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Por: Caio César de Carvalho Ferreira Lima

Redução da maioridade penal: utopia enganosa

O Brasil está a um passo de tomar mais uma daquelas decisões que pouco mudarão sua história. Trata-se
da redução da maioridade penal. O povo, movido por um sentimento costumeiramente temporário,
promove mais um debate político e um tanto quanto sensacionalista esperando, com isso, possíveis
medidas solucionáveis. O que o povo e muito menos os políticos os quais ele elegeu não vêem é que,
simplesmente, a questão não é redução da maioridade, e sim a qualidade do sistema prisional brasileiro.

O que a Constituição Brasileira chama de Centro ou Casa de Recuperação, mais parece um CT militar. As
medidas socio-educativas, que ultimamente ouve-se falar tanto, não passam de instruções e aulas sobre
qual o valor mínimo que um seqüestrador deve exigir para se pagar um resgate, ou como assaltar um
edifício inteiro sem ser captado pelas câmeras de segurança.

Nessa situação, com a redução da idade mínima dos detentos, o caos aumentará ainda mais. Isso porque
as celas ficarão cada vez mais superlotadas, dando mais motivos para se realizarem rebeliões e,
conseqüentemente, fuga de inúmeros – sendo que destes, poucos são recapturados.
Em meados do ano de 2006 viu-se um considerável investimento do Governo Federal nesse setor. A
construção de penitenciárias com padrão norte-americano (câmeras de segurança em todos os corredores
e bloqueadores de celulares) foi um passo dado à frente. Porém, elas são exclusivas de presos
considerados perigosos e que no Brasil, curiosamente, são poucos. E os gastos para manter esses
elementos são absurdos, suficientes para reformar algumas prisões nas regiões Sudeste e Nordeste, as
mais precárias.

Tentar limitar a faixa etária mínima dos criminosos é um erro. O que mais se espera disso, do jeito que as
coisas vão, é um grande número de pré-adolescentes e até crianças atrás das grades, culpadas por crimes
que qualquer adulto faria. Se jovens de 15 ou 16 anos são presos, passam 3 anos e conseguem liberdade
e voltam a fazer o que faziam antes, é porque o defeito não é a idade, e sim a tal “Casa de Recuperação”.
O povo e os políticos precisam rever seus debates e controlar suas emoções.

LYA LUFT: A banalização da vida

“Todo mundo sabe que é urgente e essencial reduzir para menos de 18 anos a idade em que se
pode prender, julgar, condenar um assassino feroz, reincidente, cruel e confesso” (Ilustração::
Atômica Studio)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
A BANALIZAÇÃO DA VIDA

Este é talvez um dos fatos mais assustadores e tristes do nosso momento:


falta de segurança generalizada, o medo, pois aqui se mata e se morre como quem come
um pãozinho.
Bala perdida, traficante, bandido graúdo ou pequeno, e o menor de idade, que é o
mais complicado: pelas nossas leis absurdas, sendo menor ele não é de verdade punido.
É levado para um estabelecimento hipoteticamente educativo e socializador, de onde
deveria sair regenerado, com profissão, com vergonha na cara, sair gente. Não sai. Não,
salvo raríssimas exceções, e todo mundo sabe disso.
Todo mundo sabe que é urgente e essencial reduzir para menos de 18 anos a idade em
que se pode prender, julgar, condenar um assassino feroz, reincidente, cruel e confesso.
Mas aí vem quem defenda, quem tenha pena, ah! os direitos humanos, ah! são crianças.
São assassinos apavorantes: torturam e matam com frieza de animais, tantas vezes, e vão
para a reeducação ou a ressocialização certamente achando graça: logo, logo estarão de
volta. Basta ver os casos em que, checando-se a ficha do “menino”, ele é reincidente
contumaz.
Outro ponto dessa nossa insegurança é a rala presença de policiais em muitas cidades
brasileiras. Posso rodar quarteirões intermináveis de carro, e não vejo um só policial.
Culpa deles? Certamente não.
Os policiais ganham mal, arriscam a vida, são mortos frequentemente, são mais heróis do
que vilões, embora muitos os queiram enxergar assim. Onde não temos policiamento,
mais insegurança.
Na verdade, a violência é tão alta e tão geral no país que mesmo porteiros treinados de
bons edifícios ou condomínios pouco adiantam: facilmente são rendidos, ou mortos, e
estamos à mercê da bandidagem.
Banalizamos a vida também nessas manifestações de toda sorte, em que paus, barras de
ferro, bombas caseiras, até armas de fogo, não apenas assustam, não só ameaçam, mas
aqui e ali matam alguém. Incendeiam-se ônibus não apenas em protesto, mas por pura
maldade, com gente dentro, mesmo crianças: que civilização estamos nos tornando?
Morrer assassinado, mesmo sem estar no circuito perigoso dos bandidos, dos
marginais, começa a se tornar, não ainda banal, mas já frequente: nas ruas, às 10 da
manhã, matam-se pais de família ou jovens estudantes ou operários. Não falo em becos
onde a violência impera e a mortandade é comum, mas em ruas abertas de
bairros declasse média.
Não se passa semana sem que se noticie criança morta por bala perdida. Agora uma
mulher foi morta com um tiro na cabeça quando ia comprar pão para as oito crianças que
estava criando: levada no porta-malas do carro da polícia, caiu na rua, ficou presa pela
roupa e assim foi arrastada no asfalto por um longo trecho.
Vemos esse horror na televisão, e vamos tomar calmamente o café da manhã. Nada,
quase nada mais nos espanta: estamos ficando calejados, não nas mãos por trabalho
duro, mas na alma pelo horror que nos assola tanto que a cada vez nos horrorizamos
menos.
Que humanidade estamos nos tornando, nós os abandonados, os expostos, os indefesos,
sem proteção nem de uma Justiça confusa, anacrônica, irreal, e, quando a lei é boa, tão
mal cumprida?
Quero escrever uma coluna otimista. Quero escrever poemas delicados, romances
intensos, crônicas de amor pela cidade, pelas pessoas, pela natureza, quero tudo isso.
Mas se tenho voz, e vez, não posso falar de flores enquanto o asfalto mostra manchas de
sangue, famílias são destroçadas, ruas acossadas, casas ameaçadas, seres humanos
feito coelhos amedrontados sem ter para onde correr, nem a quem recorrer, e não se
vê nem uma luz no fim desse túnel.
Pouca esperança real temos. Nós nos desinteressamos para sobreviver
emocionalmente diante da horrenda banalização da vida representada não só pela
quantidade e violência dos crimes cometidos e impunes como pela punição incrivelmente
pequena para quem mata com seu automóvel por correr demais ou dirigir bêbado, por
exemplo.
O descaso, ou a incompetência, com que tudo isso é administrado nos faz temer outra
ameaça ainda: a banalização da vida é o outro lado da banalização da morte.

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/lya-luft-a-banalizacao-da-vida/

Redução da maioridade penal :


crimes graves reacendem
discussão no Brasil
COMENTE
Carolina Cunha
Da Novelo Comunicação
29/08/201317h54





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 Reprodução
Dois crimes violentos cometidos por menores de idade no Brasil em 2013
reacenderam uma antiga discussão que volta à tona a cada vez que um novo
crime grave é praticado por um menor: o país deve reduzir a maioridade penal,
hoje em 18 anos, para 16? Ou, as penas devem ser mais rígidas no caso de
crimes graves?

Direto ao ponto: Ficha-resumo


VEJA TAMBÉM
 Crimes hediondos: Saiba o que diz a lei e como ela altera as penas judiciais

 Polícia: Instituição se divide em diferentes tipos e funções

 Código Civil: O que mudou na vida dos brasileiros com a lei de 2003

 Ministério Público: Defesa independente da sociedade e da democracia


O primeiro caso foi o de um jovem de 19 anos morto com um tiro na cabeça
durante um assalto em frente ao prédio onde morava em São Paulo, no mês de
abril. O ladrão era um adolescente de 17 anos. O menor se entregou à polícia
um dia depois, quando completou 18 anos. O fato de ter 17 anos quando
cometeu o crime o impediu de ser julgado pela justiça comum.

O outro caso ocorreu poucos dias depois em São Bernardo do Campo, em São
Paulo, quando uma dentista teve seu consultório invadido por três homens que
roubaram e a queimaram. Foram presos um rapaz de 24 anos, um de 21 e um
menor de 17 anos. A responsabilidade por atear fogo na dentista foi atribuída
ao menor, que pela idade, teria a pena amenizada, mesmo se tratando de um
crime grave.
Como é hoje
A maioridade penal aos 18 anos foi estabelecida na legislação brasileira em
1940. A norma foi regulamentada pelo ECA (Estatuto da Criança e do
Adolescente), criado em 1990. Com o estatuto, os menores infratores
cumprem penas em unidades de internação – como a Fundação Casa, antiga
Febem, em São Paulo --, e não no sistema penitenciário comum, e são
submetidos, quando possível, a medidas socioeducativas, como advertência,
obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade e liberdade
assistida. Os menores também não têm os crimes inclusos em sua ficha
criminal.
GUIA DE ESTUDOS


100 temas essenciais para o Enem

Hoje, pela lei, podem ser internados jovens entre 12 e 18 anos de idade. A
permanência máxima em uma unidade de internação é de três anos.

Os que defendem a redução da maioridade penal alegam que um jovem, que


pode dirigir e votar aos 16 anos, tem consciência do que é cometer um crime.
Os que defendem a manutenção da maioridade penal aos 18 anos
argumentam que são necessárias a aplicação correta das punições e a
melhoria das medidas socioeducativas que ajudariam o jovem a ser reinserido
na sociedade.

 Como funcionam as prisões para menores


Na época dos crimes citados acima, o governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, propôs um projeto que aumentava a pena para menores que
cometessem crimes hediondos. Entre as mudanças estão o aumento do tempo
de internação do menor de três para oito anos, a criação de um regime de
atendimento para jovens de 18 anos, que não seriam colocados em prisões
comuns.

Atualmente, no Senado existem pelo menos 19 projetos que tratam, de alguma


forma, do tema maioridade penal. Um deles, de autoria do senador Ivo Cassol
(PP-RO), propõe que seja realizado um plebiscito para saber a opinião da
população sobre redução da maioridade penal.

Na Câmara, cerca de 30 projetos sobre o tema já tramitaram desde 2000. Hoje,


pelo menos três estão em discussão na CCJ (Comissão de Constituição e
Justiça). Duas flexibilizam a maioridade de acordo com a gravidade do crime, e
a terceira impõe a idade de 16 anos para que alguém seja considerado
inimputável, ou seja, não possa ser responsabilizado criminalmente.

Maioridade penal no mundo


Não há nenhuma lei internacional que estipule a idade penal para
adolescentes, o que varia de país para país. A Convenção da ONU sobre os
Direitos da Criança apenas recomenda a definição de uma idade mínima para
a imputabilidade penal, sem especificar qual, e a única regra estipulada pela
Convenção Americana de Direitos Humanos (1969) e pelo Pacto Internacional
dos Direitos Civis e Políticos da ONU (1966) é a proibição de condenar um
menor de 18 anos à pena de morte.

As formas de punição também variam. Nos Estados Unidos, os 50 Estados têm


leis diferentes para julgar menores de idade e a maioridade penal varia de 11 a
18 anos. No entanto, cabe ao juiz estabelecer se o menor será ou não julgado
como adulto, dependendo da gravidade do crime.

No início de 2005, por exemplo, a Justiça da Carolina do Sul condenou


Christopher Pittman a 30 anos de prisão pelo assassinato de seus avós,
quando ele tinha 12 anos, em 2001. Pittman ficou recluso numa detenção
juvenil até completar 17 anos (maioridade na Carolina do Sul) e hoje cumpre
pena na cadeia.

Portugal, México, Colômbia, Peru, Croácia e Alemanha, assim como o Brasil,


aplicam medidas correcionais ao adolescente que ainda não atingiu a
maioridade penal. França, Venezuela, Irlanda e Inglaterra adotam um sistema
de penas amenizadas ao menor, tendo como base as penas aplicadas aos
adultos.

Já China, Polônia e Rússia aplicam a pena a um menor de 18 anos de acordo


com a gravidade do crime. Outros países avaliam o discernimento do menor
para aplicar uma sentença.

Brasil: maioria é favorável à redução


Uma pesquisa realizada em abril deste ano pelo Datafolha mostrou que 93%
dos paulistanos se mostraram favoráveis à redução. Outros 6% se disseram
contra, e 1% não opinaram.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou ser contrário à
redução da maioridade. "Qualquer projeto que reduza a maioridade penal nos
termos do que está hoje consagrado na Constituição Federal é inconstitucional,
porque todos os direitos e garantias individuais consagrados na Constituição
são cláusulas pétreas, ou seja, não podem ser modificados nem por emenda
constitucional, (...) apenas com uma nova Constituição", disse ele, cuja opinião
foi reforçada pela presidente Dilma Rousseff.
Perfil dos menores infratores
 95% homens e 5% mulheres. Entre os homens, a maioria (cerca de 70%) tem entre
16 e 18 anos. Em seguida vêm os meninos com idade entre 12 e 15 anos
 Internos com idade entre 16 e 18 anos também são os com maior índice de evasão
escolar
 Os principais crimes cometidos pelos menores que estão nas unidades de
internação e de semiliberdade são roubo (38,1%), tráfico (26,6%) e homicídio
(8,4%)
Os dados constam no relatório produzido pela Comissão de Infância e
Juventude do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), com
informações coletadas entre março de 2012 e março de 2013.

O relatório ainda apontou a superlotação nas unidades de internação do Brasil.


Os dados mostram que há superlotação em 287 unidades do total de 321
existentes no país. Hoje o Brasil oferece 15.414 vagas para menores nessas
instituições, mas o número de menores cumprido punições é de 18.378.

DIRETO AO PONTO

Dois crimes graves cometidos no Estado de São Paulo no primeiro semestre deste ano colocaram uma discussão em
pauta: o Brasil deve reduzir a maioridade penal dos atuais 18 anos para 16?
No Brasil, as penas contra menores infratores são aplicadas de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do
Adolescente), que normatizou o envio desses adolescentes a unidades de internação e a aplicação de medidas
socioeducativas. Jovens entre 12 e 18 anos de idade que cometem crimes são levados às unidades de internação – em
São Paulo, elas são chamadas de Fundação Casa--, onde podem ficar por até três anos.

Em todo o mundo, os países têm autonomia para definir a maioridade penal e as medidas que para penalizar os
menores de idade. A única regra existente em pactos internacionais é a proibição da aplicação da pena de morte para
menores de idade.

Carolina Cunha é jornalista

Grupo lista 18 razões contra a redução da


maioridade penal
Movimento composto por mais de 80 entidades faz campanha contra a PEC 33, em
discussão no Senado. Para eles, além de inconstitucional, proposta é inviável. Veja os
argumentos apresentados

POR CONGRESSO EM FOCO | 11/11/2013 08:00


CATEGORIA(S): DIREITOS HUMANOS, NOTÍCIAS
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“1°. Porque já responsabilizamos adolescentes em ato infracional


A partir dos 12 anos, qualquer adolescente é responsabilizado pelo ato cometido contra a
lei. Essa responsabilização, executada por meio de medidas socioeducativas previstas no
ECA, têm o objetivo de ajudá-lo a recomeçar e a prepará-lo para uma vida adulta de
acordo com o socialmente estabelecido. É parte do seu processo de aprendizagem que
ele não volte a repetir o ato infracional.
Por isso, não devemos confundir impunidade com imputabilidade. A imputabilidade,
segundo o Código Penal, é a capacidade da pessoa entender que o fato é ilícito e agir de
acordo com esse entendimento, fundamentando em sua maturidade psíquica.

2°. Porque a lei já existe. Resta ser cumprida!


O ECA prevê seis medidas educativas: advertência, obrigação de reparar o dano,
prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação.
Recomenda que a medida seja aplicada de acordo com a capacidade de cumpri-la, as
circunstâncias do fato e a gravidade da infração.
Muitos adolescentes, que são privados de sua liberdade, não ficam em instituições
preparadas para sua reeducação, reproduzindo o ambiente de uma prisão comum. E mais:
o adolescente pode ficar até 9 anos em medidas socioeducativas, sendo três anos interno,
três em semiliberdade e três em liberdade assistida, com o Estado acompanhando e
ajudando a se reinserir na sociedade.

Não adianta só endurecer as leis se o próprio Estado não as cumpre!

3°. Porque o índice de reincidência nas prisões é de 70%


Não há dados que comprovem que o rebaixamento da idade penal reduz os índices de
criminalidade juvenil. Ao contrário, o ingresso antecipado no falido sistema penal brasileiro
expõe as(os) adolescentes a mecanismos/comportamentos reprodutores da violência,
como o aumento das chances de reincidência, uma vez que as taxas nas penitenciárias
são de 70% enquanto no sistema socioeducativo estão abaixo de 20%.
A violência não será solucionada com a culpabilização e punição, mas pela ação da
sociedade e governos nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que as
reproduzem. Agir punindo e sem se preocupar em discutir quais os reais motivos que
reproduzem e mantém a violência, só gera mais violência.

4°. Porque o sistema prisional brasileiro não suporta mais pessoas


O Brasil tem a 4° maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado
com 500 mil presos. Só fica atrás em número de presos para os Estados Unidos (2,2
milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (740 mil).
O sistema penitenciário brasileiro NÃO tem cumprido sua função social de controle,
reinserção e reeducação dos agentes da violência. Ao contrário, tem demonstrado ser uma
“escola do crime”.

Portanto, nenhum tipo de experiência na cadeia pode contribuir com o processo de


reeducação e reintegração dos jovens na sociedade.

5°. Porque reduzir a maioridade penal não reduz a violência


Muitos estudos no campo da criminologia e das ciências sociais têm demonstrado que não
há relação direta de causalidade entre a adoção de soluções punitivas e repressivas e a
diminuição dos índices de violência.
No sentido contrário, no entanto, se observa que são as políticas e ações de natureza
social que desempenham um papel importante na redução das taxas de criminalidade.

Dados do Unicef revelam a experiência mal sucedida dos EUA. O país, que assinou a
Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aplicou em seus adolescentes,
penas previstas para os adultos. Os jovens que cumpriram pena em penitenciárias
voltaram a delinquir e de forma mais violenta. O resultado concreto para a sociedade foi o
agravamento da violência.

6°. Porque fixar a maioridade penal em 18 anos é tendência mundial


Diferentemente do que alguns jornais, revistas ou veículos de comunicação em geral têm
divulgado, a idade de responsabilidade penal no Brasil não se encontra em desequilíbrio
se comparada à maioria dos países do mundo.
De uma lista de 54 países analisados, a maioria deles adota a idade de responsabilidade
penal absoluta aos 18 anos de idade, como é o caso brasileiro.

Essa fixação majoritária decorre das recomendações internacionais que sugerem a


existência de um sistema de justiça especializado para julgar, processar e responsabilizar
autores de delitos abaixo dos 18 anos.

7°. Porque a fase de transição justifica o tratamento diferenciado


A Doutrina da Proteção Integral é o que caracteriza o tratamento jurídico dispensado pelo
Direito Brasileiro às crianças e adolescentes, cujos fundamentos encontram-se no próprio
texto constitucional, em documentos e tratados internacionais e no Estatuto da Criança e
do Adolescente.
Tal doutrina exige que os direitos humanos de crianças e adolescentes sejam respeitados
e garantidos de forma integral e integrada, mediando e operacionalização de políticas de
natureza universal, protetiva e socioeducativa.

A definição do adolescente como a pessoa entre 12 e 18 anos incompletos implica a


incidência de um sistema de justiça especializado para responder a infrações penais
quando o autor trata-se de um adolescente.

A imposição de medidas socioeducativas e não das penas criminais relaciona-se


justamente com a finalidade pedagógica que o sistema deve alcançar, e decorre do
reconhecimento da condição peculiar de desenvolvimento na qual se encontra o
adolescente.

8°. Porque as leis não podem se pautar na exceção


Até junho de 2011, o Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL),
do Conselho Nacional de Justiça, registrou ocorrências de mais de 90 mil adolescentes.
Desses, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora seja
considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil, que conta com 21
milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos.
Sabemos que os jovens infratores são a minoria, no entanto, é pensando neles que
surgem as propostas de redução da idade penal. Cabe lembrar que a exceção nunca pode
pautar a definição da política criminal e muito menos a adoção de leis, que devem ser
universais e valer para todos.

As causas da violência e da desigualdade social não se resolverão com a adoção de leis


penais severas. O processo exige que sejam tomadas medidas capazes de romper com a
banalização da violência e seu ciclo. Ações no campo da educação, por exemplo,
demonstram-se positivas na diminuição da vulnerabilidade de centenas de adolescentes
ao crime e à violência.

9°. Porque reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa!


A constituição brasileira assegura nos artigos 5º e 6º direitos fundamentais como
educação, saúde, moradia, etc. Com muitos desses direitos negados, a probabilidade do
envolvimento com o crime aumenta, sobretudo entre os jovens.
O adolescente marginalizado não surge ao acaso. Ele é fruto de um estado de injustiça
social que gera e agrava a pobreza em que sobrevive grande parte da população.

A marginalidade torna-se uma prática moldada pelas condições sociais e históricas em


que os homens vivem. O adolescente em conflito com a lei é considerado um ‘sintoma’
social, utilizado como uma forma de eximir a responsabilidade que a sociedade tem nessa
construção.

Reduzir a maioridade é transferir o problema. Para o Estado é mais fácil prender do que
educar.

10°. Porque educar é melhor e mais eficiente do que punir


A educação é fundamental para qualquer indivíduo se tornar um cidadão, mas é realidade
que no Brasil muitos jovens pobres são excluídos deste processo. Puni-los com o
encarceramento é tirar a chance de se tornarem cidadãos conscientes de direitos e
deveres, é assumir a própria incompetência do Estado em lhes assegurar esse direito
básico que é a educação.
As causas da violência e da desigualdade social não se resolverão com adoção de leis
penais mais severas. O processo exige que sejam tomadas medidas capazes de romper
com a banalização da violência e seu ciclo. Ações no campo da educação, por exemplo,
demonstram-se positivas na diminuição da vulnerabilidade de centenas de adolescentes
ao crime e à violência.

Precisamos valorizar o jovem, considerá-los como parceiros na caminhada para a


construção de uma sociedade melhor. E não como os vilões que estão colocando toda
uma nação em risco.

11°. Porque reduzir a maioridade penal isenta o estado do compromisso com a


juventude
O Brasil não aplicou as políticas necessárias para garantir às crianças, aos adolescentes e
jovens o pleno exercício de seus direitos e isso ajudou em muito a aumentar os índices de
criminalidade da juventude.
O que estamos vendo é uma mudança de um tipo de Estado que deveria garantir direitos
para um tipo de Estado Penal que administra a panela de pressão de uma sociedade tão
desigual. Deve-se mencionar ainda a ineficiência do Estado para emplacar programas de
prevenção da criminalidade e de assistência social eficazes, junto às comunidades mais
pobres, além da deficiência generalizada em nosso sistema educacional.

12°. Porque os adolescentes são as maiores vitimas, e não os principais autores da


violência
Até junho de 2011, cerca de 90 mil adolescentes cometeram atos infracionais. Destes,
cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora considerável,
corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil que conta com 21 milhões de meninos
e meninas entre 12 e 18 anos.
Os homicídios de crianças e adolescentes brasileiros cresceram vertiginosamente nas
últimas décadas: 346% entre 1980 e 2010. De 1981 a 2010, mais de 176 mil foram mortos
e só em 2010, o número foi de 8.686 crianças e adolescentes assassinadas, ou seja, 24
POR DIA!

A Organização Mundial de Saúde diz que o Brasil ocupa a 4° posição entre 92 países do
mundo analisados em pesquisa. Aqui são 13 homicídios para cada 100 mil crianças e
adolescentes; de 50 a 150 vezes maior que países como Inglaterra, Portugal, Espanha,
Irlanda, Itália, Egito cujas taxas mal chegam a 0,2 homicídios para a mesma quantidade de
crianças e adolescentes.

13°. Porque, na prática, a PEC 33/2012 é inviável!!


A Proposta de Emenda Constitucional quer alterar os artigos 129 e 228 da Constituição
Federal, acrescentando um paragrafo que prevê a possibilidade de desconsiderar da
inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos.
E o que isso quer dizer? Que continuarão sendo julgados nas varas Especializadas
Criminais da Infância e Juventude, mas se o Ministério Publico quiser poderá pedir para
‘desconsiderar inimputabilidade’, o juiz decidirá se o adolescente tem capacidade para
responder por seus delitos. Seriam necessários laudos psicológicos e perícia psiquiátrica
diante das infrações: crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo ou
reincidência na pratica de lesão corporal grave e roubo qualificado. Os laudos atrasariam
os processos e congestionariam a rede pública de saúde.

A PEC apenas delega ao juiz a responsabilidade de dizer se o adolescente deve ou não


ser punido como um adulto.

No Brasil, o gargalo da impunidade está na ineficiência da polícia investigativa e na


lentidão dos julgamentos. Ao contrário do senso comum, muito divulgado pela mídia,
aumentar as penas e para um número cada vez mais abrangente de pessoas não ajuda
em nada a diminuir a criminalidade, pois, muitas vezes, elas não chegam a ser aplicadas.

14°. Porque reduzir a maioridade penal não afasta crianças e adolescentes do crime
Se reduzida a idade penal, estes serão recrutados cada vez mais cedo.
O problema da marginalidade é causado por uma série de fatores. Vivemos em um país
onde há má gestão de programas sociais/educacionais, escassez das ações de
planejamento familiar, pouca oferta de lazer nas periferias, lentidão de urbanização de
favelas, pouco policiamento comunitário, e assim por diante.

A redução da maioridade penal não visa a resolver o problema da violência. Apenas fingir
que há “justiça”. Um autoengano coletivo quando, na verdade, é apenas uma forma de
massacrar quem já é massacrado.

Medidas como essa têm caráter de vingança, não de solução dos graves problemas do
Brasil que são de fundo econômico, social, político. O debate sobre o aumento das
punições a criminosos juvenis envolve um grave problema: a lei do menor esforço. Esta
seduz políticos prontos para oferecer soluções fáceis e rápidas diante do clamor popular.

Nesse momento, diante de um crime odioso, é mais fácil mandar quebrar o termômetro do
que falar em enfrentar com seriedade a infecção que gera a febre.

15°. Porque afronta leis brasileiras e acordos internacionais


Vai contra a Constituição Federal Brasileira que reconhece prioridade e proteção especial
a crianças e adolescentes. A redução é inconstitucional.
Vai contra o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) de princípios
administrativos, políticos e pedagógicos que orientam os programas de medidas
socioeducativas.

Vai contra a Doutrina da Proteção Integral do Direito Brasileiro que exige que os direitos
humanos de crianças e adolescentes sejam respeitados e garantidos de forma integral e
integrada às políticas de natureza universal, protetiva e socioeducativa.

Vai contra parâmetros internacionais de leis especiais para os casos que envolvem
pessoas abaixo dos dezoito anos autoras de infrações penais.
Vai contra a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização
das Nações Unidas (ONU) e a Declaração Internacional dos Direitos da Criança
compromissos assinados pelo Brasil.

16°. Porque poder votar não tem a ver com ser preso com adultos
O voto aos 16 anos é opcional e não obrigatório, direito adquirido pela juventude. O voto
não é para a vida toda, e caso o adolescente se arrependa ou se decepcione com sua
escolha, ele pode corrigir seu voto nas eleições seguintes. Ele pode votar aos 16, mas não
pode ser votado.
Nesta idade ele tem maturidade sim para votar, compreender e responsabilizar-se por um
ato infracional.

Em nosso país qualquer adolescente, a partir dos 12 anos, pode ser responsabilizado pelo
cometimento de um ato contra a lei.

O tratamento é diferenciado não porque o adolescente não sabe o que está fazendo. Mas
pela sua condição especial de pessoa em desenvolvimento e, neste sentido, o objetivo da
medida socioeducativa não é fazê-lo sofrer pelos erros que cometeu, e sim prepará-lo para
uma vida adulta e ajuda-lo a recomeçar.

17°. Porque o brasil está dentro dos padrões internacionais


São minoria os países que definem o adulto como pessoa menor de 18 anos. Das 57
legislações analisadas pela ONU, 17% adotam idade menor do que 18 anos como critério
para a definição legal de adulto.
Alemanha e Espanha elevaram recentemente para 18 a idade penal e a primeira criou
ainda um sistema especial para julgar os jovens na faixa de 18 a 21 anos.

Tomando 55 países de pesquisa da ONU, na média os jovens representam 11,6% do total


de infratores, enquanto no Brasil está em torno de 10%. Portanto, o país está dentro dos
padrões internacionais e abaixo mesmo do que se deveria esperar. No Japão, eles
representam 42,6% e ainda assim a idade penal no país é de 20 anos.

Se o Brasil chama a atenção por algum motivo é pela enorme proporção de jovens vítimas
de crimes e não pela de infratores.

18°. Porque importantes órgãos têm apontado que não é uma boa solução
O UNICEF expressa sua posição contrária à redução da idade penal, assim como à
qualquer alteração desta natureza. Acredita que ela representa um enorme retrocesso no
atual estágio de defesa, promoção e garantia dos direitos da criança e do adolescente no
Brasil. A Organização dos Estados Americanos (OEA) comprovou que há mais jovens
vítimas da criminalidade do que agentes dela.
O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) defende o
debate ampliado para que o Brasil não conduza mudanças em sua legislação sob o
impacto dos acontecimentos e das emoções. O CRP (Conselho Regional de Psicologia)
lança a campanha Dez Razões da Psicologia contra a Redução da idade penal CNBB,
OAB, Fundação Abrinq lamentam publicamente a redução da maioridade penal no país.
Mais de 50 entidades brasileiras aderem ao Movimento 18 Razões para a Não redução da
maioridade penal.”

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/grupo-lista-18-razoes-contra-a-reducao-da-
maioridade-penal/
A favor da redução da maioridade penal
David Gallo Barouh*
Tags: artigo david gallo barouh maioridade penal justiça

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As últimas notícias veiculadas na imprensa, dando conta do envolvimento de menores em


crimes ditos hediondos fez acender na opinião pública uma questão: até que ponto devem
os menores infratores ter um tratamento diferenciado em relação aos criminosos comuns?
O fator que deu impulso a esta discussão foi o da morte de Victor Hugo, estudante de uma
faculdade de São Paulo, crime praticado por um menor que, após subtrair o celular da
vítima, de forma perversa e impiedosa, deflagrou um disparo de arma de fogo contra a
cabeça da mesma, chamando a atenção da sociedade brasileira a forma fria e cruel como
o crime foi cometido, vez que toda a ação criminosa foi filmada.
Tendo sido filmado pelas câmeras, o referido menor, de forma rápida, entregou-se às
autoridades competentes, alegando ser menor de dezoito anos de idade, portanto
inimputável. Após presenciar aquele fato criminoso, passei a pensar o seguinte: será que
se a ação criminosa do menor infrator não tivesse sido filmada, teria ele se entregado à
Polícia? Certamente não e aí é que talvez resida a pedra de toque desta questão que
atualmente pulsa nos meios jurídicos. Deve ser ou não reduzida a maioridade penal no
Brasil?
A resposta me parece afirmativa em todos os aspectos. O principal ponto a ser levado em
consideração é o de que quando o legislador constituinte de 1988, recepcionando o
Código Penal, instituiu como idade limite para a responsabilização criminal em 18 anos,
levou em conta a capacidade que o ser humano teria para entender o caráter criminoso de
sua ação e, assim se auto determinar cometendo ou não qualquer tipo ilícito.
Recordo-me de um fato acontecido há cerca de quatros anos aqui em Salvador,
envolvendo diretamente uma pessoa que estagiava na Vara do Júri em que oficio. Era um
garoto de 18 anos, cheio de vida e sonhos. Sonhava ele em ser advogado. Um belo dia,
ao receber seu salário, Júnior comprou uma corrente e colocou no pescoço, pois iria para
uma festa com uns amigos.
Ao sair de casa, foi abordado por um menor que, de faca em punho, após lhe subtrair a
corrente, cortou o seu pescoço a altura da aorta e saiu andando calmamente, como se
nada tivesse acontecido, indo, em seguida, para sua residência. Ao tomar conhecimento
de que a polícia estava em seu encalço, o menor procurou a DAI (Delegacia do Menor
Infrator), se entregando, como sempre, invocando a aplicação dos benefícios previstos no
ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Submetido a processo infracional, ao mesmo foi imposta uma medida sócio-educativa
equivalente a três anos de internamento, a qual foi cumprida pelo mesmo que ao sair, já
maior de 18 anos, voltou a praticar outros crimes, sendo, inclusive, suspeito da prática de
homicídios.
Aí cabe a pergunta: Será que a medida a ele aplicada foi suficiente para que ele refletisse
o que fez? Não teria sido melhor que ele tivesse permanecido um tempo maior fora da
sociedade? Será que estando preso e cumprindo pena ele teria praticados os crimes que
praticou após o cumprimento da medida? Gostaria que os defensores da manutenção da
maioridade penal em dezoito anos nos respondessem a estas indagações.
Hoje, diante da enxurrada de métodos e meios de comunicação, tal qual a internet,
constata-se que o jovem, desde muito cedo, tem acesso a todo o tipo de informação e,
portanto, não pode alegar não ter conhecimento do caráter criminoso do fato praticado por
ele. Não pode alegar o desconhecimento da lei.
Hoje, se pode votar aos dezesseis anos. Neste ponto o legislador foi prodigioso, pois ao
mesmo tempo que diz que o menor de 18 anos não tem capacidade de entender o caráter
ilícito de um crime, diz que ele pode votar, inclusive, escolhendo os principais mandatários
do Estado Brasileiro.
Como Promotor de Justiça há quase 18 anos, posso afirmar, diante de vários casos em
que atuei como Membro do Ministério Público, que não é nenhum absurdo reduzir a
maioridade penal para 16 anos. Na verdade, esta é uma medida que já se impõe há muito
tempo.
Vi muitos menores infratores que, tendo cometido crimes de natureza violenta,
demonstraram plena capacidade de discernir o que haviam acabado de fazer. Na maioria
das vezes, não aparentavam nenhum tipo de arrependimento. A frieza sempre foi um traço
característico de muitos menores infratores com quem lidei, notadamente entre aqueles
que praticaram latrocínio, estupro, tráfico de drogas e homicídios. Sempre que eram
apreendidos invocavam as benesses do Estatuto da Criança e do Adolescente,
demonstrando ciência da lei que os amparava.
Outro dado que não é levado ao conhecimento da sociedade é o de que 90% dos
criminosos contumazes no Brasil foram menores infratores, contudo, este dado não chega
à sociedade em virtude de uma exigência da lei, a qual determina que, tão logo o menor
infrator atinja a maioridade penal, todos os registros atinente ao seu comportamento
delituoso devem ser apagados. É como se o menor nunca tivesse cometido o crime que
cometeu.
No latrocínio cometido pelo menor contra o estudante na cidade de São Paulo, caso venha
ter contra si aplicada uma medida sócio-educativa limitativa de sua liberdade de ir e vir, o
menor deverá permanecer internado por até três anos. Passado este tempo, ele sairá sem
nenhum registro penal, ou seja, como se nada tivesse acontecido.
Estes defensores da manutenção da maioridade penal em 18 anos poderiam, quem sabe,
sair dos seus gabinetes e ouvir as vítimas e seus familiares recorrentes de menores
infratores. Digo-lhes com sinceridade d´alma. É muito difícil explicar para os pais de uma
vítima de latrocínio que o responsável pelo crime permanecerá apenas três anos internado
e depois terá uma vida normal, sem nenhuma responsabilização posterior.
Atualmente, nota-se que grande parte dos crimes contra o patrimônio cometido em
Salvador o são por menores, os quais sequer são conduzidos pela autoridade policial a
uma delegacia, em razão da impunidade estatuída no ECA, que determina a concessão da
"remissão" pelo próprio Ministério Público, como forma de exclusão do processo.
Não será que já chegou a hora de se ouvir a sociedade antes de se decidir manter a
maioridade penal em dezoito anos? Um plebiscito seria salutar.
*David Gallo Barouh l 1º promotor de Justiça titular da 5ª Promotoria de Justiça
Criminal, atualmente lotado no 1º juízo da 2ª vara do Tribunal do Júri da Comarca de
Salvador

http://atarde.uol.com.br/opiniao/materias/1498309-a-favor-da-reducao-da-maioridade-penal
Maioridade Penal: sim ou não? Veja a
opinião de especialistas
Após a morte de um estudante em Belém por um adolescente de 17
anos foi reaberto o debate sobre readução da maioridade penal. A
reportagem de O Imparcial traz dois especialistas: um a favor e outro
contra.

Sandra Viana
Publicação: 26/04/2013 08:19 Atualização: 26/04/2013 15:45
No Brasil, a maioridade penal é fixada em 18 anos - definida pelo artigo 228 da Constituição
Federal. É a idade em que, para a lei, um jovem passa a responder inteiramente por seus
atos, como adulto e sofre as sanções na Justiça de acordo com o Código Penal. Um menor,
quando comete ato ilícito é chamado infração e este cumpre medidas socioeducativas, que
incluem atividades e internação de até três anos em unidades de reeducação. As infrações
são julgadas em acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Crianças até 12 anos são inimputáveis, ou seja, não podem ser julgadas nem punidas pelo
Estado. Dos 12 aos 17 anos, o menor infrator é encaminhado à Vara da Infância e da
Juventude onde pode receber sanções (advertência, obrigação de reparar o dano, prestação
de serviços à comunidade, liberdade assistida, inserção em regime de semiliberdade ou
internação em estabelecimento educacional), mas não pode ser levado para penitenciárias. A
legislação brasileira entende que o menor de 18 anos não tem desenvolvimento mental
completo para entender o caráter ilícito de seus atos.

Para avaliar os prós e contras, O Imparcial convidou dois especialistas para discutir a redução
da maioridade penal, a partir de seus pontos de vista.

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“SIM”
Walter Wanderelei Silva Ferreira é advogado e por 18 anos atuou na advocacia criminal e há
quatro anos é delegado da Polícia Civil

Porque o senhor é a favor da redução da maioridade penal?


“O ser humano é imperfeito e precisa de regras, normas e leis para disciplinar sua convivência
em sociedade, ou, ele vai acabar destruindo a espécie humana. Por isso, eu sou a favor da
redução da maioridade penal. Que não seja mais a partir dos 18 anos, mas sim, aos 16 anos,
porque, nesta idade e diante da vasta divulgação dos valores morais, o menor já tem
conhecimento de que aquele ato que ele pratica é criminoso, e ele tem o poder de escolher
se pratica ou não o ato ilícito. A própria lei diz que o menor de 18 anos pode votar, contratar,
casar, fazer testamentos, então, porque não pode ser penalmente responsabilizado por um
crime que cometeu? Por essa exclusão da lei, os menores que cometem crimes criaram um
sentimento de impunidade. Ou se vota pela redução ou se comprometerá uma parcela maior
da população.”

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“NÃO”
Juliana Corrêa Linhares é advogada e assessora jurídica do Centro de defesa dos Direitos da
Criança e do Adolescente "Pe. Marcos Passerini".

Porque a senhora é contra a redução da maioridade penal?


“O discurso da suposta necessidade da maioridade penal sempre vem à tona quando se tem
notícia de crimes de grande repercussão com a participação de crianças/adolescentes. É
evidente que lamentamos a ocorrência desses crimes, só que somente o crime não justifica a
alteração da Constituição. Dessa forma, importa salientar que dados da Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República apontam que somente 0,09% dos adolescentes estão
cumprindo algum tipo de medida socioeducativa por cometerem crime. A SDH aponta ainda
que entre 2002 e 2011 houve uma redução de crimes contra a pessoa cometidos por
adolescentes. Nos crimes de homicídio houve uma redução de mais de 14%. O que se verifica
é que não existe um contexto que justifique todo esse clamor pela redução da maioridade
penal. Por outro lado, pesquisas como o Mapa da Violência revelam um crescimento
desenfreado da violência contra jovens, mas esses dados não causam grande comoção
nacional, não geram um movimento pela imediata apuração dos crimes cometidos contra
crianças e adolescentes. Por fim, é importante salientar que tais movimentos favoráveis a
redução da maioridade penal só são vistos quando o autor do ato infracional é oriunda de
família de baixa renda”.

Artigo de Opinião: Maioridade Penal


Maioridade penal, reduzir ou não?
A Constituição Brasileira, o Código Penal e o Estatuto da Criança e do
Adolescente dizem que a maioridade penal em nosso país é de 18 anos. Cidadãos
com idade inferior a essa não podem ser julgados e receber punições iguais à de um
adulto. Porém, há diversas propostas para que haja redução da maioridade penal
de 18 anos para 16 anos.

Se lembrarmos de alguns crimes hediondos cometidos por menores, como o


caso do garoto João Hélio, que foi arrastado pelo carro por sete quilômetros, em
fevereiro de 2007 e da jovem Liana, morta em Embu-Guaçu – SP, com quinze
facadas após sofrer estupro, certamente seremos a favor, não só da redução da
maioridade penal, mas de sua total eliminação. Afinal, em países como Estados
Unidos e Inglaterra, não existe idade mínima para a aplicação de penas e na Índia,
a idade limite é de sete anos.

De acordo com o juiz Bismarque Leite, entre os principais motivos do


aumento da violência está a ausência do Estado e o desajuste familiar - “Há muitos
casos de pais que não estão presentes na educação dos filhos. Os menores se
desligam da escola e são aliciados por adultos para participar de delitos, o que para
nós são atos infracionais”.

Logo, é necessária uma reforma na educação, na sociedade e na legislação. É


dever do Estado oferecer ensino de qualidade e infraestrutura para que a família
possa criar e educar seus filhos com base nos valores morais e éticos, de acordo com
seus princípios. Além disso, é preciso rever as leis que protegem amplamente os
menores de idade e deixam a sociedade desprotegida.

Finalmente, punir de acordo com o crime cometido é preciso, para que o


infrator não volte a praticar outros delitos e os jovens da mesma faixa etária sintam
que o castigo é severo e que o crime não compensa.

Ângela Maria Cereli Romazzini, Professora de Língua


Portuguesa

http://pensartigo.blogspot.com.br/2011/11/artigo-de-opiniao-maioridade-penal.html