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Curso: Delegado de Polícia Civil /MA

Disciplina: Criminologia

Material: Apostila de conteúdo complementar

Responsáveis: Equipe acadêmica

Temas abordados nessa apostila:

CRIMINOLOGIA.......................................................................................................................2

Modelos de Reação ao Crime................................................................................................2

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CRIMINOLOGIA

Segundo as lições de Antonio García-Pablos de Molina, a Criminologia pode ser definida


como a ciência empírica e interdisciplinar que tem por objeto o crime, o delinquente, a vítima
e o controle social do comportamento delitivo. Essa ciência contempla uma informação
válida, contrastada e confiável do crime, tido como fenômeno individual e como problema
social comunitário. Assim, abarca a prevenção eficaz do crime, as formas e estratégias de
reação a ele e as técnicas de intervenção positiva no infrator.

Com a utilização do saber criminológico é possível ter um conhecimento mais próximo e


efetivo da realidade, permitindo acesso a dados e estudos que demonstram o
funcionamento correto ou não da aplicação da lei penal.

A Criminologia moderna destaca como um dos seus objetos a análise e avaliação dos
modelos de reação ao delito, os quais serão trabalhados em seguida.

Modelos de Reação ao Crime

Existem dois modelos mais conhecidos de reação ao crime, os quais se posicionam no


sentido de que o crime deve ser resolvido com a aplicação das penas. São eles:

1) Modelo Clássico: também denominado de modelo Dissuasório ou Retributivo.

De acordo com Molina, esse modelo se polariza em torno da pena, em especial seu
rigor e severidade, bem como a suposta eficácia preventiva do mecanismo
intimidatório.

A base desse modelo é a punição do delinquente, isto é, a pena aplicada, a qual


deve ser intimidatória, realizando o papel de contramotivar a prática de delito. Esse
modelo tem como protagonistas o Estado e o delinquente.

Para Molina, o modelo clássico se refere à efetividade do impacto dissuasório no que


tange ao funcionamento do sistema legal, em como este é percebido pelo infrator
potencial e não pela severidade abstrata das penas em si. Podendo ser descrito
como uma imagem linear do processo de motivação e deliberação acerca da prática
de delitos.

2) Modelo Ressocializador: a base desse modelo é a reinserção social do delinquente.


Nesse sentido, a finalidade da pena não se reduz ao retribucionismo do mal pelo
castigo, tal qual no modelo clássico, mas busca ressocializar o agente para reinseri-
lo na sociedade.

Como o papel da pena, vai além da punição, buscando também a reconstrução do


delinquente, percebe-se que a sociedade tem papel de destaque na efetivação
ressocialização, pois seu comportamento é de suma importância para, por exemplo,
afastar estigmas.

Com efeito, além desses, tem-se ainda o Modelo Restaurador, ou Integrador, ou da Justiça
Restaurativa. Esse modelo se afasta da reação baseada na aplicação da pena. Seu
principal objetivo é o de restaurar o status quo antes da prática do delito, utilizando para
tanto de meios alternativos de solução.

A restauração se dá pela via da reparação do dano pelo delinquente à vítima. Nesse


sentido, para a efetividade desse modelo deve haver a participação dos envolvidos no
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conflito, isto é, o delinquente, a vítima e os personagens sociais são colocados frente a
frente para atuarem ativamente na resolução do conflito.

Assim, não é a punição como retribuição pura da sociedade que prevalece, mas a
mediação, a resolução efetiva do conflito através da mediação vítima-ofensor, substituindo o
castigo pela conscientização.

Noutro giro, é oportuno destacar que dentro da concepção social o crime é descrito como o
descumprimento de expectativas sociais, o que gera um desequilíbrio social, ensejando uma
reação ao crime. Assim, uma dessas reações também pode se basear no direito penal do
inimigo de Gunther Jakobs, no qual terá a supressão de garantias para aplicar medidas,
penas e restrições de liberdade para pessoas que não reconhecem a ordem social.

Finalmente, sob a ótica do Direito Penal, cumpre asseverar a teoria do Direito Penal em
Velocidades, elaborada por Jésus-Maria Silva Sanchez, que propõe mostrar em três
velocidades como o Direito Penal reage ao crime e a instabilidade que esse crime gera.

Desse modo, a primeira velocidade consistira na aplicação da pena privativa de liberdade e


das garantias constitucionais, representando uma reação ao crime muito lenta e demorada.
A segunda velocidade seria a aplicação da pena restritiva de direitos e a supressão das
garantias constitucionais, como por exemplo, a possibilidade de transação penal e de
suspensão condicional do processo previstas em nosso ordenamento pela Lei n. 9.099/95.
Por fim, a terceira velocidade consistiria na combinação da aplicação da pena privativa de
liberdade e da supressão de garantias constitucionais, o que coincide com a noção de
direito penal do inimigo.