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Agentes Físicos III

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Esp. Erika Gambeti Viana de Santana

Revisão Textual:
Profa. Esp. Kelciane da Rocha Campos
Agentes Físicos III

Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos:


• Introdução ao Tema
• Leitura Obrigatória
• Material Complementar

Fonte: iStock/Getty Images


Objetivos
• Definir Higiene ocupacional, Limite de tolerância e requisitos. Apresentar os agentes
físicos: radiações ionizantes e não ionizantes e exposição a ambientes frios, saber como
funcionam e os efeitos à saúde do trabalhador.

Normalmente com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o
último momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material
trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas.

Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você
poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns
dias e determinar como o seu “momento do estudo”.

No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões


de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e
auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de
discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de
propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de
troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE
Agentes Físicos III

Introdução ao Tema
Veremos a seguir que radiação ionizante é a radiação que possui energia suficiente
para ionizar átomos e moléculas. A energia mínima típica da radiação ionizante é de
cerca de 10 eV. Pode danificar células e afetar o material genético (DNA), causando
doenças graves (por exemplo: câncer), levando até à morte. A radiação ionizante consiste
em ondas eletromagnéticas com energia suficiente para fazer com que os elétrons se
desprendam de átomos e moléculas, alterando sua estrutura – num processo conhecido
como ionização. Como resultado, eles tornam-se eletricamente carregados. Como parte
do nosso ambiente, tanto das fontes naturais presentes na Terra (terrestres) quanto do
espaço (cósmico), estamos permanentemente expostos às radiações ionizantes. Além
disso, fontes artificiais também contribuem para nossa exposição.

Existem vários tipos de radiação ionizante e cada um tem um poder diferente de


penetração e causa diferentes graus de ionização na matéria. Os tipos de radiações
ionizantes mais conhecidos são os raios X, usados em equipamento radiológico para
fins médicos, como, por exemplo, em diagnóstico e tratamento. A radiação alfa (α),
beta (β) e gama (γ) produzidas por núcleos de átomos instáveis são outros tipos de
radiações ionizantes.

Nesta unidade, também são analisados os efeitos nocivos das radiações não ionizantes.
Denominamos de radiação não ionizante a radiação com frequência inferior a 1016
Hz, cujos efeitos à saúde são diferentes daqueles causados pela radiação ionizante e,
portanto, exigem outras ações corretivas e de controle.

À medida que a ciência e a tecnologia evoluem, novos problemas ocupacionais são


criados. Como exemplo, temos os problemas associados a forno de micro-ondas, a
terminais de vídeo ou a apontadores de laser. Não existem ainda evidências indicando
que esses problemas são significativos, mas os cientistas continuam a pesquisar as
possibilidades. As radiações não ionizantes apresentam interesse do ponto de vista
ambiental, porque os seus efeitos sobre a saúde das pessoas são potencialmente
importantes, sendo que exposições sem controle podem levar à ocorrência de sérias
lesões ou doenças. Por outro lado, há uma proliferação de equipamentos, inclusive de
uso doméstico, que emitem radiações, tais como fornos de micro-onda, radares para
barcos (inclusive de recreação), lasers, inspeção para controle de qualidade, lâmpadas
ultravioletas para eliminar germes, etc.

Abordaremos também temperaturas frias, pois diversas atividades laborais expõem os


trabalhadores aos danos causados pelo frio. A exposição ocupacional ao frio é dividida
em dois grupos: as atividades exercidas ao ar livre, como: construção civil, agricultura,
pesca, exploração de petróleo, policiamento, resgate e salvamento, vigilância e outros; e
as atividades exercidas em ambientes fechados, como: câmaras frias, câmaras frigoríficas,
fabricação de gelo, fabricação de sorvetes e outros. No caso de ambientes fechados,
devemos ter um laudo de inspeção a fim de avaliarmos se a atividade será considerada
insalubre (Portaria n.º 3214/78 do MTb – NR/15). Considera-se artificialmente frio
um ambiente de trabalho medindo-se a temperatura do mesmo e fazendo a consulta

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climática do mapa oficial do Ministério do Trabalho onde o local de trabalho se encontra.
A temperatura do ambiente deve ser medida com o uso de termômetro de bulbo seco,
com capacidade para leituras de pelo menos -40C.

O trabalho em ambientes extremamente frios se constitui num risco potencial


à saúde dos trabalhadores, podendo causar desconforto, doenças ocupacionais,
acidentes e até mesmo morte, quando o trabalhador fica preso acidentalmente em
ambientes frios ou imerso em água gelada. Os trabalhadores devem estar protegidos
contra a exposição ao frio, de modo que a temperatura central do corpo não caia
abaixo de 36°C. As lesões mais graves causadas pelo frio decorrem da perda excessiva
de calor do corpo e diminuição da temperatura no centro do corpo, o que chamamos
de hipotermia. A hipotermia e outras lesões causadas pelo frio podem ser evitadas se
forem adotadas práticas adequadas para o trabalho nessa situação. Roupas de frio,
inclusive proteção para a cabeça, luvas mitenes e botas isolantes devem ser usadas por
pessoas expostas ao frio.

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UNIDADE
Agentes Físicos III

Leitura Obrigatória
Agentes físicos – radiações ionizantes
Desde os primórdios da humanidade, o homem esteve exposto às radiações
ionizantes provenientes do espaço exterior, do solo, da água, do ar e dos seres vivos. O
crescente uso de fontes emissoras dessas radiações em atividades médico-hospitalares,
industriais e de pesquisa evidenciou o risco potencial da exposição humana a elas.
A fim de melhor avaliar esse risco e proteger os indivíduos dos efeitos deletérios das
radiações ionizantes, foram desenvolvidos instrumentos de detecção e procedimentos
de controle da exposição. A Proteção Radiológica é a área do conhecimento que
abrange os estudos sobre as diferentes formas de geração de radiação ionizante, os
meios para detectá-las, a sua interação com sistemas biológicos e as técnicas para
controlar a exposição humana a elas.

A classificação de uma radiação como ionizante está relacionada à sua capacidade de


produzir ionização em sistemas biológicos. O corpo humano é constituído basicamente
por água, hidrogênio, oxigênio, carbono e nitrogênio, cujos potenciais de ionização
situam-se entre 12 e 15 eV. Portanto, a energia mínima transportada pela radiação,
capaz de produzir ionização nesses sistemas, é 12,4 eV.

Dentro do espectro eletromagnético, serão consideradas ionizantes as radiações


com comprimentos de onda inferiores a 100 nm. Entretanto, não apenas as radiações
eletromagnéticas apresentam essa propriedade, também radiações corpusculares,
tais como prótons, elétrons e nêutrons, são capazes de produzir ionização. A energia
corpuscular a ser transferida para o meio, ionizando-o, é a energia de movimento ou
cinética, cuja magnitude é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade da
partícula. Desse modo, qualquer partícula ordinária ao ser acelerada, fornecendo-lhe
energia cinética superior a 12,4 eV, passará a ser ionizante, posto que será capaz de
ionizar sistemas biológicos.

Se montarmos um gráfico da constituição nuclear dos átomos conhecidos (naturais


e artificiais), representando no eixo vertical o número de nêutrons e no horizontal o
de prótons, obteremos uma faixa larga e deslocada em direção ao eixo vertical. Ao
observarmos atentamente essa faixa, verificamos que no seu trecho central e abaixo de
uma massa atômica correspondente a 190, estão localizados núcleos que não modificam
a sua constituição interna (quantidade de prótons e nêutrons) com o decorrer do tempo,
sendo, por essa razão, considerados estáveis. Por outro lado, os núcleos localizados nas
bordas da faixa e no trecho acima de 190 apresentam uma variação na quantidade de
prótons e nêutrons com o passar do tempo, e por isso são denominados instáveis. Em
outras palavras, ou eles apresentam um excesso de partículas no seu interior, ou têm
nêutrons demais ou nêutrons de menos para serem estáveis.

Esse estado de instabilidade representa um excesso de energia ou um gasto energético


para o núcleo. Tendo-se em vista que todos os sistemas na natureza buscam se rearranjar
de tal forma que o seu gasto de energia seja mínimo, o núcleo atômico irá sofrer uma

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série de transformações espontâneas até atingir o estado que represente o de menor
consumo energético (estado fundamental). Durante essas transformações, o núcleo se
libera do excesso de partículas e energia que possui, modificando assim a sua estrutura
(desintegração) e diminuindo seu nível de energia (decaimento).

A radioatividade é definida como o fenômeno físico de emissão espontânea de


radiação ionizante por núcleos atômicos instáveis. Esse fenômeno e as propriedades
radioativas de um núcleo independem do estado físico ou químico em que este se apresenta.
Tais propriedades dependem unicamente das características intrínsecas do núcleo, e
não podem ser alteradas por quaisquer ações externas (aquecimento, congelamento,
diluição, compressão, etc.). O fenômeno da emissão de radiação ionizante pode ocorrer
naturalmente ou ser induzido por meio do bombardeamento de núcleos estáveis com
partículas carregadas, como no caso de aceleradores de partículas, ou nêutrons, como
ocorre nos reatores nucleares. Os átomos naturalmente radioativos estão agrupados
em séries, nas quais um elemento se transforma em outro, sucessivamente, até atingir
a estabilidade nuclear. O primeiro elemento da série é denominado pai e o último
corresponde ao elemento estável. As quatro séries radioativas existentes na natureza
são o Tório, Netúnio, Urânio e Actínio.

As radiações ionizantes podem ser geradas em equipamentos eletrônicos, emitidas


por materiais radioativos ou como resultado de reações nucleares. Nos equipamentos
eletrônicos, a desaceleração de feixe de elétrons por um alvo resulta na emissão de
radiação eletromagnética, conhecida como radiação de frenamento ou Raios X. A
emissão dessa radiação, em níveis significantes do ponto de vista biológico, ocorre para
voltagem de operação superior a 15 kV e alvo com número atômico elevado (tal como
chumbo ou tungstênio). Nessas condições, são gerados raios X com energia superior
a 5 keV, e os dispositivos emissores incluem: equipamentos de Raios X, microscópios
eletrônicos, soldagem com feixe de elétrons, retificadores e estabilizadores termiônicos
de alta voltagem, tríodos de alta voltagem, magnetrons e tubos de raios catódicos.

Os materiais radioativos podem ser encontrados na forma sólida (particulada ou


compacta), líquida ou gasosa. Dependendo da finalidade de uso, o material pode estar
contido no interior de uma cápsula lacrada. Tal configuração impede a dispersão do
material para o ambiente, não havendo o risco de contaminação radioativa, exceto nos
casos em que o lacre é rompido ou a cápsula apresente falha. São exemplos de fontes
seladas os medidores de densidade, gramatura, espessura, nível, massa e umidade, e os
irradiadores para terapia de câncer e para ensaios não destrutivos.

Quando o material se encontra na sua forma livre, a fonte é denominada não selada.
Nessas condições, o material radioativo pode difundir-se para o ambiente, havendo o
risco de contaminação radioativa. Esse tipo de fonte é amplamente utilizado em Medicina
Nuclear, para fins de terapia oncológica e de diagnóstico. Outro tipo menos comum
de fonte de radiação consiste nos aceleradores de partículas. Nesses equipamentos, as
partículas (elétrons, nêutrons, íons positivos) são aceleradas até se alcançar a energia
desejada. O uso dessas fontes ocorre predominantemente nas áreas de terapia do câncer
e de pesquisa.

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Agentes Físicos III

Na última categoria, estão os reatores nucleares de pesquisa e de potência (geração


de energia elétrica). A emissão de radiação (raios gama e nêutrons) é resultado das
reações de fissão de elementos pesados, tal como o urânio.

Ao ionizar a matéria, a radiação transfere a sua energia produzindo pares iônicos


(íon positivo e íon negativo) ao longo de sua trajetória. Nos sistemas biológicos, esses
pares iônicos irão reagir com outros átomos e moléculas, interferindo no metabolismo
celular ou danificando o DNA. Dependendo da forma como a radiação transfere a sua
energia para o meio, será classificada como radiação diretamente ionizante ou radiação
indiretamente ionizante.

Radiação ionizante - direta


1. As partículas carregadas ao se aproximarem de um átomo ou molécula irão atrair
ou repelir o elétron orbital. Durante essa interação, parte da energia da partícula é
transferida para o átomo, arrancando o elétron de sua órbita e desacelerando-a. Por
transferir a energia gradativamente, em atrações e repulsões sucessivas, as partículas
carregadas são denominadas radiações diretamente ionizantes. Estão nessa categoria as
partículas alfa e as beta.
· As partículas alfa consistem de 2 prótons e 2 nêutrons, e são emitidas quando
o núcleo apresenta excesso de partículas nucleares (nucleon). Nesse processo,
como a proporção de prótons e nêutrons no interior do núcleo é alterada,
ocorre a transformação de um elemento químico em outro, conforme a
reação de desintegração. Os átomos alfa emissores naturais apresentam
número atômico elevado (Z>82) e emitem partículas com energia maior ou
igual a 3,93 MeV. A probabilidade de ocorrência da desintegração aumenta
com a energia da partícula alfa. Desse modo, os átomos que se desintegram
mais rapidamente emitem as partículas alfa mais energéticas.

Como as partículas alfa são massivas e apresentam carga elétrica duplamente positiva,
as interações com os elétrons orbitais são mais fortes e a trajetória por ela percorrida é
linear. Em virtude da forte atração, a transferência da energia ocorre mais rapidamente,
resultando em uma densidade de ionização elevada e um curto alcance no meio. Por
exemplo, uma partícula alfa com energia de 3 MeV tem um alcance de 2,8 cm no ar e
produz 4000 pares iônicos/ mm. Quando a fonte emissora está localizada externamente
ao corpo, não se constitui em risco, posto que mesmo as partículas alfa mais energéticas
não atravessam a camada morta da pele. Entretanto, em caso de irradiação interna,
quando o material radioativo foi incorporado, o risco para o indivíduo é elevado. Nessas
condições, toda a energia da radiação é dissipada em tecidos vivos, produzindo o dano.
· As partículas beta são emitidas pelo núcleo quando há um excesso de
nêutrons. O nêutron excedente se desintegra em um próton e um elétron,
sendo esse último expulso do interior do núcleo. Desse modo, a carga e a
massa dessa partícula são iguais às do elétron orbital. No decaimento beta,
ocorre a transformação de um elemento químico em outro. As partículas
beta são emitidas com energia inferior à das alfa, a maior parte com valores
abaixo de 4 MeV. Como a massa dessa partícula é da ordem da massa do

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elétron orbital, a sua trajetória dentro do meio é irregular e a sua velocidade
é maior do que a da alfa. A densidade de ionização é relativamente elevada
para as partículas com energia mais baixa, posto que a velocidade é
menor e, portanto, o tempo de interação é maior. À medida que a energia
aumenta, a densidade de ionização decresce, até o valor mínimo em 1 MeV.
Em virtude de sua menor carga e maior velocidade, a partícula beta será
mais penetrante do que a alfa. Como exemplificado no tópico anterior, uma
partícula beta com energia de 3MeV terá um alcance no ar de 1000 cm e
produzirá 4 pares iônicos/ mm.

Em relação aos sistemas biológicos, a camada morta da pele já não oferece blindagem
suficiente para essa radiação, sendo necessárias energias tão baixas quanto 70 keV
para penetrá-la. As partículas beta com energia inferior a 200 keV apresentam uma
penetrabilidade baixa, e as fontes que as emitem não são consideradas perigosas, quando
estão fora do corpo. Apesar de seu alcance ser menor do que o da alfa, as fontes emissoras
beta são consideradas potencialmente perigosas em caso de irradiação interna.

Uma atenção especial deve ser dada em relação ao material que encapsula ou blinda
essas fontes, posto que ocorre a emissão de radiação eletromagnética penetrante durante
a desaceleração das partículas beta. A probabilidade de emissão aumenta com o número
atômico do absorvedor. Blindagens com material de número atômico inferior a 13 (por
exemplo, alumínio) são as mais recomendadas.

Radiação ionizante – indireta


2. O nêutron e as radiações eletromagnéticas, por não possuírem carga elétrica,
não podem transferir sua energia por meio de atração ou repulsão dos elétrons orbitais.
Em sua interação com o meio, transferem parte ou a totalidade de sua energia para
partículas carregadas, e estas é que irão ionizar o meio de forma semelhante à das
radiações diretamente ionizantes. Por necessitar de uma partícula secundária para
produzir a ionização, essas radiações são denominadas indiretamente ionizantes.
·· Raios Gama - em grande parte das desintegrações por emissão de partículas
alfa ou beta, o núcleo resultante ainda apresenta um excesso de energia,
sendo por isso instável. A fim de atingir a estabilidade, o núcleo excitado
emite esse excesso de energia na forma de radiação eletromagnética,
denominada radiação gama. Como nesse processo há apenas mudança
de nível energético, sem alteração na proporção de prótons e nêutrons,
o elemento químico será o mesmo. Geralmente essa desexcitação ocorre
imediatamente após a desintegração do núcleo, e dependendo dos níveis
de energia do núcleo formado, pode haver a emissão de um ou mais raios
gama. O elétron é a partícula secundária emitida após a absorção dos raios
gama pelos átomos do material por ele atravessado. São três os mecanismos
de interação gama com a matéria: a absorção fotoelétrica, o espalhamento
Compton e a produção de pares. Na absorção fotoelétrica, toda a energia do
raio gama é transferida para o elétron fortemente ligado.

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O fotoelétron irá dissipar a sua energia, produzindo ionização ao longo de sua


trajetória no meio. A absorção fotoelétrica é o mecanismo de interação predominante
para raios gama de baixa energia e materiais de número atômico baixo.

No espalhamento Compton ocorre a colisão elástica do raio gama com o elétron


orbital, cuja energia de ligação seja muito inferior à do raio gama. Nesse processo, parte
da energia do raio gama é transferida para o elétron, que por sua vez irá dissipar sua
energia, produzindo ionização. A probabilidade de ocorrência desse tipo de interação
decresce com o aumento da energia do raio gama e com o aumento do número atômico
do absorvedor. Esse é o principal mecanismo de interação em elementos com baixo
número atômico.

Para raios gama de energia superior a 1,02 MeV, ocorre a produção de pares.
Nesse mecanismo, o fóton de raio gama, ao passar nas proximidades de um núcleo,
desaparece, formando um pósitron e um elétron. A energia excedente na produção do
par aparece como energia cinética do pósitron e do elétron criados.

Em geral, o pósitron criado é aniquilado ao interagir com o elétron orbital do átomo


em cujo núcleo foi produzido o par. Desse modo, a ionização produzida é decorrente da
dissipação da energia cinética do elétron produzido por esse mecanismo. A produção de
pares é o mecanismo predominante em materiais com número atômico elevado.

Na interação do raio gama com a matéria, cada fóton é removido individualmente


em um único evento. A redução da intensidade do feixe de raios gama é dada pelo
coeficiente de atenuação linear. O coeficiente de atenuação linear corresponde à fração
do feixe de raio gama atenuada por unidade de espessura do absorvedor, e representa a
probabilidade de que a interação com a matéria ocorra. Esse coeficiente é dependente
da energia do raio gama e do tipo de material do absorvedor.

Em virtude de sua forma de interação, os raios gamas apresentam grande poder


de penetração. Para os sistemas biológicos, a irradiação por fonte externa ao corpo
apresenta risco elevado, posto que a energia pode ser dissipada em tecidos mais
profundos do corpo.
· Raios X - a desaceleração de elétrons rápidos por colisão com um alvo resulta
na emissão de radiação eletromagnética, denominada raios X. A maior parte
da energia do elétron é transformada em calor e uma pequena parte na
forma de raios X. Nos dispositivos eletrônicos a vácuo, os elétrons emitidos
por um filamento aquecido (o cátodo) são acelerados pela diferença de
potencial estabelecida entre o cátodo e o ânodo. Esses elétrons ao colidirem
com o alvo (ânodo) são bruscamente desacelerados, aquecendo o alvo e
emitindo radiação eletromagnética. O rendimento na produção de raios X
é proporcional ao número atômico do alvo, ou seja, quanto mais elevado
for o número atômico, maior será a emissão de raios X. A energia máxima
com que o raio X é emitido é proporcional à diferença de potencial aplicada
(voltagem de operação), e a intensidade do feixe é proporcional à corrente e
à voltagem. Como a proporção da energia do elétron que é emitida na forma
de radiação eletromagnética segue uma distribuição normal, o espectro de
emissão é contínuo.

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Por ser uma radiação eletromagnética, os mecanismos de transferência da energia
dos raios X para o meio são idênticos aos observados para os raios gama. Desse modo, a
ionização será produzida pelos elétrons secundários emitidos nos processos de absorção
fotoelétrica, espalhamento Compton e produção de pares. O poder de penetração do
raio X dependerá da energia da radiação. Assim, os raios X de energia muito baixa
(E<5keV) serão prontamente absorvidos pelo alvo e estruturas do equipamento. Os raios
X usados para fins de diagnóstico têm sua energia ajustada em função do tecido a ser
radiografado, sendo a voltagem de operação mais elevada para tecidos mais profundos
do corpo, tais como ossos.

Seguem algumas fontes de raios X, intencionais e não intencionais, mais comumente


utilizadas ou encontradas em ambientes de trabalho:
·· Raio X Analítico utilizado para Análise de materiais.
·· Sistema de Inspeção de Aeroportos utilizado para Inspeção de bagagem.
·· RaioX Diagnóstico utilizado para Radiografia odontológica, Radiografia
médica e Fluoroscopia médica.
·· Raio X Terapêutico utilizado para Radioterapia.
·· Raio X Industrial utilizado para Ensaios não destrutivos.
·· Tomógrafo Computadorizado utilizado para Diagnóstico médico.
·· Microscópio Eletrônico utilizado para Análise de espécimes/ amostras.
·· Sistema
de Feixe de Elétrons a Vácuo utilizado para Evaporação de materiais,
Soldagem de materiais e Fusão de materiais.
·· Triodosde Alta Voltagem utilizados para Aquecedores industriais e Válvulas
transmissoras de alta potência.
·· Magnetrons utilizados para Radar da Marinha e radar de alta potência.

As grandezas e unidades mais utilizadas em proteção radiológica são aquelas para


mensuração de características da fonte radioativa e as relacionadas à energia absorvida
da radiação pelo meio (dose).

Exposição - dose
A quantidade de energia da radiação eletromagnética transferida para uma unidade
de massa de ar é denominada Dose de Exposição. A dose corresponde à densidade
de ionização produzida por unidade de massa de ar; assim, a unidade será dada em
termos da carga elétrica produzida por kg de ar. Portanto, a unidade de exposição (UE) é
definida como a quantidade de raios X ou gama que produz íons carregando 1 Coulomb
de carga de mesmo sinal por kg de ar, ou seja:

1UE = 1C/kg de ar

A equivalência entre a unidade de exposição definida pelo SI e a unidade de exposição


antiga (Roentgen) é dada pela relação:
1UE = 3881R

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Como essa quantidade é uma função do campo de radiação, e este depende da taxa
de produção da radiação, geralmente o que se mede é a Taxa de Dose de Exposição,
determinando-se a dose pela integração dessa taxa no tempo, conforme a relação:

 × ∆t
X=X
Como a dose de exposição não permitia quantificar a energia absorvida de qualquer
tipo de radiação ionizante por qualquer material, foi definida uma nova grandeza de
dose. A dose absorvida é definida como a quantidade de energia da radiação absorvida
por unidade de massa de material, sendo a sua unidade o Gray (Gy). O Gray é a dose
absorvida de 1 joule por quilograma, ou seja: 1Gy=1J/kg.

A equivalência entre a unidade de dose absorvida definida pelo SI e a unidade antiga


(rad) é dada pela relação: 1 Gy= 100 rad

Como essa dose depende da taxa de produção de radiação, o que se mede é a taxa
de dose absorvida, sendo a dose dada pela integração da taxa no tempo, conforme a
relação: 1 Gy = 100 rad

Em sistemas biológicos, a mesma quantidade de dose absorvida de diferentes tipos


de radiação resultará em efeitos diferentes, posto que o efeito ou dano depende da
densidade de ionização produzida. Em virtude dessa variabilidade, foi necessária a
definição da dose equivalente, a qual corresponde à dose absorvida necessária para
produzir um determinado efeito ponderado pela eficiência da radiação em produzir esse
efeito, ou seja: H = D x Q, sendo que os valores de Q são:
· Para X, gama, beta e elétrons - Q = 1.
· Para Prótons e partículas com 1 unidade de carga, massa >1 u.m.a. e energia
desconhecida – Q = 10.
· Para Nêutrons de energia desconhecida – Q = 20.
· Para Alfa, fragmentos de fissão, íons pesados – Q = 20.

A unidade de dose equivalente é o Sievert (Sv), o qual é definido como a dose


equivalente de radiação de 1 joule por quilograma, ou seja:

1Sv=1J/kg

A equivalência entre a unidade de dose absorvida definida pelo SI e a unidade


antiga (rem) é dada pela relação:

1 Sv= 100 rem

Como essa dose depende da taxa de produção de radiação, o que se mede


é a taxa de dose equivalente, sendo a dose dada pela integração da taxa no tempo,
conforme a relação:
 × ∆t
H=H
A radiação ionizante não pode ser detectada por nenhum dos sentidos humanos,
sendo para tanto necessários instrumentos para sua detecção e quantificação. Os
detectores de radiação podem ser usados para medição das taxas de dose de radiação,

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por meio de leituras instantâneas, ou para quantificação da dose, com leituras integradas
no tempo total de exposição individual à radiação.

A escolha do detector deve ser cuidadosa e levar em conta aspectos como o tipo de
radiação, a energia, as taxas de dose máxima e mínima esperadas, condições de emissão
da radiação (contínua ou em pulsos) e o parâmetro a ser avaliado (dose ou taxa de dose).
Esses critérios são fundamentais, posto que o uso de equipamento inadequado pode
levar à subestimação dos níveis de radiação realmente existentes.

Câmara de ionização
Em geral, esse detector consiste em uma câmara formada por dois discos paralelos.
O espaço entre os discos é preenchido por volume de ar ou material equivalente. As
faces externas são pintadas com tinta preta que proporciona o isolamento elétrico e
previne a ocorrência de fuga de corrente. A radiação, ao atravessar a câmara, produz
ionização no gás, sendo o número de íons coletados igual ao número de íons formados
durante a irradiação. A corrente elétrica gerada é proporcional à intensidade do feixe de
radiação eletromagnética.

A câmara de ionização é um detector sensível a choques mecânicos, não possibilitando


o seu uso em qualquer ambiente. É o mais indicado para avaliação de raios X,
particularmente quando a fonte emite raios X em pulsos.

Detector Geiger Müller


O detector Geiger Müller consiste de um tubo metálico ou ampola de vidro preenchido
com gás, podendo ser provido de extremidade ou lateral mais delgada, em geral mica.
Ao atravessar o tubo, a partícula produz uma avalanche de ionizações, as quais geram
um pulso elétrico. A cada partícula corresponde um pulso elétrico, sendo o detector
GM um excelente contador de partículas. Entretanto, como a amplitude dos pulsos
independe da ionização inicial, não há proporcionalidade com a energia da radiação e
nem discriminação do tipo de radiação detectada.

Esse detector é o mais amplamente utilizado, por ser versátil e apresentar maior
resistência a choques mecânicos. Pode ser usado na detecção de radiação alfa, beta,
gama e X.

Detector de cintilação
O detector de cintilação é constituído por um cristal, geralmente iodeto de sódio com
impurezas de tálio, e um tubo fotomultiplicador. O tubo fotomultiplicador possui na face
de entrada, em contato com o cristal, um cátodo fotossensível. Ao longo do seu corpo
possui uma série de placas paralelas, denominadas dínodos. Na extremidade de saída
está localizado o ânodo.

A radiação eletromagnética ao ser absorvida pelo cristal é re-emitida na forma de luz


visível, proporcional à energia da radiação incidente. Essa luz é dirigida para o cátodo,
resultando na emissão de elétron. Cada elétron ao colidir com o primeiro dínodo
gera mais elétrons, que colidem no segundo dínodo, gerando mais elétrons, e assim

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sucessivamente, até serem coletados no ânodo. Esse efeito multiplicador de elétrons


a cada colisão é responsável pela amplificação da corrente, possibilitando a sua leitura
pelo medidor.

Esse tipo de detector pode ser danificado ao submetê-lo a choques mecânicos,


restringindo o seu uso a condições de campo mais controladas. Por sua sensibilidade
(permite detectar baixos níveis de radiação) e precisão, é muito utilizado em medicina
nuclear, em procedimentos de radioterapia e de diagnóstico com uso de radiofármacos.

Caneta dosimétrica
A caneta dosimétrica, ou eletroscópio consiste de uma câmara selada e preenchida
com gás, provida de dois eletrodos de fibra de quartzo, sendo um fixo e o outro móvel. Na
extremidade de leitura, é possível visualizar a escala, ao longo da qual o eletrodo móvel
se desloca, registrando a dose. Quando o eletroscópio é carregado, os dois eletrodos
ficam juntos, representando o zero na escala. À medida que ocorrem ionizações no
interior da câmara, o eletroscópio é descarregado, sendo a descarga proporcional à
intensidade de ionização produzida.

Esse instrumento é adequado para leitura diária de dose, requerida em situações de


ingresso eventual e não rotineiro em áreas controladas (onde estão as fontes de radiação).

Filme dosimétrico
Consiste de dois filmes radiográficos, encerrados em invólucro de plástico ou de
metal. À medida que o filme absorve a energia da radiação, ocorre a precipitação dos
sais de prata, presentes na emulsão, aumentando a sua densidade óptica (enegrecimento
do filme). A mudança na densidade óptica é proporcional à dose absorvida da radiação.
A leitura da dose é feita com um densitômetro fotoelétrico, que mede a densidade óptica
do filme. A correspondência entre essa grandeza e a dose é obtida por meio da curva de
calibração do filme que contém a relação entre dose e densidade óptica.

Esse dosímetro pode ser usado tanto para partículas beta e nêutrons, quanto para
raios X e gama.

Dosímetro termoluminescente
Certos cristais, tais como fluoreto de cálcio dopado com magnésio e fluoreto de
lítio, ao serem expostos à radiação e posteriormente aquecidos, emitem luz, sendo
denominados termoluminescentes.

A absorção da energia da radiação excita os átomos no cristal. O aquecimento do


cristal produz a desexcitação dos átomos com a emissão de luz. A quantidade total de
luz é proporcional ao número de elétrons excitados, que por sua vez é proporcional à
quantidade de energia absorvida da radiação. A correspondência entre a quantidade de
luz e a dose é obtida por meio da curva de calibração do cristal.

Os dosímetros termoluminescentes podem ser usados para medida de dose


associada à exposição a partículas beta, elétrons, prótons e raios X e gama.

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O primeiro efeito, que ocorre quase instantaneamente após a irradiação, é físico e
consiste na ionização e excitação dos átomos e moléculas constituintes da célula. Os
fragmentos gerados nesse processo (íons e radicais livres), altamente reativos e difusíveis,
reagem quimicamente com as moléculas vizinhas e entre si. Essas reações dão origem a
outras, nas quais macromoléculas, tais como proteínas, e cadeias metabólicas importantes
sofrem alterações. Como resultado, ocorre a inibição ou retardo na síntese de constituintes
essenciais da célula, especialmente aqueles necessários para manutenção da estrutura e
função celulares ou para divisão e crescimento. Essas alterações interferem temporariamente
nas funções celulares ou, em casos mais extremos, causam a morte celular.

A absorção da energia da radiação que ocorre por meio da ionização de outras


moléculas protoplasmáticas que não a água pode diretamente danificar estruturas
celulares e comprometer funções vitais. A probabilidade de que as alterações em
estruturas essenciais levem ao caos celular depende de sua importância dentro da célula,
ou seja, quanto mais específicas, maior o dano. Quando as moléculas modificadas pela
ionização são um ácido nucléico, uma enzima ou uma proteína, podem ocorrer efeitos
específicos. A dissociação do ácido desoxirribonucléico danifica genes e, quando os
danos não são adequadamente reparados, leva a mutações que são transmitidas para a
próxima geração da célula irradiada.

Uma forma indireta de danificar moléculas importantes, tal como o DNA, é mediante
a produção de radicais livres no interior da célula. A ionização da água presente na
célula, decorrente da absorção da energia da radiação, resulta na formação desses
radicais que são altamente reativos. No caso de radiações com alta transferência linear
de energia (elevada densidade de ionização), tal como as partículas alfa, os radicais são
formados muito próximos, podendo reagir entre eles e formar peróxido de hidrogênio.
Por ser altamente estável, o peróxido pode difundir-se para pontos remotos, danificando
moléculas ou células que não sofreram dano direto.

A rápida e intensa resposta da matéria viva frente ao impacto de uma irradiação


é denominada radiossensibilidade. Essa sensibilidade pode ser de uma célula, tecido
ou indivíduo.

A radiossensibilidade celular depende do estágio de divisão em que a célula se


encontra, sendo máxima entre a última telófase e o começo da prófase seguinte, quando
a cromatina oferece área superficial maior para irradiação. São mais sensíveis à radiação
as células que possuem taxa mitótica mais alta e mantêm por mais tempo a capacidade
de divisão. Outros fatores que aumentam a sensibilidade são a atividade metabólica
elevada e o maior grau de especialização da célula. A presença de oxigênio em elevada
concentração favorece a formação de peróxidos, conferindo maior sensibilidade à célula.

Quando o corpo todo ou a maior parte dele é exposto a uma grande dose aguda de
radiação penetrante (nêutrons, raios X e gama), desenvolve-se um quadro de afecções
denominado síndrome aguda das radiações. A síndrome envolverá mais órgãos ou
sistemas dependendo da dose recebida, e quanto maior a dose maior será o impacto sobre
o organismo. Em função da sua gravidade, a síndrome aguda das radiações é subdividida
em síndrome hematopoiética, síndrome gastrintestinal e síndrome do sistema nervoso

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UNIDADE
Agentes Físicos III

central. Os sinais e sintomas comuns a todas as categorias são a ocorrência de náuseas


e vômitos, mal estar e fadiga, estado febril e contagem alterada de células sanguíneas.

A síndrome apresenta-se em três estágios: inicial ou prodrômico, latência e doença


manifesta. A rapidez com que a síndrome evolui de um estágio para outro depende da
dose recebida pelo indivíduo, sendo que para as doses letais o período de latência não
ocorre, evoluindo direto do estágio inicial para o da doença manifesta.

A fase prodrômica, também denominada fase tóxica, é caracterizada pela


ocorrência de náuseas e vômitos. A sua duração é de 1 a 2 dias, sendo que o
período de tempo transcorrido entre a irradiação e o surgimento dos sintomas
iniciais está diretamente relacionado com a magnitude da dose. Passada essa fase, o
indivíduo sente-se relativamente bem, devido ao abrandamento dos sintomas, porém
internamente estão ocorrendo mudanças que irão produzir o quadro da doença
manifesta. A extensão da fase de latência varia com a dose recebida, podendo ser de
dias, semanas ou ainda nem ocorrer.

A fase da doença manifesta corresponde à culminação das alterações que vinham se


processando, desde a irradiação, na pele, tecidos hematopoiéticos e no revestimento
do intestino delgado. Os sinais e sintomas associados a cada órgão ou sistemas mais
diretamente envolvidos são:
· Pele: a epilação ocorre para doses a partir de 3,5 Gy, sendo completa e
permanente em 7,5 Gy. A perda de pelos ou cabelos é mais evidente nas
regiões do corpo que ficaram mais próximas da fonte de radiação.
· Órgãos formadores de sangue: seguindo doses relativamente baixas (acima
de 2,0 Gy) há a atrofia da medula óssea, do baço e dos gânglios linfáticos. Em
doses de 2,0 Gy ocorre a depressão medular e em 4,0-6,0 Gy há a aplasia
medular. O decréscimo das células do sangue periférico depende do tempo de
vida da célula em circulação e do tempo de maturação das células imaturas.
Ocorre inicialmente uma leucopenia, ficando o organismo susceptível a
infecções, particularmente na boca e garganta, podendo ocorrer pneumonia.
A diminuição da quantidade de plaquetas circulante leva a hemorragias na
pele e nos tratos gastrintestinal, urinário e respiratório.
· Intestino delgado: os distúrbios gastrintestinais aparecem em doses iguais
ou superiores a 10,0 Gy como resultado da destruição das células epiteliais do
intestino. Como as vilosidades ficam desnudadas, ocorrem vômitos e diarreias
com grande perda de líquidos, incapacidade de absorção de alimentos e
infecções, decorrentes da invasão bacteriana nas paredes intestinais. Pode
ocorrer insuficiência renal ou circulatória.
· Sistema nervoso central: doses superiores a 20 Gy causam graves danos
ao sistema nervoso central. Alguns minutos após a irradiação, ocorre
a inconsciência, com o óbito acontecendo em horas ou poucos dias. Os
sinais e sintomas específicos do comprometimento do SNC incluem ataxia,
desorientação, choque e convulsões. O edema cerebral pode vir a ser um
evento terminal.

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Em circunstâncias de irradiação parcial aguda, em que nenhum sistema ou órgão
vital tenha sido exposto, efeitos localizados podem ser observados. Em face da sua
localização no corpo, a pele é o órgão que frequentemente recebe doses elevadas
em irradiações acidentais. Para doses mais baixas (2 a 3 Gy) é observada a epilação.
Entretanto, à medida que a dose aumenta, mais estruturas cutâneas são envolvidas,
ocorrendo eritema, radiodermatite, vesiculação, ulceração e necrose (>20 Gy). Nos
olhos, a inflamação da córnea e da conjuntiva pode ocorrer seguindo doses de vários
grays. A irradiação dos ovários ou dos testículos com doses de poucos grays pode levar
à esterilidade temporária, e em doses mais elevadas, à infertilidade.

Os efeitos tardios são decorrentes de uma única irradiação aguda e elevada ou


exposição contínua a níveis de radiação mais baixos. Essa exposição contínua pode ser
devida à irradiação externa ou como resultado da ingestão ou inalação de radioisótopos,
que por sua similaridade química com metabólitos normais ficam depositados em tecidos
ou órgãos. Durante o tempo de residência desses radioisótopos dentro do organismo, os
tecidos ou órgãos são continuamente irradiados. Os efeitos tardios incluem o câncer, os
efeitos hereditários e as cataratas. Os tipos de câncer observados com maior frequência
são aqueles afetando o sistema hematopoiético, os pulmões, a tiroide, os ossos e a pele.

Limites pra exposição


Os limites para exposição humana à radiação ionizante são estabelecidos para
proteger tanto o trabalhador que tem contato direto com a fonte de radiação, quanto
aquele cujo posto de trabalho ou área de trânsito é próximo à fonte. O primeiro é
denominado indivíduo ocupacionalmente exposto e o segundo, indivíduo do público.

Entretanto, a limitação da dose individual é o terceiro princípio das normas de proteção


radiológica a ser considerado. O primeiro estabelece que a exposição deve ser justificada,
ou seja, os benefícios devem ser comprovados e superar os danos eventualmente
associados à prática. O segundo princípio determina que todos os esforços devem ser
feitos para manter as doses o mais baixo praticável.

Os limites ocupacionais de exposição foram fixados para prevenir os efeitos


determinísticos e limitar a ocorrência dos efeitos estocásticos. As principais características
dos efeitos determinísticos são:
·· a curva dose resposta é sigmóide;
·· apresenta limiar de dose, abaixo da qual nenhum efeito é esperado;
·· àmedida que a dose aumenta, a gravidade do efeito aumenta até atingir o
patamar onde a gravidade é máxima;
·· o indivíduo pode apresentar recuperação quando o dano não é permanente.

São efeitos determinísticos a síndrome aguda das radiações, a catarata, a radiodermatite


e a radionecrose. Os efeitos estocásticos apresentam as características:
·· a curva dose resposta é linear;
·· não há limiar de dose, qualquer dose é eficaz para produzir o efeito;

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UNIDADE
Agentes Físicos III

· à medida que a dose aumenta, a probabilidade de ocorrência do efeito aumenta;


· o indivíduo não apresenta recuperação – irreversibilidade do efeito;
· uma única ionização pode dar origem ao efeito.

OBSERVAÇÃO: Os principais efeitos estocásticos são o câncer e os efeitos


hereditários.

CNEN NE 3.01
O CNEN NE 3.01 fornece algumas diretrizes básicas de radioproteção:

Princípios básicos
· Justificação: nenhuma prática deve ser autorizada a menos que sua
introdução produza um benefício líquido positivo para a sociedade.
· Otimização: todas as exposições devem ser mantidas tão baixas quanto
razoavelmente exequíveis, levando-se em conta fatores sociais e econômicos.
· Limitação da dose individual: as doses individuais de trabalhadores e
indivíduos do público não devem exceder os limites anuais de dose equivalente
estabelecidos na Norma.

Limitação da dose
· Nenhum trabalhador deve ser exposto sem que seja necessário, que tenha
conhecimento dos riscos e esteja devidamente treinado.
· Em exposições de rotina, nenhum trabalhador deve receber, por ano, doses
equivalentes superiores aos limites estipulados no CNEN.
· Nenhum indivíduo do público deve receber, por ano, doses superiores aos
limites estabelecidos no CNEN.

Controle de área
· Área livre: isenta de regras especiais, onde as doses equivalentes efetivas
anuais (DEEA) não ultrapassam o limite primário para indivíduos do público.
· Área restrita: sujeita a regras especiais, onde as condições de exposição
podem ocasionar DEEA superiores a 2/100 do limite primário para
trabalhadores.
· Área controlada: área restrita onde as DEEA podem ser iguais ou superiores
a 3/10 do limite primário para trabalhadores.
· Área supervisionada: área restrita onde as DEEA são mantidos inferiores a
3/10 do limite primário para trabalhadores.

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Controle dos trabalhadores
·· Nível
de registro deve ser 1/10 da fração do limite anual aplicado ao período
de monitoração.
·· Nívelde investigação deve ser 3/10 da fração do limite anual aplicado ao
período de monitoração.
·· Em áreas controladas as pessoas devem ser monitoradas individualmente.
·· Imediatamente após exposições acidentais ou de emergência as doses devem
ser avaliadas.
·· Devem ser submetidos a controle médico trabalhadores que receberem, em
uma única exposição, dose superior a 2 vezes o limite primário.

Controle da exposição - radiação ionizante


As formas básicas de proteção contra a irradiação externa são:
·· Tempo: a dose recebida pelo indivíduo é diretamente proporcional ao tempo
de exposição. Desse modo, quanto menos tempo ele permanece junto à
fonte de radiação menor será a sua dose. Por exemplo, se a taxa de dose
equivalente a que um indivíduo estaria exposto fosse 100 Sv/h, teríamos as
doses equivalente de 100 Sv para 1hora, 50 Sv para 30 minutos e 25 Sv
para 15 minutos.
·· Distância: a dose varia aproximadamente com o inverso do quadrado da
distância, então quanto maior a distância mantida entre o indivíduo e a fonte,
menor é a dose recebida. No caso de fontes emissoras alfa e emissoras beta,
a distância em relação à fonte já é uma forma eficiente de proteção, posto
que essas partículas têm um alcance relativamente curto, tendo sua energia
absorvida pela camada de ar existente entre a fonte e o indivíduo.
·· Blindagem: se o indivíduo tiver que trabalhar próximo à fonte por um longo
período, a proteção mais eficiente é a blindagem da fonte ou a interposição
de uma barreira.

A radiação interna é decorrente da ingestão, inalação ou absorção percutânea de


material radioativo, o qual em seu trânsito dentro do organismo e depois no local de
deposição irá irradiando os tecidos até ser completamente eliminado do organismo. As
formas de proteção visam prevenir o contato com o material radioativo, bem como a sua
inalação ou ingestão. O tipo de controle ou de equipamento de proteção individual a ser
adotado dependerá das características físico-químicas do radioisótopo.

As formas de controle geralmente adotadas são:


·· usode roupas, máscaras, luvas e sapatos para prevenir a contaminação da
pele e a inalação de gases, vapores ou partículas radioativas;
·· manipulação de material radioativo em capelas ou sistemas enclausurados;
·· sistema de ventilação local exaustora provido de dispositivo de purificação do
ar (filtros, lavadores de gases) nos locais de manipulação e ventilação geral
nas áreas de trabalho.

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UNIDADE
Agentes Físicos III

Contaminação radioativa
A incorporação e subsequente retenção das substâncias radioativas em tecidos ou
órgãos específicos do corpo resultam na irradiação dos locais em que se encontram
concentrados, causando danos. O tipo ou grau de dano causado depende da quantidade
de isótopo radioativo depositado e da natureza e energia da radiação emitida. As
características físico-químicas do isótopo determinam a rota de entrada preferencial, o
grau de retenção e o caminho percorrido dentro do corpo até sua excreção.

As rotas de entrada para os radioisótopos são a inalação, ingestão e absorção


percutânea. Após a sua ingestão ou inalação, o isótopo é absorvido nos tratos digestivo
e respiratório, atinge a corrente sanguínea, e por meio desta é distribuído pelo corpo,
depositando-se em tecidos corpóreos. Em geral, os materiais insolúveis não são
absorvidos, e sua eliminação pelos tratos digestivo e respiratório é razoavelmente rápida.

No caso de materiais insolúveis, dependendo do tamanho e forma dos


aerodispersóides, eles podem ser removidos pela ação ciliar da mucosa do trato
respiratório ou penetrarem nos sacos alveolares, ficando ali retidos. Apenas partículas
com diâmetro igual ou inferior a 10 micrômetros atingem esse ponto dentro da
árvore respiratória. Uma parte do material depositado nos alvéolos é capturada pelo
sistema linfático e drenada para várias regiões do pulmão, podendo permanecer nos
gânglios linfáticos por um longo período. Uma pequena fração pode atingir a corrente
sanguínea e ser capturada pelo sistema retículo-endotelial em várias regiões do corpo.

O material insolúvel ingerido permanece no trato gastrintestinal, misturando-se ou


fazendo parte do bolo fecal no intestino grosso, até ser eliminado. Entretanto, quando
a substância ingerida é solúvel a absorção pelo sistema digestivo é eficiente, atingindo
rapidamente a corrente sanguínea.

Algumas substâncias, tal como o trítio, são prontamente absorvidas através da pele
intacta, atingindo a corrente sanguínea. Nesse caso, a rota dermal é uma via importante de
incorporação do radioisótopo. As demais substâncias depositam-se na pele, irradiando-a
até serem removidas. Nesse caso, o risco de incorporação é considerável apenas quando
a pele em contato com a substância apresenta-se danificada.

Os principais meios de eliminação do material incorporado são através das


fezes ou da urina. A taxa de eliminação é normalmente expressa como meia-
vida biológica, e depende da metabolização da substância pelo organismo. Essa
grandeza é definida como o período de tempo necessário para que metade do
material incorporado seja eliminada ou excretada. O risco total representado pela
incorporação de radioisótopos depende da dose recebida, a qual é em função da
quantidade do material radioativo depositado.

Descontamização
O material radioativo deve ser removido ou eliminado do corpo o mais prontamente
possível, a fim de reduzir a dose interna e externa que o indivíduo venha a receber. Na
descontaminação pessoal externa, adotam-se métodos progressivamente agressivos, até

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a total remoção do material depositado. Esse procedimento deve ser cuidadosamente
realizado para preservar ao máximo a barreira dermal. Os métodos em ordem de
agressividade são:
·· se Grau Agressividade for I = jateamento com água;
·· se Grau Agressividade for II = água morna e sabão;
·· se Grau Agressividade for III = sabão abrasivo suave, escova macia e água;
·· se Grau Agressividade for IV = detergente;
·· se Grau Agressividade for V = mistura 50% detergente em pó e 50% fubá;
·· se Grau Agressividade for VI = solução quelante;
·· se Grau Agressividade for VII = ácido orgânico suave (ácido cítrico).

Após a descontaminação externa, os indivíduos devem tomar um banho completo,


com especial atenção para lavagem dos cabelos, mãos e unhas.

Em caso de contaminação interna, o objetivo dos métodos adotados é reduzir a


absorção e eliminar a maior parte retida no organismo. Os métodos de eliminação
incluem a excreção renal dos materiais mais solúveis, eliminação nas fezes daqueles
retidos no trato gastrintestinal ou secretados por via biliar, e a exalação de gases e
substâncias voláteis. Os procedimentos de descontaminação pessoal interna estão
compreendidos em duas fases, a primeira de ordem mecânica e a segunda de natureza
química. A fase mecânica intervém durante o período pré-metabólico e visa impedir
a permanência da substância no organismo ou acelerar a sua excreção, sendo o
procedimento dependente da rota de entrada da substância. Em caso de inalação de
substâncias insolúveis, administra-se expectorante comum. Quando há a ingestão de
materiais radioativos, procede-se à lavagem estomacal e administram-se purgantes e
eméticos. A implementação da fase seguinte ocorre após a metabolização do material
radioativo e visa aumentar a quantidade de material radioativo excretado, sendo que para
cada isótopo adota-se um procedimento em particular. Esses procedimentos incluem a
diluição isotópica e administração de sais ou quelantes. No caso dos quelantes, a terapia
é mais eficiente se for administrado logo após a contaminação ou no período em que
estão nos tecidos moles, e ainda não foram complemente absorvidos.

Agentes físicos – radiações não ionizantes


O espectro eletromagnético é composto de todos os tipos de radiação, incluindo a
radiação ionizante (cósmica, gama e raios X). A parte não ionizante do espectro é composta
das radiações ultravioleta, visível, infravermelha, micro-ondas, ondas de televisão, ondas
de rádio e ELF (“extra low frequency” ou ondas de frequência muito baixas). Quanto
maior a frequência, maior a energia associada à radiação eletromagnética.
·· Radiação ultravioleta:

A radiação ultravioleta tem frequências entre:

7,88 x 1014Hz e 1018Hz

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UNIDADE
Agentes Físicos III

A faixa mais distante, denominada UVC (100 a 280 nm), é usada para aplicações
bactericidas, como a eliminação de germes. As lâmpadas que geram radiação de 245
nm podem também ser utilizadas para destruir bactérias e vírus.

A radiação UVB é chamada também de eritermal e compreende a faixa de 280 a


320 nm. Os seus efeitos benéficos incluem o bronzeamento da pele e a formação de
vitamina D.

A faixa ultravioleta mais próxima da visível vai de cerca de 320 a 380 nm e também
é chamada de “luz negra”, pois faz com que certos materiais fosforesçam.

O espectro da luz solar natural se inicia em cerca de 295 nm, com os comprimentos
de onda mais curtos sendo filtrados pela atmosfera. De modo similar, a composição e
a espessura do vidro de lâmpadas, bem como as camadas de recobrimento de fósforo
nas fontes de mercúrio e fluorescentes, atuam como filtros para as ondas de menores
comprimentos de onda.
· Limites de tolerância: Radiação ultravioleta - como a radiação ultravioleta
de curto comprimento de onda pode causar reações químicas, como
queimaduras de pele, esta banda tem limites de tolerância mais restritivos
que a faixa ultravioleta mais próxima do espectro visível.

Já no livreto de 1994-1995 da ACGIH, à página 102, aparece um valor denominado


função afáquica de risco (aphakic risk function), com o valor diminuindo de 6,00 para
305 nm para 1,43 para 400 nm. Acima de 380-400 nm adentramos as faixas da luz
violeta e azul.

Radiação visível
A faixa visível do espectro eletromagnético tem comprimentos de onda entre 380
a 780 nm, correspondendo à faixa de frequências entre 7,88 x 1014 Hz a 3,83x
1014 Hz. As leis da radiação foram primeiramente estudadas para a luz visível, e os
problemas ocupacionais da iluminação são discutidos em capítulo à parte.
· Limites de tolerância: Radiação visível - a CIE – Comissão Internacional de
Iluminação é uma organização orientada à cooperação e troca de informações
entre seus países com membros em todos os assuntos relativos à iluminação.
Suas publicações cobrem desde níveis recomendados até metodologias de
medição e definições de parâmetros.

Os limites da ACGIH são indicados para fontes de luz visível e infravermelho próximo
com emissão de mais de 1 nit (1 candela por metro quadrado), com cuidado especial
para a luz azul, principalmente na faixa 425 a 450 nm. Para lasers, a ACGIH dedica
muitas páginas.

Laser
O termo laser é uma abreviação para “light amplification by stimulated emission of
radiation”, ou seja, amplificação da luz por estimulação da emissão de radiação.

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A luz de fontes convencionais tem variados comprimentos de onda e se irradia em
todas as direções, com interferências construtivas e destrutivas. É denominada de luz
incoerente. Por outro lado, a luz de uma fonte laser vibra num único plano, propaga-
se numa única direção e é monocromática (tem um único comprimento de onda). É
denominada de luz coerente.

Um instrumento que gera radiação laser produz um feixe de apenas uma frequência,
mas esta não precisa ser apenas da faixa visível. Um dos feixes mais poderosos utiliza
dióxido de carbono e gera um fluxo contínuo e muito quente de radiação infravermelha.
Outros lasers operam nas frequências ultravioletas.

Radiação infravermelha
A região do infravermelho se estende aproximadamente desde o vermelho
visível (cerca de 750 nm) até a região de micro-ondas (3 mm). A exposição a raios
infravermelhos pode ocorrer para qualquer superfície que esteja a uma temperatura
inferior à da superfície emissora, ocorrendo transferência de calor radiante quando a
energia emitida por um corpo é absorvida por outro.

A radiação infravermelha tem inúmeras aplicações associadas a aquecimento, e


industrialmente pode-se citar:
·· secagem e cozimento de tintas, vernizes, adesivos, esmaltes, etc.;
·· aquecimento de partes metálicas para ajuste na montagem, fundição, etc.;
·· desidratação de têxteis, papel, couro, carnes, vegetais, potes de argila, etc.;
·· descongelamento de vagões de mina no inverno de modo que possam
ser descarregados.

A radiação infravermelha é percebida pela pele como uma sensação de calor, com o
aumento de temperatura da epiderme dependendo do comprimento de onda, do tempo
de exposição e da quantidade total de energia transferida ao tecido.
·· Limites de tolerância: o TLV para exposição ao infravermelho é de 10 mW/
m2, para exposições superiores a 1000 segundos. Esse valor é especificado
para proteção à córnea e ao cristalino do olho. A ACGIH também fornece uma
fórmula para a proteção da retina com relação a lâmpadas de aquecimento
por infravermelho. Isso decorre do fato de que algumas dessas lâmpadas
emitem muito pouca luz visível, e a pupila não corta automaticamente o
excesso de radiação como acontece com a faixa visível.
·· Ações corretivas: a camada de ozônio bloqueia os efeitos da radiação UVC,
com a radiação UVA e UVB sendo maiores na primavera e no verão. Em
geral, a UVB é mais intensa entre 10 horas e 14 horas, enquanto a UVA é
mais nociva no início da manhã e no final da tarde.

Num dia ensolarado de verão, ao meio dia, 15 minutos podem ser suficientes para se
criar uma queimadura numa pele desprotegida.

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Agentes Físicos III

Para proteger trabalhadores da radiação UV quando estão sob luz solar direta, deve
ser usada roupa tightly-woven cobrindo o máximo possível do corpo, além de se usar
um chapéu. Proteção contra raios UV pode ser obtida também com o uso de loções e
cremes contendo óxido de zinco e de titânio (ZnO e TiO2), e classificados de acordo
com uma escala de proteção entre 1 e 18. A proteção será eficiente se for mantido um
adequado filme sobre a pele e for usado um fator de proteção alto (>14).

As telas de proteção e os óculos com lentes especiais podem proteger efetivamente


contra UVA e UVB. Óculos de segurança de plástico são menos eficientes, mas filtram
também a radiação UV.

Micro-ondas
A radiação de micro-ondas se localiza entre o infravermelho distante e as ondas de rádio,
tendo sido uma das últimas a serem criadas no laboratório e terem aplicação comercial.

A energia de micro-ondas é uma forma muito conveniente de aquecimento e em


determinadas situações apresenta várias vantagens sobre outras fontes de calor. É limpa,
flexível e reage instantaneamente ao mecanismo de controle. Além disso, impede que
os produtos de combustão ou o calor convectivo sejam adicionados ao ambiente de
trabalho. A facilidade com que essa energia é convertida em calor proporciona altas
taxas de conversão e aquecimento.
· Limites de tolerância: os TLVs para essas radiações estão agrupados no
livreto da ACGIH de 2002, traduzido pela ABHO, nas páginas 157 a 162, e
os conceitos envolvidos estão além do escopo desse livro.
· Ações corretivas: os radares comumente usados para medir a velocidade
nas estradas ou para mapear o clima não geram uma condição de perigo,
a menos que sejam visualizados diretamente na frente da antena durante a
operação e a uma distância de alguns metros.

Todavia, radares maiores, como os de busca ou de alarme, podem gerar campos de


intensidades perigosas, devendo ser checados antes que qualquer pessoa trabalhe em
frente da antena. As pessoas que trabalham perto ou ao redor de antenas de radares
de alta potência ou de instrumentos de teste de radares devem ser adequadamente
treinadas e supervisionadas para diminuir a exposição, além de ficar o menor tempo
possível perto das regiões de risco.

Para toda a gama de radiações de micro-ondas, o dano só ocorrerá se as instruções


do fabricante não forem seguidas. Cada equipamento tem suas instruções específicas e
generalizações não devem ser feitas.

Ondas de rádio
As ondas de rádio e de televisão são utilizadas como transmissoras de sinais, e
nós “ouvimos” o rádio ao sintonizar uma dada frequência. Grandes faixas (bandas) de
frequência são alocadas para tipos particulares de transmissores de sinais, de modo que
a TV usa uma banda de alta frequência, enquanto a CB usa uma frequência mais baixa.
As rádios AM e FM usam bandas intermediárias, entre a TV e a CB. O poder emissivo
dessas ondas de rádio é muito baixo e ainda não se conhece efeito danoso à saúde.

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As radiofrequências podem também ser utilizadas em equipamentos de aquecimento
elétrico, existindo muitas aplicações usando aquecedores de alta frequência.

Na metalmecânica, tem sido usado aquecimento via ondas de rádio para endurecimento
de dentes de engrenagens e superfícies de rolamentos, bem como para recozimento
e soldagem. Nas fábricas de madeira, tem sido usada para laminação e colagem em
geral. Na indústria alimentícia, o aquecimento por radiofrequência tem sido usado
para esterilização de contêineres e eliminação de bactérias. Outras aplicações incluem
moldagem de plásticos, vulcanização de borrachas, imposição de torção em têxteis e
vedação térmica.
·· Limites de tolerância: os TLVs para essas radiações estão agrupados no
livreto da ACGIH de 2002, traduzido pela ABHO, nas páginas 157 a 162, e
os conceitos envolvidos estão além do escopo desse livro.
·· Ações corretivas: as ações corretivas para os aquecedores de radiofrequência
são as mesmas que as para os aquecedores de micro-ondas. Devem ser
seguidas as recomendações do fabricante e os aquecedores devem ser bem
blindados para conter ou divergir a energia de radiofrequência.

Ondas de Frequência Extra Baixa (ELF)


Junto ao início da escala de frequências, têm-se as ondas elétricas, que são geradas
a partir da conversão de energia mecânica em energia elétrica. Os geradores para uso
domiciliar produzem energia na frequência de 60 Hz, a qual pode ser transmitida a
centenas de quilômetros através de fios condutores.

Um valor arbitrário de 104 Hz separa em princípio as ondas elétricas (abaixo de 104


Hz) das ondas de rádio (acima de 104 Hz). Todavia, algumas aplicações elétricas usam
frequências acima desse valor e alguns usos de radiofrequência se localizam abaixo desse
valor limítrofe. A sigla ELF deriva dos termos “extra low frequencies”.
·· Limites de tolerância: o livreto da ACGIH de 2002, traduzido pela
ABHO, apresenta limites de tolerância para esse tipo de radiação, com o
T da equação apresentado nas páginas 153 a 155 se referindo a Tesla. Os
conceitos envolvidos, porém, estão fora do escopo desse livro.
·· Ações corretivas: para as frequências extremamente baixas (ELF – “extremely

low frequencies”), praticamente qualquer superfície é uma eficiente barreira


ao campo elétrico. As pessoas trabalhando com linhas de transmissão de alta
voltagem ou em regiões de altos campos usam roupas de proteção condutivas.
E uma ação administrativa é diminuir ao máximo o tempo de trabalho em
locais com altos campos.

Infelizmente, não existe ainda um método prático de redução da exposição aos


campos magnéticos ELF. As ações práticas incluem a diminuição do tempo de exposição
ou a limitação dos campos magnéticos a níveis considerados seguros. Todavia, o que
seria um nível seguro ainda é motivo de estudos e controvérsias.

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UNIDADE
Agentes Físicos III

Radiação solar
A radiação solar é composta por:
· raios cósmicos;
· rádio frequência;
· radiação visível;
· radiação infravermelha;
· radiação ultravioleta;

Ao atravessar a camada da atmosfera, a radiação solar perde cerca de 1/3 de sua


energia. Assim, chega à superfície da Terra apenas 2/3 da radiação inicial e tem a
seguinte composição.

A UVC é totalmente absorvida pela camada de ozônio, então a radiação solar que
atinge o solo é composta aproximadamente por:
· 5% UV(95% UVA e 5% UVB);
· 40% RADIAÇÃO VISÍVEL;
· 55% RADIAÇÃO INFRAVERMELHA.

Radiação ultravioleta:
· UVC - 100 – 280 nm (10 a 20% dos efeitos danosos da radiação solar).
· UVB - 280 – 320 nm (queimaduras, foto envelhecimento e câncer de pele).
· UVA - 320 – 380 nm.
· Influência da hora:
· 11 às 15hs - pior período de exposição;
· 13hs - pico de exposição;
· 12 às 14hs - 1/3 da radiação UV;
· 10 às 16hs - ¾ da radiação UV.
· Influência da latitude: próximo do equador a incidência é maior.
· Influência da altitude: a cada 300 metros de altitude, a incidência aumenta em 4%.
· Influência da cobertura de nuvens: mesmo em tempo coberto de nuvens,
podem-se receber queimaduras, pois as nuvens absorvem o infravermelho
mas não a UV.
· Influência do vento: o vento poderá dar uma sensação de conforto e
poderemos eventualmente ficar mais expostos à radiação UV.

A radiação ultravioleta pode ser absorvida pelos tecidos humanos causando danos
biológicos à pele e aos olhos. Para a pele, podemos ter erithema, envelhecimento precoce,
câncer; enquanto para os olhos podemos ter fotossensibilização e fotoconjuntivite, que é
uma espécie de queimadura dos olhos pelo sol.

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A exposição à radiação ultravioleta provoca, através de reações químicas, danos
não ionizantes às células da pele. Essas reações químicas podem induzir um precoce
envelhecimento da pele devido à dilatação dos finos capilares sanguíneos, efeito
conhecido como erithema, e ser a causa de 90% de todos os cânceres de pele. O câncer
resulta da reação dos raios ultravioletas com o material genético das células, produzindo
mutações. As maiores taxas de incidências ocorrem para as latitudes tropicais e pessoas
de pele clara, como são os casos do Brasil, da Austrália e da África do Sul.

A radiação UVC é retida eficientemente pela camada de ozônio da atmosfera


terrestre. Quando a atividade solar se torna anormalmente alta, essa camada não é
100% eficiente na retenção, e pode ocorrer uma excessiva exposição na superfície da
Terra. O câncer de pele, conhecido como melanoma, em geral, aumenta num período
de 2 a 3 anos após um período de atividade solar anormal.

A banda de raios solares UVB tem comprimento de onda inicial com cerca de 295
nm, sendo responsável pelo bronzeamento e queimaduras na pele, além de também
promover o câncer de pele. A banda UVB é conhecida como banda eritermal e pode
sensibilizar a pele com relação à exposição à radiação UVA. A exposição à UVB permite
ao corpo produzir vitamina D, mas essa exposição não requer mais do que 30 minutos
diários ao sol.

A banda UVA, também conhecida como ultravioleta próxima ou “luz negra”, é a


maior responsável pelo bronzeamento da pele, e seus efeitos danosos são importantes
também na visão. Pode ocorrer exposição excessiva à UVA em regiões com neve, onde
a reflexão de mais de 85% da radiação UV incidente pode causar a chamada “cegueira
da neve”. Nesse fenômeno, ocorre a morte de células nas camadas mais externas do
olho, com a consequente opacidade da cobertura do olho.

Radiação UV de comprimento de onda muito curto é extremamente destrutiva ao


olho. A exposição por alguns poucos minutos produz inflamações severas e dolorosas,
com efeitos posteriores que podem durar anos. A exposição à UV de curto comprimento
de onda gera poucos sinais exteriores, como inchaço e vermelhidão não pronunciados.
Todavia, ocorre muita dificuldade para focalizar na leitura, principalmente sob luz artificial,
e as dores internas sentidas no olho se tornam quase intoleráveis. A recuperação é lenta,
requerendo meses ou mesmo anos, com alguns efeitos, como a sensibilidade a curtos
comprimentos de onda, sendo permanentes.

A luz visível pode ser nociva ao olho humano, pois como uma forma de radiação, ao
ser interceptada e absorvida, converte-se em outra forma de energia, usualmente calor.
Assim, ao entrar no olho a luz se transforma em calor e se a potência for considerável,
pode ser nociva e até destrutiva, causando inflamação e queimaduras. Esses efeitos
danosos associados à radiação excessiva são maiores nas faixas do vermelho e violeta,
sendo menores nas faixas do verde ou amarelo. Isso porque para o mesmo nível de
“visibilidade” as potências associadas são menores para as bandas verde ou amarela.

A luz direta de solda a arco ou do sol produzem intensidade excessiva e se houver


visualização por períodos prolongados ocorrerá queimadura. Os mecanismos de proteção
automática do olho, como fechamento da pupila ou fechamento das pálpebras, não

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UNIDADE
Agentes Físicos III

fornecem proteção adequada para as radiações excessivas. Uma queimadura decorrente


de uma intensidade muito alta surge logo após a exposição, gerando vermelhidão nos
olhos, inchaço e muito lacrimejamento, todavia a recuperação ocorre em poucos dias,
mesmo nos casos mais severos.

Um dos problemas da luz visível associado à higiene ocupacional e à segurança do


trabalho é o problema do ofuscamento. Denominamos de ofuscamento o desconforto,
incômodo, perda de visibilidade e diminuição de desempenho causado por uma
luminância no campo visual maior que aquela para a qual o olho pode se adaptar.

Apesar das múltiplas causas do ofuscamento, na maioria dos casos ele pode ser
classificado como desconfortante ou desabilitante.

O ofuscamento desconfortante é incômodo, mas não conduz necessariamente ao


impedimento da tarefa visual. Em geral, é atribuído à tendência do olho de se fixar nos
pontos mais brilhantes do campo visual. O grau de desconforto produzido por uma
luminária é dependente de 4 fatores: a luminância da fonte, o tamanho da fonte, o
ângulo entre a fonte e o observador e o nível de adaptação do olho do observador.

Fontes de luz coerente (laser) podem causar danos na córnea (catarata) e deterioração
epidérmica (tipo de queimadura). A exposição prolongada pode causar danos variando
de leves queimaduras na retina até perda total da visão. A visualização restrita e óculos
de lente podem oferecer alguma proteção, exceto aos lasers muito potentes. As medidas
de proteção são semelhantes às para os que trabalham com solda a arco, não se devendo
olhar diretamente para a fonte.

O uso de lasers é comum nos levantamentos topográficos e geodésicos, mas nesse


caso são usados lasers de baixa intensidade, o que ajuda na proteção visual.

Até o presente não se caracterizou a emissão de radiações perigosas pelos terminais


de vídeo, mas eles podem causar cansaço visual. Apesar das autoridades concordarem
que trabalho em frente a terminais de vídeo não conduz a significantes danos à visão,
existem relatórios reclamando de problemas visuais associados a eles. As reclamações
variam de leves dores de cabeça após longos períodos em frente a vídeos até dores mais
fortes, imagens fantasmas e perturbações do sistema visual. Não há dúvidas de que o
trabalho com terminais exige bastante da visão, mas em essência não mais que outras
tarefas que também exigem muito do sistema visual.

As exigências sobre a visão são sobre seu mecanismo de funcionamento,


principalmente focalização e convergência. Se o foco é mantido num ponto fixo
por muito tempo, os músculos ciliares que controlam a acomodação podem ter
espasmos. Isso pode ser desconfortável e causar certa ardência, mas não é perigoso
para a vista, e o espasmo pode ser diminuído com relaxamento e, portanto, é melhor
prevenir do que curar.

A exposição à radiação infravermelha de curto comprimento de onda (750 a 1500


nm) pode causar aguda queimadura e aumento de pigmentação da pele. Pode também
causar danos à córnea, à íris e ao cristalino. A excessiva exposição à radiação visível e
infravermelha de fornalhas, fornos e outros corpos quentes similares tem sido conhecida

30
como causadora da “doença dos sopradores de vidro” ou “catarata do calor”. Essa
doença está associada a um embaçamento da superfície posterior do cristalino. Porém
em relação a micro-ondas, existem algumas controvérsias sobre a segurança dos fornos
de micro-ondas. As micro-ondas são absorvidas pelos alimentos, produzindo-se um
quase instantâneo aumento de temperatura. Esse tipo de radiação não é ionizante nem
gera material radiativo, mas a exposição a ela faz com que o calor seja imediatamente
absorvido pelo corpo. O calor faz com que as moléculas vibrem rapidamente, afastando-
as de suas posições de equilíbrio, originando alterações químicas e eventualmente
gerando morte celular.

A energia gerada num forno de micro-ondas provém de um tubo magnético, sendo


similar àquela emitida pelos radares. Os maiores perigos estão associados a vazamentos
dessa energia, e estes normalmente ocorrem junto à porta do forno e envolvem as
vizinhanças desta. Os vazamentos normalmente decorrem de vedações já gastas, trincos
e fechaduras defeituosos e para aqueles com um visor, pela marca em volta da janela.

A radiação de micro-ondas na zona de alta frequência pode gerar danos se ocorrerem


múltiplas longas exposições. Podem ocorrer cataratas e esterilidade temporária e têm-
se atribuído a ela casos de mongolismo, mortes fetais e câncer. Todavia, não existem
critérios quantitativos objetivos relativos a esses danos, sendo um valor máximo admitido
como limite de tolerância 10 mW/cm². A única preocupação com as ondas de rádio se
refere ao aquecimento através de aquecedores de radiofrequência. Apesar da exposição
poder eventualmente ocorrer, ela usualmente é bem localizada. Já referente à radiação
ELF, linhas de transmissão de energia e certos instrumentos industriais operam com
campos magnéticos e elétricos de baixas frequências, com 50 Hz na Europa e Ásia, e
60 Hz nos Estados Unidos, Canadá e Brasil.

Uma corrente de pesquisa afirma que essas frequências podem afetar o sistema
nervoso central e o funcionamento do cérebro, havendo energia ressonante muito
similar à que o cérebro usa. Numerosos estudos relatam efeitos biológicos em animais
em laboratório, mas não foram ainda confirmados efeitos patológicos. Quaisquer que
sejam os mecanismos envolvidos nos efeitos induzidos por esses campos, eles ainda não
são totalmente conhecidos e pesquisas continuam a serem efetuadas.

A maioria dos estudos efetuados com seres humanos envolve trabalhadores atuando
na área de linhas de eletricidade e pessoas que vivem nas proximidades de linhas
de transmissão de altas voltagens. Esses estudos analisam fatores como a incidência
de câncer, desordens no sistema reprodutor, saúde geral e disfunções congênitas,
comparando os valores com dados da população geral.

A ACGIH publica anualmente seus limites de tolerância (TLV) e a radiação não


ionizante aparece na parte relativa a agentes físicos. A norma brasileira NR-15 trata
do assunto no Anexo 7.

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UNIDADE
Agentes Físicos III

Medição - metodologia
Radiômetros: para a radiação ionizante, todos os instrumentos de medição se
baseiam no fato de que a energia da radiação desloca elétrons de suas órbitas normais,
criando íons (partículas carregadas). Esses íons podem produzir outros efeitos, como um
feixe de luz ou uma corrente elétrica, que podem então ser amplificados e medidos.

A radiação não ionizante não tem energia suficiente para retirar um elétron de sua
órbita e formar um íon. A medição, portanto, segue outro princípio, com a energia
radiante atingindo células feitas de materiais especiais e contidas nos instrumentos
denominados radiômetros. Esses materiais permitem facilmente que se crie um fluxo de
elétrons em seu interior ao serem atingidos pela energia radiante. Com o uso de tubos
fotomultiplicadores, pode-se fazer com que os elétrons liberados desloquem mais outros
elétrons, de modo que a corrente possa ser lida numa escala. Ajustando-se a resposta,
pode-se obter uma leitura de um número proporcional à intensidade da radiação.

Com o uso de filtros, podem-se bloquear todas as radiações menos as de interesse,


de modo que a combinação adequada de filtros permite que se meça com um
mesmo instrumento faixas específicas do espectro não ionizante. Esses instrumentos
permitem que se façam medições de intensidade radiante com diferenças de várias
ordens de magnitude.
· Fotômetros: o fotômetro é um radiômetro que filtra todas as radiações fora
da faixa de comprimentos de onda entre 380 e 780 nm. Além disso, reage
à luz imitando a resposta do olho humano, através de uma compensação
definida pela curva espectral de eficiência luminosa. Essa curva, definida
internacionalmente e obtida a partir de experimentos com o olho humano,
tem a forma de um sino com seu máximo valor de ordenada correspondendo
à abscissa comprimento de onda de 555 nm (luz verde).

Os fotômetros têm embutidos filtros que simulam essa curva e a medida fornecida
pelo instrumento é similar à habilidade do cérebro em perceber a radiação visível. A
célula fotossensível dos fotômetros é usualmente feita de selênio, com a quantidade
de elétrons liberada por esse metal sendo proporcional à energia radiante atingindo a
célula. O resultado da medição pode ser expresso em lux, que representa a quantidade
de fluxo luminoso (lúmen) que atinge uma área de 1 m². Lux é a unidade de iluminância,
ou seja, a quantidade de luz visível por área.
· Métodos mistos: detectores de radiação podem operar também com base
em outros princípios. Um simples termômetro pode detectar radiação
infravermelha, pois a energia transformada em calor aumenta a energia das
moléculas de álcool ou mercúrio, com a consequente expansão do fluido.
Esse termômetro pode ser protegido de outros tipos de fontes de calor de
modo que apenas a energia radiante seja medida. Esse tipo de termômetro
será discutido com mais pormenores no capítulo sobre calor.

A energia radiante pode afetar a resistência elétrica de um fio, de modo que pela
detecção de pequenas alterações de corrente pode-se ter um instrumento para medir
intensidades de uma faixa do espectro eletromagnético.

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Radares são instrumentos que captam os ecos do sinal por eles emitidos, sendo
usados desde na aviação até no controle de velocidade nas estradas. Apesar de operarem
na banda de frequência entre 100 Hz e 100 GHz, eles não medem exatamente radiação
não ionizante e não podem ser classificados como radiômetros.

Agente físico - exposição aos ambientes frios


A exposição ao frio pode se dar em trabalhos ao ar livre em climas frios ou em
ambientes fechados como em câmaras frigoríficas. O mecanismo termorregulador,
localizado no hipotálamo, ativa os mecanismos para o controle térmico mantendo a
temperatura interna constante. No caso do aumento da temperatura corpórea, havia
uma vasodilatação, agora o mecanismo é de vasoconstrição, pois o objetivo é reduzir
as perdas de calor e o fluxo sanguíneo é agora diminuído numa razão diretamente
proporcional à queda de temperatura.

Caso a temperatura corpórea fique abaixo de 35ºC, ocorre uma diminuição gradual
de todas as atividades fisiológicas, caindo a pressão arterial, a frequência dos batimentos
cardíacos e diminuindo o metabolismo interno.

Os tremores ocorrem como uma tentativa de geração de calor metabólico para


compensar as perdas. Se as perdas de calor persistirem em função da baixa temperatura,
atingindo a temperatura interna de 29ºC, o mecanismo termorregulador localizado no
hipotálamo é reprimido, caminhando para um estado de sonolência e coma.

Um fator importante na troca térmica em ambientes frios é a velocidade do ar, que ao


retirar as camadas de ar aquecidas próximas à superfície da pele, aumenta muito a troca
térmica, exercendo um efeito de resfriamento, que é avaliado através da temperatura
equivalente, que pode com velocidades de vento de 64 km/h ser de -100ºC quando a
temperatura ambiente é de -51ºC, isto é, a sensação de frio sentida é muito maior que
a da temperatura real.

Como medidas de proteção contra o frio, citamos a utilização de roupas protetoras,


o regime de trabalho/ descanso e a aclimatação, que se realiza principalmente através
do aumento da irrigação sanguínea das extremidades.

Os exames médicos admissionais devem levar em consideração a exclusão de diabéticos,


fumantes, alcoólatras, que tenham doenças articulares ou vasculares periféricas.

Nos exames admissionais, deve-se atentar para o diagnóstico de vasculopatias


periféricas, ulcerações térmicas, dores articulares, perda de sensibilidade, pneumonias e
infecções das vias aérea superiores.

As atividades ocupacionais em ambientes frios cobrem uma longa faixa de


temperaturas, exemplos:
·· -120 ºC na atividade de câmara para crioterapia;
·· -55ºC na atividade de câmara fria para armazenagem de carne e peixe
congelados e produção de produtos congelados;

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UNIDADE
Agentes Físicos III

· -28 ºC na atividade de câmara fria para armazenagem de produtos congelados;


· +2/+12ºC na atividade de armazenagem, preparação e transporte de
alimentos frescos.

Trabalhos leves que demandem destreza manual precisam ser realizados em ambientes
com temperatura superior a 0ºC, enquanto trabalhos mais pesados envolvendo atividade
física elevada podem ser conduzidos em temperaturas tão baixas quanto -30ºC ou -40 ºC.
Devido a essa ampla variação das condições para manutenção do equilíbrio térmico
no frio, nem sempre é fácil ou prático o estabelecimento de valores de temperatura
aceitáveis para o trabalho no frio.

A temperatura basal normal no núcleo do corpo é 36-38ºC. Essa é a temperatura


mantida nos tecidos profundos do tórax e abdome. A manutenção dessa temperatura
dependerá da geração de calor interno, por meio de atividade metabólica, e da troca
térmica com o ambiente, na qual o corpo pode perder calor por radiação, condução e
convecção e evaporação.

A taxa de resfriamento pelo vento corresponde à perda de calor por um corpo,


expressa em W/m², a qual é uma função da temperatura do ar e da velocidade do vento
incidindo sobre a pele. Para uma pessoa adequadamente aquecida, uma temperatura
de -29 0C representa pouco risco. Se o vento for de 16 km/h, a temperatura será
equivalente a -43ºC, para a qual ocorre o congelamento da pele dentro de 1 ou 2
minutos. Se o vento for de 40 km/h, a temperatura equivalente será de -67ºC, para a
qual ocorre o congelamento da pele em menos de 30 segundos.

Na ACGIH, o(a) aluno(a) poderá verificar tabela com outras temperaturas equivalentes.

O efeito direto do frio é o resfriamento dos tecidos. O resfriamento pode ser induzido
pelo esfriamento do corpo todo, esfriamento das extremidades, esfriamento da pele por
convecção, esfriamento da pele por condução (contato com superfície fria) e esfriamento
do trato respiratório pela inalação de ar frio.

Outro fator climático que influencia o resfriamento do corpo é a umidade do ar, posto
que a condutividade térmica do ar úmido é mais elevada que a do ar seco.

A situação mais crítica na exposição ao frio é quando o corpo todo resfria, levando
à queda da temperatura central a valores inferiores a 35ºC. Quando a temperatura cai
abaixo desse limite, ocorre a hipotermia. Em um ar mais frio, ou se a perda de calor for
aumentada pelo efeito do vento, chuva ou imersão em água fria, a temperatura do corpo
tende a cair e o risco de hipotermia é aumentado. Independentemente da temperatura
central, pode ocorrer em certas condições o resfriamento das extremidades.

As estratégias para adaptação fisiológica ao frio são a preservação do calor pela redução
da transferência de calor do núcleo do corpo para os tecidos superficiais e o aumento da
produção metabólica de calor (tiritar). A vasoconstrição periférica reduz a transferência
de calor para a superfície, permitindo a queda da temperatura e desse modo reduzindo
a diferença de temperatura com o ambiente. As extremidades tendem a resfriarem-se

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quando o fluxo sanguíneo é diminuído. A maior perda de calor nas mãos, pés, nariz e
orelhas ocorre porque a razão superfície-volume é elevada, desse modo essas regiões são
congeladas para que o centro do corpo permaneça aquecido. Quando a temperatura das
mãos e pés cai abaixo de zero, podem ocorrer lesões congelantes, e a uma temperatura de
-50ºC a pele congelará em 1 minuto. Com a progressiva redução da temperatura do tecido,
desenvolve-se a sensação de desconforto e as funções e o desempenho das extremidades
são comprometidas e eventualmente perdidas devido à paralisia dos receptores cutâneos
(dormência). A temperatura do ar crítica para destreza manual é 12ºC e para sensibilidade
do toque é 8ºC. A baixas temperaturas as terminações nervosas que transmitem a sensação
de dor são paralisadas, ocorrendo a anestesia. Quando a temperatura cai abaixo de 10ºC,
os vasos sanguíneos superficiais dilatam-se, e se a temperatura continuar a cair os eventos
de vasodilatação e vasoconstrição se alternam. Nessas condições, podem ocorrer ciclos
de reaquecimento e resfriamento em torno da baixa temperatura e, temporariamente,
restaurar funções normais das extremidades. Essas oscilações impedem que a pele seja
danificada, assegurando um suprimento mínimo de oxigênio. Entretanto, quando as
temperaturas são muito baixas os vasos sanguíneos contraem-se continuamente, resfriando
as extremidades à temperatura ambiente, o que pode causar ulcerações.

A vasoconstrição pode ser insuficiente para controlar a perda de calor para o


ambiente, levando a uma queda gradual da temperatura dos tecidos mais profundos
do corpo. Os estímulos provocam forte desconforto térmico e gradualmente ativa os
músculos em contrações rítmicas, os tremores de frio. Esses tremores começam nos
músculos do tronco e braços, progredindo para as mandíbulas. As temperaturas centrais
de 33 a 35 ºC estão associadas com tremores intensos e reduzida capacidade de trabalho
físico e mental. Essa condição muda gradualmente para um estágio de exaustão, fadiga,
incapacidade neuromuscular, confusão mental, inconsciência e diminuição da respiração
e circulação. Nessas condições, o indivíduo está em perigo, incapaz de lidar com a
situação e controlar a exposição.

Apesar dos ajustamentos fisiológicos serem efetivos na redução da perda de


calor como resposta ao resfriamento, eles interferem no conforto e desempenho.
O resfriamento das extremidades reduz a capacidade para o trabalho manual e o
resfriamento geral afeta o desempenho físico e mental.

O contato da pele desprotegida com metais provoca o seu congelamento, posto que o
metal é um excelente condutor térmico. Em condições de frio extremo, as mãos desprotegidas
aderem-se fortemente ao metal porque esse contato faz a água presente na pele congelar, as
tentativas de liberar as mãos podem remover a camada de pele congelada.

A condutividade térmica da água é cerca de 20 vezes maior do que a do ar; desse


modo, a imersão em água à temperatura menor que a 21ºC pode ser suficiente para
causar a hipotermia. A movimentação do corpo durante a imersão aumenta a perda de
calor, posto que o movimento desloca a camada de água aquecida pela pele substituindo-a
por uma camada fria, para qual o corpo troca calor por condução. A remoção de roupas
tende a acelerar a perda de calor, posto que no contato direto com a água a perda por
condução é maior. Na tabela 9.3 são apresentados os tempos médios de sobrevivência
durante a imersão em água a diferentes temperaturas.

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UNIDADE
Agentes Físicos III

Efeitos biológicos- lesões não congelantes


Hipotermia
A hipotermia ocorre quando a temperatura basal do núcleo do corpo cai abaixo
de 35°C. Os sintomas agravam-se à medida que a temperatura diminui. A hipotermia
branda é caracterizada por calafrios, adormecimento das mãos e redução da destreza
manual. Em dias mais frios, esse estágio pode ser facilmente alcançado por pessoas que
trabalham em área aberta e ao ar livre por longos períodos, e por motociclistas não
protegidos adequadamente. Quando a temperatura basal cai abaixo de 35°C, ocorre a
hipotermia moderada. Esse estágio é caracterizado por tremores violentos, deterioração
da destreza manual fina e da coordenação muscular, com dificuldade em caminhar e risco
de quedas. A fala torna-se indistinta, o raciocínio fica lento, prejudicando a capacidade
de tomada de decisões. À temperatura basal inferior a 32°C os tremores cessam, em
função do esgotamento das reservas de energia. Em virtude disso, a temperatura cai mais
rapidamente, resultando na incapacidade de caminhar e um estado de semiconsciência.
A perda da consciência ocorre para temperaturas abaixo de 30°C. Na hipotermia
profunda, ocorre a desaceleração do ritmo cardíaco e a respiração fica lenta e irregular.
A pele apresenta-se pálida e fria, os membros ficam retesados e as pupilas dilatam-se.
A uma temperatura abaixo de 28°C podem ocorrer arritmias cardíacas. O coração para
quando a temperatura do núcleo do corpo chega a 20°C.

Os diferentes estágios da hipotermia podem ser verificados em tabela na ACGI - TLVs


and BEIs.

Geladura ou queimadura do frio


A queimadura do frio resulta da exposição prolongada ao frio úmido, e ocorre
particularmente no dorso das mãos e dos pés. Nessas áreas, a pele apresenta-se
avermelhada, inchada e quente. Podem estar associadas com edema ou bolhas e são
agravadas com o aquecimento. Em exposições prolongadas, podem aparecer lesões
ulcerativas ou hemorrágicas. Pode ocorrer o formigamento, adormecimento e dor.

Síndrome de imersão (“Pés de Imersão” ou “Pés de Trincheira”)


A síndrome de imersão é causada pela imersão prolongada em água fria ou gelada,
e afeta particularmente mergulhadores. A permanência por 12 horas ou mais em água
à temperatura de 10ºC é suficiente para o desenvolvimento da síndrome. Esse efeito
ocorre porque a perda rápida de calor pelas extremidades leva os vasos sanguíneos a
contraírem-se, com o consequente déficit de oxigênio e morte do tecido. Os tecidos
mais profundos, tais como músculos e nervos, podem ser danificados antes da pele. A
síndrome apresenta-se em três estágios:
· estágio isquêmico: tem uma duração de vários dias e a área afetada
apresenta-se inchada, fria, adormecida e branca ou cianótica;
· estágio hiperêmico: tem duração de 2 a 6 semanas e a área afetada apresenta-
se dolorida, formigando, avermelhada, inchada, com bolhas e ulceração;

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·· estágiopós-hiperêmico: pode ter a duração de alguns meses, e a área afetada
apresenta prurido, dormência, sensibilidade ao frio e pele cinza-azulada.

Efeitos biológicos- lesões congelantes


Congelamento (“Frostbite”)
O congelamento do tecido ocorre quando a pele se resfria a temperaturas próximas
de zero. Esse congelamento envolve a formação nos tecidos de cristais de gelo e ruptura
das células. Em geral, atinge as áreas periféricas do corpo, tais como dedos, nariz,
orelhas e bochechas. No congelamento superficial, a pele e os tecidos subcutâneos
são congelados, e a pele apresenta-se cinza-esbranquiçada, seca, dura e com perda da
sensibilidade. O reaquecimento causa dor, vermelhidão, inchaço e formação de bolhas,
a pele fica azul-arroxeada. No congelamento profundo, são congelados músculos, ossos
e tendões, além da pele e tecido subcutâneo. A área afetada apresenta-se pálida e sólida.
Pode ocorrer a formação de vesículas hemorrágicas profundas, ulceração e necrose. A
gangrena seca pode ser seguida de autoamputação.

Avaliação e controle
Os métodos para avaliação da exposição ao frio são usados para avaliar ou predizer
condições críticas para a sobrevivência, riscos de efeitos agudos ou crônicos sobre a saúde,
desempenho, produtividade e manutenção do conforto. As exposições ocupacionais ao
frio em geral abrangem todas essas condições. Os limites e normas técnicas estabelecidas
para essas exposições visam proteger os trabalhadores da hipotermia e do congelamento
das extremidades. O objetivo principal é evitar que a temperatura central caia abaixo de
36ºC e prevenir a ocorrência das lesões congelantes nas extremidades.

As quatro variáveis importantes na exposição ao frio são a temperatura do ar, a


velocidade do ar, a umidade do ar e a atividade física. A temperatura do ar é medida por
meio de termômetro com escala em ºC, a velocidade do ar por meio de um anemômetro
calibrado em m/s e a umidade do ar com higrômetro. A última grandeza é um pouco mais
difícil de ser medida em campo, porém pode ser estimada a partir de tabelas de atividade
metabólica. É a atividade física que irá determinar o ganho de calor internamente, posto
que produz calor por meio de processos metabólicos. O tipo de atividade realizada
em determinadas condições de temperatura, velocidade e umidade do ar definirão os
procedimentos a serem adotados e o tipo de roupa a ser usada na sua execução.

As atividades conduzidas em ambiente frio devem ser planejadas, prevendo-se regime


de trabalho com pausas para reaquecimento em local mantido a temperatura amena.
Durante essas pausas, os procedimentos adotados visam elevar a temperatura central,
seja pelo ganho de calor do ambiente ou pelo aumento do calor interno com a ingestão
de líquidos quentes. A perda de calor também é evitada pela troca constante das roupas
que tenham ficado úmidas pelo suor gerado na atividade ou por contato com líquidos no
processo de trabalho.

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UNIDADE
Agentes Físicos III

As roupas de proteção contra o frio são definidas segundo a faixa de temperatura do


ambiente, o tipo de trabalho realizado e a carga de atividade física. Um maior isolamento
térmico é obtido com vestimentas em múltiplas camadas, pois o ar existente entre as
camadas forma uma barreira isolante bastante eficiente. A proteção dos pés é por meio
de calçados de couro com solado de borracha, forrados com feltro e providos de palmilha
isolante térmica removível.

O controle da exposição ao frio abrange procedimentos que visam evitar a perda de


calor corpóreo e a vasoconstrição, tais como:
· proibir o consumo de bebidas alcoólicas e restringir o fumo;
· estimular a ingestão de água para prevenir a desidratação;
· limitar o consumo de cafeína, a qual aumenta a produção de urina e a
circulação do sangue.

Algumas condições médicas aumentam a susceptibilidade individual aos efeitos do frio.


Indivíduos apresentando doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, doença de Raynaud
e doenças respiratórias requerem um acompanhamento e cuidados especiais. Também
requerem cuidados especiais trabalhadores que estejam usando medicamentos que
aumentem a sensibilidade ao frio, tais como antidepressivos, tranquilizantes, hipnóticos,
psicotrópicos, anestésicos, hipoglicêmicos, antitiroideanos e insulina.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

  Sites
Guide to occupational exposure values
ACGIH. 2015
https://goo.gl/sdaJL2
ACGIH, a NR 15 e os limites de tolerância
PPRA ONLINE
https://goo.gl/tSjTUq

 Livros
Ensino de física das radiações na modalidade EJA - uma proposta
FERREIRA, Andréia Alves. Dissertação (mestrado). Instituto de Física e Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2005.

Portaria NR-15, P3214/78, Ministério do Trabalho


RIESGOS del ambiente humano para la salud.
ORGANIZACION PANAMERICANA DE LA SALUD. Radiaciones no ionizantes y
ondas ultrasonicas. Washington, OPS/OMS, 1976. P227-34. (OPS. Publicación
Científica n°. 329).

Higiene ocupacional: agentes biológicos, físicos e químicos


SPINELLI, Robson. Higiene ocupacional: agentes biológicos, físicos e químicos 5. ed.,
p. 95. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2006

 Leitura
Apostila educativa Radiações ionizantes e a vida
NOUAILHETAS, Yannick. Apostila educativa Radiações ionizantes e a vida. CNEN
– Comissão Nacional de Energia Nuclear.
http://goo.gl/1lok6J
Estudos Avançados
OKUNO, Emico. Estudos Avançados. Efeitos biológicos das radiações ionizantes.
Acidente radiológico de Goiânia. Estudos Avançados, 27 (77), 2013
http://goo.gl/1eVlhD
Radiações ionizantes: aplicações e cuidados
Radiações ionizantes: aplicações e cuidados. Segurança e Trabalho.
http://goo.gl/wpqHJs

39
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Referências
ACGIH. 2015 Guide to occupational exposure values. Disponível em: <https://www.
acgih.org/forms/store/ProductFormPublic/2015-guide-to-occupational-exposure-
values>. Acesso em: 01 mai. 2016.

ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 2. ed. - Porto Alegre: Artmed, 2006.

Apostila PECE – Lacasemim – 2014 Equipe Usp. Disponível em: <http://


pt.slideshare.net/IZAIASDESOUZAAGUIAR1/apostila-engenharia-de-segurana-
do-trabalho?qid=662a72c0-3c53-4e29-bd38-783154d229a8&v=&b=&from_
search=2 acesso: 23/04/2016>.

CNEN NE 3.01. http://www.lpr-den.com.br/ne301.pdf acesso: 04/05/2016

DDS ONLINE. Temas para DDS em categorias. Radiação não ionizante. Entenda
mais sobre esse assunto. Disponível em: <http://ddsonline.com.br/dds-temas/39-
seguranca/456-radiacao-nao-ionizante-entenda-mais-sobre-esse-assunto.html>. Acesso
em: 01 mai. 2016.

Decreto-Lei nº. 348/89, de 12/10. Estabelece normas e diretivas de proteção contra


as radiações ionizantes.

Ministério da Saúde - Decreto Regulamentar nº. 9/90, de 19/04, alterado pelo

Ministério da Saúde - Decreto-Regulamentar nº3/92 de 6 de março. Estabelece a


regulamentação das normas e diretivas de proteção contra as radiações ionizantes.

FERREIRA, Andréia Alves. Ensino de física das radiações na modalidade EJA -


uma proposta. Dissertação (mestrado). Instituto de Física e Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo. São Paulo, 2005.

FIOCRUZ. Radiação. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_


virtual/radiacao.html>. Acesso em: 01 mai. 2016.

Portaria NR-15, P3214/78, Ministério do Trabalho e seus anexos

OKUNO, Emico. Radiação: efeitos, riscos e benefícios. São Paulo: Harbra, 1988.

OKUNO, Emico. Radiação ultravioleta: características e efeitos. 1 a .ed. São Paulo:


Livraria da física, 2005.

ORGANIZACION PANAMERICANA DE LA SALUD. Radiaciones no ionizantes y


ondas ultrasonicas. In: RIESGOS del ambiente humano para la salud. Washington,
OPS/OMS, 1976. P227-34. (OPS. Publicación Científica n°. 329)

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RADIAÇÃO MÉDICA. Dados sobre radiação. Benefícios e riscos da radiação.
Benefícios e riscos da radiação não ionizante. Disponível em: <http://www.radiacao-
medica.com.br/dados-sobre-radiacao/beneficios-e-riscos-da-radiacao/beneficios-e-
riscos-da-radiacao-nao-ionizante/>. Acesso em: 01 mai. 2016.

SPINELLI, Robson. Higiene ocupacional: agentes biológicos, físicos e químicos. 5. ed.,


p. 95. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2006.

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