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Norma NP

ISO 50003

Portuguesa 2016

Sistemas de gestão de energia


Requisitos para organismos que efetuam auditoria e certificação de
sistemas de gestão de energia

Systèmes de management de l’énergie


Exigences pour les organismes procédant à l’audit et à la certification de systèmes de
management de l’énergie

Energy management systems


Requirements for bodies providing audit and certification of energy management
systems

ICS HOMOLOGAÇÃO
27.010 Termo de Homologação n.º 4/2016, de 2016-01-19

CORRESPONDÊNCIA ELABORAÇÃO
Versão portuguesa da ISO 50003:2014 CT 184 (IPQ)

EDIÇÃO
2016-02-15

CÓDIGO DE PREÇO
X006

 IPQ reprodução proibida

Instituto Português da ualidade


Rua António Gião, 2
2829-513 CAPARICA PORTUGAL

Tel. + 351-212 948 100 Fax + 351-212 948 101


E-mail: ipq@ipq.pt Internet: www.ipq.pt
Preâmbulo nacional
A presente Norma foi elaborada pela Comissão Técnica de Normalização CT 184 “Gestão de energia”, cujo
secretariado é assegurado pelo ITG.
A presente Norma é a versão portuguesa da ISO 50003, Energy management systems – Requirements for
bodies providing audit and certification of energy management systems, com as modificações em baixo
indicadas.
Modificações introduzidas relativamente ao texto da ISO 50003:
 secção 6.3 – Quadro 2, na “área técnica – industria”, na coluna “uso energético típico”, introdução do
ponto “ar comprimido, sistemas de movimentação de materiais”;
 secção A.2 – foi introduzida uma NOTA explicativa no Quadro A.1.
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Sumário Página
Preâmbulo nacional.................................................................................................................................. 2 
Introdução ................................................................................................................................................. 4 
1 Objetivo e campo de aplicação ............................................................................................................. 5 
2 Referências normativas ......................................................................................................................... 5 
3 Termos e definições ............................................................................................................................... 5 
4 Características da auditoria ao sistema de gestão de energia ........................................................... 6 
5 Requisitos do processo de auditoria..................................................................................................... 6 
5.1 Generalidades ....................................................................................................................................... 6 
5.2 Confirmação do âmbito de certificação ................................................................................................ 6 
5.3 Determinação do tempo de auditoria.................................................................................................... 7 
5.4 Amostragem multi-site ......................................................................................................................... 7 
5.5 Realização de auditorias ....................................................................................................................... 7 
5.6 Relatório de auditoria ........................................................................................................................... 8 
5.7 Auditoria de concessão da certificação ................................................................................................ 8 
5.8 Auditoria de acompanhamento ............................................................................................................. 8 
5.9 Auditoria de renovação da certificação ................................................................................................ 8 
6 Requisitos de competência .................................................................................................................... 9 
Anexo A (normativo) Duração das auditorias SGE ............................................................................... 13 
A.1 Determinação do pessoal afeto ao SGE ........................................................................................... 13 
A.2 Determinação da complexidade de um SGE ................................................................................... 13 
A.3 Determinação da duração da auditoria ao SGE ............................................................................. 14 
Anexo B (normativo) Amostragem Multi-Site ........................................................................................ 17 
B.1 Generalidades ...................................................................................................................................... 17 
B.2 Aplicação ............................................................................................................................................. 17 
B.3 Amostragem......................................................................................................................................... 20 
B.4 Duração da auditoria para o escritório central ..................................................................................... 21 
Anexo C (informativo) Melhoria contínua do desempenho energético ................................................ 22 
Bibliografia ............................................................................................................................................... 23 
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Introdução
Esta Norma destina-se a ser utilizada conjuntamente com a norma ISO/IEC 17021:2011. No momento da
publicação da presente Norma, a norma ISO/IEC 17021:2011 encontra-se em revisão e será substituída pela
norma ISO/IEC 17021-1. Para efeitos da presente Norma, a norma ISO/IEC 17021:2011 e a norma
ISO/IEC 17021-1 são consideradas equivalentes. Após a publicação da norma ISO/IEC 17021-1, todas as
referências na presente Norma à norma ISO/IEC 17021:2011 serão consideradas como referências à norma
ISO/IEC 17021-1.
Para além dos requisitos da norma ISO/IEC 17021:2011, a presente Norma especifica requisitos que refletem
a área técnica específica dos sistemas de gestão de energia (SGE), necessários para assegurar a eficácia da
auditoria e a certificação. Em particular, a presente Norma determina os requisitos adicionais necessários
para o processo de planeamento da auditoria, a auditoria de certificação inicial, a realização da auditoria no
local, a competência do auditor, a duração das auditorias aos SGE e amostragem multi-site.
A secção 4 descreve as características da auditoria a um SGE, a secção 5 descreve os requisitos do processo
de auditoria a um SGE e a secção 6 descreve os requisitos de competência necessários para o pessoal
envolvido no processo de certificação de SGE. Os Anexos A, B e C fornecem informação adicional que
complementa a norma ISO/IEC 17021:2011. A presente Norma destina-se a auditorias a sistemas de gestão
de energia, com o propósito de certificação, não se destinando a auditorias energéticas cujo propósito seja
estabelecer uma análise sistemática ao consumo e uso de energia, que se encontram definida na norma
ISO 50002.


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1 Objetivo e campo de aplicação


A presente Norma especifica requisitos para a competência, consistência e imparcialidade na auditoria e
certificação de sistemas de gestão de energia (SGE) para os organismos que prestam estes serviços. A fim de
garantir a eficácia da auditoria ao SGE, esta Norma estabelece o processo de auditoria, requisitos de
competência para o pessoal envolvido no processo de certificação de sistemas de gestão de energia, a
duração das auditorias e a amostragem multi-site.
Esta Norma destina-se a ser utilizada em conjunto com a norma ISO/IEC 17021:2011. Os requisitos da
norma ISO/IEC 17021:2011 também se aplicam à presente Norma.

2 Referências normativas
Os documentos a seguir referenciados são indispensáveis à aplicação desta Norma. Para referências datadas,
apenas se aplica a edição citada. Para as referências não datadas, aplica-se a última edição do documento
referenciado (incluindo as emendas).
ISO/IEC 17021:20111) Conformity assessment – Requirements for bodies providing audit and
certification of management systems
ISO 50001*) Energy management systems – Requirements with guidance for use

3 Termos e definições
Para os fins da presente Norma aplicam-se os termos e definições constantes na ISO 50001 e
ISO/IEC 17021:2011 e os seguintes:

3.1 evidências de auditoria


Registos, afirmações factuais ou outra informação, que sejam relevantes para os critérios da auditoria e
verificáveis.
NOTA 1 à secção: As evidências de auditoria podem ser qualitativas ou quantitativas.

3.2 escritório central


Local, ou rede de escritórios locais ou filiais, de uma organização multi-site, no qual as atividades do SGE
são total ou parcialmente planeadas, controladas ou geridas.
NOTA 1 à secção: O escritório central não é necessariamente a sede ou um único local.

3.3 pessoal afeto ao SGE


Pessoas que contribuem ativamente para o cumprimento dos requisitos de um SGE

NOTA 1 à secção: O pessoal afeto ao SGE contribui para o cumprimento dos requisitos de um SGE no âmbito e fronteiras para a
criação, implementação ou manutenção da melhoria do desempenho energético.

NOTA 2 à secção: O pessoal afeto ao SGE tem impacto no desempenho energético ou na eficácia do SGE e poderá incluir
prestadores de serviços.

1)
Para ser substituída pela ISO/IEC 17021-1.
*)
Existe versão portuguesa da ISO 50001, NP EN ISO 50001 (nota nacional).
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NOTA 3 à secção: O Anexo A contém mais informações sobre o pessoal afeto ao SGE.

3.4 melhoria no SGE


Melhoria na eficácia do sistema de gestão.

3.5 melhoria do desempenho energético


Melhoria dos resultados mensuráveis relacionados com a eficiência energética, uso de energia, ou o consumo
de energia quando comparado com o consumo energético de referência.
NOTA 1 à secção: O Anexo C contém informações adicionais.

3.6 não conformidade maior


<Sistema de gestão de energia> não conformidade que afeta a capacidade do sistema de gestão em atingir os
resultados pretendidos.
NOTA 1 à secção: A classificação das não conformidades como maiores pode ser a seguinte:
 evidência de auditoria em como não foi alcançada a melhoria do desempenho energético;
 dúvida significativa quanto à presença de um controlo eficaz do processo;
 um número de não conformidades menores associadas aos mesmos requisitos ou questão pode demonstrar uma falha sistémica
e, portanto, constituir uma não conformidade maior.

3.7 local
Localização com fronteiras dentro das quais a(s) fonte(s) de energia, o(s) uso(s) de energia e o desempenho
energético estão sob o controlo da organização.

4 Características da auditoria ao sistema de gestão de energia


Os sistemas de gestão de energia permitem a uma organização seguir uma abordagem sistemática para
atingir a melhoria contínua do desempenho energético, incluindo a eficiência energética, uso de energia e o
consumo de energia. A presente Norma especifica requisitos adicionais aos especificados na
ISO/IEC 17021:2011 para a realização de auditorias eficazes de avaliação da conformidade de um SGE.

5 Requisitos do processo de auditoria

5.1 Generalidades
Todos os requisitos definidos na norma ISO/IEC 17021:2011 e na presente Norma devem ser aplicados ao
processo de auditoria ao SGE.

5.2 Confirmação do âmbito de certificação


A organização deve definir o âmbito e as fronteiras do SGE; no entanto, em cada auditoria, o organismo de
certificação deve confirmar a adequação do âmbito e as fronteiras.
O âmbito de certificação deve definir as fronteiras do SGE incluindo atividades, instalações, processos e
decisões relacionadas com o SGE. O âmbito de aplicação poderá ser toda a organização com multi-site, um
local dentro de uma organização, ou um subconjunto ou subconjuntos dentro de um local, tal como um
edifício, instalação ou processo.
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Ao definir as fronteiras, uma organização não deve excluir fontes de energia.

5.3 Determinação do tempo de auditoria

5.3.1 Tempo de auditoria


Na determinação do tempo da auditoria, o organismo de certificação deve incluir os seguintes fatores:
a) fontes de energia;
b) usos significativos de energia;
c) consumo de energia;
d) o número de pessoas afeto ao SGE.
O tempo de auditoria inclui o tempo despendido no(s) local(ais) da organização, no planeamento da
auditoria, na análise documental e na elaboração do relatório de auditoria. O Quadro de duração da auditoria
disponibilizada no Anexo A deve ser utilizado para determinar a duração da auditoria. O método de cálculo
da duração da auditoria é descrito no Anexo A. Nos casos em que os processos e estrutura organizacional são
tais que permitam uma justificação para a redução da duração da auditoria, o organismo de certificação deve
manter registos que justifiquem esta decisão.
A duração da auditoria poderá ser reduzida se a organização tiver integrado o SGE com outro sistema de
gestão certificado. O ajuste no tempo devido à existência de um outro sistema de gestão certificado não deve
exceder uma redução de 20 %.
Os dias/homem de auditoria são baseados em oito horas por dia. Poderá ser necessário efetuar ajustes com
base em exigências legais locais, regionais ou nacionais.

5.3.2 Pessoal afeto ao SGE


O número de pessoas afeto ao SGE e o critério de complexidade, tal como definido no Anexo A, é utilizado
como a base para o cálculo da duração da auditoria. O organismo de certificação deve definir e documentar
um processo para determinar o número de pessoas afeto ao SGE para o âmbito da certificação e para cada
auditoria do programa de auditorias. O processo para determinar o pessoal afeto ao SGE deve assegurar que
as pessoas que contribuem ativamente para o cumprimento dos requisitos do SGE estão incluídas. Quando a
regulamentação exige a identificação de pessoal para as operações e manutenção das atividades do SGE, esse
deve fazer parte do pessoal afeto ao SGE.

5.4 Amostragem multi-site


É permitida a certificação multi-site com base em amostragem. Devem ser seguidos os requisitos para
amostragem multi-site, tal como definido no Anexo B.

5.5 Realização de auditorias


Durante a realização da auditoria, o auditor deve recolher e verificar evidências de auditoria relacionadas
com o desempenho energético que incluem, pelo menos:
 planeamento energético (todas as secções);
 controlo operacional;
 monitorização, medição e análise.
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Para a classificação das não conformidades para a ISO 50001, o auditor usará a definição de não
conformidade maior para o SGE (ver 3.6).

5.6 Relatório de auditoria


Um relatório de auditoria deve incluir:
a) âmbito e fronteiras do SGE auditado;
b) declaração sobre a obtenção da melhoria contínua do SGE e do desempenho energético, com evidências
de auditoria que comprovem as declarações.

5.7 Auditoria de concessão da certificação

5.7.1 Auditoria de 1ª fase


A auditoria de 1ª fase deve incluir o seguinte:
a) a confirmação do âmbito e fronteiras do SGE para certificação;
b) avaliação da descrição, gráfica ou narrativa, das instalações da organização, equipamentos, sistemas e
processos para o âmbito e fronteiras identificadas;
c) confirmação do número de pessoas afeto ao SGE, fontes de energia, usos significativos de energia e
consumo anual de energia, a fim de confirmar a duração da auditoria;
d) avaliação dos resultados documentados do processo de planeamento energético;
e) avaliação da lista de oportunidades de melhoria de desempenho energético identificadas, bem como dos
objetivos, metas e planos de ação relacionados.

5.7.2 Auditoria de 2ª fase


Durante a auditoria de 2ª fase, o organismo de certificação deve reunir as evidências de auditoria necessárias
para determinar se foi demonstrada, ou não, a melhoria do desempenho energético antes de tomar uma
decisão de certificação. É necessária a confirmação de melhoria de desempenho energético para a concessão
da certificação. O Anexo C fornece exemplos de como uma organização poderá demonstrar a melhoria do
desempenho energético.

5.8 Auditoria de acompanhamento


Durante as auditorias de acompanhamento, o organismo de certificação deve avaliar as evidências de
auditoria necessárias para determinar se foi, ou não, demonstrada a melhoria contínua do desempenho
energético.

5.9 Auditoria de renovação da certificação


Durante a auditoria de renovação da certificação, o organismo de certificação deve analisar as evidências de
auditoria necessárias para determinar se foi, ou não, demonstrada a melhoria contínua do desempenho
energético antes de tomar uma decisão de renovação da certificação. A auditoria de renovação da certificação
deve também ter em consideração qualquer alteração importante das instalações, equipamentos, sistemas ou
processos. É necessário a confirmação da melhoria contínua do desempenho energético para conceder a
renovação da certificação.
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NOTA: A melhoria do desempenho energético pode ser afetada por alterações nas instalações, equipamentos, sistemas ou
processos, mudanças no negócio, ou outras condições que resultem numa mudança ou numa necessidade de mudar o consumo
energético de referência.

6 Requisitos de competência

6.1 Generalidades
Os requisitos de competência para o(s) auditor(es) e pessoal envolvido no processo de certificação do SGE
são definidos em 6.2 e 6.3.

6.2 Competências gerais


Todo o pessoal envolvido na auditoria e em atividades de certificação do SGE deve ter um nível de
competência que inclui as competências genéricas descritas na norma ISO/IEC 17021:2011, bem como os
conhecimentos gerais do SGE descritos no Quadro 1 da presente Norma, onde "X" indica que o organismo
de certificação deve definir os critérios.
Quadro 1 – Conhecimentos gerais necessários em SGE
Funções de certificação

Condução da análise da candidatura


Análise de relatórios
Conhecimentos para a determinação da competência
de auditoria e
necessária da equipa, seleção dos Auditar
tomada de decisões
membros da equipa e determinação
de certificação
do tempo de auditoria

Princípios do SGE X X X
Terminologia específica da energia X X X
Princípios básicos de energia X X X
Exigências legais, e outros, relacionados com a
X X X
energia
Indicadores de desempenho energético,
consumo energético de referência, variáveis X X
relevantes e fatores fixos
Avaliação de desempenho energético e
X X
estatísticas de base relacionadas
Sistemas de energia comuns

X X
Por exemplo: sistemas de vapor, sistemas de
refrigeração, sistemas de motores, calor de
processo, etc.

Ações de melhoria do desempenho energético X X

Tecnologias de melhoria do desempenho


X X
energético
Medição e verificação (M&V) X X
Medição, monitorização e análise de dados da
X X
energia
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6.3 Competências técnicas


Para além dos requisitos gerais de competência especificados no Quadro 1, o organismo de certificação deve
definir os critérios de competência para as áreas técnicas descritas no Quadro 2. O organismo de certificação
deve definir a área técnica e os critérios de competência no caso em que a organização não se enquadre numa
das oito áreas técnicas, definidas no Quadro 2.
Quadro 2 – Áreas técnicas
Área técnica Descrição Exemplos Uso energético típico
Indústria - ligeira Instalações fabris de produtos  vestuário,  processo de aquecimento
a média semi-acabados ou produtos  eletrónica de consumo, (eletricidade, gás natural,
destinados ao utilizador final  eletrodomésticos, carvão ou outra fonte),
mobiliário,  funcionamento de máquinas
 plásticos, (bombas, ventiladores, ar
 transformação, comprimido, manuseamento de
 especialidades químicas, materiais),
 alimentos processados,  ar comprimido, sistemas de
 água e tratamento de águas movimentação de materiais,
residuais  sistemas de vapor,
 pequenas torres de
refrigeração,
 outras utilizações do processo,
 utilização de energia em
edifícios (iluminação, AVAC,
águas quentes, dispositivos
portáteis). 
Indústria - pesada Instalações fabris que  produtos químicos,  processos de aquecimento
necessitam de capital intensivo aços e metais, (eletricidade, gás natural,
e que consomem grandes refinação de petróleo, carvão ou outra fonte de
quantidades de matérias-primas construção naval, energia, matérias-primas,
e energia celulose e papel, intermediários),
máquinas industriais,  processos de arrefecimento e
 semicondutores, refrigeração,
 cimento e cerâmica.  funcionamento de máquinas
(bombas, ventiladores, ar
comprimido, manuseamento de
materiais),
 ar comprimido, sistemas de
movimentação de materiais,
 turbinas, condensadores,
 sistemas de vapor,
 grandes torres de refrigeração,
 transporte. 
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Quadro 2 – Áreas técnicas (continuação)


Área técnica Descrição Exemplos Uso energético típico
Edifícios Instalações de práticas  escritórios,  dispositivos portáteis,  
comerciais correntes  alojamento,  aquecimento de água,
 comércio,  iluminação,
 armazéns.  sistemas de refrigeração,
aquecimento e ventiladores
associados,
 sistemas de bombagem. 
Complexo de Instalações com operações que  instalações de cuidados de  sistemas centralizados de
edifícios exijam conhecimentos saúde,  aquecimento e refrigeração,
específicos, devido à utilização  laboratórios,  dispositivos portáteis,
e complexidade dos usos e  data centres   aquecimento de água,
fontes de energia.  campus educacionais,   iluminação, 
 campus militar e  sistemas AVAC, 
governamentais com  ar comprimido, sistemas de
abastecimento de energia movimentação de materiais,
integrado (aquecimento e  elevadores/sistemas de
arrefecimento),  elevação. 
 municípios.
Transportes Sistemas ou meios para  serviços de transporte de  usos energéticos móveis,
transporte de pessoas ou bens passageiros (veículos,  AVAC,
comboios, barcos, aviões),  iluminação,
 transportes municipais,  dispositivos portáteis,
 serviços de transporte  manuseamento de materiais, 
rodoviário e ferroviário,  fontes de energia
 companhias de cruzeiro, (combustíveis fósseis,
 companhias aéreas, eletricidade, carvão, etc.). 
 frotas.
Indústria extrativa Extração a céu aberto,  separação mineral,  extração,
subterrânea e aquática de  hidrometalurgia,  transporte em veículos de
matérias-primas e transporte  fundição e refinação, carga,
 exploração de petróleo e  funcionamento de máquinas
gás, (bombagem de água,
 gasodutos e oleodutos.  ventilação, turbinas,
ventiladores),
 preparação de materiais
(esmagamento, moagem,
separação),
 sistemas a vapor, torres de
condensação e refrigeração. 

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Quadro 2 – Áreas técnicas (conclusão)


Área técnica Descrição Exemplos Uso energético típico
Agricultura Produtos resultantes da criação  agricultura,  extração,
de gado, sementes ou colheitas  produção de sementes,  fontes (combustíveis fósseis,
 transporte de materiais, eletricidade, gás natural,
 produção animal. carvão, etc.),
 energias renováveis (biomassa,
solar, geotérmica, etc.),
 motores,
 transporte,
 unidades de acionamento
(bombas, ventiladores,
manipulação de material),
 bombas,
 tratamento de água,
 secadores. 
Fornecimento de Produção de energia (nuclear, produção elétrica (carvão,  transformação de matérias-
energia produção combinada de calor e fuelóleo, gás natural, primas
eletricidade, eletricidade, renovável, produção  turbinas e equipamentos de
renovável, etc.) e transporte combinada de calor e transmissão e distribuição,
(transmissão e distribuição) eletricidade, ciclo  combustão,
combinado, etc.)  sistemas a vapor,
 torres de condensação e de
refrigeração. 

Se o organismo de certificação determinar que é necessário subdividir a área técnica, devem ser
estabelecidos critérios adicionais para o uso de energia.
A equipa auditora deve ser selecionada e composta por auditores e peritos técnicos, conforme necessário,
para cumprir os requisitos de competência técnica, bem como os requisitos gerais de competência
compatíveis com o âmbito de certificação. O Quadro 3 descreve as perícias técnicas para um SGE em que
"X" indica que o organismo de certificação define os critérios.
Quadro 3 – Perícias técnicas em SGE
Funções de certificação
Condução da análise da
candidatura para a determinação
Perícias Análise de relatórios de
da competência necessária da
auditoria e tomada de Auditar
equipa, seleção dos membros da
decisões de certificação
equipa e determinação do tempo
de auditoria
Medição e verificação geral (M&V) X X
Medição, monitorização e análise de
X X
dados de energia
Quando a auditoria é realizada por uma equipa (mais do que um auditor), o nível de perícias necessárias devem ser detidas pela
equipa como um todo.
NOTA: Se a auditoria for realizada por uma equipa, não é necessário que todos os membros da equipa tenham perícias em todas as
áreas.
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Anexo A
(normativo)

Duração das auditorias SGE

A.1 Determinação do pessoal afeto ao SGE


O pessoal afeto ao SGE é determinado com base no processo definido pelo organismo de certificação.
Quando o organismo de certificação define o seu processo para determinar o número de pessoas afetas ao
SGE, deve ser tomado em consideração o pessoal com impacto material direto no SGE, incluindo:
a) gestão de topo;
b) representante(s) da gestão;
c) equipa de gestão de energia;
d) pessoa(s) responsável(eis) pelas principais alterações que afetam o desempenho energético;
e) pessoa(s) responsável(eis) pela eficácia do SGE;
f) pessoa(s) responsável(eis) pelo desenvolvimento, implementação ou manutenção das melhorias do
desempenho energético, incluindo objetivos, metas e planos de ação;
g) pessoa(s) responsável(eis) pelos usos significativos de energia.
NOTA: As pessoas associadas aos usos significativos de energia podem não ser consideradas como pessoal afeto ao SGE
dependendo do impacto que as suas ações possam ter no desempenho energético. É importante compreender a sua função e o
impacto antes de as incluir como pessoal afeto ao SGE.
EXEMPLO 1: Fabricante automóvel.
O pessoal afeto ao SGE seria aquele que está diretamente envolvido com o apoio dos usos significativos de energia (sistema de
pintura, sistema AVAC), gestão, operações, engenharia/instalações/manutenção, o prestador de serviço para o sistema AVAC e a
equipa de energia. Isto não inclui pessoal administrativo ou pessoal da montagem.
EXEMPLO 2: Complexo de edifícios comerciais.
O pessoal afeto ao SGE é aquele que está relacionado com o sistema central de aquecimento e arrefecimento, a manutenção e funções
de engenharia, gestão da construção e renovação, aprovisionamento e a equipa da energia. Outras pessoas que trabalhem em cada
edifício ou pessoal administrativo não seriam pessoal afeto ao SGE.

A.2 Determinação da complexidade de um SGE


A complexidade é baseada em três considerações:
— consumo anual de energia;
— número de fontes de energia;
— número de usos significativos de energia.
A complexidade é um valor calculado com base num fator ponderado que congrega todas estas três
considerações. Para cada uma são necessários dois valores para calcular a complexidade:
a) o peso ou multiplicador;
b) o fator de complexidade que é baseado numa escala;
A fórmula para calcular a complexidade, C, é:
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C = (FEC ×WEC ) + (FES ×WES ) + (FSEU ×WSEU)

onde
FEC é o fator de complexidade do consumo anual de energia do Quadro A.1,
FES é o fator de complexidade do número de fontes de energia do Quadro A.1,
FSEU é o fator de complexidade do número de usos significativos de energia do Quadro A.1,
WEC é o peso do fator do Quadro A.1 para consumo anual de energia,
WES é o peso do fator do Quadro A.1 para o número de fontes de energia,
WSEU é o peso do fator do Quadro A.1 para o número de usos significativos de energia.
O Quadro A.1 fornece para cada consideração, o peso e os intervalos associados para os fatores de
complexidade necessários para o cálculo da complexidade.

Quadro A.1 – Critério de complexidade energética para a determinação da duração da auditoria


Considerações Peso Intervalo Fator de complexidade
≤ 200 TJ 1,0
200 TJ ≤ 2 000 TJ 1,2
Consumo anual de energia (TJ) 30 %
2 000 TJ ≤ 10 000 TJ 1,4
> 10 000 TJ 1,6
1a2 1,0
Número de fontes de energia 30 % 3 1,2
≥4 1,4
≤5 1,0
6 a 10 1,2
Número de usos significativos de energia 40 %
11 a 15 1,3
≥ 16 1,4
O organismo de certificação poderá usar critérios adicionais aos aqueles especificados nesta Norma. Os critérios adicionais devem
ser documentados e devem ser mantidos registos da aplicação dos critérios.
NOTA: Para efeitos de contabilização de tempos de auditoria, o consumo elétrico deve ser considerado em termos de energia final.

Uma vez que o valor da complexidade foi calculado usando a fórmula, o valor é usado para determinar o
nível de complexidade do SGE com base no Quadro A.2
Quadro A.2 – Nível da complexidade do SGE
Valor da complexidade Nível da complexidade do SGE
> 1,35 Alto
1,15 a 1,35 Médio
< 1,15 Baixo

A.3 Determinação da duração da auditoria ao SGE


A duração mínima de auditoria é determinada com base numa combinação do número de pessoas afetas ao
SGE e a complexidade. A duração mínima de auditoria para a concessão (1ª fase e 2ª fase) é mostrada no
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Quadro A.3. O organismo de certificação deve assegurar que a duração da auditoria é revista e confirmada na
1ª fase.
Quadro A.3 – Duração mínima da auditoria de concessão (dias/homem)
Complexidade
Número de pessoas afeto ao SGE Baixa Média Alta
1 - 15 3,0 5,0 6,0
16 - 25 4,0 6,0 7,5
26 - 65 5,5 7,0 8,5
66 - 85 6,5 8,0 9,5
86 - 175 7,0 9,0 10,0
176 - 275 7,5 9,5 10,5
276 - 425 8,5 11,0 12,5
O organismo de certificação pode prever a duração da auditoria para um
≥ 426 número de pessoas afetas ao SGE superior a 425. Essa duração deverá seguir a
progressão deste Quadro.

EXEMPLO: Exemplo do número mínimo de dias para uma auditoria de concessão:


O número de pessoal afeto do SGE tal como determinado pelo organismo de certificação para a empresa XYZ é 32.
O consumo anual de energia relatado era 12 para um fator de complexidade de 1,0 e o peso é 30 %, usando o Quadro A.1.
O número de fontes de energia (gás natural, eletricidade, gasóleo) é 3, usando o Quadro A.1, o fator de complexidade é 1,2 e o peso é
30 %.
O número de usos significativos de energia para a empresa XYZ é 3, usando o Quadro A.1, o fator de complexidade é 1,0 e o peso é
de 40 %.
C = (0,3×1,0) + (0,3×1,2) + (0,4×1,0)
C = 0,3 + 0,36 + 0,4
C = 1,06
Usando o Quadro A.2 o nível de complexidade é baixo uma vez que o valor de complexidade é inferior a 1,15.
Usando o Quadro A.3 o número mínimo de duração da auditoria seria 5,5 dias/homem para a auditoria de 1ª fase e de 2ª fase.
Usando o Quadro A.4 o número mínimo de dias para a auditoria de acompanhamento seria 2 dias/homem e de renovação seria de 4
dias/homem.

O número mínimo de dias de auditoria para os acompanhamentos e renovação são mostrados no Quadro A.4.
O processo de certificação deve assegurar que qualquer alteração ao SGE, usos significativos de energia,
instalações, equipamentos, sistemas ou processos, resultam numa revisão dos dias de auditoria necessários.
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro A.4 – Duração mínima das auditorias de acompanhamento e renovação (dias/homem)
Complexidade
Baixa Média Alta
Número de
pessoas afetas Acompanhamento Renovação Acompanhamento Renovação Acompanhamento Renovação
ao SGE
1 - 15 1,0 2,0 2,0 3,0 2,0 4,0
16 - 25 1,5 3,0 2,0 4,0 2,5 5,0
26 -65 2,0 4,0 2,5 5,0 3,0 6,0
66 - 85 2,0 5,0 3,0 5,5 3,0 7,0
86 - 175 2,0 5,0 3,0 6,0 3,0 7,0
176 - 275 2,5 5,0 3,5 6,5 3,5 8,0
276 - 425 3,0 6,0 3,5 7,0 4,0 9,0
O organismo de certificação poderá prever a duração da auditoria para um número de pessoas afetas ao SGE superior a
≥ 426
425. Essa duração deverá seguir a progressão deste Quadro.
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Anexo B
(normativo)
Amostragem Multi-Site

B.1 Generalidades
Este Anexo define os requisitos para auditoria e certificação do SGE de organizações com uma rede de
locais. O método definido deve assegurar que as auditorias garantam a adequada confiança na conformidade
do SGE em todos os locais e que estas auditorias sejam práticas, exequíveis e economicamente viáveis do
ponto de vista operacional.
Onde as atividades da organização relacionadas com as fontes de energia, usos de energia e consumos de
energia são sujeitas a certificação e são executadas de forma semelhante nos diferentes locais sob autoridade
e controlo da organização, o organismo de certificação poderá implementar procedimentos apropriados para
amostragem, na auditoria de concessão, auditoria de acompanhamento e auditoria de renovação.
Desvios do cumprimento destes requisitos poderão ser considerados na condição de serem justificados e
registados. A justificação deve demonstrar que o mesmo nível de confiança na conformidade do SGE em
todos os locais listados pode ser obtido antes de prosseguir com as auditorias.

B.2 Aplicação
B.2.1 Local
Onde não for viável definir uma localização (por exemplo, para os serviços), a abrangência da certificação
deverá ter em conta as atividades da sede da organização, bem como a prestação dos seus serviços. Onde
relevante, o organismo de certificação poderá decidir que a auditoria de certificação deve ser realizada onde
a organização fornece seus serviços e o seu escritório central deve ser identificado e auditado.

B.2.2 Local temporário


Um local temporário é um local criado por uma organização, a fim de realizar um trabalho específico ou
prestar um serviço num período limitado de tempo e que não deve tornar-se um local permanente (por
exemplo, um estaleiro de obras). Quando os locais temporários da organização apresentem como elementos
relevantes, usos e consumos de energia, estes devem ser incluídos.

B.2.3 Organização multi-site


Uma organização multi-site é definida como uma organização que tem uma função central identificada
(doravante definida como escritório central) e uma rede de escritórios locais ou filiais (locais) em que
determinadas atividades são total ou parcialmente realizadas.
Uma organização multi-site não precisa de ser uma entidade jurídica única, no entanto todos os locais devem
ter um vínculo legal ou contratual com o escritório central e estar sujeito a um SGE comum. O SGE deve
estar estabelecido, implementado, mantido e sujeito a realização de auditorias de acompanhamento contínuas
pelo organismo de certificação, bem como auditorias internas planeadas pelo escritório central. O escritório
central deve ter autoridade para exigir que os locais implementem as ações corretivas, quando necessárias.
EXEMPLO: As organizações que funcionam em franchising, organizações de produção com uma rede de pontos de venda, locais de
produção com processos similares ou com usos significativos de energia, organizações com serviços em vários locais que oferecem
um serviço idêntico, organizações com várias filiais.
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B.2.4 Elegibilidade de uma organização para amostragem


Os processos relacionados com os usos significativos de energia e consumo de energia no local devem ser
praticamente os mesmos ou serem organizados em subconjuntos semelhantes aos que são realizados através
de métodos ou processos semelhantes. Onde alguns locais a considerar têm processos similares, mas menos
do que noutros locais, poderão ser elegíveis para inclusão numa certificação multi-site, desde que os locais
onde se realizem a maioria dos processos de consumo elevado de energia sejam sujeitos a auditorias mais
frequentes. O desempenho energético dos locais pode ser considerado de forma independente ou como um
todo. Esta abordagem deve estar definida nos processos do organismo de certificação ou justificado no plano
de amostragem da organização multi-site.
O SGE da organização deve estar sob um processo de planeamento energético centralmente controlado e
gerido e sujeito a uma revisão pela gestão centralizada, e deve ter completado uma revisão pela gestão antes
do organismo de certificação iniciar a sua auditoria. Os locais relevantes (incluindo a administração central)
devem estar sujeitos ao programa de auditoria interna da organização, gerido centralmente, antes do
organismo de certificação começar a sua auditoria.
Deve ser demonstrado que o escritório central da organização estabeleceu um SGE e que toda a organização
no âmbito da auditoria do SGE cumpre os seus requisitos.
O escritório central deve demonstrar a sua capacidade para recolher e analisar os dados de todos os locais
incluídos no âmbito e fronteiras. De modo a que a organização seja elegível para amostragem, devem ser
cumpridos e aplicados os seguintes requisitos no escritório central:
a) requisitos do sistema de gestão:
 documentação do sistema e alterações autorizadas pelo escritório central;
 revisão pela gestão, compilada a partir de todos os locais;
 avaliação das ações corretivas;
 planeamento de auditorias internas e avaliação dos resultados;
 demonstrar a sua autoridade para recolher informação sobre as exigências legais e outros e
implementação de mudanças organizacionais, se necessário;
 resultados das auditorias internas dos locais;
b) requisitos do desempenho energético:
 processo consistente do planeamento energético;
 critérios consistentes para determinar e ajustar o consumo energético de referência, variáveis
relevantes e indicadores de desempenho energético (IDE’s);
 critérios consistentes para estabelecer objetivos, metas e planos de ação por local;
 processos centralizados para avaliação da aplicabilidade e eficácia dos planos de ação e IDE’s;
 compilar dados do desempenho energético para evidenciar o desempenho energético de toda a
organização, se aplicável.

B.2.5 Responsabilidades do organismo de certificação

B.2.5.1 Generalidades
Para a escolha da amostragem, os procedimentos do organismo de certificação devem assegurar que a análise
inicial do contrato inclui a avaliação da complexidade, a abrangência das atividades cobertas pelo SGE e que
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todos os critérios e secções desta Norma foram cumpridos. Considerações das diferenças que podem afetar a
amostragem poderão incluir as seguintes:
a) desempenho energético;
b) uso significativo de energia;
c) fontes de energia;
d) monitorização, medição e análise;
e) consumo de energia;
f) alterações do âmbito.
O organismo de certificação deve identificar os serviços centrais (escritório central) da organização com a
qual tem um contrato com validade jurídica para a prestação de atividades de certificação.
O organismo de certificação deve garantir que os requisitos de competência definidos na sessão 6 são
cumpridos para cada local a ser incluído na certificação e auditorias. Se os locais de uma organização onde
são realizadas as atividades sujeitas à certificação não estão preparados, a organização deve, antes da
auditoria, informar o organismo de certificação da lista dos locais a incluir e a excluir na certificação.

B.2.5.2 Auditoria
O organismo de certificação deve ter procedimentos documentados para lidar com auditorias no âmbito do
seu programa multi-site. Estes procedimentos estabelecem a forma como o organismo de certificação
confirma que, o mesmo SGE gere as atividades de todos os locais, é realmente aplicado a todos os locais e
que a organização satisfaz todos os critérios de elegibilidade conforme referido em B.2.4. Quando existirem
não conformidades (conforme definido em 3.6 e na ISO/IEC 17021:2011) em qualquer um dos locais, seja
através de auditoria interna ou através do organismo de certificação, deve-se investigar se outros locais
poderão estar afetados. O organismo de certificação deve exigir à organização que avalie as  não
conformidades para determinar se as correções ou ações corretivas precisam de ser aplicadas a outros locais.
Os registos da avaliação e a justificação devem ser mantidos.
O organismo de certificação aumenta, conforme adequado, a frequência de amostragem ou o tamanho da
amostra, até que se garanta que o controle foi restabelecido. No momento da decisão de certificação, se
qualquer local tiver uma não conformidade maior, a certificação deve ser recusada a todo o conjunto de
locais listados, até existir uma ação corretiva satisfatória. Não deve ser admissível que, a fim de superar o
obstáculo levantado pela existência de uma não conformidade maior num local, a organização procure
excluir esse local do âmbito, durante o processo de certificação. 

B.2.6 Documentos de certificação


Os documentos de certificação podem ser emitidos abrangendo vários locais, desde que cada local incluído
no âmbito da certificação, tenha sido auditado individualmente pelo organismo de certificação ou auditado
utilizando o método de amostragem descrito na presente Norma. O organismo de certificação deve fornecer
os documentos de certificação à organização, através de qualquer meio por ele escolhido. Os documentos de
certificação poderão ser emitidos para cada local abrangido pela certificação, desde que tenham o mesmo
âmbito, ou um sub-âmbito daquele, e inclua uma referência clara aos principais documentos de certificação.
Os documentos de certificação devem ser anulados na íntegra, se o escritório central ou qualquer um dos
locais não cumprir com as disposições necessárias para manter a certificação. A lista de locais deve ser
mantida atualizada pelo organismo de certificação. Para garantir o rigor desta informação, o organismo de
certificação deve solicitar à organização que informe sobre o encerramento de qualquer um dos locais
abrangidos pela certificação. A falha no fornecimento dessa informação deve ser considerada pelo organismo
de certificação como um uso indevido da certificação. Outros locais podem ser adicionados a uma
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certificação existente como resultado de uma auditoria de acompanhamento ou renovação ou na sequência


do alargamento do âmbito. O organismo de certificação deve ter procedimentos documentados para a
inclusão de novos locais.

B.3 Amostragem
B.3.1 Metodologia
A amostra deverá ser selecionada em parte com base nos fatores abaixo estabelecidos e deverão resultar
numa amostragem representativa dos diferentes locais selecionados. Pelo menos 25 % da amostra deverá ser
selecionada de forma aleatória. O restante deverá ser selecionado de modo a que a variação entre os locais
escolhidos, ao longo do período de validade do certificado, seja tão grande quanto possível.
A seleção dos locais deve incluir uma avaliação das fontes de energia e do consumo de energia, e deverá
incluir, entre outros, os seguintes:
a) resultados das auditorias internas ao local e revisões pela gestão ou as auditorias de certificação
anteriores;
b) variações significativas na dimensão dos locais;
c) variações nos turnos e nos processos e procedimentos de trabalho;
d) complexidade do sistema de gestão;
e) processos realizados em diferentes locais;
f) alterações desde a última auditoria de certificação;
g) maturidade do sistema de gestão e conhecimento da organização;
h) complexidade das fontes de energia, usos de energia e consumo de energia;
i) diferenças de cultura, idioma e exigências legais e outros;
j) dispersão geográfica.
Esta seleção não tem que ser feita no início do processo de auditoria. Também pode ser feita quando a
auditoria no escritório central for concluída. Em qualquer caso, o escritório central deve ser informado sobre
os locais a serem incluídos na amostra. Isso pode ser feito com pouca antecedência, mas deverá permitir um
tempo suficiente para preparação para a auditoria.

B.3.2 Tamanho da amostra


O organismo de certificação deve ter um procedimento documentado para determinar a amostra que vai
selecionar, quando audita e certifica uma organização multi-site, devendo ter-se em conta os fatores descritos
nesta Norma. O organismo de certificação deve ter registos de cada aplicação de amostragem multi-site
justificando que está de acordo com a presente Norma. O escritório central deve ser auditado em cada
auditoria de concessão e de renovação e pelo menos uma vez por ano nas auditorias de acompanhamento.
A auditoria no escritório central deve incluir uma avaliação do acompanhamento do desempenho energético
de todos os locais incluídos no certificado global da organização. O tamanho da amostra e a frequência de
amostragem deverão aumentar quando a análise de risco efetuada pelo organismo de certificação, da
atividade abrangida pelo SGE objeto de certificação, indicar circunstâncias especiais, tais como as seguintes:
a) o tamanho dos locais e número de pessoal afeto ao SGE;
b) variações das práticas laborais (por exemplo turnos);
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c) variações nas atividades realizadas;


d) variações no uso de energia e consumo de energia, em particular usos significativos de energia (USE’s);
e) complexidade dos usos de energia;
f) registos de ações corretivas e preventivas;
g) exigências legais ou outros;
h) resultados de auditorias internas e revisão pela gestão;
i) a capacidade de demonstrar o desempenho energético e melhoria do SGE.
O número mínimo de locais, a serem visitados por auditoria, deve ser:
 auditoria de certificação inicial: o tamanho da amostra (espetro) (Y) deve ser a raiz quadrada do número
de locais remotos (x) arredondado para o número inteiro superior, ou seja, Y  x .
 Auditoria de acompanhamento: o tamanho da amostra anual deverá ser a raiz quadrada do número de
locais remotos com 0,6 como coeficiente, arredondado para o número inteiro superior, ou seja,
Y  0 ,6 x .
 Auditoria de renovação: o tamanho da amostra deverá ser o mesmo como para a auditoria inicial.
Contudo, onde o sistema de gestão tenha comprovado a sua eficácia ao longo de um período de três anos, o
tamanho da amostra pode ser reduzido de um fator de 0,8, arredondado para o número inteiro mais próximo,
ou seja, Y  0 ,8 x .
NOTA: A metodologia de amostragem descrita na presente secção é retirada do IAF MD1 [8].

Quando um novo local é escolhido para se juntar a uma rede multi-site já certificada, este deverá ser
considerado como uma unidade independente para a determinação do tamanho da amostra. Após a inclusão
do novo local no certificado, este deverá ser adicionado aos já existentes para a determinação do tamanho da
amostra para futuras auditorias de acompanhamento ou de renovação.

B.4 Duração da auditoria para o escritório central


A duração total da auditoria no programa de auditoria é a soma total do tempo de auditoria em cada local e
no escritório central. O organismo de certificação deve estar preparado para justificar o tempo despendido
em auditorias multi-site nos termos da sua política global de alocação de tempos de auditoria. O número de
dias de auditoria para cada local selecionado, incluindo o escritório central, deve ser calculado para cada
local usando os Quadros de auditoria incluídos no Anexo A. O número mínimo de dias de auditoria para o
escritório central e auditoria ao SGE devem ser determinados pelo organismo de certificação e a
fundamentação da decisão deve ser registada.
Com base nos processos atuais e nas informações recolhidas durante a certificação inicial ou antes da
auditoria de acompanhamento ou renovação, o tempo pode ser ajustado com base nas informações da
amostragem. O organismo de certificação deve fornecer a fundamentação da decisão e assegurar que é
registada.
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Anexo C
(informativo)

Melhoria contínua do desempenho energético

A melhoria de desempenho energético é um requisito essencial para um SGE. Os auditores de organismos de


avaliação de conformidade consideram a melhoria de desempenho energético como uma parte da decisão de
certificação. Este Anexo dá alguns exemplos da melhoria contínua do desempenho energético que os
auditores poderão encontrar durante uma auditoria.
EXEMPLO 1: O consumo total de energia diminui com o tempo.
Consumo total de energia medido em kWh nos últimos 12 meses, enquanto a produção permanece em níveis semelhantes, para o
âmbito e as fronteiras do SGE. Estes dados são usados pela organização e através dos seus IDE’s para demonstrar a melhoria
contínua do desempenho energético nos últimos 12 meses.
EXEMPLO 2: O consumo total de energia aumenta mas a medida do desempenho energético, tal como definido pela organização,
melhora.
Num edifício comercial, uma organização que processa apólices de seguros, implementou computadores adicionais devido a um
aumento nos negócios. Os computadores adicionais causaram um aumento na carga, resultando num aumento global do consumo de
energia. O IDE do consumo de energia por apólice de seguro, conforme definido pela organização, foi reduzido demonstrando
melhoria no desempenho energético.
EXEMPLO 3: O equipamento tem uma redução prevista no desempenho energético, com o envelhecimento. Um atraso ou redução
na curva de redução de desempenho, devido aos controlos operacionais e de manutenção adequados, podem demonstrar uma
melhoria no desempenho energético, conforme definido pelo IDE organizacional.
Climatizar um edifício comercial durante um tempo adicional irá degradar o equipamento devido ao processo de envelhecimento.
Esta perda de desempenho ao longo do tempo pode ser vista no consumo específico de energia (em kWh/m2), devido a uma
variedade de fatores tais como perdas da eficiência de transferência de calor devido a danos mecânicos ou colmatação de filtros. A
organização reflete o desempenho energético no seu programa de manutenção e demonstra o desempenho constante do sistema ao
longo do tempo e através dos IDE’s.
EXEMPLO 4: Onde o consumo de referência tenderá a aumentar ao longo do tempo, tais como em atividades de extração de
minérios, onde os recursos sofrem um empobrecimento ao longo do tempo, a melhoria de desempenho energético pode ser
demonstrada em relação a um aumento do consumo de referência.
NOTA: Mais explicações para medir o desempenho energético podem ser encontradas na ISO 50002 (Energy audits —
Requirements with guidance for use), ISO 50006 (Energy management systems — Measuring energy performance using energy
baselines (EnB) and energy performance indicators (EnPI) —General principles and guidance) e ISO 50015 (Energy management
systems —Measurement and verification of energy performance of organizations — General principles and guidance).
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Bibliografia

[1] ISO 50002 Energy audits – Requirements with guidance for use
[2] ISO 50004 Energy management systems – Guidance for the implementation, maintenance and
improvement of na energy management system
[3] ISO 50006 Energy management systems – Measuring energy performance using energy baselines
(EnB) and energy performance indicators (EnPI) – General principles and guidance
[4] ISO 50015 Energy management systems – Measurement and verification of energy performance
of organizations – General principles and guidance
[5] ISO/IEC/TS Conformity assessment – Requirements and recommendation for content of a third-
17022 party audit report on management systems
[6] ISO/IEC/TS Conformity assessment – Guidelines for determining the duration of management
17023 system certification audits
[7] IEC 60027 Letter symbols to be used in electrical technology
(todas as partes)
[8] IAF MD1: 2007 Certification of Multiple Sites Based on Sampling, available at: em:
http://www.iaf.nu/upFiles/IAFMD12007_Certification_of_Multiple_Sites_Issue1v3Pu
b5.pdf

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