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Projeto de implantação dos

pavimentos da rodovia
BR-158/287/RS
[Trecho Urbano de Santa Maria)]

Relatório Técnico
Fevereiro 2014

Soluções de Pavimentação – BR-158/287/RS 1


ÍNDICE

1 – Introdução .................................................................................................... 3
2 – Parâmetros de Projeto .................................................................................. 4
3 – Dimensionamento Estrutural......................................................................... 5
3.1 – Dimensionamento por Modelos Mecanístico-Empíricos ....................................... 5
3.2 – Verificação pelo Guia da AASHTO ...................................................................17
3.3 – Verificação pelo Método do DNIT....................................................................20
3.4 – Verificação por Outros Modelos Mecanísticos ...................................................22

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1 – INTRODUÇÃO

Este relatório apresenta o projeto que foi realizado para os pavimentos novos do Lote
2 da BR-158/287/RS, do km 5+300 ao km 14+703,6. Foram adotadas as seguintes
seções para os pavimentos novos:

- Segmentos 1 e 2 com CBUQ convencional:


CBUQ convencional (Faixa II): 14,5 cm
Base em Brita Graduada (CBR ≥ 100, PM): 17 cm
Sub-Base em material granular est. granul: 30 cm
Subleito Compactado (CBR ≥ 8, PN): 20 cm

- Segmentos 1 e 2 com CBUQ polimérico:


CBUQ polimérico (Faixa II): 10 cm
Base em Brita Graduada (CBR ≥ 100, PM): 17 cm
Sub-Base em material granular est. granul: 29 cm
Subleito Compactado (CBR ≥ 8, PN): 20 cm

- Segmentos 3, 4 e 5 com CBUQ convencional:


CBUQ convencional (Faixa II): 14 cm
Base em Brita Graduada (CBR ≥ 100, PM): 15 cm
Sub-Base em material granular est. granul: 27 cm
Subleito Compactado (CBR ≥ 8, PN): 20 cm

- Segmentos 3, 4 e 5 com CBUQ polimérico:


CBUQ polimérico (Faixa II): 9 cm
Base em Brita Graduada (CBR ≥ 100, PM): 15 cm
Sub-Base em material granular est. granul: 29 cm
Subleito Compactado (CBR ≥ 8, PN): 20 cm

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2 – PARÂMETROS DE PROJETO

De acordo com os dados do projeto básico, a preparação do subleito, em 60 cm,


envolverá solo de empréstimo com CBR ≥ 8. O tráfego de projeto pode ser expresso
por:

- Segmentos 1 e 2:
NP (USACE) = 9,0 × 107 NP (AASHTO) = 2,4 × 107
- Segmentos 3, 4 e 5:
NP (USACE) = 5,0 × 107 NP (AASHTO) = 1,6 × 107

As seções de pavimento serão geradas levando em consideração duas premissas:

(a) Construção da camada de sub-base em material granular com CBR ≥ 30;


(b) Utilização de CBUQ convencional nas camadas de capa e binder do
revestimento, junto com alternativa envolvendo uso de CBUQ polimérico em
ambas as camadas. A concepção adotada no projeto básico, onde o CBUQ
polimérico foi inserido na capa e o CBUQ convencional foi aplicado ao binder,
é ineficiente, na medida em que o trincamento por fadiga em um pavimento
flexível tem início na fibra inferior do revestimento, ou seja, na camada de
binder, local onde o uso de CBUQ polimérico será mais oportuno, dada sua
maior resistência à fadiga. Da mesma forma, o pequeno porte desta obra não
justifica a mobilização de usinas para a produção de materiais tão distintos
quanto o CBUQ convencional e o CBUQ polimérico, de modo que um mesmo
ligante será adotado em todo o revestimento.

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3 – DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL

3.1 – DIMENSIONAMENTO POR MODELOS MECANÍSTICO-EMPÍRICOS

Para efeito de dimensionamento da estrutura de pavimento levando em


consideração os mecanismos de deterioração de natureza estrutural (trincamento por
fadiga das camadas asfálticas e acúmulo de deformações plásticas sob cargas
repetidas), foi utilizado o modelo de previsão de desempenho mecanístico-empírico
que se encontra no programa Pavesys10, com os seguintes parâmetros:

- Módulo de resiliência das camadas granulares:

M R = 152θ 0, 631ε −0,319

onde MR é dado em kgf/cm2, θ = σ1 + σ2 + σ3 é a soma das tensões principais


(tensão de confinamento total) e ε é a deformação axial resiliente sofrida pelo
corpo-de-prova sob a tensão cíclica aplicada. Ensaios triaxiais de cargas
repetidas, realizados no material, mostram que se pode esperar valores de MR
maiores que 1500 kgf/cm2 para o nível de tensões e deformações usual na
camada de base, confirmando a aplicabilidade do modelo de resiliência não
linear adotado. O coeficiente K1 = 152 se refere a CBR = 100, sendo dado em
geral por: K1 = 152 × (CBR/100).

- Misturas asfálticas do tipo CBUQ convencional:


Capa:
Tipo de ligante: CAP 50/70
Volume de vazios de ar = 3,0 a 4,0%
Teor de asfalto em peso = 4,7 a 5,7%
Granulometria dos agregados: Faixa C

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Binder:
Tipo de ligante: CAP 50;70
Volume de vazios de ar = 3,5 a 5,0%
Teor de asfalto em peso = 4,3 a 5,0%
Granulometria dos agregados: Faixa B

- Misturas asfálticas do tipo CBUQ polimérico:


Capa:
Tipo de ligante: 60/85-E ou 65/90-E em DNIT 129/2011-EM
Volume de vazios de ar = 3,0 a 4,0%
Teor de asfalto em peso = 5,2 a 6,5%
Granulometria dos agregados: Faixa C
Binder:
Tipo de ligante: 60/85-E ou 65/90-E em DNIT 129/2011-EM
Volume de vazios de ar = 3,5 a 5,0%
Teor de asfalto em peso = 5,0 a 6,0%
Granulometria dos agregados: Faixa B

- Temperaturas médias mensais do ar ao longo do ano:

JAN = 19,6 0C JUL = 12,8 0C


FEV = 19,9 0C AGO = 15,0 0C
MAR = 19,8 0C SET = 15,0 0C
ABR = 16,7 0C OUT = 16,5 0C
MAI = 14,6 0C NOV = 18,2 0C
JUN = 12,2 0C DEZ = 19,3 0C

- Velocidade média dos veículos comerciais: 50 km/h.

A Figura 3.1 mostra a tela do programa Pavesys10 onde são indicadas as


considerações de projeto feitas para os materiais das camadas do pavimento. Os
critérios terminais de desempenho considerados foram:

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Índice de Serventia: PSI ≥ 2,5 (equivalente a IGG ≤ 60)
Afundamentos em trilha de roda: ATR ≤ 10 mm
Percentagem de área trincada: TR ≤ 20%
Irregularidade longitudinal: QI ≤ 45 cont/km

As figuras mostram também o valor médio anual previsto para a deflexão


dinâmica do pavimento sob a carga do eixo-padrão de 8,2 tf (D0) e a sua
comparação com uma série de critérios de deflexões admissíveis, que são atendidos
para períodos de 10 anos. A seção de pavimento selecionada atende aos critérios
relativos a deformações plásticas e a vida de fadiga do revestimento asfáltico para
um período de 10 anos.

Na Figura 3.1 estão indicadas a formulação e as propriedades mecânicas do CBUQ


polimérico a ser adotado. Os estudos experimentais em laboratório mostram que a
incorporação de polímeros como o SBS aos asfaltos de pavimentação possibilita o
incremento da vida de fadiga do revestimento asfáltico em fatores da ordem de duas
vezes, o que implica em uma equivalência estrutural que pode ser expressa, a favor
da segurança, nos seguintes termos: 1 cm de CBUQ convencional corresponde a 0,65
cm de CBUQ polimérico, quando é utilizado ao menos 4% de SBS em peso total do
ligante. De fato, para 4% de SBS, resulta:

• Ângulo de fase do CBUQ com ligante modificado = 0,85 do CBUQ


convencional;
• Módulo dinâmico do CBUQ com ligante modificado = 1,1 do CBUQ
convencional;
• Energia de ligação do CBUQ com ligante modificado = 1,25 do CBUQ
convencional;
• Expoente n da lei de fadiga do CBUQ com ligante modificado = 1,2 do CBUQ
convencional.

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No caso de 5% de SBS, os efeitos são ainda mais pronunciados, sendo expressos
por:

• Ângulo de fase do CBUQ com ligante modificado = 0,70 do CBUQ convencional;


• Módulo dinâmico do CBUQ com ligante modificado = 2 × do CBUQ convencional;
• Energia de ligação do CBUQ com ligante modificado = 1,4 do CBUQ convencional;
• Expoente n da lei de fadiga do CBUQ com ligante modificado = 1,3 do CBUQ
convencional.

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Figura 3.1 – Segmentos 1 e 2 com CBUQ convencional (D0 = 31 × 10-2 mm)

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Figura 3.2 – Desempenho previsto para o pavimento da Figura 3.1

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Figura 3.3 – Segmentos 3, 4 e 5 com CBUQ convencional (D0 = 32 × 10-2 mm)

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Figura 3.4 – Desempenho previsto para o pavimento da Figura 3.3

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Figura 3.5 – Segmentos 1 e 2 com CBUQ polimérico (D0 = 38 × 10-2 mm)

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Figura 3.6 – Desempenho previsto para o pavimento da Figura 3.5

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Figura 3.7 – Segmentos 3, 4 e 5 com CBUQ polimérico (D0 = 41 × 10-2 mm)

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Figura 3.8 – Desempenho previsto para o pavimento da Figura 3.7

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3.2 – VERIFICAÇÃO PELO GUIA DA AASHTO

As Tabelas 3.1 à 3.4 mostram que as seções de pavimento dimensionadas estão


adequadas conforme o Guia da AASHTO. Para o coeficiente estrutural do CBUQ
polimérico foi utilizada a equivalência empírica de 1 cm de CBUQ convencional para
0,65 cm de CBUQ polimérico. Estas tabelas mostram a relação Rel = W18/NP entre o
tráfego resistente e o tráfego de projeto em cada uma das camadas do pavimento,
onde se pode observar que se tem Rel ≥ 1 em todas elas.
O coeficiente estrutural a1 = 0,68 do revestimento asfáltico se refere ao CBUQ
polimérico, tendo em vista a equivalência de 1 cm para 0,65 cm entre este material e
o CBUQ convencional (desta forma: a1 = 0,44 / 0,65 = 0,68). Os módulos de
resiliência das camadas de base e de sub-base, utilizados nas Tabelas 3.1 à 3.4, se
referem aos valores médios esperados em campo para os materiais correspondentes.
O Guia da AASHTO requer o uso dos valores médios esperados, uma vez que o fator
de segurança para lidar com a variabilidade construtiva e com as incertezas
associadas ao estudo de tráfego está concentrado no fator 10^(ZRS0), aplicado ao
cálculo do tráfego resistente W18. Esta é a razão pela qual estes módulos são maiores
que os utilizados no modelo mecanístico-empírico Pavesys10 (Figuras 3.1, 3.3, 3.5 e
3.7), o qual é de caráter determinístico, requerendo, portanto, que se entre com os
valores de projeto para as propriedades mecânicas dos materiais e não com os
valores médios esperados.

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Tabela 3.1 – Verificação pelo Guia da AASHTO para os Segmentos 1 e 2 (CBUQ conv.)
VDMc = 2630 veíc/dia
Fv = 2.500 Nc = 85% ZR = -1.037
Nano = 2.400E+06 S0 = 0.4
PP = 10 anos PSIt = 2.5
MRsl = 800 kgf/cm2 PSI0 = 4.2

Material h_i (cm) a_i


CBUQ 14.5 0.44
Base 17 0.14
Sub-base 30 0.12

Subleito: SN = 4.87 leva a: W18 = 3.351E+07 Rel = 1.396


MR = 800 kgf/cm2

Sub-base: SN = 3.45 leva a: W18 = 33674183 Rel = 1.403


MR = 2084 kgf/cm2

Base: SN = 2.51 leva a: W18 = 25309974 Rel = 1.055


MR = 4203 kgf/cm2

Tabela 3.2 – Verificação pelo Guia da AASHTO para os Segmentos 3 a 5 (CBUQ conv.)
VDMc = 1755 veíc/dia
Fv = 2.500 Nc = 85% ZR = -1.037
Nano = 1.601E+06 S0 = 0.4
PP = 10 anos PSIt = 2.5
MRsl = 800 kgf/cm2 PSI0 = 4.2

Material h_i (cm) a_i


CBUQ 14 0.44
Base 15 0.14
Sub-base 27 0.12

Subleito: SN = 4.53 leva a: W18 = 2.053E+07 Rel = 1.282


MR = 800 kgf/cm2

Sub-base: SN = 3.25 leva a: W18 = 21107300 Rel = 1.318


MR = 1987 kgf/cm2

Base: SN = 2.43 leva a: W18 = 16114551 Rel = 1.006


MR = 3789 kgf/cm2

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Tabela 3.3 – Verificação pelo Guia da AASHTO para os Segmentos 1 e 2 (CBUQ pol.)
VDMc = 2630 veíc/dia
Fv = 2.500 Nc = 85% ZR = -1.037
Nano = 2.400E+06 S0 = 0.4
PP = 10 anos PSIt = 2.5
MRsl = 800 kgf/cm2 PSI0 = 4.2

Material h_i (cm) a_i


CBUQ 10 0.68
Base 17 0.14
Sub-base 29 0.12

Subleito: SN = 4.97 leva a: W18 = 3.892E+07 Rel = 1.622


MR = 800 kgf/cm2

Sub-base: SN = 3.60 leva a: W18 = 42419563 Rel = 1.768


MR = 2052 kgf/cm2

Base: SN = 2.67 leva a: W18 = 34884037 Rel = 1.454


MR = 4139 kgf/cm2

Tabela 3.4 – Verificação pelo Guia da AASHTO para os Segmentos 3 a 5 (CBUQ pol.)
VDMc = 1755 veíc/dia
Fv = 2.500 Nc = 85% ZR = -1.037
Nano = 1.601E+06 S0 = 0.4
PP = 10 anos PSIt = 2.5
MRsl = 800 kgf/cm2 PSI0 = 4.2

Material h_i (cm) a_i


CBUQ 9 0.68
Base 15 0.14
Sub-base 29 0.12

Subleito: SN = 4.60 leva a: W18 = 2.268E+07 Rel = 1.416


MR = 800 kgf/cm2

Sub-base: SN = 3.23 leva a: W18 = 21637003 Rel = 1.351


MR = 2052 kgf/cm2

Base: SN = 2.40 leva a: W18 = 16248650 Rel = 1.015


MR = 3913 kgf/cm2

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3.3 – VERIFICAÇÃO PELO MÉTODO DO DNIT

Para efeito de dimensionamento da estrutura de pavimento, foi utilizado o Método do


DNIT (Tabela 3.5). Nesta tabela aparecem os seguintes parâmetros:

Nano(AASHTO) = número anual de repetições do eixo de 8,2 tf, pelos fatores


de equivalência de cargas da AASHTO
NP(DNER) = tráfego de projeto em termos dos fatores de equivalência de
cargas do Método do DNER (repetições do eixo de 8,2 tf)
FV = fator de veículo
VDMC = volume diário médio na faixa de tráfego crítica de veículos comerciais
(caminhões e ônibus)
PP = período de projeto
CBRP = CBR de projeto do solo de subleito
k1 = coef. estrutural do revestimento asfáltico, de espessura h1
k2 = coef. estrutural da camada de base, de espessura h2
k3 = coef. estrutural da camada de sub-base, de espessura h3
k4 = coef. estrutural do reforço do subleito, de espessura h4
HT = espessura total de pavimento da seção dimensionada, em cm de BGS
HTP = espessura total de pavimento requerida, em cm de Brita Graduada
(BGS)
h1mín = espessura mínima de revestimento asfáltico em CBUQ.

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Tabela 3.5 – Aplicação do Método do DNIT
Local Nano Fv VDMc CBRp PP Fv(D)/Fv(A) Np (DNER) HTp h1mín
(AASHTO) (AASHTO) (anos) (cm) (cm)
Segmentos 1 e 2 (CBUQ polimérico) 2.400E+06 2.500 2630.0 8 10 3.750 9.000E+07 56.8 8.125
Análise da sub-base 2.400E+06 2.500 2630.0 29 10 3.750 9.000E+07 14.2 8.125
Segmentos 3, 4 e 5 (CBUQ polimérico) 1.601E+06 2.500 1755.0 8 10 3.125 5.004E+07 55.4 8.125
Análise da sub-base 2.400E+06 2.500 2630.0 29 10 3.750 9.000E+07 14.2 8.125
Segmentos 1 e 2 (CBUQ convencional) 2.400E+06 2.500 2630.0 8 10 3.750 9.000E+07 56.8 12.5
Análise da sub-base 2.400E+06 2.500 2630.0 29 10 3.750 9.000E+07 14.2 12.5
Segmentos 3, 4 e 5 (CBUQ convencional) 1.601E+06 2.500 1755.0 8 10 3.125 5.004E+07 55.4 12.5
Análise da sub-base 2.400E+06 2.500 2630.0 29 10 3.750 9.000E+07 14.2 12.5
mín
Local h1 h2 h3 h4 k1 k2 k3 k4 HT HT – HTP h1 – h1
(cm) (cm) (cm) (cm) (cm) (cm) (cm)
Segmentos 1 e 2 (CBUQ polimérico) 10 17 19 10 3.1 1.0 1.0 1.0 76.8 19.9 1.9
Análise da sub-base 10 17 0 0 3.1 1.0 1.0 1.0 47.8 33.6 1.9
Segmentos 3, 4 e 5 (CBUQ polimérico) 9 15 19 10 2.0 1.0 1.0 1.0 62.0 6.6 0.9
Análise da sub-base 9 15 0 0 3.1 1.0 1.0 1.0 42.7 28.5 0.9
Segmentos 1 e 2 (CBUQ convencional) 14.5 17 20 10 2.0 1.0 1.0 1.0 76.0 19.2 2.0
Análise da sub-base 14.5 17 0 0 3.1 1.0 1.0 1.0 61.6 47.5 2.0
Segmentos 3, 4 e 5 (CBUQ convencional) 14 15 17 10 2.0 1.0 1.0 1.0 70.0 14.6 1.5
Análise da sub-base 14 15 0 0 3.1 1.0 1.0 1.0 58.1 43.9 1.5

As indicações de espessura mínima de revestimento asfáltico na Tabela 3.5 (h1mín) foram feitas aplicando-se o fator de
equivalência 0,65 para a conversão de CBUQ convencional para CBUQ polimérico para as seções que utilizaram este material, uma vez
que o Método do DNIT apresenta estas espessuras apenas para o caso de CBUQ convencional.

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3.4 – VERIFICAÇÃO POR OUTROS MODELOS MECANÍSTICOS

São aplicados a seguir alguns modelos mecanísticos complementares, para efeito de


previsão da vida de fadiga do revestimento asfáltico e de verificação da garantia de
capacidade de suporte da seção de pavimento contra deformações plásticas
excessivas durante o período de projeto.
O parâmetro de resposta às cargas do tráfego mais crítico a ser verificado
para um revestimento em CBUQ é a deformação máxima de tração na camada,
tendo em vista a sua durabilidade em termos de trincamento por fadiga sob a ação
repetida das cargas do tráfego. O modelo mecanístico-empírico do Instituto do
Asfalto dos EUA requer o cálculo do módulo dinâmico da mistura asfáltica, tanto para
o cálculo da deformação de tração máxima atuante como para a aplicação da sua lei
de fadiga. O módulo dinâmico do CBUQ foi calculado, para um dos 12 meses do ano,
pela fórmula do "The Asphalt Institute's Thickness Design Manual" (MS-1 de1982):

P200
log E * = 5.553833 + 0.028829 − 0.03476VV + 0.070377η 70o F ,106 +
f 0.17033

Pac0.5
0.000005t (p1.3+ 0.49825 log f ) Pac0.5 − 0.00189t (p1.3+ 0.49825 log f ) + 0.931757 f − 0.02774

f 1.1

onde:
|E*| = módulo dinâmico, em psi;
P200 = fração dos agregados que passa na peneira #200 (%);
f = freqüência do carregamento (Hz);
VV = volume de vazios de ar (%);
η70F,106 = viscosidade absoluta do asfalto a 70oF, em poises × 106;
Pac = teor de asfalto (% em peso da mistura);
tP = temperatura (oF).

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Conforme sugerido pelo próprio MS-1, o parâmetro η70F pode ser estimado por:

η 70 F = 29508,2 Pen77−2F,1939

onde η70F é a viscosidade a 70oF em milhões de poises e Pen77F é a penetração do


asfalto a 770F (250C).
A vida de fadiga do CBUQ pode ser determinada pelo seguinte modelo do “The
Asphalt Institute” (MS-1, 1981):

0 ,854
1
3, 29
 1 
N f = C × 18,4( 4,32 × 10 ) 
−3
 *
εt  E 

C = 10 M

 Vb 
M = 4,84 − 0,69 
VV + Vb 

para que se atinja uma percentagem de área trincada mínima de 20% com 84% de
confiabilidade, onde:

Vb = volume de asfalto (%);


VV = volume de vazios de ar (%);
E* = módulo dinâmico do CBUQ, em psi;
Fator de Calibração = 18,4

As deformações plásticas nos solos de subleito e de reforço do subleito são


controladas limitando-se a deformação vertical de compressão máxima no topo da
camada (εv) ao valor dado pelo seguinte critério da Shell, para 85% de
confiabilidade:

4, 0
1
−7 
N V = 1,94 × 10  
εv 

Estes modelos serão aplicados às solicitações críticas na estrutura resultantes


da aplicação da carga do eixo simples de rodas duplas de 8,2 tf. Será utilizado o

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programa FLAPS, pesquisando-se as solicitações mais críticas dentre aquelas que
ocorrem sob uma das rodas do eixo (x = 15 cm e y = 0) e entre as duas rodas do
semi-eixo (coordenadas x = y = 0).
Para as camadas granulares, foram adotados módulos de resiliência abaixo
daqueles previstos pela fórmula da Shell (E2 = E3 × 0,2 × h20,45), para efeito de uma
análise a favor da segurança.
Os resultados da aplicação dos critérios mecanísticos indicados aparecem nas
tabelas a seguir, onde se pode observar, na linha de baixo, que a vida de serviço (VS)
prevista é compatível com o período de projeto, indicando que a seção de pavimento
proposta está adequada. Para cada mês do ano, a tabela mostra a temperatura
média da camada asfáltica, o seu módulo dinâmico correspondente, as deformações
de tração no CBUQ (εt) e de compressão no subleito (εv) e os consumos mensais
associados ao modelo de fadiga do Instituto do Asfalto (Cf T.A.I.) e ao modelo de
deformações permanentes da Shell (CSL Shell).

Tabela 3.6 – Análise da seção para os Segmentos 1 e 2, com CBUQ convencional


T_CBUQ E_CBUQ εt (CBUQ) εv (Subleito) Cf (T.A.I.) Csl (Shell)
Mês (0C) (kgf/cm2)
1 27 58473 1.04E-04 1.66E-04 1.04E-02 2.97E-03
2 27.4 56590 1.06E-04 1.68E-04 1.06E-02 3.05E-03
3 27.3 57212 1.05E-04 1.67E-04 1.05E-02 3.01E-03
4 23 79028 8.89E-05 1.56E-04 7.96E-03 2.28E-03
5 20.1 96615 7.95E-05 1.49E-04 6.53E-03 1.89E-03
6 16.7 119420 7.03E-05 1.41E-04 5.22E-03 1.52E-03
7 17.6 113459 7.24E-05 1.43E-04 5.52E-03 1.60E-03
8 20.6 93091 8.12E-05 1.50E-04 6.78E-03 0.001956
9 20.6 93091 8.12E-05 1.50E-04 6.78E-03 0.001956
10 22.7 80605 8.79E-05 1.55E-04 7.81E-03 2.24E-03
11 25.1 67858 9.64E-05 1.61E-04 9.14E-03 2.61E-03
12 26.6 60401 1.02E-04 1.65E-04 1.01E-02 2.88E-03
Vs (anos) = 10.2 35.7

Soluções de Pavimentação – BR-158/287/RS 24


Tabela 3.7 – Análise da seção para os Segmentos 3 a 5, com CBUQ convencional
T_CBUQ E_CBUQ εt (CBUQ) εv (Subleito) Cf (T.A.I.) Csl (Shell)
Mês (0C) (kgf/cm2)
1 27.1 58632 1.14E-04 1.92E-04 9.21E-03 2.89E-03
2 27.5 56747 1.16E-04 1.93E-04 9.47E-03 2.98E-03
3 27.4 57371 1.15E-04 1.92E-04 9.38E-03 2.95E-03
4 23 79201 9.66E-05 1.79E-04 6.99E-03 2.18E-03
5 20.1 96787 8.62E-05 1.70E-04 5.70E-03 1.78E-03
6 16.8 119573 7.61E-05 1.60E-04 4.53E-03 1.41E-03
7 17.6 113619 7.84E-05 1.62E-04 4.79E-03 1.49E-03
8 20.7 93264 8.81E-05 1.71E-04 5.93E-03 1.85E-03
9 20.7 93264 8.81E-05 1.71E-04 5.93E-03 1.85E-03
10 22.8 80778 9.56E-05 1.78E-04 6.86E-03 2.14E-03
11 25.1 68026 1.05E-04 1.85E-04 8.07E-03 2.52E-03
12 26.7 60562 1.12E-04 1.90E-04 8.96E-03 2.81E-03
Vs (anos) = 11.6 37.2

Tabela 3.8 – Análise da seção para os Segmentos 1 e 2, com CBUQ polimérico


T_CBUQ E_CBUQ εt (CBUQ) εv (Subleito) Cf (T.A.I.) Csl (Shell)
Mês (0C) (kgf/cm2)
1 27.5 66492 1.38E-04 2.16E-04 9.69E-03 8.49E-03
2 27.9 64391 1.40E-04 2.18E-04 9.89E-03 8.66E-03
3 27.8 65086 1.39E-04 2.17E-04 9.83E-03 8.60E-03
4 23.5 89312 1.20E-04 2.07E-04 7.84E-03 7.07E-03
5 20.6 108681 1.09E-04 2.00E-04 6.67E-03 6.17E-03
6 17.2 133604 9.73E-05 1.92E-04 5.54E-03 5.29E-03
7 18.1 127109 9.99E-05 1.94E-04 5.81E-03 5.52E-03
8 21.1 104810 1.11E-04 2.01E-04 6.88E-03 6.34E-03
9 21.1 104810 1.11E-04 2.01E-04 6.88E-03 6.34E-03
10 23.2 91054 1.19E-04 2.06E-04 7.72E-03 6.99E-03
11 25.6 76938 1.29E-04 2.12E-04 8.77E-03 7.79E-03
12 27.1 68642 1.36E-04 2.15E-04 9.49E-03 8.32E-03
Vs (anos) = 10.5 11.6

Soluções de Pavimentação – BR-158/287/RS 25


Tabela 3.9 – Análise da seção para os Segmentos 3 a 5, com CBUQ polimérico
T_CBUQ E_CBUQ εt (CBUQ) εv (Subleito) Cf (T.A.I.) Csl (Shell)
Mês (0C) (kgf/cm2)
1 27.6 67204 1.52E-04 2.43E-04 9.80E-03 7.48E-03
2 28 65092 1.54E-04 2.44E-04 9.99E-03 7.61E-03
3 27.9 65791 1.54E-04 2.44E-04 9.92E-03 7.57E-03
4 23.6 90097 1.33E-04 2.33E-04 8.07E-03 6.33E-03
5 20.7 109483 1.21E-04 2.26E-04 6.96E-03 5.59E-03
6 17.3 134375 1.09E-04 2.18E-04 5.85E-03 4.84E-03
7 18.2 127894 1.12E-04 2.20E-04 6.11E-03 5.02E-03
8 21.2 105612 1.23E-04 2.27E-04 7.16E-03 5.71E-03
9 21.2 105612 1.23E-04 2.27E-04 7.16E-03 5.71E-03
10 23.3 91842 1.32E-04 2.32E-04 7.96E-03 6.24E-03
11 25.7 77691 1.43E-04 2.38E-04 8.95E-03 0.006899
12 27.2 69363 1.50E-04 2.42E-04 9.61E-03 7.35E-03
Vs (anos) = 10.3 13

Soluções de Pavimentação – BR-158/287/RS 26