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TRT23ª REGIÃO

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO

ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA


ESPECIALIDADE: OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR

Língua Portuguesa
Noções de Sustentabilidade
Regimento Interno do TRT da 23ª Região
Direito Constitucional
Direito Administrativo
Direito do Trabalho
Direito Processual do Trabalho
Direito Civil
Direito Processual Civil

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12/2015 – Editora Gran Cursos
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AUTORES:

Bruno Pilastre
Hélio Sousa
Ivan Lucas
J.W. Granjeiro / Rodrigo Cardoso
Eraldo Barbosa
Tallita Ramine

PRESIDÊNCIA: Gabriel Granjeiro

DIRETORIA EXECUTIVA: Rodrigo Teles Calado

CONSELHO EDITORIAL: Bruno Pilastre e João Dino

DIRETORIA COMERCIAL: Ana Camila Oliveira

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: Marilene Otaviano

DIAGRAMAÇÃO: Charles Maia, Oziel Candido da Rosa e Washington Nunes Chaves

REVISÃO: Carolina Fernandes, Emanuelle Alves Melo, Hudson Maciel, Luciana Silva e Sabrina Soares

CAPA: Pedro Wgilson

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – De acordo com a Lei n. 9.610, de 19.02.1998, nenhuma parte
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AUTORES

BRUNO PILASTRE Ex-professor da ENAP, ISC/TCU, FEDF e FGV/DF.


Autor de 21 livros, entre eles: Direito Administrativo Sim-
Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. plificado, Administração Pública - Ideias para um Governo
Professor de Redação Discursiva e Interpretação de Empreendedor e Lei nº 8.112/1990 Comentada. 
Textos. Recebeu diversos títulos, medalhas e honrarias. Des-
Autor dos livros Guia Prático de Língua Portuguesa e tacam-se os seguintes: Colar José Bonifácio de Andrada,
Guia de Redação Discursiva para Concursos pela editora patriarca da Independência do Brasil (SP/2005), Professor
Gran Cursos. Nota 10 (Comunidade/2005), Comendador (ABACH/2003),
Colar Libertadores da América (ABACH/2003), Gente que
ERALDO BARBOSA Faz (Tribuna 2003), Profissional de Sucesso (Correio Bra-
ziliense/2003), Medalha do Mérito D. João VI (Iberg/Ibem/
Doutorando em Direito do Trabalho na UBA - Universi­
Fenai-Fibra/Aidf/Abi-DF/2006), Cidadão Honorário de Brasí-
dade de Buenos Aires-AR. Graduado em Direito pelo Centro
lia (Câmara Legislativa do DF/2007), Empresário do Cora-
Universitário do Distrito Federal - AEUDF (1992). Pós-Gradu­
ção 2006, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2012, Master in Busi-
ado em Direito Civil e Processo pela Universidade Cândido
ness Leadership 2006, 2007 e 2009 conferido pela World
Mendes-RJ (2005). Pós-Graduado em Direito Eletrônico e
Tecnologia da Informação pela Unigran-MS. Pós-Graduado Confederation of Business.
em Direito Material e Processual do Trabalho e Direito Pre­
videnciário pela ATAME (2010). Advogado e professor das RODRIGO CARDOSO
Faculdades Projeção e do Centro Universitário IESB.
Servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª
IVAN LUCAS Região, o professor Rodrigo Cardoso é graduado em Direito
pela Universidade Católica de Brasília e especialista em
Pós-graduando em Direito de Estado pela Universidade Direito Administrativo e Direito Constitucional.
Católica de Brasília, Ivan Lucas leciona Lei 8.112/90, Direito Professor de Direito Administrativo, Lei 8.112/90 e
Administrativo e Direito do Trabalho. Ex-servidor do Superior palestrante, possui grande experiência na preparação de
Tribunal de Justiça, o professor atualmente é analista do Tri- candidatos a concursos públicos.
bunal Regional do Trabalho da 10ª Região. É coautor do livro Direito Administrativo Simplificado
Possui grande experiência na preparação de candida- com o professor J. W. Granjeiro.
tos a concursos públicos.
É autor, pela Editora Gran Cursos, das obras: Direito THALLITA RAMINE LUCAS GONTIJO
do Trabalho para concursos – Teoria e Exercícios; Lei n.
8.112/90 comentada – 850 exercícios com gabarito comen- Advogada e pós-graduada em Direito e Jurisdição pela
tado; Lei n. 8.666/1993 – Teoria e Exercícios com gabarito Escola da Magistratura do Distrito Federal (ESMA/DF). Foi
comentado; Atos Administrativos – Teoria e Exercícios com professora de Direito Administrativo. É autora, pela edi­tora
gabarito comentado; 1.500 Exercícios de Direito Administra- Gran Cursos, dos livros Direito Processual Civil, Ques­tões de
tivo; 1.000 Exercícios de Direito Constitucional; Legislação Direito Processual do Trabalho, Casadinha - Direito Admin-
Administrativa Compilada, dentre outras. istrativo e Direito Constitucional - 500 Questões Comenta-
das, e coautora, em parceria com o professor Ivan Lucas de
J. W. GRANJEIRO Souza Júnior, do livro Questões de Direito do Con­sumidor.

Reconhecido por suas obras, cursos e palestras sobre


temas relativos à Administração Pública, é professor de
Direito Administrativo e Administração Pública.  Possui expe-
riência de mais de 26 anos de regência, sendo mais de 23
anos preparando candidatos para concursos públicos e 17 de
Serviço Público Federal, no qual desempenhou atribuições
em cargos técnicos, de assessoramento e direção superior.

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Í N D I CE G E RAL

LÍNGUA PORTUGUESA...................................................................................................................................7

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE.................................................................................................................71

REGIMENTO INTERNO DO TRT DA 23ª REGIÃO..........................................................................................95

DIREITO CONSTITUCIONAL........................................................................................................................123

DIREITO ADMINISTRATIVO.........................................................................................................................271

DIREITO DO TRABALHO..............................................................................................................................451

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO.......................................................................................................515

DIREITO CIVIL..............................................................................................................................................567

DIREITO PROCESSUAL CIVIL.......................................................................................................................679

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LÍNGUA PORTUGUESA
MATÉRIA

S U M ÁRI O

ORTOGRAFIA OFICIAL............................................................................................................................... 8
ACENTUAÇÃO GRÁFICA.......................................................................................................................... 11
FLEXÃO NOMINAL E VERBAL................................................................................................................... 18
PRONOMES: EMPREGO, FORMAS DE TRATAMENTO E COLOCAÇÃO................................................ 23/32
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS. VOZES DO VERBO............................................................... 19
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL................................................................................................... 26
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL............................................................................................................... 28
OCORRÊNCIA DE CRASE.......................................................................................................................... 30
PONTUAÇÃO........................................................................................................................................... 37
REDAÇÃO (CONFRONTO E RECONHECIMENTO DE FRASES CORRETAS E INCORRETAS)....................... 51
INTELECÇÃO DE TEXTO............................................................................................................................ 39

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PARTE 1 – GRAMÁTICA DICA PARA A PROVA!

CAPÍTULO 1 – FONOLOGIA Os certames costumam avaliar esse conteúdo da se-


guinte forma:
ORTOGRAFIA OFICIAL
1. O vocábulo cujo número de letras é igual ao de fone-
mas está em:
Iniciamos nossos trabalhos com o tema Ortografia a. casa.
BRUNO PILASTRE

Oficial. Sabemos que a correção ortográfica é requisito ele- b. hotel.


mentar de qualquer texto. Muitas vezes, uma simples troca c. achar.
de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de d. senha.
toda uma frase. Em sede de concurso público, temos de e. grande.
estar atentos para evitar descuidos.
Resposta: item (a)
Nesta seção, procuraremos sanar principalmente um
tipo de erro de grafia: o que decorre do emprego inade-
Palavras-chave!
quado de determinada letra por desconhecimento da grafia
da palavra. Fonema: unidade mínima das línguas naturais no nível fonê-
Antes, porém, vejamos a distinção entre o plano mico, com valor distintivo (distingue morfemas ou palavras com
significados diferentes, como faca e vaca).
sonoro da língua (seus sons, fonemas e sílabas) e a
Sílaba: vogal ou grupo de fonemas que se pronunciam numa só
representação gráfica (escrita/grafia), a qual inclui sinais emissão de voz, e que, sós ou reunidos a outros, formam pala-
gráficos diversos, como letras e diacríticos. vras. Unidade fonética fundamental, acima do som. Toda sílaba
É importante não confundir o plano sonoro da língua é constituída por uma vogal.
Escrita: representação da linguagem falada por meio de signos
com sua representação escrita. Você deve observar que
gráficos.
a representação gráfica das palavras é realizada pelo sis- Grafia: (i) representação escrita de uma palavra; escrita, trans-
tema ortográfico, o qual apresenta características especí- crição; (ii) cada uma das possíveis maneiras de representar por
ficas. Essas peculiaridades do sistema ortográfico são res- escrito uma palavra (inclusive as consideradas incorretas); por
exemplo, Ivan e Ivã; atrás (grafia correta) e atraz (grafia incor-
ponsáveis por frequentes divergências entre a forma oral reta); farmácia (grafia atual) e pharmacia (grafia antiga); (iii)
(sonora) e a forma escrita (gráfica) da língua. Vejamos três transcrição fonética da fala, por meio de um alfabeto fonético
casos importantes: ('sistema convencional').
Letra: cada um dos sinais gráficos que representam, na transcri-
I – Os dígrafos: são combinações de letras que repre-
ção de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas.
sentam um só fonema. Diacrítico: sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para
II – Letras diferentes para representar o mesmo fone- conferir-lhe novo valor fonético e/ou fonológico. Na ortografia do
ma. português, são diacríticos os acentos gráficos, a cedilha, o trema
e o til.
III – Mesma letra para representar fonemas distintos.

EMPREGO DAS LETRAS


Para ilustrar, selecionamos uma lista de palavras para
representar cada um dos casos. O quadro a seguir apre- EMPREGO DE VOGAIS
senta, na coluna da esquerda, a lista de palavras; na coluna
da direita, a explicação do caso. As vogais na língua portuguesa admitem certa varie-
dade de pronúncia, dependendo de sua intensidade (isto é,
Exemplos Explicação do caso se são tônicas ou átonas), de sua posição na sílaba etc. Por
haver essa variação na pronúncia, nem sempre a memó-
Temos, nessa lista de palavras, exemplos de dígra-
Achar ria, baseada na oralidade, retém a forma correta da grafia, a
fos. Em achar, as duas letras (ch) representam um
Quilo qual pode ser divergente do som.
único som (fricativa pós-alveolar surda). O mesmo
Carro Como podemos solucionar esses equívocos? Temos
vale para a palavra quilo, em que o as duas letras
Santo de decorar todas as palavras (e sua grafia)? Não. A leitura e
(qu) representam o som (oclusiva velar surda).
a prática da escrita são atividades fundamentais para evitar
Exato Nessa lista de palavras, encontramos três letras
erros.
Rezar diferentes (x, z e s) para representar o mesmo
Pesar fonema (som): fricativa alveolar sonora.
Encontros consonantais
Mesma letra para representar fonemas distintos. A
Xadrez
letra x pode representar cinco sons distintos: (i) con-
Fixo Por encontro consonantal consideramos o agrupa-
soante fricativa palatal surda; (ii) grupo consonantal
Hexacanto mento de consoantes numa palavra. O encontro consonan-
[cs]; (iii) grupo consonantal [gz]; (iv) consoante frica-
Exame
tiva linguodental sonora [z]; e consoante fricativa
tal pode ocorrer na mesma sílaba (denominado encontro
Próximo consonantal real) ou em sílabas diferentes (denominado
côncava dental surda.
encontro consonantal puro e simples).
Vejamos exemplos de encontros consonantais:
Há, também, letras que não representam nenhum
br – braço
fonema, como nas palavras hoje, humilde, hotel. bm – submeter

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cr – escravo su-bo-cu-lar
bj – objeto su-pe-rá-ci-do
gn – digno
pt – réptil (ii) ou à estruturação morfológica da palavra:
in-fe-liz-men-te
Dígrafos

LÍNGUA PORTUGUESA
Denominamos dígrafos o grupo de duas letras usadas A separação silábica ocorre quando se tem de
para representar um único fonema. No português, são dígra- fazer, em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a
fos: ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc; incluem-se também am, partição de uma palavra. Vejamos alguns preceitos par-
an, em, en, im, in, om, on, um, un (que representam vogais ticulares em relação à separação (segundo a Base XX
nasais), gu e qu antes de e e de i, e também ha, he, hi, ho, do Acordo Ortográfico de 1990): 
hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc.
É importante observar a distinção entre encontro con-
sonantal e dígrafo: 1º. São indivisíveis no interior da palavra, tal como ini-
(i) o encontro consonantal equivale a dois fonemas; o cialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as
dígrafo equivale a um só fonema. sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos
(ii) o encontro consonantal é formado sempre por duas grupos, ou seja, aquelas sucessões em que a primeira
consoantes; o dígrafo não precisa ser formado necessaria- consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma
mente por duas consoantes. labiodental e a segunda um l ou um r: a-blução, cele-brar,
du-plicação, re-primir, a-clamar, de-creto, de-glutição, re-
-grado; a-tlético, cáte-dra, períme-tro; a-fluir, a-fricano,
Palavra-chave! ne-vrose.
Com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos
Consoante: som da fala que só é pronunciável se forma sílaba terminam em b, ou d:
com vogal (tirante certas onomatopeias, à margem do sistema
→ ab- legação
fonológico de nossa língua: brrr!, cht!, pst!). Esta definição fun-
→ ad- ligar
cional é válida para o português, mas não para outras línguas,
→ sub- lunar
em que há sons passíveis de pertencer à categoria das conso-
antes ou à das vogais. Diz-se de ou letra que representa fonema
→ em vez de
dessa classe. Do ponto de vista articulatório, há consoante → a-blegação
quando a corrente de ar encontra, na cavidade bucal, algum tipo → a-dligar
de empecilho, seja total (oclusão), seja parcial (estreitamento). → su-blunar

Separação silábica 2º. São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas


consoantes  que não constituem propriamente grupos e igual-
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa afirma que mente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e
a Separação Silábica (Base XX – Da divisão silábica) faz- uma consoante:
se, em regra, pela soletração, como nos exemplos a seguir:
→ ab-dicar → ét-nico
abade: a-ba-de → Ed-gardo → rit-mo
bruma: bru-ma → op-tar → sub-meter
cacho: ca-cho → sub-por → am-nésico
malha: ma-lha → ab-soluto → interam-nense
manha: ma-nha → ad-jetivo → bir-reme
máximo: má-xi-mo → af-ta → cor-roer
óxido: ó-xi-do → bet-samita → pror-rogar
roxo: ro-xo → íp-silon → as-segurar
tmese: tme-se → ob-viar → bis-secular
→ des-cer → sos-segar
Assim, a separação não tem de atender: → dis-ciplina → bissex-to
(i) aos elementos constitutivos dos vocábulos → flores-cer → contex-to
segundo a etimologia: → nas-cer → ex-citar
a-ba-li-e-nar → res-cisão → atroz-mente
bi-sa-vô → ac-ne → capaz-mente
de-sa-pa-re-cer → ad-mirável → infeliz-mente
di-sú-ri-co → Daf-ne → am-bição
e-xâ-ni-me → diafrag-ma → desen-ganar
hi-pe-ra-cú-sti-co → drac-ma → en-xame
i-ná-bil → man-chu → Mân-lio
o-bo-val

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3º. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou 6º. Na translineação de uma palavra composta ou de uma
n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se
são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um a partição coincide com o final de um dos elementos ou
dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no
(1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a con- início da linha imediata:
soante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba → ex- -alferes
anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a → serená- -los-emos ou serená-los- -emos
BRUNO PILASTRE

→ vice- -almirante
divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exem-
plos dos dois casos:
→ cam-braia Apesar de relativamente complexas, as regras enume-
→ ec-tlipse radas na Base XX do Novo Acordo Ortográfico possuem um
→ em-blema elemento em comum, a saber:
→ ex-plicar
→ in-cluir → Toda sílaba é nucleada por uma vogal.
→ ins-crição
→ subs-crever Tradicionalmente, observamos essas regras, as quais
→ trans-gredir são simplificadas:
→ abs-tenção
→ disp-neia Regra Exemplo
→ inters-telar Não se separam os ditongos e tri- foi-ce, a-ve-ri-guou.
→ lamb-dacismo tongos. 
→ sols-ticial Não se separam os dígrafos ch, lh, cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha,
→ Terp-sícore nh, gu, qu. fre-guês, quei-xa
→ tungs-tênio Não se separam os encontros con- psi-có-lo-go, re-fres-co
sonantais que iniciam sílaba. 
Separam-se as vogais dos hiatos.  ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de
4º. As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos Separam-se as letras dos dígra- car-ro, pas-sa-re-la, des-
decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo fos rr, ss, sc, sç e xc. -cer, nas-ço, ex-ce-len-te
nunca se separam: ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção, Separam-se os encontros con- ap-to, bis-ne-to, con-vic-
sacris-tães, traves-sões) podem, se a primeira delas sonantais das sílabas internas, -ção, a-brir, a-pli-car
não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, excetuando-se aqueles em que a
separar-se na escrita: segunda consoante é l ou r.

→ ala-úde PROSÓDIA (BOA PRONÚNCIA)


→ áre-as
→ ca-apeba A prosódia é a parte da gramática tradicional que se
→ co-ordenar dedica às características da emissão dos sons da fala, como
→ do-er o acento e a entonação.
→ flu-idez Observe algumas orientações em relação à posição da
→ perdo-as sílaba tônica:
→ vo-os
(i) São oxítonas (última sílaba tônica):
O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de diton- → cateter
gos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: → faz-se mister (= necessário)
→ cai-ais → Nobel
→ cai-eis → ruim
→ ensai-os → ureter
→ flu-iu
(ii) São paroxítonas (penúltima sílaba tônica):
→ âmbar
5º. Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, → caracteres
nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne-gue, → recorde
ne-guei; pe-que, pe-quei), do mesmo modo que as com- → filantropo
→ gratuito (ui ditongo)
binações gu e qu em que o u se pronuncia:
→ misantropo
→ á-gua
→ ambí-guo (iii) São palavras que admitem dupla prosódia:
→ averi-gueis → acróbata ou acrobata
→ longín-quos → Oceânia ou Oceania
→ lo-quaz → ortoépia ou ortoepia
→ quais-quer → projétil ou projetil
→ réptil ou reptil

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USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL → bacharel Mário Abrantes
→ o cardeal Bembo
(i) nos antropônimos, reais ou fictícios: → santa Filomena (ou Santa Filomena)
→ Pedro Marques
→ Branca de Neve (vii) nos nomes que designam domínios do saber, cursos
e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula):
(ii) nos topônimos, reais ou fictícios: → português (ou Português).

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Lisboa
→ Atlântida COMO ABREVIAR

(iii) nos nomes de seres antropomorfizados ou mitoló- (i) Comumente, as abreviaturas são encerradas por
gicos: consoante seguida de ponto final:
→ Adamastor → Dr. (Doutor)
→ Netuno → Prof. (Professor)

(iv) nos nomes que designam instituições: (ii) Mas os símbolos científicos e as medidas são abre-
→ Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previ- viados sem ponto; no plural, não há s final:
dência Social → m (metro ou metros)
→ h (8h = oito horas. Quando houver minutos: 8h30min
(v) nos nomes de festas e festividades: ou 8h30)
→ Natal → P (Fósforo – símbolo químico)
→ Páscoa
→ Ramadão (iii) São mantidos os acentos gráficos, quando existirem:
→ pág. (página)
(vi) nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: → séc. (século)
→ O Estado de São Paulo
(iv) É aconselhável não abreviar nomes geográficos:
(vii) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais
→ Santa Catarina (e não S. Catarina)
ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou
mediais ou finais ou o todo em maiúscula: → São Paulo (e não S. Paulo)
→ FAO → Porto Alegre (e não P. Alegre)
→ ONU
→ Sr. ACENTUAÇÃO GRÁFICA
→ V. Exª.
Quatro diacríticos (sinal gráfico que se acrescenta a
USO DA LETRA MINÚSCULA INICIAL uma letra para conferir-lhe novo valor fonético e/ou fono-
lógico) compõem a acentuação gráfica: o acento agudo, o
(i) ordinariamente, em todos os vocábulos da língua acento grave, o acento circunflexo e, acessoriamente, o til.
nos usos correntes; Vejamos, em síntese, as características de cada um.

(ii) nos nomes dos dias, meses, estações do ano: (i) o agudo (´), para marcar a tonicidade das vogais
→ segunda-feira a (paráfrase, táxi, já), i (xícara, cível, aí) e u (cúpula, júri,
→ outubro
miúdo); e a tonicidade das vogais abertas e (exército, série,
→ primavera
fé) e o (incólume, dólar, só);
(iii) nos bibliônimos (nome, título designativo ou intitula-
tivo de livro impresso ou obra que lhe seja equiparada) (após (ii) o grave (`), utilizada sobretudo para indicar a ocor-
o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocá- rência de crase, isto é, a ocorrência da preposição a com
bulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes o artigo feminino a ou os demonstrativos a, aquele(s),
próprios nele contidos, tudo em grifo): aquela(s), aquilo;
→ O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço
de Ninães. (iii) o circunflexo (^), para marcar a tonicidade da vogal
→ Menino de Engenho ou Menino de engenho. a nasal ou nasalada (lâmpada, câncer, espontâneo), e das
vogais fechadas e (gênero, tênue, português) e o (trôpego,
(iv) nos usos de fulano, sicrano, beltrano. bônus, robô);
(v) nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas):
(iv) e acessoriamente o til (~), para indicar a nasalidade
→ norte, sul (mas SW = sudoeste)
(e em geral a simultânea tonicidade) em a e o (cristã, cristão,
(vi) nos axiônimos (nome ou locução com que se presta pães, cãibra; corações, põe(s), põem).
reverência a determinada pessoa do discurso) e hagiônimos
(designação comum às palavras ligadas à religião) (opcio- A seguir há as principais regras apresentadas pelo
nalmente, nesse caso, também com maiúscula): Novo Acordo de 1990. É uma tabela muito importante, a qual
→ senhor doutor Joaquim da Silva deve ser estudada cuidadosamente.

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Assunto O acordo de 1990
Alfabeto O alfabeto é formado por vinte e seis (26) letras:
→ a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z
Sequências con- O acordo de 1990 afirma que, nos países de língua portuguesa oficial, a ortografia de palavras com consoantes
sonânticas “mudas” passa a respeitar as diferentes pronúncias cultas da língua, ocasionando um aumento da quantidade de
palavras com dupla grafia. Pode-se grafar:
→ fato e facto (em que há dupla grafia e dupla pronúncia)
→ aspecto e aspeto (dupla pronúncia e dupla grafia)
BRUNO PILASTRE

Acentuação grá- Primeiramente, observa-se que as regras de acentuação dos monossílabos tônicos são as mesmas das oxíto-
fica – Oxítonas nas.
São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam nas vogais tônicas abertas a, e, o, e com
acento circunflexo as que acabam nas vogais tônicas fechadas e, o, seguidas ou não de s:
→ fubá
→ cafés
→ bobó
→ mercês
→ babalaô
As palavras oxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ó, ô) admitem
dupla grafia:
→ matinê ou matiné
→ cocô ou cocó

São assinaladas com acento gráfico as formas verbais que se tornam oxítonas terminadas em a, e, o, em virtude
da conjugação com os pronomes lo(s):
→ dá-la
→ amá-la-ás
→ sabê-lo
→ dispô-lo

É assinalado com acento agudo o e das terminações em, ens das palavras oxítonas com mais de uma sílaba
(exceto as formas da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são
marcadas com acento circunflexo):
→ também
→ parabéns
→ (eles) contêm
→ (elas) vêm
Acentuação grá- São assinalados com acento agudo os ditongos tônicos éi, éu, ói, sendo os dois últimos (éu, ói) seguidos ou não
fica – Paroxítonas de s:
→ fiéis
→ réus
→ heróis

Não se usa acento gráfico para distinguir oxítonas homógrafas:


→ colher (verbo)
→ colher (substantivo)

A exceção é a distinção entre pôr (verbo) e por (preposição)

São assinaladas com acento gráfico as paroxítonas terminadas em:


a) l, n, r, x, ps (e seus plurais, alguns dos quais passam a proparoxítonas):
→ lavável
→ plânctons
→ açúcar
→ ônix
→ bíceps

As exceções são as formas terminadas em ens (hifens e liquens), as quais não são acentuadas graficamente.

b) ã(s), ão(s), ei(s), i(s) um, uns, us:


→ órfã(s)
→ sótão(s)
→ jóquei(s)
→ fórum
→ álbum
→ vírus
→ bílis

O acento será agudo se na sílaba tônica houver as vogais abertas a, e, o, ou ainda i, u e será circunflexo se houver
as vogais fechadas a, e, o.

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Observa-se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ô,
ó) admitem dupla grafia:
→ fêmur ou fémur
→ ônix ou ónix
→ pônei ou pónei
→ Vênus ou Vénus

LÍNGUA PORTUGUESA
Não são assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras paroxítonas:
→ estreia
→ ideia
→ paranoico
→ jiboia

Não são assinaladas com acento gráfico as formas verbais creem, deem, leem, veem e seus derivados: des-
creem, desdeem, releem, reveem etc.

Não é assinalado com acento gráfico o penúltimo o do hiato oo(s):


→ voo
→ enjoos

Não são assinaladas com acento gráfico as palavras homógrafas:


→ para (verbo) para (preposição)
→ pela(s) (substantivo) pela (verbo) pela (per + la(s))
→ pelo(s) (substantivo) pelo (verbo) pelo (per + lo(s))
→ polo(s) substantivo polo (por + lo(s))

A exceção é a distinção entre as formas pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) e pode
(3ª pessoa do singular do presente do indicativo).

Observação 1: assinalam-se com acento circunflexo, facultativamente, as formas:


→ dêmos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo)
→ demos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
→ fôrma (substantivo)
→ forma (substantivo; verbo)

Observação 2: assinalam-se com acento agudo, facultativamente, as formas verbais do tipo:


→ amámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ amamos (presente do indicativo)
→ louvámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ louvamos (presente do indicativo)
Oxítonas e Paroxí- São assinaladas com acento agudo as vogais tônicas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas que constituem
tonas o 2º elemento de um hiato e não são seguidas de l, m, n, nh, r, z:
→ país
→ ruins
→ saúde
→ rainha

Observações:
1) Incluem-se nessa regra as formas oxítonas dos verbos em air e uir em virtude de sua conjugação com os
pronomes lo(s), la(s):
→ atraí-las
→ possuí-lo-ás

2) Não são assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de
ditongo crescente:
→ baiuca
→ boiuna
→ feiura

3) São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo
crescente:
→ Piauí
→ tuiuiús

4) Não são assinalados com acento agudo os ditongos tônicos iu, ui precedidos de vogal:
→ distraiu
→ pauis

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Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas rizotônicas de arguir e redarguir:
→ arguis
→ argui
→ redarguam

Observações:
1) Verbos como aguar, apaziguar, apropinquar, delinquir possuem dois paradigmas:
a) com o u tônico em formas rizotônicas sem acento gráfico:
BRUNO PILASTRE

→ averiguo
→ ague

b) com o a ou o i dos radicais tônicos acentuados graficamente:


→ averíguo
→ águe

2) Verbos terminados em -ingir e -inguir cujo u não é pronunciado possuem grafias regulares.
→ atingir; distinguir
→ atinjo; distinguimos
Acentuação grá- Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas com acento gráfico:
fica – Proparoxí- → rápido
tonas → cênico
→ místico
→ meândrico
→ cômodo
Trema O trema (¨) é totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas:
→ delinquir
→ cinquenta
→ tranquilo
→ linguiça

O trema é usado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema:


→ mülleriano, de Müller
Hífen O hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

O Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que o falante contemporâneo perdeu a
noção de composição:
→ paraquedas
→ mandachuva

Emprega-se o hífen nos seguintes topônimos:


- iniciados por grã e grão: Grão-Pará
- iniciados por verbo: Passa-Quatro
- cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de todos-os-Santos

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo Verde. As exceções são: Guiné-
-Bissau e Timor-Leste.

Emprega-se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas:


→ couve-flor
→ bem-te-vi

Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando encadeamen-
tos vocabulares:
→ ponte Rio-Niterói
Hífen – síntese das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos
Primeiro elemento Segundo elemento
aero di ili/ilio mono psico a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento
agro eletro infra morfo retro b) iniciado por h
(‘terra’) entre intra multi semi
alfa extra iso nefro sobre
ante foto lacto neo supra
anti gama lipo neuro lete
arqui geo macro paleo tetra
auto giga maxi peri tri
beta hetero mega pluri ultra
bi hidro meso poli
bio hipo micro proto
contra homo mini pseudo

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ab ob sob sub iniciado por b, h, r
co (‘com’) iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra, passando-se a grafar,
assim, coerdar, coerdeiro, coipônimo etc.)
ciber iniciado por h, r
inter
super
nuper

LÍNGUA PORTUGUESA
hiper
ad iniciado por d, h, r
pan a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [diante de b e p passa a pam]
circum a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [aceita formas aglutinadas como circu e circum]
além sem qualquer (sempre)
aquém sota
ex (“cessamento ou “estado anterior”) soto
recém vice
pós sempre que conservem autonomia vocabular
pré
pró

DISTINÇÕES Ela reclama porque é carente.


[conjunção causal]
Distinção entre a, à, há e á Ela devia estar com fome, porque estava branca.
[conjunção explicativa – equivale a pois]
(I) a. A palavra a pode ser: O preso fugiu porque dopou o guarda?
(i) artigo feminino singular: [pergunta que propõe uma causa possível, limitando a
Eu comprei a roupa ontem. resposta a sim ou não]
A menina mais bonita da rua.
(II) porquê: a forma porquê é substantivo e equivale
(ii) pronome: (é sinônimo) a causa, motivo, razão. É acentuada por ser
Mara é muito próxima da família, mas não a vejo há uma palavra tônica:
meses. Não sabemos o porquê da demissão de José.
[equivale a: Não sabemos o motivo/a causa/a razão
(iii) preposição:
da demissão de José]
Andar a cavalo é sempre prazeroso.
(III) por que: a forma por que (com duas palavras) é
(II) à. A palavra à (com o acento grave) é utilizada
utilizada quando:
quando ocorre a contração da preposição a com o artigo
(i) significa pelo qual (e flexões pela qual, pelas quais,
feminino a:
João assistiu à cena estarrecido. pelos quais). Nesse significado, a palavra que é pronome
[assistir a (preposição) + a cena (artigo feminino)]. relativo.
Não revelou o motivo por que não compareceu à aula.
(III) há. A palavra há é uma forma do verbo haver: [Não revelou o motivo pelo qual não compareceu à
Há três meses não chove no interior do Pará. aula]
[Há = faz]
Não há mais violência no centro da cidade. (ii) equivale a por qual, por quais. Nessas formas, a
[Há = existe] forma que é pronome indefinido.
Na BR040 há muitos acidentes fatais. Ela sempre quis saber por que motivo raspei o cabelo.
[Há = acontecem]
(iii) a forma por que é advérbio interrogativo. Nessa
(IV) á. A palavra á é um substantivo e designa a letra a: estrutura, é possível subentender uma das palavras motivo,
Está provado por á mais bê que o vereador estava causa, razão.
errado. Por que [motivo] faltou à aula?

Distinção entre porque, porquê, por que e por quê (iv) a forma por que faz parte de um título.
Por que o ser humano chora.
Estes são os usos das formas porque, porquê, por
que e por quê: (IV) por quê: a forma por quê (com duas palavras e
acentuada) é usada após pausa acentuada ou em final de
(I) porque: a forma porque pode ser uma conjunção
frase.
(causal ou explicativa) ou uma pergunta que propõe uma
causa possível, limitando a resposta a sim ou não: Estavam no meio daquela bagunça sem saber por quê.

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Distinção entre acerca de e cerca de A torre eminente é a mais fotografada.

(I) A locução acerca de equivale a a respeito de, (ii) que se destaca por sua qualidade ou importância;
sobre. Por exemplo: excelente, superior:
Nós, linguistas, pouco conhecemos acerca da origem O mestre eminente era seguido por todos.
da linguagem.
[= sobre a origem da linguagem – a respeito da (II) O adjetivo iminente, por sua vez, tem o seguinte
origem da linguagem] significado:
BRUNO PILASTRE

(II) A locução cerca de tem valor de aproximada- Iminente: o que ameaça se concretizar, que está a
mente, quase: ponto de acontecer; próximo, imediato:
Cerca de duas horas depois da missa o pároco faleceu. O desabamento iminente é o que mais preocupa as
[= aproximadamente duas horas depois – quase autoridades.
duas horas depois]. O edital iminente deixa os candidatos ansiosos.

Distinção entre ao encontro de e de encontro a Distinção entre mas e mais

(I) A locução ao encontro de possui o significado equi- Na escrita, é muito comum haver a troca da forma mas
valente às expressões em direção a, a favor de. Veja os pela forma mais. Os estudantes produzem frases como:
exemplos: O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente.
Os vândalos saíram ao encontro dos policiais, que
fechavam a avenida. Na oralidade, o fenômeno é comum em formas seme-
[= em direção a] lhantes à palavra mas:
Com a decisão da Presidente Dilma, o governo vai ao faz/fa(i)z;
encontro das reivindicações da população. paz/pa(i)z;
[= a favor de] nós/nó(i)s.

(II) A locução de encontro a é antônima à locução ao É preciso, porém, distinguir as duas formas, pois na
encontro de. De encontro a significa choque, oposição, frase O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente há
sendo equivalente à forma contra. Observe a frase a seguir: inadequação, uma vez que se deve utilizar a forma mas: O
O caminhão perdeu os freios e foi de encontro ao país é rico, mas a gestão pública é ineficiente.
carro do deputado. A distinção das duas formas é a seguinte:
[= contra]
A decisão do governo foi de encontro aos desejos do (I) A palavra mas é conjunção que exprime principal-
Movimento Passe Livre. mente oposição, ressalva, restrição:
[= contrariou] O carro não é meu, mas de um amigo.

Distinção entre aonde e onde (II) A palavra mais é advérbio e traduz a ideia de
aumento, superioridade, intensidade:
(I) A forma aonde é a contração da preposição a com do Ele sempre pensa em ganhar mais dinheiro.
advérbio onde. Emprega-se com verbos que denotam movi- Ele queria ser mais alto que os outros.
mento e regem a preposição a (verbos ir, chegar, levar):
Aonde os manifestantes querem chegar? Distinção entre se não e senão
[verbo chegar].
Os investigadores descobriram aonde as crianças (I) A forma se não (separado) é usada quando o se
eram levadas. pode ser substituído por caso ou na hipótese de que:
[verbo levar]. Se não perdoar, não será perdoado.
[se não = caso não. É conjunção condicional]
(II) O advérbio onde é utilizado com verbos que não Se não chover, viajarei amanhã.
denotam movimento e não regem a preposição a: [se não = na hipótese de que não]
Onde mora o presidente da Colômbia?
[verbo morar] Também há o uso da forma se não como conjunção
Os investigadores descobriram onde o dinheiro era condicional, equivalendo a quando não:
lavado. A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de
[verbo lavar] trabalho, ocorre com operários sem equipamentos de segu-
rança.
Distinção entre eminente e iminente [se não = quando não]
(II) A palavra senão (uma única palavra) possui as
Os adjetivos eminente e iminente são parônimos (são seguintes realizações:
quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na grafia
e na pronúncia). (i) É conjunção e significa:
(I) O adjetivo eminente tem os seguintes significados: (a) de outro modo; do contrário:
(i) muito acima do que o que está em volta; proemi- Coma, senão ficará de castigo.
nente, alto, elevado: (b) mas, mas sim, porém:

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Não obteve aplausos, senão vaias. O adiamento de três anos abre brechas para que novas
mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jor-
(ii) É preposição quando equivale a com exceção de, nais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham ado-
salvo, exceto: tado o novo acordo, novas alterações podem ser implemen-
Todos, senão você, gostam de bolo. tadas ou até mesmo suspensas.

(iii) É substantivo masculino e significa pequena imper- Diplomacia

LÍNGUA PORTUGUESA
feição; falha, defeito, mácula:
Não há qualquer senão em sua prova. A decisão é encarada como um movimento diplomático,
uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as
Para concluir nossos estudos sobre Fonologia, vamos mudanças com Portugal.
ler uma reportagem sobre o Acordo Ortográfico, a qual foi O país europeu concordou oficialmente com a reforma
publicada no dia 28 de dezembro de 2012, no jornal Folha ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o
de São Paulo. Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um
período de transição maior.
GOVERNO ADIA PARA 2016 INÍCIO DO ACORDO ORTO- Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é,
GRÁFICO na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no
Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor-Leste.
O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no
do uso do novo acordo ortográfico. A decisão foi publicada idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do
nesta sexta-feira no "Diário Oficial da União". idioma em organismos internacionais.
A implantação das novas regras, adotadas pelos seto- "É muito difícil querer que o português seja língua oficial
res público e privado desde 2009, estavam previstas para o nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que
próximo dia 1º de janeiro. vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, represen-
A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% tante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua
das palavras em português. Até a data da obrigatoriedade, Portuguesa).
tanto a nova norma como a atual poderão ser usadas.

(Folha de São Paulo)

(Folha de São Paulo)

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BRUNO PILASTRE

(Folha de São Paulo)

CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA Em morfologia, dois processos são importantes: a


flexão e a derivação.
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Flexão: processo morfológico que consiste no emprego
Neste capítulo estudaremos, de modo esquemático, o de diferentes afixos acrescentados aos radicais ou aos
assunto morfologia/morfossintaxe. É um assunto importante, temas (nominais, verbais etc.) das palavras variáveis para
o qual é recorrentemente cobrado em concursos. Observamos exprimir as categorias gramaticais (número, gênero, pessoa,
que a abordagem a seguir é predominantemente linguística. caso, tempo etc.).
Iniciamos a exposição com a noção de morfema. Nas
línguas humanas, um morfema é a menor unidade linguís- Derivação: processo pelo qual se originam vocábulos
tica que possui significado, abarcando raízes e afixos, formas uns de outros, mediante a inserção ou extração de afixos.
livres (por exemplo: mar) e formas presas (por exemplo:
sapat-, -o-, -s) e vocábulos gramaticais (preposições, conjun- Kehdi (1993) classifica os seguintes tipos de morfemas
ções). Observe que, em algumas palavras, pode-se identificar em português:
duas posições de realização dos sufixos:
Classificação de caráter formal Classificação de base funcio-
Prefixo (antes da raiz) Raiz Sufixo (depois da raiz) (destaque para o significante) nal (destaque para a função
in- feliz -mente dos morfemas)
infelizmente aditivo: fazer – refazer. radical
subtrativo: órfão – órfã. afixos
Há técnicas para identificação da estrutura mórfica das alternativo: ovo – ovos. desinências
palavras. Vejamos duas: reduplicativo: pai – papai. vogais temáticas
de posição: grande homem – vogais e consoantes de liga-
Teste de comutação: método comparativo buscando a homem grande. ção
detecção das unidades significativas que compõem a estru- zero: casa – casas.
tura das palavras. cumulativo: amamos (-mos =
desinência número-pessoa).
música – músicas
vazio: cafeZal.
amavam – amaram

Segmentação mórfica: possibilidade ou não de divisão A fórmula geral da estrutura do vocábulo verbal portu-
de palavras em unidades menores significativas. guês é a seguinte (Camara Jr., 1977):
Sol
Mar T (R + VT) + SF (SMT + SNP)
deslealdade → des- leal -dade [em que T (tema), R (radical), VT (vogal temática), SF
(sufixo flexional ou desinência), SMT (sufixo modo-tempo-
Palavras-chave! ral), SNP (sufixo número-pessoal)]

Morfema: a menor parte significativa que compõe as palavras. A flexão verbal caracteriza-se na língua portuguesa
É um signo mínimo. pelas desinências indicadoras das seguintes categorias gra-
Radical e afixos: o radical é o morfema básico que constitui maticais: (a) modo, (b) tempo – em um morfema cumulativo
uma palavra de categoria lexical (substantivo, adjetivo, verbo e –, (c) número, (d) pessoa – em um morfema cumulativo.
advérbio); os afixos são morfemas presos anexados a um radical
(prefixos e sufixos).

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Modo: refere-se a um julgamento implícito do falante a
passo que o particípio é de aspecto concluso ou perfeito. O valor
respeito da natureza, subjetiva ou não, da comunicação que do pretérito ou de voz passiva (com verbos transitivos) que às
faz. Indicativo, subjuntivo e imperativo. vezes assume, não é mais que um subproduto do seu valor de
Tempo: refere-se ao momento da ocorrência do pro- aspecto perfeito ou concluso.
cesso, visto do momento da comunicação. Presente, preté- Entretanto, o particípio foge até certo ponto, do ponto de vista
rito (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito), futuro (do pre- mórfico, da natureza verbal. É no fundo um adjetivo com as
marcas nominais de feminino e de número plural em /S/. Ou

LÍNGUA PORTUGUESA
sente, do pretérito). Tempos compostos: auxiliar (ter e haver)
+ particípio. em outros termos: é um nome adjetivo, que semanticamente
expressa, em vez da qualidade de um ser, um processo que
nele se passa. O estudo morfológico do sistema verbal portu-
As formas nominais do verbo são: infinitivo (-r), gerún- guês pode deixá-lo de lado, porque morfologicamente ele per-
dio (-ndo) e particípio (-do). tence aos adjetivos, embora tenha valor verbal no âmbito semân-
Sobre as formas nominais, Camara Jr. (1977) pronun- tico e sintático.
cia-se da seguinte maneira: O gerúndio, ao contrário, é morfologicamente uma forma verbal.

Resta uma apreciação semântica, nas mesmas linhas, das cha- Depreensão morfológica (como identificar morfemas)
madas formas nominais, cujos nomes tradicionais são – infinitivo,
gerúndio e particípio. Aqui a oposição é aspectual e não tempo- A técnica de depreensão é simples: se tivermos uma
ral. O infinitivo é a forma mais indefinida do verbo. A tal ponto, forma verbal a ser analisada, procedemos à comutação ao
que costuma ser citado como o nome do verbo, a forma que de mesmo tempo com o infinitivo impessoal e com a primeira
maneira mais ampla e mais vaga resume a sua significação, sem pessoa do plural do tempo em que se encontra o verbo. O
implicações das noções gramaticais de tempo, aspecto ou modo. infinitivo sem o /r/ apresenta o radical e a vogal temática. A
Entre o gerúndio e o particípio há essencialmente uma oposição primeira pessoa do plural exibe a desinência [-mos] (SNP
de aspecto: o gerúndio é <imperfeito> (processo inconcluso), ao
ou DNP). O que sobrar será a desinência modo-temporal.

Exercício: indique nos quadros em branco a VT, os SMT e os SNP.

Indicativo VT SMT SNP Pretérito VT SMT SNP Subjuntivo VT SMT SNP


Presente imperfeito Presente
Amo Amava Cante
Amas Amavas Cantes
Ama Amava Cante
Amamos Amávamos Cantemos
Amais Amáveis Canteis
Amam Amavam Cantem

As categorias verbais Verbos notáveis

A categoria de tempo Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua por-


tuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de
A categoria de tempo constitui uma relação entre dois duas características dos verbos: ser rizotônico ou arrizotônico.
momentos: momento da comunicação e momento do pro- Rizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
cesso. tônica dentro do radical.
Em português: passado x presente x futuro. Arrizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
tônica fora do radical.
Tempos simples:
I – Presente: simultaneidade entre momento da comu- Arrear
nicação e momento de ocorrência do processo.
II – Passado ou pretérito: anterioridade entre o mo- Verbo irregular da 1ª conjugação. Significa pôr arreio.
mento da ocorrência do processo e o momento da Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -ear.
comunicação (o processo que se está enunciando Variam no radical, que recebe um i nas formas rizotônicas.
ocorreu antes do momento da fala). Presente do Indicativo: arreio, arreias, arreia, arrea-
III – Futuro: indica relação de posterioridade. O proces- mos, arreais, arreiam.
so ainda vai ocorrer, é posterior à fala. Presente do Subjuntivo: arreie, arreies, arreie, arree-
mos, arreeis, arreiem.
Tempos complexos: ocorrem quando há dois proces- Imperativo Afirmativo: arreia, arreie, arreemos, arreai,
sos. Além de estabelecer relação entre os dois processos e arreiem.
o momento da comunicação, deve-se estabelecer relação Imperativo Negativo: não arreies, não arreie, não arree-
entre os dois processos entre si. mos, não arreeis, não arreiem.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei, arreaste, Imperativo Negativo: não anseies, não anseie, não
arreou, arreamos, arreastes, arrearam. ansiemos, não ansieis, não anseiem.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arreara, arre- Pretérito Perfeito do Indicativo: ansiei, ansiaste,
aras, arreara, arreáramos, arreáreis, arrearam. ansiou, ansiamos, ansiastes, ansiaram.
Futuro do Subjuntivo: arrear, arreares, arrear, arrear- Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: ansiara,
mos, arreardes, arrearem. ansiaras, ansiara, ansiáramos, ansiáreis, ansiaram.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arreasse, arreas- Futuro do Subjuntivo: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
BRUNO PILASTRE

ses, arreasse, arreássemos, arreásseis, arreassem. mos, ansiardes, ansiarem.


Futuro do Presente: arrearei, arrearás, arreará, arrea- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: ansiasse, ansias-
remos, arreareis, arrearão. ses, ansiasse, ansiássemos, ansiásseis, ansiassem.
Futuro do Pretérito: arrearia, arrearias, arrearia, arre- Futuro do Presente: ansiarei, ansiarás, ansiará,
aríamos, arrearíeis, arreariam. ansiaremos, ansiareis, ansiarão.
Infinitivo Pessoal: arrear, arreares, arrear, arrearmos, Futuro do Pretérito: ansiaria, ansiarias, ansiaria,
arreardes, arrearem. ansiaríamos, ansiaríeis, ansiariam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arreava, arreavas, Infinitivo Pessoal: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
arreava, arreávamos, arreáveis, arreavam. mos, ansiardes, ansiarem.
Formas Nominais: arrear, arreando, arreado. Pretérito Imperfeito do Indicativo: ansiava, ansiavas,
  ansiava, ansiávamos, ansiáveis, ansiavam.
Arriar Formas Nominais: ansiar, ansiando, ansiado.
 
Verbo regular da 1ª conjugação. Significa fazer descer. Haver
Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -iar,
menos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar. Verbo irregular da 2ª conjugação. Varia no radical e nas
Presente do Indicativo: arrio, arrias, arria, arriamos, desinências.
arriais, arriam. Presente do Indicativo: hei, hás, há, havemos, haveis,
Presente do Subjuntivo: arrie, arries, arrie, arriemos, hão.
arrieis, arriem. Presente do Subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos,
Imperativo Afirmativo: arria, arrie, arriemos, arriai, hajais, hajam.
arriem. Imperativo Afirmativo: há, haja, hajamos, havei,
Imperativo Negativo: não arries, não arrie, não arrie- hajam.
mos, não arrieis, não arriem. Imperativo Negativo: não hajas, não haja, não haja-
Pretérito Perfeito do Indicativo: arriei, arriaste, arriou, mos, não hajais, não hajam.
arriamos, arriastes, arriaram. Pretérito Perfeito do Indicativo: houve, houveste,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arriara, arria- houve, houvemos, houvestes, houveram.
ras, arriara, arriáramos, arriáreis, arriaram. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: houvera,
Futuro do Subjuntivo: arriar, arriares, arriar, arriar- houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram.
mos, arriardes, arriarem. Futuro do Subjuntivo: houver, houveres, houver, hou-
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arriasse, arriasses, vermos, houverdes, houverem.
arriasse, arriássemos, arriásseis, arriassem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: houvesse, houves-
Futuro do Presente: arriarei, arriarás, arriará, arriare- ses, houvesse, houvéssemos, houvésseis, houvessem.
mos, arriareis, arriarão. Futuro do Presente: haverei, haverás, haverá, have-
Futuro do Pretérito: arriaria, arriarias, arriaria, arriarí- remos, havereis, haverão.
amos, arriaríeis, arriariam. Futuro do Pretérito: haveria, haverias, haveria, have-
Infinitivo Pessoal: arriar, arriares, arriar, arriarmos, ríamos, haveríeis, haveriam.
arriardes, arriarem. Infinitivo Pessoal: haver, haveres, haver, havermos,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arriava, arriavas, haverdes, haverem.
arriava, arriávamos, arriáveis, arriavam. Pretérito Imperfeito do Indicativo: havia, havias, havia,
Formas Nominais: arriar, arriando, arriado. havíamos, havíeis, haviam.
  Formas Nominais: haver, havendo, havido.
Ansiar  
Reaver
Verbo irregular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-
-se mediar, remediar, incendiar e odiar. Variam no radical, Verbo defectivo da 2ª conjugação. Faltam-lhe as formas
que recebe um e nas formas rizotônicas. rizotônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser
Presente do Indicativo: anseio, anseias, anseia, substituídas pelas do verbo recuperar.
ansiamos, ansiais, anseiam. Presente do Indicativo: ///, ///, ///, reavemos, reaveis,
Presente do Subjuntivo: anseie, anseies, anseie, ///.
ansiemos, ansieis, anseiem. Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: anseia, anseie, ansiemos, Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, reavei vós, ///.
ansiai, anseiem. Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: reouve, reouveste, restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue
reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram. a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: reouvera, como escrever.
reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, reouve- Presente do Indicativo: provejo, provês, provê, pro-
ram. vemos, provedes, provêem.
Futuro do Subjuntivo: reouver, reouveres, reouver, Presente do Subjuntivo: proveja, provejas, proveja,

LÍNGUA PORTUGUESA
reouvermos, reouverdes, reouverem. provejamos, provejais, provejam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: reouvesse, reou- Imperativo Afirmativo: provê, proveja, provejamos,
vesses, reouvesse, reouvéssemos, reouvésseis, reou- provede, provejam.
vessem. Imperativo Negativo: não provejas, não proveja,
Futuro do Presente: reaverei, reaverás, reaverá, rea- não provejamos, não provejais, não provejam.
veremos, reavereis, reaverão. Pretérito Perfeito do Indicativo: provi, proveste,
Futuro do Pretérito: reaveria, reaverias, reaveria, rea- proveu, provemos, provestes, proveram.
veríamos, reaveríeis, reaveriam. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: provera,
Infinitivo Pessoal: reaver, reaveres, reaver, reaver-
proveras, provera, provêramos, provêreis, proveram.
mos, reaverdes, reaverem.
Futuro do Subjuntivo: prover, proveres, prover,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: reavia, reavias,
provermos, proverdes, proverem.
reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: provesse, pro-
Formas Nominais: reaver, reavendo, reavido.
vesses, provesse, provêssemos, provêsseis, proves-
sem.
Precaver
Futuro do Presente: proverei, proverás, proverá,
Verbo defectivo da 2ª conjugação, quase sempre usado proveremos, provereis, proverão.
pronominalmente (precaver-se). Faltam-lhe as formas rizo- Futuro do Pretérito: proveria, proverias, proveria,
tônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser proveríamos, proveríeis, proveriam.
substituídas pelas dos verbos acautelar-se, prevenir-se. Infinitivo Pessoal: prover, proveres, prover, prover-
As formas existentes são conjugadas regularmente, ou seja, mos, proverdes, proverem.
seguem a conjugação de qualquer verbo regular terminado Pretérito Imperfeito do Indicativo: provia, provias,
em -er, como escrever. provia, províamos, províeis, proviam.
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, precavemos, preca- Formas Nominais: prover, provendo, provido.
veis, ///.  
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Requerer
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, prevavei vós, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///. Verbo irregular da 2ª conjugação que significa pedir,
Pretérito Perfeito do Indicativo: precavi, precaveste, solicitar, por meio de requerimento. Varia no radical.
precaveu, precavemos, precavestes, precaveram. No presente do indicativo, no presente do subjuntivo, no
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: precavera, imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem con-
precavera, precavera, precavêramos, precavêreis, pre- jugação idêntica à do verbo querer, com exceção da 1ª
caveram. pessoa do singular do presente do indicativo (eu requeiro);
Futuro do Subjuntivo: precaver, precaveres, preca- no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja,
ver, precavermos, precaverdes, precaverem. segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: precavesse, preca- em -er, como escrever.
vesses, precavesse, precavêssemos, precavêsseis, pre- Presente do Indicativo: requeiro, requeres, requer,
cavessem. requeremos, requereis, requerem.
Futuro do Presente: precaverei, precaverás, preca-
Presente do Subjuntivo: requeira, requeiras,
verá, precaveremos, precavereis, precaverão.
requeira, requeiramos, requeirais, requeiram.
Futuro do Pretérito: precaveria, precaverias, precave-
Imperativo Afirmativo: requere, requeira, requeira-
ria, precaveríamos, precaveríeis, precaveriam.
mos, requerei, requeiram.
Infinitivo Pessoal: precaver, precaveres, precaver,
Imperativo Negativo: não requeiras, não requeira,
precavermos, precaverdes, precaverem.
não requeiramos, não requeirais, não requeiram.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: precavia, precavias,
Pretérito Perfeito do Indicativo: requeri, requereste,
precavia, precavíamos, precavíeis, precaviam.
Formas Nominais: precaver, precavendo, precavido. requereu, requeremos, requerestes, requereram.
  Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: requerera,
Prover requereras, requerera, requerêramos, requerêreis,
requereram.
Verbo irregular da 2ª conjugação que significa abas- Futuro do Subjuntivo: requerer, requereres, reque-
tecer. Varia nas desinências. No presente do indicativo, no rer, requerermos, requererdes, requererem.
presente do subjuntivo, no imperativo afirmativo e no impe-
rativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo ver; no

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Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: requeresse, Futuro do Subjuntivo: colorir, colorires, colorir,
requeresses, requeresse, requerêssemos, requerês- colorirmos, colorirdes, colorirem.
seis, requeressem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: colorisse, colo-
Futuro do Presente: requererei, requererás, reque- risses, colorisse, coloríssemos, colorísseis, coloris-
rerá, requereremos, requerereis, requererão. sem.
Futuro do Pretérito: requereria, requererias, reque- Futuro do Presente: colorirei, colorirás, colorirá,
reria, requereríamos, requereríeis, requereriam. coloriremos, colorireis, colorirão.
BRUNO PILASTRE

Infinitivo Pessoal: requerer, requereres, requerer, Futuro do Pretérito: coloriria, coloririas, coloriria,
requerermos, requererdes, requererem. coloriríamos, coloriríeis, coloririam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: requeria, reque- Infinitivo Pessoal: colorir, colorires, colorir, colo-
rias, requeria, requeríamos, requeríeis, requeriam. rirmos, colorirdes, colorirem.
Formas Nominais: requerer, requerendo, reque- Pretérito Imperfeito do Indicativo: coloria, colorias,
rido. coloria, coloríamos, coloríeis, coloriam.
Formas Nominais: colorir, colorindo, colorido.
Verbos defectivos 1  
Falir
Colorir
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe as
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe a 1ª formas rizotônicas do Presente do Indicativo e as formas
pessoa do singular do Presente do Indicativo e as formas delas derivadas. Como ele, conjugam-se:
derivadas dela. Como ele, conjugam-se os verbos: aguerrir (tornar valoroso)
abolir adequar
aturdir (atordoar) combalir (tornar debilitado)
brandir (acenar, agitar a mão) embair (enganar)
banir empedernir (petrificar, endurecer)
carpir esbaforir-se
delir (apagar) espavorir
demolir foragir-se
exaurir (esgotar, ressecar) remir (adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar,
explodir recuperar-se de uma falha), renhir (disputar)
fremir (gemer) transir (trespassar, penetrar)
haurir (beber, sorver)
delinquir Falir
extorquir
puir (desgastar, polir) Presente do Indicativo: ///, ///, ///, falimos, falis, ///.
ruir Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
retorquir (replicar, contrapor) Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, fali, ///.
latir Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
urgir (ser urgente) Pretérito Perfeito do Indicativo: fali, faliste, faliu,
tinir (soar) falimos, falistes, faliram.
pascer (pastar) Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: falira, fali-
ras, falira, falíramos, falíreis, faliram.
Colorir Futuro do Subjuntivo: falir, falires, falir, falirmos,
falirdes, falirem.
Presente do Indicativo: ///, colores, colore, colori- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: falisse, falisses,
mos, coloris, colorem. falisse, falíssemos, falísseis, falissem.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Presente: falirei, falirás, falirá, faliremos,
Imperativo Afirmativo: colore, ///, ///, colori, ///. falireis, falirão.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Pretérito: faliria, falirias, faliria, faliría-
Pretérito Perfeito do Indicativo: colori, coloriste, mos, faliríeis, faliriam.
coloriu, colorimos, coloris, coloriram. Infinitivo Pessoal: falir, falires, falir, falirmos, falir-
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: colorira, des, falirem.
coloriras, colorira, coloríramos, coloríreis, coloriram. Pretérito Imperfeito do Indicativo: falia, falias, falia,
falíamos, falíeis, faliam.
1
Diz-se do verbo que não apresenta todas as formas do paradigma a que Formas Nominais: falir, falindo, falido.
pertence.

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Processo de criação de palavras (derivação) Vejamos a definição de cada uma delas:

A derivação é o processo pelo qual se originam vocá- Substantivo


bulos uns de outros, mediante a inserção ou extração de Classe de palavras com que se denominam os seres,
afixos. Pode ocorrer por: animados ou inanimados, concretos ou abstratos, os estados,
Processo Exemplificação
as qualidades, as ações.

LÍNGUA PORTUGUESA
Qualquer morfema susceptível de ser antecedido por
Prefixação ou sufixação: Infeliz (prefixação: in- + feliz)
outro da classe dos determinantes, compondo com ele um
Felizmente (sufixação: feliz +
-mente)
sintagma nominal.

Prefixação e sufixação: Infelizmente (prefixação e sufi-


Adjetivo
xação).
Que serve para modificar um substantivo, acrescentando
Derivação imprópria: forma- Passagem do substantivo pró-
uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que
ção de palavras por meio da prio para o comum (barnabé,
ele nomeia (diz-se de palavra, locução, oração, pronome).
mudança da categoria gra- benjamim, cristo), de substan-
matical sem a modificação da tivo comum a próprio (Oliveira, Palavra que se junta ao substantivo para modificar o seu
forma. Leão), de adjetivo a substan- significado, acrescentando-lhe noções de qualidade, natu-
tivo (barroco, tônica), de subs- reza, estado etc.
tantivo a adjetivo ou apositivo
(burro, rosa, padrão, D. João Verbo
V), de verbo a substantivo (o Classe de palavras que, do ponto de vista semântico,
fazer, o dizer).
contêm as noções de ação, processo ou estado, e, do ponto
Derivação parassintética: for- aclarar < claro de vista sintático, exercem a função de núcleo do predicado
mação de palavras em que se entardecer < tarde das sentenças.
verifica prefixação e sufixação
Nas línguas flexionais e aglutinantes, palavra perten-
simultaneamente.
cente a um paradigma cujas flexões indicam algumas cate-
gorias, como o tempo (que localiza ação, processo ou estado
Derivação regressiva: criação abalo, de abalar
em relação ao momento da fala), a pessoa (indica o emis-
de um substantivo pela elimi- saque, de sacar
sor, o destinatário ou o ser sobre o qual se fala), o número
nação de sufixo da palavra
derivante, e acréscimo de uma (indica se o sujeito gramatical é singular ou plural), o modo
vogal temática. (indica a atitude do emissor quanto ao fato por ele enunciado,
que pode ser de certeza, dúvida, temor, desejo, ordem etc.),
Derivação própria: forma- livraria, livreiro < livro
ção de palavras por meio da infeliz < feliz a voz (indica se o sujeito gramatical é agente, paciente ou, ao
adição de sufixos derivacio- mesmo tempo, agente e paciente da ação), o aspecto (for-
nais a um radical. nece detalhes a respeito do modo de ser da ação, se é unitá-
Aglutinação: reunião em um aguardente por água + ardente ria, momentânea, prolongada, habitual etc.).
só vocábulo, com significado pernalta por perna + alta
independente, de dois ou mais Advérbio
vocábulos distintos; ocorre Palavra invariável que funciona como um modificador
perda de fonemas e especial- de um verbo (dormir pouco), um adjetivo (muito bom), um
mente de acento de um dos outro advérbio (deveras astuciosamente), uma frase (feliz-
vocábulos aglutinados.
mente ele chegou), exprimindo circunstância de tempo,
Justaposição: reunião, em laranja-pera modo, lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, afirma-
uma só palavra com signifi- porta-malas ção, negação, dúvida, aprovação etc.
cado independente, de pala- madrepérola
vras distintas que conservam, cantochão
Pronome
cada uma, sua integridade
fonética. Palavra que representa um nome, um termo usado com
a função de um nome, um adjetivo ou toda uma oração que a
As classes de palavras segue ou antecede.

Há dez classes de palavras em português:
Preposição
1) Substantivo Palavra gramatical, invariável, que liga dois elementos
2) Adjetivo de uma frase, estabelecendo uma relação entre eles.
3) Verbo
4) Advérbio Artigo
5) Pronome Subcategoria de determinantes do nome. Em português,
6) Preposição é sempre anteposto ao substantivo.
7) Artigo
8) Numeral Numeral
9) Conjunção Diz-se de ou classe de palavras que indica quantidade
10) Interjeição numérica.

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Conjunção
Vocábulo ou sintagma invariável, usado para ligar uma
oração subordinada à sua principal, ou para coordenar perí-
odos ou sintagmas do mesmo tipo ou função.

Interjeição
Palavra invariável ou sintagma que formam, por si sós,
BRUNO PILASTRE

frases que exprimem uma emoção, uma sensação, uma


ordem, um apelo ou descrevem um ruído (por exemplo:
psiu!, oh!, coragem!, meu Deus!).

A seção a seguir tem por objetivo proporcionar a você,


estudante, uma técnica eficaz de identificação das classes
A definição semântica não é suficientemente adequada
gramaticais mais importantes.
para definir substantivo, adjetivo e verbo.

Identificação das classes gramaticais


Caminho teórico mais coerente: explicações de cará-
ter formal e sintático (e morfossintático).
Iniciemos pela forma como as palavras são classifica-
das morfologicamente:
Os critérios mórfico (ou formal) e sintático para
Forma: define-se segundo os elementos estruturais
classificação morfológica
que vierem a compor ou a decompor paradigmaticamente
as palavras.
Tais ocorrências envolvem “cortes verticais” no eixo
Função: conforme a posição ocupada no eixo sintag-
paradigmático? Envolve elementos estruturais das palavras
mático.
(gramemas dependentes, como desinências, afixos etc.)?
Sentido: depreende-se da relação entre ambas as
coisas, associado quase sempre a fatores de ordem extra-
Explicação mórfica: flexão e derivação.
linguística.
→ Substantivo
→ gato/gata
→ Adjetivo
→ moral/imoral/amoral
→ Verbo
→ Explicação sintática:
→ Advérbio
→ Personagem esquisita – um bonito personagem
→ Este pires – muitos pires.
Palavra-chave!
Quais palavras (independentemente de serem seres
Sintagmático: diz-se da relação entre unidades da língua que se
ou não) se deixam anteceder pelos determinantes?
encontram contíguas na cadeia da fala e não podem se substituir
mutuamente, pois têm funções diferentes (por exemplo, em céu Não é função popular impedir reajustes de preço na
azul e eles chegaram, a relação entre céu e azul, e entre eles e próxima temporada.
chegaram).
Paradigmático: relativo a ou que pertence a uma série de unida- → função
des que possuem traço(s) em comum e que podem se substituir → (os) reajustes
mutuamente num determinado ponto da cadeia da fala; asso- → (o) preço
ciativo.
→ temporada

IMPORTANTE: A força substantivadora dos determinantes é tão grande


que pode transformar qualquer palavra de qualquer outra
A língua não funciona em relação a um único eixo (paradigmático
categoria em substantivos.
ou sintagmático).
Adjetivo
Fator sintático (posição horizontal) Somente as palavras que são adjetivos aceitam o
sufixo –mente (originando, dessa forma, um advérbio).
→ homem grande/grande homem
→ funcionário novo/novo funcionário IMPORTANTE:
Todo adjetivo é palavra variável em gênero e/ou número e
Mudança no eixo paradigmático também altera a cons-
deixa-se articular (ou modificar) por outra que seja advérbio.
trução de sentido, ainda que a classificação permaneça inal- ou
terada. É adjetivo toda palavra variável em gênero e/ou número que se
deixar anteceder por “tão” (ou por qualquer intensificador como
→ Este é o romance mais bonito de Jorge Amado. bem ou muito, dependendo do contexto).
→ Este é o barco mais bonito de Jorge Amado.

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Como exercício, encontre os adjetivos nestas sentenças: Oração é uma frase, ou membro de frase, que contém
um verbo (ou locução verbal 2). A oração pode ser coorde-
→ Não é função _____ popular___ impedir reajustes de nada ou subordinada:
preço na _____ próxima___ temporada. O João chegou e já se sentou.
→ Ele não é _____ homem para isso. O governo afirmou que as políticas públicas serão mais
eficazes.

LÍNGUA PORTUGUESA
A resolução está organizada a seguir:
O período é uma frase que contém uma ou mais ora-
Não é função (tão) popular(es) impedir reajustes de ções. Inicia-se por letra maiúscula e encerra-se por ponto final
preço na (tão) próxima(s) temporada. (ou equivalente).
Ele não é (tão) homem para isso.
A ordem dos termos
IMPORTANTE:
Em português, as sentenças são organizadas na ordem
Constatar a flexão e a articulação com o substantivo são
(direta):
procedimentos fundamentais para distinguir o adjetivo do
advérbio.
Sujeito – Verbo – Objeto (complemento) – Adjuntos

Verbo O governo investiu R$ 100 milhões em educação no ano


O verbo, na língua portuguesa, constitui a classe de passado.
maior riqueza formal e, por esse critério, torna-se facilmente
identificável. Vozes do verbo
Apenas os verbos articulam-se com os pronomes pes-
soais do caso reto (Eu, Tu, Ele/Ela, Nós, Vós, Eles/Elas). Vozes são a forma em que se apresenta o verbo para
indicar a relação que há entre ele e o seu sujeito. Em língua
Advérbio portuguesa, há três tipos de voz: ativa, passiva e reflexiva.
No eixo sintagmático: articula-se com verbos, adjetivos Vejamos a definição de cada uma:
e advérbios.
1. Voz ativa
→ Ela fala bem. Voz do verbo em que o sujeito pratica a ação (por exem-
→ Ela parece extremamente cansada. plo, João cortou a árvore)
→ Ela fala muito bem.
2. Voz passiva
Voz do verbo na qual o sujeito da oração recebe a inter-
IMPORTANTE:
pretação de paciente, em lugar da de agente da ação verbal
É advérbio toda palavra invariável em gênero e/ou número (por exemplo, Pedro foi demitido)
que se deixa anteceder por TÃO (ou por bem, ou por muito,
dependendo do contexto). 2.1. Voz passiva analítica
Voz passiva com o verbo principal na forma de particípio
e com verbo auxiliar (ser, estar, andar etc.) recebendo as
CAPÍTULO 3 – SINTAXE
indicações de tempo, modo e concordância.
O sujeito equivale ao objeto direto da ativa correspon-
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
dente, e o sintagma agentivo, opcional, vem precedido de por:
O cocheiro foi mordido (pelo cavalo).
Frase, período e oração
2.2. Voz passiva sintética
Frase é a construção que encerra um sentido com-
Voz passiva com o verbo na terceira pessoa construído
pleto, podendo ser formada por uma ou mais palavras, com
com o pronome apassivador se, sem indicação do agente.
ou sem verbo, ou por uma ou mais orações; pode ser afirma-
Por exemplo:
tiva, negativa, interrogativa, exclamativa ou imperativa.
Não se encontrou nenhum vestígio de vinho no copo.
Vejamos alguns exemplos:
Vendem-se livros usados.
→ Pare!
→ Fogo!
3. Voz reflexiva
→ Parada de ônibus.
Voz com verbo na forma ativa tendo como complemento
→ Vendem-se casas.
um pronome reflexivo, indicando a identidade entre quem pro-
→ A Maria disse que o João voltará amanhã.
voca e quem sofre a ação verbal:
→ O governo não dará continuidade à política de sane-
amento básico.
→ Os dirigentes chegaram? 2
Conjunto de palavras que equivalem a um só vocábulo, por terem sig-
→ Isso é um absurdo! nificado, conjunto próprio e função gramatical única. O João vai chegar
→ Adicione duas xícaras de leite. cedo.

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Feri-me. Este é um carro que tem muita força e que pode
Eles se prejudicaram. alcançar grande velocidade.

O sujeito Nessa última frase, coordenamos dois sintagmas adje-


Sujeito é termo da oração sobre o qual recai a predi- tivais derivados.
cação da oração e com o qual o verbo concorda. Pode ser: Por fim, é também importante destacar que ambas as
formas são perfeitamente aceitáveis, pois nenhuma das
BRUNO PILASTRE

I – Indeterminado: frases fere a integridade sintática do sistema linguístico. A


→ Pedro, disseram-me que você falou mal de mim. escolha entre ambas é uma questão estilística.
→ Precisa-se de empregados (índice de indetermina-
ção do sujeito). CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Vive-se bem aqui (índice de indeterminação do sujeito).
A exposição dos conteúdos a seguir (Concordância
II – Impessoal: Nominal e Verbal, Regência Verbal e Nominal e Relações
Há bons livros na livraria. Faz frio. Chove. de Coordenação e Subordinação entre orações e entre
termos da oração) será baseada nas orientações do Manual
III – Explicitado lexicalmente: de Redação da Presidência República. Optamos por essa
→ O sol é um astro luminoso. abordagem pelo fato de a obra de referência (Manual da
Presidência) ser objetiva, sintética e completa.
IV – Explicitado pronominalmente:
→ Eu estudo no colégio Dom Pedro II. Concordância

V – Desinencial: Concordância é o processo sintático segundo o qual


→ Brincamos todos os dias na praça. certas palavras se flexionam, na sua forma, às palavras de
que dependem.
As formas pronominais retas (as quais ocupam a posi- Veremos que essa flexão ocorre quanto a gênero e
ção de sujeito) são as seguintes: número (nos adjetivos – nomes ou pronomes), números e
→ 1ª pessoa (singular ou plural): eu – nós. pessoa (nos verbos). Iniciemos pela Concordância Verbal,
→ 2ª pessoa (singular ou plural): tu – vós. mais extensa.
→ 3ª pessoa (singular ou plural): ele – eles.
Concordância Verbal
Paralelismo sintático
A regra geral para a concordância é a seguinte: o verbo
Paralelismo sintático é a identidade de estrutura numa concorda com seu sujeito em pessoa e número.
sucessão de frases. Vejamos a frase a seguir: Se o sujeito for simples, isto é, se tiver apenas um
O esforço é grande e o homem é pequeno. núcleo, com ele concorda o verbo em pessoa e número.
Vejamos os exemplos:
Nessa frase, há uma simetria estrutural entre as duas → O Chefe da Seção pediu maior assiduidade.
orações. Ambas são estruturadas por um verbo de ligação e → A inflação deve ser combatida por todos.
um predicativo do sujeito. → Os servidores do Ministério concordaram com a
Segundo Azeredo (2008), paralelismo sintático é a proposta.
perfeita correlação na estrutura sintática da frase. Como a
coordenação é um processo que encadeia valores sintáticos Quando o sujeito for composto, ou seja, possuir mais
idênticos, presume-se que os elementos sintáticos coorde- de um núcleo, o verbo vai para o plural e para a pessoa que
nados entre si devam apresentar, em princípio, estruturas tiver primazia, na seguinte ordem: a 1ª pessoa tem priori-
gramaticais similares. Portanto, a coordenação sintática dade sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª sobre a 3ª; na ausência de uma
deve comportar constituintes do mesmo tipo. e outra, o verbo vai para a 3ª pessoa.
É muito importante observar que o paralelismo sintático → Eu e Maria queremos viajar em maio.
não se enquadra em uma norma gramatical rígida. É possí- → Eu, tu e João somos amigos.
vel construir sentenças na língua que não seguem o princí- → O Presidente e os Ministros chegaram logo.
pio do paralelismo:
Este é um carro possante e que alcança grande velo- Em concursos públicos, há certas estruturas recorren-
cidade. temente cobradas. Vejamos, a seguir, algumas questões
que costumam suscitar dúvidas quanto à correta concordân-
Veja que nessa frase coordenamos termos de nature- cia verbal.
zas distintas: um sintagma adjetival básico (possante) e um
sintagma adjetival derivado (que alcança grande veloci- a) Há três casos de sujeito inexistente:
dade). Respeitar-se-ia o princípio do paralelismo se a frase 1. com verbos de fenômenos meteorológicos:
tivesse a seguinte estrutura: Choveu (geou, ventou...) ontem.

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2. em que o verbo haver é empregado no sentido de d) O substantivo que se segue à expressão um e
existir ou de tempo transcorrido: outro fica no singular, mas o verbo pode empregar-se no
Haverá descontentes no governo e na oposição. singular ou no plural:
Havia cinco anos não ia a Brasília. → Um e outro decreto trata da mesma questão jurí-
dica.
Para certificar-se de que esse haver é impessoal, Ou:

LÍNGUA PORTUGUESA
basta recorrer ao singular do indicativo: Se há ( e nunca: → Um e outro decreto tratam da mesma questão jurí-
*hão) dúvidas... Há (e jamais: * Hão) descontentes... dica.

3. em que o verbo fazer é empregado no sentido de e) As locuções um ou outro, ou nem um, nem outro,
tempo transcorrido: seguidas ou não de substantivo, exigem o verbo no singu-
Faz dez dias que não durmo. lar:
Semana passada fez dois meses que iniciou a apura-
ção das irregularidades. → Uma ou outra opção acabará por prevalecer.
→ Nem uma, nem outra medida resolverá o pro-
blema.
IMPORTANTE:
→ Fazem cinco anos que não vou a Brasília. (Inadequado) f) No emprego da locução um dos que, admite-se
→ Faz cinco anos que não vou a Brasília. (Adequado) dupla sintaxe, verbo no singular ou verbo no plural (preva-
lece este no uso atual):
São muito frequentes os erros de pessoalização dos verbos → Um dos fatores que influenciaram (ou influen-
haver e fazer em locuções verbais (ou seja, quando acompanha- ciou) a decisão foi a urgência de obter resultados concre-
dos de verbo auxiliar). Nestes casos, os verbos haver e fazer tos.
transmitem sua impessoalidade ao verbo auxiliar: → A adoção da trégua de preços foi uma das medidas
→ Vão fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
que geraram (ou gerou) mais impacto na opinião pública.
(Inadequado)
→ Vai fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
(Adequado)
g) O verbo que tiver como sujeito o pronome relativo
quem tanto pode ficar na terceira pessoa do singular, como
→ Depois das últimas chuvas, podem haver centenas de concordar com a pessoa gramatical do antecedente a que
desabrigados. (Inadequado) se refere o pronome:
→ Depois das últimas chuvas, pode haver centenas de desa- → Fui eu quem resolveu a questão.
brigados. (Adequado) – ou:
→ Fui eu quem resolvi a questão.
→ Devem haver soluções urgentes para estes problemas.
(Inadequado) h) Verbo apassivado pelo pronome se deve concordar
→ Deve haver soluções urgentes para estes problemas.
com o sujeito que, no caso está sempre expresso e vem
(Adequado)
a ser o paciente da ação ou o objeto direto na forma ativa
correspondente:
→ Vendem-se apartamentos funcionais e residências
b) Concordância facultativa com sujeito mais próximo:
oficiais.
quando o sujeito composto figurar após o verbo, pode este
→ Para obterem-se resultados são necessários sacri-
flexionar-se no plural ou concordar com o elemento mais
fícios.
próximo.
→ Venceremos eu e você.
Compare:
Ou:
apartamentos são vendidos vendem apartamentos
→ Vencerei eu e você.
resultados são obtidos obtiveram resultados
Ou, ainda:
→ Vencerá você e eu. Verbo transitivo indireto (isto é, que rege preposição)
fica na terceira pessoa do singular; o se, no caso, não é
c) Quando o sujeito composto for constituído de pala- apassivador pois verbo transitivo indireto não é apassivá-
vras sinônimas (ou quase), formando um todo indiviso, ou vel:
de elementos que simplesmente se reforçam, a concordân- → *O prédio é carecido de reformas.
cia é facultativa, ou com o elemento mais próximo ou com a → *É tratado de questões preliminares. Assim, o
ideia plural contida nos dois ou mais elementos: adequado é:
→ A sociedade, o povo une-se para construir um país → Assiste-se a mudanças radicais no País. (E não
mais justo. *Assistem-se a...)
Ou então: → Precisa-se de homens corajosos para mudar o
→ A sociedade, o povo unem-se para construir um País. (E não *Precisam-se de...)
país mais justo. → Trata-se de questões preliminares ao debate. (E
não *Tratam-se de...)

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i) Expressões de sentido quantitativo (grande número CONCORDÂNCIA NOMINAL
de, grande quantidade de, parte de, grande parte de, a
maioria de, a maior parte de, etc.) acompanhadas de com- A regra geral de concordância nominal é a seguinte:
plemento no plural admitem concordância verbal no singular adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais con-
ou no plural. Nesta última hipótese, temos “concordância cordam em gênero e número com os substantivos de que
ideológica”, por oposição à concordância lógica, que se faz dependem:
com o núcleo sintático do sintagma (ou locução) nominal (a → Todos os outros duzentos processos examinados...
BRUNO PILASTRE

maioria + de...): → Todas as outras duzentas causas examinadas...


→ A maioria dos condenados acabou (ou acabaram)
por confessar sua culpa. Vejamos, a seguir, alguns casos que suscitam dúvida:
→ Um grande número de Estados aprovaram (ou
aprovou) a Resolução da ONU. a) anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam
→ Metade dos Deputados repudiou (ou repudiaram) com o substantivo em gênero e número:
as medidas. → Anexa à presente Exposição de Motivos, segue
minuta de Decreto.
j) Concordância do verbo ser: segue a regra geral → Vão anexos os pareceres da Consultoria Jurídica.
(concordância com o sujeito em pessoa e número), mas nos → Remeto inclusa fotocópia do Decreto.
seguintes casos é feita com o predicativo: Silenciar nesta circunstância seria crime de lesa-pátria
(ou de leso-patriotismo).
1. quando inexiste sujeito:
→ Hoje são dez de julho. b) a olhos vistos é locução com função adverbial, inva-
→ Agora são seis horas. riável, portanto:
→ Do Planalto ao Congresso são duzentos metros. → Lúcia envelhecia a olhos vistos.
→ Hoje é dia quinze. → A situação daquele setor vem melhorando a olhos
vistos.
2. quando o sujeito refere-se a coisa e está no singular
e o predicativo é substantivo no plural: c) possível: em expressões superlativas, este adjetivo
→ Minha preocupação são os despossuídos. ora aparece invariável, ora flexionado (embora no portu-
→ O principal erro foram as manifestações extempo- guês, moderno se prefira empregá-lo no plural):
râneas. → As características do solo são as mais variadas pos-
síveis.
3. quando os demonstrativos tudo, isto, isso, aquilo → As características do solo são as mais variadas pos-
ocupam a função de sujeito: sível.
→ Tudo são comemorações no aniversário do muni-
cípio. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Isto são as possibilidades concretas de solucionar
o problema. Em gramática, regência sinônimo de dependência,
→ Aquilo foram gastos inúteis. subordinação. Desse modo, a sintaxe de regência trata das
relações de dependência que as palavras mantêm na frase.
4. quando a função de sujeito é exercida por palavra ou Dizemos que um termo rege o outro que o complementa.
locução de sentido coletivo: a maioria, grande número, a Numa frase, os termos regentes ou subordinantes
maior parte, etc. (substantivos, adjetivos, verbos) regem os termos regidos
→ A maioria eram servidores de repartições extintas. ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que
→ Grande número (de candidatos) foram reprovados lhes completam o sentido.
no exame de redação.
→ A maior parte são pequenos investidores. Termos Regentes Termos Regidos
amar, amor a Deus.
5. quando um pronome pessoal desempenhar a função insistiu, insistência em falar.
persuadiu o Senador a que votasse.
de predicativo:
obediente, obediência à lei.
→ Naquele ano, o assessor especial fui eu.
cuidado, cuidadoso com a revisão do texto.
→ O encarregado da supervisão és tu. ouvir música
→ O autor do projeto somos nós.
Como se vê pelos exemplos acima, os termos regentes
Nos casos de frases em que são empregadas expres- podem ser substantivos e adjetivos (regência nominal) ou
sões é muito, é pouco, é mais de, é menos de o verbo ser verbos (regência verbal), e podem reger outros substanti-
fica no singular: vos e adjetivos ou preposições.
→ Três semanas é muito. Em concursos públicos, sabemos que as dúvidas mais
→ Duas horas é pouco. frequentes quanto à regência estão relacionadas à necessi-
→ Trezentos mil é mais do que eu preciso. dade de determinada palavra reger preposição, e qual deve
ser essa preposição.

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Vejamos, a seguir, alguns casos de regência verbal Comparecer
que costumam criar dificuldades na língua escrita – e, (Comparecer a (ou em) algum lugar ou evento):
claro, são constantemente cobradas em provas. → Compareci ao(ou no) local indicado nas instruções.
→ A maioria dos delegados compareceu à (ou na)
Regência de alguns verbos de uso frequente reunião.

LÍNGUA PORTUGUESA
Anuir Compartilhar
(Concordar, condescender: transitivo indireto com a (Compartilhar alguma (ou de alguma) coisa):
preposição a): → O povo brasileiro compartilha os (ou dos) ideais
→ Todos anuíram àquela proposta. de preservação ambiental do Governo.
→ O Governo anuiu de boa vontade ao pedido do sin-
dicato. Consistir
(Consistir em alguma coisa (consistir de é angli-
Aproveitar cismo)):
(Aproveitar alguma coisa ou aproveitar-se de alguma → O plano consiste em promover uma trégua de
coisa): preços por tempo indeterminado.
→ Aproveito a oportunidade para manifestar repúdio
ao tratamento dado a esta matéria. Custar
→ O relator aproveitou-se da oportunidade para emitir (No sentido usual de ter valor, valer):
sua opinião sobre o assunto. → A casa custou um milhão de cruzeiros.
(No sentido de ser difícil, este verbo se usa na 3ª
Aspirar pessoa do sing., em linguagem culta formal):
(No sentido de respirar, é transitivo direto): → Custa-me entender esse problema.
→ Aspiramos o ar puro da montanha. Aspirá-lo. (Eu) custo a entender esse problema.
(No sentido de desejar ardentemente, de pretender, [é linguagem oral, escrita informal, etc.]
é transitivo indireto, regendo a preposição a): → Custou-lhe aceitar a argumentação da oposição.
→ O projeto aspira à estabilidade econômica da [Como sinônimo de demorar, tardar – Ele custou a
sociedade. Aspira a ela. aceitar a argumentação da oposição – também é lingua-
→ Aspirar a um cargo. Aspirar a ele. gem oral, vulgar, informal.]

Assistir Declinar
(No sentido de auxiliar, ajudar, socorrer, é transitivo (Declinar de alguma coisa (no sentido de rejeitar)):
direto): → Declinou das homenagens que lhe eram devidas.
→ Procuraremos assistir os atingidos pela seca
(assisti-los). Implicar
→ O direito que assiste ao autor de rever sua posi- (No sentido de acarretar, produzir como consequ-
ção. O direito que lhe assiste... ência, é transitivo direto):
(No sentido de estar presente, comparecer, ver é → O Convênio implica a aceitação dos novos preços
transitivo indireto, regendo a preposição a): para a mercadoria.
→ Não assisti à reunião ontem. Não assisti a ela. [O Convênio implica na aceitação... – é inovação sin-
→ Assisti a um documentário muito interessante. tática bastante frequente no Brasil. Mesmo assim, aconse-
Assisti a ele. lha se manter a sintaxe originária: implica isso]
(Nesta acepção, o verbo não pode ser apassivado;
assim, em linguagem culta formal, é incorreta a frase): Incumbir
→ A reunião foi assistida por dez pessoas. (Incumbir alguém (incumbi-lo) de alguma coisa):
→ Incumbi o Secretário de providenciar a reserva
Atender das dependências.
→ O Prefeito atendeu ao pedido do vereador. (Ou incumbir a alguém (incumbir-lhe) alguma coisa):
→ O Presidente atendeu o Ministro (atendeu-o) em → O Presidente incumbiu ao Chefe do Cerimonial
sua reivindicação. preparar a visita do dignitário estrangeiro.
Ou
→ O Presidente atendeu ao Ministro (atendeu a ele) Informar
em sua reivindicação. (Informar alguém (informá-lo) de alguma coisa):
→ Informo Vossa Senhoria de que as providências
Avisar solicitadas já foram adotadas.
(Avisar alguém (avisá-lo) de alguma coisa): (Informar a alguém (informar-lhe) alguma coisa):
→ O Tribunal Eleitoral avisou os eleitores da neces- → Muito agradeceria informar à autoridade interes-
sidade do recadastramento. sada o teor da nova proposta.

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Obedecer Por regra, a crase somente ocorre antes de palavras
(Obedecer a alguém ou a alguma coisa (obedecer- femininas determinadas pelo artigo a(s) e subordinadas a
-lhe)): termos que requerem a preposição a. Portanto, dois fatores
→ As reformas obedeceram à lógica do programa de são determinantes. Vejamos:
governo.
→ É necessário que as autoridades constituídas obe- (i) Deve haver um termo que requer a preposição a.
deçam aos preceitos da Constituição. → Ele assistiu à cena.
BRUNO PILASTRE

→ Todos lhe obedecem. [verbo assistir rege a preposição a (assistir a)]


→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
Pedir à liberdade de expressão.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) alguma coisa): [o nome direito exige a preposição a]
→ Pediu ao assessor o relatório da reunião.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) que faça alguma coisa): (ii) A crase ocorrerá antes de palavras femininas deter-
[“Pedir a alguém para fazer alguma coisa” é lingua- minadas. Há, aqui, duas exigências:
gem oral, vulgar, informal.]
→ Ele assistiu à cena.
→ Pediu aos interessados (pediu-lhes) que (e não
*para que) procurassem a repartição do Ministério da Saúde.
Nessa frase, percebemos que cena é palavra feminina
(exigência (i)) e é determinada (ou seja: dentre um grande
Preferir
universo de cenas, alguém assistiu a uma cena específica,
(Preferir uma coisa (preferi-la) a outra (evite: “preferir
determinada) (exigência (ii)).
uma coisa do que outra”):
→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
→ Prefiro a democracia ao totalitarismo.
à liberdade de expressão.
Vale para a forma nominal preferível:
Isto é preferível àquilo (e não preferível do que...). Nessa frase, liberdade é palavra feminina e está
determinada (ou seja: dentre todas as formas de liberdade,
Propor-se fala-se da liberdade de expressão).
(Propor-se (fazer) alguma coisa ou a (fazer) alguma
coisa): RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO ENTRE
→ O decreto propõe-se disciplinar (ou a disciplinar) o ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO
regime jurídico das importações.
Tipos de Orações e Emprego de Conjunções
Referir
(No sentido de ‘relatar’ é transitivo direto): As conjunções são palavras invariáveis que ligam ora-
→ Referiu as informações (referiu-as) ao encarregado. ções, termos da oração ou palavras. Estabelecem relações
entre orações e entre os termos sintáticos, que podem ser
Visar de dois tipos:
(Com o sentido de ter por finalidade, a regência origi-
nária é transitiva indireta, com a preposição a. Tem-se admi- a) de coordenação de ideias de mesmo nível, e de
tido, contudo, seu emprego com o transitivo direto com essa elementos de idêntica função sintática;
mesma acepção): b) de subordinação, para estabelecer hierarquia entre
→ O projeto visa ao estabelecimento de uma nova ética as ideias, e permitir que uma oração complemente o sentido
social (visa a ele). Ou: visa o estabelecimento (visa-o). da outra.
→ As providências visavam ao interesse (ou o inte-
resse) das classes desfavorecidas.
Por esta razão, o uso apropriado das conjunções é de
grande importância: seu emprego indevido gera imprecisão
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
ou combinações errôneas de ideias. Esse é o ponto mais
avaliado em concursos públicos, uma vez que a substitui-
Crase designa, em termos de gramática normativa, a
ção de uma conjunção por outra pode ocasionar mudança
contração da preposição a com o artigo a(s), ou com os pro-
de sentido e incorreções.
nomes demonstrativos a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo.
Observe as frases abaixo:
→ Ele foi à padaria. Períodos Coordenados e Conjunções Coordenativas
[Ele foi a (preposição) + a (artigo) padaria]
→ Ninguém chegou àquele nível de compreensão. De acordo com a tradição gramatical, as conjunções
[Ninguém chegou a (preposição) + aquele (pronome coordenativas unem elementos de mesma natureza (subs-
demonstrativo) nível (...)] tantivo + substantivo; adjetivo + adjetivo; advérbio + advér-
bio; e oração + oração). Em períodos, as orações por elas
É muito importante observar que o acento grave ( ` ) introduzidas recebem a mesma classificação. Vejamos, nos
indica o fato linguístico crase. quadros a seguir, cada uma delas:

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Aditivas: relacionam pensamentos similares. São (iii) objetivas indiretas:
duas: e e nem. A primeira une duas afirmações; a segunda, → A liberação dos recursos depende de que o Minis-
duas negações: tro a autorize.
→ O Embaixador compareceu à reunião e manifestou o
interesse do seu governo no assunto. (iv) predicativas:
→ O Embaixador não compareceu à reunião, nem → O problema do projeto foi que ninguém previu
manifestou o interesse de seu governo no assunto. todas as suas consequências.

LÍNGUA PORTUGUESA
Adversativas: relacionam pensamentos que se opõem As orações subordinadas adjetivas desempenham a
ou contrastam. A conjunção adversativa por excelência é função de adjetivo, restringindo o sentido do substantivo a
mas. Outras palavras também têm força adversativa na rela- que se referem, ou simplesmente lhe acrescentando outra
ção entre ideias: porém, todavia, contudo, entretanto, no característica. São introduzidas pelos pronomes relativos
entanto. que, o (a) qual, quem, quanto, cujo, como, onde, quando.
→ O piloto gosta de automóveis, mas prefere deslocar- Podem ser, portanto:
-se em aviões.
→ O piloto gosta de automóveis; prefere, porém, des- a) restritivas:
locar-se em aviões. → Só poderão inscrever-se os candidatos que preen-
cheram todos os requisitos para o concurso.
Alternativas: relacionam pensamentos que se
excluem. As conjunções alternativas mais utilizadas são: ou, b) não restritivas (ou explicativas):
quer...quer, ora...ora, já...já. → O Presidente da República, que tem competência
→ O Presidente irá ao encontro (ou) de automóvel, ou exclusiva nessa matéria, decidiu encaminhar o projeto.
de avião.
IMPORTANTE!
Conclusivas: relacionam pensamentos tais que o
Observe que o fato de a oração adjetiva restringir, ou não, o
segundo contém a conclusão do enunciado no primeiro.
substantivo (nome ou pronome) a que se refere repercute na
São: logo, pois, portanto, consequentemente, por con- pontuação. Na frases de (a), acima, a oração adjetiva especifica
seguinte, etc. que não são todos os candidatos que poderão inscrever-se, mas
→ A inflação é o maior inimigo da Nação; logo, é meta somente aqueles que preencherem todos os requisitos para o
prioritária do governo eliminá-la. concurso. Como se verifica pelo exemplo, as orações adjetivas
restritivas não são pontuadas com vírgula em seu início. Já
Explicativas: relacionam pensamentos em sequência em (b), acima, temos o exemplo contrário: como só há um
justificativa, de tal modo que a segunda oração explica a Presidente da República, a oração adjetiva não pode especificá-
razão de ser da primeira. São: que, pois, porque, portanto. lo, mas apenas agregar alguma característica ou atributo dele.
→ Aceite os fatos, pois eles são o espelho da realidade. Este segundo tipo de oração vem, obrigatoriamente, precedido
por vírgula anteposta ao prenome relativo que a introduz.
Períodos Subordinados e Conjunções Subordinativas

As conjunções subordinativas unem duas orações As orações subordinadas adverbiais cumprem a


de natureza diversa: a que é introduzida pela conjunção função de advérbios. As conjunções que com mais frequ-
completa o sentido da oração principal ou lhe acrescenta ência conectam essas orações vêm listadas, em quadros,
uma determinação. ao lado da denominação de cada modalidade. As orações
Vejamos, a seguir, as orações subordinadas desenvol- adverbiais são classificadas de acordo com a ideia expressa
vidas (isto é, aquelas que apresentam verbo em uma das por sua função adverbial:
formas finitas, indicativo ou subjuntivo) e as conjunções
empregadas em cada modalidade de subordinação: (i) Causais: porque; como, desde que, já que, visto,
As orações subordinadas substantivas desempenham uma vez que (antepostos).
funções de substantivo, ou seja, sujeito, objeto direto, → O Coronel assumiu o comando porque o General
objeto indireto, predicativo. Podem ser introduzidas pelas havia falecido.
conjunções integrantes que, se, como; pelos pronomes → Como o General havia falecido, o Coronel assumiu
relativos, que, quem, quantos; e pelos pronomes interroga- o comando.
tivos quem, (o) que, quanto(a)(s), qual (is), como, onde,
quando. De acordo com a função que exercem, as orações (ii) Concessivas: embora, conquanto, ainda que,
são classificadas em: posto que, se bem que, etc.
→ O orçamento foi aprovado, embora os preços esti-
(i) subjetivas: vessem altos.
→ É surpreendente que as transformações ainda
não tenham sido assimiladas. (iii) Condicionais: se, caso, contanto que, sem que,
→ Quem não tem competência não se estabelece. uma vez que, dado que, desde que, etc.
→ O Presidente baixará uma medida provisória se
(ii) objetivas diretas: houver necessidade.
→ O Ministro anunciou que os recursos serão libe- → Informarei o Secretário sobre a evolução dos acon-
rados. tecimentos contanto que ele guarde sigilo daquilo que ouvir.

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(iv) Conformativas: como, conforme, consoante, (vii) Advérbios (não seguidos de vírgula)
segundo, etc. → Aqui me sinto bem.
→ Despachei o processo conforme determinava a
praxe em vigor. (viii) Gerúndio precedido da preposição em
→ Em se tratando de política...
(v) Comparativas: que, do que (relacionados a mais,
menos, maior, menor, melhor, pior); qual (relacionado a (ix) Frases interrogativas iniciadas por um vocábulo
BRUNO PILASTRE

tal); como ou quanto (relacionados a tal, tanto, tão); como interrogativo


se; etc. → Quem te falou isso?
→ Nada é tão importante como (ou quanto) o respeito
aos direitos humanos. Mesóclise

(vi) Consecutivas: que (relacionado com tal, tão, A mesóclise é a colocação do pronome oblíquo átono
tanto, tamanho); de modo que, de maneira que; etc. entre o radical e a desinência das formas verbais do futuro
→ O descontrole monetário era tal que não restou outra do presente e do futuro do pretérito.
solução senão o congelamento. Veja, como exemplo, as duas ocorrências de mesó-
clise:
(vii) Finais: para que ou por que, a fim de que, que, etc. → Amar-te-ei para sempre.
→ O pai trabalha muito para (ou a fim de ) que nada → Procurar-te-ei por toda a minha vida.
falte aos filhos.
O uso da mesóclise está, também, condicionado a
(viii) Proporcionais: à medida ou proporção que, ao duas condições:
passo que, etc. (i) quando a próclise não for obrigatória (mesóclise
→ As taxas de juros aumentavam à proporção (ou proibida); e
medida) que a inflação crescia. (ii) não houver sujeito expresso, anteposto ao verbo
(mesóclise facultativa).
Como exemplo:
(ix) Temporais: quando, apenas, mal, até que, assim
→ Não se aplaudirão vandalismos.
que, antes ou depois que, logo que, tanto que, etc.
[mesóclise proibida]
→ O acordo será celebrado quando alcançar-se um
entendimento mínimo.
→ A corrida te animará.
→ Apenas iniciado o mandato, o governador decretou
Ou:
a moratória da dívida pública do Estado.
→ A corrida animar-te-á.
[mesóclise facultativa]
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Ênclise
Próclise
A ênclise é a colocação do pronome pessoal átono
Na próclise o pronome pessoal oblíquo átono ocorre
depois do verbo. Ocorre nos seguintes contextos:
antes do verbo. Usa-se a próclise quando há (principais
casos):
(i) No imperativo afirmativo
→ Levanta-te agora!
(i) Palavras e sentido negativo (jamais, não etc.)
→ Jamais te enganei.
(ii) No infinitivo impessoal
→ Não me esqueças.
→ Aguardar-te é sempre cansativo!

(ii) Pronomes indefinidos (iii) No gerúndio


→ Alguém te ligou ontem. → Conhecendo-nos, desfez a cara de desgosto.

(iii) Pronomes relativos (iv) Em orações que vêm após uma vírgula
→ O guarda que me chamou atenção foi aquele. → Por ser diretor da escola, ofereceu-nos duas vagas
para nossos filhos.
(iv) Pronomes demonstrativos
→ Aquilo me incomoda. (v) Em início de frase
Mostrei-lhe todos os meus bolsos.
(v) O numeral ambos
→ Ambos o recusaram. Vejamos, por fim, alguns tópicos importantes em sin-
taxe. Observamos, mais uma vez, que esses conteúdos são
(vi) Conjunções subordinativas recorrentemente solicitados em provas de concurso público.
→ Era tarde quando me avisaram.

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O verbo HAVER e o verbo TER Nessa frase, os dois substantivos (atriz e beleza)
estão relacionados pelo pronome relativo cujo. O substan-
O uso de ter em vez de haver não é condenado na lin- tivo atriz é possuidor de algo (qualidade) designado pelo
guagem popular, na comunicação informal. Assim, é comum substantivo beleza.
ouvirmos frases como: O mesmo raciocínio se aplica às frases seguintes:
→ Hoje não tem feira. → Os alimentos a cujos benefícios todos os espor-

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Tinha sujeira em toda parte. tistas recorrem.
→ Tinha uma pedra no caminho.
→ A terra cujas riquezas haviam extraído.

Na linguagem culta formal, é preferível:


Observe que na frase Os alimentos a cujos bene-
→ Hoje não há feira.
→ Havia sujeira em toda parte. fícios todos os esportistas recorrem o pronome cujo
→ Havia uma pedra no caminho. é precedido de preposição pelo fato de o verbo recorrer
exigir tal forma (recorrer A).
Uso da conjunção CONQUANTO É importante observar que não há artigo entre o pro-
nome relativo cujo e seu consequente. Deve-se evitar,
A conjunção conquanto introduz uma oração subordi- portanto, a forma abaixo:
nada que contém a afirmação de um fato contrário ao da → Era uma atriz cuja a beleza todos admiravam.
afirmação contida na oração principal, mas que não é sufi-
ciente para anular este último. Equivale às formas embora, Usos da palavra QUE
se bem que, não obstante. Exemplos:
→ Não concorreu ao prêmio, conquanto pudesse fazê-lo. (i) A conjunção que: tem a função de enlaçar as ora-
→ Conquanto a bibliografia camoniana encha uma ções de um período composto:
biblioteca, pouco sabemos ao certo acerca da bibliografia → A população saiu às ruas depois que o escândalo
do imortal poeta. foi noticiado.

Apesar de não ser uma conjunção usual, essa forma é


(ii) O expletivo que: diz-se que são expletivas as pala-
muito cobrada em concursos públicos. Também vale a pena
vras ou expressões que, embora não necessárias ao sentido
utilizá-la em sua produção textual.
da frase, lhe dão realce, lhe transmitem ênfase. O que é uti-
lizado em frases como as seguintes:
Uso de PARA EU – PARA MIM
→ Desde muito que Rui de Nelas meditava em casar
É comum ouvirmos frases como a seguinte: a filha.
→ Meu pai comprou o a cartolina para mim fazer o → Deus que nos proteja e retempere as nossas
cartaz. forças.
→ Imprevidente que fui, isto sim.
Essa frase, porém, é considerada inadequada pela
norma culta, uma vez que a forma mim (forma oblíqua (iii) O pronome relativo que: é precedido de preposi-
tônica do pronome pessoal reto da 1ª pessoa do singular ção quando esta é exigida pelo verbo da oração iniciada por
eu) é sempre regida de preposição. esse pronome:
Desse modo, em frases como Meu pai comprou o a → Era magnífica a mata a que chegamos.
cartolina para mim fazer o cartaz deve-se utilizar a forma → A criança escolheu a fruta de que mais gostava.
pronominal eu: Meu pai comprou a cartolina para eu fazer
o cartaz. Nessa frase, o pronome eu é sujeito do infinitivo Usos da palavra SE
que o acompanha.
A forma mim deve ser usada como complemento: (i) O pronome apassivador se: o pronome se é usado
→ Ele entregou a bola para mim. na construção passiva formada com verbo transitivo. Nessa
construção, o verbo concorda normalmente com o sujeito.
Nessa frase, mim é complemento da preposição para
Observe os exemplos:
(e não é sujeito de alguma forma infinitiva).
→ Alugou-se a casa.
→ Alugaram-se as casas.
Uso do pronome relativo CUJO

O pronome relativo cujo relaciona dois substantivos, (ii) O índice de indeterminação do sujeito se: o pronome
um antecedente e outro consequente, sendo este último se pode tornar o agente da ação verbal indefinido. Na cons-
possuidor de algo (qualidade, condição, sentimento, ser trução em que há o índice de indeterminação se, o verbo
etc.) designado pelo primeiro. Pode equivaler às formas de concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Veja
que, de quem, do/da qual, dos/das quais. Vejamos os os exemplos:
exemplos a seguir: → Trata-se de fenômenos desconhecidos
→ Era uma atriz cuja beleza admiravam. → Precisa-se de marceneiros.

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CAPÍTULO 4 – SEMÂNTICA E ESTILÍSTICA É, por exemplo, um sentido figurado o de vapor ou de
vela como equivalentes de navio; mas ninguém entenderá o
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO sentido próprio de corpo gasoso numa asserção como – “o
vapor encalhou”, da mesma sorte que – “uma frota de cem
Discutiremos, agora, um aspecto relevante: a distinção velas” é logo interpretada como de cem navios de vela e não
entre denotação e conotação. cem velas literalmente ditas nos cem respectivos mastros, o
Antes de diferenciarmos denotação e conotação, cite- que implicaria num número muito menor de embarcações.
BRUNO PILASTRE

mos, com nossas próprias palavras, a definição do linguista Analogamente, um viajante pode comunicar que – “já vai
F. Saussure para signo linguístico: entrar no vapor”, sem a menor possibilidade de sobressaltar
seus amigos pelo temor de vê-lo morrer sufocado.
Palavra-chave!
Signo linguístico é a unidade linguística constituída pela união Tipos de linguagem figurada
de um significante e um significado.

A linguagem figurada pode ser essencialmente de dois


Quando ouvimos ou lemos a palavra cachorro, reuni-
tipos:
mos, em um nível mental, o significante (imagem acústica)
ao significado (a noção “mamífero carnívoro da família dos
1. Emprego de uma palavra para designar um conceito
canídeos”):
com que o seu conceito próprio tem relação:
a) da parte para o todo, como cabeça em vez de rês;
/k/ /a/ /x/ /o/ /r/ /o/ (som) b) do princípio ativo para a coisa acionada, como va-
Cachorro (grafia) por em vez de navio;
→ c) de continente para conteúdo, como copo para uma
determinada porção de água;
d) de símbolo para coisa simbolizada, como bandeira
indicando partido político ou a pátria;
e) de instrumento para seu agente, como pena na
↓ ↓ acepção do escritor;
SIGNIFICANTE SIGNIFICADO f) de substância para objeto fabricado, como ferro cor-
respondente a espada ou punhal;
Nessa relação entre significante e significado, per- g) de elemento primordial em lugar de todo um conjun-
cebemos que a semântica da palavra cachorro corresponde to, como vela resumindo o navio de vela; etc.
aos semas específicos e genéricos, isto é, aos traços semân-
ticos mais constantes e estáveis. Estamos diante da denota- A todos estes empregos dá-se o nome de metonímia.
ção:
2. Emprego de uma palavra com a significação de outra,
Palavra-chave! sem que entre uma e outra coisa designada haja uma
Denotação é a relação significativa objetiva entre marca, ícone, relação real, mas apenas em virtude da circunstância
sinal, símbolo etc., e o conceito que eles representam. A deno- de que o nosso espírito as associa e depreende entre
tação é o elemento estável da significação da palavra, elemento
elas certas semelhanças.
não subjetivo e analisável fora do discurso (contexto).

Se, ao exprimirmos nosso pensamento, tornamos explí-


Quando há semas virtuais, isto é, só atualizados em
determinado contexto, estamos diante da conotação. Por cita a associação, temos o que se chama uma comparação
exemplo, podemos afirmar que “o namorado de Fulana é em gramática. Diremos, então, que – A é como B, A parece
muito cachorro”. É claro que não caracterizaremos este B, A faz lembrar B.
homem como um “mamífero carnívoro da família dos caní- Podemos, porém, na base de uma semelhança, taci-
deos”. Na verdade, nesse contexto, em que há elementos tamente depreendida, substituir no momento da formulação
subjetivos, queremos dizer que o namorado de Fulana porta- verbal, uma palavra pela outra, e empregar B para designar
-se como um cachorro, que desconsidera os sentimentos de A. É o que se chama a metáfora.
sua parceira (ou das mulheres) e age por instinto. Percebe- Assim, porque assimilamos mentalmente a ação de
mos, então, que há inserções de informações semânticas à governar à de dirigir a marcha de um navio, construímos a
palavra cachorro, a qual está situada em um contexto dis- frase metafórica – “Franklin Roosevelt foi um magnífico piloto
cursivo. da nação norte-americana” – substituindo por piloto (B) uma
palavra A que realmente corresponderia às suas funções.
FIGURAS DE LINGUAGEM
Funções da linguagem
Figuras de linguagem e linguagem figurada
Função referencial (ou denotativa ou cognitiva):
Desviar uma palavra da sua significação própria, o que Aponta para o sentido real das coisas dos seres. É
tem em gramática o nome de linguagem figurada, é um fenô- quando a intenção é dar destaque ao referente, assunto, ou
meno normal na comunicação linguística. contexto.

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Função conativa (ou apelativa ou imperativa): Formas Variantes
Centra-se no sujeito receptor e é eminentemente per- Admitem mais de uma forma de grafia.
suasória. É quando a intenção é dar destaque ao receptor → Catorze – quatorze
da mensagem. → Cociente – quociente

Função emotiva (ou expressiva): Hiperonímia


Centra-se no sujeito emissor e tenta suscitar a impres-

LÍNGUA PORTUGUESA
Entre vocábulos de uma língua, relação que se esta-
são de um sentimento verdadeiro ou simulado. É quando a belece com base na menor especificidade do significado de
intenção é dar destaque ao próprio emissor.
um deles.
Em suma, é qualquer palavra que transmite a ideia de
Função fática (ou de contato):
um todo. Ela funciona como uma matriz, á qual estão vincu-
Visa a estabelecer, prolongar ou interromper a comuni-
ladas as filiais.
cação e serve para testar a eficiência do canal. É quando a
intenção é dar destaque ao canal.
Hiponímia
Função metalinguística: Designa a palavra que indica cada parte ou cada item
Consiste numa recodificação e passa a existir quando a de um todo.
linguagem fala dela mesma. Serve para verificar se emissor
e receptor estão usando o mesmo repertório. É quando o Sinonímia
código é posto em destaque, quando a mensagem se des- É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
tina a esclarecer ou fazer uma reflexão. Portanto, quando mais que apresentam significados iguais ou semelhantes.
um poema fala do ato de criar poemas, um filme tematiza o
próprio cinema, observa-se a função metalinguística. Antonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
Função poética: mais que apresentam significados diferentes, contrários.
Centra-se na mensagem, que aqui é mais fim do que
meio. Opõe-se à função referencial porque nela predomi- Polissemia
nam a conotação e o subjetivismo. É quando a intenção é É a propriedade que uma mesma palavra tem de apre-
dar destaque à própria mensagem, para o modo como o sentar vários significados. Veja os exemplos:
texto é organizado.
→ Ponto
Palavras homônimas e parônimas
1. ponto de parada (1):
Costuma tomar o ônibus naquele ponto.
Homônimas
2. Livro, cartão, folha, onde se registra a entrada e
São palavras que têm a mesma pronúncia e, às vezes,
a mesma grafia, mas significação diferente. Podem ser saída diária do trabalho:
homófonas heterográficas, homógrafas heterofônicas e Esqueceu-se de assinar o ponto; Bateu o ponto na hora
homógrafas homófonas (homônimas perfeitas). Veja: exata.
3. Unidade que, nas bolsas de valores, exprime a varia-
(i) Homófonas heterográficas (homo = semelhante, ção dos índices:
igual; fono = som, fonema; gráfica = escrita, grafia; hetero: Estes papéis subiram cinco pontos em um mês.
diferente): mesmo som (pronúncia), mas com grafia dife­
rente. → Linha
→ Concerto (sessão musical) – conserto (reparo) 1. Fio de fibras de linho torcidas usado para coser,
→ Cerrar (fechar) – serrar (cortar) bordar, fazer renda etc.
2. Sinal elétrico que porta as mensagens enviadas por
(ii) Homógrafas heterofônicas: mesma grafia, mas meio de tal sistema de fios ou cabos, ou contato ou conexão
pronúncia diferente. entre aparelhos ligados a tal sistema:
→ Colher (substantivo) – colher (verbo) A linha está ocupada; O telefone não está dando linha.
→ Começo (substantivo) – começo (verbo) 3. Serviço regular de transporte entre dois pontos; car-
reira: linha férrea;
(iii) Homógrafas homófonas: são iguais na escrita e O fim da linha dos ônibus interestaduais fica próximo do
na pronúncia. centro da cidade.
→ Livre (adjetivo) – livre (verbo livrar)
4. Fut. os cinco jogadores atacantes; linha de ataque.
→ São (adjetivo) – são (verbo ser) – são (santo)
Ambiguidade
Parônimas
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas
São as palavras parecidas na escrita e na pronúncia,
mas com significação diferentes. unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções, frases)
→ Cumprimento (saudação) – comprimento (extensão) de significar coisas diferentes, de admitir mais de uma lei-
→ Ratificar (confirmar) – retificar (corrigir) tura. A ambiguidade é um fenômeno muito frequente, mas,

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na maioria dos casos, os contextos linguístico e situacio- Ambíguo:
nal indicam qual a interpretação correta. Estilisticamente, é → Depois de examinar o paciente, uma senhora
indesejável em texto científico ou informativo, mas é muito chamou o médico.
usado na linguagem poética e no humorismo.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de iden- Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
tificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais → Depois que o médico examinou o paciente, foi cha-
de um antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer com: mado por uma senhora.
BRUNO PILASTRE

a) pronomes pessoais: Léxico-semântica: Neologismos, Estrangeirismos e


Ambíguo: Empréstimos
→ O Ministro comunicou a seu secretariado que ele
seria exonerado.
Palavras-chave!
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ O Ministro comunicou exoneração dele a seu secre- Neologismo: emprego de palavras novas, derivadas ou forma-
tariado. das de outras já existentes, na mesma língua ou não. Atribuição
de novos sentidos a palavras já existentes na língua. Unidade
Ou então, caso o entendimento seja outro: léxica criada por esses processos.
→ O Ministro comunicou a seu secretariado a exonera-
ção deste. Estrangeirismo: palavra ou expressão estrangeira us. num
texto em vernáculo, tomada como tal e não incorporada ao léxico
da língua receptora; peregrinismo, xenismo.
b) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: Empréstimo: incorporação ao léxico de uma língua de um termo
→ O Deputado saudou o Presidente da República, em pertencente a outra língua. Dá-se por diferentes processos, tais
seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Estado, como a reprodução do termo sem alteração de pronúncia e/ou
mas isso não o surpreendeu. grafia (know-how), ou com adaptação fonológica e ortográfica
(garçom, futebol).
Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
acima, as quais tornam virtualmente inapreensível o sentido Neologismo
da frase.
Vejamos como essa frase pode se tornar clara: Desenvolveremos este assunto com base em Azeredo
→ Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da (2008). Segundo o autor, qualquer língua em uso se modi-
República. No pronunciamento, solicitou a intervenção fede- fica constantemente. Um aspecto ilustrativo dessa proprie-
ral em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente da dade é a criação de novas formas lexicais ou acréscimos de
República. novas acepções a formas lexicais já existentes. Ao conjunto
de processos de renovação lexical de uma língua se dá o
c) pronome relativo: nome de neologia, e às formas e acepções criadas ou absor-
Ambíguo: vidas pelo seu léxico, neologismos. O autor observa que a
→ Roubaram a mesa do gabinete em que eu costu- introdução, assimilação e circulação de neologismos estão
mava trabalhar. sujeitas a fatores históricos e socioculturais. Vejamos alguns
exemplos:
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração
a) criações vernáculas formais (neologismos morfológi-
se refere a mesa ou a gabinete, essa ambiguidade se deve
cos): bafômetro, sem-terra, sem-teto, debiloide, demonizar.
ao pronome relativo que, sem marca de gênero. A solução é
b) criações vernáculas semânticas (neologismos
recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que
semânticos): secar (causar má sorte, azarar), torpedo (men-
marcam gênero e número.
sagem curta por meio de celular).
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava
Estrangeirismo
trabalhar.

Se o entendimento é outro, então: A neologia compreende também criações vernáculas


→ Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava e empréstimos de outras línguas, os estrangeirismos. Veja-
trabalhar. mos os tipos de estrangeirismos:
a) xenismos: o estrangeirismo conserva a forma grá-
d) oração reduzida: fica de origem, como em mouse, carpaccio, rack, drive-in,
Ambíguo: personal trainer.
Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário. b) adaptações: o estrangeirismo se submete à morfo-
logia do português, como em checar, randômico, banda.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, c) decalques: há tradução literal do estrangeirismo,
deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida. como em alta costura (do francês haute couture), centro-
→ O Chefe admoestou o funcionário por ser este indis- avante (termo do futebol, equivalente ao termo inglês cen-
ciplinado. ter-forward).

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d) siglas/acrônimos: emprego das iniciais das palavras na separação entre orações coordenadas não unidas por
constitutivas da expressão estrangeira, como em PC (per- conjunção coordenativa e para indicar suspensão maior que
sonal computer), CD (compact disc). a da vírgula no interior de uma oração.

Empréstimo (ix) Travessão (–)


Empréstimo é a incorporação ao léxico de uma língua É importante não confundir o travessão com o traço de
união ou hífen. O travessão é um sinal constituído de traço

LÍNGUA PORTUGUESA
de um termo pertencente a outra língua. O fenômeno dá-se
por diferentes processos, tais como a reprodução do termo horizontal maior que o hífen. O travessão pode substituir
sem alteração de pronúncia e/ou grafia, como em know- vírgulas, parênteses, colchetes e serve, entre outras coisas,
-how (conhecimento de normas, métodos e procedimentos para indicar mudança de interlocutores num diálogo, separar
em atividades profissionais, especialmente as que exigem título e subtítulo em uma mesma linha e assinalar expressão
formação técnica ou científica), ou com adaptação fonoló- intercalada.
gica e ortográfica (garçom, futebol).
(x) Parênteses ((parênteses))
Os parênteses indicam um isolamento sintático e
PONTUAÇÃO
semântico mais completo dentro do enunciado.
Significado dos principais sinais de pontuação
(xi) Colchetes ([colchetes])
Os colchetes são utilizados para isolar, quando neces-
(i) Ponto parágrafo (§)
sário, palavras ou sequência de palavras elucidativas dentro
O ponto parágrafo indica a divisão de um texto escrito. de uma sequência de unidades entre parênteses. Também é
Essa divisão é verificada pela mudança de linha, cuja função conhecido como parênteses retos.
é mostrar que as frases aí contidas mantêm maior relação
entre si do que com o restante do texto. (xii) Aspas (“aspas”)
É o sinal gráfico, geralmente alceado (colocado no alto),
(ii) Ponto final (.) que delimita uma citação, título etc. Também é usado para
O ponto final é o sinal de pontuação com que se realçar certas palavras ou expressões.
encerra uma frase ou um período.
(xiii) Chave ({chave})
(iii) Ponto de interrogação (?) A chave é usada em obras de caráter científico. Indica,
O ponto de interrogação é utilizado no fim da oração, usualmente, a reunião de itens relacionados entre si for-
a qual é enunciada com entonação interrogativa ou de incer- mando um grupo.
teza.
Emprego dos sinais de pontuação
(iv) Ponto de exclamação (!)
O ponto de exclamação é utilizado no fim da oração A seguir, apresentamos os principais empregos dos
enunciada com entonação exclamativa. Também se usa o sinais de pontuação. Tomamos por base teórica o Manual de
ponto de exclamação depois de interjeição. Redação da Presidência da República.

(v) Reticências (...) (i) Aspas


As reticências denotam interrupção ou incompletude As aspas têm os seguintes empregos:
do pensamento ou hesitação em enunciá-lo.
a) usam-se antes e depois de uma citação textual:
→ A Constituição da República Federativa do Brasil, de
(vi) Vírgula (,)
1988, no parágrafo único de seu artigo 1° afirma: “Todo o
A vírgula indica pausa ligeira e é usada para separar
poder emana do povo, que o exerce por meio de repre-
frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma
sentantes eleitos ou diretamente”.
frase.
b) dão destaque a nomes de publicações, obras de arte,
(vii) Dois-pontos (:)
intitulativos, apelidos, etc.:
O sinal de pontuação dois-pontos correspondente,
→ O artigo sobre o processo de desregulamentação foi
na escrita, a uma pausa breve da linguagem oral e a uma publicado no “Jornal do Brasil”.
entoação geralmente descendente. A sua função é preceder → A Secretaria da Cultura está organizando uma apre-
uma fala direta, uma citação, uma enumeração, um esclare- sentação das “Bachianas”, de Villa Lobos.
cimento ou uma síntese do que foi dito antes.
c) destacam termos estrangeiros:
(viii) Ponto e vírgula (;) → O processo da “détente” teve início com a Crise dos
O sinal de pontuação ponto e vírgula assinala pausa Mísseis em Cuba, em 1962.
mais forte que a da vírgula e menos acentuada que a do → “Mutatis mutandis”, o novo projeto é idêntico ao
ponto. Emprega-se, por exemplo, em enumerações, para anteriormente apresentado.
distinguir frases ou sintagmas de mesma função sintática, d) nas citações de textos legais, as alíneas devem
estar entre aspas:

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→ O tema é tratado na alínea “a” do artigo 146 da Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintá-
Constituição. tica, têm as seguintes finalidades:
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a
Atualmente, no entanto, tem sido tolerado o uso de entoação) na leitura;
itálico como forma de dispensar o uso de aspas, exceto b) separar palavras, expressões e orações que,
na hipótese de citação textual. segundo o autor, devem merecer destaque;
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando am-
BRUNO PILASTRE

IMPORTANTE! biguidades.
A pontuação do trecho que figura entre aspas seguirá as regras
gramaticais correntes. Caso, por exemplo, o trecho transcrito (i) Vírgula
entre aspas terminar por ponto-final, este deverá figurar antes A vírgula serve para marcar as separações breves
do sinal de aspas que encerra a transcrição. Exemplo: de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as
→ O art. 2º da Constituição Federal – “São Poderes da intercalações, quer na oração, quer no período.
União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, A seguir, indicam-se alguns casos principais de
o Executivo e o Judiciário.” – já figurava na Carta anterior. emprego da vírgula:

a) para separar palavras ou orações paralelas jus-


(ii) Parênteses
Os parênteses são empregados nas orações ou tapostas, isto é, não ligadas por conjunção:
expressões intercaladas. Observe que o ponto-final vem → Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Rela-
antes do último parêntese quando a frase inteira se acha ções Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do
contida entre parêntese: Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
→ “Quanto menos a ciência nos consola, mais → Simplicidade, clareza, objetividade, concisão
adquire condições de nos servir.” (José Guilherme Mer- são qualidades a serem observadas na redação oficial.
quior).
→ O Estado de Direito (Constituição Federal, art. 1º) b) as intercalações, por cortarem o que está sinta-
define-se pela submissão de todas as relações ao Direito. ticamente ligado, devem ser colocadas entre vírgulas:
→ O processo, creio eu, deverá ir logo a julga-
(iii) Travessão mento.
O travessão (–) é empregado nos seguintes casos: → A democracia, embora (ou mesmo) imperfeita,
ainda é o melhor sistema de governo.
a) substitui parênteses, vírgulas, dois-pontos:
→ O controle inflacionário – meta prioritária do
c) expressões corretivas, explicativas, escusativas,
Governo – será ainda mais rigoroso.
tais como isto é, ou melhor, quer dizer, data venia,
→ As restrições ao livre mercado – especialmente
o de produtos tecnologicamente avançados – podem ser ou seja, por exemplo, etc., devem ser colocadas entre
muito prejudiciais para a sociedade. vírgulas:
→ O político, a meu ver, deve sempre usar uma lin-
b) indica a introdução de enunciados no diálogo: guagem clara, ou seja, de fácil compreensão.
→ Indagado pela comissão de inquérito sobre a pro- → As Nações Unidas decidiram intervir no conflito,
cedência de suas declarações, o funcionário respondeu: ou por outra, iniciaram as tratativas de paz.
– Nada tenho a declarar a esse respeito.
d) Conjunções coordenativas intercaladas ou
c) indica a substituição de um termo, para evitar pospostas devem ser colocadas entre vírgulas:
repetições: → Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obti-
→ O verbo fazer (vide sintaxe do verbo –), no sentido nha, contudo, resultados.
de tempo transcorrido, é utilizado sempre na 3ª pessoa do
→ O ano foi difícil; não me queixo, porém.
singular: faz dois anos que isso aconteceu.
→ Era mister, pois, levar o projeto às últimas con-
sequências.
d) dá ênfase a determinada palavra ou pensamento
que segue:
→ Não há outro meio de resolver o problema – pro- e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-
mova-se o funcionário. -restritivas (explicativas) devem ser separados por
→ Ele reiterou suas ideias e convicções – energica- vírgula:
mente. → Brasileiros, é chegada a hora de buscar o
Pontuação relacionada à estrutura sintática entendimento.
→ Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da
Esta é uma seção muito cobrada em concursos públi- Lógica.
cos. O domínio da pontuação em contexto sintático é funda- → O homem, que é um ser mortal, deve sempre
mental para a resolução de diversas questões. pensar no amanhã.

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f) a vírgula também é empregada para indicar a dia 1º de janeiro de 2013: Objetividade, concisão e come-
elipse (ocultação) de verbo ou outro termo anterior: dimento. No artigo, o autor observa que há em nossa Jus-
→ O decreto regulamenta os casos gerais; a porta- tiça excesso de argumentos desimportantes, de linguagem
ria, os particulares. redundante e com adjetivos demais e de mesuras desmedi-
[A vírgula indica a elipse do verbo regulamenta] das. A leitura do texto se faz importante pelo fato de ressal-
→ Às vezes procura assistência; outras, toma a ini- tar a importância da linguagem em nossa sociedade.

LÍNGUA PORTUGUESA
ciativa.
[A vírgula indica a elipse da palavra vezes] Objetividade, concisão e comedimento

g) nas datas, separam-se os topônimos: Não poderia ter sido mais feliz a receita para o aper-
→ São Paulo, 22 de março de 1991. feiçoamento da Justiça brasileira formulada pelo ministro
→ Brasília, 15 de agosto de 1991. Joaquim Barbosa, em seu objetivo, conciso e comedido
discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal
IMPORTANTE! Federal. Para o novo presidente da Corte Suprema, pre-
cisamos de uma Justiça "sem firulas, sem floreios e sem
É importante registrar que constitui inadequação usar a vírgula
rapapés".
entre termos que mantêm entre si estreita ligação sintática – por
Firulas são argumentos artificialmente complexos,
exemplo, entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e seus
usados como expediente diversionista, para impedir ou
complementos.
retardar a apreciação da essência das questões em jul-
→ O Presidente da República, indicou, sua posição no
assunto. (Inadequado) gamento (o mérito da causa). Apegos a detalhes formais
→ O Presidente da República indicou sua posição no sem importância é um exemplo de firula.
assunto. (Adequado) Floreios são exageros no uso da linguagem, oral ou
escrita. Expediente empregado em geral no disfarce da
falta de conteúdo do discurso, preenche-o de redundân-
(ii) Ponto e vírgula cias, hipérboles e adjetivações.
O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas E rapapés são mesuras desmedidas que mal escon-
coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também dem um servilismo anacrônico. Todos devemos nos tratar
usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer com respeito e cordialidade, dentro e fora dos ambientes
dizer. Exemplo: judiciários, mas sempre com o virtuoso comedimento.
→ Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o Firulas, floreios e rapapés são perniciosos porque
governo despótico é o medo. redundam em inevitável desperdício de tempo, energia e
→ As leis, em qualquer caso, não podem ser infringi- recursos. Combater esses vícios de linguagem, por isso,
das; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser tem todo o sentido no contexto do aprimoramento da Jus-
respeitadas. tiça.
O oposto da firula é a objetividade; o contrário dos
(iii) Dois-pontos floreios é a concisão; a negação dos rapapés é o comedi-
Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir mento. A salutar receita do ministro Barbosa recomenda
citações, marcar enunciados de diálogo e indicar um escla- discursos objetivos, concisos e comedidos. São discursos
recimento, um resumo ou uma consequência do que se afir- que, aliás, costumam primar pela elegância.
mou. Exemplo: É uma recomendação dirigida a todos os profissio-
→ Como afirmou o Marquês de Maricá em suas Máxi- nais jurídicos: magistrados, promotores e advogados.
mas: “Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer Precisam todos escrever e falar menos, para dizerem
reformar.” mais.
Arrazoados jurídicos e decisões longas são relativa-
(iv) Ponto de interrogação mente recentes.
O ponto-de-interrogação, como se depreende de seu Nas primeiras décadas do século passado, elas
nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interro- ainda eram escritas à mão. Isso por si só já estabele-
gativa direta: cia um limite (por assim dizer, físico) aos arroubos. Os
→ Até quando aguardaremos uma solução para o pareceres de Clóvis Beviláqua, o autor do anteprojeto
caso? do Código Civil de 1916, tinham cerca de cinco ou seis
laudas.
(v) Ponto de exclamação Depois, veio a máquina de escrever. Embora tenha
O ponto-de-exclamação é utilizado para indicar sur- tornado a confecção de textos menos cansativa, ela
presa, espanto, admiração, súplica, etc.
também impunha limites físicos à extensão. No tempo
do manuscrito e da datilografia, o tamanho do texto era
COMPREENSÃO (OU INTELECÇÃO) E INTERPRETAÇÃO DE
sempre proporcional ao tempo gasto na produção do
TEXTOS
papel.

Iniciamos nossos trabalhos com o artigo de Fábio


Ulhoa Coelho, publicado no jornal Folha de São Paulo no

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VIII – Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal,
O computador rompeu decididamente este limite.
deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a
Com o "recorta e cola" dos programas informatizados de
conclusão.
redação, produzem-se textos de extraordinárias dimen-
IX – Se o enunciado mencionar argumentação, deve
sões em alguns poucos segundos. pre­ocupar-se com o desenvolvimento.
Os profissionais do direito não têm conseguido resis- X – Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que
tir à tentação de fabricar alentados escritos abusando remetem a outros vocábulos do texto: pronomes
dos recursos da informática. Clientes incautos ainda são
BRUNO PILASTRE

relativos, pronomes pessoais, pronomes demons­


impressionáveis e ficam orgulhosos com a robustez das trativos etc.).
peças de seu advogado.
Claro, há questões de grande complexidade, que Proponho, como exercício, aplicar os “Dez mandamen-
exigem dos profissionais do direito maiores digressões tos” à leitura do texto de Ulhoa.
e fundamentações, gerando inevitavelmente textos mais Vejamos, agora, como Bechara define compreensão e
extensos. Tamanho exagerado nem sempre, assim, é interpretação de texto:
sinônimo de firula, floreio ou rapapé. Mas é um bom indi-
cativo destes vícios, porque os casos realmente difíceis COMPREENSÃO OU INTELECÇÃO DE TEXTO
correspondem à minoria e são facilmente reconhecidos
pelos profissionais da área. Não se justifica grande gasto Consiste em analisar o que realmente está escrito,
de papel e tinta na significativa maioria dos processos ou seja, coletar dados do texto. O enunciado normalmente
em curso. assim se apresenta:
Pois bem. Se a receita do ministro Barbosa melhora → As considerações do autor se voltam para...
a Justiça, então a questão passa a ser a identificação → Segundo o texto, está correta...
de medidas de incentivo ao discurso objetivo, conciso e → De acordo com o texto, está incorreta...
comedido. A renovação da linguagem jurídica necessita → Tendo em vista o texto, é incorreto...
de vigorosos estímulos. → O autor sugere ainda...
Alegar que estimular maior objetividade fere o → De acordo com o texto, é certo...
direito de acesso ao Judiciário ou à ampla defesa é firula. → O autor afirma que...
Lamentar que a concisão importa perda de certo tempero
literário das peças processuais é floreio. Objurgar que o Interpretação de Texto
comedimento agride a tradição é rapapé.
Se a exortação do ministro Barbosa desencadear, Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está
escrito. O enunciado normalmente é encontrado da seguinte
como se espera, a renovação da linguagem jurídica, a
maneira:
sua posse na presidência do Supremo Tribunal Federal
→ O texto possibilita o entendimento de que...
se tornará ainda mais histórica.
→ Com apoio no texto, infere-se que...
(Fábio Ulhoa Coelho. Objetividade, concisão e comedimento. → O texto encaminha o leitor para...
Folha de São Paulo 1º de janeiro de 2013) → Pretende o texto mostrar que o leitor...
→ O texto possibilita deduzir-se que...
Após a leitura do texto de Fábio Ulhoa Coelho, veja-
mos o que Evanildo Bechara nos diz sobre como analisar Três erros capitais na análise de textos
um texto:
Para o gramático, há três erros capitais na análise de
Os dez mandamentos para a análise de textos: textos: extrapolação, redução e contradição.

I – Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar con­ (i) Extrapolação
tato com o assunto; a segunda para observar como É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se interpreta
o texto está articulado; desenvolvido. o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas
II – Observar que um parágrafo em relação ao outro que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao
pode indicar uma continuação ou uma conclusão que está relatado.
ou, ainda, uma falsa oposição.
III – Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais impor­ (ii) Redução
tante (tópico frasal). É o fato de se valorizar uma parte do contexto, dei-
IV – Ler com muito cuidado os enunciados das questões xando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o
para entender direito a intenção do que foi pedido. texto como um todo para se ater apenas à parte dele.
V – Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto
etc., para não se confundir no momento de respon­ (iii) Contradição
der à questão. É o fato de se entender justamente o contrário do que
VI – Escrever, ao lado de cada parágrafo, ou de cada está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas pala-
estrofe, a ideia mais importante contida neles. vras, como: “pode”; “deve”; “não”; verbo “ser” etc.
VII – Não levar em consideração o que o autor quis dizer,
(Bechara, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa.
mas sim o que ele disse; escreveu.
Rio de Janeiro, 2006). (Com adaptações)

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Assunto, tema, tese, título, ponto de vista, argu­ Elementos da Narrativa
mentação
Os elementos que compõem a narrativa são:
Quando vamos escrever uma redação, precisamos → Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
saber qual o assunto que desejamos abordar. Os assuntos → Personagens (protagonista, antagonista e coadju-
são praticamente infindáveis: família, sexo, amor, dinheiro, vante);
estudo, violência, guerra, desemprego, política, senado, cor-

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Narrador (narrador-personagem, narrador-observa-
rupção, igreja, fé, ateísmo, enfim.
dor);
O tema e o título são, com muita frequência, empre-
→ Tempo (cronológico e psicológico);
gados como sinônimos. Contudo, apesar de serem partes
de um mesmo tipo de composição, são elementos bem dife- → Espaço.
rentes. O tema é o assunto, já delimitado, a ser abordado;
a ideia que será por você defendida e que deverá aparecer Foco Narrativo
logo no primeiro parágrafo. Já o título é uma expressão, ou
até uma só palavra, centrada no início do trabalho; ele é uma Cada uma das histórias que lemos, ouvimos ou escre-
vaga referência ao assunto (tema). vemos é contada por um narrador.
Tese: assim como todo assunto pode ser limitado a um Nos exercícios de leitura, assim como nas experiências
tema específico, o tema por sua vez também pode e deve de escrita, é fundamental a preocupação com o narrador.
ser restringido a uma tese ou proposição. Grosso modo, podemos distinguir três tipos de narra-
Ponto de vista: é associada à ótica. Pode ser na ótica dor, isto é, três tipos de foco narrativo:
de uma criança, de um adulto, de uma mulher; de uma → narrador-personagem;
pessoa letrada, de um explorado ou do explorador.
→ narrador-observador;
A argumentação é um recurso que tem como propó-
→ narrador-onisciente.
sito convencer alguém, para que esse tenha a opinião ou o
comportamento alterado.
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história
TIPOLOGIA TEXTUAL da qual participa também como personagem.
Ele tem uma relação íntima com os outros elementos
Por tipologia textual (ou tipo textual) entende-se uma da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada
espécie de construção teórica definida pela natureza linguís- por características subjetivas, emocionais. Essa proximi-
tica de sua composição (ou seja, os aspectos lexicais, sintá- dade com o mundo narrado revela fatos e situações que um
ticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo). narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo,
Apresento, a título de caracterização e distinção, quatro essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja par-
tipologias importantes para a produção textual: narração, cial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
descrição, dissertação e argumentação. O narrador-observador conta a história do lado de
Para essa obra, seguirei a classificação de Othon M. fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece
Garcia, o qual distingue a dissertação da argumentação. todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa
Para o autor, como veremos, uma e outra possuem caracte-
neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com
rísticas próprias.
imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos persona-
Narração gens nem das ações vivenciadas.
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa.
A narração é o ato de contar, relatar fatos, histórias. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo,
Neste ato, involuntariamente, respondemos às perguntas: o sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas
quê, onde, quem, como, quando, por quê. Nas histórias, emoções e pensamentos.
há a presença de personagens que praticam e/ou sofrem
ações, ocorridas em um tempo e espaço físico. A ação é O Enredo
obrigatória. Isso significa que não existe narração sem ação. O enredo é a estrutura da narrativa, o desenrolar dos
O núcleo da narração é o incidente, o episódio, e o que a dis- acontecimentos gera um conflito que por sua vez é o respon-
tingue da descrição é a presença de personagens atuantes. sável pela tensão da narrativa.
Veja-se o trecho abaixo, em que Sahrazad narra uma
história ao rei: Os Personagens
Os personagens são aqueles que participam da narra-
Disse Sahrazad: conta-se, ó rei venturoso, de parecer bem orien- tiva, podem ser reais ou imaginários, ou a personificação de
tado, que certo mercador vivia em próspera condição, com abun- elementos da natureza, ideias, etc.
dantes cabedais, dadivosos, proprietário de escravos e servos, de
Dependendo de sua importância na trama os per-
várias mulheres e filhos; em muitas terras ele investira, fazendo
empréstimos ou contrariando dívidas. Em dada manhã, ele viajou sonagens podem ser principais ou secundários.
para um desses países: montou um de seus animais, no qual pen-
durara um alforje com bolinhos e tâmaras que lhe serviriam como O Espaço
farnel, e partiu em viagem por dias e noites, e Deus já escrevera O espaço onde transcorrem as ações, onde os perso-
que ele chegaria bem e incólume à terra para onde rumava; [...]. nagens se movimentam auxilia na caracterização dos perso-
nagens, pois pode interagir com eles ou por eles ser trans-
(Livro das mil e uma noites – volume I – ramo sírio) formado.

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O Tempo Discurso indireto livre: é uma combinação dos dois
A duração das ações apresentadas numa narrativa anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as
caracteriza o tempo (horas, dias, anos, assim como a noção dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâ-
de passado, presente e futuro). mica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.
O tempo pode ser cronológico (fatos apresentados na
ordem dos acontecimentos) ou psicológico (tempo perten- Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse
cente ao mundo interior do personagem). matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!...
BRUNO PILASTRE

Quando lidamos com o tempo psicológico, a técnica do Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu
flash back é bastante explorada, uma vez que a narrativa Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto
de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção
volta no tempo por meio das recordações do narrador.
grande, da pintada... Que raiva!...
O narrador pode se posicionar de diferentes maneiras
Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar
em relação ao tempo dos acontecimentos - pode narrar os atenção, escutando a conversa de boi Brilhante. 
fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar (Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro, José Olympio,
um fato perfeitamente concluído; pode entremear presente e 1976.)
passado, utilizando a técnica de flash back.
Há, também, o tempo psicológico, que reflete angústias Descrição
e ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma
relação com o tempo cronológico, cuja passagem é alheia à A descrição é o ato de enumerar, sequenciar, listar
nossa vontade. Falas como "Ah, o tempo não passa..." ou características de seres, objetos ou espaços com o objetivo
"Esse minuto não acaba!" refletem o tempo psicológico. de formar uma imagem mental no leitor/ouvinte. As carac-
terísticas podem ser físicas e/ou psicológicas (no caso de
A Gramática na Narração seres ou elementos antropomórficos).
Num texto narrativo, predominam os verbos de ação: Descrever é representar verbalmente um objeto, uma
há, em geral, um trabalho com os tempos verbais. Afinal, a pessoal, um lugar, mediante a indicação de aspectos carac-
narração, ou seja, o desenrolar de um fato, de um aconteci- terísticos, de pormenores individualizantes. Requer obser-
mento, pressupõe mudanças; isso significa que se estabele- vação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um
cem relações anteriores, concomitantes e posteriores. modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
Ao optar por um dos tipos de discursos, organizamos o de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
texto de forma diferente. Os verbos de elocução, os conecti- uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
vos, a pontuação, a coordenação ou a subordinação passam muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-
a ter papel relevante na montagem do texto. -se o uso de palavras específicas.
Ao transformar o discurso direto em indireto (ou vice- Veja-se a descrição a seguir, em que Tchekhov des-
-versa), realizamos uma grande alteração na arquitetura do creve uma paisagem:
texto.
Depois das propriedades dos camponeses, começava um bar-
Discurso direto: o narrador apresenta a própria perso- ranco abrupto e escarpado, que terminava no rio; aqui e ali, no
nagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o meio da argila, afloravam pedras enormes. Pelo declive, perto
que acontece em lugar de simplesmente contar. das pedras e das valas escavadas pelos ceramistas, corriam tri-
lhas sinuosas, entre verdadeiras montanhas de cacos de louça,
ora pardos, ora vermelhos, e lá embaixo se estendia um prado
Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, vasto, plano, verde-claro, já ceifado, onde agora vagava o reba-
apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escor- nho de camponeses.
redor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu (Anton Tchekhov. O assassinato e outras histórias)
outro tênis.” 
                (Jornal do Brasil, 29 de maio 1989). Dissertação

Discurso indireto: o narrador interfere na fala da per- A dissertação tem por objetivo principal expor ou
sonagem. Ele conta aos leitores o que a personagem disse, explanar, explicitar ou interpretar ideias, fatos, fenômenos.
mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não Na dissertação, apresentamos o que sabemos ou acredita-
são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador. mos saber a respeito de determinado assunto. Nessa expo-
sição, podemos apresentar, sem combater (argumentar),
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, ideias de que discordamos ou que nos são indiferentes. Ou
assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encos- seja, eu posso discorrer (dissertar) sobre partidos políticos
tando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de
com absoluta isenção, apresentado os diversos partidos
costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descan-
políticos em totalidade, dando deles a ideia exata, fiel, sem
sou no chão o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava tentar convencer o meu leitor das qualidades ou falhas de
se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não partido A ou B. Não procuro, nesse caso, formar a opinião
se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele de meu leitor; ao contrário, deixo-o em inteira liberdade de
devia sofrer de ataque. se decidir por se filiar a determinado partido.
(Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro, Civili- No excerto a seguir, de Gilberto Amado, observamos
zação Brasileira, 1964) que o autor apenas mostra certas características do Brasil.

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Não há, em nenhuma parte do texto, recursos argumentati- Distinção entre Prosa e Poema
vos que visam ao convencimento do leitor (característica da
argumentação). Observe: Por Prosa entende-se a expressão natural da linguagem
escrita ou falada, sem metrificação intencional e não sujeita
No seu aspecto exterior, na sua constituição geográfica, a ritmos regulares. No texto escrito, observamos o texto em
o Brasil é um todo único. Não o separa nenhum lago interior, Prosa quando há organização em linha corrida, ocupando

LÍNGUA PORTUGUESA
nenhum mar mediterrâneo. As montanhas que se erguem dentro toda a extensão da página. Há, também, organização em
dele, em vez de divisão, são fatores de unidade. Os seus rios parágrafos, os quais apresentam certa unidade de sentido.
prendem e aproximam as populações entre si, assim os que
Esta obra é organizada, por exemplo, em prosa.
correm dentro do país como os que marcam fronteiras.
Já o poema é uma composição literária em que há carac-
Por sua produção e por seu comércio, é o Brasil um dos
raros países que se bastam em si mesmos, que podem prover terísticas poéticas cuja temática é diversificada. O poema
ao sustento e assegurar a existência de seus filhos. De norte a apresenta-se sob a forma de versos. O verso é cada uma das
sul e de leste a oeste, os brasileiros falam a mesma língua quase linhas de um poema e caracteriza-se por possuir certa linha
sem variações dialetais. Nenhuma memória de outros idiomas melódica ou efeitos sonoros, além de apresentar unidade de
subjacentes na sua formação perturba a unidade íntima da cons- sentido. O conjunto de versos equivale a uma estrofe. Há
ciência do brasileiro na enunciação e na comunicação do seu diversas maneiras de se dispor graficamente as estrofes (e os
pensamento e do seu sentimento.
versos) – e isso dependerá do período literário a que a obra
(Gilberto Amado. Três livros)
se filia e à criatividade do autor. Veja dois exemplos:
Argumentação

Na argumentação, procuramos formar a opinião do


leitor ou ouvinte, objetivando convencê-lo de que a razão (o
discernimento, o bom senso, o juízo) está conosco, de que
nós é que estamos de posse da verdade.
Caso eu seja filiado a determinado partido político e
produza um texto em que objetivo demonstrar, comprovar
as vantagens, a conveniência, a coerência, a qualidade, a
verdade de meu partido (em oposição aos demais), estou
argumentando. Em suma, argumentar é convencer ou tentar
convencer mediante a apresentação de razões, em face da
evidência de provas e à luz de um raciocínio coerente e con-
sistente.
O texto a seguir, de autoria de Sérgio Buarque de
Holanda, é um exemplar de texto argumentativo. Perceba
que o autor posiciona-se em relação aos fatos e defende (Ronando Azeredo)
uma tese. O autor claramente procura convencer o leitor.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
No mínimo que fazes.
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não
Assim em cada lago a lua toda
existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas
Brilha, porque alta vive.
antes uma descontinuidade e até uma oposição. A indistinção
(Ricardo Reis)
fundamental entre as duas formas é prejuízo romântico que teve

os seus adeptos mais entusiastas durante o século décimo nono.
De acordo com esses doutrinadores, o Estado e as suas insti-
Na seção seguinte apresentaremos os elementos do
tuições descenderiam em linha reta, e por simples evolução da texto argumentativo.
Família. A verdade, bem outra, é que pertencem a ordens dife-
rentes em essência. Só pela transgressão da ordem doméstica Argumentação
e familiar é que nasce o Estado e que o simples indivíduo se faz
cidadão, contribuinte, eleitor, elegível, recrutável e responsável, Condições da argumentação
ante as leis da Cidade. Há nesse fato um triunfo do geral sobre A argumentação deve ser construtiva, cooperativa e
o particular, do intelectual sobre o material, do abstrato sobre
útil. Deve basear-se, antes de tudo, nos princípios da lógica.
o corpóreo e não uma depuração sucessiva, uma espiritualiza-
ção de formas mais naturais e rudimentares, uma procissão das
A argumentação deve lidar com ideias, princípios ou fatos.
hipóstases, para falar como na filosofia alexandrina. A ordem
familiar, em sua forma pura, é abolida por uma transcendência. Consistência dos argumentos – evidências
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil)
A argumentação é fundamentada em dois elementos
Para finalizar esta seção, realizo a distinção entre principais: a consistência do raciocínio e a evidência das
Prosa e Poema. provas. Tratamos, nesta seção, do segundo aspecto: a evi-
dência das provas.

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Há cinco tipos mais comuns de evidência das provas: O testemunho
os fatos, os exemplos, as ilustrações, os dados estatísti-
cos e o testemunho. Vamos conhecer cada um em síntese: A evidência por testemunho é composta por uma afirmação
fundamentada, por um depoimento, uma comprovação. É um fato
Os fatos trazido à composição por intermédio de terceiros. O testemunho
por autoridade é um recurso que possui alto valor de prova. Se,
Os fatos constituem o elemento mais importante da argu- em minha produção, defendo que o sistema de transporte público
no Brasil precisa de planejamento estratégico (longo prazo),
BRUNO PILASTRE

mentação (bem como da dissertação).


É possível afirmar que só os fatos provam, convencem. posso trazer a voz (realizações, propostas, ideias) de uma autori-
Porém, é importante lembrar que nem todos os fatos são irrefu- dade no assunto. No caso do tema proposto (transporte público),
táveis. O valor de prova de certos fatos está sujeito à evolução posso citar as propostas de Jaime Lerner, arquiteto e urbanista
da ciência, da técnica e dos próprios conceitos utilizados. brasileiro que propôs a abertura de vias exclusivas para os ônibus
É claro que há fatos que são evidentes ou notórios. Esses urbanos na cidade de Curitiba-PR, na década de 70.
são os que mais provam. Afirmar que no Brasil há desigualdade
social é um fato, por exemplo.
A proposição

Por proposição entende-se a expressão linguística de


Os exemplos
uma operação mental (o juízo) composta de sujeito, verbo
(sempre redutível ao verbo ser) e atributo. Toda proposição
Os exemplos são caracterizados por revelar fatos típicos
ou representativos de determinada situação. O fato de o moto-
é passível de ser verdadeira ou falsa. A frase a seguir é uma
rista Fulano de Tal ter uma jornada de trabalho de 12 horas diá- proposição:
rias é um exemplo típico dos sacrifícios a que estão sujeitos → O sistema educacional no Brasil é ineficiente.
esses profissionais, revelando uma das falhas do setor de trans-
porte público. Segundo os critérios de produção textual, a proposi-
ção deve ser clara, definida, inconfundível quanto ao que
As ilustrações
se afirma ou nega. Outro fator indispensável é o fato de que
toda proposição tem de ser argumentável. Isso quer dizer
A ilustração ocorre quando o exemplo se alonga em nar- que frases como
rativa detalhada e entremeada de descrições. Observe que a → Todo homem é mortal.
ilustração é um recurso utilizado pela argumentação. Não deve, Não são argumentáveis, pois essa afirmação é uma
portanto, ser o centro da produção. verdade universal, indiscutível, incontestável.
Imagine um texto argumentativo que procura comprovar, É indicado, também, que a proposição seja afirmativa
por evidência, a falta de planejamento habitacional em algumas e suficientemente específica para permitir uma tomada de
cidades serranas. Nessas cidades, há construções irregulares posição contra ou a favor. Não é possível argumentar sobre
próximas a encostas. Essas encostas ficam frágeis em épocas generalidades como:
chuvosas. É possível, assim, ilustrar essa situação com um caso → A maioridade penal
hipotético ou real. No caso da ilustração hipotética, é necessário → O SUS
que haja verossimilhança e consistência no relato. Registro que
o valor de prova da ilustração hipotético é muito relativo. Proposições vagas ou inespecíficas não permitem
Um caso real, o qual pode ser citado no texto-exemplo, é tomada de posição. Assim, apenas a dissertação (isto é,
o da família do lavrador Francisco Edézio Lopes, de 46 anos. explanação ou interpretação) cabe a esses temas. Caso se
Edézio e seus familiares, moradores do distrito de Jamapará,
queira realizar uma argumentação, faz-se necessário deli-
em Sapucaia, no centro sul-fluminense, procuraram abrigo no
mitá-las e apresentá-las em termos de tomada de posição,
carro durante o temporal e acabaram arrastados pela enxurrada.
como em:
Todos morreram.
→ Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
Observe, mais uma vez, que a ilustração tem a função de
ilustrar a tese e deve ser clara, objetiva, sintomática e obvia-
ventivas à população
mente relacionada com a proposição.
Assim, a proposição acima é passível de argumen-
tação, pois admite divergência de opiniões (O Ministro da
Os dados estatísticos
Saúde – José Padilha – terá uma opinião diferente da apre-
sentada por um paciente, o qual escreveu o texto com o
Os dados estatísticos também são fatos, mas possuem
uma natureza mais específica e possuem grande valor de con-
título “Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
vicção, constituindo quase sempre prova ou evidência incontes- ventivas à população”).
tável. Quanto mais específico e completo for o dado, melhor. Observe, por fim, a importância de o autor do texto
Ademais, é importante que haja fonte, pois os dados não definir, logo de início, a sua posição de maneira inequívoca
surgem naturalmente. Assim, afirmar que o índice de analfabe- (isto é, de modo que o leitor saiba exatamente o que se pre-
tismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% para tende provar). No caso do título sobre o SUS, sabe-se que o
os brancos é diferente de afirmar que a Pesquisa Nacional por autor procurará demonstrar as deficiências do SUS no que
Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro concerne à promoção de ações preventivas da população.
de Geografia e Estatística (IBGE) em 2007, revela que índice de
analfabetismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% A conclusão
para os brancos. A segunda proposição é mais convincente, pois
há referência explícita à fonte. A conclusão da argumentação “surge” naturalmente das
provas apresentadas, dos argumentos utilizados. A conclusão
é caracterizada por ser um arremate (isto é, o último detalhe

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para finalizar ou concluir algo) – por isso, não é uma simples Carta Pessoal
recapitulação ou mero resumo. A conclusão consiste, desse
modo, em pôr em termos claros a essência da proposição e a Gênero textual pelo qual nos comunicamos com
sua comprovação, realizada por meio dos argumentos. amigos e familiares dando notícias, tratando de assuntos de
interesse comum, de forma mais longa e detalhada. Trata de
GÊNEROS TEXTUAIS assuntos particulares e tem uma estrutura padrão que deve
ser obedecida. Características:

LÍNGUA PORTUGUESA
A palavra gênero sempre foi bastante utilizada pela lite- → comunicação geralmente breve e pessoal, de
ratura com um sentido especificamente literário, identificando assunto livre;
os gêneros clássicos – o lírico, o épico, o dramático – e os → estrutura composta de local e data, vocativo, corpo e
gêneros modernos da literatura, como o romance, a novela, assinatura; às vezes, também de P.S.;
o conto, o drama, etc. → a linguagem varia de acordo com o grau de intimi-
Mikhail Bakhtin, no início do século XX, se dedicou aos dade entre os interlocutores, podendo ser menos ou mais
estudos da linguagem e literatura. Foi o primeiro a empregar formal, culta ou coloquial, e, eventualmente, incluir gírias;
a palavra gêneros com um sentido mais amplo, referindo-se → verbos geralmente no presente do indicativo;
também aos tipos textuais que empregamos nas situações → quando enviada pelo correio, a carta é acondicio-
cotidianas de comunicação. nada em um envelope, preenchido adequadamente com o
Então, os gêneros textuais são os diferentes tipos de nome e o endereço do remetente e do destinatário.
texto que produzimos, orais ou escritos, que trazem um con-
junto de características relativamente estáveis. Pelas carac- Receita
terísticas, identificamos o gênero textual em seus aspectos
básicos coexistentes: o assunto, a estrutura e o estilo. Gênero textual que apresenta duas partes bem defini-
A escolha do gênero não é sempre espontânea, pois das - ingredientes e modo de fazer, que podem ou não vir
deve levar em conta um conjunto de parâmetros essenciais, indicadas por títulos. Algumas receitas apresentam outras
como quem está falando, para quem se está falando, qual é informações, como o grau de dificuldade, o tempo médio
a finalidade e qual é o assunto do texto. de preparo, o rendimento, as calorias ou dicas para decora-
Por exemplo, ao contarmos uma história, fazemos uso ção. Forma ou estrutura mais ou menos padronizada, com o
de um texto narrativo, para instruirmos alguém sobre como objetivo de melhor instruir o leitor. Características:
fazer alguma coisa (fazer um bolo, montar uma mesa, jogar → contém título;
certo tipo de jogo) fazemos uso do texto instrucional; para → normalmente apresenta uma estrutura constituída
convencer alguém de nossas ideias, fazemos uso de textos de: título, ingredientes e modo de preparo ou fazer;
argumentativos; e assim por adiante. → no modo de fazer os verbos são geralmente empre-
Assim, quando falamos em gêneros textual, estaremos gados no imperativo;
fazendo referência também à receita, à carta pessoal, ao bilhete, → pode conter indicação de calorias por porção, rendi-
ao telegrama, ao cartão postal, ao e-mail, ao cartão postal, ao mento, dicas de preparo ou de como decorar e servir;
cartaz, ao relatório, ao manual de instruções, à bula de medica- → a linguagem é direta, clara e objetiva;
mento, ao texto de campanha comunitária, ao convite. → emprega o padrão culto da língua.
Todos esses tipos de texto constituem os gêneros tex-
tuais, usados para interagirmos com outras pessoas. São os O texto de campanha comunitária
chamados gêneros do cotidiano.Eles trazem poucas varia-
ções, muitos se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem Tem o objetivo de informar, conscientizar e instruir a
e na estrutura, mas são de grande valor para a comunicação população de uma comunidade sobre assuntos ou aconte-
oral ou escrita. cimentos do momento. Visa, muitas vezes, convencê-la a
participar de algum evento ou colaborar com donativos, tra-
Qualidades e características dos gêneros textuais balho voluntário, etc. Características:
→ apresenta título chamativo, comumente persuasivo;
do cotidiano
→ geralmente é ilustrado;
→ apresenta estrutura variável, esclarece em que con-
Cartão Postal
siste a campanha, a finalidade, o que fazer para participar;
→ linguagem clara, objetiva e persuasiva, dentro do
Mais conhecido como postal, é utilizado por turistas ou
padrão culto da língua;
pessoas em viagem para dar, por meio da ilustração uma
→ emprega as funções referencial e conativa, con-
ideia do lugar que está visitando e, ainda, enviar a parentes e
forme seu objetivo;
amigos uma mensagem rápida com suas impressões sobre
→ usa verbos no imperativo.
a viagem, os passeios, novos amigos, os lugares. Caracte-
rísticas:
O Cartaz
→ mensagem rápida, geralmente sobre as impressões
de viagens;
Gênero textual normalmente composto por imagem e
→ ilustrado com imagem em um dos lados; do outro,
texto. Tem por objetivo informar e instruir o leitor sobre um
espaço para texto e endereço do destinatário;
assunto que diz respeito à população em geral. Texto e
→ texto curto, assunto livre;
imagem visam persuadir ou convencer o leitor, sensibilizá-lo
→ apresenta vocativo e assinatura;
e conscientizá-lo do que se está divulgando. Características:
→ verbos geralmente no presente do indicativo, lingua-
→ informa, instrui e persuade o leitor sobre algum
gem varia de acordo com os interlocutores, podendo estar
assunto;
entre o coloquial, o casual ou o informal.
→ texto em linguagem verbal curto, para leitura rápida;

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→ presença de título para atrair o leitor e definir o assunto Coerência e coesão textuais
do cartaz;
→ linguagem verbal clara, direta, objetiva e concisa, ade- Quando falamos em Coerência textual, devemos ter
quada aos objetivos da campanha e ao público que se destina; em mente a noção de Integração:
→ emprega, geralmente, o padrão culto formal da língua;
→ identificação simples por meio de logotipo do órgão,
Palavra-chave!
entidade ou empresa responsável pela mensagem veiculada.
BRUNO PILASTRE

Integração: é o conjunto de procedimentos necessários à arti-


Relatório culação significativa das unidades de informação do texto em
função de seu significado global.
Gênero textual que tem por objetivo expor a investigação (Azeredo, 2008)
de um fato estudado, de um acontecimento ou de uma expe-
riência científica. Características: É a partir da integração que as frases que compõem o
→ pode servir-se de descrições, de enumerações, de texto se distribuem e se concatenam a fim de realizar uma
exposições narrativas, de relatos de fatos, de gráficos, de
combinação aceitável (possível, plausível) de conteúdos.
estatísticas etc.;
Quando a articulação significativa depende de algum conhe-
→ pode ou não seguir um roteiro preestabelecido;
cimento externo (por exemplo, a cultura dos interlocutores
→ apresenta, normalmente, introdução, desenvolvi-
mento e conclusão; em alguns casos, pode apresentar outras e a situação comunicativa), a integração recebe o nome de
partes, como folha de rosto, sumário, anexos; Coerência.
→ a linguagem é precisa, objetiva, de acordo com o Isso quer dizer que, em um nível intratextual (nível
padrão culto e formal da língua; admite, no entanto, a pes- interno ao texto), as partes do texto (frases, períodos, pará-
soalidade. grafos etc.) devem ser solidárias entre si (isto é, estar inte-
gradas), para assim se chegar ao significado global do texto.
Bilhete Em um nível externo ao texto (cuja construção de sen-
tido está relacionada aos conhecimentos de mundo do pro-
Gênero textual breve, prático e objetivo que tem a função dutor e receptor do texto), a articulação significativa depende
de transmitir informações pessoais, avisos e mensagens de da “normalidade” consensual do funcionamento das coisas
natureza simples. Características: do mundo (isto é, devem ser coerentes).
→ estrutura formal parecida com a carta: destinatário, Parece-nos claro que as noções de integração e de coe-
texto (mensagem), despedida e remetente e data; rência estão diretamente interligadas: não se atinge a coe-
→ mensagem breve e simples, tanto na forma quanto rência sem haver a integração das partes do texto.
no conteúdo;
Todas as informações contidas em um texto são distri-
→ a finalidade deve ser prática e objetiva, geralmente
buídas e organizadas em seu interior graças ao emprego de
coisas do dia a dia;
→ linguagem informal; certos recursos léxicos e gramaticais (conjunções, preposi-
→ usado, normalmente, entre familiares, amigos e cole- ções, pronomes, pontuação etc.). Esses recursos são utiliza-
gas. dos em benefício da expressão do sentido e de sua compre-
ensão. Vejamos um exemplo:
Tipos de Gêneros escritos e orais Contratei quatro pedreiros; eles vieram esta manhã
para orçar o serviço.
Adivinha Discurso de defesa
Anedota ou caso Editorial Nessa frase, verificamos o uso da forma pronominal
Artigos de opinião Ensaio eles (terceira pessoal do plural) e a flexão verbal vieram. A
Assembleia Ensaio forma eles vieram faz referência a outro elemento, presente
Autobiografia Fábula na primeira oração (Contratei quatro pedreiros). Sabemos
Biografia Histórico que a forma pronominal eles refere-se ao sintagma nominal
Biografia romanceada Lenda quatro pedreiros.
Carta de Leitor Narrativa de aventura A esse processo de sequencialização que assegura (ou
Carta de reclamação Narrativa de enigma torna recuperável) uma ligação linguística significativa entre
Carta de solicitação Narrativa mítica os elementos que ocorrem na superfície textual damos o
Conto Notícia nome de Coesão textual.
Conto de fadas Novela fantástica Ambos os processos (coerência e coesão) são muito,
Conto maravilhoso Piada mas muito importantes mesmo!
Crônica esportiva Relato de uma viagem
Crônica Literária Relato histórico Critérios de textualização
Crônica social Reportagem
Curriculum vitae Resenha crítica Coesão
Debate regrado Testemunho
Deliberação informal Textos de opinião Segundo Koch, o conceito de coesão textual diz res-
Diálogo argumentativo peito a todos os processos de sequencialização que assegu-
Diário íntimo ram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística signifi-
Discurso de acusação cativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual.

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Formas de coesão referencial pronominal: → conclusão: logo, assim, portanto
Endófora (correferência resolvida no plano textual) > → adição: e, bem como, também
pode ser > anáfora (retrospectiva) ou catáfora (prospectiva). → disjunção: ou
Exófora (referência a um elemento contextual, externo → exclusão: nem
ao texto). → comparação: mais do que; menos do que

Operadores Organizacionais:

LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo LXXI
I – de espaço e tempo textual:
O Senão do Livro
→ em primeiro lugar
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele
me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns
→ como veremos
magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai → como vimos
um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepul- → neste ponto
cro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás, ínfimo, → aqui na 1ª parte
porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de → no próximo capítulo
envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração directa e II – metalinguísticos:
nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são → por exemplo
como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, → isto é
resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e → ou seja
caem. → quer dizer
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas) → por outro lado
→ repetindo
Catáfora e Anáfora → em outras pala­vras
→ com base nisso
As palavras catáfora e anáfora referem-se a dois recur-
sos coesivos que têm por função conectar os elementos pre- Textos exemplificadores de coesão e coerência: O
sentes em uma frase. Show (1) e (2)
Na catáfora, faz-se uso de um termo ou locução ao final
de uma frase para especificar o sentido de outro termo ou
locução anteriormente expresso. Por exemplo, veja a frase O Show (1)
a seguir: O cartaz
O desejo
A viagem resumiu-se nisto: comer, beber e caminhar.
O pai
O dinheiro
No exemplo acima, a forma nisto antecipa as informa-
O ingresso
ções especificadas após os dois-pontos; e, consequente-
O dia
mente, as informações após os dois-pontos especificam o A preparação
sentido do termo anteriormente expresso (nesse caso, nisto). A ida
Já a anáfora é o processo pelo qual um termo gramati- O estádio
cal (principalmente pronomes) retoma a referência a um sin- A multidão
tagma anteriormente usado na mesma frase. A expectativa
→ Comeram, beberam, caminharam e a viagem ficou A música
nisso. A vibração
[nisso = comer, beber e caminhar] A participação
→ Fui à Avenida Paulista no dia do protesto. Lá, fui alve- O fim
jado nas costas. A volta
[lá = Avenida Paulista] O vazio

Formas de coesão sequencial


O Show (2)

Sequenciação parafrástica Sexta-feira Raul viu um cartaz anunciando um show de


Antonio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. Milton Nascimento para a próxima terça-feira, dia 04.04.1989,
Por ter sido (a obra) avaliada (por ele, Antonio Candido), a às 21h, no ginásio do Uberlândia Tênis Clube na Getúlio Vargas.
obra foi amplamente difundida e estudada. Por ser fã do cantor, ficou com muita vontade de assistir à apre-
sentação. Chegando a casa, falou com seu pai para comprar o
Equivalência ingresso. Na terça-feira, dia do show, Raul preparou-se, esco-
Antônio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. lhendo uma roupa com que ficasse mais à vontade durante o
A obra de Machado de Assis foi avaliada por Antônio evento. Foi para o UTC com um grupo de amigos. Lá havia uma
Candido. multidão em grande expectativa aguardando o início do espetá-
culo, que começou com meia hora de atraso. Mas valeu a pena:
Processos de coesão conectiva a música era da melhor qualidade, fazendo todos vibrarem e par-
Operadores Argumentativos: ticiparem do show. Após o final, Raul voltou para casa com um
→ oposição: mas, porém, contudo vazio no peito pela ausência de todo aquele som, de toda aquela
→ causa: porque, pois, já que alegria contagiante.
→ fim: para, com o propósito de
→ condição: se, a menos que, desde que

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Coerência Podemos afirmar que hoje há um consenso quanto ao
fato de se admitir que todos os textos comungam (dialogam)
A coerência é, sobretudo, uma relação de sentido que se com outros textos; quer dizer, não existem textos que não
manifesta entre os enunciados, em geral de maneira global e mantenham algum aspecto intertextual, pois nenhum texto
não localizada. Observe a distinção entre coesão e coerência: se acha isolado.
coesão é caracterizada pela continuidade baseada na Quando produzimos um texto, sempre fazemos refe-
forma; rência a alguma outra forma de texto (um discurso, um docu-
BRUNO PILASTRE

coerência é caracterizada pela continuidade base­ada no mentário, uma reportagem, uma obra literária, uma notícia
sentido. etc.). Em nossa produção ocorre, portanto, a relação de um
texto com outros textos previamente existentes, isto é, efeti-
Textos vamente produzidos.
Vejamos, em síntese, dois tipos de Intertextualidade
Incoerência aparente (Koch, 1991):

Subi a porta e fechei a escada intertextualidade explícita: como no caso de citações,


Tirei minhas orações e recitei meus sapatos.
discursos diretos, referências documentadas com a fonte,
Desliguei a cama e deitei-me na luz
Tudo porque
resumos, resenhas. Esse tipo de intertextualidade é utili-
Ela me deu um beijo de boa noite... zado em textos acadêmicos e não ocorre com frequência em
textos dissertativos/argumentativos (em sede de concurso
Incoerência narrativa público);

Exemplo 1. intertextualidade com textos próprios, alheios ou


genéricos: alguém pode muito bem situar-se numa relação
Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa consigo mesmo e aludir a seus textos, bem como citar textos
esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraqui- sem autoria específica, como os provérbios.
nho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacoti-
nhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um moto- O parágrafo
rista, que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro
capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas
vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um
Nesta seção, apresentaremos o parágrafo, o qual será
homem corpulento. Carregou-o até a cal­çada, parou um carro e tratado como uma unidade básica de composição. Isso sig-
levou o homem para o hospital. Assim, salvou-lhe a vida. nifica que podemos estruturar e analisar o texto a partir da
medida do parágrafo.
Exemplo 2.
Conceito de parágrafo
Lá dentro havia uma fumaça formada pela maconha e essa
fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois
Segundo Othon M. Garcia, em sua obra Comunicação
ela era muito intensa.
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado
em Prosa Moderna, o parágrafo é uma unidade de compo-
na parede da sala e fiquei observando as pessoas que lá esta- sição constituída por um ou mais de um período, em que se
vam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, desenvolve determinada ideia central, nuclear, à qual se
pretas, amarelas, altas, baixas etc. agregam outras, denominadas secundárias, as quais são
intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decor-
Incoerência argumentativa rentes delas. Vejamos essa lição em uma ilustração:

Se o texto parte da premissa de que todos são iguais


perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente
o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem
obrigadas a pagar imposto de renda.
O argumentador pode até defender essas regalias, as não
pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei.

Incoerência descritiva

Vida no Polo Norte: palmeiras, camelos, cactos, estradas


poeirentas e muito calor.

Intertextualidade O parágrafo como unidade de composição

Segundo o Dicionário de análise do discurso, Intertex- Esse conceito de parágrafo aplica-se a um texto padrão,
tualidade é uma propriedade constitutiva de qualquer texto e o regular. Pode haver, a depender do gênero textual, da natu-
conjunto das relações explícitas ou implícitas que um texto ou reza da produção e sua complexidade, diferentes formas de
um grupo de textos determinado mantém com outros textos. organização do parágrafo.

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Estrutura do parágrafo
Forma de produzir o Exemplo
tópico frasal
O parágrafo é materialmente indicado na página pelo
pequeno afastamento da margem esquerda da folha. Essa Declaração inicial: o autor O Estado não é uma ampliação
distinção gráfica do parágrafo é significativa, pois facilita ao afirma ou nega alguma do círculo familiar e, ainda menos,
coisa logo de início. Em uma integração de certos agrupa-
escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente
seguida (no desenvolvi- mentos, de certas vontades par-

LÍNGUA PORTUGUESA
as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor mento), apresenta argu- ticularistas, de que a família é o
acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes mentos para fundamentar a melhor exemplo.
estágios. asserção.
Uma dúvida que surge quando estudamos a composi-
Definição: é método pre- Estilo é a expressão literária de
ção do parágrafo é a sua extensão. Se a produção textual
ferentemente didático e faz ideias ou sentimentos.
trata de um assunto cuja complexidade exige que o desen- uso da linguagem denota-
volvimento de determinada ideia central seja desdobrado tiva.
em mais de um parágrafo, isso é justificado. Do mesmo
modo, essa mesma ideia central (de grande complexidade) Divisão: também é pro- O silogismo divide-se em silo-
cesso didático. Apresenta gismo simples e silogismo com-
pode ser desenvolvida em um único parágrafo, o qual terá
o tópico frasal sob a forma posto.
uma extensão maior em relação à composição com pará- de divisão ou discriminação
grafos desdobrados (divididos). Percebemos, então, que a das ideias a serem desen-
extensão do parágrafo dependerá da natureza de sua ideia volvidas.
central (se complexa ou simples) e do tratamento do escritor
em relação à sua divisão. Em sua redação discursiva, recomendo o uso da decla-
ração inicial, a qual deve ser desenvolvida, preferencial-
O tópico frasal mente, em voz ativa, na ordem direta, na modalidade afir-
mativa e em períodos curtos.
Vejamos, agora, o que caracteriza o tópico frasal e
como o domínio de sua estrutura facilita a análise do pará- 2.5.4. Formas de desenvolvimento do parágrafo
grafo – e, consequentemente, do texto.
O parágrafo organiza-se em introdução, desenvolvi- No desenvolvimento do parágrafo explanamos a ideia
mento e conclusão: principal, apresentada no tópico frasal. Devemos funda-
mentar de maneira clara e convincente as ideias que defen-
a introdução é composta, na maioria dos casos, por demos ou expomos. Apresentamos, a seguir, seis formas
dois períodos curtos iniciais. Nesses períodos, há a expres- de desenvolver o parágrafo. É bom que você, estudante,
são, de maneira sumária e sucinta, da ideia núcleo – é o conheça cada uma, pois isso proporcionará mais autonomia
que chamamos de tópico frasal. Na obra Raízes do Brasil, em sua leitura.
Sérgio Buarque de Holanda nos apresenta o seguinte tópico
frasal:
Forma de desenvolver o Características
parágrafo
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Enumeração ou descri- Ocorre quando há a especifica-
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
ção de detalhes ção da ideia-núcleo por meio da
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo.
apresentação de pormenores,
detalhes.
Nele, observamos a declaração sobre o que (não)
Confronto O confronto é caracterizado
caracteriza o Estado. Ao enunciar logo de saída a ideia- quando há o contraste (baseado
-núcleo, o autor garante, por meio do tópico frasal explícito, nas dessemelhanças) e o paralelo
a objetividade, a coerência e a unidade do parágrafo, defi- (baseado nas semelhanças).
nindo-lhe o propósito e evitando digressões impertinentes; Há, ainda, a antítese (oposição
de ideias isoladas) e a analo-
→ no desenvolvimento há a explanação mesma da gia (semelhança entre ideias ou
cosias, procurando explicar o
ideia-núcleo. Não se pode omitir, no desenvolvimento, algo
desconhecido pelo conhecido, o
que foi apresentado no tópico frasal. Também é pertinente
estranho pelo familiar).
não desenvolver novas ideias (secundárias) sem haver cor-
Analogia e comparação A analogia caracteriza-se por
relação direta com a ideia-núcleo; ser uma semelhança parcial que
sugere uma semelhança oculta,
→ a conclusão, dentro do parágrafo, é mais rara, prin- mais completa.
cipalmente nos parágrafos mais curtos e naqueles em que a Na comparação, as semelhanças
ideia central não apresenta maior complexidade. são reais, sensíveis.
Citação de exemplos Pode ser didática, em que a cita-
Após apresentar a estrutura básica do parágrafo, veja- ção de exemplos assume uma
forma de comprovação ou eluci-
mos esquematicamente as diferentes maneiras de se produ-
dação.
zir o tópico frasal:

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Causação e motivação Pode-se apresentar sob a forma (iv) Adição, continuação: Além das locuções adverbiais
de razões e consequências ou além disso, (a)demais, indicadas na coluna à esquerda,
causa e efeito. outrossim, ainda mais, também as conjunções aditivas,
Definição É um método preferentemente ainda por cima, por outro como o nome indica, “ligam,
didático e faz uso da linguagem lado, também – e as conjun- ajuntando”.
denotativa. A definição é feita ções aditivas (e, nem, não
de acordo com o tópico frasal, só... mas também etc.)
havendo a natural ampliação que (v) Dúvida: O leitor ao chegar até aqui – se
BRUNO PILASTRE

é típica do desenvolvimento. talvez, provavelmente, pos- é que chegou – talvez já tenha


sivelmente, quiçá, quem adquirido uma ideia da relevân-
Coesão entre as ideias do parágrafo e entre parágrafos sabe? é provável, não é cia das partículas de transição.
certo, se é que;
Precisamos, agora, juntar as peças, ou seja, reunir os (vi) Certeza, ênfase: Certamente, o autor destas
de certo, por certo, certa- linhas confia demais na paciên-
períodos dentro do parágrafo (intraparagrafal) e os pará-
mente, indubitavelmente, cia do leitor ou duvida demais do
grafos dentro do texto (interparagrafal). Para interligá-las,
inquestionavelmente, sem seu senso crítico.
faz-se uso das partículas de transição e palavras de referên- dúvida, inegavelmente, com
cia. Adotaremos o quadro proposto por Othon M. Garcia, em toda a certeza;
sua obra Comunicação em Prosa Moderna. (vii) Ilustração, esclareci- Essas partículas, ditas “explica-
mento: tivas”, vêm sempre entre vírgu-
Itens de transição e pala- Exemplo por exemplo, isto é, quer las, ou entre uma vírgula e dois-
vras de referência dizer, em outras palavras, -pontos.
(i) Prioridade, relevância: Em primeiro lugar, é preciso ou por outra, a saber;
em primeiro lugar, antes de deixar bem claro que esta série (viii) Propósito, intenção,
mais nada, primeiramente, de exemplos não é completa, finalidade:
acima de tudo, precipua- principalmente no que diz res- com o fim de, a fim de, com
mente, mormente, princi- peito às locuções adverbiais. o propósito de, proposital-
palmente, primordialmente, mente, de propósito, inten-
sobretudo; cionalmente – e as conjun-
(ii) Tempo (frequência, Finalmente, é preciso acrescen- ções finais;
duração, ordem, suces- tar que alguns desses exemplos (ix) Resumo, recapitula- Em suma, leitor: as partículas de
são, anterioridade, poste- se revelam por vezes um pouco ção, conclusão: transição são indispensáveis à
rioridade, simultaneidade, ingênuos. A princípio, nossa em suma, em síntese, coerência entre as ideias e, por-
eventualidade): intenção era omiti-los para não em conclusão, enfim, em tanto, à unidade do texto.
então, enfim, logo, logo alongar este tópico: mas, por resumo, portanto;
depois, imediatamente, fim, nos convencemos de que as (x) Causa e consequência:
logo após, a princípio, ilustrações são frequentemente daí, por consequência, por
pouco antes, pouco depois, mais úteis do que as regrinhas. conseguinte, como resul-
anteriormente, posterior- tado, por isso, por causa
mente, em seguida, afinal, de, em virtude de, assim, de
por fim, finalmente, agora, fato, com efeito – e as con-
atualmente, hoje, frequen- junções causais, conclusi-
temente, constantemente, vas e explicativas;
às vezes, eventualmente, (xi) Contraste, oposição,
por vezes, ocasionalmente, restrição, ressalva:
sempre, raramente, não pelo contrário, em contraste
raro, ao mesmo tempo, com, salvo, exceto, menos
simultaneamente, nesse – e as conjunções adversa-
ínterim, nesse meio tempo, tivas e concessivas;
enquanto isso – e as con- (xii) Referência em geral: Este caso exige ainda esclareci-
junções temporais; os pronomes demonstrati- mentos. Com referência a tempo
vos “este” (o pais próximo), passado (ano, mês, dia, hora)
(iii) Semelhança, compara- No exemplo anterior (valor ana- “aquele” (o mais distante), não se deve empregar este, mas
ção, conformidade: fórico), o pronome demonstra- “esse” (posição intermedi- “esse” ou “aquele”. “Este ano
igualmente, da mesma tivo “desses” serve igualmente ária; o que está perto da choveu muito. Dizem os jornais
forma, assim também, do como partícula de transição: pessoa com quem se fala); que as tempestades e inunda-
mesmo modo, similarmente, é uma palavra de referência à os pronomes pessoais; ções foram muito violentas em
semelhantemente, analo- ideia anteriormente expressa. repetições da mesma pala- certas regiões do Brasil.” (A tran-
gamente, por analogia, de Da mesma forma, a repetição vra, de um sinônimo, perí- sição neste último exemplo se faz
maneira idêntica, de con- de “exemplos” ajuda a interli- frase ou variante sua; os pelo emprego de sinônimos ou
formidade com, de acordo gar os dois trechos. Também o pronomes adjetivos último, equivalentes de palavras ante-
com, segundo, conforme, adjetivo “anterior” funciona como penúltimo, antepenúltimo, riormente expressas (choveu):
sob o mesmo ponto de vista palavra de referência. “Também” anterior, posterior; os nume- tempestades e inundações.)
– e as conjunções compara- expressa aqui semelhança. No rais ordinais (primeiro,
tivas; exemplo seguinte (valor catafó- segundo etc.).
rico), indica adição.

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Tipos de frases Organização tópica

A denominação elegância nos dá a ideia de bom gosto, Veremos, nesta seção, as formas de se organizar o
garbo. A frase bem construída pode passar essa impressão. tópico discursivo.
Mas a sua construção deve ter estilo, algo que individualiza No texto escrito, é necessário um processo enuncia-
a obra criada. Nas palavras de Othon M. Garcia, estilo é a tivo mais calculado, na base de suposições sociocognitivas

LÍNGUA PORTUGUESA
forma pessoal de expressão em que os elementos afetivos e planejamento de maior alcance. Assim, deve haver uma
manipulam e catalisam os elementos lógicos presentes em distribuição calculada (planejada) da informação na frase.
toda atividade do espírito, nesse caso a escritura de frases. Vejamos, então, quais são os componentes informacionais
Na importante obra Comunicação em prosa moderna, da frase:
o autor supracitado enumera algumas estruturas frasais que,
se bem utilizadas, podem ser apresentadas com garbo, ele- → tema: traz a informação sobre a qual é falado, ou
gância. seja, a informação dada;
As principais modalidades estilísticas frasais são as → rema: traz o que se diz sobre o tema, conhecida
seguintes: como informação nova.

a) Frase de arrastão: sequência cronológica de O tema (também chamado tópico ou dado) traz a
co­ordenações, arrastando a ideia, pormenorizando o pensa- informação dada ou relativamente conhecida e o rema traz a
mento. São muito utilizadas na linguagem infantil e empre- informação relativamente nova ou desconhecida, tendo em
gadas por autores contemporâneos para denunciar uma vista o caráter informacional do fluxo comunicativo.
humanidade que perdeu a ca­pacidade de hierarquizar ideias, Apresentaremos, nas subseções seguintes (de 2.6.1.
imitando o homem medieval, que tinha dificuldades em cons- a 2.6.5.), cinco estruturas básicas de progressão (ou seja,
truir perío­dos subordinados. Leia-se o exemplo: a relação entre o tema e o rema na construção textual
→ O julgamento iniciou e juiz deu a palavra ao advo- mediante o fluxo da informação). O domínio desses esque-
gado e este apresentou sua tese com entusiasmo, mas os mas (estruturas) por parte do escritor é fundamental para a
jurados não aceitaram a legítima defesa e condenaram o réu. articulação eficaz das ideias no texto.
Por fim, lembramos que não há predomínio absoluto de
b) Frase de ladainha: é a variante da frase de arras­tão, uma forma de progressão (sequenciação) em um texto. No
sendo construída com excesso de polissíndeto da conjun- geral, as formas de progressão aparecem misturadas com o
ção e, sem, no entanto, dar à frase tom retórico de gradação predomínio (não absoluto) de uma dessas formas.
(crescente ou decrescente). Em síntese, devemos ter em mente que, em relação ao
assunto Organização tópica, os textos progridem em suas
c) Frase entre cortada: também chamada de frase subunidades de maneira ordenada e não caótica.
esportiva, é muito curta. Em excesso, esta cons­trução usada
como recurso estilístico literário para apontar a incapacidade Progressão linear simples
de o homem pensar, torna­-se estilo picadinho, impróprio ao
discurso jurídico. Vejamos:
→ O réu entrou na sala. Estava abatido. Sentou-se.
Colo­cando as mãos na cabeça. Ela estava abaixada. Ele
parecia desanimado. Ele previa o resultado adverso. Ele
esperava a condenação.

d) Frase fragmentária: variante da frase entrecor­tada,


apresentava rupturas na construção frásica, com incomple-
tude sintática.
Exemplo de Progressão linear simples:
→ Condenado o réu, será encaminhado a presídio de
A fonologia estuda os fonemas de uma língua. Os fonemas
segurança máxima. são as unidades componenciais mínimas de qualquer sistema
linguístico. Todo sistema linguístico tem pelo menos entre vinte e
e) Frase labiríntica: é o excesso de subordinações, sessenta sons. Estes sons...
dividindo-se a frase em ideias secundárias que, por sua vez.
Também se partem, afastando-se da ideia nuclear. Vejamos: Progressão com um tema contínuo
→ O Direito é a aplicação da lei que é imperativa, não
convidando seus subordinados a obedecer a ela, por exigir
seu acatamento, sendo a norma jurídica à vontade do orde-
namento jurídico.

f) Frase caótica: também apelidada de fluxo do cons­


ciente, da linha psicanalítica. É a estrutura frásica desorga-
nizada, sem logicidade semântico-sintática, bastante empre-
gada na literatura contemporânea.

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Exemplo de Progressão com um tema contínuo: Resumo de textos
Os seres vivos habitam a Terra há milhares de anos. Seres
vivos ainda não foram encontrados em outros planetas. Eles são Segundo a NBR 6028:2003, resumo é uma “apresenta­
uma forma superior de seres na natureza, mas estão ameaçados ção concisa dos pontos relevantes de um documento”. Uma
de desaparecer com o aumento da poluição humana. apresentação sucinta, compacta, dos pontos mais importan­
tes de um texto.
Progressão com tema derivado (temas que são deri- ou
vados por hipertema)
BRUNO PILASTRE

Resumo é uma apresentação sintética e seletiva das


ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação
delas. Nele devem aparecer as ideias principais do autor
do texto.
O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde
informações de tal modo que pode influenciar e estimular a
consulta do texto completo.
Formalmente, o redator do resumo deve atentar para
alguns procedimentos:
→ ser redigido em linguagem objetiva;
→ evitar a repetição de frases inteiras do original;
Exemplo de Progressão com tema derivado: → respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são
Os animais dividem-se em várias classes. Os animais ver-
apresentados;
tebrados são em geral os maiores fora d’água. Os animais mari-
nhos são os maiores de todos. Já os insetos são os menores
animais que a natureza tem. Finalmente, o resumo:
→ não deve apresentar juízo de valorativo ou crítico
Progressão com um rema dividido (desenvolvimento (que pertence a outro tipo de texto, a resenha);
com um duplo tema ou múltiplo) → deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dis­
pensar a consulta ao original.

Como resumir:
→ Leitura completa do texto;
→ Análise do texto, sublinhando as partes mais impor­
tantes;
→ Elaborar um esquema das ideias principais do texto;
→ Produzir texto com suas próprias palavras. Não
copiar.

Exemplo:
Exemplo de Progressão com um rema dividido: Informação central x Detalhes referentes a ela.
O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.
A cabeça é uma parte muito especial por abrigar o cérebro. O
tronco abriga a maioria dos órgãos vitais. Os membros servem Como ocorre todos os anos, os amigos de Maria, fun­cionária de
para nosso contato com as coisas e manipulação direta dos obje- uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas,
tos à nossa volta. uma grande festa durante a tarde de ontem, em comemoração
a seu aniversário.
Progressão com salto temático
Eliminar, quando não for uma informação fundamental:
→ Características de Maria;
→ Referência de lugar;
→ Referência de tempo;
→ Causa do fato;
→ Frequência.

Resultado:
→ Os amigos de Maria fizeram uma grande festa para
ela.
Exemplo de Progressão com salto temático:
A polícia militar nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo Resumo de ideias
foram mostradas em sua verdadeira face nos últimos dias de
junho deste ano. Nesta época, viu-se algo profundamente depri- Ideia central → Encontra-se na Introdução.
mente. Conta-se que há muitos anos atrás, quando ainda havia Argumentos (somente os mais importantes, principais).
escravidão, qualquer coisa que desagradasse ao senhor era tra- → Em cada parágrafo deve haver um argumento. Você
tada com violência e espancamento.
deverá encontrá-lo.
→ Eliminar ideias secundárias e exemplificações.

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Assim, o resumo é uma condensação fiel das ideias Paráfrases e suas modalidades
ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa
reduzi­-lo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista Em linguística, a paráfrase é uma maneira diferente de
três ele­mentos: dizer algo que foi dito; é uma frase sinônima de outra. Quando
→ Cada uma das partes essenciais do texto; parafraseamos, reescrevemos reservando as ideias originais.
→ A progressão em que elas se sucedem; A paráfrase pode ser feita por:
→ A correlação que o texto estabelece entre cada uma

LÍNGUA PORTUGUESA
dessas partes. a) Substituição lexical (relações de sinonímia):
→ Embora dissesse a verdade, ninguém acreditou em
Variação linguística: sistema, norma e uso seu discurso.
→ Conquanto dissesse a verdade, ninguém acreditou
(Baseado na obra de CAMACHO, R. A variação lin- em seu discurso.
guística. In: Subsídios à proposta curricular de língua Portu-
guesa para o ensino fundamental e médio. São Paulo, 1988.
b) Inversão dos termos da oração ou das orações do
(Com adaptações))
período:
→ Grande parte de nossas vidas transcorre em salas
A variação de uma língua é a forma pela qual ela difere
de aula.
de outras formas da linguagem sistemática e coerente-
→ Em salas de aula, grande parte de nossas vidas trans-
mente. Uma nação apresenta diversos traços de identifica-
corre.
ção, e um deles é a língua. Esta pode variar de acordo com
alguns fatores, tais como o tempo, o espaço, o nível cultural → Irei ao México quando me formar.
e a situação em que um indivíduo se manifesta verbalmente. → Quando me formar, irei ao México.

Conceito c) Transposição da voz ativa para a voz passiva e vice-


-versa:
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa → Walter Sousa elogiou a obra de Machado de Assis.
ou estilo de linguagem. Alguns escritores de sociolinguística → A obra de Machado de Assis foi elogiada por Walter
usam o termo leto, aparentemente um processo de criação Sousa.
de palavras para termos específicos, são exemplos dessas
variações: d) Transposição do discurso direto para o discurso indi-
→ Dialetos (variação diatópica), isto é, variações fala- reto e vice-versa:
das por comunidades geograficamente defi­nidas. → O aluno disse:
→ Idioma é um termo intermediário na distinção dia­leto- - Estou com dúvida, professor.
linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo → O aluno disse ao professor que estava com dúvida.
estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou
uma linguagem) quando sua condição em relação a esta dis- e) Substituição da oração adverbial, substantiva ou adje-
tinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo para lin- tiva pelas classes gramaticais correspondentes ou vice-versa:
guagem num sentido mais geral). → A moça escorregou porque ventava. (oração adver-
→ Socioletos, isto é, variações faladas por comu­ bial causal)
nidades socialmente definidas. → A moça escorregou por causa do vento. (locução
→ Linguagem Padrão ou norma padrão, padroni­zada adverbial causal)
em função da comunicação pública e da edu­cação. → Desejo que você silencie. (oração substantiva)
→ Idioletos, isto é, uma variação particular a certa → Desejo o seu silêncio. (substantivo)
pessoa. → Ela é uma pessoa que tem convicções. (oração adje-
→ Registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário espe- tiva)
cializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões.
→ Ela é uma pessoa convicta. (adjetivo)
→ Etnoletos, para um grupo étnico.
d) Substituição de orações desenvolvidas por reduzidas
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem
e vice-versa:
ser distinguidas não apenas por seu vocabulário, mas
→ É importante que o trabalho seja prosseguido.
também por diferenças na gramática, na fonologia e na ver-
(oração desenvolvida)
sificação. Por exemplo, o sotaque de palavras tonais nas lín-
guas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. → É importante prosseguir o trabalho. (oração reduzida)
Outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes
socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia Perífrases e construções perifrásticas (Circunlóquio)
básica da linguagem.
Certos registros profissionais, como o chamado legalês, A perífrase é definida como uma frase ou recurso verbal
mostram uma variação na gramática da linguagem padrão. que exprime aquilo que poderia ser expresso por menor
Por exemplo, jornalistas ou advogados ingleses frequente- número de palavras; circunlóquio. Temos, por exemplo, as
mente usam modos gramaticais, como o modo subjuntivo, seguintes expressões para ilustrar o que é uma perífrase.
que não são mais usados com frequência por outros falan- → “A última flor de Lácio” – Língua Portuguesa.
tes. Muitos registros são simplesmente um conjunto espe- → “O país do Futebol” – Brasil.
cializado de termos. → “A dama do teatro brasileiro” – Fernanda Montenegro.

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→ “Bruxo do Cosme Velho” – Machado de Assis. reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente,
vinculada à do(s) seu(s) autor(es) e às sociedade em que
A análise do discurso vive(m).
Texto, por sua vez, é o produto da atividade discur-
Análise do discurso – ou análise de discurso – é uma siva, o objeto empírico de análise do discurso; é a constru-
prática e um campo da linguística e da comunicação espe- ção sobre a qual se debruça o analista para buscar, em sua
cializado em analisar construções ideológicas presentes em superfície, as marcas que guiam a investigação científica. É
BRUNO PILASTRE

um texto. É muito utilizada, por exemplo, para analisar textos necessário salientar, porém, que o objeto da análise do dis-
da mídia e as ideologias que os engendram. A análise do curso é o discurso.
discurso é proposta a partir da filosofia materialista, que põe (CHARAUDEAU, P; MAINGUENEAU, D.
em questão a prática das ciências humanas e a divisão do Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004.)
trabalho intelectual, de forma reflexiva.
De acordo uma das leituras possíveis, discurso é a prá- Vícios de linguagem
tica social de produção de textos. Isto significa que todo dis-
curso é uma construção social, não individual, e que só pode Por Vícios de linguagem entende-se: os desvios
ser analisado considerando seu contexto histórico-social, cometidos pelos usuários da língua, às vezes por desconhe-
suas condições de produção; significa, ainda, que o discurso cimento das normas ou por descuido. Entre os vícios de lin-
guagem, cabe menção aos seguintes (cf. BECHARA, 2009):

Nome Conceituação Exemplo


O solecismo é um erro de sintaxe. Abrange diversos Eu lhe abracei (por o).
domínios: a concordância, a regência, a colocação e
Solecismo a má estruturação dos termos da oração. Esse erro, A gente vamos (por vai).
comumente, torna a sintaxe incompreensível ou impre-
cisa. Tu fostes (por foste).
Em oposição ao solecismo (que diz respeito à constru- gratuíto por gratuito
ção ou combinação da palavra), o barbarismo é o erro
no emprego de uma palavra. Inclui erro de: pronúncia rúbrica por rubrica
Barbarismo (ortoepia), de prosódia, de ortografia, de flexões, de sig-
nificado, de palavras inexistentes na língua, de forma- cidadões por cidadãos
ção irregular de palavras.
areonáutica por aeronáutica
Caracteriza-se pelo emprego de palavras, expressões doméstico (voo) por nacional
e construções alheias ao idioma que a ele chegam por
empréstimos tomados de outra língua. Para nós, brasi- marketing
Estrangeirismo leiros, os estrangeirismos de maior frequência são os
francesismos ou galicismos, anglicismos, espanho- entretenimento
lismos e italianismos.
adágio

aquarela
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas O homem bateu na velha com a bengala.
unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções,
frases) de significar coisas diferentes, de admitir mais O guarda conduziu a idosa para sua residência.
de uma leitura. A ambiguidade é um fenômeno muito
frequente, mas, na maioria dos casos, os contextos lin- O cadáver foi encontrado perto do banco.
Ambiguidade ou anfibologia guístico e situacional indicam qual a interpretação cor-
reta.
Estilisticamente, é indesejável em texto científico ou
informativo, mas é muito usado na linguagem poética
e no humorismo.
Eco É a sucessão de palavras que rimam entre si. Não dão explicação para a demissão do João.

A estilística Assim como é variável na abrangência do conceito de


estilo, variável há de ser a própria concepção de Estilística.
Para compreender bem a estilística, recorreremos à mais Há, de fato, uma estilística em sentido amplo e uma estilística
recente obra de José Carlos de Azeredo, Gramática Houaiss em sentido restrito. Em sua acepção ampla, entende-se por
da Língua Portuguesa (PubliFolha, 2008). Estilística o estudo dos diferentes usos – isto é, estilos – da
Segundo o autor, a estilística pode ser considerada uma língua segundo a situação e a finalidade do ato comunicativo;
teoria da construção do sentido, na medida em que se baseia
Assim entendida, trata-se de uma disciplina que consiste em
na premissa de que o que um texto significa é modelado pelas
um método de análise de textos e pode ser considerada uma
escolhas linguísticas – de ordem léxica, gramática, fonética,
variedade de Análise do Discurso.
gráfica e rítmica – feitas por seu enunciador.

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Recursos estilísticos Figuras de sintaxe

Todo texto deve apresentar a forma que convém às O desvio estilístico nas figuras de sintaxe ocorre na
intenções de quem o enuncia. Segundo este postulado, a lin- organização sintática da frase.
guagem de um texto não é uma mera roupagem de um con-
teúdo, mas a única possibilidade de que esse conteúdo ‘se Figuras de pensamento
apresente’ ao leitor. E para tanto contribuem todos os dados

LÍNGUA PORTUGUESA
do evento sociocomunicativo: quem enuncia, a quem o enun- O desvio se dá no sentido geral da frase, no entendi-
ciado interessa, o que é relevante dizer, que efeitos de sen- mento total da mensagem. Essas figuras manifestam seu
tido são pretendidos, que estratégias discursivas e textuais rendimento no desacordo da relação de verdade entre o
podem conduzir a esses efeitos. Isso provoca uma variação que se diz literalmente e a realidade da qual se fala. Assim,
da modalidade da linguagem, em consonância com as fun- é fundamental o conhecimento do referente, para a perfeita
ções que a ela atribuímos no processo de comunicação. apreensão do sentido que se pretende atribuir ao enun-
É necessário compreender que os valores afetivos e ciado.
estéticos da linguagem são realçados em função de certos
procedimentos de organização da matéria verbal que a Figuras fônicas
caracterizam. Esses procedimentos – denominados recur-
sos (ou traços) estilísticos - se observam em todos os O desvio ocorre na organização da camada sonora da
planos e níveis da arquitetura da língua. São recursos fôni- linguagem, explorando o potencial expressivo dos fonemas.
cos, arranjos sintáticos, modulações rítmicas, criações mór- Os sons da linguagem, assim como outros sons,
ficas, combinações insólitas, paralelismos, notações gráfi- podem provocar sensações agradáveis ou desagradáveis.
cas etc. Todos esses, além de outros, recursos de estilo Não é por outra razão que Charles Bally afirma a existência
amplificam o sentido da frase, fazem o ‘modo de dizer’ a de “uma correspondência entre os sentimentos e os efeitos
pedra de toque de todo o processo de interpretação e com- sensoriais produzidos pela linguagem”.
preensão de um texto.
Referências
Figuras de linguagem
Bibliografia
Podemos definir figuras de linguagem como formas ANDRADE, M. & MEDEIROS, J. Comunicação em língua portuguesa.
simbólicas ou elaboradas de exprimir ideias, significados, 2009.
pensamentos etc., de maneira a conferir-lhes maior expres- AZEREDO, J. Escrevendo pela nova ortografia: como usar as regras
sividade, emoção, simbolismo etc., no âmbito da afetividade do novo acordo ortográfico da língua portuguesa. 2008.
ou da estética da linguagem. Portanto, é interessante ter BECHARA, E. Estudo da língua portuguesa: textos de apoio. 2010.
em mente que as figuras de linguagem não valem por si BRASIL. Presidência da República. Manual de redação da Presidên-
mesmas, como elementos autônomos sem qualquer rela- cia da República. Brasília: Imprensa Nacional, 1991.
ção com a semântica do texto. [...] Como as palavras, as CARVALHO, J. Teoria da Linguagem. 1983.
figuras de linguagem não significam isoladas, independen- CEGALLA, D. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. 2007.
tes; sua significação emana das combinações de que elas DUARTE & LIMA. Classes e Categorias em Português. 2000.
participam nos contextos situacional e linguístico de sua ECO, U. A arte perdida da caligrafia. Artigo do New York Times. Revista
ocorrência. Como elas estão inseridas na macrossemântica da Cultura, nº 28.
do texto, sua capacidade de expressar uma significação FERREIRA, A. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 2009.
não depende só delas, o que torna inócuo o seu inventá- FIORIN, J. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa,
rio, o seu mero reconhecimento sem que se tenha a devida espaço e tempo. 1996.
competência linguística para perceber a sua funcionalidade GARCIA, O. Comunicação em prosa moderna. 2007.
no amplo complexo da textualidade. Desse modo, é preciso HOUAISS, A. Dicionário Houaiss: sinônimos e antônimos. 2008.
ver a terminologia que as identifica – e que a muitas pes- KOCH, I. A coesão textual. 1993.
soas causa justificado desconforto, quando não perplexi- KOCH, I. A inter-ação pela linguagem. 1992.
dade ou rejeição – um instrumental para o reconhecimento KOCH, I. A coerência textual. 1990.
técnico do fato estilístico, e não o objetivo da análise. KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. A coerência textual. 2009.
As figuras de linguagem podem atuar a área da KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. Texto e coerência. 1989.
semântica lexical, da construção gramatical, da associação KOCH, I. Argumentação e linguagem. 1984.
cognitiva do pensamento ou da camada fônica da lingua- KOCH, I. O texto e a construção dos sentidos. 2008.
gem. Assim, temos o que tradicionalmente se denomina de LUFT, C. Dicionário prático de regência nominal. 2010.
figuras de palavras, figuras de construção (ou de sintaxe), LUFT, C. Dicionário prático de regência verbal. 2008.
figuras de pensamento e figuras fônicas. Dicionários de arte MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e compreen-
poética e manuais de retórica dão conta da grande varie- são. 2008.
dade dessas figuras, às vezes apartadas por diferenças MARTINS, D. & ZILBERKNOP, L. Português Instrumental. 2009.
sutis. MEDEIROS, J. Redação científica. 2009.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Manual do candidato: português. Fund. Ale-
Figuras de palavras xandre de Gusmão. 2001.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Para entender o texto: leitura e redação.
As figuras de palavras (ou tropos) referem-se à signi- 2009.
ficação das palavras, desviando-se da significação que o Sítios
consenso identifica como normal. BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Caros Amigos: http://carosamigos.terra.com.br/ 3. Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original
Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/ do texto ao se substituir “há” (l.19) por existe.
Folha de São Paulo: http://www.folha.uol.com.br/
Le Monde Diplomatique Brasil: http://www.diplomatique.org.br/ 4. Seria mantida a correção gramatical do período caso
Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
o fragmento “Estação do ano mais aguardada pelos
PCI Concursos – Provas: http://www.pciconcursos.com.br/provas/
brasileiros” (l.1) fosse deslocado e inserido, entre vír-
Rádio CBN: http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
gulas, após “verão” (l.2) feitos os devidos ajustes de
Revista Piauí: http://revistapiaui.estadao.com.br/
BRUNO PILASTRE

VOLP: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23
maiúsculas e minúsculas.

Sítios das bancas examinadoras adotadas nesta obra 5. Infere-se do texto que ainda falta a contribuição de
CESPE: http://www.cespe.unb.br/ muitos países para as pesquisas que associem altas
CONSULPLAN: http://www.consulplan.net/portal/consulplan.php temperaturas a internações por enfermidades relacio-
ESAF: http://www.esaf.fazenda.gov.br/ nadas aos efeitos do calor.
FCC: http://www.concursosfcc.com.br/
CESGRANRIO: http://www.cesgranrio.org.br/inicial.aspx 6. Os acentos gráficos das palavras “bioestatística” e “es-
FUNRIO: http://www.funrio.org.br/ pecíficos” têm a mesma justificativa gramatical.

QUESTÕES COMENTADAS DE GRAMÁTICA 7. O termo "aí" (l.20) tem como referente “Brasil” (l.19).

CESPE/ FUB/ NÍVEL INTERMEDIÁRIO (CARGO 12) 8. O emprego da vírgula após “momento” (l.10) explica-se
por isolar o adjunto adverbial, que está anteposto ao
1 Estação do ano mais aguardada pelos brasileiros, verbo, ou seja, deslocado de sua posição padrão.
o verão não é sinônimo apenas de praia, corpos à
mostra e pele bronzeada. O calor extremo provocado 1 “O preconceito linguístico é um equívoco, e tão
por massas de ar quente ― fenômeno comum nessa nocivo quanto os outros. Segundo Marcos Bagno,
5 época do ano, mas acentuado na última década pelas especialista no assunto, dizer que o brasileiro não sabe
mudanças climáticas ― traz desconfortos e riscos à português é um dos mitos que compõem o preconceito
saúde. Não se trata somente de desidratação e inso- 5 mais presente na cultura brasileira: o linguístico”.
lação. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública de  A redação acima poderia ter sido extraída do edi-
Harvard (EUA), o maior a respeito do tema feito até o torial de uma revista, mas é parte do texto “O oxente e o
10 momento, mostrou que as temperaturas altas aumentam ok”, primeiro lugar na categoria opinião da 4ª Olimpíada
hospitalizações por falência renal, infecções do trato de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, realizada
urinário e até mesmo sepse, entre outras enfermidades. 10 pelo Ministério da Educação em parceria com a Fun-
“Embora tenhamos feito o estudo apenas nos EUA, as dação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas
em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC).
ondas de calor são um fenômeno mundial. Portanto,
 A autora do artigo é estudante do 2º ano do ensino
15 os resultados podem ser considerados universais”, diz
médio em uma escola estadual do Ceará, e foi premiada
Francesca Domininci, professora de bioestatística da
15 ao lado de outros dezenove alunos de escolas públi-
faculdade e principal autora do estudo, publicado no
cas brasileiras, durante um evento em Brasília, no
jornal Jama, da Associação Médica dos Estados Unidos. último mês de dezembro. Como nos três anos ante-
No Brasil, não há estudos específicos que associem as riores, vinte alunos foram vencedores ― cinco em
20 ondas de calor a tipos de internações. “Não é só aí. No cada gênero trabalhado pelo projeto. Além de opinião
mundo todo, há pouquíssimas investigações a respeito 20 (2º e 3º anos do ensino médio), a olimpíada destacou
dessa relação”, afirma Domininci. “Precisamos que produções em crônica (9º ano do ensino fundamental),
os colegas de outras partes do planeta façam pesqui- poema (5º e 6º anos) e memória (7º e 8º anos). Tudo
sas semelhantes para compreendermos melhor essa regido por um só tema: “O lugar em que vivo”.
25 importante questão para a saúde pública”, observa.
Língua Portuguesa, 1/2015. Internet: <www.revistalin-
Internet: <www.correioweb.com.br>(com adaptações) gua.uol.com.br>(com adaptações)

Com relação às ideias e às estruturas do texto acima, No que se refere aos sentidos, à estrutura textual e aos
julgue os itens que se seguem. aspectos gramaticais do texto, julgue os itens a seguir.

1. Os elementos presentes no texto permitem classificá- 9. A inserção de vírgula antes do “que” (l.4) provocaria
-lo como narrativo. alteração de sentido no texto.

10. De acordo com as informações constantes do texto


2. Depreende-se das informações do texto que o calor
acima, a 4ª Olimpíada de Língua Portuguesa “Escre-
causado por massas de ar quente e intensificado por
vendo o Futuro” contou com a participação de alunos
mudanças climáticas transformou o verão em uma es-
da rede pública que trabalharam com cinco gêneros
tação prejudicial à saúde das pessoas, pelo aumento textuais, tendo ficado em primeiro lugar na categoria
de hospitalizações por doenças como falência renal. opinião o texto O oxente e o ok.

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11. Os trechos "especialista no assunto" (l. 3), "o linguís- De acordo com o texto acima, julgue os seguintes
tico" (l.5) e “primeiro lugar na categoria opinião da 4ª itens.
Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futu-
ro” (l. 8 a 9) exercem a mesma função sintática, a de 16. De acordo com o contexto, estaria também correto o
aposto. emprego do sinal indicativo de crase em “quanto a”
(l.35).
12. O elemento coesivo “mas” (l.7) inicia uma oração co-

LÍNGUA PORTUGUESA
ordenada que exprime a ideia de concessão em uma 17. O vocábulo “indumentárias” (l.23) está empregado em
sequência de fatos.
sentido figurado.
13. Na linha 18, caso o travessão fosse substituído por
18. Mantêm-se a correção gramatical e as informações
dois-pontos, não haveria prejuízo para a correção gra-
matical do texto. originais do texto ao se substituir “Trata-se de” (l.23)
por Situações como essas se tratam de.
14. De acordo com o primeiro parágrafo do texto, para o
especialista Marcos Bagno, o preconceito linguístico 19. Conforme o texto, a escola deve ensinar aos alunos
nasce da ideia de que existe uma única língua portu- a norma-padrão da língua portuguesa, mas é preciso,
guesa correta. também, refletir se seria adequado corrigir outras pes-
soas, como, por exemplo, um porteiro que diz O elevador
15. O termo “o brasileiro” (l.3) exerce a função de sujeito tá cum pobrema.
da oração em que se insere.
20. Depreende-se do texto que a língua falada não é uma,
1 A língua que falamos, seja qual for (português, mas são várias porque, a depender da situação, o fa-
inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais lante pode se expressar com maior ou menor formali-
eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, dade.
disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas
5 em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não
21. Segundo o texto, "temos de ser poliglotas em nossa
se deve falar em uma reunião de trabalho como se
falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no própria língua" (l. 4 e 5) significa que a língua assume
mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí variantes adequadas aos contextos em que são pro-
o português medieval, renascentista, do século XIX, duzidas.
10 dos anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português
lusitano, brasileiro e mais: um português carioca, pau- 22. O pronome “outra” (l.27) está empregado em referên-
lista, sulista, nordestino); segundo a escolaridade do cia ao termo “A língua” (l.26).
falante (que resulta em duas variedades de língua: a
escolarizada e a não escolarizada) e finalmente varia
15 segundo a situação de comunicação, isto é, o local
GABARITO
em que estamos, a pessoa com quem falamos e o
motivo da nossa comunicação ― e, nesse caso, há,
pelo menos, duas variedades de fala: formal e informal. 1. E. Trata-se, na verdade, de um texto expositivo.
 A língua é como a roupa que vestimos: há um traje
20 para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje 2. C
social, outras em que o mais adequado é o casual, sem
falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada,
3. E. O verbo “há” (l. 19) deve ser substituído pela forma
quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias
“existem”, a qual passa a concordar com “estudos
que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia
25 de terno, mas não é normal, pois causa estranheza. específicos” (l. 19).
 A língua funciona do mesmo modo: há uma norma
para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra 4. C. A expressão nominal em questão é um aposto, o
para a comunicação em compras no supermercado. qual pode, sim, ser deslocado para a posição poste-
A norma culta é o padrão de linguagem que se deve rior ao nome a que faz referência (verão).
30 usar em situações formais.
 A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta 5. C
em todas as situações? Evidentemente que não, sob
pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em 6. C. Ambas são proparoxítonas.
vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim
35 é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala 7. C. De fato, o referente locativo da forma “aí” é Brasil.
errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos
a se expressar corretamente, e o professor deve cor-
8. E. O termo em destaque faz referência ao nome
rigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir
“estudo” (l. 8). Não se trata, então, de adjunto adver-
o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?
bial.
Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.
com.br>(com adaptações). 9. X

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10. E 2. Na linha 3, a supressão do termo “em” manteria a cor-
reção gramatical e o sentido original do período.
11. C. De fato, os trechos destacados são é expres-
sões de natureza substantiva que se referem a outra 3. Em todas as ocorrências de “têm” no texto (l. 3, 7, 8 e
expressão de natureza substantiva ou pronominal. 10) é exigido o uso do acento circunflexo para marcar
o plural.
12. E. O elemento coesivo “mas” inicia, no texto citado,
BRUNO PILASTRE

uma oração coordenada que exprime ideia adversa- 4. Com o uso do pronome masculino “eles” (l.7), excluem-
tiva. -se da argumentação as mulheres, razão pela qual são
citadas no período final do texto.
13. C. O travessão pode ser substituído por dois-pontos
e por vírgula, inexistindo prejuízo para a correção 1 Neste ano, em especial, alguns cargos que tradi-
gramatical. cionalmente já são valorizados devem ficar ainda mais
requisitados. São promissores cargos ligados à ciência
14. E de dados, em especial ao big data e aos dispositivos
5 móveis, como celulares e tablets. Os novos profissionais
15. C. A oração em questão é “o brasileiro não sabe por- da área de tecnologia ganham relevância pela capacidade
tuguês”, cujo sujeito é “o brasileiro”. O predicado é de aprofundar a análise de informações e pela criação
“não sabe português”. de estratégias dentro de empresas. A tendência é que,
à medida que esse mercado se desenvolva no Brasil,
16. E. A forma verbal “corrigir” é refratária à presença 10 aumentem as oportunidades nos próximos anos. Em
de artigo. Assim, impossibilita-se o emprego do sinal momentos de incerteza econômica, buscar soluções
indicativo de crase (pois não há fusão de dois aa). para aumentar a produtividade é uma escolha certeira
para sobreviver e prosperar: nesse sentido, as empre-
17. C sas brasileiras estão fazendo o dever de casa.
18. E
19. C Veja, 7/1/2015, p. 55(com adaptações)
20. C
21. C Com referência aos sentidos e às estruturas do texto
acima, julgue os itens a seguir.
22. E. Não há referência anafórica à expressão “A língua”.
No trecho em questão, a reconstrução da ideia é a 5. No texto, o uso das formas verbais no modo subjunti-
seguinte: “A língua funciona do mesmo modo: há vo em “desenvolva” e “aumentem”, nas linhas 9 e 10,
uma norma para entrevistas de emprego, audiências reforça a ideia de hipótese conferida ao substantivo
judiciais; e outra (NORMA) para a comunicação em
“tendência” (l.8).
compras no supermercado.”
6. Na linha 12, para a construção de sentidos do texto, a
CESPE/ CEBRASPE – FUB – NÍVEL SUPERIOR
forma verbal “é” está flexionada no singular para con-
(TODOS OS CARGOS)
cordar com o núcleo do sujeito, “produtividade”.

1 O fator mais importante para prever a performance


7. Preservam-se as relações sintáticas e a correção gra-
de um grupo é a igualdade da participação na conversa.
matical entre as orações ao substituir o sinal de dois-
Grupos em que poucas pessoas dominam o diálogo têm
-pontos (l.13) por ponto e vírgula ou vírgula.
desempenho pior do que aqueles em que há mais troca.
5 O segundo fator mais importante é a inteligência social
dos seus membros, medida pela capacidade que eles 8. Depreende-se do texto que o Brasil vive um momen-
têm de ler os sinais emitidos pelos outros membros to de grande incerteza econômica, principalmente por
do grupo. As mulheres têm mais inteligênciasocial que não haver avançado o suficiente no campo da tecno-
os homens, por isso grupos mais diversificados têm logia.
10 desempenho melhor.
1 O eixo norteador da gestão estratégica de recursos
Gustavo Ioschpe. Veja, 31/12/2014, p. 33(com adapta- humanos é a ênfase nas pessoas como variável determi-
ções) nante do sucesso organizacional, visto que a busca pela
competitividade impõe à organização a necessidade de
Julgue os itens seguintes, referentes às ideias e às es- 5 contar com profissionais altamente qualificados, aptos
truturas linguísticas do texto acima. a fazer frente às ameaças e oportunidades do mercado.
 Essa construção competitiva sugere que a ges-
1. Preservam-se o sentido e a correção gramatical do tão estratégica de recursos humanos contribui para
texto ao acrescentar de ideias após “troca” (l.4) e do gerar vantagem competitiva sustentável por promover
que grupos mais homogêneos após “melhor” (l.10).

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10 o desenvolvimento de competências e habilidades, 14. Para a retomada de ideias na organização das ora-
produz e difunde conhecimento, desenvolve as rela- ções do texto, admite-se, após “fatores” (l.3), a substi-
ções sociais na organização. tuição da vírgula por ponto e vírgula.
 A gestão deve ter como objetivo maior a melho-
1 Um estudo da Universidade da Califórnia, em
ria das performances profissional e organizacional,
Davis – EUA, mostra que a curiosidade é importante
15 principalmente por meio do desenvolvimento das pes- no aprendizado. Imagens dos cérebros de universitá-

LÍNGUA PORTUGUESA
soas em um sentido mais amplo. Dessa forma, o conhe- rios revelaram que ela estimula a atividade cerebral
cimento e o desempenho representam, ao mesmo 5 do hormônio dopamina, que parece fortalecer a
tempo, um valor econômico à organização e um valor memória das pessoas. A dopamina está ligada à
social ao indivíduo. sensação de recompensa, o que sugere que a curio-
sidade estimula os mesmos circuitos neurais ativa-
Valdec Romero. Aprendizagem organizacional, gestão do dos por uma guloseima ou uma droga. Na média, os
conhecimento e universidade corporativa: instrumentos 10 alunos testados deram 35 respostas corretas a 50 per-
de um mesmo construto. guntas acerca de temas que os deixavam curiosos e
Internet: (com adaptações) 27 de 50 questões sobre assuntos que não os atraíam.
Estimular a curiosidade ajuda a aprender.
Julgue os itens subsequentes, relativos às estruturas
Planeta, dez/2014, p. 14 (com adaptações)
linguísticas e às ideias do texto.
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do
9. Na linha 4, a forma verbal “impõe” exige dois comple- texto acima, julgue os itens subsecutivos.
mentos: um, introduzido pela preposição “a” ― por
isso, o acento indicativo de crase em “à organização” 15. A retirada do termo “o” em “o que sugere” (l.7) preserva
―; e outro, sem preposição ― de que decorre o não a relação entre as ideias, bem como a correção grama-
uso da crase em “a necessidade”. tical do texto, com a vantagem de ressaltar o paralelis-
mo com o período sintático anterior.
10. As expressões “eixo norteador” (l.1) e “fazer frente” 16. Os dados apresentados acerca das respostas dos
(l.6) demonstram que o texto se afasta do nível de for- “alunos testados” (l.10) constituem argumentos a favor
malidade da linguagem, aproximando-se do registro da tese do texto, expressa por “a curiosidade é impor-
coloquial ou oral. tante no aprendizado” (l. 2 e 3).

1 Se observarmos as nações desenvolvidas, veri- 17. Em um uso mais formal da língua, as regras de co-
ficaremos que elas se destacam em termos de pro- locação pronominal do padrão culto permitem que o
pronome átono em “que não os atraíam” (l. 12) seja
dutividade total dos fatores, ou seja, são países que
também utilizado depois do verbo, sob a forma de nos,
tornaram as economias mais eficientes e produtivas ligada ao verbo por um hífen.
5 e contam não só com a eficácia das máquinas e dos
equipamentos de seu parque industrial, mas também 18. No desenvolvimento argumentativo do texto, admite-
com o acesso a insumos mais sofisticados e ade- -se a substituição de “no aprendizado” (l. 3) por para
quados, com mão de obra bem educada e formada, o aprendizado.
infraestrutura adequada e custos justos de transação.
GABARITO
Cledorvino Belini. O Brasil depois das eleições. In: Cor-
reio Braziliense, 2/1/2015 (com adaptações).
1. C
Julgue os próximos itens, relacionados às ideias e às
2. E
estruturas linguísticas do texto acima.
3. C. Na primeira ocorrência, a forma “têm” concorda com
11. No desenvolvimento textual, subentende-se que a for-
“Grupos” (l. 3); na segunda, concorda com “eles” (l. 7);
ma verbal “são” (l.3) remete a “elas” (l.2), ou seja, “as
na terceira, concorda com “mulheres” (l. 8); na quarta,
nações desenvolvidas” (l.1).
concorda com “grupos mais diversificados” (ls. 9-10).
12. Mantêm-se a coesão textual e a correção gramatical
4. E. Não há exclusão, uma vez que, no texto, o pro-
caso se substitua o trecho “contam (...) acesso” (l. 5
nome “eles” faz referência a termos como “grupos” e
a 7) por: contam com a eficácia das máquinas e dos
“membros”, os quais incluem as mulheres.
equipamentos de seu parque industrial, bem como
com o acesso.
5. C. De fato, o modo subjuntivo expressa a ação ou
estado denotado pelo verbo como um fato irreal, ou
13. Depreende-se das ideias do texto que, para uma na-
simplesmente possível ou desejado, ou que emite
ção ser considerada desenvolvida, sua economia deve
sobre o fato real um julgamento. Assim, há compatibi-
basear-se na otimização de seu parque industrial, mão
lidade entre a ideia de hipótese conferida ao substan-
de obra gentil e bem formada, infraestrutura apropria-
tivo “tendência” e a forma verbal no modo subjuntivo.
da e justiça do mercado.

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6. E. “produtividade” não é núcleo do sujeito. LEGENDA: SEPARAÇÃO DOS CONTEÚDOS
(PARA BANCA CESPE)
7. C
IT – interpretação
8. E FN – fonologia
MF – morfologia
9. C. O verbo “impor”, na construção em questão, é STX – sintaxe
bitransitivo. O objeto direto é “a necessidade” e o SE – semântica e estilística
BRUNO PILASTRE

objeto indireto é “a organização”: impor a necessi-


dade à organização. CESPE

10. E. Pelo contrário. As formas as expressões em ques- CESPE/ ANS/ SUPERIOR


tão são formais.
1 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
11. C. A cadeia referencial da primeira parte do período divulgou o último relatório de monitoramento das ope-
compartilha o mesmo sujeito semântico. Nações radoras, que, pela primeira vez, inclui os novos crité-
desenvolvidas = elas = sujeito elíptico da forma “são”. rios para suspensão temporária da comercialização
5 de planos de saúde. Além do descumprimento dos
12. C prazos de atendimento para consultas, exames e
cirurgias, previstos na RN 259, passaram a ser con-
13. E siderados todos os itens relacionados à negativa de
cobertura, como o rol de procedimentos, o período
14. C. A substituição é possível, uma vez que o ponto e 10 de carência, a rede de atendimento, o reembolso e o
vírgula assinala pausa mais forte que a da vírgula e mecanismo de autorização para os procedimentos.
menos acentuada que a do ponto – o que é compatí- www.ans.gov.br> (com adaptações)
vel com a construção em questão.
Em relação às informações e estruturas linguísticas do
15. E. Ao se retirar o termo “o”, a expressão adquire valor de texto acima, julgue os itens que se seguem.
oração subordinada adjetiva. Nesse caso, “que sugere...”
fará referência apenas ao nome “recompensa”, o que 1. IT – Depreende-se das informações do texto que, an-
modifica a relação entre as ideias do texto. tes do último relatório, a ANS, no monitoramento das
operadoras, já adotava como um dos critérios para a
16. C suspensão provisória de comercialização de planos de
saúde o descumprimento dos prazos de atendimento
17. E. A partícula negativa “não” é atrativa. para consultas, exames e cirurgias.

18. C. São formas intercambiáveis. 2. STX – Na linha 8, o sinal indicativo de crase em “à nega-
tiva” é empregado porque a regência de “relacionados”
exige complemento regido pela preposição a e o termo
“negativa” vem antecedido de artigo definido feminino.

3. SE – As vírgulas empregadas logo após “procedimen-


tos” (l. 9) e “carência” (l. 10) isolam elementos de mes-
ma função sintática componentes de uma enumeração
de termos.

4. FN – Os acentos gráficos empregados em “Agência” e


em “Saúde” têm a mesma justificativa.

1 A avaliação das operadoras de planos de saúde


em relação às garantias de atendimento, previs-
tas na RN 259, é realizada de acordo com dois cri-
térios: comparativo, cotejando-as entre si, dentro
5 do mesmo segmento e porte; e avaliatório, consi-
derando evolutivamente seus próprios resultados.
 Os planos de saúde recebem notas de zero a
quatro: zero significa que o serviço atendeu às nor-
mas, e quatro é a pior avaliação possível do servi-
10 ço. Os planos com pior avaliação — durante dois
períodos consecutivos — estão sujeitos à suspen-
são temporária da comercialização. Quando isso
ocorre, os clientes que já haviam contratado o ser-
viço continuam no direito de usá-lo, mas a operadora
15 não pode aceitar novos beneficiários nesses planos.
Internet: <www.ans.gov.br>

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Julgue os itens a seguir, relativos às estruturas linguís-
ticas e informações do texto a seguir. GABARITO

5. SE – A substituição dos travessões das linhas 10 e 11 1. C


por vírgulas ou por parênteses preservaria a correção 2. C
gramatical do período. 3. C

LÍNGUA PORTUGUESA
4. E
6. IT – Em “usá-lo” (l. 14), o pronome “lo” é elemento co-
5. C
esivo que se refere ao antecedente “serviço” (l. 13).
6. C
7. STX – O segmento “que já haviam contratado o servi- 7. C
ço” (l. 13-14) tem natureza restritiva. 8. E
9. C
8. STX – Prejudica-se a correção gramatical do período 10. C
ao se substituir “é realizada” (l. 3) por realiza-se. 11. C
12. E
9. SE – O sinal de dois-pontos logo depois de “critérios” 13. E
(l. 4) está empregado para anunciar uma enumeração 14. E
explicativa. 15. E

1 AANS vai mudar a metodologia de análise de proces- CESPE/ DPRF/ SUPERIOR


sos de consumidores contra as operadoras de planos de
saúde com o objetivo de acelerar os trâmites das ações.
1 Leio que a ciência deu agora mais um passo defi-
 Uma das novas medidas adotadas será a apre-
nitivo. E claro que o definitivo da ciência é transitório, e
5 ciação coletiva de processos abertos a partir de quei-
xas dos usuários. Os processos serão julgados de não por deficiência da ciência (e ciência demais), que se
forma conjunta, reunindo várias queixas, organizadas supera a si mesma a cada dia... Não indaguemos para
e agrupadas por temas e por operadora. 5 que, já que a própria ciência não o faz — o que, aliás, é a
 Segundo a ANS, atualmente, 8.791 processos mais moderna forma de objetividade de que dispomos.
10 de reclamações de consumidores sobre o atendi-  Mas vamos ao definitivo transitório. Os cientistas
mento dos planos de saúde estão em tramitação na afirmam que podem realmente construir agora a bomba
agência. Entre os principais motivos que levaram limpa. Sabemos todos que as bombas atômicas fabrica
às queixas estão a negativa de cobertura, os reajus- 10 das até hoje são sujas (aliás, imundas) porque, depois
tes de mensalidades e a mudança de operadora. que explodem, deixam vagando pela atmosfera o já
15 No Brasil, cerca de 48,6 milhões de pessoas têm famoso e temido estrôncio 90. Ora, isso é desagradável:
planos de saúde com cobertura de assistência médica e pode mesmo acontecer que o próprio país que lançou a
18,4 milhões têm planos exclusivamente odontológicos.
bomba venha a sofrer, a longo prazo, as consequências
Valor Econômico, 22/3/2013 15 mortíferas da proeza. O que é, sem dúvida, uma sujeira.
 Pois bem, essas bombas indisciplinadas, mal-
No que se refere às informações e às estruturas lin- -educadas, serão em breve substituídas pelas
guísticas do texto acima, julgue os itens subsequentes. bombas n, que cumprirão sua missão com lisura:
destruirão o inimigo, sem riscos para o atacante.
10. STX – Prejudica-se a correção gramatical do período
20 Trata-se, portanto, de uma fabulosa conquista, não?
ao se substituir “acelerar” (l. 3) por acelerarem.
Ferreira Gullar. Maravilha. In: A estranha vida banal. Rio de Janeiro:
11. STX – Os vocábulos “organizadas” e “agrupadas”, José Olympio, 1989, p. 109
ambos na linha 7, estão no feminino plural porque con-
cordam com “queixas” (l. 5). No que se refere aos sentidos e as estruturas linguísti-
cas do texto acima, julgue os itens a seguir.
12. SE – Mantém-se a correção gramatical do período ao
se substituir “cerca de” (l. 15) por acerca de. 1. SE – A forma verbal “podem” (l. 8) está empregada no
sentido de têm autorização.
13. IT – Trata-se de texto de natureza subjetiva, em que a
opinião do autor está evidente por meio de adjetivos e
2. STX – A oração introduzida por “porque” (l. 10) expres-
considerações de caráter pessoal.
sa a razão de as bombas serem sujas.
14. IT – De acordo com o texto, no momento em que fo-
ram publicadas, as novas medidas já estavam sendo 3. STX – Mantendo-se a correção gramatical e a coerên-
aplicadas nos processos de consumidores contra as cia do texto, a conjunção “e”, em “e não por deficiência
operadoras de planos de saúde. da ciência” (l. 2-3), poderia ser substituída por mas.

15. IT – Segundo as informações do texto, os processos 4. IT – O objetivo do texto, de caráter predominantemen-


dos consumidores contra as operadoras de planos de te dissertativo, é informar o leitor a respeito do surgi-
saúde serão julgados individualmente. mento da “bomba limpa” (l. 8).

61

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
5. STX – Tendo a oração “que se supera a si mesma a 10. IT – Infere-se do texto que algumas práticas sociais são
cada dia” (l. 3-4) caráter explicativo, o vocábulo “que” absolutamente erradas, ainda que o conceito de certo e
poderia ser corretamente substituído por pois ou por- errado seja variável do ponto de vista social e histórico.
que, sem prejuízo do sentido original do período.
11. STX – Dado o fato de que nem equivale a e não, a
6. IT – A visão do autor do texto a respeito das “bombas supressão da conjunção “e” empregada logo após “in-
n” (l. 18) e positiva, o que e confirmado pelo uso da violável”, na linha 11, manteria a correção gramatical
BRUNO PILASTRE

do texto.
palavra “lisura” (l. 18) para se referir a esse tipo de
bomba, em oposição ao emprego de palavras como
12. STX – Devido à presença do advérbio “apenas” (l. 19),
“indisciplinadas” (l. 16) e “mal-educadas” (l. 16) em re-
o pronome “se” (l. 18) poderia ser deslocado para ime-
ferência às bombas que liberam “estrôncio 90” (l. 12),
diatamente após a forma verbal “coloca” (l. 18), da se-
estas sim consideradas desastrosas por atingirem in- guinte forma: coloca-se.
distintamente países considerados amigos e inimigos.
13. STX – Sem prejuízo para o sentido original do texto, o
7. FN – O emprego do acento nas palavras “ciência” e trecho “esses comportamentos são publicamente con-
“transitório” justifica-se com base na mesma regra de denados na maior parte do mundo” (l. 16-17) poderia
acentuação. ser corretamente reescrito da seguinte forma: publica-
mente, esses comportamentos consideram-se conde-
1 Todos nós, homens e mulheres, adultos e jovens, nados em quase todo o mundo.
passamos boa parte da vida tendo de optar entre o
certo e o errado, entre o bem e o mal. Na realidade, 14. STX – No trecho “o que consideramos bem” (l. 4), o
entre o que consideramos bem e o que consideramos vocábulo “que” classifica-se como pronome e exerce
5 mal. Apesar da longa permanência da questão, o que a função de complemento da forma verbal “conside-
ramos”.
se considera certo e o que se considera errado muda
ao longo da história e ao redor do globo terrestre.
15. IT – Infere-se do período “Mas a opção (...) da mídia”
 Ainda hoje, em certos lugares, a previsão da
(l. 18-20) que nem todos “os temas polêmicos” rece-
pena de morte autoriza o Estado a matar em nome
bem a atenção dos meios de comunicação.
10 da justiça. Em outras sociedades, o direito a vida é
inviolável e nem o Estado nem ninguém tem o direito
de tirar a vida alheia. Tempos atrás era tido como legí-
GABARITO
timo espancarem-se mulheres e crianças, escraviza-
rem-se povos. Hoje em dia, embora ainda se saiba 1. E
15 de casos de espancamento de mulheres e crianças, de 2. C
3. C
trabalho escravo, esses comportamentos são publica-
4. E
mente condenados na maior parte do mundo.
5. E
 Mas a opção entre o certo e o errado não se colo-
6. E
ca apenas na esfera de temas polêmicos que atraem os
7. C
20 holofotes da mídia. Muitas e muitas vezes e na solidão 8. C
da consciência de cada um de nós, homens e mulheres, 9. C
pequenos e grandes, que certo e errado se enfrentam. 10. C
 E a ética é o domínio desse enfrentamento. 11. E
Marisa Lajolo. Entre o bem e o mal. In: Histórias sobre a ética. 5.ª ed. 12. E
São Paulo: Ática, 2008 (com adaptações) 13. E
14. C
A partir das ideias e das estruturas linguísticas do texto 15. C
acima, julgue os itens que se seguem.
CESPE/ MC/ SUPERIOR
8. IT – No texto, a expressão “pequenos e grandes” (l.
1 O direito à privacidade já desapareceu faz tempo
22) não se refere a tamanho, podendo ser interpretada
no mundo em que vivemos. Esse direito foi desmante-
como equivalente a expressão “adultos e jovens” (l. 1),
lado, antes mesmo que pelos espiões, pela imprensa
ou seja, em referência a faixas etárias. marrom e pelas revistas cor-de-rosa, pela ferocidade
5 dos debatedores políticos — que, em sua ânsia de ani-
9. STX – O trecho “Tempos atrás era tido como legítimo quilar o adversário, não hesitam em expor à luz suas
espancarem-se mulheres e crianças, escravizarem-se intimidades mais secretas — e por um público ávido por
povos” (l. 12-14) poderia ser corretamente reescrito da invadir o âmbito do privado a fim de saciar sua curio-
seguinte forma: Há tempos, considerava-se legítimo sidade com segredos de alcova, escândalos de famí-
que se espancassem mulheres e crianças, que se es- 10 -lia, relações perigosas, intrigas, vícios, tudo aquilo que
cravizassem povos. antigamente parecia vedado à exposição pública. Hoje,

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a fronteira entre o privado e o público se eclipsou e,  O cientista político canadense Arthur Kroker já
embora existam leis que na aparência protegem a pri- 15 havia alertado, em 1994, sobre a constituição de uma
vacidade, poucas pessoas apelam para os tribunais a nova classe dirigente composta de administradores,
15 fim de reclamá-la, porque sabem que as possibilidades formuladores e executores da telemática, uma ver-
de que os juízes lhes deem razão são escassas. Desse dadeira classe virtual. Essa nova elite comandaria
modo, embora por inércia continuemos utilizando a uma sociedade partida entre inforricos e infopobres.

LÍNGUA PORTUGUESA
palavra escândalo, a realidade a esvaziou do seu con- 20 Sua hipótese se chocava com as inúmeras promessas
teúdo tradicional e da censura moral que implicava e de que o mundo teria encontrado uma tecnologia intrin-
20 passou a ser sinônimo de entretenimento legítimo. secamente incorporadora e democratizante.
Mário Vargas Llosa. Aposentem os espiões. Internet: <www.observatorio-  Hoje, percebe-se que a tecnologia da informação
daimprensa.com.br> (com adaptações) não está tornando a sociedade mais equânime; ao con-
25 trário, seu rápido espraiamento pelo planeta está cau-
Acerca da organização das ideias e da estruturação sando mais desigualdade e dificuldade de superá-la.
linguística do texto acima, julgue os itens seguintes. BRASIL. Portal Software Livre no Governo do Brasil. Inclusão digital,
software livre e globalização contra-hegemônica. Internet: <www.softwa-
1. STX – Na linha 1, o emprego do sinal indicativo de cra- relivre.gov.br> (com adaptações)
se em “à privacidade” deve-se à presença do substan-
tivo “direito”, cujo complemento deve ser introduzido Julgue os itens a seguir, relativos às estruturas linguís-
pela preposição a e, como o núcleo desse complemen- ticas e à organização das ideias do texto acima.
to é um substantivo feminino determinado pelo artigo
feminino a, este deve receber o acento grave. 7. IT – De acordo com o texto, a maioria da população
brasileira tinha acesso à Internet em 2001.
2. STX – O pronome “a” em “a esvaziou” (l. 18) retoma
a expressão “a palavra escândalo” (l. 18) e exerce a 8. FN – Os vocábulos “Político”, “hipótese” e “rápido” se-
função sintática de objeto. guem a mesma regra de acentuação gráfica.

3. IT – Das ideias apresentadas no texto, depreende-se 9. MF – No trecho “uma sociedade partida entre inforri-
que, nas sociedades atuais, é tácito o rompimento da cos e infopobres” (l. 19), o prefixo “info-”, em ambas as
fronteira da privacidade, não mais havendo, portanto, ocorrências, poderia ser substituído por tecno- sem que
o direito à impetração de ações na justiça sob a alega- houvesse alteração semântica ou sintática do texto.
ção de invasão de privacidade.
10. MF – No texto, o uso do futuro do subjuntivo em
4. IT – O texto está dividido em três partes — apresenta- “comandaria” (l. 18) indica uma situação factual.
ção de tese, apresentação de argumentos e conclusão
—, demarcadas, respectivamente, assim: “O direito à
11. STX – A forma verbal “navegavam” (l. 5) poderia ser
privacidade já desapareceu faz tempo no mundo em
usada no singular — navegava — sem prejuízo para a
que vivemos” (l. 1-2), “Esse direito (...) são escassas”
correção gramatical do texto.
(l. 2-16) e “Desse modo (...) entretenimento legítimo”
(l. 16-20).
1 Enquanto o Brasil se apressa para tentar aprovar
uma legislação que regule o uso da Internet após denún-
5. STX – As relações semânticas textuais seriam manti-
cias de interceptação de dados no país pelo governo
das caso, na linha 1, o vocábulo “já” fosse deslocado
dos EUA, especialistas divergem sobre a capacidade
para imediatamente antes da expressão “faz tempo”.
5 da Constituição e do Código de Defesa do Consumi-
dor nacionais de proteger a privacidade dos usuários
6. IT – A substituição de “continuemos” (l. 17) por continu-
de redes sociais e de serviços de email e busca. Para
amos não prejudicaria a coesão e a correção textual.
um grupo de especialistas e professores de direito, não
há dúvidas de que é crime, pelas leis brasileiras, a even
1 Uma pesquisa realizada em maio de 2001 pelo
10 tual entrega de informações de cidadãos a um governo
IBOPE nas nove principais regiões metropolitanas
brasileiras indicou que apenas 20% da população estrangeiro sem autorização legal local. Segundo eles,
estava conectada à rede mundial de computadores. nem mesmo a anuência com os termos de adesão de
5 Dos conectados, somente 87% navegavam por banda redes como Facebook e Twitter ou de serviços como
larga, conexão de alta velocidade. Apenas dois países, o Gmail, do Google, que pressupõem armazenagem e
Estados Unidos da América (EUA) e Canadá, concen- 15 processamento de informação nos EUA, tornaria legal
travam quase a metade do acesso mundial à Internet, a transmissão de dados ao governo norte-americano.
precisamente 41%. A sociedade rica usa com intensi  Sobre a suposta espionagem norte-americana,
10 dade as redes informacionais para se comunicar, arma- Ronaldo Lemos, colunista da Folha e fundador do Cen-
zenar e processar informações, enquanto os países tro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio
pobres e em desenvolvimento têm suas populações 20 Vargas, no Rio de Janeiro, afirma que “a questão ultra-
distantes dos benefícios das redes informacionais. passa o campo jurídico e vai para o de política inter-

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nacional” e mostra as complexidades para os Estados 10 e França. A posição levou em conta o produto interno
nacionais legislarem sobre a rede. No Brasil, o tema bruto (PIB), que é a soma de tudo o que um país produz.
envolve não só leis, mas também a infraestrutura de  Outro reconhecimento internacional da solidez
25 comunicações, como centros armazenadores de dados econômica se deu com a conquista, pela primeira vez,
e condições de gerenciar o tráfego de informações. em 2008, do selo de “grau de investimento seguro”, clas
15 sificação dada por agências globais de classificação de
Flávia Marreiro e Isabel Fleck. Falta de legislação brasileira para a Web
risco. Esse status sinaliza a investidores estrangeiros
gera dúvida. Internet: <http://www1.folha.uol.com.br> (com adaptações)
BRUNO PILASTRE

que é seguro aplicar dinheiro no país. Mostra, ainda,


que o Estado tem condições de honrar o pagamento da
Julgue os próximos itens com relação à estrutura lin-
dívida pública, pratica boas políticas fiscais e arrecada
guística e à organização das ideias do texto acima.
20 mais do que gasta, ou seja, o risco de calote é pequeno.
 O grau de investimento seguro ajuda o Brasil a
12. SE – No segundo parágrafo, o emprego das aspas
atrair mais investimentos de países ricos, cujas normas
marca a mudança de discurso do autor do texto.
impedem que se aplique em economias de alto risco.
Só em 2011, o investimento estrangeiro direto no Brasil
13. STX – As formas verbais “afirma” (l. 20) e “mostra” (l. 25 atingiu US$ 69,1 bilhões, ou 2,78% do PIB. Esse volume
22) são núcleos de predicados de orações que man- de investimentos estrangeiros tende a permanecer forte
têm relação de justaposição e contam com o mesmo com a aproximação de eventos internacionais sediados
sujeito: “Ronaldo Lemos” (l. 18). no Brasil — como a Copa do Mundo (2014) e as Olimpí-
adas (2016) — e a exploração do pré-sal, a faixa litorâ-
14. STX – Na linha 1, o pronome “se” é elemento integran- 30 -nea de oitocentos quilômetros entre o Espírito Santo e
te da forma verbal pronominal “apressa” e indica reci- Santa Catarina onde estão depositados petróleo (mais
procidade. fino, de maior valor agregado) e gás a seis mil metros
abaixo de uma camada de sal no Oceano Atlântico.
15. STX – SE – Na linha 9, mantêm-se as relações sin-  A solidez da economia brasileira está ainda re
táticas e semânticas do texto ao se deslocar o termo 35 presentada na adoção de normas mais rígidas que o
“pelas leis brasileiras” para depois de “que” e antes de padrão mundial para o sistema financeiro nacional,
“é crime”, com as devidas adaptações de pontuação. na consolidação do sistema de metas e de controle
da inflação e do câmbio flutuante, na manutenção do
desemprego em um dos mais baixos patamares da
GABARITO
40 história e no aumento do poder de compra da popu-
lação ocupada (alta de 19% entre 2003 e 2010),
1. C garantido pela política de valorização do salário
2. C mínimo nacional, reajustado com base na inflação
3. E dos dois anos anteriores, somado ao percentual do
4. C 45 crescimento do PIB do ano imediatamente anterior.
5. E
Internet: <www.brasil.gov.br> (com adaptações)
6. E
7. E Com base nas ideias contidas no texto, julgue os itens
8. C que se seguem.
9. E
10. E 1. IT – O texto, em seu segundo parágrafo, estabelece
11. E uma relação de causa e consequência em que a ob-
12. E tenção do “grau de investimento seguro” constitui uma
13. E consequência de o Brasil ter alcançado “condições de
14. E honrar o pagamento da dívida pública” e reduzido o
15. C seu “risco de calote”.

CESPE/ MI/ SUPERIOR 2. IT – De acordo com a linha argumentativa do texto,


é correto inferir que, diferentemente de alguns países
Texto para os itens de 1 a 9 europeus, o Brasil não representa, neste século, um
risco econômico iminente.
1 A combinação de políticas sociais inovadoras de
distribuição de renda, estabilidade e transparência 3. IT – Estados Unidos da América, China, Japão, Alema-
financeira e política, crescimento sustentável e respon- nha e França são exemplos de países ricos que, desde
sabilidade fiscal conduziu o Brasil a se firmar entre as 2011, ajudam a fortalecer o PIB brasileiro.
10 maiores economias do planeta no século XXI. O país
chegou à posição de sexta maior economia em 2011, 4. IT – O reajuste do salário mínimo nacional com base
quando ultrapassou o Reino Unido. Com essa colo- na inflação dos dois anos anteriores e no percentual
cação, a economia brasileira ficou atrás apenas de do crescimento do PIB do ano imediatamente anterior
Estados Unidos da América, China, Japão, Alemanha é um fator associado à solidez da economia brasileira.

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5. IT – O poder de compra da população que trabalha 35 guração territorial bastante semelhante à de hoje. Isso
aumentou 19% do ano de 2003 ao ano de 2010. revela que a unidade territorial brasileira foi assegu-
rada por mais de dois séculos sem que até hoje o país
Julgue os próximos itens com base na estrutura lin- tenha realizado uma integração físico-territorial aden-
guística do texto. sada, concreta. De certa forma, essa estabilidade pode
40 também ser interpretada como estagnação no processo
6. STX – Sem prejuízo gramatical ou alteração de sen- evolutivo da organização do Estado. A PNDR em dois

LÍNGUA PORTUGUESA
tido, o pronome “onde” (l. 31) poderia ser substituído tempos: A experiência apreendida e o olhar pós 2010.
por no qual. Brasília, DF. Ministério da Integração Nacional (MI).
Secretaria de Políticas de Desenvolvimento Regional, 2010.
7. STX – O termo “garantido” (l. 42) encontra-se no mas- Internet: <www.integracao.gov.br> (com adaptações)
culino e no singular para concordar com seu referente,
que é o nome “poder” (l. 40). Julgue os itens de 10 a 15, referentes às ideias e às
estruturas linguísticas do texto acima.
8. STX – SE – O primeiro período do texto — “A combina-
ção (...) século XXI” (l. 1-10) — poderia, com manuten- 10. IT – De acordo com o texto, a “questão regional” (l. 24)
ção da correção e do sentido original, ser reescrito da brasileira reflete problemas políticos e econômicos.
seguinte maneira: Políticas sociais inovadoras de dis-
tribuição de renda, de estabilidade e de transparência 11. IT – O texto é constituído de argumentos que defen-
financeira e política, de crescimento sustentável e de dem a ideia de que o Estado brasileiro é omisso quan-
to à necessidade de integração físico-territorial.
responsabilidade fiscal conduziram o Brasil a se firmar
entre as maiores economias do planeta no século XXI.
12. SXT – SE – O trecho “o povo brasileiro (...) nos hábitos
cotidianos” (l. 8-11) poderia ser reescrito, com correção
9. STX – SE – Caso as formas verbais flexionadas “pratica”
gramatical e manutenção das ideias originais, da se-
(l. 19) e “arrecada” (l. 19) fossem substituídas pelas for-
guinte maneira: o povo brasileiro desenvolveu padrões
mas nominais praticar e arrecadar, respectivamente, a
culturais muito diversos, que são notados na música,
correção do texto seria mantida, mas não o seu sentido.
religião, festas folclóricas, culinária, hábitos cotidianos.

1 O Brasil é um território continental com 8,5 13. SXT – SE – As informações originais seriam alteradas
milhões de km². Como consequência dessa vasta caso o último período do texto – “De certa forma (...) do
extensão, o país apresenta expressiva diversidade Estado” (l. 39-41) – fosse reescrito da seguinte forma:
natural, traduzida na variedade de tipos climáticos, De certa forma, essa estabilidade pode também ser
5 de solos, de vegetação, de fauna, de relevo. A diver- interpretada, no processo evolutivo da organização do
sidade cultural também se destaca. Como resultado Estado, como estagnação.
da miscigenação étnica e cultural e de processos dife-
renciados de ocupação e uso do território, o povo bra- 14. SXT – Imediatamente antes do trecho “de hoje” (l. 35),
sileiro desenvolveu padrões culturais bastante varia- está implícita a ideia de “configuração territorial” (l. 34),
10 dos, que são percebidos na música, na religião, nas pelo que se justifica o emprego do sinal indicativo de
festas folclóricas, na culinária, nos hábitos cotidianos. crase na linha 35.
 Essa diversidade decorre de um padrão de dife-
renciação socioespacial típico de países continentais 15. SE – FN – O texto permaneceria correto e com o mes-
como o Brasil, e pode ser considerada uma impor- mo sentido caso, na linha 17, fosse empregado o sinal
15 tante vantagem econômica ainda pouco explo- de dois-pontos no lugar do ponto final, com a devida
rada. Todavia, diferenciação socioespacial e ques- alteração de maiúscula e minúscula.
tão regional não são sinônimas. O que se considera
como a questão regional brasileira não se relaciona GABARITO
a priori com a diferenciação socioespacial interna,
20 mas sim com a maneira pela qual as relações políticas 1. C
e econômicas foram adquirindo contorno ao longo do 2. E
tempo, dado o próprio ambiente de diversidade. 3. E
 Nesse contexto multivariado, é importante as- 4. C
sinalar que a questão regional não é reflexo de um 5. C
25 problema econômico ou de um problema político, 6. E
apenas. Isoladamente, nem os aspectos econômi- 7. E
cos nem os políticos são suficientes para explicá- 8. E
-la ou mitigá-la, sendo essa, ao mesmo tempo, uma 9. C
questão econômica e política. Isso pode ser visto na 10. C
30 maneira pela qual os processos de integração físico- 11. E
-territorial e de integração econômica foram con- 12. E
duzidos no país ao longo de sua história recente. 13. C
 É interessante notar que, em 1750, com a assina- 14. C
tura do Tratado de Madri, o Brasil já tinha uma confi- 15. C

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CESPE/ MJ/ SUPERIOR 3. IT – Os integrantes da sociedade que não são “leva-
dos em conta” (l. 34) devem ser representados pelos
Texto para os itens de 1 a 11 movimentos sociais existentes para que tenham suas
necessidades atendidas e, de fato, sejam tratados com
1 Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, igualdade, segundo o filósofo francês.
para a classe dominante brasileira (os “liberais”), demo-
cracia é o regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no
4. IT – O texto defende a ideia de que a sociedade brasi-
BRUNO PILASTRE

entanto, a democracia é “o único regime político no qual


leira conforma-se com o sistema político vigente e, por
5 os conflitos são considerados o princípio mesmo de
seu funcionamento”: impedir a expressão dos conflitos essa razão, não reivindica mudanças.
sociais seria destruir a democracia. O filósofo francês
Jacques Rancière critica a ideia de democracia que tem Julgue os itens que se seguem, acerca das estruturas
estruturado nossa vida social — regida por uma ordem linguísticas do texto.
10 policial, segundo ele —, devido ao fato de ela se distan-
ciar do que seria sua razão de ser: a instituição da polí- 5. SE – O sentido original do texto seria alterado caso se
tica. Estamos acomodados por acreditar que a política inserisse uma vírgula imediatamente após a palavra
é isso que está aí: variadas formas de acordo social a “policial” (l. 26).
partir das disputas entre interesses, resolvidas por um
15 conjunto de ações e normas institucionais. Essa ideia 6. SE – As formas verbais compostas ‘estão fazendo’ (l.
empobrecida do que seja a política está, para o autor, 24) e “irão construir” (l. 33) poderiam ser substituídas,
mais próxima da ideia de polícia, já que diz respeito ao
respectivamente, pelas formas verbais simples fazem e
controle e à vigilância dos comportamentos humanos
construirão, uma vez que são equivalentes em sentido.
e à sua distribuição nas diferentes porções do territó-
20 rio, cumprindo funções consideradas mais ou menos
adequadas à ordem vigente. Estamos geralmente tão 7. SE – STX – A expressão ‘no qual’ (l. 4) poderia ser
hipnotizados pela “necessidade de um compromisso substituída pelo vocábulo onde, sem prejuízo para a
para se alcançar o bem comum” e pela opinião de que correção e para as ideias do texto.
“as instituições sociais já estão fazendo todo o possí-
25 vel para isso”, que não conseguimos perceber nossa 8. STX – A correção do texto seria mantida caso o pro-
contribuição na legitimação dessa política policial que nome “se” (l. 10), em vez de anteceder, passasse a
administra alguns corpos e torna invisíveis outros. ocupar a posição imediatamente posterior ao verbo:
 O conceito de política trabalhado pelo autor traz devido ao fato de ela distanciar-se.
como princípio a igualdade. Uma igualdade que não
30 está lá como sonho a ser alcançado um dia, mas que
9. STX – SE – No trecho “devido ao fato (...) da política”
é uma potencialidade que “só ganha realidade se é
(l. 10-12), mantendo-se as ideias e a correção do tex-
atualizada no aqui e agora”. E essa atualização se dá
to, a expressão nominal “a instituição da política” po-
por ações que irão construir a possibilidade de os “não
contados” serem levados em conta, serem considerados deria ser transformada em oração, desde que o sinal
35 nesse princípio básico e radical de igualdade. Para além de dois-pontos que a antecede fosse substituído por
dos movimentos sociais, existem os ainda-sem-nome e vírgula, da seguinte forma: por ela se distanciar do que
ainda-sem-movimento. Diz o autor que a política é a rei- seria sua razão de ser, que é a instituição da política.
vindicação da parte daqueles que não têm parte; polí-
tica se faz reivindicando “o que não é nosso” pelo sis 10. STX – O emprego do sinal indicativo de crase na ex-
40 tema de direitos dominantes, criando, assim, um campo pressão “respeito ao controle e à vigilância dos com-
de contestação. Em uma sociedade em que os que não portamentos humanos” (l. 17-18) é facultativo.
têm parte são a maior parte, é preciso fazer política.
11. STX – A oração reduzida “cumprindo funções (...) ordem
Marco Antonio Sampaio Malagodi. Geografias do dissenso:
vigente” (l. 20-21) poderia ser reescrita, sem alteração
sobre conflitos, justiça ambiental e cartografia social no
Brasil. In: Espaço e economia: Revista Brasileira de Geo- das ideias ou prejuízo para a correção gramatical do
grafia Econômica. jan./2012. Internet: <http://espacoecono- texto, da seguinte forma: de forma a cumprir funções,
mia.revues.org/136> (com adaptações) de certa forma, conformadas à sociedade vigente.

Com base nas ideias do texto, julgue os itens de 1 a 4. 1 A Constituição Federal de 1988 prevê que o cida-
dão que comprovar insuficiência de recursos tem direito
1. IT – O emprego da locução “no entanto” (l. 3) evidencia a assistência jurídica integral e gratuita. Em outras
que a ideia de Marilena Chauí acerca do conceito de
palavras, o brasileiro ou o estrangeiro que não tive-
democracia diverge da ideia de democracia que a au-
5 rem condições de pagar honorários de um advogado e
tora atribui à classe dominante brasileira.
os custos de um processo têm à disposição a ajuda do
2. IT – Segundo o filósofo Rancière, para que haja de- Estado brasileiro, por meio da defensoria pública.
mocracia, a política não se deve caracterizar como um  Podem ter acesso ao serviço pessoas com renda
regime “policial”. familiar inferior ao limite de isenção do imposto de renda.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
10 No entanto, se esse patamar for ultrapassado, o indivíduo CESPE/ MME/ SUPERIOR
deve comprovar que tem gastos extraordinários, como
despesas com medicamentos e alimentação especial. Texto para as questões de 1 a 5
 A assistência gratuita inclui orientação e defe-
sa jurídica, divulgação de informações sobre direi- 1 Há quarenta anos, começavam as obras civis da
15 tos e deveres, prevenção da violência e patrocí- usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo, no rio

LÍNGUA PORTUGUESA
nio de causas perante o Poder Judiciário – desde Paraná, construída na divisa entre Brasil e Paraguai
o juiz de primeiro grau até as instâncias superio- por um consórcio das mais importantes empreitei-
res, inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF). 5 ras nacionais. Suas turbinas iniciaram o fornecimento
Com a assistência jurídica gratuita, o indivíduo de energia aos dois países em 1984. Logo, Itaipu
passou a fazer parte da lista universal das sete mara-
20 conhece um pouco mais sobre seus direitos e deveres
vilhas construídas pela mão do homem no século XX.
e tem acesso à justiça para exercer sua cidadania.
 Itaipu, ou pedra que canta, é a denominação em
Internet: <www.brasil.gov.br> (com adaptações) 10 guarani do local onde foi erguida a barragem, poucos
quilômetros acima das cataratas do rio Iguaçu, princi-
Julgue os itens a seguir, referentes à estrutura linguís- pal afluente na margem esquerda. A hidrelétrica, que
tica e às ideias do texto acima. começou a operar dois anos após o término da cons-
trução, é responsável pelo fornecimento de 17,3% da
12. STX –Asupressão do acento gráfico da forma verbal “têm” 15 energia consumida hoje no Brasil e 72,5% do con-
(l. 6) não prejudicaria a correção gramatical do perí- sumo paraguaio. A capacidade instalada de geração
odo, uma vez que o verbo pode apresentar concor- da usina é de 14 GW, com vinte unidades gerado-
dância com a ideia singular de “brasileiro” (l. 4) ou de ras que fornecem, cada uma, 700 MW. Suas turbinas
“estrangeiro” (l. 4) ou com a ideia plural de “o brasileiro produzem entre 90 e 94-95 milhões de MWh, anual-
ou o estrangeiro” (l. 4). 20 mente, uma oferta de energia superior à que vem
conseguindo a hidrelétrica chinesa de Três Gargan-
13. STX – SE –O trecho “A assistência gratuita (...) Poder tas, a maior do mundo em capacidade de geração,
Judiciário” (l. 13-16) pode ser reescrito, mantendo-se mas cujo recorde de fornecimento foi de 79,5 milhões
a correção e as ideias do texto, da seguinte forma: A de MWh em 2009, atrás do recorde da nossa Itaipu,
25 que gerou 94.684.781 MWh em 2008. No ano de
assistência gratuita inclui: orientação, defesa jurídica,
2012, Itaipu produziu 98.287.128 MWh, quebrando
divulgação de informações sobre direitos e deveres,
seu próprio recorde mundial de produção de energia.
prevenção da violência e patrocínio de causas frente
 É interessante notar que uma realização dessa
ao Poder Judiciário.
natureza não desperta entusiasmo (pelo menos algu-
30 ma curiosidade deveria...) nos ativistas de organiza-
14. STX – As duas ocorrências de sinal indicativo de crase
ções que se apresentam como defensores do meio
no texto (l. 6 e 21) são obrigatórias. ambiente e participam, em pleno século XXI, de cam-
panhas financiadas do exterior para impedir a expan-
15. IT – O governo brasileiro oferece o mesmo tipo de assis- são da oferta de energia limpa entre nós. Basta sentir
tência a brasileiros e estrangeiros que residam em ter- 35 o seu desinteresse (fruto da ignorância, talvez) em
ritório nacional e comprovem insuficiência de recursos. comemorar o fato de que a energia limpa conduzida
por milhares de quilômetros a partir da usina de Itaipu
GABARITO corresponde a eliminar a sujeira de 500 mil barris
de petróleo, que teriam de ser consumidos diaria-
40 mente para atender à demanda nas regiões Sudeste,
1. C
Sul e Centro-Oeste do Brasil e no leste paraguaio.
2. C
3. E Antonio Delfim Netto. A pedra que canta. Coluna Sextante. In: Carta
Capital, ano XVIII, n. 733, 30/1/2013, p. 33 (com adaptações)
4. E
5. C
1. IT – Acerca das características e dos argumentos do
6. C
texto, assinale a opção correta.
7. E
a. O texto contém elementos que o inserem no âmbito
8. C
do gênero opinativo.
9. C b. Segundo o autor, a usina de Itaipu iguala-se à hi-
10. E drelétrica de Três Gargantas no quesito capacida-
11. E de de geração de energia.
12. E c. No texto, o autor defende que a usina hidrelétrica
13. E de Itaipu, brasileira, é maior em tamanho e em ca-
14. C pacidade de geração de energia se comparada à
15. E hidrelétrica chinesa de Três Gargantas.

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d. O foco argumentativo do texto recai sobre o acor- d. No texto, o segmento “no século XX” (l. 8) poderia
do entre o governo brasileiro e o paraguaio para a ser deslocado para depois de “Logo” (l. 6), o que
construção da usina hidrelétrica de Itaipu. preservaria a correção gramatical do período.
e. Segundo o autor, a hidrelétrica de Itaipu, embora e. O elemento “onde” (l. 10) poderia ser substituído,
seja a maior do mundo, não consegue suprir as ne- no texto, pela expressão aonde, sem prejuízo gra-
cessidades da matriz energética brasileira. matical.
BRUNO PILASTRE

2. IT – Considerando as informações e os argumentos 5. STX – SE – Assinale a opção correta com relação a


apresentados no texto, assinale a opção correta. aspectos linguísticos e interpretativos do texto.
a. A substituição do segmento “após o término da
a. Infere-se do texto que a usina hidrelétrica de Itaipu
construção” (l. 13) por depois de terminar a cons-
começou a ser construída na década de 70 do sé-
trução manteria a correção gramatical e os senti-
culo passado.
dos originais do texto.
b. As opiniões do autor, que estão, no texto, entre pa-
b. Os vocábulos “hidrelétrica” e “responsável” são
rênteses, indicam que ele é contrário à criação de graficamente acentuados em decorrência da mes-
organizações em defesa do meio ambiente. ma regra ortográfica.
c. A usina de Itaipu é, atualmente, a única responsá- c. Em “superior à que vem conseguindo” (l. 20-21),
vel pela geração da energia que é fornecida aos o elemento “à” está acentuado em razão de sua
consumidores brasileiros e paraguaios. subordinação sintática à forma verbal “vem conse-
d. De acordo com o texto, na usina de Itaipu existem guindo”.
vinte unidades geradoras de energia, que forne- d. Das ideias do texto conclui-se que o “rio Iguaçu” (l.
cem 700 MW cada uma, do que se depreende que 11) é um afluente do “rio Paraná” (l. 2-3).
o total de potência instalada é de 20.000 MW. e. O segmento “que começou a operar dois anos
e. Segundo o texto, há uma disputa acirrada entre a após o término da construção” (l. 12-14) funciona,
usina de Itaipu e a de Três Gargantas, na tentativa no período em que se insere, como complemento
de se bater o recorde mundial como a maior hidre- do elemento “hidrelétrica” (l. 12).
létrica do mundo.
Texto para as questões de 6 a 10
3. IT – No que diz respeito aos aspectos gramaticais e à
1 As hidrelétricas garantem ao Brasil o título de
coerência do texto, assinale a opção correta.
maior gerador de energia limpa do mundo, mas esse
a. O elemento “construídas” (l. 8) refere-se a “obras
modelo, que começou a ser desenhado há mais de
civis” (l. 1).
quarenta anos, tem-se mostrado cada vez mais vul-
b. O elemento “Suas” (l. 5) faz referência, no texto, a 5 nerável às mudanças climáticas. O cenário se repete
“usina de Itaipu” (l. 2). neste início de 2013, com a redução no nível de
c. A palavra “fornecimento” (l. 5) poderia ser substi- água dos reservatórios, obrigando o acionamento de
tuída por comercialização, sem se provocar erro vilãs do meio ambiente: as termelétricas movidas a
sintático-semântico no trecho em que se insere. carvão, dísel e gás natural. A solução para se evitar
d. Na linha 1, a forma “Há” pode ser substituída tanto 10 o racionamento de energia – trauma que os brasilei-
por A quanto por À, sem prejuízo para a correção ros guardam do apagão de 2001 – foi ligar as usinas
gramatical do período. térmicas, gerando um custo extra de até 500 milhões
e. O trecho “Há quarenta anos, começavam as obras de reais na conta de luz por mês de uso das usinas.
civis da usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do  Os ciclos rotineiros de ausência de chuva impõem
mundo, no rio Paraná” (l. 1-3) poderia ser reescri- 15 o desafio de se diversificar o chamado mix de geração
to, com correção gramatical, da seguinte forma: de energia, uma necessidade que começa a desenhar
Começavam há quarenta anos no rio Paraná, as um período de vento favorável para as usinas eólicas,
obras civis da maior hidrelétrica do mundo, a usina que podem investir 98 bilhões de reais nos próximos
deItaipu. anos para ganhar peso no Sistema Integrado Nacional.

4. STX – SE – Com referência às ideias e aos aspectos Nivaldo Souza. Vento a favor. In: Carta Capital, ano XVIII, n. 733,
30/1/2013, p. 46 (com adaptações)
gramaticais do texto, assinale a opção correta.
a. No texto, os termos “barragem” (l. 10) e “usina”
6. IT – No que concerne às ideias e aos argumentos
(l. 2) se confundem, designando o mesmo elemento.
apresentados no texto, assinale a opção correta.
b. Mantendo-se a correção gramatical e a coerência
a. Do texto infere-se que a população brasileira sofre-
textual, a palavra “construídas” (l. 8) poderia ser
rá, em 2013, com um apagão elétrico, como ocor-
flexionada no singular, pois passaria a ter como re- reu em 2001.
ferente “lista universal” (l. 7). b. Depreende-se do texto que uma forma mais barata
c. De acordo com os sentidos do texto, a frase “pe- e eficaz de geração de energia na matriz energé-
dra que canta” (l. 9) constitui o significado do nome tica brasileira seria a utilização da força do vento
“Itaipu”. para gerar energia.

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c. O autor condena a utilização da energia hidrelétrica 10. MF – STX – Assinale a opção correta acerca das estru-
na matriz energética brasileira. turas linguísticas do texto.
d. Defende-se no texto que a energia gerada pelas a. Em “A solução para se evitar o racionamento de
usinas térmicas deve ser racionada para se evitar energia” (l. 9-10), a eliminação do elemento “se”
o apagão elétrico. manteria a correção gramatical do período e os
e. Segundo o texto, um dos grandes problemas atuais sentidos do texto.
da humanidade é a seca, que diminui a quantidade b. Nas linhas 10 e 11, a substituição dos travessões por

LÍNGUA PORTUGUESA
de água que cai na terra. vírgulas preservaria a correção gramatical do texto.
c. Na linha 14, a forma verbal “impõem” poderia ser
7. IT – Assinale a opção correta, a respeito das ideias do flexionada no singular, passando, dessa forma, a
texto. concordar com o segmento “ausência de chuva”,
a. Depreende-se do texto que a matriz energética bra- sem que houvesse prejuízo gramatical para o texto.
sileira, desde 2001, vem sofrendo um colapso em d. Na estrutura “que podem investir 98 bilhões de reais
razão do uso intermitente das usinas termelétricas. nos próximos anos” (l. 18-19), o termo “nos próxi-
b. Conclui-se das ideias do texto que o custo mensal mos anos” poderia ser deslocado para logo depois
do elemento “que”, sem prejuízo para a correção
extra nas contas de luz é rateado entre o governo,
gramatical do texto, da seguinte forma: que, nos
as concessionárias do setor elétrico e os usuários.
próximos anos podem investir 98 bilhões de reais.
c. Infere-se do texto que não há mais possibilidade de
e. A palavra “hidrelétricas” (l. 1) poderia ser correta-
se ter energia limpa no Brasil.
mente grafada como hidro-elétricas.
d. O texto em questão denuncia erros no modelo de
gestão da matriz energética no Brasil.
Texto para as questões de 11 a 14
e. A tese defendida no texto tem como foco a redução
da vulnerabilidade das usinas hidrelétricas brasilei- 1 A ampliação dos direitos fundamentais com
ras por meio de alternativas de geração de energia. o reconhecimento de novos direitos faz surgir, no
panorama jurídico, novas formas de conflito, espe-
8. STX – SE – Com relação aos sentidos e às estruturas cialmente as decorrentes dos direitos de segunda e
linguísticas do texto, assinale a opção correta. 5 terceira geração, que trazem à baila questões relativas
a. A palavra “mas” (l. 2) poderia ser substituída por a relações de emprego, habitação, educação, trans-
assim, mantendo-se a correção gramatical e os porte, consumo, meio ambiente, entre outras, aumen-
sentidos do texto. tando sobremaneira o número de demandas levadas à
b. Nas linhas 3 e 4, a oração “que começou a ser de- apreciação do Poder Judiciário.
senhado há mais de quarenta anos” é de natureza 10 O surgimento desses novos conflitos é indicado
restritiva em relação a “modelo”. por alguns autores como o principal fator respon-
c. A forma verbal “há”, em “há mais de quarenta anos” sável pela chamada explosão da litigiosidade, que
(l. 3-4), poderia ser substituída tanto por houve deflagrou a crise na administração da justiça, apon-
quanto por existiu, sem que houvesse prejuízo gra- tando a necessidade premente de desburocratiza-
matical para o texto. 15 ção do sistema e de simplificação dos procedimentos.
d. A palavra “termelétricas” (l. 8) também poderia ser
grafada corretamente da seguinte forma: termoe- François Ost. O tempo do direito. Trad. Maria Fernanda Oliveira.Lisboa:
létricas. Instituto Piaget, 1999, p. 13-4 (com adaptações)
e. O deslocamento do trecho “ao Brasil” (l. 1) para
logo depois de “mundo” (l. 2) provocaria erro gra- 11. IT – Assinale a opção correta no que se refere às ideias
matical. e às características do texto.
a. Ressalta-se no texto seu caráter eminentemente
9. STX – SE – Assinale a opção correta quanto a aspec- expositivo.
tos gramaticais e à coerência do texto. b. A autora é contrária à ampliação dos direitos fun-
a. A correção gramatical e os sentidos originais do damentais, porque isso resulta em maior demanda
texto seriam preservados se o trecho “obrigando ao Poder Judiciário.
o acionamento de vilãs do meio ambiente” (l. 7-8) c. Ressalta-se no texto que o surgimento de novas
fosse reescrito da seguinte forma: o que força à formas de conflito decorre do reconhecimento de
movimentação de vilãs do ambiente. novos direitos fundamentais.
d. Depreende-se do texto que o governo criou novas
b. Na estrutura “redução no nível de água dos reser-
formas de direito com vistas a aprimorar a atuação
vatórios” (l. 6-7), a alteração da forma “no” por do
dos juízes nos tribunais de justiça.
provocaria erro gramatical.
e. Infere-se do texto que a crise atual no Poder Ju-
c. No trecho “tem-se mostrado cada vez mais vulne-
diciário surgiu com a evolução dos direitos funda-
rável às mudanças” (l. 4-5), a substituição de “às”
mentais.
por a provocaria erro gramatical.
d. Em “se repete” (l. 5), o deslocamento do elemento
12. IT – De acordo com o texto,
“se” para depois da forma verbal — repete-se —
a. os conflitos derivam da insegurança jurídica cau-
preservaria a correção gramatical do trecho.
sada pela proliferação desenfreada de legislações.
e. A substituição da vírgula logo depois de “2013” b. enquanto o Poder Judiciário continuar reconhecen-
(l. 6) por ponto e vírgula manteria a correção gra- do os novos direitos fundamentais, haverá caos na
matical do período. aplicação da justiça.

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c. diante da crescente demanda e da inoperância do dutivo — e não é possível fazê-lo sem cortar tarifas e
sistema judicial para evitar a sobrecarga, o Poder juros, o que atinge diretamente setores acostumados
Judiciário poderá entrar em colapso. com altos lucros, como bancos e concessionárias.
d. a explosão de litigiosidade diz respeito à crescen- Willian Vieira. Dilma no ataque. In: Carta Capital, ano XVIII, n. 733,
te quantidade de pessoas que demandam o Poder 30/1/2013, p. 25 (com adaptações)
Judiciário para a solução de conflitos.
e. os conflitos nas relações com o meio ambiente são 15. IT – A respeito das ideias veiculadas no texto e de sua
BRUNO PILASTRE

os que mais ocupam a atenção do Poder Judiciário. argumentação, assinale a opção correta.
a. Depreende-se do texto que o autor trata de um
13. STX – MF – SE – No que concerne a aspectos grama- discurso da presidenta a respeito da atual política
ticais do texto, assinale a opção correta. energética implantada pelo governo federal, com
a. O emprego de um par de vírgulas para isolar o vistas ao desenvolvimento do país acoplado à re-
elemento “sobremaneira” (l. 8) provocaria erro dução de custos do setor produtivo.
morfossintático no período em que tal palavra está b. Infere-se do texto que o mencionado corte nas ta-
inserida. rifas de energia e nos juros, propalado pelo gover-
b. Na linha 2, a forma verbal “faz” poderia ser subs- no, atingirá não só bancos e concessionárias, mas
tituída tanto por tem feito como por vem fazendo, também indiretamente o mercado consumidor.
mantendo-se a correção gramatical e a coerência c. O autor do texto mostra-se contrário às mudanças
textual. implementadas pelo atual governo federal.
c. Na linha 2, a retirada da vírgula colocada depois d. No texto, o autor sustenta a política lucrativa dos
do verbo “surgir” manteria a correção gramatical do bancos e concessionárias do setor energético bra-
período, pois o seu emprego é facultativo. sileiro, pondo-se em defesa desse modelo.
d. No trecho “especialmente as decorrentes dos direi- e. Deduz-se do texto que é necessário, urgentemen-
tos” (l. 3-4), a correção gramatical do período seria te, diminuir os lucros do governo no setor energéti-
mantida caso se flexionasse no masculino o vocá- co para proteger o mercado produtor e as distribui-
bulo “as”, que, então, passaria a concordar com doras de energia.
“conflito” (l. 3).
e. A retirada das vírgulas que intercalam o trecho “es- 16. STX – Em relação aos aspectos sintático-semânticos
do texto, assinale a opção correta.
pecialmente (...) geração” (l. 3-5) manteria a corre-
a. O termo “o Leitmotiv” (l. 3) poderia ser substituído
ção gramatical e a coerência textual.
por motivo recorrente ou por preocupação constan-
te, mantendo-se a coerência e a correção grama-
14. STX – SE – Com relação às estruturas gramaticais e
tical do texto.
aos sentidos originais do texto, assinale a opção correta.
b. A conjunção “e” em “(e a marca ansiada por ela é a
a. No contexto, caso a expressão “entre outras” (l. 7)
erradicação da miséria)” (l. 5-6) tem valor adversa-
fosse flexionada na forma genérica masculina – tivo, equivalente a mas.
entre outros – haveria prejuízo gramatical para o c. Na linha 7, a partícula “lo” em “fazê-lo” tem como
texto. referente a expressão “setor produtivo” (l. 6-7).
b. O deslocamento de “por alguns autores” (l. 11) para d. No texto, a expressão “A despeito de” (l. 1) poderia
logo depois da palavra “responsável” (l. 11) mante- ser substituída por No entanto, visto que são ex-
ria a correção morfossintática do período. pressões sintaticamente equivalentes.
c. A oração “apontando a (...) dos procedimentos” (l. e. Em “o que a presidenta enfatizou” (l. 2-3), a substi-
13-15) poderia ser reescrita, sem provocar impro- tuição de “o” por aquilo introduziria incorreção gra-
priedade vocabular ou incorreção gramatical no matical no período.
trecho em questão, da seguinte forma: apontando
para necessidade incessante de simplificar e agili-
zar o sistema e os processos jurídicos. GABARITO
d. O emprego de sinal indicativo de crase no termo
“a”, em “as decorrentes” (l. 4), manteria a correção 1. a
gramatical do texto. 2. a
e. A expressão “trazem à baila” (l. 5) poderia ser 3. b
substituída por implementam, mantendo-se, assim, 4. c
a correção gramatical e os sentidos originais do 5. d
texto. 6. b
7. e
Texto para as questões 15 e 16 8. d
9. d
1 A despeito de ter considerado necessário o aprimo- 10. b
11. c
ramento do sistema energético do país, o que a pre-
12. d
sidenta enfatizou em seu discurso foi o Leitmotiv do
13. b
governo: não se pode falar em crescimento com dis-
14. a
5 tribuição de renda (e a marca ansiada por ela é a erra-
15. a
dicação da miséria) sem reduzir custos do setor pro-
16. a

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NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
MATÉRIA

S U M ÁRI O

ATO CONJUNTO CSJT.TST.GP N. 24/2014 (INSTITUI A POLÍTICA NACIONAL DE RESPONSABILIDADE


SOCIOAMBIENTAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO - PNRS-JT)................................................................................ 72
GUIA DE CONTRATAÇÕES SUSTENTÁVEIS DA JUSTIÇA DO TRABALHO, 2ª EDIÇÃO, 2014............................ 76
RESOLUÇÃO CNJ N. 201/2015 (DISPÕE SOBRE A CRIAÇÃO E COMPETÊNCIAS DAS UNIDADES OU NÚ-
CLEOS SOCIOAMBIENTAIS NOS ÓRGÃOS E CONSELHOS DO PODER JUDICIÁRIO E IMPLANTAÇÃO
DO RESPECTIVO PLANO DE LOGÍSTICA SUSTENTÁVEL - PLS-PJ)....................................................................... 90
ARTIGO 3º DA LEI N. 8.666/1993. .................................................(VIDE CADERNO DE DIREITO ADMINIS-
TRATIVO)
DECRETO N. 7.746/2012 (REGULAMENTA O ART. 3º DA LEI 8.666/93).............................................................. 91
LEI N. 12.305/2010 (INSTITUI A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS).............................................. 92

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CONSELHO SUPERIOR DA JUSTIÇA DO TRABALHO ATO I – Accountability – princípio que pressupõe respon-
ATO CONJUNTO CSJT.TST.GP N. 24/2014 sabilizar-se pelas consequências de suas ações e deci-
sões, respondendo pelos seus impactos na sociedade,
Institui a Política Nacional de Res- na economia e no meio ambiente, principalmente aque-
ponsabilidade Socioambiental da les com consequências negativas significativas, prestando
Justiça do Trabalho – PNRSJT.
contas aos órgãos de governança da organização, a auto-
ridades legais e, de modo mais amplo, às partes interes-
O PRESIDENTE DO CONSELHO SUPERIOR DA
sadas, declarando os seus erros e as medidas cabíveis
JUSTIÇA DO TRABALHO E DO TRIBUNAL SUPERIOR
para remediá-los;
DO TRABALHO, no uso de suas atribuições legais e regi-
II – Agente público - é todo aquele que exerce, ainda
mentais,
que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição,
CONSIDERANDO os princípios e normativos refe- nomeação, designação, contratação ou qualquer forma de
rentes à responsabilidade socioambiental, aos direitos investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função
humanos e à promoção do desenvolvimento sustentável, pública;
em especial a fundamentação legal constante do Anexo A; III – Boas práticas – iniciativas e ações reconhecidas
CONSIDERANDO que promover a cidadania e a res- pela eficiência, eficácia e efetividade, revestidas de valor
ponsabilidade socioambiental são objetivos estratégicos da para os envolvidos e que possam ser replicadas;
Justiça do Trabalho; IV – Comportamento ético e responsável – comporta-
CONSIDERANDO a necessidade de contribuir para a mento que esteja de acordo com os princípios de conduta
integração e a efetividade das diversas ações de responsa- moral aceitos no contexto de uma situação específica, com
bilidade socioambiental da Justiça do Trabalho; e base nos valores de honestidade, equidade e integridade,
CONSIDERANDO a decisão proferida pelo Plenário do implicando a preocupação com pessoas, animais e meio
Conselho Superior da Justiça do Trabalho nos autos do Pro- ambiente, e que seja consistente com as normas interna-
cesso CSJT n. AN-6503- 27.2014.5.90.0000, cionais de comportamento;
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

V – Corpo funcional – magistrados e servidores da Jus-


RESOLVE: tiça do Trabalho;
VI – Impacto ambiental – alteração positiva ou negativa
Editar o presente Ato Conjunto, nos termos a seguir: no meio ambiente ou em algum de seus componentes por
determinada ação ou atividade humana;
Art. 1º Instituir a Política Nacional de Responsabili- VII – Meio ambiente – conjunto de condições, leis, influ-
dade Socioambiental da Justiça do Trabalho (PNRSJT), que ências e interações de ordem física, química e biológica, que
estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes a permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas;
serem observados na formulação de políticas próprias do VIII – Organizações comunitárias locais – conjunto
Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), do Tri- de pessoas de uma determinada região que empreendem
bunal Superior do Trabalho (TST) e dos Tribunais Regio- esforços para obtenção de melhorias para a comunidade,
nais do Trabalho (TRTs). em parceria ou não com o Estado e/ou outros atores sociais.
Parágrafo único. As políticas próprias do CSJT e dos Essas organizações comunitárias podem ser formais ou
Tribunais consistem nas estratégias internas para viabilizar informais;
a estrutura organizacional e os instrumentos da responsabi- IX – Partes interessadas – pessoa ou grupo que tem
lidade socioambiental, assim como nas iniciativas que serão interesse nas decisões e atividades da organização ou por
elaboradas com base nas diretrizes da Política Nacional. ela possa ser afetada. A parte interessada , também, ser
Art. 2º As políticas do CSJT e dos Tribunais devem ser chamada de stakeholder;
aprovadas pelos respectivos Presidentes, integrar a estra-
X – Práticas leais de operação – conduta ética no rela-
tégia organizacional e ser consideradas na implementação
cionamento dos órgãos da Justiça do Trabalho com outras
das atividades da organização.
organizações, como órgãos públicos, parceiros, fornecedo-
Art. 3º As políticas de cada órgão serão definidas com
res de bens e serviços e outras organizações com as
ampla participação de magistrados, servidores e, quando
quais interagem;
for o caso, estagiários, prestadores de serviços, público
XI – Práticas internas de trabalho – compreende as
externo e demais partes interessadas.
políticas e práticas de trabalho realizadas dentro, para e em
Art. 4º Os Tribunais devem elaborar suas políticas de
nome da organização, por magistrados, servidores e demais
acordo com a metodologia e o cronograma constantes do
agentes públicos;
Anexo B.
Art. 5º As revisões e atualizações dos Planejamentos XII – Responsabilidade socioambiental – responsabili-
Estratégicos dos Tribunais e do CSJT devem contemplar dade de uma organização pelos impactos de suas decisões
as respectivas políticas socioambientais. e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de
um comportamento ético e transparente, que:
DAS DEFINIÇÕES a) contribua para o desenvolvimento sustentável, inclu-
sive a saúde e bem estar da sociedade;
Art. 6º Para os efeitos deste documento, aplicam-se os b) leve em consideração as expectativas das partes
seguintes termos e definições: interessadas e os interesses difusos e coletivos;

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
c) esteja em conformidade com a legislação aplicável II – Promover a integração e a efetividade das ações
e seja consistente com as normas internacionais de direitos de responsabilidade socioambiental; III – Promover o valor
humanos, direitos sociais, proteção ao trabalho e de com- social do trabalho e a dignificação do trabalhador;
portamento; IV – Promover a gestão eficiente e eficaz dos recursos
d) esteja integrada em toda a organização e seja prati- sociais, ambientais e econômicos;
cada em suas relações; V – Contribuir para o fortalecimento das políticas públi-
XIII – Sustentabilidade – interação do ser humano com cas voltadas para o desenvolvimento sustentável.
o planeta que considere a manutenção da capacidade da
Terra de suportar a vida em toda a sua diversidade e não DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
comprometa a satisfação das necessidadesde populações
presentes e futuras. Essa interação inclui objetivos de quali- Art. 9º O Conselho Superior da Justiça do Trabalho, o
dade de vida, justiça e participação social; Tribunal Superior do Trabalho e os Tribunais Regionais do
XIV – Trabalho Decente – o Trabalho Decente é o Trabalho devem possuir unidade de Gestão Socioambien-
ponto de convergência dos quatro objetivos estratégicos tal que tenha como atribuição propor, coordenar, planejar,
da OIT: respeito aos direitos no trabalho (em especial aque- organizar, assessorar, supervisionar e apoiar as atividades
les definidos como fundamentais pela Declaração Relativa do órgão, a fim de promover a integração e a efetividade da
aos Direitos e Princípios Fundamentais no Trabalho e seu responsabilidade socioambiental.
seguimento adotada em 1998: (i) liberdade sindical e reco- I – A unidade de Gestão Socioambiental será vincu-
nhecimento efetivo do direito de negociação coletiva; (ii) eli- lada, preferencialmente, à Secretaria Geral da Presidência
minação de todas as formas de trabalho forçado; (iii) aboli- ou à Diretoria-Geral; II – A unidade de Gestão Socioambien-
ção efetiva do trabalho infantil; (iv) eliminação de todas as tal deve ter estrutura que assegure o desempenho de suas
formas de discriminação em matéria de emprego e ocupa- atribuições.
ção), a promoção do emprego produtivo e de qualidade, a Art. 10. Os Tribunais devem manter Comissão com
extensão da proteção social e o fortalecimento do diálogo formação multissetorial, à qual caberá acompanhar e dar
social; suporte à unidade de Gestão Socioambiental no planeja-

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
XV – Trabalho voluntário – atividade não remunerada
mento das ações e na proposição de projetos socioam-
realizada por pessoa física, sem vínculo empregatício, para
bientais.
entidade pública de qualquer natureza ou para instituição
Art. 11. Os Tribunais designarão agentes multiplicado-
privada sem fins lucrativos, que tenha objetivos cívicos, cul-
res, voluntários, em cada uma das unidades de apoio admi-
turais, educacionais, de inclusão social, de fortalecimento da
nistrativo e judiciário, que terão a atribuição de estimular o
cidadania, científicos, recreativos ou de assistência social,
comportamento proativo e zelar pelas práticas socioambien-
inclusive mutualidade;
tais em seus locais de trabalho.
XVI – Transparência – franqueza sobre decisões e ati-
Parágrafo único. Recomenda-se que os Tribunais
vidades que afetam a sociedade, a economia, e o meio
incluam em suas políticas internas mecanismos de capa-
ambiente, assim como a disposição de comunicá-las de forma
citação, incentivo e apoio ao desempenho dos agentes
clara, precisa, acessível, tempestiva, honesta e completa;
multiplicadores.
XVII – Usuário – indivíduo, profissional ou organização
que utiliza os serviços da Justiça do Trabalho.
DOS INSTRUMENTOS DE IMPLEMENTAÇÃO E
MONITORAMENTO
DOS PRINCÍPIOS

Art. 7º Na elaboração das Políticas, bem como nas ati- Art. 12. São instrumentos de implementação e monito-
vidades dos órgãos, deverão ser considerados os seguintes ramento da PNRSJT:
princípios da PNRSJT: I – Capacitação;
I – Sustentabilidade; II – Comunicação;
ll– Compromisso com o trabalho decente; III – Encontro anual;
lll – Accountability; IV – Relatório anual;
IV – Transparência; V – Comitê Gestor.
V – Comportamento ético; Art. 13. O CSJT, o TST e os TRTs devem inserir o tema
VI – Respeito aos interesses das partes interessadas da responsabilidade socioambiental em seus programas de
(stakholders); capacitação para magistrados e servidores, a fim de desen-
VII – Respeito pelo Estado Democrático de Direito; volver conhecimentos, habilidades e atitudes em consonân-
VIII – Respeito às Normas Internacionais de Compor- cia com os princípios e diretrizes desta Política.
tamento; Art. 14. As áreas de comunicação do CSJT, do TST e
IX – Respeito pelos Direitos Humanos. dos TRTs deverão incluir a responsabilidade socioambiental
e as ações a ela vinculadas em seu plano de comunicação.
DOS OBJETIVOS Art. 15. Será realizado anualmente o encontro de res-
ponsabilidade socioambiental da Justiça do Trabalho com os
Art. 8º São objetivos da PNRSJT: seguintes objetivos:
I – Estabelecer instrumentos e diretrizes de responsabi- I – Proporcionar maior participação de magistrados e
lidade socioambiental; servidores, a fim de que a Política tenha maior alcance;

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II – Compartilhar experiências que aprimorem as atua- rior da Justiça do Trabalho, na elaboração de suas políticas
ções dos Tribunais e sirvam de subsídios para a atualização próprias, devem garantir a melhoria efetiva da qualidade de
da Política; vida no trabalho, atendendo às seguintes diretrizes em práti-
III – Promover a corresponsabilidade e a descentraliza- cas internas de trabalho:
ção do debate sobre o tema. I – Promover a saúde ocupacional e prevenir riscos e
Art. 16. O CSJT publicará, anualmente, o Relatório de doenças relacionados ao trabalho;
Responsabilidade Socioambiental da Justiça do Trabalho, II – Valorizar o corpo funcional, promovendo o seu
com base nos relatórios apresentados pelos Tribunais. desenvolvimento pessoal e de suas competências profissio-
Parágrafo único. O CSJT orientará os Tribunais quanto nais de forma equânime;
à metodologia de construção dos relatórios. III – Estabelecer critérios objetivos para lotação e
Art. 17. Será instituído Comitê Gestor da PNRSJT com ocupação de funções com base nas competências do
as seguintes atribuições: servidor;
I – Revisar e atualizar a PNRSJT; IV – Prevenir e coibir o assédio moral e sexual, garan-
II – Manter atualizado o Banco de Boas Práticas da Jus- tindo relações de trabalho nas quais predominem a digni-
tiça do Trabalho com as informações referentes à responsa- dade, o respeito e os direitos do cidadão;
bilidade socioambiental da Justiça do Trabalho; V – Proporcionar condições de trabalho que permitam
III – Organizar os Encontros Anuais de Responsabili- equilíbrio entre trabalho e vida pessoal;
dade Socioambiental da Justiça do Trabalho. VI – Fornecer aos magistrados e servidores, de forma
acessível, clara, compreensível e antecipada, todas as
DAS DIRETRIZES informações sobre os atos administrativos que possam
afetá-los.
Art. 18. São eixos de atuação da PNRSJT:
I – Direitos Humanos; MEIO AMBIENTE
II – Práticas internas de trabalho;
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

Art. 22. O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais


III – Meio ambiente;
Regionais do Trabalho e, no que couber, o Conselho Supe-
IV – Práticas leais de operação;
rior da Justiça do Trabalho, na elaboração de suas políticas
V – Questões relativas ao usuário-cidadão;
próprias, devem atender às seguintes diretrizes em meio
VI – Envolvimento e desenvolvimento da comunidade.
ambiente:
Art. 19. Para a implementação das diretrizes desta
I – Identificar riscos, potenciais e efetivos, e promover
Política, os órgãos da Justiça do Trabalho devem adotar a
ações que objetivem evitar e mitigar impactos ambientais
due diligence, ou seja, ser proativos no sentido de identificar
negativos, provocados por suas atividades;
impactos negativos reais e potenciais de suas decisões e
II – Realizar contratações de bens e serviços que aten-
atividades.
dam a critérios e práticas de sustentabilidade;
III – Construir, reformar e manutenir as edificações
DIREITOS HUMANOS
atendendo a critérios e práticas de sustentabilidade;
IV – Elaborar plano de gerenciamento de resíduos sóli-
Art. 20. O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais
dos em conformidade com a Política Nacional dos Resíduos
Regionais do Trabalho e, no que couber, o Conselho Supe-
Sólidos;
rior da Justiça do Trabalho, na elaboração de suas políticas V – Promover a gestão sustentável dos recursos natu-
próprias, devem atender às seguintes diretrizes em direitos rais, mediante redução do consumo, uso eficiente de insu-
humanos: mos e materiais, bem como minimizar a geração de resí-
I – Promover o respeito à diversidade e à equidade, de duos e poluentes;
forma a combater a discriminação que se baseie em pre- VI – Promover práticas que incentivem o transporte
conceito e envolva distinção, exclusão e preferência que compartilhado, não motorizado ou não poluente, disponibi-
tenham o efeito de anular a igualdade de tratamento ou lizando estrutura adequada, conforme o caso.
oportunidades;
II – Garantir a acessibilidade às pessoas com deficiên- PRÁTICAS LEGAIS DE OPERAÇÃO
cia ou com mobilidade reduzida em todas as suas instala-
ções, serviços e processos; Art. 23. O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais
III – Contribuir para a erradicação do trabalho infantil e Regionais do Trabalho e, no que couber, o Conselho Supe-
para proteger o adolescente do trabalho ilegal; rior da Justiça do Trabalho, na elaboração de suas políticas
IV – Contribuir para a eliminação de todas as formas de próprias, devem atender às seguintes diretrizes em Práticas
trabalho forçado ou compulsório. Leais de Operação:
I – Combater a corrupção e a improbidade administra-
PRÁTICAS INTERNAS DE TRABALHO tiva mediante a identificação dos riscos, o fortalecimento de
instrumentos que eliminem tais práticas e a conscientização
Art. 21. O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais de magistrados, servidores, empresas terceirizadas e for-
Regionais do Trabalho e, no que couber, o Conselho Supe- necedores;

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
II – Fortalecer os canais de comunicação para ANEXOS
denúncia de práticas e tratamento antiético e injusto,
que permitam o acompanhamento do caso sem medo de ANEXO A – FUNDAMENTAÇÃO LEGAL
represálias;
III – Promover a conscientização de magistrados e Esta Política fundamenta-se nos seguintes normativos:
servidores acerca do comportamento ético e responsável I – Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988,
nas relações institucionais, no envolvimento político e na especialmente nos Artigos abaixo relacionados:
solução de conflitos de interesse; a) Art. 1º, Incisos II, III e IV - Institui que o Estado Demo-
IV – Exercer e proteger o direito de propriedade inte- crático de Direito tem como fundamentos a cidadania, a dig-
lectual e física, levando em consideração as expectativas nidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho;
da sociedade, os direitos humanos e as necessidades b) Art. 170, Inciso VI - Determina como princípio da
básicas do indivíduo. ordem econômica a defesa do meio ambiente;
c) Art. 225 - Estabelece que todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
QUESTÕES RELATIVAS AO USUÁRIO
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
Art. 24. O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribu-
preservá-lo para as presentes e futuras gerações;
nais Regionais do Trabalho e, no que couber, o Conselho
II – Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993: art. 3º -
Superior da Justiça do Trabalho, na elaboração de suas
rege que a licitação destina-se a garantir, entre outros
políticas próprias, devem atender às seguintes diretrizes
aspectos, a promoção do desenvolvimento nacional sus-
em questões relativas ao usuário-cidadão: tentável;
I – Manter canais de comunicação transparentes, III – Lei n. 9.608, de 18 de fevereiro de 1998: dispõe
permanentes e estruturados para estabelecer diálogo sobre o serviço voluntário;
amplo com o usuário da Justiça do Trabalho; IV – Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011 - Lei de
II – Fortalecer as ouvidorias, proporcionando-lhes os Acesso à Informações;

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
meios adequados para a realização de sua missão de V – Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981 - Política
contribuir com o aprimoramento da Justiça do Trabalho; Nacional do Meio Ambiente;
III – Proporcionar à sociedade, em especial a tra- VI – Lei n. 12.187, de 29 de dezembro de 2009 - Política
balhadores e empregadores, informações e orientações Nacional sobre Mudança do Clima;
sobre os direitos e deveres fundamentais da relação de VII – Lei n. 12.305, de 02 de agosto de 2010 - Política
trabalho. Nacional de Resíduos Sólidos;
VIII – Norma Internacional de Responsabilidade Social
ENVOLVIMENTO E DESENVOLVIMENTO - ISO 26.000;
DA COMUNIDADE IX – Norma Brasileira de Responsabilidade Social -
NBR 16.001;
Art. 25. O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribu- X – Diretrizes da Organização das Nações Unidas que
nais Regionais do Trabalho e, no que couber, o Conse- dispõem sobre os direitos humanos e meio ambiente;
lho Superior da Justiça do Trabalho, na elaboração de XI – Diretrizes da Organização Internacional do Tra-
suas políticas próprias, devem estabelecer ações junto à balho;
comunidade, considerando as seguintes diretrizes: XII – Recomendação CNJ n. 11/2007, de 22 de maio
I – Identificar oportunidades de atuar positivamente de 2007: dispõe sobre a necessidade de proteção ao meio
nas dimensões social, ambiental, cultural e econômica; ambiente, bem como a instituição de comissões ambientais,
para o planejamento, elaboração e acompanhamento de
II – Alinhar-se às políticas públicas existentes e
medidas, com fixação de metas anuais;
às ações desenvolvidas por organizações comunitárias
XIII – Recomendação CNJ n. 27/2009, de 16 de dezem-
locais;
bro de 2009: dispõe sobre medidas para remoção de barrei-
III – Dialogar com as organizações comunitárias
ras físicas, arquitetônicas, de comunicação e atitudinais de
locais ou grupos de pessoas acerca das ações a serem
modo a promover o amplo e irrestrito acesso de pessoas
implantadas;
com deficiência;
IV – Estimular e apoiar o trabalho voluntário do seu
XIV – Resolução CSJT n. 64/2010, de 28 de maio de
corpo funcional, quando for o caso. 2010 - dispõe sobre o uso da Língua Brasileira de Sinais -
Art. 26. Este Ato Conjunto entra em vigor na data de LIBRAS e capacitação de servidores para atendimento de
sua publicação. pessoas surdas;
XV – Recomendação CSJT n. 11/2011, de 25 de maio
Brasília, 13 de novembro de 2014. de 2011 - dispõe sobre inclusão de critérios de responsa-
Ministro ANTONIO JOSÉ DE BARROS LEVENHA- bilidade socioambiental, através da criação de unidade de
GEN Gestão Socioambiental, da inclusão das Comissões Perma-
Presidente do Conselho Superior da Justiça do nentes de Responsabilidade Socioambiental em Regimento
Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho Interno e de inclusão do Tema nos Programas de Capaci-
tação para fins de Adicional de Qualificação;

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XVI – Resolução CSJT n. 141/2014, de 26 de setem- I – Promover amplo debate sobre a Política de Res-
bro de 2014 – estabelece as diretrizes para a realização de ponsabilidade Socioambiental, identificando as prioridades
ações de promoção da saúde ocupacional e de prevenção dentro de cada órgão, levando em consideração o momento
de riscos e doenças relacionados ao trabalho no âmbito da da instituição.
Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus; II – Construir coletivamente programas, projetos e
XVII – Resolução CSJT n. 92/2012, de 29 de fevereiro ações que atendam às diretrizes da PNRSJT.
de 2012 - dispõe sobre implantação do modelo de Gestão de As oficinas devem ser realizadas nos Tribunais e nos
Pessoas por Competências; Fóruns Trabalhistas, de forma a contemplar a maior parti-
XVIII – Resolução CSJT n. 96/2012, de 23 de março de cipação possível de magistrados, servidores, estagiários e
2012 - dispõe sobre o Programa Nacional de Prevenção de prestadores de serviço.
Acidentes de Trabalho; Os Tribunais poderão contar com orientação do CSJT e
XIX – Resolução CSJT n. 103/2012, de 25 de maio de do Comitê Gestor para o planejamento das oficinas.
2012 - aprova o Guia Prático para inclusão de critérios de TERCEIRA FASE: Consolidação
sustentabilidade nas contratações de bens e serviços; Devem ser realizadas plenárias nos Tribunais, com
XX – Resolução CSJT n. 107/2012, de 29 de junho de ampla participação dos envolvidos para, a partir dos resul-
2012: dispõe sobre o Serviço de Informações ao Cidadão tados das oficinas, selecionar as propostas que constarão
no âmbito da Justiça do Trabalho; XXI - Resolução CSJT n. da Política e serão executadas pela instituição.
117/2012, de 8 de novembro de 2012: Regulamenta a pres- A Política de cada Tribunal será encaminhada para o
tação de serviço voluntário por magistrados e servidores; CSJT e a consolidação dos resultados será apresentada no
XXII – Ato CSJT.GP.SG n. 419/2013, de 11 de novem- Encontro Nacional de Responsabilidade Socioambiental da
bro de 2013: instituiu o Programa de Combate ao Trabalho Justiça do Trabalho.
Infantil; QUARTA FASE: Avaliação e monitoramento
XXIII – Resolução CSJT n. 131/2013, de 06 de dezem- O acompanhamento da Política do órgão deverá ser
bro de 2013: reserva vagas para afrodescendentes nos con- feito por meio do relatório anual, cuja elaboração será orien-
tratos de prestação de serviços continuados e terceirizados.
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

tada pelo CSJT. Os relatórios deverão ser disponibilizados


nos sítios eletrônicos dos órgãos.
ANEXO B - METODOLOGIA E CRONOGRAMA
Deverá ser dado conhecimento do relatório às partes
interessadas.
METODOLOGIA
Os relatórios servirão de instrumento para a melhoria
contínua do desempenho da responsabilidade socioambiental.
A Política de Responsabilidade Socioambiental de
cada órgão deverá ser elaborada de forma amplamente
CRONOGRAMA
participativa, com base nas diretrizes da Política Nacional.
São propostas 3 fases de execução e uma de avaliação
Período
e monitoramento, que deverá ser permanente:
Primeira fase: divulgação e mobilização. abril a outubro de 2015 Primeira fase
Segunda fase: Construção da Política.
novembro de 2015 Encontro Nacional de Responsabilidade
Terceira fase: Consolidação Socioambiental.
Quarta fase: Avaliação e monitoramento.
As ações de responsabilidade socioambiental em anda- novembro de 2015 a Segunda fase
mento deverão ser incorporadas à Política do órgão. junho de 2016
PRIMEIRA FASE: Divulgação e mobilização julho a outubro de 2016 Terceira fase
Dar conhecimento sobre a Política Nacional, seus
novembro de 2016 Encontro Nacional de Responsabilidade
princípios, instrumentos e diretrizes, para os magistrados, Socioambiental.
servidores, estagiários e prestadores de serviço e propi-
ciar a discussão sobre o tema da responsabilidade socio-
ambiental. Ato da Presidência
Dentre outras atividades, sugere-se: CSJT ATO CSJT.GP.SG N. 331/2014
I – Divulgação: elaborar material de divulgação e didá-
tico em conjunto com a Assessoria de Comunicação Social; GUIA DE CONTRATAÇÕES SUSTENTÁVEIS DA JUSTIÇA DO
II – Palestras: promover eventos para compartilha- TRABALHO
mento de saberes, com possibilidade de utilizar, dentre
outros, o Banco de Talentos do CSJT e o Acordo de Coo- 1. INTRODUÇÃO
peração Técnica 02/2013, celebrado entre a AGU e o CSJT,
além de convidar integrantes de outros órgãos; A iniciativa do Conselho Superior da Justiça do Traba-
III – Debates presenciais e virtuais: promovidos pelos lho de elaborar um guia para inclusão de critérios e práti-
órgãos e pelo CSJT. cas de sustentabilidade nas contratações realizadas por
SEGUNDA FASE: Construção da Política órgãos da Justiça do Trabalho revela-se em sintonia com o
A construção da Política de cada órgão deve ser feita processo em curso no Brasil e no mundo, que consiste na
por meio de oficinas participativas, com o objetivo de: percepção de que a forma como a humanidade vive e como

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
tem se desenvolvido até agora não se sustentará por muito [...] é fundamental que o Estado retome seu papel
tempo, ante a constatação de que os recursos naturais pre- de indutor e regulador do desenvolvimento, favore-
sentes no planeta são em sua grande maioria finitos. cendo a adoção de práticas econômicas e proces-
sos produtivos inovadores, calcados no uso racional
Em todo o mundo buscam-se formas mais justas e sus-
e na proteção dos recursos naturais e na incorpora-
tentáveis de existir, ou seja, padrões sustentáveis de produ-
ção de pessoas excluídas à economia, por meio do
ção e consumo, preservação dos recursos e redução das acesso ao emprego, ao trabalho decente e à renda.
desigualdades sociais. Boa parte da comunidade científica Por meio de instrumentos econômicos e políticas
mundial entende que “não há como viabilizar sete bilhões públicas, o Estado deve remover barreiras e criar
de pessoas, com o padrão de consumo e as aspirações do incentivos positivos, que facilitem a adesão do se-
mundo contemporâneo nos limites físicos da terra” 1. tor produtivo a padrões mais sustentáveis sob as
A consciência da responsabilidade de cada cidadão, óticas econômica, ambiental e social (...). O Estado
das organizações em geral e, em especial, do poder público, pode ainda influenciar significativamente a adoção
de modelos mais sustentáveis pela forma como au-
quanto a mudanças que viabilizem a continuidade da vida
fere e aplica a receita. Os instrumentos de política
no planeta, vem crescendo a cada dia, ainda que com per-
fiscal, associados à valoração de serviços ambien-
calços, de forma contraditória, com avanços e retrocessos, tais, desempenham, nesse sentido, papel central
e com as dificuldades inerentes aos processos humanos. no repertório de políticas do Estado, por meio dos
Diversos exemplos e iniciativas condizentes com a neces- quais podem ser estabelecidos estímulos positivos
sária transformação que nos é exigida podem ser identifica- para a adoção de padrões mais sustentáveis em
dos em todo o mundo: avanços na ciência e na tecnologia, toda a cadeia produtiva (...). As compras públicas e
na participação social, nos arcabouços normativos nacionais investimentos também podem desempenhar papel
e internacionais, na responsabilidade social por parte das nesse contexto 3.
organizações, preocupação crescente com o respeito aos
direitos humanos e a diversas outras iniciativas em todos 2. CONTRATAÇÕES PÚBLICAS SUSTENTÁVEIS
os países.
As contratações públicas sustentáveis constituem

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
O Plano de Ação para Produção e Consumo Susten-
táveis (PPCS) 2, lançado em novembro de 2011 pelo Minis- relevante instrumento de contribuição para a reorgani-
tério do Meio Ambiente, é o documento guia das ações de zação da economia com novos paradigmas. No Brasil,
governo, do setor produtivo e da sociedade que direciona o inserem-se em um contexto de agendas nacionais que
Brasil para padrões mais sustentáveis de produção e con- orientam as ações e as políticas para o desenvolvimento
sumo, com redução da pobreza. sustentável, ou seja, para uma forma de desenvolvimento
Em seu primeiro ciclo, de 2011 a 2014, o PPCS tem que satisfaça “as necessidades atuais sem comprometer
concentrado esforços em seis áreas principais, a saber: a habilidade das futuras gerações de atender suas pró-
educação para o consumo sustentável; varejo e consumo prias necessidades” 4.
sustentável; aumento da reciclagem; compras públicas sus- Sob tal perspectiva, as contratações públicas susten-
tentáveis; construções sustentáveis; e Agenda Ambiental na táveis representam a adequação da contratação ao que se
Administração Pública (A3P), na qual figura como um dos chama consumo sustentável. Significa pensar a “proposta
eixos temáticos a Licitação Sustentável. Vale ressaltar que mais vantajosa para a administração” levando-se em conta
os outros eixos temáticos da A3P – uso racional dos recur- não apenas o menor preço, mas o custo como um todo, con-
sos naturais e bens públicos; gestão adequada dos resíduos siderando a manutenção da vida no planeta e o bem-estar
gerados; qualidade de vida no ambiente de trabalho; e sen- social. Vale lembrar que os recursos naturais do país e sua
sibilização e capacitação –, bem como as áreas de foco do biodiversidade são recursos públicos e como tal devem ser
PPCS, têm relação direta com as contratações públicas. preservados.
O governo brasileiro trabalhou no sentido de que o De acordo com o Guia de Compras Públicas Susten-
debate na Conferência das Nações Unidas para o Desenvol- táveis da Fundação Getúlio Vargas, “Licitação Sustentável
vimento Sustentável - Rio+20 girasse em torno de um com- é uma solução para integrar considerações ambientais e
promisso global pela sustentabilidade, pela inclusão e pela sociais em todos os estágios do processo da compra e con-
erradicação da pobreza extrema no mundo. Tais propostas
integraram o documento com os objetivos que o governo
brasileiro definiu para compor a pauta do encontro.
3
Documento de contribuição brasileira à Conferência Rio+20, ONU,
1º/11/2011, p. 12-13. Disponível em: <http://hotsite.mma.gov.br/rio20/
Nesse sentido, o documento oficial com a posição do
wp-content/uploads/BRASIL_Rio_20_portugues.pdf>.
Brasil encaminhado à ONU enfatiza o papel do Estado como
4
4 Relatório Brundtland, 1987 – “Nosso Futuro Comum” – Comissão
indutor e regulador do desenvolvimento sustentável:
Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU. Também,
segundo a ABNT NBR ISO 26000, “desenvolvimento sustentável
refere-se à integração de objetivos de alta qualidade de vida, saúde e
1
RESENDE, André Lara. Os limites do possível. Valor econômico, São prosperidade com justiça social e manutenção da capacidade da Terra
Paulo, 20 jan. 2012. Disponível em: <http://www.valor.com.br/cul- de suportar a vida em toda a sua diversidade. Esses objetivos sociais,
tura/2491926/os-novos-limites-do-possivel>. econômicos e ambientais são interdependentes e reforçam-se mutua-
mente. Desenvolvimento sustentável pode ser tratado como uma forma
2
PPCS, disponível em <http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socio- de expressar as expectativas mais amplas da sociedade como um todo”.
ambiental/producao-e-consumo-sustentavel/plano- nacional>

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tratação dos agentes públicos (de governo) com objetivo de De acordo com o referido Guia de Compras Públicas
reduzir impactos à saúde humana, ao meio ambiente e aos Sustentáveis da Fundação Getúlio Vargas 8, três fatores
direitos humanos” 5. são fundamentais para a contratação: a) deve ser avaliada
As compras governamentais, que no Brasil movimen- a real necessidade da aquisição pretendida; b) a decisão
tam mais de 10% do PIB 6, afetam setores importantes da deve levar em conta as circunstâncias sob as quais o pro-
economia e têm um grande poder de influenciar os rumos do duto foi gerado, considerando os materiais de produção, as
mercado. Cabe ao governo, como grande comprador, além condições de transporte, entre outros; c) deve ser feita uma
de dar o exemplo, estimular uma economia “que resulta avaliação em relação ao seu futuro, ou seja, como o produto
em melhoria do bem-estar humano e equidade social, ao pretendido se comportará durante sua fase útil e após sua
mesmo tempo em que gera valor para a Natureza, reduzindo disposição final. Considerar os segundo e terceiro fatores
significativamente os impactos e riscos sociais e ambientais significa avaliar, no caso de produtos, o seu ciclo de vida.
e a demanda sobre recursos escassos do ecossistema e da A escolha de produtos mais eficientes traz maior eco-
sociedade” 7. nomia a médio e longo prazo, além de ser uma opção que
O objetivo das licitações é, por força legal, assegu- garante um menor impacto ambiental e social. A partir de
rar a livre concorrência e obter o melhor produto/serviço uma análise mais ampla, a condição mais vantajosa para
com a proposta mais vantajosa. Quando se considera a Administração parte não mais da comparação estrita do
os três pilares da sustentabilidade o processo torna-se preço de aquisição, mas de uma avaliação mais completa do
mais complexo, uma vez que, além da preocupação com ciclo de vida do produto.
a economia dos recursos financeiros, é preciso consi- Por se tratar de um tema novo e complexo, as contra-
derar também os impactos que as contratações podem tações públicas sustentáveis geram dúvidas e impasses de
causar ao meio ambiente e à sociedade. Nesse sentido, toda espécie, principalmente quanto à definição dos aspec-
os recursos públicos precisam ser considerados de forma tos que melhor representam a sustentabilidade de determi-
ampla e responsável. nado produto ou serviço. Por exemplo: o produto é mais sus-
tentável por consumir menos matéria-prima, água ou energia
Afigura-se, assim, enorme a responsabilidade do gestor
ou por gerar menos resíduos? É mais sustentável por ser
público ao estabelecer as “regras do jogo” para assegurar,
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

reciclável, reciclado ou mais durável? Como escolher o cri-


além da livre concorrência, o menor custo financeiro, social
tério de sustentabilidade quando um implicar na redução do
e ambiental, de modo a garantir que a “proposta mais van-
outro? Como escolher quando não se tem como avaliar o
tajosa” seja realmente mais vantajosa para o conjunto da
ciclo de vida do produto? São questões que se apresentam e
sociedade, que, em última instância, é a detentora do bem
merecem aprofundamento, mas que não constituem empeci-
público.
lho para a realização das contratações públicas sustentáveis,
Recentemente a Lei n. 12.349, de 15 de dezembro de
dentro dos critérios de legalidade e com segurança jurídica.
2010, introduziu a expressão “desenvolvimento nacional
Este Guia não pretende esgotar todas as possibilidades de
sustentável” ao caput do artigo 3º da Lei n. 8.666, de 21
inclusão de critérios e práticas de sustentabilidade nas contra-
de junho de 1993, o que leva à constatação de que a lici-
tações públicas, o que seria descabido. Busca-se aqui fomentar
tação sustentável impõe-se como um caminho inexorável.
um processo contínuo e duradouro de aperfeiçoamento.
Os desafios são muitos e vão além de garantir a segurança
Não se pode olvidar que a implantação do Guia requer,
jurídica, que já conta com consideráveis avanços, porquanto
de um lado, disponibilidade, bom senso, conhecimento e,
visa a alcançar, especialmente, a esfera das especificações sobretudo, sentimento cívico por parte de todos os envolvidos
na preparação da licitação. no processo de contratação. Requer, de outro lado, consciên-
Os critérios de sustentabilidade, a serem estabele- cia do papel do agente público, guardião da causa e da coisa
cidos nos projetos básicos, projetos executivos e termos pública, cujo trabalho, em prol do bem comum, traz o sentido
de referência, tornam todos os setores da instituição res- de servir, atender, cuidar e proteger, sem jamais perder de
ponsáveis em especificá- los, além de exigir do agente vista, em suas atividades e decisões, que tudo o que é público
tomador de decisão, na elaboração, uma análise acu- pertence a todos os cidadãos, pertence a toda coletividade.
rada de todos os aspectos que envolvem a contrata- Nesse contexto, o Guia de Contratações Sustentáveis
ção, tais como motivação da aquisição, características da Justiça do Trabalho tem por objetivos subsidiar, inspirar e
do produto ou serviço, impactos da utilização e descarte estimular os agentes envolvidos a assumirem atitudes pro-
responsável. ativas e investigatórias, apontando caminhos com base em
normas, regulamentos e boas práticas. Cuida-se de um ins-
trumento em permanente construção. A intenção, enfim, é
5
BIDERMAN, Rachel; MACEDO, Laura Silvia Valente de; MONZONI,
Mário; MAZON, Rubens. Guia de Compras Públicas Sustentáveis –
que o Guia estimule o surgimento de novas proposições e
Fundação Getúlio Vargas e ICLEI. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. pesquisas, potencialize ideias, gere ações e promova a cul-
Disponível em: <http://www.gvces.com.br/arquivos/36/Guia-de-com- tura da sustentabilidade no âmbito da Justiça do Trabalho.
pras-publicas-sustentaveis.pdf>.
6
Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento 8
BIDERMAN, Rachel; MACEDO, Laura Silvia Valente de; MONZONI,
Econômico – OCDE, 2001. Mário; MAZON, Rubens. Guia de Compras Públicas Sustentáveis –
7
Conceito de economia Verde in Quadro Referencial para a Economia Fundação Getúlio Vargas e ICLEI. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.
Verde no Brasil – Vitae Civilis – Cidadania e Sustentabilidade – Disponí- Disponível em: <http://www.gvces.com.br/arquivos/36/Guia-de-com-
vel em: <http://vitaecivilis.org/economiaverde/index.php?option=com_ pras-publicas-sustentaveis.pdf>.
zoo&task=item&item_id=387&Itemid=86>

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3. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos
Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Siste-
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu, no art. mas de Logística Reversa, e dá outras providências;
170, inciso VI, como um dos princípios da ordem econô- f) Decreto n. 7.746, de 5 de junho de 2012, que regula-
mica a defesa do meio ambiente, a qual foi ampliada pela menta o art. 3º da Lei n. 8.666/1993, estabelecendo critérios,
Emenda constitucional n. 42, de 19 de dezembro de 2003, práticas e diretrizes gerais de sustentabilidade nas contrata-
ao prever a possibilidade de tratamento diferenciado con- ções realizadas pela administração pública federal;
forme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de g) Instrução Normativa n. 1, de 19 de janeiro de 2010,
seus processos de elaboração e prestação. da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do
No art. 225, caput, destaca-se o dever constitucional de Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SLTI/
o Estado preservar o meio ambiente, o que se efetiva com MPOG), a qual prevê expressamente que as especificações
o uso de poder de compra. O inciso IV, a seu turno, traz a técnicas para aquisições de bens e contratações de obras e
exigência de estudo prévio de impacto ambiental para toda serviços deverão conter critérios ambientais nos processos
obra ou atividade causadora de significativa degradação do de extração, fabricação, utilização e descarte de matérias-
meio ambiente. -primas, sem frustrar o caráter competitivo do certame;
Tais previsões constitucionais coadunam-se com a h) Instrução Normativa n. 10, de 12 de novembro de
Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), de que trata a 2012, da SLTI/MPOG, que estabelece regras para elaboração
Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, e deram origem ao dos Planos de Gestão de Logística Sustentável de que trata
art. 12 da Lei n. 8.666/1993, o qual dispõe que, nos projetos o art. 16, do Decreto n. 7.746/2012, e dá outras providências.
básico e executivo de obras e serviços, sejam considerados No caso da Instrução Normativa n. 1/2010, foi a pri-
vários requisitos, entre os quais o de impacto ambiental. meira vez que se estabeleceu a observância de regras defi-
Outros instrumentos legais disciplinam a inclusão de nidas pelos vários institutos de normatização e controle, a
critérios de sustentabilidade nas licitações e contratações exemplo de: cumprimento de requisitos ambientais para
públicas, tais como: certificação pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade
a) Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001, que regula- e Tecnologia (Inmetro); emprego de produtos de limpeza e

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
menta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal de 1988 conservação que respeitem normas da Agência Nacional
e estabelece diretrizes gerais da política urbana, dentre as de Vigilância Sanitária (ANVISA); obediência à resolução
quais a adoção de padrões de proteção e consumo de bens do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) sobre
e serviços de expansão urbana compatíveis com os limites ruídos; atendimento às normas da Associação Brasileira de
da sustentabilidade ambiental, social e econômica do Muni- Normas Técnicas (ABNT) sobre resíduos sólidos.
cípio e do Território sob sua área de influência (art. 2, VIII); Outro instrumento também importante nesse processo
b) Lei n. 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que ins- foi a Agenda 21, documento final da Conferência Rio-92, que
tituiu a Política Nacional sobre Mudança de Clima (PNMC), estabeleceu um plano de ação para o desenvolvimento sus-
que tem como uma de suas diretrizes o estímulo e o apoio à tentável, com destaque para o capítulo 4, que, ao tratar das
manutenção e à promoção de padrões sustentáveis de pro- mudanças de padrões de consumo, relacionou uma série de
dução e consumo (art. 5º, XIII), e como um de seus instru- atividades, entre as quais o exercício da liderança por meio
mentos a adoção de critérios de preferência nas licitações das aquisições pelos Governos, de modo a aperfeiçoar o
e concorrências públicas para as propostas que propiciem aspecto ecológico de suas políticas de aquisição.
maior economia de energia, água e outros recursos naturais Destaque-se da Declaração do Rio sobre Meio
e redução da emissão de gases de efeito estufa e de resí- Ambiente o Princípio 15, que traduz o Princípio da Precau-
duos (art. 6º, XII); ção, nos seguintes termos:
c) Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), cujo art. 7º, Com o fim de proteger o meio ambiente, o princípio
da precaução deverá ser amplamente observado
inciso XI, destaca como um dos objetivos a prioridade nas
pelos Estados, de acordo com suas capacidades.
aquisições e contratações governamentais de produtos reci-
Quando houver ameaça de danos graves ou irre-
clados e recicláveis, assim como de bens, serviços e obras versíveis, a ausência de certeza científica absoluta
que considerem critérios compatíveis com padrões de con- não será utilizada como razão para o adiamento de
sumo social e ambientalmente sustentáveis; medidas economicamente viáveis para prevenir a
d) Lei n. 12.349/2010, que incluiu como finalidade da degradação ambiental 9.
licitação a promoção do desenvolvimento nacional susten-
tável. Esse normativo definiu como não comprometedores O termo de adesão ao processo de Marrakech 10 firmado
ou não restritivos da competitividade das licitações vários pelo Brasil em 2007, e que deu origem à edição, em novem-
dispositivos incluídos no art. 3º da Lei n. 8666/1993 (§§ 5º
ao 12º), muitos voltados à proteção à indústria e produção
locais, dentre os quais, o § 5º, que autoriza o estabeleci-
9
Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Confe-
rência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento –
mento de margem de preferência para produtos manufatu-
Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992. Disponível em: <http://
rados e serviços nacionais que atendem a normas técnicas www.onu.org.br/rio20/img/2012/01/rio92.pdf>.
brasileiras; 10
10 Processo global de consultas e de elaboração de políticas de produção
e)Decreto n. 7.404, de 23 de dezembro de 2010, que e consumo sustentável, coordenado pelas agências UNEP e UNDESA.
regulamenta a Lei n. 12.305/2010, que institui a PNRS, cria O Processo de Marrakesh foi iniciado em 2003, como resposta ao Plano

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bro de 2011, do PPCS, que, conforme já referenciado, visa b) Não geração, redução, reutilização, reciclagem e
à promoção e ao apoio a padrões sustentáveis de produção tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final
e consumo e que, em seu primeiro ciclo de implementação, ambientalmente adequada dos rejeitos (Lei 12.305/2010);
de 2011 a 2014, identificou como temas prioritários, entre c) Preferência para produtos reciclados e recicláveis,
outros, as compras e construções públicas sustentáveis. bem como para bens, serviços e obras que considerem crité-
Importante referenciar o Decreto n. 2.783, de 17 de rios compatíveis com padrões de consumo social e ambien-
setembro de 1998, que dispõe sobre proibição de aquisição talmente sustentáveis (Lei 12.305/2010);
de produtos ou equipamentos que contenham ou façam uso d) Aquisição de produtos e equipamentos duráveis, repará-
das substâncias que destroem a camada de ozônio pelos veis e que possam ser aperfeiçoados (Portaria MMA 61/2008);
órgãos e pelas entidades da Administração Pública Federal e) Opção gradativa por produtos mais sustentáveis,
direta, autárquica e fundacional. com estabelecimento de metas crescentes de aquisição,
O Decreto n. 5.940, de 25 de outubro de 2006, disci- observando-se a viabilidade econômica e a oferta no mer-
plina a separação dos resíduos recicláveis descartados cado, com razoabilidade e proporcionalidade;
pelos órgãos e entidades da administração pública federal f) Adoção de procedimentos racionais quando da
direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às tomada de decisão de consumo, observando- se a necessi-
associações e cooperativas dos catadores de materiais reci- dade, oportunidade e economicidade dos produtos a serem
cláveis. adquiridos (Portaria MMA 61/2008);
O Decreto n. 99.658, de 30 de outubro de 1990, regu- g) Estabelecimento de margem de preferência para produ-
tos manufaturados e serviços nacionais que atendam às normas
lamenta o reaproveitamento, a movimentação, a alienação e
técnicas brasileiras, em observância a Lei n. 12.349/2010;
outras formas de desfazimento de material.
h) Preferência, nas aquisições e locações de imóveis,
Cite-se ainda: Decreto n. 99.280, de 6 de junho de
àqueles que atendam aos requisitos de sustentabilidade e
1990, que promulga a Convenção de Viena para a Prote-
acessibilidade, de forma a assegurar o direito de ir e vir das
ção da Camada de Ozônio e o Protocolo de Montreal sobre
pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida;
Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio; Decreto n.
i) Observância às normas técnicas, elaboradas pela
2.652, de 1º de julho de 1998, que promulga a Convenção-
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

ABNT, nos termos da Lei n. 4.150, de 21 de novembro de


-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assi-
1962, para aferição e garantia da aplicação dos requisitos
nada em Nova York, em 9 de maio de 1992; Decreto n. 5.208,
mínimos de qualidade, utilidade, resistência e segurança
de 17 de setembro de 2004, que promulga o Acordo-Quadro dos materiais utilizados;
sobre Meio Ambiente do MERCOSUL; Decreto n. 5.445, de j) Conformidade dos produtos, insumos e serviços com
12 de maio de 2005, que promulga o Protocolo de Quioto à os regulamentos técnicos pertinentes em vigor expedidos pelo
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Inmetro de forma a assegurar aspectos relativos à saúde, à
Clima; Decreto n. 7.390, de 9 de dezembro de 2010, que segurança, ao meio ambiente, ou à proteção do consumidor e
regulamenta os arts. 6º, 11 e 12 da Lei n. 12.187/2009, que da concorrência justa (Lei n. 9.933, de 20 de dezembro de 1999).
institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). As resoluções emitidas pelo Conselho Nacional de Jus-
tiça (CNJ) e pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho
4. DIRETRIZES (CSJT), que disponham sobre assuntos vinculados com a
sustentabilidade, tais como: responsabilidade social, preser-
Nas licitações e demais formas de contratação promo- vação de direitos trabalhistas de empregados de empresas
vidas pela Justiça do Trabalho, bem como no desenvolvi- terceirizadas, reinserção social, direitos humanos, saúde e
mento das atividades, de forma geral, devem ser observa- segurança do trabalho, deverão ser observadas concomitante-
das as seguintes diretrizes: mente sempre que necessárias e aplicáveis às contratações.
a) Preferência por produtos de baixo impacto ambiental 11; No Planejamento Estratégico Institucional (PEI), no
Planejamento Estratégico da Tecnologia de Informação e
Comunicação (PETIC), no Plano Diretor e de Tecnologia de
de Implementação de Johanesburgo (Cúpula Mundial sobre Desenvol- Informação e Comunicação (PDTIC) e no Plano de Obras,
vimento Sustentável/Rio+10 - 2002), e tem como foco desenvolver um elaborados pelos órgãos da Justiça do Trabalho, devem ser
conjunto de programas que apoie iniciativas regionais e nacionais para estabelecidos indicadores e metas que prevejam a adoção
construir e apoiar padrões de Produção e Consumo Sustentáveis (PCS).
de novas tecnologias e contenham os atributos de durabi-
lidade, eficiência energética, redução no uso de insumos,
11
Definição de impacto ambiental, segundo a Resolução CONAMA utilização de fontes renováveis de energia, diretrizes de sus-
01/1986: Artigo 1º - “Para efeito desta Resolução, considera-se impacto
tentabilidade, entre outras.
ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e bio-
lógicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou
energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, quantificação das emissões ambientais ou a análise do impacto ambien-
afetam: tal de um produto, sistema ou processo. Essa análise é feita sobre toda a
I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população; “vida” do produto ou processo, desde o seu início (por exemplo, desde a
II - as atividades sociais e econômicas; extração das matérias-primas, no caso de um produto) até o final da vida
III – a biota; (quando o produto deixa de ter uso e é descartado como resíduo), pas-
IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V - a quali- sando por todas as etapas intermediárias (manufatura, transporte, uso).
dade dos recursos ambientais.” Na dificuldade de realizar a avaliação do ciclo de vida, é possível levar-
Uma referência para avaliação do impacto ambiental de um produto é -se em consideração alguns critérios, por meio de pesquisas, relativos
a análise ambiental do ciclo de vida. É uma ferramenta que permite a às fases dos processos.

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5. CRITÉRIOS E PRÁTICAS DE SUSTENTABILIDADE c) Envelopes reutilizáveis, confeccionados, preferen-
cialmente, com papel reciclado;
a) Os critérios de sustentabilidade devem ser objetiva- d) Lápis produzidos com madeira certificada ou com
mente definidos e veiculados como especificação técnica do material reciclado.
objeto 12.
b) As práticas de sustentabilidade devem ser objetiva- 5.1.2. Material de Limpeza e Higiene
mente definidas e veiculadas como obrigação da contratada 13.
a) Materiais menos agressivos ao meio ambiente.
5.1. AQUISIÇÃO DE BENS b) Produtos concentrados, preferencialmente.
c) Sabão em barra e detergentes em pó preferencial-
a) A comprovação dos critérios de sustentabilidade con- mente à base de coco ou isentos de fósforo e, quando inexis-
tidos no instrumento convocatório poderá ser feita mediante tentes no mercado, exigência de comprovação de teor que
certificação emitida por instituição pública oficial, ou por ins- respeite o limite máximo de concentração de fósforo, con-
tituição acreditada, ou por qualquer outro meio definido no forme Resolução CONAMA n. 359, de 29 de abril de 2005.
instrumento convocatório 14. Além da certificação, podem ser d) Os produtos saneantes domissanitários de qualquer
utilizados, isolada ou combinadamente, os seguintes meca- natureza devem utilizar substâncias tensoativas biodegradá-
nismos de avaliação da conformidade disponíveis no Sis- veis 19.
tema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC): a e) Esponjas fabricadas com solvente à base d’água.
declaração pelo fornecedor, a etiquetagem, a inspeção e o
f) As aquisições de produtos oriundos da madeira, para
ensaio.
fins sanitários, tais como, papel higiênico, toalha, guarda-
b) Deve ser dada preferência à aquisição de produtos
napo, lenço, devem observar os critérios da rastreabilidade
constituídos no todo ou em parte por materiais reciclados,
e da origem dos insumos de madeira a partir de fontes de
atóxicos, biodegradáveis, conforme ABNT NBR – 15.448-1
manejo sustentável em conformidade com a norma ABNT
e 15.448-2 15.
NBR 14790:2011, utilizada pelo Cerflor, ou com o padrão
c) Os produtos devem ser acondicionados em embala-
FSC-STD-40- 004 V2-1. A comprovação da conformidade

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
gens recicladas ou recicláveis, preferencialmente de pape-
deve ser feita por meio do Certificado da Cadeia de Custó-
lão ou de plástico à base de etanol de cana-de-açúcar.
dia e/ou Selo de Cadeia de Custódia do Cerflor ou do FSC.
g) Nas aquisições de produtos usados na limpeza e con-
5.1.1. Material de Expediente e de Gráfica
servação de ambientes, também denominados saneantes,
As aquisições de produtos oriundos da madeira devem tais como álcool, água sanitária, detergentes, ceras, sabões,
observar os critérios da rastreabilidade e da origem dos saponáceos, desinfetantes, inseticidas, devem ser observa-
insumos de madeira a partir de fontes de manejo sustentá- dos os critérios de eficácia e segurança, comprovados pela
vel em conformidade com a norma ABNT NBR 14790:2011, regularidade (registro ou notificação) junto à ANVISA.
utilizada pelo Cerflor 16, ou com o padrão FSC-STD-40- 004 I – A comprovação da regularização deve ser feita
V2-1. A comprovação da conformidade deve ser feita por por meio de cópia da publicação do registro do produto no
meio do Certificado de Cadeia deCustódia 17 e/ou Selo de Diário Oficial da União (DOU), observada sua validade, ou a
Cadeia de Custódia do Cerflor ou do FSC 18. Para produ- apresentação do Comunicado de Aceitação de Notificação,
tos que utilizem papel reciclado deve ainda ser observada enviado à empresa pela ANVISA ou consulta à internet da
a conformidade com a norma ABNT NBR 15755:2009 que divulgação de Aceitação de Notificação disponível no sítio
define esse material com base no conteúdo de fibras recicla- da ANVISA na internet em <http://www.anvisa.gov.br/sane-
das. São produtos oriundos da madeira, entre outros: antes/index.htm>.
a) Papel, reciclado ou branco. h) Produtos que possuam comercialização em refil 20.
b) Produtos de papel confeccionados em gráfica, tais
como envelopes, pastas classificadoras, agendas, cartões 5.1.3. Gêneros Alimentícios, Material de Copa e
de visita, panfletos, convites, livros de ponto, protocolo, etc.; Cozinha

12
Nos termos do art.3ª do Decreto N. 7.746/2012. a) Nas aquisições de café, açúcar, frutas, verduras e
13
Nos termos do art.3ª do Decreto N. 7.746/2012.
alimentos em geral, convêm que sejam adquiridos produ-
tos orgânicos (produzidos sem o uso de adubos químicos,
14
Nos termos do Art. 5º § 1º da Instrução Normativa n. 01/2010, da SLTI/
MPOG.
15
Nos termos do Art. 5º da Instrução Normativa n. 01/2010, da SLTI/ 19
Tensoativo biodegradável é uma substância química com propriedades
MPOG (letras c até f).
tensoativas, susceptível de decomposição e degradação por microrga-
16
Cerflor - Programa Brasileiro de Certificação Florestal, desenvolvido nismos e que, em decorrência desses processos, não dê origem a subs-
no âmbito do SBAC e gerenciado pelo Inmetro. tâncias consideradas nocivas ao meio ambiente ou que possuam grau
17
Segundo a ABNT NBR 14790:2011, Manejo florestal — Cadeia de cus- de toxicidade superior ao da substância tensoativa original. Portaria
tódia — Requisitos, “o objetivo global da cadeia de custódia é oferecer ANVISA n º 393 de 15 de maio de 1998 e Portaria do Ministério da
aos clientes dos produtos de base florestal informações precisas e com- Saúde n. 112 de 14/06/1982.
prováveis sobre o conteúdo do material que é originário de florestas 20
Produtos com refil não precisam de novas embalagens, apenas repõem
certificadas, manejadas de forma sustentável ou de material reciclado”. o conteúdo na base original, o que propicia economia de matéria-prima,
18
FSC - Conselho de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council). recursos naturais e energia.

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defensivos ou agrotóxicos), sempre que disponíveis no compatibilidade eletromagnética e eficiência energética pre-
mercado. Devem ser observados os critérios da origem e vistos na Portaria Inmetro n. 170/2012. A comprovação da
da qualidade do produto. A comprovação da conformidade conformidade com esses critérios deve ser feita mediante
com esses critérios deve ser feita por meio do selo “Produto apresentação de certificados e/ou relatórios de ensaios emi-
Orgânico Brasil” do Sistema Brasileiro de Avaliação da Con- tidos por instituição acreditada pelo Inmetro.
formidade Orgânica (SISORG) 21, aposto no rótulo e/ou na h) Eletrodomésticos, equipamentos de informática e
embalagem do produto. telecomunicações e demais produtos eletroeletrônicos não
b) Copos e xícaras de material durável como vidro, devem conter certas substâncias nocivas ao meio ambiente,
cerâmica ou aço escovado em substituição ao copo plástico como: mercúrio, chumbo, cromo hexavalente, cádmio,
descartável. bifenil-polibromados, éteres difenil- polibromados, em con-
centração acima da recomendada pela Diretiva 2002/95/EC
5.1.4. Máquinas e Aparelhos Consumidores de Energia do Parlamento Europeu também conhecida como diretiva
RoHS 27 (Restriction of Certain Hazardous Substances). O
a) Devem ser adquiridos produtos que apresentem atendimento a essa diretriz deve ser comprovado por meio
menor consumo e maior eficiência energética dentro de de certificado ou por declaração do fabricante.
cada categoria 22. i) A destinação final de produtos eletroeletrônicos e
b) Para refrigeradores, condicionadores de ar, forno micro- seus componentes deve observar o disposto no item 5.4 -
-ondas, ventiladores, televisores, lâmpadas e demais produtos Resíduos com Logística Reversa.
aprovados no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do
Inmetro 23 a comprovação da conformidade com esses critérios 5.1.5. Cartuchos de Tinta e de Toner
dar-se-á pela Etiqueta Nacional de Conservação de Energia
(ENCE), aposta ao produto e/ou em sua embalagem 24. a) Cartuchos de marca diferente do equipamento a que
c) Deve-se optar pela aquisição de produtos que pos- se destinam devem possuir desempenho equivalente ao do
suam a ENCE da classe de maior eficiência, representada original. A comprovação desse critério deve ser feita por
pela letra “A”, sempre que haja um número suficiente de pro- meio de relatório de ensaio emitido por laboratório detentor
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

dutos e fabricantes nessa classe. Podem ser aceitos produ- de Certificado de Acreditação concedido pelo Inmetro, com
tos das demais classes quando as condições de mercado escopo de acreditação específico para ensaios mecânicos
assim o exigirem. com base nas normas ABNT NBR ISO/IEC 24711:2011 e
d) Nas aquisições de refrigeradores, condicionadores 24712:2011, para cartuchos de tinta e ABNT NBR ISO/IEC
de ar e demais equipamentos de refrigeração, devem ser 19752:2006 e 19798:2011, para cartuchos de toner.
adquiridos produtos que utilizem gases refrigerantes ecoló- b) A destinação final de cartuchos deve observar o dis-
gicos, sempre que disponíveis no mercado.
posto no item 5.4 - Resíduos com Logística Reversa.
e) Para a aquisição de aparelhos eletrodomésticos
5.1.6. Pneus
que gerem ruído, como liquidificadores e aspiradores de
pó, devem ser adquiridos produtos que apresentem nível de
a) Na aquisição de pneus deve ser exigida como requi-
potência sonora menor ou igual a 88 dB(A) 25, a ser compro-
sito prévio à assinatura do contrato ou empenho a regulari-
vado pelo selo ruído aposto ao produto e/ou à sua embala-
dade do registro do fabricante ou importador no Cadastro
gem, conforme Portaria Inmetro n. 430, de 16 de agosto de
Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras
2012, alterada pela Portaria Inmetro n. 388, de 06 de agosto
e Utilizadoras de Recursos Ambientais - CTF/APP, com-
de 2013.
provada mediante a apresentação do certificado de regula-
f) Optar, preferencialmente, pela aquisição de lâmpa-
ridade emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
das LED 26.
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conforme Ins-
g) As aquisições de bens de informática, como computa-
trução Normativa Ibama N. 6 DE 15/03/2013.
dores de mesa (desktops) e computadores portáteis (note-
b) A destinação final de pneus deve observar o disposto
book, laptop e netbook) devem observar os critérios de segurança,
no item 5.4 - Resíduos com Logística Reversa.

21
Lei n. 10.831/2003 e Decreto n. 6.323/2007. 5.1.7. Pilhas e Baterias
22
Lei n. 10.295/2001 e Decreto n. 4.059/2001.
23
23 Ver tabelas de consumo/eficiência energética de todos os produtos
a) Pilhas e baterias devem conter, no corpo do produto
aprovados no PBE em: <http://www.inmetro.gov.br/consumidor/tabe- e/ou em sua embalagem, advertências quanto aos riscos à
las.asp>. saúde humana e ao meio ambiente; identificação do fabri-
24
Ver produtos com etiquetagem compulsória e legislação aplicável em: cante ou deste e do importador no caso de produtos impor-
<http://www.inmetro.gov.br/qualidade/prodEtiquetagemComp.asp>. tados, a simbologia indicativa da destinação adequada e
25
O nível de 88 dB (A) corresponde aos limites superiores da classe 2 para
informação sobre a necessidade de, após seu uso, serem
liquidificador e da classe 3 para aspirador de pó no novo selo ruído, em devolvidos aos revendedores ou à rede de assistência téc-
fase de implantação por ocasião da elaboração deste Guia. nica autorizada; conforme o art. 14, art. 16 e anexo I da
26
Lâmpadas LED possuem alta eficiência energética, elevada vida útil Resolução CONAMA N. 401 de 4 de novembro de 2008.
e ausência de metais pesados como o mercúrio presente nas lâmpadas
fluorescentes. Atualmente são indicadas para diversos ambientes como 27
Ver inciso IV do art. 5º da Instrução Normativa n. 01/2010, da SLTI/
circulação, hall de elevadores e escadas. MPOG.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
b) Os teores de chumbo, cádmio e mercúrio devem estar b) Devem ser adquiridos veículos que apresentem
em conformidade com os limites máximos estabelecidos pela maior eficiência energética e menor consumo de combus-
Resolução CONAMA 401/2008, comprovado pela regula- tível 29 dentro de cada categoria, em conformidade com os
ridade do registro do fabricante ou importador no Cadastro requisitos constantes no Regulamento de Avaliação da Con-
Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou formidade para Veículos Leves de Passageiros e Comer-
Utilizadoras de Recursos Ambientais - CTF/APP, mediante ciais Leves 30. Para modelos das categorias subcompacto,
apresentação do certificado de regularidade emitido pelo compacto, médio e grande, a comprovação da conformidade
Ibama, conforme Instrução Normativa Ibama n. 6/2013. com esses critérios deve ser feita pela ENCE das classes de
c) A destinação final de pilhas e baterias deve observar maior eficiência, representadas pelas letras “A” ou “B”. Para
o disposto no item 5.4 - Resíduos com Logística Reversa. as demais categorias previstas na Portaria Inmetro N. 377,
de 29 de setembro de 2011, alterada pela Portaria Inmetro
5.1.8. Mobiliário N. 522, de 31 de outubro de 2013, na ausência de classe
de maior eficiência, podem ser aceitos veículos da classe
a) Todo mobiliário deve estar em conformidade com representada pela letra “C”.
as normas técnicas da ABNT, comprovada pela apresenta- c) Os veículos a serem adquiridos devem possuir nível
ção de relatório de ensaio emitido por laboratório detentor de emissão de poluentes dentro dos limites do Programa
de Certificado de Acreditação concedido pelo Inmetro, com de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores
escopo de acreditação específico para ensaios mecânicos (PROCONVE) 31. A comprovação da conformidade deve
com base nas normas requeridas. O Relatório de Ensaio ser feita pela ENCE com a presença de, no mínimo, uma
deve vir acompanhado de documentação gráfica (desenho estrela 32.
ou fotos) e memorial descritivo com informação necessária
e suficiente para perfeita identificação do modelo ou da linha 5.1.10. Vestuário
contendo o modelo do produto.
b) O mobiliário fabricado com madeira ou seus deri- a) Na aquisição de uniformes ou outras vestimentas,
vados deve observar os critérios da rastreabilidade e da devem ser utilizados, preferencialmente, produtos menos

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
origem dos insumos de madeira a partir de fontes de manejo poluentes e agressivos ao meio ambiente que utilizem teci-
sustentável em conformidade com a norma ABNT NBR dos que tenham em sua composição fibras oriundas de
14790:2011, utilizada pelo Cerflor, ou com o padrão FSC- material reciclável e/ou algodão orgânico.
-SDT-40-004 V2-1. A comprovação da conformidade deve
ser feita por meio do Certificado de Cadeia de Custódia e/ou 5.1.11. Assinaturas de Jornais, Revistas e Periódicos
Selo de Cadeia de Custódia do Cerflor ou do FSC.
c) Devem ser observadas as especificações técnicas a) Nas aquisições de assinaturas de jornais, revistas e
constantes no Anexo I da Resolução CSJT n. 54/2008, que periódicos convém que sejam adquiridas versões eletrôni-
institui o padrão de mobiliário ergonômico nos órgãos da cas, sempre que disponíveis no mercado.
Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus, compatibilizando-se
as especificações com os critérios de sustentabilidade aqui 5.2. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS
estabelecidos, enfatizando-se, ainda:
I – Para armários e gaveteiros a NBR 13961:2010; a) Os materiais e equipamentos utilizados na exe-
II – Para mesas e estações de trabalho (mesas auto- cução dos serviços contratados devem observar os cri-
portantes conjugadas com divisórias), a NBR 13966:2008. térios de sustentabilidade constantes do item 5.1 deste
d) Cadeiras e poltronas, exceto longarinas e poltronas Guia.
de auditório, devem estar em conformidade com a. NBR
13962:2006. A espuma, quando existente, deve ser isenta 29
Ver Tabelas de Consumo/Eficiência Energética de Veículos Automoto-
de CFC e atender a NBR 9178:2003.
res Leves, disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/
e) O mobiliário dos postos de trabalho deve atender aos veiculos_leves_2014.pdf>.
requisitos da norma regulamentadora NR-17 do Ministério 30
Classificação e Regulamento de Avaliação da Conformidade para veí-
do Trabalho e Emprego (MTE). A comprovação de atendi- culos leves de passageiros e comerciais leves conforme Portaria Inmetro
mento deve ser feita por meio da apresentação, para linha e N. 377/2011, alterada pela Portaria Inmetro N. 522/2013.
modelo, de laudo de ergonomia emitido por engenheiro de 31
Resolução CONAMA n. 18, de 6/05/1986 que institui o PROCONVE
segurança do trabalho ou profissional com especialização e Portaria Conjunta Ibama/Inmetro n. 2 de 16/12/2010 que estabelece a
em ergonomia devidamente habilitado para tal finalidade. unificação dos indicadores de eficiência energética do Programa Brasi-
leiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro com os indicadores
5.1.9. Veículos Leves de Passageiros e Comer- ambientais que compõe o Nota Verde, decorrentes do PROCONVE do
ciais Leves Ibama.
32
As estrelas são atribuídas em função da redução da emissão de poluen-
a) Os veículos leves de passageiros para uso oficial, tes (NMHC-CONOx) em relação aos limites do PROCONVE. Abaixo
adquiridos ou locados, devem ser movidos exclusivamente de 60% do limite (menor emissão), 3 estrelas; entre 60% e 80% do
limite, 2 estrelas e entre 80% e os limites, 1 estrela. Ver coluna “Emis-
com combustível renovável 28 ou na forma da tecnologia flex.
sões no Escapamento” nas Tabelas de Consumo/Eficiência Energética
de Veículos Automotores Leves, disponível em: <http://www.inmetro.
28
Nos termos do Art. 1º da Lei n. 9.660, de 16 de junho de 1998. gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2014.pdf>.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
b) Os resíduos com logística reversa obrigatória, gera- a) Observar a não utilização de produtos que con-
dos na execução dos serviços devem atender o disposto no tenham substâncias agressivas à camada de ozônio na
item 5.4. - Resíduos com Logística Reversa. atmosfera, conforme Resolução CONAMA N. 267 de 14 de
c) A definição das rotinas de execução das atividades setembro de 2000;
para contratação dos serviços terceirizados deve prever e b) Adotar medidas para evitar o desperdício de água
estimar período adequado para a orientação e ambientação tratada e para a preservação dos recursos hídricos, nos
dos trabalhadores à política de responsabilidade socioam- termos da Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997 e da legisla-
biental do órgão, durante toda a vigência do contrato. ção local, considerando a política socioambiental do órgão;
c) Realizar programa interno de treinamento de seus
5.2.1. Serviços que envolvam a utilização de Mão empregados visando à adoção de práticas para redução de
de Obra consumo de energia elétrica, de consumo de água, redução
de produção de resíduos sólidos e coleta seletiva, observa-
Para os serviços que envolvam a utilização de mão de das as normas ambientais vigentes;
obra, residente ou não, a contratada deve: d) Proceder ao recolhimento dos resíduos recicláveis
a) Obedecer às normas técnicas, de saúde, de higiene e descartados, de forma seletiva, bem como de pilhas, bate-
de segurança do trabalho, de acordo com as normas do MTE; rias e lâmpadas, de acordo com o programa de coleta sele-
b) Fornecer aos empregados os equipamentos de tiva do órgão em observância ao Decreto n. 5.940/2006;
segurança que se fizerem necessários, para a execução de e) Observar a destinação adequada aos resíduos gera-
serviços e fiscalizar o uso, em especial pelo que consta da dos durante suas atividades, em consonância com o pro-
Norma Regulamentadora n. 6 do MTE; grama de coleta seletiva do órgão;
c) Elaborar e implementar Programa de Prevenção f) Evitar o desperdício de embalagens e a geração de
de Riscos Ambientais (PPRA), de acordo com as Normas resíduos sem reaproveitamento.
Regulamentadoras do MTE;
d) Elaborar e implementar Programa de Controle 5.2.3. Serviços de Restaurante
Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), com o objetivo de
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

promoção e preservação da saúde dos trabalhadores, de Para os Serviços de Restaurante, a contratada também
acordo com as Normas Regulamentadoras do MTE; deve:
e) Assegurar, durante a vigência do contrato, capaci- a) Oferecer opção de alimentação orgânica, compro-
tação a todos os trabalhadores em saúde e segurança no vada pelo selo “Produto Orgânico Brasil”, conforme item
trabalho, dentro da jornada de trabalho, com carga horária
5.1.3, alínea a;
mínima de 2 (duas) horas mensais, conforme a Resolução
b) Incluir cláusula sobre coleta seletiva, de acordo
CSJT n. 98 de 20 de abril de 2012;
com a política socioambiental do órgão, em observância ao
f) Assegurar, durante a vigência do contrato, a capa-
Decreto n. 5.940/2006, bem como sobre obrigação de pro-
citação dos trabalhadores quanto às práticas definidas na
ceder ao recolhimento do óleo usado, que deverá ser des-
política de responsabilidade socioambiental do órgão;
tinado à reciclagem, com a total proibição de que este seja
g) Comprovar, como condição prévia à assinatura do
despejado na rede de esgoto;
contrato e durante a vigência contratual, sob pena de resci-
c) Apresentar programa ou indicação de medidas
são contratual, o atendimento das seguintes condições:
visando reduzir o desperdício de insumos e a geração de
I – Não possuir inscrição no cadastro de empregadores
resíduos sem reaproveitamento;
flagrados explorando trabalhadores em condições análogas
d) Privilegiar o uso de produtos não descartáveis.
às de escravo, instituído pela Portaria Interministerial MTE/
SDH n. 2, de12 de maio de 2011;
5.2.4. Serviços de Copa
II – Não ter sido condenada, a contratada ou seus diri-
gentes, por infringir as leis de combate à discriminação de
raça ou de gênero, ao trabalho infantil e ao trabalho escravo, Para os Serviços de Copa, a contratada também deve:
em afronta a previsão aos artigos 1º e 170 da Constituição a) Recolher o óleo de cozinha e destiná-lo para reciclagem,
Federal de 1988; do artigo 149 do Código Penal Brasileiro; do com total proibição de que seja despejado na rede de esgoto;
Decreto n. 5.017, de 12 de março de 2004 (promulga o Pro- b) Realizar a coleta seletiva dos resíduos e promover
tocolo de Palermo) e das Convenções da OIT nos 29 e 105. a destinação adequada, de acordo com a política socioam-
h) Priorizar o emprego de mão de obra, materiais, tec- biental do órgão e em observância ao Decreto n. 5.940/2006.
nologias e matérias-primas de origem local para execução
dos serviços 33. 5.2.5. Serviços de Impressão e de Cópia

5.2.2. Serviços de Limpeza e Conservação Para os Serviços de Impressão e de Cópia, a contra-


tada também deve:
Para os Serviços de Limpeza e Conservação, a contra- a) Proceder à separação dos resíduos recicláveis
tada também deve: descartados de forma seletiva, especialmente o papel, de
acordo com o programa de coleta seletiva do órgão e em
observância ao Decreto n. 5.940/2006;
33
Nos termos do Art. 12 da Lei 8.666/1993 e dos incisos II e IV do Art. 4º
b) A destinação final de cartuchos e cilindros deve obser-
do Decreto n. 7.746/2012, conforme Art. 4º, § 1º da Instrução Norma-
tiva n. 1/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. var o disposto no item 5.4 - Resíduos com Logística Reversa.

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5.2.6. Serviços de Jardinagem sólidos produzidos nas cidades 34, além de ser uma das
grandes responsáveis pela emissão dos gases causado-
Para os Serviços de Jardinagem, a contratada também res do efeito estufa. Para minimizar os impactos ambien-
deve: tais causados, a noção de sustentabilidade deve estar
a) Utilizar, preferencialmente, produtos e insumos de presente desde o estudo de viabilidade técnica, escolha
natureza orgânica, bem como utilizar defensivos contra do terreno, definição do programa de necessidades e con-
pragas com menor potencial de toxidade, equivalentes aos cepção arquitetônica. A utilização de critérios e práticas
utilizados em jardinagem amadora, nos termos definidos de sustentabilidade nas construções não deve se limitar
pela ANVISA; aos novos prédios, mas englobar também manutenção,
b) Apresentar, sempre que houver necessidade da utili- reforma, ampliação, adaptações e mudanças na utilização
zação de agrotóxicos e afins o registro do produto no órgão dos prédios já existentes.
federal responsável, nos termos da Lei n. 7.802/1989 e As especificações e demais exigências do projeto
legislação correlata; básico ou executivo para contratação de obras e serviços
c) Efetuar o recolhimento das embalagens vazias e de engenharia devem ser elaborados de forma a reduzir os
respectivas tampas dos agrotóxicos e afins utilizados, com- resíduos gerados na construção, proporcionar economia na
provando a destinação final ambientalmente adequada, nos manutenção dos prédios, reduzir o consumo de energia e
termos da Lei n. 12.305/2010. água, garantir os direitos constitucionais de acessibilidade
aos portadores de deficiência, bem como utilizar tecnologias
5.2.7. Serviços de Controle de Vetores e Pragas e materiais que reduzam o impacto ambiental.
Urbanas Da mesma forma, visando à garantia de qualidade e
manutenção de requisitos mínimos dos projetos básicos ou
Para os Serviços de Controle de Vetores e Pragas executivos de obras públicas, sempre que couber ou subsi-
Urbanas, tais como desinsetização, desratização, descupi- diariamente, os órgãos devem utilizar como parâmetro os
nização, a contratada também deve: normativos próprios, tais como a Resolução CNJ 114/2010 e
Resolução CSJT 70/2010.

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
a) Estar em conformidade com os requisitos de licencia-
Na aquisição de bens devem ser exigidos os critérios
mento, procedimentos e práticas operacionais definidos na
de sustentabilidade constantes do item 5.1 deste Guia e, na
Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA – RDC n. 52,
execução dos serviços contratados, no que couber, as práti-
de 22 de outubro de 2009, destacando-se as metodologias
cas de sustentabilidade previstas no item 5.2.
direcionadas para a redução do impacto ao meio ambiente,
à saúde do consumidor e do aplicador dos produtos;
5.3.1. Na Concepção dos Projetos e Especificações
b) Aplicar produtos devidamente aprovados pela
das Obras e dos Serviços
ANVISA;
c) Efetuar o recolhimento das embalagens vazias e res-
a) A envoltória do edifício, o sistema de iluminação e
pectivas tampas dos produtos utilizados, promovendo sua
o sistema de condicionamento de ar devem observar os
destinação final ambientalmente adequada, nos termos da
requisitos para os níveis de eficiência energética A ou B
Lei n. 12.305/2010;
dos Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Efi-
d) Fornecer aos empregados os equipamentos de
ciência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e
segurança necessários para a execução de serviços e fis-
Públicos - RTQ-C, aprovado pela Portaria Inmetro n. 372 de
calizar o uso, nos termos da Norma Regulamentadora NR 17/09/2010 e Portaria Complementar n. 17 de 16 de janeiro
6 do MTE. de 2012.
b) Opção por equipamentos que proporcionem melhor
5.2.8. Serviços de Manutenção Preventiva e Corre- eficiência energética, adquiridos em conformidade com os
tiva de Equipamentos critérios constantes no item 5.1.4 (Máquinas e Aparelhos
Consumidores de Energia).
Para os Serviços de Manutenção Preventiva e Corre- c) Utilização de revestimentos de cor clara nas cober-
tiva de Equipamentos, tais como elevadores, equipamentos turas e fachadas, para reflexão dos raios solares, e conse-
odontológicos, condicionadores de ar, equipamentos gráfi- quente redução da carga térmica nestas superfícies, com o
cos, a contratada também deve: objetivo de melhorar o conforto ambiental e reduzir a neces-
a) Utilizar peças e componentes de reposição certifica- sidade de climatização. Deve ser avaliada ainda a opção de
das pelo Inmetro, de acordo com a legislação vigente; implantar a cobertura verde.
b) Efetuar o descarte de peças e materiais em obser- d) Emprego de tintas à base de água, livre de com-
vância à política de responsabilidade socioambiental do postos orgânicos voláteis, sem pigmentos à base de metais
órgão. pesados, fungicidas sintéticos ou derivados de petróleo 35.

5.3. OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA 34


Conforme estudo “Gestão Ambiental de resíduos da Construção Civil”
realizado pelo SindusCon-SP, disponível em http://www.sindusconsp.
A indústria da construção civil é um dos segmentos com.br/downloads/prodserv/publicacoes/manual_residuos_solidos.pdf
que mais consome matérias-primas e recursos naturais 35
Observar a Resolução CONAMA n. 307 e Decreto n. 4.581 de 27 de
no planeta, gerando a parcela predominante dos resíduos janeiro de 2003, da Presidência da República.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
e) Utilização de outros materiais em substituição ao q) Prioridade para emprego de mão de obra, materiais,
asbesto/amianto 36. tecnologias e matérias-primas de origem local para execu-
f) Fixação de critérios para projeto arquitetônico base- ção, conservação e operação das obras 37.
ados nas definições da NBR 15.220, que levem em consi-
deração os melhores parâmetros, com base nas definições 5.3.2. Nos Projetos de Instalações Hidrossanitárias
de zonas bioclimáticas estabelecidas na norma, de forma a
evitar a insolação profunda e permitir a iluminação e venti- a) Implantação de sistema de coleta e aproveitamento
lação naturais. de água da chuva no prédio em construção ou em reforma,
g) Emprego de soluções construtivas que garantam agregando ao sistema hidráulico elementos que possibilitem
maior flexibilidade na edificação de maneira a permitir fácil sua utilização para rega de jardim, lavagem de carros e lim-
adaptação às mudanças de uso do ambiente ou do usuário, peza/manutenção pesada e descarga dos banheiros.
no decorrer do tempo, e evitar reformas que possam causar b) Separação da rede de esgoto em água cinza e água
desperdício de material e grande impacto ambiental decor- negra, visando ao reuso de água cinza.
rente da produção de entulho. c) Utilização de equipamentos economizadores de
h) Apresentação de projeto para implantação de can- água, com baixa pressão, tais como torneiras com arejado-
teiro de obras organizado, com critérios mais sustentáveis res, com sensores ou de fechamento automático, sanitários
do ponto de vista ambiental, no qual conste, por exemplo, o com sensores ou com válvulas de descarga com duplo acio-
reuso de água, o reaproveitamento da água de chuvas e dos namento ou a vácuo.
resíduos sólidos produzidos e a separação dos não reutilizá- d) Adoção de sistema de irrigação que reduza o con-
veis para descarte. sumo de água, tais como gotejamento, por micro aspersão
i) Apresentação do Projeto de Gerenciamento de Resí- ou mecanismo eletrônico programável para irrigação auto-
duos da Construção Civil (PGRCC), de acordo com a Reso- mática.
lução 307, de 05 de julho de 2002 do CONAMA. Para fins e) Adoção de sistema de medição individualizado de
de fiscalização do fiel cumprimento do Projeto, a contratada consumo de água.
deve comprovar que todos os resíduos removidos estão
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

acompanhados de Controle de Transporte de Resíduos, em 5.3.3. Nos Projetos Elétricos e de Iluminação


conformidade com as normas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas - ABNT, NBR n. 15.112, 15.113, 15.114, a) Emprego de energia solar ou outra energia limpa
15.115 e 15.116, de 2004. para aquecimento de água, iluminação e outros fins, cujo
j) Emprego de fôrmas pré-moldadas fabricadas em rendimento e custo se mostrem viáveis, com utilização de
material que permita a reutilização. equipamentos aprovados pelo Programa Brasileiro de Eti-
k) Utilização de andaimes e escoras, preferencialmente quetagem do Inmetro e escolhidos entre os mais eficientes.
metálicos, ou de material que permita a reutilização. b) Setorização da iluminação de um mesmo ambiente,
l) Conformidade da Madeira utilizada na edificação ou por meio de interruptores, para permitir uso localizado e
no canteiro de obras com os critérios constantes no item aproveitamento da luz natural, inclusive instalação de sen-
5.1.8, alínea b. Nos casos de madeira de origem nativa não sores de presença em locais que não exijam iluminação
certificada a sua procedência legal deve ser comprovada constante, como garagens, circulações, hall de elevadores
mediante apresentação, pelo fornecedor, da Autorização de e escadas.
Transporte DOF (Documento de Origem Florestal) expedido c) Uso de lâmpadas fluorescentes compactas de alta
pelo Ibama ou Guia Florestal (GF) emitida pela Secretaria de eficiência energética, ou tubulares de alto rendimento em
Meio Ambiente de âmbito estadual. conformidade com os critérios constantes no item 5.1.4
m) Emprego de materiais e equipamentos que atendam (Máquinas e Aparelhos Consumidores de Energia) e luminá-
a critérios de sustentabilidade, tais como segurança, durabi- rias eficientes, bem como a utilização de lâmpadas LED nos
lidade e eficiência, de modo a gerar menos resíduos, menor ambientes que permitam a sua utilização.
desperdício e menor impacto ambiental. d) Utilização da Norma ABNT NBR 15920:2011 como
n) Utilização de revestimentos impermeáveis e antipo- referência para dimensionamento econômico dos cabos elé-
luentes nos ambientes internos, de fácil limpeza e que favo- tricos com base em perdas por efeito joule.
reçam o conforto térmico e acústico das edificações. e) Adoção de sistema de medição individualizado de
o) Emprego de pisos externos que favoreçam a infiltra- consumo de energia elétrica.
ção das águas da chuva no solo, de forma a não sobrecarre-
gar o sistema de coleta de águas pluviais. 5.3.4. Nos Projetos de Climatização
p) Previsão de espaço físico específico para a coleta e
armazenamento de materiais recicláveis. a) Uso de equipamentos de climatização mecânica ou
de novas tecnologias de resfriamento do ar que permitam a
automação do sistema, de forma a possibilitar a setorização
36
O Amianto já foi vetado no Ministério do Meio Ambiente – Portaria n. adequada dos ambientes climatizados.
43/2009; no Ministério da Saúde – Portaria n. 1.644/2009; e no Minis-
tério da Cultura – Portaria n. 9/2009. Para maiores informações, ver
“Dossiê Amianto Brasil” – Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvi- 37
Ver Art. 12 da Lei n. 8.666/93, incisos II e IV do Art. 4º do Decreto n.
mento Sustentável da Câmara dos Deputados. Disponível em: <http:// 7.746/2012 e Art. 4, § 1º da Instrução Normativa n. 1/ 2010 – SLTI/
www.camara.gov.br/sileg/integras/769516.pdf>. MPOG.

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b) Instalação de aparelhos condicionadores de ar adqui- e) Capacitação de todos os trabalhadores em saúde e
ridos em conformidade com os critérios constantes no item segurança no trabalho, dentro da jornada de trabalho, obser-
5.1.4 (Máquinas e Aparelhos Consumidores de Energia). vada a carga horária mínima de duas horas mensais, com
ênfase na prevenção de acidentes, conforme a Resolução
5.3.5. Nos Projetos de Urbanização CNJ 98/2012.

a) Preservação de espécies nativas e compensação da 5.4. RESÍDUOS COM LOGÍSTICA REVERSA


vegetação suprimida.
b) Plantio de espécies vegetais e criação de espaços Pilhas e baterias; pneus; lâmpadas fluorescentes, de
verdes de convivência. vapor de sódio e mercúrio e de luz mista 38; óleos lubrifican-
c) O paisagismo deve privilegiar o emprego de espé- tes, seus resíduos e embalagens, bem como produtos ele-
cies nativas da região. troeletrônicos e seus componentes devem observar o sis-
tema de logística reversa nos termos da Lei n. 12.305/2010,
5.3.6. Nos Projetos de Acessibilidade que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, regu-
lamentada pelo Decreto n. 7.404/2010. Deve ser incluída,
Para garantir a acessibilidade de pessoas portadoras no termo de referência e na minuta de contrato, cláusula
de deficiência ou com mobilidade reduzida tais como idosos,
prevendo a obrigação da coleta, pela contratada, dos resí-
gestantes, obesos, devem ser observados os requisitos pre-
duos oriundos da contratação, para fins de devolução ao
vistos na ABNT NBR 9050:2004, dentre os quais:
fabricante ou importador, responsáveis pela sua destinação
a) Construção de rampas com inclinação adequada
final ambientalmente adequada.
para acesso dos pedestres e plataforma de transporte verti-
a) Pilhas e baterias devem observar a Resolução
cal para passageiros com dificuldades de locomoção;
CONAMA n. 401/2008.
b) Adequação de sanitários;
b) Pneus devem observar a Resolução CONAMA n.
c) Reserva de vagas em estacionamento;
416, de 30 de setembro de 2009 e Instrução Normativa
d) Reserva de espaço para pessoa em cadeira de

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
Ibama n. 01, de 25 de janeiro de 2013.
rodas e assentos para pessoa com mobilidade reduzida nas
salas de espera, auditórios, salas de audiência e similares; c) Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens
e) Instalação de piso tátil direcional e de alerta; devem observar a Resolução CONAMA n. 362/2005 e
f) Sinalização sonora para pessoas com deficiência Acordo Setorial para a Implantação de Sistema de Logística
visual, bem como sinalizações visuais acessíveis a pessoas Reversa de Embalagens Plásticas Usadas de Lubrificantes.
com deficiência auditiva, pessoas com baixa visão e pes- d) Cartuchos de tinta, de toner e cilindros devem obser-
soas com deficiência intelectual; var os seguintes procedimentos:
g) Adaptação de mobiliário, portas e corredores em I – A sistemática de recolhimento deve indicar as quan-
todas as dependências e acessos. tidades mínimas de cartuchos e/ou cilindros a serem reco-
lhidos por evento, o intervalo e os responsáveis pelo reco-
5.3.7. Nas Condições de Trabalho lhimento, bem como a especificação e detalhamento da sua
destinação;
Em relação às condições de trabalho da mão de obra II – Os cartuchos e/ou cilindros usados devem ser per-
devem ser exigidos das empresas contratadas: mutados, sempre que possível, por suprimentos novos equi-
a) Atendimento às normas regulamentadoras expedi- valentes, sem custo adicional, mediante relação de troca
das pelo MTE, quanto à Segurança e Medicina do Trabalho; estabelecida em função do número de unidades recolhidas
b) Adesão, por meio de cláusula contratual, ao Pro- pela contratada.
grama Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho - e) Devem ser considerados apropriados os procedi-
Programa Trabalho Seguro, instituído no âmbito da Justiça mentos de destinação de cartuchos de tinta, de toner e cilin-
do Trabalho, voltado à promoção da saúde do trabalhador, dros somente quando orientados para:
à prevenção de acidentes de trabalho e ao fortalecimento I – Reaproveitamento ou reutilização das peças e com-
da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho ponentes dos suprimentos não sujeitos a desgastes, efetiva-
(PNSST), nos termos da Resolução n. 96, de 23 de março dos sob supervisão do fabricante dos produtos;
de 2012, do Conselho Superior da Justiça do Trabalho; II – Destinação ambientalmente adequada dos
c) Adesão, por meio de cláusula contratual, ao “Com- resíduos dos suprimentos, devidamente licenciada
promisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Traba- pelo órgão ambiental competente, a ser efetivada pelo
lho”, firmado entre o Governo Federal e as entidades patro- fabricante ou importador do produto ou por represen-
nais e representativas dos trabalhadores no dia 1º de março tante autorizado.
de 2012, visando à aplicação e efetividade das Diretrizes
nele estabelecidas;
d) Emprego de egressos do sistema carcerário e/ou
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Os resíduos cuja logística reversa é obrigatória são os referentes às lâm-
cumpridores de medidas ou penas alternativas em percen- padas de descarga em baixa ou alta pressão que contenham mercúrio,
tais como, fluorescentes compactas e tubulares, de luz mista, a vapor de
tual não inferior a 2%, segundo o que preconizam as Reso-
mercúrio, a vapor de sódio, a vapor metálico e lâmpadas de aplicação
luções CNJ 114, de 20 de abril de 2010 e CSJT 70, de 24 de especial. Não serão objeto da logística reversa as lâmpadas incandes-
setembro de 2010; centes e halógenas.

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ANEXO reciclados e recicláveis, e bens, serviços e obras que consi-
Conselho Superior Da Justiça Do Trabalho derem critérios compatíveis com padrões de consumo social
e ambientalmente sustentáveis;
RESOLUÇÃO N. 103, DE 25 DE MAIO DE 2012 Considerando o preceituado no Decreto n. 2.783,
de 17 de setembro de 1998, que dispõe sobre proibição
Aprova o Guia Prático para inclusão de critérios de sus- de aquisição de produtos ou equipamentos que conte-
tentabilidade nas contratações de bens e serviços no âmbito nham ou façam uso das Substâncias que Destroem a
da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus. Camada de Ozônio - SDO, pelos órgãos e pelas entida-
des da Administração Pública Federal direta, autárquica
O CONSELHO SUPERIOR DA JUSTIÇA DO TRA- e fundacional;
BALHO, em sessão ordinária realizada em 25 de maio de Considerando o disposto no Decreto n. 5.940, de 25 de
2012, sob a presidência do Ex.mo Ministro Conselheiro outubro de 2006, que disciplina a separação dos resíduos
João Oreste Dalazen, presentes os Ex.mos Ministros Con- recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da admi-
selheiros Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Antônio José nistração pública federal direta e indireta, na fonte geradora,
de Barros Levenhagen, Emmanoel Pereira, Lelio Bentes e a sua destinação às associações e cooperativas dos cata-
Corrêa e Aloysio Corrêa da Veiga, os Ex.mos Desembar- dores de materiais recicláveis;
gadores Conselheiros Márcio Vasques Thibau de Almeida, Considerando o teor da Recomendação n. 11, de
José Maria Quadros de Alencar, Claudia Cardoso de Souza, 22 de maio de 2007, do Conselho Nacional de Justiça,
Maria Helena Mallmann e André Genn de Assunção Barros, que orienta os Tribunais de todo o país a adotarem polí-
o Ex.mo Vice-Procurador-Geral do Trabalho, Dr. Eduardo ticas públicas visando à formação e recuperação de um
Antunes Parmeggiani, e o Ex.mo Presidente da ANAMA- ambiente ecologicamente equilibrado, além da conscien-
TRA, Juiz Renato Henry Sant’Anna, tização dos próprios servidores e jurisdicionados sobre
Considerando o disposto nos art. 170, inciso VI, da a necessidade de efetiva proteção ao meio ambiente, a
Constituição Federal, que estabelece como princípio da elaboração e acompanhamento de medidas, com fixação
ordem econômica a defesa do meio ambiente, inclusive
NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE

de metas anuais, visando à correta preservação e recu-


mediante tratamento diferenciado conforme o impacto
peração do meio ambiente;
ambiental dos produtos e de seus processos de elaboração
Considerando o contido na Instrução Normativa n.
e prestação;
1, de 19 de janeiro de 2010, da Secretaria de Logística e
Considerando a diretriz prevista no art. 225 da Cons-
Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento,
tituição da República, que preconiza que todos têm direito
Orçamento e Gestão, que estabelece critérios de susten-
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
tabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
serviços ou obras pela Administração Pública Federal direta,
impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de
autárquica e fundacional;
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gera-
Considerando o constante do Acórdão n. 1752/2011 do
ções;
Plenário do Tribunal de Contas da União, que pautou uma
Considerando a Lei n. 6.938, 31 de agosto de 1981,
série de recomendações aos órgãos de governo no sentido
que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, cujo
da adoção de medidas para o aumento da sustentabilidade
objetivo traduz-se na preservação, melhoria e recuperação
e eficiência no uso de recursos naturais;
da qualidade ambiental propícia à vida, visando a assegurar,
Considerando a Decisão Normativa n. 107/2010 do Tri-
no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico,
aos interesses da segurança nacional e à proteção da digni- bunal de Contas da União, que determina a inclusão nas
dade da vida humana; prestações de contas de órgãos públicos de informações
Considerando as disposições do art. 3º da Lei n. 8.666, quanto à adoção de critérios de sustentabilidade ambiental
de 21 de junho de 1993, que contempla dentre os princípios na aquisição de bens e na contratação de serviços ou obras,
que devem nortear as contratações públicas ”a promoção do tendo como referência o Decreto n. 5.940/2006 e a Instrução
desenvolvimento nacional sustentável”; Normativa n. 1/2010, da Secretaria de Logística e Tecnologia
Considerado a Política Nacional sobre Mudança da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e
de Clima (PNMC), instituída pela Lei n. 12.187, de 29 de Gestão;
dezembro de 2009, que tem como uma de suas diretrizes o Considerando a Agenda 21, documento final da Con-
estímulo e o apoio à manutenção e à promoção de padrões ferência Rio-92, que estabeleceu um plano de ação para o
sustentáveis de produção e consumo (art. 5º, XIII), e como desenvolvimento sustentável, com destaque para o capítulo
um de seus instrumentos a adoção de critérios de preferên- 4, que, ao tratar das mudanças de padrões de consumo,
cia, nas licitações e concorrências públicas, para as propos- relacionou uma série de atividades, entre as quais o exer-
tas que propiciem maior economia de energia, água e outros cício da liderança por meio das aquisições pelos Governos,
recursos naturais e redução da emissão de gases de efeito de modo a aperfeiçoar o aspecto ecológico de suas políticas
estufa e de resíduos (art. 6º, XII); de aquisição;
Considerando a Política Nacional de Resíduos Sóli- Considerando o termo de adesão ao processo de Mar-
dos (PNRS), instituída pela Lei n. 12.305, de 2 de agosto de rakech - processo global de consultas e de elaboração de
2010, que estabelece, dentre os objetivos, a prioridade, nas políticas de produção e consumo sustentável -, firmado pelo
aquisições e contratações governamentais, para produtos Brasil em 2007;

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Considerando o programa de desenvolvimento Brasil III – realização de eventos nacionais ou regionais;
Maior 2012-2015, recentemente lançado pela Presidenta IV – utilização de meio eletrônico para difundir as
da República, que dá sinais claros do viés de sustenta- informações e servir como instrumento de comunicação
bilidade ao trazer orientações a respeito da produção de direta com a sociedade e entre os Tribunais Regionais do
forma mais limpa, a partir da diminuição da intensidade Trabalho;
de energia; construção modular para a redução de resí- V – estabelecimento de indicadores e metas vinculados
duos em obras de construção civil; definição de critérios à temática.
de sustentabilidade para edificações; apoio ao desen- Art. 5º O Fórum Permanente, de âmbito nacional, será
volvimento de cadeias de reciclagem (em consonância constituído por ato da Presidência do CSJT e contará com
com a Política Nacional de Resíduos Sólidos); desenvol- representantes do Conselho Superior da Justiça do Trabalho
vimento regional sustentável a partir de competências e e dos Tribunais Regionais do Trabalho.
recursos disponíveis localmente; e estímulos ao desen- Art. 6º O Fórum Permanente encarregar-se-á do acom-
volvimento e à adoção de fontes renováveis de energia panhamento e atualização do Guia Prático, bem como de
(em consonância com a Política Nacional de Mudança do manter disponíveis em meio eletrônico as seguintes infor-
Clima e com a Política Nacional de Energia); mações:
Considerando a edição, em novembro de 2011, do I – editais e termos de referência sustentáveis;
Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis – II – boas práticas relacionadas a compras e contra-
PPCS, que visa à promoção e ao apoio a padrões susten- tações sustentáveis; III - ações de capacitação progra-
táveis de produção e consumo e que, em seu primeiro ciclo madas;
de implementação, de 2011 a 2014, identificou como temas IV – divulgação de programas e eventos nacionais e
prioritários, entre outros, as compras e construções públicas regionais; V - monitoramento das metas estabelecidas.
sustentáveis; Parágrafo único. A divulgação das informações de que
Considerando que a Justiça do Trabalho, pela sua trata este artigo dar-se-á no Portal de Compras e Contrata-
dimensão e respeitabilidade, desempenha, nos procedimen- ções Sustentáveis, a ser mantido e atualizado no sítio do

NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE
tos de compras e contratações, papel relevante na orienta- Conselho Superior da Justiça do Trabalho na rede mundial
ção dos fornecedores e prestadores de serviço, quanto à de computadores (internet).
adoção de padrões de produção e consumo e de serviços Art. 7º Os Tribunais Regionais do Trabalho incluirão em
ambientalmente sustentáveis, além de estimular a inovação seus programas de capacitação cursos destinados a sensi-
tecnológica, bilizar e instruir gestores e demais envolvidos para a concre-
tização de compras e contratações sustentáveis.
RESOLVE: Parágrafo único. Os cursos objetivam:
I – a construção da capacidade institucional do órgão
Art. 1º É aprovado o Guia Prático para inclusão de cri- no sentido de implantar medidas concretas para a promoção
térios de sustentabilidade a serem observados na aquisição do consumo sustentável, por meio das compras e contrata-
de bens e na contratação de obras e serviços no âmbito ções, de modo a reduzir gastos e gerar impactos positivos
da Justiça do Trabalho de primeiro e segundo graus, nos sobre a saúde pública, a qualidade de vida e as condições
termos do anexo desta Resolução. de sustentabilidade ambiental;
Art. 2º O Guia Prático será disponibilizado nos portais II – a troca de experiências e a visibilidade de ações
eletrônicos do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e exitosas a respeito do tema;
dos Tribunais Regionais do Trabalho, constituindo-se em III – o intercâmbio com instituições públicas e privadas,
instrumento de consulta para elaboração de editais de licita- comunidade acadêmica e entidades da sociedade civil, além
ção, de termos de referência ou de especificações. de servir de fórum de debate dos avanços e estratégias para
§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão esta- maior efetividade das compras e contratações públicas sus-
belecer outras práticas sustentáveis, além daquelas previs- tentáveis.
tas no Guia Prático, consideradas as peculiaridade regio- Art. 8º Os Planejamentos Estratégicos da Justiça do
nais. Trabalho e dos Tribunais Regionais do Trabalho deverão
§ 2º A não observância das diretrizes constantes do conter indicadores e metas sobre compras e contratações
Guia Prático deverá ser expressamente justificada e funda- sustentáveis, a fim de mensurar, pelo menos, a dissemi-
mentada. nação do tema entre servidores e magistrados, a efetiva
Art. 3º O Guia Prático será objeto de constantes revi- adoção de critérios de sustentabilidade nas compras e con-
sões e atualizações, de forma a assegurar sua evolução no tratações e a redução do consumo de insumos, a exemplo
que tange à legislação vigente, aos avanços tecnológicos e de água e energia elétrica.
à inovação. Art. 9º Esta Resolução entra em vigor na data de sua
Art. 4º A implantação e o desenvolvimento das com- publicação.
pras e contratações sustentáveis no âmbito da Justiça do
Trabalho de primeiro e segundo graus envolve a adoção dos Brasília, 25 de maio de 2012.
seguintes mecanismos e ferramentas:
I – instituição do Fórum Permanente de compras e con- MINISTRO JOÃO ORESTE DALAZEN
tratações sustentáveis; II - capacitação continuada; Presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
SUSTENTABILIDADE • Nas aquisições e contratações possuem prioridade
os produtos reciclados e recicláveis e bens, servi-
PORTARIA STJ N. 293, DE 31 DE MAIO DE 2012 ços e obras que tenham padrões de consumo social
e ambientalmente sustentáveis;
• Institui a Política de Sustentabilidade no Superior • Integração dos catadores de materiais reutilizáveis
Tribunal de Justiça. e recicláveis nas ações que envolvam a responsa-
• Capítulo I - Disposições Gerais bilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos pro-
• Estabelece a harmonização dos objetivos sociais, dutos.
ambientais e econômicos relacionados à preserva- • Capítulo VI – Da eficiência Energética
ção da natureza para a produção de recursos reno- • Uso racional de energia em todas as suas ações.
váveis, uso de recursos não renováveis e respeito • Capítulo VII – Do Uso Racional dos Recursos Hídri-
à capacidade de renovação dos sistemas naturais. cos
• Objetivos desta política: • Uso racional de água, estimulando a economia da
–– Implementação de ações que promovam o exer- mesma.
cício dos direitos sociais; • Aproveitamento da água da chuva e reuso das
–– Gestão adequada dos resíduos gerados pelo águas servidas.
Tribunal; • Capítulo VIII – Das Disposições Finais
–– Incentivo ao combate de todas as formas de • A Secretaria do Tribunal disponibilizará sítio na
desperdício dos recursos naturais; intranet para divulgar:
–– Inclusão dos conceitos e princípios de susten- –– Listas dos bens, serviços e obras contratados
tabilidade nos projetos, processos de trabalho, com base nos requisitos de sustentabilidade
investimentos, compras e contratações de obras
ambiental;
e serviços realizados pelo Tribunal;
–– Banco de editais sustentáveis;
–– Implementação de ações com vistas à eficiência
–– Boas práticas de sustentabilidade;
energética.
–– Ações de capacitação de conscientização
• Capítulo II – Da Educação Ambiental
ambiental;
• Programa de Responsabilidade Socioambiental do
–– Divulgação de programas e eventos nacionais e
STJ.
internacionais;
HÉLIO SOUSA

• Fortalecimento institucional da consciência crítica


–– Divulgação de planos de sustentabilidade
sobre a problemática ambiental, social e econômica
ambiental das contratações dos órgãos e enti-
e o incentivo à participação individual e coletiva na
dades da Administração Pública federal;
preservação do equilíbrio.
–– Divulgação das doações a outros órgãos públicos.
• Disseminar práticas socioambientais corretas e
reforçar as existentes.
• Manter o registro de boas práticas na forma de guia RESOLUÇÃO CNJ N. 201, DE 03 DE MARÇO DE 2015
ou dicas sustentáveis disponíveis na intranet do Tri-
bunal. • Dispõe sobre a criação e competências das unida-
• Capítulo III – Do Consumo Consciente des ou núcleos socioambientais nos órgãos e con-
• O STJ deve acompanhar o impacto de suas ativida- selhos do Poder Judiciário e implantação do Plano
des na sociedade e meio ambiente. de Logística Sustentável (PLS-PJ).
• Consumo sustentável. • Criação das Unidades ou Núcleos Socioambientais
• Repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reciclar. no Poder Judiciário e suas Competências.
• Capítulo IV – Das Contratações de Obras, Serviços • Os órgãos do poder judiciário (CNJ; STJ; Tribunais
e Compra de Materiais Regionais Federais e Juízes Federais; Tribunais e
• Existem critérios de sustentabilidade ambiental na Juízes do Trabalho, Eleitorais, Militares; Tribunais
aquisição de bens, contratação de serviços e obras e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Ter-
no STJ. ritórios), assim como os demais conselhos, devem
–– Considera o processo de extração ou fabrica- criar unidades ou núcleos socioambientais, estabe-
ção, transporte, utilização e descarte dos produ- lecer suas competências e implantar o respectivo
tos e matérias-primas. Plano de Logística Sustentável (PLS-PJ).
–– Nas licitações públicas têm preferência as pro- • Devem adotar modelos de gestão organizacional e
postas que possuem maior economia de ener- de processos estruturais na promoção da sustenta-
gia, de água e de outros recursos naturais e a bilidade ambiental, econômica e social.
redução da emissão de gases do efeito estufa. • Conceitos utilizados nessa resolução:
• Capítulo V – Da Coleta de Resíduos Sólidos –– Visão sistêmica;
• Objetivos da coleta de resíduos no STJ: –– Logística sustentável;
–– Não geração, redução, reutilização, reciclagem –– Critérios de sustentabilidade;
e tratamento dos resíduos sólidos gerados; –– Práticas de sustentabilidade;
–– Implementação de coleta seletiva; –– Práticas de racionalização;
–– Adoção de práticas sustentáveis de produção e –– Coleta seletiva;
consumo de bens; –– Coleta seletiva solidária;

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–– Resíduos recicláveis descartados; -- Relatório do inventário de bens e materiais
–– Material de consumo; do órgão, com identificação dos itens nos
–– Gestão documental; quais foram inseridos critérios de sustenta-
–– Inventário físico financeiro; bilidade durante sua aquisição;
–– Compra compartilhada; -- Práticas de sustentabilidade, racionalização e
–– Ponto de equilíbrio; consumo consciente de materiais e serviços;
–– Corpo funcional; -- Responsabilidades, metodologia de imple-
–– Força de trabalho auxiliar. mentação, avaliação do plano e monitora-
• As unidades ou núcleos socioambientais deverão mento dos dados;
ter caráter permanente para planejamento, imple- -- Ações de divulgação, sensibilização e capa-
mentação, monitoramento de metas anuais e ava- citação.
liação de indicadores de desempenho para o cum- • Disposições Finais
primento desta Resolução, devendo ser criadas no • O PLS-PJ deverá ser elaborado e publicado no sítio
prazo máximo de 120 dias, a partir da publicação dos respectivos órgãos e conselhos do Poder Judi-
desta Resolução. ciário no prazo de 180 dias, a partir da publicação
• As unidades ou núcleos socioambientais deverão da resolução.
estimular a reflexão e a mudança dos padrões de • Os resultados obtidos deverão ser publicados ao
compra, consumo e gestão documental dos órgãos final de cada semestre, apresentando as metas
do Poder Judiciário. alcançadas e os resultados.
• As unidades ou núcleos socioambientais deverão • Ao final do ano deverá ser elaborado o relatório de
estimular: desempenho, que contém:
–– Aperfeiçoamento contínuo da qualidade do –– Consolidação dos resultados alcançados;
gasto público; –– Evolução do desempenho dos indicadores
–– Uso sustentável dos recursos naturais e bens estratégicos do Poder Judiciário;
públicos; –– Indicação das ações a serem desenvolvidas ou
–– Redução do impacto negativo das atividades modificadas para o ano seguinte.

DIREITO ADMINISTRATIVO
do órgão no meio ambiente com a adequada • Sugestões de práticas de sustentabilidade, raciona-
gestão dos resíduos gerados; lização e consumo consciente durante a aquisição
–– Promoção das contratações sustentáveis; de materiais e a contratação de serviços:
–– Gestão sustentável de documentos, em con- –– Papel e suprimentos de impressão;
junto com a unidade responsável; –– Sistemas informatizados;
–– Sensibilização e capacitação do corpo funcional, –– Copos descartáveis e águas engarrafadas;
força de trabalho auxiliar e outros interessados; –– Material de limpeza;
–– Qualidade de vida no ambiente de trabalho, em –– Energia elétrica;
parceria coma unidade responsável. –– Água e esgoto;
• A gestão de resíduos deverá promover a coleta –– Gestão de resíduos;
seletiva, com estímulo a redução, reuso e recicla- –– Qualidade de vida no ambiente de trabalho;
gem de materiais, e inclusão socioeconômica dos –– Veículos e transporte;
catadores de resíduos. –– Telefonia;
• Plano de Logística Sustentável do Poder Judiciário –– Mobiliário;
(PLS-PJ): –– Desfazimento de documentos, materiais e bens
–– Instrumento vinculado ao planejamento estraté- móveis;
gico do Poder Judiciário. –– Contratações sustentáveis;
–– Acompanha práticas de sustentabilidade, racio- –– Material de consumo – planejamento e uso.
nalização e qualidade com o objetivo de eficiên-
cia do gasto público e da gestão dos processos DECRETO N. 7.746, DE 5 DE JUNHO DE 2012
de trabalho.
–– Sua comissão gestora é composta por no • Regulamenta o art. 3º da Lei n. 8.666, de 21 de
mínimo cinco servidores, designados pela alta junho de 1993.
administração no prazo máximo de 30 dias a
partir da constituição das unidades ou núcleos Art. 3º da Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993: “A lici-
socioambientais. tação destina-se a garantir a observância do princípio cons-
–– Essa comissão será composta por um servidor titucional da isonomia, a seleção da proposta mais vanta-
da unidade ou núcleo socioambiental, da uni- josa para a administração e a promoção do desenvolvimento
dade de planejamento estratégico e da área de nacional sustentável e será processada e julgada em estrita
compras ou aquisições do órgão ou conselho do conformidade com os princípios básicos da legalidade, da
Poder Judiciário. impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publici-
–– A comissão gestora irá elaborar, monitorar, ava- dade, da probidade administrativa, da vinculação ao instru-
liar e revisar o PLS-PJ do seu órgão. mento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes
–– O PLS-PJ deverá conter: são correlatos”.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
• O decreto estabelece critérios, práticas e diretrizes –– Elaborar seu regimento interno.
gerais para a promoção do desenvolvimento nacio- • Especialistas poderão ser convidados a participar
nal sustentável por meio das contratações reali- das reuniões da CISPA.
zadas pela Administração Pública Federal direta, • A participação na CISPA é considerada prestação
autárquica e fundacional e pelas empresas estatais de serviço público relevante e não remunerada.
dependentes.
• Institui a Comissão Interministerial de Sustentabili-
dade na Administração Pública (CISAP). LEI N. 12.305 DE 2 DE AGOSTO DE 2010
• Ao se contratar ou adquirir bens deve-se levar em
consideração a sustentabilidade. • Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
• Diretrizes de sustentabilidade: • Dispõe sobre o gerenciamento dos resíduos e res-
–– Menor impacto sobre recursos naturais como ponsabilidades dos geradores.
flora, fauna, ar, solo e água; • Não é aplicada aos rejeitos radioativos.
–– Preferência para materiais, tecnologias e maté-
rias-primas de origem local; Conceitos importantes:
–– Maior eficiência na utilização de recursos natu- –– Acordo setorial – contrato firmado entre o poder
rais como água e energia; público e fabricantes, importadores, distribuido-
–– Maior geração de empregos, de preferência res ou comerciantes, focando na responsabili-
com mão de obra local; dade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.
–– Inovações que reduzam a pressão sobre os –– Área contaminada – local onde há contamina-
recursos naturais;
ção.
–– Origem regular dos recursos naturais utilizados.
–– Área órfã contaminada – área contaminada,
• A Administração Pública Federal direta, autárquica
na qual os responsáveis pela contaminação não
e fundacional e empresas estatais podem exigir,
foram identificados.
durante a aquisição de bens, que estes sejam cons-
–– Ciclo de vida do produto – etapas que envolvem
tituídos por material reciclado, atóxico ou biodegra-
o desenvolvimento do produto, desde a obtenção
dável.
da matéria-prima até a sua disposição final.
• A CISAP é constituída por:
–– Coleta seletiva – coleta de resíduos sólidos
HÉLIO SOUSA

–– Dois representantes do Ministério do Planeja-


previamente separados por sua constituição.
mento, Orçamento e Gestão (um da Secretaria
–– Controle social – mecanismos que garantem
de Logística e Tecnologia da Informação, que
à sociedade informações e participação ativa
será o presidente; e um da Secretaria de Orça-
nas políticas públicas relacionadas aos resíduos
mento Federal);
–– Um representante do Ministério do Meio sólidos.
Ambiente (vice-presidente); –– Destinação final ambientalmente adequada
–– Um representante da Casa Civil da Presidência – destinação de resíduos que pode ser a reutili-
da República; zação, reciclagem, compostagem, recuperação,
–– Um representante do Ministério de Minas e aproveitamento energético, entre outras.
Energia; –– Disposição final ambientalmente adequada
–– Um representante do Ministério do Desenvolvi- – distribuição adequada de rejeitos em aterros.
mento, Indústria e Comércio Exterior; –– Geradores de resíduos sólidos – pessoas físi-
–– Um representante do Ministério da Ciência, Tec- cas ou jurídicas que geram resíduos sólidos por
nologia e Inovação; meio de suas atividades, incluindo o consumo.
–– Um representante do Ministério da Fazenda; –– Gerenciamento de resíduos sólidos – ações
–– Um representante da Controladoria-Geral da exercidas nas etapas de coleta, transporte,
União. transbordo, tratamento e destinação final dos
• Os membros titulares da CISAP devem ocupar resíduos.
cargos de Secretário, Diretor ou equivalentes no –– Gestão integrada de resíduos sólidos – ações
seu órgão de origem, devendo cada um possuir um voltadas para a busca de soluções para os resí-
suplente. duos sólidos.
• A CISAP tem natureza consultiva e caráter perma- –– Logística a reversa – conjunto de ações, pro-
nente, sendo vinculada à Secretaria de Logística e cedimentos e meios destinados a viabilizar a
Tecnologia da Informação. coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao
• Tem por finalidade propor a implementação de cri- setor empresarial para reaproveitamento em
térios, práticas e ações de logística sustentável no seu ciclo ou em outros ciclos produtivos ou outra
âmbito da Administração Pública. destinação final ambientalmente adequada.
• Compete à CISAP: –– Padrões sustentáveis de produção e con-
–– Propor à Secretaria de Logística e Tecnologia da sumo – produção e consumo de bens e servi-
Informação normas, regras, planos de incentivo, ços de forma a atender as necessidades das
critérios e práticas, estratégias e ações ligadas atuais gerações e permitir melhores condições
à sustentabilidade; de vida, sem prejudicar o meio ambiente.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
–– Reciclagem – transformação dos resíduos sóli- –– Respeito às diversidades locais e regionais;
dos em insumos ou novos produtos. –– Direito da sociedade à informação e ao controle
–– Rejeitos – resíduos sólidos que, depois de social;
esgotadas todas as possibilidades de trata- –– Razoabilidade e proporcionalidade.
mento e recuperação por processos tecnológi-
cos disponíveis, tendo como única alternativa a Objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos:
disposição final ambientalmente adequada. –– Proteção da saúde pública e da qualidade
–– Resíduos sólidos – material, substância, objeto ambiental;
ou bem descartado em estado sólido ou semis- –– Não geração, redução, reutilização, reciclagem
sólido resultante de atividade humana, assim e tratamento dos resíduos sólidos;
como gases contidos em recipientes e líqui- –– Adoção de padrões sustentáveis de produção e
dos que são inviáveis seu lançamento na rede consumo de bens e serviços;
pública de esgotos ou em corpos d’água. –– Utilização de tecnologias limpas;
–– Responsabilidade compartilhada pelo ciclo –– Redução do volume e periculosidade dos resí-
de vida dos produtos – atribuições individua- duos perigosos;
lizadas e encadeadas dos fabricantes, importa- –– Incentivo à indústria da reciclagem;
dores, distribuidores e comerciantes dos con- –– Gestão integrada de resíduos sólidos;
sumidores e dos titulares dos serviços públicos –– Cooperação técnica e financeira entre o setor
de limpeza urbana e do manejo dos resíduos privado e o poder público para a gestão inte-
sólidos, para minimizar o volume de resíduos e grada de resíduos sólidos;
rejeitos gerados, assim como reduzir os impac- –– Capacitação técnica continuada na área de resí-
tos causados à saúde humana e à qualidade duos sólidos;
ambiental decorrentes do ciclo de vida dos pro- –– Regularidade, continuidade, funcionalidade e
dutos; universalização da prestação dos serviços públi-
–– Reutilização – aproveitamento de resíduos sóli- cos de limpeza urbana e de manejo de resíduos
dos sem sua transformação biológica, física ou sólidos;

DIREITO ADMINISTRATIVO
físico-química; –– Prioridade nas aquisições e contratações gover-
–– Serviço público de limpeza urbana e de namentais para produtos reciclados e reci-
manejo de resíduos sólidos – conjunto de cláveis, bens, serviços e obras que tenham
atividades compostas por coleta, transbordo padrões de consumo social e ambientalmente
e transporte dos resíduos, triagem para fins sustentáveis;
de reuso ou reciclagem, de tratamento, inclu- –– Integração dos catadores de materiais reutili-
sive por compostagem, e de disposição final záveis e recicláveis nas ações que envolvam
dos resíduos, e de varrição, capina e poda de a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de
árvores em vias e logradouros públicos e outros vida dos produtos;
eventuais serviços pertinentes à limpeza pública –– Estímulo à implementação da avaliação do ciclo
urbana. de vida do produto;
• A política Nacional de Resíduos Sólidos reúne os –– Desenvolvimento de sistemas de gestão
conjuntos de ações a serem adotadas pelo governo ambiental e empresarial voltados para a melho-
junto com os particulares, com o objetivo de gestão ria dos processos produtivos e ao reaproveita-
integrada ambientalmente adequada dos resíduos mento dos resíduos sólidos;
sólidos. –– Estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo
sustentável.
Princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos: • Entre os instrumentos da Política Nacional de Resí-
–– Prevenção e precaução; duos Sólidos se tem:
–– Poluidor-pagador e protetor-recebedor; –– Planos de resíduos sólidos;
–– Visão sistêmica na gestão dos resíduos sólidos –– Coleta seletiva;
que considere as variáveis: ambiental, social, –– Criação e desenvolvimento de cooperativas ou
cultural, econômica, tecnológica e de saúde outras formas de associação de catadores;
pública; –– Monitoramento e fiscalização ambiental, sanitá-
–– Desenvolvimento sustentável; ria e agropecuária;
–– Ecoeficiência; –– Cooperação técnica e financeira entre setores
–– Cooperação entre as diferentes esferas do público e privado para o desenvolvimento de
poder público, setor empresarial e outros seg- pesquisas relacionadas aos resíduos sólidos;
mentos da sociedade; –– Educação ambiental;
–– Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de –– Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo
vida dos produtos; Nacional de Desenvolvimento Científico e Tec-
–– Reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e nológico;
reciclável como um bem econômico e de valor –– Sistema Nacional de Informações sobre a
social; Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir);

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–– Sistema Nacional de Informações em Sanea- • É proibida a importação de resíduos sólidos perigo-
mento Básico (Sinisa); sos, que podem causar danos ao meio ambiente, à
–– Dos conselhos de meio ambiente e de saúde; saúde pública, animal e vegetal.
–– Órgãos colegiados municipais destinados ao
controle social dos serviços de resíduos sólidos
urbanos;
–– Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos
Perigosos;
–– Acordos setoriais;
–– Política Nacional de Meio Ambiente.
• Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos,
deve seguir a ordem de prioridade:
–– Não geração;
–– Redução;
–– Reutilização;
–– Reciclagem;
–– Tratamento dos resíduos sólidos;
–– Deposição final ambientalmente adequada.
• Classificação dos resíduos sólidos:
–– Quanto a origem:
-- Resíduos domiciliares;
-- Resíduos de limpeza urbana;
-- Resíduos sólidos urbanos;
-- Resíduos de estabelecimentos comerciais
prestadores de serviços;
-- Resíduos dos serviços públicos de sanea-
mento básico;
-- Resíduos industriais;
HÉLIO SOUSA

-- Resíduos de serviços de saúde;


-- Resíduos da construção civil;
-- Resíduos agrossilvopastoris;
-- Resíduos de serviços de transporte;
-- Resíduos de mineração.
–– Quanto à periculosidade:
-- Resíduos perigosos;
-- Resíduos não perigosos.
• Entre os planos de resíduos sólidos, se tem:
–– Plano nacional de resíduos sólidos;
–– Planos estaduais de resíduos sólidos;
–– Planos microrregionais de resíduos sólidos e os
planos de resíduos sólidos de regiões metropo-
litanas ou aglomerações urbanas;
–– Planos intermunicipais de resíduos sólidos;
–– Planos municipais de gestão integrada de resí-
duos sólidos;
–– Planos de gerenciamento de resíduos sólidos.
• Todos são responsáveis pela efetividade das ações
voltadas para assegurar a observância da Política
Nacional de Resíduos Sólidos.
• O gerador de resíduos sólidos domiciliares tem ces-
sada sua responsabilidade pelos resíduos com a
disponibilização adequada para a coleta.
• É proibida a destinação final de resíduos em praias,
corpos hídricos, a céu aberto (exceto mineração),
queima a céu aberto ou em recipientes, instalações
e equipamentos não licenciados para essa finali-
dade.
• São proibidas, nas áreas de disposição de resíduos
a fixação de habitações, utilização dos rejeitos como
alimentos, criação de animais domésticos, catação.

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REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ªMATÉRIA
EDIÇÃO

S U M ÁRI O

REGIMENTO INTERNO DO TRT DA 23ª REGIÃO ATUALIZADO E DISPONÍVEL NO SITE: HTTP://PORTAL.


TRT23.JUS.BR/ECMDEMO/PUBLIC/TRT23/INSTITUCIONAL/REGIMENTOINTERNO............................................... 96

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REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABA- Parágrafo único. A formação da lista tríplice far-se-á
LHO DA 23ª REGIÃO pelo voto da maioria absoluta dos membros efetivos do Tri-
bunal Pleno, em escrutínios abertos com votação nominal e
TÍTULO I fundamentada.
DA JUSTIÇA DO TRABALHO NA REGIÃO Art. 7º Em caso de ausência, afastamento ou vaga
de Desembargador do Trabalho por período superior a 30
Art. 1º São órgãos da Justiça do Trabalho da 23ª (trinta) dias contínuos será convocado, para substituí-lo,
Região: Juiz Titular de Vara do Trabalho que integre a primeira
I – o Tribunal Regional do Trabalho; quinta parte da lista de antiguidade, salvo se não houver
II – os Juízes do Trabalho. interessado.
Art. 2º O Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, § 1º A escolha do Juiz Convocado para substituir será
com sede em Cuiabá, tem jurisdição em todo território geo- realizada pela maioria absoluta dos membros efetivos do Tri-
gráfico do Estado de Mato Grosso. bunal, com a utilização de dois critérios de alternância:
Art. 3º Os Juízes do Trabalho exercem suas funções a) primeiro pelo critério de antiguidade, observado o
jurisdicionais nas Varas do Trabalho, com sede e jurisdição rodízio obrigatório entre os integrantes da lista, até que seja
fixadas em lei ou por ato administrativo do Tribunal Pleno, e oferecida a todos do quinto a oportunidade de participação,
estão subordinados administrativamente ao Tribunal Regio- observada a alternância.
nal do Trabalho da 23ª Região. b) segundo, pela pontuação a ser apurada pelo mesmo
critério do processo da promoção por merecimento, nos
TÍTULO II termos dos artigos 161 e seguintes deste Regimento Interno.
DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO § 2º O Juiz poderá recusar a convocação, no prazo
de 48 (quarenta e oito) horas do recebimento da respectiva
CAPÍTULO I comunicação, mediante justificação fundamentada dirigida
DA ORGANIZAÇÃO DO TRIBUNAL ao Presidente do Tribunal, que a submeterá ao Tribunal
Pleno.
Art. 4º O Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região § 3º A convocação não excederá a seis meses, podendo
compõe-se de magistrados vitalícios, que adotarão o título ser prorrogada uma vez, por igual período, facultada a reno-
de “Desembargador do Trabalho”, em número estabelecido vação, a cada seis meses, de 50% (cinquenta por cento)
em lei, com organização, competência e atribuições defini- dos Juízes Convocados, permanecendo aqueles por último
das pela Constituição Federal, pelas leis da República e por convocados, ou, no caso de simultaneidade de data de con-
este Regimento. vocação, o mais antigo.
Art. 5º As vagas de Desembargador do Trabalho, des- § 4º O gozo de licença de qualquer tipo, por lapso supe-
tinadas aos Juízes de carreira da magistratura do trabalho, rior a quinze dias ou o usufruto de férias pelo Juiz Convo-
serão preenchidas: cado, por qualquer período, fará cessar a convocação.
I – quando pelo critério de antiguidade, mediante a indi- § 5º Não será convocado o Juiz que:
cação feita pelo Tribunal Pleno, pelo voto aberto, nominal e a) tenha sofrido penalidade administrativa nos últimos
fundamentado da maioria absoluta de seus membros efe- dois anos;
tivos, dentre os Juízes Titulares de Varas do Trabalho que b) esteja cumprindo penalidade imposta pelo Tribunal
estiverem concorrendo à promoção, observado o disposto ou respondendo a processo administrativo;
no art. 93, II, da Constituição Federal; c) tenha acúmulo não justificado de processos conclu-
II – quando o critério for de merecimento, a escolha sos; fora do prazo para prolação de sentença ou despacho;
dos integrantes da lista tríplice far-se-á pelo voto em sessão d) esteja afastado em razão de realização de curso ou
REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO

pública, com votação nominal, aberta e fundamentada da representação de associação profissional;


maioria simples dos Desembargadores do Trabalho, em e) acumule qualquer outra atribuição administrativa,
escrutínios sucessivos, dentre os Juízes Titulares de Varas tal como a administração do foro. (Resolução n. 72/2009 do
do Trabalho, que concorrerem à promoção, observado o CNJ, art. 7º, § 1º, a)
art. 93, II, a, b, c, da Constituição Federal e demais normas § 6º Em caso de urgência, a convocação será feita pelo
legais e regimentais pertinentes. Presidente, ad referendum do Tribunal Pleno.
Parágrafo único. Havendo mais de uma vaga a ser Art. 8º Em caráter excepcional e quando o justificado
preenchida pelo critério de merecimento, a lista conterá acúmulo de serviço o exigir, poderá ser convocado Juiz
o número de magistrados correspondente ao das vagas Titular de Vara do Trabalho para auxílio ao Tribunal ou aos
acrescida de mais dois. Desembargadores.
Art. 6º O Presidente do Tribunal dará imediata ciência § 1º Considerar-se-á caráter excepcional o imprevisível
à Procuradoria-Geral do Ministério Público do Trabalho e à ou justificado acúmulo de serviço ou outra circunstância que
Seção da Ordem dos Advogados do Brasil, no Estado de impeça o exercício regular das atividades do Tribunal.
Mato Grosso da ocorrência de vaga destinada a integrantes § 2º O acúmulo de serviço será reconhecido sempre
de tais instituições, para a formação de lista sêxtupla a ser que a quantidade média de distribuição de feitos no Tribunal
encaminhada ao Tribunal, para organização da lista tríplice superar a capacidade média de julgamento de todos os seus
a ser submetida ao Presidente da República. membros e assim se conservar por 6 (seis) meses.

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§ 3º No caso de convocação para auxílio em segundo Art. 17. As sessões do Tribunal serão presididas pelo
grau, o Corregedor deverá opinar conclusivamente no pro- respectivo Presidente e, nos seus impedimentos, pelo Vice-
cesso antes da apreciação definitiva dos membros efetivos -Presidente ou pelo Desembargador do Trabalho desimpe-
do Tribunal Pleno, mediante a Relatoria do Vice- Presidente. dido, obedecida a ordem de antiguidade.
§ 4º A convocação de que trata este artigo será para o Art. 18. As presidências das Turmas serão exercidas
exercício de atividade jurisdicional. pelos Desembargadores do Trabalho mais antigos do Tribu-
§ 5º Aplicam-se à convocação para fins de auxílio as nal que ainda não ocuparam e os não ocupantes de cargos
disposições contidas no artigo antecedente, no que couber. de Direção, os quais escolherão, por ordem de antiguidade,
Art. 9º Poderá o Desembargador-Presidente e Corre- na sessão plenária subsequente à eleição para os cargos de
gedor convocar até dois Juízes para auxiliar nos trabalhos da Direção do Tribunal, a Turma da qual preferirem participar,
Presidência e da Corregedoria, cabendo-lhe decidir quanto sendo facultativa a aceitação do encargo.
à necessidade de afastá-los de sua jurisdição, devendo sub- § 1º Os demais Desembargadores do Trabalho serão
meter a escolha à aprovação da maioria absoluta do Tribu- distribuídos nas Turmas, mediante manifestação de prefe-
nal Pleno. (Art. 9º, com redação dada pela Resolução Admi- rência, observada, para esse efeito, a ordem de antiguidade.
nistrativa n. 183/2012) § 2º Na ocorrência de vacância do cargo de Presidente
Art. 10. O Juiz Titular de Vara do Trabalho convocado de Turma, terá preferência para ocupá-lo o Desembarga-
para exercer a função de substituição ou auxílio no Tribunal dor do Trabalho mais antigo em exercício em qualquer das
será denominado “Juiz Convocado”. Turmas.
Art. 11. O Juiz Convocado para exercício de atividade § 3º Havendo vaga, o Tribunal Pleno poderá deferir,
jurisdicional ficará afastado da jurisdição de sua respec- por maioria simples, a remoção de Turma, admitindo-se
tiva unidade durante todo o período de convocação e não igualmente a permuta entre Desembargadores, ficando res-
poderá aceitar ou exercer outro encargo jurisdicional ou salvada a vinculação do Desembargador do Trabalho, na
administrativo. Turma de origem, aos processos que já lhe tenham sido dis-
Art. 12. O Juiz Titular de Vara do Trabalho que estiver
tribuídos como Relator ou Revisor, regra que se estende aos
atuando no Tribunal será denominado “Juiz Convocado”.
embargos de declaração de seus acórdãos. (Alterado pela
Art. 13. São órgãos do Tribunal Regional do Trabalho
RA n. 004/2013)
da 23ª Região:
§ 4º Não havendo a remoção prevista no § 2º, ocupará
I – o Tribunal Pleno;
o cargo de Presidente de Turma o Desembargador do Tra-
II – a Presidência;
balho mais antigo na Turma.
III – a Vice-Presidência;
§ 5º Em caso de afastamento, por qualquer motivo, de
IV – as Turmas;
membro do Tribunal, aquele que for nomeado ou promovido
V – a Corregedoria;
para a respectiva vaga integrará a Turma em que se encon-
VI – o Conselho da Ordem São José Operário do Mérito
trava o Desembargador do Trabalho afastado, ou ocupará a
Judiciário do Trabalho;
vaga que decorrer de remoção ou permuta.
VII – a Escola Judicial.
Art. 19. Cada Turma funcionará com três magistrados
Parágrafo único. Os órgãos do TRT da 23ª Região enu-
e contará com a participação de um juiz convocado para
merados nos incisos II, III, VI e VII serão regulamentados por
compor o quórum por sessão. (Art. 19 com redação dada
atos do Tribunal Pleno.
pela Resolução Administrativa n. 061/2015 de 19/03/2015 e
Art. 14. O Tribunal Regional do Trabalho tem o trata-
mento de “Egrégio” e os magistrados, que o compõem, o de publicada em 15/04/2015)
“Excelência”. § 1º. No caso de ausência temporária do Desembarga-
Parágrafo único. O Desembargador do Trabalho apo- dor Presidente será ele substituído pelo Desembargador do
sentado voluntariamente, por implemento de idade ou inva- Trabalho mais antigo integrante da Turma que estiver pre- REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO
lidez, conservará o título e o tratamento inerentes ao cargo. sente à sessão.
Art. 15. Nas sessões os Desembargadores do Trabalho § 2º. É vedado o funcionamento da Turma sem a pre-
usarão vestes talares, na forma e modelo aprovados pelo sença de, pelo menos, um de seus membros.
Tribunal. Art. 20. Nas sessões do Tribunal Pleno, o Presi-
Parágrafo único. O representante do Ministério Público dente tomará assento no centro da mesa principal; à sua
que participar das sessões do Tribunal, também usará veste direita ficará o representante do Ministério Público, e, à sua
talar; os advogados, que se dirigirem à tribuna, para fins esquerda, o secretário do Tribunal.
de sustentação oral, deverão trajar beca e o secretário e § 1º O Vice-Presidente tomará assento na primeira
demais servidores, que funcionarem nas sessões do Tribu- cadeira da bancada direita da mesa central; o Desembarga-
nal, usarão capas. dor do Trabalho mais antigo, na primeira cadeira da bancada
Art. 16. No exercício de suas funções jurisdicionais, o à esquerda, e assim, sucessivamente, obedecida a antigui-
Tribunal observará o quorum : dade entre os Desembargadores do Trabalho que compõem
I – previsto no art. 672 da CLT, para julgamento de o Tribunal.
matérias de competência originária do Tribunal (CLT, art. § 2º O Juiz Convocado ocupará o lugar imediatamente
678, I, e respectivas alíneas); posterior ao do Desembargador do Trabalho mais moderno
II – estabelecido no § 1º do art. 672 da CLT, para as ou do último Juiz Convocado, observado, neste caso, a anti-
matérias constantes do inciso II do mesmo art. 678 da CLT. guidade entre os Juízes do Trabalho Titulares de Vara.

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Art. 21. Nas sessões das turmas, o Presidente tomará § 3º É faculdade do Desembargador do Trabalho requi-
assento no centro da mesa Principal; à sua direita ficará o sitar, através da Presidência, servidores de outro órgão do
representante do Ministério Público; e, à sua esquerda, o Poder Público, para prestar serviços em seu gabinete.
secretário da Turma. § 4º Cada Desembargador do Trabalho disporá sobre a
§ 1º O Desembargador do Trabalho mais antigo tomará organização dos serviços de seu gabinete e sobre o controle
assento na primeira cadeira da bancada direita da mesa de frequência e horário dos servidores a ele vinculados.
central; o mais moderno na primeira cadeira da bancada à
esquerda. CAPÍTULO II
§ 2º Nos impedimentos ou suspeição do Desembarga- DA DIREÇÃO
dor Presidente da Turma atuará em seu lugar o Desembarga-
dor do Trabalho mais antigo, convocando-se Desembarga- Art. 26. Constituem cargos de direção do Tribunal o de
dor da outra Turma para participar da sessão de julgamento Presidente e o de Vice-Presidente.
e, na impossibilidade deste, Juiz Titular de Vara da Capital. Parágrafo único. O Presidente exercerá, cumulativa-
§ 3º Nos casos de impedimento ou suspeição dos mente, a função de Corregedor Regional, podendo delegar
demais Desembargadores do Trabalho integrantes da referidas atribuições ao Vice-Presidente.
Turma será convocado Desembargador do Trabalho da Art. 27. O mandato do Presidente e do Vice-Presidente
outra Turma para participar da sessão de julgamento e, na do Tribunal será de dois anos, iniciando-se, a partir do pri-
impossibilidade deste, Juiz Titular de Vara da Capital. meiro dia dos anos pares.
Art. 22. A antiguidade dos Desembargadores do Tra- § 1º O Presidente e o Vice-Presidente serão eleitos na
balho do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região será sessão administrativa a realizar-se na penúltima quinta-feira
determinada: do mês de outubro dos anos ímpares, pelo voto da maioria
I – pela data do início do exercício neste Regional; dos membros efetivos do Tribunal, dentre os Desembarga-
II – pela data da posse; dores mais antigos, que não tiverem exercido os respecti-
III – pela data da nomeação;
vos cargos, observado o disposto no art. 102 e parágrafo da
IV – pela antiguidade na carreira de magistrado, para
LOMAN. (§ 1º do artigo 27, com redação dada pela RA n.
os Desembargadores do Trabalho oriundos da magistratura,
178/2012 de 12/12/2012 e publicada em 18/12/2012)
na classe anterior, para os Desembargadores do Trabalho
§ 2º O Desembargador do Trabalho que declinar, com
oriundos do Ministério Público ou da advocacia;
a aceitação do Tribunal Pleno, do direito de concorrer a um
V – pela idade.
dos cargos de direção, manterá sua posição no quadro de
Art. 23. Nas sessões do Tribunal Pleno não pode-
antiguidade, nas eleições subsequentes.
rão atuar nos mesmos feitos, judiciais ou administrativos,
§ 3º O Desembargador do Trabalho que for eleito Pre-
Desembargadores do Trabalho que sejam cônjuges, paren-
sidente não será incluído nas distribuições subsequentes à
tes consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até
data da eleição, continuando, porém, como Relator e Revi-
3º grau.
sor nos processos que tenha aposto visto até sua posse,
Parágrafo único. Não poderão ter assento na mesma
redistribuindo-se os remanescentes.
Turma do Tribunal Desembargadores do Trabalho que possuam
§ 4º Na impossibilidade da posse de qualquer dos elei-
relação de parentesco ou conjugal a que se refere o caput.
tos, na data estabelecida, por fato superveniente à eleição,
Art. 24. Os Desembargadores do Trabalho do Tribunal,
observar-se-á o seguinte:
o Presidente e o Vice-Presidente tomarão posse perante o
Tribunal Pleno e prestarão o compromisso de desempenhar, a) se a impossibilidade for de caráter temporário,
fielmente, os deveres do cargo, cumprindo e fazendo cum- dar-se-á posse na data marcada e, ao remanescente, em
prir a Constituição e as Leis da República. data oportuna;
§ 1º O termo de posse, lavrado em livro especial, será b) se a impossibilidade for de natureza definitiva e do
REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO

assinado pelo empossado e pelo Presidente do Tribunal. No eleito Presidente, proceder-se-á a nova eleição para todos
caso de posse do Presidente e Vice-Presidente, também o os cargos de direção; se do Vice-Presidente, a eleição será
assinarão os demais Desembargadores do Trabalho, pre- para esse cargo;
sentes à respectiva sessão. c) em quaisquer das hipóteses da alínea anterior, a
§ 2º Estando o Tribunal em recesso, o Desembargador eleição será realizada em sessão extraordinária, dentro
do Trabalho poderá tomar posse perante o seu Presidente, do prazo de oito dias a contar da data designada para a
devendo o ato ser referendado, pelo Tribunal, na primeira posse não efetivada, ou da ocorrência do fato impeditivo, e
sessão subsequente. a sessão de posse, no prazo de 15 dias da eleição, se trans-
§ 3º O ato de posse deverá ocorrer dentro de trinta dias, corrida a data oficial.
a contar da data da publicação do ato de nomeação ou pro- § 5º A solenidade de posse ocorrerá no penúltimo dia
moção, havendo mais trinta dias para o início do exercício. útil que anteceder ao início do recesso do mês de dezembro
Art. 25. Cada Desembargador do Trabalho contará dos anos ímpares, com efeitos jurídicos a partir de 1º de
com um gabinete. janeiro do ano subsequente.
§ 1º A composição dos gabinetes será fixada por Reso- Art. 28. Vagando o cargo de Presidente, assumirá a
lução Administrativa. Presidência o Vice-Presidente, sendo a Vice-Presidência
§ 2º É de indicação do Desembargador do Trabalho o exercida pelo Desembargador do Trabalho mais antigo, que
preenchimento dos cargos e funções de seu gabinete. não tenha ocupado tal cargo mediante eleição.

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§ 1º Se a vaga da Presidência se der quando faltar a § 3º O Juiz, convocado para substituir no Tribunal,
metade ou mais do período do mandato, proceder-se-á à poderá participar de apreciação de matéria administrativa,
eleição para todos os cargos de direção do mandato com- por deliberação do Tribunal Pleno.
plementar. As eleições subsequentes ocorrerão nas datas § 4º Na declaração de inconstitucionalidade de lei ou
previstas no art. 27 e seu § 1º, podendo nesta hipótese de ato normativo do poder público, será exigido o voto da
haver recondução dos atuais dirigentes. maioria absoluta do Tribunal Pleno.
§ 2º Ocorrendo a vaga da Presidência, após decorrido mais Art. 33. O Tribunal fará publicar, mensalmente, na
da metade do período do mandato, o Vice-Presidente assumirá imprensa oficial, dados estatísticos sobre seus trabalhos, no
o cargo de Presidente, e o Desembargador do Trabalho mais mês anterior.
antigo, que não tiver ocupado o cargo, assumirá a Vice-Presi- Art. 34. Compete ao Tribunal Pleno, além da matéria
dência, cumprindo-se desta forma o restante do mandato. expressamente prevista em lei ou em outro dispositivo deste
§ 3º Ocorrendo a vaga no cargo de Vice-Presidente, o Regimento Interno:
preenchimento far-se-á na forma do parágrafo anterior, inde- I – julgar:
pendentemente do período do mandato que restar. a) habeas corpus;
§ 4º Ocorrendo vaga do cargo de Presidente e Vice- b) agravos regimentais interpostos nos processos de
-Presidente, concomitantemente, o Desembargador do Tra- competência originária do Tribunal Pleno;
balho mais antigo assumirá a Presidência e procederá à c) mandados de segurança e habeas data;
eleição e posse para todos os cargos de direção, nos prazos d) embargos de declaração opostos a seus acórdãos;
previstos na alínea c, do § 4º, do art. 27, observando-se, no e) ações rescisórias;
que couber o § 1º deste artigo. f) conflitos de competência ou atribuições entre as
§ 5º Nas faltas e impedimentos simultâneos, eventuais, Turmas e Juízes do Trabalho;
do Presidente e Vice-Presidente, o Desembargador do Tra- g) os incidentes, as exceções de incompetência ou de
balho mais antigo, presente na sede, responderá pela Pre- impedimento de seus membros, dos membros da Turmas e
sidência. de Juízes de primeiro grau, e as ações incidentais de qual-
§ 6º Aplicam-se aos Desembargadores do Trabalho, quer natureza, em processos sujeitos a seu julgamento;
que assumirem a Direção do Tribunal, nas hipóteses previs- h) arguições de inconstitucionalidade de lei ou de ato
tas neste artigo e seus §§, as disposições do art. 27, § 3º. normativo do poder público, em processos de sua competên-
Art. 29. A eleição dos Presidentes de Turmas será rea- cia originária, e as que lhe forem submetidas pelas Turmas;
lizada na primeira sessão subsequente à da nova direção do i) ações anulatórias de cláusula de convenção ou
Tribunal, nos termos do art. 18, para mandato de dois anos, acordo coletivo com abrangência territorial ou inferior à juris-
adotando-se o critério de rodízio, por antiguidade, com posse dição do Tribunal;
imediata prestando os eleitos o compromisso de praxe. j) em última instância os recursos das multas impostas
Parágrafo único. O exercício da Presidência de Turma pelas Turmas; e
não implica em inelegibilidade para os cargos de Presidente k) os processos em que Relator e Revisor compõem
ou Vice-Presidente do Tribunal ficando, porém o magistrado Turma diversa, quando retornem de outra instância, qual-
afastado de suas atribuições junto à Turma no período em quer que seja a Classe ou motivo.
que estiver no exercício de cargo de direção. II – fixar os dias das sessões plenárias e o horário de
funcionamento dos órgãos da Justiça do Trabalho da 23ª
CAPÍTULO III Região;
DO TRIBUNAL PLENO E DAS TURMAS III – escolher Juiz Titular de Vara do Trabalho para
compor o Tribunal, na forma da lei;
Art. 30. O Tribunal Pleno compõe-se de todos os seus IV  – fixar a data da abertura de concurso para provi-
Desembargadores do Trabalho em exercício e dos Juízes mento de cargos de Juiz do Trabalho Substituto, designar a REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO
Convocados, observado o disposto no art. 70 deste Regi- respectiva comissão e homologar seu resultado;
mento. V – autorizar a realização do concurso, aprovar as ins-
Art. 31. A 1ª e a 2ª Turmas de Julgamento compõem-se truções, bem como os integrantes da comissão e homolo-
de 04 (quatro) e 03 (três) membros, respectivamente, cons- gar a classificação final dos candidatos, para provimento de
tituídas na forma do art. 19 deste Regimento Interno. (Artigo cargo do seu quadro de pessoal efetivo;
31, com redação dada pela RA n. 188/2015 de 20/08/2015 e VI – indicar os Juízes do Trabalho que devam ser pro-
publicada em 1º/09/2015) movidos por antiguidade, pelo voto da maioria simples dos
Art. 32. As decisões do Tribunal serão tomadas pelo seus membros;
voto da maioria dos votantes, ressalvadas as exceções pre- VII – organizar a lista tríplice, quando se tratar de pro-
vistas em lei e neste Regimento. moção por merecimento, pelo voto da maioria absoluta de
§ 1º Em matéria administrativa e constitucional, após o seus membros, escolhendo o que deva ser promovido,
voto do Relator, passar-se-á à votação que se iniciará com o quando se tratar de Juiz do Trabalho Substituto;
voto do Presidente, seguido dos demais votantes, por ordem VIII – aprovar a lista de antiguidade dos Juízes Titulares
decrescente de antiguidade. de Varas do Trabalho e dos Juízes do Trabalho Substitutos,
§ 2º Na hipótese do inciso anterior, cabe ao Presidente organizada no primeiro mês de cada ano pelo Presidente do
proferir voto de qualidade. Nos demais casos, o Presidente Tribunal, e conhecer das reclamações que contra ela forem
somente votará em caso de empate. oferecidas, dentro de oito dias após sua publicação;

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
IX – aprovar a tabela de diárias e as ajudas de custo XXIX – determinar, por maioria absoluta de seus mem-
devidas a Juízes do Trabalho e servidores da Região; bros, a abertura de processo administrativo disciplinar contra
X – criar as funções de confiança, integrantes de sua magistrado proposta pelo Corregedor Regional, observadas
Tabela de Representação de Gabinete, necessárias ao ser- as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Jus-
viço do Tribunal e das Varas do Trabalho, fixando-lhes o tiça; (Inciso XXIX do art. 34, com redação dada pela RA n.
valor da representação, na forma da lei; 068/2015 de 30/04/2015 e publicada em 06/05/2015)
XI  – apreciar a justificativa das ausências de seus XXX – decidir, observada a maioria absoluta de seus
Desembargadores às sessões, quando superiores a três membros, sobre o afastamento do cargo do magistrado,
consecutivas; quando necessário ou conveniente à apuração da infra-
XII – aprovar os modelos das vestes talares a serem ção disciplinar, assegurado o subsídio integral; (Inciso
usadas pelos Desembargadores do Tribunal e das Varas do XXX do art. 34, com redação dada pela RA n. 068/2015 de
Trabalho; 30/04/2015 e publicada em 06/05/2015)
XIII – processar e julgar recursos contra os atos admi- XXXI – julgar o processo administrativo disciplinar
nistrativos praticados pelo Presidente; contra magistrado, impondo-lhe punição somente por voto
XIV – deliberar sobre a transposição e transformação da maioria absoluta dos seus membros, observadas as
de cargos, promoção e progressão funcional; normas emanadas do Conselho Nacional de Justiça; (Inciso
XV – indicar dois Desembargadores do Trabalho para XXX do art. 34, com redação dada pela RA n. 068/2015 de
compor comissão, que será presidida pelo Desembargador 30/04/2015 e publicada em 06/05/2015)
do Trabalho Corregedor, a fim de acompanhar o desem- XXXII – autorizar o afastamento do país dos magistra-
penho de Juiz do Trabalho Substituto não vitalício (Art. 22, dos da região, quando estiverem em exercício;
inciso II, letra “C”, da LOMAN), bem como deliberar sobre XXXIII – deliberar sobre a concessão de afastamento
o parecer dessa Comissão, nos termos do § 1º, do art. 191 de magistrados nas hipóteses previstas na LOMAN;
XXXIV – resolver quaisquer questões que lhe sejam
deste Regimento;
submetidas e que digam respeito à ordem de seus trabalhos;
XVI – aprovar a permuta e a remoção de Juízes Titula-
XXXV – elaborar ou alterar o Regimento Interno do Tri-
res de Vara do Trabalho e de Juízes do Trabalho Substitutos;
bunal;
XVII – conceder férias e licenças aos Desembargado-
XXXVI – julgar originariamente as arguições de incons-
res do Trabalho que o integram desde que a concessão das
titucionalidade de lei ou de ato do Poder Público, quando
férias não prejudique a realização de sessões de julgamento;
acolhidas pelas Turmas ou quando opostas em processos
XVIII – aprovar o Regimento Interno e o Regulamento
de sua competência originária;
de sua Secretaria e serviços auxiliares;
XXXVII – uniformizar a Jurisprudência do Tribunal;
XIX – homologar as conciliações celebradas nos dissí-
XXXVIII – processar e julgar os embargos de declara-
dios coletivos;
ção relativos aos seus acórdãos;
XX – determinar, para os efeitos legais, a remessa às
XXXIX – determinar aos Juízes das Varas do Trabalho
autoridades competentes de cópias de peças de autos ou de
a realização dos atos processuais e diligências necessárias
papéis que conhecer, quando evidenciem crime de respon-
ao julgamento dos feitos sob sua apreciação;
sabilidade ou comum, e no caso de ação pública;
XL – fiscalizar a nulidade dos atos praticados com infra-
XXI – processar e julgar a restauração de autos, quando ção de suas decisões;
se tratar de processos de sua competência; XLI – julgar as suspeições arguidas contra seus mem-
XXII – processar os pedidos de aposentadoria de seus bros;
Desembargadores do Trabalho e concedê-la aos Juízes do XLII – julgar as exceções de incompetência que lhes
Trabalho e servidores; forem opostas;
XXIII – examinar proposta de anteprojetos de lei, apre- XLIII – requisitar às autoridades competentes as dili-
REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO

sentada pelo Presidente ou por qualquer de seus membros, gências necessárias ao esclarecimento dos feitos sob apre-
relativa à criação, extinção ou transformação de cargos e à ciação, representando contra aquelas que não atenderem a
fixação dos respectivos níveis de vencimentos; tais requisições;
XXIV – aprovar ou modificar a proposta orçamentária, XLIV – processar, conciliar e julgar os dissídios coleti-
organizada pelo Presidente, para encaminhamento ao poder vos no âmbito de sua jurisdição, suas revisões e os pedidos
competente; de extensão de suas sentenças normativas;
XXV – deliberar sobre a indicação feita pelo Presidente, XLV – exercer, em geral, no interesse da Justiça do Tra-
para nomeação do Diretor Geral, Secretário do Tribunal balho, as demais atribuições que decorram de sua jurisdição.
Pleno, do Diretor do Serviço de Controle Interno e Secretá- XLVI – processar e julgar mecanismos de prevenção
rio da Corregedoria; ou composição de divergência que lhe for submetido pelas
XXVI – aprovar logotipos, medalhas ou símbolos que, Turmas.
de qualquer forma, representem o Tribunal; Parágrafo único. Para fins do disposto no inciso IX deste
XXVII – revogado; (Inciso XXVII do art. 34, revogado artigo, será devida ajuda de custo para moradia, a requeri-
pela RA n. 180/2013) mento do interessado e atendidas as hipóteses do artigo 65,
XXVIII – apreciar, em grau de recurso, as penalida- II, da Lei Complementar n. 35/1979 c/c o artigo 6º da Consti-
des aplicadas pelo Presidente do Tribunal, Corregedor e tuição Federal, conforme regulamentação administrativa do
Diretor Geral; Tribunal Pleno. (Parágrafo único acrescentado pela RA n.

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160/2012. Dispositivo com aplicabilidade suspensa por força I – aprovar as pautas de julgamento elaboradas pelo
da decisão liminar proferida nos autos do CSJT-PCA – 2001- Secretário da Turma;
79.2013.5.90.0000) II – dirigir, ordenar e presidir as sessões da Turma, pro-
Art. 35. Compete às Turmas, além da matéria expres- pondo e submetendo as questões a julgamento;
samente prevista em lei: III – proferir voto, apurar os emitidos e proclamar as
I – julgar: decisões;
a) os recursos ordinários previstos no art. 895, alínea a IV – relatar e revisar os processos que lhe forem distri-
e § 1º, da CLT; buídos;
b) os agravos de petição e de instrumento, estes de V – encaminhar à Secretaria do Tribunal Pleno os pro-
decisões denegatórias de sua alçada; e cessos que devam ser redistribuídos, nos casos de afasta-
c) embargos de declaração opostos aos seus acórdãos; mento e vaga de Desembargador do Trabalho, bem como
II – processar e julgar: nos casos de impedimento ou suspeição;
a) as habilitações incidentes e arguições de falsidade VI – despachar expedientes em geral, orientando e fis-
nos processos pendentes de sua decisão; calizando as tarefas administrativas da Turma, vinculadas às
b) medidas cautelares nos autos dos processos d e atribuições judiciárias respectivas;
sua competência; e VII – supervisionar os trabalhos da Secretaria referen-
c) restauração de autos quando se tratar de processo tes à Turma;
de sua competência. VIII – convocar as sessões extraordinárias da Turma;
III – fiscalizar o cumprimento de suas próprias decisões; IX – designar dia e hora das sessões ordinárias e extra-
IV – declarar as nulidades decorrentes de atos pratica- ordinárias da Turma;
dos com infração de suas próprias decisões; X – manter a ordem e o decoro nas sessões, orde-
V – impor multas e demais penalidades relativas a atos nando a retirada dos que as perturbarem, determinando a
de sua competência jurisdicional; prisão dos infratores, com a lavratura do respectivo auto;
VI – promover, por proposta de qualquer de seus mem- XI – requisitar às autoridades competentes a força
bros, a remessa de processos ao Tribunal Pleno, quando se necessária sempre que, nas sessões, houver perturbação
tratar de matéria da competência deste; (Inciso VI do artigo da ordem ou fundado temor de sua ocorrência;
35, com redação dada pela RA n. 188/2015 de 20/08/2015 e XII – cumprir e fazer cumprir as disposições deste Regi-
publicada em 1º/09/2015) mento;
VII  – dar ciência às autoridades competentes de fato XIII – convocar Desembargador do Trabalho ou Juiz
que possa configurar crime de ação pública, verificando nos Titular de Vara do Trabalho para integrar o órgão que pre-
papéis e autos sujeitos a seu exame; side, a fim de compor quorum , observando o seguinte:
VIII – dar ciência à Corregedoria Regional de atos con- a) A convocação de Juiz Titular de Vara do Trabalho
siderados atentatórios à boa ordem processual; será pelo critério de antiguidade, com rodízio obrigatório
IX – determinar às Varas do Trabalho e aos Juízes a entre os Juízes Titulares de Vara do Trabalho da Capital;
realização dos atos processuais e diligências necessárias b) O Juiz do Trabalho Substituto designado para Auxi-
ao julgamento dos feitos sob sua apreciação; liar na Vara do Trabalho assumirá o lugar do Juiz Titular con-
X – requisitar às autoridades competentes as diligên- vocado, no dia que anteceder a sessão bem como no de sua
cias necessárias ao esclarecimento dos feitos sob aprecia- realização. (Inciso XIII, a e b do art. 37, com redação dada
ção, representando contra aquelas que não atenderem a pela Resolução Administrativa n. 104/2013, de 20/06/2013)
tais requisições;
XI – exercer, em geral, no interesse da Justiça do CAPÍTULO IV
Trabalho, as demais atribuições que decorram de sua DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL
jurisdição. REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO
XII – promover, por proposta de qualquer de seus mem- Art. 38. Compete ao Presidente do Tribunal, além das
bros, a remessa de processos ao Tribunal Pleno quando atribuições previstas em lei ou em outro dispositivo deste
convier pronunciamento destes em razão da relevância da Regimento:
questão jurídica, ou da necessidade de prevenir divergência I – a direção e representação do Tribunal;
entre as Turmas. II – convocar as sessões ordinárias e extraordinárias
Art. 36. Os atos administrativos do Tribunal Pleno do Tribunal, presidi-las, colher votos, votar nos casos e na
serão materializados em instrumento denominado “Resolu- forma previstos em lei e neste Regimento e proclamar os
ção Administrativa”, que poderá ser publicada no órgão ofi- resultados dos julgamentos;
cial de divulgação. III – designar e presidir as audiências de conciliação e
§ 1º Serão sempre publicadas as Resoluções Adminis- instrução de dissídios coletivos;
trativas cujo objeto verse sobre matéria de interesse geral, IV – despachar petições e expedientes de sua atri-
ou quando o Tribunal Pleno assim o determinar. buição, bem como os recursos de decisões do Tribunal,
§ 2º As Resoluções Administrativas serão numeradas negando ou admitindo seu seguimento;
seguidamente e disponibilizadas na internet e em ambiente V – conceder vista dos autos e homologar desistências
próprio, para ciência dos magistrados e servidores do Tri- em processos de competência do Tribunal, quando solicita-
bunal. das antes da distribuição do processo ou após o exaurimento
Art. 37. Compete aos Presidentes de Turmas: da função julgadora do Relator, sendo que, neste caso, o

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acórdão constará, obrigatoriamente, dos autos. Tratando-se XXVI – submeter ao Tribunal a elaboração de proje-
de dissídio coletivo já julgado, a homologação dar-se-á após tos de lei, remetendo-os ao poder ou órgão competente, se
ouvido o Ministério Público do Trabalho; aprovados;
VI – determinar a devolução dos autos ao juízo de pri- XXVII – determinar o desconto nos vencimentos dos
meiro grau, para que decida os pedidos de homologação de Desembargadores do Trabalho, Juízes do Trabalho e servi-
acordo, apresentados antes da distribuição do processo ou dores, nos casos previstos em lei;
após o seu julgamento, caso em que o acórdão deverá cons- XXVIII – apresentar, a cada ano, para conhecimento,
tar obrigatoriamente nos autos; discussão e aprovação do Tribunal Pleno, até 15 (quinze)
VII – manter a ordem nas sessões, determinando a reti- dias antes da data fixada para encaminhamento ao TCU,
rada de quem as perturbe ou falte com o devido respeito, a tomada de contas do exercício anterior, acompanhada
aplicando as medidas cabíveis; do respectivo relatório de gestão, devendo os originais ser
VIII – corresponder-se em nome do Tribunal e repre- postos à disposição dos magistrados com 8 (oito) dias de
sentá-lo nas solenidades e atos oficiais, podendo, para esse antecedência da sessão de apresentação;
fim, delegar poderes a outros magistrados; XXIX  – conceder gratificações em conformidade com
IX – conhecer e decidir, bem como expedir ordens e os valores fixados pelo Tribunal;
promover diligências, quando se tratar de matéria que não XXX – designar dentre os Juízes do Trabalho Substi-
dependa de acórdão ou não for da competência privativa do tutos:
Tribunal Pleno ou dos Relatores; a) o que deva assumir a titularidade nos casos de afas-
X – processar as representações contra as autoridades tamento do Juiz Titular de Vara do Trabalho por motivo de
sujeitas à jurisdição do Tribunal; férias, licença e impedimentos;
XI – aplicar penalidades aos servidores do TRT da 23ª b) o que deva funcionar como Juiz Auxiliar em uma ou
Região; (Inciso XI do art. 38, com redação dada pela RA n. mais Varas do Trabalho.
180/2013) XXXI – apreciar a justificativa de até três ausências de
XII – antecipar e prorrogar o expediente nos casos Desembargador do Trabalho às sessões do Tribunal Pleno;
urgentes, ad referendum do Tribunal Pleno; XXXII – determinar que se instaure processo de apo-
XIII – baixar atos normativos de sua competência, sentadoria compulsória do magistrado, que não a reque-
fixando sistemas e critérios de administração em geral; rer até quarenta dias antes da data em que irá completar
XIV – tomar a iniciativa das medidas necessárias para setenta anos de idade;
cumprimento do disposto no inciso VIII, do art. 93, da Cons- XXXIII – prover cargos em comissão, ouvido o Tribunal
tituição Federal; Pleno, quando for o caso, e designar servidores para exercer
XV – conceder férias e licenças aos Juízes de primeiro funções gratificadas, salvo as dos gabinetes dos Desembar-
grau, Diretor-Geral e servidores de seu gabinete; gadores do Trabalho do Tribunal e dos Juízes do Trabalho,
XVI – organizar a lista de antiguidade dos Juízes Titula- que dependerão de indicação dos respectivos magistrados;
res de Varas do Trabalho e dos Juízes do Trabalho substitu- XXXIV – responder pelo poder de polícia do Tribunal e
tos, no primeiro mês de cada ano; de qualquer órgão a ele subordinado;
XVII – organizar a escala de férias dos Juízes de pri- XXXV – conceder período de trânsito aos Juízes pro-
meiro grau; movidos ou removidos, de 15 dias, prorrogáveis mediante
XVIII – conceder diárias e autorizar o pagamento de causa justificada;
ajuda de custo, em conformidade com as tabelas aprovadas XXXVI – distribuir os feitos aos Desembargadores
pelo Tribunal; do Trabalho do Tribunal, na forma do art. 47 e respectivos
XIX – decidir os pedidos e reclamações dos Desembar- parágrafos, deste Regimento, assinando a ata respectiva,
gadores do Trabalho, Juízes do Trabalho e servidores sobre mesmo que a distribuição se faça por sistema eletrônico de
assuntos de natureza administrativa; processamento de dados;
REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO

XX – prover, na forma da lei, os cargos do quadro de XXXVII – convocar os Juízes Substitutos, escolhidos na
pessoal, nomeando, reintegrando, readmitindo, removendo, forma do art. 7º e §§ deste Regimento;
redistribuindo ou promovendo servidor; XXXVIII – dar posse aos Juízes do Trabalho, ao Diretor-
XXI – exonerar, a pedido, servidores do Tribunal; -Geral e ao Secretário Geral da Presidência e designar seus
XXII – processar os precatórios e ordenar-lhes o cum- substitutos;
primento; XXXIX – delegar ao Vice-Presidente atribuições que
XXIII – autorizar e homologar os procedimentos licita- esteja impossibilitado de exercer;
tórios, para aquisição de bens permanentes e de consumo XL – decidir pedido de carta de sentença e assiná-la;
e contratação de serviços necessários ao funcionamento XLI – praticar os atos reputados urgentes ad referen-
da Justiça do Trabalho da 23ª Região, inclusive ratificar, dum do Pleno.
quando necessário, as dispensas e as inexigibilidades de XLIII – cumprir e fazer cumprir as decisões proferidas
licitação; pelo Tribunal Pleno, determinando a realização de atos pro-
XXIV – autorizar o pagamento de despesas referentes cessuais e diligências que se fizerem necessárias.
à aquisição de bens, ao fornecimento de material ou presta- XLIII – publicar no órgão oficial, sem prejuízo da pos-
ção de serviços e assinar os contratos relativos à adjudica- sibilidade de publicação interna corporis , o boletim mensal
ção desses encargos; de produção individual dos magistrados de primeira instân-
XXV – organizar a secretaria e gabinete da presidência; cia, a ser elaborado pela Seção de Estatística do Tribunal,

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
segundo as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional § 3º Os Atos serão publicados no Diário Eletrônico
de Justiça – CNJ e/ou Conselho Superior da Justiça do Tra- da Justiça do Trabalho e no Boletim Interno do Tribunal e
balho – CSJT. as Portarias somente no Boletim Interno, salvo quando os
XLIV – decidir, por despacho fundamentado, sobre a efeitos destas atingirem o público, hipótese em que serão
suspensão da execução de liminar ou de antecipação de também publicadas no Diário da Justiça Eletrônico.
tutela, concedidas pelos Juízes das Varas do Trabalho da
23ª Região, nas ações movidas contra o Poder Público ou CAPÍTULO V
seus agentes, nos termos da lei, desde que o requerimento DA VICE-PRESIDÊNCIA
do Ministério Público do Trabalho ou da pessoa jurídica de
direito público interessada, em caso de manifesto interesse Art. 40. Ao Vice-Presidente compete:
público ou de flagrante ilegitimidade, e para evitar grave lesão I – substituir o Presidente em seus afastamentos,
à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas. (Inciso ausências e impedimentos;
XLIV do art. 38 acrescentado pela Resolução Administrativa II – exercer as atribuições que lhe forem delegadas pelo
n. 040/2015 de 23/02/2015 e publicada em 13/03/2015) Presidente do Tribunal, conforme o disposto no art. 125 da
§ 1º O Presidente do Tribunal poderá delegar as atri- LOMAN, mediante ato da Presidência, que fixará os limites
buições mencionadas nos incisos XI, XVIII, XXIII, XXIV, bem e o prazo da delegação;
como na segunda parte dos incisos XIX, XXVII e XXXIII, ao III – atuar nas matérias e nos recursos administrativos
Diretor-Geral, que observará os limites traçados na respec- que devam ser submetidos à apreciação do Tribunal, na
tiva delegação. (§ 1º do art. 38 acrescentado pela Resolução qualidade de Relator nato.
Administrativa n. 040/2015 de 23/02/2015 e publicada em Parágrafo único. Encontrando-se o Vice-Presidente
13/03/2015) afastado do cargo por mais de 02 (dois) dias, ou impedido,
§ 2º Aplica-se o disposto no inciso XLIV à sentença pro- as matérias administrativas e recursos administrativos repu-
ferida em processo de ação cautelar inominada. (§ 2º do art. tados urgentes serão distribuídos, em condição de igual-
38 acrescentado pela Resolução Administrativa n. 040/2015
dade para todos os Desembargadores em atividade.
de 23/02/2015 e publicada em 13/03/2015)
Art. 41. O Vice-Presidente participará da distribuição
§ 3º O Presidente do Tribunal, se necessário, poderá
em semanas alternadas, como Relator, em igualdade de
ouvir o autor da ação e o Ministério Público do Trabalho, em
condições, salvo quando estiver no exercício da Presidên-
cinco dias, no caso previsto no inciso XLIV. (§ 3º do art. 38
cia, por 08 (oito) ou mais dias consecutivos ou quando se
acrescentado pela Resolução Administrativa n. 040/2015 de
encontrar, por igual prazo, desempenhando outras ativida-
23/02/2015 e publicada em 13/03/2015)
des de interesse do Tribunal, ou fora da sede, em missão
§ 4º A suspensão de liminar e de antecipação da tutela,
oficial, observado o disposto no art. 54 deste Regimento
que trata o inciso XLIV, vigorará até a decisão da cautelar,
Interno.
e a da sentença, enquanto pender de decisão o recurso,
ficando sem efeito se a decisão concessiva da medida for
CAPÍTULO VI
mantida pelo órgão julgador, ou se transitar em julgado. (§
DA CORREGEDORIA
4º do art. 38 acrescentado pela Resolução Administrativa n.
040/2015 de 23/02/2015 e publicada em 13/03/2015)
§ 5º Da decisão a que se refere o inciso XLIV, caberá Art. 42. Ao Desembargador do Trabalho Corregedor
agravo regimental, que será levado a julgamento na sessão incumbe, além das atribuições previstas em lei:
seguinte à sua interposição. (§ 5º do art. 38 acrescentado I – zelar pelo bom funcionamento das Varas do Traba-
pela Resolução Administrativa n. 040/2015 de 23/02/2015 e lho, efetuando correições periódicas, ordinárias ou extraordi-
publicada em 13/03/2015) nárias, gerais ou parciais e decidir sobre reclamações contra
Art. 39. Os atos administrativos do Presidente serão Juiz do Trabalho e servidores a ele vinculados.
materializados em instrumentos denominados ATO e POR- II – prestar informações sobre Juízes do Trabalho, para REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO
TARIA; fins de promoção por merecimento;
§ 1º O Ato é utilizado para: III – instaurar e instruir procedimento administrativo-
a) nomeação de Juiz do Trabalho substituto; -disciplinar para apuração de irregularidades cometidas por
b) promoção para Juiz Titular de Vara do Trabalho; magistrado, observadas as normas estabelecidas pelo Con-
c) nomeação e exoneração de cargo em comissão; selho Nacional de Justiça; (Inciso III do art. 42, com reda-
d) nomeação, exoneração e demissão de cargo efetivo; ção dada pela RA n. 068/2015 de 30/04/2015 e publicada
e) concessão aos servidores de promoção, transferên- em 06/05/2015)
cia, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração, IV – expedir recomendações quanto à ordem dos servi-
recondução, redistribuição, aposentadoria, pensão vitalícia ços nos juízos e órgãos de primeiro grau;
e temporária; V – revogado; (Inciso V do art. 42, revogado pela RA n.
f) declaração de vacância de cargo; 068/2015 de 30/04/2015 e publicada em 06/05/2015)
g) antecipação e prorrogação de expediente em caso VI – revogado; (Inciso VI do art. 42, revogado pela RA
de urgência, ad referendum do Tribunal Pleno. n. 180/2013)
§ 2º A Portaria é utilizada para materializar os demais VII – baixar, com prévia aprovação do Tribunal Pleno,
atos praticados pelo Presidente, que envolvam interesses provimento sobre as atribuições dos servidores, e ativida-
gerais do Tribunal, Desembargadores do Trabalho, Juízes des do primeiro grau não definidas em lei, regulamentos ou
do Trabalho e servidores. neste Regimento.

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Art. 43. Caberá agravo regimental no prazo de 08 (oito) estejam Convocados em substituição, exceto os suspeitos
dias, ou recurso administrativo no prazo legal, para o Tri- e impedidos mediante regular compensação. (Art. 48, com
bunal Pleno, conforme a natureza da matéria decidida, das redação dada pela RA n. 220/2013, de 12/12/2013 e publi-
decisões proferidas pelo Corregedor. cada em 17/12/2013)
Art. 44. Os atos do Corregedor serão materializados § 1º O Desembargador do Trabalho Vice-Presidente
em instrumento denominado “Provimento da Corregedoria”, participará da distribuição dos processos em semanas alter-
que poderá ser publicado no órgão oficial de divulgação, a nadas e não receberá, como Relator ou Revisor, processos
critério da referida autoridade. de competência originária.
Parágrafo único. Os Provimentos serão arquivados na § 2º Os processos que tramitam pelo meio físico
Secretaria da Corregedoria, com remessa de cópias aos serão entregues ao gabinete do Relator no último dia útil
Desembargadores do Trabalho do Tribunal e Juízes do Tra- da semana em que foram distribuídos, sendo que o prazo
balho. regimental para a aposição do visto do Relator, seja nos pro-
cessos físicos ou eletrônicos, começará a fluir no primeiro
TÍTULO III dia útil subsequente à entrega dos autos. (§ 2º do artigo 48,
DA ORDEM DO SERVIÇO NO TRIBUNAL com redação dada pela RA n. 188/2015 de 20/08/2015 e
publicada em 1º/09/2015)
CAPÍTULO I § 3º Os processos de competência originária, os dis-
DO CADASTRAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DOS PROCESSOS sídios coletivos decorrentes de greve e outros feitos que, a
juízo do Presidente do Tribunal, requeiram providências ime-
Art. 45. Os processos de competência do Tribunal diatas, serão distribuídos logo após registrados e autuados,
serão classificados de acordo com as classes e temas pro- observados os critérios deste Regimento. (§ 4º do artigo 48,
cessuais estabelecidos nas Tabelas Processuais Unificadas renumerado como § 3º pela RA n. 188/2015 de 20/08/2015 e
pelo CNJ, as quais deverão constar, obrigatoriamente, do publicada em 1º/09/2015)
sistema informatizado do Tribunal. § 4º. A ata de audiência de distribuição será publi-
Parágrafo único. Ocorrendo ajuizamento de ação ou cada no órgão oficial. (§ 5º do artigo 48, renumerado como
interposição de recurso não previstos nas tabelas mencio- § 4º pela RA n. 188/2015 de 20/08/2015 e publicada em
nadas no caput deste artigo, o registro e a autuação obser- 1º/09/2015)
varão a classificação que lhes for dada pelo Presidente do Art. 49. Devolvido o processo pelo Relator, com seu
Tribunal, observando-se o que prevê o Provimento Consoli- visto, deverá a Secretaria incluí-lo em pauta, para julga-
dado. mento, observadas a ordem de entrada e as preferências
Art. 46. Recebidos, registrados e autuados, serão legalmente previstas.
remetidos à Procuradoria Regional do Trabalho para emis- Art. 50. Os processos, que dependam de decisão
são de parecer: do Tribunal Pleno, terão Relator e Revisor sorteados no
I – obrigatoriamente, e independentemente de distribui- momento da distribuição.
ção, os processos em que for parte pessoa jurídica de direito § 1º Revogado. (§ 1º do artigo 50, revogado pela RA n.
público, estado estrangeiro ou organismo internacional, fun- 111/2014 de 06/08/2014 e publicada em 07/08/2014)
dação pública e massa falida, bem como os conflitos de § 2º O exercício do cargo de Presidente de Turma não
competência, observado, neste caso, o disposto no art. 110 exclui o Desembargador do Trabalho da participação na dis-
deste Regimento, salvo os processos relativos a recursos tribuição de processos como Relator. (§ 2º do artigo 50, com
sobre diferenças ou débitos de contribuição previdenciária; redação dada pela RA n. 111/2014 de 06/08/2014 e publi-
II – facultativamente, por iniciativa do Relator, os pro- cada em 07/08/2014)
cessos nos quais a matéria, por sua relevância, recomendar Art. 51. Com a distribuição do processo fica o Relator
a prévia manifestação do Ministério Público, inclusive aque- vinculado independentemente de seu “visto”, salvo as hipó-
REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO

les em que for parte empresa pública e sociedade de eco- teses legais e regimentais.
nomia mista; Parágrafo único. Nos casos de impedimento ou suspei-
III – por iniciativa do Ministério Público, quando enten- ção do Relator, será processada nova distribuição, mediante
der existente, nos processos, interesse público que justifique compensação. (Art. 51 e parágrafo único, com redação
sua intervenção; dada pela RA n. 111/2014 de 06/08/2014 e publicada em
IV – por determinação legal, os mandados de segu- 07/08/2014)
rança, os habeas corpus, os dissídios coletivos, no caso de Art. 52. Quando o processo já houver sido julgado pelo
não ter sido exarado parecer oral na instrução, e os pro- Tribunal, qualquer que seja a sua classe, em caso de retorno
cessos em que houver o interesse de menores, incapazes, dos autos de outra instância, permanecerão como Relator e
indígenas e de idoso; Revisor, mediante compensação, os Desembargadores do
V – por despacho do Relator, as ações rescisórias. Trabalho que, anteriormente, como tal, nele haviam funcio-
Art. 47. As ações de competência originária do Tribu- nado.
nal, após seu registro e autuação, serão submetidas à dis- § 1º Em caso de afastamento do Relator por mais de
tribuição. trinta dias ou de vacância do respectivo cargo, o processo
Art. 48. A distribuição dos processos ao Relator será será remetido ao Juiz Convocado ou ao Desembargador
feita diariamente e de forma ininterrupta, por meio eletrô- do Trabalho que esteja ocupando a vaga, exceto quando
nico, concorrendo todos os Desembargadores e Juízes que o retorno dos autos for para julgamento de embargos de

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
declaração, hipótese em que serão distribuídos, por sorteio, e) Os recebidos nas eventuais posteriores semanas
entre os Desembargadores do Trabalho que acompanharam de afastamento, no primeiro dia útil da respectiva semana
a tese vencedora. (§ 1º do artigo 52, com redação dada pela subsequente ao retorno do magistrado. (Art. 54 e alíneas
RA n. 111/2014 de 06/08/2014 e publicada em 07/08/2014) a, b, c, d e e, com redação dada pela RA n. 040/2014, de
I – Tratando-se de processo cujo retorno para julga- 20/03/2014 e publicada em 21/03/2012)
mento decorreu da oposição de embargos declaratórios e § 1º O Juiz Convocado participará das distribuições
estando o Relator ou redator designado afastado por perí- enquanto perdurar sua convocação.
odo superior a trinta dias, os autos serão distribuídos, por § 2º Será suspensa a distribuição de processo a Desem-
sorteio, entre os Desembargadores do Trabalho que acom- bargador do Trabalho que requerer aposentadoria, a contar
panharam a tese vencedora. da data em que o pedido for aprovado pelo Tribunal Pleno.
§ 2º Em se tratando de Juiz Convocado, o processo § 3º Revogado. (§ 3º do art. 54, revogado pela RA n.
será remetido ao Desembargador do Trabalho que se fez 220/2013, de 12/12/2013 e publicada em 17/12/2013)
substituir ou que esteja ocupando a respectiva vaga, salvo Art. 55. Afastando-se do exercício o Relator, por 2
se aquele permanecer atuando no Tribunal, seja como Juiz (dois) ou mais dias, serão redistribuídos, mediante opor-
Convocado, seja como membro efetivo da Corte, ainda tuna compensação, os mandados de segurança, dissídios
que esteja atuando em outra Turma ou substituindo outro coletivos decorrentes de greve e os feitos que, conforme
Desembargador do Trabalho, devendo o julgamento ser pro- fundada alegação do interessado, reclamem solução
ferido na Turma de origem. (Alterado pela RA n. 004/2013) urgente.
§ 3º. Não haverá prevenção da Turma se dela não mais § 1º Nos afastamentos do Desembargador do Trabalho,
fizer parte nenhum dos Desembargadores do Trabalho que Relator, sujeitos a convocação de substituto ou suplente, os
funcionaram no julgamento anterior. (Alterado pela RA n. processos já distribuídos, que se encontrem no gabinete,
004/2013) passarão à competência do Juiz Convocado. (§ 1º do artigo
§ 4º. Em se tratando de anulação parcial em que haja 55, com redação dada pela RA n. 111/2014 de 06/08/2014 e
redator designado, os autos ser-lhe-ão remetidos. publicada em 07/08/2014)
I – Nos casos em que houver anulação total do acórdão § 2º Após trinta dias do término da convocação, os
proferido pelo redator designado, a remessa dos autos deve processos que se encontrem pendentes de visto passarão
obedecer ao comando do caput deste artigo. à competência dos respectivos titulares, salvo se tratar de
§ 5º. O recurso que vier ao Tribunal, por força de provi- embargos de declaração, ao qual se aplica a previsão do art.
mento de agravo de instrumento, terá como Relator aquele 175, § 1º, II, deste Regimento.
do AI, mediante compensação. § 3º. As situações previstas nos §§ 1º e 2º implicarão na
§ 6º. Na hipótese de afastamento temporário do Vice- reabertura dos prazos.
-Presidente, os processos passarão à competência do § 4º. Os prazos serão suspensos sempre que o Desem-
Desembargador do Trabalho mais antigo que o substituir. bargador do Trabalho seja designado para representar ofi-
Art. 53. Quando, no mesmo processo, houver interpo- cialmente o Tribunal, ou participar de congressos ou con-
sição de mais de um recurso e o não recebimento de um venções, durante a respectiva designação, sem prejuízo do
deles acarretar agravo de instrumento, este deverá tramitar disposto no art. 57 deste Regimento.
apensado aos autos do recurso recebido e ser distribuído § 5º. Nas hipóteses de vacância de cargo de Desem-
ao mesmo Relator do processo principal, devendo julgar-se bargador do Trabalho, aplica-se a regra prevista no § 1º
primeiro o agravo. deste artigo.
Parágrafo único. Provido o agravo, a Secretaria do Tri- Art. 56. O Desembargador do Trabalho Presidente
bunal Pleno procederá à reautuação e remessa dos autos poderá designar outro Desembargador do Trabalho para
ao gabinete do Relator. presidir a distribuição dos feitos, em casos de ausência ou
Art. 54. O Desembargador do Trabalho que entrar em impedimento do Vice-Presidente. REGIMENTO INTERNO DO TRT 23ª EDIÇÃO
gozo de férias, licença ou tiver qualquer afastamento autori- Art. 57. Revogado. (Art. 57, revogado pela RA n.
zado pelo Tribunal Pleno, por oito ou mais dias, ressalvada 220/2013, de 12/12/2013 e publicada em 17/12/2013)
a hipótese de convocação, receberá distribuição normal-
mente, iniciando-se a contagem dos prazos regimentais do CAPÍTULO II
seguinte modo: DO RELATOR
a) Os recebidos na primeira semana de afastamento, (Capítulo II, com redação dada pela RA n. 188/2015 de
no primeiro dia útil da semana subsequente ao retorno do 20/08/2015 e publicada em 1º/09/2015)
magistrado;
b) Os recebidos na segunda semana de afastamento, Art. 58. Compete ao Relator:
no primeiro dia útil da segunda semana subsequente ao I – ordenar a realização de diligências julgadas neces-
retorno do magistrado; sárias à perfeita instrução do feito, fixando prazos para seu
c) Os recebidos na terceira semana de afastamento, no atendimento;
primeiro dia útil da