Você está na página 1de 9

31

RODA DE CONVERSA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA A


CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO DE DIÁLOGO NO ENSINO MÉDIO
http://dx.doi.org/10.4025/imagenseduc.v4i2.22222

Marcia Cristina Henares de Melo *


Gilmar de Carvalho Cruz**

* Faculdade de Educação, Administração e Tecnologia de Ibaiti – FEATI. marciachmelo@hotmail.com


** Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO; Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG.
gilmailcruz@gmail.com

Resumo
A Roda de Conversa é uma possibilidade metodológica para uma comunicação
dinâmica e produtiva entre alunos adolescentes e professores no ensino médio.
Essa técnica apresenta-se como um rico instrumento para ser utilizado como
prática metodológica de aproximação entre os sujeitos no cotidiano pedagógico.
As discussões nas Rodas de Conversa foram pautadas nas percepções de
professores e alunos sobre a adolescência e sua influência nas relações entre esses
sujeitos. A análise dos dados revelou algumas dificuldades interacionais ligadas à
condição de adolescente que, interpretada como condição de rebeldia, desinteresse
e irresponsabilidade por alguns participantes da pesquisa, origina o distanciamento
entre professor e aluno, impedindo um diálogo mais direto e efetivo no cotidiano
da sala de aula. À luz de considerações de autores como Gatti, Iervolino e Pelicioni
sobre Grupo Focal foram feitas as adaptações para a Roda de Conversa, que,
mesmo realizada com grupos distintos de professor e de alunos, se mostrou um
instrumento eficaz para o estabelecimento de um espaço de diálogo e interação.
Palavras-chave: Roda de Conversa, ensino médio, relação professor/aluno,
diálogo.

Abstract: “Roda de conversa”: a methodological proposal for the


construction of a space for dialogue in high school. The “Roda de Conversa”
is a methodological possibility for a dynamic and productive communication
between teenager students and teachers in high school. This technique is presented
as a rich tool to be used as a methodological practice of approximation between
subjects in everyday teaching. Discussions on “Roda de Conversa” were guided by
the perception of both teachers and students about adolescence and its influence
on the relations between these subjects. Data analysis revealed some interactional
difficulties linked to the teenager condition, interpreted as a condition of rebellion,
irresponsibility and lack of interest by some participants, that generates the
distance between teacher and student, preventing a more direct and effective
dialogue in the daily room class. In light of considerations of authors like Gatti,
Iervolino and Pelicioni on Focus Group, adaptations to “Roda de Conversa”
which, even when performed with different groups of teachers and students,
proved to be an effective instrument for the establishment of an area of dialogue
and interaction..
Keywords: “Roda de Conversa”, high school, teacher/student relationship,
dialogue.

Introdução O presente artigo apresenta a Roda de Conversa


como proposta metodológica com vistas ao

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


32

incremento do diálogo entre professores e alunos materiais e a dos fenômenos sociais, a via dos
no ensino médio. As Rodas de Conversa realizadas fenômenos sociais não se perdesse, sendo
durante a pesquisa da dissertação de mestrado possível a compreensão que pudesse dar sentido
intitulada Construção social do conceito de adolescência e e significado a esse estudo. Nesse sentido, há
suas implicações no contexto escolar possibilitaram que se observar, ainda, alguns questionamentos
algumas reflexões referentes ao cotidiano escolar, que se apresentaram no momento de fazer as
tais como as percepções de professores e alunos escolhas pertinentes aos métodos e instrumentos
sobre a adolescência e a escola, e a relação que melhor se adequariam à pesquisa.
professor/aluno mediante as influências sofridas Como garantir o rigor científico à
pelas percepções destes acerca da adolescência. investigação sem engessá-la para não se correr o
Em outras palavras, o estudo possibilitou a risco de se perder a própria vivência no universo
compreensão da forma como se relacionam que se dispõe desvelar? Como assumir a
professores e adolescentes no cotidiano escolar necessária objetividade da pesquisa científica,
mediante suas percepções sobre a condição sem erigir um muro entre quem pesquisa e os
adolescente. participantes da pesquisa? Como direcionar uma
Durante o desenvolvimento da pesquisa já se pesquisa de campo que almeja a escuta autêntica e
apresentaram os primeiros sinais de que essa espontânea dos professores e alunos, no espaço
técnica utilizada para levantamento de dados escolar, sem estabelecer uma formalidade que
poderia se transformar em uma metodologia de comprometa essa espontaneidade e autenticidade?
trabalho em sala de aula como alternativa para Quais instrumentos de coleta de dados seriam
melhorar a qualidade das relações que se mais adequados aos sujeitos da pesquisa –
estabelecem nos processos de ensino e professores e adolescentes –, a fim de promover
aprendizagem. Mas, mais que uma técnica de uma expressividade real? Como promover um
pesquisa, as Rodas de Conversa abriram espaço para momento de interação entre os sujeitos da
que os sujeitos da escola estabelecessem um pesquisa, para proporcionar uma reflexão
espaço de diálogo e interação, ampliando suas conjunta sobre suas falas? Foram questões como
percepções sobre si e sobre o outro no cotidiano estas que perpassaram a definição dos caminhos
escolar. metodológicos dessa investigação.
No contexto da pesquisa a escolha dessa Frente às tais indagações, algumas opções
técnica – Roda de Conversa – ocorreu foram se delineando mediante os objetivos
principalmente por sua característica de permitir propostos, como a adoção da pesquisa
que os participantes expressem, qualitativa, por compreender que esse tipo de
concomitantemente, suas impressões, conceitos, pesquisa atendia ao propósito de adentrar a
opiniões e concepções sobre o tema proposto, dimensão da ‛linguagem do sentido’, à medida
assim como permite trabalhar reflexivamente as que possibilita “[...] ao investigador verificar
manifestações apresentadas pelo grupo. Para que como as pessoas avaliam uma experiência, ideia
a atmosfera de informalidade e descontração ou evento; como definem um problema e quais
pudesse ser mantida, utilizou-se o termo Roda de opiniões, sentimentos e significados encontram-
Conversa para referir-se aos encontros, pois se se associados a determinados fenômenos”
entende que esse termo é adequado, tanto ao (IERVOLINO; PELICIONI, 2001, p. 116).
ambiente escolar, quanto ao grupo dos alunos. Nessa perspectiva, foram encontradas as
A investigação de um fenômeno social é um respostas às indagações acima mencionadas, bem
desafio maior do que a investigação de um como abriu-se uma via à ampliação das
objeto físico à medida que se busca possibilidades de compreensão das falas e
compreender uma realidade da qual o ser discursos dos participantes da pesquisa. Além
humano é agente. Esse desafio implica, segundo disso, viabilizou-se um espaço interacional em
Ladrière (1991), superar as dificuldades impostas que os participantes da pesquisa – incluindo
pela cientificidade ao longo de sua história e quem pesquisa – puderam refletir sobre o objeto
construir uma ponte entre o ‛esquema da de pesquisa, proporcionando, assim, a
explicação’, que se utiliza da linguagem do construção de novos conceitos, que permitiram,
sistema e o ‛esquema da compreensão’ que se posteriormente, impulsionar mudanças de
utiliza da ‛linguagem do sentido’ (LADRIÈRE, atitudes no meio pesquisado, ou seja, na escola.
1991, p. 10). Há que se considerar, também, que a
Ante o exposto, procurou-se manter o pesquisa em educação investiga fenômenos que,
equilíbrio entre essas duas vias, a dos sistemas por sua vez, são fenômenos sociais repletos de

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


33

questões que perpassam o desenvolvimento das [...] permite compreender processos de


pessoas e das sociedades. A perspectiva da construção da realidade por determinados
pesquisa qualitativa, na ótica de Gatti (2007), grupos sociais, compreender práticas
permite uma visão ‛holística dos fenômenos’, cotidianas, ações e reações a fatos e
eventos, comportamentos e atitudes,
considerando tudo o que o compõe, ou seja,
constituindo-se uma técnica importante
suas ‛interações e influências recíprocas’. Tomá- para o conhecimento das representações,
la como alternativa metodológica pareceu ser o percepções, crenças, hábitos, valores,
caminho mais adequado diante dos propósitos restrições, preconceitos, linguagens e
estabelecidos. simbologias prevalentes no trato de uma
A coleta de dados por meio da Roda de dada questão por pessoas que partilham
Conversa permite a interação entre o pesquisador alguns traços em comum, relevantes para
e os participantes da pesquisa por ser uma o estudo do problema visado. A pesquisa
espécie de entrevista de grupo, como o próprio com grupos focais, além de ajudar na
nome sugere. Isso não significa que se trata de obtenção de perspectivas diferentes
sobre uma mesma questão, permite
um processo diretivo e fechado em que se
ideias partilhadas por pessoas no dia-
alternam perguntas e respostas, mas uma a-dia e dos modos pelos quais os
discussão focada em tópicos específicos na qual indivíduos são influenciados pelos
os participantes são incentivados a emitirem outros (grifo nosso).
opiniões sobre o tema de interesse
(IERVOLINO; PELICIONI, 2001). Entende-se Por sua característica interacional, essa
que as informações produzidas nesse contexto técnica de pesquisa exige cuidados
são de caráter qualitativo, pois as opiniões metodológicos que não devem ser
expressas nessas Rodas de Conversa são ‛falas’ desconsiderados pelo pesquisador, como alerta
sobre determinados temas discutidos pelos Gatti (2005), citando a preocupação em manter
participantes sem a preocupação com o o foco no assunto em pauta, a necessidade de
estabelecimento de um consenso, podendo as conservação de um clima aberto às discussões, o
opiniões convergirem ou divergirem, estabelecimento de um clima de confiança para
provocando o debate e a polêmica. Cabe ao que os participantes se sintam à vontade para
mediador garantir a participação igualitária de expressarem ativamente suas opiniões. Ainda
todos, bem como atender aos critérios de segundo Gatti (2005, p. 13):
estruturação da discussão. Por sua possibilidade
de interação entre os participantes, a técnica da Com esses procedimentos, é possível
Roda de Conversa assume as mesmas reunir informações e opiniões sobre um
características da técnica do grupo focal que é tópico em particular, com certo
definida por Gaskel (2002, p. 79), como: detalhamento e profundidade, não
havendo necessidade de preparação prévia
dos participantes quanto ao assunto, pois
[...] uma ‛esfera pública ideal’, já que se o que se quer é levantar aspectos da
trata de ‛um debate aberto e acessível a questão em pauta considerados relevantes,
todos [cujos] assuntos em questão são de social ou individualmente, ou fazer
interesse comum; as diferenças de status emergir questões inéditas sobre o tópico
entre os participantes não são levadas em particular, em função das trocas efetuadas.
consideração; e o debate se fundamenta
em uma discussão racional’. A pesquisa: o local e seus sujeitos

Essa definição não só dimensiona as A pesquisa foi realizada em uma escola da


possibilidades interativas da Roda de Conversa Rede Pública Estadual de Ensino do município
como expressa uma característica de criar um de Ibaiti – PR, localizada na região central da
espaço de diálogo e de escuta das diferentes cidade. Esta escola funciona em três períodos:
‛vozes’ que ali se manifestam, constituindo-se manhã, tarde e noite; possui mais de mil alunos,
num instrumento de compreensão de processos sendo mais de trezentos do ensino nédio. Nessa
de construção de uma dada realidade por um escola trabalham cerca de cem professores, cinco
grupo específico. Como reforça Gatti (2005, pedagogas e trinta e cinco funcionários de apoio
p.11), essa técnica administrativo. Por sua estrutura e demanda, a
escola é considerada de médio porte.

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


34

Essa escola foi escolhida porque, desde colaboradores não causou inibição nos
2009, a pesquisadora atua nela como participantes da pesquisa, pois, assim que
Coordenadora Pedagógica. Mesmo fazendo começavam a se envolver nas discussões,
parte do quadro de profissionais dessa escola, pareciam se esquecer da presença dos
em atendimento aos aspectos éticos da pesquisa colaboradores e mostravam-se à vontade para
envolvendo seres humanos (BRASIL, 1996), opinar sobre os temas propostos.
seguiu-se o protocolo de inserção no ambiente Vale lembrar que os instrumentos de
de investigação com uma carta de apresentação construção de informações, ou coleta de dados
para a realização da pesquisa, encaminhada à desta investigação, aconteceram em duas etapas,
direção da Instituição, na qual foram explicitados a saber: a primeira etapa do procedimento
os objetivos da pesquisa e o tempo necessário à investigativo constituiu-se de uma pesquisa
sua realização. De posse dessa autorização, documental, realizada com os cadernos de
iniciaram-se as aproximações com os alunos e os registros da equipe pedagógica da escola, arquivo
professores para convidá-los a participarem da privado da Instituição. Esses registros retratam
pesquisa, utilizando para tanto o Termo de situações ocorridas entre professores e alunos no
Consentimento Livre e Esclarecido. ano de 2011 e trazem informações de momentos
Neste estudo os dois grupos para as Rodas de de tensões e conflitos que se estabelecem em
Conversa – grupos de alunos e grupo de sala de aula e que, em muitos casos, demandam a
professores – foram formados, respectivamente, intervenção de um mediador, que pode ser o
por alunos e professores cujos nomes apareciam pedagogo, o diretor ou, em situações mais
nos registros da coordenação pedagógica, pelo graves, o Conselho Tutelar, ou, até mesmo, a
fato de terem solicitado, em algum momento, Patrulha Escolar1. Esses registros conduziram à
intervenção para resolução de conflitos em sala seleção dos participantes da pesquisa à medida
de aula, bem como por alunos cujos nomes não que possibilitaram a identificação de sujeitos que
apareciam nesses registros, mas sugeridos por protagonizaram situações de tensão e conflito no
coordenadores, professores e colegas. decorrer do período letivo.
A escolha de grupos diferentes ocorreu pela Os registros pedagógicos constituíram-se
intenção de confrontar possíveis divergências material para esta pesquisa, pois foram
nas percepções desses sujeitos com relação à sistematizados e utilizados como critério de
adolescência, objeto da investigação da pesquisa, convite para participação e como elementos
pois interessava-nos desvelar se a maneira de geradores dos temas para os debates nos
perceber a adolescência, por parte de professores encontros posteriores. Os registros encontrados
e alunos que, frequentemente, se evolvem em nos cadernos da Coordenação Pedagógica
conflitos e tensões no dia-a-dia da escola, se mostraram-se bastante voltados a questões
diferencia daqueles que, normalmente, não se comportamentais e, em sua grande maioria,
envolvem nessas situações. Isso porque, em descrevem situações de conflitos envolvendo
muitos momentos de mediação de conflitos professores e alunos durante as aulas. Esses
entre professor e aluno ficava latente na fala de registros relatam momentos em que a
professores, e até mesmo de alunos, que o fato coordenadora pedagógica havia sido solicitada a
de ser adolescente justificaria este ou aquele ato comparecer na sala de aula, ou que os
deflagrador do conflito mediado. Era como se a professores e alunos se dirigiam à Coordenação
adolescência estivesse, naturalmente, vinculada a
um tipo de comportamento irresponsável ou até
mesmo agressivo. 1
A Patrulha Escolar pertence ao Programa Patrulha
Escolar Comunitária, implantado em 2003 no estado
Construção das informações do Paraná e consiste em um programa de
assessoramento da Polícia Militar do Paraná (PMPR)
O registro das interações aconteceu por à comunidade escolar no que se refere à segurança.
meio de gravações de áudio e vídeo e de Esse Programa tem como prioridade ações
anotações cursivas de tudo o que acontecia no preventivas e, em segundo plano, ações repressivas
grupo: falas, reações e impressões. Para tanto, foi educativas, tendo sido instituído por meio da Lei
necessário contar com a colaboração de três Estadual nº 15.745 de 20 de dezembro de 2007 e do
Decreto Estadual nº. 2.349 de 19 março de 2008.
envolvidos, além da própria pesquisadora: um
operador de áudio e vídeo, um observador e um
relator. Importante relatar que a presença desses

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


35

Pedagógica em busca de auxílio para alguma alguns momentos das Rodas de Conversa para
situação surgida no decorrer de uma aula. fomentar as discussões.
As situações apresentadas eram as mais Vale considerar que esses registros não serão
variadas como se pode ler em alguns dos relatos discutidos com maior amplitude neste estudo
apresentados na sequência: por não apresentarem relevância para os
objetivos aqui propostos. Ressalta-se que apenas
A professora veio até a coordenação serviram de instrumento de seleção dos
reclamar sobre o comportamento do aluno participantes das Rodas de Conversa, bem como de
(...), alegando que o mesmo se intromete tema gerador das discussões nos grupos.
em assuntos que não são dirigidos a ele.
Quando a professora (...), esclarecia o que
As Rodas de Conversa
deveria ser feito aos outros alunos, ele fez
o gesto de ‛chutar’ para trás, onde deu a
entender que ela seria um cavalo. (Registro Os convites para a participação da pesquisa
da coordenação pedagógica de foram feitos mediante registros previamente
03/03/2011). observados, utilizando dois critérios: a) o
número de vezes em que o nome desses
Outra situação ocorrida na sala de aula e professores e alunos apareciam nos registros da
também levada à Coordenação Pedagógica é a Coordenação Pedagógica, por terem solicitado
relatada abaixo: intervenções para resolução de conflitos; b)
professores e alunos cujos nomes não apareciam
Na aula do professor (...), o aluno (...), registrados nos cadernos da Coordenação. Os
ficou fazendo brincadeiras irônicas com os convidados não tinham conhecimento dos
colegas na sala e irritando verbalmente a critérios utilizados para serem convidados a
aluna (...), fica chamando ela de safada, e participarem da Roda de Conversa.
dizendo que ela tem que morrer, isto ele
Estabeleceram-se esses critérios a fim de
grita, pois cada um fica em um extremo da
sala (Registro de 25/03/2011, assinado desvelar se havia divergência acerca da
por quinze alunos da turma). percepção de adolescência entre grupos que
apresentam, nas aulas, comportamentos
A próxima situação apresentada exigiu a condizentes com o discurso sobre a
presença da coordenadora pedagógica na sala de adolescência, e grupos que apresentam um
aula para acalmar a todos e normalizar o comportamento diferente do ‛supostamente
ambiente, a fim de que a aula pudesse acontecer. esperado’ (MELO, 2013) para o adolescente.
Foi a seguinte: Assim sendo, era fundamental para os objetivos
desta pesquisa que alunos e professores sem
O aluno (...) relatou que o colega (...) deu registros de conflitos na Coordenação
um tapa em sua cabeça e na agenda do (...), Pedagógica também participassem dos debates e
que acertou o braço da professora (...). pudessem expressar suas concepções sobre a
Eles estavam conversando e rindo alto adolescência.
durante a aula, atrapalhando a professora Os contatos com os alunos foram rápidos e
(Registro de 11/05/2011). fáceis, pois eles se mostraram receptivos e
curiosos com o que aconteceria no grupo.
Esses registros se alternam entre Ficaram entusiasmados com a possibilidade de
brincadeiras com bolinhas de papel, participarem de uma ‛discussão’. O mesmo não
agressividades físicas e verbais contra colegas e aconteceu entre os professores. A primeira
professores, recusa de o aluno realizar as dificuldade foi em relação ao convite: as
atividades propostas pelos professores, alunos professoras que mais apresentavam registros de
dormindo na carteira, utilização do telefone queixas de alunos nos cadernos da Coordenação
celular durante a aula, desrespeito com colegas e Pedagógica não aceitaram participar da Roda de
professores, conversas e risadas no momento em Conversa, alegando falta de tempo e até mesmo
que o professor está explicando o conteúdo da “não ter mais idade para isso”, como disse em
disciplina, entre outros. Essas situações, que tom de brincadeira uma delas. A falta de tempo e
eram relatadas por professores e alunos e até de indisponibilidade foi a justificativa mais
mesmo verificadas in loco na qualidade de presente para o declínio ao convite.
coordenadora pedagógica, foram utilizadas em Após algumas conversas, quatro professores,
que atendiam aos critérios previamente

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


36

estabelecidos, aceitaram participar das Rodas de semana. Então, foi perguntado aos professores,
Conversa, duas das quais sob a condição de que os sujeitos desta pesquisa, se aceitariam permanecer
encontros acontecessem em horários que elas na escola nesse dia para a realização da primeira
estivessem na escola; os outros dois professores Roda de Conversa; todos aceitaram. Nesse mesmo
disseram que não se importariam de comparecer dia, mais uma professora se juntou ao grupo,
em outro horário. Assim, entramos em contato sendo esta uma das professoras mais jovens que
com a direção da escola e pedimos autorização compõem o quadro docente da escola. A
para realizarmos os encontros do grupo nos referida professora se mostrou interessada no
momentos de hora-atividade dos professores que estava sendo proposto pela pesquisa.
que haviam aceitado participar da pesquisa. Para Os grupos ficaram constituídos, então por
viabilizar os encontros, fez-se uma análise do seis professores e seis alunos que aceitaram
quadro de horário de aulas do período matutino participar voluntariamente da Roda de Conversa,
– que era mais viável naquele momento – instrumento de construção de dados eleito para
mediante o qual, pode-se, com a ajuda da equipe este estudo. O número de participantes dos
pedagógica da escola, adequar os horários de grupos seguiu a organização proposta para o
hora-atividade2 dos quatro professores que Grupo focal, que sugere entre seis e15
participariam da Roda de Conversa, fazendo-os participantes. Para efeitos de conservação do
coincidir com as datas agendadas para os sigilo e preservação da identidade dos
encontros. A partir de então ficaram agendados participantes da pesquisa, foi utilizada uma
os encontros da seguinte forma: dois encontros codificação dos sujeitos para a referência aos
com professores e dois encontros com alunos, professores e alunos com as letras “P” e “A”,
com intervalo de uma semana entre cada respectivamente, seguidas por números de um a
encontro. Essa organização foi feita de acordo seis, correspondente ao número de participantes
com a disponibilidade dos participantes e da de cada grupo. Assim, a codificação passou a ser
própria escola. P1, P2, P3, P4, P5 e P6, para identificar os
No dia marcado para o primeiro encontro, professores; e A1, A2, A3, A4, A5 e A6, para
que seria realizado após o intervalo do período identificar os alunos. Também para identificar
matutino, logo no início da manhã, recebemos o melhor os grupos, cada Roda de Conversa foi
telefonema da coordenadora pedagógica identificada por uma letra correspondente ao
comunicando-nos que não seria possível sujeito participante, sendo Roda de Conversa “A”,
realizarmos o encontro naquele dia, pois a escola para o grupo formado por alunos; e Roda de
estava tendo problemas de ausência de Conversa “P”, para o grupo formado por
professores e faria uma reorganização de professores. Cada Roda de Conversa teve uma
horários dos professores que estariam em hora- duração média de uma hora e meia, também
atividade para solucionar o problema. Os seguindo a orientação da técnica do Grupo focal
professores que participariam da Roda de Conversa (IERVOLINO; PELICIONI, 2001).
teriam de ir para a sala de aula para substituir A primeira Roda de Conversa constante desta
colegas que haviam faltado3. pesquisa aconteceu no período matutino, da qual
A pesquisadora foi até à escola nessa mesma participaram os seis alunos convidados, a
manhã para tentar agendar outra data e acabou pesquisadora, um operador de gravação, um
se deparando com a seguinte situação:, durante observador e uma relatora. A sala utilizada foi a
o intervalo os professores se reuniram para sala de vídeo da escola, que se trata de uma sala
conversar sobre um protesto que haveria na de aula adaptada para esse fim, sendo um espaço
escola na semana seguinte, quando as aulas amplo com muitas carteiras dispostas em filas.
seriam de 30 minutos em um determinado dia da Para dar um clima de proximidade, as cadeiras
foram organizadas em um círculo pequeno no
2 Hora-atividade, de acordo com a Lei de Diretrizes e qual os sujeitos da pesquisa se posicionaram para
Bases da Educação Nacional, n. 9.394/96, em seu a conversa.
artigo 67, inciso VI, constitui-se de uma percentagem Iniciamos a conversa dando boas-vindas a
da carga-horária semanal dos professores dedicada a todos, agradecendo-lhes pela participação. Foi-
estudos, planejamentos e avaliação. lhes informado novamente (pois isso já havia
sido feito individualmente, no momento do
3 Apesar de fazer parte do quadro de professores convite) o motivo do encontro. Também
desta escola, durante a realização da pesquisa, a solicitamos a autorização de todos para que a
pesquisadora se encontrava afastada da função para conversa fosse gravada e filmada, garantindo o
dedicar-se ao Mestrado.

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


37

sigilo de tudo o que seria dito, e, ainda, participantes, as quais precisavam ser mediadas
tranquilizando-os em relação à utilização desses com certa habilidade.
registros. Em seguida, sempre procurando deixar A primeira Roda de Conversa com os
todos à vontade, foram apresentadas as ‛regras’ professores, depois de superadas as dificuldades
da conversa, pedindo-lhes que tomassem o relatadas anteriormente, aconteceu em uma sala
cuidado de não falarem todos ao mesmo tempo, de aula pequena da escola, destinada ao
para que fosse possível o registro do que estava atendimento para pequenos grupos, e seguiu a
sendo dito. A princípio, os alunos estavam um mesma dinâmica utilizada com os alunos.
pouco constrangidos e desconfiados, mas aos Estavam presentes os seis professores
poucos alguns foram se soltando e participando convidados, a pesquisadora, o observador e o
da conversa com desenvoltura; outros ainda operador de gravação. Nesse encontro não foi
permaneceram tímidos e só falavam quando possível contar com a presença da relatora,
eram muito incentivados pela mediadora, no todavia não houve prejuízo em relação aos
caso a pesquisadora. registros, já que tínhamos o vídeo, o áudio e os
No decorrer da conversa, os alunos se registros do observador.
mostraram tranquilos e aparentemente à Inicialmente, foi explicado o objetivo da
vontade. Apenas dois alunos estavam um pouco pesquisa e solicitados a autorização para a
mais resistentes ao diálogo: a aluna A1, dando gravação e o registro da conversa. Na sequência,
um ar formal às suas respostas e o aluno A5, deu-se início às provocações para as discussões
muito quieto, parecia ficar observando as entre os professores, abordando os mesmos
respostas e precisava ser sempre incentivado temas discutidos com os alunos e que são alvos
pela pesquisadora para emitir sua opinião sobre de interesse nesta pesquisa.
o assunto que estava sendo discutido. Nessa Mediar o grupo dos professores se mostrou
primeira Roda de Conversa com os alunos, os uma tarefa mais complexa do que mediar o
temas discutidos foram: escola, aulas, grupo de alunos, pois o grupo apresentou maior
professores e adolescência. As falas dos alunos, dificuldade em manter a discussão focada no
nesse primeiro contato, deram o direcionamento tema proposto e também houve a dificuldade
para o encontro seguinte, que ocorreu no relativa ao fato de um ou outro participante
intervalo de duas semanas, seguindo a mesma tentar monopolizar a conversa, o que tornava
organização anterior. Esse intervalo de duas um pouco mais difícil a mediação. As falas deste
semanas para a realização dos encontros primeiro encontro, a exemplo do que ocorreu no
aconteceu por conta da organização dos encontro com os alunos, também foram
próprios professores e da escola, posto que os utilizadas para direcionar as discussões do
professores preferiam que os encontros encontro seguinte, a fim de aprofundar as
acontecessem durante as horas-atividade, como discussões.
anteriormente exposto. Também a definição de O segundo encontro para a Roda de Conversa
dois encontros foi feita com os participantes, com os professores foi um pouco mais difícil de
pois estes demonstravam preocupação em articular, pois vários adiamentos aconteceram,
assumir um compromisso por um tempo mais atrasando o cronograma inicialmente proposto.
longo e não terem disponibilidade para tanto. Os motivos para os adiamentos variaram desde
A alteração sofrida na segunda Roda de paralisação dos professores da rede estadual de
Conversa com os alunos foi a ausência de dois ensino, incompatibilidade de agenda dos
alunos, A5 e A6, que, por motivos particulares, participantes a necessidade de reorganização de
não puderam participar do encontro horário na escola. Finalmente a segunda Roda de
previamente agendado. A dificuldade sentida por Conversa foi realizada sem a participação de duas
parte da pesquisadora na tarefa de mediação com professoras – a professora de Matemática (P4) e
esse grupo foi no sentido de manter os a professora de História (P3), que, por motivos
participantes focados no tema da discussão, pois particulares, haviam faltado nesse dia. Portanto o
suas falas, às vezes, se direcionavam por segundo encontro contou com a participação de
caminhos que divergiam da proposta inicial. apenas quatro professores em vez dos seis que
Mesmo assim, procurou-se aproveitar ao formaram a primeira Roda de Conversa. A equipe
máximo as falas e sempre redirecionar o grupo de registro, a partir de agora não contava mais
para os temas apresentados. Em alguns com a presença da relatora, pois os instrumentos
momentos, surgiam divergências entre os de gravação de áudio e vídeo, somados aos

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


38

registros do observador, atendiam às Esta pesquisa possibilitou identificar a


necessidades da pesquisa. relevância da técnica utilizada para a
O principal tema discutido nesse encontro coleta/construção dos dados, denominada de
foi a relação professor/aluno, pois as discussões Roda de Conversa, à medida que oportunizou aos
do encontro anterior não se aprofundaram neste professores e alunos um momento de discussão,
tema e, portanto, não tínhamos informações interação e reflexão, itens desejados na relação
consistentes sobre o assunto, daí a necessidade professor/aluno e tidos como distantes no
de retomá-lo. Os professores estavam mais à cotidiano escolar, segundo os participantes da
vontade no segundo encontro, e se mostraram pesquisa.
mais ‛falantes’ e descontraídos. Sempre se Por meio das provocações erigidas nas Rodas
posicionavam sobre o que o colega dizia, de Conversa, a fim de desvelar as percepções sobre
concordando, discordando e apresentando os conceitos de adolescência, foi possível
situações que exemplificavam algum ponto de promover diversas reflexões sobre a relação
vista expressado. Houve maior facilidade na professor/aluno no contexto escolar. Todos
mediação do grupo, pois a conversa fluía entre puderam expressar livremente suas inquietações
os participantes sem preocupação; em momento e expectativas num clima de informalidade e, ao
algum se percebeu, como no encontro anterior, mesmo tempo, de seriedade. A experiência de
o monopólio da palavra por parte de alguns sentir-se protagonista do cotidiano escolar foi
participantes. vivenciada pelos participantes, à medida que suas
A realização da Roda de Conversa apresentou falas expressavam verdades pertencentes não
um desafio desde o momento dos convites até apenas a si mesmos, mas a seus pares, conforme
sua efetivação. A maneira como a pesquisadora descobriam no decorrer das discussões. O
passou a ser vista no próprio ambiente de contentamento e a satisfação em relação a essas
trabalho, que até então era de absoluta descobertas puderam ser percebidos ao final de
familiaridade, foi substituída por um clima de cada encontro, quando professores e alunos
reserva e desconfiança. A perspectiva de ser expressavam o desejo de que a Roda de Conversa
‛investigado’ parece trazer certo desconforto ao acontecesse com mais frequência na escola.
ambiente docente. Um tratamento mais formal Foi possível, ainda, vislumbrar tal
toma corpo onde antes havia total informalidade metodologia sendo utilizada como proposta de
e descontração. A preocupação, por parte de ferramenta pedagógica, bem como proposta de
alguns professores, em dizer o que é correto, ou formação continuada de professores, reuniões
o que se aproxima do ideal, do esperado, para pedagógicas e conselhos de classe, uma vez que
essa ou aquela resposta, com base em teorias o diálogo se estabelece e possibilita compreender
educacionais que sustentam (ou deveriam que a reflexão individual não se desenvolve sem
sustentar) a prática pedagógica, ficou muito o crescimento de comunidades críticas. Assim, a
visível em alguns momentos. Há que se registrar reflexão capaz de levar à compreensão e
que a pesquisadora trabalha como coordenadora reelaboração de conceitos e conhecimentos
pedagógica com os participantes da pesquisa e encontra na Roda de Conversa um espaço
interage com eles no cotidiano da escola. privilegiado para seu desenvolvimento. Espaço
Portanto, as práticas do dia a dia dos professores esse que pode contribuir para a articulação entre
lhe são familiares, o que lhe permite fazer experiências pessoais e profissionais, gerando em
inferências como esta aqui descrita. seus participantes uma postura de maior
disponibilidade ao enfrentamento das questões
Considerações finais presentes no cotidiano escolar. A Roda de
Conversa, mais que um instrumento de coleta de
Adentrar os caminhos da pesquisa científica dados, mostrou-se um eficiente espaço de
para compreender aquilo que incomoda é uma reflexão, capaz de promover avanços nas
forma de ‛encarar a realidade sem preconceitos’ relações que se estabelecem no cotidiano escolar.
e a ela resistir, como bem lembra Arendt (1990). Vale ressaltar que a utilização da Roda de
Nessa perspectiva, o estranhamento de uma Conversa com alunos já havia sido realizada na
situação tida como natural é o início de um prática pedagógica da pesquisadora no âmbito da
processo de compreensão que somente se educação infantil, como momento de contar
finalizará após a descoberta das possibilidades de histórias, tomar decisões em conjunto, ouvir os
transformação da situação que lhe deu origem. alunos e promover reflexões sobre as relações
que se estabeleciam entre os pequeninos. Diante

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.


39

disso, entende-se que, se é possível estabelecer vivenciado por qualquer outra pessoa do
esse espaço na educação infantil, certamente é planeta”.
possível consolidá-lo nas demais etapas
escolares. Para tanto, há que se refletir sobre a
Referências
disponibilidade de ouvir o outro, o que não é
comum no cotidiano da escola; também, é ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. 5.
necessário refletir sobre o distanciamento que se ed. São Paulo: Perspectiva, 1990.
impõe aos espaços de diálogo na escola à medida
que o grau de escolaridade avança, quando BRASIL. Comissão Nacional de Ética em
deveria ser exatamente o contrário. Não deveria Pesquisa. Brasília: Ministério da Saúde, 1996.
ser motivo de estranhamento uma Roda de
Conversa, um espaço de diálogo e reflexão no CRUZ, G. de C. Sobre a pesquisa no campo
interior da escola, como aconteceu inicialmente das ciências humanas/sociais. Comunicação
com esta pesquisa, pois a escola deveria ser, por pessoal. Irati, dezembro de 2012.
excelência, o privilegiado espaço de diálogo, o
verdadeiro diálogo onde todos podem falar e GASKEL, G. Entrevistas individuais e grupais.
serem ouvidos, para que possam assumir uma In: GASKEL, G.; BAUER, M. W. (Org).
participação ativa no cotidiano escolar. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e
Para finalizar, importa considerar os som. Um manual prático. Petrópolis: Vozes,
caminhos (e até descaminhos) tomados por esta 2002. p. 64 – 89.
pesquisa ao longo de seu desenvolvimento.
Caminhos que, por se alternarem entre idas e GATTI, B. A. Grupo focal na pesquisa em
vindas perante os objetivos iniciais da pesquisa, Ciências Sociais e Humanas. Brasília: Liber
permitiram compreender a essência do Livros, 2005.
pensamento de Gonzalez Rey (1997). Esse autor
defende a superação dos limites rígidos impostos ______. A construção da pesquisa em
pelas relações hierarquizadas comumente Educação no Brasil. Brasília: Liber Livros,
assumidas nas pesquisas, promovendo um 2007.
engessamento da ação do pesquisador e inibindo
a própria compreensão da realidade investigada. GONZALEZ REY, F. L. Epistemologia
Esses direcionamentos e redirecionamentos cualitativa y subjetividade. São Paulo: EDU,
assumidos nesta pesquisa permitiram manter a 1997.
interação com a realidade investigada e
compreendê-la como algo vivo e dinâmico que IERVOLINO, S. A.; PELICIONI, M. C. F. A
se move e se modifica constantemente, utilização do grupo focal como metodologia
inviabilizando uma constatação de dados qualitativa na promoção da saúde. Revista
estáticos e definitivos (nesse sentido a utilização Escola de Enfermagem. USP, v. 35, n. 2,
do termo coleta/construção de dados). À p.115-21, jun. 2001.
medida que os dados foram sendo construídos
nas Rodas de Conversas, novos aspectos do tema LADRIÉRE, J. Prefácio. In: BRUYNE, P. de;
investigado foram se desvelando aos HERMAN, J.; SCHOUTHEETE, M. de.
participantes da pesquisa e apontando os vieses Dinâmica da pesquisa em ciências sociais.
possíveis para a compreensão da realidade e para Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991, p. 9-22.
necessárias superações. Assumir a importância
da subjetividade nas pesquisas educacionais e MELO, M. C. H. de. Construção social do
adotar uma postura de pesquisadora que conceito de adolescência e suas implicações
pertence ao universo investigado, que se junta a no contexto escolar. 2013. 110f. Dissertação
seus pares para compreender a realidade à qual (Mestrado em Educação)-Universidade Estadual
pertencem, é condição sine qua non para o avanço de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2013.
nas pesquisas em educação. Nessa ótica, apoio a
afirmativa de Cruz (2012) de que “[...] ou nos
recolhemos às explicações pré-existentes ou
assumimos, principalmente no âmbito das Recebido em: 21/10/2013
ciências humanas e sociais, o risco de lidar de Aceito em: 18/03/2014
modo franco com aquilo que ainda não foi

MELO, M. C. H. de; CRUZ, G. de C. Imagens da Educação, v. 4, n. 2, p. 31-39, 2014.