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EMATER – PARANÁ

CONDOMÍNIOS DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL: UMA PROPOSTA DE


MELHORAMENTO GENÉTICO EM BOVINOS DE LEITE NO MUNICÍPIO DE
TOLEDO – PR.

Gelson Hein
Médico Veterinário
Unidade Local de Toledo

NOVEMBRO – 2004
TOLEDO - PR
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CONDOMÍNIOS DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL: UMA PROPOSTA DE


MELHORAMENTO GENÉTICO EM BOVINOS DE LEITE NO MUNICÍPIO DE
TOLEDO – PR.

Gelson Hein (*)


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RESUMO

No município de Toledo, localizado na região Oeste do Paraná, desenvolve-se um projeto


de melhoramento genético na pecuária leiteira, coordenado pela Emater-PR e em parceria
com a Prefeitura Municipal e a Cooperlac. Os pequenos produtores rurais foram
organizados em 24 condomínios de inseminação artificial envolvendo 388 propriedades e
um total de 6.123 fêmeas bovinas cadastradas. Em cinco anos de funcionamento do projeto
houve um acréscimo de 8.515 fêmeas melhoradas nos plantéis, e dos 101 produtores
acompanhados observou-se um aumento de 26 % na produção de leite, melhoria no padrão
zootécnico do rebanho e melhorias na criação de bezerras e novilhas. Através da
organização os produtores buscaram outras formas de associativismo para suprirem suas
necessidades na atividade leiteira como: busca de maiores conhecimentos na atividade
através de reuniões e grupos de interesse; aquisição conjunta de equipamentos para corte e
conservação de forragem; sêmen; coleta, armazenamento e comercialização conjunta de
leite, com sensível redução de custos e maior retorno econômico aos produtores.

Palavras-chave: bovinocultura, condomínios, extensão rural, inseminação, melhoramento.

INTRODUÇÃO

O melhoramento animal em bovinos tem evoluído cada vez mais e a técnica mais
difundida é a inseminação artificial. Na bovinocultura leiteira os ganhos conquistados a
cada nova geração, com animais mais produtivos, que expressam características de padrões
zootécnicos conhecidos e fundamentais para o cumprimento de sua função: a produção de
leite, que é a resposta que se busca em cada animal.
O acesso à tecnologia da inseminação artificial foi possível ao pequeno produtor
rural através da organização de condomínios, treinamento de inseminadores da própria
comunidade e a capacitação dos produtores em cursos de bovinocultura leiteira.

Médico Veterinário, Ms. Produção Animal (UEM - Maringá-PR)


EMATER-PR
ematerlocaltoledo@creapr.org.br
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As parcerias envolvidas neste projeto são fundamentais para sua manutenção, onde a
Emater-Pr coordena e atua na organização dos grupos; a Prefeitura Municipal adquiriu os
botijões de nitrogênio, mantendo o apoio de 50 % do total de sêmen utilizado nos
condomínios e disponibiliza um técnico para auxiliar na administração; e a Cooperativa
(COOPERLAC) atua no apoio técnico aos produtores.
Os 24 condomínios de inseminação artificial de bovinos leiteiros, distribuídos nas
comunidades do município de Toledo-PR, atendem atualmente a 388 pequenos produtores
rurais, mantém 6.123 animais cadastrados (vacas e novilhas) a serem inseminados durante o
ano e que produzem diariamente em média 43.757 litros de leite.
Este trabalho analisa alguns resultados da atividade leiteira em 101 propriedades,
escolhidas aleatoriamente, que se mantiveram no programa dos condomínios de
inseminação artificial desde 1999 até 2004, como o aumento da produção de leite, do
número de animais melhorados no plantel, adoção da inseminação artificial em todas as
propriedades e a organização destes produtores neste sistema, com iniciativas de parcerias
entre os produtores para a redução dos custos de produção e melhoria de renda nas suas
propriedades.

DESCRIÇÃO

A região Oeste do Paraná tem a maior bacia leiteira do Estado e uma cadeia de
produção estruturada com todos os elos presentes e em franco desenvolvimento. Com um
solo rico e altamente explorado na produção de grãos, tendo no binômio soja e milho suas
principais culturas e base agrícola desde o início da colonização. Dos grãos vieram as
agroindústrias do frango e do suíno, despontando para o progresso da região e abrindo
caminho para uma pecuária leiteira de expressão, mas que ainda busca uma definição do
seu modelo de produção, pelas próprias peculiaridades encontradas em cada propriedade
rural onde é praticada.
A colonização regional iniciou-se em meados da década de 60 e teve grande
diversidade de etnias. As famílias de origem alemã e italiana foram as que mais se
identificaram com as atividades agropecuárias, como na pecuária leiteira.
Dos fatores que colaboraram para a manutenção e o crescimento da atividade
leiteira na região, pode-se destacar: facilidade de produção e grande volume de alimentos
durante o ano todo; estímulo ao crédito e fomento das cooperativas e programas de governo
para aquisição de animais e equipamentos; afinidade dos produtores com a atividade;
necessidade de uma renda mensal; crescentes investimentos dos produtores em tecnologia e
capacitação própria; e eficiente estrutura de coleta e comercialização do leite.
Mesmo com a atividade leiteira apresentando um crescimento acentuado, a
instabilidade dos preços e insegurança no retorno econômico, tem sido um dos principais
fatores para que os pequenos produtores invistam na pecuária leiteira. Por ser uma atividade
que exige muito conhecimento técnico do produtor, em algumas propriedades que adotam
pouca tecnologia, observa-se que os avanços são lentos, pontuais, têm poucos
investimentos em áreas fundamentais, e sem a devida análise técnica ou econômica.
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Em 1997, no município de Toledo, ocorreu a falência da cooperativa que


concentrava quase todo o fomento; orientação e assistência técnica, além da coleta e
comercialização do leite. Em decorrência deste fato surgiram vários pequenos laticínios que
absorveram grande parte da produção de leite, mas que basicamente não deram
continuidade ao trabalho técnico junto aos produtores como vinha sendo conduzido
anteriormente pela cooperativa. O aumento da concorrência pelos novos laticínios que
surgiram, na compra do leite de cada produtor teve reflexos positivos no aumento da
produção, embora o abandono ao produtor pela assistência técnica mais afetiva foi visível.
Logo após este período de turbulências, inicia-se o Programa Municipal de
Melhoramento da Pecuária Leiteira, com a formação dos condomínios de inseminação
artificial de Toledo. Em meados de 1998 organizou-se o primeiro grupo com 32 produtores,
na comunidade de Bom Princípio e em setembro de 1999 foi concluído o projeto de
organização dos condomínios com um total de 24 grupos e 424 produtores.
Através de reuniões nas comunidades eram expostos os objetivos; o funcionamento
preconizado com algumas normas básicas e gerais, a escolha de um responsável e no
mínimo dois inseminadores que foram treinados para prestar serviços aos componentes do
grupo. Para viabilizar a execução dos trabalhos dos inseminadores foram fixados os preços
a serem cobrados dos produtores quando da realização de uma inseminação. A composição
do valor pago pelos produtores usuários da inseminação artificial envolve: mão-de-obra do
inseminador; deslocamento do inseminador até a propriedade; materiais ( luvas, bainhas,
nitrogênio) e o sêmen.
Ao todo foram treinados 56 inseminadores que prestam seus serviços aos
condomínios a que pertecem, sendo os serviços remunerados pelos produtores após cada
inseminação. Os inseminadores são fundamentais para o desenvolvimento e sucesso dos
trabalhos, por isso foram selecionados observando-se o seguinte perfil: residir e ter bom
relacionamento na comunidade, ter disposição ao trabalho da inseminação a qualquer
horário; ter organização para fazer as anotações necessárias e prestar relatórios mensais.
O projeto dos Condomínios de Inseminação Artificial foi criado e está sob a
coordenação da Emater Paraná, e vem sendo desenvolvido conjuntamente com a Prefeitura
Municipal que repassa em comodato ao condomínio de produtores o botijão de nitrogênio,
e o kit completo de inseminador (pipetas, luvas, termômetro). Todos os produtores são
cadastrados e declaram o número de animais que pretendem inseminar naquele ano. Com
essas informações foi possível prever o número de animais a serem inseminados. Numa
proposta de subsidiar 50 % das doses de sêmen por ano dos animais cadastrados em cada
propriedade, a Prefeitura adquire através de licitação, o número de doses a serem doadas
aos produtores. A Prefeitura Municipal também mantém um técnico que realiza os
trabalhos de apoio aos grupos de produtores, coleta as informações das inseminações,
atualiza os relatórios e cadastros.
Durante cinco anos (1999 a 2004) de acompanhamento das propriedades que
participam dos 24 condomínios de inseminação artificial espalhados por todo o município,
foram escolhidas aleatoriamente 101 propriedades para avaliação de alguns resultados.
Nestas propriedades pode-se observar que houve adoção de 100 % da inseminação artificial
em substituição aos touros; acréscimo de 26 % na produção anual de leite; aumento de 24
% no número de vacas melhoradas inseridas no plantel e um aumento de 32 % na
produtividade (litros de leite/vaca). Também houve grande melhoria nas condições de
criação de bezerras e novilhas, e 87 % dos produtores investiram em resfriadores de leite a
granel, o que nos indica uma grande melhoria na qualidade do leite entregue aos laticínios.
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A adoção de tecnologias de manejo dos animais e para a produção de forragem com


incremento da área e principalmente espécies de forragens mais produtivas também pode
ser observada na maioria das propriedades.
O estímulo à organização gerou a busca de soluções de outras necessidades, dentro
e fora da propriedade rural, estimulando os produtores a terem iniciativas à maior busca de
conhecimentos da atividade leiteira, aquisição conjunta de equipamentos para corte e
conservação de forragem; sêmen; coleta, armazenamento e comercialização conjunta de
leite, com sensível redução de custos e maior retorno econômico aos produtores.

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos pelos 101 pequenos produtores de leite participantes dos


condomínios de inseminação artificial, através da adoção da técnica de inseminação com
touros melhoradores provados, podem ser observado no aumento de 26 % da produção de
leite, 32 % de aumento de produtividade (litros de leite/vaca), melhoria no padrão
zootécnico do rebanho, maiores cuidados e investimentos na criação de bezerras e novilhas,
produção de forragens de qualidade e aquisição de equipamentos de ordenha e resfriamento
de leite que auxiliam na manutenção e qualidade do leite. Também o estímulo à
organização gerou a busca de soluções de outras necessidades, dentro e fora da propriedade
rural voltadas para a atividade leiteira, que vem trazendo maior retorno econômico aos
produtores.
As parcerias entre os diversos componentes da cadeia de produção podem ser úteis
ao somarem suas ações no desenvolvimento e aperfeiçoamento junto ao pequeno produtor
rural.