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Tuberculinismo como miasma independente

HAHNEMANN não distinguiu o Tuberculinismo, tendo incluído aqueles


quadros que mais tarde seriam qualificados como tuberculínicos, na
própria Psora. Entretanto, distinguiu medicamentos situados dentro do
grupo psórico por características comuns especiais que posteriormente as
adaptariam ao Tuberculinismo.

ALLEN interpretou o Tuberculinismo como miasma diferenciado, dando-


lhe o nome de Pseudopsora e NEBEL, contemporâneo de KOCH,
considerou-o como estado miasmático independente, interpretação essa
mantida por VANNIER, que por sua vez acrescentou numerosos conceitos
próprios. Coube a FORTIER-BERNOVILLE a tarefa de consolidar esta tarefa
esta diferenciação. ZISSU define este miasma como impregnação
hereditária ou adquirida pela toxina tuberculínica, independente de lesão
tuberculosa atuante.

Para Henry BERNARD o Tuberculinismo depende da presença mais ou


menos discreta nos humores de toxina extremamente difusível,
transmitida por hereditariedade e suscetível de permanecer como
saprófito inofensivo no seio da economia.
Caracterização do Tuberculinismo

A caracterização do Tuberculinismo estudado como miasma


independente dispõe dos seguintes argumentos:

1 – Etiologia própria – a toxina tuberculínica.

2 – Constituição predisponente – o biótipo longilíneo dito fosfórico e suas


variantes.

3 – Sintomatologia precisa.

4 – Grupo de medicamentos chamados antituberculínicos, cujos quadros


patogenéticos têm aspectos marcantes comuns, porém distintos dentro
do conjunto sintomático da Psora.

A universalidade do Tuberculinismo

Para BERNARD a intoxicação progressiva de origem endógena que


normalmente se elimina para o exterior caracterizando a Psora, ao ser
obstada, evolui no sentido da tuberculose, com suas formas bacilares
autônomas de eliminação. Este autor defende a universalidade da toxina
tuberculínica que desde o grau mínimo, imperceptível, até o grau máximo
de lesão, afetaria indistintamente os seres humanos. Todo o indivíduo
seria tuberculínico e portanto um tuberculoso em potencial.
A instalação do Tuberculinismo

Segundo BERNARD, a toxina tuberculínica afeta o indivíduo desde a fase


intrauterina, quando se instala no sistema retículo-endotelial, mais
especificamente nas células de Kupfer, caracterizando a fase hepática ou
humoral, daí propagando e se exteriorizando clinicamente por congestão
venosa periférica, variabilidade de sintomas, hipertermia, eliminações
características e eliminação nervosa.

O indivíduo estênico ao ser dominado pela toxina, desenvolve fase


linfoganglionar aguda sob forma de adenites, amigdalites, apendicites e
adenopatias, ou uma fase linfoganglionar crônica.

Na fase astênica sobrevêm polimicroadenopatias generalizadas, apirexia


e emagrecimento, com marcada desmineralização, bloqueio de funções
excretoras, compromentimento respiratório e alterações nutritivas.

Finalmente, fixando-se a toxina como reação local, definem-se processos


circunscritos de acometimento celular ainda reversível, esclerose
quando na constituição carbônica, ou ainda processos não específicos de
tumefação, tubérculos, esclerose imperfeita ou supuração, quando na
constituição fosfórica.
Tuberculose e Tuberculinismo

Enquanto a escola acadêmica reconhece a tuberculose como doença


multiforme, caracterizada por lesões que permitem evidenciar o bacilo de
Koch, enquanto esta mesma escola discute, mas aceita, o assunto
polêmico das tuberculoses atípicas, o conceito de Tuberculinismo
permanece exclusivo da Homeopatia.

Etiologia eTuberculinismo

O Tuberculinismo nem sempre depende da toxina tuberculosa


propriamente dita, ou da toxina tuberculínica, mas igualmente de outros
agentes ou condições mórbidas capazes de provocar ou favorecer reações
similares:

1 – fatores higieno – dietéticos provocadores de desiquilíbrio mineral;

2 – infecções rebeldes e recidivantes;

3 – doenças anergizantes;

4 – suporte hereditário tuberculoso ou tuberculínico;

5 – predisposição de terreno.

O biótipo predisponente ao Tuberculinismo é o longilíneo ou fosfórico


bem como o sulfúrico magro, marcados por conformação especial do
tórax, com expansão diminuída, com dilatação irregular dos pulmões,
acrescida pelos sinais de desmineralização e de oxigenação incompleta.
Patologia Geraldo Tuberculinismo

No início do estado tuberculínico predominam distúrbios de nutrição com


defeitos de assimilação ou desassimilação. Na assimilação defeituosa
relacionada a substâncias hidrogenóides, a evolução mórbida prossegue
lenta e subfebril, enquanto naquela relacionada a substâncias oxigenóides
o curso se torna rápido e febril.

Da intoxicação progressiva resultam fenômenos de eliminação ao nível


mucoso e cutâneo, ou localizados em diferentes órgãos sob a forma de
supuração, necrose, ulceração e esclerose. Os ossos, articulações,
pulmões, rins e cérebro costumam ser acometidos. Quando as
perturbações se restringem ao metabolismo, o paciente ainda se qualifica
como tuberculínico, mas quando o bacilo de Koch se faz presente o seu
hospedeiro se torna um tuberculoso.

As reações congestivas se acompanham de catarros respiratórios e as


toxinas tuberculínicas se exteriorizam por infecções respiratórias de ciclo
sazonal. Evidencia-se tropismo pelas glândulas, principalmente tireóide,
pelos gânglios, pelo sistema nervoso vago-simpático e sistema nervoso
central.

Correlações miasmáticas

Diferentes mecanismos imunopatológicos se entrosam no Tuberculinismo


com predomínio dos processos inflamatórios próprio da Psora,
simultaneamente com a tendência destrutiva característicado Luetismo.

Sendo Tuberculinismo um imbricamento de outros miasmas, nele se


entrosam sintomas e sinais simultâneos da Psora, da Sicose e do
Luetismo, sem alterçõesque lhe sejam realmente próprias. Para alguns
estudiosos do assunto, ele representaria estado de terreno onde o
miasma sifilínico desenvolveria aspectos especiais.
As eliminações do Tuberculinismo

No Tuberculinismo domina o sentido centrípeto do processo mórbido,


direcionado as células e aos órgãos internos, opondo-lhe reação
metabólica ou bloqueio imune,

As eliminações, quando se processam, são essencialmente mucosas e


serosas, acessoriamente cutâneas, não aliviam e têm aspecto variável; a
sua parada acentua a congestão venosa periférica e agrava o doente,
podendo levá-lo a processo lesional localizado – tuberculínico ou
tuberculoso.
Sinopse clínica do Tuberculinismo

Um conjunto de manifestações clínicas caracteriza o miasma


tuberculínico:

1 – antecedentes de rubéola, coqueluche, rinofaringites, pleuris, primo


infecção, adenopatias da infância, surtos febris inexplicáveis, anemia,
crescimento rápido, amenorreia e eritema nodoso;

2 – hipersensibilidade nervosa;

3 – variabilidade extrema de sintomas;

4 – congestão venosa periférica;

5 – tendência febril;

6 – eliminações mucosas e serosas;

7 – desmineralização;

8 – emagrecimento, desidratação e descalcificação;

9 – hipersensibilidade ao frio;

10 – obstipação.

As alternâncias mórbidas e periodicidade, características da Psora, são


igualmente constantes no tuberculinismo.
Nosódios tuberculínicos

Os nosódios tuberculínicos provêm de preparações de natureza patológica


relacionadas com o mbacilo de Koch, oriundas de toxinas e de lesões por
ele produzidas; ao modo de verdadeiras vacinas em estado biodinâmico,
preparadas segundo farmacotécnica homeopática, constituem recursos
específicos capazes de interferir na resposta imune e formam o grupo de
nosódios melhor estudados. Dispõem de patogenesias e, tal como
Psorinum, Luesinum e Medorrhinum, costumam ser prescritos pela
correlação de semelhança independente do critério miasmático.

Constituem nosódios tuberculíneos bem estudados:

1 – Tuberculinum, Tuberculina total de Koch, ou T.K., contendo exo e


endoxina inicialmente preparada por NEBEL;

2 – Tuberculina residual de Koch ou T.R., contendo exclusivamente


endotoxina microbiana.

São nosódios tuberculínicos não suficientemente estudados:

3 – Bacilinum de Burnet, oriundo diretamente da excreção bacilífera de


abcesso tuberculoso ou escarro positivo;

4 – Tuberculinum bovino, oriundo da polpa dos gânglios bovinos


tuberculosos;

5 – Marmoreck, preparado do soro de cavalovacinado com filtrado de


culturas jovens;

6 – Denys, oriundo de cultura fervida e filtrada contendo exotoxina;

7 – Aviaria, provindo de aves doentes.


Relação miasmática do Cancerinismo

O estado de Cancerinismo, especialmente estudado pela escola francesa,


rpresenta condição de não resposta, como consequ~encia da
impossibilidade do organismo manter-se em equilíbrio dentro dos estados
miamáticos básicos descritos> A capacidade de auto-regulação da unidade
psicofuncional sem encontra comprometida, os mecanismos biológicos se
rompem e o organismo se desgoverna por falta de controle sobre as suas
reações.

Enquanto a excitação das funções domina a Psora, enquanto a perversão


das funções traduz a Sicose e a destruição representa o Luetismo, a
desagregação caracteriza o Cancerinismo.

Alterações básicas do Cancerinismo

A desagregação da personalidade sintetiza a situação do Cancerinismo.

Na área somática este estado se manifesta por proliferação e destruição


descontrolada dos tecidos, enquanto na área mental alteram-se as
faculdades psíquicas – a exemplo da esquizofrenia. Assim como no soma
sobrevém desarmonia entre as partes, a mente também deixa de
representar unidade e se desarticula, não por lesões macroscópicas, mas
por distúrbios intrínsecos. A centralização da unidade bio-psicofuncional
deixa de existir no Cancerinismo.
Cancerinismo como situação de falha imune

A interpretação do câncer admite a perda da capacidade de


reconhecimento e eliminação das células neoplásicas que continuamente
se formam no organismo, juntamente comaquelas “no self”.

O fenômeno de tolerância que, dentro de limites normais estabelece


fronteiras compatíveis com a saúde, no sentido do reconhecimento
daquilo que é ou não seu, ou daquilo que lhe convém, cai no estado em
que esta função tolerógena se amplia no sentido de uma permissividade
capaz de injúria ao próprio organismo.

Condição imprescindível para a atuação da dose infinitesimal, dentro da


lei de semelhança, é a presença de suficiente resposta do sistema imune,
condição esta comprometida no câncer. Embora despontem na literatura
alguns casos de cânceres curados pela Homeopatia, estes relatos não se
afastam das circunstâncias casuais ou possibilidades encontradas em
outros métodos terapêuticos.