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CRIMINOLOGIA

Teoria da subcultura delinquente ............17 Prevenção criminal no estado


HISTORIA ............................................. 13
Teoria dos conflitos ............................ 17 democrático de direito .............. 24
NASCIMENTO DA Labelling approach .................................17 Prevenção primaria, secundaria e
CRIMINOLOGIA ................................. 13 Teoria radical ou crítica ..........................18 terciária. .................................... 25
Fases do delito ................................... 13 Neorretribucionismo ...............................19 Primário ................................................. 25
Período humanitário (séc. 15 e 17) ......... 13 VITIMOLOGIA .................................... 21 Secundária .............................................. 25
Moderna criminologia ............................ 13 Terciária ................................................. 25
Psicologia criminal ............................ 13 CONCEITO .......................................... 21
CONCEITO .......................................... 14 CLASSIFICAÇÃO ............................... 21 PREVENÇÃO DO DELITO ................ 25
OBJETO................................................ 14 VITIMOLOGIA CLÁSSICA ................ 21 Teoria da sissuação ........................... 25
MÉTODO E FINALIDADE ................. 14 Vitimização......................................... 21 Políticas de prevenção ....................... 26
Método ............................................... 14 Escola assistencialista .............................22 Criminologia prevencionista.............. 26
Teoria do crime precipitado pela Princípios ............................................... 26
Finalidade .......................................... 14
vítima...........................................22 Causa-efeito ....................................... 26
SOCIOLOGIA CRIMINAL ................. 15 Direitos da vítima ............................... 22 Formas de prevenção.............................. 26
Iter viticmae ....................................... 22 Teoria da reação social ..................... 27
MODELOS SOCIOLÓGICOS DE
Cifra negra ......................................... 23 Teoria da pena (Apenologia) ............. 27
CONSENSO E DE CONFLITO ............ 15
Vitimização primária, secundária e Prevenção geral e prevenção
Teoria de consenso ............................. 15
Escola de Chicago .................................. 15 terciária ..................................... 23 especial...................................... 27
Associação diferencial ............................ 16 PREVENÇÃO CRIMINAL .................. 24 Prevenção geral negativa e positiva ....... 27
Teoria da anomia .................................... 16 Prevenção especial negativa e positiva... 28
HISTORIA Moderna criminologia
Quando a criminologia nasceu, ela tratava de Caracterização do crime como problema, amplia
explicar a origem da delinquência usando os o âmbito tradicional da criminologia (adiciona a
métodos das ciências, o esquema causal e o vítima e o controle social ao seu objeto).
explicativo, ou seja, buscava a causa do efeito Substitui o conceito tratamento (Conotação clínica
produzido. e individualista) por intervenção (noção mais
dinâmica, complexa e pluridimensional, mais
NASCIMENTO DA CRIMINOLOGIA próximas da realidade criminal). Destaca a análise
Alguns consideram o nascimento da criminologia e a avaliação dos modelos de reação ao delito
com o trabalho de Cesare Bonesana em 1764: como um dos objetos da criminologia. Não
dos delittos e das penas. Mas a grande maioria renúncia, porém, a uma análise etológica ao delito
dos doutrinadores cita o nascimento da (desvio primário).
criminologia com a obra de Cesar Lombroso, em
1876, cujo, a tese principal era a do delinquente Psicologia criminal
nato. Isto ocorre devido à divisão do estudo em Estuda a personalidade do criminoso. A
duas importantes etapas, pré-científica e cientifica, personalidade refere-se aos processos de
cujo diferencial é a passagem da especulação e comportamento, pensamento, reação e
dedução (pré-científica) para a observação e experiências, que são características de uma
análise do fenômeno criminal, para somente determinada pessoa. Através destas
então, induzir e estabelecer regras preventivas. características, pode-se prevê grande parte do
comportamento do indivíduo.

Figura 1: (a) Cesare Bonesana Beccaria (1738-1794)


marquês de Beccaria jurista, filósofo economista e
literato italiano. Nasceu na lombardia educado por
jesuítas. Foi o primeiro a se levantar contra a tradição
jurídica e a legislação penal de seu tempo. (b) Cesare
Lombroso (1835-1909) psiquiatra, cirurgião, higienista,
criminologista, antropólogo e cientista italiano. Nascido
numa família abastada de Verona formou se em medicina
em 1858 e, no ano seguinte, em cirurgia, foi para Viena,
onde, aliou-se com o pensamento positivista.

Fases do delito
Período humanitário (séc. 15 e 17)
Estado liberal surge devido à burguesia e de um
movimento que teve como base o contratualismo,
desenvolvido por Rousseau. Surge a escola
clássica, através de Cesare Bonesana e sua obra:
Dos delitos e das penas críticas e pena de morte,
a denúncia anônima, a tortura, os crimes de
morte, os crimes de período abstrato, dentre
outras práticas desumanas da época. Procurou
fundamentar a legitimidade do direito de punir.
Francesco Carrara: só é crime o fato que infringe
a lei penal.

Figura 2: Francesco carrara (1805-1888) jurista italiano e


político liberal. Um dos principais estudiosos do direito
penal e defensor da abolição da pena de morte na Europa
do séc. 19.

13
CONCEITO OBJETO
O termo criminologia vem do latim A criminologia vê o crime como um problema
Criminio=crime e do grego Logos=estudo. A social, um verdadeiro fenômeno comunitário,
criminologia estuda as causas da criminalidade e abrangendo quatro elementos constitutivos:
da sua periculosidade. Também, pode ser definida  Incidência massiva da população;
como um conjunto de conhecimentos que  Incidência aflitiva do fato praticado;
estudam o fenômeno e as causas da  Persistência espaço-temporal do fato
criminalidade, a personalização do delinquente e delituoso;
sua conduta delituosa e a maneira de ressocializá-  Consenso inequívoco acerca de sua etiologia e
lo. É uma ciência empírica (baseada na técnica de intervenção eficaz.
observação e experiência), a criminologia é uma Atualmente o objeto da criminologia está dividido
ciência do Ser empírica, na medida em que seu em quatro vertentes:
objeto (crime, criminoso, vítima e controle-social) é 1. Delito;
visível no mundo real e não no mundo dos 2. Delinqüente;
valores, como ocorrem com o direito, que é uma 3. Vítima;
ciência do Dever-ser, portanto normativa e 4. Controle social.
valorativa.
A sua interdisciplinaridade decorre de sua própria MÉTODO E FINALIDADE
consolidação histórica como ciência dotada de Método
autonomia, à vista da influência profunda de varias É o meio pelo qual o raciocínio procura desvendar
outras ciências, tais como sociologia, psicologia, um fato, referente à natureza, à sociedade e ao
direito e medicina legal, etc. próprio homem. No campo da criminologia, essa
E interdisciplinar, que estuda o crime, a pessoa reflexão humana deve estar apoiada em bases
infratora, a vítima e o controle social do cientificas sistematizadas por experiência,
comportamento delitivo, e que trata de comparada e repetida, visando buscar a realidade
subministrar uma informação válida, contrastada, que se quer alcançar. A criminologia usa de
sobre a gênese, dinâmica e variáveis principais do metodologia experimental, naturalística e indutiva
crime, contemplando este como problemas para estudar o delinquente, não sendo suficiente,
individuais e como problema social. Dependendo para delimitar as causas da criminalística, por
do interesse do pesquisador, o objeto da isso, busca auxilio estatístico, histórico e
criminologia pode variar dentro dos seguintes sociológico, além do biológico.
temas:
1. O criminoso: Neste tema tenta-se explicar o Finalidade
seu comportamento, seu psiqüismo, suas Suas finalidades são informar a sociedade e os
motivações; poderes constituídos acerca do crime, do
2. O crime: Este estudo pode ser dirigido à criminoso, da vítima e dos mecanismos de
análise da prática de delitos específicos, como controle social, e luta contra a criminalidade
nos casos do tráfico de drogas, crime (controle e prevenção criminal).
organizado e lavagem de dinheiro;
3. A vítima: Através da vitimologia, a ciência que
estuda seu comportamento, sua posição frente
ao agente vitimização ou, sua colaboração
para com a prática do crime.
Tem como função: Servir de referência teórica
para programar estratégias de políticas criminais,
que são métodos usados pelo poder público no
controle da criminalidade.
Interdisciplinaridade: A criminologia, também é
considerada interdisciplinar, uma vez que para
qualquer um dos objetos que se destina estudar,
poderá fazê-lo sob vários enfoques distintos,
podendo se apoderar de diversas esferas do
conhecimento a fim de melhor entender
determinada situação.

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SOCIOLOGIA CRIMINAL A escola de Chicago, atenta aos fenômenos
Ela inicialmente confundiu-se com certos criminais observáveis, passou a usar os inquéritos
preceitos da antropologia criminal, uma vez que sociais (social surveys) na investigação daqueles.
buscava a gênese delituosa nos fatores Tais investigações sociais demandavam
biológicos, em certas anomalias cranianas, na realização de interrogatórios diretos, feitos por
disjunção evolutiva, no entanto, a moderna uma equipe especial, junto a dado número de
sociologia partiu para uma divisão bipartida, pessoas (amostragens). Ao lado desses
analisando as teorias macrossociológicas, sob indivíduos, os casos individuais permitiram a
enfoque e consensuais ou de conflitos. verificação de um perfil de carreira delitiva. A
principal contribuição da escola de Chigaco deu-
MODELOS SOCIOLÓGICOS DE CONSENSO E se no campo da metodologia e da política criminal,
DE CONFLITO lembrando que a consequência direta foi o
Nessa perspectiva macrossociológica, as teorias destaque à prevenção, reduzindo a repressão.
criminológicas contemporâneas não se limitam à Todavia, não há prevenção criminal ou repressão
análise do delito segundo uma visão do indivíduo que resolvam a questão criminal se não existirem
ou de pequenos grupos, mas sim da sociedade ações afirmativas que incluam o indivíduo na
como um todo. O pensamento criminológico sociedade.
moderno é influenciado por duas visões: 1. Teoria ecológica: Há dois conceitos básicos
1. Cunho funcionalista: chamada de teoria para que possamos entender a ecologia
teorias de consenso; criminal e seu efeito criminôgeno: a ideia de
2. Cunho argumentativo: chamada de teorias de desorganização social e a identificação de
conflito. áreas de criminalidade. O crescimento
desordenado das cidades faz desaparecer o
Teoria de consenso controle social informal; as pessoas vão se
São exemplos de teorias de consenso à escola tornando anônimas, de modo que a família, a
de Chicago, a teoria de associação diferencial, a igreja, o trabalho, os clubes de serviço social
teoria da anomia e a teoria da subcultura etc. Não dão mais conta de impedir os atos
delinquente. As teorias de consenso entendem antissociais. Descarte: A ruptura no grupo
que os objetivos da sociedade são atingidos primário enfraqueceu o sistema, causando
quando há o funcionamento perfeito das suas aumento da criminalidade nas grandes
instituições com os indivíduos convivendo e cidades. No mesmo sentido, a ausência
compartilhando as metas sociais comuns, completa do estado (não há delegacias,
concordando com as regras de convívios. As escolas, hospitais, creches etc.), Cria uma
teorias consensuais partem dos seguintes sensação de anônimia e insegurança,
postulados: Toda sociedade é composta de potencializando o surgimento de bandos
elementos perenes, integrados, funcionais, armados, matadores de aluguel que se
estáveis, que se baseiam no consenso entre seus intitulam mantenedores da ordem. O segundo
integrantes. dado característico é a existência de áreas de
criminalidade segundo uma ``Gradient
Escola de Chicago tendecy´´.
A revolução industrial proporciona uma forte 2. Teoria das zonas concêntricas: As principais
expansão do mercado americano, com a propostas ecológicas criminais visando o
consolidação da burguesia comercial. Os estudos combate à criminalidade são: alteração efetiva
sociológicos americanos foram a priori marcados da situação socioeconômica das crianças,
por uma influência da religião. Com a amplos programas comunitárias para
secularização, ocorreu a aproximação entre as tratamento e prevenção: planejamento
elites e a classe baixa, sobretudo por uma matriz estratégico por áreas definidas, programas
de pensamento, formado na universidade de comunitários de recreação e lazer, como ruas
Chicago que se chamou teoria da ecologia de esporte, escotismo, artesanato, excursões
criminal ou universidade de Chicago, ou etc. Urbanização dos bairros pobres, com
desorganização social. Devido ao crescimento melhoria da estética e do padrão das casas.
desordenado da cidade de Chicago, que se
expandiu do centro para a periferia (movimento
circular centrifugo), inúmeros e graves
problemas sociais econômicas, culturais etc.
Criaram ambiente favorável à instalação da
criminalidade, ainda mais pela ausência de
mecanismos de controle social.

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Associação diferencial possível, haverá uma disfunção. Merton explica
É considerada uma teoria de consenso, que o comportamento desviado pode ser
desenvolvido pelo americano Edwin Sutherland, considerado, no plano sociológico, um sintoma de
inspirado em Gabriel Tarde. Cunhou-se no final dissociação entre as aspirações socioculturais e
dos anos 1930 a expressão White collor crimes os meios desenvolvidos para alcançar tais
(crimes do colarinho branco) para designar os aspirações. Assim, o fracasso no atingimento
autores de crimes específicos, que se diferenciam desviado das aspirações ou metas culturais em
dos criminosos comuns. Afirma que o razão da impropriedade dos meios
comportamento do criminoso é aprendido, nunca institucionalizados pode levar anomia, isto é, a
herdado, criado ou desenvolvido pelo sujeito ativo. manifestações comportamentais em que as
Sutherland não propõe a associação entre normas sociais são ignoradas ou contornadas. A
criminosos e não criminosos, mas sim entre anomia é uma situação de fato em que faltam
definições favoráveis ou desfavoráveis ao delito. coesão e ordem, sobretudo no que diz respeito a
Nesse contexto, a associação diferencial é um normas e valores.
processo de apreensão de comportamento  As forças de paz no Haiti tentaram debelar o
desviantes, que requer conhecimento e habilidade caos anômico naquele país (2008);
para se Locupletar das ações desviantes. Isso é  Após a passagem do furacão Katrina em Nova
apreendido e promovido por gangues urbanas, Orleans (EUA, 2005), assistiu-se a um estado
grupos empresariais, aqueles despertados para a calamitoso de crimes naquela cidade, como se
prática de furtos e arruaças, e estes, para a lá não houvesse nenhuma norma.
prática de sonegação e fraudes comerciais. O conceito de anomia de Merton atinge dois
pontos conflitantes:
1. As metas culturais (Status, poder, riqueza
etc.);
2. Meios institucionalizados (escolas, trabalho
etc.)
Nessa linha de raciocínio, Merton elabora um
esquema onde explica o modo de adaptação dos
Figura 3: (a) Edwin Hardin Sutherland (1883-1950)
indivíduos em face das metas culturais e meios
renomado sociólogo americano, ganhou reconhecimento disponíveis, assinalados com um sinal positivos
pelo desenvolvimento da teoria criminal da associação quando o homem aceita o meio institucionalizado
diferencial e pela introdução do termo ``crime do
colarinho branco´´ entre outras contribuições. (b) Jean
e a meta cultural, e com um sinal negativo quando
Gabriel de Tarde (1843-1904) filósofo, sociólogo, os reprova.
psicólogo e criminologista francês. de origem nobre, em Modo de adaptação Meios culturais
1894, foi nomeado diretor da seção de estatística criminal
do ministério da justiça em Paris, cargo que conservou Conformidade +
até a morte. Inovação +
Ritualismo -
Teoria da anomia Evasão/Retraimento -
A anomia é uma situação social em que falta Rebelião +-
coesão e ordem. Trata-se da ausência de 1. A conformidade ou comportamento modal
reconhecimento dos valores inerentes a uma (conformismo): Num ambiente social estável,
norma fazendo com que esta perca sua é o tipo mais comum, pois os indivíduos
coercibilidade, pois o agente não reconhece aceitam os meios institucionalizados para
legitimidade na imposição. Considera o crime um alcançar as metas socioculturais existe adesão
fenômeno normal na sociedade, pois sempre total e não ocorre comportamento desviante
haverá alguém que não reconhece a autoridade desses aderentes;
da norma. Essa teoria também é vista como teoria 2. A inovação: os indivíduos acatam as metas
de consenso, porem com nuances Marxistas. culturais, mas não aceitam os meios
Afasta-se dos estudos clínicos do delito porque institucionalizados. Quando se apercebem que
não o compreende como anomalia. Esta teoria nem todos os meios estão a sua disposição,
insere-se no plano das correntes funcionalistas, eles rompem com o sistema e, pela conduta
desenvolvidas por Robert king Merton, apoiado desviante corta caminho para chegar às metas
na doutrina de Emile Durkheim (o suicídio). Para culturais;
os funcionalistas, a sociedade é um todo orgânico
articulado que, para funcionar, precisa que os
indivíduos interajam num ambiente de valores e 3. O ritualismo: por meio do qual os indivíduos
regras comuns. fazem das metas culturais, que, por uma razão
Todas as vezes em que o estado falha é preciso ou outra, acreditam que jamais atingirão.
resgata-lo preservando-os; se isso não for
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renunciam às metas culturais por entender que 1. Não utilitarismo de ação: Se revela no fato
são incapazes de alcança-las. de que muitos delitos não possuem motivação:
4. Evaporação ou retraimento: os indivíduos  Alguns jovens furtam roupas que não vão
renunciam tanto às metas culturais quando aos usa.
meios, lutando pelo estabelecimento de novos 2. Malícia da conduta: É o prazer em
paradigmas, de uma nova ordem social. são desconcertar, em prejudicar o outro:
individualmente os ``rebeldes sem causa´´, ou  Atemorização que gangues fazem em jovens
ainda, coletivamente, as ``revoluções que não as integram.
sociais´´. 3. Negatividade da conduta: Mostra-se como
Emile Durkheim: defende que o crime pode ser um polo oposto aos padrões da sociedade.
cometido por qualquer pessoa, de qualquer nível  A existência de subculturas criminais se
social, derivando não de anomalias do indivíduo, mostra como forma de reação necessária de
mas de uma situação social onde faltam coesão e algumas minorias muito desfavorecidas
ordem em relação às normas e valores da diante das exigências sociais de
sociedade. A teoria de Emile Durkheim se insere sobrevivências.
no plano das correntes funcionalistas,
desenvolvida por Robert King Merton. Para os
funcionalistas a sociedade é um todo orgânico
articulado que, necessita que os indivíduos
interajam num ambiente de valores e regras
comuns. No entanto, quando o estado falha, é
preciso resgatá-los, preservando, se isso não for
possível haverá uma disfunção.

Figura 5: Albert Cohen (1895-1981) trabalhou como


funcionário público para varias organizações
internacional, como a organização internacional do
trabalho. Seus eram judeus e tinham uma fabrica de
sabões.

Teoria dos conflitos


Figura 4: (a) Robert King Merton (1910-2003) sociólogo As teorias de conflitos argumentam que a
americano, considerado um teórico fundamental da
burocracia, da sociologia da ciência e da comunicação harmonia social decorre da força e da coesão, em
de massa. Cunhou a expressão ``profecia auto- que há uma relação entre dominantes e
realizável´´; (b) Emile Durkheim (1959-1917) sociólogo,
antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo
dominadas. Nesse caso, não existe
francês. Criou a disciplina da ciência social moderna e voluntariedade decorrente da imposição ou
pai da sociologia. coesão. Os postulados das teorias de conflitos
são: as sociedades são sujeitos a mudanças
Teoria da subcultura delinquente contínuas, sendo ubíquas, de modo que dão
É tida como teoria de consenso, criada pelo elemento que coopera com sua dissolução.
sociólogo Albert Cohen. Três ideias básicas Haveria sempre uma luta de classe ou de
sustentam a subcultura: ideologia a informar a sociedade moderna.
1. O caráter pluralista e atomizado da ordem
social;
2. A semelhança normativa da conduta desviada;
3. A semelhança estrutural, na gênese, dos
comportamentos regulares e irregulares.
Essa teoria é contrária à noção de uma ordem
social, ofertada pela criminologia tradicional.
Identificam-se como exemplos as gangues de
jovem delinquentes, em que o garoto passa a
aceitar os valores daquele grupo, admitindo-as
para si mesmo, mais que os valores sociais
dominantes.
Labelling approach
Segundo Cohem, a subcultura delinquente se Essa teoria é uma das mais importantes teorias
caracteriza por três fatores: do conflito. Surgiu no ano de 1960 nos EUA, seus
principais expoentes foram Erving Goffman e
17
Howard Becker. Por meio dessa teoria, a
criminalidade não é uma qualidade da conduta
humana, mas a consequência de um processo em
que atribui tal conduta humana, mas a
consequência de um processo que se atribui tal
qualidade (estigmatizada). Assim, os criminosos
apenas se diferenciam do homem comum em Figura 6: (a) Ervins Goffman (1922-1982) cientista social,
antropólogo, sociólogo, e escritor canadense.
razão do estigma, que sofre e do rotulo que considerado o sociólogo norte-americano mais influente
recebe. Por isso, o tema central desse enfoque é do sec. 20. sua contribuição mais conhecida para a teoria
o processo de interação em que o individuo é social é o seu estudo sobre interação simbólica; (b)
Howard Saul Becker (1928-X) sociólogo americano fez
chamado criminoso. A sociedade define o que grandes contribuições para a sociologia do desvio,
entende por conduta desviante, isto é, todo sociologia da arte e sociologia da música. Começou a
tocar piano muito cedo e aos 15 anos já trabalhava como
comportamento considerado perigoso, pianista.
constrangedor, impondo sansões a aquelas que
se comportarem dessa forma. Destarte: condutas Teoria radical ou crítica
desviantes são aqueles que as pessoas e uma
A origem dessa teoria de conflitos se encontra no
sociedade rotulam às outras que os praticam. A
inicio do sec. 20, com o trabalho do holandês
teoria da rotulação de criminosos cria um
Willem Adriaan Bonger, que inspirado pelo
processo de estigma para os condenados,
Marxismo, entendendo ser o capitalismo a base
funcionando a nessa como geradora de
da criminalidade, na medida em que promove o
desigualdade. O sujeito acaba sofrendo reação da
egoísmo, este, por seu turno, leva os homens a
família, amigos, conhecidos, colegas, o que
delinquir.
acarreta a marginalização no trabalho, na escola.
Afirma ainda que as condutas, delitivas dos
sustenta-se que a criminalidade primaria produz a
menos favorecidos são as efetivamente
etiqueta ou rotulo, que por sua vez produz a
perseguidas, ao contrário do que acontece com a
criminalização secundaria. A etiqueta ou rotulo
criminalidade dos poderosos.
acaba por impregnar o individuo, causando a
Essa teoria entende que a realidade não é neutra,
expectativa social de que a conduta venha a ser
de modo que se vê todo o processo de
praticada perpetuando, o comportamento
estigmação da população marginalizada, que se
delinquente e aproximando os indivíduos
estende à classe trabalhadora, alvo preferencial
rotulando uns aos outros, uma vez que
do sistema punitivo, e que visa criar um temor da
condenada, o individuo ingressa numa instituição
criminalidade e da prisão para manter a
(presídio), que geraria um processo
estabilidade da produção e da ordem social.
institucionalizado ligado com seu afastamento da
As principais características dessa teoria crítica
sociedade, rotina do cárcere etc. Uma versão
são:
radical dessa teoria anota que a criminalidade é
1. A concepção conflitual da sociedade e do
apenas a etiqueta é aplicado por policiais
direito (o direito penal se ocupa de proteger os
promotores, juízes criminais, isto é, pelas
interesses do grupo social dominante);
instancias formais de controle social. Outras
2. Reclama compreensão e até apreço pelo
menos radicais são o etiquetamento não se acha
criminoso;
apenas na instancia formal de controle, mas
3. Critica severamente a criminologia tradicional;
também no controle informal, no interacionismo
4. O capitalismo é à base da criminalidade;
simbólico na família e na escola:
5. Propões reformas estruturais na sociedade
Irmão ovelha negra;
para a redução da desigualdade e
Estudante rebelde.
consequentemente da criminalidade.
As consequências dessa teoria são reduzidas à
É criticada por apontar problemas nos estados
àquilo que se convencionou chamar políticas dos
capitalistas, não analisando o crime nos países
quadros Ds:
socialistas. Destacam-se as correntes do
1. Descriminalização;
neorrealismo de esquerda, do direito penal mínimo
2. Diversão;
e do abolicionismo penal, que, apregoam a
3. Devido processo legal;
reestruturação da sociedade, extinguindo o
4. Desinstitucionalização.
sistema de exploração econômica.
No plano jurídico penal, os efeitos criminológicos
dessa teoria se deram num sentido da prudente
não intervenção ou do direito penal mínimo.

18
criminalidade em Nova York que antigamente era
conhecida como a ``capital do crime´´. Hoje é
considerada a cidade mais segura dos EUA. Uma
das principais críticas a essa teoria está no fato de
que, com a política de tolerância zero, houve o
encarceramento em massa dos menos
favorecidos (prostitutas, mendigos, sem-teto etc.).
Na verdade a crítica não procede, porque a
política criminal analisava a conduta do individuo,
não a sua situação pessoal. Em 1990 o americano
Figura 7: Willem Adriaan Borge (1876-1940) Criminólogo Wesley Skogam realizou uma pesquisa em varias
e sociólogo holandês, principal responsável pelo cidades EUA que confirmou os fundamentos da
reconhecimento da relação entre a criminalidade e as teoria. a relação da causalidade existente entre
condições econômicas dos indivíduos, pelo seu trabalho
a mais evidente sua inter-relação com a sociologia desordem e criminalidade é muito maior do que a
segundo uma abordagem cientifica. relação entre a criminalidade e pobreza,
desemprego, falta de moradia.
Neorretribucionismo
Surgiu nos EUA, decorrente da teoria das janelas
quebradas, inspiradas pela Escola de Chigaco,
dando um caráter sagrado aos espaços públicos.
Parte da premissa de que os pequenos delitos
devem ser rechaçados, o que inibira os mais
graves, atuando como prevenção geral, os
espaços públicos devem ser tutelados e
preservados. Em 1982 foi publicado na revista The
Atlantic Monthly uma teoria elaborada por dois
criminologistas americanos, James Wilson e Figura 8: (a) James Quinn Wilson (1031-2012) acadêmico
George Kelling, chamada de teoria das janelas americano, cientista político e uma autoridade na
quebradas. Essa teoria parte da premissa que administração pública. A maior parte da sua carreira foi
como professor na universidade de Harvard. Morreu em
existe uma relação de causalidade entre a Boston de complicações de leucemia; (b) George L.
desordem e a criminalidade. A teoria é baseada Kelling (1935-X) americano criminologista, professor na
universidade de Rutger e pesquisador na universidade de
num experimento realizado por Philip Zimbardo, Harvard. É um dos mais conhecidos estudiosos da
psicólogo da universidade de Stanford, com um criminalidade nos EUA e há quase 30 anos participa de
automóvel deixado num bairro de classe alta de experiências com policiamento preventivo em grandes
cidades.
Palo Alto (Califórnia) e outro deixado no Bronx
(Nova York). No Bronx o veículo foi depenado em
30 minutos, em Palo Alto, o carro permaneceu
intacto por uma semana. Porem, após o
pesquisador quebra uma das janelas, o carro foi
completamente destroçado e saqueado por
grupos de vândalos em poucas horas.
Nesse sentido, caso se quebre uma janela de um
prédio e ela não seja, imediatamente, consertada,
os transeuntes pensarão que não existe
autoridade responsável pela conservação da
ordem naquela localidade. Logo todas as outras
janelas serão quebradas. Assim, haverá a
decadência daquele espaço urbano em pouco Figura 9: (a) Philip George Zimbardo (1933-X) psicólogo e
tempo, facilitando a permanência de marginais no professor emérito universidade de Stanford. tornou-se
lugar, cria-se-à, dessa forma, terreno propicio para conhecido pelo seu experimento ``Prisão de Stanford´´.
nesse experimento ele buscava investigar o
a criminalidade. A teoria das janelas quebradas, comportamento humano numa sociedade a qual os
desenvolvida no EUA e aplicada em Nova York, indivíduos são definidos apenas pelo grupo. nesse
experimento voluntários, tinham o papel de guardas e
quando Rudolph Giuliani era prefeito por meio da prisioneiros numa prisão simulada; (b) Rudolph Giuliani
operação tolerância zero, reduziu (1944-X) político americano, foi prefeito de Nova York
consideravelmente os índices de criminalidade (1994-2002). tornou-se famoso por implementar uma
política de ``tolerância zero´´ contra criminosos, o que
naquela cidade. diminuiu as taxas de criminalidade da cidade.

O resultado da aplicação da teoria das janelas


quebradas foi a redução satisfatória da
19
Figura 10: Wesley G. Skogan: especialista em crime e
policiamento, dirige a maioria dos estudos sobre o crime
de DPI, ao longo dos últimos 30 anos. isso inclui o
estudo sobre o medo do crime, o impacto do crime nas
comunidades, a participação pública na prevenção do
crime na comunidade, a vitimização e as respostas das
vítimas à criminalidade.

20
VITIMOLOGIA Han Von Hentig elaborou a seguinte
É o estudo científico da extensão, natureza e classificação:
causas da vitimização criminal, suas 1º. Grupo: criminoso → vítima → criminoso
consequências para as pessoas envolvidas e as (sucessivamente) : reincidente que é
reações pela sociedade, em particular pela polícia hostilizado no cárcere, vindo a delinquir
e pelo sistema de justiça criminal. novamente pela repulsa social que encontra
As violações a direitos humanos são hoje fora da cadeia;
considerados questão central na Vitimologia. A 2º. Grupo: criminoso → vítima → criminoso
expressão vitima significa pessoa que, individual (simultaneamente): caso das vítimas de drogas
ou coletivamente, sofreram danos, incluindo lesão que de usuários passam a ser traficantes;
física ou metal, sofrimento emocional. As vítimas 3º. Grupo: criminoso → vítima (imprevisível), por
de atos ilícitos passaram por fases que, exemplo, linchamento, saques, epilepsia,
correspondem a um protagonismo, neutralização, alcoolismo.
e redescobrimento.
 O protagonismo: Corresponde ao período da
vingança privada, em que os danos produzidos
sobre uma pessoa ou seus bens eram
reparados ou punidos pela própria pessoa.
 A neutralização: A vítima entende que a
resposta ao crime deve ser imparcial,
desapaixonada, despersonalizado a rivalidade.
 O redescobrimento: A vítima é um fenômeno
do pós 2ª guerra mundial. É uma resposta
ética e social ao fenômeno multitudinário da
macrovitimização, que atingiu judeus, ciganos,
homossexuais, e outros grupos vulneráveis.
Esse redescobrimento não persegue nem
retoma a vingança privada; nem quebra as Figura 11: Hans Von Hentig (1887-1900) criminologista
alemão, considerado junto com Mendelsohn pais no
garantias para os delinquentes, à vítima quer estudo da vitimologia na lei criminal.
justiça.

CONCEITO VITIMOLOGIA CLÁSSICA


A vitimologia é o terceiro componente da tríade Interessa-se pelo estudo das vítimas, com
criminológica: criminoso, vítima e ato (fato objetivo de contribuir para melhorar a
crime). A vítima, que sofre um resultado infeliz dos compreensão do processo de vitimização em
próprios atos (suicidas), das ações de outros geral, e das suas consequências, em particular, de
(homicídios) e do acaso (acidental), este relegada forma a auxiliar no planejamento de intervenções
a plano inferior desde a Escola Clássica efetivas e eficazes, que permitam monitorar as
(preocupava-se com o crime), passando pela consequências do dano pós-traumático e, se
Escola Positiva (preocupa-se com o criminoso). possível, preveni-lo, a vítima terá de ser
considerada numa perspectiva mais alargada.
CLASSIFICAÇÃO
A primeira classificação da vitimologia foi feita por
Benjamin Mendelson, que leva em conta a Vitimização
participação ou provocação da vítima: Examina a propensão para ser vítima e os vários
1. Vítimas ideais: completamente inocentes; mecanismos de produção de danos diretos e
2. Vítimas menos culpadas que os criminosos: indiretos sobre a vítima. O processo de
vítimas por provocação; vitimização diz respeito à relação humana, que
3. Vítimas como únicas culpadas: últimas podem ser compreendidas como relação de
agressoras, simuladas e imaginárias. poder. Identificação no crime como que uma
Mendelson sintetiza a classificação em três transação em que agressor e vitima
grupos: desempenham papéis. A identificação de
1. Vítima inocente: que não concorre de forma vulnerabilidade e de definição das vítimas é
alguma para o injusto típico; essencial no processo. A vulnerabilidade da vítima
2. Vítima provocadora: que, voluntariamente, decorre de diversos fatores, o que faz com que o
colabora com o ânimo criminoso do agente; risco de vitimização seja diferencial, para cada
3. Vítima agressora: simuladora ou imaginária, pessoa e delito.
suposta ou pseudovítima que acaba
justificando a legítima defesa de seu agressor.
21
Escola assistencialista Direitos da vítima
Criada por Benjamin Mendelsohn em 1950, ao Os direitos das vítimas são tratamento justo e
verificar que não havia qualquer estudo ou respeito à sua dignidade e privacidade, proteção
mecanismo de proteção às vítimas. Essa escola contra o agressor, informação sobre a tramitação
define vítima como todo aquele que se encontra processual, e garantia da presença em corte,
numa posição de maior vulnerabilidade a informações sobre a condenação, a sentença, a
determinada violência. Buscando influenciar prisão e a libertação do agressor.
mudanças legislativas, propiciando a criação de
leis que criem maiores condições de amparo às Iter viticmae
vítimas e com o apoio a instituição de cunho É o caminho interno e externo, que se segue um
assistencial. Mendelson conclui que as vítimas indivíduo para se converter em vítima, o conjunto
podem ser classificadas em três grupos para de etapas que se operam cronologicamente no
efeitos de aplicação da pena ao infrator: desenvolvimento de vitimização:
1º. Grupo: vítima inocente: não há 1º. Intuição: é a primeira fase, quando se planta na
provocação nem outra forma de mente da vítima a ideia de ser prejudicada,
participação no delito, mas sim puramente hostilizada ou imolada por ofensor;
vítima; 2º. Atos preparatórios: momento em que desvela a
2º. Grupo: estas vítimas colaboram na ação preocupação de tomar as medidas preliminares
nociva e existe uma culpabilidade para defender-se ou ajustar o seu
recíproca, pela qual a pena deve ser comportamento de modo consensual ou com
menor para o agente do delito (vítima resignação, às deliberações de dano ou perigo
provocadora); articuladas pelo ofensor;
3º. Grupo: nestes casos são as vítimas as 3º. Início da execução: momento em que a vítima
que cometem por si ação nociva e o não começa a operacionalização de sua defesa,
culpado deve ser excluído de toda pena. aproveitando a chance que dispões para evitar,
ou direcionar seu comportamento para cooperar,
Teoria do crime precipitado pela vítima apoiar ou facilitar a ação ou omissão aspirada
Criado em 1948, por Hans Von Hentig, defende pelo ofensor.
que algumas vítimas possuem uma função 4º. Execução: ocorre a autêntica execução se
criminôgena, as chamadas vítimas por tendência distinguido pela definitiva resistência da vítima
Segundo esta teoria, a vítima possui determinadas para então evitar, a todo custo, que seja
características que a colocam, ainda que atingida pelo resultado pretendido por
inconscientemente, numa posição de maior agressor, ou então se deixar por ele vitimizar.
vulnerabilidade, o que se chamou índice de 5º. Comunicação ou tentativa: após a execução,
periculosidade da personalidade da vítima. aparece a consumação mediante advento do
Esse índice pode ser exteriorizado em efeito perseguido pelo autor, com ou sem a
determinadas características, tais como: adesão da vítima. Constatando-se a repulsa da
ansiedade, agressividade, sentimento de culpa, vítima durante a execução, aí pode se dar a
masoquismo e ego frágil e carência. tentativa de crime, quando a prática do fato
Podemos citar como exemplo os casos de demonstrar que o autor não alcançou seu
meninas que usam roupas decotadas em busca propósito, em virtude de algum impedimento
de atenção e por isso são mais vulneráveis ao alheio à sua vontade.
estupro, segundo essa teoria a vítima se dispôs a
isto.

22
Cifra negra Vitimização primária, secundária e terciária
Essa ideia surgiu com Lambert Adolphe A legislação penal e processual penal brasileira
Jacques Quelet, considerado um dos precursores usa os termos ``vítimas´´, ``ofendidos´´ e
da sociologia moderna, da criminologia de bases ``lesados´´. Porém a palavra vítima tem
sociológicas, pertencente à chamada Escola cabimentos específicos nos crimes contra a
Cartográfica. Ele era matemático e estatístico, pessoa; ``ofendido´´ designa aquele que sofreu
estudava o delito de forma peculiar considerava delitar contra a honra, e lesado alcança as
que os delinquentes se limitavam a executar os pessoas que sofreram ataques e seu patrimônio.
fatos preparados pela sociedade. Desse modo, a Para a declaração dos princípios fundamentais de
criminalidade, poderia ser representada por uma justiça relativas às vítimas da criminalidade e de
função matemática em decorrência dos estados abuso do poder, das nações unidas, define-se:
econômicos e sociais do momento do objeto de
estudo. Ele conseguiu caracterizar esse conceito Vítima como as pessoas, que individual ou
de cifra negra ao relacionar, a criminalidade real, coletivamente, tenham sofrido um prejuízo,
aparente e a criminalidade legal, que acabava nomeadamente um atentado à sua integridade
levando a julgamentos. A cifra negra representa a física ou mental, um sofrimento de ordem moral,
diferença entre aparência, e a realidade da uma perda material, ou um grave atentado aos
criminalidade convencional, constituída por fatos seus direitos fundamentais, como consequência
criminosos não identificados não denunciados no de atos ou de omissões violadoras das leis penais
ou não investigados. em vigor num estado membro, incluindo as que
proíbem o abuso de poder.

Assim, a vítima é quem sofreu ou foi agredida de


alguma forma em razão de uma infração penal,
cometida por um agente. A criminologia, ao
analisar a questão vitimologia classifica a
vitimização em três grandes grupos:
1. Vitimização primária: é normalmente
entendida como aquela provocada pelo
cometimento do crime, pela conduta violadora
dos direitos da vítima pode causar danos
Figura 12: Lambert Adolphe Jacques Quélet (1796-1874),
Belgo, astrônomo, matemático, demógrafo, estatístico e variados, materiais, físicos, psicológicos, de
sociólogo do séc. 19, foi o quinto filho de nove, aos sete acordo com a natureza da infração, a
anos de idade viu seu pai morrer. personalidade da vítima, sua relação com o
agente violador, a extensão do dano etc.
então, é aquela que corresponde aos danos à
vítima decorrente do crime;
2. Vitimização secundária: ou sobrevitimização,
entende-se ser aquela causada pelas
instâncias formais de controle social, no
decorrer do processo de registro e apuração
do crime, com o sofrimento adicional causado
pela dinâmica do sistema de justiça criminal
(inquérito policial e processo penal);
3. Vitimização terciária: falta de amparo dos
órgãos púbicos às vítimas, nesse contexto a
própria sociedade não acolhe a vítima, e
muitas vezes a incentiva a não denunciar o
delito às autoridades, ocorrendo o que se
chama de cifra negra (quantidades de crimes
que não chegam ao conhecimento do estado).

23
PREVENÇÃO CRIMINAL penal nas pequenas infrações pela adoção de
Prevenção delitiva é o conjunto de ações que medidas de cunho administrativo.
visam evitar a ocorrência do delito. Para alcançar Contra o jogo, a prostituição, a pornografia
esse objetivo do estado de direito, o que é a generalizada etc. Elevação de valores morais,
prevenção da paz e de atos nocivos e com o culto à família, religião, costumes e ética,
consequentemente a manutenção da paz e além da reconstrução do sentimento de civismo,
harmonia sociais, mostra-se irrefutável a estranhamente ausente entre os brasileiros.
necessidade de dois tipos de medidas: A primeira
delas atingindo indiretamente o delito e a segunda Prevenção criminal no estado democrático de
diretamente; direito
As medidas indiretas: Visam às causas do crime, Sustenta-se que o crime não é uma doença, mais
sem atingi-los de imediato. O crime só seria sim um grave problema da sociedade, que deve
alcançado porque, cessado a causa, cessam os ser resolvido por ela. A criminologia moderna
efeitos. Tratando-se de ação profilática, que defende a ideia de que o delito assume papel mais
demanda um campo de atuação intenso e complexo, de acordo com a dinâmica de seus
extenso, buscando todas as causas possíveis da protagonistas (autor, vitima e comunidade), assim
criminalidade, próxima ou remotas, especificas. como pelos fatores de convergência social.
Tais ações indiretas devem focar dois caminhos A criminologia clássica vislumbra o crime como
básicos: um enfrentamento da sociedade pelo criminoso
O individuo e o meio em que ele vive. (luta do bem contra o mal), numa forma
Em relação ao indivíduo deve ser analisado sob minimalista do problema, a criminologia moderna
seu múltiplo estilo de ser, adquirido tal atividade observa o delito de maneira ampla e interativa,
um raio de ação muito extenso, visando uma como um ato complexo em que os custos da
redução da criminalidade e prevenção, até porque reação social também são demarcados.
seria utopia zerar a criminalidade. A conjugação No estado democrático de direito em que vivemos,
de medidas sociais, políticas, econômicas etc. a prevenção criminal é integrante da ``agenda
Pode proporcionar uma sensível melhoria de vida federativa´´, passando por todos o setores do
ao ser humano. A criminalidade transnacional, a poder público, e não apenas pela segurança
importação de culturas e valores, a globalização pública e pelo judiciário. A demais, no modelo
econômica, a desorganização dos meios de federativo brasileiro a união, os estados, o distrito
comunicação em massa, o desequilíbrio social, a federal e, sobretudo, os municípios devem agir
proliferação da miséria, a reiteração de medidas conjuntamente, visando a redução criminal.
criminais pífias e outras impelem o homem ao A prevenção delituosa alcança as ações
delito. Porem, da mesma forma que o meio pode dissuasórias do delinquente, inclusive com
levar o homem à criminalidade, também pode ser parcelas intimidativa da pena cabível ao crime em
um fator estimulante de alteração comportamental, vias de ser cometido; a alteração dos espaços
até para aqueles indivíduos com carga genética físicos e urbanos com novos desenhos
biológica favorável ao crime. Nesse aspecto, a arquitetônicos aumenta de iluminação pública,
urbanização das cidades, a desfavelização, o etc.. (neocologismo + neorretribucionismo), bem
fomento de emprego e reciclagem profissional, a como atitudes visando impedir a reincidência
educação pública gratuita e acessível a todos etc. (reinserção social, fomento de oportunidades
Na profilaxia indireta, assume papel relevante à laborais etc.).
medicina, por meio dos exame pré-natal, do
planejamento familiar, da cura de certas doenças,
do uso de células-troncos embrionárias para a
correção de defeitos congênitos e a cura de
doenças graves, da recuperação de alcoólatras e
dependentes químicos, da boa alimentação etc. O
que poderia facilitar, por evidente, a obtenção de
um sistema preventivo eficaz.
As medidas diretas: De prevenção criminal
direcionam-se para a infração penal ``in hinere´´
ou em formação. Grande valia possuem as
medidas de ordem jurídica, dentre as quais se
destacam aqueles atinentes à efetiva punição de
crimes graves incluindo as de colarinho; repressão
implacável as infrações penais de todos os
matizes (tolerância zero), substituindo o direito

24
Prevenção primaria, secundaria e terciária. Com relação à prevenção, as principais carências
Primário são:
Atacar a raiz do conflito (educação, emprego,  A impressão e inadequação do significado
moradia, segurança etc.) Aqui, desponta a desse termo;
inelutável necessidade do estado, de forma celere,  Por um lado à falta de informação e de
implantar, os direitos sociais progressivas e conhecimento nesse setor e, por outro lado, e,
universalmente, atribuindo a fatores exógenos a paradoxalmente, a proliferação dos programas;
etiologia delitiva, a prevenção primária liga-se à  Ausência de continuidade nas ações
garantia de educação, saúde, trabalho, segurança compreendidas;
e qualidade de vida do povo, instrumento  A falta de coordenações entre os órgãos que
preventivo de médio e longo prazo. se ocupem da prevenção e a carência da
responsabilidade precisas desses órgãos;
Secundária  O pouco apoio profissional e material
Destina-se a setores da sociedade que podem vir necessário para uma ação eficaz nesse setor;
a padecer do problema criminal e não ao  A relativa ausência de participação da
indivíduo, manifestando-se a curto e médio prazo comunidade na prevenção de delito.
de maneira seletiva, ligando-se à ação policial, Conter o crescimento da violência através da
programas de apoio, controle das comunicações elaboração de políticas de segurança pública que
etc. respondam com menor repressão ao complexo
conjunto de problemas sociais é o grande desafio
Terciária de toda sociedade democrática. Atualmente o
Voltadas ao recluso, visando sua recuperação e crime é visto como consequência da atuação
evitando a reincidência (sistema prisional); realiza- conjunta de seus componentes sob ação de
se por meio de medidas socieducativas como a fatores socioeconômicos, políticos e culturais.
laboterapia, a liberdade assistida, as prestações Entender os processos operacionais do crime para
de serviços comunitárias etc. antecipar-se a sua ocorrência, prevenindo-o. A
moderna criminologia está consolidando como um
PREVENÇÃO DO DELITO empreendimento interdisciplinar, constituído a
Acredita-se que a prevenção do delito constitui partir de informações empíricas confiáveis sobre
um objetivo importante do sistema penal. É melhor as principais variáveis do delito, as suas
prevenir o crime do que reprimi-lo. A noção características especificas e as formas como
moderna de prevenção aparece timidamente com interagem, sugerindo estratégias de prevenção
a escola clássica, segundo a qual a pena exerce mais ousadas que vão além do ofensor, atinjam as
uma importante função de intimidação geral, mas vítimas, o espaço e o desenho arquitetônico. A
tem a sua verdadeira importância na escola prevenção criminal também deve ser comunitária,
positivista. As principais razões que colocaram em inter e multi-institucionais e multidisciplinar.
evidências a necessidade de novos enfoques em
relação à prevenção devem ser mencionadas as Teoria da sissuação
seguintes: Acredita que apenas as organizações do sistema
a) Aumento da delinquência grave e o de justiça criminal tenham a responsabilidade pelo
aparecimento de novas formas de controle da criminalidade está sendo reavaliada
criminalidade; com serias críticas. Enquanto a polícia militar é a
b) As repercussões do delito na sociedade instituição responsável pelos policiamentos
(lesões, perdas econômicas e impactos ostensivo, prevenindo e reprimindo crimes,
emocionais); auxiliando, orientando e socorrer os cidadãos; a
c) O sentido de insegurança cada vez maior dos polícia civil é responsável pela prevenção indireta
cidadãos e suas consequências; através da investigação para a solução dos
d) Os custos mais elevados do conjunto do crimes. A atuação da polícia preventiva deve
sistema penal e, em particular, dos serviços pautar-se pelo conhecimento do contexto social
policiais, assim como os custos indiretos do em que está atuando. O desenvolvimento de uma
delito; nova concepção de ordem pública pelo caminho
e) A baixa percentagem de solução do delito; da reeducação da polícia e da população, num
f) A pouca participação do público no processo de conscientização de seus papeis, é o
funcionamento da justiça penal e a insatisfação primeiro passo. Os policiais também devem
generalizada da população em relação ao instruir os cidadãos sobre as regras básicas de
conjunto do sistema penal; prevenção do crime, participar de reuniões de
g) A ausência do parâmetro para a articulação de moradores para a organização da estratégia
uma política criminal moderna e progressiva. coletiva e intermediar o contato dos cidadãos com

25
outras agências na busca de soluções para a Princípios
comunidade. Existencialismo absoluto da relação causa-efeito:
nada existe sem causa geradora. Só pela
Políticas de prevenção prevenção será possível neutralizar as causas ou
Investimentos em pesquisas que coloquem suas fatores criminógenos, evitando ou eliminada a
conclusões a disposição dos segmentos da causa, não há como surtir efeito. A solução para o
sociedade, preocupados com a qualidade devida problema criminal está em transformar o mau
humana e com a redução nos níveis de violência; caráter para bom caráter, a vontade está sempre
Prevenção primária através de programas ligada ao caráter, se o caráter é bom à vontade
político-sociais que se orientem para a valorização não agi para a consecução de fins maus, seu
da cidadania, dando o atendimento às caráter é mau, a vontade só pode agir para a
necessidades básicas como emprego, educação, consecução de fins maus.
saúde, habitação, lazer, etc. Reestruturação  Regra: Se o crime decorre da má formação do
urbana dos espaços conflitivos, incidindo caráter, basta que os pais e educadores
positivamente no habitat físico e ambiental, com formem bem moralmente o caráter das
implicações ativa na prevenção do delito e dos crianças e dos adolescentes.
riscos para o delinquente, porém fermentando-se  Exceção à regra: O mau caráter resulta de
atitudes positivas de solidariedade e fatores exógenos e endógenos. Se o mau
responsabilidade, pois a barreira física leva a caráter resultou de fatores exógenos ou fatores
outros delitos e ao desenvolvimento de técnicas sociais, a raiz do problema é apenas moral e o
ofensivas elaboradas. criminoso é passível de recuperação por meio
pedagógicos e o índice da incidência, é de 90
Criminologia prevencionista a 95%, mas se resultou de fatores endógenos,
É uma ciência humana e social que estuda: O o seu portador só pode ser recuperado por
homem criminoso e os fatores criminogênio ou meios médicos psiquiátricos, desde que isso
causas para a formação de seu caráter perigoso seja possível ou viável.
ou antissocial. A criminalidade como conjunto de
criminosos e seus crimes, num determinado Causa-efeito
tempo, sua nocividade ou periculosidade oscilação A causa é tudo o que provoca uma consequência
em decorrência de medidas que se programem ou um resultado. Fato aquilo que pelas suas
contra ela. A solução só poderá ser alcançada à características ou condições, contribui ou concorre
nível de segurança pública e par social, pela para um resultado, isto é, torna viável o efeito,
prevenção do crime, duas fases: servindo-se de nexo, entre este e a causa,
1) Fase de pré-delinquência: Através de relacionando os naturalmente.
políticas governamentais, capazes de evitar ou
eliminar os fatores criminógenos ou causas do Formas de prevenção
caráter criminoso do delinquente.
 Prevenção primária: Neutraliza o delito antes
2) Fase da pós-delinquência: Através da
que ele ocorra. Ressalta a educação, a
prevenção da reincidência, por meio de
habitação, o trabalho, a inserção do homem no
mecanismos, critérios, medidas e ações
meio social e a qualidade de vida, como
capazes de recuperar ou ressocializar os
essenciais para a prevenção do crime. Exige
criminosos ou antissociais e integrá-los à
prestações sociais e intervenção comunitária,
sociedade como cidadãos decentes.
não bastando à mera dissuasão.
 Prevenção secundária: Atua depois de
ocorrido o crime. Engloba a política legislativa
penal bem como ação policial, pois é composta
por ações dirigidas a pessoa e grupos mais
suscetíveis pelo crime. São ações preventivas
dirigidas aos jovens e adolescentes e a
membros de grupos voluntários em situações
de risco, inclusive criança, mulher e idoso em
casos de violência doméstica ou intrafamiliar,
violência de gênero e contra minoria.
 Prevenção terciaria: Composta por ações
dirigidas a pessoa que já praticaram crime atos
de violência. Também procuram evitar a
repetição da vitimização e a promover o seu
tratamento reabilitação e reintegração familiar.

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Possui forte caráter punitivo embora sua O estudo da pena constata a existência de três
intervenção seja parcial, tardia e insuficiente. A grandes correntes sobre o tema:
criminologia clássica direciona todos os seus  Teoria absoluta;
esforços preventivos para o infrator, pois entende  Teoria relativa;
a ameaça da aplicação da pena como modo eficaz  Teoria mista.
de neutralização. 1. Teoria absoluta (Kants e Hegel): Entendem
A criminologia moderna diz que o problema da que a pena é um imperativo de justiça,
violência não é somente da polícia, e os esforços negando fins utilitários, pune-se porque se
no seu combate não devem ser direcionados cometeu o delito.
somente ao infrator. Afirma que a melhor forma de 2. Teorias relativas: Ensejam um fim utilitário
combater a criminalidade é alcançando o crime para a punição, sustentando que o crime não é
em suas causas, não em suas consequências. causa da pena, mas ocasião para que seja
aplicada, baseia-se na necessidade social.
Teoria da reação social Seus fins são duplos; prevenção geral
A ocorrência de ação criminosa gera uma reação (intimidação de todas) e prevenção particular,
social (estatal) em sentido contrário, no mínimo impedir o réu de praticar novos crimes,
proporcional aquela. Da evolução das reações intimidá-los e corrigi-los.
sociais ao crime e prevalecem três modelos: 3. Teorias mistas: Conjugar as duas primeiras,
 Dissuasório; sustentado o caráter retributivo da pena, mas
 Ressocializador; acrescentam a este os fins de reeducação do
 Restaurador (integrador). criminoso e intimidação.
Modelo dissuário (direito penal claro): A penologia é a disciplina integrante da
repressão por meio da punição ao agente criminologia que cuida do conhecimento geral das
criminoso, mostrando a todos que o crime não penas (sanções) e castigos impostos pelo estado
compensa e gera castigo. Aplica-se a pena aos violadores da lei.
somente aos imputáveis e semi-imputáveis, pois
aos inimputáveis se dispensa tratamento Prevenção geral e prevenção especial
psiquiátrico. Na prevenção geral, a pena se dirige à
Modelo ressocializador: Intervém na vida e na sociedade, intimidando os propensos a delinquir.
pessoa do infrator, não apenas aplicando uma Magalhães Noronha dizia:
punição, mas também lhe possibilitando a A pena dirige-se a sociedade, tem por escopo
reinserção social. Aqui a participação da intimidar as pessoas propensas a delinquir, os que
sociedade é relevante para a ressocialização do tangenciam o código penal, o destituído de freios
infrator, prevenindo a ocorrência de estigmas. inibitórios, segura, advertindo-os de não
Modelo restaurador (integrados): Recebe transgredirem o mínimo ético.
também a denominação de justiça restaurativa e Na prevenção especial: atenta para o fato de que
procura restabelecer da melhor maneira possível, o delito é incitado por fatores endógenos e
o status quo ante, visando à reeducação do exógenos, de modo que busca alcançar a
infrator, a assistência à vítima e o controle social reeducação do individuo e sua recuperação. Por
afetado pelo crime. Gera sua restauração, esse motivo sua individualização se trata de
mediante a reparação do dano causado. preceito constitucional.

Teoria da pena (Apenologia) Prevenção geral negativa e positiva


O estado existe para propiciar o bem comum da A prevenção geral da pena pode ser estudada sob
coletividade, administrada, o que não pode ser dois ângulos:
alcançado sem a manutenção dos direitos  Negativo;
mínimos dos integrantes da sociedade. Por  Positivo.
conseguinte, quando se entrechocam direitos Prevenção geral negativa (prevenção por
fundamentais para o individuo e para o poder intimidação): A pena aplicada ao autor do delito
publico e as outras sanções (civis, administrativas reflete na comunidade levando os demais
etc.) São ineficazes ou imperfeitos, advém para membros do grupo social, ao observar a
este o jus punient, com a reprimenda penal, que é condenação, a repensar antes da prática
a sanção mais grave que existe, na medida em delituosa.
que pode cercear a liberdade daquela e, em casos Prevenção geral negativa ou integrada:
extremos privá-lo até da vida. direciona-se a atingir a consciência geral incutindo
Apena é uma espécie de retribuição, de privação a necessidade de respeito aos valores mais
de bens jurídicos, importar ao delinquente em importantes da comunidade e, por conseguinte, à
razão ilícita cometido. ordem jurídica.

27
Prevenção especial negativa e positiva
Prevenção especial, por seu turno, também pode
ser vista sob as formas negativas e positivas.
Prevenção especial negativa: existe uma espécie
de neutralização do autor do delito, que se
materializa com a segregação no cárcere. Essa
retirada provisória do autor do fato do convívio
social impede que ele cometa novos delitos, pelo
menos no ambiente social do qual foi privado.
Prevenção especial positiva: A finalidade da
pena consiste em fazer com que o autor desista
de cometer novas infrações, assumindo caráter
ressocializador e pedagógico.

28
ESCOLAS PENAIS Além de Beccaria, despontam com os grandes
Todas as legislações sustentam o poder, e a intelectos dessa corrente franscesco Carrera
autoridade do estado para orientar, controlar e (dogmática penal) e Giovanni Carmignani. Os
punir os seres humanos, com a finalidade de clássicos partiram de duas teorias distintas:
regular a vida social harmoniosamente. O O Jornalismo (direito natural, de Grócio), que
pensamento jurídico-penal orienta-se por decorre da natureza eterna e imutável do ser
filosofias jurídicas chamadas de escolas humano;
penais. Dos movimentos que propuseram E o contratualismo (contrato social ou utilitário,
encaminhar soluções características aos de Rousseau), em que o estado surge a partir
problemas penais, tentando explicar o crime, a de um grande pacto entre os homens, no qual
pena, o homem delinquente, suas cedem parcelas de sua liberdade e direitos em
responsabilidades. Temos as escolas: prol da segurança coletiva.
Escola clássica; Princípios fundamentais:
Escola positiva; Crime ente jurídico, não é uma ação, mas sim
Escola intermediária (Eclética); uma infração (Carrara);
Escola nova defesa social; A punibilidade deve ser baseada no livre-
Escola de Chicago. arbítrio;
A pena deve ter caráter de retribuição pela
ESCOLA CLÁSSICA culpa, moral do delinquente, de modo a prevenir
O homem não pode viver sem ser em grupo, e o delito com certeza, rapidez e severidade e a
onde houver um grupo humano existe uma série restaurar a ordem externa social;
de normas que, de maneira formalizada ou não, Método e raciocínio lógico-dedutivo.
organiza as relações entre os seus Para a escola clássica, a responsabilidade
componentes. criminal do delinquente leva em conta sua
Deste modo, a existência do crime como responsabilidade moral e se sustenta pelo livre
infração de normas, a preocupação pelo mesmo arbítrio, este inerente ao ser humano.
e as possíveis respostas vão-se perdendo no
tempo. A doutrina contemporânea situa-se na
segunda metade do séc. 18 e com a chamada
escola clássica, o nascimento desta reflexão.
No séc. 18 as normas penais eram caóticas,
um dos objetivos basilares da lei penal e dos
códigos penais contemporâneos é a existência
de um mínimo de segurança jurídica, entendida
como a possibilidade de conhecer as
consequências jurídicas de um determinado ato.
Eles sabiam quais atos eram proibidos e quais
eram os obrigatórios, em ambos os casos sob a
ameaça de uma pena, e quais são as penas
que receberá no caso de se incorrer numa das
tais condutas.
Naquela época predominava uma grande
insegurança sobre quais as condutas que
constituem crime e que penas corresponderiam
a tais crimes só em princípios do séc. 19 foi
iniciada na França a chamada codificação, a
coleção das leis em corpos unitários, tal e como
os conhecemos hoje.
Também chamada idealista, filosófica jurídica,
critico-forense, é livre-arbitrária, individualista e
liberal, considerando o crime fenômeno jurídico
e a pena meio retributivo, aceitam o predomino
de normas absolutas e eternas sobre as leis
positivas. Para a escola clássica, a pena é um
mal imposto ao indivíduo que merece um
castigo em vista de uma falta considerado
crime, que voluntária ou conscientemente
cometeu. ESCOLA POSITIVA

29
É considerada a primeira escola da primavera haveria maior quantidade de crimes
criminologia. Com a revolução industrial do séc. contra os costumes (sexuais).
19, o desenvolvimento do capitalismo e das Cesare Lombroso
ciências naturais, bem como o aumento da Publicou em 1876 o livro o home delinquente,
criminalidade, nasceu o estudo cientifico do que instauro um período científico de estudos
crime e, do criminoso. Esta escola surge criminológicos. Ele sistematizou uma serie de
fazendo duras críticas à escola clássica, sendo conhecimentos esparsos e os reuniu de forma
as principais: articulada e inteligível. Considerado o pai da
Uma vez que a escola clássica era um método antropologia criminal, Lombroso retirou algumas
abstrato filosófico, definia o crime como um fato ideias dos fisionomistas para traçar um perfil
jurídico, o criminoso possuía livre arbítrio, dos criminosos.
defendia a liberdade e as garantias individuais; Examinou as características fisionômicas e as
O positivismo propõe um método empírico, o comparou com os dados estatísticos de
delito é um fato real e histórico, o criminoso é criminalidade. Nesse sentido, dados como
levado a cometer o crime por um determinismo, estruturas torácicas, estatura, peso, tipo de
e as liberdades individuais, devem ser cabelo, comprimento da mão e pernas foram
sacrificadas pela segurança social. analisadas. Ele buscou informes em dezenas de
É determinista e defensiva, encara o crime parâmetros frenológicos e corrente de exames
como fenômeno social e a pena como meio de do crânio. Lombroso propôs o uso do método
defesa da sociedade e de recuperação do empírico-indutivo ou indutivo experimental, que
indivíduo. Para essa escola crime é um se ajustava ao causalismo explicativo
fenômeno natural e social, e a pena meio de defendido, pelo positivismo. Efetuou, ainda
defesa social. estudos intensos sobre as tatuagem,
O positivismo defende a irradiação do método constatando uma tendência a tatuagem nos
cientifico para todas as áreas do saber humano, dementes. Por isso, afirmou que o crime não é
até mesmo as da filosofia e da religião. O uma entidade jurídica, mas sim um fenômeno
positivismo jurídico aproxima o direito, ao biológico, razão pela qual o método indutivo-
método das ciências naturais, objetivando limitá- experimental deveria ser o empregado. Suas
lo aquilo que tenha de concreto, observável, pesquisas foram feitas na maioria em
passível de mensuração e descrição. A manicômios e prisões, ao primitivismo, um
criminalidade somente poderia ser descoberta verdadeiro selvagem (ser bestial), que nasce
com sustentação em dados empíricos ofertados criminoso, cuja degeneração é causado pela
pela demonstração experimental de leis naturais epilepsia, que ataca seus centros nervosos.
seguras e imutáveis. Estavam fixados as premissas básicas de sua
A Escola positivista foi criada por Lombroso, teoria:
médico que desenvolveu a teoria do criminoso Atavismo, degeneração epilética e delinquente
nato, segundo a qual uma parte dos criminosos nato, cuja a característica seriam: fronte fugidia,
já nascia com uma espécie de disfunção crânio assimétrico, cara larga, e barba rala,
patológica que o levaria, invariavelmente a olhar errante ou duro etc.
prática do crime. Embora lombroso não tenha afastado os fatores
Para Lombroso, as penas deveriam ser por exógenos da gênese criminal. Entendia que
tempo indeterminado para os corrigíveis e eram apenas aspectos motivadores os fatores
perpétuas para os incorrigíveis. endógenos. Assim, o clima, a vida social etc.
A escola positivista teve três fases: Apenas desnecessárias a propulsão interna
Antropológica (Lombroso); para delito, pois o criminoso nasce criminoso
Sociológica (Ferri); (determinismo biológico).
Jurídica (Garófalo).
Quetelet publicou a obra Física social, que Enrico Ferri
desenvolveu três preceitos importantes: Genro e discípulo de Lombroso, foi o criador da
O crime é um fenômeno social; chamada sociológica criminal. Para ele, a
Os crimes são cometidos ano a ano com criminalidade derivava de fenômenos
intensa precisão; antropológicos físicos e culturais. Ferri negou
Há varias condicionantes da pratica delitiva, com veemência o livre-arbítrio como base da
como a miséria, analfabetismo, clima etc. imputabilidade, entendeu que a
Formulou ainda a teoria das leis térmicas, por responsabilidade social e que a razão de punir e
meio da qual no inverno seriam praticados mais a defesa social (a prevenção geral é mais eficaz
crimes contra o patrimônio, no verão seriam que a repressão). classificou os criminosos em
mais numerosos os crimes contra a pessoa e na natos, loucos, habituais, de ocasião e por
paixão.
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físico. Até o final da segunda guerra mundial, os
atavismos foram concebidos como sendo
hereditária concepção legitima, entre outras
Rafael Garófalo práticas, isolamento ou esterilização forçada, e,
Afirmou que o crime estava no homem e que no limite a sua eliminação física.
revelou com degeneração deste, criou o Na sociologia, a diferença foi remetida, para a
conceito de temibilidade ou periculosidade, que questão da personalidade e dos seus diferentes
seria o propulsor do delinquente e a porção de traços, imatura, impulsiva ou agressiva, do
maldade que deve se temer em face deste: delinquente, ás características e as exigências
fixou, por derradeiro, a necessidade de da vida em sociedade. A própria sociologia não
conceber outra forma de intervenção penal: a escapou a este pressuposto. Os delinquentes
medida de segurança. foram sempre conceitualizado como sendo
Seu trabalho foi conceber a noção de delito diferente, mesmo que essa diferença se situa se
natural (violação dos sentidos altruísticos de nas diferentes tensões ou supressões sociais
piedade e proibidade). exercidas sobre alguns grupos sociais.
Classificou os criminosos em natos (instintivos),
fortuitos (de ocasião) ou pelo defeito moral Teoria criminal
especial (assassino, violentos, improbus e Essa escola parte da concepção do homem
cínicos), propugnado pela pena de morte aos como um ser livre e racional que é capaz de
primeiros. refletir, tomar decisões e agir em consequência
Em apertada síntese, poderíamos dizer que os disso. Nas suas decisões realiza um cálculo
principais postulados da escola positiva são: racional das vantagens e inconvenientes que a
O direito pena é obra humana; sua ação vai proporcionar, e age ou não
A responsabilidade social decorre do dependendo da prevalência de umas ou outras;
determinismo social; Se os benefícios forem maiores que os
O delito é um fenômeno natural e social; prejuízos terão tendência para delinquir. Esta é
Método indutivo experimental; uma ideia básica do utilitarismo, uma corrente
Os objetos de estudos da ciência penal são o filosófica heterogênica, hoje esquecida, de
crime, os criminosos, a pena e o processo. acordo com a qual, naquilo que nos importam
aqui, as ações deveriam ser avaliadas de uma
Fatores condicionais forma geral, dependendo do contributo para o
As pesquisas daquilo que hoje é designado de grau da felicidade do maior número de pessoas.
comportamento delinquente ou criminoso, é A escola clássica reconheceu que este cálculo
traduzido numa única questão: por que motivo não é perfeito do ponto de vista nacional, que
alguns indivíduos são mais predispostos que os outros elementos podem entrar em jogo e que
outros ao cometimento de delitos? existem diferenças particulares entre diferentes
Os comportamentos delinquentes, e as suas pessoas. Entre os possíveis benefícios, por
causas e as relações, eram atribuídos à ação exemplo, estão não só os bens materiais perto
dos deuses ou outros poderes sobrenaturais. de 80% do total, e outros muito mais difíceis de
Depois os comportamentos delinquentes quantificar a vingança, a conquista do status
passaram a ser explicado por fatores externos, entre os seus pares, como também a satisfação
como a maldade, o egoísmo ou a e de divertimento para seu autor.
desonestidade. Depois, já dominado por A escola clássica testa a importância das penas
paradigmas científicos, os comportamentos na prevenção do crime. Se descoberto é um mal
delinquentes passaram a ser explicados através e representa, um manifesto prejuízo crime.
de características biológicas, psicológicas ou Assim, afirma-se que o objetivo da pena, não é
sociais especificas e passíveis de serem mais impedir a prática de novos danos aos seus
absorvidas e medidas. Ao longo deste percurso, novos cidadãos, é desmotivar potenciais novas
apenas um pressupostos e manteve inalterado. práticas de crimes semelhantes.
Quem se envolve em delitos é diferente, seja
ela biológicas psicológicas ou sociais Metodologia clássica
especificas e possíveis de serem absorvidos e A metodologia clássica preocupa-se com o
medidos. Quem se envolve em delitos é estudo do processo de escolha que é o
diferente, seja essa diferença biológica, fundamental. Portanto, a classe social das
psicológica ou social, permite explicar, e pessoas, as características da sua família, a
prevenir e prever, os comportamentos educação recebida, os seus vínculos com a
delinquentes. Na biologia, a diferença foi sociedade ou as suas relações com seus pares,
remetida para atavismo que se manifestavam, algumas das variantes que preocuparam a
quer a um nível intelectual, que a um nível criminologia positivista, são secundárias, visto
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que independentemente de tudo isso, o cálculo
racional é muito semelhante em toda a gente, e
estes terão tendência a delinquir quando o
balanço favorecer a prática do ato proibido. Goring: tratou da suposta existência do tipo
criminal físico proposto por Lombroso: o nosso
Criminologia sociológica objetivo é determinar se e como foi defendido,
Tendo como seu mais destacado representante existem algumas características físicas que
Enrico Ferri, ela propõe uma revisão crítica da caracterizam criminosos. Esta obra é importante
criminologia clínica, pondo a descoberta que a para a história da criminologia, visto que recorre
insistência desta nas causas endógenas da ao cálculo estatístico, que nos dias de hoje
criminalidade, as causas preponderantes da representa um dos instrumentos metodológicos
criminalidade seria ambientais ou exógenas, de mais usados e imprescindíveis.
forma que mais relevante do que perquirir as
características do homem criminoso, seria Teoria estrutural
identificar o meio criminôgeno em que ele se Afirma que o crime é produzido pela própria
encontra. estrutura social, exercendo certa função no
interior do sistema. A base teoriza principal é
Nascimento da criminologia positiva ofertada por Emile Durkheim que dá ênfase
O seu ponto de partida é uma contundente para a normalidade do crime em toda ou
reação contra a escola clássica, sobre tudo qualquer sociedade. Ele diz que o crime é
contra a sua metodologia lógico-dedutivas. normal porque uma sociedade isenta dele é
Perante isso, propunha-se a aplicação do impossível.
método cientifico em que a observação e a Ele chega a reconhecer que o crime não é
experiência têm um papel-decisivo. Os somente normal, mas também necessário para
positivistas acusam a escola clássica de estar a coesão social, sendo uma sociedade sem
esgotada, visto que a única coisa que era capaz crime indicadora de deterioração social.
de fazer era repetir-se e copiar-se a si próprio
sem introduzir ideias nem soluções novas, não ESCOLA DE CHICAGO
evoluía. Considerou-se que os sistemas penais As décadas de 30 e 40 foi o berço da moderna
clássicos eram inúteis na prevenção do crime e sociologia americana e uma das primeiras a
na recuperação dos criminosos, pois estavam desenvolver trabalhos criminológicos diferentes
desacreditados e deviam ser rapidamente do positivismo, tendo como seus principais
substituídos pelas propostas positivistas. autores Park, Shaw e Burgess.
Ferri: dizia que na realidade a escola positivista Essa escola desenvolveu a teoria ecológica,
contribuiu para demonstrar cientificamente as com objetivo de estudar a cidade. A cidade é
causas sociais, a nível individual, da uma unidade ecológica, um corpo de costumes
criminalidade, visto que até então a maior parte e tradições, não é apenas um mecanismo físico
das investigações eram altamente e artificial, mas um ente vivo que está
especulativas. Ferri insistia numa teoria que desenvolvido nos processos vitais das pessoas
incluía diversos fatores de criminalidades que que a compõem, influenciando no
podiam ser classificados como fatores comportamento dos seus integrantes, inclusive
antropológicos, físicos e sociais. como fator no comportamento dos seus
Lombroso: dizia que existem diversos tipos de integrantes, e como fator criminogênio,
criminalidade e que cada uma delas responde a principalmente de duas formas:
um conjunto de causas especificas. Inclui o tipo
básico do criminoso nato: o louco moral, Mobilidade social
epiléticos, de ímpeto ou paixão, louco e O interrupto movimento dentro da cidade
criminoso de ocasião. No topo há que destacar, impossibilita a criação de vínculos e identidade
o chamado criminoso nato. Estes sujeitos entre os seus moradores. O anonimato rompe
costumavam apresentar tendências criminosas determinados mecanismos tradicionais de
desde a infância, delinquir ao longo de toda a controle do sujeito que pretende praticar um
sua vida e as suas hipóteses de recuperação ou crime, além de não haver qualquer laço de
reabilitação eram escassas ou nulas, da mesma identidade entre os indivíduos e sua vítima, que
forma que as penas não exerciam sobre eles facilita a prática de delito.
quaisquer efeitos preventivos. Devido ao seu
atavismo, os criminosos natos tinham uma série
de características físicas que os tornavam
potencialmente reconhecíveis.

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Áreas de delinquência
Essas áreas estão relacionadas à degradação
física, segregações econômicas, étnicas e
raciais. A deterioração do ambiente reflete os
valores daqueles que lá residem ao mesmo
tempo em que influência na decadência moral
desses. Para essa escola, os principais meios
de prevenção para o crime são o mapeamento e
a modificação desses espaços urbanos e do
desenho arquitetônico da cidade, ampliando os
espaços abertos, iluminando ruas, pintando o
metrô.
A principal crítica que se faz a essa teoria é o
continuísmo de uma espécie de determinismo
positivista, só que agora no âmbito da cidade,
onde determinadas áreas são estigmatizadas e
contaminam seus moradores com o germe da
criminalidade, como ocorrem nos guetos
americanos, nos bairros mulçumanos franceses
e em nossas favelas.

ESCOLA INTERMEDIÁRIA
Entre as escolas clássicas e positivas surgiu ao
longo dos tempos posições conciliatória.
Embora acolhendo o princípio da
responsabilidade moral, não aceitam que a
responsabilidade moral fundamentando-se no
livre arbítrio substituindo-o pelo deformismo
psicológico desta forma, a sociedade não tem o
direito de punir, mas somente o de defender-se
nos limites do justo.

ESCOLA DA NOVA DEFESA SOCIAL


Após a 2ª guerra mundial, reagindo ao sistema
retributivo, surgiu à escola do neodefensivismo
social. Segundo duas ideias não visam punir a
culpa do agente criminoso, apenas proteger a
sociedade das ações delituosas. Essa ideia
rechaça a ideia de um direito penal repressivo,
que deve ser substituído por sistemas
preventivos e por intervenções educativas e
reeducativas postulando não uma pena para
cada delito, mas uma medida para cada pessoa.

Finalidade das penas


A aplicação das medidas disciplinadoras
adquire o caráter filosófico utilitário da escola
penal que tanto o legislador quanto o
sentenciado estão acertados. Os instrumentos
jurídico-filosóficos de direito de punir temas as
teorias retributivo, relativa e as mistas ou
sincréticas.

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das normas penais e das normas sociais que
estão relacionados com o comportamento
desviante.

Criminologia organizacional
Compreende os fenômenos de formação de
leis, da infração das mesmas e as reações às
violações das leis. A criminologia clinica destina-
se ao estudo dos casos particulares com o fim
de estabelecer diagnósticos e denominação já
nos dá ideia de relação médico-paciente.

Criminologia moderna
É o crime, suas circunstâncias, seu autor, sua
vítima e o controle social. Ela deve orientar a
política criminal na prevenção especial e direta
dos crimes socialmente relevantes, nas
intervenções relativas determinadas individuais
e famílias.

Criminologia crítica
Defende o homem contra a sociedade de
exploradores, e não aceita a defesa da
sociedade contra o crime. Para ela, não é o
criminoso que deve ser ressocializado, mas a
própria sociedade que deve ser transformada. A
criminologia crítica define os integrantes da
justiça penal, como administradores da
criminalidade, pois, não está organizada para
lutar contra o delito.

CLASSIFICAÇÃO
Crime Comportamento humano
É a infração de um costume ou de uma lei, Um aspecto da criminologia é atribuído a
contra a qual reage a sociedade, aplicando uma personalidade, os mais frequentes são, as
pena ao infrator, antropologicamente, crime é neuroses, as psicoses, as personalidades
qualquer afronta a crença dominante como, psicóticas e os transtornos da sexualidade ou
exemplos, crime com desrespeito a crenças parafílias.
religiosas. Neurose: são estados mentais das pessoas
humanas, que a conduzem à ansiedade. As
Criminologia radical neuroses obsessivas, cujas formas de projeção
Busca esclarecer a relação crime/formação alinham-se à cleptomania, à piromania, ao
econômico-social, tendo como conceito impulso ao suicídio e ao homicídio.
fundamental relações de produção e as Psicose: enfatiza as afecções mentais graves.
questões de poder econômico e político. A As psicoses são conjuntos de doenças
criminologia da reação social é uma atividade caracterizadas por distúrbios emocionais do
intelectual que estuda os processos de criação
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indivíduo e sua relação com a realidade social, envolvidas, em situações de desigualdade de
com convívio em sociedade. poder, e que se caracteriza pelo uso da força.
Psicoses paranoicas: são transtornos mentais Coação ou intimidação, de caráter individual
marcados por concepções delirantes permitindo ou coletivo, exercida pelo homem sobre o
manifestações de autofilia e egocentrismo, homem. Poderemos considerar a violência
conservando-se claros pensamentos, vontade e física, a psicológica e emocional e a sexual.
ações. A violência física é definida como o uso
Psicoses Maníacas-depressivas: é o material da força, contra um indivíduo de forma
transtorno bipolar do comportamento, é voluntária, que lhe causo um prejuízo mais ou
marcado por crises de excitação psicomotora e menos grave.
estado depressivo. A fase maníaca é Determinadas situações, poderão ser
caracterizada por hiperatividade motora e consideradas como uma forma de violência e,
psíquica, com agitação e exaltação da nessa medida, temos dois tipos de violência:a
afetividade e do humor. voluntária ou intencional e a involuntária ou não
Psicose carcerária: são decorrentes da intencional. Do ponto de vista social, distingue
privação da liberdade do indivíduo submetido a duas formas de violência:
estabelecimento carcerário que não dispõem, Privada;
das condições adequadas de espaço, Coletiva.
iluminação e alimentação. A pessoa apresenta a Violência privada subdivide-se em violência
síndrome crepuscular de Ganser, com sintomas criminal, que pode ser mortal (homicídio),
que são estranhas alterações da conduta a corporal (ofensa à integridade física) e sexual
exibir para resposta, como se tivesse acometido (abuso ou violação) e a violência não criminal
de um estado deficitário ergonico. (suicídio e acidente);
Personalidade psicótica: são caracterizados Violência coletiva subdivide-se em violência
por distorção de caráter do indivíduo, os dos grupos organizadores contra o poder
indivíduos acometidos por tal personalidade (terrorismo, greve, revolução), violência do
apresentam as seguintes características, são poder contra o cidadão (terrorismo de estado,
inteligentes, amorais, inconstantes, insinceros, violência inconstitucional) e a violênciaPeri.
sem vergonhas e sem remorso.
Fanáticos: tem um ânimo constante de
aforismos, extrema exaltação daquilo que
desejam, lutam por seus ideais de forma
impulsiva, sem limites, sem controle.
Praticamente qualquer ato delinquente na busca
incessante por seus objetivos.
Mitomaníacos: são acometidos de um
desequilíbrio da inteligência no tocante à
realidade. É propensa à mentira, a simulação, à
fantasia, distorcem a realidade, podendo chegar
os extremos de delírios e devaneios.
Transtorno da sexualidade: são distúrbios
caracterizados por degeneração psíquica ou por
fatores orgânicos, glandulares. Citamos como
exemplo o sadismo, o masoquismo, a pedofilia,
o vampirismo e a necrofilia.

VIOLÊNCIA, CRIME E TRAUMA CRIMINOSOS


A violência constitui um grave problema social, Podemos classificar cinco tipos de criminosos:
assumi algum relevo a concepção criminológica Os impetuosos: agem em curto-circuito, por
e vitimológica dos comportamentos violentos e amor à honra, sem premeditação, fruto de uma
abusivos. anestesia do senso crítico. Os crimes que
A palavra violência deriva do latim Vis=força. A praticam relacionam-se com crimes passionais
violência é uma forma de força, que exerce uma e alguns tipos de assassinatos e de agressão
coação, de uma forma mais ampla violência física. Geralmente é um criminoso honesto.
pode ser definida como um comportamento Os fronteiriços: não são doentes mentais, nem
ativo, espontâneo ou voluntário, direto ou normais. Apresentam deformidade do senso
indireto, que surge num contexto de interação ético-moral de afeto e da sensibilidade cujas
ou relação entre duas ou mais partes alterações psíquicas os levam ao delito.
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Os ocasionais: são os levados pelas condições privatizou empresaspúblicas nos anos 90, o que
pessoais e influências do meio. Os fatores têm repercutiu num sentimento de insegurança
muito peso, os delitos que mais praticam são o coletiva. Com este novo modelo, há um
furto e o estelionato. aumento do desemprego, da insegurança e da
Os habituais: são os marginais incapazes de pobreza, sendo considerado normal à
readquirir uma existência honesta cometem desigualdade social e a seletividade de sistema.
qualquer tipo de crime. Obviamente, há um aumento da criminalidade
Os loucos criminosos: os delitos que praticam urbana, principalmente do tráfico de drogas e
são divididos em dois grupos dos crimes contra o patrimônio o que exige uma
Os que agem graças a um processo lento intervenção do estado para efetuar um controle
reflexivo;Os que agem por impulso sobre tais descontentes. Assim o estado se
momentâneo. afasta do papel social e incrementar o aparato
No primeiro caso, a ideia surge do nada, repressivo, inclusive com o deslocamento de
inesperadamente, é a obsessão doentia e verbas orçamentário de uma área para outra.
invencível imediata eexecução. O ato é em Como exemplo podemos citar os EUA onde o
curto-circuito, reação primitiva, sem motivo orçamento da polícia é quatro vezes maior que
algum que possa justificar o tipo de atitude. dos hospitais públicos.Essa intervenção ficou
conhecida como movimento da lei e ordem,
inserida num contexto econômico, repressivo e
autoritário, estimula sanções penais para
solucionar conflitos, é dirigida a grupos
perigosos que devem ser controlados.
Neste contexto, em Nova York é criada a
política de tolerância zero para combater uma
criminalidade que diminuía, mas que se tornou
um símbolo da luta contra os parasitas sociais
que ameaçam o bem-estar dos bons cidadãos
num modelo ainda mais repressivo e violador,
inclusive de direitos humanos, sob o argumento
de que as desordens sociais são resultados de
baixas taxas do coeficiente de inteligência, ou
seja, os pobres são pobres e delinquentes
porque sofrem de inferioridade mental e moral,
sendo inútil destinar recursos para estas áreas,
pois seria improdutível.
Uma das características desta política é o maior
rigor na punição de crimes menores para
prevenir crimes mais graves, o que fere, na
maioria das vezes, o princípio da
proporcionalidade.

NEOLIBERALISMO E TOLERÂNCIA ZERO ABOLICIONISMO E GARANTISMO PENAL


Após a segunda guerra mundial, os estados Seu principal representante e LoukHulsman, o
ocidentais adotaram como alternativa o avanço qual, verificando a seletividade do direito penal,
das ideias socialistas de uma política de bem- a falência da pena privativa de liberdade e o
estar social, nascendo o Welfarestate, mito da imparcialidade do juiz, defende queo
chamado estado caritativo ou previdência, sistema penal deve ser abolido e o conflito
regido pelo paradigma da segurança social, com entregue de volta à sociedade para que as
investimento na educação, previdência, auxílio partes possam compô-la.
desemprego, fortalecimento dos sindicatos e A maior parte dos crimes não são descobertos
dos direitos trabalhistas. ouficam impunes e, a sociedade sobrevive. Os
O estado neoliberal de mercado, é dito por malefícios causados por um sistema penal
intervenção mínima junto à sociedade, seletivo recaem com todo o seu peso sobre um
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desafortunado que sofrerá como um bode
expiratório, uma vez que tal violência não trará
qualquer benefício para a coletividade, pelo
contrário, apenas aumentará a exclusão. Por
isso, segundo o abolicionismo, todo o sistema
penal deve ser abolido para que a sociedade
possa solucionar seus próprios conflitos através
de juntas de conciliação, associação de bairro e
líder na sociedade civil.
Buscando um meio termo, é edificada uma
teoria de constitucionalização do direito penal
chamado garantimos penal, criado por Luigi
Ferrajoli. Esta teoria diz que, apesar da crise do
sistema penal, concorda com todas as críticas
feitas pelo abolicionismo, acreditando que este
fez de fato um excelente diagnóstico, porém
errou no prognóstico, pois sem o sistema penal
reformaríamos à vingança.
Ele defende que, para se legitimar o sistema
penal, este deve estar fundamentado segundo
os princípios de um estado democrático do
direito e segundo os preceitos contratualistas do
iluminismo, tendo como fim limitar o seu poder
punitivo através de um direito penal mínimo,
sendo uma garantia do indivíduo contra os
possíveisarbítrios do estado.
Eaffaroni compara o direito penal a uma
represa que contém as águas caudalosas de
um rio, que seria o poder punitivo do estado.
Como toda represa, precisa de frestas por onde
possa escoar um pouco de água, a fim de aliviar
a pressão sobre a barragem. Estas frestas
seriam os tipos penais, as hipóteses que o
estado estaria autorizado a intervir
punitivamente (homicídios, roubo, estupro, etc).

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