Você está na página 1de 10

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL EM


ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR
DANOS MORAIS. ATROPELAMENTO DE CICLISTA.
CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA COMPROVADA. FATOS
CONSTITUTIVOS DO DIREITO NÃO PROVADOS PELO
AUTOR. ART. 333, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
A prova oral produzida dá amparo à tese defensiva, de
que o réu não agiu com culpa no acidente, ao contrário,
a vítima agiu com imprudência ao tentar atravessar a
pista, entrando repentinamente na frente do veículo do
réu, tornando o choque inevitável. Sentença de
improcedência mantida.
APELO DESPROVIDO.

APELAÇÃO CÍVEL DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL

Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615- COMARCA DE SAPUCAIA DO SUL


92.2014.8.21.7000)

JOÃO IRAN DUTRA DOS SANTOS APELANTE

MARIA IVONE PORTAL DE SOUZA APELADO

HDI SEGUROS S.A. APELADO

VILMAR PORTAL DE SOUZA APELADO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.


Acordam os Desembargadores integrantes da Décima
Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em
desprover o apelo.
Custas na forma da lei.
Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes
Senhores DES. GUINTHER SPODE (PRESIDENTE) E DES.ª ANA LÚCIA
CARVALHO PINTO VIEIRA REBOUT.

1
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

Porto Alegre, 12 de novembro de 2015.

DES. UMBERTO GUASPARI SUDBRACK,


Relator.

R E L AT Ó R I O
DES. UMBERTO GUASPARI SUDBRACK (RELATOR)
Inicialmente, a fim de evitar desnecessária tautologia, adoto o
relatório da sentença, in verbis:
Vistos.
JOÃO IRAN DUTRA DOS SANTOS, devidamente
representado por sua irmã, Odete dos Santos
Martins, qualificados, ajuizou ação indenizatória
decorrente de acidente de trânsito em face de MARIA
IVONE PORTAL DE SOUZA, HDI SEGUROS e
VILMAR PORTAL DE SOUZA, também qualificados.
Narrou, em síntese, que no dia 12/01/2006, por volta
das 18h50min., na RS 118, conduzia sua bicicleta no
acostamento, momento em que foi colhido pelo
veículo da ré Maria Ivone, o qual era conduzido pelo
irmão Vilmar. Do acidente, restou com graves
sequelas, tendo sido, inclusive, interditado. Sustentou
que a ocorrência do sinistro se deu por culpa exclusiva
do condutor veículo, que agiu com negligência,
imprudência e imperícia. Mencionou, também, que
laborava como autônomo, auferindo cerca de R$
1.000,00, mensais, na atividades de pedreiro e
azulejista e que, em razão de ter ficado
permanentemente inválido, sendo cuidado por
familiares, requereu a concessão de pensão até os 70
anos de idade, no valor de R$ 1.500,00. Também,
pretende a condenação do demandado em danos
morais, no montante de 300 salários mínimos.
Pleiteou, assim, a procedência da ação, com a
condenação dos requeridos ao pagamento de pensão
mensal e indenização por danos morais e materiais.
Juntou documentos (fls. 13/48).
Citada, a requerida Maria apresentou contestação (fls.
53/68). No mérito, alegou que, apesar do infortúnio
ocorrido, a ação é meramente pecuniária. Sustentou
2
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

que a culpa do sinistro se deu por culpa exclusiva da


vítima, a qual entrou de inopino na via. Arguiu, ainda,
que o boletim de ocorrência demonstrou que o
acidente se deu em cima da via de rolamento, e não
no acostamento da via, como quer fazer crer o autor.
Teceu considerações acerca da responsabilidade civil.
Impugnou o pedido de pensão, na medida em que não
comprovados os rendimentos percebidos pelo autor,
bem como os demais pedidos indenizatórios. Postulou
a improcedência da demanda. Juntou documentos (fls.
71/73).
Por sua vez, a seguradora HDI contestou o feito,
requerendo, preliminarmente, a denunciação à lide de
Vilmar Portal de Souza, condutor do veículo. No
mérito, teceu considerações sobre a apólice de seguro
contratada pela segunda requerida e refutou os
pedidos de indenização, ao argumento de não terem
sido provados os pressupostos da responsabilidade
civil. Impugnou os valores pretendidos. Ao final,
pugnou pelo acolhimento da preliminar suscitada ou a
improcedência dos pedidos deduzidos na inicial (fls.
75/114). Acostou documentos (fls. 116/162).
Citado, o demandado Vilmar apresentou contestação.
Por primeiro, referiu ser parte ilegítima para figurar no
polo passivo, na medida em que se o autor assim
quisesse, teria direcionado a ação contra si. No
mérito, afirmou que, no caso em comento, ocorreu a
culpa exclusiva da vítima, uma vez que, ao atravessar
a pista sem observar as circunstâncias do tráfego,
veio a ser atingido pelo veículo que conduzia. Alegou
que não restaram demonstrados os danos materiais
sofridos, uma vez que não foi comprovado que o autor
trabalhava ou auferia rendimentos. Insurgiu-se, ainda,
acerca dos valores indenizatórios pleiteados, os quais
considerou exorbitantes e, ao cabo, pugnou pelo
acolhimento da preliminar, e caso rejeitada, pela total
improcedência dos pedidos (fls. 207/220).
Réplica às contestações (fls. 163/173 e 226/228).
Durante a instrução foi realizada prova pericial, e
ouvidas duas testemunhas, bem como colhido o
depoimento pessoal do réu Valmir (fls. 260/265,
396/304, 305/313 e 338/341).
Encerrada a instrução, as partes apresentaram
memoriais, repostando-se ao processado nos autos,
renovando seus pedidos (fls. 349/369, 370/380 e
381/388).
3
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

Os autos vieram conclusos para sentença.


É o relatório.

Sobreveio decisão, nos seguintes termos:


Outrossim, JULGO IMPROCEDENTE a lide
secundária (denunciação à lide), tendo em vista a
improcedência da lide primária, nos termos da
fundamentação supra.
Os denunciantes arcarão com as custas da
denunciação e honorários advocatícios, devidos ao
procurador da denunciante, que fixo em R$ 1.000,00,
a teor do art. 20, § 4°, do CPC.

O autor apela nas fls. 401/405, reeditando os termos da inicial.


Impugna os depoimentos prestados, afirmando que ninguém ousaria
atravessar a rodovia sem um mínimo de cuidado. Postula a reforma da
sentença, com o acolhimento dos pedidos iniciais.
A ré Maria Ivone Portal de Souza oferece contra-razões nas fls.
411/415, a denunciada nas fls. 416/427 e o réu nas fls. 428/433.
Registro que foi observado o disposto nos artigos 549, 551 e
552 do Código de Processo Civil, tendo em vista a adoção do sistema
informatizado.
É o relatório.

VOTOS
DES. UMBERTO GUASPARI SUDBRACK (RELATOR)
Trata-se de demanda de natureza condenatória, por meio da
qual visa a autor obter a reparação dos danos sofridos em razão do
acidente.
A hipótese dos autos deve ser analisada sob a ótica da
Responsabilidade Civil Subjetiva, para cujo reconhecimento devem estar

4
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

configurados: o evento danoso, o dano, o nexo causal e a culpa (art. 186 c/c
927 ambos do CC).
O evento danoso e o dano estão incontroversos.
O nexo causal e a culpa, para a responsabilização civil, devem
estar comprovados nos autos, de acordo com a regra geral sobre o ônus da
prova, prevista no art. 333 do CPC:
O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor.
Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de
maneira diversa o ônus da prova quando:
I - recair sobre direito indisponível da parte;
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o
exercício do direito.

No caso em tela, a parte autora não se desincumbiu do seu


ônus probatório.
O Boletim de Ocorrência (fl. 21) nada acrescenta para o
deslinde do feito.
O autor limitou-se a trazer testemunha não-compromissada,
que não viu o acidente, tendo apenas ouvido a batida, momento depois do
qual ajudou a vítima. Além disso, somente argumenta contra os testemunhos
prestados, sem, contudo, desacreditá-los. Os argumentos lançados no
apelo, em oposição à versão do motorista, são presunções, sem a força
probatória pretendida.
Assim, o autor nem sequer efetuou a tentativa de produzir
provas do direito que alega, conforme lhe incumbe o disposto no artigo art.
333, I, do Código de Processo Civil.
Por outro lado, a testemunha presencial, apresentada pela
parte ré, José Joanes dos Santos, afirmou que a vítima se atravessou na
5
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

frente do réu, “praticamente cortando a frente do Gol” (fl. 339). Ainda, repetiu
várias vezes que o fluxo, no momento do acidente, era intenso.
Os argumentos do apelante não se mostram suficientes para
desqualificar o testemunho prestado, sem compromisso, que de forma
coerente roborou a versão defensiva.
As provas trazidas aos autos foram bem analisadas pelo digno
sentenciante, Dra. Luciane Di Domenico Hass, motivo pelo qual adoto, como
razões de decidir os fundamentos da sentença:
No caso, não houve perícia no local do acidente de
trânsito, no entanto, os depoimento prestados pelas
testemunhas apontaram para a imprudência da vítima
ao tentar atravessar a pista.
Leandro Crézio Silva dos Santos disse que não
presenciou o acidente, apenas ouviu a batida e que
por isso, foi ajudar a prestar socorro ao autor, que
estava ensaguentado. Sabe que a vítima era mestre
de obras e que após o acidente, o mesmo não teve
mais condições de trabalhar, em razão das sequelas.
Mencionou que próximo do local do acidente existe
uma passarela de pedestres, todavia, a mesma é de
degraus, impossibilitando o trânsito de bicicletas. No
horário em que ocorreu o sinistro, o fluxo de veículos é
bastante intenso (fls. 305/313).
A testemunha José Joanes dos Santos mencionou
que presenciou o acidente, que envolveu um veículo e
uma bicicleta. Referiu que estava se deslocando para
Novo Hamburgo, trafegando atrás do veículo Gol,
momento em que a vítima se “atravessou”. Por essa
razão, parou para ajudar na prestação do socorro,
mas o motorista Vilmar já havia acionado. O acidente
ocorreu por volta das 17 horas e naquele momento o
fluxo era intenso. As condições de visibilidade eram
boas. Disse que após o acidente, a vítima tentou
levantar, sendo que manteve ele deitado até a
chegada do socorro. A velocidade permitida para o
local é de 60 km/h, mas em razão do fluxo, os veículos
transitavam abaixo dessa velocidade (fls. 338/341).
Por fim, ouvido em Juízo, o réu Vilmar declarou que
no dia dos fatos estava de deslocando de
Cachoeirinha para Novo Hamburgo pela RS 118, onde
na sua frente, estava uma tombadeira, e uma
6
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

carreta na frente da tombadeira, momento em que a


vítima, de bicicleta, atravessou atrás da carreta que
vinha em sentido contrário e lhe cortou a frente. Disse
que na via de rolamento não poderia desviar, porque
naquele momento havia uma senhora com criança no
colo e outra segurando sua mão.
Da prova oral produzida, restou configurada a culpa
exclusiva da vítima, que, ao atravessar a pista, entrou
repentinamente na frente do veículo do réu Vilmar e
impossibilitou a reação da motorista para evitar o
atropelamento, o que exclui a responsabilidade civil
por danos materiais e morais.
Apenas à título de argumentação, veja-se que o art.
691 do CTB, ao estabelecer critérios para travessia
segura da pista de rolamento, dispõe que o pedestre
deverá tomar precauções segurança, levando em
conta a visibilidade, distância e velocidade dos
veículos.
Discorrendo sobre a travessia de pedestre, CARLOS
ROBERTO GONÇALVES explica que o "Código de
Trânsito Brasileiro impôs uma série de cuidados e
regras a serem observados não só pelos condutores
como também pelos pedestres, nos arts. 68 a 71,
devendo estes, para cruzar a pista de rolamento,
tomar precauções de segurança (art. 69),
devidamente especificadas, como certificarem-se,
antes, 'de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito
de veículos'." (Responsabilidade Civil, n.° 122, pág.
809, Saraiva, 2005).
Assim, dos fatos acima expostos percebe-se que a
autor, de bicicleta, adentrou a pista sem tomar as
precauções de segurança para que pudesse realizar a
travessia. Ao contrário, naquele horário – por volta das
17 horas -, em local de intenso fluxo de veículos,
deveria o autor ter aguardado condições que lhe
permitissem atravessar.
Nesse sentido:

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE


CIVIL EM ACIDENTE DE TRÂNSITO.
ATROPELAMENTO. Demonstrada a culpa exclusiva
do pedestre que realizou manobra de travessia de via
em momento e local impróprios, sem atentar para a
circulação de veículos, obstruindo a passagem da
motocicleta que por ela trafegava, dando causa ao

7
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

atropelamento. Contribuição da ré não configurada,


tendo em vista que a causa eficiente do evento foi o
ingresso na pista pela vítima. Verificada a excludente
de responsabilidade correspondente à culpa exclusiva
da vítima, rompido está o nexo de causalidade entre o
ato praticado pela demandada e os prejuízos
suportados pelo autor, não havendo, portanto, falar em
dever de indenizar. APELAÇÃO IMPROVIDA.
(Apelação Cível Nº 70055010011, Décima Primeira
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz
Roberto Imperatore de Assis Brasil, Julgado em
18/12/2013).

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE


CIVIL EM ACIDENTE DE TRÂNSITO.
ATROPELAMENTO. DE PEDESTRES SOB A
RODOVIA. Conjunto probatório contido nos autos que
autoriza reconhecer que o infortúnio ocorreu por culpa
exclusiva das vítimas, que durante uma madrugada,
caminhavam sobre a pista de rolamento de rodovia
sem acostamento e iluminação adequada, Omissão
de socorro do réu não comprovada. Juízo de
improcedência mantido. PROSSEGUINDO NO
JULGAMENTO: NEGARAM PROVIMENTO AO
APELO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70057236754,
Décima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Katia Elenise Oliveira da Silva, Julgado
em 18/12/2013).

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSÁBILIDADE


CIVIL EM ACIDENTE DE TRÂNSITO. DANOS
MATERIAIS E MORAIS. ATROPELAMENTO.
RODOVIA. TRAVESSIA. CULPA. ÔNUS DA PROVA.
Do conjunto probatório, não se extrai a alegada culpa
da ré, que atropelou o autor, quando este atravessava
a rodovia RS-040 com sua bicicleta. Provas dos autos,
aliás, que apontam em sentido oposto, para a culpa
exclusiva da vítima, que atravessava a rodovia de
inopino, em local inadequado. Manutenção da
sentença de improcedência. Apelo desprovido.
(Apelação Cível Nº 70054307962, Décima Segunda
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
Umberto Guaspari Sudbrack, Julgado em 12/12/2013).

Portanto, à míngua de provas da imprudência,


negligência ou imperícia do condutor do veículo e pela
8
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

existência de provas da conduta inadvertida do autor


na travessia da via, não ê devida a indenização
pleiteada, razão pela qual a pretensão deduzida na
inicial não merece acolhimento.
1 Art. 69. Para cruzar a pista de rolamento o pedestre
tomará precauções de segurança, levando em conta,
principalmente, a visibilidade, a distância e a
velocidade dos veículos, utilizando sempre as faixas
ou passagens a ele destinadas sempre que estas
existirem numa distância de até cinqüenta metros
dele, observadas as seguintes disposições:
I - onde não houver faixa ou passagem, o cruzamento
da via deverá ser feito em sentido perpendicular ao de
seu eixo;
II - para atravessar uma passagem sinalizada para
pedestres ou delimitada por marcas sobre a pista:
a) onde houver foco de pedestres, obedecer às
indicações das luzes;
b) onde não houver foco de pedestres, aguardar que o
semáforo ou o agente de trânsito interrompa o fluxo de
veículos;
III - nas interseções e em suas proximidades, onde
não existam faixas de travessia, os pedestres devem
atravessar a via na continuação da calçada,
observadas as seguintes normas:
a) não deverão adentrar na pista sem antes se
certificar de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito
de veículos;
b) uma vez iniciada a travessia de uma pista, os
pedestres não deverão aumentar o seu percurso,
demorar-se ou parar sobre ela sem necessidade.

Ante tais comemorativos, nego provimento ao recurso de


apelação, mantendo integralmente a sentença.
No que se refere aos artigos invocados pelas partes, dou-os
por prequestionados, com a finalidade de evitar eventual oposição de
embargos declaratórios tão-somente para este fim.

9
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

UGS
Nº 70061960522 (Nº CNJ: 0388615-92.2014.8.21.7000)
2014/CÍVEL

DES.ª ANA LÚCIA CARVALHO PINTO VIEIRA REBOUT (REVISORA) - De


acordo com o(a) Relator(a).
DES. GUINTHER SPODE (PRESIDENTE) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. GUINTHER SPODE - Presidente - Apelação Cível nº 70061960522,


Comarca de Sapucaia do Sul: "NEGARAM PROVIMENTO AO APELO.
UNÂNIME."

Julgador(a) de 1º Grau: LUCIANE DI DOMENICO HASS

10