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Brasil Seikyo - Edição 1530 - 06/11/1999 - pág.

C3 - Caderno Soka

Brasil Seikyo - Caderno Soka

A pedidos, dúvidas e questões frequentes (2)

Transplantes de órgãos ainda mais o crescimento demográfico, o


aborto parece não só permissível, mas
Minha opinião sobre transplantes de também inevitável. Do ângulo do respeito
órgãos é que, em casos como os de rins ou pela vida, porém, não deve ser sancionado.
córneas, as operações são permissíveis se Como defensor do respeito pela vida, sou
apoiadas em razões médicas suficientes. A inteiramente contrário ao aborto na maioria
tecnologia médica de hoje talvez não dos casos, porquanto considero errado
possa garantir sucesso em todos os casos terminar artificialmente uma vida já iniciada
de transplante de rins, mas, uma vez e, assim, condená-la à escuridão antes
consideradas as condições do beneficiário, mesmo de ela chegar a ver a luz. Além do
é permissível deixar ao médico decidir se mais, o aborto é física e mentalmente uma
tal operação se justifica. Nesses casos, e crueldade para com a mãe e, se realizado
nos de transplantes de córneas, não está com freqüência, pode torná-la estéril.
em jogo a questão de saber se houve ou
não morte do doador. Quando pode ser provado que a
continuação da gravidez ou o parto a
Decidir se o doador está clinicamente termo são perigosos para a mãe, julgo o
morto, contudo, é crucial para o aborto aceitável. Mas não consigo
transplante de coração, fígado e cérebro, concordar com a lei japonesa que
se as pesquisas alcançarem um ponto em reconhece motivos econômicos como
que esta última operação se torne possível. justificativa aceitável do aborto. Em
Participando da opinião de médicos primeiro lugar, outros métodos sociais
eruditos, acredito que, como princípio, o precisam ser empregados para melhorar a
transplante desses órgãos não deve ser situação econômica da mãe. Em segundo,
realizado enquanto as técnicas médicas e se os pais são pobres demais para terem
cirúrgicas continuarem no nível atual. filhos, devem recorrer a métodos
(Escolha a Vida, Editora Record, págs. anticoncepcionais, e não aos abortos.(...)
92–93.)
Concordo com o senhor em que, em casos
Aborto e valorização da vida de estupro e incesto, o aborto possa ser
uma medida concebível, nitidamente de
Dizem que o número de abortos realizados último recurso, mas insisto em que é mais
anualmente no Japão é igual ao número importante criar condições sociais e morais
de crianças que nascem. Aqui e em outros nas quais não ocorra estupro nem incesto
países onde o aborto é ilegal, vozes do que abortar as crianças resultantes.
pedindo sua legalização estão sendo
ouvidas. Do ponto de vista de impedir

Daniel Gomes da Costa (771476-9) / pág. 1.


Brasil Seikyo - Edição 1530 - 06/11/1999 - pág. C3 - Caderno Soka

No que diz respeito a fetos geneticamente


deficientes, acho que não devem ser
poupados esforços para se descobrir a real
gravidade do defeito. Se for possível que
seja apenas leve, o aborto torna-se
inadmissível. Se grave, o estado e sua
gravidade relativas devem ser clara e
imediatamente explicados aos pais, que
devem então decidir se a esposa levará a
gravidez a termo. Claro que, nesse caso,
todo cuidado o deve ser tomado para nada
seja feito de modo que provoque o risco
de um feto defeituoso. Mulheres grávidas
devem evitar tudo — remédios, produtos
químicos, infecções viróticas, radiação, e
assim por diante — que possa ocasionar
efeitos genéticos prejudiciais ao feto.
(Valores Humanos num Mundo em
Mutação, Editora Record, págs. 241–243.)

Daniel Gomes da Costa (771476-9) / pág. 2.