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Curso

Normatização das
Unidades Lotéricas
Sumário
Apresentação ........................................................................................... 3

1. Origens dos Jogos Lotéricos............................................................... 4

2. Falando sobre as Unidades Lotéricas.................................................. 9

2.1. O conceito e Limite da Permissão ........................................ 11


2.2. Categorias de Unidades Lotéricas e Modalidades de
Loterias ...................................................................................... 12
2.3. Modalidades de Loterias....................................................... 13
2.4. Prestação de Serviços ......................................................... 14
2.5. Remuneração dos Produtos Lotéricos e Serviços................. 15

3. Seleção e Constituição da Empresa Lotérica.................................... 16

3.1. Seleção das Permissionárias ............................................... 16


3.2. Constituição da Empresa Lotérica........................................ 17

4. Disposições Físicas da Unidade Lotérica.......................................... 18

4.1. Formatação Física................................................................ 18


4.2. Equipamentos para Realização da Atividade Lotérica ........... 20
4.3. Equipamentos de Segurança e Microinformática................... 21
4.4. Padronização Visual e Ambiental do Estabelecimento
Lotérico ...................................................................................... 21
4.5. Mudança de Local................................................................ 22

5. Responsabilidades do Permissionário .............................................. 23

5.1. Garantias ............................................................................ 23


5.2. Gestão da Permissionária..................................................... 24

6. Obrigações da CAIXA......................................................................... 29

7. Irregularidades e Sanções Administrativas........................................ 30

Conclusão .............................................................................................. 32

Referências ............................................................................................ 33
Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Apresentação
Olá, caro participante!

Vamos dar início aos estudos do Curso Normatização das Unidades Lotéricas.

Neste curso, falaremos sobre a base legal que norteia as atividades da Rede de
Unidades Lotéricas – os seus conceitos, os limites das permissões, as categorias
de Unidades Lotéricas, as modalidades de loterias, os padrões para funcionamento
e as regras.

Também abordaremos as responsabilidades do permissionário de loterias e


da CAIXA perante sua rede, da tributação vigente e das penalizações perante
eventuais descumprimentos contratuais.

Permissionário, como indica a palavra, é aquele que obteve permissão para


algo. No caso, a operação de uma Unidade Lotérica. E, como veremos,
seguindo as regras próprias da atividade.

Bons estudos!

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
1. Origens dos Jogos Lotéricos
É fundamental termos em mente que a loteria brasileira é um importante
instrumento de desenvolvimento social. Uma fonte segura e constante de
recursos financeiros sem o impacto direto na carga tributária do cidadão.

A primeira Loteria Oficial no Brasil aconteceu em 1784, na cidade de Vila Rica, atual
Ouro Preto-MG. A primeira extração teve por objetivo a construção da primeira
Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica (hoje, Museu da Inconfidência), importante
cidade do estado de Minas Gerais.

Essa primeira loteria já nos mostra qual foi a finalidade original das loterias –
arrecadar recursos para objetivos específicos. Assim, as pessoas que adquiriram
aquela primeira loteria sabiam que uma parte do valor arrecadado seria revertida
em prêmios para os ganhadores, mas que outra parte seria destinada à construção
da Casa de Câmara e Cadeia em Minas Gerais.

Quer ver outro exemplo?

Temos uma imagem do bilhete da “Segunda Grande Loteria da Corte”, ocorrida


ainda no Império, em 1883:

Figura 1 – Extraído de www.loterofilia.com.br

Os recursos dessa loteria foram revertidos para o “Montepio dos Servidores do


Estado (RJ)”, para o “Sacramento da Candelária da Corte (administradora do
Imperial Hospital dos Lázaros)” e para o Instituto dos Meninos cegos, surdos e
mudos.

Você sabe o que a loteria e o Museu do Ipiranga têm em comum?

Segundo Sylvio Luongo (LUONGO, 2008), o Decreto da Lei Provincial de São Paulo
(nº 49, de 6 de abril de 1880) autorizava a realização de três Loterias Extraordinárias
com objetivo de arrecadar fundos para a construção do “Monumento do Ypiranga”,

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conhecido como Museu do Ipiranga ou Museu Paulista1. A construção durou dez
anos, de 1885 a 1895. Veja um dos bilhetes dessas loterias (07/09/1880).

Figura 2 – Extraída de www.loterofilia.com.br

No século XX, em 1961, foi regulamentado que a exploração das loterias federais
seria competência da União e sua execução passou a ser da Caixa Econômica
Federal. Veja um recorte do texto do Decreto nº 50.954, de 14 de julho de 19612
(Câmara dos Deputados, 1961), que fala sobre isso:

DECRETA:

Art. 1º A Loteria Federal será explorada diretamente pela União.

Art. 2º O serviço da Loteria Federal subordinado ao Ministro da Fazenda, será


executado em todo País, pelo Conselho Superior das Caixas Econômicas em
colaboração com as Caixas Econômicas Federais.

Art. 3º Para os efeitos do disposto no artigo anterior, funcionará, junto ao Conselho


Superior das Caixas Econômicas, um órgão especializado, com a denominação de
Administração do Serviço da Loteria Federal.

A Loteria Federal do Brasil foi a primeira a ser administrada pela Caixa Econômica
Federal, por isso mesmo conhecida como a loteria tradicional. Antes de ser
delegada à CAIXA, a exploração da Loteria Federal era feita por empresas
particulares, pelo prazo de 5 anos, mediante concorrência pública realizada pelo
Ministério da Fazenda.

A primeira extração da Loteria Federal sob a administração do Conselho Superior


das Caixas Econômicas Federais foi realizada em 15 de setembro de 1962, no
estado da Guanabara, atual Rio de Janeiro.

1 – Acesse mais informações em http://www.mp.usp.br/.


2 – http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-50954-14-julho-1961-390555-
publicacaooriginal-1-pe.html

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Em 1967, visando impedir o surgimento e proliferação de jogos proibidos que
fossem suscetíveis de atingir a segurança nacional, foi publicado o Decreto-Lei nº
204 (Câmara dos Deputados, 1967).3 Veja os principais aspectos desse decreto
(grifos nossos):

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere


o parágrafo 2º, do artigo 9º, do Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro
de 1966, e,

CONSIDERANDO que é dever do Estado, para salvaguarda da


integridade da vida social, impedir o surgimento e proliferação de
jogos proibidos que são suscetíveis de atingir a segurança nacional;

CONSIDERANDO que a exploração de loteria constitui uma exceção


às normas de direito penal, só sendo admitida com o sentido de
redistribuir os seus lucros com finalidade social em têrmos
nacionais;

CONSIDERANDO o princípio de que todo indivíduo tem direito à


saúde e que é dever do Estado assegurar êsse direito;

CONSIDERANDO que os Problemas de Saúde e de Assistência Médico-


Hospitalar constituem matéria de segurança nacional;

CONSIDERANDO a grave situação financeira que enfrentam as


Santas Casas de Misericórdia e outras instituições hospitalares, para-
hospitalares e médico-científicas;

CONSIDERANDO, enfim, a competência, da União para legislar sôbre o


assunto, DECRETA:

Art. 1º A exploração de loteria, como derrogação excepcional das


normas do Direito Penal, constitui serviço público exclusivo da
União não suscetível de concessão e só será permitida nos termos do
presente Decreto-lei.

Parágrafo único. A renda líquida obtida com a exploração do


serviço de loteria será obrigatoriamente destinada a aplicações
de caráter social e de assistência médica, empreendimentos do
interesse público.

Art. 2º A Loteria Federal, de circulação, em todo o território nacional,


constitui um serviço da União, executado pelo Conselho Superior
das Caixas Econômicas Federais, através da Administração do
Serviço de Loteria Federal, com a colaboração das Caixas Econômicas
Federais.

3 – http://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1960-1969/decreto-lei-204-27-fevereiro-1967-373407-norma-pe.html

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Esse Decreto-Lei estabeleceu que a renda líquida dos jogos lotéricos fosse
destinada para as seguintes finalidades:

• constituição de um Fundo Especial de Financiamento da Assistência Médica;

• constituição de um Fundo Especial de Serviços Públicos e Investimentos


Municipais;

• constituição de Fundo Especial de Manutenção e Investimentos;

• constituição do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação;

• constituição de um Fundo Especial de Alimentação Escolar;

• constituição de um Fundo Especial de Desenvolvimento das Operações das


Caixas Econômicas Federais.

Essas finalidades foram sendo alteradas no decorrer do tempo e atualmente estão


definidas nas seguintes áreas:

Repasses
Destinação
Ministério do Esporte
Clubes de Futebol
Esporte Comitê Olímpico Brasileiro – COB
Comitê Paraolímpico Brasileiro – CPB
Confederação Brasileira de Clubes
Subtotal Esportes
Fundo de investimento do Estudante Superior – FIES
Educação
Prêmios Prescritos Repassados ao FIES
Subtotal Educação
Cultura Fundo nacional da Cultura – FNC
Segurança Fundo Penitenciário Nacional – FUNPEN
Seguridade Seguridade Social
Outros Saúde e Testes Especiais (APAE, Cruz Vermelha)
Subtotal

Para ilustrar essa importância social desempenhada pelas Loterias Federais,


observamos que, somente no quadriênio 2009-2013, os jogos lotéricos contribuíram
com recursos na ordem de R$ 22,5 bilhões para áreas de destinação.

A aceitação desse produto no mercado, ao longo desses 50 anos, deve-se à


tradição do jogo aliada ao conceito de credibilidade do nome “Caixa Econômica

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Federal”. Por conta de todo esse benefício que as áreas sociais recebem, o
apostador das loterias da CAIXA é sempre um beneficiário:

• é um beneficiário direto quando é um dos ganhadores de uma loteria; ou

• é um beneficiário indireto porque parte do recurso apostado retorna em


forma de serviço para todo o povo brasileiro.

Reflita
Por isso é importante entender as loterias da CAIXA como uma contribuição
voluntária que o apostador realiza. Uma fonte segura e constante de
recursos financeiros para o Estado sem pesar no bolso do cidadão como
impacto direto na carga tributária.

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2. Falando sobre as
Unidades Lotéricas
Vamos lembrar como foi o início do relacionamento da sua Unidade Lotérica com
a CAIXA?

Provavelmente houve uma pessoa, agora um empresário, que se interessou pela


atividade lotérica e desejou ser parceiro da CAIXA nesse processo. O que ele
precisou fazer para que esse “sonho” se tornasse realidade?

Falaremos logo sobre isso a seguir, mas vamos primeiramente entender como
esse processo ocorre. O Brasil possui uma série de leis, códigos e normas que
regulam as atividades que ocorrem no País. Mas temos um marco fundamental
para qualquer uma dessas leis ou normas. Você sabe qual é?

Vamos dar algumas dicas:

• demorou 20 meses para ser escrita;

• foi aprovada em 1988;

• é conhecida também como Carta Magna;

• é a mais importante lei do Estado brasileiro;

• nenhuma lei, norma ou código está acima dela;

• estabelece os direitos e deveres de todos os cidadãos brasileiros.

Você já sabe?

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Sim, estamos falando da Constituição Brasileira4, promulgada no dia 5 de outubro
de 1988. Nela estão garantidos vários aspectos relativos à cidadania e por isso ela
ficou conhecida como “constituição cidadã”.

É muito bom falar sobre a história de nosso País, não é? Mas vamos entender o
que a Constituição interfere no seu trabalho e no das pessoas ligadas às Unidades
Lotéricas.

Como passo inicial devemos nos lembrar do que ressalta a Constituição Federal
do Brasil em seu art. 37, inciso XXI:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos


Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,


serviços, compras e alienações serão contratados mediante
processo de licitação pública que assegure igualdade de condições
a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações
de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e
econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.

É importante que todos os nossos parceiros saibam que a Caixa Econômica


Federal é uma instituição financeira sob a forma de empresa pública, criada nos
termos do Decreto-Lei nº 759, de 12 de agosto de 19695, vinculada ao Ministério
da Fazenda e com atuação em todo o território nacional. Ela tem autonomia para
criar filiais, agências e outros pontos de atendimento em praças do País e no
exterior.

Assim podemos entender por que a CAIXA pode autorizar o funcionamento


de Unidades Lotéricas e também por que necessita realizar uma licitação para
distribuir essas autorizações que, a partir de agora, chamaremos de permissão.

A Constituição Federal também afirma em seu artigo 175:

Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob


regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a
prestação de serviços públicos.

4 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
5 – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0759.htm

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Ou seja, a CAIXA está obrigada a realizar licitação sempre que necessitar realizar
a permissão de novas Unidades Lotéricas.

Todo empresário lotérico já participou de um processo de licitação, mas é importante


mencionar que existe uma lei que foi criada especialmente para regulamentar o art.
37, inciso XXI, da Constituição Federal. Assim surgiu a Lei nº 8.666/93, também
conhecida como Lei das Licitações, que institui normas para licitações e contratos
da Administração Pública. Em seu artigo 3º, a Lei nº 8.666 esclarece quais são as
finalidades básicas de qualquer licitação:

• a observância do princípio constitucional da isonomia;

• a seleção da proposta mais vantajosa para a administração; e

• a promoção do desenvolvimento nacional sustentável.

Assim, em qualquer processo que a CAIXA realize para a permissão de novas


Unidades Lotéricas esses aspectos devem estar presentes.

Saiba Mais
Inserimos na nossa biblioteca virtual um artigo de Tônia de Oliveira Barouche
que sistematiza os principais aspectos da Lei nº 8.666/93.

Mas, após ser selecionado, o empresário lotérico e também a CAIXA têm que seguir
uma série de regras para que a parceria dê resultados. O principal documento
que rege essa parceria é a Circular CAIXA nº 621, de 19 de abril de 20136, que
regulamenta as Permissões Lotéricas. É sobre ela que vamos falar nos próximos
capítulos.

2.1. O Conceito e Limite da Permissão


Como já explicamos anteriormente, para o desenvolvimento da atividade lotérica,
a CAIXA procede à concessão da permissão, que conceitualmente é a outorga, a
título precário (não definitivo), mediante licitação, da prestação de serviços públicos
feita pelo poder pertinente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade
para seu desempenho, por sua conta e risco.

Logo, a permissionária de loterias é a pessoa física ou jurídica que firma Contrato


de Permissão de Loterias com a Caixa Econômica Federal.

As permissões lotéricas são outorgadas com base em critérios definidos pela


CAIXA, que analisa fatores como potencial de mercado, disponibilidade de
equipamentos e/ou terminais para captação de apostas de loterias administradas
pela CAIXA; e prestação de serviços bancários, disponibilidade de bilhetes das

6 – http://downloads.caixa.gov.br/_arquivos/circularescaixa/loterias/CIRCULAR_CAIXA_621_2013.pdf

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modalidades de Loteria Federal e/ou Instantâneas e também a possibilidade de
eficiência do potencial permissionário na execução dos serviços outorgados.

A permissão para a atividade lotérica e prestação de serviços, seja para pessoa


física ou jurídica, sócio ou administrador de pessoa jurídica, é limitada a uma única
unidade da federação. Isso quer dizer que o empresário lotérico só poderá atuar
em um estado do Brasil ou no Distrito Federal.

O exercício da atividade e a remuneração do permissionário lotérico são


regulamentados pela Lei nº 12.869, de 15 de outubro de 2013.

2.2. Categorias de Unidades Lotéricas e Modalidades


de Loterias
Vamos começar respondendo o que é uma unidade lotérica.

É uma unidade que comercializa todas as loterias federais, os produtos


assemelhados e atua na prestação de todos os serviços delegados pela CAIXA.

Conhecida a origem da atividade lotérica, vejamos a seguir as categorias de


Unidades Lotéricas, as Modalidades de Loterias e os parâmetros da Prestação de
Serviços, além de suas respectivas remunerações.

Categorias de Unidades Lotéricas


A Casa Lotérica é a pessoa jurídica constituída na forma de sociedade empresária,
ou um empresário individual de responsabilidade limitada, destinada à atividade
lotérica. Comercializa todas as modalidades de loterias e atua na prestação de
serviços bancários e comercialização dos produtos conveniados.

Importante
Uma unidade desse tipo pode ou não possuir outra atividade comercial,
desde que expressamente autorizada pela CAIXA.

Por sua vez, a Casa Lotérica Avançada atua sempre na forma de extensão de Casa
Lotérica e segue os mesmos padrões de produtos e serviços. É uma categoria em
extinção, permanecendo apenas as existentes. Tem como característica dispor de
somente um equipamento ou terminal para capitação de apostas. Como forma de
extensão, deve manter o mesmo titular ou sócios da Casa Lotérica que originou
a permissão.

A Casa Lotérica Avançada Temporária atua sempre na forma de extensão de Casa


Lotérica e segue os mesmos padrões de produtos e serviços. Seu funcionamento
visa atender uma demanda sazonal por período máximo de 120 dias improrrogáveis.

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A terceira categoria é a Unidade Simplificada de Loteria, que se caracteriza por ser
instalada em locais cujo potencial de mercado seja insuficiente para a abertura de
Casa Lotérica.

Importante
Todas essas categorias seguem os mesmos padrões de produtos e
serviços da Casa Lotérica.

Temos ainda a Rede de Venda de Bilhetes, que são unidades para comercialização
das modalidades de loteria federal, loteria instantânea e produtos conveniados
pela CAIXA e não dispõem de equipamento que permita a capitação de apostas
para as modalidades de prognósticos. Existem dois tipos: o Fixo de Bilhetes e o
Ambulante de Bilhetes.

O Fixo de Bilhetes pode ser uma pessoa física ou jurídica e atua em estabelecimento
comercial exclusivo ou conjugado com outra atividade, desde que expressamente
autorizado pela CAIXA.

O Ambulante de Bilhetes é uma pessoa física. É importante ressaltar que, para


o processo seletivo na categoria Ambulante de Bilhetes, terão prioridades os
candidatos que, por serem idosos, inválidos ou pessoas com deficiência física, não
tenham condições de prover sua subsistência. Essa prioridade foi estabelecida no
Decreto nº 50.954, de 14 de julho de 19617 (Câmara dos Deputados, 1961), que
justifica:

CONSIDERANDO que a atividade consistente na venda avulsa de bilhetes


deve ser rigorosamente reservada às pessoas que não possam prover
a sua subsistência com outro tipo de trabalho, em razão de deficiência
física ou de idade avançada.

2.3. Modalidades de Loterias


O portfólio das loterias da CAIXA é composto por dez modalidades, sendo elas
divididas em:

a) Loterias por bilhetes, em que se enquadram:

»» a Loteria Federal, que se caracteriza pela existência de uma quantidade


pré-fixada de bilhetes numerados, atribuindo-se prêmios, mediante sorteio
realizado pela CAIXA e de acordo com um Plano de Sorteio;

7 – http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-50954-14-julho-1961-390555-
publicacaooriginal-1-pe.html

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»» a Loteria Instantânea, que é a modalidade na qual os apostadores conhecem
os resultados ao revelarem as combinações de números, símbolos ou
caracteres que se encontram encobertos em área para raspar.

Essas duas modalidades de loterias contam com uma divisão proporcional da


quantidade de volantes de apostas, a chamada Cota de Bilhetes. A CAIXA
estabelece cota mínima e/ou máxima de bilhetes, nas modalidades federal e
instantânea, com base no potencial de mercado e de acordo com a categoria da
permissionária, sendo que o teto é de 2% da respectiva emissão.

b) Loterias de Prognóstico, divididas em três tipos:

»» a Loteria de Prognósticos Numéricos, em que o apostador indica suas apostas


num universo de números inteiros e concorre a prêmios mediante sorteio.
São elas: Mega-Sena, Lotofácil, Quina, Lotomania e Dupla Sena;

»» a Loteria de Prognósticos Esportivos, em que o apostador indica suas


apostas sobre os resultados de competições esportivas. São elas: Loteca
e Lotogol;

»» a Loteria de Prognósticos Específica, a Timemania, em que o apostador


indica apostas num universo de números de dois algarismos e indica um clube
de futebol de sua preferência. Os prêmios são concedidos mediante sorteio.

2.4. Prestação de Serviços


Sabe o que é a Prestação de Serviços Bancários por parte das Unidades
Lotéricas? É a operacionalização de serviços conveniados, serviços delegados e
comercialização de produtos do portfólio CAIXA. Sua disponibilização é definida
pelo Banco, que determina os critérios para isso.

Importante
É expressamente vedada a prestação de serviços não autorizados.

Dentro das atividades de prestação de serviços, a CAIXA poderá classificar


periodicamente as permissionárias em grupos, de acordo com a produtividade
nos negócios realizados, para fins de gestão e remuneração.

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2.5. Remuneração dos Produtos Lotéricos e Serviços
A remuneração da Unidade Lotérica é a comissão pela comercialização
das modalidades lotéricas estipuladas pela CAIXA, que a qualquer
tempo pode rever esses percentuais e valores. Quando isso acontecer,
o permissionário será informado por escrito sobre tais alterações.
Nós falaremos mais detalhadamente sobre esse aspecto no curso sobre os
produtos lotéricos.

Importante
Quer saber como a comissão é calculada? Nas modalidades loterias
de prognósticos numéricos, esportivos e prognósticos específicos –
Timemania, o valor é calculado sobre o montante de vendas, deduzidos
os repasses previstos por lei. Por sua vez, na modalidade loteria federal, a
comissão é o valor proveniente da faixa compreendida entre o preço pago
permissionária (preço do plano) e o preço máximo de venda ao apostar,
ambos estampados no bilhete. Nas loterias instantâneas, a comissão será
sobre o preço de venda estampado no bilhete.
Outra possibilidade de remuneração das Unidades Lotéricas é a cobrança
sobre o serviço de organização das Apostas Fracionadas – Bolão CAIXA,
com o teto de 35% sobre o preço de cada cota.
Quanto à comercialização de produtos conveniados e prestação de
serviços delegados, a remuneração é previamente fixada pela CAIXA.

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3. Seleção e Constituição da
Empresa Lotérica
Já aprendemos sobre a origem da atividade lotérica, suas categorias e modalidades
de produtos, agora saberemos como são selecionadas e constituídas e as pessoas
jurídicas e físicas para operação lotérica.

3.1. Seleção das Permissionárias


Relembre
Conforme já vimos, a seleção para todas as categorias de Unidades
Lotéricas se dá por meio de licitação, com edital publicado nos meios
de comunicação exigidos por lei. A abertura do processo licitatório
considera os locais de interesse da CAIXA.

No caso de Unidade Simplificada de Loterias e Casas Lotéricas, transcorrido os


trâmites do certame seletivo, o candidato selecionado deve pagar à CAIXA a taxa
de inscrição ou o lance mínimo. Somente após a confirmação desse pagamento
poderá ser assinado o pré-contrato. Atenção: no caso de impedimento cadastral
ou falha na apresentação dos documentos, o candidato será desclassificado e
não terá direito a qualquer ressarcimento das despesas.

O que é o pré-contrato? É um acordo inicial que tem por finalidade estabelecer


prazos para atendimento das exigências condicionadas à formalização do
Contrato de Adesão. Também dispõe sobre as diretrizes para o local de instalação
da Unidade Lotérica, especialmente sobre estar localizada dentro dos limites de
endereços definidos pela CAIXA no edital de licitação. O não cumprimento de
requisitos nele exigidos acarreta desclassificação do candidato.

Somam-se a isso mais cinco condições essenciais à contratação e ao início das


atividades da Unidade Lotérica:

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Checklist
• comprovação da legalidade de constituição da empresa, com
apresentação de CNPJ e cópia do contrato social;

• comprovação de abertura de contas-correntes, devidamente ativas e


regularizadas;

• comprovação das garantias exigidas pela CAIXA;

• padronização completa do estabelecimento; e

• instalação dos equipamentos de segurança.

Além disso, é obrigatória a participação do candidato no treinamento ministrado


pela CAIXA para as novas permissionárias.

Somente depois de atendidas as exigências descritas no pré-contrato, o


permissionário é convidado a assinar o Contrato de Adesão.

3.2. Constituição da Empresa Lotérica


A esta altura você deve estar se perguntando como constituir Empresa Lotérica.
Para isso, o vencedor da licitação deverá constituir uma sociedade empresária ou
um empresário individual de responsabilidade limitada e deverá integrar o contrato
social como sócio majoritário ou ser titular da totalidade do capital social da pessoa
jurídica constituída, respectivamente ao tipo de pessoa jurídica escolhida.

Quanto às proibições na Constituição da Empresa Lotérica, deve-se observar os


seguintes itens:

• é vedada a constituição de filial para o exercício de atividade lotérica;

• é vedada a participação de empregados da CAIXA, seus cônjuges ou


companheiros;

• também estão impedidos de participar pessoas com vínculo familiar, em


linha reta ou colateral, por consanguinidade ou afinidade, até o terceiro grau,
com empregados CAIXA das áreas de gerenciamento sobre os processos de
licitação/contratação, área determinante da contratação e autoridades CAIXA
hierarquicamente superior às áreas acima mencionadas.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
4. Disposições Físicas da
Unidade Lotérica
Vencidas as etapas de seleção e constituição da empresa lotérica, é hora de
abordarmos os aspectos referentes às instalações físicas da nova permissionária.

4.1. Formatação Física


São três tipos possíveis de formatação do imóvel para atividade lotérica: o tipo
Loja, o tipo Quiosque e o tipo “Corner”. A área útil destinada a cada formatação é
a aceitável para que o espaço contemple a setorização descrita prevista.

Loja
O formato loja pode ser da categoria míni, pequeno, médio ou grande e é adotado
quando o imóvel for destinado exclusivamente à atividade lotérica ou, havendo
atividade compartilhada, o negócio Loterias constituir-se na principal atividade do
estabelecimento. Há previsão da seguinte setorização: espaços de boas-vindas, de
circulação do público/espera, de atendimento e operacional, que são obrigatórios.
O espaço negocial será necessário quando houver a atividade.

Corner
Por sua vez, o formato corner é uma Unidade Lotérica mais compacta que a loja e
foi desenvolvida com o objetivo de atender às necessidades de delimitar a área da

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
unidade em paredes e cantos de locais como shoppings centers ou aqueles locais
cujo espaço é dividido com outra atividade comercial (lojas de revistas, tabacarias,
lojas de conveniência, lanchonetes etc.).

Há previsão da seguinte setorização: espaços de boas-vindas, de atendimento e


operacional.

Quiosque
A Unidade Lotérica tipo quiosque foi desenvolvida com o objetivo de atender às
necessidades de delimitar as áreas em torno da unidade localizada em espaços
semiabertos ou abertos como postos de gasolina, supermercados, rodoviárias
etc., podendo ser usado também em espaços internos, porém amplos e de pé-
direito alto, como praças de shoppings, por exemplo.

Da mesma forma que o corner, há previsão da seguinte setorização: espaços de


boas-vindas, de atendimento e operacional.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Importante
Trataremos com mais detalhes esse tema em um outro curso deste
programa. O manual “Modelo Ambiental e Visual Unidades Lotéricas”
encontra-se na biblioteca do nosso curso.

Todas as despesas decorrentes da implementação são de responsabilidade do


permissionário.

4.2. Equipamentos para Realização da Atividade


Lotérica
Os equipamentos e sistemas necessários à execução das atividades da Unidade
Lotérica são fornecidos pela CAIXA sob a forma de comodato ou outra que tenha
efeito jurídico idêntico.

Comodato é um contrato bilateral pelo qual alguém entrega algo à outra parte,
gratuitamente, para uso por um tempo e devolução. Ou seja, uma locação gratuita.

O equipamento é sempre entregue à permissionária em perfeito estado de


apresentação e funcionamento. Na hipótese de apresentar falhas e/ou surgirem
novas tecnologias, a CAIXA ou empresa por ela contratada trocará o bem para
o permissionário, mediante aviso por escrito e evitando qualquer embaraço na
execução dos serviços. Mas se a necessidade de troca for por causa de mau uso
ou dano no equipamento provocado pela permissionária, esta indenizará a CAIXA
no valor correspondente ao bem idêntico em estado novo.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Ainda sobre os equipamentos fornecidos pela CAIXA, estes devem ser utilizados
exclusivamente no local do estabelecimento lotérico e para as finalidades
definidas em contrato. Além disso, são proibidos quaisquer outros equipamentos
não autorizados no local.

Os custos necessários para instalação e uso regular dos equipamentos, tais


como instalações elétricas, hidráulicas e telefônicas, são de responsabilidade do
permissionário.

4.3. Equipamentos de Segurança e Microinformática


As Unidades Lotéricas, tal qual qualquer instituição que opera dentro do sistema
financeiro, devem sempre ser rigorosas quanto à aplicação das regras que visam
potencializar a segurança física do negócio.

Assim sendo, a permissionária deve contar com, no mínimo, os seguintes


equipamentos de segurança e de microinformática, cujas características e
configurações são fornecidas pela CAIXA:

• sistema de captura e gravação de imagens em modo analógico ou digital,


conhecido como CFTV;

• sistema de alarme contra intrusão;

• cofre em local não visível ao público;

• microcomputador com acesso à internet nos municípios em que houver


provedor.

O sistema de gravação de imagens deve operar de forma ininterrupta, com o objetivo


de registrar imagens de eventuais sinistros (roubo, furto), e seu armazenamento
deve ser pelo período mínimo de 30 dias. Novamente, os custos decorrentes
da aquisição, instalação e manutenção da parafernália de segurança cabem à
permissionária.

4.4. Padronização Visual e Ambiental do


Estabelecimento Lotérico
As marcas da CAIXA têm identidades já construídas e consolidadas perante a
população brasileira. Esse resultado é fruto de trabalho árduo de toda a empresa
em agregar valores positivos e afetivos às marcas durante um longo tempo de
comercialização dos produtos e serviços.

A permissionária tem por obrigação seguir a padronização exigida e fornecida


pela CAIXA em relação à identidade visual do estabelecimento. Assim, a Unidade
Lotérica fica obrigada a somente usar e/ou afixar material de divulgação e
comunicação autorizado pela CAIXA.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
No que se refere à questão do espaço físico, há a obrigatoriedade de atender os
parâmetros de acessibilidade e prioridades de atendimento estabelecidos pelas
leis de âmbito federal, estadual e municipal. Falaremos mais sobre esse assunto
no curso específico.

Para que a marca da CAIXA continue sendo reconhecida e valorizada, eventualmente


pode haver uma necessidade mercadológica de atualização da identidade visual por
parte da CAIXA. Ocorrendo essa necessidade, será obrigação da permissionária
promover essas alterações em seu padrão visual.

É proibido que a permissionária promova reformas ou modificações na unidade


lotérica sem prévia autorização da CAIXA. Consulte sempre o Manual do Novo
Modelo Ambiental e Visual das Unidades Lotéricas. Ele está disponível na nossa
biblioteca virtual.

4.5. Mudança de Local


Caso o permissionário tenha interesse em mudar de local, é necessário antes que
haja um estudo prévio da potencialidade de mercado a ser realizado pela CAIXA,
que então emite uma autorização por escrito. Essa mudança só pode ocorrer
dentro da própria cidade, não sendo permitida a troca de município.

Reflita
Já reparou na importância da marca e da identidade visual para uma
empresa, de qualquer área? Elas são uma espécie de “cartão de visitas”,
constituem uma maneira de transmitir valores e de evocar um histórico,
com elementos que, por vezes, compreendemos racionalmente e, em
outras, intuitivamente.

Os custos da implementação da nova unidade e sua devida padronização são de


responsabilidade do permissionário, que deve também proceder e comprovar a
alteração do local de risco junto aos seguros contratados. Haverá cobrança de
taxas de reinstalação, em período inferior a 12 meses desde a última mudança ou
inauguração da Unidade Lotérica.

As taxas de mudança prevista em contrato podem ser isentas quando se tratar


de Unidade Simplificada de Loterias ou a mudança se der por interesse da CAIXA.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
5. Responsabilidades do
Permissionário
Agora que o novo permissionário já foi selecionado e concluiu a padronização do
seu ambiente físico, sua nova unidade lotérica está pronta para funcionar. Sim,
agora é para valer! Vamos, então, conhecer suas obrigações e responsabilidades
na execução de suas atividades.

Naturalmente, cabe aqui reforçar a fundamental importância de o permissionário


estar sempre vigilante quanto ao cumprimento de todos os requisitos que serão
apresentados, permitindo o bom desenvolvimento de sua atividade de empresário
lotérico e evitando problemas de ordem legal para ele e para a CAIXA.

5.1. Garantias
A permissionária deve possuir garantia, representada por depósito em dinheiro
sob bloqueio e penhor em benefício da CAIXA ou seguro específico, enquanto
estiver no exercício da permissão.

A Garantia de Execução do Contrato é fornecida pela nova permissionária conforme


condições estabelecidas no edital de licitação, limitada a 5% do valor total do
contrato.

O empresário lotérico deve contratar apólice de seguro para garantia dos valores
arrecadados com a venda de produtos e prestação de serviços. O Seguro de
Valores tem como objetivo assegurar o valor do estoque de bilhetes das loterias
e dos valores referentes às arrecadações de apostas, arrecadação de convênios
e da prestação de serviços bancários. Pode ser feito por apólice de seguro ou
mantendo depósito sob caução na CAIXA, conforme valores estabelecidos por
ela, ou também por depósito em dinheiro sob bloqueio ou penhor em benefício da
CAIXA.

O Seguro dos Equipamentos visa resguardar os bens instalados na Unidade


Lotérica de qualquer tipo de sinistro. Seus custos são de responsabilidade do
permissionário.

Existe a possibilidade de a CAIXA, a seu exclusivo critério, proceder à contratação


desse seguro. Nesse caso, os respectivos custos serão repassados ao
permissionário.

Por sua vez, no caso da Rede de Venda de Bilhetes, a garantia para resguardar de
qualquer sinistro envolvendo a sua cota de bilhetes deve ser realizada mediante

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
depósito em dinheiro, bloqueado e sob penhor, nota promissória ou fiança
bancária.

Por fim, é importante ressaltar que a CAIXA pode utilizar-se do valor da garantia para
cobertura de eventuais débitos da permissionária, independente de notificação
judicial ou extrajudicial.

5.2. Gestão da Permissionária


Como vimos, a CAIXA tem uma missão como empresa e uma história a honrar. Por
isso, no decorrer do funcionamento da Unidade Lotérica, a permissionária deve
permitir, sempre que solicitado, a visita periódica de representantes da CAIXA
ou empresas por ela contratada, assim como de representante da autoridade
financeira (o Banco Central), fornecendo-lhes os meios necessários para o exercício
de suas atividades de fiscalização de métodos e procedimentos.

A documentação deve estar sempre atualizada e disponível.

Exemplos de itens que devem estar sempre apostos para apresentação assim
que solicitados são:

• as informações cadastrais;

• certidões negativas que comprovem a regularidade de sua situação financeira,


econômica, contábil, previdenciária e fiscal;

• detalhamentos claros acerca de receitas, despesas e outros custos que


porventura afetem o desempenho.

A permissionária é obrigada a comparecer na data, horário e locais estabelecidos


pela CAIXA sempre que requisitado. No caso de qualquer restrição de natureza
cadastral, a permissionária é comunicada formalmente e tem prazo de 60 dias
para se regularizar.

Mais um pouco sobre as obrigações da permissionária. É dever dela:

• manter a estrita confidencialidade do negócio em todas as suas esferas;

• cumprir todos os padrões operacionais de procedimentos e rotinas, prestando


todos os serviços e comercialização dos produtos delegados, acatando
prontamente as modificações introduzidas pela CAIXA, assim como suas
decisões quanto à gestão da Rede Lotérica.

A permissionária também deve manter o quantitativo de pessoas devidamente


treinadas em suas respectivas funções e preservar manuais e documentos
necessários para estes atingirem bom grau de desempenho, permitindo ao
estabelecimento trabalhar com o máximo de eficiência. Além disso, deve manter

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
em estoque todos os itens de materiais e produtos para a perfeita prestação dos
serviços e bom atendimento aos clientes.

Reflita
Quando você vai a qualquer estabelecimento, quer ser bem atendido,
certo? Tudo que é um direito do cidadão, do usuário, apoia-se em
deveres do responsável por aquele serviço.

Além disso, o permissionário é obrigado a fornecer única e exclusivamente o


comprovante original emitido pelo terminal oficial de apostas; praticar os preços
fixados pela CAIXA; e efetuar os pagamentos de prêmios até o valor estipulado
por ela.

Ficam proibidos:

• qualquer prática que comprometa a imagem da Rede de Loterias da CAIXA;

• a prestação de serviços não autorizados ou venda, intermediação, distribuição


ou divulgação de qualquer outra modalidade de sorteios, loterias ou jogos de
azar;

• condicionar a venda de um produto à compra de outro produto ou serviço.

Relembre
O Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil são duas leituras
fundamentais para qualquer pessoa que tenha um negócio como dia a
dia. Mantenha ambos sempre à mão! Recorra a eles sempre que tiver
uma dúvida. E acompanhe, pelo noticiário, qualquer alteração aprovada
pelo Congresso Nacional nessas leis, porque isso pode impactar a sua
atividade.

É vedado ainda qualquer pronunciamento do permissionário em nome da CAIXA.


Toda propaganda ou peça publicitária que se pretenda veicular deve ser submetida
à prévia autorização da CAIXA e, sempre que observar o uso indevido de imagem
por terceiros, o permissionário deve comunicar à instituição.

Também são de responsabilidade da permissionária todos e quaisquer ônus,


riscos ou custos das atividades. É ela que arca com encargos trabalhistas, fiscais,
previdenciários e indenizações e também paga as taxas e multas contratuais
devidas.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Importante
Quanto ao aspecto trabalhista, é preciso frisar que os prepostos e
funcionários da Unidade Lotérica não têm com a CAIXA qualquer
vinculação de emprego, representação, mandato ou algo dessa natureza.

Alteração Contratual
Qualquer alteração cadastral e/ou de sócios deve ser comunicada por escrito
para a CAIXA. É considerada alteração cadastral toda modificação no Contrato
Social em que ocorra a substituição, inclusão ou retirada dos sócios, da alteração
da razão social, do nome fantasia, da atividade principal, do capital social, endereço
e outras alterações legalmente permitidas.

Importante
É vedada qualquer alteração que implique troca do CNPJ das Unidades
Lotéricas ou CPF dos ambulantes de bilhetes. A exceção ocorre para as
empresas individuais, quando a troca de CNPJ será permitida apenas no
caso de sua transformação em sociedade por cotas de responsabilidade
limitada, desde que o titular seja o sócio majoritário. Sua retirada da
sociedade implicará a revogação da permissão.

A transferência de cotas do sócio majoritário para os sócios que já integravam a


empresa no momento do certame não acarreta revogação, assim como é permitida
a entrada de novos sócios, desde que minoritários.

Qualquer alteração de natureza societária só pode ocorrer dois anos depois do


início das atividades. No caso de inclusão, os novos sócios devem apresentar
capacidade técnica e idoneidade e comprometer-se a cumprir todas as cláusulas
contratuais. E, claro, vale também a exigência de não possuir permissão em outra
unidade da federação.

Representação da Permissionária Perante a CAIXA


Em algum momento da vida você provavelmente já teve que ser representado por
alguém em uma questão administrativa ou jurídica. Pois bem, a permissionária pode
outorgar procuração, mediante instrumento público, para representá-la perante a
CAIXA na administração do estabelecimento, retirada de bilhetes e movimentação
de contas. Essa procuração deve ter validade de até seis meses, exceto no caso de
gerente do estabelecimento, que deve ter tal função comprovada pela Carteira de
Trabalho. A Unidade Lotérica deve comunicar, por escrito, os casos de revogação
de procurações. Alterações cadastrais jamais poderão ser feitas com procuração!

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Prestação de Contas e Tributação
Eis aqui mais uma obrigação da permissionária: depositar, nos prazos e locais
estabelecidos pela CAIXA, a prestação de contas referente aos produtos de loteria
e à comercialização de produtos e serviços conveniados em Conta Contábil. A
abertura dessa Conta Contábil, assim como a Conta de Pessoa Jurídica de Livre
Movimentação, deve ser em agência da CAIXA.

Importante
A falta de depósito ou a insuficiência de saldo em ambas as contas para
devidos acertos financeiros caracterizará Crime de Apropriação Indébita,
devendo a permissionária responder pelas consequentes implicações
legais.

Por sua vez, a tributação incidente na comercialização dos produtos lotéricos e


serviços conveniados deve ser recolhida pela Unidade Lotérica de acordo com
sua forma constitutiva e em conformidade com a legislação vigente, devendo o
permissionário apresentar as notas fiscais nas datas estipuladas. Quem não fizer
isso fica sujeito a pena de infração contratual.

No caso de tributos oriundos da tarifa de serviço permitida na comercialização de


apostas fracionadas – o Bolão CAIXA –, o recolhimento cabe exclusivamente ao
permissionário. A CAIXA fica eximida de atuação como substituta tributária nesse
caso específico.

Treinamentos
Relembre
Como já vimos no Capítulo 2, que aborda a seleção dos novos
permissionários, é obrigatória sua participação em treinamentos e cursos
ministrados pela CAIXA. Qualificar-se é preciso!

A CAIXA, a seu critério, pode ministrar tais cursos em qualquer ponto do território
nacional. Ficam a cargo das Unidades Lotéricas as despesas com transporte,
alimentação, hospedagem e outros custos que porventura surgirem.

É também dever do permissionário, por iniciativa própria, melhorar continuamente


sua capacitação e seu desenvolvimento profissional, incluindo sócios e empregados.

Licença
Por fim, dentro das regras que norteiam a execução da operação da Unidade
Lotérica, o permissionário detém o direito de requerer uma licença de suas
atividades pelo prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 30, desde que devidamente

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
justificada e posteriormente autorizada pela CAIXA. Tal solicitação deve ser feita
com antecedência de 60 dias e sua concessão apenas ocorrerá após a quitação
de todo e qualquer débito devido.8

Você pode esclarecer suas dúvidas também no site da CAIXA. Veja as perguntas
mais frequentes8 sobre a seleção de Unidades Lotéricas.

8 – www1.caixa.gov.br/loterias/seja_empresario_loterico/perguntas_frequentes.asp.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
6. Obrigações da CAIXA
Vimos com a devida atenção todas as obrigações pertinentes a você,
permissionário, na execução das atividades de sua Unidade Lotérica. Vejamos a
seguir as obrigações que a CAIXA possui em relação à sua rede.

Relembre
Conforme já abordamos no Capítulo 3 – Disposições Físicas da Unidade
Lotérica, a CAIXA deve fornecer os equipamentos e sistemas para
captação de apostas e de prestação de serviços bancários. Além disso,
a CAIXA também fica incumbida de fornecer os volantes e bobinas para
realização das referidas operações e a definição dos critérios para a
tal distribuição por toda sua rede é de competência dela, conforme já
havíamos mencionado.
Caberá à CAIXA prestar assistência técnica e de manutenção dos
equipamentos e sistemas, em nível preventivo e corretivo, sem ônus para
a permissionária, exceto nos casos em que os danos forem causados
por mau uso dos equipamentos.
Também já verificamos que é obrigação do permissionário seguir a
padronização visual da rede e para tal é dever da CAIXA defini-las e fazer
chegar aos lotéricos essas regras.

Outros deveres da CAIXA são auxiliar a permissionária em suas atividades ao


estabelecer diretrizes; repassar conhecimento e experiência sobre assuntos
administrativos e operacionais; ministrar treinamentos e todas as informações
necessárias à atividade lotérica; expedir ofícios, instruções e manuais visando à
uniformização e padronização da rede e aprimoramento dos produtos e serviços,
assim como mantê-la informada a respeito de alterações, atualizações e novos
lançamentos desses itens.

A CAIXA deve disponibilizar aos permissionários os bilhetes de cotas não retiradas e já


pagas e atribuir os prêmios desses bilhetes que venham a ser contemplados em sorteio.

Por fim, cabe à CAIXA, a seu critério, definir e adotar Sistemática de Avaliação
de Desempenho com o objetivo de subsidiar o processo de gestão das
permissionárias, estabelecendo parâmetros mínimos de desempenho e seus
prazos para cumprimento. A Unidade Lotérica que não alcançar no mínimo
70% da meta estabelecida anualmente pela CAIXA deve apresentar as devidas
justificativas, podendo ter sua permissão revogada no caso de não apresentar
performance suficiente para cobrir os custos operacionais de seu funcionamento.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
7. Irregularidades e Sanções
Administrativas
Os estudos até aqui nos trouxeram todo o conhecimento acerca da criação e
operacionalização de uma Unidade Lotérica, desde suas origens, passando pelas
etapas de constituição e as características do negócio e chegando às obrigações
de ambas as partes para início e manutenção das operações. Dessa feita, neste
último capítulo do curso, abordaremos os atos praticados pela permissionária que
constituem irregularidades e quais as respectivas sanções.

Caracteriza-se como irregularidade o descumprimento de quaisquer


especificações, padrões, procedimentos, orientações e rotinas
operacionais em vigor e previstas em contrato. Essas irregularidades são
classificadas em grupos e resultam na aplicação das sanções de advertência,
multa, suspensão e revogação.

O processo transcorre da seguinte forma:

• a CAIXA notifica a permissionária, por escrito, sobre a irregularidade cometida,


que passa a ter cinco dias, após a notificação recebida, para apresentar
formalmente sua defesa;

• após recebimento da defesa, a CAIXA deve julgá-la em um prazo de cinco dias


úteis, prorrogáveis por mais cinco;

• caso não acolha a defesa apresentada, a CAIXA aplica a sanção, cabendo ao


permissionário recorrer à autoridade imediatamente superior, sendo esta a sua
última instância, que decidirá sobre o caso em 10 dias, prorrogáveis por mais
10 dias.

Saiba Mais
São três os tipos de grupos de irregularidades. Os atos que caracterizam
cada um deles podem ser acessados no Anexo I da Circular CAIXA
nº 621, disponível para download na nossa Biblioteca Virtual ou
acessando o link: http://www1.caixa.gov.br/download/asp/ent_hist.
asp?download=54057.
É importantíssima a sua leitura atenta aos itens lá apresentados, assim
como aprender sobre a Sistemática de Sanções Administrativas.

As Irregularidades Grupo I resultam na aplicação de pontos a cada irregularidade,


entrando em uma escala acumulativa.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
As Irregularidades Grupo II também ensejam pontuação e como medida
de sobreaviso temporária das atividades. A medida de sobreaviso consiste
em suspensão temporária das atividades, com a desativação do sistema e de
equipamentos, e será aplicada de imediato.

As Irregularidades Grupo III são mais graves e ocasionam a revogação compulsória


e como medida de sobreaviso a suspensão temporária das atividades até o julgamento
da sanção administrativa. A revogação da permissão encerra o Contrato de Permissão
e será declarada unilateralmente pela CAIXA, sem que a permissionária tenha direito
a qualquer indenização. No caso de revogação por culpa da permissionária, o seu
titular só pode concorrer a uma nova permissão após dois anos.

Veja abaixo como funciona o critério de pontuação:

• a pontuação está definida para cada irregularidade;

• quando o somatório de pontos atingir ou ultrapassar 10 pontos, nos últimos 12


meses, será aplicada advertência com multa de 5% sobre a média mensal de
receita (comissão jogos + tarifas/comissões de outros serviços) dos últimos 6
meses de efetivo funcionamento;

• quando o somatório de pontos atingir ou ultrapassar 20 pontos, nos últimos 12


meses, será aplicada advertência com multa de 15% sobre a média mensal de
receita (comissão jogos + tarifas/comissões de outros serviços) dos últimos 6
meses de efetivo funcionamento;

• quando o somatório de pontos atingir ou ultrapassar 30 pontos, nos últimos 12


meses, será aplicada advertência com multa de 20% sobre a média mensal de
receita (comissão jogos + tarifas/comissões de outros serviços) dos últimos 6
meses de efetivo funcionamento e a suspensão das atividades por prazo a ser
definido pela CAIXA;

• ao totalizar 40 pontos, nos últimos 12 meses, a permissionária terá sua


permissão revogada compulsoriamente.

O permissionário também pode solicitar sua desvinculação da CAIXA. Essa


possibilidade de desvínculo é chamada de Extinção Amigável da Permissão,
solicitada pela permissionária, que apresenta notificação por escrito à CAIXA
e com antecedência mínima de 30 dias. Devolvidos todos os equipamentos e
quitados todos os débitos contratuais, é deferida a solicitação. Dependendo da
observância de cláusulas contratuais, pode haver multas a serem pagas pelo
solicitante. E, diferente da revogação, a extinção amigável não traz impedimentos
para o ex-permissionário concorrer em outro processo.

Por fim, tanto na revogação quanto na extinção, o ex-permissionário obriga-se a


descaracterizar por completo o imóvel no prazo de 10 dias, a partir da notificação.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Conclusão
Neste curso falamos sobre:

• a história e objetivos da criação das loterias;

• como são aplicados os recursos das loterias;

• a base legal que rege o funcionamento das loterias;

• o processo de seleção e instalação de uma unidade lotérica;

• os direitos e obrigações dos permissionários;

• as obrigações da CAIXA perante os permissionários;

• as penalidades no descumprimento dos compromissos firmados pela Unidade


Lotérica.

Esperamos que o conteúdo deste curso tenha colaborado para entender melhor o
seu negócio e para dirimir suas dúvidas sobre os principais aspectos da gestão das
Unidades Lotéricas. Teremos neste programa outro curso falando dos produtos e
sistemas das Unidades Lotéricas. Esperamos encontrar você lá.

E assim chegamos ao final do Curso Normatização das Unidades Lotéricas. Reveja


o conteúdo abordado e faça sua avaliação para conclusão deste curso.

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Curso Normatização das Unidades Lotéricas
Referências
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. (19 de Abril de 2013). Regulamentação das
Permissões Lotéricas. Acesso em: 8 ago. 2014, disponível em: http://downloads.
caixa.gov.br/_arquivos/circularescaixa/loterias/CIRCULAR_CAIXA_621_2013.pdf

CÂMARA DOS DEPUTADOS. (14 de Julho de 1961). Decreto nº 50.954, de 14 de


Julho de 1961. Acesso em: 14 ago. 2014, disponível em: http://www2.camara.
leg.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-50954-14-julho-1961-390555-
publicacaooriginal-1-pe.html

CÂMARA DOS DEPUTADOS. (27 de fevereiro de 1967). Decreto-Lei nº 204, de


27 de Fevereiro de 1967. Acesso em: 14 ago. 2014, disponível em http://www2.
camara.leg.br/legin/fed/declei/1960-1969/decreto-lei-204-27-fevereiro-1967-
373407-publicacaooriginal-1-pe.html

LUONGO, S. (2008). A Extraordinária Loteria para o Monumento do Ypiranga


de 1880. São Paulo, SP, Brasil. Acesso em: 13 ago. 2014, disponível em: http://
www.loterofilia.com.br/artigos/a-extraordinaria-loteria-para-o-monumento-do-
ypiranga-de-1880

OLIVEIRA, R. W. (Agosto de 2014). Produtos Lotéricos. Brasília, DF. Acesso em:


14 ago. 2014

PALÁCIO DO PLANALTO. (12 de Agosto de 1969). Decreto-lei nº 759, de 12 de


agosto de 1969. Acesso em: 15 ago. 2014, disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0759.htm

PALÁCIO DO PLANALTO. (5 de Outubro de 1988). Constituição da república


federativa do brasil de 1988. Acesso em: 15 ago. 2014, disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

PALÁCIO DO PLANALTO. (15 de outubro de 2013). Lei nº 12.869. Acesso em:


10 out. 2014, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2013/Lei/L12869.htm

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