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MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO

DISCIPLINA: LETRAMENTO E ESCOLA

PROFA. DRA. CAMILA BARRETO SILVA

TURMA III – TERESINA

LEVANTAMENTO DE LITERATURAS: LETRAMENTO?

JOSÉ ALVES DE SOUSA NETO

JACQUELINE VALLE SETRAGNI

RAIMUNDA NONATA DA SILVA

TERESINA-PIAUÍ

2017
Introdução

Embora possamos observar os esforços em melhorar a qualidade de ensino e


resolver os problemas que incidem na educação, o cenário ainda é alarmante, há uma
grande discrepância na qualidade e efetividade nas diferentes instituições, e o padrão
que se observa, principalmente nas escolas públicas, não se ajustam às necessidades
reais e, para comprovar temos os resultados referentes aos esforços para a alfabetização
e letramento, que são processos distintos, e que não estão/são satisfatórios.

Basta atentar para os dados obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística (IBGE) no período de 2007 a 2015, onde é possível observar que o índice de
alfabetização diminuiu apenas 2,1 pontos percentuais, passando por níveis mais altos e
também mais baixos. Diante dos fatos apontados percebe-se que não há estratégias
eficazes que possam representar uma solução que mude o cenário no letramento escolar,
e que existem falhas no sistema de ensino básico brasileiro.

A importância do letramento e o aprimoramento de suas estratégias se


constituem na formação de cidadãos atuantes capazes de trabalhar com os distintos usos
da escrita dentro da sociedade, uma vez que este difere da alfabetização pelo fato de
levar consigo aspectos sócio-históricos.

Atualmente é observado um enorme crescimento do acesso das pessoas ao meio


digital, onde a internet tem se mostrado como uma ferramenta multifuncional e
onipresente, possibilitando uma circulação quase que instantânea de notícias e
informações a nível global, e a educação deve se adequar e acompanhar esta demanda,
pois este crescimento reflete na maneira de agir e pensar do ser humano e o letramento
está inserido neste mundo, e também nas relações interpessoais presentes no meio
tecnológico.

A alfabetização e o letramento são processos complementares, onde o primeiro


tem por objetivo o domínio da escrita e o segundo busca desenvolver habilidades para a
utilização desse sistema nas práticas sociais, o que vem se mostrando um desafio para
os docentes na hora de adotar um método para alfabetizar letrando, buscaremos no
próximo tópico realizar um levantamento de literaturas em uma dissertação de mestrado
que apresentou estudos aprofundados sobre leitura apontando os teóricos da área.
Discussões e Resultados

De acordo com a dissertação “Objetos de aprendizagem no ensino de língua


materna: novos caminhos, de Souza (2015), todos os alunos são leitores, embora muitos
deles afirmem não gostar do hábito. Diariamente o homem moderno tem contato com as
palavras seja através por meios digitais ou convencionais, entretanto essa prática
comum se mostra pouco eficiente no que diz respeito ao letramento, Souza (2015)
argumenta com Nóbrega (2009) que geralmente as informações obtidas neste meio são
mais quantitativas que qualitativas, ainda segundo a autora, embora a leitura seja um
processo que ocorre quase a todo o momento nos meios de comunicações tecnológicos,
ela é muitas vezes restrita e pouco reflexiva.

A autora discorre as características dos alunos colocando-os em duas categorias:


os que são leitores; e os que escolhem o que ler, assim ela afirma que:

[...] é possível dizer que uma das vertentes altamente afetadas


dentro do ensino de língua materna é a leitura. Essa mudança não
ocorreu de modo brusco, mas de forma paulatina ao longo do tempo.
Desse modo, a tecnologia afetou e afeta a leitura, as formas de os textos
se apresentarem e os suportes textuais. (SOUZA, 2015, p.11).

A discussão a respeito da necessidade de uma metodologia na prática do


letramento leva a autora a propor “a leitura de um texto literário O Corvo, de Edgar
Allan Poe, com utilização de um objeto de aprendizagem”, aplicando a metodologia
qualitativa, com especificidade investigatória e intervencionista, com o fim de responder
de que maneira os discentes apreendem um texto que possui vários aspectos de sentidos,
podendo modificar “a compreensão do texto literário”,

De acordo com Souza:

A intervenção está no fato de inserir os alunos em meio a uma


Sequência Didática que gera não só dados para a pesquisa, mas que
também propõe um protagonismo discente, ressignificando a ideia de
produção textual, já que os alunos são levados a produzir um vídeo, que
também é um texto multimodal. (SOUZA, 2015, p.15).

Para certificar que a leitura possui aspectos:


- Históricos discursivos, Souza (2015), adota os pressupostos de Lajolo e Zilberman,
cujos estudos apontam que os primeiros leitores eram da elite brasileira;

- Cognitivos e metacognitivos, baseada em Koch e Elias (2012), cujos pensamentos


mostram que autores e leitores se constroem socialmente; Leffa (1996), onde a leitura é
“olhar para uma coisa e ver outra”, ou seja, é tirar e colocar significados nesta leitura;

- Práticas Sociais, consonante com Mikhail Baktin e sua teoria discursiva, conforme
afirmação de Souza:

[...] ensino da leitura nos dias atuais, observando-o, inclusive, nos


documentos oficiais destinados a direcionar os docentes para práticas
pedagógicas eficazes e coerentes com o mundo em que vivemos hoje, já
que a leitura deve ser entendida como prática social, que se constitui ao
longo do acontecimento discursivo. [...]trazemos as contribuições de
Mikhail Bakhtin, observando a teoria discursiva presente nos
documentos oficiais sobre o ensino da leitura enquanto prática social
discursiva. (SOUZA, 2015, p.15).

Souza (2015) aponta a necessidade de uma estratégia de letramento eficaz mais


presente dentro das instituições de ensino, uma vez que está inserida num contexto
social e permite uma compreensão da língua, e isto, muitas vezes é confundido com o
termo interpretação, para ela, considerar como atividade pedagógica a interpretação de
um texto, é ignorar que este pode está além das habilidades leitoras do aluno.

Conforme Souza (2015) a desvalorização da educação escolar causa um


estreitamento na concepção de alfabetização. apontando para o fato de que as
transformações sociais se refletem em mudanças que precisam ser adotadas nos
processos educativos, é necessário fazer uso dos OAs à favor da educação e da obtenção
de habilidades na área do letramento, uma vez que o mesmo sujeito que passa a ser
interpelado pela tecnologia também é moldado por ela, permitindo que o mesmo
escolha as informações adquiridas neste meio, e ainda segundo a autora, é a partir dessa
visão que os OAs podem instrumentos modificadores de intervenção no modo de
aprendizado dos alunos na escola comum de maneira positiva, segundo Kant, o homem
é o que a educação dele faz.

A conclusão do trabalho de Souza (2015), se traduz no seguinte enunciado:


Diante de todas as considerações acima, inferimos que os alunos não
leem os textossemióticos por meio de um OA da mesma forma que
leem os textos em suporte físico papel. Eles têm gestos diferentes, ou
seja, usam estratégias diferentes, pois precisam mobilizar mais de um
sentido – audição e visão, por exemplo – na tentativa de construir
sentidos e, assim, extrair a interpretação do texto. As competências
exigidas para a leitura de um texto multimodal também são diferentes,
pois é necessário que o aluno leia a linguagem verbal, a visual e a
sonora. É nessa intersecção de linguagens que os discentes podem
construir sentidos coerentes na leitura de textos multimodais. (SOUZA,
2015, p.117).

Considerações finais

Ao analisar esta dissertação observamos os questionamentos apresentados pela


autora no âmbito da educação escolar e a capacidade de empregar os objetos de
aprendizagem digital de maneira eficaz, e além disso as possibilidades de um outro
olhar sobre a problemática do letramento com estranhamento e acreditar que é possível
reverter a situação de forma a intervir favoravelmente.

Os obstáculos apresentados no que diz respeito ao letramento, vão muito além da


escola em si, estão presentes em todos os meios sociais, é, portanto, injusto
responsabilizar somente o aluno diante de seu insucesso. O uso da tecnologia por si só
não é capaz de trazer o sucesso na prática de ensino e no emprego do letramento,
mostra-se necessário também esforços por parte do educador em pensar, analisar e
desenvolver práticas mais eficazes para o re-fazer do ensino, pois:

[...] o ouvinte, ao perceber e compreender o significado (lingüístico) do


discurso, ocupa simultaneamente em relação a ele uma ativa posição
responsiva: concorda ou discorda dele (total ou parcialmente), completa-o,
aplica-o, prepara-se para usá-lo, etc.; essa posição responsiva do ouvinte se
forma ao longo de todo o processo de audição e compreensão [...]. (BAKHTIN,
2003, p.271).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DISSERTAÇÃO

Souza, Esther Ribeiro Lino Favero de. Objetos de aprendizagem no ensino de língua
materna: novos gestos de leitura / Esther Ribeiro Lino Favero de Souza; orientadora
Maria Helena da Nóbrega. - São Paulo, 2015. 137 f. Dissertação.

LIVRO CONSULTADO

BAKHTIN, M. M. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. São Paulo.


Martins Fontes, 2011. p. 261-306.

SITES

http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wpcontent/uploads/2014/06/volume_1_artigo_097.
pdf

http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/25075_12327.pdf acesso em 02/11/2017

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/filosofia/0051.html-acesso em
03/11/2017.

http://revistas.iel.unicamp.br/index.php/cel/article/view/3029 acesso em 01/11/2017

http://www.ffclrp.usp.br/imagens_defesas/06_01_2011__10_34_32__61.pdf acesso em
02/11/2017.

http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/download/17045/13923
acesso em 03/11/2017.

https://sites.google.com/a/criticadodireito.com.br/revista-critica-do-direito/todas-as-
edicoes/numero-2---volume-47/o-conceito-de-ideologia-e-a-ideologia-do-direito-em-
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http://linguagem.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/linguagem-em-
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