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FICHAMENTO: O QUE É ARTE

JORGE COLI

Aluno: xxxxxxxxx

Belo Horizonte, 21 de abril de 2015


FICHAMENTO: O QUE É ARTE

JORGE COLI

Prontamente o autor já nos apresenta a dificuldade em se definir o


objeto em questão, a saber, a arte. Citam várias correntes e autores que
exercitaram um delineamento de tal conceito, contudo, o que se pode abarcar é
algum aspecto que serão desenvolvidos neste texto.

Pensando em cultura no sentido de um conjunto complexo, no qual são


produzidos comportamentos diversos e alguns acabam por transmitir um efeito
de admiração inexplicável, ocorre que, por falta de critérios rígidos de
denominação do que é arte, a ideia de privilégio se torna um aspecto
importante para uma obra. Ou seja, a questão da admiração é um fator
importante ao se julgar um comportamento artístico. Todavia, tal juízo crítico
permanece em análise superficial, apenas. Visto que, são vários os exemplos
de obras que causam repugnância social e são consideradas arte, por
exemplo, cita o autor, a obra de Marcel Duchamp, cuja representação é um
aparelho sanitário de louça.

O autor, deste modo, afirma que há mecanismos ou instrumentos de


validação de uma obra, De forma irônica pontua: “se estiver no museu o
apreciador pode ficar tranquilo, porque estará diante de uma arte” (pg.16). Do
mesmo modo, existem curadores, mestres e especialistas que atestam as
expressões culturais e basta ao sujeito acompanha-los. Porém, isso é uma
ilusão e a discussão é mais abrangente e complexa.

No subtítulo “A instauração da arte e os modos do discurso” o autor


discorre acerca dos aspectos fundamentais da hierarquia dos objetos. Ele
estabelece que a sociedade formulasse instrumentos que permitem julgar o
caráter artístico de cada expressão cultural. A gênese desse comportamento se
ampara ao conceito de obra-prima. Segundo o autor, por volta do século XIV
alguns ofícios eram dominados por poucos e estes resolveram criar uma
corporação com a finalidade de se proteger economicamente e validar o que
era produzido na época. Àquele que vislumbrava o título de mestre em tal
oficio, precisaria apresentar aos outros mestres uma obra de sua autoria que
pudesse ser entendida como inovadora. Ao passo que, ao apresentá-la à
comissão, o requerente deveria demonstrar sua técnica, para desse modo
adquirir o título de obra-prima.

Outra maneira de apreciação seria a estatística dos julgamentos.


Entende-se por esse ponto o caráter unânime de considerações positivas
destinadas a uma obra. Em outras palavras, poder-se-ia considerar arte àquela
ao qual a maioria creditou valor. Todavia o autor adverte que

“a autoridade institucional do discurso competente é forte, mas


inconstante e contraditória, e não nos permite segurança no interior do
universo das artes” (Pg. 22).

Em outras palavras, munido de vários exemplos, Coli postula que um consenso


de mestres não é estável, ele evolui e recua ao longo da história.

Ao realizar crítica de arte o mestre não o faz longe de argumentos e


justificativas, caso contrário não se sustentaria frente à outra formulação
opositora. Deste modo, surge o desejo por desenvolver construtos mais
objetivos de seleção. Em que, inicialmente, fez uso do rigor científico para
alcançar bases sólidas. Tal via de pensamento trabalha com a concepção de
taxonomias estilísticas. Portanto, ao separar a maciça e complexa totalidade do
mundo das artes em estilos, poder-se-ia iniciar a construção de um discurso
mais seguro de avaliação. De acordo com o autor em seu livro, “a ideia de
estilo repousa sobre o princípio de uma inter-relação de constantes formais no
interior da obra” (pg.25). Para explicar melhor, um dos exemplos é a obra de
Hitchcock, Psicose, no qual o cineasta apresenta conteúdos do cotidiano e
brinca com o desejo voyerista do telespectador ao fazer uso do jogo de forças
entre fascínio, sexualidade e a dicotomia maldade e bondade. Elementos de
um cinema próprio.

Diversas características são comuns em seus filmes e desta forma são


considerados parte de seu estilo. Em última instância o estilo se refere à
coerência estilística do autor (traço). No entanto, nada impede o agente de
trabalhar suas constantes ou até mesmo dominar dois estilos ao mesmo,
afirma o autor.
Em resumo, o estilo é importante porque dá nome ao artista. Geralmente
uma obra é reconhecida e ao redor dela se agrupa outras peças do próprio
autor. Tal fenômeno resulta do reconhecimento do estilo em qualquer parte do
mundo, caso o observador crítico esteja familiarizado com este estilo.
Entretanto, ainda assim, não é suficiente para resolver o assunto da análise de
uma obra de arte. Visto que a ideia de estilos também oferece seus vícios. Mas
é inegável a importância do conteúdo pretendido para o cenário artístico, já que
se constituiu como um instrumento objetivo de classificação.

O profissional que analisa os estilos das artes normalmente são críticos


ou historiadores. Mas qual é a diferença entre eles? Segundo o autor, apesar
das funções terem vários pontos de convergência, existe marcadores
específicos e precisam ser esclarecidos. O critico exerce um papel seletivo ao
classificar as obras, ele se parece com um juiz ao passo que valoriza e
desvaloriza o objeto observado. Contudo, para tal, é imprescindível reunir um
conhecimento histórico da produção artística mundial, a fim de estabelecer um
parâmetro correto de julgamento. No que tange ao historiador, procura não
julgar os objetos e, deste modo, pretende articular em conjunto coerente para
obter uma compreensão. Na mesma medida, o papel deste é similar aos
critérios científicos de suspensão do julgamento.

Tendo em vista a necessidade de se exemplificar, Coli cita alguns


autores que por meio dos seus esforços feitos durante a história da arte
tentaram utilizar o estilo como instrumento classificatório. Em 1888, Wolfflin
produziu um trabalho sobre a Renascença e o Barroco, no qual descobriu um
movimento no século XIX de revalorização do Barroco. Outra característica
encontrada foi à postura da produção barroca, em oposição ao classicismo
renascentista. O dado registro foi possível em função do método de pesquisa
de Wolffin, ele preferiu “focalizar a obra de arte exclusivamente na sua
originalidade” (pg.53). Além do mais, o pesquisador também se destacou como
historiador das formas e considerava suas categorias como espécies de
“polos”.

A arte se faz por meio de mecanismos de expressão, a saber: a crítica,


teatro, cinema, museu, história da arte e revistas especializadas. Por meio
dessas maneiras de elevar o objeto a um status artístico, cai-se numa postura
romântica de remeter um ‘essência inerente’ ao que é observado. Ora, mas
instrumentos são expressões culturais, ou seja, o conceito de arte reflete a
forma com que a cultura se articula em suas relações, bem como sua
transmissão específica. Logo, para as tribos africanas o conceito desenvolvido
não faz sentido na exposição de seus utensílios ou vasilhames em museus e
galerias. Portanto, segundo o autor, a obra de arte “não é uma imanência, é
uma projeção” (pg.64). Dito de outro modo, o sujeito da ação é responsável por
anunciar o dito “em si” do objeto.

Em decorrência desse pensamento o pensador francês André Malraux,


concebeu a ideia de um “museu imaginário, no qual as obras que eram
expostas correspondiam à subjetividade coletiva ou analógica”. Ou seja, os
museus seriam lugares constituídos de um conjunto de artigos selecionados de
modo intuitivo pela civilização, “o absoluto da arte é relativo à nossa cultura”
(pg.66).

Sendo assim, qualquer objeto exposto pela cultura teria uma marca
artística. Marcel Duchamp, por exemplo, postulou: “são os olhadores que
fazem o quadro” (apud, Coli, pg.68), ou seja, a definição do que é arte é de
responsabilidade da própria cultura que a produz. Pois bem, retorna-se ao
problema de delimitação conceitual do que é arte, uma vez que nesses moldes
a determinação artística poder-se-ia estender indefinidamente. Para tentar
auxiliar tal engodo, o autor ainda cita o conceito de “ruído” cunhado pelo
pesquisador italiano, Umberto Eco. Este, afirma que ao entrar em contato com
o objeto o sujeito sofre influências externas (tempo, cultura, religião) ao tentar
compreender os sinais emitidos no contato. De modo que é necessário fazer
uso do conhecimento para diminuir a interferência desses, já que não é
possível eliminar. Por conseguinte, “à medida que esquecemos as
significações originais, é atribuído nas obras às significações da nossa cultura”
(pg. 71).

A obra, portanto, escapa à determinação ilusória da sociedade de


conservá-la durante as gerações, o que o autor chama de “para nós”. O
material artístico com o tempo desapareceu, ao passo que o homem reproduz,
interpreta e intervém objetivamente. Neste último argumento se tem o exemplo
do trabalho exercido na restauração das peças culturais.

Em conclusão o universo da arte foi percorrido pelo autor de acordo com


suas determinações teóricas no que tange a categorização de formas culturais.
Optou por elencar critérios existentes que buscam diferenciar uma obra de
outra, todavia nem uma delas exauria o objeto de significados.

Outra conclusão importante, exposta em um de seus capítulos, é o


caráter instável do conceito de arte, na medida em que flutua a partir de
práticas culturais e suas relações com o objeto. Ou seja, os índios, por
exemplo, não pensa em arte quando confecciona seus utensílios ou constrói
algum monumento na comunidade, ele apenas desenvolve suas habilidades
para dar conta da realidade que se apresenta. Agora, o ato de expor é de
nossa cultura, a distinção dos objetos não é universal. Uma vez que sem os
mecanismos de expressão o objeto fica impossibilitado de se elevar ao status
de matéria prima do autor.

A discussão em volta do tema se torna atemporal, visto como as


determinações sofrem confusões pelas pessoas que gostam ou tentam se
aproximar desse universo, mas não se preocupam em conhecer os critérios
que envolvem as deliberações artísticas. E o resultado seria uma generalização
descompromissada, ao ponto de se considerar qualquer produção uma
matéria–prima. Dessa forma, ao final do livro, “o que é arte”, o leitor consegue
pelo menos compreender a complexidade da temática.