentos de
paridade ou qualquer outra congruência. Nem sempre um problema será resolvido apenas
com 2 cores, às vezes usar o número de cores que cada peça ocupa também pode resolver o
problema.

Nem sempre estas colorações são completamente naturais, até mesmo para quem tem
experiência com esta técnica. Às vezes é de facto preciso “sacar do rabo” a coloração.

Muitas vezes os problemas não serão resolvidos somente com colorações ou colorações e
exemplos, em muitos casos pintar o tabuleiro apenas nos permitirá resolver parte do
problema ou ajudar a resolver. De facto, alguns dos problemas abaixo proposto apenas usam
colorações numa parte pequena da solução, que pode nem sequer ser a única.

Agora que temos algumas técnicas para colorir em problemas, resta-nos treinar e resolver
problemas com estas técnicas.

Problemas Propostos:
Nota: Um problema estar aqui não quer dizer que uma coloração resolva o problema, poderão inclusive
apenas usar ideias que são úteis em problemas de colorações e nem sequer usarem colorações.
Os problemas assinalados com * têm uma solução no final do artigo.

Problema 4 (Omayo 2008). O Matias cobriu um


tabuleiro quadrado 7×7, dividido em quadrados 1×1,
com peças dos tipos ao lado, sem buracos, sem
sobreposições e sem sair do tabuleiro.
Cada peça de tipo 1 cobre exatamente 3 quadrados 1×1 e cada peça do tipo 2 ou tipo 3
cobre exatamente 4 quadrados 1×1.
Determina o número de peças do tipo 1 que o Matias pode ter usado (as peças podem ser
rodadas).

Problema 5 (Omayo 2014). Cada quadricula de um tabuleiro , com n≥3, está


pintada com uma de 8 cores. Para que valores de n se pode afirmar que alguma destas
figuras a cinzento:

Contem pelo menos duas quadrículas da mesma cor, independentemente da maneira


como o tabuleiro está colorido?

Problema 6 (Italy TST 1995) Um 8×8 está coberto com 21 peças 3×1, sendo que
uma e só uma casa do tabuleiro não está coberta. Determina as posições possíveis dessa
casa.
Problema 7 (Omayo 2006). Temos 28 pontos num reticulado
triangular como mostra a figura. Uma operação consiste em escolher 3
pontos que sejam os vértices de um triangulo equilatero e retira-los ao
reticulado. Fazem-se operações até só sobrar 1 ponto no reticulado.
Indica quais os pontos que podem ser o único ponto que sobra ao fim
das operações.

Problema 8 (Teste Delfos). O Pedro e o Nuno jogam o seguinte jogo: Num tabuleiro
n×n eles colocam alternadamente um cavalo (ver como “mata” a peça da Xadrez) numa
casa de modo a que nenhum dos cavalos já colocados possa matar o recém-colocado cavalo.
O Pedro joga primeiro. Determine em função de n quem tem uma estratégia vencedora.

Problema 9.* Pretende-se preencher um tabuleiro 23×23 com peças quadrangular


1×1, 2×2 ou 3×3. Qual o número mínimo de peças 1×1 que têm de ser usadas?

Problema 10 (IMO shortlist 1989). Em cada casa de um tabuleiro m×n escreve-se um


inteiro positivo. Uma operação consiste em escolher um inteiro k e duas casas adjacentes
com os inteiros a, b e troca-los a, b por a+k e b+k de modo a que a+k e b+k não sejam
negativos. Determina uma condição suficiente e necessária para que seja possível todas as
casas terem o número 0 ao fim de um número finito de operações.

Problema 11. A Ana e a Banana jogam um jogo numa grelha hexagonal infinita. No seu
turno, Ana pinta a vermelho dois hexágonos adjacentes e de seguida a Banana apaga um e
volta ao turno da Ana. Uma sequência de hexágonos diz-se um caminho se os centros dos
hexágonos forem colineares e se cada hexágono for adjacente ao proxímo hexágono da
sequência (dois hexaágonos dizem-se adjacentes se partilharem um lado).
O objetivo da Ana é fazer o maior caminho que conseguir e a Banana quer que a Ana faça
o menor maior caminho possível.
Assumindo que ambas as jogadoras jogam na perfeição, determine o maior caminho
feito.

Problema 12 (OBB 2015). Para que valores de , escolhendo qualquer casa do


tabuleiro , é possível preencher o resto do tabuleiro com trominós em forma de L?
(sem sobreposições nem a ocupar o exterior do tabuleiro).

Problema 13 (IMO shortlist 2014)*. Um tetrominó é formado juntando dois dominós


pelos seus lados, de modo que o ponto médio do lado maior de um dominó é um
canto do outro dominó. Esta construção forma dois tipos de tetraminós com orientações
opostas, chamados S-tetraminós e Z-tetraminós, representados na figura seguinte:
S-tetraminós: Z-tetraminós:

Um polígono está pavimentado com S-tetraminós. Prova que se pavimentarmos


com S-tetraminós e Z-tetraminós, então o número de Z-tetraminós é par.
Resoluções de alguns problemas:
Problema 9. Pretende-se preencher um tabuleiro 23×23 com peças quadrangulares
1×1, 2×2 ou 3×3. Qual o número mínimo de peças 1×1 que têm de ser usadas?

spoiler

Solução: 1

À primeira vista seria possível usar 0 peças 1×1 já que 232 =9x+ 4y tem soluções com
x, y inteiros, no entanto ao fim de algumas tentativas poderá conjeturar que não é possível e
que se calhar a resposta é outro inteiro.

Mas temos um problema, as nossas peças têm tamanhos diferentes e 4 e 9 são coprimos,
não podemos arranjar uma coloração tal que cada peça tenha uma quantidade constante de
cada cor ou de uma certa cor.

Então e colorações com congruências? Será que existe uma coloração tal de que a
diferença entre as cores seja algo útil?
O número de casas ocupadas pelos quadrados diferentes, talvez uma coloração que numa
das peças tenha sempre as mesmas cores e na outra faça uma diferença que seja sempre
múltiplo de um inteiro (23 é primo, até tem algum ar de resultar).
Quadrados são peças normais, a coloração não deve ser complicada. Xadrez? Não
funciona. Então e pintar as colunas?

A diferença entre casas azuis e brancas é sempre 0.


Nos quadrados 3 por 3 é sempre 3 ou -3, ou seja,
com estas peças só conseguimos cobrir tabuleiros tal
que a diferença entre casas azuis e brancas seja um
múltiplo de 3.

E como é o nosso tabuleiro?


O número de colunas é ímpar (23 é ímpar) pelo que a
1ª coluna e a última vão ter a mesma cor, A diferença
entre o número de casas azuis e brancas vai ter 23,
que não é de modo algum múltiplo de 3.

E porque não uma coloração com 3 cores?

As peças 3×3 vão ter 3 casas de cada cor e as outras


vão ter 2 de duas cores. Pelo que as 3×3 não alteram as
diferenças e as 2×2 não mudam a diferença entre as cores
nela mas muda a diferença entre as suas duas cores e a 3ª
cor por 2. Assim, as 3 diferenças entre as 3 cores têm de ser
pares mas esta coloração faz com que duas delas sejam 23.
Estas duas colorações mostram que é impossível não usar quadrados e lado 1.
Fica como exercício para o leitor encontrar uma configuração com apenas um quadrado
de lado 1.

Problema 14 (IMO shortlist 2014). Um tetrominó é formado juntando dois dominós


pelos seus lados, de modo que o ponto médio do lado maior de um dominó é um
canto do outro dominó. Esta construção forma dois tipos de tetrominós com orientações
opostas, chamados S-tetrominós e Z-tetrominós, representados na figura seguinte:
S-tetrominós: Z-tetrominós:

Um polígono está pavimentado com S-tetrominós. Prova que se pavimentarmos


com S-tetrominós e Z-tetrominós, então o número de Z-tetrominós é par.

spoiler

Este problema é uma verdadeira bomba e pode fazer a cabeça de muitos explodir ao
falhar a encontrar uma solução. No entanto, uma coloração rebenta o problema!

Nós queremos mostrar que para recriar um polígono com S-tetrominós e Z-tetrominós
precisamos de um número par de Z-tetrominós, isto cheira mesmo a usar uma coloração
com paridade: uma coloração tal que os S-tetrominós tenham um número par de cada cor e
os Z-tetrominós um número impar.

Como podemos então criar esta coloração? Repare-se na


figura lado.

O 1º S-tetrominó e o 2º Z-tetrominó têm 3 casas em comum, e como queremos que


tenham paridades diferentes as duas casas diferentes vão ter de ter uma cor diferente.
E assim temos logo parte da coloração. No entanto, ela está longe de completa, o que
podemos fazer mais com o tabuleiro tão vazio? Bem, padrão de xadrez não funciona, pelo
que podemos pôr duas casas vermelhas adjacentes na coloração, que nos dá:

E agora? Agora podemos pegar em tetrominós e encontrar relações entre as casas que
estão por colorir!

As casas A e B pertence a um S-tetraminó que já tem duas casas de cada cor, pelo que
têm de ter cores diferentes, por sua vez C e D pertencem a um S-tetraminó que tem duas
casas da mesma cor, pelo que também têm de ter a mesma cor. Repare-se que ao pintar C e
D de verde ou de vermelho a nossa coloração fica igual, só que fica “shifted”. Pintemos
então C e D de vermelho.

A nossa coloração está a nascer. Já temos “metade” dela.


Sabemos que A e B têm uma cor diferente. Olhando para o Z-tetraminó [EFCD] temos
que E e F têm uma cor diferente. Olhando para o S-tetraminó [EBCG] temos que E e B têm
uma cor diferente. Com isto temos que A e E vão ter uma cor e B e F vão ter outra. Basta
escolher uma cor para a coloração estar completa, mas qual havemos de escolher? Repare-se
que se rodarmos o tabuleiro 180º os S-tetraminós continuam a ser S-tetraminós e os Z-
tetraminós continuam a ser Z-tetraminós, no entanto trocamos as casas A com a F e B com a
E, ou seja, é indiferente que cor damos porque vão ambas dar ao mesmo! Se pintarmos, por
exemplo, A de vermelho temos:

Agora é facil de verificar que qualquer S-tetraminó tem um número par de cada cor e
cada Z-tetraminó tem um número impar de cada cor. Assim, como é criado só com S-
tetraminós tem um número par de cada cor e ao ser recriado com S-tetraminós e Z-
tetraminós, vai ser de ter um número par de Z-tetraminós para ter um número par de cada
cor. QED.

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