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Aconselhamento psicológico – introdução

O aconselhamento constitui um dos setores específicos da psicologia, representando uma síntese de várias diretrizes que
se desenvolveram nos campos de orientação educacional, higiene mental, psicometria, serviço social e caso,
psicoterapia.
Histórico
O aconselhamento surgiu em conexão com os seguintes movimentos:
1 – Fundação de Centros de Orientação Infantil e Juvenil – consistia no fornecimento de diagnóstico mais do que no
processo de aconselhamento;
2 – Aparecimento da Orientação vocacional – inicialmente, informações relacionadas às profissões, sem haver
preocupação com as técnicas de relação orientador-orientando (1909); conselhos e informações com base na experiência
profissional do conselheiro (1924); em 1937 passa a ser compreendido como um processo de assistir o indivíduo a
encontrar uma profissão adequada a suas características pessoais; predomínio dos testes psicológicos; após boom dos
testes (1940 - 1950), atribuição de importância na relação entre o conselheiro e o orientando – Graças a Carl Rogers.
“do problema para a pessoa do cliente; do instrumental de avaliação para a relação cliente-conselheiro; do resultado
para o processo”.
3 – Criação de Serviços de Higiene Mental para adultos – desenvolvimento de técnicas no aconselhamento;
4 – Instituição de Assistência Social – expressão de suas cargas emocionais;
5 – Serviços de assistência psicológica em empresas – ajustamento socioemocional relacionado a produtividade.

Definição
Tradicionalmente, o termo aconselhamento foi utilizado em situações para fornecer informações, dar conselhos, criticar,
elogiar, encorajar, apresentar sugestões e interprestar o significado do comportamento do cliente.
A palavra, em sua evolução, designou atividades que variavam de punição e coerção a relação permissiva que
proporciona a liberação emocional do indivíduo e facilita o seu desenvolvimento – à medida que as técnicas foram sendo
desenvolvidas, sua compreensão foi sendo ampliada.
As primeiras definições eram concisas e estáticas: “uma conversa profissional”
Carl Rogers introduz dinamicidade e operacionalidade: “uma série de contatos diretos com o indivíduo com o objetivo
de lhe oferecer assistência na modificação de suas atitudes e comportamentos”.
Outras definições: relação interpessoal na qual o conselheiro assiste o indivíduo na sua totalidade psíquica a se ajustar
mais efetivamente a si próprio e ao seu ambiente”. “Aconselhamento como uma relação em que a competência especial
do orientador proporciona um processo de aprendizagem aplicado a pessoas normais, ajudando-os a crescer de forma
satisfatoriamente”
Erickson atribui as seguintes características:
1 – Relação entre duas pessoas;
2 -O entrevistador assume a responsabilidade de ajudar o outro;
3 – Entrevistado com problemas, necessidades, bloqueios;
4 – Ambos buscam encontrar soluções.
A entrevista de ajuda varia conforme os objetivos, as características e os resultados consoantes com as necessidades do
entrevistando (contato, informações, tratamento, etc.).
Scheeffer conceitua aconselhamento como “uma relação face a face de duas pessoas, na qual uma delas é ajudada a
resolver dificuldades de ordem educacional, profissional, vital e a utilizar melhor os seus recursos pessoais”.
Aconselhamento vs. Entrevista
- Tem sido usados como sinônimos por conta de ser no formato de entrevista que o aconselhamento normalmente
acontece, no entanto a entrevista nem sempre alcança os objetivos de aconselhamento (inquérito, pesquisa, opinião,
seleção), cujas finalidades nem sempre são de ajudar o entrevistando.
Aconselhamento e orientação educacional
- Não são a mesma coisa, mas apresentam finalidades comuns, por ambos visarem ajudar. Aconselhamento é parte
integrante da orientação educacional. Na segunda, há uma variedade maior de recursos utilizados para remover
problemas entre alunos e professores; promover atividades extracurriculares; classificar e distribuir os alunos; ajudar no
desenvolvimento de recursos individuais; promover serviço de diagnóstico; encaminhar os alunos profissionalmente.
Como se observa, o aconselhamento é um aspecto do processo de orientação educacional, porém não podem ser
confundidos.
Aconselhamento e psicoterapia
- Há uma confusão entre suas finalidades, pois os dois processos buscam ajudar o indivíduo a obter melhor compreensão
de si para orientá-lo na solução de problemas vitais. Para Rogers, a diferenciação é apenas uma questão de terminologia,
o processo acontecer como orientação ou terapia vai depender da maneira como o cliente configura o seu pedido de
ajuda.
- Aconselhamento é usado, principalmente, em meios educacionais, e psicoterapia nos meios psicológicos e clínicos.
- Aponta-se que o aconselhamento é utilizado mais para entrevistas superficiais, enquanto a terapia se refere a um contato
mais profundo e duradouro, de reorganização da personalidade.
- Escala: Aconselhamento educacional e profissional; aconselhamento vital (pessoal); psicoterapia.
- Muitas vezes, o aconselhamento visa a ajudar na tomada de uma decisão e envolve, muitas vezes, informações objetivas
que permitem o orientando utilizar melhor seus recursos pessoais. Psicoterapia atua em nível mais profundo e tem como
finalidade ajudar o indivíduo desajustado a reestruturar sua identidade.
- Aconselhamento para “conflitos conscientes”;
- APA – aconselhamento e psicoterapia constitui-se uma gradação, sendo o primeiro uma medida profilática.
Aconselhamento e psicoterapia breves e focais
- Surgimento da PB: crítica aos modelos demorados; modelos alternativos no âmbito das instituições;
- Papel mais ativo do terapeuta, diretivo: foco – ativação dos ego, relação de trabalho personificada e elaboração de um
foco.
- As sessões sempre recaem sobre o motivo da consulta.

Conselheiro
O Aconselhamento é prática exclusiva do psicólogo?
A função do psicólogo-conselheiro consiste em dar conselhos?
- Profissional especializado;
- A palavra/função-conselheiro está vinculada tradicionalmente tanto ao psicólogo quanto a outros profissionais.
- No brasil, a figura do conselheiro é diferente, apresentando-se como psicólogo clínico. Lei 4.119 de 1962

Ricardo, 38 anos, casado, trabalha numa grande empresa, onde tem um bom salário e é bem-sucedido. Recentemente,
formou-se em psicologia. Ricardo gostaria de mudar de profissão, no entanto sente que não é capaz de desempenhar a
nova função, mesmo tendo obtido ótimos resultados. Gostaria de ajuda para tomar uma decisão quanto a sua carreira
profissional.