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Vanessa Guerini Scopel | Percepção do ambiente e a influência das decisões arquitetônicas em espaços de trabalho

Percepção do ambiente e a influência das


decisões arquitetônicas em espaços
de trabalho
Perception of the environment and the influence of architectural
decisions in workspaces
Vanessa Guerini Scopel*

Resumo Abstract

Este artigo é uma reflexão acerca da importância This article is a reflection about the importance
das decisões arquitetônicas, quais os elementos of the architectural decisions, which the elements
da arquitetura que devem ser considerados em of architecture that should be considered in an
um projeto de interiores e como eles podem in- interior project and how they can influence the
fluenciar os espaços de trabalho para que o am- workspaces so that the environment contributes
*Graduada em Arquitetura biente contribua para o bem-estar de seus usu- to the welfare of its members, may pass through
e Urbanismo. Universidade ários, podendo transmitir através das decisões the project decisions the desired sensations into
Comunitária da Região de projetuais as sensações desejadas para o espa- space. The goal is to list these key elements, ob-
Chapecó - UNOCHAPECÓ, ço. O objetivo é elencar esses elementos princi- jectively exemplifying the precautions to be taken
conclusão em 2011. Pós- pais, exemplificando objetivamente os cuidados in the design phase, so as to produce more wel-
-Graduada em Arquitetura a serem tomados na fase de projeto, para assim coming spaces, wholesome and stimulating for
de Interiores. Universidade produzir espaços mais acolhedores, salubres e workers.
de Passo Fundo, conclusão estimulantes para os trabalhadores.
em Maio de 2014. Sócia pro- Keywords: Espaços de trabalho. Elementos da Ar-
prietária do escritório IDEA Palavras-chave: Espaços de trabalho. Elementos quitetura. Projeto de interiores.
Studio de Arquitetura. da Arquitetura. Projeto de interiores.

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INTRODUÇÃO

Atualmente, devido à evolução constante das seu usuário um melhor conforto físico e psicoló-
tecnologias e ao ritmo sempre mais acelerado gico ao usar e permanecer no ambiente.
de atividades, os ambientes de trabalho passam
a ser uma segunda casa. “Considerando-se o Sendo assim, ao formular e projetar espaços de
tempo gasto no deslocamento entre casa e tra- trabalho é cada vez mais relevante refletir sobre
balho, além da própria jornada laboral, parte ex- alguns principais elementos arquitetônicos, vis-
pressiva dos trabalhadores chega a passar mais to que essas escolhas têm funções objetivas a
de 10 horas por dia fora de casa”. (SOARES cumprir, conforme o tipo de ambiente e ativida-
e SABÓIA, 2007, p. 21) A globalização cobra des realizadas nele.
cada vez mais produção, ideias e rendimento.
Por conta disso, os espaços de trabalho come- O cotidiano da Arquitetura e, em especial, o
çam a ser pensados de uma maneira diferente, de Design de Interiores, envolve um incan-
aproximando o ambiente físico das sensações sável aprendizado de relacionar as pessoas
e percepções humanas, tendo o usuário traba- ao meio, ou seja, o estabelecimento de uma
lhador como foco principal do projeto. Segundo interligação direta entre os princípios concei-
Mezzomo (2003), “a humanização é entendida tuais do espaço projetado (o que é, qual sua
como valor, na medida em que resgata o res- função e a quem se destina), as condições
peito à vida humana. Abrange circunstâncias plásticas (estéticas) e de conforto, necessá-
sociais, éticas, educacionais e psíquicas pre- rias ao homem para sua permanência no lu-
sentes em todo relacionamento humano...”. A gar. (TAVARES, 2007, p.1)
humanização destes espaços busca permitir ao

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As decisões arquitetônicas relacionadas a alguns mico e acústico, que, se bem aplicados nos es-
elementos principais a serem considerados em paços de trabalho, conseguem torná-lo funcio-
um projeto, além de contribuírem para o confor- nal, confortável e ao mesmo tempo interessante,
to e o rendimento do trabalho nestes locais, são estimulante e prazeroso de estar e permanecer.
também uma maneira de representar os objetivos Para Pugliesi e Wac (1989) “o trabalhador satis-
e a visão das empresas, possibilitando que o tra- feito produz mais e melhor, tornando-se amigo e
balhador se sinta parte de determinado espaço, propagandista da firma, contribuindo para redu-
pensado especialmente para que ele possa de- ção de custos e eliminação de acidentes”.
senvolver de modo mais prazeroso sua função.
Desse modo, compreender a importância de Este artigo terá como base em livros, disserta-
aspectos ambientais nestes locais torna-se um ções e artigo existentes que tratam sobre a per-
ponto determinante para a melhora da produtivi- cepção do espaço, arquitetura corporativa e ele-
dade, bem-estar e saúde dos trabalhadores. Para mentos que influenciam nos ambientes.
Ittelson; Proshansky; Rivlin & Winker (1974) o am-
biente físico precisa: PERCEPÇÃO DO AMBIENTE

(...) ser estudado junto com sua dimensão social, Segundo Horevicz (2006) “o ser humano está o
condição inalienável das inter-relações pessoa- tempo todo inserido num espaço onde desenvol-
-ambiente. E ainda, os aspectos funcionais dos ve suas ações, seja ele um espaço destinado ao
ambientes devem ser considerados ao lado de trabalho, ao lazer ou ao descanso.” O ambiente
seus atributos simbólicos, como na compara- em si e os elementos que o compõem, formam
ção que aqueles autores fazem entre um tro- um conjunto inseparável que interfere diretamen-
no e um banquinho, pois ambos servem para te nas pessoas que nele estão inseridas. “Consi-
sentar, mas as pessoas se comportam muito derando esta relação homem-espaço, o edifício
diferentemente em relação a cada um deles e construído deixa de ser encarado a partir das
a seus ocupantes. (ITTELSON; PROSHANSKY; suas características físicas e passa a ser avaliado
RIVLIN E WINKER, 1974, p. 45) e discutido enquanto espaço sujeito à ocupação,
leitura e reinterpretação.” (ELALI,1997, p.16).
Percebendo o quanto a boa arquitetura pode in-
fluenciar na vida das pessoas, gerando percep- Os espaços são concebidos para atender às
ções e sensações, este artigo tem o intuito de necessidades do sujeito, ou é o sujeito que é
tratar sobre a importância de alguns elementos, reinventado a partir da forma e das regras de
como: cor, ergonomia, iluminação, conforto tér- comportamento pretendidas por aquele espa-

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ço, em seu discurso disciplinador? O discurso É muito importante entender como os usuários
do espaço é uma força que replica muitas vezes de determinado espaço percebem o local e o que
sujeitos expostos ao poder e à persuasão da- sentem quando permanecem nele para assim
quele espaço. (RITTER, 2012, p.2) poder compreender de que modo este ambien-
te influencia no comportamento e nas sensações
As atividades humanas, e principalmente o trabalho, dessas pessoas. A autora Bins Ely (2003) afirma
sofrem a influência de três aspectos, que são: físico, que a influência do ambiente construído no com-
cognitivo e psíquico. Para Bins Ely (2003, p.67) “[...] portamento está relacionada tanto às exigências
Quando um ambiente físico responde às necessida- da tarefa a ser realizada no ambiente, como às
des dos usuários tanto em termos funcionais (físicos características e necessidades do usuário. Ela
/ cognitivos) quanto formais (psicológicos), certa- ainda acrescenta que:
mente terá um impacto positivo na realização das
atividades.” A combinação adequada desses fatores Toda atividade humana exige um determinado
permite projetar ambientes seguros, confortáveis e ambiente físico para sua realização. Portanto
eficientes. As decisões arquitetônicas de cada espa- se considerarmos tanto a diversidade de ativi-
ço podem influenciar diretamente ou indiretamente o dades quanto a diversidade humana – diferen-
trabalhador, gerando diversas sensações. Segundo ças nas habilidades, por exemplo – podemos
Cabral (1974), “todo o ambiente deve se adequar às entender que as características do ambiente
necessidades do homem, pois um ambiente confor- podem dificultar ou facilitar a realização das ati-
tável facilita o trabalho, gera maior produtividade e vidades. (BINS ELY, 2003, p. 32)
minimiza acidentes.” Os seres humanos recebem
estímulos do ambiente e inconscientemente esses Algumas empresas já atentam para a necessida-
estímulos geram sensações. de de maior conforto e vêm demonstrando maior
responsabilidade social, por meio da humani-
Temos a sensação do ambiente pelos estímu- zação dos espaços. Segundo Grunspan (2005)
los desse meio, sem ter a consciência disso. “percebe-se a crescente preocupação com o
Pela mente seletiva, diante do bombardeio de bem-estar dos funcionários, pois esse fator está
estímulos, são selecionados os aspectos de diretamente ligado ao aumento de lucro e à maior
interesse ou que tenham chamado à atenção, competitividade para as organizações”.
e só aí é que ocorre a percepção (imagem) e
a consciência (pensamento, sentimento), resul- Percebendo a relevância de compor espaços de
tando em uma resposta que conduz a um com- trabalho adequados que promovam o bem-estar
portamento. (OKAMOTO, 2002, p. 73) e satisfação dos trabalhadores juntamente com

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o aumento da produtividade, podemos destacar iniciado há mais de 150 ou 200 mil anos, quando
alguns aspectos que podem contribuir para ade- o homem da idade do gelo sepultava os mortos
quação dos ambientes de trabalho de modo a nos ritos da cor vermelha e pintava os ossos da
melhorá-los e permitir o perfeito desenvolvimen- mesma cor. Segundo Farina (1990), a aplicação
to de tarefas e atividades. da cor começou a ser usada pela humanidade
com maior intensidade há mais ou menos cem
Soluções criativas, técnica e esteticamente anos. Antes do século XIX os corantes e pigmen-
atraentes, proporcionando qualidade de vida tos conhecidos eram poucos e muito reduzidos.
e cultura para os usuários fazem parte do tra- Apenas as pessoas com mais recursos financei-
balho de arquitetos e designers de interiores, ros podiam usá-los.
considerando-se questões associadas à saúde,
conforto, segurança, durabilidade dos materiais A cor sempre esteve presente, desde os tempos
e necessidades especiais dos clientes (ASSO- mais remotos. No seu início com poucos tons,
CIAÇÃO BRASILEIRA DE DESIGN, 2012). sendo utilizado o preto do carvão, os marrons e
amarelos da terra e o vermelho do sangue, que
COR ajudavam nas representações e ritos dos povos.
Aos poucos as variações foram se desenvol-
A cor é um fator que está relacionado diretamen- vendo e novas cores surgindo juntamente com
te à luz. Sua definição a partir da física é: “Im- a evolução da humanidade. Conforme Farina
pressão variável que a luz refletida pelos corpos (1990, p. 49), “a cor exerce uma ação tríplice: a
produz no órgão da vista.” (Dicionário Michaelis). de impressionar, a de expressar e a de construir”.
Segundo Pedrosa (1999), a cor não tem existên-
cia material, ela é apenas uma sensação produzi- “Desde a antiguidade, cientistas, filósofos, artis-
da por certas organizações nervosas sob a ação tas e estudiosos da arte, defendem que a cor tem
da luz, mais precisamente, é a sensação provo- um forte poder de influência no comportamento
cada pela ação da luz sobre o órgão da visão. dos seres humanos.” (GOLDING, 1977, p. 27). A
A partir dessas definições entende-se que a cor cor apresenta aspectos estéticos e psicológicos
está condicionada a luz, que age como estímulo, que mostram a importância que a mesma tem na
e ao olho humano, que recebe este estímulo e vida das pessoas. Kwallek (1999), diz que se a cor
transforma-o em cor. for corretamente aplicada, interage positivamente,
se for inadequada pode provocar cansaço visual,
A cor é utilizada desde muito tempo atrás, para desconforto e estimular o estresse, dentre outras
Goldmann (1966), o emprego da cor pode ter sido possíveis consequências. É notório que o uso das

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cores pode afetar questões psicológicas, senso- almente. Quando bem coordenadas, proporcio-
riais e de comportamento das pessoas. nam mais segurança e maiores estímulos e sa-
tisfação no desenvolvimento das atividades nos
Compreendendo isso, aos poucos o estudo sobre ambientes de trabalho.
a aplicação das cores em ambientes de trabalho
foi se desenvolvendo. Para Morton (2000), várias Um planejamento adequado do uso de cores
experiências realizadas por indústrias que dedi- no ambiente de trabalho, aplicando-se cores
cam uma atenção especial na elaboração do pla- claras em grandes superfícies, com contrastes
no cromático para suas instalações, demonstram adequados para identificar os diversos obje-
que o uso adequado de cores no local de trabalho tos, associado a um planejamento adequado
contribui de forma inequívoca para a segurança, a de iluminação, tem resultado em economia de
eficiência e o bem estar dos trabalhadores. até 30% no consumo de energia e aumentos de
produtividade que chegam a 80 ou 90%. (IIDA,
Nathans (2001), diz que a força psicológica das 1992, p. 19)
cores está relacionada com formas geométricas
e símbolos e estão associadas aos sucessos, Para Goldmann (1966), a cor é também dimen-
tradições, honras, bandeiras e celebrações. Diz são, porque aumenta ou diminui aparentemen-
também que, as cores são hoje uma das carac- te as dimensões de um ambiente, afastando ou
terísticas básicas de nossa vida e não podem ser aproximando objetos. Com o uso da cor as dis-
analisadas apenas pela mera sensação visual, tâncias visuais podem se tornar relativas, como
mas sim como influência psicológica. por exemplo: tons claros nas paredes dão a im-
pressão de um ambiente mais amplo, já tetos es-
A reação dos indivíduos às cores se manifes- curos parecem mais baixos. (Figura 1 e 2)
ta de forma particular e subjetiva, relacionada
a vários fatores. Elas são estímulos psicológi- Cada cor representa sensações diferentes, e
cos que influenciam no fato de gostar ou não deve ser usada conforme o objetivo e a ativida-
de algo, negar ou afirmar, se abster ou agir. As de do ambiente. Para espaços de trabalho a cor
sensações sobre as cores se baseiam em as- branca torna o local mais tranquilo, espaçoso,
sociações ou experiências agradáveis ou desa- limpo e moderno, porém deve ser usada com
gradáveis. (ROVERI, 1996, p.17) outras cores para que não pareça monótono. O
preto deve ser utilizado apenas em detalhes, pois
Em nenhum outro momento a aplicação das é uma cor pesada que sinaliza sensações de iso-
cores foi considerada tão relevante como atu- lamento e introspecção. O roxo deve ser utilizado

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Figura 1.Cores escuras nas paredes laterais dão a impressão Figura 2. Cores claras nas paredes laterais dão a impressão
de um corredor estreito e profundo. Fonte: www.territorioca- de um corredor mais largo e curto. Fonte: www.territoriocasa.
sa.com, modificado por Vanessa Scopel com, modificado por Vanessa Scopel

em apenas uma parede, ele amplia a criatividade usado em pequena quantidade, fornece calor e
e faz com que os níveis de ansiedade diminuam, energia. O uso dessa cor em exagero pode dar
estimula a intuição e espiritualidade. a impressão de espaços tensos e hostis e esti-
mular reações agressivas e irritantes. O laranja é
O azul transmite serenidade e calma, serve para uma cor quente e aconchegante, transmite segu-
locais onde seja necessário o bom astral e a tran- rança e confiança.
quilidade. O amarelo estimula a inteligência, o ra-
ciocínio e a memória, é uma cor alegre que pode Algumas considerações devem ser respeitadas
ser usada em espaços onde o objetivo é a comu- na aplicação das cores em ambientes de traba-
nicação e reflexão. O verde traz a sensação de lho: o planejamento do uso de cores deve ser
calma e equilíbrio, causa menos fadiga, estimu- elaborado cuidadosamente com a arquitetura e
la o silêncio e ameniza o estresse. O vermelho, iluminação. É necessário também definir a fun-

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ção dos espaços de trabalho e analisar cuidado- Grande parte da fadiga relacionada ao trabalho
samente seus usuários. É importante considerar está ligada a má iluminação nos ambientes, que
se o trabalho é monótono ou se tem grandes exi- causam uma sobrecarga na visão. Para Neves
gências à concentração. (2000), a luz pode revelar formas, planos, espa-
ços tridimensionais, mobiliários e pode afetar
Em trabalhos monótonos, é recomendado profundamente a sensação de bem estar e de
o uso de alguns elementos colorísticos. Em motivação das pessoas. Isto influência a per-
ambientes de grande dimensão, pode ser cepção de todos os outros elementos e evoca
subdividido através de elementos de cores diversas sensações.
especiais; desta forma, evita-se o anonimato
das salas de fábricas. Se o trabalho exigir Os locais de trabalho devem ser projetados
grande concentração, deve-se fazer a colo- de modo a aproveitar o máximo possível à
ração da sala mais discreta, para evitar dis- iluminação natural, pois as pessoas são pro-
trações e cores intranquilizastes. (GRAND- gramadas para trabalhar de acordo com a luz
JEAN, 1983, p.33) do dia. A saúde física e mental e o desempe-
nho dos trabalhadores são afetados quando
ILUMINAÇÃO os níveis de iluminação não estão adequados
para o espaço. Segundo o órgão de Medici-
A maioria das coisas são percebidas pelo ser hu- na e Segurança do Trabalho, os espaços de-
mano é através do que se vê, o olho é o receptor de vem evitar: “Mesas com superfícies refletoras
informações mais importante do corpo humano. É e equipamentos com elementos ofuscantes.
por isso que necessitamos de uma boa visão para A cor e a intensidade da luz devem estar de
realizar algumas atividades. Para Horevicz (2006) acordo com o trabalho que está sendo realiza-
“até recentemente um projeto de iluminação visa- do e o funcionamento deficiente da iluminação
va apenas à função visual, onde a quantidade e a também causam a fadiga visual e prejudicam
qualidade da luz eram fundamentais.” Atualmente o rendimento da equipe”.
há um entendimento maior sobre os benefícios da
iluminação. “A luz influencia o controle endócrino, Alguns parâmetros devem ser considerados
o relógio biológico, o desenvolvimento sexual, a de modo a melhorar o desempenho da ilumi-
regulação de estresse e a supressão da melatoni- nação natural no ambiente interno, são eles:
na, além de proporcionar um dinamismo no am- área e orientação da edificação, área de jane-
biente pelas tonalidades diferentes no decorrer do las, tipo de vidro, sombreamento e obstruções
dia.” (FONSECA, 2000, p.29). externas.

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Segundo Grandjean (1998), algumas condições deve resultar numa melhor adaptação ao ho-
são decisivas em locais de trabalho, como por mem dos meios tecnológicos e dos ambientes
exemplo: intensidade de iluminação, distribuição de trabalho e de vida. (PIRES, 2001, p.24)
dos brilhos no campo visual, as luminâncias (de-
terminadas pelos graus de reflexão dos objetos), Conforme Wisner (1994), os preceitos ergonô-
intensidade de iluminação, o contraste entre os micos são praticados desde o período pré-his-
objetos e sua periferia e a formação de sombras. tórico, pois analisando a evolução do homem,
percebe-se a preocupação em adaptar suas
Bons espaços de trabalho apresentam uma ilu- armas de caça e suas ferramentas de trabalho
minação cuidadosa e adequada, que possibilita de acordo com as suas necessidades. Confor-
o desenvolvimento das tarefas de forma confor- me Rio (1999), a ergonomia surge de modo mais
tável, sem causar cansaço ou confusão nos cam- sistematizado na década de 40, tentando com-
pos da visão. Melhores condições de iluminação preender a complexidade da interação do ser
no trabalho facilitam o desempenho e contribuem humano e trabalho.
para a saúde do trabalhador.
Com a eclosão da segunda guerra mundial,
ERGONOMIA foram utilizados conhecimentos científicos e
tecnológicos disponíveis, para construir instru-
“Ergo” significa trabalho e “nomos” significa leis. mentos bélicos. Estes exigiam muitas habilida-
Ergonomia, segundo a definição do dicionário des do operador, em condições bastante des-
Michaelis é: “Conjunto de estudos relacionados favoráveis e tensas, no campo de batalha. Os
com a organização do trabalho em função dos erros e acidentes, muitos com consequências
objetivos propostos e da relação homem-máqui- fatais e de grande porte, eram frequentes. Tudo
na.” No ano de 1989 no IV Congresso Interna- isso fez redobrar o esforço da pesquisa para
cional de ergonomia, adotou o seguinte conceito adaptar esses instrumentos bélicos às carac-
para ergonomia: terísticas e capacidades do operador, melho-
rando o desempenho e reduzindo a fadiga e os
A ergonomia é o estudo científico da relação en- acidentes. (IIDA, 1992, p. 11)
tre o homem e seus meios, métodos e espaços
de trabalho. Seu objetivo é elaborar mediante a A origem e a evolução da ergonomia estão diretamen-
constituição de diversas disciplinas científicas te relacionadas às transformações sócio-econômicas
que a compõe, um corpo de conhecimentos e tecnológicas, que vêm atualmente acontecendo no
que, dentro de uma perspectiva de aplicação, mundo do trabalho. A maneira de produção, a infor-

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matização e a globalização demonstram as profun- previne a saúde de seus usuários, pois trata de re-
das mudanças que estão ocorrendo entre as relações educar posturas, adequar mobília e equipamentos
das pessoas com suas profissões. de acordo com as características de cada pessoa.
Para Silva (2007) o trabalhador “ao perceber um
A ergonomia está diretamente ligada ao trabalho, ambiente de trabalho seguro, confiável e bem di-
é um conjunto de conhecimentos que servem mensionado, tende a sentir-se satisfeito, pois má-
para desenvolver e criar equipamentos e produ- quinas e equipamentos corretamente projetados
tos que beneficiem e facilitem as atividades do contribuem sensivelmente para a diminuição de
ser humano. Nesse sentido, a ergonomia mostra- erros, acidentes, desconforto e fadiga”.
-se uma ferramenta eficaz na detecção e solução
de problemas, na medida em que estuda intera- Diante disso, Neufert (1976) defende que “mobi-
ções das pessoas com a tecnologia, a organiza- liário e acessórios devem estar à escala do ho-
ção e o ambiente de trabalho. Além de contribuir mem para que os trabalhos se desenvolvam com
para uma melhor adaptação do trabalho às ca- comodidade e sem esforços supérfluos”. Para
racterísticas físicas e mentais do homem a ergo- tanto, deve-se avaliar as variáveis envolvidas,
nomia “tem como objetivos, as intervenções e apoiando-se na Antropometria, “ciência que ob-
projetos que visem melhorar de forma integrada, jetiva dimensionar o corpo humano e suas varia-
a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia ções”. (SILVA ,2007, p.9) Barreto (2013) recomen-
das atividades humanas”. (ASSOCIAÇÃO BRA- da ainda, que a mobília permita que o trabalhador
SILEIRA DE ERGONOMIA, 2001). se sinta à vontade para variar a postura corporal,
pois segundo Brasil (2001), após longos períodos
Atualmente encontramos muitos problemas nos em postura estática, a tensão muscular compri-
locais de trabalho, percebe-se condições insalu- me os vasos sanguíneos, dificultando a oxigena-
bres e perigosas, isso faz com que o trabalhador ção e o provimento de nutrientes aos músculos.
produza menos, canse mais e corra riscos de aci- Deste modo, a retirada de resíduos metabólicos é
dentes. Em ambientes de trabalho é de extrema prejudicada, resultando em dor e fadiga muscu-
importância utilizar conceitos ergonômicos para lar, além de possíveis desgastes de articulações,
que estes se tornem adequados à sua função. tendões e discos intervertebrais.
Para isso, deve-se pensar em métodos de traba-
lho, máquinas, ferramentas e mobiliário. CONFORTO AMBIENTAL

Projetar um ambiente tendo em vista as questões Para proporcionar o máximo de conforto pos-
de ergonomia, não só facilita sua utilização como sível para o usuário de determinada edificação

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mico. O homem tem melhores condições de


vida e de saúde quando seu organismo pode
funcionar sem ser submetido a fadiga ou es-
tresse, inclusive térmico. A arquitetura como
uma de suas funções, deve oferecer condi-
ções térmicas compatíveis ao conforto tér-
mico humano no interior dos edifícios, sejam
quais forem as condições climáticas exter-
nas. (FROTA, 2003, p.17)

CONFORTO TÉRMICO

O conforto térmico, definido pela ISO 7730 é “um


estado de espírito que expressa satisfação com
Figura 3.Conforto Ambiental das ou ambiente, o conforto ambiental é um dos o ambiente que envolve uma pessoa (nem quen-
edificações. Fonte: http://www. te nem frio)”. Isso depende de vários aspectos,
fatores mais importantes. O conforto ambiental
forumdaconstrucao.com.br
tem por objetivo maior possibilitar condições sendo assim não é possível satisfazer com uma
favoráveis de habitabilidade, utilizando racio- determinada condição térmica todos os indivídu-
nalmente os recursos disponíveis, valorizando os que ocupam o mesmo espaço.
o uso dos recursos naturais através de boas
decisões projetuais. (Figura 3) Segundo Frota (2003) “As principais variáveis
climáticas do conforto térmico são: temperatu-
Compreende o estudo de condições térmicas e ra, umidade e velocidade do ar e radiação solar
acústicas, considerando as especificidades cli- incidente.” Pode ser definido também como o
máticas de cada local. Dar importância ao con- conjunto das variáveis térmicas que influenciam
forto ambiental na fase de projeto resulta em uma o usuário do local, sendo assim um fator impor-
eficiência energética do edifício ou local, além de tante que intervém, de forma direta ou indireta na
gerar economia de energia essas soluções de saúde e bem estar dos usuários e no rendimento
conforto fazem com que o espaço se torne mais e realização das tarefas que lhe estão atribuídas.
agradável e salubre.
O conforto térmico também é um aspecto que
A arquitetura deve servir ao homem e ao seu merece atenção no projeto de ambientes de
conforto, o que abrange o seu conforto tér- trabalho. É de grande importância aproveitar as

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fontes de energia da natureza, visto que estas empreendimento, a fim de posicionar aberturas,
proporcionam uma arquitetura integrada com o planos de vidro e brises em lugares estratégicos
clima local, aumentam a qualidade de vida do para que possam contribuir com o melhor apro-
ser humano no ambiente construído e conse- veitamento dos recursos naturais, diminuindo o
quentemente resultam em uma maior eficiência uso de aparelhos eletrônicos. Conforme Moore
energética no edifício. As considerações com os (1984), cada área possui um clima chamado de
recursos naturais devem ser ainda maiores quan- regional que é característico, e varia conforme
do se trata de ambientes de trabalho, pois alguns o ângulo do sol, força, direção e frequência do
aspectos, como iluminação e ventilação natu- vento e também pelas chuvas.
rais contribuem para um espaço mais salubre e
evitam o confinamento. Gasperini (1988) diz que Para que um ambiente seja confortável termica-
devemos construir nosso ambiente utilizando-se mente deve haver um equilíbrio entre o calor me-
dos meios de produção mais adequados ao me- tabólico do ser humano e as perdas e/ou ganhos
lhoramento da qualidade de vida. de calor do ambiente. Quando esse equilíbrio
não existe a pessoa não consegue manter uma
O conforto térmico, gerido pelo sistema termor- temperatura interna constante e adequada, isso
regulador, que mantém o equilíbrio térmico do resulta em um risco para a saúde, pois o usuário
corpo humano, pode sofrer influências de deter- do espaço pode passar por um stress térmico,
minados fatores como: taxa de metabolismo, iso- por causa do frio ou do calor.
lamento térmico da vestimenta, umidade relativa,
temperatura e velocidade relativa do ar e tempe- Existem algumas medidas de caráter geral que
ratura radiante média. A combinação desses fa- ajudam a obter boas condições térmicas nos am-
tores é o principal determinante da sensação de bientes, são elas:
conforto ou desconforto térmico.
• A regulação da temperatura e a renova-
Em relação ao conforto térmico, para que os ção do ar devem ser feitas em função dos
usuários se sintam bem nestes espaços é ne- trabalhos executados e mantidas dentro
cessário, dentre outros quesitos, que eles te- de limites convenientes para evitar preju-
nham uma boa ventilação natural, incidência ízos à saúde dos trabalhadores;
de raios solares no inverno e uma temperatura • A temperatura dos locais de trabalho
interna agradável. Para isso é necessário obser- deve variar entre 18 ºC e 22 ºC. A umida-
var, na fase de projeto, a orientação solar, e a de da atmosfera de trabalho deverá oscilar
zona climática a que pertence a localização do entre 50% e 70%;

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• As tubagens de vapor e água quente ou acústico condiciona fortemente a saúde e a pro-


qualquer outra fonte de calor devem ser dutividade do ser humano.  Condições acústicas
isoladas; desfavoráveis acarretam alguns problemas como:
• Os radiadores e tubagens de aquecimen- dificuldade de comunicação, irritabilidade e efei-
to central devem ser instalados de modo tos nocivos à audição. Segundo Jones (1996) o
que os trabalhadores não sejam incomo- barulho estressante causa irritação e frustração,
dados pela irradiação de calor ou circula- agrava o mau humor, afeta a percepção visual e
ção de ar quente. Deverá assegurar-se a diminui a capacidade de aprendizado.
proteção contra queimaduras ocasionadas
por radiadores A intensidade crescente do ruído nos espaços inter-
nos tem se tornado um problema grave, constituindo
CONFORTO ACÚSTICO uma causa de incomodo nos espaços de trabalho e
um obstáculo evidente no que toca às comunica-
Na sociedade atual o ser humano está sujeito a ções verbais e sonoras. O nível de conforto acústico
inúmeros estímulos sonoros provenientes de vá- num ambiente de trabalho deve ter como objetivo
rias atividades. Os meios sonoros destes estímu- a redução do nível de ruído, levando em considera-
los variam de tal forma que seus efeitos podem ir ção um conjunto de fatores como a forma geométri-
do desconforto a perdas auditivas. ca das salas, o número de trabalhadores por metro
quadrado e as propriedades acústicas dos revesti-
A poluição sonora nas áreas urbanas é proble- mentos existentes ao nível das paredes, pisos e te-
ma que cada vez mais se agrava. Fontes diver- tos. Uma vez conhecidos estes fatores, poderão ser
sas e, principalmente, aquelas oriundas do trá- consideradas várias soluções de projeto, de modo a
fego de veículos automotores, são causadoras proporcionar um nível adequado de conforto acústi-
de níveis de ruído elevados. Por outro lado, as co, fundamental para um bom desempenho de qual-
edificações de maneira geral são construídas quer atividade intelectual.
sem oferecer a adequada proteção ao ruído in-
trusivo. (LOSSO, 2002, p.3) Kryter (1985) afirma que “a palavra ‘ruído’ é nor-
malmente utilizada para indicar a energia acústi-
Para Zannin (2002) a poluição sonora é hoje, de- ca audível que afeta adversamente as pessoas.
pois da poluição do ar e da água, o problema A exposição ao ruído no local de trabalho é, se-
ambiental que afeta o maior número de pessoas. gundo dados oficiais do Ministério do trabalho,
O conforto acústico é uma condição importante a segunda causa mais importante de doença
para alcançar bem-estar. A ausência de conforto profissional no nosso país – a surdez – originan-

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do ainda, frequentemente, outras perturbações centrados. Quanto maior e mais agitado for o es-
menos graves, de ordem fisiológica e psicológi- paço, maior a preocupação e mais providências
ca. Tais perturbações podem conduzir a esta- acústicas acabarão por ser tomadas.
dos de fadiga física e psíquica que, para além
de custos sociais evidentes, se acabam por tra- Qualquer espaço de trabalho deve ser tratado de
duzir igualmente em custos econômicos para as modo a garantir um ambiente acústico que não
empresas, devido a perdas na produtividade e prejudique a boa disposição e motivação das
na qualidade do trabalho. pessoas. Para Gurgel (2004) a escolha apropriada
de materiais de revestimento e o posicionamento
São considerados ruídos não significativos, adequado de janelas e portas podem facilmente
aqueles que não têm um conteúdo informa- evitar ou corrigir problemas acústicos.
tivo, que podem provocar um distúrbio ou
incômodo. Esses efeitos estão relacionados Algumas medidas podem ser adotadas para que
com a intensidade do ruído, e outros fatores seja possível diminuir e/ou controlar os ruídos
como: o caráter inesperado, quando se trata nos espaços corporativos, são eles:
de ruídos breves, aleatórios no tempo, que
perturbarão uma tarefa que exija atenção; • Introduzir elementos absorventes nos re-
os ruídos contínuos perturbam a execução vestimentos do pavimento;
de tarefas mentais complexas. Já os ruídos • Utilizar portas e janelas com bom isola-
significativos, como por exemplo a palavra mento acústico em casos de ligação direta
falada, interferem nas tarefas mentais com- para a rua ou espaços públicos;
plexas, mas podem atenuar os efeitos repe- • O uso de mobiliário adequado e em lo-
titivos das tarefas simples, fazendo com que cais estratégico surge como uma boa op-
a pessoa que executa esta tarefa não seja
ção quando se trata de absorver e condi-
totalmente desconcentrada para finalizá-la.
cionar o som a determinados espaços.
(LAVILLE, 1977, p.7)
CONCLUSÃO
O tratamento acústico visa atenuar o nível de
energia sonora, através de isolamento atenuador, Conforme Maciel (2006), o processo de projetar
tratamento absorvente ou os dois combinados.    é uma atividade complexa, em que se acumulam
Empresas que investem em qualidade acústica valores técnicos, científicos e artísticos, onde
em seus escritórios produzem mais e melhor, este último impera sobre os outros, às vezes de
com funcionários mais motivados, atentos e con- maneira empírica e intuitiva. O arquiteto também

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deve ter em mente os pensamentos científicos e dos funcionários, além de serem confortáveis e
e técnicos, de modo que sua arquitetura não se estimulantes para seus usuários.
torne apenas uma forma de arte.
REFERÊNCIAS
A boa arquitetura não se faz apenas de intui-
ção, mas também de conhecimentos, pesqui- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DESIGN. O De-
sas e técnica. É notório que, para atingir deter- sign de Interiores.
minados objetivos para os ambientes, deve-se
considerar alguns elementos chave que, se ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA.
bem projetados e articulados uns com os ou- Definição internacional de ergonomia. Revista
tros, podem afetar diretamente as impressões, da Associação Brasileira de Ergonomia. v. 1,
percepções e sensações sobre o ambiente, n. 2, Dez 2001 ISSN 1519-7859.
bem como influenciar nas atividades que serão
realizadas ali como também na saúde e bem BARRETO, Pablo Henrique Neves. O mobiliário
estar dos usuários. de escritórios e sua influência na rotina de tra-
balho de arquitetos e designers de interiores.
A cor, a iluminação, o cuidado com a ergonomia Especialização em Iluminação e Design de Inte-
e preocupação com o conforto térmico e acús- riores Instituto de Pós-Graduação - IPOG Belo
tico dos ambientes de trabalho podem, além de Horizonte, MG, 15 de setembro de 2013.
contribuir no rendimento, produção, segurança
e execução de tarefas, tornar-se prazerosos de BATTISTELLA, Márcia Regina. A importância da
permanecer, estimulantes e até divertidos, geran- cor em ambientes de trabalho. Florianópolis, 2003.
do através dessas sensações espaços acolhedo-
res e mudando a visão de que lugares de trabalho BINS ELY, V; Ergonomia + Arquitetura: bus-
são pesados e cansativos. cando um melhor desempenho do ambiente
físico. Anais do 3º Ergodesign – 3º Congresso
Percebe-se assim que a arquitetura vai mui- Internacional de Ergonomia e Usabilidade de In-
to além de embelezar ambientes. É um estudo terfaces Humano-Tecnologia: Produtos, Progra-
complexo que influencia o funcionamento dos mas, Informação, Ambiente Construído. Rio de
espaços, e aliado à psicologia e a reflexão sobre Janeiro: LEUI/PUC-Rio, 2003.
percepções garante que cada ambiente passe
de simples abrigos de trabalho para locais per- BRASIL. Constituição da República Federativa
sonalizados, com a personalidade das empresas do Brasil. Brasília, 1988.

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