Você está na página 1de 11

PEA 5002 - Energia Eólica:

Fundamentos e Viabilidade Técnico


e Econômica
LISTA DE EXERCÍCIOS N0 1

Alunos:

Bruno Milan Perfetto N0 USP: 6552421


Paul Villar Yacila N0 USP: 10588096

São Paulo, 31 de outubro de 2017


Exercı́cios resolvidos
1. Considere um registro de um ano de dados coletados a cada 10 minutos à uma altura
de 50 metros do solo pertencente a um determinado sı́tio. Avalie o potencial eólico
deste sı́tio. A tabela abaixo mostra os dados de velocidade de vento classificados em
um intervalo de 1 m/s (dv). Considere uma massa especı́fica de 1.3 kg/m3

V(m/s) > 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13
fj/dv 1 1 1 2 4 6 8 11 17 25 33 40 61 78
V(m/s) > 12 11 10 09 08 07 06 05 04 03 02 01 00
fj/dv 90 113 138 158 160 175 179 160 136 75 50 29 12

Calcular:

a) Velocidade média, desvı́o padrão, densidade média de potência.


Se deduce que o ‘método de clases’ é o método mais oportuno para resolver esta questão.
Por tanto, com os dados da tabela anterior, se calculam as médias, as probabilidades e as
densidades médias de potencia de cada rango de velocidades as quais são mostradas na
Tabela 1.

Vmédia (m/s) Freqüência Probalidade p(v) Densidade de potência (W/m2 )


0.5 12 0.006807 0.0005530
1.5 29 0.016449 0.0360855
2.5 50 0.028361 0.2880389
3.5 75 0.042541 1.1855679
4.5 136 0.077141 4.5691719
5.5 160 0.090754 9.8145207
6.5 179 0.101531 18.1240038
7.5 175 0.099263 27.2196717
8.5 160 0.090754 36.2274532
9.5 158 0.089620 49.9446469
10.5 138 0.078276 58.8990145
11.5 113 0.064095 63.3626028
12.5 90 0.051049 64.8087422
13.5 78 0.044243 70.7549702
14.5 61 0.034600 68.5638010
15.5 40 0.022689 54.9181792
16.5 33 0.018718 54.6546122
17.5 25 0.014180 49.3986635
18.5 17 0.009643 39.6848873
19.5 11 0.006239 30.0716712
20.5 8 0.004538 25.4104651
21.5 6 0.003403 21.9850610
22.5 4 0.002269 16.7984260
23.5 2 0.001134 9.5696185
24.5 1 0.000567 5.4219973
25.5 1 0.000567 6.1133827
26.5 1 0.000567 6.8611777

Tabela 1: Mi tı́tulo tabla

1
Para o cálculo da velocidade média, se usam os dados de Vmedia e Freqüência da Tabela
1 e o número de eventos reportados (N = 1763)
27
1 X 0.5 · 12 + 1.5 · 29 + ... + 26.5 · 1
V = mj fj = = 8.9135 m/s (1)
1763 1763
j=1

O desvio padrão, se faz como segue:


v  
u
27
u 1
u X 
σr = t m2j fj − 1763 (8.9135)2 = 4.18 m/s (2)
1762  
j=1

O cálculo da densidade média de potência é:


27
P 1 1 X 3
= · 1.3 · mj fj = 794.687 W/m2 (3)
A 2 1763
j=1

A densidade média de potência também pode ser obtida sumando os valores individuais
da columna ‘Densidade de potencia’ da Tabela 1.

b) Faca o gráfico de histograma de velocidade.


Na Figura 1 mostra-se a distribuição de freqüência dos dados de velocidades medidos.

Figura 1: Histograma de velocidades de vento

Nesta Figura pode-se observar que as velocidades mais freqüêntes estão entre 4.5 m/s y
10.5 m/s. Sendo a velocidade de 6.5 m/s a mais freqüênte, a velocidade de 7.5 m/s é a
segunda mais freqüênte e seguem as velocidades de 5.5 m/s e 8.5 m/s.

c) Faça o gráfico de freqüência acumulada e duração de velocidades.


Na Figura 2 mostra-se a soma progressiva das freqüências absolutas (freqüência acumu-
lada) e as correpondentes durações de velocidades. Ambas representações de dados estão
calculadas em percentagem.

2
Figura 2: Freqüência acumulada e duração de velocidades

Respeito a freqüência acumulada, a Figura 2 indica que a ocorrencia de velocidades meno-


res ou iguais a 8.5 m/s tem probabilidade aproximada de 55%, e a ocorrencia de velocida-
des menores ou iguais a 14.5 m/s tem probabilidade aproximada de 90%. Caso contrario
acontece con a curva de duração de velocidades, onde a probabilidade de que o vento seja
maior que 8.5 m/s é aproximadamente 45%, e a probabilidade que o vente seja maior que
14.5 m/s é aproximadamente 10%.

d) Plote em um mesmo gráfico o histograma; a curva de distribuição de Weibull e Rayleigh.


Indique nas curvas, velocidade média e a velocidade mais freqüênte. Compare e veja a
que mais se aproxima do histograma.

Figura 3: Histograma, distribuição de Weibull e distribuição de Rayleigh

3
Fazendo um análise previo da Figura 3 se pode visualizar que no intervalo de velocidades de
0.5 a 10.5 m/s la distribuição de Weibull se ajusta melhor ao Histograma; mas, no intervalo
entre 11.5 e 14.5 m/s a distribuição de Rayleigh se aproxima melhor ao Histograma. No
intervalo final de velocidades a distribuição de Weibull volta para aproximar-se melhor ao
Histograma. Por tanto, podemos dizer, anticipadamente, que a distribuição de Weibull se
aproxima melhor aos dados medidos.
Na Tabela 2 se mostra as velocidades mais freqüêntes e as velocidades médias de la
muestra e as dois distribuiçoes calculadas. Estos dados podem ajudar a conhecer qual das
distribuiçoes representa melhor o Histograma.

Função de probabilidade Velocidade mais freqüênte (m/s) Velocidade média (m/s)


Weibull 7.5 8.91
Rayleigh 7.5 8.89
Histograma 6.5 8.91

Tabela 2: Mi tı́tulo tabla

Pela Tabela 2 é difı́cil escolher qual distribuição é melhor, pois ambas apresentam mesma
velocidade mais frequênte e velocidades médias muito próximas, mesmo a Weibull apre-
sentando exatamente o mesmo valor médio que a amostra, mas isso é decorrente da apro-
ximação utilizada para os parêmetros da Weibull.
Finalmente, calculando o erro quadrático médio de cada distribuição (ver Tabela 3), se
pode observar que a distribuição de Weibull apresenta menor erro quadrático médio, e esse
é cerca de 36.11% do erro apresentado pela distribuição de Rayleigh, ou seja, a distribuição
de Rayleigh apresenta erro quadrático 2.77 vezes maior que a distribuição de Weibull.

e) Plote a curva de densidade de potência versus a probabilidade do vento ser maior do que
uma velocidade particular v.
Considerando os dados de densidade de potência e as freqüencias acumuladas, se obtem a
seguinte Figura.

Figura 4: Densidade de potência garantida en função de probabilidade de vento

4
Esta curva deve ser parecida a aquila curva de duração de ventos mostrada em aula.
Devido a que o ordem dos valores de densidade de potência são maiores do que o ordem
dos valores de velocidades as curvas não tem semelhança, mas, se se aplicando a escala
logaritmica ao eixo das ordenadas, a curva fica assim:

Figura 5: Densidade de potência en função da probabilidade do vento (Escala logarı́tmica)

2. Sendo a velocidade do vento a 20 m do solo igual a 5 m/s. Monte uma tabela atribuindo
três valores para Z0 (comprimento de rugosidade), indicando para cada valor de Z0 a
velocidade e densidade de potência a 50 m/s do solo.
Use a lei logarı́tmica para cálculo da correção da velocidade com altura e massa especı́fica
constante de 1.225 kg/m3 . Escolha os três tipos de terreno indicados na tabela dada em
aula.
Comente os resultados.

Os tipos de terreno escolhidos são:

• Liso, gelo, lama

• Poucas árvores

• Zonas urbanas com edifı́cios altos

Usando a Lei Logarı́tmica (z = 50 m, zr = 20 m) e a Densidade de Potência, se calculam


os valores amostrados na Tabela 4

Tipo de terreno z0 (m) V (m/s) P (kW/m2 )


Liso, gelo, lama 0.00001 5.315774 92.00376
Poucas árvores 0.1 5.8647 123.5502
Zonas urbanas 3 7.414952 249.7072

Tabela 3: Mi otra tabla

Pode-se perceber que para uma mesma velocidade de vento a 20 m de 5 m/s, ao se variar
o valor de z0 , quanto maior seu valor, maior será a velocidade a 50 m, isso ocorre pois o valor

5
de velocidade de 5 m/s a 20 m não foi alterada, logo, se o coeficiente de rugosidade aumenta,
mas a velocidade na mesma altura não muda, a distribuição é mais intensa quanto maior for
o z0 , já que na realidade terrenos com z0 alto tem comprimento de camada limite maior, o
que diminuiria a velocidade a 20 m, mas como o caso é hipotético, quanto maior z0 , maior a
velocidade média à 50 m e consequentemente maior densidade de potência.
Na Figura 6, mostra-se a variação do velocidade en função da rugosidade a uma altura
de 50 m.

Figura 6: Variação de velocidade do vento en função da rugosidade do terreno a mesma altura

3. Uma turbina eólica de potência nominal igual a 600 kW possui uma velocidade de partida
(Cut-in) de 5 m/s, velocidade nominal de 20 m/s e velocidade de corte de 22 m/s. Sua
potência de saı́da em função da velocidade do vento na altura do cubo (rotor) é apresentada
na tabela abaixo. Altura do cubo igual a 45 metros.

Veloc (m/s) 0 2 4 6 8 10
Potência (kW) 0 0 0 80 120 360
Veloc (m/s) 12 14 16 18 20 22
Potência (kW) 500 550 580 590 600 0

Calcule a energia anual gerada e o fator de capacidade para:


a) Um sı́tio com ventos extremos onde o vento sopra com uma distribuição de Rayleigh
com velocidade média de 8.2 m/s medidos a 10 metros do solo.
Usando a rugosidade do terreno (z0 ) igual a 12 mm, procede-se calcular a velocidade
do vento a 45 m de altura empregando a lei logaritmica:
45

ln 0.012 
V (45 m) = 8.2 · 10 = 10.034 m/s (4)
ln 0.012
Jogando o dado de V (45 m) na função de densidade de probabilidade de Rayleigh,
temos a seguinte expresão:
h 2
i
π v v
− π4 ( 10.034 )
p(v) = · ·e (5)
2 10.0342

6
Na Tabela 4 são relatados os dados da curva de potência com suas probabilidades e
energia gerada por ano:

v (m/s) P (kW) p (v) E/ano (kWh)


0 0 0 0
2 0 0.030246 0
4 0 0.055085 0
6 80 0.070692 99081.6582
8 120 0.075761 159279.624
10 360 0.071514 451050,037
12 500 0.060883 533338.555
14 550 0.047345 456213.609
16 580 0.033883 344308.341
18 590 0.022426 231815.470
20 600 0.013773 144781.725
22 0 0,007867 0
Total Energia Gerada (kW-h/ano) 2419869.02

Tabela 4: Mi otra tabla

Os valores individuais de E/ano foram calculados utilizando la seguinte equação:

E/ano = P · p(v) · 8760 · 2 (6)

Na equação anterior, o fator 2 é usado porque a soma das probabilidades calculadas na


Tabela 4 da ∼ 0.50, por tanto, esse fator ajuda a completar as probabilidades faltantes
usando a curva de potência fornecida pelo fabricante.
A energia gerada para distribuição de ventos com média de 8.2 m/s à 10 m do solo,
com velocidade corrigida média de 10.03 m/s à 45 m adotando-se Zo = 0.012 m foi de
2.42 GWh aproximadamente.
O fator de capacidade (FC) se encontra do seguinte jeito:

P 2419869.02/8760
FC = = = 0.46 (7)
Pn 600

b) Um sı́tio potencialmente atrativo onde a velocidade média a 10 metros do solo é de 6


m/s. A distribuição também é a de Rayleigh.
Con a nova velocidade de referencia de 6 m/s se corrige a velocidade do vento a 45 m
de altura empregando a lei logaritmica:
45

ln 0.012 
V (45 m) = 6 · 10 = 7.342 m/s (8)
ln 0.012

Jogando o novo dado de V (45 m) na função de densidade de probabilidade de Rayleigh,


temos a seguinte expresão:
h 2
i
π v − π4 ( 7.342
v
)
p(v) = · ·e (9)
2 7.3422
Na Tabela 5 são relatados os dados da curva de potência com suas probabilidades e
energia gerada por ano:

7
v (m/s) P (kW) p (v) E/ano (kWh)
0 0 0 0
2 0 0.054983 0
4 0 0.092326 0
6 80 0.103480 145036.871
8 120 0.091751 192896.940
10 360 0.067876 428104.500
12 500 0.042901 375809.700
14 550 0.023462 226075.328
16 580 0.011186 113666.476
18 590 0.004672 48295.556
20 600 0.001715 18031.772
22 0 0.000555 0
Total Energia Gerada (kWh/ano) 1547917.14

Tabela 5: Mi otra tabla

Os valores individuais de E/ano foram calculados ao igual do que apartado anterior:


A energia gerada para distribuição de ventos com média de 6 m/s à 10 m do solo, com
velocidade corrigida média de 7.34 m/s à 45 m adotando-se Zo = 0.012 m foi de 1.55
GWh aproximadamente. Lembrando que como a curva de potência da turbina foi dada
de 2 em 2 m/s, é necessário corrigir a energia gerada multiplicando-se por 2, que foi o
intervalo entra cada ponto da curva.
O fator de capacidade (FC) se encontra do seguinte jeito:

P 1547917.14/8760
FC = = = 0.295 (10)
Pn 600

c) Discuta e compare os resultados. Escolha o tipo de terreno.


Analisando os cálculos para ambos sı́tios, pode-se observar que o sı́tio com 8.2 m/s
de velocidade média tem fator de capacidade muito maior que o sı́tio com 6 m/s de
velocidade média, cerca de 56.2% a mais de fator de capacidade, bem como de energia
gerada anualmente. Assumiu-se um z0 igual para ambos sı́tios a fim de se comparar de
forma justa. De forma genérica, pode-se extrair que quanto maior a velocidade média
de um sı́tio, melhor será seu fator de capacidade, dada uma escolha coerente de turbina
para o parque.

4. Considere a instalação de uma planta eólica de 75 MW numa localidade que apresenta


o seguinte regime do vento: Dados de vento medidos na altura de 50 metros (use a Lei
Logaritmica para correção da velocidade dos ventos). Considere que o vento foi medido
em uma terreno cultivado com rugosidade = 50 mm.
V = 8 m/s
σ = 1.98 m/s
k=4
Informaçoes adicionais

• Considere que a distribuição dos ventos se dá de acordo com a Função densidade de
probabilidade de Weibull.
• Altura de instalação das turbinas = 80 metros.
• Considere um fator de disponibilidade da central de 98%.

8
• Considere um fator de perda da central de 5%.

Usando a lei logaritmica se corrige a velocidade média a 80 m:

80

ln 0.05 
V (80 m) = 8 · 50 = 8.544 m/s (11)
ln 0.05

O fator de escala c é calculado com a velocidade média e o fator de forma:

8.544
c=  = 9.427 (12)
Γ 1 + 14

O número de turbinas vai ser:

75000 kW
NT = = 50 turbinas (13)
1500 kW
A função de Weibull para este caso particular fica do seguinte jeito:

4  v 4−1 v 4
p(v) = · · e−( 9.427 ) (14)
9.427 9.427
 v 3 v 4
p(v) = 0.4243 · · e−( 9.427 ) (15)
9.427
Na Tabela 6 se apresentam os valores calculados de probabilidade de vento e a energia
anual gerada para cada velocidade apresentada na curva de potência da turbina.

9
v (m/s) P (kW) p(v) E/ano (kWh)
1 0.0 0.000506 0
2 0.0 0.004044 0
3 0.0 0.013538 0
4 3.0 0.031386 824.821
5 73.6 0.058502 37718.253
6 192.0 0.092856 156175.918
7 346.5 0.128196 389118.620
8 537.5 0.154393 726957.387
9 764.0 0.160883 1076732.141
10 1008.0 0.142771 1260677.750
11 1182.5 0.105576 1093629.316
12 1360.0 0.063344 754660.666
13 1428.5 0.029897 374117.814
14 1469.0 0.010719 137938.039
15 1500.0 0.002809 36910.884
16 1500.0 0.000516 6778.651
17 1500.0 6.34x10−5 833.613
18 1500.0 4.98x10−6 65.376
19 1500.0 2.3x10−7 3.104
20 1500.0 6.42x10−9 0.084
21 1500.0 9.44x10−11 0.001
22 1500.0 7.05x10−13 9.26x10−6
23 1500.0 2.5x10−15 3.29x10−8
24 1500.0 3.96x10−18 5.20x10−11
25 1500.0 2.6x10−21 3.41x10−14
Total Energia Gerada por turbina (kWh/ano) 6053142.439

Tabela 6: Mi Tabla

Para calcular a energia anual gerada do parque, temos:

Eanual parque = Eanual turb × N T × F D × (1 − F P ) (16)

Eanual parque = 6.053 × 50 × 0.98 × 0.95 GW h (17)

Eanual parque = 281.774 GW h (18)


O calculo do fator de capacidade (FC) faz-se como segue:

281774/8760
FC = = 0.43 (19)
1.5 × 50
Com velocidade média a 50 m de 8 m/s e k = 4 estimou-se a velocidade média à 80 m de
8.54 m/s com cálculo de c = 9.43 m/s através da lei logarı́tmica. Com a distribuição de
Weibull definida e com a curva de potência da turbina dada, foi estimada a energia anual
gerada de 6.05 GWh por turbina, o número total de turbinas no parque, dada a potência
instalada e a potência nominal de uma turbina foi de de 50 turbinas, assim utilizando
os fatores de perda e disponibilidade dados de 5% e 98% respectivamente, calculou-se a
energia anual gerada pelo parque de 281.8 GWh. E com fator de capacidade do parque
calculado FC = 0.43.

10