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A parentela corporal e a parentela spiritual 1

Tema: A parentela corporal e a parentela espiritual


Fonte: Evangelho segundo o Espiritismo, XIV: item, 8.

A PARENTELA CORPORAL E A PARENTELA ESPIRITUAL


8. Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo,
mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai
quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no
entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.
Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos
simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas,
também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por
antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de
provação.
Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de
idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres
nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então
atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se,
conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das
existências. (Cap. IV, nº 13.)
Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais.
Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias
migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem
moralmente, já na existência atual.
Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus
irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos
céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos,
que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espírito.
Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus
dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: "Eis aqui meus verdadeiros irmãos." Embora
na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja
pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia.
Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.

PONDERAÇÕES:
Este estudo de famílias no Espiritismo é explicável, e Allan Kardec fez um discernimento explicativo de
uma forma bem compreensível, acessível, transparente e livre para todos nós .
Eis alguns pontos principais:
1° - O Espírito já existia antes da formação do corpo.
2° - Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho.
3° - Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão
de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações.
4° - Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o
fossem pelo sangue.
5° - Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos
consangüíneos podem repelir-se.
6° - Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços
corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos.

1
Estudo feito por A.. M. Fernandes no Centro Espírita Joana d’Arc, São João de Meriti,
RJ. a 06/ 07/ 2010.

1
7° - Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus
irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos
céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
***
Bem, tirando da Doutrina Espírita, que acredita na reencarnação e a comprova, 2 são poucas as Doutrinas
que possam explicar esta passagem difícil de se entender no Evangelho.
Das Doutrinas adentro do Cristianismo sabemos que há os dogmas, segundo eu as entendo que quando
se morre, ou seja, se desencarna nosso espírito ou alma, conforme é aceita por todos os aderentes desse dogma,
essa alma vai para Deus, porém fica à espera como que a dormir, sim, à espera da ressurreição para um
julgamento final, em que será decidida sua situação espiritual.
Daí, sem movimento de ação positiva ou negativa, todas essas almas ficam numa condição de inércia,
sem poder influenciar nem ser influenciada, daí trazendo a conseqüência de serem desfeitas nos laços corporais
consangüíneos as únicas famílias a que teriam tido ou possam ter., pois ao falecer se rompe os laços para sempre.
Há, porém nessas Doutrinas quem acredite que se possam influenciar essas almas, pela prece e orações
a seu favor, mas poucos acreditam que essas almas possam nos dar qualquer retorno, nem que nos ame muito,
pois estão segundo certas Doutrinas, num estado de sem permissão de se comunicar perpetuamente, vamos dizer
assim, essas convicções têem raízes profundas e tradicionais.
A Igreja Católica aceita que os Santos podem nos ajudar, daí, muitos testemunhos de pessoas que
pediram ajuda a ‘Santos’ e foram atendidas, daí, há exceção segundo essa interpretação, mas se Santos nos
podem ajudar também devemos supor que os familiares que nos amam também possam, isto é se tiverem
condição, pois muitos só podem nos atrapalhar, nesse caso, que nos deixem virar sozinhos, por bem, não é
assim? É por que cada um responde por si e o caminho de tarefa de um, outro não deve por bem, atrapalhar.
Então temos testemunho que o além pode nos influenciar, 3 seja pelos testemunhos da Igreja ou do
Espiritismo, daí sabermos que não é conforme o dogma da paralisação no além à espera do julgamento final.
Os julgamentos constantes e finais precisam ser interpretados à luz da razão sem fanatismos, pois a lógica
nos diz que constantemente estamos a ser julgado pelas leis de ‘Causa e Efeito’, 4 que nos ajustam
constantemente à atualização da vida e nos dirige à conscientização do certo e do errado e daí as Leis fazer-nos
acertar conscienciosamente no bem e no amor, pois, quando não vai pelo amor, vai pela dor.
Como exemplo, sabemos que o homem está causando à Terra através de desajustes e poluição etc,
muito mal à Terra a qual responde com efeitos negativos como se sentisse magoada, daí um julgamento que fez o
homem se arrepender, e agora está procurando reparar esse mal, que ele fez, ao refletir por quê a Terra reagiu de
imediato e de certo modo inesperado.
É neste aprendizado generalizado que o homem avança se desenvolve, evolui e tem progresso, isto desde
o princípio dos tempos, pois ele foi criado por Deus ‘Simples e ignorante’,5 porém seu Espírito eterno que lhe foi
doado por Deus acumula incessantemente seus ensinos, e avança nos desígnios de Deus sempre para um futuro
melhor, errando, se arrependendo e se reajustando, em seqüência ao arrependimento que lhe pede e exige de
modo obvio o ajustamento urgente, perante as Leis Naturais, que o governa, lidera e provoca os ensinamentos
necessários ao seu desenvolvimento moral e intelectual relativamente..
A vida continua, mais viva do que podemos imaginar, pois ‘há mais coisas entre o Céu e a Terra do que
podemos sonhar’, 6
É obvio que a vida continua, pois o Espírito é eterno, não por que se fez eterno ele próprio, 7 mas porque
foi assim da Vontade de Deus que o criou. Sim, o Espírito já é eterno, portanto não será pelo esforço que faça para
ganhar essa graça de eternidade.
Seu esforço 8 lhe é pedido para que seja feliz e cresça progressivamente na sua evolução, a graus cada
vez mais puros no caminho da perfeição, ascendendo para Deus seu Criador, que o acompanha atravez dos
milênios que sejam precisos ou das encarnações ‘Quantas forem necessárias’ 9 ao seu desenvolvimento e pureza.

2
O Livro dos Espíritos, Q. 166-188.
3
O Livro dos Espíritos, Q. 459, 495
4
Evangelho Segundo o Espiritismo, 5: 4-10
5
O Livro dos Espíritos, Q. 115-121.
6
Shakespeare “There is more between Heaven and Earth than thou canst dream of”.
7
Mateus, 6: 27. - Nem em nossa estatura temos poder, muito menos sobre a
eternidade.
8
Evangelho Segundo o Espiritismo, 7: 4.
9
O Livro dos Espíritos, Q. 169.

2
Por mais longo o percurso que seja, até chegar a ser Espírito Puro 10 em que terá comunhões especiais
com Deus, conhecendo Seus pensamentos e desígnios, atuando e administrando tarefas espontaneamente na
Vontade de Deus, com jubilo e satisfação gozando as bênçãos dos Céus a ele merecidas.
Ora, a vida continua, e se o Espírito ainda se encontra muito aquém de ser perfeito, é lógico que no além
na vida espiritual, sua evolução se perpetua em complemento à vida corporal, que lhe é imposta pelas Leis de
reencarnação enquanto precisar de corpo físico, assim como os encaminhamentos e os estudos que o Mundo
físico comporta, como ferramenta provendiciada por Deus para ser usada pelo Espírito que tenha necessidade, e
haja compreensão de que uma só encarnação, não é suficiente 11 para um Espírito absorver o conteúdo geral que
a Terra contenha e lhe oferece, embora seja ela de ‘Provas e Expiações’, 12 contém em si múltipla graduação.
Até, por que, aqui pode dar seqüência aos seus adiantamentos, numa continuação ou novo capítulo à sua
prévia missão, assim como continuar com seus amigos, suas afinidades, suas famílias, suas simpatias, seus ideais
etc, cujos se lhes fosse tiradas, em virtude de que tivesse que ir para outro Mundo, por razão desconhecida, 13
onde teria que recomeçar tudo de novo sem ter apoio de nada e desconhecer esse Mundo por completo,.a só
consigo mesmo sem apoio absolutamente nenhum, enceto claro indubitavelmente de Deus onipresente.
Isso, ao Espírito é indesejável, improvável e sabemos que Deus é de Harmonia, Suas Leis são
conscienciosamente de Amor cumprindo Sua Vontade, redigidas pelo Seu Pensamento e mantidas sem serem
derrogadas nem revogadas, por que sendo Deus perfeito em todos Seus atributos, Suas Leis são criadas
obviamente com pensamento harmonioso e decretado, deduz-se que assim seja, pelo entendimento que temos de
Seus atributos, 14 ao nível da nossa presente compreensão.
Sim, quando o Espírito, completa a moral e a intelectualidade que o Mundo lhe oferece, claro que tem de
ascender em seqüência para Mundos superiores, mas terá sempre contacto com suas famílias deixadas em
retrocesso se é que não o possam acompanhar, pois as afinidades e o amor universal atravessa o Universo
Cósmico instantaneamente pelo pensamento do Espírito que o emite e o amor é de durabilidade infinita.
***
Bem, vejamos o item 28 do capitulo XI do livro de Allan Kardec ‘A
Gênese’:
28. - “Quando, em um mundo, os Espíritos hão realizado a soma de progresso que o estado desse mundo
comporta, deixam-no para encarnar em outro mais adiantado, onde adquiram novos conhecimentos e assim por
diante, até que, não lhes sendo mais de proveito algum a encarnação cm corpos materiais, passam a viver
exclusivamente da vida espiritual, em a qual continuam a progredir, mas noutro sentido e por outros meios.
Chegados ao ponto culminante do progresso, gozam da suprema felicidade. Admitidos nos conselhos do
Onipotente, conhecem-lhe o pensamento e se tornam seus mensageiros, seus ministros diretos no governo dos
mundos, tendo sob suas ordens os Espíritos de todos os graus de adiantamento.
Assim, qualquer que seja o grau em que se achem na hierarquia espiritual, do mais ínfimo ao mais
elevado, têm eles suas atribuições no grande mecanismo do Universo; todos são úteis ao conjunto, ao mesmo
tempo que a si próprios. Aos menos adiantados, como a simples serviçais, incumbe o desempenho, a princípio
inconsciente, depois, cada vez mais inteligente, de tarefas materiais. Por toda parte, no mundo espiritual, atividade,
em nenhum ponto a ociosidade inútil.
A coletividade dos Espíritos constitui, de certo modo, a alma do Universo.
Por toda parte, o elemento espiritual é que atua em tudo, sob o influxo do pensamento divino. Sem esse
elemento, só há matéria inerte, carente de finalidade, de inteligência, tendo por único motor as forças materiais,
cuja exclusividade deixa insolúveis uma imensidade de problemas. Com a ação do elemento espiritual
individualizado, tudo tem uma finalidade, uma razão de ser, tudo se explica.
Prescindindo da espiritualidade, o homem esbarra em dificuldades insuperáveis.”

***
De apoio ao estudo vejamos ‘A Gênese’, XVII: 65 e 66:

10
O Livro dos Espíritos, Q. 112- 113 - 625.
11
O Livro dos Espíritos, Q. 169 e 196.
12
Evangelho segundo o Espiritismo, 3: 13-15.
13
Allan Kardec, ‘A Gênese, 11: 34.
14
O Livro dos Espíritos, Q. I: 1-13. - A Gênese, 2: 8-19.

3
65. - “Materialmente, a idéia de um julgamento único seria, até certo ponto, admissível para os que não
procuram a razão das coisas, quando se cria que a Humanidade toda se achava concentrada na Terra e que para
seus habitantes fora feito tudo o que o Universo contém. É, porém, inadmissível, desde que se sabe que há
milhares de milhares de mundos semelhantes, que perpetuam as Humanidades pela eternidade em fora e entre os
quais a Terra é dos menos consideráveis, simples ponto imperceptível.
Vê-se, só por este fato, que Jesus tinha razão de declarar a seus discípulos: «Há muitas coisas que não
vos posso dizer, porque não as compreenderíeis», dado que o progresso das ciências era indispensável para uma
interpretação legítima de algumas de suas palavras. Certamente, os apóstolos, S. Paulo e os primeiros discípulos
teriam estabelecido de modo muito diverso alguns dogmas se tivessem os conhecimentos astronômicos,
geológicos, físicos, químicos, fisiológicos e psicológicos que hoje possuímos.
Daí vem o ter Jesus adiado a completação de seus ensinos e anunciado que todas as coisas haviam de
ser restabelecidas.”“.
***
66. - “Moralmente, um juízo definitivo e sem apelação não se concilia com a bondade infinita do Criador,
que Jesus nos apresenta de contínuo como um bom Pai, que deixa sempre aberta uma senda para o
arrependimento e que está pronto sempre a estender os braços ao filho pródigo. Se Jesus entendesse o juízo
naquele sentido, desmentiria suas próprias palavras.
Ao demais, se o juízo final houvesse de apanhar de improviso os homens, em meio de seus trabalhos
ordinários, e grávidas as mulheres, caberia perguntar-se com que fim Deus, que não faz coisa alguma inútil ou
injusta, faria nascessem crianças e criaria almas novas naquele momento supremo, no termo fatal da Humanidade.
Seria para submetê-las a julgamento logo ao saírem do ventre materno, antes de terem consciência de si mesmas,
quando, a outros, milhares de anos foram concedidos para se inteirarem do que respeita à própria individualidade?
Para que lado, direito ou esquerdo, iriam essas almas, que ainda não são nem boas nem más e para as quais, no
entanto, todos os caminhos de ulterior progresso se encontrariam desde então fechados, visto que a Humanidade
não mais existiria? (Cap. II, nº 19.)
Conservem-nas os que se contentam com semelhantes crenças; estão no seu direito e ninguém nada tem
que dizer a isso; mas, não achem mau que nem toda gente partilhe delas.”“.
***
Gente! Alegremo-nos por sermos Espíritos eternos, com a atribuição de termos em instinto 15 e intuição as
leis de evolução e progresso, e semeado no nosso mais intimo a semente do amor, ao que conseqüentemente nos
impulsionam a improvisar, a procurar melhorar, a pesquisar para descobrir melhor condição, a procurar nos
realizarmos oferecendo nossos esforços a favor do próximo, assim como o próximo a se esforçar para em
contrapartida nos ajudar e mutuamente progredimos, nos amamos, e nos influenciamos e desse modo angariamos
nesses elos amizades, afinidades, famílias afins, simpatizantes uns com os outros e se amando, daí as
comunidades, as Nações e as influencias de Nação a Nação, de Mundos a Mundos, 16 nos gostos nas cópias de o
que há de melhor, enfim o progresso a evolução a favor de todos, conscientes ou não de que somos uma família
espiritual.
Nestas leis estão muitos dos desígnios de Deus que se rejubila em ver-nos encarnados e desencarnados
em desenvolvimento progressivo seja na moral ou na intelectualidade, diremos então, que assim seja, Amem!
***
Uma palavra ou duas das conclusões de “O Livro dos
Espíritos’, conclusões, IV”:
IV ““ O progresso da Humanidade tem seu princípio na aplicação da lei de justiça, de amor e de
caridade, lei que se funda na certeza do futuro. Tirai-lhe essa certeza e lhe tirareis a pedra fundamental. Dessa lei
derivam todas as outras, porque ela encerra todas as condições da felicidade do homem. Só ela pode curar as
chagas da sociedade. Comparando as idades e os povos, pode ele avaliar quanto a sua condição melhora, à
medida que essa lei vai sendo mais bem compreendida e praticada. Ora, se, aplicando-a parcial e
incompletamente, aufere o homem tanto bem, que não conseguirá quando fizer dela a base de todas as suas
instituições sociais! Será isso possível? Certo, porquanto, desde que ele já deu dez passos, possível lhe é dar vinte
e assim por diante.

15
O Livro dos Espíritos, Q. 702, 703.
16
Evangelho segundo o Espiritismo, 3: 1-19.

4
Do futuro se pode, pois, julgar pelo passado. Já vemos que pouco a pouco se extinguem as antipatias de
povo para povo. Diante da civilização, diminuem as barreiras que os separavam. De um extremo a outro do mundo,
eles se estendem as mãos. Maior justiça preside à elaboração das leis internacionais. As guerras se tornam cada
vez mais raras e não excluem os sentimentos de humanidade. Nas relações, a uniformidade se vai estabelecendo.
Apagam-se as distinções de raças e de castas e os que professam crenças diversas impõem silêncio aos prejuízos
de seita, para se confundirem na adoração de um único Deus. Falamos dos povos que marcham à testa da
civilização. (789-793)
A todos estes respeitos, no entanto, longe ainda estamos da perfeição e muitas ruínas antigas, ainda se
têm que abater, até que não restem mais vestígios da barbaria. Poderão acaso essas ruínas sustentar-se contra a
força irresistível do progresso, contra essa força viva que é, em si mesma, uma lei da Natureza? Sendo a geração
atual mais adiantada do que a anterior, por que não o será mais do que a presente a que lhe há de suceder? Sê-lo-
á, pela força das coisas. Primeiro, porque, com as gerações, todos os dias se extinguem alguns campeões dos
velhos abusos, o que permite à sociedade formar-se de elementos novos, livres dos velhos preconceitos. Em
segundo lugar, porque, desejando o progresso, o homem estuda os obstáculos e se aplica a removê-los.
Desde que é incontestável o movimento progressivo, não há que duvidar do progresso vindouro. O homem
quer ser feliz e é natural esse desejo. Ora, buscando progredir, o que ele procura é aumentar a soma da sua
felicidade, sem o que o progresso careceria de objeto. Em que consistiria para ele o progresso, se lhe não devesse
melhorar a posição?
Quando, porém, conseguir a soma de gozos que o progresso intelectual lhe pode proporcionar, verificará
que não está completa a sua felicidade. Reconhecerá ser esta impossível, sem a segurança nas relações sociais,
segurança que somente no progresso moral lhe será dado achar. Logo, pela força mesma das coisas, ele próprio
dirigirá o progresso para essa senda e o Espiritismo lhe oferecerá a mais poderosa alavanca para alcançar tal
objetivo.””
***
Pois é, no meio do turbilhão deste Mundo não é fácil estudarmos no Espiritismo quem somos, por que
estamos aqui, qual é o futuro que Deus nos reserva, mas como complicamos as coisas, parece ilusão as
realidades da vida corporal ou espiritual, por ser o Espiritismo tão simples e ainda assim complexo e abrangente.
Simples, por que sua “Moral” é a de Jesus e sua base principal é a “Reencarnação”, e ”Progresso Moral e
Intelectual”.
Complexa, por que trata do estudo da alma a qual traz conseqüências religiosas filosóficas e cientificas,
por a alma ser vivente contendo em si o potencial da eternidade..
Abrangente, por que abrange e envolve o Mundo Espiritual e o Mundo material e destes os Mundos do
Universo, a graduação dos Mundos, as condições de seus habitantes os graus espirituais de seus habitantes,
quais os merecimentos dos Espíritos para uns estar em Mundos Superiores enquanto outros vivem em Mundos
Inferiores, como progredir e evoluir para chegar a Mundos mais felizes, eis a complexidade do Espiritismo, sério,
real e digno de ser estudado.
Todas as religiões têm a preocupação da vida eterna, umas mais sérias que outras, daí por que não
analisemos o que a Doutrina Espírita nos tem a ensinar, pois ao sabermos que este Mundo material nos envolve
por tão pouco tempo, por que não procurar saber mais sobre a vida eterna do Espírito, seja em Igrejas ou Centros
Espíritas sérios, que tenham estudos freqüentes. Lembremo-nos positivamente de que: “Fé inabalável é somente
aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade”. 17

***
Em relação à vida eterna estudemos a questão de ‘O Livro dos
Espíritos, 153:
153. Em que sentido se deve entender a vida eterna?
“A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma
retoma a vida eterna.”
a) Não seria mais exato chamar vida eterna à dos Espíritos puros, dos que, tendo atingido a perfeição, não
estão sujeitos a sofrer mais prova alguma?
“Essa é antes a felicidade eterna. Mas isto constitui uma questão de palavras.
Chamai as coisas como quiserdes, contanto que vos entendais.”“.

17
Evangelho segundo o Espiritismo, 19: 7.

5
***
Em relação ao progresso dos Espíritos estudemos no livro de Allan
Kardec, ‘O Céu e o Inferno’, cap. III, item, 7.
7. - ““ O progresso nos Espíritos é o fruto do próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham no seu
adiantamento com maior ou menor atividade, com mais ou menos negligência, segundo sua vontade, acelerando
ou retardando o progresso e, por conseguinte, a própria felicidade.
Enquanto uns avançam rapidamente, entorpecem-se outros, quais poltrões, nas fileiras inferiores. São
eles, pois, os próprios autores da sua situação, feliz ou desgraçada, conforme esta frase do Cristo: - A cada um
segundo as suas obras.
Todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo, assim como o que se adianta tem o
mérito exclusivo do seu esforço, dando por isso maior apreço à felicidade conquistada.
A suprema felicidade só é compartilhada pelos Espíritos perfeitos, ou, por outra, pelos puros Espíritos, que
não a conseguem senão depois de haverem progredido em inteligência e moralidade.
O progresso intelectual e o progresso moral raramente marcham juntos, mas o que o Espírito não
consegue em dado tempo, alcança em outro, de modo que os dois progressos acabam por atingir o mesmo nível.
Eis por que se vêem muitas vezes homens inteligentes e instruídos pouco adiantados moralmente, e vice-versa.””

***
Bem, concluímos então, que há as famílias corporais e há as famílias espirituais, mas que com o
Espiritismo, damos um passo em adiantamento de conhecimento, sabendo que por afinidades e simpatias há união
entre os encarnados e desencarnados, ou seja, entre os Mundos Espirituais e Mundos materiais e que portanto
como Espíritos somos todos irmãos filhos de o mesmo Pai 18 que é como todos sabem Deus.

Bem, que Deus seja conosco, assim como outrora, hoje e sempre.

Gente! Alegremo-nos por sermos Espíritos eternos,19


Com a atribuição de termos em instinto 20 e intuição as leis de
evolução e progresso,
E semeado em nosso mais intimo a semente do amor
Ao que conseqüentemente nos impulsionam a improvisar, a
procurar melhorar,
A pesquisar para descobrir melhor condição,
A procurar nos realizarmos oferecendo nossos esforços a favor do
próximo,
Assim como o próximo a se esforçar para em contrapartida nos
ajudar e mutuamente progredimos,
Nos amamos, e nos influenciamos e desse modo angariamos
nesses elos amizades,

18
João, 16: 28 - 20: 17;
19
Extrato do estudo ‘A parentela espiritual...’, dado no Centro Espírita Joana d’Arc, São João de
Meriti, RJ. a 06/ 07/ 2010.
20
O Livro dos Espíritos, Q. 702 e 703.

6
Afinidades, famílias afins, simpatizantes uns com os outros e se
amando,
Daí as comunidades, as Nações e as influencias de Nação a Nação.
De Mundos a Mundos.21
Nos gostos nas cópias de o que há de melhor, enfim o progresso a
evolução a favor de todos.
Conscientes ou não de que somos uma família espiritual.
Nestas leis estão muitos dos desígnios de Deus que se rejubila
Em ver-nos encarnados e desencarnados
Em desenvolvimento progressivo seja na moral ou na
intelectualidade,
Diremos então, que assim seja, Amem!

21
Evangelho segundo o Espiritismo, 3: 1-19.