PENAL V MARIA DA PENHA - LEI 11340/06 COMENTÁRIOS- PROFESSORA MARÍLIA

1- VIOLÊNCIA DE GÊNERO?
Violência de gênero é o conceito mais amplo, abrangendo vítimas como mulheres, crianças e adolescentes de ambos os sexos. No exercício da função patriarcal, os homens detêm o poder de determinar a conduta das categorias sociais nomeadas, recebendo autorização ou, pelo menos, tolerância da sociedade para punir o que se lhes apresenta como desvio. Ainda que não haja nenhuma tentativa, por parte das vítimas potenciais, de trilhar caminhos diversos do prescrito pelas normas sociais, a execução do projeto de dominaçãoexploração da categoria social homens exige que sua capacidade de mando seja auxiliada pela violência. Com efeito, a ideologia de gênero é insuficiente para garantir a obediência das vítimas potenciais aos ditames do patriarca, tendo este necessidade de fazer uso da violência

2- POR QUE LEI “MARIA DA PENHA”?
Maria da Penha Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A farmacêutica Maria da Penha, que dá nome à lei contra a violência doméstica. Maria da Penha Maia Fernandes é uma biofarmacêutica brasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Com 60 anos e três filhas, hoje ela é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica. Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada pelo presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Maria da Penha, na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.

História Em 1983, seu ex-marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez atirou contra ela, simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica. Nove anos depois, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. Solto em 2002, hoje está livre. O episódio chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica. Hoje, Penha é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no Ceará. Estava presente à cerimônia da sanção da lei brasileira, que leva seu nome, junto aos demais ministros e representantes de movimentos feministas. A nova Lei reconhece a gravidade dos casos de violência doméstica, e retira dos juizados especiais criminais (que julgam crimes de menor potencial ofensivo) a competência para julgálos. Em artigo publicado em 2003, a advogada Carmem Campos apontava os vários déficits desta prática jurídica, que, na maioria dos casos, gerava arquivamento massivo dos processos, insatisfação das vítimas e banalização da violência doméstica.

3- APLICABILIDADE DA LEI
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.

Lei Maria da Penha para homem ameaçado Por Jefferson Maglio 30 de October de 2008 O juiz titular do Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá, Mário Roberto Kono de Oliveira, determinou de maneira inovadora a aplicação de medidas protetivas de urgência em favor de um homem que vem sofrendo constantes ameaças da ex-companheira depois do fim do relacionamento. Para o magistrado, há elementos probantes mais do que suficientes para demonstrar a necessidade de se deferir as medidas protetivas de urgência requeridas, aplicando assim, por analogia, o que estabelece a Lei 11.340/2006,

o juiz Mário Kono assinalou. Segundo magistrado.. http://protocolojuridico. O autor requereu a aplicação da Lei nº 11. é óbvio que tal aplicação é perfeitamente válida quando o favorecido é a própria vítima de um crime”. não quer dizer que não poderia aplicála in bonam partem. E compete à Justiça fazer o seu papel de envidar todos os esforços em busca de uma solução de conflitos. se podemos aplicar a analogia para favorecer o réu. incluindo sua moradia e local de trabalho. e-mail ou qualquer outro meio direto ou indireto. Reconhecendo a necessidade premente e incontestável da Lei Maria da Penha. pedido de exame de corpo de delito. que chegaram a tentar contra a vida de seu ex-consorte. segundo o magistrado. no caso do descumprimento.mais conhecida como Lei Maria da Penha. Na decisão.340/2006. psicológica. “por sentimentos de posse e de fúria que levam a todos os tipos de violência. psicológicas e financeiras por parte da ré. por pura e simplesmente não concordar com o fim de um relacionamento amoroso”. “Ora. o autor afirmou que vem sofrendo agressões físicas. Por outro lado. diga-se: física. embora em número consideravelmente menor. que consistiu em trazer segurança à mulher vítima de violência doméstica e familiar. conhecida como Lei Maria da Penha.br/index. No pedido. formulado nos autos da Ação nº 1074/2008. o juiz advertiu que. A decisão judicial determinou que a ré deve se abster de se aproximar do autor a uma distância inferior a 500 metros. “É sim.php?option=com_content&task=view&id=462&Itemid=9 4. Já fui obrigado a decretar a custódia preventiva de mulheres ‘à beira de um ataque de nervos’. em busca de uma paz social”. o juiz Mário Kono de Oliveira admitiu que. ou seja. a ré pode ser enquadrada pelo crime de desobediência e até mesmo ser presa.. quando se trata de norma incriminadora. citando vários doutrinadores. Não há pena sem prévia cominação legal”. o magistrado enfatizou que o homem não deve se envergonhar em buscar socorro junto ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo vítima. que se não se pode aplicar a analogia in malam partem (contra o réu). Ele instruiu o pedido com vários documentos. Na mesma decisão. moral e financeira”. como registro de ocorrência.). por analogia. prevista no Código Penal em seu artigo 1º: “Não há crime sem lei anterior que o defina. nota fiscal de conserto de veículo avariado pela ex-companheira e diversos e-mails difamatórios e intimidatórios enviados por ela. já que não procura o homem/vítima se utilizar de atos também violentos como demonstração de força ou de vingança. existem casos em que o homem é quem vem a ser vítima. ressaltou. já que inexiste lei similar a ser aplicada quando o homem é vítima de violência doméstica. a lei penal não pode ser aplicada por analogia porque fere o princípio da reserva legal.FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CAPÍTULO II DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR . “Por algumas vezes me deparei com casos em que o homem era vítima do descontrole emocional de uma mulher que não media esforços em praticar todo o tipo de agressão possível (. ato de sensatez. seja por telefonema. e que se abstenha de manter qualquer contato com ele. em favor do réu quando não se trata de norma incriminadora.com.

manipulação.do seu domicílio ou de sua residência. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno.a violência sexual. e pelos Estados. 15. suborno ou manipulação. por opção da ofendida. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal. mediante ameaça. II . que a induza a comercializar ou a utilizar. no Distrito Federal e nos Territórios. É competente. * CRIME DOLOSO CONTRA VIDA. à gravidez. crenças e decisões.do domicílio do agressor. insulto. para o processo. entre outras: I . ao aborto ou à prostituição. chantagem. a sua sexualidade.CONTRA A MULHER Art. o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal. III . de qualquer modo. vigilância constante. comportamentos. valores e direitos ou recursos econômicos.a violência patrimonial. perseguição contumaz. 14. ameaça. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. IV . que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio. exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. entendida como qualquer conduta que configure calúnia. Parágrafo único. humilhação. III .COMPETÊNCIA DO JÚRI? . 5. entendida como qualquer conduta que configure retenção. difamação ou injúria. V . II . coação ou uso da força. constrangimento. bens. chantagem. Art. entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar. isolamento.a violência moral. ridicularização. mediante intimidação. poderão ser criados pela União. subtração. entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações.do lugar do fato em que se baseou a demanda. a manter ou a participar de relação sexual não desejada.a violência física. o Juizado: I . mediante coação. conforme dispuserem as normas de organização judiciária. documentos pessoais.COMPETÊNCIA PARA PROCESAR E JULGAR CRIMES PRATICADOS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER Art. incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.a violência psicológica. para os processos cíveis regidos por esta Lei. instrumentos de trabalho. destruição parcial ou total de seus objetos.

§ 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia. CONSTRANGIMENTO. 18.comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. Art. conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz. (HC 121. caberá ao juiz.determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária. Estabelecendo a Lei de Organização Judiciária local que cabe ao Juiz-Presidente do Tribunal do Júri processar os feitos de sua competência. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas: I . II .MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA CAPÍTULO II DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA Seção I Disposições Gerais Art.214/DF. de seus familiares e de seu patrimônio. 19. 1. mesmo antes do ajuizamento da ação penal. JUIZADO ESPECIAL. Rel. § 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato. 2. a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. encaminhando-se os autos para o 1º Tribunal do Júri de Ceilândia/DF. por crime doloso contra a vida .que corre perante o Juizado Especial Criminal. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. DJe 08/06/2009) 6. COMPETÊNCIA. julgado em 19/05/2009. sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados. quando for o caso. SEXTA TURMA. devendo este ser prontamente comunicado. foro competente para processar e julgar o feito. independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público. ouvido o Ministério Público.PROCESSO PENAL. se entender necessário à proteção da ofendida. é nulo o processo.conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência. III . § 3o Poderá o juiz. . Recebido o expediente com o pedido da ofendida.mesmo que em contexto de violência doméstica .RECONHECIMENTO. Ordem concedida para anular o processo a partir do recebimento da denúncia.

encontrando-se o agressor nas condições mencionadas no caput e incisos do art. Parágrafo único. especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão. devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público.afastamento do lar. § 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor. . domicílio ou local de convivência com a ofendida. c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida. corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas. Art.suspensão da posse ou restrição do porte de armas. II . a qualquer momento. § 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência. seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação. 20. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor.Art. V . III . as seguintes medidas protetivas de urgência.restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores. entre as quais: a) aproximação da ofendida. ao agressor. o juiz poderá aplicar. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. poderá o juiz requisitar. 22. conforme o caso. IV . entre outras: I . b) contato com a ofendida. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar. se sobrevierem razões que a justifiquem. decretada pelo juiz. de 22 de dezembro de 2003. o juiz comunicará ao respectivo órgão. com comunicação ao órgão competente. Parágrafo único. de seus familiares e das testemunhas.proibição de determinadas condutas. verificar a falta de motivo para que subsista. de imediato.826. nos termos da Lei no 10. de ofício. no curso do processo. fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. bem como de novo decretá-la. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se.826. em conjunto ou separadamente. 6o da Lei no 10.prestação de alimentos provisionais ou provisórios. sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público. sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. Seção II Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor Art. sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência. nos termos desta Lei. caberá a prisão preventiva do agressor. § 2o Na hipótese de aplicação do inciso I. de 22 de dezembro de 2003. auxílio da força policial. 21. ficando o superior imediato do agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial.

determinar o afastamento da ofendida do lar.restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida. III . quando necessário. liminarmente. III .AÇÃO PENAL E REPRESENTAÇÃO Determinação no art. 41. as seguintes medidas.suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor. 8. independentemente da pena prevista. 24. no que couber. salvo expressa autorização judicial. dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. Art.§ 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo.869. de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). IV . 23. o juiz poderá determinar. mediante depósito judicial.determinar a separação de corpos. não se aplica a Lei no 9.encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento.determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. IV . sem prejuízo de outras medidas: I .prestação de caução provisória. Seção III Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida Art. venda e locação de propriedade em comum. 88 da Lei 9099/95 Art. Poderá o juiz.099. II .proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher. de 26 de setembro de 1995. 88. o disposto no caput e nos §§ 5o e 6º do art.IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 9099/95 Art. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial. 7. Parágrafo único. II . sem prejuízo dos direitos relativos a bens. 461 da Lei no 5. após afastamento do agressor. guarda dos filhos e alimentos. entre outras: I . MARIA DA PENHA . Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo.

QUE DISPÕE SER CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO O REFERIDO CRIME. Ordem denegada. CUJO ÚNICO PROPÓSITO É A RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO. INEXIGIBILIDADE DE RIGORES FORMAIS. resta inaplicável. in casu. 1. TESE DE FALTA DE CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE.Art. 3. PLEITO DE CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DO SURSIS PROCESSUAL. QUINTA TURMA. a Lei n. interpretando o art. LEI MARIA DA PENHA.11. como evidenciado. 16. a previsão de que dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de . Art. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. DJe 08/09/2009) PROCESSO PENAL.º 9. em toda sua extensão. INEQUÍVOCA MANIFESTAÇÃO DE VONTADE DA VÍTIMA. IMPOSSIBILIDADE. (HC 130. que dispõe não serem aplicáveis aos crimes nela previstos a Lei dos Juizados Especiais. Por força do disposto no art. VALIDADE COMO EXERCÍCIO DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO. bastando a inequívoca manifestação de vontade da vítima ou de seu representante legal no sentido de que se promova a responsabilidade penal do agente. Rel. 1. HABEAS CORPUS. JANE SILVA. NÃO OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 9. prescinde de rigores formais. NÃO-INCIDÊNCIA DA LEI N. Rel. É vedada a aplicação.276/DF. já resolveu que a averiguação da lesão corporal de natureza leve praticada com violência doméstica e familiar contra a mulher independe de representação. de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária. 17. Ministra LAURITA VAZ. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO. Se está na Lei 9. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. Min. 41 da Lei 11. DJU 24. COM ISSO.099/95. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz. CRIME DE LESÃO CORPORAL LEVE. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA NÃO-DESIGNAÇÃO DA AUDIÊNCIA PREVISTA NO ART. Para esse delito. 41 da Lei n. com a notitia criminis levada à autoridade policial. 16 DA LEI MARIA DA PENHA. PÚBLICA INCONDICIONADA.340/06.08).099/95.099/90. 88. OFERECIMENTO DE NOTITIA CRIMINIS PERANTE A AUTORIDADE POLICIAL.050. ORDEM DENEGADA.340/06.º 9. DE SEU ART. PARECER MINISTERIAL PELA CONCESSÃO DO WRIT. que regula os Juizados Especiais. condição de procedibilidade exigida nos crimes de ação penal pública condicionada. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. A representação.099/95 E. Esta Corte. LESÃO CORPORAL LEVE PRATICADA COM VIOLÊNCIA FAMILIAR CONTRA A MULHER. julgado em 13/08/2009.º 11. 1. materializada no boletim de ocorrência. em audiência especialmente designada com tal finalidade.AFASTA A LEI 9099/95 INTEGRALMENTE HABEAS CORPUS. 2. bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. 2.000/SP. PRECEDENTES. a Ação Penal é incondicionada (REsp.

4. julgado em 05/03/2009. baseado em princípios de conciliação e transação. bem como de novo decretá-la. SEXTA TURMA. § 9º do CP). Outro entendimento contraria a nova filosofia que inspira o Direito Penal. não há como cogitar qualquer nulidade decorrente da não realização da audiência prevista no art. 313.340. se sobrevierem razões que a justifiquem..340/06. inviável a pretensão de aplicação daquela regra aos crimes cometidos sob a égide desta Lei. Rel. 1. em que pese o parecer ministerial em contrário. 20. Isto significa que a ação penal. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se.POSSIBILIDADE DE PRISÃO PREVENTIVA MARIA DA PENHA Art.340/06 é claro ao autorizar a retração.se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher.lesões corporais e lesões culposas (art. CPP Art. Possibilidade de retratação da representação. cujo único propósito é a retratação. no curso do processo. Parágrafo único. Extinção da punibilidade pela decadência. de 2006) . (HC 91.608/MG. O art.) IV . será admitida a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos: (Redação dada pela Lei nº 6. Ordem denegada. 16 do Lei nº 11. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. 129. na espécie.416.. Ação penal dependente de representação. caberá a prisão preventiva do agressor. verificar a falta de motivo para que subsista. DJe 13/04/2009) PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO Lei Maria da Penha. (Incluído pela Lei nº 11. Rel. com o objetivo de humanizar a pena e buscar harmonizar os sujeitos ativo e passivo do crime. julgado em 19/02/2009. QUINTA TURMA. de ofício. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal.540/MS. p/ Acórdão Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP). Em qualquer das circunstâncias. 88) e a Lei Maria da Penha afasta a incidência desse diploma despenalizante. 16 da Lei 11. Ministro OG FERNANDES. de 24. Delito de lesões corporais de natureza leve (art. 3. previstas no artigo anterior. para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. 2. DJe 03/08/2009) 9.5. nos termos da lei específica.1977) (. Rel. (HC 113. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. Ante a inexistência da representação como condição de procedibilidade da ação penal em que se apura lesão corporal de natureza leve. decretada pelo juiz. é dependente de retratação. mas somente perante o juiz.

à segurança. e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. à liberdade. nos termos do § 8o do art. preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral. e dá outras providências. ao respeito e à convivência familiar e comunitária. à dignidade. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher. nível educacional. goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. crueldade e opressão. discriminação. 226 da Constituição Federal. etnia. independentemente de classe. Art. ao acesso à justiça. idade e religião. renda. sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência. Art. ao esporte. intelectual e social. o Código Penal e a Lei de Execução Penal. à moradia. . Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. à cidadania. ao trabalho.340. raça. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. 3o Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil. 226 da Constituição Federal. orientação sexual. dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.10-A LEI NA ÍNTEGRA Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 11. cultura. ao lazer. à alimentação. à cultura. nos termos do § 8o do art. exploração. violência. da Convenção Interamericana para Prevenir. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: TÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. altera o Código de Processo Penal. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir. à educação. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. 2o Toda mulher. dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. § 1o O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência. à saúde. DE 7 DE AGOSTO DE 2006.

as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. insulto. crenças e decisões. compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados. 5o Para os efeitos desta Lei. comportamentos.a violência física. Art. à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos enunciados no caput. configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte. com ou sem vínculo familiar. manipulação. chantagem. constrangimento. perseguição contumaz. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. CAPÍTULO II DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER Art. III .a violência psicológica. II . 4o Na interpretação desta Lei. ridicularização. independentemente de coabitação. inclusive as esporadicamente agregadas. isolamento. serão considerados os fins sociais a que ela se destina e. vigilância constante.em qualquer relação íntima de afeto. mediante ameaça. por afinidade ou por vontade expressa.no âmbito da unidade doméstica. TÍTULO II DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. II . entre outras: I . Parágrafo único. . unidos por laços naturais. na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida. compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas.no âmbito da família. 6o A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal. exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. sofrimento físico. especialmente. Art.§ 2o Cabe à família. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações. sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I . lesão. humilhação.

em particular nas Delegacias de Atendimento à Mulher. difamação ou injúria.a violência patrimonial. e a avaliação periódica dos resultados das medidas adotadas. II . destruição parcial ou total de seus objetos. ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. dos valores éticos e sociais da pessoa e da família. 3o e no inciso IV do art. III . e a difusão desta Lei e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos das mulheres. tendo por objetivo a implementação de programas de erradicação da violência doméstica e familiar contra a mulher. a manter ou a participar de relação sexual não desejada. às conseqüências e à freqüência da violência doméstica e familiar contra a mulher. nos meios de comunicação social. de acordo com o estabelecido no inciso III do art. documentos pessoais. VII . do Ministério Público e da Defensoria Pública com as áreas de segurança pública. para a sistematização de dados. de forma a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica e familiar. suborno ou manipulação.III . mediante coação. incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. valores e direitos ou recursos econômicos. instrumentos de trabalho. ao aborto ou à prostituição. no inciso IV do art. subtração. voltadas ao público escolar e à sociedade em geral. IV . entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar. 221 da Constituição Federal. que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio. 1o.a promoção e a realização de campanhas educativas de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. que a induza a comercializar ou a utilizar.a implementação de atendimento policial especializado para as mulheres. ameaça. do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais. dos Estados. entendida como qualquer conduta que configure retenção. bens. do Corpo de Bombeiros e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e de raça ou etnia.a integração operacional do Poder Judiciário. . VI . a serem unificados nacionalmente. 8o A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União. saúde. estatísticas e outras informações relevantes. assistência social. educação. com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia. coação ou uso da força. da Guarda Municipal. TÍTULO III DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CAPÍTULO I DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO Art. V . ajustes. de qualquer modo.a promoção de estudos e pesquisas.o respeito. trabalho e habitação. protocolos.a violência sexual. chantagem.a celebração de convênios. IV . mediante intimidação. termos ou outros instrumentos de promoção de parceria entre órgãos governamentais ou entre estes e entidades nãogovernamentais.a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar. a sua sexualidade. entendida como qualquer conduta que configure calúnia. concernentes às causas. tendo por diretrizes: I . V . à gravidez.a violência moral.

à eqüidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e familiar contra a mulher. incluindo os serviços de contracepção de emergência. CAPÍTULO III DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL Art. comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. no Sistema Único de Segurança Pública. de imediato. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de urgência deferida. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. a autoridade policial deverá. e emergencialmente quando for o caso. entre outras providências: I . quando necessário o afastamento do local de trabalho. quando houver risco de vida. entre outras normas e políticas públicas de proteção.acesso prioritário à remoção quando servidora pública.garantir proteção policial. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar.VIII . nos currículos escolares de todos os níveis de ensino. para preservar sua integridade física e psicológica: I .encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal. 9o A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social. III . IX . por até seis meses. quando necessário. a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará. CAPÍTULO II DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Art. § 2o O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar.o destaque. Art. § 1o O juiz determinará. integrante da administração direta ou indireta.a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito respeito à dignidade da pessoa humana com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia. § 3o A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar compreenderá o acesso aos benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico. por prazo certo. no Sistema Único de Saúde. II . Parágrafo único. estadual e municipal. .manutenção do vínculo trabalhista. para os conteúdos relativos aos direitos humanos. 10. a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de violência sexual. a inclusão da mulher em situação de violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais do governo federal. II . as providências legais cabíveis. 11.fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro.

. V .colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias.se necessário.qualificação da ofendida e do agressor.ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes criminais. ao adolescente e ao idoso que não conflitarem com o estabelecido nesta Lei. de imediato. lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo. deverá a autoridade policial adotar. ao julgamento e à execução das causas cíveis e criminais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-se-ão as normas dos Códigos de Processo Penal e Processo Civil e da legislação específica relativa à criança.determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais necessários. indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele. acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar. TÍTULO IV DOS PROCEDIMENTOS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. § 1o O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter: I . os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas. § 2o A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1o o boletim de ocorrência e cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida. se apresentada. sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal: I . 12.informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis. II .remeter. II . V .IV . feito o registro da ocorrência. VI . expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida. III . IV . os seguintes procedimentos. para a concessão de medidas protetivas de urgência. no prazo legal.descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao processo. § 3o Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.nome e idade dos dependentes.remeter.ouvir o agressor e as testemunhas.ouvir a ofendida. III . 13. Art. VII .

nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. 18. § 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato. II . 19. para o processo. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno.comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária. o Juizado: I . e pelos Estados. 17. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas: I . Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. .determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária. CAPÍTULO II DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA Seção I Disposições Gerais Art. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz. poderão ser criados pela União. por opção da ofendida. III . 14. É vedada a aplicação. É competente.conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência.do lugar do fato em que se baseou a demanda. 16. quando for o caso. no Distrito Federal e nos Territórios. independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público. o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal. devendo este ser prontamente comunicado. 15. Art. e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia.Art. a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. Art. III . Art. sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados.do seu domicílio ou de sua residência. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. em audiência especialmente designada com tal finalidade. Parágrafo único. para os processos cíveis regidos por esta Lei. caberá ao juiz. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz. II . bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. § 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente. Art. conforme dispuserem as normas de organização judiciária.do domicílio do agressor. Recebido o expediente com o pedido da ofendida.

com comunicação ao órgão competente. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor. as seguintes medidas protetivas de urgência. se entender necessário à proteção da ofendida. decretada pelo juiz.restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores. b) contato com a ofendida. Parágrafo único. de ofício. de 22 de dezembro de 2003. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. o juiz poderá aplicar. c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida. § 2o Na hipótese de aplicação do inciso I. devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público. III . especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão. fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação. ao agressor. ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar. ficando o superior imediato do . II . entre as quais: a) aproximação da ofendida. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. ouvido o Ministério Público.suspensão da posse ou restrição do porte de armas. § 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor.§ 3o Poderá o juiz. conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas. Seção II Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor Art. 20.proibição de determinadas condutas. de seus familiares e das testemunhas. bem como de novo decretá-la. 6o da Lei no 10. nos termos desta Lei.afastamento do lar. corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas. de imediato. Art. Art. encontrando-se o agressor nas condições mencionadas no caput e incisos do art. de seus familiares e de seu patrimônio. nos termos da Lei no 10. Parágrafo único. sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor. o juiz comunicará ao respectivo órgão. de 22 de dezembro de 2003. V . entre outras: I . caberá a prisão preventiva do agressor.826. IV . 22. a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem. 21. no curso do processo. verificar a falta de motivo para que subsista. em conjunto ou separadamente.prestação de alimentos provisionais ou provisórios. domicílio ou local de convivência com a ofendida. se sobrevierem razões que a justifiquem.826. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.

por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. sem prejuízo de outras atribuições. de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil).requisitar força policial e serviços públicos de saúde. guarda dos filhos e alimentos. II . Poderá o juiz. 26. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher. Art. de assistência social e de segurança.determinar a separação de corpos.determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio. sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência. após afastamento do agressor.agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial. nas causas cíveis e criminais decorrentes da violência doméstica e familiar contra a mulher.suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor. conforme o caso. no que couber.determinar o afastamento da ofendida do lar. a qualquer momento. 461 da Lei no 5. Caberá ao Ministério Público. quando necessário. entre outras: I . quando não for parte.restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida.encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento. § 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência. o disposto no caput e nos §§ 5o e 6º do art. poderá o juiz requisitar. venda e locação de propriedade em comum. III . quando necessário: I . 24. III . 25. as seguintes medidas. II . entre outros. IV . o juiz poderá determinar.prestação de caução provisória.869. § 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo. auxílio da força policial. Parágrafo único. 23. Art. IV . de educação. mediante depósito judicial. sem prejuízo de outras medidas: I . sem prejuízo dos direitos relativos a bens. Seção III Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida Art. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. salvo expressa autorização judicial. . liminarmente. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo.proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra. O Ministério Público intervirá. CAPÍTULO III DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO Art.

Será garantido o direito de preferência. 28. nos termos da Lei de Diretrizes Orçamentárias. e adotar. Em todos os atos processuais. 29. poderá prever recursos para a criação e manutenção da equipe de atendimento multidisciplinar. o agressor e os familiares. nos termos da lei. Compete à equipe de atendimento multidisciplinar. de imediato. jurídica e de saúde. encaminhamento. na elaboração de sua proposta orçamentária.II . as medidas administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a quaisquer irregularidades constatadas. 27. entre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local. Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais aprofundada. TÍTULO V DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR Art. prevenção e outras medidas.fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência a Mulher. 19 desta Lei. o juiz poderá determinar a manifestação de profissional especializado. III . mediante atendimento específico e humanizado. com especial atenção às crianças e aos adolescentes. a mulher em situação de violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado.cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Art. nas varas criminais. as varas criminais acumularão as competências cível julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica observadas as previsões do Título IV desta Lei. 30. voltados para a ofendida. ao Ministério Público e à Defensoria Pública. fornecer subsídios por escrito ao juiz. subsidiada pertinente. Doméstica e Familiar contra e criminal para conhecer e e familiar contra a mulher. O Poder Judiciário. pela legislação processual Parágrafo único. TÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS . mediante a indicação da equipe de atendimento multidisciplinar. 33. 32. em sede policial e judicial. É garantido a toda mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita. TÍTULO VI DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Art. para o processo e o julgamento das causas referidas no caput. Art. ressalvado o previsto no art. mediante laudos ou verbalmente em audiência. cíveis e criminais. a ser integrada por profissionais especializados nas áreas psicossocial. Art. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que vierem a ser criados poderão contar com uma equipe de atendimento multidisciplinar. e desenvolver trabalhos de orientação. 31. Art. CAPÍTULO IV DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA Art.

no limite das respectivas competências: I .. concorrentemente.... .. 37..delegacias. II ...... 313 do Decreto-Lei no 3. Art. nos termos da legislação civil. no limite de suas competências e nos termos das respectivas leis de diretrizes orçamentárias.. os Estados e os Municípios poderão criar e promover.... V . As Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal poderão remeter suas informações criminais para a base de dados do Ministério da Justiça. passa a vigorar acrescido do seguinte inciso IV: “Art. Art... A União....099. em cada exercício financeiro.... 39. o Distrito Federal. O art. Art..centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e respectivos dependentes em situação de violência doméstica e familiar. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher..... 36.. Parágrafo único.. 38..casas-abrigos para mulheres e respectivos dependentes menores em situação de violência doméstica e familiar.. IV . regularmente constituída há pelo menos um ano. independentemente da pena prevista. A instituição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher poderá ser acompanhada pela implantação das curadorias necessárias e do serviço de assistência judiciária.. .. não se aplica a Lei no 9.Art.. 41..... 313....... As estatísticas sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher serão incluídas nas bases de dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e Segurança a fim de subsidiar o sistema nacional de dados e informações relativo às mulheres.... de 26 de setembro de 1995.........centros de educação e de reabilitação para os agressores..... Art. Parágrafo único..... Art...689.. o Distrito Federal e os Municípios. poderão estabelecer dotações orçamentárias específicas...... Art.... os Estados..... serviços de saúde e centros de perícia médico-legal especializados no atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar.... .. pelo Ministério Público e por associação de atuação na área. o Distrito Federal e os Municípios promoverão a adaptação de seus órgãos e de seus programas às diretrizes e aos princípios desta Lei....programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar.. para a implementação das medidas estabelecidas nesta Lei. O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz quando entender que não há outra entidade com representatividade adequada para o ajuizamento da demanda coletiva... As obrigações previstas nesta Lei não excluem outras decorrentes dos princípios por ela adotados. núcleos de defensoria pública.... 42. os Estados... 34.. 35... de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal)... Art.. 40.. Art. A União... A União.. III ..... A defesa dos interesses e direitos transindividuais previstos nesta Lei poderá ser exercida....

......................... ......... de coabitação ou de hospitalidade: Pena ..” (NR) Art. 152 da Lei no 7..8............... 129 do Decreto-Lei nº 2....” (NR) Art.... ............................................se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher.. de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal)..................... de coabitação ou de hospitalidade....................... .......................... ............ 61....... Nos casos de violência doméstica contra a mulher.................. A alínea f do inciso II do art... ou com violência contra a mulher na forma da lei específica........... ” (NR) Art. 129.. a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência..... 152......................... nos termos da lei específica....... ou com quem conviva ou tenha convivido.................... Brasília. f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas....... para garantir a execução das medidas protetivas de urgência.......... . ...... ... Parágrafo único.. de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal)................... 44........210....... o juiz poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação.. 7 de agosto de 2006...........2006 .. Na hipótese do § 9o deste artigo.. 43.............848........U. irmão. de 8.............. de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal)..... § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente..... 46.. § 11........................ O art.... LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Dilma Rousseff Este texto não substitui o publicado no D. .848.. ou......... descendente.............. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.. cônjuge ou companheiro......detenção.... 45.................. passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art.......IV ... 185o da Independência e 118o da República.. de 3 (três) meses a 3 (três) anos. ainda..... passa a vigorar com a seguinte redação: “Art................... II .........” (NR) Art... Esta Lei entra em vigor 45 (quarenta e cinco) dias após sua publicação.O.................. 61 do Decreto-Lei n o 2.. prevalecendo-se o agente das relações domésticas................ O art...

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