Você está na página 1de 19

Dezembro/2010

MANDIOCULTURA

1. Panorama mundial do setor ................................................................


........................................................ 1
2. Panorama do mercado brasileiro................................................................
................................................ 3
3 Exportações e Importações
portações Brasileiras:................................................................
........................................ 7
4 Projeções: ................................................................................................
................................ ........................................................ 9
5 Canais de Distribuição: ................................................................................................
................................ ................................... 9
6 Concorrência: ................................................................................................
................................ ................................................ 11
7 O Aproveitamento Sustentável da rama rama da mandioca e da manipueira ................... 12
8 Tendências ................................................................................................
................................ ..................................................... 12
9 Matriz PFOA ................................................................................................
................................ ................................................... 14
10 Conclusões ................................................................................................
................................ .................................................. 14
11 Bibliografia: ................................................................................................
................................ .................................................. 16
Expediente................................................................................................
................................ ......................................................... 19

1. Panorama mundial do setor

A produção de mandioca encontra-se


encontra fortemente espalhada pelo continente africano, que
hoje detém parte significativa da produção mundial. Dos vinte maiores produtores
mundiais, 11 se encontram tram naquele continente, seguido pela Ásia com 7 países
(notadamente os do sudeste asiático),
asiático enquanto a América do Sul tem apenas 2 países, a
saber: Brasil e Paraguai.

Apesar de conter dados de vários países de 2009, a data de base da FAO somente
permite
ermite informações conclusivas relativas ao ano de 2008. Assim, da
da produção mundial, a
África é responsável por 46,5%;
,5%; a Ásia, por 33,0%; e a América Latina por 12,4%. Em seu
conjunto, os 20 maiores produtores de mandioca do mundo foram responsáveis por
92,0% da produção total naquele ano.
ano
A Nigéria é a maior produtora mundial de mandioca. Em 2008, produziu 44,6 milhões de
toneladas de mandioca, a maior parte consumida no próprio país. Apesar de produção
africana ter sempre apresentado crescimento nas últimas
últimas décadas, o consumo se resume
basicamente da mandioca in natura,
natura, sem que haja preocupação de agregação de valor,
para comercializá-la.

Contrariamente ao observado nesses países, nitidamente pode-se


pode se perceber
pe pelos dados
apresentados que os países do d sudeste asiático cresceram em produção, visando
basicamente o comércio internacional.

Com relação ao Brasil, que começara a década em 2º lugar como maior produtor mundial,
foi ultrapassado
ado pela Tailândia,
Tailândia que em poucos anos quase dobrou o volume produzido.
produzido
Em 2005, o país partiu de uma produção de 16,9 milhões de toneladas e atingiu 30,1
milhões de toneladas em 2009,
2009, correspondendo a um crescimento de 78,1% em apenas 4
anos. A produção brasileira em 2009 de 26,0 milhões de toneladas,
toneladas, equivaleu a 58% e a
86,4% das quantidades produzidas na Nigéria e na Tailândia, respectivamente,
respectivamente conforme
pode ser visualizado no quadro acima.
acima

Dados da FAO – Food and Agriculture Organization,


Organization, órgão da ONU dedicado a estudos e
ações relativas à agricultura
ricultura e à alimentação mundial, revelam que hoje a China é o maior
importador do mundo de mandioca e seus derivados. Em 2007, 200 , foram importadas
aproximadamente 4,7 milhões de toneladas de mandioca, quase 2,3 vezes mais que a
soma dos outros nove maiores importadores.
i No grupo a seguir,, aparecem principalmente
Países Desenvolvidos
esenvolvidos como grandes importadores mundiais. Quanto à fécula de
mandioca, a China desponta em 1º lugar com 892 mil toneladas,
t , seguida de Indonésia -
306 mil t., Japão - 143 mil t. e Malásia - 118 mil t.

Quanto à exportação, somente pequena parcela da produção mundial de mandioca é


vendida internacionalmente. Em 2007, 3 países asiáticos
as ticos foram os maiores exportadores,
a saber: Tailândia - 4.559 mil t., Vietnã - 1.317 mil t., e Indonésia - 210 mil t. No caso do
amido, dentre os 10 maiores exportadores, a Tailândia vendeu 1.422 t. em 2007, um
volume 10 vezes superior que a soma dos outros 9 países classificados a seguir. O Brasil
em 6º lugar do ranking, exportou 12,8 mil t de amido.

Não obstante avanços


vanços alcançados nas negociações internacionais da Organização
O
Mundial do Comércio (OMC C) sobre o produto, as dificuldades para a exportação
continuam grandes e a mandioca sofre particularmente com essas barreiras comerciais,
por ser ela considerada
onsiderada como produto substituto direto de importantes
antes culturas como trigo,
milho e batata.

2. Panorama do mercado
ercado brasileiro

2.1 Produção - O quadro abaixo permite que se conheça a quantidade de mandioca


produzida no Brasil, no período de 2000 a 2008. Pode-se
Pode se ainda ter uma nítida idéia da
distribuição
o espacial da cultura, segundo a contribuição de cada região
regi brasileira. Na
última coluna do quadro sob análise, temos em ordem decrescente de importância sobre
o total da quantidade produzida,
produzida as regiões: nordeste
este 36,8%, norte 28,7%, sul
s 19,7%,
sudeste 8,8% e centro-oeste
este 6%.

2.2 Área colhida – O quadro a seguir apresenta as áreas colhidas de mandioca no


período 2000 a 2008 nass regiões brasileiras e a participação percentual em 2008 em
relação à área nacional.

Como pode ser observado, o, as regiões nordeste e norte despontam como as maiores
áreas colhidas, representando,
representando respectivamente, 48,2% e 26,4%, totalizando 74,6% da
área total com a cultura.

Com relação à produção agrícola


grícola de 2010, a estimativa de 2010 em relação à safra de
2009, através de dados
ados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE,
IBGE que
podem ser visualizados abaixo, indica que a mandioca apresenta uma variação positiva
na estimativa de produção em relação ao ano anterior da ordem de 0,2%. Apesar da
redução da área colhida em 0,4%, o incremento de produção foi causado pelo aumento
da produtividade em 0,6% em relação ao ano de 2009.

O quadro a seguir evidencia que o rendimento médio da mandioca obtido na safra de


2009 foi de 13.899 kg/ha e a estimativa de setembro de 2010 indica um rendimento médio
esperado de 13.985 kg/ha, o que representa um acréscimo de 0,6%.

Segundo estimativas do IBGE, a corrente safra agrícola brasileira ocupa uma área a ser
colhida de 61,2 milhões de hectares,
h sendo que a mandioca representa 3 % da área
agrícola total.

Mandioca
2009 2010 Variação %
Produção (em ton.) 26.030.969 26.078.596 0,2

Colhida - safra 2009 A ser colhida - safra 2010 Variação %


Área (ha) 1.872. 812 1.864.716 -0,4

Obtido - safra 2009 Esperado - safra 2010 Variação %


Rendimento Médio
(kg/ha) 13.899 13.985 0,6
Fonte: Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias - GCEA/IBGE, DPE, COAGRO
Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, Setembro 2010.

2.3 Mandioca e Subprodutos

Sagu: Amido de forma esférica,


esférica parcialmente gelatinizado.. É consumido em forma de
mingau ou como sobremesa que leva o nome de sagu.

Tapioca: É obtida a partir do amido de mandioca em pequenos grânulos irregulares,


irregulares pela
secagem em tachos abertos.. Utilizada para alimentos naturais na forma de mingau.

Polvilho Seco: O polvilho azedo é um amido modificado por oxidação derivado da fécula
de mandioca. Tem a propriedade de expansão que outros amidos nativos não têm. É
utilizado na indústria alimentícia para a fabricação de biscoitos, brevidades,
brevidades roscas, pães
de queijo etc. Poror proporcionar um produto crocante,
crocante o polvilho azedo é também muito
utilizado como revestimento
evestimento em amendoim japonês.
japonês A principal característica do polvilho
azedo é a expansão dos produtos sem uso de agentes levedantes - fermento químico ou
biológico –, reduzindo custos dos produtos de panificação.
panificação. Satisfaz às
à necessidades dos
celíacos, isto é, pessoas alérgicas ao glúten da farinha de trigo.
Fécula: Amido natural extraído da mandioca e de outros vegetais,, pertencente à família
dos carboidratos. Apesar de existência de diferença conceitual de origem agronômica,
nesse estudo usaremos as palavras fécula e amido como se sinônimas fossem. Por ser a
mandioca rica
ica em amido, este é o principal derivado dela extraído, pois dele obtém-se
obtém o
maior número de aplicações e subprodutos. Ele é usado nas indústrias química,
alimentícia, metalúrgica, papeleira, têxtil, farmacêutica, plástica, em lamas para
perfuração de poços
ços de petróleo, lavanderias etc. É modificado através de um processo
físico-químico
químico e apresenta certa estabilidade em água fria. Quanto mais clara a cor,
melhor a qualidade do amido. A cor indica se a mandioca é velha ou nova. A mandioca é
cultivada e industrializada
dustrializada em grande escala na produção de diversos derivados
amiláceos.

Três estados brasileiros são responsáveis por quase toda a produção de amido em 2009:
Paraná - 71%, Mato Grosso do Sul - 14% e São Paulo - 13%.
3 Exportações e Importações Brasileiras

3.1 Exportações de Raiz e Fécula - As exportações de raiz de mandioca em 2008 foram


de 962 t., basicamente para o Reino Unido e Estados Unidos. Em 2009 e até setembro de
2010, foram baixos.

Quanto à fécula, a pauta brasileira de exportações


tações é bem mais diversificada conforme
pode ser visto no quadro abaixo. Nos 3 anos considerados, os Estados Unidos aparecem
como maior importador, sendo que a Venezuela em 2008 e a Bolívia em 2009 e jan/set
2010, também se destacaram. O preço médio obtidoobtido com as exportações no período de
jan/set 2010 foi de US$ 881,90/t, bem superior (88,2%) que o preço médio pago pelas
importações de fécula, como será visto adiante.
adiante
Ass exportações de amidos modificados tiveram um grande
grande incremento nos últimos 10
anos. O peso líquido evoluiu de 13.817 t. em 2000 para 33.499 t em 2009, representando
um acréscimo de 242,4% no período. Quanto às receitas cambiais, de US$ 8,6 milhões
em 2000 atingiram U$ 32,5 milhões em 2009, correspondendo
correspondendo a um acréscimo de 377,9%
nos 10 anos considerados. O preço médio de US$ 971,70/t. em 2009 demonstra a maior
agregação de valor conseguida pelos amidos modificados em relação aos outros
derivados da mandioca.

3.1 Importações de Raiz e Fécula - As importações de raiz de mandioca se restringiram


a um único país: Paraguai, sendo 2.123 t. em 2008. Em 2009 nada foi importado e até
setembro de 2010, houve um significativo incremento das importações, atingindo 18.586 t.
t
As importações brasileiras de fécula tiveram o Paraguai como o grande fornecedor no
período analisado, e o preço médio no período de jan/set 2010 foi de US$
US 468,60/t.

4 Projeções

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em seu estudo “Projeções do


Agronegócio: Brasil 2008/2009 a 2019/2020” fez projeções da área plantada (2 milhões de
ha) e da produção de mandioca (30,19 milhões de t.), significando um crescimento anual
de 0,62 e de 1,2% respectivamente, no período considerado.

5 Canais de Distribuição

Para que seja evitada propagação de microorganismos, o processamento da mandioca


deve ser iniciado em até 24 horas após a colheita, o que faz com que as unidades de
produção não sejam distantes das plantações.
Entre as plantações de mandioca e o consumidor
consumidor final atuam uma série de agentes que,
por meio da transformação, embalagem, armazenamento ou simples transporte do
produto, adicionam valor a cada etapa da rede de entrega.

Na cadeia da mandioca, em especial nas pequenas casas de farinha, os produtores


produtor
normalmente plantam a mandioca e posteriormente a utilizam como matéria-prima.
matéria Por
outro lado, processadores com maior capacidade instalada,, não produzem a raiz,
comprando o produto de diversos mandiocultores.

A falta de verticalização da cadeia aumenta


aumenta a instabilidade dos preços e da oferta de
mandioca, constituindo em importante problema para os produtores de farinha e para as
fecularias. O caminho para se enfrentar tal dificuldade é a negociação de contratos de
longo prazo com os mandiocultores, com o estabelecimento de quantidades e preços
mínimos para o produto. A tendência é que com a maior profissionalização setorial e com
a melhoria das perspectivas objetivando o comércio exterior,
exterior tal prática seja adotada de
forma crescente.

5.1 Varejo: A farinha nha é comercializada em feiras


feiras livres, varejos de bairro e
supermercados. A crescente concentração das redes varejistas em grandes grupos
(supermercados e hipermercados) tem imposto modificações na distribuição de produtos
alimentícios. Através de contratos
contrat diretos com os processadores de mandioca, buscam a
eliminação de intermediários, reduzindo custos.. A fécula é utilizada como insumo em
indústrias, e no caso dos amidos modificados, normalmente exigem conhecimento
especializado e vendas técnicas.

5.2 Atacado: O atacado participa na distribuição dos derivados da mandioca, como o


polvilho azedo, a tapioca e o sagu. A importância desse canal de comercialização é maior
para as farinheiras que vendem produto sem marca e a granel. O fabricante muitas vezes
desempenha
empenha o papel de atacadista,
atacadista entregando diretamente produtos aos pontos
varejistas.

5.3 Compras governamentais:


governamentais Vale ainda ser ressaltado que a mandioca é produto
amparado pela política de preços mínimos do Governo Federal, sendo a Companhia
Nacional de Abastecimento (CONAB) responsável pelas compras governamentais e pela
movimentação de estoques. Os preços mínimos básicos de 2010 foram: farinha de
mandioca - R$ 25,67 a R$ 28,67 por 50 Kg; fécula de mandioca - R$ 34,50 por 50 Kg;
polvilho - R$ 0,86/Kg e raiz de
d mandioca - R$ 110,82 a R$ 117,35 por tonelada. As
variações de preços apontadas
apontada ocorrem, dependendo do estado produtor.

5.4 Preços Praticados: Para efeito de comparação com os preços mínimos de safras
recentes, o gráfico abaixo mostra praticados no mercado para a raiz de mandioca,
mandioca em jun
e jul/2010:: R$ 246,38 e 234,09,
234,09 respectivamente.
6 Concorrência

6.1 Competição entre produtores de farinha e fécula: As casas de farinha se utilizam


de procedimentos rudimentares e pouco investem para a produção de farinhafarinh de
mandioca, o que viabiliza a entrada de novas firmas para a atividade.

A demanda é caracterizada por alta competição e baixas margens de comercialização. A


produção de fécula, apesar de mais concentrada, comporta produtores de pequeno porte
que usam pouca
ouca tecnologia. A diferenciação aparece no caso de amidos modificados no
sul e sudeste, concentrando grande número de fecularias.

Pode-se caracterizar a importação


mportação de fécula como força competitiva,, já que em períodos
de preços altos do produto nacional, as indústrias importam matéria-prima.
prima.

6.2 Competição com produtos substitutos:


substitutos A fécula de mandioca é de mais fácil
extração, oferecendo maior transparência e viscosidade em relação a seus principais
produtos substitutos. O amido obtido é insípido e inodoro,
inodoro, o que o torna matéria-prima
matéria
para a produção de álcool para fins laboratoriais, farmacológicos ou alimentícios.

Apesar de várias aplicações industriais da fécula de mandioca, incrementos no preço no


amido de mandioca, deslocam os consumidores para produtos
dutos substitutos,
substitutos notadamente
fécula de batata e amido de milho.

O amido de milho é o principal concorrente, com estrutura produtiva organizada, como


ocorre na Corn Products do Brasil, National Starch Chemical e Cargill. Apesar de contar
com players de
e destaque, a indústria de fécula de mandioca caracteriza-se
caracteriza por possuir um
grande número de fecularias de pequeno e médio porte, possuidoras de um market share
menor em relação às indústrias de amido de milho. Adicionalmente, países
p têm usado
barreiras comerciais
merciais para evitar a concorrência da fécula da mandioca com o amido de
milho.
Grande entrave competitivo existente dentro da cadeia produtiva está diretamente ligado
à baixa produtividade da mandioca,
mandioca ao baixo aproveitamento dos resíduos e aosao elevados
custo dos processos de tratamento de efluentes. Some-se a isso, a falta de investimentos
em pesquisa e desenvolvimento – P&D - que dificulta o surgimento de inovações
tecnológicas.

6.3 Ameaça de produtos substitutos:


substitutos Com relação aos produtos
rodutos substitutos da fécula
de mandioca, a possibilidade de se usar amido de milho ou outros compostos, faz com
que variações de preços acarretem reduções significativas em seu consumo.
consumo

7 O Aproveitamento Sustentável da rama da mandioca e da manipueira


manipueira

Durante a fabricação
ão da farinha,
farinha a manipueira ou “manipeira” é um líquido amarelado que
sai da mandioca quando prensada. Apesar de se constituírem a base da economia de
muitas regiões brasileiras, as a casas de farinha também são responsáveis por parte
significativa da poluição produzida.
roduzida. O despejo da manipueira em rios, riachos e açudes,
polui as águas, causam mortandade em peixes e de outros animais e provocam
intoxicação nas pessoas.. Por outro lado, a queima da lenha polui a atmosfera,
provocando doenças respiratórias.

A utilização de corretas técnicas de manejo possibilita que o despejo seja evitado. A


manipueira pode ser aproveitada e ter inúmeras destinações: como fertilizante natural;
substituindo os agrotóxicos nas lavouras; como defensivo contra insetos e pragas, como
formigas e doenças; como carrapaticida na pulverização de rebanho;
rebanho na produção de
vinagre para uso doméstico e comercial; na produção de sabão e na produção de tijolos.
tijolos

A riqueza da rama da mandioca


andioca: A parte aérea (superior) da rama da mandioca pode
ser utilizada
lizada tanto na alimentação humana como na alimentação animal. As folhas que a
compõem, são ricas em vários nutrientes, principalmente em proteínas, chegando a
possuir até 28% de proteína bruta e podendo ser ingeridas frescas,
fresca como feno ou
silagem. A rama, em função do seu alto volume de produção, constitui-se
constitui em excelente
alternativa para se produzir ração animal.

8 Tendências

Existem basicamente duas formas para a comercialização da mandioca no varejo: in


natura - sem nenhum tipo de transformação - ou minimamente
amente processada, passando por
transformações simples. A mandioca minimamente processada vem apresentando
tendência de crescimento, uma vez que vai ao encontro das exigências atuais dos
consumidores: a busca por alimentação saudável e a praticidade no preparo pre dos
alimentos. Contudo, alguns cuidados devem ser adotados, em face de sua alta
perecibilidade: redução do tempo entre a colheita e o tratamento; temperatura adequada
para transporte e armazenamento; escolha correta de embalagens e adequadas práticas
sanitárias em relação ao produto.

Tem-sese observado maior profissionalização do setor. As empresas processadoras de


farinha de mandioca têm crescido nos últimos anos, dispõem de melhor gestão e têm se
aparelhado com máquinas e equipamentos modernos.

Tendência
ência importante no setor produtivo de farinha da mandioca é a verticalização,
entendida como a integração de etapas ao longo da cadeia produtiva, tendo sido
observadas entre os movimentos mais importantes, as relações entre o produtor de raiz e
o processador.

Um maior investimento na criação de fecularias é uma tendência observada em estados


como Goiás e Mato Grosso do Sul, localizados em áreas distantes dos habituais pólos
produtores de fécula. Muito provavelmente isto decorra da proximidade desses estados
esta
com o Paraguai, grande fornecedor brasileiro de raiz da mandioca.

O comportamento do consumidor torna inelástica a demanda da farinha de mandioca.


Quando há escassez de matéria-prima,
matéria prima, as farinheiras reduzem a produção e aumentam
os preços. Há uma tendência
dência de menor queda na quantidade demandada e de maior
aumento de preços, acarretando perdas aos consumidores, em decorrência dos hábitos
materializados, sedimentados de consumo da farinha de mandioca. Em períodos
caracterizados por oferta excessiva e preços
preços baixos, o consumo cresce em ritmo menor,
causando perdas aos processadores. A instabilidade acaba por abreviar investimentos,
reduzindo as margens da indústria.

Deve ser ressaltada uma importante tendência resultante da crescente e constante


pressão
essão das instituições ligadas ao setor. Os diferentes usos da farinha de mandioca
como insumo de alimentos industrializados vêm sendo incrementado por estímulo e apoio
de órgãos governamentais. A criação de uma câmara setorial específica para estudar as a
melhores alternativas em relação às políticas públicas voltadas para a mandiocultura é um
exemplo deste esforço cada vez mais organizado e articulado entre associações
representativas, políticos e pesquisadores.

A fécula de mandioca é importante objeto de estudo da biotecnologia, dada a sua


versatilidade. Nesse sentido, espera-se
espera se que sejam desenvolvidas aplicações e
modificações do amido, o que aumentaria suas opções de utilização.

O Brasil acompanha a tendência de diversos países da América Latina e do sudeste


asiático ao focar sua atuação na crescente industrialização da mandioca. No mercado
externo, a tendência está relacionada com a diminuição gradual a ser feita por países
exportadores de fécula, em direção à substituição desse produto por etanol da mandioca.
9 Matriz PFOA

Largamente utilizada em diagnósticos


diagnóstico empresariais, a matriz reúne os principais aspectos,
aspectos
quer internos quer externos, ligados ao negócio sob análise. Na sigla, PF se refere à
fatores internos à empresa. Potencialidades representam
sentam fatores positivos
positi e Fragilidades
fatores negativos. OA são os fatores externos à empresa, que podem significar boas
perspectivas de crescimento e lucro: Oportunidades; ou que ponham a sua sobrevivência
em risco: Ameaças.

Potencialidades (fatores internos


ternos positivos):
• Facilidade de cultivo da mandioca.
• Alta produtividade comparada a outras culturas.
• Hábito consolidado de consumo de farinha por parte do brasileiro.
• Versatilidade nas aplicações industriais da fécula, devido a suas características
característica físico-
químicas.
sibilidade do aproveitamento sustentável da rama da mandioca e da manipueira.
• Possibilidade

Fragilidades (fatores internos negativos):


• Falta de padronização da qualidade dos produtos.
• Baixas margens de lucratividade.
lucratividade
• Baixo investimento em melhoria de produtividade e qualidade.

Oportunidades (fatores externos positivos):


• Uso de cultivares adequados a cada finalidade.
• Verticalização da cadeia produtiva.
• Mercado internacional crescente de fécula de mandioca.
• Pesquisas tecnológicas envolvendo novas modificações do amido, inclusive com ênfase
em processos naturais.
• Fortalecimento das instituições de apoio.
• Desenvolvimento de Arranjos
ranjos Produtivos Locais (APLs).
(A

Ameaças (fatores externos negativos):


• Falta de articulação na
a cadeia produtiva da mandioca.
• Crescente poder de barganha das fortes redes varejistas (supermercados e
hipermercados).
• Oscilações significativas dos preços independente do controle dos produtores e
processadores.
• Fácil substituição no consumo dos derivados de mandioca.

10 Conclusões

se em meio de sustento e sobrevivência para milhares de famílias e


A mandioca constitui-se
excepcional fonte de alimentação, dado ser alimento de baixo preço e elevada
concentração de carboidratos. Planta pouco exigente, caracteriza-sese pela facilidade
f em
seu cultivo. Possui alta lta produtividade comparada a outras culturas. Uma ampla
potencialidade da mandioca se refere ao hábito
hábito consolidado de consumo de sua farinha
por parte do brasileiro.

A cadeia da mandioca, composta a partir dessa raiz,


raiz abrange produtos
produt simples como a
mandioca in natura ou minimamente processada, até produtos de elevado valor agregado,
como os amidos modificados. Assim, a cadeia da mandioca não pode se restringir apenas
às atividades de subsistência por parte de seus agentes, já que a mandioca já
demonstrou ser capaz de ser promotora de desenvolvimento rural em determinadas
regiões. Seus derivados podem ser aplicados em vários setores industriais, o que abre
inúmeras oportunidades lucrativas. A fécula, devido às suas características físico-
fís
químicas, possui inúmeras aplicações industriais.

O fortalecimento da cadeia produtiva deve pressupor trabalhos cooperativos entre seus


elos componentes. As Micro
icro e Pequenas Empresas (MPEs)
(M e processadores precisam
ser apoiados em suas atividades para sobreviverem e crescerem frente
frente às mudanças que
o setor vem sofrendo.

A mandioca minimamente processada vem apresentando demanda crescente, uma vez


que vai ao encontro das exigências atuais dos consumidores: a busca por alimentação
saudável e a praticidade no preparo dos alimentos.
alimentos

Enquanto a produtividade está intimamente ligada à competitividade dos agentes da


cadeia, o desenvolvimento tecnológico é área a ser priorizada pelos processadores, com
a utilização de maquinário mais eficiente e que obtenha produtos de melhor qualidade.
qualidad As
empresas processadoras de farinha de mandioca têm crescido nos últimos anos e nota-se
uma maior profissionalização do setor. O setor produtivo de farinha da mandioca tem se
caracterizado por sua verticalização, com movimentos mais importantes entre as relações
entre o produtor de raiz e o processador.
processador

Observa-se um m maior investimento na criação de fecularias em estados como Goiás e


Mato Grosso do Sul, localizados em áreas distantes dos habituais pólos produtores de
fécula. Muito provavelmente isto decorra
decorra da proximidade desses estados com o Paraguai,
grande fornecedor brasileiro de raiz da mandioca.

Os diferentes usos da farinha de mandioca como insumo de alimentos industrializados


vêm sendo incrementado por estímulo e apoio de órgãos governamentais.
governamentai Assim, se torna
importante uma articulação constante das instituições ligadas ao setor,
setor de associações
representativas, de políticos e de pesquisadores,, para que sejam buscadas as melhores
alternativas em relação às políticas públicas voltadas para a mandiocultura
mandiocultura.
Seria importante também a realização de mais pesquisas
pesquisas tecnológicas envolvendo novas
modificações do amido, inclusive com ênfase em processos naturais. Sabe-se que a
fécula de mandioca é importante objeto de estudo da biotecnologia, dada a sua
versatilidade.
ersatilidade. Nesse sentido, espera-se
espera se que sejam desenvolvidas aplicações e
modificações do amido, o que aumentaria suas opções de utilização.
utilização

Como descrito, a manipueira pode ser aproveitada e ter inúmeras destinações:


destinações como
fertilizante natural; substituindo
indo os agrotóxicos nas lavouras; como defensivo contra
insetos e pragas, como formigas e doenças; como carrapaticida na pulverização de
rebanho; na produção de vinagre para uso doméstico e comercial; na produção de sabão
e na produção de tijolos. A parte aérea (superior) da rama da mandioca pode ser utilizada
tanto na alimentação humana como na alimentação animal. A utilização de corretas
técnicas de manejo possibilita que seja evitada poluição ambiental decorrente do despejo
da manipueira em rios, riachos e açudes.

O país tem acompanhado a disposição de diversos países da América Latina e do


sudeste asiático no sentido de focar sua atuação na crescente industrialização da
mandioca. No mercado externo, a convergência está relacionada com a diminuição
gradual
al a ser feita por países exportadores de fécula, em direção à substituição da
exportação da fécula por etanol da mandioca.

Atualmente, o Brasil encontra-se


encontra se em desvantagem perante outros competidores
internacionais, em virtude do problema cambial que por um período já razoável de tempo
vem afetando as exportações. O real valorizado tem reduzido a competitividade das
empresas de vários setores instaladas no país.

11 Bibliografia

ARIENTE, Marina et al. Competitividade na indústria de fécula de mandioca: estudo


exploratório. Revista FAE,, Curitiba, v.8, n.2, p. 53-60,
53 jul./dez. 2005.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca). Exportação de


Amidos Modificados.. Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/exportacao_amido.php&
menu=2&item=4. Acesso em: 3 nov. 2010.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca). Exportação de


Fécula "in-natura". Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/exportacao_fecula.php&
menu=2&item=4. Acesso em: 3 nov. 2010.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca). Mandioca e


subprodutos. Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/mandioca_subprodutos.
w.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/mandioca_subprodutos.
php&menu=2&item=5. Acesso em: 3 nov. 2010.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca). Processo de


Obtenção do Amido. Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/proc_ob_amido.php&me
nu=2&item=2. Acesso em: 3 nov.
nov 2010.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca).


Mandioca). Produção Brasileira
de Amido por Estado - Ano 2009. Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/prod_amido_est_2009.p
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/prod_amido_est_2009.p
hp&menu=2&item=2. Acesso em: 5 nov. 2010.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca). Produção Brasileira


de Amido de Mandioca 1990 a 2009. Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/prod_bra_90_09.php&m
enu=2&item=2. Acesso em: 5 nov.
nov 2010.

ABAM (Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca). Segmentação do


Mercadodo de Amido de Mandioca - Ano 2009. Disponível em:
http://www.abam.com.br/includes/index.php?link_include=menu2/mercado_2009.php&me
nu=2&item=3. Acesso em: 5 nov.
nov 2010.

BRASIL. MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).


Exterior) Brasília,
2010. Sistema Aliceweb. Importações Brasileiras de Fécula de Mandioca;
Mandioca Exportações
Brasileiras de Fécula de Mandioca.
Mandioca Importações Brasileiras de Raiz
Ra de Mandioca e
Exportações Brasileiras de Raiz de Mandioca - Disponível em:
http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/default.asp Acesso em: 29 out. 2010.
http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/default.asp.

BARROS, Geraldo Sant’Ana de C. (coord.).


(c Melhoria da competitividade da cadeia
agroindustrial de mandioca no Estado de São Paulo. Paulo. São Paulo/Piracicaba (SP):
SEBRAE/CEPEA (ESALQ/USP), 2004. Disponível em:
http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/9922067E24B4BFA0832575F900546B2
F/$File/NT00041BEA.pdf. Acesso em: 25 out. 2010.

CARDOSO, Carlos E. L.; ALVES, Lucilio R. A.; FELIPE, F. I. Avanços nas regras do
comércio internacional
ternacional podem criar oportunidades para a cadeia da mandioca. CEPEA –
ESALQ/USP. Piracicaba (SP), 2007. Disponível em
em:
http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/artigo
http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/artigo-mandioca.pdf. Acesso em: 4 nov.
nov 2010.

CEPEA – ESALQ (USP). Análise Econômica Mensal sobre


obre o Setor de Mandioca e
Derivados no Brasil. Julho/2010
/2010. Disponível em:
http://www.cepea.esalq.usp.br/mandioca/analises_mensais/2010/07Jul.pdf
http://www.cepea.esalq.usp.br/m andioca/analises_mensais/2010/07Jul.pdf. Acesso em: 4
nov. 2010.

Embrapa. O Aproveitamento Sustentável da Rama da Mandioca e da Manipuera.


http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/8F3BDF496FDA76978325748700532E16
/$File/NT00038B42.pdf. Acesso em: 3 nov. 2010.

FAO. Agricultural Department. A review of cassava in Latin America and the Caribbean
with countries case studies on Brazil and
an Colombia. Rome (IT), 2007. Disponível em:
http://www.fao.org/docrep/007/y5271e/y5271e07.htm
http://www.fao.org/docrep/007/y5271e/y5271e07.htm.
Acesso em: 28 out. 2010.

FAO. Starch market adds value to cassava. Rome (IT), Oct. 2006. Disponível em:
www.fao.org/ag/magazine/0610sp1.htm Acesso em: 4 nov. 2010
www.fao.org/ag/magazine/0610sp1.htm.

FAOSTAT. Database. Rome (IT), 2010. Preliminary 2009 Data Now Available
For Selected Countries And Products. Disponível em:
http://faostat.fao.org/site/567/DesktopDefault.aspx?PageID=567#ancor Acesso em: 11
http://faostat.fao.org/site/567/DesktopDefault.aspx?PageID=567#ancor.
out. 2010.

GAMEIRO, Augusto H. Mandioca: de alimento básico à matéria-prima


matéria prima industrial.
industr CEPEA –
ESALQ/USP. Piracicaba (SP), s.d. Disponível em:
http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/mandioca_contexto.pdf Acesso em: 29 out. 2010.
http://www.cepea.esalq.usp.br/pdf/mandioca_contexto.pdf.

IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia


G e Estatística). Levantamento Sistemático
da Produção Agrícola.. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa/default.shtm.
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa/default.shtm
Acesso em: 13 out. 2010.

IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


Estatística). Produção Agrícola
Municipal (PAM). Mandioca: Área colhida (ha). Rio de Janeiro, 2010. Disponível em:
em
file:///F:/Mandiocultura/Tabela%201612%20 %20Brasil%20e%20Regiões%20%20-
file:///F:/Mandiocultura/Tabela%201612%20-%20Brasil%20e%20Regiões%20%20
%20Mandioca%20-%20Área%20colhida%20
%20Área%20colhida%20-%20em. Acesso em: 13 out. out 2010.

IBGE (Fundação
ção Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Produção Agrícola
Municipal (PAM). Mandioca: Quantidade produzida (toneladas). Rio de Janeiro, 2010.
Disponível em: file:///F:/Mandiocultura/Tabela%201612%20
file:///F:/Mandiocultura/Tabela%201612%20-
%20Quantidade%20produzida%20
%20Quantidade%20produzida%20-
%20Brasil%20Regi%C3%B5es%20e%20Estados.htm
%20Brasil%20Regi%C3%B5es%20e%20Estados.htm.Acesso em: 13 out.
out 2010.

KOTLER, Philip. Mercadotecnia. Prentice Hall, 1994


PORTER, Michael E. Estratégia competitiva:
competitiva: técnicas para análise de indústrias e da
concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1986.

Expediente

Elaboração: SEBRAE Nacional – Unidade de Acesso a Mercados/Núcleo de Inteligência


Inteligênc
de Mercado
Autor: Silvino Malafaia Junior, consultor do SEBRAE
Revisão: Luciana Pecegueiro Furtado, analista do SEBRAE
Contato: estudosdemercado@sebrae.com.br