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DE ONDE VEM TANTA DOR?

As dores de Fibromialgia decorrem de alterações no SNC, especificamente nos


mecanismos de percepção e modulação da dor.
Existem diversos receptores especiais de dor distribuídos no organismo. São
responsáveis por captar o estímulo doloroso e o transmite sob a forma de impulsos elétricos,
ao longo dos nervos até a medula espinhal e depois ao cérebro.
Esses receptores periféricos existem nos músculos, na pele e são conhecidos como
nociceptores.
Ao receber um estímulo doloroso os nociceptores conduzem “a mensagem” para a
medula espinhal. Lá é determinado como será a dor (forte ou fraca) e depois conduzida ao
cérebro, passando a ser interpretado e a pessoa passa a ter várias reações: muita dor ou pouca
dor.
Nesse processo são liberados vários neurotransmissores (mensageiros químicos que
conduzem informações de uma célula a outra). Entre eles, destaca-se a substancia P (significa
dor).
A substancia P segue do local onde houve o estímulo doloroso até a medula. Quanto
mais esse mensageiro se espalhar pela medula, maior será a percepção da dor. Se houver
excesso, maior será percebida a dor.
Antes de ser interpretado, o estímulo doloroso passa pelo sistema emocional, que
modula sua percepção e intensidade. A dor passa a ser intolerável e intensa quando estamos
ansiosos, irritados, deprimidos, estressados...
Quando o cérebro responde aciona outros neurotransmissores como: Serotonina.
Dopamina, Opióides que tem como função inibir a dor na maioria das pessoas.

COMO PERCORRE A DOR NOS PORTADORES DE FIBROMIALGIA?

Os fibromiálgicos apresentam alterações nos percursos da dor tanto da periferia para


o SNC (via ascendente), como do cérebro para a periferia (via descendente).
A Substancia P ao ser liberada é três vezes maior nos portadores de Fibromialgia e uma
quantidade de Serotonina na medula espinhal. Assim, existe um excesso de informações
dolorosas (Substancia P) e uma redução nos níveis que inibem a dor (Serotonina e Opióides).
Com o tempo a dor tende a se tornar crônica.
Outras alterações ocorrem como:
- Hiperalgesia – resposta exagerada ao estímulo doloroso.
- Alodínia – a informação de dor é disparada por algo que não causaria dor como um
simples abraço. Ou seja, o cérebro memoriza a dor.

CONCLUSÃO:
“Um aumento de mensageiro químico encarregado de conduzir a informação de dor
ao cérebro (Substancia P) e uma diminuição dos neurotransmissores que acalma a dor
(Opióides e Serotonina) produzem uma resposta exagerada ao estímulo doloroso
(hiperalgesia) ou fazem a informação de dor ser disparada até por algo que normalmente não
teria esse efeito, como um toque suave (alodínia).

REFERÊNCIA:
GOLDENBERG, Evelin. O coração sente, o corpo dói: como reconhecer e tratar a
Fibromialgia. 7. Ed. São Paulo: Editora Atheneu, p. 21-24, 2014.