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Expressionismo

Contexto histórico

No começo do século XX, a Europa já passava por grandes transformações

antes e após a Primeira Guerra Mundial. Uma nova relação com o trabalho e com

os meios de produção, resultante da Segunda Revolução Industrial, acarretou uma

modificação relevante na estrutura da sociedade. A máquina impôs um novo ritmo

aos trabalhadores, que se tornam massas anônimas. Longas jornadas de trabalho

insalubre e salários baixos os relegou a uma condição degradante intensificada

pela guerra.

Outros fatos vieram agravar a situação. O território nacional foi reduzido e a

Alemanha perdeu suas colônias por causa das condições impostas pelo Tratado

de Versalhes. Essa imposição resultou em mais humilhação para os alemães após

a derrota da Primeira Guerra. Enquanto o marco desvalorizava cada vez mais

devido à inflação, a ponto das cédulas possuírem um valor tão insignificante que

eram usadas para ascender fogão, a taxa de desemprego aumentava muito em

pouco tempo. Nas ruas ocorriam manifestações da classe proletária que eram

reprimidas violentamente. Havia conflitos sangrentos entre os comunistas e os

membros da extrema direita, porém, apenas os comunistas eram reprimidos

enquanto o movimento de direita ganhava mais apoio com seu discurso

nacionalista e antissemita.

Devido a essas condições, surge a necessidade de renovação e superação

dessa realidade decadente e angustiante. Era preciso uma nova tentativa de

afirmar a individualidade humana que se perdeu em meio à massificação da vida


urbana e industrial. À tensão moderna em que, como disse Marx, “tudo que é

sólido se desmancha no ar” – em que nada mais é eterno e imutável, mas volátil e

efêmero – o homem moderno responde com desespero e incompreensão.

Contexto artístico

Enquanto herdeiro do Romantismo e do Simbolismo, o Expressionismo

alemão é caracterizado pela expressão de uma emoção diante do

incompreensível. Porém, há significativas distinções em relação ao Romantismo,

em que havia um anseio de integração entre o indivíduo e o espaço. No

Expressionismo há um conflito evidente entre artista e espaço, advindo dessa

incompreensão e insegurança da modernidade. Marion Fleischer justifica essa

distinção:

Na representação da natureza, à semelhança do que nos foi dado

observar na configuração do ser humano, celebra-se o culto do feio.

Os fenômenos da natureza passam a ser interpretados sob um prisma

negativo e deformante. (…) Essas violentas transposições metafóricas

demonstram que os expressionistas perderam algo que, em maior ou

menor grau, possuíam os seus predecessores: a capacidade de

identificar-se afetiva e emocionalmente com a natureza. Raros são os

momentos que apresentam uma visão harmoniosa das manifestações

da natureza. Estas, ao contrário, são geralmente consideradas

elementos de um reino despojado de encantos, muitas vezes hostil e


apavorante. Assim, já não representam nem refúgio nem consolo, e

tampouco conseguem despertar emoções ou meditações elevadas

como outrora. A insegurança e os temores que agitavam os espíritos

representativos da geração expressionista parecem refletir-se na

natureza, da qual o ser humano se encontra separado por profundo

abismo. Do outro lado deste abismo, o homem a contempla em solidão

e com melancolia. [FLEISCHER, 2002: pág. 74]

Conforme afirmou Cláudia Tiyoko Shima, diante da falta de sentido e da

incerteza, não basta calar, pois o silêncio não é compatível com o desespero do

momento. A necessidade é de gritar, pois o grito expressa adequadamente o

sentimento de prostração do indivíduo diante da nova realidade. A arte é altamente

personalizada, como no Romantismo, porém há uma busca por novas

possibilidades de expressão (como novas técnicas de pintura, nova sintaxe na

literatura, novos conceitos de encenação etc.) mais anti-sentimentalistas.

A sociedade moderna era artisticamente retratada por visões apocalípticas

de um pessimismo niilista. Ao mesmo tempo, os movimentos buscavam uma nova

integração e harmonia para reconquistar aquela unidade perdida, num resgate

utópico do “novo homem”. Era necessário uma renovação da humanidade que

permitisse a liberdade espiritual tolhida pela máquina (tão exaltada e criticada pela

modernidade) e a fraternidade que a guerra devastou. Essa passou a ser a função

da arte.

Por isso a arte expressionista representou uma atitude negativa diante da

realidade do começo do século XX. Por meio de formas distorcidas, apresentavam


humanos embrutecidos em uma civilização desumanizada. Toda essa situação

degradante, comandada por uma burguesia decadente, é consequência da

ausência de fraternidade entre os homens. A arte passou a sugerir a destruição

dos antigos valores para propiciar o surgimento de novos valores e o

renascimento do homem, numa fraternidade universal. Essa tendência artística de

representar o indivíduo dilacerado entre o êxtase e a queda, por meio de

distorções formais é associada à estética do feio, conforme Cláudia Tiyoko Shima

afirma:

Tal plano de fundo criará personagens literários, cinematográficos e

teatrais muitas vezes anulados em sua individualidade, tais como

personagens sem nome específico, mutilados, grotescos, cujas

características decorrem da perspectiva expressionista da sociedade.

Essa caracterização vem ao encontro do que se convencionou chamar

de “estética do feio”, como uma espécie de leitmotiv do

Expressionismo. Trata-se, portanto, de um estética de denúncia, de

revolta, cujos autores buscam um ideal de uma sociedade alternativa,

tal como representada em Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche.

[SHIMA, 2001: pág.20]

O contexto de rupturas iniciado no século XIX cumina na grande guinada no

campo da estética e do pensamento no início do século XX. A estética acompanha

o clima de desestruturação e de incertezas, anunciando uma nova sensibilidade e

Weltanschauung (visão de mundo). O princípio de harmonia e equilíbrio é rompido


e negado e o próprio estatuto de obra de arte é questionado. Ricardo Timm de

Souza aponta nesse contexto a quebra do princípio clássico de kalocagathía:

O que acontece é que a idealidade do belo referido/referente ao bom –

a kalocagathía da tradição clássica, que ocupava, com suas infinitas

metamorfoses, a posição de referência da arte – se esvazia enquanto

conceito parametral que diferencia e isola a arte da não-arte. Esse

esvaziamento dá-se, inicialmente, em feição interna, a partir da

desarticulação destes dois conceitos originais; talvez a maior

revolução já acontecida em arte tenha se dado quando se percebeu

que o belo podia efetivamente ser mau e que o feio podia efetivamente

ser bom! [SOUZA, 2002: pág.98]

Ao articular elementos como o belo e feio, o bom e o mal, em contextos que

rompem com a tradição clássica que o Iluminismo pretendeu consolidar, operou-se

uma grande revolução artística. Na expressão de uma visão de mundo

influenciada pela devastação da guerra e pelo caos urbano do desemprego, da

instabilidade política e da inflação consequentes da guerra, os ideais de beleza e

de melhores oportunidades de vida sugerem a destruição de uma sociedade

decadente para que ela possa ser reconstruída e o ser humano renovado. Por

isso, o feio e o belo caminham juntos na representação estética desse novo ideal,

estruturados em montagens metafóricas que os deslocam de seu uso tradicional.

O público que antes procurava em salas de concerto e galerias representações

artísticas que reforçassem suas ideias de beleza e bondade se depara com


artistas que chocam com violência, distorções formais e novos conceitos de bom,

belo, feio e mau.

Articulação do movimento Expressionista

O termo Expressionismo veio originalmente das artes plásticas, onde se

observam as primeiras manifestações do movimento. Era utilizado para denominar

características expressivas de alguns pintores do início do século XX e somente

após a Primeira Guerra passou a ser utilizado para designar as vanguardas

alemãs em meio a uma busca nacionalista pela identidade alemã. Claudia

Valladão de Mattos explica essa origem:

Deste ponto de vista, é interessante notar que, até o início da Primeira

Guerra, não havia uma denominação fixa para cada uma das

manifestações de vanguarda, ao menos na Alemanha. As vanguardas

europeias como um todo recebiam nas páginas das revistas de

vanguarda, mais frequentemente, a denominação de Futurismo (o que

incluía também Expressionismo e Cubismo). O termo Expressionismo

era usado em seu sentido originário, até mais ou menos 1914, para

designar qualidades expressivas em pintores como Cézanne, Van

Gogh ou Munch (Paul Cassirer utiliza pela primeira vez o termo ao

referir-se a obras desse último pintor). Com o início da guerra e o

rompimento do diálogo entre as vanguardas dos diferentes países é

que o termo Expressionismo passa a designar mais especificamente


as vanguardas alemãs. Essa mudança (...) tem uma estreita relação

com o crescimento do nacionalismo na Alemanha e a consequente

busca de identidade dos alemães em sua (suposta) história própria: o

Gótico. [MATTOS, 2002: pág.44]

O marco inicial do movimento expressionista alemão foi a formação do

grupo Die Brücke (A Ponte), em 1905, por quatro estudantes de arquitetura em

Dresden. Eles almejavam novos ideais estéticos em prol de uma ruptura artística

com o cenário político cultural da Alemanha imperial. Essa iniciativa foi, em parte,

motivada pelo gosto artístico do imperador Wilhelm que era hostil aos movimentos

modernos, conforme afirma Peter Gay. Paradas militares, medalhas brilhantes,

retratos de heróis e estátuas comemorativas eram características dessa arte

imperial. As universidades alemãs eram verdadeiros berços desse idealismo

militar e centros de resistência contra qualquer novidade artística. Por isso, Peter

Gay considera os judeus, democratas e socialista desse período como “outsiders”,

pois eram excluídos desse recintos da alta cultura e de aprendizado.

Como consequência, jovens artistas de várias partes romperam com a

pomposidade da arte acadêmica e passaram a cultivar um novo estilo. Para isso,

buscaram inspiração em sua própria subjetividade em uma nova arte que

refletisse a vida interior do artista. O “eu” absoluto passa a ser o cerne de sua

vivência, embora fragmentado em contradições interiores e contrastes. Foi um

apelo à renovação cultural e humana. O artista passou a ser visto como um gênio

capaz de converter e renovar a humanidade por meio de sua arte. Era ele quem

restabeleceria o elo entre arte e vida. Esse elo se perdeu num processo de
descontinuidade entre as esferas estética e social a partir das revoluções

burguesas do século XVIII. A consciência dessa descontinuidade foi herdada pelos

artistas expressionistas e o desejo de reunificação dessas duas esferas

concederia às vanguardas artísticas alemãs do começo do século XX certa

unidade.

Por isso, o movimento expressionista é considerado um movimento

autoconsciente. A articulação de grupos como Die Brück não foi ocasional, pois

esses artistas possuíam a clara intenção de rompimento e renovação artística.

Dessa necessidade de renovação, surgem questões urgentes como a crítica ao

cristianismo, a ameaça e a exaltação da máquina, a exploração das classes

operárias por uma burguesia cada vez mais estúpida culturalmente e acomodada.

Peter Gay afirma que a iniciativa humana de articular miséria ou deleite nunca foi

um fator que respeita fronteiras. Disso resultou a consciência da importância de

um cosmopolitismo compartilhado pelas vanguardas artísticas europeias desse

período. O internacionalismo permitiria que uma vanguarda artística

compartilhasse a vitalidade de outros movimentos culturais. Tanto na Alemanha

imperial como na República de Weimar, pintores, poetas, dramaturgos, psicólogos,

filósofos, compositores, arquitetos, entre outros, estavam engajados no que Peter

Gay chamou de comércio internacional e livre de ideias, em que a noção de

chauvinismo era totalmente ausente. Um exemplo de cidadão tipicamente

cosmopolita era Wassily Kandisnky: nasceu na Rússia, estudou o fauvismo

francês e participou de movimentos artísticos na Alemanha.

Entretanto, o Expressionismo alemão possui nuances que caracterizam o

seu desenvolvimento durante os vinte anos de sua existência, de modo que esse
internacionalismo do começo cede lugar, posteriormente, a um nacionalismo que

exaltava a arte e a cultura alemãs numa busca de identidade nacional. Por isso, os

estudos sobre o movimento costumam dividi-lo em dois momentos fundamentais

que correspondem aos períodos pré e pós Primeira Guerra Mundial.

Esse movimento situa-se entre os anos 1905 e 1925. Apesar de se originar

na pintura, expande-se para outros gêneros e mantém o diálogo entre eles. Antes

da Primeira Guerra, o Expressionismo destaca-se nas artes plásticas e na

literatura, e no pós-guerra a estética expressionista desenvolve-se em outros

gêneros, como o teatro, o cinema, a música, a dança, a moda etc. Nesse

momento, o Expressionismo é institucionalizado e passa a fazer parte do currículo

de cursos acadêmicos como na Bauhaus, está presente nas principais galerias

das grandes cidades e, até mesmo, como adorno em vitrines de lojas. Essa

difusão da estética expressionista provocou o esvaziamento de seu potencial

revolucionário a ponto de alguns artistas e teóricos considerarem o movimento

morto.

A Primeira Geração Expressionista ou Frühexpressionismus (1905-1914)

A iniciativa em desenvolver uma nova linguagem formal que desse conta de

expressar as utopias dessa geração foi possível graças ao cosmopolitismo das

vanguardas europeias do pré-guerra. Houve uma rica troca intelectual entre as

vanguardas europeias que surgiam simultaneamente.

Originado primeiramente nas artes plásticas por meio de grupos como Die

Brücke (A Ponte) e Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). Die Brücke foi fundado em
Dresden, em 1905, pelos estudantes de arquitetura Ernest Ludwig Kirchner, Carl

Schmidt-Rottluff, Erich Heckel e Fritz Bleyel. Pensaram nesse nome para o grupo

devido a sua pluralidade de significados e, ao mesmo tempo, não significar um

programa, mas o desejo de passar de uma margem à outra. O grupo pretendia

unir arte e vida em experimentos comunitários de convivência. O último produto

seriam os quadros, embora não fossem o principal. Claudia Valladão de Mattos

explica a importância do nome e das atitudes do grupo:

Tal “travessia” de um estilo de vida a outro sintetizava muito bem a

atitude e os ideais antiburgueses dos jovens amigos. A “Die Brücke”

em sua origem, inspira-se, em larga medida nos Jungenbewegungen

(movimentos de juventude), bastante populares no começo do século,

como o “Wandervogel” de Berlim. Esses grupos buscavam

restabelecer os elos entre o homem e a natureza., perdidos através do

processo artificial de industrialização e urbanização aceleradas.

Adeptos de um irracionalismo nietzschiano e herdeiros do romantismo

alemão, buscavam, enfim, religar homem e mundo. Nesse contexto, a

crítica das formas de produção industrializada e uma revalorização do

trabalho manual ocupavam, nesses grupos, um papel central, como

também ocupariam para os artistas da “Die Brücke”. [MATTOS, 2002:

pág.47]

O grupo se dissolveu após a transferência dos artistas para Berlim, onde

cada um desenvolveria um estilo próprio.


O grupo Der Blaue Reiter foi fundado em Munique em 1911. Diferente do

grupo Die Brücke que almejava o fim da autonomia estética, esse segundo grupo

via justamente na autonomia estética a oportunidade para o nascimento de uma

atitude espiritual. O artista conduziria a humanidade por meio de sua arte à

elevação espiritual. Foi formado pelo russo Wassily Kandisnky que chegou a

Munique em 1896 e que ficaria tão impressionado com o fovismo francês a ponto

de se dedicar à pesquisa sobre a autonomia da cor e suas características

expressivas. Faziam parte do grupo artistas como Paul Klee e Franz Marc.

Inspirados pelo Apocalipse de São João, que descreve um renascimento

espiritual a partir da destruição e do caos, os artistas do Der Blaue Reiter viam em

sua época a possibilidade de criar uma arte espiritual a partir do conflito e da

ameaça de guerra. Como a arte acadêmica era considerada materialista, tornava-

se, consequentemente, o inimigo dessa arte espiritual. E essa aspiração ao

espiritual concedia um caráter cosmopolita ao grupo devido à necessidade de

expressão subjetiva que resulta numa linguagem universal. Daí haver um

interesse por parte desse grupo no diálogo com as demais vanguardas europeias.

Porém os esforços por uma arte espiritual e atitudes cosmopolitas cedem

lugar ao anseio alemão por uma identidade nacional por meio da arte que

resultaria na devastação da Primeira Guerra Mundial.

No caso da literatura, o expressionismo desponta nessa arte alguns anos

após iniciar-se na pintura. O primeiro grupo de jovens escritores expressionistas

foi o Neue Klub (Novo Clube) formado em 1909 por Kurt Hiller e integrado por

Jakob van Hoddis, Georg Heym, Ernest Blass, Heinz Eduard Jacob, Robert

Jentzsch, entre outros. O mesmo grupo forma no ano seguinte o Neopathetisches


Cabaret (Cabaré Neopatético).Tanto os membros desses grupos como os que não

estavam ligados formalmente a grupos articulavam-se em torno da principal

revista expressionista do período, Der Sturm (A tempestade) editada por Herwarth

Walden. Entre os escritores próximos a Walden, estavam Iwan Goll, Kasimir

Edschmid, Theodor Däubler e Else Lasker-Schüler. Posteriormente, Walden

inauguraria uma galeria com o mesmo nome da revista, em que eram expostos

obras de artistas expressionistas, futuristas e cubistas.

Outra figura que se destaca no cenário editorial é Franz Pfemfert, que funda

em 1911 a revista Die Aktion (A Ação). Diferente de Walden, que acreditava na

importância do artista como a vanguarda espiritual da humanidade, Pfemfert

defendia ideias revolucionárias de esquerda por meio do engajamento político dos

artistas divulgados em sua revista. A revista era ilustrada com obras de artistas

expressionistas, além de divulgar parte da produção literária do período. Havia

nela uma integração entre as artes e da própria arte com a vida. Artistas plásticos

ilustravam a produção literária e os literatos comentavam as obras dos pintores.

Apesar da identidade grupal que esses grupos revelam, há uma

pluralidade estilística consequente de sua desarticulação em termos

programáticos. Isso é resultado de uma preocupação existencial com o

dilaceração do sujeito em uma época de colapso que permitiu a co-existência de

poetas que compartilhavam as mesmas temáticas, mas que estavam tão

mergulhados em sua subjetividade a ponto de não se envolverem em programas

que comprometessem a individualidade de suas obras.

O expressionismo durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918)


Durante os anos de guerra, houve uma desarticulação do movimento por

causa da participação dos artistas na guerra, seja devido ao alistamento

espontâneo ou devido à convocação obrigatória. Os artistas se posicionaram de

duas maneiras: ou foram dominados pela indignação ao verem o sonho de

fraternidade humana se desvanecer em meio à devastação bélica, ou encararam a

guerra como uma oportunidade de reconstruir a humanidade por meio da

destruição de uma sociedade decadente.

A consequência foi a substituição de um ideal cosmopolita por um ideal

nacionalista que buscaria na Idade Média a origem da civilização alemã. A

exaltação da arte medieval, sobre tudo o Gótico (que apesar de ser de origem

francesa, acreditavam que suas características mais marcantes foram

preservadas pelos germânicos que originariam o povo alemão), incentivou a

tentativa de resgatar o que chamavam de Urgeist para a construção da identidade

alemã.

Em meio a uma exaltação maior do que nos anos do pré-guerra e de um

arrebatamento quase religioso, tornam-se bastante recorrentes temas bíblicos,

principalmente referentes ao Apocalipse. As declarações em favor da guerra se

modificam após testemunharem as catástrofes bélicas e cedem lugar a um

discurso político e pacifista de esquerda.

Entretanto, o Expressionismo e sua “primeira geração” se expandem pela

Alemanha e suas obras são expostas nas principais galerias. No pós-guerra, o

estilo expressionista que antes estava restrito à literatura e à pintura, se amplia ao

teatro, à dança, à música, ao cinema, à moda dentre outras formas de expressão


artística.

Segunda geração expressionista

Ao fim da Primeira Guerra, ocorre a Revolução de Novembro que derruba o

Império Guilhermino. Inicia-se a República de Weimar. Apesar da tentativa de

fazer uma revolução comunista em solo alemão fracassar, o êxito da Revolução

Russa entusiasma os artistas alemães a se engajarem politicamente.

Observamos o retorno do ideal de solidariedade, mas não restrito a

pequenos grupos de artistas que vivem um estilo de vida alternativo, mas

“estruturado muito mais segundo a lógica das grandes organizações institucionais

de vocação multidisciplinar” [MATTOS, 2002: pág.57]. Predomina nesse momento

o ideal de construção conjunta de uma nova sociedade.

Destaca-se nesse período a arquitetura, como arte capaz de reunir em si

todas as outras formas de arte e de reunir adequadamente arte e vida cotidiana.

Nesse contexto surge a Bauhaus, escola de arte que se destaca pelo caráter

funcional de suas criações. O Estado passa intervir com novas diretrizes no ensino

de arte, principalmente com a participação de alguns expressionistas no governo.

Porém, a desastrosa política da República de Weimar mostrou sua

fragilidade ao expor a ineficiência administrativa de seus governantes diante dos

problemas econômicos e sociais do período, à inflação e ao desemprego

crescentes. Consequentemente, desfizeram-se os sonhos de reconstrução

conjunta de uma sociedade fraterna e igualitária, enquanto o expressionismo

enfraquecia-se até cede à dominância de outros movimentos como a Neue

Sachlichkeit (Nova Objetividade) e o Dadaísmo.

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