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SUMÁRIO Calcopirita ............................ 044 Espodumênio ....................... 084


Acmita: ver Aegirina Calcotrichita = Cuprita Estaurolita ............................ 085
Actinolita .............................. 004 Cancrinita (Grupo) ............... 046 Esteatita: ver Talco
Aegirina ................................ 006 Carbonatização: ver Alterações Esteatitização: ver Alterações
Ágata = Calcedônia Cassiterita ............................ 048 Estilbita ................................ 087
Akermanita = Melilita Caulinitzação: ver Alterações Eucolita: ver Eudialita
Albita = Plagioclásio Celadonita ............................ 050 Eudialita ............................... 088
Albitização: ver Alterações Chabazita ............................. 052 Fayalita = Olivina
Alunitização: ver Alterações Chamosita = Clorita Fengita = Muscovita
Allanita ................................. 008 Chondrodita ......................... 054 Fengitização: ver Alterações
Almandina = Granada Cianita .................................. 055 Fenitização: ver Alterações
Alterações ............................ 210 Clinocloro = Clorita Ferri-Gehlenita = Melilita
Alumoakermanita = Melilita Clinocrisotilo = Serpentina Ferrosilita: ver Enstatita
Analcima .............................. 010 Clinopiroxênio: ver Augita/Diopsídio Fibrolita = Sillimanita
Anatásio ............................... 012 Clinozoisita........................... 057 Flogopita .............................. 089
Andalusita ............................ 013 Clorita ................................... 058 Fluorapofilita = Apofilita
Andesina = Plagioclásio Cloritização: ver Alterações Fluorita ................................. 091
Andradita = Granada Cloritóide .............................. 060 Forsterita = Olivina
Anidrita ................................. 015 Condrodita = ver Chondrodita Fowlerita = Rhodonita
Anortita = Plagioclásio Cordierita ............................. 062 Fuchsita: ver Muscovita
Anortoclásio ......................... 017 Coríndon .............................. 064 Gahnita = Espinélio
Antigorita = Serpentina Crisocola .............................. 066 Galaxita = Espinélio
Antofilita ............................... 019 Crisotilo = Serpentina Galena ................................. 093
Apatita .................................. 020 Cristobalita ........................... 067 Gehlenita = Melilita
Apofilita ................................ 022 Crocidolita = Riebeckita Gipso .................................... 094
Aragonita ............................. 024 Crossita: ver Riebeckita Glaucofano ........................... 096
Arfvedsonita ......................... 025 Cummingtonita ..................... 068 Glauconita ............................ 098
Argilização: ver Alterações Cuprita ................................. 069 Glimmeritização: ver Alterações
Argilominerais ...................... 027 Damouritização: ver Alterações Goethita ............................... 100
Augita ................................... 029 Devitrificação: ver Alterações Granada ............................... 102
Azurita .................................. 031 Diopsídio .............................. 070 Grossulária = Granada
Barita.................................... 032 Distênio = Cianita Grunerita .............................. 104
Barroisita = Hornblenda Verde Dolomita ............................... 072 Gugiaita = Melilita
Bastitização: ver Alterações Dolomitização: ver Alterações Hardystonita = Melilita
Berilo .................................... 034 Dumortierita ......................... 073 Hastingsita = Hornblenda Verde
Biotita ................................... 035 Elaeolita = Nefelina Hauynita ............................... 106
Bitownita = Plagioclásio Emery = Corindon Hedenbergita ....................... 108
Bronzita: ver Enstatita Enstatita ............................... 074 Hematita ............................... 110
Brookita ................................ 038 Epidotização: ver Alterações Hercynita = Espinélio
Brucita .................................. 039 Epidoto ................................. 076 Heulandita ............................ 111
Bustamita = Rhodonita Escapolita ............................ 078 Hialita = Opala
Calcedônia ........................... 040 Escolecita............................. 080 Hiddenita = Espodumênio
Calcita .................................. 042 Esfeno = Titanita Hidroxiapofilita = Apofilita
Calcitização: ver Alterações Espessartita = Granada Hipersteno: ver Enstatita
Espinélio .............................. 082 Hornblenda Bas. = H. Marrom
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Hornblenda Marrom ............. 112 Obsidiana = Vidro Vulcânico Saussuritização: ver Alterações
Hornblenda Verde ................ 114 Ortocrisotilo = Serpentina Schilleritização: ver Alterações
Iddingsita: ver Alterações Oligoclásio = Plagioclásio Sericita = Muscovita
Idocrásio = Vesuvianita Olivina .................................. 144 Sericitização: ver Alterações-
Ilmenita ................................ 116 Omfacita............................... 147 Serpentina ............................ 178
Jade = ver Jadeita Opacitização: ver Alterações Serpentinização: ver Alterações
Jadeita ................................. 117 Opacos ................................. 148 Siderita ................................. 180
Kaersutita = Hornblenda Marrom Opala ................................... 149 Siderofilita = Biotita
Katophorita = Hornblenda Marrom Opalização: ver Alterações Silicificação: ver Alterações
Kornerupina ......................... 118 Ortoclásio ............................. 151 Sillimanita ............................. 182
Kunzita = Espodumênio Ortopiroxênio: ver Enstatita Sismondina = Cloritóide
Labradorita = Plagioclásio Ottrelita = Cloritóide Sodalita ................................ 184
Lapis-Lazuli = Lazurita Oxihornblenda = H. Marrom Spilitização: ver Alterações
Laumontita ........................... 119 Paragonita: ver Muscovita Stilpnomelano ...................... 185
Lawsonita ............................. 121 Periclásio ............................. 153 Talco .................................... 186
Lazurita = Hauynita Perovskita ............................ 154 Thulita = Zoisita
Lepidolita ............................. 122 Phacolita = Chabazita Titanita ................................. 188
Lepidomelano = Biotita Piemontita ............................ 155 Titanoaugita = Augita
Leucita ................................. 123 Pigeonita .............................. 156 Topázio ................................ 191
Leucoxênio: ver Alterações Pinita = Cordierita Tremolita .............................. 192
Limonitização: ver Alterações Pinitização: ver Alterações Tridimita ............................... 194
Lizardita = Serpentina Pirita ..................................... 158 Trilithionita = Lepidolita
Lussatina = Cristobalita Piritização: Ver Alterações Tschermakita = Hornblenda V.
Lussatita = Cristobalita Pirofilita ................................ 159 Turmalina (Grupo) ................ 195
Magnesita ............................ 125 Piropo = Granada Uralitização: ver Alterações
Magnetita ............................. 126 Pistacita = Epidoto Uvarovita = Granada
Malaquita ............................. 127 Plagioclásios ........................ 161 Vermiculita ........................... 197
Marialita = Escapolita Polylithionita = Lepidolita Vesuvianita .......................... 199
Margarita: ver Muscovita Prehnita ................................ 163 Vidro Vulcânico .................... 201
Meionita = Escapolita Propilitização: ver Alterações Viridina = Andalusita
Melanita: ver Granada Pumpellyita .......................... 165 Wernerita = Escapolita
Melilita .................................. 128 Quartzo ................................ 166 Wiluita = Vesuvianita
Metamictização: ver Alterações Quelifitização: ver Alterações Wollastonita ......................... 204
Meroxeno = Biotita Quiastolita = Andalusita Zeolitas ................................ 207
Mesolita: ver Escolecita Rhodochrosita ...................... 168 Zeolitização: ver Alterações
Micrita = Calcita Rhodonita............................. 169 Zircão ................................... 208
Microclínio ............................ 130 Riebeckita ............................ 170 Zoisita................................... 209
Molibdenita .......................... 132 Rinkita-(Ce) .......................... 172
Monazita .............................. 133 Rubi = Coríndon
Mordenita ............................. 134 Rutilo .................................... 173
Muscovita ............................. 136 Safira = Coríndon
Natrolita: ver Escolecita Safirina ................................. 175
Nefelina ................................ 139 Sagenita: ver Rutilo
Nefrita = Tremolita/Actinolita Sanidina ............................... 176
Noseana .............................. 142 Sapphirina: ver Safirina
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Guia de Minerais
Transparentes ao
Microscópio Petrográfico

A intenção deste Guia é a de disponibilizar um material de consulta atualizado e em português


que foca explicitamente a identificação de minerais formadores de rocha em lâmina delgada ao
microscópio petrográfico. Os minerais são apresentados em fichas padronizadas em ordem alfabética.
Ao final, o Guia ainda apresenta uma tabela com os tipos de alterações que os minerais podem
apresentar.
Neste contexto, o Guia não se detém na apresentação das formas cristalinas e das
características físicas dos minerais (disponíveis em muitas fontes, como www.webmineral.com e
www.handbookofmineralogy.org), não aborda locais de ocorrência (ver em www.mindat.org) nem faz
considerações químicas ou estruturais, que devem ser buscadas em outras fontes.
O Guia não é uma versão definitiva e vem sendo aperfeiçoado progressivamente. Este
processo terá continuidade, com a inserção das imagens que faltam. Verifique a última versão em
www.ufrgs.br/museumin/YouTube.pdf. Um complemento a este Guia é um Guia de Identificação do
tipo passo-a-passo, também disponível para download no mesmo link. Ali também há links para um
Guia de Minérios e um Guia de Identificação do tipo passo-a-passo de minérios.
Todas as imagens são do autor. Não apresentam barra de escala em função da deficiência do
equipamento usado e porque, neste caso, não se trata uma informação essencial, já que os minerais
podem ocorrer em todos os tamanhos. Videos de quase todos os minerais estão disponíveis no
YouTube, no canal “Heinrich Frank”.
Erros e enganos são inerentes à Mineralogia e, apesar de todos os cuidados, o Guia os deve
conter. Portanto, correções e observações são bem vindas pelo email heinrich.frank@ufrgs.br.
Para a elaboração deste Guia foram usadas lâminas confeccionadas com verba pública,
equipamentos adquiridos com verba pública; o salário do autor também provém de verba pública.
Todas as imagens são do autor. Portanto, o Guia pode ser usado sem restrições para usos não-
comerciais, não sendo necessário informar a fonte.
Sobre o autor: Heinrich Frank é geólogo, professor de Mineralogia no Departamento de
Mineralogia e Petrologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Brasil.

Versão de 10 de março de 2017.


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ACTINOLITA
A actinolita integra o Grupo da Actinolita, que é uma série de solução sólida entre a tremolita (sem Fe), a
actinolita (com Fe+Mg) e a ferroactinolita (com Fe). Para a classificação detalhada de anfibólios, consultar
outras fontes.
Ca2(Mg,Fe)5Si8O22(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor, verde pálido a verde mais escuro, com tons de azul. Possui
pleocroísmo: X = incolor, verde amarelado pálido; Y = verde-amarelo pálido,
verde-azul pálido, Z = verde pálido, verde, verde-azul. Cores mais escuras
e pleocroísmo mais intenso estão associadas a teores mais elevados de Fe.
Relevo: moderado. Aumenta com a elevação do teor em Fe.
Clivagem: {110} perfeita. Seções longitudinais mostram apenas uma clivagem, paralela
ao eixo z (vertical) cristalográfico. Seções basais mostram duas clivagens
que se cruzam em ângulos de 124º e 56º, formando losangos (como em
todos os anfibólios).
Hábito: cristais prismáticos longos, fibrosa. São formas subédricas a anédricas, mas
podem ocorrer palhetas; as seções basais podem ser losangulares. Sendo
um mineral típico de rochas metamórficas de grau baixo, os cristais
frequentemente são muito pequenos.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,017 – 0,027, cores de 1ª ordem superior a 2ª ordem:
cores de interferência: cinza, amarelo, laranja, vermelho. Podem estar mascaradas pela cor
própria do mineral. As cores diminuem com o aumento do teor em Fe.
Extinção: oblíqua, com ângulo de 10 – 17º .
Sinal de Elongação: SE(+).
Maclas: são relativamente comuns, tanto simples como lamelares.
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 65 – 86º
Alteração: a actinolita altera a talco, clorita e calcita.
Pode ser confundido com: tremolita é muito semelhante, mas é incolor e não apresenta pleocroísmo.
Actinolita é similar a outros anfibólios: mesmo relevo alto e as duas clivagens que se intersectam em 56 e
124º nas seções basais. Anfibólios monoclínicos (como a hornblenda) possuem cor mais forte a ND.
Anfibólios sódicos apresentam cores em tons de azul forte a ND. Anfibólios ortorrômbicos apresentam
extinção paralela. Hornblenda é extremamente semelhante, mas actinolita apresenta um pleocroísmo mais
discreto, cores bem mais pálidas a ND (importante!) e restritas ao verde (hornblenda pode ser marrom).
Cummingtonita é muito semelhante, mas tende a apresentar sinal ótico positivo e possui um índice de
refração mais alto. Além disso, cummingtonita frequentemente possui maclas lamelares muito finas.
Wollastonita é semelhante, mas possui extinção quase paralela e possui um ângulo 2V menor.

Associações: actinolita é um mineral restrito a rochas metamórficas de grau baixo. Assim, é comum em
sedimentos ricos em Ca-Mg-Fe, regionalmente metamorfisados. É encontrada em rochas máficas e
ultramáficas metamorfisadas. Também em xistos azuis como mineral retrógrado e em gabros como produto
de uralitização ou saussuritização. Tremolita e actinolita também constituem produtos de alteração comuns
de piroxênios e hornblenda e, neste caso, são conhecidas como uralita.
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Abaixo, duas sequências mostrando seções longitudinais de actinolita com seu pleocroísmo característico
em tons de verde e verde-azulado. Imagens da esquerda e do centro a ND, rotacionadas em 90º uma em
relação à outra. Imagem da direita a NC.

Seções basais de actinolita, com seus formatos típicos em Macla simples em actinolita. NC.
losango e mostrando duas direções de clivagem que se cruzam
em 56 e 124º, formando losangos.

Na imagem da esquerda, a ND, há uma grande seção longitudinal de actinolita com cores verde-azuladas,
depois uma clorita verde-clara e, à direita, uma seção basal de cor verde de actinolita. A imagem do meio
mostra o conjunto rotacionado em 90º, evidenciando o pleocroísmo dos minerais. A imagem da direita
mostra a actinolita com cores de interferência amarelas e a clorita com cor violeta-púrpura.
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AEGIRINA
A aegirina forma uma solução sólida com augita. O termo intermediário é a aegirina-augita.
NaFe3+Si2O6 Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínica
ND Cor / moderadamente a fortemente pleocróica: X = verde profundo; Y = verde grama;
pleocroísmo: Z = amarelo-marrom. Zonação de cor (zonação em ampulheta!) é comum, a
borda normalmente é mais escura que o núcleo dos cristais.
Relevo: alta a muito alto
Clivagem: {110} perfeita: são duas clivagens que se cruzam em ângulos de 87º e 93º nas
seções basais (como em todos os piroxênios!). Nas seções longitudinais
observa-se apenas uma clivagem.
Hábito: prismática curta a acicular, hábito granular é possível. Grãos com margens
pretas, textura de ampulheta possível. Seções basais com 8 lados são típicas.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,037 a 0,061, resultando em cores intensas e fortes
cores de interferência: de 3ª e 4ª ordem, que frequentemente estão mascaradas pela intensa
cor própria do mineral.
Extinção: oblíqua de baixo ângulo, de 0o a no máximo 12º .
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: simples e lamelares em {100}, comuns.
Zonação: frequentemente zonada.
LC Caráter: B(+) ou B(-) Ângulo 2V: 60-70º, varia com a composição.
Alteração: não altera com facilidade. Alteração a arfvedsonita é possível.
Pode ser confundido com: anfibólios frequentemente tem um hábito alongado, mas pode ser distinguida
destes pelo ângulo de quase 90º que suas clivagens formam nas seções basais (anfibólios fazem ângulos
de 124 e 56º). A birrefringência e o ângulo de extinção diminuem com o aumento do teor de ferro, até
chegar em aegirina-augita. Augita e diopsídio podem ser semelhantes, mas possuem ângulos 2V maiores.
Piroxênios ortorrômbicos apresentam extinção reta.

Associações: a aegirina é encontrada em rochas ígneas alcalinas (ricas em Na e pobres em silica) como
granitos alcalinos, sienitos, fonolitos, basanitos, carbonatitos e pegmatitos. Também é encontrada em
rochas metamórficas da facies xistos-azuis como riebeckita-xistos e glaucofano-xistos. Ocorre em rochas de
metamorfismo regional como xistos, gnaisses e formações ferríferas bandadas (BIFs). Por metasomatismo
sódico em granulitos. É mineral autigênico em alguns folhelhos e calcários impuros. Associa-se a ortoclásio,
feldspatóides e anfiibólios sódicos. Acmita era um termo usado tanto para aegirinas verdes como para
aegirinas marrons com terminações pontiagudas; o nome foi desacreditado em 1988.

Aegirina a ND (esquerda): cores


verdes intensas com pleocroísmo
forte. A seção basal é menor,
possui 8 lados e duas clivagens
que se cruzam a quase 90º.

Aegirina a NC (direita): cores


intensas mascaradas pela cor
verde original do mineral e
zonação de cor. A seção basal
apresenta naturalmente cores
mais baixas.
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Aegirinas a ND mostrando seu forte pleocroísmo entre verde-musgo profundo e amarelo-marrom. Trata-se
do mesmo conjunto de cristais, girado 90º. É um pleocroísmo muito típico, raros são os minerais que
apresentam um pleocroísmo semelhante. A presença de aegirina sinaliza a possibilidade da existência de
minerais relativamente raros na lâmina, tais como nefelina, eudialita, rinkita e muitos outros.

Aegirinas a NC: como sempre com minerais de cores Seções basais de aegirina a ND,
fortes, as cores verdes intensas da aegirina mascaram mostrando as duas direções de clivagem
as cores de interferência. Muito diagnóstica é a extinção que se cruzam a ~90º, típico dos
quase paralela dos cristais! piroxênios.

Aegirina poiquiloblástica em fonolito a ND. São


cristais esqueletais, com muitas inclusões,
mostrando o pleocroísmo típico, extinção quase Aegirina (verde-amarela) a ND. O hábito
paralela e cores de interferência fortes. prismático longo a acicular que a aegirina pode
apresentar é um hábito muito mais típico de
anfibólios do que de piroxênios.
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ALLANITA
(Ca,Mn, Ce,Y, Th, La)2(Fe,Ti, Al)3O(Si2O7)(SiO4)(OH) Sorossilicato, Grupo do Epidoto. Monoclínico
ND Cor / quando inalterada (não-metamicta), amarelo-cinza fraco a marrom-laranja,
pleocroísmo: com pleocroísmo vermelho-marrom, também com cores verdes.
Pleocroísmo moderado a forte: X = verde oliva pálido, marrom avermelhado;
Y = marrom escuro, amarelo amarronzado; Z = marrom avermelhado
escuro, marrom esverdeado. Se metamicta, pleocroísmo em marrom,
marrom-vermelho, amarelo-marrom, marrom-esverdeado ou verde. Pode
formar halos pleocróicos ao seu redor.
Relevo: alto (relevo baixo em variedades fortemente metamictas).
Clivagem: {001} boa, {100} má e {110} má. Normalmente não é visível.
Hábito: tende a ocorrer granular anédrico, similar ao epidoto. Colunar, tabular,
acicular, prismático, maciço. Pode formar halos pleocróicos ao seu redor.
Pode estar envolta em epidoto e clinozoisita.
Como contém Th e U, o cristal é destruído e absorve água, fazendo com
que o grão incha, criando fraturas radiais para dentro dos minerais
vizinhos.
NC Birrefringência e isótropo se metamicto !
cores de birrefringência de 0,018 a 0,031, resultando em cores fortes de final de
interferência: 1ª ordem, 2ª e 3ª ordens, que podem estar mascaradas pela intensa cor
própria do mineral.
Extinção: paralela nas seções longitudinais. Oblíqua com ângulo de 26 – 72º.
Normalmente as cores fortes do mineral dificultam a determinação.
Sinal de Elongação: não pode ser identificado devido à alta birrefringência.
Maclas: polissintéticas comuns segundo {100}
Zonação: quase sempre zonada; o núcleo é mais escuro que as bordas.
LC Caráter: B(+) e B(-), isótropo se metamicto! Ângulo 2V: B(-): 40 – 90º , B(+): 90-57º
Normalmente B(-), variedades são B(+).
Alteração: a vidro, devido à radiação emitida pelos seus componentes radioativos (metamictização). Pode
alterar a epidoto, formando uma textura de corona. Por intemperismo é substituída por carbonato e limonita.
Pode ser confundido com: hornblenda marrom possui clivagem boa em duas direções nas seções basais
(anfibólios), hábito diferente e ocorre em outras paragêneses.
Associações: allanita é um mineral acessório de rochas ígneas e metamórficas. Nas rochas ígneas está
presente em granitos, granodioritos, dioritos, sienitos e pegmatitos. Raramente em pegmatitos gabróicos. É
encontrada raramente em xistos, anfibolitos, escarnitos ou mármores. Também ocorre como componente
clástico de sedimentos. É radioativo, pode estar metamicto. Associa-se a fluorita, epidoto, muscovita,
titanita, turmalina e monazita.
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Allanita euédrica a ND, mostrando pleocroísmo em duas das suas cores possíveis, a 90º uma
da outra.

Allanita euédrica a Nicóis Cruzados. Allanita a Nicóis Cruzados mostrando as


fraturais radiais geradas pela expansão do
mineral durante sua metamictização..

Allanita metamicta com coroa de epidoto a ND (esquerda) e a NC (à direita). O epidoto


mostra suas fortes cores de interferência.
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ANALCIMA
A analcima forma uma série com a pollucita e outra série com a wairakita.
Tectossilicato Cúbico / pseudocúbico, pode ser tetragonal, ortorrômbico
Na2(Al2Si4O12).2H2O
(Grupo das Zeolitas) ou monoclínico, dependendo do ordenamento.
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: moderado
Clivagem: {001} má, geralmente não visível ao microscópio.
Hábito: grãos anédricos, arredondados (trapezoedros), grupos radiados.
Seções com 8 lados, não possui inclusões, muito menos inclusões
orientadas. Pode mostrar estrutura concêntrica. A analcima geralmente
ocorre como trapezoedros do Sistema Cúbico.
NC Birrefringência e quando ocorre intersticial é isótropa. Em grãos grandes, apresenta
cores de interferência: birrefringência anômala com cores de até 1ª ordem: preto a cinza
bem claro até branco. Os cristais apresentam porções com cores
distintas (preto/cinza/branco), lembra um pouco a leucita.
Extinção: isótropa ou não se aplica.
Sinal de Elongação: isótropa ou não se aplica.
Maclas: lamelares (polissintéticas) de interpenetração, mas sem as maclas
complexas generalizadas da leucita.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: isótropa, mas pode ser B(-) anômalo. Ângulo 2V: 0o a 85º
Alteração: a natrolita.
Pode ser confundido com: leucita, mas as maclas são diferentes. Chabazita mostra contornos cúbicos.
Associações: ocorre na matriz ou em vesículas de rochas ígneas de baixa sílica, intermediárias e máficas,
tipicamente basaltos e fonolitos, formada a partir de soluções hidrotermais tardias ou disseminada devido à
alteração deutérica. Ocorre também em sedimentos lacustres, por alteração de piroclásticos ou argilas, ou
como precipitado primário, autigênico, em arenitos e siltitos. Associa-se com zeolitas, prehnita, calcita,
quartzo e glauconita. Uma abordagem detalhada da ocorrência, das formas e de outros detalhes da
analcima pode ser encontrada no livro “Zeolites of the World” de Rudy Tschernich, disponível para download
na internet. Informações muito detalhadas sobre as várias maneiras de ocorrência de analcima podem ser
encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais: http://www.iza-online.org/.
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Dois cristais de analcima rodeados por calcita, à esquerda a ND e à direita a NC. Analcima é incolor e
seu relevo é semelhante àquele da calcita. A NC percebe-se as maclas irregulares, que variam de grão
em grão, e sua baixíssima birrefringência (muito escura, quase preta).

Cristal idiomórfico de analcima, hexagonal Agregado de grãos de analcima a NC. As maclas


(trapezoedro), a NC, envolto em calcita. Em irregulares dificultam o reconhecimento dos grãos
escuro, a rocha. Neste caso as maclas estão individuais.
mais simétricas. À direita, outras analcimas.

Agregado de cristais de analcima submilimétricos, originalmente atapetando a parede de uma cavidade em


rocha basáltica. À esquerda, a ND; à direita, a NC.
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ANATÁSIO
Brookita, anatásio, rutilo, akaogiita e TiO2 II são polimorfos de TiO2.
TiO2 Óxido Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: bastante colorido (amarelo, amarelo-marrom, marrom, azul escuro, verde-
pálido, preto) com pleocroísmo fraco. O pleocroísmo fica mais forte se as
cores são mais intensas. A distribuição de cores geralmente é desigual
(manchas) ou zonada. Cristais de cores profundas podem ser confundidos
com opacos em lâmina delgada!
Relevo: muito alto

Clivagem: {001} e {011} distintas.

Hábito: típicamente em bipiramides muito alongadas (pontudas). Outros hábitos


possíveis são tabular fino e prismático. Em lâmina delgada normalmente é
granular.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,073: cores fortes, intensas, de até 3ª ordem.
cores de interferência:
Extinção: tende a paralela
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: raras
Zonação: sem informações
LC Caráter: U(-), pode ser biaxial anômalo em cristais de cores Ângulo 2V: muito pequeno
profundas. Em cristais de cores intensas a obtenção da figura pode ser se biaxial anômalo.
difícil.
Alteração: pode alterar a leucoxênio.
Pode ser confundido com: zircão, rutilo e titanita são uniaxiais a biaxiais positivos.
Associações: o anatásio é um mineral acessório comum em rochas magmáticas e metamórficas,
ocorrendo também em pegmatitos. Muitas vezes é secundário, formado a partir de minerais titaníferos pré-
existentes. Pode ocorrer em fendas tectônicas a partir de minerais das rochas encaixantes como xistos e
gnaisses. Forma-se como produto de alteração de minerais titaníferos em rochas intemperizadas. Pode ser
diagenético em sedimentos. Como é um mineral bastante resistente, é encontrado em placers (depósitos
aluviais).
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ANDALUSITA
Al2SiO5 Nesossilicato (polimorfos Al2SiO5: sillimanita, cianita e andalusita) Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: Geralmente incolor. Mais raramente colorida em cores fracas, neste caso
fracamente pleocróica: X = rosa pálido em faixas ou zonas, Y,Z = incolor ou
verde pálido. Teores de Mn resultam em cores esverdeadas, teores de Fe
em cores rosadas.
Relevo: médio a alto.
Clivagem: {110} perfeita: seções longitudinais (prismáticas) apresentam uma direção
só, nas seções basais há duas clivagens quase perpendiculares entre si
(ângulo de 89º). Geralmente estas clivagens não são visíveis, apenas grãos
bem grandes permitem a visualização da clivagem.
Hábito: cristais granulares euédricos, prismas curtos de seção quadrada (muito
característica!) com extinção diagonal. Na variedade quiastolita há inclusões
de grafita pretas ao longo de duas direções perpendiculares entre si,
formando uma cruz. Também fibrosa, compacta ou maciça.
NC Birrefringência e a birrefringência é baixa, de 0,007 a 0,013, resultando em cores de 1ª
cores de interferência: ordem, cinzentas, no máximo amarelo palha de primeira ordem.
Extinção: paralela nas seções longitudinais (prismáticas), simétrica nas seções
basais (que apresentam duas direções de clivagem quando os grãos
são bem grandes).
Sinal de Elongação: SE(-) nas seções longitudinais. Diagnóstico!
Maclas: raramente apresenta macla de interpenetração em forma de cruz.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-). A variedade verde de andalusita, com Mn, denominada de Ângulo 2V: 71º - 86º
viridina, apresenta-se B(+).
Alteração: a andalusita altera-se a damourita (ver “damouritização” em “Alterações”), gerando
pseudomorfoses completas. Também altera a sericita, clorita, sillimanita e cianita.
Pode ser confundido com: sillimanita possui birrefringência bem maior e o ângulo 2V é menor e SE(+),
cianita possui extinção oblíqua. Algumas andalusitas incolores assemelham-se a ortopiroxênios, mas
ortopiroxênio possui SE(+).
Associações: a andalusita é característica de rochas de metamorfismo de contato e de rochas de
metamorfismo regional de grau baixo a médio como xistos, filitos e ardósias. É um mineral comum e bem
distribuído, associado a cordierita, estaurolita, granada, sillimanita, cianita, clorita, muscovita, biotita e
plagioclásio. Mais raramente ocorre em granitos e em veios hidrotermais de alta temperatura (pegmatitos).

Cristais de andalusita em xisto, mostrando


as típicas seções losangulares,
quadradas a retangulares, algo alteradas
a sericita. No centro dos grãos, as
inclusões pretas de grafita podem formar
uma cruz.
Esquerda: ND. Direita: NC.
14

Uma seção longitudinal e duas seções basais de andalusita, à esquerda a ND e à direita a NC.
Diagnósticas são as formas, a ausência de clivagem e as inclusões pretas de grafita no núcleo dos
cristais. Os grãos estão bastante alterados, mas a extinção paralela e o SE(-) continuam presentes.

Seção basal de andalusita a ND


e a NC mostrando alteração
parcial. Nitidamente se observa
as porções inalteradas com
relevo mais alto e a alteração
com relevo mais baixo. Nas
porções inalteradas ocorrem as
cores de interferência cinzas,
típicas da andalusita.

A andalusita pode apresentar um


hábito fibroso, como na imagem ao
lado, obtida a ND. Também pode
apresentar-se com cores rosas, que
é o caso aqui – é uma andalusita
com Fe. Se as fibras são muito finas,
é necessário identificar alguns
cristais maiores para detectar o
pleocroísmo rosa: veja as imagens
abaixo, de cristais com pleocroísmo
entre rosa e incolor.

Andalusita fibrosa a NC.


15

ANIDRITA
CaSO4 Sulfato (Anidro) Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Anidritas de cores violetas apresentam pleocroísmo: X = incolor a
amarelo muito claro ou rosa, Y = violeta claro ou rosa, Z = violeta.
Relevo: baixo.
Clivagem: {010} perfeita, {100} muito boa e {001} boa a imperfeita. O conjunto das 3
clivagens cria fragmentos cúbicos. Quando os cristais são tabulares, mas
muito finos, geralmente não se observa clivagem. Em cristais mais largos
torna-se visível a clivagem paralelamente ao alongamento. A clivagem pode
estar deformada.
Hábito: cristais tabulares, granulares anédricos a subédricos, maciça, fibrosa (radial
ou plumosa), encurvada, formas concrescionárias contorcidas. São
possíveis agregados radiais de cristais tabulares de gipso e anidrita, pois os
dois minerais geralmente ocorrem juntos.
NC Birrefringência e birrefringência alta, de 0,042 a 0,044: cores intensas, muito coloridas,
cores de interferência: até o verde de 3ª ordem.
Extinção: paralela às direções de clivagem.
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: são comuns as maclas simples ou repetidas (lamelas polissintéticas por
deformação por pressão) segundo {011}. Maclas de contato são raras.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 36 – 45º
Alteração: a gipso, por hidratação. Esta hidratação aumenta o volume em até 60% e inicia pelos planos de
clivagem.
Pode ser confundido com: gipso, mas a anidrita possui relevo maior e birrefringência alta.
Associações: A anidrita é um constituinte principal de topos de domos de sal e em rochas sedimentares
evaporíticas, fornando-se pela desidratação do gipso. Comuns são agregados de gipso e anidrita, com os
cristais aproximadamente com o mesmo hábito, mas o gipso a NC possui cor de interferência cinza e a
anidrita cores intensas. Em veios hidrotermais associa-se a zeolitas. Também pode ser encontrada em
rochas ígneas, depósitos de fumarolas e em chaminés hidrotermais de fundo oceânico, de margens
divergentes. Associa-se a halita, gipso, talco, quartzo, calcita, ilita, magnesita, celestita e enxofre nativo.

Anidrita (colorida) e gipso (cinza) a NC,


uma associação muito característica,
exibindo os cristais tabulares longos
que são um dos hábitos que a anidrita
pode apresentar.
16

Anidrita e gipso a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND, ambos são incolores, possuem relevos um
pouco distintos e podem mostrar clivagem se os cristais não forem muito finos ou pequenos. A NC, o
gipso é cinza enquanto a anidrita apresenta estas cores intensas.

Agregado radial de cristais tabulares longos Cristais de anidrita a NC mostrando suas típicas cores de
de anidrita (colorida) e gipso (cinza), a NC. interferência intensas e coloridas e maclas, que são as
Esta estrutura é denominada de “flor de bandas coloridas paralelas que podem ser vistas nos
gelo”. Em preto, buracos na lâmina delgada. cristais (lembram muito as maclas da calcita).

Cristais de anidrita a NC, mais largos e, com isso, mostrando sua clivagem, cuja qualidade
varia de perfeita a imperfeita.
17

ANORTOCLÁSIO
(K,Na)AlSi3O8 Tectossilicato, Grupo dos Feldspatos. Triclínico, pseudo-monoclínico.
ND Cor / pleocroísmo: incolor, nunca apresenta cor muito menos pleocroísmo. Pode estar turvo
(cores castanhas, amareladas, etc.) devido à alteração a argilominerais.
Relevo: muito baixo, negativo.
Clivagem: {001} perfeita e {010} boa, normalmente não são visíveis ao microscópio
devido ao baixo relevo. Também apresenta partições em 4 direções.
Hábito: normalmente forma cristais prismáticos curtos com seções de forma rômbica
(losangular). Também ocorre tabular. Tipicamente é encontrado como
fenocristal euédrico em uma matriz de grãos muito finos (textura porfirítica a
pórfira) em rochas vulcânicas.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 a 0,008: cores de cinza muito escuro a cinza
cores de interferência: claro até branco (semelhante a plagioclásios, feldspatos potássicos
(microclínio, ortoclásio, sanidina) e quartzo).
Extinção: oblíqua em 5º
Sinal de Elongação: não se aplica.
Maclas: segundo Baveno, Carlsbad e Manebach. Macla da albita (polissintética)
e maclas segundo a Lei da Periclina produzem uma macla em xadrez
em {100} (muito diagnóstica!).
Zonação: muito frequentemente zonado.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 34 – 60º
Alteração: altera a sericita e/ou caulinita, o que deixa o mineral turvo (enevoado, de cores cremes,
marrons). Em rochas de idades geológicas maiores podem ocorrer exsoluções.
Pode ser confundido com: microclínio, porque as maclas em parquê (“xadrez”) do anortoclásio são
semelhantes àquelas do microclínio, mas o microclínio é de rochas plutônicas e o anortoclásio é de rochas
vulcânicas. Leucita também apresenta maclas em um padrão semelhante, mas apresenta birrefringência
mais baixa e outros hábitos.
Associações: o anortoclásio, um mineral relativamente abundante, é um feldspato alcalino de alta
temperatura com uma composição entre sanidina (rica em K) e albita (rica em Na). É encontrado em rochas
vulcânicas ricas em Na como riolitos alcalinos, trquitos e fonolitos. Também ocorre em intrusões rasas
(hipabissais).
18

Abaixo, 3 fenocristais de anortoclásio em rocha vulcânica de matriz de granulação muito fina.


Imagens à esquerda a ND, à direita a Nicóis Cruzados. A ND, apresenta-se turvo devido a
alteração a argilominerais. A NC, apresenta as maclas típicas.
19

ANTOFILITA
(Mg,Fe)7Si8O22(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Ortorrômbica
ND Cor / normalmente incolor, mais raramente verde pálida ou amarelo pálida. Se rica em Fe,
pleocroísmo: pleocroísmo moderado em cores marrons, marrom-amareladas, marrom-
acinzentadas, azul-acinzentadas a verde e lilás.
Relevo: médio
Clivagem: perfeita segundo {210}, gerando duas clivagens nas seções basais com ângulos de
54,5º e 125,5º entre si. Nas seções prismáticas apenas uma clivagem. Outras
clivagens em {010} e {100}, ambas distintas.
Hábito: normalmente lamelar ou fibroso, asbestiforme (por isso o nome de “asbesto-cinza).
Também como agregados de cristais prismáticos sem terminações bem
desenvolvidas.
NC Birrefringência e birrefringência média, variando de 0,017 a 0,023, resultando em cores
cores de interferência: de 1ª ordem superior e de segunda ordem: laranja, vermelho intenso.
Extinção: paralela nas seções longitudinais (diagnóstica!), simétrica nas seções
basais.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: não apresenta maclas.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: B(+) ou B(-) Ângulo 2V: 57 - 80º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: actinolita e tremolita possuem extinção oblíqua.
Associações: A antofilita é encontrada apenas em rochas metamórficas de grau médio a alto, ocorrendo
em anfibolitos, antofilita-cordierita-gnaisses, metaquartzitos, formações de ferro (BIFs), granulitos, antofilita-
talco-xistos derivados de sedimentos argilosos, cornubianitos, rochas ígneas máficas a ultramáficas.
Também se forma como produto de reação retrógrada.

Antofilita a Nicóis Descruzados: cores pálidas, Antofilita a Nicóis Cruzados: cores de final de 1ª
hábito acicular, relevo médio. ordem, extinção paralela e Sinal de Elongação
positivo.
20

APATITA
(Ca5(PO4))3(F,OH,Cl) Fosfato Hexagonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Muito raramente é azul pálido ou cinza pálido. Muito raramente
apresenta pleocroísmo fraco.
Relevo: moderado.
Clivagem: {0001} má, {10-10} má. Normalmente não são visíveis em lâmina delgada.
Os prismas podem exibir fraturas espaçadas.
Hábito: euédrico, prismático longo (“bastão”) com pontas arredondadas e seções
hexagonais, agregados fibrosos, radiados. Em rochas ígneas máficas a
apatita forma prismas hexagonais curtos; em rochas ígneas félsicas forma
prismas longos e finos. Apatitas de rochas metamórficas (mármores!)
ocorrem como grãos prismáticos longos a anédricos grandes. Em rochas
plutônicas (carbonatitos!) formam grãos grandes anédricos. Se ocorrer como
inclusões em biotita e hornblenda possui halos pleocróicos escuros.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,001 a 0,007: cores de interferência de início de
cores de interferência: primeira ordem, sempre em tons de cinza, não alcança o amarelo-palha.
As seções basais hexagonais sempre estão extintas a NC (isótropas) e,
via de regra, não fornecem figuras de interferência.
Extinção: paralela nos cristais prismáticos (importante!).
Sinal de Elongação: SE(-) nos cristais prismáticos.
Maclas: raramente apresenta maclas.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: U(-), difícil de obter em seções hexagonais. Apatita de Ângulo 2V: de até 20º em
rochas carbonáticas é biaxial com ângulo 2V de até 20º . apatita de rochas carbonáticas.
Alteração: geralmente inalterada, ocorre inclusive como grãos detritais em rochas sedimentares.
Pode ser confundido com: diagnósticas são a baixa birrefringência, as seções hexagonais, o relevo médio
e o caráter uniaxial. Nefelina também é U(-), mas possui relevo mais baixo, tende a anédrica e geralmente
está alterada. Berilo e quartzo possuem relevo mais baixo. Apatita colorida pode ser confundida com
turmalina. Colofano (veja abaixo) é criptocristalino ou isótropo. Sillimanita possui hábito semelhante, mas é
biaxial e possui cores de interferência intensas. Vesuvianita possui índices de refração mais altos (relevo
mais alto).
Associações: é o fosfato mais comum, um acessório comum que ocorre em grãos muito pequenos em
quase todas as rochas magmáticas, onde é um dos primeiros minerais a cristalizar. Em rochas
metamórficas é estável em extensa faixa de pressão e temperatura. É abundante em carbonatitos,
lamprófiros e em alguns escarnitos. Em rochas sedimentares a apatita é comum como grão detrital e forma
camadas, podendo exibir formas oolíticas, esferulíticas e botrioidais. Colofano é uma forma criptocristalina a
amorfa de apatita que se originou de material esqueletal (ossos).
21

Seção longitudinal de um
prisma curto de apatita de
rocha ígnea a ND e a NC.
Tipicamente forma um bastão
de pontas arredondadas de
relevo médio e com extinção
paralela.

Seção basal hexagonal de


um prisma curto de apatita
de rocha ígnea a ND e a NC.
Às vezes a seção é menos
perfeita, mas sempre tende a
hexagonal. A NC é isótropa
(seção de isotropia =
perpendicular ao eixo óptico).

Apatita acicular (bastões finos incolores de


relevo médio) ao lado de biotita (marrom) a
Apatita acicular (bastões finos incolores de
ND. As seções basais hexagonais podem
relevo médio) como inclusão em biotita
estar ausentes ou muito mal desenvolvidas.
(marrom) a ND. Todas as apatitas possuem
um halo pleocróico (escuro) ao seu redor.

Apatita em mármore a NC: os grãos são


grandes, irregulares, às vezes prismáticos,
biaxiais com ângulo 2V expressivo. Ao seu
redor, calcita. Em carbonatitos as apatitas
podem ser muito semelhantes.
22

APOFILITA
O nome “apofilita” foi desacreditado pela IMA em 1978 e substituído pelos termos fluorapofilita
(KCa4Si8O20(F,OH).8H2O) e hidróxiapofilita (KCa4Si8O20(OH,F).8H2O). A diferenciação entre os dois
minerais é possível apenas por análise química.
KCa4Si8O20(F / OH).8H2O Filossilicato Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor.
Relevo: baixo.
Clivagem: {001} perfeita.
Hábito: cristais prismáticos formados por prisma, bipirâmide e pinacóide. Pode
formar cristais pseudocúbicos. O pinacóide pode dominar, gerando cristais
tabulares de largura variável, podem ser tabulares finos. Maciço.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,002: cores de interferência muito escuras, quase
cores de interferência: pretas. Cores de interferência anômalas muito fortes podem ocorrer,
gerando cores semelhantes às cores de interferência da titanita.
Extinção: tende a paralela à clivagem e forma (importante!).
Sinal de Elongação: SE(+) , raramente SE(-). Não é diagnóstico.
Maclas: macroscopicamente apresenta maclas múltiplas.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: U(+), pode ser biaxial anômalo. Ângulo 2V: pequeno se for biaxial anômalo.
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: zeolitas possuem relevo mais baixo e tendem a biaxiais (com exceção da
chabasita, que não apresenta clivagem). Nefelina e marialita ocorrem em outras paragêneses. Gipso pode
ser semelhante, mas tem extinção oblíqua com exceção das seções paralelas ao eixo b, quando a extinção
é paralela.
Associações: a apofilita não é um mineral formador de rocha, sendo relativamente rara. É de origem
hidrotermal e geralmente ocorre em cavidades e fraturas de rochas vulcânicas basálticas como mineral
secundário. Raramente ocorre associada a tactitos e anfibolitos como produto de alteração hidrotermal em
fraturas. Também raramente ocorre em escarnitos e em cavidades de granitos. Em rochas basálticas
associa-se a calcita e zeolitas. Em anfibolitos, tactitos e escarnitos associa-se a datolita, pectolita e prehnita.
23

Apofilita em uma vesícula de rocha basáltica (a rocha está à esquerda na imagem). A


ND (esquerda) a apofilita é incolor e de relevo baixo e, neste caso, não mostra sua
clivagem (seção paralela à clivagem {001}). A NC (direita) a apofilita mostra uma cor
de interferência anômala semelhante àquela da calcita.

Vários grãos de apofilita a ND (esquerda) e a NC (direita). Dois grãos não mostram


clivagem, mas o grão da direita mostra a clivagem perfeita, que está na diagonal. As cores
de interferência são cremes a castanhas e a extinção é paralela à clivagem.

Dois grãos grandes de apofilita em


contato a NC, exibindo cores
castanhas de interferência. O grão
da esquerda mostra sua clivagem,
enquanto o grão da direita não
mostra clivagem.
24

ARAGONITA
CaCO3 Carbonato – Grupo da Aragonita Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, não apresenta pleocroísmo.
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina
em cristais com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de
“pleocroísmo de relevo” e é típico dos carbonatos (calcita, dolomita,
aragonita, siderita, rhodocrosita e magnesita). Quando microcristalinos,
estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de relevo”.
Clivagem: {010} distinta, {110} má e {011} má. Normalmente apenas uma clivagem é
visível em lâmina delgada.
Hábito: prismas curtos ou longos, acicular, tabular, estalagtítico, colunar, agregados
radiados, crostas fibrosas de cristais aciculares finos, coralóide, reniforme,
pisolítico, globular. Maclas comuns (veja abaixo).
NC Birrefringência e birrefringência extrema de 0,156, resultando em cores fortes e coloridas
cores de interferência: de 3ª e 4ª ordem, difíceis de determinar. São cores em tons cremes.
Extinção: paralela nas seções longitudinais e simétrica nas seções basais.
Sinal de Elongação: de difícil determinação devido à birrefringência extrema.
Maclas: Maclas cíclicas em {110}, resultando nos típicos agregados pseudo-
hexagonais. Maclas polissintéticas geram lamelas ou estrias finas
paralelamente a {100}.
Zonação: sem informações.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 18 – 19º
Alteração: transforma-se em calcita, pseudomorfos são possíveis.
Pode ser confundido com: calcita possui duas clivagens que se cruzam a 120 e 60º e é U(-).
Associações: a aragonita, um dos 3 polimorfos de carbonato de cálcio (outros: calcita, vaterita), forma-se
quase sempre a baixas temperaturas e próximo à superfície. Como é metaestável, converte para calcita
com o tempo. Não existe aragonita de tempos geológicos passados. Ocorre em rochas sedimentares
relativamente recentes, em evaporitos, fontes quentes e cavernas (“flos-ferri”). Também no metamorfismo
da fácies xistos azuis (alta pressão, baixa temperatura), em amígdalas e fraturas em basaltos e andesitos e
como um componente secundário em rochas ultramáficas alteradas.

Aragonita. A ND (esquerda) é incolor, com apenas uma clivagem (na vertical) e com alguns
indícios de maclas (barras coloridas diagonais). A NC (direita) apresenta extinção paralela (as
clivagens coincidem com o fio vertical do retículo na posição de extinção), as maclas ficam mais
visíveis e é B(-).
25

ARFVEDSONITA
“Arfvedsonita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico usado para os minerais do Grupo da
Arfvedsonita. Este Grupo é composto por flúor-arfvedsonita, magnésio-arfvedsonita, magnésio-flúor-
arfvedsonita e arfvedsonita potássica. A diferenciação dos membros do Grupo ao microscópio não é
possível.
[Na] [Na2] [Fe2+4Fe3+] Si8O22(OH)2 Inossilicatos, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: azul a verde-amarronzado e cinza-azulado, possui pleocroísmo moderado a
forte em cores intensas: X = azul-verde a azul-verde profundo; Y = verde-
azulado pálido a azul-cinza; Z = verde-amarelado pálido, verde escuro,
cinza-azul esverdeado.
Relevo: alto
Clivagem: {110} perfeita: nas seções basais duas clivagens perfeitas formando um
ângulo de 124 e 56º entre si, nas seções longitudinais apenas uma
clivagem. Partição em {010}.
Hábito: cristais prismáticos espessos alongados segundo o eixo z, tabulares
segundo {010} , aciculares, granulares, também poiquilíticos (textura de
peneira = “sieve texture”)
NC Birrefringência e birrefringência de 0,010 a 0,012, cores de cinza a amarelo de até 1ª
cores de interferência: ordem superior, fortemente anômalas, frequentemente mascaradas
pelas intensas cores próprias do mineral. Com o aumento do teor em Fe
a refração aumenta e as cores de interferência decrescem.
Extinção: tende a oblíqua, de 0 a 30º
Sinal de Elongação: SE(-). As cores fortes da arfvedsonita dificultam sobremaneira a
determinação do Sinal de Elongação.
Maclas: simples em (100) e lamelares.
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: B(+) e B(-) Ângulo 2V: normalmente 70-80º (pode variar de 0 a 100º dependendo
da composição química).
Alteração: não.
Pode ser confundido com: glaucofano ocorre em paragêneses diferentes e possui cores diferentes.
Turmalina pode ser similar, mas é U(-) e apresenta cores em manchas e zonas. Aegirina também apresenta
cores fortes e pleocroísmo intenso, mas é um piroxênio e apresenta seções basais com duas clivagens se
cruzando em ângulos de quase 90º.
Associações: a arfvedsonita forma uma solução sólida com eckermannita e ocorre em rochas ígneas
alcalinas raras como granitos alcalinos, sienitos, nefelina-sienitos, sienitos sódicos e pegmatitos associados,
traquitos e fonolitos. Em vulcânicas como panteleritas e comendaditas. Associa-se a riebeckita, aegirina,
aegirina-augita, hastingsita, kataphorita, feldspato alcalino (e anortoclásio em rochas vulcânicas) e nefelina.
26

Arfvedsonita euédrica. À esquerda, a ND, observa-se as cores fortes e pleocroísmo forte em cores
verdes e azuis (!). O relevo é alto e a clivagem um pouco difícil de se ver. Ao seu redor, feldspatos
alterados a argilominerais (cinzentos) e quartzo (incolor). À direita, arfvedsonita euédrica a NC: as cores
originais fortes mascaram as cores de interferências de 1ª ordem.

Seção longitudinal de arfvedsonita, à esquerda e no centro a ND mostrando seu pleocroísmo desde verde
quase preto até verde amarelado. À direita, a NC, as cores fortes mascaram sua cor de interferência. A
extinção é praticamente paralela e o Sinal de Elongação, devido às cores fortes, é de difícil determinação.

Vários cristais de arfvedsonita a ND (à esquerda) e a NC


(acima). A ND, nos cristais bem escuros (quase pretos),
sempre há uma nítida cor azul associada. A NC se torna
evidente a ausência de cores de interferência superiores à 1ª
ordem, sempre considerando as cores intensas da
arfvedsonita, que mascaram as cores de interferência.
27
ARGILOMINERAIS

Argilominerais são filossilicatos que ocorrem em tamanhos muito pequenos (“tamanho argila”,
correspondendo a tamanhos inferiores a 2 micra) e, por isso, não podem ser identificados ao microscópio
petrográfico. A técnica analítica mais usual para sua identificação é a Difratometria de Raios X, que
submete as amostras a 3 análises (natural, glicolada e calcinada) que, em conjunto, permitem identificar
o(s) argilomineral(is) presente(s).

Um argilomineral muito comum em lâminas delgadas é a caulinita, que se forma por alteração de
feldspatos (tanto feldspatos potássicos como feldspatos calco-sódicos). O processo é denominado de
“caulinitização” ou “argilização”. Forma-se não apenas caulinita, mas também argilominerais do Grupo da
Montmorilonita, geralmente por processos intempéricos.

Estes argilominerais são visíveis como uma turvação nos feldspatos anteriormente límpidos. São
cores cremes, rosadas a castanhas, cores que podem ser vistas inclusive observando a lâmina delgada a
olho nu. O grau de turvação varia desde muito baixo (o feldspato está quase inalterado) até muito forte.
Feldspatos muito alterados não mostram mais as cores de interferência cinzentas que lhes são
características, pois os argilominerais turvam completamente todo o cristal. A alteração a argilominerais (e
outros produtos de alteração como sericita) é um aspecto diagnóstico para feldspatos em geral em relação
a quartzo.

Três cristais de ortoclásio, aproximadamente retangulares, com outros grãos menores de ortoclásio, com
alteração a argilominerais (caulinita e outros). A ND (à esquerda) apresentam cores castanhas e a NC (à
direita) as cores de interferência cinzentas dos feldspatos mostram-se manchadas, “sujas”, devido à
presença das argilas. Os grãos de quartzo ao redor mostram-se límpidos, já que quartzo nunca altera.

Argilominerais são filosilicatos e, como tal, desenvolvem cristais em formato de folhas ou placas,
que se agregam em pilhas (“livros” = “booklets”), em forma de leque, formar agregados esféricos, fibras,
pontes e outras morfologias. Diversos argilominerais desenvolvem-se nas rochas, como esmectitas,
caulinita, dickita, ilita e outros.

Temos que ter bem presente, portanto, que nas lâminas delgadas que estamos analisando há,
quase sempre, grande quantidade de argilominerais, de uma ou mais espécies. Sua identificação óptica não
é possível, mas sua presença pode indicar que o mineral altera facilmente, o que pode ser diagnóstico. A
menção aos argilominerais, referindo-se ao seu aspecto (cores) e ao sítio onde se desenvolvem (centro ou
borda do cristal, ao longo das fraturas ou clivagens, etc.) é um aspecto importante da descrição dos
minerais presentes na lâmina delgada. A seguir seguem algumas imagens de Microscópio Eletrônico de
Varredura (MEV) de algumas espécies de argilominerais.
28

Esmectitas-Fe revestindo parede de vesícula Esmectita em cutícula e como franja em favo


em rocha basáltica. Macroscopicamente são
pretas, lembrando biotita.

Dickita substituindo caulinita vermicular e Franjas de clorita e quartzo prismático


em booklets

Esmectita como favos e pontes.

Ilita fibrosa
29

AUGITA
A augita é um clinopiroxênio e integra a série de solução sólida diopsídio – augita – hedenbergita.
(Ca,Mg,Fe,Al,Ti)2(Si,Al)O3 Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínica
ND Cor / Normalmente verde muito pálido, pode ser incolor, cinza, marrom pálido ou verde
pleocroísmo: amarronzado. Pleocroísmo normalmente inexistente ou fraco. Cores mais fortes
podem mascarar o pleocroísmo (x = verde fraco ou verde azulado; y = verde pálido,
marrom, verde ou verde azulado; z = verde amarronzado pálido, verde ou amarelo-
verde). Se com Ti (>3% TiO2 = titanoaugita) tem pleocroísmo distinto a forte de
marrom pálido, violeta amarronzado ou violeta. Se com Fe, é mais escura, com
pleocroísmo fraco.
Relevo: médio a alto
Clivagem: {110} boa a distinta, exibindo nas seções basais duas clivagens que formam
ângulos de 87º e 93º entre si. Nas seções prismáticas apenas uma clivagem.
Hábito: formas prismáticas, equidimensionais, colunares. Cristais anédricos e massas são
comuns. Seções basais perfeitas possuem 4 ou 8 lados. Titanoaugita pode mostrar
textura em ampulheta (“hourglass”).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,018 – 0,034: cores de 1ª ordem superior a 2ª ordem
cores de interferência: superior: cores intensas, amarelo, vermelho, etc., cinza apenas nas
seções perpendiculares a um dos eixos óticos (seções de isotropia).
Extinção: oblíqua, com ângulo entre 35 e 48º. Paralela nas seções (010); pode
apresentar extinção em ampulheta.
Sinal de Elongação: não pode ser determinado.
Maclas: frequentes, simples a lamelares segundo {100} e {001}. Podem se
combinar para um padrão espinha-de-peixe. Lamelas de exsolução de
ortopiroxênios podem estar presentes.
Zonação: frequentemente zonada.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 25º a 61º
Alteração: pode alterar para anfibólios verdes (hornblenda, actinolita), às vezes marrons (uralitização). Em
rochas magmáticas pode alterar a clorita e, em alguns casos, para celadonita, formando pseudomorfoses.
Sob metamorfismo de baixo grau, altera a clorita, epidoto e talco. Intemperismo forma carbonato (calcita),
hematita e quartzo.
Pode ser confundido com: A distinção entre os vários clinopiroxênios (augita, diopsídio e pigeonita) pode
ser muito difícil a impossível. O que facilita a identificação é o conhecimento da paragênese (tipo de rocha,
minerais associados). Alguns autores informam que a distinção entre os clinopiroxênios só pode ser
realizada com o auxílio de uma platina universal. Pigeonita possui um ângulo 2V < 30º. Hedenbergita possui
relevo um pouco mais alto. Titanoaugita apresenta pleocroísmo forte. Ortopiroxênios (enstatita, etc.)
possuem extinção paralela e birrefringência menor. Omfacita e jadeita ocorrem em outras paragêneses.
Olivina não mostra clivagem, apresenta birrefringência mais alta e extinção paralela.
Associações: ocorre em rochas ígneas máficas a intermediárias (gabros, basaltos, olivina-gabros,
lamburgitos e peridotitos) e em seus equivalentes metamórficos. Às vezes em gnaisses e granulitos.
Titanoaugita está restrita a rochas ígneas básicas a intermediárias.
30

Cristais de augita em uma rocha basáltica, com opacos (pretos) e plagioclásios (cinza-branco a NC,
maclas polissintéticas). A ND (esquerda) são diagnósticos o relevo médio-alto e a clivagem de piroxênio.
A NC (direita) são diagnósticas as cores fortes e a extinção oblíqua.

Fenocristais de augita a NC com maclas simples; as duas da direita também com zonação.

Fenocristal de augita a NC Maclas cíclicas em augita, formadas por vários cristais individuais
com zonação em ampulheta. que se interpenetram. A macla, em seção, toma a forma de uma
roda ou estrela. NC.
31
AZURITA – Cu3(CO3)2(OH)2

A azurita é um carbonato secundário de cobre e, como o próprio nome indica, possui uma cor azul
profunda inconfundível, extremamente característica. Forma cristais prismáticos que são translúcidos nas
arestas agudas. Os cristais atingem até 30 cm de comprimento e mais de 100 formas combinadas foram
registradas. A azurita pode formar agregados bandados, com camadas alternadas com malaquita (verde) ou
cuprita (vermelha). Forma-se na zona de oxidação da porção superior de minérios sulfetados de cobre,
associados a rochas carbonáticas, quase sempre a partir de enargita, famatinita ou tennantita-tetraedrita. É
um minério muito secundário de cobre. Associa-se a malaquita, crisocola, calcocita, calcopirita, cobre nativo,
limonita, brochantita, antlerita, tenorita, atacamita, cuprita, cerussita, shattuckita, lirconita, connelita,
smithsonita, wad, calcita e dolomita, formando um conjunto de minerais muito coloridos.
A azurita, uma vez exposta à atmosfera, é instável e frequentemente é substituída
pseudomorficamente pela malaquita, por isso a azurita é bem mais rara que a malaquita.

Ao microscópio, a azurita é transparente e continua apresentando a sua cor azul profunda muito
característica, mesmo na espessura de 30 micra. Observando a lâmina delgada a olho nu, este azul já é
muito evidente. Em função desta cor forte, a aparência da azurita praticamente não muda entre ND e NC.
A ND, apresenta relevo alto e intenso pleocroísmo em azul. Há uma clivagem perfeita em {011},
uma clivagem boa em {100} e uma clivagem em traços em {110}. O hábito tende a prismático e tabular.
A NC, possui extinção oblíqua porque é monoclínica. A birrefringência máxima é 0,108, mas as
cores de interferência são mascaradas pela sua cor azul intensa. O Sinal de Elongação é de difícil
determinação em função do azul intenso.
A LC é B(+) com um ângulo 2V de 68º. Novamente a cor azul intensa dificulta ou impossibilita a
obtenção da figura.

Azurita a ND (esquerda) e a NC (direita), associada a outro mineral secundário de cobre, de cor verde.
Percebe-se que a cor da azurita não muda muito de ND a NC, mas a NC alguns cristais estão em
posição de extinção (pretos), o que não ocorre a ND, quando há apenas pleocroísmo. A clivagem é
difícil de ver e outras propriedades também não são fáceis de determinar.
32

BARITA
BaSO4 Sulfato Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: geralmente incolor. Pode ser pleocróica em tons suaves nas seguintes cores
(X,Y,Z): marrom: amarelo-palha, amarelo-vinho, violeta; amarelo: amarelo
pálido marrom, amarelo marrom, marrom; verde: quase incolor, verde
pálido, ametista; azul-verde: azul-violeta, verde azulado, violeta.
Relevo: moderado
Clivagem: {001} perfeita, {210} menos perfeita, {010} imperfeita. A clivagem é visível
apenas nos cristais maiores. Quando visível, pode apresentar-se pseudo-
cúbica.
Hábito: geralmente cristais tabulares, finos a espessos, que podem formar
agregados em roseta (radiais). Barita pode apresentar muitos hábitos
diferentes: elongada, prismática, equidimensional, concrescionária, fibrosa,
nodular, estalagtítica, bandada, terrosa ou maciça. Baritas granulares são
comuns.
NC Birrefringência e birrefringência baixa, de 0,011 a 0,012: cores cinzentas até amarelo-
cores de interferência: laranja de 1ª ordem.
Extinção: paralela na direção da clivagem (001), simétrica em {001} (seções
basais), oblíqua em seções com outra orientação.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: raras, lamelares, polissintéticas por {110}.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 36 - 40º
Alteração: pode ser substituída por SiO2 e carbonatos. Calcedônia forma pseudomorfoses sobre barita.
Pode ser confundido com: a barita é um mineral mais raro que facilmente passa despercebida devido à
sua infinidade de hábitos diferentes. Celestita (SrSO4) forma uma série com barita e é muito semelhante,
mas possui índices de refração menores. Gipso é muito semelhante, mas possui relevo baixo.
Associações: a barita ocorre em depósitos hidrotermais como mineral de formação tardia, associada a
quartzo e calcita, com ou sem sulfetos associados. Ocorre como mineral acessório em rochas ígneas. Em
carbonatitos e em rochas calcárias, arenitos e algumas concreções. Pode formar concresções em arenitos
(“rosas do deserto”). Como componente primário de depósitos de sulfetos maciços vulcanogênicos
submarinos e “black smokers”. Associa-se a fluorita, calcita, dolomita, rodocrosita, gipso, esfalerita, galena,
estibnita e outros sulfetos.
33

Cristais tabulares de barita a ND (acima)


e a NC (à direita). A forma é muito típica
e as cores de interferência normalmente
não alcançam o amarelo de 1ª ordem.

Cristais maiores podem exibir a clivagem Baritas grandes a NC, com o cristal do centro
pseudo-cúbica característica. Imagem obtida a mostrando extinção paralela à forma e à melhor
ND com o diafragma fechado em mais de 60%. clivagem.

Barita como preenchimento de poros em


um arenito com grãos de quartzo. Imagem a
NC.
Cristais idiomórficos de barita, tipicamente terminando em um
ângulo agudo, semelhante a um formão. Desta forma característica
provém um dos nomes em alemão para a barita: “Meisselspat”
(“Meissel” = formão, “Spat” = cristal com clivagem). Imagem a NC.
34

BERILO
Variedades do berilo: esmeralda (verde), água-marinha (azul-celeste), heliodoro (verde-amarelado),
morganita (rosa), goshenita (incolor), berilo-vermelho e berilo-dourado.
Be3Al2(Si6O18) Ciclossilicato Hexagonal

ND Cor / pleocroísmo: incolor. Raramente apresenta pleocroismo entre azul pálido a verde pálido.
Relevo: moderado.
Clivagem: (0001) má. Não é visível ao microscópio.
Hábito: prismático curto a longo, tabular, frequentemente anédrico a euédrico,
granular. Pode conter grande quantidade de inclusões ou se apresenta
cataclástico (quebrado em vários fragmentos angulares).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,004 a 0,007, resultando em cores de primeira
cores de interferência: ordem: cinza escuro a claro até branco. Devido à alta dureza do berilo
(Mohs: 7,5 – 8), é possível que os grãos estejam fora da espessura
padrão da lâmina de 30 micra e com cores laranjas a vermelhas.
Extinção: paralela.
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: raras
Zonação: não
LC Caráter: U(-). Pode ser B(-) anômalo. Ângulo 2V: pode mostrar um ângulo 2V anômalo de 0-6º.
Alteração: raramente altera a partir de fraturas e margens. Por alteração hidrotermal passa a muscovita.
Pode ser confundido com: O berilo é muito semelhante a vários minerais comuns e facilmente passa
despercebido. Quartzo possui relevo mais baixo e é U(+). Apatita possui relevo mais alto. Nefelina possui
paragênese diferente. Topázio é B(+) e possui relevo mais alto. Coríndon possui relevo bem mais alto.
Associações: berilo é típico de pegmatitos graníticos. É raro em sienitos nefelínicos e em rochas
metamórficas como mica-xistos e mármores. Pode ocorrer em veios hidrotermais, tanto de temperaturas
baixas como de temperaturas altas. Berilo vermelho ocorre em cavidades em riolitos, com topázio. Associa-
se a muscovita, lepidolita, quartzo, feldspato, espodumênio, ambligonita, cassiterita, turmalina, topázio e
columbita-tantalita.

Duas seções hexagonais de berilo com muscovita associada. À esquerda, a ND: incolor, relevo médio (algo
mais baixo que o relevo da muscovita), sem clivagem. À direita, a NC: cores de interferência cinzas (a seção
basal está isótropa = seção de isotropia da indicatriz óptica). As muscovitas apresentam cores intensas. A LC
apresenta uma figura uniaxial negativa bem definida.
35

BIOTITA
“Biotita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico que se aplica aos membros meroxeno,
lepidomelano e siderophyllita da Série da Biotita, composta por flogopita (Fe 0-20%, Mg 100-80%),
meroxeno (Fe 20–50%, Mg 80-50%), lepidomelano (Fe 50-80%, Mg 50-20%) e siderophyllita (Fe 80-
100%, Mg 20-0%). Vermiculita é um produto de alteração de biotita e flogopita (ver ficha).
K(Mg,Fe)3AlSi3O10(OH,O,F)2 Filossilicato (Grupo das Micas: 47 membros) Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: fortemente pleocróica de claro (X) para escuro (Y,Z) em cores marrons,
verde-marrons ou vermelho-marrons. Raramente em cores amarelas ou
vermelhas. Cores ficam mais intensas com teores mais elevados de Fe. Em
grãos alterados o plecoroísmo fica mais fraco ou está ausente.
Relevo: médio a alto.
Clivagem: {001} perfeita se o grão não está alterado. A clivagem se dispõe
paralelamente ao alongamento do grão. Grãos alterados mostram pouca ou
nenhuma clivagem.
Hábito: tabular, geralmente lamelar segundo o eixo z, formando grãos retangulares.
É subédrica a euédrica, pode formar prismas pseudo-hexagonais, raramente
visíveis na lâmina. Se a biotita contém inclusões de minerais radioativos
como zircão ou allanita, ocorrem halos pretos ao redor destas inclusões.
NC Birrefringência e birrefringência alta, de 0,03 a 0,08: cores fortes, de 3ª ordem superior a
cores de interferência: 4ª ordem. As fortes cores da biotita normalmente mascaram suas cores
de interferência.
Extinção: normalmente paralela e mosqueada, pode ser levemente oblíqua até 9º.
Pode ser ondulante em grãos dobrados. Em grãos alterados não é mais
mosqueada.
Sinal de Elongação: SE(+) em relação à clivagem, como todas as micas.
Maclas: Maclas simples pelos planos (001) são possíveis, mas normalmente não
são observáveis.
Zonação: às vezes zonada.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 0 - 25º
Alteração: em rochas vulcânicas a biotita pode sofrer oxidação (oxibiotita) e perda de água, conduzindo à
opacitização, que é a substituição da biotita (e da hornblenda singenética) por um agregado de grão fino de
magnetita, hematita, espinélio e piroxênio. A opacitização inicia pelas bordas da biotita (formando crostas
pretas, opacas). A exsolução de Ti na biotita forma inclusões de finas agulhas de rutilo (sagenita). Durante
metamorfismo regressivo (“diaphthoritic alteration”) a biotita altera para clorita, epidoto, carbonato, quartzo e
outros. Durante o intemperismo a biotita perde a cor (hidrobiotita ou vermiculita) e altera para um agregado
de carbonato, limonita e quartzo. Consultar ficha de vermiculita!
Pode ser confundido com: flogopita é da série, é semelhante, mas tem pleocroísmo mais fraco.
Hornblenda marrom tem extinção oblíqua e clivagem diferente. Turmalina é U(-) e não tem clivagem,
apenas fraturas perpendiculares ao alongamento. Stilpnomelano é muito semelhante, mas não tem extinção
mosqueada (importante!), seu pleocroísmo é mais colorido e possui duas clivagens (uma má).
Associações: biotita é muito comum. Ocorre em muitas rochas ígneas (rochas silícicas e alcalinas como
granitos, dioritos, gabros e peridotitos) e metamórficas (como xistos, filitos, cornubianitos e gnaisses).
Também é encontrada em rochas sedimentares imaturas, mas altera para argilominerais.
36

Abaixo, uma sequência de três biotitas de pleocroísmos e cores de interferência diferentes. As imagens
da esquerda e do centro são a ND (rotacionadas em 90º); a imagem da direita é a NC. Como era de se
esperar em um grupo de minerais biaxiais com composições químicas bem variadas, as cores mudam
bastante. Outras cores e tonalidades, tanto a ND como a NC, são possíveis (e.g., vermelhas).

Porfiroblasto de biotita em rocha metamórfica (xisto). Observa-se o alinhamento dos cristais de biotita,
bem como das muscovitas e dos quartzos na matriz. À esquerda, a ND. À direita, a NC.
37

Biotita alterada, o que é muito comum. Da esquerda para a direita, as primeiras duas imagens mostram a
biotita alterada a ND, rotacionada. Percebe-se que não há mais pleocroísmo, ou então o pleocroísmo
ficou muito mais fraco. Também não é mais possível observar clivagem. A terceira imagem é a NC,
mostrando que as típicas cores intensas da biotita também não ocorrem mais. A imagem da direita mostra
que, a NC na posição de extinção, não há mais extinção mosqueada, que é diagnóstica para micas sem
alteração.

Biotita em rocha vulcânica. Estas biotitas em rochas vulcânicas frequentemente são euédricas
(idiomórficas), mas alteram com facilidade, desenvolvendo uma borda preta de opacas (óxidos de Fe). À
esquerda e no centro, biotita já alterada a ND, à direita, biotita a NC. É necessário cuidado porque
hornblenda marrom também ocorre nestas rochas e sua alteração pode ser similar.

Biotita euédrica em rocha vulcânica a NC. A Bandas paralelas de pequenos cristais de biotita
biotita está completamente alterada para em rocha metamórfica, uma situação muito
clorita, que mostra uma de suas cores de comum. Frequentemente estas biotitas ocorrem
interferência anômalas, o chamado “Azul de misturadas com muscovitas. Imagem a ND.
Berlim”, que lembra o azul da calça jeans.
38

BROOKITA
Brookita, anatásio, rutilo, akaogiita e TiO2 II são polimorfos de TiO2
TiO2 Óxido Ortorrômbica
ND Cor / pleocroísmo: marrom amarelado a marrom escuro com pleocroísmo muito fraco entre
amarelado, avermelhado, laranja a marrom. Cristais de cores profundas
podem ser confundidos com opacos em lâmina delgada!
Relevo: muito alto
Clivagem: {120} indistinta e {001} em traços, não visíveis ao microscópio.
Hábito: tabulares segundo {010} ou elongados, também piramidais e
pseudohexagonais.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,117: cores fortes de até 3ª ordem.
cores de interferência:
Extinção: paralela
Sinal de Elongação: sem informações
Maclas: não apresenta
Zonação: sem informações
LC Caráter: B(+). Pode simular ser uniaxial! Ângulo 2V: 0 – 28º
Alteração: não altera
Pode ser confundido com: anatásio é muito parecido.
Associações: ocorre como mineral acessório em fendas tectônicas em xistos e gnaisses. Forma-se em
zonas de metamorfismo de contato e veios hidrotermais de pequena espessura. É um mineral detrital
comum.

Agregados de pequenos cristais de brookita, provavelmente. Os agregados são bem pequenos – as imagens
foram obtidas com a objetiva de médio aumento (10x) e usando zoom.
A ND (à esquerda) parecem opacos. Ao seu redor há clorita. Observando os agregados com muito
cuidado com a objetiva de maior aumento e inserindo o condensador para aumentar a luminosidade, percebe-
se que são transparentes de relevo alto, cores fortes (marrom) e margens escuras, o que faz com que
pareçam opacos. Pleocroísmo não foi observado devido ao tamanho diminuto dos grãos.
A NC (direita) se percebe as intensas cores de interferência (pontinhos luminosos coloridos) e o
conjunto, como um todo, possui extinção paralela. Devido ao minúsculo tamanho de grão não é possível obter
figuras de interferência. Se não for brookita, é anatásio.
39

BRUCITA
Integra o Grupo da Brucita, formado por Brucita, Portlandita (Ca(OH) 2) e Pyrochroita (Mn(OH)2)
Mg(OH)2 Hidróxido Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Nunca apresenta pleocroísmo.
Relevo: moderado
Clivagem: perfeita em {0001}
Hábito: tabular, micáceo, maciço. Também em agregados fibrosos. Em mármores,
forma pseudomorfoses (cúbicas, ocatédricas) sobre peroclásio.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,020: cores de até final da 1ª ordem: cinza,
cores de interferência: amarelo, laranja, vermelho, roxo e azul profundo. Pode apresentar cores
anômalas de até 2ª ordem. Quando em fibras, apresenta cores cinzas
como a serpentina.
Extinção: paralela e mosqueada.
Sinal de Elongação: SE(-) importante!
Maclas: não apresenta
Zonação: sem informações
LC Caráter: U(+), pode se apresentar biaxial Ângulo 2V:
Alteração: é produto de alteração.
Pode ser confundido com: talco e muscovita são muito parecidos, mas suas cores de interferência são
mais intensas, são biaxiais e possuem SE(+). Gipso possui cores de interferência mais baixas. é biaxial e
possui relevo baixo. Quando em agregados fibrosos e com cores de interferências baixas (cinza), é muito
semelhante à serpentina, quase indistinguível. Conhecer a paragênese é importante para o reconhecimento
da brucita.
Associações: brucita ocorre frequentemente em mármores, onde se forma por alteração de periclásio.
Pode ocorrer em rochas de metamorfismo de contato (escarnitos). Também em clorita-xistos e
serpentinitos, em veios associado a magnesita e talco. Associa-se a calcita, magnesita e talco.

Brucita em mármore a ND (esquerda) e a NC (direita). Lembra muito uma mica, mas


possui SE(-). Neste caso é tabular. Quando fibrosa é muito parecida à serpentina. Ao seu
redor, cristais de calcita.
40

CALCEDÔNIA
Calcedônia é uma das variedades de quartzo. É um termo genérico para variedades de quartzo como
ágata, jaspe, chert, crisoprásio, ônix, pietersita e outros.
SiO2 Tectossilicato Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor, às vezes marrom pálido.
Relevo: baixo positivo ou baixo negativo
Clivagem: não possui
Hábito: São agregados de cristais paralelos de quartzo de tamanhos
submicroscópicos, originando uma estrutura fibrosa: fibras alongadas,
paralelas, formando bandas ou agregados arredondados a esféricos.
NC Birrefringência e birrefringência baixa, entre 0,005 a 0,009, com cores de interferência em
cores de interferência: tons de cinza a branco.
Extinção: paralela, agregados de fibras de calcedônia dispostas em esfera
mostram extinção similar a uma cruz uniaxial a Luz Convergente.
Sinal de Elongação: de difícil determinação, pode ser SE(+) ou SE(-)
Maclas: não
Zonação: não
LC Caráter: U(+), difícil de verificar. Ângulo 2V: não
Alteração: não altera
Pode ser confundido com: seu hábito é muito característico. A crocidolita, a forma fibrosa (asbesto) da
riebeckita (anfibólio sódico), é pleocróica em tons azuis, verdes e amarelos.
Associações: calcedônia é muito comum. Tipicamente é um mineral secundário que ocorre em fraturas e
cavidades de rochas ígneas, associado a quartzo, opala e zeolitas. Pode formar crostas em veios
hidrotermais de baixa e média temperatura. É um constituinte principal em rochas marinhas ricas em sílica.
Forma nódulos e níveis em rochas calcárias. Também como cimento de rochas sedimentares detríticas
como arenitos. Substitui integralmente outros minerais, formando pseudomorfoses. Pode preencher fraturas
em muitos materiais geológicos diferentes. Constituinte principal de madeiras fósseis.

Calcedônia a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND é incolor e de relevo baixo. A NC mostra


tipicamente esta estrutura fibrosa, em agregados que tendem a formar esferas.
41

Vários núcleos de crescimento de calcedônia lado


Quando os núcleos de crescimento de calcedônia a lado, barrando o crescimento uns dos outros e
não sofrem interferências, desenvolvem formas criando as superfícies de interferência (contatos
esféricas perfeitas. NC. retas). NC.

Fratura em rocha calcária preenchida por


Quando o crescimento da calcedônia é muito
calcedônia e quartzo. A calcedônia inicia crescendo
uniforme, produz uma camada com as “fibras”
nos dois lados da fratura. Por vezes as duas frentes
dispostas paralelamente. NC
de crescimento se encontram (lado direito da
imagem) e às vezes sobre um espaço entre as
frentes, neste caso preenchido por grãos de
quartzo (lado esquerdo da imagem). NC.

Vesícula (bolha de gás) em rocha basáltica (em preto


Cristal de quartzo em vesícula de rocha
na base da imagem) preenchida com cristais de
basáltica com esferulitos de calcedônia
quartzo (cinza/brancos) e calcedônia – tanto entre os
crescendo sobre suas faces. NC.
quartzos como no centro da vesícula. NC.
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CALCITA
CaCO3 Carbonato Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor, não possui cor nem pleocroísmo.
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina
em cristais com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de
“pleocroísmo de relevo” e é típico dos carbonatos (calcita, dolomita,
aragonita, siderita, rhodocrosita e magnesita). Quando microscristalinos,
estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de relevo”.
Clivagem: romboédrica {10-11} perfeita em 3 direções. Nos cristais observam-se duas
clivagens que se interceptam em ângulos de 60º e 120º. Quando a calcita é
microcristalina (“micrita”) não se observa clivagem nenhuma.
Hábito: normalmente anédrica em lâmina delgada. Macroscopicamente pode
apresentar uma infinidade de hábitos e formas.
NC Birrefringência e birrefringência extrema, de 0,172: cores muito elevadas, de 4ª ordem.
cores de interferência: São cores cremes, castanhas, com pontos e bandas coloridas.
Extinção: simétrica em relação às duas clivagens (o fio vertical do retículo forma a
bissetriz do ângulo entre as duas clivagens na posição de extinção). Na
posição de extinção observa-se poeira birrefringente de calcita gerada
pelo polimento.
Sinal de Elongação: não pode ser determinado.
Maclas: Segundo {01-12}. São muito comuns em cristais grandes e apresentam-
se como bandas retas coloridas e paralelas. Estas maclas
frequentemente podem ser vistas a ND. A abundância de maclas
caracteriza a calcita; dolomita praticamente não apresenta maclas.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: U(-), mas pode ser biaxial anômalo. Ângulo 2V: não, pode ser anômalo de 0 – 15º.
Alteração: é muito resistente, mas pode ser dissolvido com facilidade, possibilitando substituições por
outros minerais nos espaços anteriormente ocupados pelos cristais de calcita.
Pode ser confundido com: dolomita, siderita, magnesita, rhodocrosita e aragonita. Dos outros carbonatos
a calcita pode ser distinguida pela sua facilidade em apresentar maclas, por ser incolor e por não conter
abundantes inclusões. Mas outras técnicas analíticas são necessárias para confirmar os carbonatos
trigonais. Ao microscópio somente é possível identificar estes carbonatos com o uso de uma platina
universal, uma técnica que exige experiência.
Associações: calcita é o carbonato mais comum, pode ocorrer em praticamente todos os tipos de rochas
como mineral primário ou secundário. Em calcários, mármores e carbonatitos é o constituinte principal. É
muito comum como acessório e pode preencher veios que atravessam as rochas. A lista de possibilidades é
muito grande; calcita sempre pode estar presente pela sua facilidade em dissolver e reprecipitar. Calcita
espática apresenta clivagem e maclas, calcita microcristalina (micrita) não apresenta clivagem e maclas.
43

Grandes cristais de calcita exibindo a clivagem romboédrica típica dos carbonatos. À esquerda, a ND. À
direita, a NC. Este tipo de calcita é denominada de “espática” (do alemão “Spat” = mineral que possui
clivagem). Cristais com um desenvolvimento destes são típicos de mármores de grão grosseiro,
carbonatitos e veios hidrotermais, mas podem ocorrer em praticamente qualquer ambiente geológico.

Calcita microcristalina, denominada de “micrita”, Calcitas euédricas (escalenoedros) junto com


cimentando grãos de quartzo (em cinza na argilominerais (verdes) em vesícula (bolha de
imagem) em um arenito. Imagem a NC. gás) de rocha vulcânica. Imagem a NC.

Calcita a NC, na posição de extinção, mostrando Calcita em rocha sedimentar (calcário) a NC, tanto
maclas, que são estas bandas retilíneas paralelas como constituinte dos oólitos (formas
e coloridas. Pode haver 2 conjuntos de maclas em esféricas/elipsoidais) como também na matriz.
um cristal.
44
CALCOPIRITA - CuFeS2

A calcopirita, o mais comum e abundante minério de cobre (25% em peso de cobre), é um sulfeto
muito comum, primário, típico de depósitos de origem hidrotermal como depósitos de sulfetos maciços
vulcanogênicos e depósitos sedimentares exhalativos (SEDEX). Também é importante em depósitos de
metamorfismo de contato, depósitos de cobre pórfiro, pegmatitos, veios hidrotermais de estanho, veios
hidrotermais de alta temperatura de ouro e em depósitos de minério de níquel komatiiticos do tipo
Kambalda. Secundariamente, forma-se em camadas de carvão associada a nódulos de pirita devido a
condições redox específicas, como disseminação em rochas sedimentares carbonáticos e outros. Com sua
típica cor dourada profunda com um leve tom de verde, é confundida com ouro pelos leigos. Tratada com
ácidos adquire um embaçamento iridescente e é vendida no mercado de minerais de coleção como bornita.
Forma uma série com a eskebornita (CuFeSe2). Quanto a variedades: calcopiritas botrioidais são
conhecidas como “blister copper” e calcopiritas embaçadas (assim como bornitas embaçadas) como
“peacock ore” (= minério pavão). Calcopirita pode ser polida e facetada para peças de adorno baratas.
Sua composição química normalmente é estequiométrica se formada a temperaturas inferiores a
aproximadamente 250ºC. A temperaturas mais elevadas inclui várias outras substâncias, como FeS, que é
desmisturado com o abaixamento da temperatura na forma de cubanita (CuFe 2S3), mais raramente como
valleriita ((Fe,Cu)4(Mg,Al)3S4(OH,O)6). Pode haver algum ZnS, desmisturado na forma de esfalerita (ZnS) e
algum Cu2FeSnS4, desmisturado na forma de estannita (Cu 2FeSnS4). As desmisturas são extremamente
complexas. A calcopirita pode conter impurezas como Co, Ni, Mn, Zn e Sn substituindo o Cu e o Fe. Além
disso, Se, Fe e As substituem o S, e foram registrados calcopiritas com traços de Ag, Au, Pt, Te, Pd, Pb, V,
Cr, In e Sb. E possível que muitos destes elementos se referem na realidade a pequeníssimas inclusões.
Associa-se a bornita, calcocita, digenita, millerita, pentlandita, pirrotita, tetraedrita, esfalerita, linneita,
covellita, malaquita, azurita, mais raramente cuprita e cobre nativo.
Ao microscópio, a calcopirita é opaca. Não apresenta reflexões internas de cores características.
Observando a lâmina delgada a olha nu ou com uma lupa de mão já é possível ver a cor amarela da
calcopirita e, com isso, reconhecer que não é um opaco de cores cinzas (magnetita, ilmenita e hematita,
que são os mais comuns). Mas é preciso cuidado, pois a cor amarela da pirita é muito semelhante. Há
várias observações que nos permitem concluir que determinado opaco pode ser calcopirita:
a) Se a lâmina não estiver coberta com lamínula e o opaco de cores amarelas, observado com lupa de mão,
se apresenta embaçado, com certeza não é pirita, pois a pirita, quando embaça, embaça de forma muito
discreta. Calcopirita embaçada apresenta manchas irregulares de cores amarelas em várias tonalidades
desde amarelo até dourado, podendo evoluir para cores fortes em vermelho e azul. Este embaçamento
também pode ser observado ao microscópio, basta deixar a luz do microscópio desligada e iluminar a
lâmina obliquamente de cima com uma luz LED.
b) Geralmente a calcopirita forma agregados anédricos em contraste com a pirita. Cristais idiomórficos
(euédricos) de calcopirita são muito raros, mas a pirita tem uma extraordinária força de cristalização e forma
cristais euédricos com grande facilidade.
c) A cor amarela da calcopirita é mais dourada que a cor amarela-latão da pirita. Além disso, o amarelo da
calcopirita apresenta uma nítida tonalidade esverdeada, que a pirita não tem. Quando pirita e calcopirita
ocorrem juntas, é relativamente fácil diferenciá-las, tanto observando a lâmina com lupa de mão como
observando ao microscópio com iluminação de cima com luz LED.
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d) Desligando a luz do microscópio e iluminando a lâmina obliquamente de cima com uma luz LED intensa
é fácil perceber a cor amarela da calcopirita, mesmo quando esta está presente em grãos pequenos. Valem
aqui as mesmas observações acima: calcopirita embaça se não protegida com uma lamínula, apresenta
uma cor amarela mais profunda e é anédrica.
e) Uma observação geralmente conclusiva para a identificação da calcopirita é a observação de seus
contatos com os minerais transparentes vizinhos, observados ao microscópio e iluminando a lâmina
obliquamente de cima com uma luz LED. Naqueles contatos calcopirita-vizinhos que não são verticais pode-
se perceber, em vários pontos, áreas de cor dourada profunda, que é justamente a cor da calcopirita. São
aquelas áreas onde, mesmo com a lâmina com espessuras de 30 micra, há uma camada inferior de
calcopirita coberta com uma camada de minerais transparentes. A pirita nunca vai apresentar estas cores
douradas profundas.
Naturalmente a identificação conclusiva de opacos precisa ser feito com lâminas ou seções polidas
em um microscópio de Luz Refletida ou por outras técnicas analíticas.

À esquerda, calcopirita a Luz Transmitida a NC. A calcopirita é opaca (preta), em verde há cloritas e em
castanho há calcita.
À direita, agora iluminando a lâmina obliquamente de cima com uma luz LED. A calcopirita apresenta
luminosidade intensa e uma cor amarela, muito semelhante à cor da pirita na mesma técnica. Em quase
preto, cloritas; em cinza, calcita.

Observando cuidadosamente os contatos


da calcopirita com os minerais
transparentes vizinhos vamos encontrar
alguns pontos onde uma delgada camada
inferior de calcopirita está coberta por uma
delgada camada superior de um mineral
transparente.
É nestes pontos que podemos confirmar a
cor amarelo-dourada da calcopirita e
concluir, com razoável grau de certeza, de
que o opaco é calcopirita.
Imagem obtida com a objetiva de médio
aumento (10x) iluminando a lâmina
obliquamente de cima com uma luz LED.
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CANCRINITA
A série cancrinita-vishnevita é uma solução sólida.
(Na,Ca,K)6-8(AlSiO4)(CO3,SO4,Cl)1-2.n1-5H2O Tectossilicato, Grupo dos Feldspatóides Hexagonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor, nunca apresenta cor muito menos pleocroísmo.
Relevo: muito baixo, negativo.
Clivagem: [10-10] perfeita, apenas visível em cristais maiores.
Hábito: tipicamente granular, formando grãos anédricos na matriz intersticial da
rocha. Também maciço, colunar curto até acicular. Em veios tende a fibroso.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,002 a 0,025: cores de até início de 2ª ordem,
cores de interferência: variando entre cores amarelo-pálidas, amarelas e laranjas de 1ª ordem
até cores médias da 2ª ordem.
Extinção: paralela à clivagem e à forma. Em grãos anédricos e pequenos (a forma
mais comum de ocorrência) a constatação é muito difícil.
Sinal de Elongação: SE(-) pela clivagem (diagnóstico!).
Maclas: lamelares raras, geralmente não visíveis ao microscópio.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: U(-), pode ser biaxial anômalo Ângulo 2V: pode apresentar um ângulo 2V anômalo
(veja ângulo 2V ao lado). pequeno (poucos graus).
Alteração: para zeolitas e calcita.
Pode ser confundido com: diagnósticos são a baixa birrefringência, o relevo negativo e a clivagem: um
mineral incolor de relevo muito baixo, mas com cores de interferência fortes, em laranja até vermelho-
azulado. Nefelina possui birrefringência normalmente mais baixa. Vishnevita diferencia-se da cancrinita pela
birrefringência mais baixa ainda, é quase isótropa.
Associações: a cancrinita é um feldspatóide raro que ocorre em rochas magmáticas alcalinas, incluindo
pegmatitos em nefelina sienitos. Também como produto de alteração de nefelina. Com pressões parciais
elevadas de CO2 a cancrinita pode formar pseudomorfos sobre nefelina em rochas alcalinas como nefelina-
sienitos. Associa-se a nefelina, minerais do Grupo da Sodalita, sanidina, aegirina-augita, melanita e calcita.

Cancrinita como cristais pequenos, anédricos, intersticiais entre grandes grãos de feldspato potássico. A ND
(esquerda) seu relevo é inferior àquele dos feldspatos, a NC saltam à vista as cores de interferência fortes
de final de primeira ordem.
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Na diagonal na imagem, grande cristal de cancrinita. A ND (esquerda), observa-se seu relevo


muito baixo e a clivagem regular paralelamente ao alongamento. A NC (direita), cores de
interferência fortes (amarelo-laranja-avermelhado) de final de 1ª ordem. O cristal está extinto na
posição vertical (extinção paralela).

Na diagonal da imagem, dois cristais grandes de cancrinita. À esquerda, a ND, incolores e de


relevo baixo, com algum cuidado é possível observar a clivagem paralela ao alongamento. À
direita, a NC, cores intensas, predominando o laranja de 1ª ordem. Na posição vertical os
cristais estão extintos (extinção paralela).
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CASSITERITA
SnO2 Óxido Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: geralmente amarela, avermelhada a amarronzada, pode ser laranja ou
verde. Raramente incolor a cinza. Pleocroísmo forte a ausente, mas
normalmente fraco em amarelo, verde, vermelho a marrom, com distribuição
irregular de cores em manchas.
Relevo: muito alto
Clivagem: {110} indistinta e {100} imperfeita, geralmente não visíveis ao microscópio,
mas podem estar presentes como traços muito discretos.
Hábito: cristais prismáticos e granulares são comuns, muito raramente acicular ou
botrioidal (estanho-madeira). Cataclase é muito freqüente. Pode gerar halos
pleocróicos em minerais vizinhos.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,103: cores de interferência muito altas,
cores de interferência: sempre mascaradas se o mineral possuir cor própria forte.
Extinção: tende a paralela
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: maclas simples segundo (101) são comuns, fáceis de reconhecer.
Raramente apresenta maclas de pressão lamelares.
Zonação: freqüente, reconhecida pela distribuição de poros ou corpos de
desmistura.
LC Caráter: U(+), pode ser biaxial anômalo. Ângulo 2V: se biaxial anômalo, 2V de 0 – 38º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: rutilo possui relevo e birrefringências mais altas e um pleocroísmo mais forte.
Associações: A cassiterita é o mais importante minério de estanho. Seus jazimentos primários são veios
hidrotermais de média a alta temperatura, onde os cristais de cassiterita podem atingir 10 cm de
comprimento. Também ocorre em granitos, pegmatitos graníticos, riolitos e, mais raramente, em
cornubianitos. Os jazimentos secundários são placers aluviais, de onde provém a quase totalidade da
cassiterita minerada. Associa-se a columbita, arsenopirita, bismutinita, bismuto, esfalerita, estanita,
molibdenita, pirrotita, sulfossais de prata e wolframita. Nos veios, associa-se a turmalina, topázio, fluorita,
apatita, wolframita, lepidolita, molibdenita e arsenopirita.
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Cassiterita a ND mostrando suas cores marrons com distribuição de cores algo irregular, seu
pleocroísmo em manchas, mas relativamente forte e seu relevo alto. Ao seu redor, quartzo e muscovita,
principalmente.

Cassiterita maclada: a macla já é visível a ND, mas


A NC, as cores de birrefringência intensas da
a NC como aqui fica muito bem visível (um lado da
cassiterita são mascaradas pela forte cor própria do
macla está em posição de extinção). Ao redor do
mineral.
grão de cassiterita há quartzo e muscovita.

Cassiterita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND percebe-se muito bem a distribuição irregular da


cor nos grãos, com manchas mais claras e manchas mais escuras. O pleocroísmo não é forte, mas
distinto o suficiente para ser percebido com facilidade. A NC, as cores de interferência são ofuscadas
pela cor própria do mineral. À esquerda nas imagens há grãos de quartzo e muscovita.
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CELADONITA
Durante décadas se acreditou que a celadonita e a glauconita eram o mesmo mineral. Veja também a ficha
da glauconita.
K(MgFe2+)(Fe3+,Al)Si4O10(OH)2 Filossilicato, Grupo das Micas Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: verde claro com pleocroísmo definido entre verde-amarelo e verde-azul. Mas
o diminuto tamanho dos cristais torna a visualização deste pleocroísmo
impossível.
Relevo: moderado
Clivagem: {001} perfeita, característica das micas. Devido ao tamanho
submicroscópico dos cristais, esta clivagem é difícil a impossível de
observar.
Hábito: ocorre sempre na forma de agregados formados por cristais
submicroscópios de hábito micáceo. Pode ser terrosa. Tende a formar
agregados esféricos, arredondados.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,027, correspondendo a cores fortes,
cores de interferência: intensas, de até 2ª ordem. Entretanto, a cor forte da celadonita e o
tamanho muito pequeno dos cristais mascaram e dificultam a
observação destas cores, de tal modo que a cor verde a ND
praticamente se repete a NC, só que um pouco mais intensa.
Extinção: oblíqua de 2-3º, simula ser paralela. Além disso, os cristais são tão
pequenos que a determinação da extinção torna-se impossível.
Sinal de Elongação: SE (+)
Maclas: não apresenta.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-), simula ser uniaxial, mas o diminuto tamanho dos cristais Ângulo 2V: 5 – 8º
torna a obtenção da figura de interferência quase impossível.
Alteração: altera-se facilmente para “limonita”, um termo genérico para hidróxidos de ferro, frequentemente
goethita. São massas de cores amarelas a laranjas a ND.
Pode ser confundido com: clorita apresenta cores verdes também, mas apresenta cores de interferência
anômalas a NC, o que a celadonita não faz. Além disso, clorita possui relevo mais baixo. Calcedônia
apresenta estruturas semelhantes, mas não possui cor verde. Biotita verde possui birrefringência mais
elevada e ocorre em outras paragêneses.
Associações: a celadonita ocorre de maneira quase exclusiva em cavidades (vesículas) e fraturas de
rochas vulcânicas básicas e intermediárias, como basaltos, diabásios e andesitos. Nas vesículas ocorre
com outros minerais secundários, como zeolitas (heulandita, laumontita, etc.), clorita, calcita, prehnita,
calcedônia, quartzo e outros. Substitui minerais ferromagnesianos como olivina e piroxênios quando estas
rochas se alteram, podendo formar pseudomorfoses completas. Pode ocorrer em rochas metamórficas da
fácies zeolita.
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Rocha basáltica com vesículas (bolhas de gás) de contornos irregulares preenchidas por celadonita
(verde), à esquerda a ND, à direita a NC. Típicos são as cores fortes, os flocos minúsculos e a pequena
diferença de cor a ND e a NC.

Preenchimento de vesícula com Rocha vulcânica (em preto na imagem) com vesícula cujo
celadonita, mostrando o típico preenchimento iniciou com uma camada de celadonita (verde)
hábito em agregados esféricos. ND. e continuou com zeolitas (cinza). NC

Clorita e celadonita em rocha basáltica. Imagens a ND (à esquerda) e a NC (à direita).


A metade da esquerda das imagens é a rocha (marrom escuro), atravessada por um veio horizontal
preenchido com clorita (agregado de flocos de cor verde clara).
A metade da direita das imagens é parte de uma vesícula preenchida por celadonita (verde) e zeolitas
(cinza).
Percebe-se nitidamente a ND a diferença do “verde” da clorita e do “verde” da celadonita. A NC, a clorita
apresenta cores de interferência anômalas em cinza, enquanto a celadonita apresenta cores verdes de
brilho mais forte.
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CHABAZITA
“Chabazita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico usado para os membros da Série da
Chabazita: Chabazita-Ca, Chabazita-Na, Chabazita-K, Chabazita-Mg e Chabazita-Sr. Não é possível
distinguir os membros entre si por meios ópticos.
(Ca,K2,Na2)2[Al2Si4O12]2.12H2O Tectossilicato, Grupo das Zeolitas Triclínica, pseudohexagonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: baixo ou médio (literatura com dados conflitantes)
Clivagem: {10-11} distinta, que pode ser visível ou não ao microscópio, seguindo o
romboedro.
Hábito: geralmente idiomórfica (euédrica), formando maclas complexas que geram
cristais pseudo-romboédricos (romboedros como a calcita) com ângulos de
quase 90º entre arestas (parecem cubos!). Pode ocorrer tabular ou em
formas macladas arredondadas e complexas. Mais raramente anédrica
(xenomórfica), maciça ou em agregados poligonais. Também forma cristais
com maclas complexas que se assemelham a bipirâmides hexagonais (é a
variedade phacolita), sempre com ângulos reentrantes.
NC Birrefringência e 0,002 a 0,006: cores cinzentas escuras a cinza claro. Geralmente os
cores de interferência: grãos se mostram subdivididos em subgrãos com posições de extinção
distintas.
Extinção: Simétrica às bordas dos grãos e à clivagem. Podem ocorrer subgrãos,
neste caso a extinção é por setores.
Sinal de Elongação: não se aplica.
Maclas: comuns, de interpenetração, simples e repetidas. Maclas de contato por
{10-11}.
Zonação: não possui, mas pode apresentar-se dividida em subgrãos.
LC Caráter: B(+/-) ou U(+/-), geralmente B(+) Ângulo 2V: de 0 a 32º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: Seu hábito pseudo-cúbico facilita seu reconhecimento em relação às zeolitas
prismáticas longas (escolecita) e fibrosas (mordenita). Analcima é semelhante, mas tem formas
arredondadas (trapezoedros!) e tende a isótropa. Cristobalita frequentemente contêm subgrãos. Gmelinita
possui cores de interferência mais baixas. Apofilita, noseana e hauynita possuem, entre outras diferenças,
relevos mais altos.
Associações: ocorre tipicamente em rochas vulcânicas como basaltos e andesitos, preenchendo cavidades
(vesículas) ou fraturas. Também ocorre em cavidades de granitos, granodioritos e outras rochas plutônicas.
Pode ocorrer em calcários e xistos. Associa-se a veios hidrotermais de minérios, onde cristaliza em
cavidades e fraturas. Forma-se também em tufos acamadados depositados em corpos d´água, a partir da
alteração de cinzas vulcânicas. Associa-se a zeolitas (phillipsita, thomsonita, analcima, etc), nefelina,
melilita, olivina, piroxênios, anfibólios, axinita, epidoto, calcita, tridimita e dolomita. Uma abordagem
detalhada da ocorrência, das formas e de outros detalhes da chabazita pode ser encontrada no livro
“Zeolites of the World” de Rudy Tschernich, disponível para download na internet. Informações muito
detalhadas sobre as várias maneiras de ocorrência de chabazita podem ser encontradas no site da
Comissão de Zeolitas Naturais: http://www.iza-online.org/
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Chabazita a ND (esquerda) e a NC (direita). Trata-se de um cristal romboédrico (pseudo-cúbico),


percebendo-se nitidamente, na imagem da esquerda, que os ângulos entre as arestas não são de
90º. Cristalizou dentro de uma cavidade, sobre um cristal de calcita. A NC observa-se que a
lâmina está um pouco espessa demais devido à dificuldade de obter a espessura correta quando
se trata de calcita (a cor de interferência praticamente não varia no final do processo de
rebaixamento da lâmina). A chabazita, com birrefringência muito baixa, mostra muito bem as cores
de interferência por setores, mostrando tratar-se de uma macla complexa e não de um
monocristal.

Vários cristais romboédricos


(pseudocúbicos) de chabazita
cristalizados sobre calcita,
dentro de uma vesícula
(cavidade) de um rocha
vulcânica.

Acima, a ND, percebe-se


muito bem as formas que
lembram cubos, cujos
contornos estão destacados
devido ao contraste com a
cola (araldite) que preenche a
cavidade.

Abaixo, a NC, percebe-se que


os cristais de chabazita estão
divididos em setores devido
ao fato de serem maclas
complexas. A lâmina está um
pouco espessa demais, o que,
neste caso, auxilia na
visualização das chabazitas.
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CHONDRODITA
Mg5(SiO4)2F2 Nesosilicato, Grupo das Humitas Monoclínica
ND Cor / muito fracamente pleocróica entre incolor, tons pálidos amarelos, esverdeados
pleocroísmo: ou amarronzados. O pleocroísmo passa despercebido com facilidade. Em
alguns casos a chondrodita não apresenta pleocroísmo.
Relevo: moderado
Clivagem: indistinta em {100}, não é visível ao microscópio. Partição em {001}.
Hábito: tipicamente granular: grãos arredondados anédricos isolados ou em
agrupamentos. Maciça. Cristais raros, achatados paralelamente a {010}.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,027 – 0,030: cores desde o amarelo de
cores de interferência: primeira ordem até metade da 2ª ordem. Cores fortes, intensas,
cominando o amarelo e o azul.
Extinção: oblíqua, de 22 a 31º.
Sinal de Elongação: sem informações
Maclas: comuns, simples e lamelares. Se parecem com as maclas polissintéticas
dos plagioclásios.
Zonação: sem informações.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 64 - 90º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: muito característicos são o hábito em grãos arredondados, as cores pálidas
amarelas a esverdeadas, as maclas que frequentemente apresenta e a associação com
mármores/carbonatitos. Diopsídio pode ser semelhante, mas mostra clivagem. Olivina também pode ser
parecida, mas possui um padrão de alteração diferente e extinção paralela. Em grãos pequenos ambos os
minerais podem ser indistinguíveis de chondrodita incolor.

Associações: a chondrodita é um mineral que ocorre em escarnitos: zonas de metamorfismo de contato de


calcários e dolomitos associados a rochas plutônicas félsicas a alcalinas, especialmente se houver
metasomatismo de Fe-B-F. Desta forma, pode ser encontrada em mármores. Também ocorre em
carbonatitos, talco-xistos, serpentinitos, peridotitos e kimberlitos. Associa-se a magnetita, flogopita,
espinélio, granada (grossulária), wollastonita, olivina (forsterita), monticellita, cuspidina, diopsídio e calcita.

Chondrodita em mármore a ND (esquerda) e a NC (direita). Apresenta tipicamente hábito granular e


cores amareladas. Essas cores mascaram, em parte, as cores de interferência. Ao seu redor, cristais de
calcita. O pequeno tamanho dos cristais não permite visualizar maclas e dificulta a obtenção das figuras
de interferência.
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CIANITA
Um nome antigo da cianita é distênio. Em inglês a cianita chama-se kyanite.
Al2SiO5 Nesossilicato (polimorfos Al2SiO5: sillimanita, cianita e andalusita) Triclínica
ND Cor / pleocroísmo: normalmente incolor. Raramente azul pálido com pleocroísmo fraco: X =
incolor, Y = azul violeta pálido, Z = azul cobalto pálido.
Relevo: alto
Clivagem: {100} perfeita e {010} distinta. Nas seções longitudinais observa-se apenas
uma clivagem perfeita. Nas seções basais observa-se as duas clivagens,
que se interceptam a 79º (diagnóstico!).
Hábito: cristais colunares a alongados, tabulares paralelamente a {100}. O hábito
tabular, com uma direção de clivagem paralela ao alongamento, é uma
feição muito diagnóstica. Em função da excelente clivagem e do tipo de
tenacidade da cianita, que estilhaça com grande facilidade durante o
processo de confecção da lâmina delgada, frequentemente ocorrem buracos
na lâmina associados aos cristais de cianita. Portanto, buracos, fraturas,
cristais despedaçados ou restos de cristais de cianita também são comuns e
não deixam de ser diagnósticos.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,012 a 0,016 (baixa a média),resultando em cores de
cores de interferência: interferência de 1ª ordem: cinza até amarelo fraco (amarelo-palha).
Extinção: oblíqua de 0 a 32º em cristais tabulares. Pode simular ser paralela!
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: simples e lamelares, muito freqüentes.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 78 - 82º
Alteração: a mica sericita. Com metamorfismo mais intenso, é substituída pela sillimanita.
Pode ser confundido com: piroxênio, mas na seção basal suas clivagens se cruzam formam um ângulo de
79º (nas seções basais de piroxênios as clivagens se cruzam em 87º e 93º) e suas cores de interferência
são mais baixas que aquelas da maioria dos piroxênios. Seus polimorfos, andalusita e sillimanita, são
parecidos, mas possuem ângulos de extinção menores. Clinozoisita possui birrefringência tipicamente
menor, frequentemente mostra cores de interferência anômalas, não forma cristais tabulares com uma
clivagem paralela ao alongamento e possui um ângulo 2V menor.
Associações: a cianita é um mineral metamórfico comum, de média a alta pressão, que ocorre em
metasedimentos de composição pelítica como xistos e gnaisses. Raramente ocorre em pegmatitos
graníticos, eclogitos e kimberlitos. Não ocorre em rochas ígneas. Se associa a estaurolita, sillimanita,
andalusita, rutilo, cloritóide e granada.
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Cianita a ND (esquerda) e a NC (direita). Trata-se de várias seções basais com suas duas clivagens se
cruzando em ângulos de 79º. A ND, o relevo alto é característico, a NC as cores amarelas são comuns. A
lâmina está com espessura ligeiramente maior que a correta, por isso as cores são mais fortes.

Seções longitudinais de cianita a ND (esquerda) e a NC (direita). A clivagem perfeita, o relevo alto e as


inclusões são características, bem como as cores de meio de 1ª ordem a NC.

Conjunto de cristais de cianita em seções longitudinais a ND (esquerda) e a NC (direita). A ND percebe-se o


relevo alto (os cristais ao redor são de clorita) e, a NC, a variação nas cores de interferência, entre cinza claro
e amarelo-palha.
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CLINOZOISITA
A clinozoisita é dimorfa com a zoisita.
Ca2Al3O(SiO4)(Si2O7)(OH) Sorossilicato, Grupo do Epidoto Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor.
Relevo: médio a alto positivo
Clivagem: {001} perfeita, perpendicular ao alongamento dos cristais, mas pode ser
difícil de observar devido ao pequeno tamanho dos grãos.
Hábito: prismático segundo o eixo b. Anédrico granular com seções basais
pseudohexagonais e seções longitudinais em forma de palheta. Pode ser
acicular, formando agregados radiais.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,004 a 0,015: cores intensas e variadas, amarelo,
cores de interferência: verde, vermelho, azul, pode apresentar cores de interferência anômalas
azuis (“azul-da-Prússia” ou “Berlim-blue”) ou amarelo-verdes.

Extinção: sempre paralela nas seções longitudinais paralelas ao eixo b (também


paralelas e perpendiculares à clivagem), nas outras seções extinção
oblíqua de aproximadamente 30º .
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: raras, tendem a lamelares segundo (100).
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: B(+) (importante!) Ângulo 2V: 40 – 90º
Alteração: não altera.
Pode ser confundido com: Zoisita é semelhante. Epidoto é muito semelhante, mas tem é B(-), sua
birrefringência é maior e pode apresentar um pleocroísmo distinto em cores verdes, que podem tender a
verde cítrico. Vesuvianita é U(-). Cianita mostra cores de interferência normais e é B(-). Lawsonita e
pumpellyita tem cores de interferência mais altas. Quando pumpellyita não mostra nenhuma cor azulada-
verde, só pode ser distinguida da clinozoisita por Difratometria de Raios X.
Associações: A clinozoisita está presente em zonas de subducção e em contatos entre rochas ricas em Ca
e rochas ricas em Al. Se houver Fe, forma-se epidoto. Clinozoisita e epidoto são minerais acessórios
comuns em rochas metamórficas de contato e de metamorfismo regional: quartzitos, ardósias, clorita-xistos,
mica-xistos, gnaisses, anfibólios, mármores, escarnitos, cornubianitos, filitos e rochas calcosilicatadas.

Cristais granulares de clinozoisita a ND (à esquerda) e a NC (à esquerda). Típicos são o hábito granular, o


relevo alto, inídios de clivagem, cores de interferência fortes (mas mais baixas que o epidoto),
eventualmente anômalas e uma figura de interferência B(+).
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CLORITA
O Grupo da Clorita possui 12 membros. Os mais comuns são clinocloro (Mg) e chamosita (Fe)
(Mg,Al,Fe)3(Si,Al)4O10(OH)2.(Mg,Al,Fe)3(OH)6 Filossilicato Monoclínica, pseudohexagonal.
ND Cor / pleocroísmo: incolor ou com pleocroísmo fraco a moderado em vários tons de verde.
Clorita-Cr: violeta rosada, azul
Relevo: baixo a médio. Se com alto teor em ferro apresenta relevo alto.
Clivagem: {001} perfeita, controla a orientação dos fragmentos, frequentemente não
está visível porque os cristais são pequenos demais.
Hábito: Cristais tabulares pseudohexagonais, normalmente micácea ou foliada,
formando agregados radiados. Também fibrosa, granular, terrosa ou maciça.
NC Birrefringência e birrefringência de 0 a 0,02, muito baixa: as cores raramente passam de
cores de interferência: branco ou amarelo de primeira ordem. Apresenta frequentemente cores
de interferência anômalas como azul profundo (“Berlim blue”), cinza-
azulado, violeta-amarelo ou marrom-do-couro.
Extinção: oblíqua, ângulo de 0 – 9º pela clivagem. Pode simular extinção paralela,
mas não é mosqueada, o que uma característica diagnóstica.
Sinal de Elongação: Clinocloro possui SE(-) e chamosita possui SE(+).
Maclas: segundo {001}, comuns, mas normalmente difíceis de reconhecer.
Zonação: frequentemente zonada, pode exibir halos pleocróicos.
LC Caráter: B(+) ou B(-), depende da composição e do mineral, Ângulo 2V: B(+): 0o-60º,
pode simular ser uniaxial. B(-): 0o-40º
Alteração: bastante resistente à alteração, pode oxidar ou alterar para argilominerais.
Pode ser confundido com: a cor verde e o pleocroísmo são bem diagnósticos. É similar a micas, mas não
tem extinção mosqueada. Clintonita e cloritóide possuem birrefringência mais alta.
Associações: clorita é muito comum: em rochas metamórficas é característica da fácies xistos-verdes de
rochas formadas em metamorfismo de contato e regional, como clorita-xistos. Em rochas ígneas ocorre
devido à alteração de minerais máficos (escuros) como anfibólios, piroxênios, biotita, estaurolita, cordierita,
granada e cloritóide. É encontrada em cavidades e fraturas de rochas vulcânicas alteradas, em depósitos de
veios hidrotermais e em solos. Forma-se por alteração hidrotermal de qualquer tipo de rocha, através da
recristalização de argilominerais ou da alteração de minerais máficos.

Rocha vulcânica com fenocristal euédrico alterado completamente para clorita. À esquerda, a ND, com a
típica cor verde pálida e um pleocroísmo discreto. À direita, a NC, a clorita apresenta uma das suas cores de
interferência anômalas, um azul profundo que lembra calça jeans. As jaquetas dos soldados prussianos, até
a I Guerra Mundial, possuíam esta cor, por isso a cor é chamada de “Azul de Berlim” (“Berlim blue”).
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Clorita formando agregados grandes em rocha metamórfica. São vários agregados de cristais, exibindo a
ND (esquerda) as cores verde pálidas típicas e a NC (à direita) uma cor de interferência anômala cinza-
azulada.

Clorita em um serpentinito. À ND (à esquerda) a clorita é praticamente incolor. À NC (à direita),


apresenta uma cor de interferência anômala denominada de “marrom do couro”.

Agregado de clorita que, a ND (à esquerda) apresenta discreto pleocroísmo entre quase incolor e
verde pálido. À NC (à direita), apresenta coresde interferência anômalas violetas a laranjas.
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CLORITÓIDE
Sismondina é o nome da variedade rica em Mg. Ottrelita é o nome da variedade rica em Mn.
(Fe2+,Mg,Mn)2(Al,Fe3+)Al3O2(SiO4)2(OH)4 Nesossilicato Monoclínico prismático ou triclínico pinacoidal,
mas em ambos os casos é pseudohexagonal.
ND Cor / pleocroísmo: pleocroísmo frequentemente moderado a forte, às vezes ausente, entre X =
incolor, cinza, verde escuro, Y = azul-cinza, índigo, azul-verde e Z = incolor
a amarelo-esverdeado a marrom esverdeado.
Relevo: alto
Clivagem: {001} perfeita e {110} boa, normalmente não visíveis em lâmina delgada.
Hábito: tabular, agregados foliados, zonação em ampulheta é muito diagnóstica,
muitas inclusões (de quartzo) são típicas. Euédrico, porfiroblástico, lamelar,
radial, hábitos semelhantes às micas. Raramente cristais
pseudohexagonais. Lembra muito a clorita, mas o relevo é muito mais alto.
Pode estar zonado com núcleos mais escuros e bordas mais claras.
NC Birrefringência e birrefringência de até 0,010: cores de interferência de 1ª ordem até no
cores de interferência: máximo amarelo palha. Cores de interferência anômalas de 1ª ordem
são comuns. Zonação de cores é comum. Seções basais são
aproximadamente isótropas.
Extinção: tende a oblíqua. Na forma triclínica, extinção oblíqua de 20º. Na forma
monoclínica, extinção paralela segundo o eixo b.
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: simples ou lamelares ou polissintéticas paralelas à clivagem, comuns
segundo {001}. Maclas podem produzir simetria pseudohexagonal.
Zonação: frequentemente zonado com cores mais escuras no núcleo e cores mais
claras nas bordas. Pode mostrar zonação em ampulheta (“hourglass”).
LC Caráter: Normalmente B(+), pode ser B(-) Ângulo 2V: 36-70º, com alguns valores discrepantes.
Alteração: altera a clorita, sericita e óxidos e hidróxidos de ferro. Sob metamorfismo regional progressivo é
substituído por estaurolita, almandina (granada) e hercynita (espinélio). Pode apresentar cloritização
retrógrada e/ou alteração para limonita e/ou caulinita.
Pode ser confundido com: Biotita verde e stilpnomelano possuem birrefringência mais alta, uma clivagem
boa apenas e extinção paralela. Clorita possui relevo mais baixo, birrefringência mais baixa e extinção
quase paralela.
Associações: cloritóide é quimicamente muito semelhante à estaurolita, ao microscópio é similar a uma
clorita, mas não é uma mica. Ocorre exclusivamente em rochas metamórficas pelíticas de metamorfismo
regional de grau baixo a médio, como filitos e xistos, da fácies xistos verdes. Também em glaucofano xistos.
Associa-se a quartzo, albita, clorita, biotita, almandina (granada), rutilo e glaucofano. Nunca ocorre junto a
stilpnomelano. Pode ocorrer com estaurolita, cianita e almandina (granada).
61

Duas feições diagnósticas do cloritóide: à esquerda, a ND, zonação em ampulheta. À direita, a NC,
maclas lamelares, simples a polissintéticas (lembram as maclas dos plagioclásios).

Cristais euédricos de cloritóide em muscovita-quartzo-xisto. À esquerda, a ND, apresenta discreto


pleocroísmo em verde, pode haver zonação em ampulheta. À direita, a NC, apresenta cores de
interferência anômalas, algo mascaradas pela cor verde do mineral. Além disso, maclas bem definidas.

Agregados fibrosos de cloritóide a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND percebe-se um nítido


pleocroísmo entre quase incolor e cinza azulado. A NC a cor de interferência é cinza, a extinção oblíqua
e o SE(-). A Luz Convergente apresenta-se B(+).
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CORDIERITA
(Mg,Fe)2Al4Si5O18 Ciclossilicato Ortorrômbico bipiramidal, pseudo-hexagonal.
ND Cor / pleocroísmo: incolor se a lâmina está na espessura padrão. Em lâminas espessas é
pleocróica entre amarelado e azul pálido ou púrpuro pálido, em rochas
vulcânicas às vezes pleocroísmo entre azul pálido e púrpuro pálido.
Relevo: baixo negativo a baixo positivo.
Clivagem: {100} má, que não é visível ao microscópio. Frequentemente apresenta
fraturas muito irregulares.
Hábito: cristais anédricos, prismas curtos pseudo-hexagonais alongados segundo z. Muito
raramente ocorre como cristais euédricos em rochas vulcânicas ou como porfiroblastos
em cornubianitos. Em rochas metamórficas forma grãos anédricos de contornos muito
irregulares; texturas poiquiloblásticas com intercrescimentos com quartzo, biotita e/ou
grafita são típicas. Em rochas vulcânicas, inclusões de quartzo são comuns; em
paragnaisses ocorrem inclusões fibrolíticos de sillimanita. Pode ser “poeirento”, pinitizado,
com halos pleocróicos amarelos ao redor de inclusões de zircão e apatita.
NC Birrefringência e birrefringência entre 0,008 e 0,018: cores de 1ª ordem e 1ª ordem
cores de interferência: superior, de cinza a amarelo-palha.
Extinção: tende a ser paralela
Sinal de Elongação: SE(-) pela clivagem, normalmente não pode ser determinada.
Maclas: em {110} e {310}, polissintéticas, comuns. “Trillings” polissintéticos e pseudo-hexagonais
são comuns, facilmente reconhecíveis sob NC. Dos 6 setores da macla, 2 tendem a estar
extintos ou com as mesmas cores de interferência, pois pertencem ao mesmo cristal.
Trillings de interpenetração são comuns em xistos cornubianitos.
Zonação: não
LC Caráter: B(+) ou B(-) Ângulo 2V: 35 – 106º
Alteração: alterando, é substituído progressivamente, a partir dos limites e ao longo das fraturas, por um
denso agregado de sericita e/ou clorita e biotita. Pseudomorfos de cordierita compostos por sericita
(muscovita) e outros filosilicatos (e.g., clorita) são denominados de “pinita”, o processo é denominado de
pinitização. Esta transformação consome água e é um indicador de interações hidrotermais.
Pode ser confundido com: quartzo é muito parecido, mas quartzo nunca está alterado e é U(+).
Plagioclásio apresenta maclas polissintéticas, tende a estar zonado e geralmente está alterado para sericita
e saussurita. Cordierita é facilmente confundida com ortoclásio sem maclas.
Associações: Em pequenas quantidades ocorre em rochas magmáticas como granitos, gabros, riolitos e
andesitos. Cordierita é um mineral-índice para a origem anatética da rocha, ou da contaminação por rochas
encaixantes ricas em Al (como sedimentos ricos em argilominerais). Cordierita é muito comum em rochas
de metamorfismo de contato. Na auréola de contato exterior, os profiroblastos de cordierita formam xistos;
formam-se também cornubianitos a cordierita. Cordierita ocorre também em metapelitos que sofreram
metamorfismo regional de alto grau, como gnaisses a cordierita. Também é comum em granulitos e
charnoquitos, também em metatectitos pegmatíticos. Paragêneses: rochas magmáticas e metatectitos:
como quartzo, feldspato-K, plagioclásio, andalusita, sillimanita, biotita, granada e hiperstênio. Em xistos:
como blastos neoformados em uma matriz de quartzo, biotita, sericita, clorita e grafita. Em cornubianitos:
com biotita, muscovita, quartzo, plagioclásio, andalusita, hiperstênio e granada. Em rochas subsaturadas de
sílica: com coríndon e espinélio. Em rochas de metamorfismo de contato: com sillimanita (que forma
inclusões fibrosas conhecidas por fibrolita), granada, biotita, ilmenita e hercynita.
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Cristal idiomórfico de cordierita a ND (esquerda) e a NC (direita. Grãos anédricos (xenomórficos) são facilmente
confundidos com feldspatos potássicos sem macla.

À esquerda, a ND, é possível observar o relevo alto dos cristais de cianita (com clivagem) contrastando
com o relevo baixo dos cristais de cordierita. No topo da imagem, os cristais pequenos são de clorita. À
direita, a NC, observa-se as cianitas com cores de interferência mais elevadas e as cordieritas com cores
cinzentas e muitas inclusões. No cristal de cordierita do meio é possível observar uma macla polissintética.

Duas maclas tríplices (“trillings”) de cordierita e NC. Trata-se de uma macla de interpenetração formada por 3
indivíduos. Estas maclas, quando com desenvolvimento perfeito, formam um agregado de contorno
hexagonal dividido em 6 setores, 2 dos quais sempre estão extintos. Nas imagens acima as maclas estão
menos perfeitas, mas se percebe que os cristais estão nterpenetrados. Na imagem da direita, as áreas
escuras são buracos na lâmina delgada.
64

CORINDON
Rubi é a variedade de cor vermelha (com Cr); safira é a variedade de cor azul (com Fe,Ti)
Al2O3 Óxido Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: normalmente incolor. Às vezes com cores em faixas, bandas ou zonas em
vermelho pálido, verde pálido, amarelo pálido, azul pálido. Não apresenta
pleocroísmo ou apresenta pleocroísmo fraco: X = vermelho púrpura, violeta
ou azul, Y = amarelo. verde-cinza, azul pálido.
Relevo: alto
Clivagem: não possui. Há duas partições, {0001} e {10-11}, que se intersectam em um
ângulo de 94º .
Hábito: prismático, tabular, seções com 6 lados, pode apresentar cristais euédricos
tabulares. Colunar, forma de barril, cristais granulares maciços (emery).
NC Birrefringência e birrefringência baixa, de 0,008: cores de interferência de 1ª ordem,
cores de interferência: cinzentas, no máximo amarelo pálidas.
Extinção: tende a ser paralela
Sinal de Elongação: SE(-) nos cristais prismáticos, raramente SE(+) nos cristais tabulares.
Maclas: simples e lamelares, muito freqüentes.
Zonação: frequentemente zonado ou com cores em faixas ou bandas.
LC Caráter: U(-), pode ser B(-) anômalo Ângulo 2V: não, anômalo de 5-7º (até > 30º)
Alteração: não altera, é um mineral detrital.
Pode ser confundido com: típicos são o alto relevo e as baixas cores de interferência. Crisoberilo é B(+),
vesuvianita possui cores de interferência anômalas, apatita possui relevo menor e tende a ser euédrica,
turmalina possui cores de interferência mais elevadas e é fortemente pleocróica. Berilo é muito semelhante,
apenas o relevo é algo mais baixo.
Associações: corindon ocorre em rochas ígneas alcalinas pobres em sílica como sienitos, associado a
escapolita e nefelina. Muito raramente nos pegmatitos associados. Também ocorre em algumas rochas
metamórficas ricas em alumínio, de grau alto, e em alguns cornubianitos, bem como em depósitos de
bauxita metamorfizados. Nas rochas metamórficas o corindon normalmente se associa a cianita ou
sillimanita. Em xenólitos de alto Al em noritos e tholeitos. Como é muito duro e praticamente inalterável, é
encontrado como mineral detrital em rochas sedimentares.

Seção prismática de corindon a ND (esquerda) e a NC (direita). A ND lembra muito uma granada: incolor,
e com relevo alto. A NC percebe-se que o grão está um pouco espesso demais, por isso as cores fortes,
que deveriam estar em no máximo amarelo palha. Extinção paralela e SE(-) são diagnósticos.
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Seção aproximadamente basal de coríndon a ND (esquerda) e a NC (centro). A seção tende a apresentar 6


lados. Como o coríndon é uniaxial, as seções basais correspondem à seção de isotropia (seção
perpendicular ao eixo ótico) e apresentam desde cores cinza bem escuras até isotropia. À direita, a mesma
seção aproximadamente basal de coríndon das imagens acima, agora em posição de extinção. É possível
perceber que a extinção é simétrica.

Safira (= corindon azul ou verde) a ND. Ao giro da platina, a safira apresenta um pleocroísmo nítido em
cores azuis a esverdeadas.

Safira (= coríndon azul ou verde) a NC. As cores


intensas, como sempre, mascaram as cores de
interferência do mineral. A extinção é paralela.
66
CRISOCOLA - (Cu,Al)2H2Si2O5(OH)4·nH2O (?)
A crisocola, um filossilicato, é um dos muitos minerais que se forma a partir da alteração de sulfetos
de cobre nas zonas de oxidação. Estes minerais normalmente são muito coloridos, incluindo a malaquita
(verde), a azurita (azul), a cuprita (vermelha) e muitos outros.
Crisocola, na realidade, é um nome usado para silicatos de cobre de formas maciças, globulares,
vítreas, azuis a verdes que não foram identificadas até o nível de espécie. Em função disso, as
composições químicas publicadas variam muito e o mineral é designado de mineralóide. Nas análises de
Difratometria de Raios X, a crisocola normalmente é amorfa, pois os cristalitos são pequenos demais para
gerar um padrão de difração de Raios X. Novos estudos sugerem que crisocola é uma mistura de spertinita
- Cu(OH)2 - com calcedônia e opala.
A crisocola, macroscopicamente com uma cor azul celeste inconfundível, é mais rara entre os
minerais secundários de cobre. Possui dureza muito baixa, mas pode estar “agatizada” (com incorporação
de sílica) e, portanto, mais dura. Também pode apresentar uma crosta de quartzo ou estar intercrescida
com quartzo. Localmente é um minério de cobre. É empregado com pedra preciosa de menor importância,
devido à baixa dureza. É usada como imitação de turquesa, que é muito mais cara. Pode ocorrer em
depósitos de substituição hidrotermal e, excepcionalmente, em rochas ígneas.
Seu hábito normalmente é maciço, criptocristalino a opalino ou forma agregados botrioidais,
estalagtíticas a esféricas. Muito raramente forma cristais, como tufos de cristais aciculares com no máximo 5
mm de comprimento. Frequentemente forma pseudomorfos segundo azurita.
Ao microscópio, a crisocola é transparente e mantêm, na lâmina delgada, a sua cor celeste com
um tom de verde. Portanto, basta observar a lâmina delgada a olho nu para perceber um azul celeste que é
a crisocola. Também diagnóstica é a sua estrutura em bandas concêntricas, lembrando a calcedônia. Não é
possível individualizar cristais isolados e a associação com bandas de calcedônia é comum. A NC a cor
continua praticamente a mesma, o que é comum quando minerais apresentam cores próprias intensas.

Crisocola a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Macroscopicamente e observando a lâmina delgada a


olho nu esta crisocola apresenta uma cor azul celeste intensa, o que contrasta com esta cor azul-
esverdeada que apresenta ao microscópio. A banda incolor a ND é calcedônia de granulação muito
fina. Típico é o hábito da crisocola em bandas, a ausência de cristais individuais, a associação com
outros minerais secundários de cobre e as cores praticamente idênticas a ND e NC.
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CRISTOBALITA
A cristobalita é um dos polimorfos de SiO2, com quartzo, β-quartzo, tridimita, coesita e stishovita. Cristobalita
é de alta temperatura e baixa pressão. É metaestável à temperatura ambiente: há uma transição paramorfa
de cristobalita de alta temperatura (cúbica) para uma cristobalita de baixa temperatura (tetragonal).
SiO2 Tectossilicato Tetragonal-trapezoédrico, pseudo-cúbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: muito baixo.
Clivagem: não, mas pode ter abundantes fraturas.
Hábito: Cristais euédricos (pseudo-octaedros) de até 4 mm, raramente pseudocúbica.
Comumente dendrítico a esqueletal, também ocorre tabular ou como esferulitos fibrosos
com diâmetros de vários centímetros. Pode ser maciça ou microcristalina (“opala”) Pode
estar intercrescida com tridimita. O hábito da cristobalita em lussatita (= opala CT) e
lussatina (= cristobalita) lembra o hábito da calcedônia.
NC Birrefringência e é um mineral pseudo-isótropo. A birrefringência máxima é de 0,003:
cores de interferência: corresponde a cores de 1ª ordem de preto até cinza muito escuro.
Extinção: tende a ser paralela.
Sinal de Elongação: lussatita = SE(+); lussatina = SE(-).
Maclas: são comuns maclas lamelares segundo {111}. São maclas de
interpenetração, polissintéticas e repetidas.
Zonação: não
LC Caráter: U(-), mas pode ser biaxial anômalo. Ângulo 2V: quando biaxial anômalo, 2V de 25º
Alteração: não altera, é um aspecto diagnóstico importante para diferenciar de plagioclásios (albita).

Pode ser confundido com: diferencia-se do quartzo pelo hábito, caráter U(-) e birrefringência mais baixa.
Tridimita é B(+) e frequentemente apresenta maclas cíclicas, enquanto a cristobalita apresenta normalmente
maclas lamelares. Calcedônia possui cores de interferência mais altas. Chabazita (uma zeolita) mostra sub-
grãos anômalos, possui uma clivagem melhor desenvolvida e ocorre em paragêneses diferentes.

Associações: Cristobalita é rara e facilmente passa despercebida. Ocorre principalmente em rochas


magmáticas ácidas e intermediárias que sofreram um processo muito rápido de esfriamento; pode ocupar
cavidades ou fraturas. É um constituinte comum de certos tipos de opala (opala-C e opala-CT) em
sedimentos marinhos ricos em sílica biogênica. Pode ser precipitada por fontes quentes. Forma-se em
arenitos que sofreram metamorfismo de contato; pode se gerar durante a diagênese ou por recristalização
de rochas sedimentares silicosas. Também ocorre em meteoritos. Associa-se a vidro vulcânico, tridimita,
quartzo, sanidina, anortoclásio, fayalita (olivina), magnetita, caulinita, alunita e “opala”.

Apesar de muitos esforços neste sentido, não foi possível


obter uma lâmina delgada com cristobalita.
68

CUMMINGTONITA
A cummingtonita forma uma solução sólida com a grunerita - (Fe,Mg)7Si8O22(OH)2.
(Mg,Fe)7Si8O22(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor até verde pálido ou marrom pálido, com pleocroísmo fraco se com
cores mais intensas devido a teores de Fe mais elevados. Grunerita possui
pleocroísmo entre incolor e marrom claro, mais intenso.
Relevo: moderado positivo a alto
Clivagem: apresenta clivagem {110} perfeita. Nas seções longitudinais há apenas uma
clivagem. Nas seções basais há duas clivagens se intersectam em ângulos
de 56º e 124º, típico dos anfibólios.
Hábito: lamelar, tabular, colunar, fibroso e agregados granulares. Seção basal
losangular. Normalmente forma agregados paralelos a subradiados de
cristais prismáticos.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,016 a 0,045: cores de 2ª e 3ª ordem intensas, em
cores de interferência: amarelo, azul, laranja e vermelho.
Extinção: oblíqua, máxima nas seções longitudinais, varia de 15 a 21º.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: muito comuns, simples ou múltiplas, paralelas a {100}, normalmente
como maclas polissintéticas finas. Importante!
Zonação: sem informações
LC Caráter: B(+). Grunerita: B(-) Ângulo 2V: 68 – 97º , varia sistematicamente com o teor em Mg.
Alteração: a talco, serpentina, hornblenda.
Pode ser confundido com: gedrita e antofilita possuem extinção paralela e comumente estão macladas.
Grunerita possui cores mais escuras, ângulos de extinção menores e é B(-).
Associações: cummingtonita é encontrada normalmente em rochas metamórficas máficas e ultramáficas
de grau médio como anfibolitos, gnaisses e granulitos. Cummingtonita é um mineral tardio em algumas
rochas vulcânicas intermediárias, como gabros e noritos. Raramente ocorre em rochas vulcânicas silícicas.
Associa-se a tremolita, gedrita, granada, magnetita, clorita, plagioclásio, hornblenda, actinolita, quartzo e
biotita. A grunerita ocorre em rochas metamórficas derivadas de sedimentos ricos em ferro.
69
CUPRITA – Cu2O
A cuprita, um mineral de minério importante de cobre, ocorre como mineral secundário nas zonas
superiores (de oxidação) de veios hidrotermais e outras ocorrências com sulfetos de cobre e/ou cobre
nativo, frequentemente associada a malaquita, azurita, calcocita e limonita. Associa-se aos outros minerais
secundários de cobre, principalmente óxidos, incluindo tenorita, brochantita, antlerita, atacamita e crisocola,
além de óxidos de ferro, calcita e argilominerais. Grandes massas de cuprita ocorrem apenas quando há
abundantes carbonatos na vizinhança. Normalmente a cuprita se forma quando minérios da zona de
cimentação são alterados.
Os maiores cristais de cuprita conhecidos alcançaram 14 cm. Os cristais são cúbicos, octaédricos,
rombododecaédricos e de formas combinadas. Há uma variedade fibrosa chamada calcotrichita. A cor
vermelha profunda e o brilho (mais alto que o do diamante) da cuprita a tornariam uma das gemas mais
valiosas, o que apenas não ocorre devido à sua baixa dureza. São conhecidas pseudomorfoses de
malaquita sobre cuprita. Maclas são comuns na cuprita.
Ao microscópio, a cuprita continua apresentando sua cor vermelha profunda, pois é transparente.
Mesmo observando a lâmina delgada a olho nu observa-se a cor vermelha intensa. Como a cor é muito
intensa, não se observa a NC a isotropia esperada em um mineral que cristaliza no Sistema Cúbico. A
associação de cuprita com outros minerais secundários de cobre como malaquita, azurita e crisocola é
muito típica. Pode haver restos de cobre nativo.

Cuprita (vermelha), crisocola (verde-azulada) e cobre nativo (preto) a ND (à esquerda) e a


NC (à direita). As cores intensas da cuprita e crisocola mascaram eventuais cores de
interferência.
70

DIOPSÍDIO
O diopsídio é um clinopiroxênio e integra a série de solução sólida diopsídio – augita – hedenbergita.
Ca(Mg,Fe)(SiO3)2 Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: Incolor ou verde pálido com pleocroismo muito fraco em tons verdes muito
claros. Pode ser cinzento ou marrom.
Relevo: médio a alto.
Clivagem: {110} perfeita. Nas seções longitudinais há apenas uma clivagem. Nas
seções basais há duas clivagens que se intersectam em ângulos de 87º e
93º, o que é característico para piroxênios.
Hábito: tipicamente cristais subédricos granulares ou de hábito prismático curto.
Raramente acicular ou colunar. Em seções basais octogonal. Exsoluções
lamelares de ortopiroxênios podem ocorrer.
NC Birrefringência e birrefringência alta, de 2ª ordem superior, variando de 0,029 a 0,031:
cores de interferência: cores amarelas, azuis, vermelhas.

Extinção: tende a oblíqua, com obliquidade crescente com o aumento do teor em


Fe2+. Ângulo entre 38º e 48º.
Sinal de Elongação: não pode ser determinado.
Maclas: em rochas vulcânicas os glomerados são típicos, intercrescidos de
várias maneiras. Maclas simples predominam segundo (100), simples,
formando lamelas de piroxênios orientados obliquamente à clivagem.
Zonação: às vezes é zonado
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 58 – 62º, aumenta com o aumento do teor de Fe2+
Alteração: por alteração pneumatolítica e hidrotermal de temperaturas elevadas o diopsídio passa por
uralitização e altera para agregados fibrosos/capilares de anfibólio (tremolita ou actinolita). Por alteração
hidrotermal de baixas temperaturas passa por serpentinização (altera a serpentina). Intemperismo altera o
diopsídio a carbonato, hematita e quartzo.
Pode ser confundido com: A distinção entre os vários clinopiroxênios (augita, diopsídio e pigeonita) pode
ser muito difícil a impossível. Alguns autores informam que a distinção entre os clinopiroxênios só pode ser
realizada com o auxílio de uma platina universal. O que facilita a identificação é o conhecimento da
paragênese (tipo de rocha, minerais associados). Pigeonita possui um ângulo 2V < 30º. Hedenbergita
possui relevo um pouco mais alto. Titanoaugita apresenta pleocroísmo forte. Ortopiroxênios (enstatita, etc.)
possuem extinção paralela e birrefringência menor. Omfacita e jadeita ocorrem em outras paragêneses.
Olivina tem birrefringência mais alta, extinção paralela e não tem clivagem. Chondrodita pode ser similar.
Associações: Piroxênios ricos em diopsídio são comuns em rochas magmáticas ricas em Na e K
(alcalinas), como basaltos alcalinos, gabros alcalinos e rochas relacionadas (hawaiitos, mugearitos, latitos e
monzonitos, etc.). Não são tão comuns em tefritos, basanitos e fonotefritos, nefelinitos, etc. (titanoaugita é
mais típica nesses tipos de rochas). Ocorrem em certos lamprófiros e rochas ultrabásicas como dunitos e
kimberlitos (eclogitos) (nestes últimos como cromo-diopsídios de cores verde-esmeralda). Também ocorrem
como fenocristais em basaltos tholeiíticos e andesitos. Diopsídio é frequentemente encontrado em rochas
de metamorfismo de contato de rochas carbonáticas silicosas. Em rochas magmáticas ocorre com augita e
pigeonita (geralmente na matriz), plagioclásio, olivina e com ou sem feldspatóides (nefelina e leucita). Em
rochas de metamorfismo de contato ocorre tipicamente associado com granada (grossulária), wollastonita,
vesuvianita, forsterita e clinozoisita.
71

Seção longitudinal de diopsídio a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND, quase imperceptível na


imagem, o diopsídio apresenta uma discreta cor verde pálida em contraste com o mineral vizinho, que
é incolor. Pleocroísmo não é observado, mas o relevo é médio a alto. A NC, apresenta cores fortes.

Seção basal de diopsídio a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Mostra as duas direções de clivagem


que se cruzam em ângulos praticamente retos e, a NC, cores mais baixas.

Grãos de diopsídio a NC. São características as Clinopiroxênio a ND sofrendo uralitização:


cores fortes e a extinção oblíqua com ângulo as manchas de cor verde forte referem-se
elevado. aos anfibólios que estão se
desenvolvendo e que podem ocupar todo
o grão.
72

DOLOMITA
Ca,Mg(CO3)2 Carbonato Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Pode estar um pouco cinza ou com tons marrons (teores de Fe).
Tons pastéis vagos ou iridescentes possíveis.
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina
em cristais com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de
“pleocroísmo de relevo” e é típico dos carbonatos (calcita, dolomita,
aragonita, siderita, rhodocrosita e magnesita). Quando microcristalinos,
estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de relevo”.
Clivagem: romboédrica {10-11} perfeita, são duas clivagens que se intersectam em
losangos, formando ângulos de 60º e 120º. Lados adjacentes do romboedro
intersectam-se a 73º.
Hábito: granular, romboédrico, raramente colunar. Em rochas carbonáticas é
euédrica, em contraste com a calcita anédrica coexistente; grãos detríticos
anédricos a subédricos em mármores.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,179 a 0,183: cores de até 4ª ordem intensas, difíceis
cores de interferência: de classificar e reconhecer. São cores cremes de ordens elevadas,
podem se assemelhar a branco perláceo.
Extinção: simétrica em relação às duas clivagens.
Sinal de Elongação: não se aplica.
Maclas: lamelares, segundo (02-21). Dependendo da orientação do grão,
surgem um ou dois sets de maclas. Lamelas de macla são paralelas à
diagonal mais curta do romboedro. Maclas mais raras que na calcita.
Zonação: não
LC Caráter: U(-) Ângulo 2V: não
Alteração: muito robusta, não é facilmente atacada pelo intemperismo.
Pode ser confundido com: ao microscópio petrográfico não é possível distinguir os carbonatos entre si.
Em tese, calcita tem maclas mais freqüentes, relevo mais baixo, forma romboedros com menos frequencia e
não tem a coloração freqüente da dolomita. Com o produto “alizarin red” a calcita torna-se rosa e pode ser
distinguida da dolomita. Teste com HCl diluído a frio: calcita efervesce, dolomita não. Aragonita, um
polimorfo ortorrômbico de calcita, não mostra a clivagem romboédrica e tem extinção paralela.
Associações: a dolomita é o carbonato mais comum depois da calcita. Forma uma solução sólida com a
ankerita (Fe). A dolomita é comum em muitas rochas sedimentares carbonáticas, em sedimentos clásticos e
em carbonatos metamórficos. Ocorre como porfiroblastos em talco-xistos e clorita-xistos. Forma os
dolomitos, constituindo massas cristalinas. Também ocorre em evaporitos como mineral primário. Em
rochas ígneas, dolomita ocorre como um produto de alteração hidrotermal de rochas básicas e ultrabásicas;
em muitos carbonatitos é um componente. As paragêneses não são típicas nem diagnósticas.

Ao microscópio petrográfico a dolomita apresenta as mesmas características da calcita.


73

DUMORTIERITA
(Al,Fe3+) 7(SiO4)3(BO3)O3 Nesossilicato Ortorrômbica
ND Cor / pleocroísmo: pleocroísmo forte: X = azul escuro a violeta, Y = amarelo a vermelho-violeta
a quase incolor, Z = incolor a azul muito pálido.
Relevo: alto
Clivagem: {100} distinta, {110} má, partição em {001}. A clivagem não é muito nítida;
grãos sem clivagem visível são comuns. Fraturas são comuns.
Hábito: cristais colunares, fibrosos a aciculares, pode formar agregados de fibras
paralelas, também xenomórfico (anédrico) e maciço.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,027, correspondendo a cores de 1ª ordem
cores de interferência: até início de 2ª ordem (cinza, laranja, vermelho, azul, verde).
Geralmente as cores são de 1ª ordem superior.
Extinção: paralela
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: comuns em {110}, pode formar maclas de 3 indivíduos (“trillings”)
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 20 – 52º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: glaucofano possui cores azuis, mas possui SE(+). Riebeckita também
apresenta pleocroísmo em azul, mas apresenta a típica clivagem dos anfibólios e a extinção pode ser
oblíqua. Turmalina apresenta zonação de cores e seções basais triangulares ou hexagonais.
Associações: a dumortierita é um mineral raro, que se restringe a rochas ricas em alumínio que sofreram
metamorfismo regional. Neste contexto ocorre tanto disseminada nas rochas (por exemplo, quartzito com
dumortierita) como em veios pegmatíticos de composição granítica que atravessam xistos ou gnaisses.
Associa-se a quartzo, cianita, sillimanita, andalusita, cordierita, biotita, muscovita, turmalina, topázio, apatita
e rutilo. Pode se associar intimamente a turmalina; também substitui sillimanita e biotita.

À esquerda, dumortierita a ND em duas posições a 90º


uma da outra, mostrando seu pleocroísmo em azul a
incolor, seu relevo alto e seu hábito colunar.
Acima, dumortierita a NC, mostrando suas cores de final
de 1ª ordem: laranja a vermelho, pode ser azul.
74

ENSTATITA
A enstatita é um dos extremos da Série Enstatita - Ferrosilita. Os termos intermediários são os seguintes:
En 100-90%: enstatita; En 90-70%: bronzita; En 70-50%: hipersteno; En 50-30%: ferro-hipersteno; En 30-
10%: eulita; En 10-0%: ferrosilita. A composição ideal da ferrosilita é (Fe)2[Si2O6]. Destes termos
intermediários, hipersteno e bronzita foram desacreditados como espécies minerais (veja Morimoto, 1988).
(Mg)2[Si2O6] Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor quando apenas com Mg. Se com ferro, pode ser verde pálido
(bronzita), ou verde-pálido a marrom pálido avermelhado, apresentando
pleocroísmo fraco: X,Y = amarelado a avermelhado, Z = cinza-verde.
São comuns lâminas de exsolução de clinopiroxênio segundo (100).
Relevo: moderado a alto.
Clivagem: {210} excelente. Nas seções prismáticas há apenas uma clivagem. Nas
seções basais há duas clivagens interceptando-se em ângulos de 87º e 93º,
típico dos piroxênios. Também partições em {100} e {010}.
Hábito: em rochas vulcânicas é colunar, alongado segundo o eixo c: prismático curto
com seção basal quadrada ou octogonal. Em rochas plutônicas e
metamórficas ocorre como cristais granulares subédricos a anédricos.
Bordas quelifíticas (bordas de reação do grão com a rocha envolvente)
podem ocorrer. Podem ocorrer inclusões paralelas (texturas de Schiller).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,008 a 0,015, cores de 1ª ordem: cinza a amarelo e
cores de interferência: laranja de 1ª ordem. As cores aumentam com o aumento do teor de Fe.
Extinção: tende a paralela.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: não muito comuns, por {100}, simples e lamelares. Não são diagnósticas
Zonação: zonação é comum em rochas vulcânicas, com núcleos ricos em Mg.

LC Caráter: Enstatita (B(+), Bronzita B(+) ou Ângulo 2V: aumenta com o aumento do teor em Fe.
B(-), Hipersteno (B-) Enstatita: 54-83º, Bronzita: 97-63º, Hipersteno: 63-45º
Alteração: mineral bastante resistente. Altera a serpentina em rochas ultramáficas (harzburgitos) e rochas
vulcânicas, geralmente como pseudomorfos com crescimento orientado (bastita; bastitização em
harzburgitos: as clivagens da serpentina (lizardita) são paralelas a [100] do ortopiroxênio). Também pode se
formar crisotilo com textura mesh, substituindo o ortopiroxênio. Intemperismo forma carbonatos, hidróxidos
de ferro ou hematita.
Pode ser confundido com: diagnósticas são as duas clivagens a quase 90º nas seções basais, sua baixa
birrefringência e seu relevo moderado. Clinopiroxênios possuem extinção oblíqua. Os minerais do Grupo do
Epidoto apresentam cores de interferência mais fortes e anômalas, andalusita possui SE(-) e índices de
refração menores, cianita possui extinção oblíqua e clivagem perfeita, melilita e escapolita são uniaxiais.
Associações: enstatita é muito comum em rochas plutônicas, especialmente em rochas ultramáficas e
basálticas. Em piroxenitos e peridotitos a enstatita e a bronzita predominam (bronzitito, lherzolito), mais
raramente hipersteno (harzburgitos). Bronzita e hipersteno são comuns em gabros e noritos. Em dioritos e
em granitos “secos” (charnokitos) apenas o hipersteno é comum. Há uma tendência de membros ricos em
Fe em rochas magmáticas mais ricas em SiO2. Em rochas vulcânicas os ortopiroxênios ocorrem como
fenocristais, especialmente em rochas andesíticas a dacíticas – geralmente trata-se de hipersteno. Em
andesitos escuros ocorre bronzita rica em Fe. Hipersteno é uma fase característica da fácies granulito em
rochas metamórficas. Ortopiroxênios também ocorrem em meteoritos.
75

Ortopiroxênio a ND mostrando o típico pleocroísmo em discretos tons de marrom


avermelhado, a clivagem bem desenvolvida nestas seções longitudinais e o relevo alto.

Granulito a ND com opacos (pretos), quartzo e feldspatos (incolores + relevo baixo), clinopiroxênios
e ortopiroxênios (ambos com o mesmo tipo de clivagem, a mesma forma granular e o mesmo relevo
alto). Mas ortopiroxênios apresentam pleocroísmo definido em rosa (grão no centro da imagem),
extinção tendendo a paralela e cores de interferência mais baixas - amarelas (ver imagem abaixo).
Clinopiroxênios são incolores, tem extinção oblíqua e cores de interferência mais fortes.

Ortopiroxênios a NC: as cores de interferência variam entre o cinza e o laranja de 1ª ordem, não
alcançando o azul nem o verde. Muito diagnóstica é a extinção quase paralela. Na imagem da
esquerda, a cor azul no canto inferior esquerdo corresponde a um clinopiroxênio e há várias
seções de clinopiroxênio também com cores laranjas.
76

EPIDOTO
O Grupo do Epidoto compõe-se de Clinozoisita, Epidoto e Piemontita. Pistacita é uma variedade verde.
Ca2(Al,Fe)Al2Si3O12.(OH) Sorossilicato Monoclínico prismático
ND Cor / pleocroísmo: Esverdeado-amarelo pálido com pleocroísmo: X = incolor, verde pálido,
amarelo pálido; Y = amarelo esverdeado, marrom esverdeado; Z = verde
pálido, amarelo-verde. O pleocroísmo pode ser quase imperceptível.
Relevo: alto, aumenta com o aumento do teor de Fe.
Clivagem: {001} perfeita, {100} imperfeita. Clivagem perfeita em uma direção.
Hábito: agregados de cristais alongados a aciculares, paralelos ao eixo b,
prismáticos de seções pseudohexagonais ou rômbicas. Pode formar
agregados radiais divergentes ou granulares anédricos. Também fibroso.
NC Birrefringência e birrefringência alta, de 2ª – 3ª ordem (0,014 – 0,045), aumenta com o
cores de interferência: aumento do teor de Fe. Cores anômalas claras, intensas e variadas:
amarelo, verde, vermelho, azul. Grãos individuais podem mostrar várias
cores em anéis concêntricos (núcleos pobres em Fe e bordas ricas em
Fe) ou em faixas e manchas irregulares.
Extinção: Paralela à clivagem em seções prismáticas (anômala até 14º).
Oblíqua à clivagem em seções pseudohexagonais.
Sinal de Elongação: SE (+) ou SE(-), depende da seção e da composição química. Cristais
zonados podem mostrar zonas com sinais de elongação diferentes.
Maclas: polissintéticas, raras, com seções em forma de coração.
Zonação: frequentemente zonado.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 64-90º
Alteração: o epidoto é muito resistente, mas pode alterar a clorita. É produto de alteração.
Pode ser confundido com: Diagnósticas são as cores intensas (anômalas) de interferência irregularmente
distribuídas. Clinozoisita pode apresentar extinção paralela e é B(+). Olivina é semelhante, mas não mostra
clivagem. Diopsídio e augita possuem extinção mais oblíqua. Zoisita possui extinção paralela em qualquer
orientação e birrefringência mais baixa. Piemontita é pleocróica em laranja. Monazita é B(+).
Associações: O epidoto e clinozoisita são minerais muito comuns e bem distribuídos. São comuns em
rochas metamórficas de metamorfismo regional de baixo grau, em xistos verdes, filitos calcários e xistos
azuis. Em rochas metamórficas de grau médio como mica-xistos e gnaisses. Por metamorfismo retrógrado
formam-se epidoto e zoisita por saussuritização (alteração do componente anortita do plagioclásio). Epidoto
é comum em rochas metamórficas de contato (biotita hornfels, rochas calcosilicáticas, escarnitos, etc.).
Epidoto pode ter origem magmática, ocorrendo em fraturas e cavidades de magmatitos cujas rochas são
ricas em piroxênios e anfibólios, substituindo o componente anortita dos plagioclásios. Nas rochas ígneas é
secundário e tardio. É comum em zonas cataclásticas de rochas granitóides.
Em rochas de baixo grau, epidoto e clinozoisita associam-se a actinolita, microclínio, albita, calcita e
quartzo, ou a clorita, albita, vesuvianita e tremolita. Com o aumento do grau metamórfico ocorre com albita,
oligoclásio, hornblenda e almandina. Na fácies xistos azuis com epidoto, glaucofano, lawsonita, pumpellyita,
clinozoisita, clorita, muscovita, quartzo, albita, calcita e titanita. Em rochas de metamorfismo de contato com
vesuvianita, fassaita, andradita ou grossulária, actinolita, hornblenda, biotita e albita. Comum em mármores,
associado a granada, diopsídio, vesuvianita e calcita.
77

Cristais grandes de epidoto, mostrando a ND (à esquerda) seu relevo alto e a discreta cor em verde. A
NC (à direita) são típicas as cores de interferência intensas, irregularmente distribuídas. Cristais grandes
como estes são uma exceção, normalmente o epidoto forma grãos pequenos.

Em condições ideais o epidoto forma cristais prismáticos longos, macroscopicamente com uma cor verde
intensa. À esquerda, a ND, percebe-se a discreta cor verde; o pleocroísmo é praticamente imperceptível.
À direita, a NC, dominam as cores de interferência intensas.

Zonas cataclásticas com abundante epidoto são comuns em regiões graníticas, formando rochas que
macroscopicamente apresentam uma cor verde intensa. Ao microscópio, observa-se que os epidotos
formam grãos muito pequenos. À esquerda, a ND, há uma discreta diferença de cor entre epidoto e
quartzo. À direita, a NC, percebe-se que os epidotos raramente formam grãos algo maiores.

Epidoto em alteração de biotita a ND:

No topo da imagem, feldspato alterado incolor, mas


“enevoado” devido à alteração a argilominerais.
Restos de biotita em marrom.
Clorita em verde claro.
Calcita incolor (em baixo)
Epidoto em verde cítrico. Apresenta pleocroísmo
muito nítido e relevo alto.
78

ESCAPOLITA
“Escapolita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico que se refere à série marialita (Na) -
meionita (Ca), excluindo a silvialita, que também pertence ao Grupo da Escapolita. Da série marialita-
meionita, os extremos composicionais não ocorrem na natureza; wernerita é uma composição
intermediária.
(Na,Ca)4Al3-6Si9-6O24(Cl,CO3) Tectossilicato Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor, muito raramente amarelo pálido ou violeta, com pleocroísmo fraco.
Inclusões frequentemente deixam o cristal turvo (“cloudy” = nublado)
Relevo: baixo a moderado.
Clivagem: {100} boa e {110} distinta. Em seções basais as clivagens intersectam a 90º.
Cristais colunares possuem partição em {001}.
Hábito: prismático segundo z, mais raramente acicular, colunar, pode formar
agregados granulares, pode ser poiquilítica.
NC Birrefringência e Marialita 0,004 – 0,005; meionita 0,034 – 0,038: cores de interferência
cores de interferência: de 1ª e 2ª ordem até no máximo violeta claro. Os termos sódicos
apresentam cores entre cinza escuro e branco (início de 1ª ordem),
enquanto que os termos cálcicos possuem cores mais fortes.
Extinção: paralela, em agregados granulares não é possível determinar.
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: não apresenta.
Zonação: pode estar zonada.
LC Caráter: U(-) Ângulo 2V: pode apresentar ângulo 2V anômalo de 0 a 10º.
Alteração: alteração hidrotermal a diferentes zeolitas (chabazita, estilbita, analcima, etc), também a calcita,
prehnita e epidoto. Intemperismo conduz a alteração a caulinita.
Pode ser confundido com: feldspatos possuem maclas, extinção oblíqua e são biaxiais. Quartzo não tem
clivagem, possui birrefringência mais baixa e é U(+). Feldspatóides possuem relevo mais alto. Nefelina e
cancrinita ocorrem em paragêneses diferentes. Cordierita, andalusita e wollastonita são biaxiais.
Associações: a escapolita é um mineral muito raro, que ocorre em rochas de metamorfismo regional e
termal a partir de protólitos gabróicos ou carbonáticos (escarnitos). Em gabros alterados substitui
plagioclásio. Em rochas vulcânicas ocorre como mineral pneumatolítico de contato. Também foi encontrada
em granulitos e xistos. Tipicamente contém inclusões como quartzo, calcita e feldspato; podem ocorrer
inclusões fluidas. Associa-se a vesuvianita, diopsídio, granada, calcita e wollastonita; também com
cancrinita, melanita e andradita (granada). Em rochas metamórficas associa-se a piroxênio, anfibólio,
flogopita, granada e titanita. Em rochas vulcânicas associa-se a anortita, nefelina e wollastonita.
79

Escapolita. A ND (à esquerda) é incolor e, nestas seções basais, apresenta as duas direções de


clivagem a 90º uma da outra (uma clivagem é melhor que a outra clivagem). A NC (à direita),
neste caso, as seções são basais e apresentam cores cinzentas, fornecendo perfeitas figuras de
interferência uniaxiais negativas.

Escapolita a ND (em cima) e


a NC (em baixo).

Diagnósticas são as
clivagens a 90º nas seções
basais, o relevo mais alto
que o relevo de quartzo e
feldspatos e, principalmente,
a figura uniaxial negativa.

Dependendo da composição
química, as cores de
interferência podem ser mais
fortes, o que reforça a
importância de considerar a
paragênese (tipo de rocha e
minerais que podem ocorrer
ali).
80

ESCOLECITA
São 3 zeolitas muito semelhantes: escolecita (Ca), mesolita (Ca,Na) e natrolita (Na).
CaAl2Si3O10·3H2O Tectossilicatos – Grupo das Zeolitas Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: baixo
Clivagem: {110} perfeita, geralmente não visível ao microscópio.
Hábito: prismático longo, muito típico, formando agregados radiados. Mais
raramente fibrosa, nodular ou maciça. Pode apresentar terminações em
forma de “V” devido ao fato de estar geralmente maclada.
NC Birrefringência e 0,011 a 0,012: cores de meio de 1ª ordem – cinza claro a branco (como
cores de interferência: todas as zeolitas mais comuns).
Extinção: oblíqua
Sinal de Elongação: SE(-) (diagnóstico!)
Maclas: muito comuns em {100}, visíveis tanto nas seções longitudinais como
nas seções basais. São maclas de interpenetração e de contato.
Zonação: não
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 36 – 56º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: muito semelhante a outras zeolitas de hábito prismático longo. Os outros dois
membros da série (natrolita de Na e mesolita de Ca-Na) são extremamente parecidos.
Associações: a escolecita é um mineral típico de cavidades e fraturas em rochas basálticas. Também
ocorre associada a gnaisses e anfibolitos. Pode ocorre em lacólitos de magmas sieníticos e gabróicos.
Associa-se a outras zeolitas, prehnita e calcita. Uma abordagem detalhada da ocorrência, das formas e de
outros detalhes da escolecita pode ser encontrada no livro “Zeolites of the World” de Rudy Tschernich,
disponível para download na internet. Informações detalhadas sobre as várias maneiras de ocorrência de
heulandita podem ser encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais: http://www.iza-online.org/

Escolecita em seções mais ou menos longitudinais a ND (esquerda) e a NC (direita). A ND, é incolor, não
mostra a clivagem e possui relevo baixo. Há 3 bolhas na cola da lâmina. A NC, como todos os cristais
estão maclados, sempre haverá um indivíduo da macla em posição de extinção (preto) e o outro indivíduo
da macla em posição de iluminação, mostrando as cores de interferência entre cinza e branco.
81

Maclas na Escolecita:
Os cristais de escolecita geralmente estão maclados. Trata-se de uma macla simples, de contato,
formada por 2 indivíduos, como na ilustração abaixo, à esquerda (o plano de macla está em
vermelho). Seccionando-se o cristal quase perpendicularmente ao alongamento, obtêm-se seções
como abaixo à direita, onde a seção está dividida em duas metades, uma das quais sempre estará
extinta e a outra sempre em posição de iluminação.

Escolecitas macladas a NC seccionadas perpendicularmente ao


alongamento, mostrando os planos de macla (linhas retas que
separam as porções brancas das pretas. À esquerda, em agregado
grande, à direita preenchendo cavidade em rocha vulcânica.

À medida que as seções afastam-se da perpendicular ao alongamento, tornam-se


cada vez mais compridas e o plano de macla assume posição cada vez mais diagonal.
Seções exatamente paralelas ao alongamento mostram-se prismáticas longas,
divididas ao meio (paralelamente ao alongamento) pelo plano de macla, sempre com um
lado escuro (cristal em posição de extinção) e com o outro lado cinza claro (cristal em
posição de iluminação, máxima ou não).
Abaixo à esquerda há duas imagens mostrando algumas seções oblíquas ao
alongamento.
Abaixo à direita há uma imagem de seções seccionadas exatamente paralelamente
ao alongamento: um cristal está maclado e é possível visualizar o ângulo reentrante que
denuncia a macla (seta vermelha).
82

ESPINÉLIO
O espinélio pertence ao Grupo do Espinélio e forma três séries: a série espinélio-hercynita FeAl2O4, a série
espinélio-gahnita ZnAl2O4 e a série espinélio-magnesiochromita Mg(Cr,Al,Fe)2O4.
MgAl2O4 Óxido Cúbico
ND Cor / pleocroísmo: altamente variável: incolor, verde claro ou verde escuro, vermelho, azul,
amarelo, marrom, preto. Pleocroísmo anômalo apenas em algumas
variedades azuis contendo zinco.
Relevo: extra alto, muito elevado.
Clivagem: não possui, apenas uma partição em (111) de má qualidade (indistinta).
Exceção: espinélio em mármores a forsterita (olivina) mostra uma clivagem
boa segundo {100}.
Hábito: normalmente grãos anédricos, pode formar octaedros e mostrar faces do
cubo ou do dodecaedro. As seções são rômbicas.
NC Birrefringência e isótropo
cores de interferência:
Extinção: isótropo
Sinal de Elongação: isótropo
Maclas: não é visível ao microscópio, mas é comum segundo {111} (Lei do
Espinélio), de penetração ou de contato, pode formar grupos radiais de
6 indivíduos (“sixlings”).
Zonação: frequentemente zonado
LC Caráter: isótropo Ângulo 2V: isótropo
Alteração: não altera, é detrital e se concentra em areias.
Pode ser confundido com: o espinélio é o único mineral isótropo comum de cores intensas. Granada é
semelhante, mas não mostra seções triangulares nem anomalias ópticas.
Associações: é um mineral comum, formado a altas temperaturas como acessório em rochas ígneas,
principalmente em basaltos, kimberlitos, peridotitos e em xenólitos. Ocorre em metapelitos (xistos) formados
em metamorfismo regional e em calcários que sofreram metamorfismo de contato. Também em pegmatitos.
Pode ser detrital. Associa-se a almandina (granada), cordierita, coríndon, calcita, dolomita, serpentina,
olivina e cromita.

Espinélio verde a ND. A NC o espinélio é


isótropo (preto ao giro de 360º da platina). O
relevo muito alto é característico, bem como
a ausência de clivagem e as formas
anédricas. Os tamanhos variam desde muito
pequenos até relativamente grandes; as
rochas também são muito variadas.
83

Espinélios de cor marrom profunda a ND. A NC, isótropo.

Espinélios a ND. À esquerda, em verde profundo; à direita, em amarelo. A NC, são isótropos.

Espinélios a ND. À esquerda, em amarelo esverdeado; à direita, em amarelo. A NC, são isótropos.
84

ESPODUMÊNIO
O Espodumênio possui duas variedades que são consideradas gemas: a Hiddenita possui cor verde e a
Kunzita é rosa a lilás.
LiAlSi2O6 Inosilicato, Grupo dos Piroxênios Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. As variedades são pleocróicas: hiddenita apresenta pleocroísmo
moderado entre verde e incolor e a kunzita apresenta pleocroísmo
moderado entre rosa ou lilás e incolor.
Relevo: moderado
Clivagem: {110} boa a distinta, exibindo nas seções basais duas clivagens que formam
ângulos de 87º e 93º entre si. Nas seções prismáticas apenas uma
clivagem. Trata-se da típica clivagem dos piroxênios. Também há partições
segundo {100} {010}
Hábito: cristais prismáticos, pode ser maciço.
NC Birrefringência e birrefringência entre 0,014 e 0,018, correspondendo a cores entre cinza
cores de interferência: e o laranja de 1ª ordem. Não alcança o azul.
Extinção: oblíqua, entre 20 e 26º.
Sinal de Elongação: sem informações
Maclas: comuns segundo {100}
Zonação: sem informações
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 54 – 69º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: Diopsídio é muito semelhante, mas espodumênio possui um ângulo de
extinção menor que aquele do diopsídio. Característico para o espodumênio é a sua paragênese
(pegmatitos litiníferos).
Associações: o espudomênio é um mineral raro, mas é comum em pegmatitos complexos, ricos em lítio,
associado a outros minerais litiníferos como a lepidolita (uma mica de cor roxa). O maior cristal já registrado
mediu 12,5 m de pesou 54 toneladas. Também ocorre em alguns aplitos e raramente em gnaisses. Associa-
se a quartzo, albita, feldspatos potássicos, petalita, eucriptita, berilo, turmalina e lepidolita.
85

ESTAUROLITA
(Fe,Mg)2(Al,Fe)9O6[Si4O22](O,OH)2 Nesossilicato Monoclínica, pseudo-ortorrômbica.
ND Cor / pleocroísmo: incolor a amarela, tipicamente com pleocroísmo. O pleocroísmo é muito
nítido nas seções longitudinais, mas é fraco ou ausente nas seções basais.
X = incolor; Y = incolor, amarelo pálido, marrom amarelado; Z = amarelo
claro, dourado (cor de mel), marrom avermelhado.
Relevo: alto
Clivagem: {010} distinta.
Hábito: prismas euédricos curtos, alongados segundo o eixo Z e seções pseudo-
hexagonais (6 lados). Textura de “peneira” (“sieve texture”), também
chamada de “queijo suíço” (“swiss cheese”) é muito comum, formada por
estaurolita contendo muitas inclusões arredondadas de quartzo.
NC Birrefringência e birrefringência relativamente baixa, de 0,009 a 0,014: cores de
cores de interferência: interferência de 1ª ordem superior, varia entre o cinza claro e o laranja.
Extinção: paralela nas seções longitudinais, simétrica nas seções basais.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: maclas cíclicas em 60º são comuns, também ocorrem maclas de
interpenetração em forma de cruz ou “X”. O reconhecimento destas
maclas ao microscópio é algo difícil.
Zonação: raramente zonada.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 80 – 90º
Alteração: com o aumento do metamorfismo a estaurolita é substituída por granada (almandina) + cianita
ou por almandina + sillimanita. Por alteração retrógrada a estaurolita é subtituída por clorita e sericita.
Pode ser confundido com: a cor amarela, o relevo alto e o pleocroísmo em amarelo/dourado são muito
típicos, as paragêneses também ajudam muito (rochas metamórficas com micas, quartzo, etc). Turmalina é
algo parecida (pleocroísmo às vezes em tons amarelos fortes), mas possui hábito prismático alongado
(prismas longos), seções basais trigonais e é U(-) (pode ser B anômalo com 2V pequeno). Epidoto possui
cores de interferência mais elevadas e frequentemente em zonas.
Associações: a estaurolita é um mineral comum em rochas metamórficas de composição pelítica e grau
médio de metamorfismo (fácies anfibolito baixo a médio), formadas por metamorfismo regional, como mica-
xistos, filitos e gnaisses. A estaurolita associa-se a granada, cordierita, cianita, muscovita, biotita e quartzo e
pode ser encontrada também como mineral detrítico em sedimentos, placers, etc.

No centro da imagem, a ND, cristal prismático curto


com relevo alto de estaurolita. As cores são
amareladas e podem se assemelhar às cores das
biotitas (cores amareladas a marrons), mas a biotita
possui relevo bem mais baixo, clivagem muito melhor
e pleocroísmo muito mais forte.
86

Seção longitudinal de estaurolita a ND mostrando o pleocroísmo mais forte que este mineral pode
apresentar (seções basais não mostram pleocroísmo). Ao seu redor, quartzo (incolor) e biotita
(marrom). Os contornos algo irregulares, a virtual ausência de clivagem e inclusões em números
variáveis são típicos.

A mesma seção de estaurolita das


imagens acima, agora a NC e mostrando
a cor de interferência máxima que a
estaurolita apresenta. Outras cores são
em amarelo mais fraco e em tons de
cinza. A extinção tende a paralela,
geralmente de determinação algo difícil
devido à forma subédrica dos grãos.

Grandes cristais de estaurolita intercrescidos (possívelmente macla) com textura em peneira, formada
por muitas inclusões arredondadas de quartzo. À esquerda, a ND, observa-se a cor amarela típica da
estaurolita; associa-se biotita (marrom), quartzo (incolor e relevo baixo) e granada (incolor, redonda e
relevo alto). A NC, um dos grãos de estaurolita está na posição de extinção; o outro mostra a cor de
interferência máxima da estaurolita.
87

ESTILBITA
“Estilbita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico que se refere a estilbita-Ca e a estilbita-Na.
Estas duas espécies de estilbita não podem ser distinguidas ao microscópio petrográfico.
Estilbita-Ca: NaCa4[Al9Si27O72].nH2O Tectossilicato, Monoclínica
Estilbita-Na: (Na,Ca,K)6-7[Al8Si28O72].nH2O Grupo das Zeolitas
Os dados abaixo referem-se à estilbita-Ca:
ND Cor / pleocroísmo: incolor.
Relevo: baixo
Clivagem: {010} perfeita.
Hábito: os cristais apresentam-se tipicamente com formas tabulares finas. Estes
cristais constituem agregados radiados que podem evoluir para agregados
em forma de gravata-borboleta. Mais raramente pode formar agregados
esféricos.
NC Birrefringência e 0,010 a 0,013, correspondendo a cores de meio de 1ª ordem: cinza
cores de interferência: escuro, cinza claro, branco e amarelo-palha.
Extinção: tende a oblíqua, com ângulos de 3 – 12º. Pode simular ser paralela!
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: apresenta maclas de interpenetração e em forma de cruz.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 30 – 49º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: outras zeolitas são B(+).
Associações: a estilbita é um mineral hidrotermal de temperaturas baixas que cristaliza em cavidades e
fraturas de rochas vulcânicas básicas e ácidas como basaltos, andesitos e riolitos. Também pode ser
encontrada associada a rochas metamórficas. Forma-se em fontes quentes e pode cimentar rochas
sedimentares como arenitos e conglomerados. Associa-se a outras zeolitas (heulandita, laumontita, etc.),
calcita, quartzo e argilominerais. Uma abordagem detalhada da ocorrência, das formas e de outros detalhes
da estilbita pode ser encontrada no livro “Zeolites of the World” de Rudy Tschernich, disponível para
download na internet. Informações detalhadas sobre as várias maneiras de ocorrência de heulandita podem
ser encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais: http://www.iza-online.org/

Estilbita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Típicas são as formas tabulares, que podem formar uma
trama como aqui ou se agregar em conjuntos de forma gravata-borboleta.
88

EUDIALITA
A eudialita é o principal representante do Grupo da Eudialita, composto por 26 membros.
Na4(Ca,Ce)2(Fe2+,Mn2+)ZrSi8O22(OH,Cl)2 Ciclossilicato Hexagonal
ND Cor / pleocroísmo fraco entre X = incolor, rosa, amarelo pálido e Y = rosa a incolor.
pleocroísmo: Este pleocroísmo pode não ser perceptível e o mineral parece incolor. Por isso é
importante observar a amostra macro com o estereomicroscópio (lupa), porque a
eudialita geralmente apresenta uma cor rosa bem chamativa (semelhante à cor
da rhodonita) e, uma vez constatada sua presença na amostra macro, pode ser
identificada na lâmina com segurança.
Relevo: moderado. Importante!
Clivagem: {0001} perfeita a indistinta; {11-20} imperfeita.
Hábito: cristais romboédricos a prismáticos longos. Geralmente como
massas irregulares e preenchimento de veios.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,004, correspondendo a cores
cores de interferência: cinza escuras de início de 1ª ordem.
Extinção: paralela
Sinal de Elongação: sem informações
Maclas: não apresenta.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: U(+) ou U(-) Ângulo 2V: não.
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: a sua ocorrência característica em sienitos nefelínicos e granitos alcalinos
facilita seu reconhecimento. Nefelina possui relevo mais baixo.
Associações: a eudialita é um mineral relativamente raro, de origem magmática ou pneumatolítica tardia,
característico de sienitos nefelínicos, granitos alcalinos e pegmatitos associados. Macroscopicamente
geralmente apresenta uma cor rosa-vermelha intensa (pode apresentar outras cores). É levemente
radioativa, usada como minério de Zr e contêm Elementos de Terras Raras. Pode ser um constituinte
principal da rocha. Eucolita é um termo usado para uma variedade ópticamente negativa
(ferrokentbrooksita). Associa-se a sodalita, arfvedsonita, aenigmatita, rinkita, microclínio, nefelina, aegirina,
lamprobolita, lorenzenita, murmanita, lavenita, titanita e magnetita-Ti.

No centro da imagem, grão de eudialita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Imagem obtida com a


objetiva de médio aumento (10x) e zoom, pois o grão é pequeno. Não se observa o pleocroísmo em
rosa nem clivagem, mas a forma (tendendo a losangular), o relevo médio e a figura de interferência
U(-) são diagnósticas.
89

FLOGOPITA
A flogopita é uma variedade da biotita. A Série da Biotita compõe-se de: flogopita (Fe 0-20%, Mg 100-
80%), meroxeno (Fe 20-50%, Mg 80-50%), lepidomelano (Fe 50-80%, Mg 50-20%) e siderophyllita (Fe
80-100%, Mg 20-0%). O termo biotita se aplica aos membros meroxeno, lepidomelano e siderophyllita.
K2Mg6Al2Si6O20(OH,F)4 Filossilicato Monoclínico
ND Cor / dependendo do teor em ferro, incolor a amarelado, esverdeada a marrom pálido,
pleocroísmo: raramente rosa. Seções // a (001) quase sem pleocroísmo, seções oblíquas ou
perpendiculares a (001) com pleocroísmo forte: X = incolor, amarelo pálido, laranja
pálido, rosa pálido; Y = Z = amarelo amarronzado, marrom-do-couro, laranja
avermelhado, marrom-avermelhado, marrom-vermelho pálido.
Relevo: moderado
Clivagem: {001} perfeita. Clivagem basal típica das micas, facilmente vista em lâmina
delgada como uma direção de clivagem perfeita nas seções longitudinais.
Hábito: lamelar e tabular, prismático a pseudo-hexagonal. Pode conter inclusões
radiaoativas com halos escuros (pretos) ao redor (zircão, monazita, apatita, etc.)
NC Birrefringência e birrefringência de 0,027 a 0,045: cores intensas e coloridas de 2ª e 3ª
cores de interferência: ordem. Seções basais com cores pretas a cinza.
Extinção: paralela e mosqueada. Raramente oblíqua com ângulo de 0 a 5º .
Sinal de Elongação: SE(+) pela clivagem, como todas as micas.
Maclas: segundo (001)
Zonação: rara, com núcleo esverdeado e bordas mais claras ou mais escuras.
LC Caráter: B(-), simula ser uniaxial. Ângulo 2V: 2-8º, raramente até 15º
Alteração: não altera.
Pode ser confundido com: diagnósticos são o hábito lamelar, uma clivagem perfeita e a extinção paralela
e mosqueada. Biotita possui relevo mais alto, cores mais fortes e um ângulo 2V menor. Variedades
incolores de flogopita podem ser distinguidas de muscovita pelo seu ângulo 2V menor e pela paragênese.

Associações: a flogopita é comum em rochas ígneas básicas e ultrabásicas (máficas e ultramáficas) como
peridotitos, carbonatitos e kimberlitos. Em rochas metamórficas ocorre em calcários impuros que sofreram
metamorfismo (mármores). Associa-se a olivina, diopsídio, calcita e piropo (em kimberlitos) ou olivina,
melilita, leucita, nefelina (em rochas vulcânicas subsaturadas em silica) ou calcita, tremolita, diopsídio,
forsterita (em carbonatos silicosos) ou calcita, apatita e coppita (em carbonatitos).
90

Imagem na página anterior: flogopita a ND mostrando seu pleocroísmo discreto. Ao seu redor, calcita.

Flogopita a NC, mostrando suas


cores fortes de interferência. É
muito semelhante a talco e
muscovita, por isso é importante
detectar seu suave pleocroísmo a
ND, pois talco e muscovita são
incolores.

Flogopita a ND (esquerda) e a NC (direita). Apresenta o hábito típico das micas, a clivagem perfeita
paralelamente ao alongamento, extinção paralela e mosqueada. Por isso é importante atentar aos
detalhes para um reconhecimento correto.

Flogopita incolor (centro da imagem) com calcita em carbonatito, a ND (esquerda) e a NC (direita).


Muito semelhante à muscovita, mas apresenta figura de interferência biaxial negativa com ângulo 2V
muito baixo, de quase zero graus (pseudo-uniaxial).
91

FLUORITA
CaF2 Halóide Cúbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor (colorida em seções espessas), raramente violeta pálido ou verde
pálido. Pode estar zonada (bordas roxas, por exemplo) ou com manchas
irregulares de cor. Em fluoritas roxas os halos coloridos ao redor de
inclusões radioativas são típicos.
Relevo: médio (ou alto negativo, de acordo com outras fontes).
Clivagem: {111} (octaédrica – forma triângulos) perfeita. Clivagens se intersectam em
ângulos de 70º e 110º, ou como 3 linhas se interceptando em ângulos de
60º e 120º . Se microcristalina não apresenta clivagem!
Hábito: normalmente anédrica, raramente formas cúbicas. Granular, seções com 6
lados, como material intersticial entre minerais anteriormente formados.
NC Birrefringência e isótropo. Frequentemente, entretanto, apresenta birrefringência anômala
cores de muito fraca, especialmente em cristais clivados, cortados ou pressionados.
interferência: Esta birrefringência se distribui em lamelas paralelas a [001].
Extinção: isótropo
Sinal de Elongação: isótropo
Maclas: comuns, (111) (octaédricas), de penetração.
Zonação: frequentemente zonada, em porções (pontos, faixas, zonas).
LC Caráter: isótropo Ângulo 2V: isótropo
Alteração: não altera com facilidade, inclusive pode ser detrital (ocorre em areias).
Pode ser confundido com: pontos ou faixas roxas (zonação) devido a traços de urânio e thório são muito
características. A isotropia, a zonação e a clivagem perfeita são diagnósticas.
Associações: é um mineral comum em veios hidrotermais mineralizados, especialmente aqueles de Pb e
Zn. Ocorre em greisens, granitos, pegmatitos, sienitos, carbonatitos, intrusões alcalinas e veios de alta
temperatura. Em alguns mármores e outras rochas metamórficas. Em cavidades de rochas sedimentares,
como cimento em arenitos, como depósitos de fontes quentes.

Veio horizontal preenchido por fluorita. À esquerda, a ND, observa-se o relevo moderado da fluorita contra o
relevo baixo dos grãos de quartzo acima e abaixo do veio. À direita, a NC, a fluorita se apresenta isótropa
(preta ao giro de 360º da platina). Alguns grãos tem esboços que tendem a euédricos.
92

Veio preenchido por fluorita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Nesta ocorrência a clivagem da fluorita
não é visível. A fluorita se apresenta com hábito granular e, a NC, é isótropa (preta ao giro de 360º).

Veio preenchido inicialmente com fluorita, que


desenvolveu formas cúbicas, e posteriormente com outros Cubo de fluorita a ND mostrando a clivagem
minerais. Imagem a ND e com o diafragma fechado em cúbica típica da fluorita. Esta clivagem nem
mais de 60% para ressaltar o relevo mais alto da fluorita. sempre é visível.

Zonação em cores violetas ou então cristais inteiramente


violetas são comuns em fluorita. É uma característica
importante, pois permite reconhecer a fluorita com
facilidade, inclusive em campo. São cores violetas em
vários tones, desde bem claro até quase preto.
Acima, agregado granular de fluoritas a ND apresentando
zonação em violeta, com as zonas tendendo a constituir
formas arredondadas.
À direita acima, detalhe desta zonação.
Ao lado, cavidade preenchida inicialmente com fluorita
apresentando zonação em azul/violeta na porção superior
dos cristais. Imagem a ND.
93
GALENA - PbS
A galena é o mais importante minério de chumbo, sendo muito fácil separar o chumbo do enxofre.
Além disso, é um dos sulfetos mais abundantes, de ampla distribuição. Pode conter teores variáveis (até
20%) de prata, por isso as galenas argentíferas foram, durante muito tempo, o mais importante minério de
prata. Galena também contém teores variáveis de Zn, Cd, Sb, As e Bi. Selênio substitui o enxofre da
galena, formando uma série de solução sólida com a clausthalita (PbSe). Nas zonas de intemperismo e de
oxidação, a galena altera para anglesita ou cerussita.
Cristais de galena são comuns. Normalmente formam cubos (o maior cubo tinha 1 m de aresta),
podem formar octaedros ou formas combinadas. A típica clivagem cúbica da galena com Bi torna-se
octaédrica, com Ag torna-se escamosa. Cristais recém-clivados exibem faces com um brilho metálico forte,
que com o tempo pode embaçar, perdendo o brilho e passando a fosco.
Galena se forma em uma série de ambientes. Ocorre em veios hidrotermais de sulfetos de chumbo
em um amplo intervalo de temperaturas. Também em depósitos de metamorfismo de contato; raramente
em pegmatitos. Ocorre disseminada em rochas ígneas e em rochas sedimentares como calcários e
dolomitos. Raramente em placers. Associa-se a esfalerita, calcita, fluorita, marcassita, pirita, calcopirita,
tetraedrita, minerais de prata, siderita, dolomita, barita, quartzo e muitos outros minerais hidrotermais.
Ao microscópio, a galena é opaca. Se está presente em cristais grandes, com a clivagem cúbica
bem desenvolvida, pode apresentar buracos triangulares e/ou quadrados ou com lados escalonados (“em
escadinha”), que são as “figuras de arranque” típicas do mineral. Se microcristalina, não apresenta figuras
de arranque. Iluminada obliquamente de cima com uma lâmpada LED, apresenta cor cinza. Geralmente há
um grão orientado de tal forma que os planos de clivagem refletem toda a luz, tornando-o branco e brilhante
em determinada posição, uma feição típica da galena.

À esquerda, galena a ND com Luz Transmitida mostrando seu caráter opaco (preto) e as típicas
figuras de arranque triangulares, às vezes com bordas escalonadas. Em amarelo, esfalerita (ZnS). Em
incolor, calcita e outros minerais transparentes. À direita, com luz LED oblíqua, a galena mostra sua
cor cinza, idêntica à cor de outros opacos comuns de cor cinza (magnetita, ilmenita e hematita).

Agregado de cristais de galena observado com a


lâmpada do microscópio desligada, iluminando a
lâmina obliquamente de cima com luz LED.
Sempre haverá um grão orientado de tal maneira
que seus planos de clivagem refletem toda a luz
em determinada posição, tornando-o branco e
brilhante (como no topo do agregado), uma feição
típica da galena.
À direita do agregado, alguns minerais opacos de
cores amarelas (pirita ou calcopirita).
94

GIPSO
CaSO4.2H2O Sulfato Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, não apresenta cor muito menos pleocroísmo.
Relevo: baixo
Clivagem: uma clivagem perfeita {010}, duas clivagens distintas em {100} e {011}.
Hábito: normalmente cristais anédricos a subédricos. Prismas curtos a aciculares,
tabular fino ou espesso, lenticular em rosetas, pode estar curvado,
deformado, fibroso, terroso, concrescionário, granular ou maciço.
NC Birrefringência e birrefringência baixa, de 0,01: cores de interferência cinzentas a
cores de interferência: brancas, semelhantes a feldspatos e quartzo.
Extinção: tende a ser oblíqua, até 15º. Em seções paralelas ao eixo b é paralela.
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-) pela clivagem, não é diagnóstico.
Maclas: maclas simples são muito comuns macroscopicamente: de contato em
{011} formando cruzes e “V”s, de contato em {-101} formando maclas
em forma de borboleta ou coração. Durante a preparação da lâmina
delgada, o aquecimento pode formar maclas polissintéticas em (100),
que podem ser curvas.
Zonação: sem informações.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 58º a 19ºC, decresce com aumento da temperatura.
Alteração: pode desidratar para anidrita. Por aquecimento, durante a preparação da lâmina delgada, pode
se transformar em bassanita (CaSO4.½H2O).
Pode ser confundido com: anidrita possui clivagem pseudocúbica, extinção reta e birrefringência muito
mais elevada. Em agregados finos o gipso pode ser confundido com calcedônia, mas calcedônia é U(+).
Associações: gipso é um sulfato de cálcio comum, frequentemente ocorrendo como evaporito. Pode se
formar por hidratação da anidrita, processo que implica em aumento de volume. Encontrado em fumarolas
vulcânicas, em gossans de depósitos sulfetados hidrotermais, como eflorescências em minas,
espeleotemas em cavernas e em cavidades de rochas vulcânicas. Associa-se a halita, argilominerais,
quartzo, calcita, dolomita e outros carbonatos.

Agregado de gipso com anidrita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Ambos os minerais a ND são


incolores e apresentam relevo baixo. A NC, a anidrita apresenta cores de interferência fortes, coloridas,
intensas, enquanto o gipso apresenta cores cinzentas como quartzo e feldspatos.
95

Cristais tabulares bem desenvolvidos de gipso Microcristais de gipso, quase fibrosos, em


(cinza) e anidrita (colorida) a NC. várias orientações, formando uma massa
densa. NC, aumento de 10x + zoom.

Agregado em roseta de gipso (cinzento) e anidrita Gipso em agregado denso de cristais tabulares
(colorida) a NC, aumento de 10x + zoom. São finos. NC, aumento de 2,5x. Com este material
agrupamentos radiais de cristais tabulares. são confeccionadas luminárias de gipso.

Minério de gipso do Pólo


Gesseiro de Araripe (PE). NC,
aumento de 2,5x. Trata-se de
cristais aproximadamente
tabulares, paralelos entre si,
que formam bandas
horizontais.
Alternam-se bandas
horizontais de cristais mais
largos (em baixo na imagem)
com cristais mais finos e
menores (quase no topo da
imagem).
As bandas são algo
irregulares, mas facilmente
visíveis tanto ao microscópio
como em amostra de mão.
96

GLAUCOFANO
Na2(Mg, Fe)3Al2Si8O22 (OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: Azul lavanda, azul, azul escuro, cinza a preto. Pleocroismo bem distinto: X =
incolor, azul pálido, amarelo; Y = azul-lavender, verde-azulado, Z = azul,
azul esverdeado, violeta. Fica mais escuro com teores mais elevados de Fe.
Relevo: médio a médio alto.
Clivagem: {110} perfeita. Nas seções longitudinais (prismáticas) há apenas uma
clivagem. Nas seções basais há duas clivagens que interceptam-se em
ângulos de 56º e 124º, o que é típico dos anfibólios.
Hábito: prismático, acicular, colunar. Mais raramente fibroso ou granular.
NC Birrefringência e birrefringência alta, variando de 0,006 a 0,023: cores de 1ª e 2ª ordem,
cores de interferência: normalmente bem coloridas.

Extinção: oblíqua, ângulo de 0 – 22º (pode simular ser paralela!)


Nas seções basais a extinção é simétrica.
Sinal de Elongação: SE (+)
Maclas: não
Zonação: frequentemente zonado.
LC Caráter: B(-) ou B(+), usualmente B(-) Ângulo 2V: 10-80º ou 0-50º ou 10-45º (varia conforme a
fonte)
Alteração: a anfibólio (actinolita).
Pode ser confundido com: a cor azul, tanto em amostra de mão como em lâmina delgada a ND, é muito
diagnóstica. Riebeckita possui SE(-) e hábitos algo diferentes. Dumortierita possui SE(-).
Associações: o glaucofano ocorre em rochas metamórficas de grau médio, de baixa temperatura e alta
pressão, originadas em metamorfismo regional (xistos-azuis). Associa-se a lawsonita, pumpellyita, clorita,
albita, quartzo, jadeita, omfacita e membros do Grupo do Epidoto. Crossita é um termo hoje desacreditado
que designava minerais com composições intermediárias entre glaucofano e riebeckita.

Glaucofano a ND (cristal azul na vertical) em duas posições a 90º, com seu pleocroísmo típico em cores
azuis a incolor. Característico também é o hábito prismático, tendendo a fibroso, bem típico dos anfibólios.
97

Glaucofano a ND (cristal azul na vertical) em duas posições 90º, com seu pleocroísmo entre azul e
lavanda. Os tons em lavanda ou violeta melhor vistos em cristais grandes. Em cristais pequenos
percebe-se geralmente apenas as cores azuladas.

Glaucofano em cristais bem desenvolvidos e


com as cores de pleocroísmo típicas em vários Seção basal de glaucofano a ND. Observa-
tons de azul e violeta. Observa-se o hábito se nitidamente as duas direções de
prismático, às vezes tendendo a fibroso, bem clivagem cruzando-se a 56º a 124º. Ao giro
característico dos anfibólios. da platina, a seção muda sua cor para
incolor.

Glaucofano a NC. Os cristais apresentam cores desde o Glaucofano em cristais muito pequenos
cinza claro até cores intensas de segunda ordem (verde- a ND, com seu hábito prismático típico
amarelado), passando por cores fortes de final de 1ª e sua cor azul característica, que muda
ordem (laranja até azul forte). para quase incolor ao giro de 90º da
platina.
98

GLAUCONITA
Durante décadas se acreditou que a glauconita e a celadonita eram o mesmo mineral. Veja também a ficha
da celadonita.
(K,Na)(Mg,Fe+2,Fe+3)(Fe+3,Al)(Si,Al)4O10(OH)2 Filossilicato Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: verde, amarelo, amarelo-verde, verde-oliva a azul-verde. Pleocroísmo
distinto entre X = amarelo-verde a verde, verde-azul escuro, Y e Z =
amarelo mais forte, verde oliva escuro, verde-azulado. Esse
pleocroísmo geralmente não é visível nos agregados de granulometria
muito fina.
Relevo: moderado
Clivagem: {001} perfeita, geralmente não visível em lâmina delgada devido ao
tamanho muito pequeno dos grãos.
Hábito: Glauconitas ocorrem tipicamente como agregados arredondados a
elípticos (“pellets”) compostos por partículas de granulometria muito fina
e de hábito micáceo.
NC Birrefringência e 0,020 a 0,032: cores fortes de 1ª ordem até início de 2ª ordem,
cores de interferência: geralmente mascaradas pela cor forte do mineral. A birrefringência
aumenta com o aumento do teor em Fe.
Extinção: oblíqua de 2-3º (simula extinção paralela!)
Sinal de Elongação: SE(+), mas os cristais geralmente são tão pequenos que não
permitem esta identificação.
Maclas: não apresenta
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(-), geralmente impossível de determinar devido Ângulo 2V: 0 – 20º (calculado)
ao tamanho muito pequeno das partículas.
Alteração: altera com facilidade com a formação de limonita.
Pode ser confundido com: orto- e leptoclorita apresentam birrefringência mais baixa. Biotita verde possui
birrefringência muito mais alta. O hábito da glauconita - em agregados arredondados de microcristais - é
muito típico. Celadonita (um argilomineral) é semelhante, mas ocorre em outras paragêneses. Em um
arenito, fragmentos de rochas vulcânicas, quando cloritizados, se parecem muito com glauconita.
Associações: A glauconita é um mineral sinsedimentar a diagenético de sedimentos marinhos. Forma-se
por alteração de biotitas detritais e outros minerais por diagênese marinha sob condições de águas rasas e
ambientes redutores. É especialmente comum em areias inconsolidadas, mas também ocorre em siltitos e
rochas carbonáticas impuras. Até o fim da década de 1990, o termo “green sand” foi aplicado
indistintamente a agregados de glauconita e celadonita. Glauconitas verdadeiras podem ter sido
encontradas em outros ambientes que os sedimentares marinhos, mas foram classificados como
celadonitas até 1998. Associa-se a quartzo, feldspato, dolomita, siderita, calcita, ankerita, pirita e “limonita”
(óxidos e hidróxidos de ferro)
99

Glauconita a ND (esquerda) e a NC (à direita) em calcário microcristalino fossilífero,


observadas com a objetiva de menor aumento (2,5x). Os agregados arredondados verdes
de glauconita mudam nitidamente de cor, de um verde algo cítrico a ND para um verde
profundo com tonalidades amareladas a NC.

“Pellets” de glauconita
em um arenito calcífero
fossilífero, observados
com a objetiva de médio
aumento (10x).

A ND (acima) a
glauconita apresenta a
cor verde típica,
lembrando cores cítricas.
Calcita está em cores
escuras, quartzo é
incolor.

A NC observa-se bem na
glauconita as cores de
interferência em um
verde mais escuro com
toques amarelados, em
contraste com as cores
creme da calcita e as
cores em cinza e branco
dos grãos de quartzo.
100

GOETHITA
FeO(OH) Óxido Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: fortemente pleocróica entre X = incolor a amarelo, Y = marrom-amarelado a
laranja-avermelhado e Z = laranja amarelado e marrom vermelho profundo.
Quando em cristais pequenos o pleocroísmo é difícil de observar.
Relevo: alto
Clivagem: {010} perfeita e {100} menos perfeita. Devido ao diminuto tamanho dos
cristais, essas clivagens geralmente não são visíveis.
Hábito: acicular paralela ao eixo z. Forma fibras divergentes em agregados radiais
ou concêntricos. Pode ser prismático, tabular, maciça, esferulítica, bandada,
reniforme, botrioidal ou estalagtítica.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,133 a 0,134. Muito alta, de 6ª ou 7ª ordem. As cores
cores de interferência: de interferência não são passíveis de identificação devido à forte cor
própria que a goethita apresenta.
Extinção: paralela em seções longitudinais.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: não apresenta.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-). Devido à alta dispersão é U(-) quando ʎ Ângulo 2V: 0 – 27º, dependendo do
= 605 – 620 nm. comprimento de onda da luz.
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: hematita é U(-) e tem cores predominantes marrom-vermelhas. Lepidocrocita é
muito parecida, mas tem hábito mais tabular e tende a idiomórfica. Brookita é similar.
Associações: a goethita é um produto comum de alteração (oxidação) de muitos minerais que contêm
ferro. Constitui minério em depósitos de ferro intemperizados. Também ocorre como mineral primário
precipitado em ambientes hidrotermais (veios de quartzo, etc) e marinhos. Em ambientes paludais forma o
“ferro dos pântanos” (“bog iron”) pela oxidação de águas contendo ferro. Associa-se a lepidocrocita,
hematita, pirita, siderita, pirolusita, manganita e muitos outros minerais de Fe e Mn.

Goethita formando agregados divergentes de fibras parcialmente paralelas, a ND (esquerda) e a NC


(direita). A estrutura lembra um pouco aquela da calcedônia (ágata). Diagnóstica é a cor vermelho
alaranjada com tons de marrom do material e a extinção paralela.
101

Detalhe das imagens da página Goethita em bandas revestindo uma cavidade na rocha. As
anterior, mostrando a estrutura dos bandas nada mais são do que muitos núcleos de
feixes radiais de cristais fibrosos a cristalização, lado a lado, que interferem uns nos outros no
capilares de goethita. NC. crescimento dando ao conjunto a forma de uma banda. NC.

Goethita esferulítica em dois aumentos, ambos a NC. A ND as cores são um pouco mais fracas. Percebe-
se nitidamente a tendência da goethita de formar pequenos agregados redondos, composto por feixes de
fibras em estrutura radial. É um hábito muito típico para goethita.
102

GRANADA
“Granada” não é um mineral, mas apenas um termo genérico que se refere aos membros do Grupo das
Granadas: Piropo, Almandina, Espessartita, Uvarovita, Grossulária e Andradita. É muito difícil, quase
impossível, diferenciar os membros do Grupo das Granadas apenas por suas características ópticas.
A3B2(SiO4)3 A=(Mg,Mn,Ca,Fe), B=(Al,Cr,Fe) Nesossilicato Cúbico
ND Cor / pleocroísmo: normalmente incolor, mais raramente rosa pálido, cinza pálido. Cores raras:
marrom claro, amarelo, avermelhado, esverdeado. Não são pleocróicas!
Relevo: muito alto (almandina), alto (grossulária).
Clivagem: não possui, mas quase sempre há muitas fraturas.
Hábito: formas euédricas cúbicas, seções com 4, 6 ou 8 lados, seções poligonais.
Mais comumente como grãos arredondados, muito fraturados. Inclusões são
comuns.
NC Birrefringência e isótropa
cores de interferência:
Extinção: isótropa
Sinal de Elongação: isótropa
Maclas: raras, complexas e por setores. Almandina não tem maclas.
Zonação: Grossulária frequentemente é zonada.
LC Caráter: isótropa Ângulo 2V: isótropa
Alteração: muito resistente, é um mineral detrital comum, concentra-se em areias. Por processos
hidrotermais ou metamorfismo de baixo grau pode alterar-se para clorita, serpentina, hornblenda, talco,
epidoto e óxidos de ferro. Bordas alteradas para cloritas verdes, epidoto e outros minerais, são chamadas
de coroas quelifíticas.
Pode ser confundido com: espinélio, mas este ocorre em octaedros e possui cor forte. Perovskita é
semelhante, mas tem relevo mais alto ainda. Periclásio é muito raro e possui clivagem.
Associações: A almandina é típica, porfiroblástica, em xistos e gnaisses; o piropo ocorre em rochas
ígneas ultramáficas (peridotitos); a espessartita aparece em pegmatitos, xistos e quartzitos. A grossulária
e a andradita são raras, ocorrem em zonas metamorfismo de contato. A uvarovita é a mais rara,
encontrada como mineral secundário em zonas de contato metamórfico. De uma maneira geral, as
granadas são muito resistentes, detritais, concentram-se em areias (placers) e rochas sedimentares.

Granada a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND, tipicamente é incolor, possui relevo muito alto,
não apresenta clivagem e sempre tem fraturas. A NC, todas as granadas sempre são isótropas
(pretas no giro de 360º da platina, porque cristalizam no Sistema Cúbico).
103

No centro da imagem, granada a ND com


Granadas a ND com coroas quelifíticas.
nítida cor rosa (sem pleocroísmo!). Ao seu
redor, anfibólios verdes.

Grão grande de granada, a NC, integralmente


alterado para clorita (cores azuis e marrons
Grão grande de granada a NC (preto) com
escuras) e muscovita (colorida)
muitas inclusões de quartzo (pontos
brancos a cinzas) em mica-xisto.

Granada a ND mostrando zonação com


Granada melanita a ND em rocha vulcânica. inclusões: as inclusões estão
Neste caso a granada é euédrica, concentradas em uma banda ao redor do
apresentando seção de 8 lados. núcleo do grão.
104

GRUNERITA
A grunerita forma uma série com a cummingtonita.
☐{Fe22+}{Fe52+}(Si8O22)(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor, pode ser verde pálido ou marrom pálido. Com o aumento do teor em
Fe pode ser pleocróica: X = amarelo pálido, Y = amarelo-marrom pálido, Z =
marrom pálido.
Relevo: alto
Clivagem: {110} perfeita. Seções longitudinais mostram apenas uma clivagem, paralela
ao eixo z (vertical) cristalográfico. Seções basais mostram duas clivagens
que se cruzam em ângulos de 124º e 56º, formando losangos (como em
todos os anfibólios). Devido ao típico hábito acicular/fibroso da grunerita,
estas clivagens são difíceis de visualizar.
Hábito: seu hábito característico é em agregados de cristais aciculares a fibrosos,
podem ser asbestiforme, formando massas compostas por fibras em várias
orientações.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,033 a 0,043, correspondendo a cores
cores de interferência: intensas, coloridas, de até 3ª ordem. Quando os cristais são muito finos
(aciculares/fibrosos) a observação das cores torna-se muito difícil.
Extinção: oblíqua de até 16º, pode simular ser paralela.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: comuns, simples ou múltiplas. Formam lamelas de macla estreitas.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 70 – 90º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: o hábito é muito típico de anfibólios. Também é diagnóstica a associação com
óxidos de ferro (magnetita e hematita). Cummingtonita pode ser semelhante.
Associações: a grunerita é um anfibólio mais raro que ocorre tipicamente em formações ferríferas que
sofreram metamorfismo de grau médio a alto. É possível coexistirem duas gerações de grunerita nestas
rochas, com hábitos diferentes (tabular/acicular). Em rochas com pouco quartzo a grunerita exibe hábito
prismático; em rochas com muito quartzo seu hábito é fibroso. Pode substituir olivina (fayalita) e
hedenbergita. Hornblenda verde (com pleocroísmo entre verde pálido e verde-amarelo) pode estar
intercrescida com grunerita. Também é encontrada em rochas formadas por metamorfismo de contato e em
alguns quartzitos de fácies xistos-azuis. Associa-se a hematita, magnetita, hedenbergita, riebeckita, quartzo,
granadas e olivina (fayalita).
105

Grunerita em agregado fibroso, radiado, com hematita (opaca) e clorita (verde), a ND (à esquerda) e a NC
(à direita). Este hábito da grunerita e sua associação com hematita são muito diagnósticos, bem como
suas cores intensas a NC.

Grunerita em um cristal mais largo, a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Típicos são o


relevo alto e discretons tons em marrom a ND e, a NC, cores fortes e extinção quase
paralela. Apenas cristais largos como este da imagem permitem obter figuras de
interferência confiáveis.

Feixe de cristais aciculares subparalelas de grunerita a ND (à esquerda) e a NC (à esquerda). Este


hábito praticamente impossibilita o reconhecimento das propriedades da grunerita, pois mascara
desde o relevo até a extinção. Figuras de interferência são impossíveis de obter e não há nenhuma
seção basal com as características clivagens dos anfibólios.
106

HAUYNITA
(Na,Ca)4-8 (Al6Si6(O,S)24)(SO4,Cl)1-2 Tectossilicato, Feldspatóide, Grupo da Sodalita Cúbica
ND Cor / pleocroísmo: incolor, azul, verde, vermelho, amarelo; não possui pleocroísmo. A
distribuição de cores pode ser irregular, em faixas. Lazurita é a designação
das variedades de cores azul ultramarinho, azul-da-meia-noite, verde-
azulado e verde, que compõe a rocha lapis-lázuli.
Relevo: muito baixo

Clivagem: {110} distinta. Pode ser visível em lâmina delgada.

Hábito: grãos equidimensionais, granulares, euédricos. Podem apresentar 6, 8 ou


10 lados. Mais raramente octaedros. Pode haver uma zonação de inclusões;
também são freqüentes margens pretas (sulfetos e óxidos de ferro). Vértices
arredondados e faces corroídas e curvas são comuns. Se os grãos são
muito pequenos e ocorrem como micrólitos na matriz, passam
despercebidos com facilidade.
NC Birrefringência e isótropa. Uma birrefringência muito baixa, anômala, é possível.
cores de interferência:
Extinção: isótropa
Sinal de Elongação: isótropa
Maclas: macroscopicamente possui maclas em {111}
Zonação: sem informações
LC Caráter: isótropa Ângulo 2V: isótropa
Alteração: alteração hidrotermal tardi-magmática altera a hauynita a agregados fibrosos de zeolitas
(similares a serpentina). Intemperismo conduz à formação de sericita e alteração forma caulinita. Nos
estágios iniciais de alteração a rocha pode apresentar uma cor vermelha devido a limonita disseminada de
granulação extremamente fina.
Pode ser confundido com: sodalita, hauynita e noseana podem ser difíceis de diferenciar entre si em
lâmina delagada. Analcima é similar, mas tende a ocorrer apenas em cavidades. Leucita tende a mostrar
maclas polissintéticas que lembram vagamente aquelas do microclínio, mas são menos visíveis.
Associações: a hauynita ocorre em rochas vulcânicas subsaturadas em sílica e ricas em Na como
fonolitos. Também em calcários que sofreram metamorfismo de contato.

Hauynita a ND (esquerda) e a NC (à direita). Os grãos apresentam uma cor azul distinta (grão da
direita com zonação), as formas geométricas características e as bordas pretas devido a sulfetos e
óxidos de ferro. A NC, a birrefringência anômala e a forte cor azul mascaram a isotropia que o mineral
cúbico deveria ter.
107

Fenocristal de hornblenda marrom alterada ao lado de um fenocristal de hauynita em rocha vulcânica


de matriz muito fina, a ND (esquerda) e a NC (direita). A hauynita caracteriza-se pelo baixo relevo,
formas geométricas e bordas pretas. A ND, apresenta birrefringência anômala.

Três grãos pequenos de hauynita de cores azuladas e de bordas pretas em uma rocha vulcânica
com feldspatos alinhados na matriz e fenocristais alterados de hornblenda marrom e noseana. ND.
108

HEDENBERGITA
A hedenbergita é um clinopiroxênio e integra a série de solução sólida diopsídio – augita – hedenbergita.
FeCaSi2O6 Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: fracamente pleocróica em verde-marrom. X = verde pálido ou verde azulado;
Y = verde, verde azulado; Z = verde, verde amarelado.
Relevo: alto
Clivagem: clivagens {110} perfeita, como todos os piroxênios: nas seções longitudinais
apenas uma direção de clivagem, nas seções basais duas clivagens que se
cruzam em ângulos de 87 e 93º.
Hábito: prismático curto (típico dos piroxênios), colunar longo, granular a acicular.
Também maciço. Seções basais com 8 lados. Pode mostrar dobramentos e
exsoluções lamelares de ortopiroxênios.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 a 0,029: cores intensas até o verde da 2ª
cores de interferência: ordem.
Extinção: oblíqua, com obliqüidade crescente com o aumento do teor em Fe.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: simples e polissintéticas segundo em {100} e {010}, formando lamelas
de piroxênio que estão orientadas obliquamente às clivagens.
Zonação: frequentemente zonada.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 58 – 63º
Alteração: alteração pneumatolítica a hidrotermal de altas temperaturas conduz à uralitização: agregados
fibrosos (textura de pincel) de anfibólios (tremolita ou actinolita). Alteração hidrotermal de baixa temperatura
conduz à serpentinização. Intemperismo produz carbonatos, hematita e quartzo.
Pode ser confundido com: augita, mas a hedenbergita é mais rica em ferro, possui cores a ND com tons
de azul e cores de interferência mais baixas que a augita. Olivina possui birrefringência mais alta, extinção
paralela e não mostra clivagem. Omfacita e jadeita ocorrem em paragêneses diferentes, anfibólios são mais
fortemente pleocróicos, tem um padrão de clivagem diferente e tendem a ser B(-). Ortopiroxênios possuem
extinção paralela. Membros ricos em Fe do Grupo do Epidoto possuem cores de interferência anômalas e
possuem clivagens diferentes. Arfvedsonita possui clivagem de anfibólio (nas seções basais duas direções
de clivagem que se cruzam em ângulos de 56 e 124º) e cores de interferência mais baixas.
Associações: a hedenbergita é um clinopiroxênio típico de sienitos e granitos alcalinos. Também ocorre em
formações ferríferas metamorfisadas e em escarnitos (carbonatos silicosos ricos em Fe) da fácies anfibolito.
Associa-se, em rochas magmáticas, com augita e pigeonita (normalmente na matriz), plagioclásio, olivina
com ou sem feldspatóides (nefelina e leucita). Em rochas de metamorfismo de contato associa-se a
diopsídio, grossulária (granada), vesuvianita, forsterita (olivina), wollastonita e clinozoisita.
109

Agregado denso de cristais prismáticos de


hedenbergita a ND.

Observando principalmente os cristais


mais largos, percebe-se nitidamente a cor
verde com tons em azul, uma
característica diagnóstica importante.

Também muito típica (Hedenbergita é um


clinopiroxênio rico em Fe!) é a associação
com opacos (provavelmente hematita) e
regiões e fraturas preenchidas com
materiais de cores alaranjadas, indicando
a presença de óxidos e hidróxidos de Fe

Seção basal com 8 lados


de hedenbergita, a ND.
O pleocroísmo da hedenbergita a ND é muito fraco, quase imperceptível. Estas seções apresentam
Alguns grãos, mais largos, mostram um pleocroísmo nítido, como acima: cores de interferência
as duas imagens estão giradas em 90º uma em relação à outra. É mais baixas.
necessário observar a lâmina com cuidado para perceber este pleocroísmo
diagnóstico.

Hedenbergita maclada. O grão foi


fraturado e as duas porções
deslocaram uma em relação à
Hedenbergita a NC. Apresenta cores de interferência fortes e
outra.
coloridas, desde cinza até azul e verde de 2ª ordem. Em branco
na imagem: quartzo.
110
HEMATITA – Fe2O3
A hematita, o mais importante minério de ferro (~70% de Fe em peso), é um mineral abundante,
encontrado em ambientes geológicos magmáticos, hidrotermais, metamórficos e sedimentares. Hematita
cristaliza em fontes quentes, fundos de lagos, ambientes vulcânicos, intemperismo (solo) e muitos outros.
Forma as “banded iron formations” (BIFs) e é, de maneira geral, responsável pelas cores vermelhas de
muitos materiais geológicos (solos, areias, etc.). Ocorre como mineral acessório em rochas ígneas félsicas,
em veios hidrotermais de alta temperatura, em rochas de metamorfismo de contato, como cimento em
rochas sedimentares e como constituinte principal em formações de ferro oolítico.
Cristais de hematita são raros, atingem até 13 cm e cristalizam como formas romboédricos
complexos, pseudo-cúbicos, prismáticas e, raramente, escalenoédricas, com estrias triangulares em {0001}
e {10-11}. Hábitos comuns da hematita são tabular fino, micáceo e achatado, normalmente formando
rosetas. Muito comuns são massas de hematita oolíticas, maciças, fibrosas radiadas, concrecionárias,
colunares, terrosas, reniformes, botrioidais ou estalagtíticas.
Ao microscópio a hematita é opaca. Muito diagnósticas são as raras e minúsculas reflexões de cor
vermelho-sangue que sempre se associam aos cristais de hematita. Desligando a luz do microscópio e
iluminando a lâmina obliquamente de cima com uma luz, preferencialmente de LED forte, é possível
reconhecer a cor cinza metálica da hematita. Outros opacos comuns de cores cinzentas são magnetita e
ilmenita. A cor cinza permite descartar opacos comuns de cores amarelas (pirita, calcopirita). Naturalmente
a identificação conclusiva de opacos precisa ser feito com lâminas ou seções polidas em um microscópio de
Luz Refletida ou usando outras técnicas analíticas.

Hematita (opaca) e quartzo em itabirito, a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Os cristais de


hematita tendem a tabulares/lamelares, um hábito bem característico.

Muito diagnósticas para hematita são as


reflexões internas de cor vermelho-sangue Desligando a luz do microscópio e iluminando a lâmina
que se associam ao mineral. Às vezes são obliquamente de cima com uma luz LED intensa é
abundantes como aqui, normalmente são possível reconhecer a cor cinza metálica da hematita,
raras. Estas reflexões são diminutas: a auxiliando em um diagnóstico preliminar.
imagem foi obtida com a objetiva de médio
aumento (10x).
111

HEULANDITA
“Heulandita” não é um mineral, mas apenas um termo informal para um grupo de minerais que inclui as
seguintes espécies: heulandita-(Ca), heulandita-(Na), heulandita-(Ba), heulandita-(K) e heulandita-(Sr).
Não é possível diferenciar as “heulanditas” ao microscópio petrográfico.
(Ca,Na2)Al2Si7O18.6H2O Tectossilicato, Grupo das Zeolitas Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: moderado
Clivagem: {010} perfeita
Hábito: cristais tabulares a elongados, mais largos no centro e mais estreitas nas
duas extremidades: “forma de caixão”. Forma agregados subparalelos.
Raramente forma rosetas. A clivagem perfeita pode fazer com que haja
buracos na lâmina delgada, onde porções de heulandita de seções
perpendiculares à clivagem foram arrancadas durante a confecção da
lâmina delgada, um problema que também se verifica com a cianita.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,009, correspondendo a cores de meio de 1ª
cores de interferência: ordem: cinza em vários tons e branco, não alcança o amarelo-palha.
Extinção: oblíqua com ângulo entre 0 e 32º. Pode simular extinção paralela!
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: forma maclas pelo plano {100}
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(+). Pode simular ser uniaxial! Ângulo 2V: 0 – 55º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: escolecita e laumontita são B(-), estilbita apresenta outros hábitos (agregados
radiados em forma de gravata-borboleta), natrolita e thomsonita apresentam extinção paralela.
Associações: a heulandita ocorre como preenchimento de cavidades de rochas basálticas, raramente
associada a rochas vulcânicas ácida (riolitos). Também ocorre em andesitos e diabásios muito alterados.
Forma-se como produto de desvitrificação de vidros vulcânicos e tufos. Associa-se a outras zeolitas,
datolita, apofilita, calcita, quartzo, argilominerais e calcita. Uma abordagem detalhada da ocorrência, das
formas e de outros detalhes da heulandita pode ser encontrada no livro “Zeolites of the World” de Rudy
Tschernich, disponível para download na internet. Informações detalhadas sobre as várias maneiras de
ocorrência de heulandita podem ser encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais: http://www.iza-
online.org/

Esquerda: Heulandita
a NC com cor de
interferência e forma
típicas (eixo c na
vertical, seção 010). A
ND é incolor.

Direita:
Próximo à posição de
extinção a heulandita
mostra maclas e
subdivisões em
subgrãos.
112

HORNBLENDA MARROM
“Hornblenda Marrom” não é um mineral, mas apenas um nome informal para anfibólios marrons a pretos de
composições complexas como kaersutita, katophorita e outros. A classificação dos anfibólios é
complicada e está mudando constantemente. Os antigos nomes “hornblenda basáltica”, “oxyhornblenda”,
“lamprobolita” e “hornblenda” foram desacreditados pela International Mineralogical Association.
Na(2)Ca(2)(Mg,Fe2+)4(Fe3+,Ti,Al)(OH)2|AlSi7O22 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínica
ND Cor / marrom forte e marrom-avermelhado forte, com pleocroísmo intenso. Também cores
pleocroísmo: preto-marrons, marrom-noz, marrom-vermelho, vermelho-amarelado pálido,
amarelo-laranja e outras. As cores possuem uma distribuição irregular em manchas,
devido à distribuição irregular da oxidação no cristal. Kaersutita e kathophorita
possuem cores amarronzadas (similares à biotita); frequentemente são nitidamente
zonadas ou com distribuição de cor em faixas ou em ampulheta.
Relevo: moderado a alto.
Clivagem: {110} perfeita. Nas seções longitudinais há apenas uma clivagem. Nas seções
basais há duas clivagens que se interceptam em ângulos de 56 e 124º, formando os
losangos típicos das seções basais dos anfibólios.
Hábito: cristais euédricos a subédricos com hábitos prismáticos curtos a longos,
frequentemente com margens corroídas.
NC Birrefringência e birrefringência entre 0,009 e 0,094: katophorita possui cores de
cores de interferência: interferência baixas (0,009 a 0,021), kaersutita possui cores de 1ª e 2ª
ordem (0,026 – 0,047), similar à hornblenda verde. Anfibólios de cores
fortes tem as cores de interferências mascaradas pela cor própria.
Extinção: oblíqua. Kaersutita 3-19º, katophorita 8-16º.
Os baixos ângulos de extinção são muito diagnósticos !
Sinal de Elongação: kaersutita SE(+), katophorita SE(-). Em minerais de cores fortes o sinal
de elongação é de difícil determinação.
Maclas: maclas lamelares em (100) são comuns.
Zonação: zonação é comum, com núcleos de cores mais claras e bordas escuras.
Mudanças de cor em níveis múltiplos isomórficos ocorrem.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: kaersutita 74-82º (normalmente 80º); katophorita 0–57º (normalmente 35º)
Alteração: por desequilíbrio no magma, alteração a magnetita + hematita + clinopiroxênio pobre em ferro e
outros. Esse processo é denominado de opacitização e pode afetar também a biotita, inicialmente nas
margens e depois no cristal inteiro. Queda de pressão também conduz a margens corroídas. Apenas em
ignimbritos e em derrames de lava que esfriaram rapidamente a opacitização é mínima ou ausente.
Intemperismo conduz à formação de carbonato, limonita e quartzo.
Pode ser confundido com: diagnósticas são a clivagem, as cores fortes e o pleocroísmo intenso. Pode ser
confundida com biotita, mas biotita possui extinção paralela e mosqueada.
Associações: hornblendas marrons, de forma geral, ocorrem em rochas vulcânicas intermediárias e ácidas,
como biotita-hornblenda dacitos, quarto-latito andesitos, ignimbritos e outros tipos de rochas piroclásticas.
Kaersutita é relativamente rara e ocorre em rochas básicas plutônicas, vulcânicas e subvulcânicas (diques)
como essexitos, theralitos, tefritos, basanitos, camptonitos, monchiquitos, etc. É rara em basaltos alcalinos.
Katophorita pode ocorrer em rochas magmáticas ricas em Na como nefelina-sienitos e em Na-shonquinitos
subvulcânicos como fono-nefelinitos. Associa-se a titanoaugita, olivina, plagioclásio, apatita, biotita, nefelina.
Oxyhornblenda de rochas vulcânicas é hastingsita verde oxidada, ópticamente muito diferente.
113

Hornblenda marrom a ND (esquerda, centro) com seu pleocroísmo forte e a NC (direita), com
cores de interferência intensas e variadas, de 1ª e 2ª ordem.

Hornblenda marrom com macla a NC. Hornblenda marrom com zonação a ND.

Seção basal de hornblenda marrom a ND,


mostrando as duas direções de clivagem
que se cruzam a 56º e 124º, típicas dos Hornblenda marrom em matriz de rocha vulcânica, a
anfibólios. ND. À direita em cima, fenocristal de piroxênio.

Seção basal pseudohexagonal


de hornblenda marrom a ND,
observando-se um pouco as
duas direções de clivagem que
se cuzam a 56º e 124º
114

HORNBLENDA VERDE
“Hornblenda verde” não é um mineral, mas apenas um termo genérico usado para anfibólios verde-escuros
a pretos de composições químicas complexas, que formam 3 séries: a Série da Barroisita, a Série da
Hastingsita e a Série da Tschermakita. Não é possível diferenciar os minerais das séries ao microscópio.
(Na,K)0-1Ca2(Mg,Fe,Al)5(Si,Al)8O22(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínica
ND Cor / normalmente fortemente colorida em verde, amarelo-verde, azul-verde e marrom.
pleocroísmo: Pleocroísmo forte nessas cores, principalmente em vários tons de verde e marrom.
Variedades verdes normalmente são X = amarelo-verde claro, Y = verde ou verde-
cinza e Z = verde escuro. Variedades marrons tem X = amarelo-marrom
esverdeado, Y = amarelado a marrom avermelhado e Z = cinza a marrom escuro.
Relevo: médio a alto.
Clivagem: {110} perfeita, resultando em duas clivagens que se cruzam em ângulos de 56º e
124º (forma de losangos) nas seções basais. Nas seções prismáticas, apenas
uma clivagem. Além disso, há partições segundo {100} e {001}.
Hábito: colunar, fibroso, granular fino a grosseiro, euédrico a anédrico. Cristais prismáticos
curtos a longos, frequentemente pseudohexagonais ou rômbicos na seção basal.
Seções longitudinais prismáticas. São comuns os halos pleocróicos ao redor de
inclusões radioativas (como na biotita).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,014 a 0,023 - cores de interferência normalmente
cores de interferência: entre final de 1ª ordem e início de 2ª ordem: laranja, vermelho, azul,
verde, vários tons de rosa e violeta.
Extinção: oblíqua com ângulos de 14º a 22º (mais comum entre 14 e 25º) nas
seções longitudinais, simétrica nas seções basais.
Sinal de Elongação: SE(+). Característica diagnóstica importante !
Maclas: maclas simples ou lamelares em {100} são comuns.
Zonação: comum
LC Caráter: B(-), mais raramente B(+) Ângulo 2V: 35 – 90º, comum entre 65 e 85º
Alteração: frequentemente altera a uma mistura de tremolita e actinolita, às vezes com epidoto. Também
altera a biotita (como borda ao redor do grão), clorita, epidoto e calcita. Em rochas vulcânicas a hornblenda
verde pode ser substituída por hornblenda marrom (devido à oxidação de Fe 2+ para Fe3+); o processo pode
ser acompanhado de opacitização parcial ou total; a alteração inicia ao longo de clivagens e fraturas.
Metamorfismo retrógrado conduz à formação de actinolita e depois a clorita ou antigorita. Intemperismo
transforma a hornblenda em carbonato, limonita e quartzo.
Pode ser confundido com: o pleocroísmo e as duas clivagens que se interceptam em padrão de losangos
nas seções basais são muito características. Biotita possui extinção mosqueada. Hornblenda normalmente
possui cores mais fortes que os outros anfibólios, com exceção dos anfibólios sódicos, que tendem a ser
azulados. Actinolita possui cores de interferência mais pálidas. Piroxênios possuem 2 clivagens que se
cruzam em ~90º nas seções basais. Turmalina possui extinção paralela.
Associações: a hornblenda é o anfibólio mais comum em rochas ígneas e o mais abundante em rochas
ácidas e intermediárias (granodioritos, tonalitos, monzonitos, quartzo-dioritos e dioritos). É menos comum
em rochas básicas e ultrabásicas (mas ocorre em alguns gabros) onde outros anfibólios são encontrados.
Em rochas metamórficas é mais abundante em rochas de alto grau de metamorfismo regional, como xistos,
gnaisses, granulitos e anfibolitos. Também ocorre em alguns sedimentos imaturos como grãos clásticos.
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Seção longitudinal de hornblenda verde a ND, mostrando seu forte pleocroísmo em verde ao giro de
90º da platina. O tom do verde pode mudar, mas as cores são mais fortes que as cores verdes da
actinolita e mais fracas que as cores verdes da arfvedsonita. Importante é constatar que realmente se
trata de um anfibólio, procurando uma seção basal com as duas direções de clivagem (ver abaixo)

Seção basal de hornblenda verde a ND, Macla simples em hornblenda verde a NC. A linha reta
mostrando as 2 direções de clivagem que se que divide o grão em duas porções com cores de
cruzam em padrão de losango (56º e 124º). interferência diferentes é o plano de macla.

Várias seções de hornblenda verde a ND (esquerda) e a NC (direita). Neste caso as seções mostram
cores de interferência mais fortes (azuis), mas é comum surgirem apenas cores de interferência mais
baixas, como amareladas e laranjas. Também podem dominar cores mais fortes, como esverdeado. Se
a cor própria das hornblendas é muito forte, ela mascara as cores de interferência (como sempre ocorre
com minerais fortemente coloridos).
116
ILMENITA – FeTiO3
A ilmenita é um mineral acessório opaco de rochas ígneas e metamórficas. É o mais importante e
abundante mineral opaco acessório depois da magnetita. Ocorre em grandes volumes nas intrusões
máficas estratificadas, no nível dos piroxênios, sendo um minério importante de titânio. Pode ser
reconhecida em rochas ígneas alteradas pelo seu produto de alteração branco, o leucoxênio. Leucoxênio é
uma associação submicroscópica de óxidos de Fe-Ti, com rutilo, anatásio, titanita, perovskita, magnetita
titanífera e especialmente ilmenita. Ilmenita também é encontrada detrital em depósitos de placer (areias
negras). Nas rochas ígneas, associa-se a espinélio, hematita, magnetita, rutilo e ulvita.
Muitas rochas ígneas máficas contêm grãos de magnetita + ilmenita, formada pela oxidação de
ulvöespinélio. Ilmenita também ocorre como grãos discretos, tipicamente com alguma hematita em solução
sólida. Existe uma solução sólida completa entre os dois minerais a temperaturas superiores a 950ºC.
Ilmenita magnesiana é indicativa de uma paragênese kimberlítica e faz parte da associação de
minerais MARID (mica-anfibólio-rutilo-ilmenita-diopsídio) de xenólitos de glimmerita (mica). Ilmenita
manganífera ocorre em rochas graníticas e em intrusões carbonáticas, onde pode conter nióbio anômalo.
Uma das ocorrências comuns de ilmenita é como exsoluções lamelares em hematita e magnetita. A
ilmenita forma 3 séries, com ecandrewsita, geikelita e pirofanita. Pode formar cristais pseudo-octaédricos.
Quanto a variedades: iserina são ilmenitas arredondadas encontradas no depósito de places de Iser,
República Tcheca. Menaccanita e picroilmenita são variedades de ilmenita ricas em magnésio.
Washingtonita é uma ilmenita rica em ferro encontrada em Washington (Connecticut, USA).
Normalmente a ilmenita contém teores expressivos de Fe 2O3 (hematita), além de teores de MgTiO3
(geikielita) e MnTiO3 (pirofanita). Em temperaturas mais elevadas existe mistura com Fe 3O4 (magnetita),
talvez também com Al2O3 (coríndon). Uma forma comum de ocorrência da ilmenita é como lamelas de
desmistura em outros minerais.
Ao microscópio a ilmenita é opaca. Em seções muito finas é transparente em marrom profundo,
com figura de interferência uniaxial. Seu hábito pode ser esqueletal, o que é diagnóstico. Desligando a luz
do microscópio e iluminando a lâmina de cima, obliquamente, com uma luz LED forte, é possível reconhecer
sua cor cinza metálica. Outros opacos comuns de cores cinzentas são magnetita e hematita. A cor cinza
permite descartar opacos de cores amarelas (pirita, calcopirita), considerando os opacos mais comuns.
Naturalmente a identificação conclusiva de opacos precisa ser feito com lâminas ou seções polidas em um
microscópio de Luz Refletida ou usando outras técnicas analíticas.

Ilmenita esqueletal em rocha vulcânica. À esquerda, com luz transmitida a ND. À direita, com a luz do
microscópio desligada e iluminada obliquamente de cima com uma lâmpada LED. Diagnósticos são a cor
cinza e o hábito esqueletal, mas uma identificação conclusiva prescinde de uma análise à Luz Refletida.
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JADEITA
Jade é uma rocha ornamental que pode ser formada por jadeíta (a mais valorizada) ou por nefrita,
que é formada por anfibólios verdes da série tremolita-actinolita.
Na(Al,Fe)Si2O6 Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Não apresenta pleocroísmo ou é pleocróico para verde pálido.
Relevo: médio
Clivagem: {110} perfeita. Nas seções longitudinais há apenas uma clivagem. Nas
seções basais há duas clivagens que se interceptam em ângulos de 87º e
93º, típico dos piroxênios.
Hábito: grãos anédricos ou subédricos em matriz. Também fibroso.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 a 0,021, resultando em cores de 1ª ordem
cores de interferência: superior a 2ª ordem: laranja, vermelho, azul.
Extinção: oblíqua, entre 33 e 40º
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: simples e lamelares
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 67 – 72º ou 70 – 80º
Alteração: é produto da alteração: albita = jadeita + quartzo.
Pode ser confundido com: o relevo médio, a extinção oblíqua e as duas clivagens se interceptando a
quase 90º a caracterizam como piroxênio. Sua paragênese a distingue da maioria dos outros piroxênios
com exceção da omfacita, que possui cores de interferência máximas mais elevadas. Aegirina e aegirina-
augita são mais verdes e mais birrefringentes. Jadeita com cores de interferência anômalas lembra zoisita.
Nefrita possui ângulo de extinção maior. Semelhante à cianita, que também é encontrada em rochas de
ultra-pressão, mas a cianita tem um relevo notadamente mais elevado.
Associações: a jadeita é encontrada em rochas metamórficas de baixa a média temperatura e alta pressão
como serpentinitos, metagrauvaques e glaucofana-xistos de cinturões metamórficos do Tipo Alpino. Pode
ocorrer em bolsões quase monominerálicos, em veios ou como grãos disseminados. Frequentemente é
encontrada com quartzo devido à sua origem pela decomposição de albita em jadeita + quartzo. Associa-se
a albita, lawsonita, glaucofano quartzo, clorita, granada, zoisita, tremolita, calcita, aragonita e micas.
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KORNERUPINA
Mg3Al6(Si,Al,B)5O21(OH) Sorossilicato Ortorrômbica
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Pode ser pleocróica entre X = incolor a verde, Y = incolor, amarelo
amarronzado pálido, verde amarelado pálido, Z = verde amarronzado pálido,
verde, dourado pálido.
Relevo: alto
Clivagem: boa segundo {110}, geralmente bem visível. Nas seções longitudinais
mostra apenas uma direção de clivagem, nas seções basais mostra duas
direções de clivagem que se cruzam a ~90º. Pode mostrar muitas fraturas.
Hábito: apresenta hábito prismático, os cristais podem formar agregados radiados.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,014, correspondendo a cores de 1ª ordem,
cores de interferência: entre cinza até o amarelo forte.
Extinção: paralela
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: não apresenta
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(-), pode simular ser U(-) Ângulo 2V: 3 - 48º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: granada é isótropa, olivina não tem clivagem, coríndon não possui clivagem,
ortopiroxênios (enstatita) apresentam SE(+).
Associações: a kornerupina é um mineral raro que se forma em rochas sedimentares e vulcânicas ricas em
boro e submetidas a metamorfismo de fácies anfibolito a granulito. Também ocorre em anortositos que
sofreram metamorfismo. Associa-se a coríndon, turmalina, espinélio, safirina, cianita, andalusita, sillimanita,
biotita, flogopita, magnetita, ilmenita, hematita, rutilo, grandidierita e dumortierita.

Acima, Kornerupina a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A imagem


a ND foi obtida com diafragma parcialmente fechado para ressaltar o
relevo alto dos grãos de kornerupina. A NC, as cores laranjas são
características.

Ao lado, cristal de kornerupina mostrando a clivagem distinta e as


cores típicas de meio de 1ª ordem.
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LAUMONTITA
CaAl2Si4O12.4H2O Tectossilicato, Grupo das Zeolitas Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: baixo
Clivagem: perfeita em {010} e {110}, mostrando 3 clivagens diferentes.
Hábito: tende a formar agregados radiados compostos por prismas longos de
seções quadradas e terminações oblíquas agudas. Também fibrosa,
esferulítica e maciça.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,012, correspondendo a cores de 1ª ordem:
cores de interferência: cinza, branco a, no máximo, amarelo-palha.
Extinção: oblíqua de 8 a 11º, dependendo da perda de água (ver alterações).
Sinal de Elongação: SE (+)
Maclas: comuns, em {100}, formando ângulos reentrantes nas terminações dos
prismas.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 26º a 47º
Alteração: devido à sua estrutura aberta, a laumontita perde água uma vez retirada da rocha. Devido a esta
desidratação, os agregados de laumontita, em questão de poucos meses, se tornam brancos e muito
frágeis e, ao menor toque, se transformam em pó branco. Essa laumontita parcialmente desidratada era
denominada de leonhardita, um nome que foi desacreditado pela International Mineralogical Association.
Uma preservação parcial (o mineral pode perder a cor, passando de rosa para leitoso) se obtém apenas
deixando as amostras completamente imersas em água em recipientes hermeticamente fechados.
Pode ser confundido com: natrolita e thomsonita possuem extinção paralela, escolecita possui sinal de
elongação negativo, heulandita possui birrefringência menor. Outras zeolitas fibrosas similares mostram
birrefringência mais elevada.
Associações: a laumontita ocorre em cavidades e fraturas de rochas magmáticas básicas e ácidas, como
basaltos, diabásios, gabros, riolitos e granitos. É um mineral da “fácies zeolita” de rochas que sofreram
metamorfismo regional, como meta-tufos e meta-grauvaques. Com o aumento do grau metamórfico, a
laumontita é substituída por heulandita. Estratos sedimentares espessos ricos em laumontita podem se
formar pela alteração de analcima ou devido a metamorfismo incipiente de plagioclásio. Quando substitui
plagioclásios, orienta-se com seu sinal de elongação contrário àquele do plagioclásio. Laumontita autigênica
pode ocorrer na matriz de arenitos. Associa-se a outras zeolitas (estilbita, heulandita, thomsonita), analcima,
epidoto, apofilita, datolita, albita, quartzo, calcita, prehnita e clorita. Uma abordagem detalhada da
ocorrência, das formas e de outros detalhes da chabazita pode ser encontrada no livro “Zeolites of the
World” de Rudy Tschernich, disponível para download na internet. Informações detalhadas sobre as várias
maneiras de ocorrência de estilbita podem ser encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais:
http://www.iza-online.org/
120

Laumontita em montagem de grãos a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A forma é típica para


cristais idiomórficos: um prisma monoclínico terminado em pinacóide. A clivagem paralela ao
alongamento também é característica. A formação de muitas bolhas na cola sobre a laumontita
parece ser uma característica do mineral se parcialmente desidratado.

Agregado com vários prismas de laumontita em montagem de grãos a ND (à esquerda) e a NC


(à direita). Laumontita pode formar crostas centimétricas das quais sobressaem-se cristais com
vários centímetros de comprimento. A forma é sempre a mesma, no máxima há alguma macla.
121

LAWSONITA
CaAl2(Si2O7)(OH)2.H2O Sorossilicato Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Em lâminas delgadas espessas (>30mμ) apresenta cores azul
pálido, cinza-azulado, azul-amarelado e verde-amarelado. Nestes casos
apresenta pleocroísmo entre X = azul, Y = amarelo e Z = incolor.
Relevo: moderado a alto
Clivagem: perfeita em {100} e {010}, a 67º uma da outra. Além disso, {101} má.
Hábito: geralmente cristais euédricos, tabulares e prismáticos segundo z.
Romboédrica, raramente acicular.
NC Birrefringência e birrefringência de 0.019 a 0.021: cores laranjas de final de 1ª ordem até
cores de interferência: no máximo azul de 2ª ordem, em lâminas de espessura padrão (30 mμ).
Extinção: paralela nas seções longitudinais, simétrica nas seções basais. Pode
apresentar extinção ondulante.
Sinal de Elongação: SE(-) nas seções longitudinais, a diagonal maior da seção basal rômbica
é SE(+). Não é diagnóstico.
Maclas: comumente simples (010) e lamelares. Frequentemente maclas polissintéticas em
{101}. São possíveis padrões de macla em xadrez (parque) com extinção ondulante.
Zonação: não apresenta

LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 76 – 87º , tende a 84º


Alteração: podem ocorrer sericitização e cloritização. Há uma substituição de lawsonita por epidoto ou
pumpellyita na transição para a fácies xistos-verdes.
Pode ser confundido com: clinozoisita e zoisita tendem a ter cores de interferência anômalas. Andalusita é
similar, mas normalmente possui birrefringência mais baixa. Pumpellyita é muito semelhante, mas tem
extinção oblíqua. Prehnita possui outros hábitos, relevo mais baixo e birrefringência mais alta. Escapolita é
uniaxial. Tremolita possui ângulos de interseção de clivagem de 124º ou 56º. Cancrinita possui outros
hábitos e é U(-). Normalmente a lawsonita está intercrescida com pumpellyita.
Associações: a lawsonita é um mineral que ocorre em rochas metamórficas de alta pressão e baixa
temperatura como xistos azuis (é mineral-índice para a fácies xistos-azuis), onde ocorre com glaucofano,
clorita, titanita, quartzo, epidoto e granada. É comum em rochas metamórficas máficas de grau baixo, como
metagabros e metadioritos. Às vezes ocorre em clorita-xistos, em mármores e em anfibolitos.

À esquerda:
Lawsonita a ND

Abaixo:
Lawsonita a NC
com maclas
polissintéticas

Lawsonita a NC. Típicas são as cores fortes (amarelo,


laranja, azul), o hábito tabular e a extinção paralela.
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LEPIDOLITA
“Lepidolita” como mineral foi desacreditada em 1989 e hoje é apenas uma denominação genérica usada
para micas litiníferas que compõem a série da Polylithionita à Trilithionita.
Polylithionita : KLi2Al(Si4O10)(F,OH)2 Filossilicatos Monoclínicas
Trilithionita : K(Li1,5 Al1,5 )(AlSi3O10)(F,OH)12
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Em lâminas espessas é rosa pálida com pleocroísmo discreto.
Relevo: baixo. Diagnóstico!
Clivagem: {001} perfeita, típica das micas.
Hábito: lamelar, pseudohexagonal, como as micas em geral. Também em massas
escamosas ou maciça. Pode estar intercrescida com muscovita.
NC Birrefringência e birrefringência entre 0,018 e 0,038, correspondendo a cores de
cores de interferência: interferência intensas de até 2ª ordem.
Extinção: paralela e mosqueada.
Sinal de Elongação: SE(+), como todas as micas.
Maclas: raras.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-). Pode simular ser uniaxial! Ângulo 2V: 0-43º.
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: muscovita é muito semelhante, mas possui relevo mais alto (moderado) e
cores mais intensas (birrefringência mais alta).
Associações: lepidolita é uma mica bastante rara que geralmente ocorre em aplitos associados a
pegmatitos graníticos ricos em Li. Raramente ocorre em veios hidrotermais e em casos muito isolados em
zonas de contato de granitos. Associa-se a quartzo, topázio, columbita, turmalina, berilo, cassiterita,
espodumênio e ambligonita.

Ao lado, lepidolita e quartzo a ND (em cima) e a NC (em


baixo: quartzo em branco e lepidolita colorida). Observar que
o relevo da lepidolita é baixo como o relevo do quartzo!

Acima, a NC, quartzo (em cinza e branco) e lepidolita


(colorida). Há dois grãos de lapidolita lado a lado: o da
esquerda está na posição de iluminação máxima e o da
direita está em posição de extinção (mosqueada!).
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LEUCITA
K(AlSi2O6) Tectossilicato, Feldspatóide Tetragonal, pseudo-cúbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, não tem pleocroísmo.
Relevo: baixo negativo (muito baixo)
Clivagem: {110} má, não pode ser vista ao microscópio.
Hábito: forma grãos arredondados, trapezoédricos, pseudocúbicos, euédricos, com
seções com 8 lados. Inclusões em alinhamentos radiais são muito comuns.
NC Birrefringência e isótropo. Frequentemente é fracamente birrefringente, com
cores de interferência: birrefringência máxima de 0,001: cores escuras a cinza-médio.
Extinção: extinção oblíqua (incompleta) a ondulante.
Sinal de Elongação: não possui porque os grãos são arredondados (pseudo-cúbicos).
Maclas: geralmente apresenta maclas polissintéticas complexas em várias
direções, muito típicas, frequentemente com disposição concêntrica ou
em ângulos de aproximadamente 60º. Devido à baixa birrefringência da
leucita, as maclas são difíceis de reconhecer. Para facilitar o
reconhecimento das maclas é possível introduzir o compensador, pois
as lamelas das maclas ficam alternadamente azuis e vermelhas.
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: U(+), pode ser biaxial anômala (2V baixo). Ângulo 2V: não, mas pode ter um baixo
As maclas dificultam a obtenção de boas figuras. ângulo 2V anômalo.
Alteração: altera facilmente a pseudo-leucita, uma mistura de nefelina e feldspato-K.
Pode ser confundido com: analcima possui índice de refração mais alto, não possui as inclusões
características da leucita e geralmente é anédrica. Microclínio possui birrefringência e relevo maiores e
jamais ocorre em rochas vulcânicas. Chabasita apresenta subgrãos anômalos e hábito romboédrico. Vidro
vulcânico incolor também tem um relevo muito baixo, mas jamais apresenta maclas polissintéticas.
Associações: a leucita é o feldspatóide mais comum e mais característico de rochas vulcânicas ricas em K
e deficientes em sílica. Ocorre quase exclusivamente como fenocristal em rochas vulcânicas e hipabissais
subsaturadas (máficas e alcalinas), associada a nefelina, natrolita, analcima, olivina, sanidina,
clinopiroxênio, flogopita, apatita, anfibólios sódicos e calco-sódicos. Também em rochas plutônicas
alcalinas.

À esquerda, leucita a ND: incolor, com relevo muito baixo e formas arredondadas. À direita, leucita a
NC, com birrefringência anômala muito baixa e maclas polissintéticas em padrão desordenado.
124

Leucita a NC. Aproximadamente no centro do


grão é possível observar muito bem o ângulo de Leucita a ND com seu padrão típico, mas nem
60º que as maclas polissintéticas formam entre sempre presente, de inclusões dispostas de
si às vezes. forma orientada, em bandas concêntricas.

Rocha vulcânica com grande quantidade de grãos de leucita a ND (à esquerda) e a NC (à direita).


As maclas polissintéticas típicas podem ser visualizadas melhor nos grãos grandes, pois nos
pequenos frequentemente não as há ou a baixíssima birrefringência não permite observa-las. As
inclusões dispostas em padrões concêntricos também não ocorrem em todos os grãos.

À esquerda, a NC, maclas polissintéticas complexas em um grão excepcionalmente grande de


leucita. À direita, a NC + compensador, as maclas ficam rosa e azuladas, uma maneira de
reconhecer as maclas quando os cristais de leucita são muito pequenos e de baixa birrefringência
(muito escuros). É um truque que pode ser muito útil para diferenciar leucitas pequenas de outros
minerais.
125

MAGNESITA
MgCO3 Carbonato Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor, cinza ou pálida; se com ferro, amarronzada. Não tem pleocroísmo.
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina
em cristais com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de
“pleocroísmo de relevo” e é típico dos carbonatos (calcita, dolomita,
aragonita, siderita, rhodocrosita e magnesita). Quando microcristalinos,
estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de relevo”.
Clivagem: clivagem {10-11} romboédrica perfeita.
Hábito: agregados hipidiomórficos (subédricos) a xenomórficos (anédricos);
raramente como cristais idiomórficos (euédricos). Também granular, fibrosa
ou em massas compactas porcelânicas ou como géis.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,191 a 0,219: extremamente alta, resultando em
cores de interferência: cores perláceas de altas ordens (cremes), difíceis de classificar.
Extinção: simétrica em relação aos planos de clivagem.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: raras, lamelares de pressão, em {01-12}
Zonação: sem informações.
LC Caráter: U(-) Ângulo 2V: não
Alteração: mineral muito robusto, difícil de alterar, mas pode estar parcialmente alterada a brucita.
Pode ser confundido com: não é possível diferenciar os carbonatos trigonais entre si ao microscópio
petrográfico, apenas com o uso de uma platina universal. Técnicas de colorimento e de solubilidade em
ácidos são indicadas para a identificação de carbonatos. A raridade ou ausência de maclas diferencia a
magnesita e a dolomita da calcita (calcita geralmente apresenta muitas maclas).
Associações: a magnesita ocorre principalmente em rochas metamórficas. É hidrotermal a metasomática,
formando massas tabulares de grão grosseiro, que são mineradas localmente. Ocorre como porfiroblastos
idiomórficos em talco-xistos, mica-xistos e clorita-xistos, a partir da alteração de calcita. Mais comumente é
encontrada como agregados finos formados por alteração de rochas ultrabásicas serpentinizadas e
serpentinitos, formando massas semelhantes a géis, que preenchem fraturas. Forma pseudomorfos sobre
olivina. Ocorre como gel-magnesita junto com opala. Ocorre em alguns evaporitos, alguns carbonatitos e
alguns meteoritos.

Magnesita da jazida da Magnesita SA em Brumado, na Bahia, observada com a objetiva de


menor aumento, de 2,5x. À esquerda, a ND, é incolor e é possível observar a clivagem
romboédrica em alguns grãos. À direita, a NC, mostra as cores de interferência de alta ordem
típica dos carbonatos. Não se observa maclas, o que característico para magnesita.
126
MAGNETITA – Fe3O4
A magnetita é o mineral mais magnético conhecido e ocorre como grãos pequenos em quase todas
as rochas ígneas e metamórficas. É o mineral opaco mais comum. Nas rochas ígneas, através de
processos de segregação magmática ou metamorfismo de contato, pode formar depósitos econômicos. É
comum em sedimentos e rochas sedimentares (“banded iron formations”); compõe parte das “areias negras”
ou “areias pesadas”, nas quais é minerada. Ocorre em peridotitos e carbonatitos através da
serpentinização. Também ocorre biogênica, em organismos, desde bactérias até orcas, possibilitando a
navegação dos animais. A magnetita sempre foi um minério importante de ferro, podendo conter elementos
acessórios como Ti, Mn, Mg, Zn, Ni, Al, Cr e V.
A magnetita faz parte do Grupo do Espinélio e possui relações complicadas com ilmenita, hematita
e ulvöespinélio. Em rochas plutônicas os teores de Ti estão quase sempre desmisturados como ilmenita,
mais raramente como pirofanita ou geikielita. Forma uma série com a jacobsita e outra série com a
magnesioferrita. Cristaliza no Sistema Cúbico e tipicamente apresenta cristais octaédricos, às vezes
dodecaédricos, muito raramente cubos minúsculos (em magnetita oolítica). Há estrias paralelamente a [011]
em {011}. Cristais de magnetita podem atingir 25 cm. A variedade de magnetita fortemente magnética é
conhecida como “lodestone”; é uma magnetita algo alterada que atrai ferro. “Thermita” é uma mistura de
magnetita pulverizada e alumínio pulverizado que, quando queimados, produzem calor intenso, óxido de
alumínio e ferro fundido.
A magnetita pode passar para martita (= hematita). Esta transformação é progressiva, havendo
desde magnetitas com um mínimo de hematita até magnetitas praticamente transformadas em hematita por
completo. Martita não é mais magnética (mas o magnetismo das peças varia muito), a dureza sobe para 6-
7, a densidade continua a mesma, o brilho é apenas submetálico e o traço agora é castanho-avermelhado.
Muito freqüentes são pseudomorfoses de martita sobre magnetita. A martitização geralmente traz
problemas no beneficiamento do minério em função da diminuição do magnetismo. Ao microscópio de Luz
Refletida a magnetita pode apresentar feições extremamente complicadas devido a suas relações de vários
tipos com uma série de minerais diferentes.
Ao microscópio a magnetita é opaca. Não há nenhuma feição diagnóstica conclusiva. Desligando
a luz do microscópio e iluminando a lâmina de cima, obliquamente, com uma luz LED forte, é possível
reconhecer sua cor cinza metálica. Outros opacos comuns de cores cinzentas são ilmenita e hematita. A cor
cinza permite descartar opacos de cores amarelas (pirita, calcopirita), considerando os opacos mais
comuns. Naturalmente a identificação conclusiva de opacos precisa ser feito com lâminas ou seções polidas
em um microscópio de Luz Refletida ou usando outras técnicas analíticas.

Magnetita em rocha ígnea. À esquerda, com Luz Transmitida a ND. À direita, com a luz do
microscópio desligada e iluminada obliquamente de cima com uma lâmpada, mostrando suas cores
cinza-metálicas.
127

MALAQUITA – Cu3(CO)2(OH)2

A malaquita é um carbonato secundário de cobre muito comum, formando-se a partir da alteração


de minerais primários de cobre como cobre nativo, calcocita e outros. O mineral, com sua característica cor
verde, indica a presença de cobre; funciona como “delator” de minérios de cobre. A azurita (azul)
desempenha o mesmo papel, mas forma-se com mais dificuldade; é muito mais rara. Geralmente os dois
minerais (malaquita e azurita) ocorrem juntos; azurita sempre subordinada. Associam-se a cuprita,
cerussita, crisocola, calcita, “limonita” e muitos minerais raros como duftita, libethenita, auricalcita,
sphaerocobaltita, kolwezita, shattuckita, atacamita, chalcophyllita, antlerita, conicalcita, rosasita,
chalcosiderita, clinoclásio, brochantita, graemita, liroconita, mixita e cornetita, entre muitos outros.
Há dois problemas envolvendo a malaquita como indicador da presença de cobre: o primeiro é que
mesmo quantidades ínfimas de malaquita criam a impressão da existência de grandes quantidades de
cobre. O segundo problema é que existem dois minerais cuja cor é extremamente semelhante à malaquita:
a celadonita (K(Mg,Fe2+)(Fe3+,Al)[Si4O10](OH)2) é um argilomineral de cor e hábitos semelhantes; a
pseudomalaquita (Cu5(PO4)2(OH)4) é um fosfato raro que possui cor apenas um pouco mais escura e
hábitos praticamente idênticos. Outros minerais secundários de cobre também podem ser verdes, mas são
muito mais raros e possuem hábitos diferentes.
A malaquita é usada como minério de cobre desde tempos pré-históricos, também como pigmento
(sensível à luz, muito sensível a ácidos e de cor variável) e como pedra decorativa (geralmente com preços
muito elevados, quase uma gema).
A malaquita geralmente é maciça, formando crostas espessas de estrutura laminada (bandada) e
com superfícies mamelonadas e botrioidais. Frequentemente é estalagtítica. Essas massas são formadas
por agregados de cristais fibrosos a aciculares criptocristalinos. Cristais visíveis são muito raros, formam
prismas longos a aciculares, tabulares espessos, equidimensionais, com muitas formas combinadas, até 9
cm. Podem ocorrer como pseudomorfos sobre azurita ou cuprita, mais raramente sobre outros minerais
(gipso, calcita, esfalerita, pirita, etc.). Muito raramente a malaquita possui hábito capilar. Maclas são
comuns, de contato e interpenetração segundo {100} e {201}; maclas polissintéticas também podem ocorrer.

Ao microscópio a malaquita é transparente e continua apresentando suas cores verdes, mesmo na


espessura de 30 micra. Características são a granulação fina (muito dificilmente forma cristais), as bandas
paralelas (que podem formar desenhos) e sua associação com outros minerais de cobre.

Malaquita maciça, com as bandas características e a granulação fina


típicas, a ND. A NC, em função da cor forte, a imagem é praticamente
a mesma.
128

MELILITA
“Melilita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico que se refere a minerais do Grupo da Melilita,
uma solução sólida composta por 7 membros: Akermanita, Alumoakermanita, Ferri-gehlenita, Gehlenita,
Gugiaita, Hardystonita e Okayamalita. Os membros mais importantes são a Gehlenita – Ca2Al(AlSiO7) e a
Akermanita – Ca2Mg(Si2O7). Há muitos minerais sintéticos classificados neste grupo, multiferroicos e com
propriedades muito interessantes.
(Ca,Na)2(Mg,Al)(Si,Al)2O7 Sorossilicato Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: akermanita é incolor; gehlenita é incolor, raramente amarelo-mel pálida a
marrom com pleocroísmo fraco.
Relevo: moderado
Clivagem: akermanita: {001} distinta; gehlenita {001} e {110} distinta.
Hábito: tabular segundo (001), prismático (hk0). Seções basais quadradas e
alongadas. Akermanita forma lamelas finas segundo {001}; gehlenita
colunas curtas paralelas a {100} e placas espessas segundo {001}.
NC Birrefringência birrefringência de 0,008 na akermanita e de 0,011 na gehlenita: cores de 1ª
e cores de ordem: vários tons de cinza a no máximo amarelo-palha. Melilita com
interferência: birrefringência = 0,000 é comum em lavas, mostrando cores de interferência
anômalas marrom claras ou azuis “berlim blue” devido à sua forte dispersão.
Extinção: normalmente paralela.
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), sempre o contrário do caráter óptico.
Maclas: maclas de interpenetração raras.
Zonação: pode apresentar zonação com inclusões aciculares.
LC Caráter: U(+) ou U(-) Ângulo 2V: não
Alteração: altera facilmente, por ação hidrotermal, formando-se zeolitas: crescimento de fibras quase
isótropas de mordenita, nucleando ao longo dos planos basais dos cristais, dão origem à textura “rod-like”.
Pode ser confundido com: a paragênese, a birrefringência e as freqüentes cores “berlim blue” são
diagnósticas. Vesuvianita possui relevo mais alto e não possui clivagem. Apatita forma cristais prismáticos
hexagonais e nunca possui cores de interferência anômalas. Vidro vulcânico é isótropo e zoisita é B(+).
Associações: melilita é um mineral máfico que apenas ocorre em rochas ígneas alcalinas e é característica
de melilititos. Rara em diques de alnoito. Normalmente está associada a feldspatóides como nefelina e
leucita. Pode ser encontrada na auréola de metamorfismo de contato de granitos, em mármores impuros de
alto grau. Pode conter típicas inclusões em varetas paralelas como fibras de zeolitas paralelas ao eixo Z.
Pode conter vidro como inclusões.

Grande cristal lamelar de melilita a ND (à esquerda) e a NC (à direita), na diagonal da imagem. Imagem


obtida com a objetiva de médio aumento e zoom, pois os cristais são pequenos.
129

Matriz de rocha vulcânica com grande quantidade de cristais tabulares de melilita a ND (à esquerda)
e a NC (à direita). Estes cristais de melilita se misturam a video vulcânico, opacos e piroxênios
pequenos. A forma tabular e a ocorrência (matriz de rochas vulcânicas) lembra muito os
plagioclásios, mas melilitas nunca tem maclas polissintéticas, as cores de interferência geralmente
são azuis anômalas e a extinção é paralela.

Rocha vulcânica a ND
(acima) e a NC (abaixo).

Opacos são pretos a ND e a


NC. Há um opaco grande,
losangular, que
provavelmente é um
octaedro de magnetita.

Piroxênios muito alterados a


ND são incolores e de relevo
moderado a alto, a NC
possuem cores fortes. Os
produtos de alteração a ND
são esverdeados e de relevo
baixo, a NC tem cores claras.

Vidro vulcânico a ND é
amarelado, ocorre na matriz
e a NC é preto (isótropo).

Melilitas a ND são incolores,


tabulares e ocorrem apenas
na matriz. A NC mostram
cores de interferência
anômalas azuis, muito
escuras.
130

MICROCLÍNIO
KAlSi3O8 Tectossilicato Triclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor; nunca possui cor muito menos pleocroísmo. Devido à alteração a
argilominerais pode se apresentar turvo, com tonalidades amareladas ou
amarronzadas.
Relevo: baixo (como os outros feldspatos e o quartzo).
Clivagem: {001} perfeita e {010} boa, com um ângulo de 90,6º entre si. Devido ao baixo
relevo do microclínio, essas clivagens geralmente não são visíveis ao
microscópio.
Hábito: Maciço, tabular ou cristais prismáticos curtos. Grãos anédricos a subédricos,
podem apresentar pertitas e/ou alterados com “nuvens” de argilominerais
(caulinita).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 a 0,008: cores de meio de primeira ordem, com
cores de interferência: cinzas em vários tons (escuro a claro) até branco.
Extinção: oblíqua de 15 – 20º segundo (001), difícil de medir devido às maclas
generalizadas.
Sinal de Elongação: SE(-) em relação à clivagem, geralmente impossível de determinar.
Maclas: em duas direções perpendiculares, maclas em “parquê” ou “xadrez”, que são maclas da
albita e da periclina que se interceptam. Tipicamente não formam bandas, mas faixas que
terminam em pontas; individualmente estreitam e alargam ao giro da platina e, em 4
posições ao giro completo da platina, desaparecem completamente. Pode haver maclas
simples: Carlsbad, Baveno e Manebach. Também pode apresentar pertitas: albita
(plagioclásio) exsolvida formando lamelas, faixas irregulares e gotas. Microclínio
autigênico de baixa temperatura pode se apresentar sem maclas e é facilmente
confundido com outros minerais.
Zonação: às vezes ocorre zonação.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 66 – 103º
Alteração: a argilominerais (caulinita) e a sericita (mica de alteração, normalmente muscovita).
Pode ser confundido com: anortoclásio pode apresentar maclas semelhantes, mas só ocorre em rochas
vulcânicas (microclínio jamais ocorre em rochas vulcânicas). Macla albita-periclina em plagioclásio pode ser
semelhante, mas os planos de macla são bem definidos, não estreitam e alargam ao giro da platina e não
desaparecem todas em determinadas posições ao giro da platina. Leucita pode apresentar um padrão de
maclas semelhantes, mas seu relevo é mais baixo, as formas geralmente são arredondadas e a
birrefringência é mais baixa.
Associações: o microclínio é o feldspato potássico de mais baixa temperatura (sanidina = alta temperatura,
apenas rochas vulcânicas; ortoclásio = termo intermediário, temperaturas mais altas que microclínio), e é
abundante em rochas ígneas plutônicas ácidas como granitos, granodioritos, sienitos e pegmatitos. Em
rochas metamórficas está restrito a rochas de alto grau metamórfico como gnaisses e granulitos. Microclínio
é relativamente resistente ao intemperismo e por isso é um mineral detrital comum. O maior cristal
conhecido do planeta é de microclínio: 50 x 36 x 14 m (Devils Hole Beryl Mine, Colorado, USA).
131

Microclínio em rocha plutônica. À esquerda, a ND: trata-se de vários cristais de quartzo,


ortoclásio e microclínio. Todos se apresentam anédricos, incolores, de relevo baixo e sem
clivagem: é impossível diferenciar os minerais entre si. À direita, a NC: o microclínio apresenta
suas típicas maclas em xadrez, feldspatos potássicos apresentam-se com outras maclas e/ou
algo turvos, enquanto o quartzo está sem alteração nenhuma e é U(+).

O mesmo grão de microclínio a NC: à esquerda mostra as típicas maclas em xadrez. À direita,
com apenas um leve giro da platina, não mostra mais as maclas, apenas uma cor de
interferência uniforme. É uma das características do microclínio: ao giro da platina, alternam-se
quatro posições em que se vê as maclas com quatro posições em que não se vê as maclas.

Nestas imagens de detalhe percebe-se nitidamente uma característica importante, diagnóstica,


das maclas do microclínio: ao contrário das maclas polissintéticas dos plagioclásios, por
exemplo, as maclas do microclínio não apresentam espessura constante, não atravessam o
cristal todo e terminam em pontas finas.
132
MOLIBDENITA – MoS2
A molibdenita, o mais abundante mineral de molibdênio e o principal mineral de minério de
molibdênio (60% Mo em peso), ocorre associada a veios hidrotermais de alta temperatura. Depósitos
importantes são encontrados em depósitos do tipo pórfiro, com ou sem uma generalizada mineralização de
cobre associada. Também ocorre em depósitos de metamorfismo de contato em calcários com silicatos de
cálcio. Igualmente ocorre em pegmatitos, granitos e aplitos. Raramente ocorre em meteoritos.
A molibdenita sempre contém traços de rênio (Re), substituindo molibdênio, normalmente em teores
de ppm, mas frequentemente com teores de 1-2%. Com isso, os minérios de molibdenita se tornaram a
única fonte de rênio. Devido à baixíssima dureza, o traço da molibdenita pode ser obtido riscando o mineral
em uma folha de papel. O tato do mineral é untuoso (gorduroso) e o manuseio do mineral suja os dedos. Os
maiores cristais alcançaram 15 cm. É dimorfa com jordisita (MoS 2 amorfo – veja abaixo). “Muchuanita” é
uma mistura de molibdenita e jordisita. Existem dois politipos de molibdenita: a molibdenita-2H é muito
comum e a molibdenita-3R é rara.
Molibdenita é muito semelhante à grafita macroscopicamente; a distinção pode ser muito difícil a
impossível. A grafita possui uma cor mais escura, preto-prateada (às vezes lembra biotita) e frequentemente
possui um tom algo mais azul. A densidade da molibdenita é maior que a da grafita, mas esta propriedade
apenas pode ser avaliada em amostras monominerálicas, o que normalmente não é o caso. Molibdenita
altera a powellita; esta substituição pode ser apenas parcial – como a powellita é intensamente fluorescente
em cores brancas, é fácil de reconhecer.
Jordisita é MoS2 ainda amorfo, encontrado em massas de aspecto semi-metálico em alguns
jazimentos. A partir da jordisita forma-se wulfenita - Pb(MoO4). Jordisita altera muito facilmente, inclusive em
coleções, para ilsemannita - Mo3O8.nH2O - de cor azul escuro profundo.
Ao microscópio a molibdenita é opaca. Desligando a luz do microscópio e iluminando a lâmina de
cima, obliquamente, com uma luz LED forte, é possível reconhecer sua cor cinza metálica. A cor cinza
permite descartar opacos de cores amarelas (pirita, calcopirita), considerando os opacos mais comuns.
Como a molibdenita é muito mole (Mohs: 1-1,5), sempre será possível observar riscos (sulcos de polimento)
no mineral, uma característica que outros opacos comuns de cores cinzentas (ilmenita, magnetita, hematita,
etc) não vão apresentar. Geralmente a molibdenita é anédrica. Nunca apresenta reflexões internas.
Naturalmente a identificação conclusiva de opacos precisa ser feito com lâminas ou seções polidas em um
microscópio de Luz Refletida ou usando outras técnicas analíticas.

Molibdenita é opaca e, por isso, em Luz Transmitida é preta (imagem da esquerda). Iluminando a lâmina
obliquamente de cima com uma luz LED forte (imagem da direita), percebe-se nitidamente grande
quantidade de riscos, que são os sulcos de polimento bem conhecidos das técnicas de Luz Refletida. Esses
sulcos são diagnósticos para molibdenita. Grafita é muito semelhante e é difícil de distinguir de molibdenita.
133

MONAZITA
“Monazita” é um termo genérico para os minerais que compõe o Grupo da Monazita: Monazita-(Ce),
Monazita-(La) Monazita-(Nd) Monazita-(Sm) e uma monazita de Gd. A grande maioria das “monazitas” são
de Ce; as outras 4 são muito raras.

(Ce,La,Nd,Th,Y,Dy,Sm)(PO4) Fosfato Monoclínico


ND Cor / pleocroísmo: incolor, cinza, amarelo pálido a amarelo, verde pálido. Não possui
pleocroísmo ou apresenta pleocroísmo fraco em cores verdes pálidas. Se
rica em thório pode ser metamicta. Devido à sua radioatividade pode
apresentar halos pretos ao seu redor.
Relevo: alto
Clivagem: {100} distinta, {010} distinta a má. Partição em {001} ou {-111}
Hábito: cristais tabulares achatados segundo {100}, em lâmina delgada apresentam-
se como pequenos grãos equidimensionais; podem ser prismáticos ou em
forma de cunha.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,045 a 0,075: cores fortes de 2ª a 3ª ordem, cores
cores de interferência: intensas semelhantes às cores de zircão e epidoto.
Extinção: paralela.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: comuns em {100}, de contato, raramente visíveis em lâmina.
Zonação: sem informações.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 6 a 19º
Alteração: dificilmente altera, é um mineral detrital comum.
Pode ser confundido com: diagnósticos são o relevo alto, a birrefringência alta e a cor amarelo pálida. É
facilmente confundida com zircão, epidoto, xenotima e titanita. Zircão é normalmente incolor e uniaxial.
Titanita normalmente possui cor mais forte. Xenotima é uniaxial e possui birrefringência mais elevada ainda.
Epidoto raramente é euédrico. Estaurolita tem pleocroísmo em amarelo mais forte e birrefringência muito
mais baixa.
Associações: a monazita é um mineral acessório relativamente comum em rochas ígneas ácidas (granitos,
pegmatitos graníticos), sienitos e carbonatitos. Também ocorre em mármores ricos em Mg, xistos, gnaisses
e granulitos. Pode ser encontrado como grãos detríticos em rochas sedimentares. Ocasionalmente é
encontrada em veios hidrotermais. Raramente autigênica em folhelhos e zonas intensamente alteradas. A
ocasional fluorescência em amarelo da monazita auxilia identifica-la em areias pesadas (negras) de placers.
134

MORDENITA
(Na2, Ca,K2)Al2Si10O24.7H2O Tectossilicato, Grupo das Zeolitas Ortorrômbica
ND Cor / pleocroísmo: incolor, pode se apresentar vermelha devido a inclusões finíssimas de
hematita.
Relevo: moderado
Clivagem: perfeita em {100} e distinta em {010}
Hábito: normalmente é fibrosa, formando agregados radiados. Pode se apresentar
densa quando ocupa poros em sedimentos e rochas sedimentares. Pode ser
compacta ou em agregados lembrando algodão.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,005, correspondendo a cores pretas e
cores de interferência: cinzentas de 1ª ordem. Esta baixa birrefringência é diagnóstica e
importante, pois é uma característica rara.
Extinção: tende a paralela
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: não apresenta.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(+) ou B(-) Ângulo 2V: 76º a 104º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: outras zeolitas comuns apresentam extinção oblíqua e índices de refração
mais altos. Phillipsita geralmente mostra maclas, natrolita e thomsonita possuem ângulos 2V menores e,
principalmente, birrefringência mais alta. O hábito fibroso é bastante típico e diagnóstico, mas não é
exclusivo da mordenita, por isso não identifica por si só o mineral. Quando a mordenita se apresenta densa
não é possível identifica-la por meios ópticos. Quando presente em rochas sedimentares, preenchendo
espaços entre os grãos do arcabouço, sua identificação é muito difícil a impossível. Em muitos casos,
devido às fibras finíssimas que o mineral forma, sua identificação conclusiva precisa ser obtida com outros
métodos analíticos, como Difratometria de Raios X.
Associações: ocorre tipicamente em cavidades e fraturas de rochas vulcânicas ácidas e básicas como
riolitos. Nesses casos, pode preencher a cavidade completamente. Mais frequentes, entretanto, são crostas
de mordenita na parede da cavidade. Essas crostas podem atingir 2 a 3 cm de espessura e, dentro delas,
podem ocorrer outras zeolitas como estilbita, stellerita e heulandita. Forma-se pela hidratação de vidros
vulcânicos e, por autigênese, em sedimentos. Nas rochas vulcânicas, associa-se a outras zeolitas
(heulandita, laumontita, estilbita), calcita, e quartzo. Em arenitos, ocorre com analcima e quartzo. Em
calcários associa-se a carbonatos, glauconita, caulinita e hidromica. Uma abordagem detalhada da
ocorrência, das formas e de outros detalhes da mordenita pode ser encontrada no livro “Zeolites of the
World” de Rudy Tschernich, disponível para download na internet. Informações detalhadas sobre as várias
maneiras de ocorrência da mordenita podem ser encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais:
http://www.iza-online.org/
135

Vesícula (bolha de gás) em rocha vulcânica preenchida integralmente com agregados de fibras de
mordenita. A ND (esquerda) o mineral é incolor e de relevo baixo. A NC (direita) percebe-se o hábito
fibroso e as características ópticas do mineral são de difícil determinação devido ao diminuto tamanho dos
cristais.

Aspecto de detalhe de mordenita. A ND (esquerda) percebe-se que há uma orientação dos alinhamentos.
A NC (direita) ficam nítidos os feixes, em várias orientações, formados por cristais capilares paralelos de
baixa birrefringência. Em verde nas imagens, celadonita.
136

MUSCOVITA
KAl3Si3O10(OH)2 Filossilicato, Grupo das Micas Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Raramente apresenta tons em verde pálido, amarelo pálido ou rosa,
com pleocroísmo leve.
Relevo: Moderado. É um relevo bem definido, bem superior ao relevo de quartzo e
feldspatos.
Clivagem: (001) perfeita, pode ser parcial ou apenas indicada. Controla a orientação
dos fragmentos: a clivagem é paralela ao alongamento das lamelas.
Hábito: lamelar, em palhetas, em placas, flocos, colunar, tabular. Podem estar
dobradas em zigue-zague e podem estar intercrescidas com biotita.
NC Birrefringência e cores de interferência de 2ª e 3ª ordem, com birrefringência de 0,037 –
cores de interferência: 0,041: cores fortes, intensas, coloridas. As seções paralelas à clivagem
mostram cores de interferência muito baixas de 1ª ordem.
Extinção: paralela e mosqueada nas seções perpendiculares à clivagem, pode ser
oblíqua de 1-3º. Extinção mosqueada é um tipo de extinção que não é
completa, gerando uma textura com uma luminosidade de fundo. Essa
extinção mosqueada é diagnóstica para biotita, muscovita, talco,
pirofilita e brucita!
Sinal de Elongação: SE(+) pela clivagem, como todas as micas.
Maclas: pode ter maclas simples, mas são muito raras.
Zonação: não
LC Caráter: B(-), difícil de constatar devido às cores de Ângulo 2V: 30º – 47º ou 35º – 50º; a
interferência fortes. literatura indica ângulos diferentes.
Alteração: é um mineral bastante resistente ao intemperismo e geralmente não está alterada. Agregados
de granulação muito fina podem alterar a hidromuscovita e ilita. Há duas situações especiais – muito raras –
de alteração: (1) Ocasionalmente a muscovita altera para caulinita, podendo gerar pseudomorfoses
perfeitas. (2) Sob condições de metamorfismo mais intenso a muscovita torna-se instável e é substituída por
um agregado de pequenos grãos de feldspato potássico.
Pode ser confundido com: Lepidolita, talco, pirofilita, margarita e paragonita são muito difíceis de distinguir
da muscovita ao microscópio petrográfico. Clorita de cores fracas pode ser semelhante, mas tem
birrefringência menor e frequentemente cores de interferência anômalas. Caulinita possui birrefringência
menor. Sericita só pode ser identificada por Difratometria de Raios X. Qualquer mica incolor pode ser
considerada uma muscovita; muitos petrólogos usam o termo “mica branca” ao invés de nominar espécies.
Associações: Muscovita é uma mica abundante, a mais comum das micas brancas. Ocorre em muitos
tipos de rochas ígneas (granitos, granodioritos, aplitos, pegmatitos e outras rochas félsicas), metamórficas
(ardósia, filito, xisto, gnaisse, cornubianito e quartzito) e também em algumas rochas sedimentares
imaturas. Nunca ocorre em rochas vulcânicas! Distinguir muscovita de outras micas brancas e das “brittle
micas” pode ser impossível. Variedades: Sericita é uma muscovita que forma grãos muito finos, freqüente
em feldspatos alterados e em rochas metamórficas de grau baixo. Fengita é uma mica intermediária entre
muscovita e celadonita, que possui ângulo 2V de 0-30º e que é quase impossível distinguir da muscovita por
meios ópticos. Fuchsita é uma muscovita que macroscopicamente é verde (rica em Cr) e que ocorre em
rochas metamórficas. Ao microscópio apresenta as mesmas características da muscovita.
137

Muscovita a ND: incolor, relevo médio e com Muscovita a ND: cores fortes contrastam com
clivagem bem nítida, às vezes perfeita. o cinza e o branco de quartzo e feldspatos ao
seu redor.

Muscovitas a ND e a NC. À esquerda, a ND, muscovitas incolores, com relevo bem mais alto que
os grãos de quartzo que também ocorrem neste xisto. Imagem obtida com diafragma algo fechado.
À direita, a NC, as muscovitas exibem cores de interferência intensas; a lamela de muscovita na
posição vertical está em posição de extinção (paralela e mosqueada). Quartzo é cinza a branco.

À direita na imagem, muscovita em posição de Muscovitas a NC em rocha metamórfica


extinção mostrando a extinção “mosqueada” com textura de “mica-fish”, com cores
(“birds-eye”) e paralela. Ao seu lado, em amarelo, vermelhas fortes. Ao seu redor, quartzo
uma muscovita com suas cores de interferência (cinza-branco) e biotita (marrom).
fortes. À esquerda, quartzo e feldspatos (cinzas).
138

Muscovita apresentando macla. O


plano de macla é a linha reta que Muscovita a NC. Inalterada: verde. Pouco alterada a
divide o cristal em duas porções; cada caulinita: amarela. Completamente alterada a
porção é um cristal de muscovita. caulinita: cinza (centro da imagem). À esquerda e
direita, em tons de cinza e branco: quartzo.

Fenocristal de plagioclásio em rocha


vulcânica a NC, alterado para
argilominerais (cores marrons) e sericita
(pequenos pontos luminosos).

Sericita é um produto de alteração muito


comum em feldspatos potássicos
(ortoclásio, sanidina, anortoclásio,
microclínio) e calcosódicos (plagioclásios).

Rocha metamórfica (xisto) a


NC com bandas formadas por
cristais paralelos de muscovita
e biotita, intercrescidos com
agrupamentos de quartzo
(cores cinzas e brancas).

As bandas estão deformadas,


dando a impressão de relevo
(montanhas e vales).
139

NEFELINA
Na3KAl4Si4O16 Tectossilicato, Feldspatóide Hexagonal.
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Em rochas plutônicas pode ser leitosa (“elaeolita”). Pode se mostrar
“enevoado” nas margens dos cristais.
Relevo: baixo
Clivagem: {10-10} e {0001} imperfeitas, não visíveis em lâmina delgada.
Hábito: geralmente em massas anédricas, intersticiais. Menos comumente como
prismas hexagonais curtos, com seções basais quadradas ou hexagonais.
Também grãos equidimensionais, colunares, pode apresentar inclusões.
Pode apresentar sub-grãos anômalos.
NC Birrefringência e a birrefringência é muito baixa, de 0,003 a 0,005, o que resulta em cores
cores de interferência: de meio de 1ª ordem: vários tons de cinza a branco, pode ser
acinzentado-azulado.
Extinção: tende a paralela
Sinal de Elongação: SE(-) nas seções longitudinais.
Maclas: raras segundo {10-10}, mas geralmente não apresenta, o que é uma
feição muito diagnóstica em relação aos outros feldspatos
(plagioclásios, anortoclásio, ortoclásio, sanidina).
Zonação: frequentemente zonada, principalmente em rochas vulcânicas.
LC Caráter: U(-). Isógiras podem estar levemente separadas em Ângulo 2V: quando a nefelina
algumas amostras; isógiras podem ser muito largas ou difusas. é B(-) anômala, apresenta
Amostras com Ca são U(+). ângulo de 0 – 6º
Alteração: comumente está alterada. Pode alterar a argilominerais, analcima, sodalita, calcita e cancrinita.
Também altera a zeolitas fibrosas (natrolita) e a sericita, formando inclusive pseudomorfoses de sericita
sobre nefelina. Pode sofrer albitização, com o desenvolvimento de áreas compostas por albita (plagioclásio)
nos cristais de nefelina; estas áreas apresentam maclas polissintéticas (“código de barra”).
Pode ser confundido com: quando ocorre como material anédrico, intersticial, é difícil de identificar, mas a
figura de interferência uniaxial (ou biaxial anômala!) negativa é diagnóstica. Quartzo é U(+), ortoclásio e
outros feldspatos são biaxiais. Apatita e berilo possuem relevos bem mais elevados. Melilita possui relevo
mais alto e cores de interferência anômalas (azuis). Escapolita possui birrefringência mais alta. Diagnóstico
para nefelina é a ausência de maclas, na maioria dos casos, bem como seu caráter uniaxial.
Associações: a nefelina é feldspatóide importante que ocorre principalmente em rochas subsaturadas em
sílica, ricas em álcalis e em Na, como nefelina-sienitos, fonolitos e alguns basaltos, nos quais substituio
componente albita. Pode ser encontrada em algumas rochas metamórficas de contato. Associa-se a outros
feldspatóides (Grupo da Sodalita), feldspato-K, plagioclásio sódico, biotita, olivina, anfibólios e piroxênios
sódicos e calcosódicos, cancrinita, sodalita, melilita, biotita-Ti, apatita, melanita e leucita. Quase nunca
ocorre associada a quartzo.
140

Seção longitudinal de nefelina a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Típicos são o baixo relevo, a


forma retangular, a ausência de clivagem e maclas, bem como as cores de interferência entre cinza e
branco. Importante é conferir a figura de interferência, que deve ser uniaxial negativa, podendo
apresentar um ângulo 2V anômalo de poucos graus.

No centro da imagem, uma seção basal hexagonal de nefelina. À esquerda, a ND, observa-se o
relevo muito baixo. À direita, a NC, vê-se que é isótropa (seção perpendicular ao eixo óptico) e é
possível obter uma figura de interferência U(-).

No centro da imagem, seção basal quadrada de nefelina, com muitas outras seções do mesmo
tipo, mas bem menores, na matriz da rocha. À esquerda, a ND. À direita, a NC. Observa-se um
nítido paralelismo dessas seções quadradas na lâmina.
141

Nefelina com albitização incipiente


a NC. A albita ocupa áreas
quadradas a retangulares com
maclas polissintéticas (“código de
barras”) e, progressivamente, vai
ocupando o cristal de nefelina.

Fenocristal de nefelina em rocha


vulcânica a NC. A nefelina está
alterada para albita (albitização),
que ocupa áreas quadradas a
retangulares com maclas
polissintéticas em uma zona
paralela às margens do grão. Além
disso, a nefelina está alterada para
natrolita, que são os cristais quase
aciculares que se concentram no
centro dos cristais de nefelina.

Nefelina em nefelinito a NC. Os cristais são Seção basal de nefelina a ND, tendendo a
anédricos e muito pequenos: a imagem foi hexagonal. A NC apresenta cores cinzas.
obtida com a objetiva de médio aumento
(10x) e zoom.
142

NOSEANA
Na8(Al6Si6O24)SO4.H2O Tectossilicato, Feldspatóide, Grupo da Sodalita Cúbico
ND Cor / pleocroísmo: geralmente incolor a cinza. Pode ser azul pálida, mas não é pleocróica.
Relevo: muito baixo (negativo).
Clivagem: {110} má, geralmente não visível ao microscópio.
Hábito: dodecaédrico, prismas elongados pseudohexagonais ( seções com 6 lados),
grãos anédricos, enevoados por inclusões.
NC Birrefringência e isótropa, mas pode simular birrefringência fraca se contiver inclusões.
cores de interferência:
Extinção: isótropa
Sinal de Elongação: isótropa
Maclas: maclas simples
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: isótropa Ângulo 2V: isótropa
Alteração: altera a zeolitas (fibrosas), geralmente natrolita, que se desenvolvem e propagam a partir de
fraturas. Também altera, por intemperismo, a argilominerais, calcita e cancrinita.
Pode ser confundido com: O Grupo da Sodalita inclui ainda a sodalita e a hauynita. Pode ser impossível
diferenciar os membros do Grupo da Sodalita apenas pelas suas características ópticas. Entretanto, sodalita
normalmente é incolor, não possui inclusões abundantes e é a única que ocorre em rochas plutônicas.
Hauynita normalmente é azul (pálido ou forte) em lâmina delgada e normalmente contém inclusões escuras
que podem estar concentradas em setores, planos, núcleos ou bordas. Fluorita apresenta formas cúbicas e
uma clivagem excelente. Macroscopicamente a noseana pode ser confundida com hauynita de cores
pálidas; se apresentar cores azuis facilmente é confundida com lazurita.
Associações: noseana está restrita a rochas vulcânicas alcalinos, principalmente fonolitos, leucititos e
nefelinitos. O Grupo da Sodalita ocorre em rochas como fonolitos, álcali-basaltos, traquitos e basaltos com
feldspatóide. Associam-se nefelina, leucita, mica, magnetita, ilmenita, zircão, titanita e sanidina.

No centro da imagem, cristal pseudohexagonal de noseana a ND (esquerda) e a NC (direita). Típicos são o


relevo muito baixo, a forma hexagonal ou esboços poliédricos, a ausência de clivagem e, a NC, a isotropia. Ao
seu redor há cristais menores, arredondados, de leucita.
143

Rocha vulcânica com cristal pseudohexagonal de noseana a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Neste


caso, as luminosidades que são observadas dentro do cristal a NC são minerais de alteração de
tamanho tão diminuto que a identificação pelas suas características ópticas não é possível.
144

OLIVINA
“Olivina” não é um mineral, mas apenas um termo genérico usado para minerais da série isomórfica entre
Forsterita – Mg2SiO4 e Fayalita - Fe2SiO4. A série completa possui 6 membros. Não é possível diferenciar
os membros entre si através de suas propriedades ópticas.
(Mg,Fe)2SiO4 Nesossilicato Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Raramente é amarelo-esverdeado pálido com pleocroísmo amarelo
pálido muito diagnóstico.
Relevo: médio a extremamente alto.
Clivagem: clivagens {010} e {001} más, que normalmente não são visíveis ao
microscópio. Membros ricos em Fe (tendendo a fayalita) podem mostrar
clivagem moderada {010}.
Hábito: Cristais anédricos, mais raramente subédricos. Pode formar fenocristais
prismáticos euédricos, com seções hexagonais ou octogonais em rochas
vulcânicas. Em rochas vulcânicas vítreas pode ser esqueletal. Pode ser
acicular, formando a textura “spinifex” em komatiitos. Fraturas normalmente
são abundantes, muito irregulares, contendo materiais de alteração.
NC Birrefringência e birrefringências máximas de 0,035 (forsterita) e 0,052 (fayalita): cores
cores de interferência: fortes, intensas e variáveis de até 3ª ordem. Seções paralelas a (001)
possuem birrefringência 2x mais alta que seções paralelas a (100).
Extinção: paralela em relação à forma.
Sinal de Elongação: SE (-) ou SE (+), dependendo da orientação.
Maclas: raras e simples, segundo vários planos. Não são diagnósticas.
Zonação: frequentemente zonada, com núcleos ricos em Mg e bordas ricas em Fe

LC Caráter: B(+) ou B(-), dependendo da composição. Ângulo 2V: 46 – 98º Rica em Mg: >72º
Alteração: a olivina pode sofrer 5 processos de alteração.
1. Iddingsita: a olivina pode alterar a iddingsita, que não é um mineral, mas sim uma mistura de cor
amarelo-marrom a vermelho-marrom, composta por argilominerais do Grupo da Clorita e do Grupo da
Esmectita, também óxidos de ferro (goethita e hematita), ferrohíbridos e outros. Iddingsita é fracamente
pleocróica e pode formar pseudomorfos sobre olivina.
2. Serpentinização: a olivina é substituída progressivamente por crisotilo a partir das fraturas e limites
intergranulares, com as fibras orientadas perpendicularmente às paredes das fraturas. Na fácies xistos
verdes a olivina é substituída por antigorita. Formam-se pseudomorfos de serpentina sobre olivina.
3. Bordas de reação 1: quando olivinas estão em contato com plagioclásios ricos em anortita em rochas
gabróicas, geram-se bordas de reação (texturas quelifíticas) compostas de hornblenda verde fibrosa e
radiada, também piroxênios, espinélios e granadas.
4. Bordas de reação 2: quando olivinas estão em contato com fluídos ricos em sílica geram-se bordas de
reação compostas por ortopiroxênios.
5. Substituição por calcita: pode ocorrer substituição completa de olivina por calcita (pseudomorfoses).
Pode ser confundido com: Clinopiroxênios sempre mostram sua clivagem típica e tem extinção oblíqua.
Andalusita é semelhante, mas não ocorre nas mesmas rochas. Minerais do Grupo da Humita, como a
chondrodita, possuem relevo mais baixo e birrefringência mais baixa. Diagnósticos da olivina são a alta
birrefringência, ausência de clivagem e seu padrão de alteração.
Associações: típica de rochas ígneas máficas a ultramáficas e seus equivalentes metamórficos. Forma os
dunitos. Também ocorre em mármores dolomíticos e algumas outras rochas metamórficas. Associa-se a
cromita, espinélio, ortopiroxênios, clinopiroxênios, plagioclásio e outros.
145

Olivina inalterada em mármore (calcita). À esquerda, a ND, percebe-se o relevo muito alto da olivina. Esse
relevo é mais alto que o relevo da calcita (à esquerda em baixo e à direita em cima). À direita, a NC,
observa-se as cores de interferência intensas dos vários grãos de olivina (azul, amarelo, vermelho,
laranja, etc.). Em cima há um grão idiomórfico na posição de extinção paralela (grão preto maior).

Olivina parcialmente alterada a ND (esquerda) e a NC (direita). A maior parte do grão já está alterada
para serpentina, mas no centro sobraram algumas porções de relevo mais alto e cores de interferência
intensas que representam as características originais da olivina.

Cristal de olivina completamente alterado a serpentinas. À esquerda, a ND; à direita, a NC. É um padrão
de alteração muito típico que, aliado à forma e à paragênese, facilita a identificação da olivina.
146

Cristal euédrico de olivina em rocha vulcânica a NC.


Está integralmente substituído por calcita.

Olivinas de hábito acicular a NC, totalmente


alteradas a serpentina, formando a textura
spinifex em um komatiito.

Olivina parcialmente alterada a iddingsita (vermelho) a ND (esquerda) e a NC (direita). A rocha é um gabro, a


ND com plagioclásio (incolor + relevo baixo), clinopiroxênio (incolor + relevo médio) e olivina (incolor + relevo
alto).

Olivina integralmente alterada (pseudomorfose) a iddingsita


Olivina integralmente alterada a serpentina. (laranja). A rocha é vulcânica, composta por opacos (pretos),
A rocha é um mármore, composto plagioclásio (incolor + relevo baixo) e raros clinopiroxênios.
basicamente por calcita. NC. ND.
147

OMFACITA
“Omfacita” não é um mineral, mas apenas um termo usado para uma solução sólida de jadeita (25-75%),
augita (25-75%) e aegirina (0–25%). O nome foi mantido por razões práticas.
(Ca,Na)(Mg,Fe, Al)Si2O6 Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor a verde pálido, com pleocroísmo fraco entre verde muito pálido a
verde-azul.
Relevo: alto
Clivagem: {110} boa. Nas seções longitudinais há apenas uma clivagem. Nas seções
basais há duas clivagens que se interceptam em ângulos de 87º e 93º, como
em todos os piroxênios. Há uma partição em {100}.
Hábito: Normalmente grãos anédricos, granular a maciça. Raramente cristais como
prismas curtos.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,012 a 0,028, com cores até 3ª ordem: cinza,
cores de interferência: amarelo, vermelho profundo, azul intenso.
Extinção: sem informação. Provavelmente oblíqua.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: maclas simples e polissintéticas em {100} são comuns.
Zonação: sem informações.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 58 – 83º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: clinopiroxênios cálcicos, mas as paragêneses são diferentes. Jadeita possui
birrefringência mais baixa, 2V mais baixo e frequentemente é colorida a ND.
Associações: é um constituinte primário dos eclogitos, formados sob alta pressão e baixa temperatura.
Encontrada em kimberlitos e em alguns ofiolitos e rochas metamórficas do fácies xistos azuis com
glaucofana. Também ocorre em metagrauvaques e granulitos. Associa-se a granada, quartzo, cianita,
coríndon, “hornblenda”, escapolita, epidoto e glaucofano (nos xistos azuis).
148

OPACOS
O microscópio de Luz Transmitida evidentemente não foi construído para a identificação de opacos,
que podem ser reconhecidos com um microscópio de Luz Refletida ou usando outras técnicas analíticas.
Em função disso, tradicionalmente não há preocupação em descrever os minerais opacos existentes na
lâmina delgada. É a metodologia mais simplista e preguiçosa possível.
É claro que é possível avançar nesta questão. Não se trata de identificar os opacos
conclusivamente, mas reconhecer se há só um mineral opaco na lâmina ou mais de um, bem como oferecer
sugestões de identificação. É possível obter alguns indícios sobre sua identidade, sempre considerando
apenas os opacos mais comuns. Um auxílio importante se obtém desligando a luz do microscópio e
iluminando a lâmina obliquamente de cima usando uma luz LED intensa: assim é possível reconhecer a cor
do mineral, mesmo em lâminas cobertas com lamínula, sem polimento algum. Alguns minerais de minério,
tradicionalmente ignorados nas técnicas de Luz Transmitida, possuem cores típicas, fáceis de reconhecer.
Abaixo está uma tabela com os opacos e minerais associados mais comuns, cada qual com
algumas características. Mais detalhes podem ser obtidos em cada uma das fichas dos minerais neste Guia.

Mineral Cor com Luz Cor com Luz Características


Transmitida Oblíqua
Magnetita preta (opaca) cinza Muito comum em rochas ígneas, pode formar
octaedros (formas losangulares). Só é possível
distinguir da ilmenita se esta última for esqueletal.
Ilmenita preta (opaca) cinza é o mineral de minério acessório mais comum e
mais importante após a magnetita. Só pode ser
diferenciado a magnetita, com a qual ocorre
associado, se estiver com hábito esqueletal.
Hematita preta (opaca) cinza Comum em rochas metamórficas. Geralmente
apresenta alguns pontos muito luminosos de cor
vermelho-sangue. Forma cristais tabulares.
Galena preta (opaca) cinza Bem mais rara. Se em cristais grandes, em certas
posições alguns destes cristais apresentam intensa
reflexão da luz e cor branca. Pode mostrar buracos
triangulares (figuras de arranque).
Molibdenita preta (opaca) cinza Bastante rara, associa-se a granitos e escarnitos.
Como possui dureza muito baixa (Mohs: 1-1,5)
mostra riscos (sulcos de polimento) quando
iluminada obliquamente de cima com luz LED.
Pirita preta (opaca) amarela quando idiomórfica, forma cubos e formas
combinadas do sistema cúbico. Difícil de diferenciar
da calcopirita, que teoricamente tem uma cor
amarela mais dourada.
Calcopirita preta (opaca) amarela não apresenta formas características (é
xenomórfica), teoricamente apresenta cor amarela
mais dourada que a pirita. Nos contatos com os
grãos vizinhos pode mostrar pontos com sua cor
dourada diagnóstica.
Malaquita verde intenso verde intenso comum, nunca forma cristais grandes, pode
apresentar bandas de colorações mais claras e
mais escuras.
Azurita azul profundo azul profundo mineral raro, dificilmente forma grandes cristais e
se associa a outros minerais de cobre.
Crisocola verde-azul claro verde-azul claro nunca forma cristais, geralmente se apresenta
maciça ou em bandas com cores entre azul claro e
verde pálido.
149

OPALA
Por razões históricas, “opala” ainda é considerada um mineral, mas na realidade é composta por uma
mistura de cristobalita e/ou tridimita ou por sílica amorfa. Há 4 tipos de “opala”: Opala-CT (com cristobalita e
tridimita), Opala-C (com cristobalita), Opala-AG (com gel amorfo) e Opala-AN (rede amorfa, a hialita).
--- Tectossilicato (Dana) ----
ND Cor / pleocroísmo: incolor, amarelo ou vermelho (devido a hidratos de Fe)
Relevo: excepcionalmente baixo.
Clivagem: não tem. Às vezes apresenta fraturas irregulares de contração devido à
perda de água (desidratação).
Hábito: massas amorfas e coloidais preenchendo espaços intersticiais, cavidades
(vesículas) e fraturas; agregados botrioidais e reniformes.
NC Birrefringência e isótropo, excepcionalmente birrefringência anômala, devido à perda de
cores de interferência: água, induzida por tensões.
Extinção: isótropo
Sinal de Elongação: isótropo
Maclas: isótropo
Zonação: isótropo
LC Caráter: isótropo Ângulo 2V: isótropo
Alteração: durante o processo de alteração a opala é substituída progressivamente por calcedônia.
Pode ser confundido com: vidro vulcânico, analcima e os minerais do Grupo da Sodalita possuem índices
de refração mais elevados. Fluorita possui relevo mais alto, e clivagem excelente, chabazita (uma zeolita)
não é isótropa, mas possui birrefringência baixa e extingue por setores.
Associações: opala é um mineral relativamente comum. Para formar opala é necessário haver uma
cavidade (de qualquer tipo) em uma rocha com sílica em sua composição. A cavidade deve estar
preenchida por água (meteórica) que não circula (não pode haver fissuras e circulação de fluidos) por
longos períodos de tempo (milhares a dezenas de milhares de anos ou mais). Nestas condições, a água
que preenche a cavidade é invadida por monômeros de sílica provenientes das paredes da rocha, forma-se
um gel silicoso que posteriormente desidrata até formar opala. Com o tempo, esta opala recristaliza para
calcedônia, tanto que é possível encontrar opala com níveis de calcedônia.
Tendo esta origem, opala não ocorre em rochas metamórficas e plutônicas, mas pode ser encontrada em
fraturas associadas a estas rochas. Em rochas vulcânicas ocorre como hialita, opala transparente e incolor
que forma agregados botrioidais em cavidades e fraturas de rochas piroclásticas, de lavas ácidas e básicas.
Em rochas sedimentares e outros depósitos (paleosolos) opala possui presença ocasional. Opala é comum
como espeleotema em cavernas situadas em rochas silicosas (sedimentares, metamórficas ou
magmáticas), formando vários tipos de espeleotemas, inclusive crostas no teto e nas paredes laterais.
Durante a alteração de silicatos pode-se formar sílica-gel que cristaliza como opala, impregnando a rocha.
Opala é mineral formador de rocha em diatomitos e radiolaritos como produto organogênico. Também
ocorre nas deposições de sinter silicoso em geysers e fontes geotermais. Sinter silicoso frequentemente é
bandado e finamente granular, composto por opala amorfa, opala criptocristalina e quartzo, junto a clastos
detríticos. Sínters silicosos frequentemente apresentam texturas botrioidais e microesferas, revestimentos
laminados de sílica e feições de dissolução. Geyserita é um sínter silicoso bandado rico em opala; fiorita é
um termo aplicado a geyserita de formas botrioidais. A análise destas formas de sílica ao microscópio
petrográfico é difícil e na Difratometria de Raios X fornecem difratogramas pouco conclusivos devido à baixa
cristalinidade.
150

Crosta opalina de estrutura complexa encontrada no teto de uma caverna em riólito. O material preto
na base da imagem é a rocha vulcânica. Observa-se que a opala, a ND (esquerda), pode ser incolor,
amarelada ou acinzentada devido a impurezas, mas a NC (direita) sempre é isótropa (preta). As cores
amarelas correspondem a hidróxidos de ferro (goethita, etc.).

Cavidade (vesícula, antiga bolha de gás) em rocha basáltica preenchida parcialmente com esferulitos de
opala recristalizados para calcedônia. Cores verdes e amareladas são celadonita e argilominerais. À
esquerda, a ND, observa-se nitidamente as rachaduras de ressecamento nos esferulitos. À direita, a NC,
percebe-se que os esferulitos são formados por calcedônia em agregado radial, formando “fibras” com
extinção paralela, por isso a cruz negra que permanece no lugar ao giro da platina.

Opala contaminada com impurezas em um estalagmite encontrado quebrado no piso de uma caverna em
riólito. À ND (à esquerda) apresenta-se escura e com fendas de ressecamento (que podem ter-se originado
durante o processo de confecção da lâmina delgada). À NC (à direita) apresenta este aspecto leitoso.
151

ORTOCLÁSIO
KAlSi3O8 Tectossilicato Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: se inalterado é completamente incolor. Muito comumente está alterado,
apresentando-se “enevoado”, acinzentado, marrom pálido ou castanho
devido à alteração a argilominerais (caolinita) e/ou sericita (muscovita de
alteração de granulação finíssima).
Relevo: baixo.
Clivagem: {001} perfeita e {010} boa que se cruzam a 90º, geralmente não visíveis em
lâmina delgada devido ao relevo muito baixo. Na porção mais central do
grão a clivagem pode ser algo mais visível.
Hábito: grãos euédricos tabulares (retangulares) a mais comumente anédricos.
Muito frequentemente apresenta pertitas (exsoluções de plagioclásio). Além
disso, inclusões são comuns. Portanto, um grão de ortoclásio pode
apresentar, ao mesmo tempo, macla Carlsbad, pertitas, inclusões e
alterações.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 a 0,007 - cores de interferência de meio de 1ª
cores de interferência: ordem: cinza em vários tons a branco.
Extinção: paralela a (010), oblíqua, 5 – 19º segundo (001)
Sinal de Elongação: muito difícil de determinar, geralmente impossível.
Maclas: freqüentes. Geralmente trata-se de Macla Carlsbad: uma linha (plano de
macla) divide o grão em duas porções, cada qual com sua cor de
interferência. Maclas Baveno, Manebach e Albita-Periclina podem
ocorrer. Nunca apresenta macla polissintética.
Zonação: às vezes zonado.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: > 60º
Alteração: muito comum, quase sempre está alterado. A argilominerais (cores beges a ND) (caolinitização)
e a sericita (mica muscovita de alteração = pequenos pontos luminosos a NC)(sericitização). O fato de
apresentar alteração é importante para diferencia-lo facilmente do quartzo, que nunca está alterado!
Pode ser confundido com: as cores de interferência cinza, a clivagem de difícil visualização e as maclas
Carlsbad são muito diagnósticas. Sanidina é muito semelhante, mas possui ângulo 2V menor e geralmente
ocorre em rochas vulcânicas. Quartzo pode ser muito semelhante, mas nunca está alterado, não possui
clivagem e é U(+). Nefelina é U(-).
Associações: o ortoclásio é um feldspato alcalino de temperatura média, muito comum, que predomina em
rochas ígneas. É freqüente em rochas ígneas silícicas como granitos em geral, granodioritos e sienitos,
particularmente de intrusões rasas. O feldspato alcalino de alta temperatura – a sanidina – é mais comum
em rochas vulcânicas. O feldspato alcalino de mais baixa temperatura – o microclínio – é mais abundante
em rochas plutônicas profundas. É encontrado em rochas sedimentares como arenitos imaturos (arcósios)
em em algumas rochas de metamorfismo regional e de contato. Normalmente se associa a quartzo e
muscovita.
152

No centro da imagem, na diagonal (NE-SW), cristal aproximadamente retangular de ortoclásio a


ND (à esquerda) e a NC (à direita). O grão está um pouco alterado para argilominerais, não é
possível ver clivagem e não apresenta macla. A forma retangular é muito característica.

Vários cristais aproximadamente retangulares No centro da imagem, a NC, grão de ortoclásio com
de ortoclásio, profundamente alterados a pertitas, que se apresentam como listras mais
argilominerais (cores marrons), a ND. Trata-se claras, algo irregulares, geralmente subparalelas,
da caulinitização, muito comum para o dispostas perpendicularmente ao alongamento do
ortoclásio. grão.

Ortoclásio a NC com inclusões geométricas de


quartzo, formando a textura gráfica. Ver literatura
No centro da imagem, quase na vertical, cristal
para entender a feição.
tabular de ortoclásio a NC, maclado (uma porção
de cor cinza mais clara e a outra porção de cor
cinza mais escura) e com pertitas (linhas brancas
quase na horizontal). Ao seu redor, outros grãos
iguais.
153

PERICLÁSIO
MgO Óxido Cúbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: alto
Clivagem: {001} perfeita, {111} boa, pode mostrar partição em {011}.
Hábito: Maciço ou granular, cristais anédricos a subédricos cúbicos ou octaédricos
em matriz.
NC Birrefringência e isótropo
cores de interferência:
Extinção: isótropo
Sinal de Elongação: isótropo
Maclas: não
Zonação: isótropo
LC Caráter: isótropo Ângulo 2V: isótropo
Alteração: facilmente altera a brucita. Brucita é muito parecido com serpentina, mas brucita tem um relevo
médio (serpentina (antigorita) = relevo baixo) e cores de interferência mais intensas (birrefringência máxima
de 0,020; serpentina (antigorita) com birrefringência máxima de 0,006)
Pode ser confundido com: granada, mas granada não tem clivagem, é muito mais comum e bem mais
típica de outras paragêneses.
Associações: O periclásio é um mineral raro, formando-se sob altas temperaturas em mármores
dolomíticos a partir da dissolução da dolomita durante o metamorfismo. Sua alteração supergênica, por
outro lado, gera facilmente brucita (Mg(OH)2) ou hidromagnesita (Mg5(CO3)4(OH)2.4H2O). Associa-se a
calcita, serpentina, brucita, espinélio, forsterita, minerais do Grupo da Humita, magnesita, hidromagnesita,
brucita, ellestadita, hematita, anidrita, srebrodolskita, coríndon, perovskita, cassiterita, anatásio e rutilo.
154

PEROVSKITA
(Ca, Na, Fe, Ce, Sr)(Ti, Nb)O3 Óxido ortorrômbico
(Grupo da Perovskita) (pseudocúbico, pseudohexagonal)
ND Cor / pleocroísmo: variável, violeta-marrom pálido a profundo, amarelo-âmbar, amarelo intenso,
raramente verde a incolor. Distribuição concêntrica de cores é possível.
Cristais muito pequenos parecem opacos porque refletem toda a luz.
Relevo: extra-alto ( um dos maiores relevos conhecidos).
Clivagem: {001} má.
Hábito: normalmente em cubos, mais raramente em octaedros (seções
triangulares). Pode apresentar-se pseudohexagonal, com seções com 6
lados. Raramente ocorre com hábito esqueletal.
NC Birrefringência e nunca fica completamente extinta e apresenta birrefringência baixa, de
cores de interferência: até 0,080, com cores de 1ª ordem: cinza escuro a cinza claro.
Extinção: isótropo
Sinal de Elongação: isótropo
Maclas: polissintéticas segundo {111}, raramente maclas simples segundo {110} e {100},
lamelares e setorizadas, visíveis apenas em cristais maiores. Como é paramorfo, todos
os cristais maiores mostram maclas polissintéticas como a leucita, além de cores de
interferência anômalas. Devido à baixa birrefringência do periclásio, é útil inserir o
condensador a NC para observar as maclas polissintéticas.
Zonação: frequentemente zonado
LC Caráter: B(+), normalmente isótropa. Ângulo 2V: 90º
Alteração: geralmente não está alterada.
Pode ser confundido com: sua ocorrência restrita facilita sua identificação. Nunca se associa a quartzo.
Picotita e melanita possuem relevo bem mais baixo; rutilo ocorre em paragênese diferentes. A perovskita é
facilmente confundida com dysanalita e pirocloro devido ao relevo e cor semelhantes; a identificação exata
prescinde de outros métodos (microssonda eletrônica, difratometria de Raios X).
Associações: a perovskita é um mineral acessório relativamente raro, que ocorre em rochas alcalinas e
ultramáficas como nefelina sienitos, kimberlitos e carbonatitos; também em escarnitos calcários.
155

PIEMONTITA
Ca2(Al,Mn3+,Fe3+)3O(Si2O7)(SiO4)(OH) Sorossilicato, Grupo do Epidoto. Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: cores fortes: rosa, amarelo, laranja, vermelho e violeta, com pleocroísmo
forte: X = amarelo, Y = violeta-vermelho, Z = vermelho escuro.
Relevo: alta a muito alto
Clivagem: {001} perfeita
Hábito: cristais prismáticos, seções com 6 lados, acicular, radial.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,025 a 0,073: cores intensas de 2ª a 4ª ordem. As
cores de interferência: cores de maior ordem são mascaradas pela intensa cor própria do
mineral.
Extinção: paralela ou oblíqua, com ângulo de 0 – 34º . Seções grandes
normalmente apresentam extinção paralela.
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: raras, polissintéticas, segundo (100).
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: B(+) ou B(-) Ângulo 2V: 64 – 106º
Alteração: altera dificilmente, mas pode alterar a clorita.
Pode ser confundido com: as cores e o pleocroísmo são muito características.
Associações: a piemontita é um mineral relativamente raro, formando-se em rochas metamórficas geradas
por metamorfismo regional de grau baixo a médio (fácies xistos-verdes a anfibolito) como xistos e gnaisses
ricas em Mn. Também ocorre em rochas félsicas hidrotermalmente alteradas e em rochas intermediárias,
bem como em depósitos metassomáticos de minerais de Mn. Associa-se a epidoto, tremolita, glaucofano,
ortoclásio, quartzo e calcita.

Piemontita a ND mostrando suas cores fortes e seu pleocroísmo forte ao giro de 90º .

À esquerda, piemontita a NC: as cores, devido à sua intensidade, continuam


praticamente as mesmas. À direita, piemontita a NC com maclas polissintéticas.
156

PIGEONITA
(Mg,Fe2+,Ca) 2[Si2O6] Inossilicato, Supergrupo dos Piroxênios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor, verde amarelo pálido a verde amarronado. Normalmente não
apresenta pleocroísmo, mas pode ser fracamente pleocróica nestas cores.
Relevo: alto
Clivagem: {110} boa. Nas seções longitudinais há apenas uma clivagem. Nas seções
basais observa-se duas direções de clivagem que se cruzam em ângulos de
87º e 93º, como em todos os piroxênios.
Hábito: tipicamente anédrico granular, raramente euédrico colunar, com colunas
mais longas que as augitas que a acompanham. Pode formar bordas ao
redor de augita; tipicamente é um mineral da matriz.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,021 a 0,029: cores intensas e coloridas de
cores de interferência: 2ª ordem, muito semelhantes às cores de outros clinopiroxênios.
Extinção: oblíqua, com ângulos de 32º a 44º.
Sinal de Elongação: não pode ser determinado.
Maclas: comuns. Simples e múltiplas segundo {100} e {001}.
Zonação: pode ser zonada.
LC Caráter: B(+), pode simular ser uniaxial. Ângulo 2V: 0 – 32º, tende a ficar entre 10º e 20º
(varia com a composição química).
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: a pigeonita é um mineral comum em basaltos tholeiíticos, mas facilmente
passa despercebida, sendo confundida com outros clinopiroxênios como augita e diopsídio. É um típico
mineral da matriz (dificilmente ocorre como fenocristal). A única diferença facilmente mensurável da
pigeonita para outros clinopiroxênios semelhantes é seu ângulo 2V pequeno! Portanto, são muito
diagnósticos seu baixo ângulo 2V e seu caráter frequentemente pseudo-uniaxial. Augita e diopsídio
possuem ângulo 2V maior. Aegirina possui uma cor muito mais forte, um pleocroísmo intenso e ângulos de
extinção inferiores a 20º. Aegirina-augita possui ângulo de extinção inferior a 20º. Ortopiroxênios possuem
extinção paralela; olivina não mostra clivagem ao microscópio e possui um ângulo 2V maior.
Associações: a pigeonita é um clinopiroxênio pobre em Ca comum em rochas ígneas vulcânicas e
subvulcânicas máficas a intermediárias, de caráter tholeiítico basáltico, como basaltos, diabásios, andesitos
e dacitos. Pode ser encontrada como lamelas de exsolução em augitas. Pigeonita em fenocristais associa-
se a diopsídio, plagioclásio com ou sem olivina; na matriz da rocha associa-se a augita. Ocorre como
mineral intersticial entre as lamelas de plagioclásio. Não ocorre junto com titanoaugita em basaltos
alcalinos. Encontrada também em formações ferríferas metamórficas e em alguns meteoritos.
157

Pigeonita na matriz de rocha vulcânica a ND (à esquerda) e a NC (à direita). As características gerais


são idênticas às de outros clinopiroxênios, mas o ângulo 2V é baixo.

Seção basal de pigeonita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Observam-se nitidamente as duas


direções de clivagem que se cruzam em ângulos aproximadamente retos, como em todos os
piroxênios. O cristal é bem pequeno, situado na matriz de rocha vulcânica.
158
PIRITA – FeS2

A pirita é um mineral opaco muito comum e o sulfeto mais comum, encontrado nos mais diversos
tipos de rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. Muitas vezes se associa a outros sulfetos ou óxidos
em veios hidrotermais de quartzo. Pode substituir fósseis. Ocorre como segregação magmática e como
mineral acessório em rochas ígneas, em pegmatitos. Forma-se em depósitos de metamorfismo de contato e
ocorre como substituição diagenética em rochas sedimentares. Pode se concentrar em aluviões e placers,
na forma de grãos rolados. De qualquer maneira, é extremamente abundante e ocorre em uma infinidade de
situações geológicas. Os maiores cristais de pirita, que cristaliza no Sistema Cúbico, atingiram 25 cm.
A pirita possui uma série de usos, alguns históricos, outros ainda atuais. Foi apelidada de “ouro dos
tolos” devido à sua semelhança com ouro. É um mineral problemático devido à sua abundância e aos
problemas ambientais que causa quando se dissocia, gerando óxidos de ferro e sulfato. O sulfato se
combina com água e produz ácido sulfúrico, originando efluentes de mina extremamente ácidos. A oxidação
da pirita é tão exotérmica que algumas minas de carvão subterrâneas com alto teor de S tem problemas
com combustão espontânea da pirita em porções já mineradas, conduzindo a incêndios subterrâneos. A
única solução é vedar hermeticamente as porções já mineradas para impedir a entrada de oxigênio.
Pirita normalmente é muito pura, mas pode conter níquel, cobalto, ouro, prata, chumbo, selênio e
arsênio. É a forma cúbica do FeS2, a forma ortorrômbica é a marcassita (dimorfismo). A pirita forma uma
série com a cattierita. Quanto a variedades: bravoita é uma variedade de pirita com Ni e Co, com >50% do
ferro da pirita substituída por Ni; era considerada um mineral, mas foi desacreditada. “Gelpyrit” (= pirita-gel)
é um gel de FeS e FeS2 ± As que cristalizou, formando estruturas concêntricas bandadas que lembram
ágata. “Sol de pirita” ou “dólar de pirita” é uma variedade nodular achatada que forma discos, encontrada
em minas de carvão em Sparta (Illinois, USA). Cristais bem formados, hidrotermais ou metamórficos, são
muito estáveis, mas as piritas formadas em ambientes sedimentares (carvões, concreções, etc.) em meses
a alguns anos esfarelam devido à formação de sulfatos ferrosos hidratados e outras fases.
A pirita associa-se a pirrotita, marcassita, galenas, esfalerita, arsenopirita, calcopirita, muitos outros
sulfetos e sulfossais, hematita, fluorita, quartzo, barita, quartzo, microclínio, biotita, albita, hornblenda,
hematita, calcita e muitos outros.
Ao microscópio a pirita é opaca. Não há nenhuma reflexão interna característica a ela associada
(como as reflexões vermelho-sangue na hematita). Desligando a luz do microscópio e iluminando a lâmina
de cima, obliquamente, com uma lâmpada de luz LED intensa, é possível reconhecer sua cor amarelo-latão.
Na pior das hipóteses, é fácil diferenciar opacos de cores amarelas (pirita, calcopirita) de opacos de cores
cinzentas (magnetita, ilmenita, hematita), considerando os opacos mais comuns. Naturalmente a
identificação conclusiva de opacos precisa ser feito com lâminas ou seções polidas em um microscópio de
Luz Refletida ou por outras técnicas analíticas.

Piritas idiomórficas em nefelinito. À esquerda a ND, opacas. À direita, com a luz do microscópio
desligada e iluminadas oblíquamente de cima com uma lâmpada LED, percebe-se nitidamente a
cor amarelo-latão da pirita. As porções pretas dentro dos grãos de pirita são buracos gerados
durante a confecção da lâmina delgada. A lâmina não está polida; está com lamínula.
159

PIROFILITA
Al2Si4O10(OH)2 Filossilicato Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, nunca apresenta cor nem pleocroísmo.
Relevo: baixo a moderado
Clivagem: {001} perfeita
Hábito: flocos subédricos tabulares, agregados esferulíticos compactos de cristais
aciculares radiados, laminas foliadas de grão fino, granular, maciço.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,044 a 0,062, muito alta, resultando em cores
cores de interferência: intensas de 3ª e 4ª ordem.
Extinção: paralela em relação à clivagem. Sempre mosqueada!
Sinal de Elongação: SE(-) ou SE(+), não é diagnóstico.
Maclas: não apresenta.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 53 - 62º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: talco e muscovita são muito parecidos, mas pirofilita tem um ângulo 2V menor
que estes. Gibbsita e brucita são B(+) e tem birrefringências mais baixas. Argilominerais possuem
birrefringência mais baixa. Quando em grãos muito pequenos a identificação pode ser impossível e
necessitar de outras técnicas analíticas como Difratometria de Raios X.
Associações: a pirofilita um mineral relativamente raro. Ocorre em rochas metamórficas hidrotermalmente
alteradas e é originada pela alteração de minerais ricos em alumínio como feldspatos, cianita, sillimanita,
andalusita, coríndon e topázio.

Pirofilita na matriz de um arenito, cuja lâmina delgada foi preparada após impregnação com resina
(cores azuis a ND). À esquerda, a ND, a pirofilita é incolor. À direita, a NC, a pirofilita se apresenta
como finíssimos grãos com cores de interferência elevadas. As 2 imagens na próxima página são da
mesma ocorrência.
160

Pirofilita, muscovita, quartzo, rutilo e outros em agalmatolito (rocha metamórfica formada pela
alteração hidrotermal de riólitos e metamorfitos aluminosos). Imagem obtida com a objetiva de menor
aumento (2,5x). A granulação da rocha é tão fina que mesmo com maiores aumentos não é possível
diferenciar a pirofilita da muscovita, ambas com propriedades ópticas muito semelhantes. Neste caso é
necessário usar outros métodos analíticos (Difratometria de Raios X) para a caracterização da rocha.

Pirofilita em cristais grandes observados com a objetiva de menor aumento (2,5x) a ND (esquerda) e
a NC (direita). É extremamente semelhante à muscovita, mas as cores de interferência são de
ordem mais elevada, o que é possível reconhecer com alguma experiência.
161

PLAGIOCLÁSIO
“Plagioclásio” não é um mineral, mas um termo usado para os membros da solução sólida (série isomórfica)
entre a albita (Ab) (NaAlSi3O8) e a anortita (An) (CaAl2Si2O8). Os termos intermediários são oligoclásio
(90-70% Ab + 10-30% An), andesina (70-50% Ab + 30-50% An), labradorita (50-30% Ab + 50-70% An) e
bitownita (30-10% Ab + 70-90% An).
Tectossilicato Triclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Se alterado a argilominerais pode se apresentar em cores cinzentas
ou castanhas.
Relevo: muito baixo a baixo.
Clivagem: {001} perfeita, {010} boa, {110} má, {1-10} má. As duas clivagens principais intersectam
em ângulos de 86º, mas geralmente não são visíveis em lâmina delgada.
Hábito: tipicamente cristais prismáticos longos (lamelares), às vezes muito finos.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,003 a 0,013, resultando em cores de interferência
cores de interferência: de meio de 1ª ordem: cinza escuro a cinza claro, branco.
Extinção: oblíqua, de 3º a 39º , depende da composição química, da seção, se é
pela clivagem ou pela macla.
Sinal de Elongação: não pode ser determinado.
Maclas: macla da albita (polissintética) comum, também maclas carlsbad e periclina. Maclas albita
e periclina juntas formam uma textura que se assemelha ao microclínio, mas a rede é
mais grosseira e as lamelas melhor definidas. Albita granoblástica sem maclas é comum
em xistos. Albita e anortita tendem a ter maclas simples. Oligoclásio tem maclas da albita
com lamelas muito finas; com o aumento do teor de Ca as lamelas são mais espessas.
Zonação: frequentemente mostra zonação, inclusive oscilatória.
LC Caráter: albita, Ângulo 2V: não é diagnóstico isoladamente. Maclas e lamelas de
oligoclásio, andesina e exsolução podem tornar sua determinação difícil.
bitownita: B(+) ou B(-); albita : 76 - 82º oligoclásio : 82 - 90o
labradorita B(+); andesina : 76 – 83º labradorita : 78 – 86º
anortita B(-) bitownita : 80 – 88º anortita : 78 – 83º
Alteração: depende da composição. Altera para sericita, calcita, argilominerais (montmorilonita), escapolita,
prehnita, zeolitas e outros.
Pode ser confundido com: a macla polissintética é extremamente característica. Os plagioclásios
individuais são diferenciados pelos Métodos de Michel-Levy e Carlsbad-Albita.
Associações: exceto em algumas rochas ultramáficas, alcalinas e muito ácidas, os plagioclásios são
comuns em rochas ígneas, em rochas metamórficas e em sedimentos clásticos imaturos. Albita é comum
em granitos, granodioritos, riolitos, rochas alcalinas como sienitos, rochas metamórficas pelíticas de baixo
grau. Oligoclásio é comum em granitos, granodioritos, riolitos, dacitos, rochas alcalinas como sienitos,
rochas metamórficas de grau meio a alto. Andesina é típica de rochas intermediárias como andesitos e
dioritos, mas também ocorre em algumas rochas alcalinas. Nas rochas metamórficas ocorre principalmente
em rochas de alto grau. Labradorita é o plagioclásio mais comum de rochas básicas como gabros e
basaltos, mas também ocorre em rochas alcalinas como sienitos. Em rochas metamórficas é relativamente
raro, mas pode ocorrer em rochas de alto grau. Bitownita é rara, ocorre em rochas ígneas básicas, mas
não é tão abundante como labradorita. Anortita é relativamente rara; ocorre em rochas básicas e
ultrabásicas. Domina nas rochas ígneas conhecidas por anortositos. Em rochas metamórficas pode ser
encontrada em carbonatos metamórficos (mármores).
162

Plagioclásio a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND é incolor, de relevo baixo e não mostra


clivagens. Se os grãos vizinhos são feldspatos e quartzo, torna-se difícil ver o contorno do grão. A
NC, as maclas polissintéticas (“código de barras”) são muito diagnósticas.

Plagioclásios em rochas vulcânicas: à esquerda, a NC, pequenos grãos ripiformes de plagioclásio na


matriz de rocha vulcânica. À direita, a NC, grande cristal (fenocristal) euédrico em rocha vulcânica. Ao
seu redor, plagioclásios pequenos na matriz e piroxênios (coloridos).

Plagioclásios alterados a NC. Com o


desenvolvimento de sericita (pontos brancos)
as maclas se tornam mais difíceis de
Dois fenocristais esqueletais de plagioclásio em visualizar. Plagioclásios alteram com muita
facilidade para uma série de outros minerais.
rocha vulcânica. Observa-se que o grão não está
completo, pois contêm áreas com a matriz da rocha
(áreas escuras).
163

PREHNITA
Ca2(Al,Fe)Al2Si3O10(OH)2 Strunz: Inossilicato / Dana: Filossilicato Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, nunca possui cor muito menos pleocroísmo.
Relevo: moderado
Clivagem: {001} boa, {110} má.
Hábito: tabular em [001], prismático, radiado, formando feixes e intercrescimentos
em parque (xadrez). Os arranjos de cristais podem ser em padrão de
gravata-borboleta, em leques, radiais, dendríticos, reniformes, globulares,
estalagtíticos, granulares ou maciços.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,021 a 0,035, correspondendo a cores intensas de 2ª
cores de interferência: ordem: azul, laranja, vermelho. Frequentemente são anômalas, em azul
ou em marrom-do-couro. A birrefringência aumenta com o aumento do
teor em Fe.
Extinção: padrões de parquê (xadrez), lembrando microclínio, mas com cores de
interferência anômalas e extinção incompleta.
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: lamelares finas, raras, podem ocorrer em dois conjuntos em (110) e
(001).
Zonação: às vezes zonada, com zonação em ampulheta.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 64 – 71º
Alteração: não altera, é produto de alteração.
Pode ser confundido com: a clivagem e a birrefringência são diagnósticas. Lawsonita, pumpellyita e
epidoto, também encontradas em rochas metamórficas de grau baixo, possuem birrefringência mais baixa
ou mais alta e cores de interferência normais (não anômalas). Datolita ocorre em vesículas, mas possui
birrefringência mais alta e clivagem má. Condrodita mostra pleocroísmo em dourado fraco e maclas
lamelares.
Associações: a prehnita, um produto de alteração do componente anortita do plagioclásio, é encontrada
mais comumente em rochas de metamorfismo regional de grau baixo, com protólitos ígneos máficos ou
grauvaques: basaltos, diabásios e seus derivados piroclásticos, rochas gabróicas e granodioritos. Em
rochas metamórficas (calcosilicatadas) ocorre com silicatos de cálcio. É comum em vesículas e veios em
rochas vulcânicas intermediárias, básicas e ultrabásicas.

Veio de prehnita e calcita a NC em rocha basáltica.


No topo da imagem, a rocha basáltica. Na base da
imagem, calcita. Entre eles há agregados de
prehnita que tendem a ter forma de leque e que
apresentam cores de interferência intensas, bem
como cores de interferência anômalas (azul e
cinza).
164

Rocha meta-vulcânica com vesícula (bolha de gás) preenchida por prehnita a ND (esquerda) e a
NC (direita). Muito típicas são as cores de interferência fortes e os agregados em forma de leque
que a prehnita apresenta a NC.

Agregado em forma de
leque de prehnita a NC.
Este hábito incomum é
bastante diagnóstico, bem
como as cores de
interferência fortes e a
extinção por setores, muito
irregular.
À esquerda e em baixo da
prehnita há calcita, à direita
rocha basáltica.

Prehnita a NC com cores de interferência Vários agregados em forma de leque de


anômalas azuis. Essa cor azul é algo diferente da prehnita a NC, exibindo cores amarelas fortes
cor anômala azul da clorita e sempre há prenhita e com extinção paralela. Aqui a prehnita
com cores intensas (“normais”) associadas, neste preenche um veio; em outras ocasiões pode
caso em laranja a vermelho. preencher cavidades.
165

PUMPELLYITA
“Pumpellyita” não é um mineral, mas apenas um nome genérico, informal, que se refere aos minerais que
compõe o Grupo da Pumpellyita, com 11 membros. Destes, 5 são “pumpellyita”: pumpellyita-(Al),
pumpellyita-(Fe+2), pumpellyita-(Fe+3) pumpellyita-(Mg) e pumpellyita-(Mn+2). O reconhecimento das
espécies individuais não é possível ao microscópio petrográfico.
Ca2(Al,Fe2+,Fe3+,Mg,Mn)Al2[(OH)2|SiO4|Si2O7].H2O Sorossilicato Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: verde, amarela, verde-azul, amarelo-marrom. Pleocroismo de fraco a
moderado, raramente ausente: X = incolor, Y = azul-verde. Z = incolor,
marrom. A intensidade da cor e do pleocroísmo dependem do teor em
Fe. Zonação de cor é comum.
Relevo: moderado a alto
Clivagem: {100} perfeita e {001} boa.
Hábito: lamelar, acicular, tabular, radiada, fibrosa. Forma agregados
divergentes, rosetas ou esferulitos, também em feixes paralelos a
subparalelos. Podem ocorrer intercrescimentos entre pumpellyita e
lawsonita em forma de “folha-de-carvalho”, por (010), junto com epidoto.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,010 a 0,020: são comuns cores de interferência
cores de interferência: anômalas de 1ª ordem como azul (“berlim blue”) e marrom-couro.
São raras as cores de interferência normais como amarelo-palha de
1ª ordem até azul de 2ª ordem.
Extinção: oblíqua. Se pobre em Fe: 4º . Se rica em Fe: 22º
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: comum em (001) e (100).
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 7 – 110º. Se pobre em Fe: 4º. Se rico em Fe: 85º.
Alteração: não altera.
Pode ser confundido com: diagnósticos são o alto relevo, a baixa birrefringência e a clivagem. Similar a
minerais do Grupo do Epidoto (epidoto (B-), zoisita (extinção paralela) e clinozoisita (birrefringência menor e
relevo maior)). Lawsonita possui birrefringência mais baixa e extinção paralela. Clorita possui relevo e
birrefringências mais baixos e cores de interferência normais.
Associações: a pumpellyita é um mineral-índice para rochas metamórficas de grau baixo, formadas sob
baixas temperaturas e alta pressão, da fácies xistos-verde, grau pumpellyita-prehnita. Geralmente os
protólitos eram vulcânicas básicas como basaltos, diabásios, espilitos e seus equivalentes piroclásticos.
Também ocorre em glaucofana-xistos (com lawsonita, glaucofano, riebeckita e epidoto), em mármores e
escarnitos. Nas rochas de fácies xistos-verdes associa-se a albita, clorita, stilpnomelano, sericita, quartzo,
calcita e titanita, com ou sem actinolita.
166

QUARTZO
SiO2 Tectossilicato, Grupo da Sílica Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Nunca apresenta cor nem pleocroísmo.
Relevo: baixo
Clivagem: clivagens más em {10-11}, {01-11} e {10-10}, que não são visíveis ao
microscópio. Além disso, possui partição romboédrica, que também não é
visível ao microscópio.
Hábito: normalmente grãos anédricos. Em certas rochas vulcânicas pode apresentar
grãos euédricos bipiramidais com seções hexagonais.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,009, resultando em cores de meio de 1ª
cores de interferência: ordem: branco, vários tons de cinza, no máximo um amarelo pálido.
Extinção: paralela ao alongamento. Como os grãos quase sempre são anédricos,
esta constatação raramente é possível. Muito frequentemente o quartzo
apresenta extinção ondulante.
Sinal de Elongação: SE(+) em relação ao alongamento, raramente observável porque os
grãos quase sempre são anédricos.
Maclas: Muito raras, normalmente não apresenta em lâmina delgada.
Zonação: não apresenta em lâmina delgada.
LC Caráter: U(+), mas pode ser biaxial anômalo, o que é Ângulo 2V: pode apresentar um ângulo 2V
muito freqüente em rochas metamórficas. anômalo de até 20º
Alteração: nunca altera. Entre os minerais formadores de rocha comuns o quartzo e a turmalina são os dois
minerais mais estáveis em relação a alterações.
Pode ser confundido com: feldspatos tem maclas, clivagem, são biaxiais e normalmente apresentam-se
algo alterados. De feldspatos sem maclas pode ser distinguido pelo seu caráter U(+). Semelhantes ao
quartzo são escapolita, apatita, cordierita, tridimita, nefelina e berilo, mas nenhum deles é U(+).
Associações: é o mineral mais abundante em rochas terrestres crustais, extremamente comum em rochas
ígneas, metamórficas e sedimentares. Mesmo em rochas básicas ocasionalmente está presente.

No centro das imagens, grande cristal de quartzo rodeado por baixo por feldspatos um pouco alterados e por
cima por outros grãos de quartzo. Imagem da esquerda a ND, imagem da direita a NC.
A ND o quartzo é completamente incolor, possui relevo baixo e não mostra clivagem. Mesmo fraturas são
mais raras. Como o grão nunca altera, mostra uma limpidez que os feldspatos (ortoclásio, microclínio,
plagioclásios, etc.) raramente mostram. Sua forma anédrica (xenomórfica) também é típica.
A NC o quartzo apresenta cores de interferência em vários tons de cinza até branco. Jamais mostra maclas,
ao contrário dos feldspatos, onde maclas são muito comuns.
167

Quartzo euédrico em rocha Quartzo e calcedônia


Quartzos com bordas
vulcânica a NC. Quartzo
corroídas em rocha preenchendo uma bolha de
apenas é euédrico nestes
casos ou quando cristaliza vulcânica ácida a NC. gás em uma rocha vulcânica
em cavidades e fraturas. (preta na imagem). NC.

Quartzo a NC (centro da imagem) em rocha Quartzo a NC (centro da imagem) em


plutônica, com feldspatos (cinza, maclas) e rocha metamórfica, com muscovitas
muscovita (cores laranjas/vermelhas). (lamelas coloridas).

Quartzo a NC em rocha metamórfica (quartzito), Quartzo a NC em rocha sedimentar (arenito).


em grãos muito estirados. Os grãos de quartzo estão cimentados por
calcedônia.

Cristais de quartzo sem alteração (cores


cinzentas muito límpidas) ao lado de
alguns grãos de feldspato profundamente
alterados a argilominerais (caulinita) e
sericita (muscovita de grão muito fino).
NC.
168

RHODOCROSITA
A rhodochrosita é um carbonato de Mn que forma uma série com a calcita e outra série com a siderita.
Mn2+CO3 Carbonato Hexagonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor a rosa pálida. Pode apresentar pleocroísmo discreto.
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina em cristais
com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de “pleocroísmo de relevo” e é
típico dos carbonatos (calcita, dolomita, aragonita, siderita, rhodocrosita e magnesita).
Quando microcristalinos, estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de relevo”.
Clivagem: {10-11} perfeita. Trata-se da clivagem romboédrica dos carbonatos, também
presente na calcita, dolomita, siderita e magnesita. As duas clivagens se
cruzam em ângulos de 60 e 120º. Há uma partição em {01-12}.
Hábito: agregados lamelares. Pode ser colunar, estalagtítica, botrioidal, compacta
granular ou maciça.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,218, correspondendo a cores de
cores de interferência: interferência muito altas, difíceis de determinar (“branco perlácea”).
Extinção: simétrica em relação aos planos de clivagem romboédricos.
Sinal de Elongação: não se aplica.
Maclas: de contato e lamelares.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: U(-) Ângulo 2V: não.
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: a clivagem romboédrica e as elevadas cores de interferência identificam o
mineral como carbonato, mas os carbonatos não podem ser diferenciados um do outro ao microscópio
petrográfico; são necessárias outras técnicas analíticas.
Associações: a rhodocrosita, macroscopicamente com uma cor vermelha muito típica, é um mineral mais
raro que é encontrado em veios hidrotermais de temperaturas baixas a moderadas. Também ocorre em
carbonatitos e em depósitos metasomáticos de alta temperatura. Típica para depósitos sedimentares de
Mn. Pode ser autigênica e secundária em sedimentos. Raramente ocorre como mineral tardio em
pegmatitos graníticos, especialmente naqueles com lithiophilita. Associa-se a outros carbonatos (calcita,
dolomita, siderita), quartzo, pirita, fluorita, barita, tetraedrita, esfalerita, rhodonita, hübnerita, granada,
alabandita e hausmannita, dependendo do jazimento.

À esquerda, rhodochrosita a ND (acima) e a NC (abaixo), mostrando a


clivagem romboédrica típica dos carbonatos e a cor de interferência
“branco perlácea” típica dos carbonatos.
Acima, rhodochrosita com extinção ondulante.
169

RHODONITA
Bustamita é a variedade com Ca, Fowlerita é a variedade com Zn.
(Mn,Fe,Mg,Ca)SiO3 Inossilicato, Grupo dos Piroxenóides Triclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Pode apresentar uma cor rosa discreta. Neste caso pode apresentar
pleocroísmo fraco entre X = vermelho amarelado, Y = vermelho rosado e Y
= vermelho amarelado pálido.
Relevo: alto
Clivagem: {110} perfeita. Seções longitudinais mostram apenas uma clivagem. Seções
basais mostram duas direções de clivagem que se cruzam em ângulos de
92,5º. Além disso, a rhodonita possui clivagem boa em {001}.
Hábito: Geralmente maciça ou em massas cliváveis. Os raros cristais são tabulares
espessos.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,013, correspondendo a cores de cinza,
cores de interferência: branco até amarelo de 1ª ordem, não chega ao laranja.
Extinção: oblíqua em até 25º .
Sinal de Elongação: sem informações
Maclas: pode apresentar maclas lamelares.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 58 – 73º
Alteração: altera a óxidos de Mn que são opacos em lâmina delgada.
Pode ser confundido com: a cor vermelha fraca e as duas clivagens nas seções basais que lembram um
piroxênio são bem diagnósticas. Macroscopicamente possui uma cor vermelho-rosa muito diagnóstica.
Associações: a rhodonita é um mineral raro sempre associado a depósitos de Mn, cuja origem pode ser
hidrotermal ou por metamorfismo de contato ou regional. Também em depósitos com Mn originados por
processos sedimentares.

À esquerda, uma seção basal de rhodonita mostrando as duas


clivagens se cruzando em ângulos praticamente retos. Em cima,
ND. Em baixo, NC.
Acima, seções longitudinais de rhodonita mostrando cores de
interferência entre cinza escuro e amarelo.
170

RIEBECKITA
Na2Fe2+3 (Al,Fe3+) 2Si8O22(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: pleocroísmo forte entre X=Y= azul escuro a verde-azul a preto e Z =
amarelo-verde escuro a amarelo-verde pálido a marrom.
Relevo: moderado a alto.
Clivagem: clivagem {110} perfeita. Nas seções longitudinais há apenas uma clivagem.
Nas seções basais observam-se duas clivagens que se interceptam a 56º e
124º, como em todos os anfibólios. Mas, quando a riebeckita mostra hábito
fibroso ou acicular, esta clivagem não é mais visível!
Hábito: prismático largo, acicular ou fibroso, seção basal rômbica (losangular)..
NC Birrefringência e birrefringência de 0,006 a 0,017: cores de interferência de 1ª ordem e 1ª
cores de interferência: ordem superior – cinza a amarelo/laranja, azul. As fortes cores próprias
do mineral mascaram estas cores de interferência.
Extinção: tende a oblíqua com ângulo entre 0 e 30º. Pode simular ser paralela!
Sinal de Elongação: SE(-), às vezes SE(+)
Maclas: simples e lamelares segundo (100), somente visíveis em cristais
maiores.
Zonação: frequentemente zonado, geralmente apenas observáveis em cristais
mais largos/maiores.
LC Caráter: B(+) ou B(-), pode simular ser uniaxial. Ângulo 2V: 40 – 100º , muito variável.
Alteração: a óxidos de ferro e carbonatos.
Pode ser confundido com: a clivagem caracteriza a riebeckita como anfibólio, suas cores e pleocroísmo
são muito diagnósticas. Quando fibrosa pode ser reconhecida pelo hábito, que outros minerais azuis não
apresentam. Glaucofano ocorre em outras paragêneses e possui cores de pleocroísmo diferentes.
Dumortierita geralmente apresenta uma cor azul bem mais clara. Turmalina é azul mais raramente,
geralmente tem outro hábito e cores em manchas (zonação). Arfvedsonita possui as cores de absorção
máximas segundo o eixo Z.
Associações: a riebeckita não é um mineral comum. É encontrada basicamente em rochas ígneas ricas em
sódio como sienitos (com aegirina), traquitos e granitos alcalinos. Pode ocorrer em pantelleritos e
comenditos vulcânicos (riolitos alcalinos a traquitos alcalinos). Riebeckita asbestiforme é comum em
formações ferríferas bandadas (“banded iron formations” – BIFs) e é conhecida por crocidolita. Crossita é
um termo desacreditado, que designava composições intermediárias entre glaucofano e riebeckita. A
riebeckita associa-se a arfvedsonita, aegirina, feldspato alcalino, anortoclásio e quartzo ou nefelina.
171

Riebeckita fibrosa (crocidolita) a ND mostrando suas cores fortes e seu pleocroísmo forte. A
cor é um azul profundo que lembra o glaucofano, mas é mais escuro. Quando muito escuro
parece preto. Arfvedsonita também pode mostrar cores azuis, mas geralmente com cores
verdes associadas, que não é o caso aqui.

A NC, as cores de interferência da Riebeckita a ND mostrando seu hábito


riebeckita são mascaradas pela cor azul fibroso a acicular e suas cores azuis escuras,
profunda que o mineral apresenta. quase pretas. Estas feições são bastante
diagnósticas; poucos minerais podem se
apresentar desta forma.
172

RINKITA - (Ce)
Na2Ca4CeTi(Si2O7)2OF3 Sorosilicato Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: vermelho claro, com pleocroísmo discreto em tons amarelos.
Relevo: moderado
Clivagem: clivagem {100} boa.
Hábito: prismático longo, formando prismas como a turmalina. Pseudo-hexagonal ou
tabular achatada segundo {100}.
NC Birrefringência e birrefringência de até 0,016: cores de interferência de 1ª ordem até o
cores de interferência: laranja forte.
Extinção: oblíqua de 3º, simula ser paralela.
Sinal de Elongação: sem informações
Maclas: lamelares e polissintéticas segundo {100}.
Zonação: sem informações
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 43 - 87º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: piemontita possui cores de interferência mais intensas, turmalina não possui
clivagem e é U(-), rutilo é U(+), allanita não tem clivagem e possui birrefringência mais elevada. Enstatita
possui a típica clivagem de piroxênios, zoisita (thulita) é muito semelhante, mas possui relevo mais alto,
stilpnomelano é B(-). Na identificação da rinkita-(Ce) a paragênese é determinante: sienitos nefelínicos.

Associações: a rinkita-(Ce) é característica de alguns sienitos nefelínicos e pegmatitos relacionados.


Associa-se a ortoclásio, aegirina, arfvedsonita, steenstrupina, leucophanita, wöhlerita, rosenbuschita,
sodalita, nefelina e eudialita.
173

RUTILO
TiO2 Óxido Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: vermelho marrom, amarelo-marrom (depende do teor em Fe), normalmente com
pleocroísmo fraco.
Relevo: muito alto, extremo.
Clivagem: {110} perfeita, {100} moderada e {111} em traços. Normalmente a clivagem é
difícil de ver.
Hábito: prismático curto segundo z (colunar), acicular paralelo a [001], granular,
ocasionalmente forma redes reticulares (textura de sagenita). Ocorre como
inclusão em biotita, sua radioatividade pode produzir halos escuros ao redor dos
grãos. Cristais pequenos ou aciculares ou fibrosos podem parecer pretos devido
à sua alta reflexão.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,286 a 0,296: cores de interferência extremas, muito
cores de interferência: altas, de 16ª ordem. É a 2ª maior birrefringência de todos os minerais. São
cores cremes, perláceas, mascaradas pela intensa cor própria do mineral.
Extinção: paralela.
Sinal de Elongação: SE(+), difícil de determinar devido à alta birrefringência e cor intensa.
Maclas: em (101), em forma de joelho ou coração. Além disso, maclas cíclicas.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: U(+). As figuras de interferência podem exibir muitas Ângulo 2V: não, ou pequeno em
isocromáticas. Pode ser biaxial anômalo. cristais biaxiais anômalos.
Alteração: é muito estável, é um mineral detrital, não altera.
Pode ser confundido com: o relevo extremo é diagnóstico, bem como a cor perlácea de 16ª ordem e o
hábito. Cassiterita é muito similar, mas possui birrefringência e relevo mais baixos. Hematita possui uma cor
vermelha mais profunda e um hábito mais lamelar. Colocando a lente convergente, diferencia-se o rutilo de
minerais opacos, porque o rutilo é translúcido. Titanita e brookita são biaxiais, zircão tende a incolor.
Associações: o rutilo é um mineral acessório comum encontrado como grãos pequenos em muitos tipos de
rochas ígneas (intermediárias e máficas) e metamórficas (filitos, quartzitos, mica-xistos, gnaisses, anfibolitos,
glaucofana-xistos, eclogitos). Também é um mineral detrital comum em sedimentos e rochas sedimentares,
pode formar depósitos de placer para titânio. Pode ocorrer como agulhas em quartzo. Cristais grandes são
encontrados em pegmatitos. Associa-se a cianita, cordierita, coríndon e espinélio, com biotita e quartzo.

Rutilo com hábito granular e de cor muito


escura a ND em eclogito. O pleocroísmo é
muito fraco, quase não perceptível. A NC
a cor praticamente não muda.
174

Rutilo em eclogito a ND (à esquerda) e a NC (à direita). O hábito granular é característico, bem


como as cores fortes e um pleocroísmo mínimo.

Rutilo acicular em quartzo (“quartzo rutilado”) a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND a cor é


tão escura que o mineral parece opaco à primeira vista.
175

SAFIRINA
Mg4(Mg3Al8)O4(Si3Al9O20) Inossilicato Monoclínica ou Triclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor ou azul ou rosa, com pleocroísmo entre X = rosado, amarelado,
marrom enfumaçado discreto, incolor, Y = azul do céu, azul safira, azul
esverdeado e Z = azul do céu escuro, azul safira escuro.
Relevo: alto
Clivagem: clivagem distinta em {010} e má em {100} e {001}.
Hábito: geralmente apresenta hábito granular anédrico, em grãos dispersos pela
rocha. Também tabular ou em agregados..
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,004 a 0,005, correspondendo a cores
cores de interferência: escuras de 1ª ordem, entre o preto e o cinza escuro.
Extinção: oblíqua entre 6 e 9º, pode simular extinção paralela.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: raras, segundo {010}.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 51 – 69º
Alteração: sem informações.
Pode ser confundido com: o relevo alto, as cores azuis e a baixa birrefringência são muito características.
Como os grãos ocorrem em tamanhos pequenos e dispersos na rocha, passa despercebida com facilidade.
Associações: a safirina é um mineral raro que ocorre em rochas metamórficas de alta temperatura ou em
xenólitos, desde que ricos em Al e Mg e pobres em sílica. Pode ocorrer como mineral magmático primário
em rochas subsaturadas em sílica. Ocorre em rochas das fácies granulito e anfibolito, escarnitos
calcosilicatado e quartzitos. Associa-se a sillimanita, cianita, kornerupina, coríndon, granada, calcita,
quartzo, crisoberilo, piroxênios, espinélio, flogopita e surinamita.

À esquerda, a ND, é possível observar o relevo alto e


o discreto pleocroísmo da safirina entre azul-celeste
(imagem de cima) e quase incolor (imagem de baixo).

Acima, safirina a NC, mostrando cores de interferência


cinza. A extinção é praticamente paralela. O pequeno
tamanho dos grãos dificulta a obtenção da figura de
interferência.
176

SANIDINA
(K,Na)(Si,Al)4O8 Tectossilicato, Grupo dos Feldspatos. Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, nunca apresenta cor muito menos pleocroísmo. Pode estar turvo
(ND: castanho, amarronzado) devido à alteração (argilominerais e sericita).
Relevo: muito baixo a baixo.
Clivagem: {001} perfeita, {010} boa, interceptam-se a 90º. Geralmente estas clivagens
não são visíveis ao microscópio.
Hábito: tipicamente tabular paralelamente a {010}, prismático paralelamente ao eixo
x, seções retangulares. Normalmente euédrico em rochas vulcânicas.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 a 0,008, cores de 1ª ordem: preto, vários tons
cores de interferência: de cinza a branco. Nunca passa do branco para o amarelo de 1ª ordem,
por exemplo, a não ser que a lâmina não esteja na espessura correta.
Extinção: oblíqua, com ângulo de 5 – 9º , pode ser paralela.
Sinal de Elongação: não pode ser determinado.
Maclas: comumente maclas simples Carlsbad, segundo o plano de composição
{010}, dividindo o cristal em dois segmentos. Planos {021} e {001}
também podem ocorrer. Vários planos de macla podem tornar o cristal
semelhante a um plagioclásio, mas a sanidina nunca apresenta maclas
polissintéticas como o plagioclásio.
Zonação: frequentemente zonada, o que se expressa através de birrefringências
variáveis e ângulos de extinção diferentes.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 0 – 47º
Alteração: a argilominerais e a sericita.
Pode ser confundido com: quartzo, mas quartzo não possui clivagem, é U(+) e nunca altera. Dos outros
feldspatos potássicos se distingue pelo ângulo 2V pequeno. Maclas Carlsbad simples são típicas.
Associações: a sanidina é o feldspato potássico de mais alta temperatura: >700ºC, ortoclásio é de
temperaturas médias e microclínio de temperaturas baixas. Ocorre frequentemente como cristais
metaestáveis em rochas vulcânicas de resfriamento rápido (lavas e rochas hipabissais), na forma de
fenocristais. É o feldspato mais comum em rochas vulcânicas ácidas como riolitos, riodacitos, traquitos e
fonolitos. Também ocorre em rochas de metamorfismo de contato de alta temperatura. Na condição de
detrital pode ser encontrado em sedimentos. Associa-se a quartzo, muscovita, biotita, plagioclásio, aegirina
e sodalita.
177

Fenocristal euédrico de sanidina em rocha vulcânica a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Típicos


são o hábito retangular, o relevo baixo, a ausência de clivagem, as cores de interferência cinza, a
extinção quase paralela e a figura de interferência biaxial negativa com ângulo 2V pequeno.

À esquerda, a NC, sanidina com Macla Carlsbad, que é uma macla bem característica para a
sanidina. À direita, sanidina com zonação incipiente. Zonação é relativamente freqüente em
cristais de sanidina, mas seu desenvolvimento pode ser bem irregular.
178

SERPENTINA
“Serpentina” não é um mineral, mas apenas um termo genérico usado para minerais do Grupo da Caulinita-
Serpentina. O Grupo é composto por Clinocrisotilo - Mg3(Si2O5)(OH)4 monoclínico/triclinico, Ortocrisotilo -
Mg3Si2O5(OH4) ortorrômbico/pseudohexagonal, Lizardita – Mg3(Si2O5)(OH)4 hexagonal e Antigorita –
(Mg,Fe2+)3(Si2O5(OH)4 monoclínica. Em termos volumétricos a Lizardita é a mais comum. Geralmente só se
diferencia os minerais do Grupo por Difratometria de Raios X e outras técnicas analíticas.
Mg3Si2O5(OH)4 Filossilicato Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor a verde fraco. Pleocroísmo ausente ou fraco em tons verde pálidos:
X,Y = amarelo-verde, Z = verde pálido.
Relevo: baixo
Clivagem: antigorita: {001} perfeita; lizardita: clivagem basal; crisotilo: fibroso, não tem
clivagem. Normalmente a clivagem de antigorita e lizardita não são visíveis
ao microscópio.
Hábito: grãos anédricos, hábito asbestiforme (fibras ± paralelas), foliado, textura de
“mesh” (textura de rede em minerais alterando a serpentina), não há halos
pleocróicos. Crisotilo é fibroso, lizardita e antigorita tendem a cristais
tabulares, laminares, mas lizardita pode ser fibrosa.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,001 a 0,01: corresponde a cores de meio de 1ª
cores de interferência: ordem, cinza em vários tons e branco, no máximo amarelo pálido, não
alcança o laranja.
Extinção: paralela em relação a fibras, clivagem ou limites cristalinos.
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-)
Maclas: raras
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(-). Quase sempre os cristais são tão Ângulo 2V: 10 – 90º, pode ser quase zero.
pequenos que é impossível obter figuras de Simula ser uniaxial.
interferência.
Alteração: crisotilo altera para antigorita sob condições de metamorfismo de baixo grau. Antigorita altera
para talco.
Pode ser confundido com: a baixa birrefringência e o baixo relevo diferenciam serpentina de anfibólios
fibrosos e micas. Clorita apresenta plecroísmo mais fraco e, a NC, geralmente cores de interferência
anômalas. Com exceção da crisotila quando ocorre como fibras paralelas em veios (fibras perpendiculares à
direção dos veios), os 3 membros só podem ser diferenciados por Difratometria de Raios X. Como
serpentina frequentemente é um produto de alteração, ocorre em faixas ou zonas, misturadas com outros
minerais, o que dificulta sua identificação.
Associações: serpentina é um mineral que ocorre em rochas máficas ou ultramáficas que sofreram
metamorfismo hidrotermal e substituição de olivina e piroxênio por serpentina. Nestas rochas podem ocorrer
cristais de olivina e de piroxênio parcialmente substituídos por serpentina. Rochas compostas por
serpentina são conhecidas como serpentinitos. Associam-se talco, calcita, brucita, clorita e cromita.
179

Serpentina a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A ND é incolor e de relevo baixo, raramente com


cores verde pálidas. A NC apresenta esta textura típica – não são grandes cristais individuais, mas
agrupamentos de cristais extremamente pequenos formando alinhamentos irregulares.

Duas imagens de serpentina a NC, observadas com a objetiva de menor aumento (2,5x). Em alguns
casos os agrupamentos de serpentina possuem um desenvolvimento melhor, em outros casos seu
desenvolvimento não é tão definido.

À esquerda, mármore com grandes cristais de calcita e pseudomorfoses de serpentina sobre


olivina(?). Os grãos originais foram substituídos completamente por serpentina. À direita, detalhe de
uma destas substituições de um grão original por serpentina, mostrando bem os complexos
desenhos geométricos que a serpentina pode formar.
180

SIDERITA
FeCO3 Carbonato Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor a cinza ou marrom-amarelo pálido. Pleocroísmo ausente ou fraco.
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina
em cristais com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de
“pleocroísmo de relevo” e é típico dos carbonatos (calcita, dolomita,
aragonita, siderita, rhodocrosita e magnesita). Quando microcristalinos,
estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de relevo”.
Clivagem: perfeita segundo {10-11} quando em grãos grandes (romboédrica como
calcita, dolomita, etc.). Planos de clivagem adjacentes intersectam a 75º. Em
massas de granulação fina, esferulitos, etc. não mostra clivagem.
Hábito: idiomórfico (euédrico) de grão fino a grosseiro, normalmente hipidiomórfico
(subédrico) a xenomórfico (anédrico), granular ou oolítico.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,242 (é extremamente alta, a mais alta dos
cores de interferência: carbonatos): cores de 4ª ordem, tipicamente cremes com finas linhas
coloridas dispersas. Desenvolve nitidamente “pseudo-dicroísmo”.
Extinção: simétrica em relação aos planos de clivagem.
Sinal de Elongação: não se aplica.
Maclas: maclas lamelares em {01-12}, lamelas de macla de pressão são muito
raras, mas muito comuns em dolomita e calcita.
Zonação: sem informações.
LC Caráter: U(-) Ângulo 2V: não
Alteração: oxida formando agregados dendríticos de goethita (limonita) que se assemelham a “flores de
gelo”. Esta alteração a óxidos e hidróxidos de ferro de cores laranjas a avermelhadas é uma característica
diagnóstica importante, tendo em vista que os outros carbonatos não a desenvolvem.
Pode ser confundido com: difícil de distinguir de outros carbonatos ao microscópio petrográfico sem uma
platina universal. Técnicas de colorimento e solubilidade em ácidos são testes bons. Titanita e cassiterita
são opticamente biaxiais.
Associações: a siderita é um carbonato comum em rochas sedimentares ricas em ferro e em rochas
metamórficas como as “banded iron formations” (BIFs). Forma concreções em muitos tipos de sedimentos.
Em rochas ígneas pode estar presente em veios e vesículas. É um componente de carbonatitos. Também
ocorre em veios de corpos mineralizados, como um produto de alteração hidrotermal e metasomático de
carbonatos e dolomitos, formando corpos de grãos grosseiros tabulares, que localmente são minerados. A
paragênese não é diagnóstica para seu reconhecimento.
181

Grande cristal de siderita com clivagem bem desenvolvida e com um pouco de quartzo a ND (à esquerda)
e a NC (à direita). Clivagem, relevo e cores são idênticas às da calcita, dolomita, rhodocrosita e magnesita.

Siderita (e um pouco de quartzo (cinza)) a NC com Esferulitos de siderita em matriz de arenito formado
produtos de alteração em cores alaranjadas por grãos de quartzo. NC.
(hidróxidos de Fe) ao longo de fraturas e clivagens,
um aspecto indicador da presença de siderita.

Esferulitos de siderita cimentando um arenito formado por grãos de quartzo. À esquerda, a ND. À direita, a
NC. Trata-se de agregados redondos muito pequenos, tipicamente com uma cor dourada intensa.
182

SILLIMANITA
Al2SiO5 Nesossilicato (polimorfos Al2SiO5: sillimanita, cianita e andalusita) Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, normalmente sem pleocroísmo. Em lâminas espessas pode ser
marrom, amarelo ou azul, neste caso com pleocroísmo fraco a moderado.
Fibrolita (sillimanita acicular) pode ser marrom-amarelada suja.
Relevo: moderado a alto
Clivagem: {010} perfeita, apenas visível em cristais maiores (mais largos). Nas seções
basais, que são pseudotetragonais (quadradas a retangulares), a clivagem
dispõe-se na diagonal.
Hábito: tipicamente prismática longa, quase acicular, com fraturas perpendiculares
ao alongamento, formando agregados radiados. Pode ser fibroso (então
chamada fibrolita), constituindo agregados enrolados, torcidos, em tapete.
Prismas longos mostram clivagem paralela ao alongamento. As seções
destes prismas são quadradas (pseudotetragonais), apresentam cores
cinzas a brancas de 1ª ordem e a clivagem na diagonal (diagnóstico!).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,018 a 0,022, resultando em cores de 1ª ordem
cores de interferência: superior até azul de 2ª ordem: amarelo, vermelho, azul, esverdeado. Em
agulhas as cores não aparecem. As fibras de fibrolita apresentam cores
mais baixas porque são mais finas que uma lâmina delgada (30 nm).
Extinção: paralela à clivagem, nas seções basais é simétrica.
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: não apresenta maclas.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 21-30º , normalmente não consegue ser medido.
Alteração: a micas como muscovita (sericitização) e biotita.
Pode ser confundido com: o hábito prismático longo ou fibroso, associado a relevo alto, extinção paralela,
Sinal de Elongação positivo e birrefringência moderada são muito diagnósticos. Apatita e andalusita são
SE(-); cianita é B(-) e possui 2 clivagens perfeitas; zoisita possui birrefringência mais baixa e tremolita
possui extinção oblíqua. A variedade fibrolita tem alguma semelhança com anfibólios fibrosos, mas estes
geralmente tem cores fortes e/ou pleocroísmo distinto.
Associações: a sillimanita é um polimorfo do Grupo Al2SiO5 de alta pressão e alta temperatura. Ocorre em
rochas metamórficas pelíticas (aluminosas) de grau médio e alto como mica-xistos, gnaisses (sillimanita-
cordierita-gnaisses) e cornubianitos (sillimanita-biotita-cornubianitos). Associa-se a cianita, andalusita,
granada, estaurolita, muscovita, cordierita e biotita. Também é encontrada em rochas graníticas, onde é um
mineral acessório comum. Em rochas de baixa sílica pode se associar a coríndon.
183

Sillimanita em cristais prismáticos longos a ND (à esquerda, incolores) e a NC (à direita, cores azuis e


laranjas). Típicos são o hábito prismático, as fraturas perpendiculares ao alongamento, o relevo de
médio a alto e as cores intensas a NC. A clivagem paralela ao alongamento só pode ser visualizada
em cristais maiores (mais largos), que não são comuns; geralmente os cristais são longos e finos e a
clivagem não é visível.

Seções basais pseudotetragonais de


sillimanita a ND. São seções incolores
de relevo médio a alto que tendem a
Sillimanita, variedade fibrolita, a ND
quadradas e com a clivagem na
(massas fibrosas de cor creme clara).
diagonal, uma feição muito diagnóstica.

Detalhes da sillimanita variedade fibrolita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). São massas fibrosas,


formando conjuntos irregulares que apresentam tanto as cores de interferência intensas da sillimanita como
cores cinzentas, dependendo da seção. Imagem obtida com a objetiva de médio aumento (10x) e zoom.
184

SODALITA
Na8Al6Si6O24Cl2 Tectossilicato, Feldspatóide Cúbico
ND Cor / pleocroísmo: Incolor a cinza; não possui pleocroísmo.
Relevo: baixo
Clivagem: {110} má, normalmente não observável em lâmina delgada.
Hábito: Grãos intersticiais
NC Birrefringência e isótropa
cores de interferência:
Extinção: isótropa
Sinal de Elongação: isótropa
Maclas: isótropa
Zonação: isótropa
LC Caráter: isótropa Ângulo 2V: isótropa
Alteração: as coroas de alteração (margens alteradas) são bem características.
Pode ser confundido com: nefelina, se a seção for de baixa birrefringência, mas nefelina é U(-) e a
sodalita nunca vai apresentar figura de interferência. Analcima é semelhante, mas possui uma clivagem
cúbica má, extingue por setores (subgrãos) e pode mostrar maclas. Fluorita possui relevo mais alto, formas
cúbicas e pode mostrar zonação de cores e/ou uma clivagem cúbica excelente. Hauynita e noseana não
ocorrem em rochas plutônicas como a sodalita e contém inclusões mais frequentemente.
Sodalita intersticial sem alteração pode ser confundida com um buraco na lâmina delgada! Para distinguir
sodalita de um buraco na lâmina é possível (1) observar os contatos com os grãos vizinhos. Contatos
quebrados são indicativos de buracos. (2) Observar a lâmina com o diafragma completamente fechado:
normalmente a textura do vidro (= buraco) é diferente da textura da sodalita. (3) Também é possível desligar
a luz do microscópio e iluminar a lâmina obliquamente de cima com uma luz LED intensa. Geralmente se
consegue detectar o que é buraco e o que é sodalita.
Associações: a sodalita ocorre em nefelina-sienitos, fonolitos, traquitos e rochas relacionadas. Também
em rochas calcárias que sofreram metassomatismo. Também em cavidades de blocos vulcânicos ejetados.
É fluorescente: sob ondas UV curtas apresenta cores amarelo, branco e laranja; sob ondas UV longas tem
cores branco-amareladas a laranja-avermelhadas.

Sodalita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). À ND é incolor e possui relevo baixo, mais baixo que os
outros minerais da lâmina, o que geralmente só se reconhece com alguma prática. À NC é isótropa (preta
ao giro de 360º da platina). Ao seu redor, ortoclásio (cinza), anfibólio (verde) e cancrinita (grãos pequenos
em cinza, branco, amarelo e azul).
185

STILPNOMELANO
K(Fe,Mg,Al)3Si4O10(OH)2.nH2O Filossilicato Triclínico
ND Cor / pleocroísmo: fortemente pleocróico. X: amarelo pálido, amarelo dourado, marrom pálido,
incolor. Y = Z: marrom profundo, quase preto, castanho, marrom amarelado
profundo, amarelo esverdeado fraco. Se parece muito com a biotita!
Relevo: médio a alto.
Clivagem: {001} perfeita, {010} imperfeita. Geralmente apenas uma clivagem é visível
ao microscópio. Esta clivagem é de qualidade bem inferior à clivagem da
biotita, com a qual o stilpnomelano é confundido com facilidade.
Hábito: placas, lamelas, fibroso, acicular, agregados radiados ou plumosos. Lembra
bastante as micas, especialmente a biotita.
NC Birrefringência e birrefringência moderada a alta, de 0,033 a 0,111, correspondendo a
cores de interferência: cores de 2ª a 4ª ordem: cores intensas, com várias cores misturadas,
muito coloridas. As cores fortes próprias do mineral mascaram as cores
de interferência, como acontece nos minerais coloridos.
Extinção: paralela, mas não é mosqueada como aquela das micas (importante!)
Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: não apresenta
Zonação: às vezes apresenta-se zonado.
LC Caráter: B(-) (figura pseudo-uniaxial!). As cores fortes Ângulo 2V: 0o, pode variar até 20º - 30º.
dificultam a obtenção da figura de interferência. Quando em 0o, simula uma figura uniaxial.
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: frequentemente é confundido com biotita, que possui hábito semelhante.
Entretanto, biotita possui pleocroísmo mais forte, uma clivagem de melhor qualidade e extinção mosqueada.
Associações: associa-se a minérios de ferro (ex.: banded iron formations (BIFs), camadas com limonita).
Ocorre em rochas metamórficas das fácies xistos-azuis e xistos-verdes, com glaucofano, granada e titanita.
Também pode ser encontrada em alguns depósitos metamorfisados de sulfetos maciços.

À esquerda, stilpnomelano a ND em duas posições a 90º,


mostrando seu hábito lamelar e seu forte pleocroísmo.

Acima, stilpnomelano a NC, mostrando as cores intensas de


interferência mescladas com a cor forte do mineral.
186

TALCO
Mg3Si4O10(OH)2 Filossilicato Triclínico ou monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Apenas nas variedades escuras pode apresentar cor e um
pleocroísmo discreto.
Relevo: baixo a moderado.
Clivagem: {001} perfeita (como as micas!)
Hábito: granular muito fino, lamelar, fibroso, foliado, radiado, maciço. Flocos e
agregados, frequentemente com clivagem em uma direção. “Esteatita” é
uma variedade maciça de talco de granulação muito fina e tato gorduroso
que compõe a “pedra-sabão”.
NC Birrefringência e birrefringência de até 0,051: cores de até 3ª ordem, lhe conferindo uma
cores de interferência: aparência branca (“perlácea”) com várias cores misturadas. Nas seções
basais apresenta cores cinzentas de 1ª ordem.
Extinção: paralela à direção da clivagem e mosqueada (como as micas!)
Sinal de Elongação: SE(+) (como as micas!)
Maclas: não apresenta.
Zonação: não apresenta.
LC Caráter: B(-), pode simular ser uniaxial (2V = 0) Ângulo 2V: 0 – 30º
Alteração: pode alterar-se a clorita.
Pode ser confundido com: muito similar e fácil de confundir com micas brancas como a muscovita,
especialmente se os grãos forem muito pequenos. Comparado com muscovita, talco possui uma
birrefringência mais alta e cores com aparência de “zonadas” ou em bandas. Além disso, talco tem um
ângulo 2V menor que a muscovita (2V = 35-50º), a paragonita (2V = 40-50º) e a pirofilita (2V = 53 – 62º).
Quando em grãos pequenos não pode ser distinguido de pirofilita e sericita por meios ópticos. Neste caso
se usa a associação de minerais para a identificação. Brucita é similar, mas é uniaxial positiva e possui
cores de interferência mais baixas. Gibbsita é B(+).
Associações: talco é um mineral pouco comum que ocorre em rochas máficas e ultramáficas ricas em Mg
e hidrotermalmente alteradas em condições de metamorfismo de fácies xistos-verdes, tais como
serpentinitos, onde se associa a brucita. Nestas ocorrências ocorre com clorita ou magnesita nas zonas de
reação ao redor dos corpos de serpentinito. Também ocorre com calcita e tremolita em mármores silicosos
metamorfizados e em talco-tremolita-xistos.

Talco em grandes
cristais a ND (à
esquerda) e a NC
(à direita).
187

Talco a NC em grandes cristais. As cores são tão A NC, talco (colorido) e calcita (cores castanhas)
coloridas quanto àquelas da muscovita, mas mais em mármore. A associação de talco com calcita
luminosas e “perláceas”, uma percepção que só se e magnesita é muito comum.
desenvolve com alguma prática.

Talco a NC em grandes cristais com seu hábito A NC, talco em cristais pequenos (colorido) e
típico, muito semelhante ao hábito da muscovita. clorita (cores escuras) em talco-clorita-xisto.

Talco e outros minerais, todos de granulação


extremamente fina, em pedra-sabão (esteatito).
A NC, seção basal de talco com as típicas cores de Imagem obtida com a objetiva de menor aumento a
interferência em cinza. Ao seu redor, seções NC. Mesmo com a objetiva de máximo aumento é
longitudinais com suas cores fortes. muito difícil individualizar os minerais.
188

TITANITA
Um nome tradicional para a titanita, ainda muito usado, é ESFENO.
CaTiSiO5 Nesosilicato Monoclínico
ND Cor / pleocroísmo: marrom, cinza-marrom a amarelo-marrom, com pleocroísmo ausente ou
fraco: X = quase incolor, Y = amarelo pálido, Z = amarronzado.
Relevo: muito alto a extremo.
Clivagem: {110} boa, é uma clivagem prismática com duas direções que, no entanto,
geralmente não é visível ou está pouco definida. Normalmente a titanita
apresenta muitas fraturas. Possui uma partição paralela às maclas que pode
ser mais destacada que a clivagem.
Hábito: geralmente apresenta-se anédrico, ocasionalmente mostra as seções basais
em forma de losango (rômbicas) ou em forma de diamante (cunha). Halos
pleocróicos pretos podem ocorrer devido a teores de thório. Em rochas
metamórficas a titanita tende a formar agrupamentos (“clusters”) de
pequenos grãos arredondados.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,1 a 0,192, muito alta, resultando em uma cor branca
cores de interferência: de ordem elevada, uma cor creme muito típica. Mas a cor forte em
marrom do mineral mascara essa cor elevada de interferência.
Basicamente a cor da titanita não muda de ND a NC. Grãos de baixa
birrefringência frequentemente não extinguem corretamente e mostram
cores anômalas laranjas escuras a azuis escuras.
Extinção: oblíqua de 36 a 45º e simétrica. Devido à alta dispersão, alguns grãos
não extinguem completamente.
Sinal de Elongação: não se aplica.
Maclas: maclas de contato e penetração por {110} são comuns. Mais raramente
ocorrem maclas lamelares segundo {221}.
Zonação: pode ser zonado, neste caso as margens possuem índice de refração
mais altas.
LC Caráter: B(+), difícil de obter. Ângulo 2V: 17 a 56º
Alteração: sob condições hidrotermais se decompõe em leucoxênio, uma mistura branca a amarelo pálida
de granulação muito fina composta por rutilo, quartzo, calcita, apatita, ilmenita e minerais com Elementos de
Terras Raras (allanita, monazita e bastnäsita). Grãos de titanita completamente alterados tornam-se opacos
devido à presença da ilmenita.
Pode ser confundido com: epidoto possui um relevo mais baixo, apenas uma clivagem e uma cor muito
mais clara. Cassiterita, zircão, rutilo e xenotima são uniaxiais. Anatásio e carbonatos são U(-). Em grãos
muito finos a titanita pode ser confundida com epidoto e allanita.
Associações: titanita é muito comum como mineral acessório em muitos tipos de rocha. Em rochas ígneas
é mais comum em dioritos, sienitos, monzonitos, tonalitos e granodioritos, normalmente associado a um
anfibólio esverdeado. Em rochas vulcânicas ocorre mais comumente em fonolitos; não ocorre em gabros e
basaltos porque o Ti nestas rochas vai para titanoaugita e ilmenita, respectivamente. Em rochas
metamórficas é mais freqüente em rochas de grau baixo a médio como mica-xistos, anfibolitos, glaucofana-
xistos, gnaisses e mármores. Frequentemente é encontrado em rochas sedimentares como mineral pesado.
189

Seção basal de titanita, tipicamente losangular, a ND. Diagnósticas são as cores castanhas fortes com
um discreto plecroísmo (compare as duas imagens), a clivagem mal definida, muitas fraturas, poucas
inclusões e um relevo alto.

A NC a cor da titanita continua praticamente a


mesma porque a cor forte mascara as cores de
interferência. Na imagem: em tons de violeta,
clorita; em vermelho, epidoto; em cinza/branco,
quartzo e feldspatos.

Nessas 3 imagens temos grãos anédricos de titanita em rochas plutônicas a ND. Essas seções anédricas
são muito mais freqüentes que as seções basais losangulares (rômbicas). O pleocroísmo muitas vezes é
quase imperceptível, mas como a cor a ND é quase a mesma a NC, é relativamente fácil reconhecer a
titanita.
190

Maclas em titanita a NC. Macla simples em


seção losangular (basal). Maclas são uma
feição mais rara em titanita; geralmente não
estão presentes.

Maclas em titanita a NC.


Nesse grão há maclas
lamelares, que se
apresentam como bandas
coloridas paralelas.
Lembram as maclas da
calcita.

Maclas em titanita a NC.


Nesse grão, que está na
posição de extinção, há dois
sets de maclas lamelares. É
um caso muito raro, mas
possível.
191

TOPÁZIO
Al2[(F,OH)2SiO4)] Nesossilicato Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Em seções espessas é amarelo, vermelho ou azul e é pleocróico: X
= amarelo; Y = amarelo, violeta ou azul; Z = violeta, azulado, amarelo, rosa.
Relevo: moderado a alto. Diminui com o aumento do conteúdo de flúor.
Clivagem: {001} muito boa a perfeita
Hábito: colunar curto, mas pode formar prismas longos. Pode ser compacto, maciço,
acicular ou em forma de escova (picnita). Tipicamente em grãos isolados,
que podem ser euédricos. Tende a apresentar muitas inclusões fluidas.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,008 a 0,010, resultando em cores de 1ª ordem:
cores de interferência: branco, cinza em vários tons a amarelo-palha, semelhante ao quartzo.
Extinção: paralela nas seções longitudinais e simétrica nas seções basais.
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: não apresenta
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 48º (F, OH) até 68º (F)
Alteração: pode alterar a caulinita. Mas é resistente, é um mineral detrital que se concentra em placers.
Pode ser confundido com: quartzo possui relevo baixo, não tem clivagem e é U(+). Andalusita é B(-) e tem
uma cor rosa irregular. Berilo é U(-). Barita e celestita ocorrem em paragêneses diferentes.
Associações: mineral muito raro que ocorre em veios hidrotermais de alta temperatura ricos em voláteis,
em granitos, pegmatitos graníticos, greisens e riolitos. Também se forma a partir do metamorfismo de
sedimentos aluminosos, contendo flúor e ricos em quartzo. Associa-se a turmalina, berilo, microclínio,
fluorita, cassiterita, muscovita e quartzo.

Cristal de topázio prismático longo (na diagonal da imagem). À esquerda, a ND: incolor, relevo médio-alto,
uma clivagem boa perpendicular ao alongamento. À direita, cores de interferência de início de 1ª ordem,
extinção paralela e Sinal de Elongação negativo.
192

TREMOLITA
A tremolita integra o Grupo da Actinolita, que é uma série de solução sólida entre a tremolita (sem Fe), a
actinolita (com Fe+Mg) e a ferroactinolita (com Fe). Para a classificação detalhada de anfibólios, consultar
outras fontes.
Ca2Mg5Si8O22(OH)2 Inossilicato, Supergrupo dos Anfibólios Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor. A tremolita, pobre em Fe, é o único anfibólio monoclínico incolor.
Relevo: moderado a alto.
Clivagem: {110} perfeita: nas seções basais, geralmente de formas losangulares, há
duas clivagens que se cruzam a 124º e 56º, típico dos anfibólios. Nas
seções longitudinais observa-se apenas uma clivagem, paralela ao eixo Z.
Hábito: cristais de hábito prismático longo. Podem ser fibrosos, tabulares ou
aciculares formando agregados fibrosos. As seções longitudinais são
aproximadamente losangulares.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,026, correspondendo a cores de
cores de interferência: interferência de 2ª ordem: cores fortes e intensas em amarelo, vermelho,
laranja, azul.
Extinção: nas seções longitudinais, oblíqua com ângulo de 10 a 15º . Nas seções
basais a extinção é simétrica.
Sinal de Elongação: SE(+) (diagnóstico!)
Maclas: maclas simples e lamelares são comuns.
Zonação: não apresenta zonação.
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 80 - 88º
Alteração: a talco, clorita e calcita. Pode ser substituída por hornblenda.
Pode ser confundido com: actinolita é muito semelhante, mas apresenta cores verdes pálidas e
pleocroísmo. Tremolita se diferencia de outros anfibólios monoclínicos por ser incolor e de anfibólios
sódicos pela cor azul que estes apresentam. Cummingtonita frequentemente possui finas maclas lamelares
e tende a apresentar-se B(+). Wollastonita é muito semelhante, mas possui extinção quase paralela nas
seções longitudinais e um ângulo 2V menor.
Associações: os membros do Grupo da Actinolita estão restritos a rochas metamórficas de grau baixo.
Tremolita é muito comum em rochas calcárias que sofreram metamorfismo de contato ou metamorfismo
regional, como mármores. Também ocorre em xistos azuis e em rochas máficas e ultramáficas
metamorfisadas à fácies xistos-verdes. Associa-se a calcita, diopsídio, wollastonita, talco, olivina,
cummingtonita, riebeckita e outros. Tremolita e actinolita são produtos de alteração comuns de piroxênios e
anfibólios, neste caso conhecidos como uralita (uralitização).
193

Seção longitudinal de tremolita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). Típicos são o hábito prismático


longo, a presença de uma clivagem apenas, paralela ao alongamento, o fato de ser incolor e com relevo
médio-alto a ND e apresentar cores intensas e extinção oblíqua a NC.

Seções basais de tremolita a NC. Diagnósticos são a forma losangular, as cores intensas e a existência de
duas clivagens que se cruzam em ângulos de 56º e 124º, como em todos os anfibólios. Quando as seções
basais são muito pequenas (imagem da direita) a clivagem frequentemente é difícil de visualizar.

Opacos, calcita e tremolita a ND (à esquerda) e a NC (à direita). As formas prismáticas longas nem


sempre estão bem desenvolvidas, mas geralmente é possível encontrar seções basais com as duas
clivagens diagnósticas. É necessário cuidado para não confundir a tremolita com a wollastonita.
194

TRIDIMITA
A tridimita é um dos polimorfos de SiO2, com quartzo, β-quartzo, cristobalita, coesita e stishovita.
SiO2 Tectossilicato 7 formas cristalinas: 2 hexagonais, 3 ortorrômbicas e 2 monoclínicas. A β-tridimita
é hexagonal de T>1470ºC e a α-tridimita é monoclínica de T<1470ºC. A literatura
designa a tridimita como triclínica abaixo de 100ºC e lhe atribui índices de Miller
hexagonais devido à sua forma pseudo-hexagonal.
ND Cor / pleocroísmo: incolor
Relevo: muito baixo
Clivagem: {0001} indistinta, {1010} imperfeita.
Hábito: tabular fino, lamelar fino, em cavidades forma agregados de lamelas
hexagonais. Agregados radiados, em forma de rosetas ou empilhados
como telhas. Maclas comuns e diagnósticas (veja abaixo). Também
como grãos anédricos. Cristais de no máximo 1 cm, sempre
pseudohexagonais.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,002 a 0,006, correspondendo a cores de
cores de interferência: interferência de primeira ordem: cinza escuro a branco.
Extinção: sem informações.
Sinal de Elongação: sem informações.
Maclas: os paramorfos apresentam comumente maclas de contato em {1016},
simples, em trillings (3 lamelas lado a lado, daí o nome do mineral)
ou múltiplas. Também ocorrem maclas de contato ou de
interpenetração segundo {3034}.
Zonação: sem informações
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 40 – 86º
Alteração: não altera, é um aspecto diagnóstico importante para diferenciar de plagioclásios (albita).
Pode ser confundido com: apresenta fluorescência vermelha sob luz UV de ondas curtas. Quartzo, albita
e cristobalita são muito semelhantes. Quartzo é U(+), possui cores de interferência mais altas e não
apresenta maclas. Cristobalita é uniaxial. Albita e plagioclásios em geral podem estar alterados
(argilominerais, sericita). O diminuto tamanho dos cristais dificulta estas constatações.
Associações: a tridimita é um polimorfo de alta temperatura e baixa pressão de quartzo e normalmente
ocorre como cristais tabulares pseudo-hexagonais muito pequenos, brancos a incolores, em rochas
vulcânicas ácidas, em cavidades, em lythophysae (cavidades preenchidas por camadas concêntricas de
vários minerais) e como fenocristais. É difícil de observar e raramente pode ser constatado em lâmina
delgada. Também em arenitos que sofreram metamorfismo de contato, em cornubianitos e em meteoritos. É
um mineral raro e de identificação difícil. É um indicador da temperatura de formação da rocha: Abaixo de
870ºC quartzo beta é estável e cristaliza. De 870ºC a 1470ºC forma-se tridimita. Acima de 1470ºC forma-se
cristobalita. Como uma rocha magmática passa por todas estas temperaturas ao longo de seu processo de
resfriamento, as 3 fases podem estar presentes.

Apesar de muitos esforços neste sentido, não foi possível


obter uma lâmina delgada com tridimita.
195

TURMALINA
“Turmalina” não é um mineral, mas apenas um termo genérico aplicado aos membros do Grupo da
Turmalina, que é composto por 33 minerais diferentes, com uma enorme variedade composicional. A
turmalina mais comum é a Schorlita, que macroscopicamente apresenta uma cor preta.
NaFe3Al6(Si6O18)(BO3)3(OH)3(OH) - Schorlita Ciclossilicato Trigonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor ou com cores intensas em amarelo, azul, verde, vermelho, preto e
marrom, com pleocroísmo. Seções longitudinais apresentam pleocroísmo
forte; seções basais apresentam pleocroísmo muito fraco ou não
apresentam pleocroísmo.
Relevo: médio a alto
Clivagem: {110} e {101} fracas, muito mal desenvolvidas, normalmente não visíveis em
lâmina delgada.
Hábito: prismático longo com fraturas perpendiculares ao alongamento
(diagnóstico!). Seções basais podem ser arredondadas, triangulares ou
hexagonais. Pode formar agregados radiais de microcristais (“sóis”).
NC Birrefringência e birrefringência moderada a alta, máxima 0,025, (ou 0,035 ou 0,040),
cores de interferência: com cores de 2ª ordem: laranja, vermelho, azul. Mas as cores intensas
das turmalinas geralmente mascaram as cores de interferência.
Extinção: paralela nas seções longitudinais.
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: raras
Zonação: frequentemente zonada; zonas tendem a triangulares em seções basais,
mas podem ser muito irregulares, em várias cores em manchas.
LC Caráter: U(-), pode ser biaxial sob stress, veja ângulo Ângulo 2V: pode ter um ângulo 2V
2V ao lado. Usar seções basais para ver figura. anômalo, pequeno, de até 10º .
Alteração: não altera. A turmalina e o quartzo são dois minerais que nunca são encontrados com alteração.
Pode ser confundido com: o forte pleocroísmo e o caráter uniaxial são diagnósticos. Muito típica é a
distribuição desigual de cores, com manchas irregulares de tonalidades diferentes distribuídas pelos grãos.
Turmalinas pretas podem ser confundidas com minerais opacos. Turmalinas muito pequenas exigem mais
atenção para sua identificação. A diferenciação dos membros do Grupo das Turmalinas é difícil, exige outro
nível de análise. Arfvedsonita pode ser similar.
Associações: é típica de pegmatitos graníticos, sendo acessória em granitos, granodioritos e rochas
félsicas relacionadas. É comum em xistos, gnaisses, quartzitos e filitos. Também ocorre em dolomitos e
calcários metasomáticos em zonas de metamorfismo de contato. Pode ser encontrada em sedimentos
(placers) e rochas sedimentares.

Seção longitudinal de turmalina a ND com


suas características típicas: hábito
prismático longo, cores fortes e zonadas,
pleocroísmo de forte a fraco, fraturas
perpendiculares ao alongamento,
ausência de clivagem e relevo alto. Acima
da seção há uma seção basal.
196

Turmalina em seção longitudinal, com o hábito prismático e as fraturas perpendiculares ao alongamento


características. À esquerda e no centro, a ND mostrando seu forte pleocroísmo, que pode ser em várias
cores diferentes. À direita, a NC, evidenciando que suas cores fortes mascaram as cores de interferência.

Seções basais de turmalina a ND. A forma “oficial” da seção basal é um triângulo de faces abauladas,
como nas duas imagens da esquerda. Mas são igualmente freqüentes as seções pseudo-hexagonais,
como as duas imagens da direita. Nestas seções basais as cores variam muito, zonação é comum e o
plecroísmo é fraco a ausente. Se as turmalinas tiverem hábito granular, não se observa nenhuma seção
basal com estas formas, apenas grãos anédricos (xenomórficos).

Turmalinas com cores diferentes a ND. As mais escuras podem ser confundidas com um mineral opaco
por um observador desatento. Geralmente há alguma variação de cor, que pode evoluir para uma
zonação bem definida como nas imagens à esquerda em baixo.
197

VERMICULITA
“Vermiculita” não é um mineral, mas apenas um termo genérico aplicado a um grupo de minerais formados
por alteração intempérica ou hidrotermalismo a partir da biotita ou flogopita. A individualização das espécies
minerais do grupo não é possível ao microscópio petrográfico. Se ocorrer em grãos muito finos (tamanho
argila), a vermiculita não pode ser reconhecida ao microscópio petrográfico.
(Mg,Fe+3,Al)3(Si,Al)4O10(OH)2.4H2O Filossilicato, Grupo das Micas Monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: Se a transformação da biotita/flogopita para vermiculita foi completa, a
vermiculita é incolor. Se a transformação não foi completa, é pleocróica
em vários tons pálidos de marrom. Sendo a cor mais pálida em X do que
em Y e Z. A vermiculita pode formar pseudomorfos sobre biotita e
flogopita.
Relevo: baixo a moderado
Clivagem: {001} perfeita, tipicamente relicta (herdada da biotita ou da flogopita)
Hábito: ocorre em placas que podem apresentar formas pseudo-hexagonais.
Também ocorre em partículas tamanho argila.
NC Birrefringência e birrefringência máxima de 0,020, que corresponde a cores de
cores de interferência: interferência até o final de 1ª ordem: cinza, branco, amarelo/laranja
até azulado.
Extinção: tende a paralela como na biotita e na flogopita, mas não é
mosqueada.
Sinal de Elongação: SE(+), como todas as micas.
Maclas: não apresenta
Zonação: não apresenta
LC Caráter: B(-), pode simular ser uniaxial Ângulo 2V: 0 – 15º
Alteração: não altera, é um produto de alteração.
Pode ser confundido com: biotita e flogopita se a alteração não foi completa. Mas biotita e flogopita,
quando observados com estereomicroscópio ou mesmo na lâmina delgada a olho nu, apresentam cores
pretas, enquanto que a vermiculita apresenta uma cor dourada muito forte, bem característica. Além disso,
biotita e flogopita apresentam extinção mosqueada, enquanto vermiculita não apresenta mais extinção
mosqueada. As cores de interferência da vermiculita são mais desmaiadas que as cores de biotita e
flogopita.
Associações: vermiculita é um termo genérico aplicado a micas formadas como produtos de alteração de
biotita e flogopita. A alteração pode ser por intemperismo ou por hidrotermalismo. A vermiculita geralmente
não forma grandes massas, ocorrendo no contato entre rochas félsicas com rochas máficas/ultramáficas
como piroxenitos e dunitos. Pode ocorrer em carbonatitos e mármores. Ocorre nos solos como um dos
constituintes da fração argilosa. Associa-se a coríndon, apatita, serpentina, talco. Forma minerais
interestratificados com clorita e biotita. É um mineral industrial importante, com dezenas de aplicações.
198

Vermiculita industrial, em montagem de grãos, vista paralelamente à clivagem (a clivagem não é


visível), a ND (esquerda) e a NC (direita). A ND possui uma cor amarela pálida e praticamente não
possui pleocroísmo. A NC, apresenta cores de interferência cinzas. A LC mostra uma figura de
interferência biaxial com um ângulo 2V pequeno, em seção perpendicular à bissetriz aguda.

Vermiculita em xisto, a ND (esquerda) e a NC (direita). O pleocroísmo continua presente, mas o


aspecto dos grãos é diferente (“sujo”, “alterado”) em comparação com biotitas ou flogopitas sem
alteração. O pleocroísmo pode ser bem mais fraco, se a alteração a vermiculita avançar mais.

Vermiculita a NC em posição de extinção: a Vermiculita a ND em posição de iluminação


extinção agora não é mais mosqueada, máxima: percebe-se que as cores de
mas apresenta-se com um aspecto preto interferência são mais fracas e menos coloridas.
uniforme, que não é característico para Não há mais aquelas luminosidades
micas sem alteração. verdes/vermelhas/azuis que são típicas de mica
biotita ou flogopita inalteradas.
199

VESUVIANITA
Idocrásio é um nome antigo, hoje desacreditado, para vesuvianita.
(Ca,Na,☐)19(Al,Mg, Fe+3)13 (☐,B,Al,Fe+3)5(Si2O7)4(SiO4)10(OH,F,O)10 Sorossilicato Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor, verde pálido, marrom pálido, amarelo pálido. Normalmente não tem
pleocroísmo. Muito raramente possui pleocroísmo muito fraco entre X =
incolor a amarelado; Y = amarelado, esverdeado, amarronzado.
Relevo: alto
Clivagem: {110} má, muito má em {100} e {001}. Geralmente a clivagem não é visível
ao microscópio.
Hábito: forma prismas curtos e longos, mas normalmente é anédrica granular.
Também ocorre maciça. Raramente é acicular, podendo formar agregados
esferulíticos. Pode mostrar zonas de crescimento com características
ópticas diferentes (setorizada).
NC Birrefringência e birrefringência de 0,003 – 0,006: corresponde a cores cinzentas de meio
cores de interferência: de 1ª ordem. Muito comum, entretanto, são cores anômalas intensas:
cinza, azul-lavanda, azul-indigo, marrom-do-couro, cinza-verde ou
púrpuro. Na seção paralela ao eixo maior, pode haver texturas de
ampulheta.
Extinção: tende a ser paralela.
Sinal de Elongação: SE(-). A variedade wiluita apresenta SE(+).
Maclas: podem ocorrer, em escala muito pequena, por setores.
Zonação: normalmente zonada ou com cores em faixas (“patchy”)
LC Caráter: U(-), pode ser B(-) anômala. Ângulo 2V: não apresenta. Se
A variedade wiluita (muito rara) é U(+) e possui SE(-) e SE(+). biaxial anômala, 2V de 17 – 33º .
Alteração: é um mineral muito robusto, mas em alguns casos altera a prehnita.
Pode ser confundido com: Vesuvianita é um mineral de identificação mais difícil. Diagnósticos são o
relevo alto, a ausência de clivagem, a baixa birrefringência (cores cinzentas) e, quando tiver, as cores de
interferência anômalas e distribuídas por setores. A figura de interferência precisa ser tratada com cuidado,
visto que pode ser uniaxial ou biaxial. Paragênese é importante: a presença de calcita e clinopiroxênios
(diopsídio) sugere a possibilidade da ocorrência de vesuvianita. Zoisita e clinozoisita podem ser confundidas
com a variedade wiluita; melilita e apatita possuem índices de refração menores; andalusita possui um
ângulo 2V maior.
Associações: ocorre comumente com mármores e calcários impuros que sofreram metamorfismo de
contato (escarnitos). Também em gabros com granadas, serpentinitos e rochas máficas e ultramáficas. Às
vezes ocorre em rochas ígneas alcalinas. Também ocorre em veios em rochas básicas e ultrabásicas
hidrotermalmente alterados, bem como fase primária em nefelina sienitos. Associa-se a granada, diopsídio,
fassaita, calcita, epidoto, escapolita, espinélio, titanita e wollastonita.
200

Cristais de vesuvianita tendendo a idiomórficos. A ND (à esquerda) apresentam-se tipicamente incolores,


com relevo alto e sem clivagem. A NC (à direita) mostram cores de interferência anômalas em amarelo-
marrom e violeta, com manchas. A extinção é paralela e o Sinal de Elongação é negativo.

Vesuvianita com alguns cristais de diopsídio a ND (à esquerda) e a NC (à direita). A NC a vesuvianita é


incolor e sem clivagem. Neste caso, a avaliação do relevo é mais difícil. A NC apresenta cor de
interferência cinza, o que dificulta a sua identificação. Diopsídio apresenta-se colorido a NC.

Vesuvianitas a NC com cores de interferência anômalas: à esquerda com cores cinzentas e marrons,
zonada. À direita, com cores amarelo-marrons e violetas. Estas cores anômalas, sua distribuição em
manchas e eventualmente zonação são bastante típicas para a vesuvianita.
201

VIDRO VULCÂNICO
Fórmula: complexa, variável - amorfo
ND Cor / pleocroísmo: incolor, cinza, marrom, vermelho.
Relevo: baixo positivo em rochas básicas, baixo negativo em rochas ácidas.
Clivagem: não possui
Hábito: sem forma definida. Ocorre como material intersticial ou compondo a maior
porcentagem da rocha. Geralmente é maciço, pode apresentar estruturas de
fluxo ou fraturas esféricas irregulares (textura perlítica), formadas pelo
encolhimento durante o resfriamento. Pode ter texturas de “shard” (típicas
de ignimbritos) e agregados plumosos devido à desvitrificação.
NC Birrefringência e isótropo
cores de interferência:
Extinção: isótropo
Sinal de Elongação: isótropo
Maclas: isótropo
Zonação: isótropo
LC Caráter: isótropo Ângulo 2V: isótropo
Alteração: pode desvitrificar ou alterar, todos os estágios são possíveis. A desvitrificação se propaga a
partir das fraturas; o vidro é substituído por agregados finamente cristalinos compostos pelos minerais que
teriam se formado se o magma tivesse resfriado mais lentamente. Há uma série de texturas geradas pela
alteração: cristais aciculares (~agulhas), estruturas dendríticas (~árvores), estruturas plumosas (~penas);
use a literatura especializada para trabalhar esse assunto.
Pode ser confundido com: constituindo a matriz da rocha, não pode ser confundido com nenhum outro
mineral. As texturas de “fluxo” na realidade não são de fluxo, mas geradas pela compressão do material
quente. As fraturas perlíticas (circulares) são muito características, mas nem sempre estão presentes. Se
ocorrer como material intersticial em pequenas quantidades e for incolor, é difícil de reconhecer. Opala e
fluorita podem ser muito parecidas, mas possuem índices de refração menores. Analcima, leucita e minerais
do Grupo da Sodalita mostram formas cristalinas e/ou clivagem.
Associações: ocorre apenas em lavas e em rochas intrusivas hipabissais (sills e diques), como massa
fundamental e contendo pequenos cristais e fenocristais.

À esquerda, a ND, vidro vulcânico marrom com alguns cristais de plagioclásio (incolor + relevo baixo) e de
piroxênio (incolor + relevo médio) com algumas fraturas. A NC (direita) o vidro é isótropo (preto).
202

Vidro vulcânico marrom com fraturas perlíticas, que são rachaduras que tendem a redondas. Na
imagem da direita, uma vista de detalhe de uma destas fraturas perlíticas, percebendo-se que todo o
vidro está fraturado. ND. A NC o vidro é completamente preto ao giro de 360º da platina.

Esferulito de desvitrificação em rocha vulcânica ácida. À esquerda, a ND, percebe-se a fina


estrutura do esferulito. À direita, a NC, observa-se as cores cinza/brancas de interferência dos
feldspatos que formam o esferulito. Pode haver um cristal no centro da estrutura.

Rocha basáltica com elevado teor de vidro a Vidro vulcânico a ND com estruturas de
ND. O vidro é marrom e está permeado de desvitrificação entre feldspatos (incolores)
estruturas de desvitrificação. A NC é preto. e magnetita (preta).
203

Estrutura de desvitrificação em vidro vulcânico, comercializado como pedra ornamental “obsidiana


flocos de neve”, proveniente do México. À esquerda, a ND, à direita, a NC. O vidro é isótropo e a
estrutura é composta por cristais muito pequenos, indistinguíveis ao microscópio.
Macroscopicamente as estruturas são brancas e a obsidiana é preta.

Rocha vulcânica vítrea com abundantes esferulitos de desvitrificação. À esquerda, a ND, à direita,
a NC. Trata-se de estruturas pequenas, arredondadas e com estrutura fibrosa radial,
irregularmente distribuídas pela rocha. Imagem obtida com a objetiva de menor aumento (2,5x).

Vidro vulcânico a NC com esferulitos de Vidro vulcânico a ND com estruturas de fluxo, que
desvitrificação com estrutura radial. Em cinza, são esses alinhamentos aproximadamente
quartzo. Os esferulitos tendem a formar horizontais. A imagem foi obtida com o diafragma
estruturas esféricas, mas frequentemente parcialmente fechado para ressaltar esses fluxos.
desenvolvem-se apenas em parte. A NC a imagem é preta, pois o vidro é isótropo.
204

WOLLASTONITA
CaSiO3 Inossilicato, Piroxenóide Triclínica pinacoidal, pseudo-monoclínica
ND Cor / pleocroísmo: incolor a branco acinzentado, não tem pleocroísmo.
Relevo: moderado a alto.
Clivagem: (100) perfeita, (001) boa, (-10-2) boa. Fragmentos controlados por (100) e
(001). Pode mostrar uma clivagem boa, cuja qualidade é um pouco inferior
àquela das micas, mas melhor que aquela dos piroxênios. Na seção basal
as 2 clivagens interceptam-se a 84,5º. Este ângulo é muito semelhante ao
ângulo formado pelas duas clivagens nas seções basais dos piroxênios,
mas as clivagens da wollastonita são melhores e consequentemente o
reticulado nas seções basais de wollastonita é mais definido.
Hábito: lamelar, colunar, tabular, mais raramente fibroso ou acicular. São comuns
agregados subparalelos ou divergentes ou em forma de escova. Pode ser
tabular em {100}. Com seções quase retangulares, poiquiloblástico.
NC Birrefringência e birrefringência baixa, de 0,013 – 0,017 (ou 0,012 – 0,014), 1ª ordem
cores de interferência: superior: cores cinzentas a no máximo laranja-amarelado de 1ª ordem.
Extinção: sempre oblíqua, em seções longitudinais quase paralela, com ângulo de
0 – 5º .
Sinal de Elongação: SE(+) ou SE(-), não é diagnóstico.
Maclas: em lamelas, segundo (100)
Zonação: frequentemente zonado
LC Caráter: B(-) Ângulo 2V: 36 – 60º
Alteração: a pectolita, calcita e apofilita, também a quartzo, calcedônia e opala.
Pode ser confundido com: vários outros silicatos de Ca e Ca-Mg que ocorrem em mármores. Diopsídio
possui relevo mais alto, 2V mais alto e sempre tem a clivagem dos piroxênios, que é mais grosseira e um
pouco pior que aquela da wollastonita. Zoisita e epidoto possuem relevo mais alto, 2V mais alto e cores de
interferência muito mais intensas, além de mostrar cores de interferência anômalas com frequência.
Tremolita possui a clivagem característica dos anfibólios, um ângulo 2V maior e birrefringência mais alta.
Cancrinita apresenta as mesmas cores de interferência, mas tem relevo baixo e é U(-). Um indício da
ocorrência de wollastonita é a presença de buracos na lâmina delgada, que são locais onde os minerais da
lâmina foram arrancados durante a confecção da lâmina. Os buracos se devem ao fato da wollastonita ter
clivagens de boa qualidade e apresentar tenacidade “frágil”, o que faz com que estilhaçe com facilidade
durante a confecção da lâmina. O mesmo acontece com a cianita.
Associações: normalmente a wollastonita ocorre associada a minerais cálcicos. Ocorre em alguns
mármores de alto grau, associada a diopsídio e granadas. Também ocorre em zonas de metamorfismo de
contato da fácies hornfels em rochas calcosilicatadas e mármores silicosos. Nas mesmas rochas é
encontrada em áreas de metamorfismo regional e grau baixo a médio. É rara em fonolitos, em sienitos
nefelínicos e nefelinitos.
205

Seções longitudinais de
wollastonita a ND (acima) e
a NC (abaixo).

Típica é a clivagem boa


nestas seções,
paralelamente ao
alongamento. Também
são diagnósticos o relevo
moderado, as cores de
interferência relativamente
baixas e a raridade de
maclas e zonação.

Uma seção basal com duas clivagens se cruzando a 84,5º e uma seção
longitudinal com apenas uma clivagem, a ND (à esquerda) e a NC (à direita).
206

Wollastonita com hábito


granular, mostrando cores de
interferência entre amarelo e
laranja. Nestes grãos as
clivagens não estão bem
desenvolvidas.

Wollastonita a NC com macla lamelar.

No centro das imagens (esquerda a ND, direita a NC) há um buraco na lâmina delgada gerado porque a
wollastonita possui clivagens boas e porque estilhaça com facilidade. Não deixa de ser uma feição que
auxilia no reconhecimento da wollastonita, porque poucos minerais geram buracos com tanta facilidade.
207
ZEOLITAS
As zeolitas são um grupo de tectosilicatos com pouco mais de 90 membros cuja estrutura é
composta por tetraedros de SiO4 e AlO4, com uma razão de (Si+Al)/O igual a 1/2. O que torna as zeolitas
tão interessantes industrialmente é que, ao contrário da maioria dos outros tectosilicatos, as estruturas das
zeolitas possuem grandes vacâncias, constituindo minerais muito porosos e permeáveis, já que os espaços
estão interconectados entre si, formando canais. Nestes espaços abertos podem se alojar cátions grandes
como Na, K, Ba, Ca, H2O, NH4, íons de carbonato e de nitrato. O grupo combinado possui enorme
complexidade estrutural, com mais de 120 variações estruturais.
Diferenciam-se 4 grupos de “zeolitas”:
Zeolitas hidrotermais são bem conhecidas e constituem grandes cristais muito bem formados, que
geralmente ocorrem cristalizados a temperaturas mais elevadas em cavidades e fraturas de rochas
vulcânicas. Essas zeolitas são coletadas principalmente nos basaltos do Deccan na Índia e estão
disponíveis no comércio de minerais de coleção, alcançando altos preços em alguns casos. Algumas destas
zeolitas são heulandita, estilbita, natrolita, mesolita, escolecita, mordenita, stellerita, chabazita, analcima e
laumontita.
Zeolitas sedimentares são criptocristalinas, de aparência maciça, geralmente de cores
esbranquiçadas e com densidade baixa. Apenas podem ser identificadas por Difratometria de Raios X.
Estas zeolitas sedimentares são os minerais silicáticos autigênicos mais comuns em rochas
sedimentares, sendo encontradas em rochas das mais diversas idades, litologias e ambientes
deposicionais. O reconhecimento dessa abundância só ocorreu após a generalização das técnicas de
Difração de Raios X. São indicadores valiosos dos ambientes deposicionais e pós-deposicionais
(diagenéticos) das rochas hospedeiras. Geologicamente, as zeolitas têm muito em comum com
argilominerais; todas as ocorrências de zeolitas em rochas sedimentares estão intimamente associadas a
argilominerais ou são intercaladas com estratos ricos em argilominerais nas mesmas seqüências
estratigráficas. Os minerais mais comuns das ocorrências sedimentares são analcima, mordenita e
clinoptilolito. Geralmente se formam durante a diagênese devido a alteração de material vulcânico de
composição ácida (riolítica), como vidro vulcânico e cinzas vulcânicas.
Essas zeolitas criptocristalinas constituem minérios de importância cada vez maior, atualmente com
mais de 40 usos industriais. Entre eles, podemos citar a troca de íons, seu uso como peneiras moleculares,
uso para remoção de odores (absorção de NH 4) e absorção de gases, emprego como amaciadores de água
(troca o Ca da água pelo Na) e aditivo em ração animal. Esses usos industriais foram reconhecidos apenas
nas últimas décadas.
Zeolitas sintéticas são materiais produzidos em laboratório, apresentando características bem
definidas quanto a tamanho e disposição de vacâncias (espaços abertos – tamanho e orientação dos
canais). Novas variantes são produzidas todos os anos.
Minerais com uma estrutura “zeolítica” são incluídas no termo “industrial zeolites” e incluem os
fosfatos kehoeita, pahasapaita e tiptopita e os silicatos apofilita, hsianghualita, lovdarita, viseita, partheita,
prehnita, roggianita, girolita, maricopaita, okenita, tacharanita e tobermoreita.

IMPORTANTE: Informações detalhadas sobre as várias maneiras de ocorrência das zeolitas naturais
podem ser encontradas no site da Comissão de Zeolitas Naturais: http://www.iza-online.org/
208

ZIRCÃO
ZrSiO4 (+ Hf, U, Th, ETR) Nesossilicato Tetragonal
ND Cor / pleocroísmo: incolor. Pleocroísmo fraco de incolor para marrom em variedades coloridas.
Pode estar turvo, com zonação concêntrica ou com cores em faixas.
Relevo: muito alto, extremo.
Clivagem: {110} má e {111} má, normalmente não são visíveis ao microscópio.
Hábito: Prismático curto. Grãos subédricos, redondos a elípticos, frequentemente
com um halo pleocróico escuro (castanho, marrom, preto) ao seu redor
quando ocorrem dentro de minerais máficos (biotita, anfibólio, etc.)
NC Birrefringência e birrefringência muito alta, de 3ª e 4ª ordem, de 0,036 a 0,062 (ou 0,047
cores de interferência: – 0,0550): cores intensas, vivas e coloridas.

Extinção: paralela segundo o alongamento.


Sinal de Elongação: SE(+)
Maclas: raras
Zonação: frequentemente zonado
LC Caráter: U(+). Se metamicto, isótropo ou biaxial. Ângulo 2V: anômalo de até 10º é possível.
Alteração: não se altera com facilidade, é um mineral detrital que se concentra em depósitos detríticos. Se
contiver elementos radioativos em quantidades suficientes pode tornar-se metamicto (isótropo).
Pode ser confundido com: apatita possui relevo e birrefringência menores. Titanita possui cores de
interferência mais baixas. Rutilo e cassiterita não são incolores. Monazita é muito parecida, mas a ND
normalmente é colorida em cores fracas, tem uma clivagem nítida e é B(+).
Associações: é um mineral acessório comum em granitos, sienitos, granodioritos, pegmatitos, xistos,
gnaisses e quartzitos, onde ocorre como inclusões em biotita, hornblenda e cordierita. É um mineral detrítico
comum em sedimentos clásticos e rochas sedimentares. A fluorescência em amarelo do zircão auxilia a
dentifica-lo em areias pesadas (negras) de placers.

À esquerda: a ND o zircão é incolor, apresenta relevo alto e pode ter um halo pleocróico (borda escura)
quando incluso em biotitas (como aqui), anfibólios e outros minerais máficos..
No centro: a NC, o zircão apresenta cores fortes, que dificultam a obtenção da figura de interferência.
À direita: a NC, grãos grandes de zircão podem apresentar zonação de cores.
209

ZOISITA-α
A zoisita é dimorfa com a clinozoisita.
(Ca2)(Al3)(Si2O7)(SiO4)O(OH) Sorossilicato, Grupo do Epidoto Ortorrômbico
ND Cor / pleocroísmo: incolor, pode ser rosa, não apresenta pleocroísmo. Thulita (variedade com
Mn) apresenta pleocroísmo moderado de rosa a amarelo.
Relevo: alto
Clivagem: {010} perfeita, {010} imperfeita
Hábito: colunar, fibrosa, granular, cristais euédricos, maciça.
NC Birrefringência e birrefringência de 0,005 – 0,018: cores de 1ª ordem, anômalas.
cores de interferência: zoisita-β= birrefringência normal
Extinção: paralela (é o único membro ortorrômbico do Grupo do Epidoto)
Sinal de Elongação: SE(-)
Maclas: não apresenta
Zonação: frequentemente zonada
LC Caráter: B(+) Ângulo 2V: 0 – 69º
Alteração: sem informações
Pode ser confundido com: minerais monoclínicos do Grupo do Epidoto possuem extinção oblíqua.
Característicos para a zoisita são o alto relevo, a clivagem basal paralela ao alongamento de cristais
euédricos e pelo fato de ser incolor. Clinozoisita é muito semelhante.
Associações: zoisita é muito comum em xistos pobres em Mg, de grau médio, em gnaisses e mármores.
Também pode ser encontrada em xistos azuis, mas não é tão comum. Em rochas ígneas ocorre como
mineral acessório em rochas máficas e ultramáficas. Thulita é uma variedade de zoisita com Mn que é
encontrada em pegmatitos. Produtos de alteração hidrotermal de plagioclásios pode incluir zoisita.
210
ALTERAÇÕES

NOME DESCRIÇÃO

Albitização Substituição parcial ou total de feldspatos potássicos ou plagioclásios por albita


praticamente pura. O processo pode ocorrer devido a fluidos finais de cristalização de
corpos graníticos ou pela reação de basaltos de fundo oceânico com água do mar.

Alteração de Consiste no desenvolvimento de hidratos de ferro de cor vermelha viva (vermelho-


opacos sangue, podem apresentar tons alaranjados), que se espalham, formando manchas, ao
redor dos grãos de opacos (geralmente óxidos ou hidróxidos de ferro) em lâmina
delgada. Pode ocorrer com magnetitas em rochas vulcânicas, por exemplo.

Alunitização Formação de alunita (KAl3(SO4)2(OH)6) pela ação de soluções hidrotermais contendo


ácido sulfúrico sobre rochas vulcânicas ricas em feldspatos potássicos, como traquitos
e riolitos. O processo é acompanhado por caulinitização e silicificação e gera massas,
às vezes enormes, de alunita, um minério importante (fonte de alúmen, K+Al, etc.).

Argilização Também denominada de caulinização, é a formação de argilominerais (normalmente


caulinita e argilominerais do Grupo da Montmorilonita) nos minerais, geralmente por
processos intempéricos. Os minerais, originalmente límpidos e incolores, a ND tornam-
se turvos (“cloudy”), de cor amarelada. O processo é comum em feldspatos em geral.

Bastitização Processo que consiste na substituição de ortopiroxênios (ex.: enstatita) por minerais do
Grupo da Serpentina. A substituição inicia ao longo das fraturas, com as fibras paralelas
da bastita dispostos perpendicularmente às paredes das fraturas. Se a substituição é
completa, geram-se pseudomorfos de bastita sobre ortopiroxênio.

Calcitização Também chamada de carbonatização, consiste no desenvolvimento de calcita nos


minerais. A calcita pode inclusive substituir completamente o grão, formando
pseudomorfoses. Pode ocorrer com plagioclásios.

Carbonatização sinônimo de calcitização

Caulinização sinônimo de argilização.

Celadonitização Formação de celadonita em substituição a clinopiroxênios (augita) em rochas


magmáticas. Formam-se pseudomorfoses de celadonita sobre augita.

Cloritização Consiste na formação de clorita e normalmente ocorre nos minerais máficos das
rochas, como em biotita e anfibólios. Pode iniciar ao longo das clivagens e a partir das
bordas dos grãos, progressivamente substituindo o mineral original.

Damouritização Consiste no desenvolvimento de damourita no mineral hospedeiro. Damourita é uma


muscovita de grão extremamente fino, compacta e de tato untuoso, lembrando
serpentina. Ao microscópio se apresenta como grãos extremamente finos.

...continua na próxima página.


211

NOME DESCRIÇÃO

Desvitrificação Alteração típica de vidro vulcânico (obsidiana), quando o vidro é substituído por

(ou devitrificação) agregados finamente cristalinos compostos pelos minerais que teriam se formado se o
magma tivesse resfriado lentamente. Muitas texturas possíveis, ver literatura específica.

Dolomitização Refere-se aos vários processos discutidos na literatura, através dos quais um calcário
formado por processos sedimentares e constituído basicamente por carbonato de Ca
(calcita) transforma-se em um dolomito, formado por carbonato de Ca e Mg (dolomita).
Para ler mais, pesquisar sobre “The dolomite question” e “Fairbridge 1957”.

Epidotização Processo metamórfico, hidrotermal, durante o qual o epidoto forma-se em rochas


principalmente graníticas devido à albitização do plagioclásio que libera a molécula da
anortita. Forma-se epidoto e zoisita, muitas vezes acompanhados de cloritização.

Esteatitização Formação de talco de granulação fina, chamado de “esteatita” (“pedra sabão”), através
da alteração hidrotermal de rochas máficas e ultramáficas em condições de
metamorfismo de fácies xistos-verdes.

Fengitização Consiste no desenvolvimento de fengita como produto de alteração do mineral.


Fengitas são micas brancas que formam uma série entre muscovita e celadonita.

Fenitização É um processo metasomático que transforma as rochas encaixantes de rochas


alcalinas (ijolitos), complexos carbonatítitos, sienitos nefelinos, granitos peralcalinos,
gnaisses e migmatitos. Podem formar rochas monominerálicas de feldspatos alcalinos.

Glimmeritização Processo pós-magmático, metassomático, que produz uma rocha ígnea composta
basicamente por micas escuras (biotita e flogopita). O nome provém de “Glimmer”, que
é o termo alemão para micas em geral.

Iddingsita É uma alteração de cor vermelho profunda a marrom que ocorre na olivina. Consiste na
formação de um agregado de serpentina fibrosa, clorita, óxidos de ferro (hematita,
goethita) e outros. A alteração inicia nos limites intergranulares e ao longo das fraturas.

Leucoxênio Leucoxênio é uma associação submicroscópica de óxidos de ferro e titânio, com rutilo,
anatásio, titanita, perovskita, magnetita titanífera e especialmente ilmenita. A cor macro
do leuxocênio é branca a amarela pálida. É uma alteração característica da ilmenita.

Limonitização Alteração a óxidos e hidróxidos e ferro na forma de agregados dendríticos de goethita


(limonita) com formas de “flores de gelo” (agregados radiais). Ocorre na siderita e é
uma feição diagnóstica importante para este mineral.

Metamictização Denominação do processo que conduz à gradual e finalmente completa destruição da


estrutura de um mineral devido à radioatividade de alguns de seus componentes. Um
mineral metamictizado é amorfo e, portanto, isótropo. A allanita sofre este processo.

...continua na próxima página


212

NOME DESCRIÇÃO

Opacitização Consiste no desenvolvimento de magnetita + hematita + clinopiroxênio pobre em ferro e


é causado por desequilíbrio no magma. Afeta a hornblenda marrom e a biotita, pode
iniciar nas margens do cristal e depois ocupar todo o cristal.

Opalização Formação de opala a partir da alteração de sílica amorfa, frequentemente a partir de


restos orgânicos de microorganismos de carapaças silicosas em rochas sedimentares
litificadas.

Pinitização Consiste no desenvolvimento de um agregado denso de sericita e/ou clorita e também


biotita, a partir dos limites intergranulares e de fraturas. Ocorre na cordierita; os
pseudomorfos sobre cordierita são conhecidos como pinita.

Piritização Processo que consiste na substituição de minerais pré-existentes por S e Fe, que se
combinam para formar o mineral pirita – FeS2.

Propilitização Um tipo de alteração hidrotermal que atinge principalmente rochas vulcânicas,


formando-se um agregado esverdeado de clorita, epidoto, albita e carbonato nos
minerais. É uma alteração complexa de baixa intensidade, podem estar presentes
sericitia, magnetita, pirita, quartzo e zeolitas.

Quelifitização Consiste na formação de minerais ao redor do grão considerado, constituindo bandas.


Essas bandas são chamadas de textura quelifítica, coroas quelifíticas ou bordas de
reação. Muitos minerais podem apresenta-las, como por exemplo a granada.

Saussuritização Desenvolve-se um agregado de grão muito fino e de coloração esverdeada, composto


por clinozoisita, zoisita, albita, actinolita e sericita. Nos plagioclásios é comum.

Schilleritização Também denominado de “efeito de Schiller” ou “estrutura de Schiller”, consiste em


pequenas inclusões orientadas de um segundo mineral dentro de um mineral pré-
existente, por exsolução ou alteração. Em amostra de mão, pode gerar um efeito de
iridescência que é mais conhecido da labradorita (“labradorescência”) e da adularia
(“adulariescência”). Também ocorre em ortopiroxênios e hornblenda verde.

Sericitização Alteração muito comum que consiste na formação de pequenos flocos de mica branca
no mineral. A mica branca normalmente é sericita (muscovita de alteração) e a NC se
apresenta como pequenos pontos luminosos. Ocorre em feldspatos em geral.

Serpentinização Consiste na mudança da mineralogia, geralmente de rochas máficas e ultramáficas


como peridotitos e dunitos, através da oxidação e hidrólise dos minerais (como
olivinas), formando serpentina, brucita e magnetita.

Silicificação Através da introdução de sílica, ocorre a substituição parcial ou total da rocha ou do


mineral hospedeiro. Troncos fósseis são um exemplo clássico de silicificação.

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NOME DESCRIÇÃO

Spilitização Processo de alteração que consiste na substituição de plagioclásios ricos em anortita


por albita + calcita.

Uralitização Denominação do processo em que um piroxênio (como a augita) é transformado em um


anfibólio como, por exemplo, hornblenda, tremolita ou actinolita.

Zeolitização Alteração que ocorre sob condições hidrotermais, transformando o mineral em zeolitas
como natrolita, thomsonita, escolecita e heulandita. A melilita sofre este processo.