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26/12/2017 Livro Tibetano dos Mortos

Livro Tibetano dos Mortos


Uma das poucas coisas que temos garantido na vida é a morte.

De certa forma vivemos momentos em que tudo se mede pela quantidade: o número de amigos que temos, o
número de cifrões da conta bancária, a quantidade de títulos académicos ou o número de m2 da nossa
habitação. Mas esta é uma visão toldada segundo os paradigmas e os preconceitos actuais. Mas estes cânones
não são iguais aos do passado, nem terão que ser necessariamente iguais aos do futuro. Os seres humanos do CURSO FILOS
futuro poderão ser muito diferentes de nós, humanos do presente. A Sabedoria Viva das

Sempre que a nossa mente abre os seus horizontes ou começa a perceber as suas próprias limitações, começa a
perceber também que existem outras realidades para além da própria realidade perceptível, dando assim lugar à
intuição sobre coisas que não entende, mas sente. Este é o caso da morte, não da física, que essa é por demais
óbvia, mas por aquilo a que dá lugar e que se resume a uma palavra: desconhecido. A morte é ainda um dos
grandes tabus da nossa época e, como tal, tudo aquilo que promove revelação sobre o assunto causa
sentimentos paradoxais como fascínio e repulsa.

O editorialmente chamado Livro Tibetano dos Mortos, na sua linguagem original Bardo Thödol, ou “a grande
libertação pela escuta nos estados intermediários” é uma obra tão diferente do que estamos habituados, que se
Vide Progra
torna tão difícil de compreender como de aceitar. Quiçá já lida por muitos, mas comentada por poucos, talvez
pelo tema sensível que trata, não é daquelas obras de promoção massiva ou alavancadas pelo marketing. Este
livro persevera na ideia da inevitabilidade da morte, estimulando a encarar a impermanência de todas as coisas
como a mais libertadora das reflexões, ajudando a vê-las como realmente são.
ACTIVIDADES N
Saído da tradição budista do Tibete, o texto procura ser um guia para a consciência (ou alma, como se lhe PORTUGAL
queira chamar) desencarnada que, confusa e baralhada, não percebe a condição em que se encontra e não sabe
o que deve fazer nem para onde deve ir. Mas este também é um guia para a vida. É um tratado de libertação
pelo entendimento do plano que segue à morte e é também um tratado de iniciação. É símbolo e ensinamento Aveiro
sobre as alternativas da vida que termina e da vida que começa, assentando numa convicção profunda, não só Braga
da sobrevivência da consciência à morte física do corpo, como também da posterior reencarnação desta Coimbra
consciência numa outra forma física de forma a poder continuar a realizar o trabalho de aperfeiçoamento e
Lisboa
aprendizagem que seriam os motores que animam o processo.
Oeiras-Cascais
Porto
“... tudo o que pode ser encontrado nos estados
intermediários entre esta vida e a próxima reside em nós Notícias

próprios e é projectado como uma realidade exterior...”


NOVA ACRÓPOL
INTERNACIONAL
Os ensinamentos ali contidos são atribuídos a Padmasambhava (séc. VIII), o introdutor do Budismo no Tibete.
Está compreendido entre os textos chamados tesouros espirituais e que teriam sido escondidos, segundo a
tradição, tanto em lugares físicos como em planos mentais, para serem mais tarde descubertos pelos
Anuários
descobridores de tesouros e comungados pela série de autênticos detentores da linhagem espiritual. Neste caso
atribui-se a sua descoberta a Karma Lingpa. O texto, regra geral, é lido por um lama (mestre espiritual) Resoluções da Assem
experimentado em frente ao corpo do moribundo ou defunto para o ajudar a atravessar o estado em que se
encontra. Alguns dos ensinamentos aqui contidos, coincidem com os relatos daqueles que tiveram experiências Perguntas Frequente
de quase-morte ou NDE.

Nova Acrópole em ou
O livro é composto por 14 capítulos que são:

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26/12/2017 Livro Tibetano dos Mortos
1. Libertação natural da natureza da mente; Seleccione país
2. Oração para união com o mestre espiritual;
3. Estâncias raiz dos seis estados intermediários;
Nova Acrópole Intern
4. Introdução à consciência desperta: libertação natural pela percepção;
5. Libertação natural das tendências habituais;
6. Libertação natural da negatividade e do obscurecimento;
7. Libertação natural mediante actos de confissão;
8. Libertação natural mediante o reconhecimento das indicações visuais e dos sinais da morte; SITES N.A. EM
9. Transferência da consciência: libertação natural mediante recordação;
10. A grande libertação pela escuta;
11. Orações de aspiração; Porto
12. Um drama de máscaras do renascimento; Coimbra
13. Libertação pelo uso: a libertação natural dos agregados psicofísicos.
Aveiro

Diz o texto que é necessário aprender a morrer e que em vida deve-se conhecer as labirínticas passagens da Braga
psique para poder dominá-la ante o pavor do desconhecido e a solidão da morte. Todas estas situações são
geradas na ignorância e nenhuma destas vicissitudes é real, ensinam os sábios. Nem existe a própria morte fora
da imaginação. Diz o texto que o processo de desencarnação decorre durante 49 dias e divide-se em três partes,
chamadas bardos e nos quais a consciência liberta não reconhece por completo o seu novo estado.
OUTROS CURSO

1º Chikhai Bardo – Estado transitório (momento da morte). Normalmente a consciência não percebe que se
separou do corpo.
2º Chonyid Bardo – É o pior. A consciência tem visões e sofre pesadelos nascidos da sua própria imaginação.
Representa a incerteza da realidade. Arte de Falar em Púb
3º Sidpa Bardo – A consciência vai despertando dos seus pesadelos e, segundo o seu karma, desemboca em Cursos de Matemátic
algum dos lokas ou estados obscuros ou luminosos da mente. Geometria Sagradas
Florais de Bach
Na segunda e terceira semanas, manifestam-se os deuses, primeiro na sua forma luminosa e depois na sua
forma mais aterradora, no que é chamado o aparecimento das divindades pacíficas e depois iradas. Se na morte, Outros Cursos
a pessoa falha no reconhecimento da sua natureza básica, aparecem as divindades iradas. O conselho é para
não temer, pois estas são projecções da própria mente.

O Bardo Thödol apresenta semelhanças ao chamado livro dos mortos egípcio, pois este também revela um REVISTA ACRÓP
caminho a seguir pela consciência que se separou do suporte físico, representado pelo corpo e onde tudo é
decidido com base nas acções daquela.

Uma última exortação dirigida à consciência que através dos bardos se coloca frente ao seu juízo é para que
saiba que fora das suas alucinações não existem nem senhor juiz dos mortos, nem demónios, nem vencedor da
morte. Mahuzri é o senhor da sabedoria, entendê-la significa conseguir a libertação.

Guarda com força o teu espírito lúcido, se sofres, não te deixes absorver
pela sensação de sofrimento. Se experimentas um relaxador
entumecimento de espírito, se te sentes afundado no calmo
obscurecimento, no esquecimento passivo, não te deixes arrebatar.
Mantém-te alerta. As consciências que foram conhecidas pelos teus distintos
nomes tendem a dispersar-se. Mantem-nas unidas pela força da tua
vontade. Eis que estás agora frente a yama, senhor dos mortos; em vão
tentarás mentir-lhe, dissimular as más acções que cometeste. No espelho
resplandecente que tem na mão, aparecem as formas de todas as
actividades mentais e físicas. O espelho onde parece ler, é a memória que
te recordará a cadeia das tuas acções passadas e os conceitos que forjaste.
És tu quem, pelas propensões que estão em ti, que vais pronunciar o teu
NOVIDADES EDI
juízo e que vais assignar-te tal ou tal renascimento e nenhum deus terrível
te impulsará a isso. Irás por ti mesmo.

TÍTULOS PUBLICADO
Deste belíssimo trecho se depreende que uma consciência modelada através da vontade é o gérmen de uma
nova vida frutífera, o que também pode ser entendido de outra forma, representando uma renovação na
encarnação em que essa vontade é aplicada de forma constante e regular. Deixa claro também que tudo o que
pode ser encontrado nos estados intermediários entre esta vida e a próxima reside em nós próprios e é
projectado como uma realidade exterior, realidade essa que ao ser conhecida e dominada, propicia uma
passagem mais suave e com menos sobressaltos na viagem mais aventureira que a consciência pode fazer.

Daniel Oliveira
Investigador e Formador da Nova Acrópole
23 de Julho de 2012

Este texto não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico

http://nova-acropole.pt/a_livro_tibetano_dos_mortos.html 2/4

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