Você está na página 1de 150

ACOMPANHAMENTO DE

UFCD
3244 CRIANÇAS – TÉCNICAS DE
ANIMAÇÃO

Formadora: Brigite Azevedo


Objetivos

• Identificar o papel do animador no desempenho profissional de acompanhante de


crianças.

• Reconhecer as principais técnicas e metodologias de animação.


Conteúdos Programáticos

1 - Papel do Animador e os Diferentes Tipos de Animação

1.1. Perfil do animador

1.2. Tipos de animação

1.2.1. Animação individual

1.2.2. Animação em grupo

1.3. Formas de animação

1.3.1. Animação artística

1.3.2. Animação lúdica

1.3.3. Programação

1.3.4. Equipamentos, espaços e materiais


1.4. Animador e a cultura

1.5. Animação através do brinquedo

1.6. Objetivos e meios para promover o desenvolvimento da criança

2. Metodologias e Técnicas de Animação

2.1.Objetivos das técnicas de animação

2.2.Expressão do movimento

2.3.Expressão dramática

2.4.Expressão plástica

2.5.Expressão musical
3. Tipos de Animação

3.1.Animação individual

3.1.1.Definição

3.1.2.Estratégias

3.1.3.Atividades

3.2.Animação de grupos

3.2.1.Definição

3.2.2.Estratégias

3.2.3. Atividades
4. Planificação de Atividades

4.1.Elaboração e planificação de atividades

4.1.1.Definição de objetivos

4.1.2.Desenvolvimento de conteúdos

4.1.3.Definição de estratégias

4.1.4.Potencial de recursos humanos e materiais

4.2.Flexibilidade da planificação
1. Papel do Animador e os Diferentes Tipos de
Animação
1.1. Perfil do Animador
Animador:

• Desempenha um papel central no método da animação;

• Assume a responsabilidade de promover a vida do grupo ou do indivíduo, através do uso dos

instrumentos que dinamizam as pessoas envolvidas por este método.

• Através das suas atitudes, promove o protagonismo, a liberdade, a responsabilidade e o

crescimento do destinatário.

• Para que o animador possa desempenhar da melhor maneira as funções que lhes estão

determinadas devem ter em conta o ser, o saber e o saber-fazer, de que já falámos, os

conhecimentos que possui, que pode e deve partilhar e, claro, ter em atenção os métodos que irá

utilizar para atingir os seus objetivos através das atividades predefinidas.


• O animador é o indivíduo que deve promover da melhor forma o bem-estar, o conhecimento, a
responsabilidade, a autonomia, o sentido crítico da vida e de tudo o que a envolve.

• Deste modo, existem diferentes perfis de Animadores Socioculturais, dependendo dos vários
âmbitos de intervenção de cada Animador (teatro, música, cinema, atividades interculturais …).
• Um animador é um Educador Social que trabalha nos campos:

- Social, Cultural e Educativo.

• Este, deve centrar-se não no produto mas sim no processo, que passa pela envolvência no sentido
de levar as pessoas a: participar, interagir, sociabilizar, vencer medos e inibições, de forma a
estimular as pessoas para o SER e não para o TER.

• Nesta faixa etária o animador deve ter uma formação voltada para o âmbito socioeducativo, em que
utiliza como meios para a sua atuação suportes de índole recreativo e cultural voltados,
fundamentalmente, para o estímulo da criatividade.

• Os seus objetivos devem estar direcionados para o desenvolvimento integral da personalidade, da


capacidade expressiva e da vivência coletiva.
• O Animador Sociocultural pode através das suas atividades, encontrar nas crianças a motivação
responsável pelo aumento do seu potencial de criatividade, memorização e socialização, sendo que
as aprendizagens na escola tornam-se mais agradáveis quando associadas a processos mais lúdicos.

• Na dinâmica educativa com as crianças, a Animação é um instrumento extremamente útil para


fundamentar as suas aprendizagens.

• Sabendo que a idade das crianças que frequentam o ensino básico está compreendida entre os 6 e
os 10 anos, a atividade lúdica tem uma importância predominante no seu desenvolvimento.

• O Animador tem como um dos instrumentos de trabalho o jogo, este proporciona inúmeras
aprendizagens e uma integração grupal.

• Através do jogo as crianças desenvolvem o seu espírito de iniciativa, integração, autonomia e poder
de decisão em constante interação com o meio sociocultural.
• O jogo promove nas crianças um processo de socialização e uma exploração do mundo que as
rodeia.

• Poderão ser desenvolvidas dinâmicas de colaboração e cooperação com os outros, de acordo com
regras e normas que as ajudarão a crescer e ter outra perspetiva da envolvente social da
comunidade de pertença.

• O jogo contextualizado através da dramatização no domínio da Educação Artística poderá ser um


instrumento de trabalho do Animador Sociocultural, com vista à socialização da criança,
desenvolvendo as suas atitudes e comportamentos de acordo com padrões sociais e culturais.
• De realçar que a Animação Sociocultural tem vindo a assumir na nossa sociedade uma importância
crescente ao longo dos tempos.

• O Animador Sociocultural afigura-se cada vez mais, como um agente de socialização que pode
desempenhar inúmeras funções de carácter lúdico, recreativo e educacional.

• Para as crianças é essencial a necessidade de uma intervenção infantil.


1.2. Tipos de Animação
1.2.1. Animação Individual

• A Animação individual como o próprio nome indica é direcionada para uma só pessoa, ou
seja, trabalha-se diretamente com a pessoa e para a pessoa, não no seio de um grupo, mas
individualmente.

• Embora o trabalho de grupo seja muito importante, na animação o indivíduo é também


muito importante.

• Se houver um único que goste muito de fazer uma determinada coisa, o que fazemos? É
preciso apoiar e facilitar essa opção.

• É preciso o animador estar disponível e propor atividades adaptadas ao gosto e desejos dos
participantes.
1.2.2. Animação em Grupo

• O que é um grupo? É um conjunto de indivíduos que partilham os mesmos valores, que têm
objetivos comuns e em que todos interatuam para alcançar esses objetivos.

• Segundo estudos, o comportamento do indivíduo é diferente quando está sozinho e quando


está acompanhado.

• Nas crianças isto é ainda mais notório.

• A dinâmica de grupos estuda o funcionamento do grupo, que não é só um conjunto de


pessoas, mas sim estas e os seus objetivos, finalidades.
1.3. Formas de Animação
1.3.1. Animação Artística

• A Animação tem que ser compreendida enquanto, uma metodologia de intervenção que recorre a
um conjunto de recursos, especial enfoque para as expressões artísticas, que assumem um papel
de catalisadoras de sinergias, valores, atitudes, demandas e vontades entre o Animador e a
comunidade.

• A promoção das expressões artísticas através da educação pela arte, também deve acontecer fora
do âmbito da educação formal, num espaço de educação não formal, entendido como um espaço
de participação ativa de cada pessoa, lugar de encontro com o outro, um espaço de criatividade,
onde a criança não é um simples ser passivo, mas, onde ele é o protagonista da ação.
• Acima de ser um dom excecional, a criatividade mostra-se como aptidão que pode ser
adquirida e desenvolvida, de acordo com método apropriado.

• E isto deverá estar inserido numa educação integral, equilibrada com muitas outras aptidões.
• Vamos pensar em educação e criatividade como algo sempre presente, pertinente a toda atividade,
não apenas como meta a ser atingida.

• O que permite à criança ser criativa por natureza é a inexperiência que a livra de bloqueios, deixa-a
recetiva a situações novas, demonstra curiosidade e interesses ilimitados, permite originalidade
espontânea e sem premeditação e permite flexibilidade mental.

• Do animador, espera-se fornecer à criança equilíbrio e formação convenientes para que a aptidão
natural não desapareça, mas continue sempre "crescendo".
• Se os jogos e os brinquedos funcionam como válvula de escape para a energia física, a arte como
meio de expressão funciona como válvula de escape para a sua imaginação super ativa.

• Manter o interesse da criança em um nível elevado, embora seu interesse imediato seja bem
maior do que o de um adulto, não é fácil.

• A criança necessita expressar as ideias à sua maneira e cabe ao adulto agir flexivelmente para se
adaptar ao modo de pensar dela, ser recetivo para aceitar as suas ideias e habilidade para corrigir
sem impor suas próprias conclusões.

• Resumiríamos, então, que o papel do desenvolvimento da criatividade, em Educação, é


encaminhar a criança para o uso do seu pensamento criador em todos os sectores das atividades.
1.3.2. Animação Lúdica

• Quando falamos de animação na infância, estamos a delimitar um âmbito da animação dirigido a um


coletivo específico, cujo objetivo último é educar no ócio.
Lopes (2008), defende que qualquer ação a levar a cabo no domínio da Animação Infantil deve
obedecer a princípios que contemplem:

• A criatividade (envolvimento em áreas expressivas, que considerem formas inovadoras e


processos de aprendizagem estimulando a improvisação e a espontaneidade);

• A componente lúdica (prazer na ação, alegria na participação num clima de confiança);

• A atividade (geradora de dinâmica, fruto de uma interação resultante da ação);

• A socialização (envolvência com os outros);

• A liberdade (fruto de ações sem constrangimento e repressões na procura permanente da


liberdade);

• A participação (todos são atores protagonistas de papéis principais).


• Jaume Trilla (1998) é da opinião que seria um erro pensar que a Animação Sociocultural no meio
Infantil tenta dar resposta unicamente ao reconhecimento alargado do tempo livre Infantil com o
espaço educativo, apesar de a maior parte das atividades desenvolvidas serem de carácter
educativo possuindo um leque de ações muito distintas.

• Segundo o mesmo autor, quando se fala em atividades do tempo livre Infantil é mais correto falar-
se de Ócio Infantil, que é entendido como uma forma de usar o tempo livre e promover o bem-
estar da criança enquanto realiza uma atividade.

• Deste modo, o ócio não está na atividade em si, mas na atitude da criança quando a realiza. Assim
sendo, a animação Infantil aproveita o potencial educativo do ócio para gerar processos de
desenvolvimento pessoal e social, prestando especial atenção à atividade lúdica.

• Estabelece-se, então, uma relação intrínseca entre a Pedagogia do Ócio e a Animação


Sociocultural originando uma interação entre ambas, na qual encontramos a Animação
Sociocultural Infantil.
• É muito importante refletir nesta interação entre a Pedagogia do ócio e a Animação
Sociocultural na Infância, pois torna-se fundamental que aconteça de forma consciente e
estruturada para que a autonomia, a liberdade, a criatividade e o desenvolvimento pessoal,
amplamente defendidos pela Animação Sociocultural na Infância, não sejam substituídos por
atividades de “ócio” que têm apenas o objetivo de passar o tempo – “matar” o tempo.

• A Animação Sociocultural na Infância não pode obviar o potencial da indústria do ócio, uma
vez que apesar de terem os mesmos objetivos e intenções, os objetivos do ócio não são
necessariamente educativos, pois dão prioridade ao consumo de um produto com a intenção
de obter rentabilidade económica.
• Neste contexto, e segundo Peres e Lopes (2007) a Animação Sociocultural deve encontrar nos
tempos do ócio um âmbito e um objetivo para a Animação.

• Lopes (2008: p .454) ao parafrasear Cuenca (1997) defende que: “ (…) a Animação
Sociocultural sempre se preocupou com o correto uso do tempo de ócio e, tradicionalmente,
tem mantido um diálogo enriquecedor com a denominada pedagogia do tempo livre (…)”.
A animação sociocultural nesta faixa etária deve assumir um carácter lúdico, tendo como objetivos
principais:

1) Dar prazer/satisfação à criança;

2) Dar espaço à imaginação;

3) Dar espaço à criatividade;

4) Estimular a participação efetiva e real;

5) Promover a sociabilização;

6) Fomentar a dimensão intergeracional;

7) Valorizar a educação nos seus três âmbitos (Formal, Não Formal e Informal).
1.3.3. Programação

• A programação de atividades visa usar procedimentos para introduzir organização e


racionalidade à ação, com vista a alcançar determinadas metas e objetivos.

• Um Plano poderá ser um instrumento muito útil quer no domínio da organização do tempo
quer na definição dos objetivos das atividades.

• Este deve conter uma série de elementos de fácil interpretação para quem lê e para quem o
utiliza.
Elementos de um Plano

• Conteúdo da planificação: O Quê…?

• Objetivos: Para Quê…?

• Local: Onde…?

• Metodologia: Como…?

• Atividades e Tarefas: o que se pretende desenvolver

• Calendarização/Cronograma: dias, horários, duração da atividade

• Destinatários: sala, idades, número de participantes

• Recursos Humanos: quem promove e participa na Atividade

• Recursos Materiais e Financeiros

• Avaliação
A execução das diferentes atividades deve ser aproveitada para trabalhar alguns temas básicos:

• Utilizar diferentes materiais e técnicas;

• Estimular a atividade cognitiva através da observação direta, manipulação e experimentação;

• Reforçar a autonomia;

• Boa planificação da sessão, atividades e material a utilizar;


• Motivar, explicar o que vão fazer e porquê;

• Tentar realizar as atividades no mesmo horário no mesmo dia, não alterando muito as
rotinas;

• Criar um ambiente sereno, descontraído e aberto às experiências estéticas;

• Despertar a curiosidade e a vontade.


1.3.4. Equipamentos, Espaços e Materiais

• Não existe uma organização espacial que se possa considerar exemplar ou que funcione como
modelo.

• Cada animador deve adequar a organização do espaço às características das crianças que o
frequentam e às dimensões existentes, aos equipamentos de que dispõe, aos materiais educativos
que possui ou que pode vir a possuir, à realidade local, onde se situa a instituição.

• O espaço não diz respeito apenas à sala onde se realizam as atividades.

• Estende-se às casas de banho, à cozinha, aos locais onde se guardam os materiais de consumo, ao
quintal e ao pátio, se os houver, ou mesmo à área em frente que pode ser utilizada para muitas
atividades, jogos principalmente (mesmo que não tenha o aspeto de um pátio, mas desde que
esteja limpo, serve).
• Dispondo de espaços exteriores e interiores, podem criar-se ambientes onde as crianças se
sintam bem e possam brincar, aprender e desenvolver todas as suas capacidades da melhor
maneira possível, contribuindo assim para as suas experiências de aprendizagem.
Espaço Exterior ou Pátio Interior Aberto

• O pátio interior ou quintal, como é designado correntemente, - é um espaço aberto, porque não
apresenta nenhuma cobertura e é protegido porque fica isolado do exterior

• Este espaço é utilizado para as brincadeiras de recreio, momentos em que as crianças precisam de
estar mais à vontade e desenvolver atividades como: corridas, saltos, gincanas, estafetas, jogos de
pista, futebol, jogo do ringue, a malha, jogos de roda, entre outros.

• É neste tipo de espaço que a criança tem mais possibilidade de exprimir as suas capacidades
corporais.

• No recreio, a criança brinca normalmente com os seus companheiros e é o próprio grupo que
inventa as suas brincadeiras, o que a leva à descoberta das suas próprias capacidades de agilidade,
destreza e domínio.
Para estimular a aprendizagem da criança, este tipo de recinto deve ter:

• Árvores, canteiros cultivados e, se possível, alguns animais que deverão ser tratados pelas crianças.
Este tipo de atividades desenvolve o contacto com a natureza e sensibiliza a criança a ganhar
respeito pelos seres vivos.

• Estruturas fixas como: baloiços, escorregas, túneis... Poderão ser utilizados troncos de árvores,
manilhas, bidões, pneus velhos, etc.

• Tanque com areia e alguns materiais como: baldes, formas, pás, etc.;
• Material para:

- Lançar: bolas, ringues, etc.;

- Rebocar: camionetas, caixas, carros, caixotes...

- Empurrar: pneus, carrinhos de mão, etc.;

- Saltar e fazer outros exercícios físicos: cordas, arcos, etc.;


Na inexistência de um espaço exterior, este pode, no entanto, ser simulado na própria sala de
atividade. De que modo?

• Libertando um espaço a um canto da sala, de preferência onde haja luz natural;

• Improvisando nesse espaço um canteiro onde se possa plantar algumas sementes cujo
crescimento as crianças devem acompanhar;

• Colocando alguns brinquedos como cavalinhos de madeira, um cesto com pequenas bolas,
cordas de saltar, entre outras, e desenvolvendo algumas brincadeiras com as crianças.
Espaços Interiores

• São espaços normalmente reservados à realização de atividades educativas.

• Devem ser espaços atraentes, apresentando uma boa arrumação e organização interna.

• A arrumação do espaço passa por criar um ambiente confortável e agradável onde as crianças se
sintam bem.
É necessário que:

• O espaço seja limpo, pintado com cores claras e suaves (se não for possível pintar as paredes
com muita frequência, devem ser lavadas com água e sabão, o importante é que estejam limpas);

• Tenha aberturas para o exterior (portas e janelas) que permitam a entrada da luz do sol e o seu
arejamento, evitando que o ar fique viciado;

• As janelas tenham redes para evitar a entrada de moscas e mosquitos, insetos nocivos à saúde
das crianças.
O espaço deve ser preferencialmente o mais amplo possível, uma vez que as crianças precisam de:

• Mover-se livremente;

• Falar à vontade sobre o que estão a fazer;

• Usar os materiais educativos;

• Fazer explorações;

• Criar e resolver problemas, trabalhar individualmente ou em grupo.


• Por outro lado, o animador deve ter o cuidado de dispor os móveis da sala de atividades de
modo a permitir o fácil manuseamento dos objetos nele expostos e convidar ao jogo e à
brincadeira.

• Deve permitir o encontro dos elementos de diferentes grupos e favorecer o trabalho


individual.

• A organização do espaço deve ser feita de tal modo que permita a sua utilização autónoma.
Organização dos Materiais

• A escolha dos objetos e materiais educativos ou a sua produção pelo animador, com apoio das
próprias crianças, devem ser cuidadosas e adequadas à idade das mesmas.

• Os equipamentos e os materiais existentes condicionam o que as crianças podem fazer e


aprender.
Critérios para a escolha de materiais:

• Serem variados, duráveis, atrativos e adaptados às crianças;

• Serem estimulantes, estarem acessíveis, rotulados e sempre arrumados nos mesmos locais,
de forma que a criança possa ir buscá-los e arrumá-los;

• Apresentarem-se sem perigos (não conterem substâncias tóxicas, não existirem objetos
demasiado pequenos que possam ser engolidos, não terem saliências agudas);

• Serem de fácil limpeza.


Organização do Espaço e dos Materiais por Zonas ou Áreas de Interesse:

• A organização do espaço da sala de atividades por áreas de interesse bem definidas permite uma
variedade de ações muito diferenciadas e reflete um modelo educativo mais centrado na riqueza dos
estímulos e na autonomia da criança.

• Os objetivos e a natureza de cada área ditam o tipo de atividades que nela devem ser realizadas, se a
brincadeira é livre ou orientada pelo animador.

• Para uma melhor organização do espaço torna-se necessário selecionar as áreas fundamentais, que
podem ser alteradas durante o ano, evitando sobrecarregar a sala de atividades.

• Para identificar as diferentes áreas, é importante que seja feito com símbolos e nomes, habituando
desde muito cedo as crianças a terem contacto com letras e a moverem-se em ambientes com
mensagens identificadoras.

• Devem ser escolhidos nomes fáceis que as crianças fixem sem dificuldade.
1.4. Animador e a Cultura
Animação Cultural

• A animação cultural pode ser compreendida como uma das possibilidades de intervenção

pedagógica nos momentos de lazer.

• Nesta linha a perspetiva da animação cultural é trazer vida, ânimo, esperança, transgressão e

mudança.

• E o profissional que atua nesta perspetiva no campo do lazer é o animador cultural.


• O trabalho do animador cultural tem como característica principal a mediação, ou seja, ele se

interpõe entre a cultura na sua forma ampla e o seu público-alvo.

• Assim, o seu programa de intervenção compreende as pessoas como participantes sem

negligenciar seu papel ativo no processo.

• A ideia de cultura que interessa à Animação sociocultural é extraída da antropologia e que

define cultura como "aquele conjunto complexo que abarca os conhecimentos, as crenças, a

arte, o direito, a moral, os costumes e os demais hábitos e aptidões que o homem adquire

enquanto membro da sociedade".


• A cultura é tudo aquilo (conhecimentos, valores, tradições, costumes, etc.) que se transmite
e adquire socialmente, ou seja, é fruto da própria vida social.

• A Animação tem como função fazer circular todo o tipo de discurso cultural e gerar processos
de participação de maneira mais ampla.

• Ao animador cabe fazer a mediação entre a arte e o público e facilitar a divulgação dos bens
culturais.

• A Animação tendo como principal preocupação os interesses e aspirações dos indivíduos,


leva a cabo um conjunto de ações que potenciam o seu próprio desenvolvimento e
contribuem para a sua autonomia a vários níveis (cultural, psicológico, social, afetivo e
político), estando presente uma atitude antiautoritária, no sentido de provocar a participação
ativa.
• Não podemos deixar de referir que a Animação contribui para o desenvolvimento cultural da
sociedade, entendido como "a promoção das condições institucionais favoráveis e das
competências necessárias à criação de obras e saberes, sejam eles tratados de filosofia ou
receitas culinárias, danças tradicionais ou música de vanguarda, conhecimentos políticos ou
aptidões técnicas, artesanato ou domínio de línguas estrangeiras, exercícios desportivos ou
assistência a espetáculos, pintura ou frequência de museus.
1.5. Animação através do Brinquedo
• A criança precisa ter tempo e espaço para brincar.

• É importante proporcionar um ambiente rico para a brincadeira e estimular a atividade lúdica


no ambiente familiar e escolar, lembrando que rico não quer dizer ter brinquedos caros, mas
fazer com que elas explorem as diferentes linguagens que a brincadeira possibilita (musical,
corporal, gestual, escrita), fazendo com que desenvolvam a sua criatividade e imaginação.

• É a brincar que aprende o que mais ninguém lhe pode ensinar.

• É dessa forma que ela se estrutura e conhece a realidade. Além de estar a conhecer o
mundo, está-se a conhecer a si mesma.

• Ela descobre, compreende o papel dos adultos, aprende a comportar-se e a sentir-se como
eles.
• O ato de brincar pode incorporar valores morais e culturais, em que as atividades podem
promover a autoimagem, a autoestima, a cooperação, já que o lúdico conduz à imaginação,
fantasia, criatividade e à aquisição dum sentido crítico, entre outros aspetos que ajudam a moldar
as suas vidas, como crianças e, futuramente, como adultos.

• É necessário distinguir entre jogo, brincadeira e atitude lúdica, ou seja, nem tudo aquilo a que se
chama jogo ou brincadeira é forçosamente e sempre lúdico e, por outro lado, existe um número
enorme de atividades que nunca são chamadas de jogo ou brincadeira que, no entanto, podem
ser impregnadas do espírito lúdico.

• O conceito de lúdico está ligado à ideia de festa, divertimento, comunicação através da


participação numa alegria coletiva, tem a ver com fatores culturais (individuais e coletivos) como o
prazer de dominar o corpo (destreza), a vontade (risco, aventura), com questões de afetividade e
de sensibilidade (expressão artística e literária).
• O sentido que a Atividade Lúdica atribui ao lúdico pressupõe que, por um lado, nos atos de
brincar e de jogar estão envolvidas a vivência e a descoberta de situações lúdicas onde
interagem a dimensão estética e a dimensão ética e, por outro lado, que não há limites para
os jogos e para os brinquedos.

• Qualquer objeto, qualquer material, pode ser convertido em brinquedo, em objeto ou


material de jogo.

• As coisas e os símbolos através dos quais elas são representadas no plano pictórico,
ideográfico ou verbal podem ser instâncias de natureza lúdica.

• A representação lúdica pode ser feita em função de imagens verbais, gestuais, pictóricas,
sensoriais e motoras consoante utilize um quadro de referências simbólicas constituído por
palavras, gestos, figuras, sensações ou ações.

• As referências relativas à representação lúdica podem ser feitas através de palavras, objetos,
brinquedos, gestos, emoções, atos.
Por vezes, no jogo utilizam-se alguns elementos que o completam, enriquecem e estimulam. De
facto, existe uma relação entre o jogo e o material que se vai usar. Estes elementos podem ser:

• Materiais de natureza tais como a água, a terra, barro, folhas, pedras, ossos, entre outros.

• Objetos e materiais variados destinados a ser usados como objetos lúdicos, tais como
cortiças, caixas, cordéis, trapos, entre outros.

• Objetos quotidianos que se transformam automaticamente em brinquedos com a ajuda da


imaginação e criatividade da criança: um desses exemplos pode ser o facto de uma vassoura
se converter num cavalo, entre muitos outros exemplos.

• Criações artesanais ou industriais especialmente desenhados e confecionados para um fim.


Para que servem os brinquedos?

• O primeiro objetivo dos brinquedos é conseguir que a criança jogue; é fazer com que o
brinquedo seja visto pela criança como um objeto de jogo.

• O brinquedo faz com que a criança se entretenha, se divirta, de maneira a que esta não perca
a imaginação e não a impeça de se expressar.

• Nem todos os brinquedos cumprem os seus objetivos nem apresentam as mesmas


possibilidades lúdicas e educativas.

• Entre outros aspetos, os adultos julgam que no geral, quanto menos estruturado e complexo
é um brinquedo, maiores são as probabilidades de interação.
1.6. Objetivos e Meios para Promover o Desenvolvimento
da Criança
• A Animação Infantil tem como primeiro objetivo permitir à criança que possa brincar, mas
sobretudo que o faça em condições que lhe permitam o seu desenvolvimento pessoal e em
grupo.

• Atualmente, não são unicamente agentes educativos a escola, pois, também se educa a partir
de muitas outras instituições, meios e âmbitos nem sempre reconhecidos como
especificamente educativos.

• Desta foram, a Animação Infantil é vista não só como um conjunto de atividades escolares
(Educação Formal), como também um conjunto de atividades que se podem desenvolver
independentemente ou em articulação com a escola (Educação Informal e Educação Não
Formal).

• Para Lopes (2008) estas últimas atividades consistem na realização de ações de: expressão
dramática, plástica, musical, jogo dramático e jogo simbólico. De salientar que em todo este
processo está presente a Educação Informal no seu carácter não organizacional/institucional
e Permanente.
• Importa salientar que é na interação desta variedade de técnicas que a Animação Socioeducativa
pode contribuir para o sucesso da educação formal, pois é nesta pluralidade/diversidade que
encontra espaços de ação, participação, motivação e envolvência para o estudo de matérias
consideradas pouco atrativas pois, são ótimos recursos e técnicas de incentivo.

• Para Jaume Trilla (1998) as transformações sociais e estrutura familiar a que assistimos nos nossos
dias levaram a que algumas das atividades que anteriormente eram assumidas pela família
(Educação Informal) passem a ser assumidas como recursos e atividades da Educação Não Formal,
dirigidas especificamente ao público infantil, nomeadamente:

a) Atividades Extracurriculares;

b) Atividades de recursos de carácter cultural;

c) Atividades e recursos recreativos;

d) Instituições Educativas.
• Importa salientar que as Instituições Educativas podem ser laicas, geridas pela Administração
Pública, ou ser entidades de voluntariado.

Contudo, todas têm a mesma é muito vasto e sem fins lucrativos, apontando essencialmente
para:

• Uma educação que parte das crianças, em que se coloca a ênfase dos valores educativos no
Jogo e na vida quotidiana;

• Fomentar a vida em grupo e o envolvimento pessoal;

• Defender a presença e intervenção de um grupo de educadores.


Programas e Serviços de Animação Sociocultural na Infância, no âmbito da Educação Não Formal:

1. Desenvolvimento Social: essencialmente através do associativismo Infantil. Fomenta o carácter


transversal e inter-geracional.

2. Desenvolvimento cultural: nomeadamente através de museus, teatros, bibliotecas, centros


culturais e programas de desenvolvimento artístico e cultural. Fomenta potencialidades educativas,
terapêuticas e variados desafios.

3. Trabalho Socioeducativo: nomeadamente ludotecas, programas extraescolares, casas de colónias,


programas de tempo livre e ócio.

• Importa referir que os trabalhos socioeducativos são aqueles que de uma forma mais explícita
atendem o coletivo infantil.
2. Metodologias e Técnicas de animação
2.1.Objetivos das Técnicas de Animação
Objetivos das Atividades de Animação:

• Criar alternativas contra a passividade e o individualismo;

• Favorecer os contactos humanos e, na medida do possível, espicaçar para que as

crianças “aumentem” o seu esforço, as suas capacidades e o seu entusiasmo para

realizar tarefas de interesse comum.


O que faz uma criança se não brincar?

• Até aos 6 anos, a criança viverá uma das mais complexas fases do desenvolvimento

humano, nos aspetos intelectual, emocional, social e motor, que será tanto mais

rica quanto mais qualificadas forem as condições oferecidas pelo ambiente e pelos

adultos que a cercam.

• Para isso, uma criança necessita de ser estimulada através de um quotidiano rico e

diversificado de situações de aprendizagem, planeadas para desenvolver as

linguagens e as emoções e estabelecer os pilares para o pensamento autónomo.


A animação apresenta atividades diversificadas que podem servir como complemento para
a educação e desenvolvimento de uma criança. Para tal, é fundamental:

• Criar lugares e ocasiões de encontro (creche, jardim, escola, mas também com outras
crianças);

• Constituir um ponto de partida para depois empreender tarefas de maior amplitude;

• Criar espaços e lugares para a participação intergeracional, familiar e social.


Podemos subdividir as técnicas de animação em três grandes grupos,
caracterizando cada um segundo os respetivos objetivos:

• Expressão corporal;

• Expressão plástica;

• Expressão dramática;

• Expressão musical.
Atividades de Expressão Corporal:

• Promovem o desenvolvimento físico e o movimento.

• O objetivo é experimentar os sentidos e distribuir e canalizar a energia para


atividades que exercitam e mexem com o corpo: ginástica, dança, jogos rítmicos,
mímica.
Atividades de Expressão Plástica:

• Promovem o desenvolvimento sensorial e exploração do mundo.

• As crianças irão estabelecer contacto com diferentes materiais e texturas (gesso,


papel, cartão, cartolina, algodão, tecido, etc), cujas aplicações tão distintas serão
convertidas em objetos divertidos e úteis, tais como molduras, ímans, máscaras,
fantoches, álbuns, quadros, e muito mais.
Atividades de Expressão Dramática:

• Promovem o desenvolvimento emocional e representação mental.

• As crianças são chamadas a participar em todas as fases de uma peça de teatro: a


criação de um argumento, a construção do cenário, a exploração das personagens,
a elaboração do guarda-roupa, a distribuição dos papeis, a contracena, o gesto, a
fala, a mímica, etc.
Atividades de Expressão Musical

• Promovem o desenvolvimento cultural e sensorial.

• O contacto com instrumentos, histórias de música, canções e espetáculos, jogos e


atividades lúdicas, apresentações públicas são um modo de aceder à arte e à
cultura.

• A música enriquece a criança na sua globalidade, amplia o sentido estético na


diversidade de estilos, faz educação ambiental com instrumentos reciclados,
aumenta o conhecimento do mundo com experiências sobre os sons.
2.2.Expressão do Movimento
• O movimento é um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento e para a
cultura humana, pois as crianças estão em contacto com ele desde que nascem e
adquirem cada vez mais controle sobre o seu próprio corpo e apropriam-se das
possibilidades de interação com o mundo em que vivem.

• Os animadores, para iniciarem as crianças em atividades que envolvam o ritmo,


devem conhecer o seu desenvolvimento, especialmente aqueles que dizem respeito
ao desenvolvimento dos movimentos corporais.
• A dança é manifestação de vida, de arte, de alegria, de magia, de beleza, de
significado, inerentes à natureza humana, portanto, independente de idade na sua
apreciação.

• A Dança educativa integra o conhecimento intelectual e a habilidade corporal e


criativa do aluno.

• Isto leva o professor a estar sempre em contacto com o envolvimento, o compromisso


e a responsabilidade em conduzir o aluno.

• Um único movimento, ou uma sequência de movimentos deve revelar, ao mesmo


tempo, o carácter de quem o realiza, o fim pretendido, os obstáculos exteriores e os
conflitos interiores que nascem deste esforço.
• O corpo é significado e expressão, o que imprime vida ao movimento.

• A expressão corporal é resposta de movimentos ritmados da música, sentido através


de jogos corporais.

• É inegável que pelo movimento o homem exteriorizará seus sentimentos, por que o
ritmo está contido em tudo, e cada movimento que o homem executa no espaço,
expressa o seu ritmo, de maneira pessoal e criativa.

• Incitam-se crianças e jovens à revelação e conhecimento de si mesmos, pela prática


da expressão corporal, por que através dessa, expande-se "jogando para fora de si
todas as coisas que estão escondidas dentro dela, através de várias formas de
expressão".
• A dança é a mais completa das artes e deve estar em perfeita e constante associação
com a prática da escola, por que a dança não é resposta apenas de cultura artística, de
gosto, de refinamento, mas meio de expressão poderosa16.

• O movimento tem uma relação absolutamente direta com a imagem corporal. É


formada através de um processo ininterrupto de incorporações, resultantes de laços
afetivos visíveis e invisíveis, por isso, decorrente da história pessoal de cada um,
conclama para a necessidade do respeito ao movimento livre, sem compromisso de
compulsões repetitivas.
• Criatividade na dança significa demonstrar a qualidade de experimentar.

• Existem no processo quatro aspetos importantes que parecem explicar a


criatividade:

- Estar o indivíduo aberto à sua própria experimentação;

- Focalizar sua experimentação;

- Disciplinar as suas ações;

- Levar a tarefa a uma conclusão


2.3.Expressão Dramática
Na expressão dramática são utilizadas as histórias, os poemas, os jogos dramáticos, os teatros
de fantoches e os jogos de palavras como forma de promoção da imaginação e criatividade
da criança, partindo para momentos significativos, onde as crianças terão a oportunidade de:

• Reproduzir gestos codificados e transmitir mensagens diversas;

• Interpretar e reproduzir com o corpo situações imaginárias;

• Exprimir sentimentos, desejos e ideias recorrendo ao corpo;

• Usar os fantoches como elementos facilitadores de expressão de sentimentos e desejos;

• Reproduzir dramaticamente situações quotidianas e relatos literários;


• Entre muitas outras atividades que vão despoletando a partir da imaginação e
criatividade das crianças e animadores.

• É com o corpo que as crianças exploram, aprendem e reagem aos estímulos do


meio envolvente.

• São os sentidos que recolhem o material com o qual se constroem as imagens


mentais – não só visuais mas também tácteis e auditivas, necessárias à construção
dos conceitos.

• A educação do corpo, do gesto, da audição, da voz e da visão desenvolve nas


crianças o campo das possibilidades de interpretar o mundo, de exprimir o
pensamento, de criar.
2.4. Expressão Plástica
• As artes visuais também comunicam e expressam volume, espaço, cor e luz na
pintura, no desenho, na escultura, na gravura, na arquitetura, nos brinquedos, nas
dobraduras, nos bordados, nos entalhes.

• Sendo uma linguagem, a Arte Visual justifica sua forte presença na educação infantil
como forma importante de expressão e comunicação humanas.

• Como uma sala ambiente é um "laboratório" para a criança, é o local para exploração,
reflexão, ação e elaboração dos verdadeiros sentidos de suas experiências.
Para as crianças de 0 a 2 anos, a instituição organizará sua prática educativa em torno
da aprendizagem em arte, garantindo oportunidades para que as crianças sejam
capazes de:

• Ampliar o conhecimento de mundo que possuem, manipulando diferentes objetos


e materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de
manuseio e entrando em contato com formas diversas de expressão artística;

• Utilizar diversos materiais gráficos e plásticos sobre diferentes superfícies para


ampliar suas possibilidades de comunicação e expressão.
Para as crianças de 4 a 6 anos, ampliar e aprofundar os objetivos dos menores,
garantindo oportunidade para que as crianças sejam capazes de:

• Interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas


obras artísticas (regionais, nacionais ou internacionais) com as quais entre em
contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;

• Produzir trabalhos de arte, utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da


modelagem, da colagem, da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o
respeito pelo processo de produção e criação.
Atividades artísticas com crianças de zero a três anos:

• Exploração e manipulação de materiais, como lápis e pincéis de diferentes texturas


e espessuras, broxas, carvão, carimbos;

• Exploração e reconhecimento de diferentes movimentos gestuais, visando a


produção de marcas gráficas;

• Cuidados com o próprio corpo e o dos colegas no contato com os suportes e


materiais de arte;

• Cuidado com os materiais e com os trabalhos e objetos produzidos


individualmente ou em grupo.
Procedimentos Didáticos:

• Tempo de duração da atividade: curto, pois o prazer advém da ação exploratória (e


já falamos sobre o material não tóxico);

• Instrumentos ou materiais diversos: serão usados a partir do momento em que as


crianças tenham condição para o seu manuseio;

• Estruturas tridimensionais: usar sucata adequadamente selecionada, que possa


ser empilhada, encaixada e justaposta. Evitar sempre modelos padronizados;

• Atividade em pequenos grupos ou individual: local que permita gestos amplos e


soltos, favorecendo a exploração da dimensão espacial;
• Articulação entre sensações corporais e marcas gráficas: permitem maior
conhecimento do corpo e da própria criança por si mesma, contribuindo para a
representação da própria imagem, dos sentimentos e de experiências corporais;

• Cuidados com o próprio corpo e com o corpo dos outros: estimular estes cuidados
quando manusearem diferentes materiais ou objetos;

• Acesso ao material: sempre organizado de maneira a desenvolver noções de


conservação e cuidado, disposto para ser apanhado facilmente;

• Segurança: evitar materiais que possam machucar ou causar danos à saúde das
crianças.
Atividades artísticas para as crianças de quatro a seis anos:

• Criação de desenhos, pinturas, colagens, modelagens a partir de seu próprio repertório


e da utilização dos elementos da linguagem das Artes Visuais: ponto, linha, cor, forma,
volume, espaço, textura;

• Exploração e utilização de alguns procedimentos necessários para desenhar, pintar,


modelar;

• Exploração e aprofundamento das possibilidades oferecidas pelos diversos materiais,


instrumentos e suportes necessários para o fazer artístico;
• Exploração dos espaços bidimensionais e tridimensionais na realização de seus
projetos artísticos;

• Organização e cuidado com os materiais no espaço físico da sala;

• Respeito e cuidado com os objetos produzidos individualmente e em grupo;

• Valorização de suas próprias produções, das produções de outras crianças e da


produção de arte em geral.
Procedimentos Didáticos

• Material utilizado: dar oportunidade de familiarização aos procedimentos necessários


para o uso dos diversos materiais e refletir sobre os resultados obtidos. Diversificá-lo,
usando desde sucata a substâncias que sejam referências regionais.

• Atividade gráfico-plástica: sem intervenção direta, quando necessário, apenas sugerir


que reflita sobre a organização de seu trabalho, aumentando-o ou diminuindo-o em
escala.

• Observações diversas para reprodução: do próprio corpo a cenas, objetos, pessoas.


• Temas e intervenções: cuidado do professor em observar os objetivos e as funções
deste item no desenvolvimento do percurso de criação pessoal da criança.

• Criações tridimensionais: mais complexas , envolvem técnicas variadas,


composição de volumes, proporcionalidade e equilíbrio.

• Exposições de trabalhos: ajudam na leitura de objetos e na valorização das


produções artísticas.
• As técnicas de arte que se usam nos Jardins de Infância classificam-se em Fundamentais
ou Básicas e de Enriquecimento.

• As primeiras nunca deverão faltar, qualquer que seja o nível de desenvolvimento da


criança, pois é no manuseio diário delas que se prepararão para as de enriquecimento.

Técnicas Fundamentais ou Básicas:

1) desenho com lápis cera;

2) pintura com água, com tinta d'água, pintura a dedo;

3) recorte e colagem;

4) modelagem;

5) areia;

6) construção;

7) carpintaria.
Técnicas de Enriquecimento:

1 - lápis de cera sobre fundo colorido

2 - lápis de cera e lixa

3 - lápis de cera derretido

4 - desenho colorido, lápis cera e anilina

5 - lápis cera branco e anilina

6 - desenho raspado

7 - desenho com giz

8 - composição-giz-cartão

9 - pintura desbotada

10 - desenho preto sobre anilina

12 - desenho a tinta Nankin em papel húmido

13 - pintura em feltro
14 - pintura lavada

15 - mosaico pintado

16 - pintura a guache sobre pintura a dedo

17 - retrato

18 - monotipia c/guache

19 - recorte e colagem c/ lápis cera

20 - recorte e colagem coletiva

21 - recorte de revista sobre fundo de nanquim/verniz

22 - recorte e colagem de papel seda

23 - mosaico de papel

24 - colagens da natureza

25 - recorte e colagem de pano

26- criação com cacos

27- colagem mista


2.5. Expressão Musical
• O enriquecimento da vivência sonoro-musical das crianças, que deverá ser feito através
de atividades lúdicas, passa fundamentalmente pela experimentação e domínio
progressivo das possibilidades do corpo e da voz.

• A Educação Musical é uma atividade de síntese que, proporcionando momentos de


profunda riqueza e bem-estar à criança, desenvolve potencialidades musicais múltiplas
por:

1. Jogos de Exploração

• Voz, corpo e instrumentos são os recursos a desenvolver neste ciclo, sendo a criança
solicitada a utilizá-los de forma integrada, harmoniosa e criativa.
1.1. Voz - Instrumento primordial:

• É na criança o modo natural de se expressar e comunicar, marcado pela extensão


vocal, o timbre, a expressão, a capacidade de inventar e reproduzir melodias com
e sem texto, a aquisição de repertório de canções, rimas e lengalengas são partes
constituintes de um modo pessoal de utilizar a voz.
1.2 Corpo

• Sentir, no corpo em movimento, o som e a música é, na criança, uma forma privilegiada


e natural de expressar e comunicar o que ouve.

• Através do corpo em movimento, de uma forma espontânea ou nos jogos de roda e nas
danças- formas mais organizadas de movimentos - as crianças desenvolvem
potencialidades musicais múltiplas.

• O movimento, juntamente com a percussão corporal, são meios de que o professor


dispõe para, com pleno agrado das crianças, desenvolver a sua musicalidade.
1.3 Instrumentos:

• Os instrumentos, entendidos como prolongamento do corpo, são o complemento


necessário para o enriquecimento dos meios de que a criança se pode servir nas suas
experiências, permitindo-lhe ainda conhecer os segredos da produção sonora.

• As qualidades sonoras de materiais e objetos são pontos de partida para os jogos de


exploração em que a criança seleciona, experimenta e utiliza o som.

• Ao juntar diferentes elementos (madeiras, canas, cordas, peles, plásticos, etc.)


introduzindo-lhes modificações, inicia a construção de fontes sonoras elementares, de
sua iniciativa ou por sugestão do animador.
2. Experimentação, Desenvolvimento e Criação Musical

Sendo os jogos de exploração a base do desenvolvimento das capacidades musicais,


devem ser gradualmente complementadas por propostas visando o domínio de aspetos
essenciais à vivência musical da criança na escola:

• Desenvolvimento auditivo

• Expressão e criação musical

• Representação do som
2.1 Desenvolvimento auditivo:

• Aprender a escutar, dar nome ao que se ouve, relacionar e organizar sons e


experiências realizadas são capacidades essenciais à formação musical da criança.

• Os jogos de exploração e vivências musicais são pontos de partida para a aquisição de


conceitos que enriquecem a linguagem e pensamento musical.
2.2 Expressão e criação musical:

• As atividades musicais a desenvolver devem atender à necessidade da criança


participar em projetos que façam apelo às suas capacidades expressivas e criativas.

• Pretende-se também que a criança seja capaz, por si só ou em grupo, de desenvolver


projetos próprios, contando com a ajuda do professor na escolha e domínios dos meios
utilizados.
2.2.1 Criar

• Se instrumentos de percussão simples podem ser construídos pelas crianças


relacionando-se com o domínio da atividade plástica, estas poderão também utilizar
instrumentos musicais mais complexos e com outras possibilidades - jogos de sinos,
triângulos, pandeiretas, xilofones, etc. - que deverão ter grande qualidade.

• Outros instrumentos poderão ser usados pelo educador como a flauta, a guitarra.

• A utilização de um gravador permite registar e reproduzir vários tipos de sons e


músicas que, podendo ser um suporte para o trabalho de expressão, possibilita ainda
que as crianças alarguem a sua cultura musical, desenvolvendo a sensibilidade estética
neste domínio.
2.2.2 Expressão Musical

• Consiste na exploração de sons e ritmos, que a criança produz e explora


espontaneamente e que vai aprendendo a identificar e a produzir, com base num
trabalho sobre os diversos aspetos que caracterizam os sons:

- intensidade (fortes e fracos);

- altura (graves e agudos);

- timbre (modo de produção);

- duração (sons longos e curtos);

- capacidade de reproduzir mentalmente fragmentos sonoros.


2.2.3 Estratégias a desenvolver:

Escutar:

• A exploração das características dos sons pode passar, também, por escutar,
identificar e reproduzir sons e ruídos da natureza - água a correr, vento, "vozes"
dos animais, etc. - e da vida corrente como o tic-tac do relógio, a campainha do
telefone ou motor do automóvel, etc.
Cantar

• A relação entre a música e a palavra é uma outra forma de expressão musical.

• Cantar é uma atividade habitual na educação pré-escolar que pode ser enriquecida pela
produção de diferentes formas de ritmo.

• Trabalhar as letras das canções relaciona o domínio da expressão musical com o da


linguagem, que passa por compreender o sentido do que se diz, por tirar partido das
rimas para discriminar os sons, por explorar o carácter lúdico das palavras e criar
variações da letra original.
Dançar

• A música pode constituir uma oportunidade para as crianças dançarem.

• A dança como forma de ritmo produzido pelo corpo liga-se à expressão motora e
permite que as crianças exprimam a forma como sentem a música, criem formas de
movimento ou aprendam a movimentar-se, seguindo a música.

• A dança pode também apelar para o trabalho de grupo que se organiza com uma
finalidade comum.

• O acompanhamento musical do canto e da dança permite enriquecer e diversificar a


expressão musical.

• Este acompanhamento pode ser realizado pelas crianças, pelo educador ou recorrer a
música gravada.
2.3 Representação do som:

• A representação gráfica do som faz parte de um percurso que se inicia pelo registo
do gesto livre, ganha gradualmente precisão e poder comunicativo, organizando-se
em conjuntos de sinais e símbolos.
3. Tipos de Animação
3.1. Animação Individual
3.1.1. Definição

• A Animação individual como o próprio nome indica é direcionada para uma só pessoa,
ou seja, trabalha-se diretamente com a pessoa e para a pessoa, não no seio de um
grupo, mas individualmente.

3.1.2. Estratégias

• Segundo a teoria psicossocial do desenvolvimento, que defende, que cada indivíduo


molda a sua vida de acordo com as suas experiências. Para este autor, todas as pessoas
atravessam oito momentos, que levam a que o indivíduo, consecutivamente, vá
acumulando experiências, e isso pode ser um ponto a seu favor, se o indivíduo,
continuadamente, for fazendo a atualização dos seus conhecimentos.
• A animação pode atuar em todos os campos, quer seja mental, física ou afetiva,
incitando a uma melhor participação e inserção na comunidade ou no grupo.

• A animação deve centrar-se sempre, sobre as necessidades, os desejos e os


problemas vividos por cada membro do grupo, ninguém pode ficar de fora ou
estamos a contrariar precisamente aquilo que serve de base à animação.

• Ao propor qualquer atividade, (o que é preciso ter em conta, para começar) o


animador tem primeiro que avaliar as condições físicas e psicológicas dos
animados e perceber as suas capacidades e motivações.
3.1.3. Atividades

• Como exemplo de animação individualizada, podemos citar o exemplo de


animação para crianças com necessidades especiais.

• O animador, perante uma criança com necessidades educativas especiais, deverá


ter o cuidado de direcionar atividades específicas para essa criança que, apesar de
a componente continuar a ser lúdica, estará sempre intimamente incluída a parte
pedagógica, visto que, qualquer atividade desenvolvida irá estimular os sentidos
da criança, promovendo a sua componente física e cognitiva.

• No que respeita à expressão plástica, o animador poderá usar materiais como a


massa de moldar e a plasticina, que promoverá a motricidade da criança, bem
como, fazer recurso a técnicas como a da digitinta, promovendo na criança o
sentido do tato.
• No campo da expressão dramática, o processo de animação para estas crianças consiste,
inicialmente, na construção individual de personagens por cada participante, que é feita
através do seu desenho e também da imaginação do seu universo particular.

• Essa construção dá-se através do incentivo e suporte da equipe de animadores, alunos e


professores e permite a cada pessoa tratar, através da fantasia, seus maiores sonhos e
medos, resolvendo na ficção o que é tão difícil e trabalhoso de se elaborar na realidade,
superando assim as suas dificuldades e limites.

• A partir deste contexto, as narrativas individuais são observadas e cruzadas, para juntas
compor um roteiro comum para a animação.

• Com a narrativa pronta, são então construídos os cenários e os objetos necessários para
compor o conjunto visual da história, sendo os mesmos recortados para criar
articulações e sobreposições de personagens sobre cenários.
3.2. Animação de Grupos
3.2.1. Definição

O que é um grupo?

• Conjunto de indivíduos que partilham os mesmos valores, que têm objetivos comuns
e em que todos interatuam para alcançar esses objetivos.

• Segundo estudos, o comportamento do indivíduo é diferente quando está sozinho e


quando está acompanhado.

• Nas crianças isto é ainda mais notório.

• A dinâmica de grupos estuda o funcionamento do grupo, que não é só um conjunto


de pessoas, mas sim estas e os seus objetivos e finalidades.
3.2.2. Estratégias

• A Dinâmica de grupo é uma ferramenta de estudo de grupos e também um termo geral


para processos de grupo.

• Por interagirem e se influenciarem mutuamente, os grupos desenvolvem vários


processos dinâmicos que os separam de um conjunto aleatório de indivíduos.

• O campo da dinâmica de grupo preocupa-se fundamentalmente com o comportamento


de pequenos grupos e um conjunto de outros indivíduos.

• Membros e grupo são indissociáveis e não existem dois grupos iguais.


• Os membros de um grupo têm objetivos comuns, reconhecem quem pertence ou
não ao grupo, têm o seu estilo próprio de comunicação, desaprovam quem
desrespeite as suas regras e desenvolvem sistemas de hierarquização.

• A dinâmica de grupos pretende criar um clima de relações verdadeiramente


humanas do indivíduo com o grupo, e vice-versa, e dos indivíduos entre si, e
também do grupo com outros grupos.

• Existem diferentes técnicas que permitem animar os grupos, de acordo com os


objetivos que se pretendam alcançar, e que constituem instrumentos de ajuda
para conseguir o que nos propomos.
Técnicas de sensibilização e integração grupal

• Destinada a todas as pessoas que se integram como novos membros na vida de


um grupo.

• Na primeira vez há sempre nervosismo, ansiedade e insegurança.

• O clima afetivo-social que se cria nas primeiras sessões é fundamental e definitivo


na futura marcha do grupo.
Técnicas grupais de dinamização e comunicação:

• A dinamização exige um conhecimento profundo das necessidades da comunidade


e apoios metodológicos, sendo a comunicação uma das vias mais válidas.

• Todos nós nos movemos motivadas por algo, porém esse algo nem sempre
aparece claro nas nossas atuações, necessitando da ajuda dos demais.
Técnicas grupais de participação/cooperação

• Implica maturidade nas relações humanas no grupo, para que sejam capazes de
colaborar em assuntos comuns mesmo que as opiniões sejam diferentes.

• Participar com os demais é sempre uma renúncia á opinião pessoal em favor do


bem do grupo, sendo por isso necessário, desprender-nos do individualismo que
tem minado as relações humanas.
Técnicas grupais para o desenvolvimento da criatividade

• A criatividade exige abertura à novidade.

• O animador deve ser uma pessoa criativa, imaginativa e capaz de improvisar.

• O temor do ridículo, a insegurança pessoal, inibe muitas vezes.

• Deve-se lutar contra o conformismo, a passividade e a comodidade, buscando


novas alternativas para a comunidade.
Técnicas grupais de avaliação de aprendizagens e da vida intra-grupal:

• Avaliação do grupo, da sua integração, da participação dos membros, das atitudes


e do e interesse demonstrado em todas as atividades que se executaram, ou seja,
avaliar o clima social do grupo.
3.2.3. Atividades

• O animador deverá criar condições para a realização de atividades entre pares, grandes
grupos e pequenos grupos a fim de permitir esse confronto.

• As atividades em pequenos grupos (de 5 a 10 crianças) destinam-se ao trabalho das


áreas organizadas nas salas, à brincadeira espontânea, ou à elaboração de pequenos
projetos com o apoio específico do animador.
• As atividades em grande grupo são constituídas por propostas dos animadores,
isto é, atividades dirigidas, tais como: histórias, poesias, lengalengas, música, jogos
de regras e sessões de movimento.

• O acolhimento, o planeamento e a avaliação (rever o que se fez e mostrar aos


outros) também são habitualmente realizados em grande grupo todavia, é preciso
ter em atenção o facto de que as crianças pequenas têm necessidade de
tratamento mais individualizado não sendo por isso aconselhável criar grupos
muito grandes.
4. Planificação de Atividades
4.1. Elaboração e Planificação de
Atividades
4.1.1. Definição de objetivos

• Quando planeamos executar qualquer tarefa ou atividade, ainda que


inconscientemente, temos sempre um objetivo, como tal, não seria adequado
construirmos um plano sem termos em conta este dado.

• Os objetivos podem ser divididos em gerais – mais abrangentes e pouco prático e


específicos – mais direcionados para a ação e práticos. Isto é, os objetivos gerais
descrevem grandes orientações para as ações (…), descrevendo as grandes linhas
de trabalho a seguir, os objetivos específicos exprimem os resultados que se
espera atingir e que detalham os objetivos gerais, funcionando como a sua
operacionalização, estes distinguem-se dos gerais pois não indicam uma direção a
seguir, mas as etapas a alcançar.
• O objetivo deve ser o mais específico possível de modo a que qualquer pessoa perceba o
que se pretende.

• Os objetivos gerais devem ser acompanhados pelos objetivos específicos.

• O objetivo é uma intenção em relação à modificação que se pretende que a pessoa tenha, é
a descrição de um conjunto de comportamentos que a pessoa deverá manifestar depois da
atividade.

• O objetivo é uma intenção em relação à modificação que se pretende que a pessoa tenha.

• É a descrição de um conjunto de comportamentos que a pessoa deverá manifestar depois da


atividade.

• Os Objetivos devem ser definidos em função do utente e não do animador.


Regras para definir objetivos:

• Deve identificar um comportamento terminal;

• Utilizar verbos que indicam a ação global;

• Verificar se os objetivos específicos utilizam verbos de ação: usar, selecionar, fazer,


manipular, cortar, pintar, identificar, correr, separar, recortar, planificar, promover,
estimular, construir, trabalhar...

• Deve descrever comportamentos que as pessoas devem exibir quando atingirem o


objetivo geral;
• Deve ser estabelecido em termos de comportamentos diretamente observáveis;

• Distinguir a meta (objetivo geral) e comportamentos observáveis (objetivo


especifico);

• Atender à necessidade de os objetivos serem definidos em termos de produto: o


que a pessoa deverá ser capaz de fazer e não do processo (o que vai fazer);

• Salientar a importância de definir a meta e não o conteúdo;

• Desdobrar os objetivos e não os conteúdos.


4.1.2. Desenvolvimento de Conteúdos

As Atividades devem ser sempre escolhidas em função das pessoas e não do animador,
pelo que se deve ter em conta:

• A idade do grupo a quem se destina;

• Os interesses desse grupo;

• Os objetivos a que nos propomos;

• O material que a atividade exige;


• O tempo disponível para a sua execução;

• Onde vão decorrer os trabalhos;

• Todos os recursos exigidos e disponíveis.


Possibilidades de Ateliers e de Atividades Grupais:

• Jogos de Mesa Diversos;

• Mesa de Desenhos;

• Bolas de Sabão Gigantes;

• Histórias Enfeitadas (PowerPoint, teatro de fantoches, contos através de objetos e


através de imagens)

• Atelier de Artes Plásticas (decoração de objetos com colagens e pinturas em


relevo)


• Atelier de Esponjas Mágicas (Construções com colagem de esponjas mágicas e
coloridas);

• Jogos Tradicionais;

• Jogo Humano ( jogo de equipas onde as crianças são os próprios peões, tendo de
realizar diferentes tarefas para alcançar a meta);

• Jogos Duplos: “Bowling” e “Peixe Voador”;

• Karaoke;

• Danças com coreografias diversas;


• Pinturas Faciais;

• Caça ao tesouro as crianças adoram revirar o parque ou o jardim à procura de pequenos


tesouros em forma de guloseimas;

• Princesas e Piratas (as crianças são caracterizadas de princesas e piratas através de


pinturas, adereços e vestuário);

• Hip-Hop uma aula de hip-hop, que as crianças a partir dos 6 anos adoram;

• Escultura de Balões (cães, flores e espadas são um sucesso garantido junto de todas as
crianças);

• Festa Fashion (caracterização dos participantes através de pinturas faciais, modelação de


cabelos e adereços)
• Aprendizes de culinária: as crianças vão ter oportunidade de aprender como
utilizar alguns utensílios de cozinha, a reconhecer os alimentos e as suas
propriedades, e a realizarem e criarem algumas receitas (bolachas artesanais,
super-sandwiches, bebidas coloridas, saladas, sobremesas deliciosas, decoração
de bolos);

• Educação ambiental: conhecer os recursos da terra, a sua importância e


aproveitamento. Técnicas de reciclagem e bons hábitos de defesa do ambiente.

• Os animais nossos amigos: aprender sobre as características e hábitos dos animais


domésticos e selvagens, o seu tratamento, higiene e cuidados de saúde.

• Riscos e rabiscos: um momento criativo, no qual se estimula a elaboração de


desenho e pintura livre ou orientada para determinado tema.
• Conto um conto: o gosto pela leitura surge muitas vezes através da arte de saber contar
uma história seja ela fantasia ou realidade. Aqui contam-se histórias do imaginário e do
quotidiano. Cada criança terá oportunidade de ouvir e contar, de reinventar as histórias, de
refletir sobre os significados, o enredo e as características das personagens.

• Os meus filmes: altura para o visionamento de um filme cuidadosamente escolhido em


função do seu conteúdo lúdico-didático e das preferências das crianças.

• Jardinagem: as diferentes espécies, o calendário, a plantação, as ferramentas e muito mais


curiosidades sobre este tema. A cada criança será dada a tarefa de manter e cuidar da sua
planta.

• Corpo Humano: como se constitui, a pele, o esqueleto, os órgãos e como funcionam os


diferentes sistemas que o compõem. Os cuidados de higiene e alimentação.
• Momentos musicais: aprender os sons. Os diferentes géneros musicais. Os nossos
instrumentos (sons que fazem as mãos, a boca, os pés). Construção de instrumentos
com diferentes materiais.

• Hora do faz-de-conta: aqui as crianças podem ser o que quiserem. Entre monstros e
fadas, reis e rainhas, criam-se trajes e adereços, faz-se maquilhagem e pinturas, penteados
radicais, trancinhas e tótós e enfeitam-se as unhas das meninas.

• Foto-mania: contar uma história por meio de imagens. Recolher fotografias sobre um
tema é o desafio que se lança às crianças.

• Construção de Bijuteria: para usar ou oferecer. Massa de moldar, missangas e outros


materiais irão ser convertidos em pulseiras, colares, anéis, porta-chaves, cintos, alfinetes,
etc.
• Poesia: iremos aprender a fazer poesia de pequenas coisas. Rimas, lengas-lengas,

• Países do mundo: Serão abordadas de uma forma divertida as características de cada


país, os seus povos e raças, o seu clima e os seus costumes.

• As profissões: conhecer os diferentes ofícios, o que fazem os familiares, as profissões de


antigamente e as de hoje.

• Jornalinho: em grupo, iremos criar um jornalinho interno com histórias, notícias locais,
técnicas de ilustração, curiosidades, receitas, anedotas e adivinhas e muito mais.

• Atividades ao ar livre: Ao longo do ano poderão ser organizadas algumas visitas, passeios
ou atividades ao ar livre, como por exemplo visitas a monumentos. A sua realização será
sempre programada e comunicada com antecedência. A participação da criança estará
dependente da autorização antecipada do encarregado de educação.
4.1.3.Definição de Estratégias

• A definição de estratégias para a planificação e definição de atividades de animação


deve partir de um diagnóstico efetuado sobre a comunidade e sobre o nosso grupo-
alvo, adaptando as atividades às suas características.

Desta forma, esta etapa passa pela concretização das seguintes atividades:

• Ler e interpretar diagnósticos sociais da comunidade e relatórios psicológicos e sociais dos


clientes/utilizadores, ou programas de animação identificando as principais áreas de
intervenção.

• Observar, através de instrumentos vários, a comunidade, o grupo e o indivíduo de forma a


realizar o seu diagnóstico social e identificar as suas carências, necessidades e
potencialidades.
• Identificar e selecionar as técnicas e práticas de animação tendo em conta o tipo de
programas de animação, e as características dos clientes/utilizadores, dos grupos e das
comunidades e os objetivos que pretende alcançar.

• Identificar os recursos necessários para a concretização de projetos de intervenção


sociocomunitária e de animação.

• Observar e caracterizar a população alvo, bem como os fenómenos grupais, recolhendo


informações necessárias, utilizando técnicas de observação, entrevistas e questionários.

• Identificar as necessidades e as motivações individuais e do grupo.

• Desenvolver atividades diversas.


• Conceber os materiais necessários para o desenvolvimento das atividades
facilitadoras da animação, nomeadamente criar e produzir fantoches, gigantones,
esculturas, trabalhos em cerâmica, máscaras, adereços e pinturas.

• Incentivar utilizadores a organizarem a sua vida no seu meio envolvente e a


integrarem-se na sociedade, participando ativamente, construindo o seu projeto
de vida e demonstrando através da realização de diversas atividades quais as
capacidades e as competências de cada um.

• Sensibilizar e envolver a comunidade no acompanhamento deste tipo de grupos,


de forma a fomentar a sua integração.

• Envolver as famílias nas atividades desenvolvidas, fomentando a sua participação.


4.1.4. Potencial de Recursos Humanos e Materiais

Outro dado imprescindível na construção de um plano e na execução do mesmo são os


recursos. Estes podem dividir-se em:

Recursos humanos

• Referem-se às pessoas intervenientes quer na elaboração do plano, quer na execução


do mesmo.

• Podem desempenhar tarefas muito distintas, tendo todas um papel imprescindível.


Recursos materiais (logísticos)

• São todos os materiais necessários para a execução das atividades: equipamentos,


infraestrutura físicas, instrumentos, objetos, etc...

Recursos financeiros

• Serão as verbas disponíveis para a execução das atividades planeadas.

• Os recursos têm de ser suficientes para todos os participantes, e atempadamente


requisitados e adquiridos. (Se for um passeio ao exterior, é necessário requisitar um
autocarro e motorista).

• Muito importante também, é saber qual a disponibilidade da instituição, relativamente a


este assunto.

• Na planificação de atividades, os recursos humanos e materiais têm que merecer uma


atenção especial por parte de quem programa as atividades.
Para atividades de maior envergadura, algumas perguntas se impõem:

• Existem recursos necessários?

• É preciso recorrer a parceiros externos?

• Quais os recursos disponíveis na comunidade, próxima e alargada?

• Quais os recursos disponibilizados pelos parceiros, formais e informais?


Para a realização de qualquer atividade é necessário material para a executar. Logo
devemos ter em conta:

• O tipo de material;

• A Idade de quem o vai usar;

• O grau de perigosidade;

• A sua manipulação;

• O seu desgaste;

• E o número suficiente de material face ao grupo.


4.2. Flexibilidade da Planificação
• A planificação de atividades deve ser flexível de modo a proporcionar
reestruturações ou até reorientação sempre que necessário, mediante os
obstáculos ou dificuldades encontradas, aquando do momento de reflexão que o
grupo deve fazer periodicamente.

• A duração das atividades deve ser prevista face ao grupo, às suas capacidades, ao
trabalho e aos conteúdos, ao material a usar e à idade dos membros.
Bibliografia

Lopes, Marcelino (2008) Animação sociocultural em Portugal (2ª edição). Amarante: Editora Associação Portuguesa de Animação e
Pedagogia (APAP).

Ministério da Educação (1998), Qualidade e Projeto na Educação Pré-Escolar, Lisboa

Trilla, Jaume (1998) Animação Sociocultural - Teorias, Programas e Âmbitos. Editorial Ariel.

Documentos electrónicos

Canto, Carla, “Animação sociocultural na sua vertente socioeducativa – animação infantil”

http://www.rianimacion.org

Albuquerque, Paula “A animação em crianças com necessidades educativas especiais”, Revista práticas de animação, Ano 3, nº 2

http://revistapraticasdeanimacao.googlepages.com

Francisco, Susana (2009) “O jogo e a criança: a importancia do jogar”, Revista práticas de animação, Ano 3, nº 2

http://revistapraticasdeanimacao.googlepages.com