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Tutorial para conversão de arquivos para o

formato Daisy

1
Tamara Salvatori
2
Marina Dal Ponte
3
Andréa Poletto Sonza

In: SONZA, A.P.; SALTON, B.P.; STRAPAZZON,


J.A. Soluções Acessíveis: experiências
inclusivas no IFRS. Porto Alegre: CORAG, 2014.

Resumo
O objetivo deste trabalho é nortear usuários normovisuais no processo de conversão de
documentos para o formato Daisy. Para tal, detalham-se aqui as etapas percorridas desde o início
até o final do processo de conversão. Inicialmente, é discutida a importância do Tocador
MecDaisy para a autonomia de pessoas cegas ou com baixa visão, fazendo a caracterização do
software. Em seguida, são mostrados os passos para instalação dos aplicativos necessários para
geração de livros digitais acessíveis. Abordam-se também os cuidados que o usuário deve ter no
ato de preparar o documento para conversão em Daisy. Por último, são abordados os estilos
utilizados nos arquivos e ainda soluções para outros entraves que podem vir a ocorrer.

Palavras-chave: livro digital acessível, Daisy, MecDaisy.

Introdução

Pessoas com deficiência visual têm acesso restrito a material impresso e mesmo digital
devido à falta de acessibilidade dos mesmos. No caso dos materiais digitais, essa falta de
acessibilidade é consequência, não apenas de arquivos em formato frequentemente incompatível
para uso dos leitores de tela4, mas também pela falta de descrições das imagens, gráficos,
tabelas e quaisquer elementos visuais que constituem o conteúdo desses materiais. Como
consequência, o deficiente visual enfrenta sérias barreiras para aproveitar funções amplamente
utilizadas por pessoas que enxergam, tais como, manusear e localizar informações e realizar
anotações em materiais impressos ou digitais.
Uma das formas de extinguir essas barreiras de acessibilidade, e que começa a tomar
vulto, são os materiais em formato digital acessível no padrão Digital Accessible Information
System (Daisy). Esse padrão foi introduzido no Brasil pelo Ministério da Educação (MEC), em
parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da criação do Projeto
1
Licenciada em Física pelo Instituto Federal Educação, Ciência e Tecnologia no Câmpus Bento Gonçalves.
Bolsista do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE) e do Projeto de
Acessibilidade Virtual no IFRS-BG. [tamara.salvatori@bento.ifrs.edu.br]
2
Licenciada em Física pelo Instituto Federal Educação, Ciência e Tecnologia no Câmpus Bento Gonçalves.
Bolsista do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE) e do Projeto de
Acessibilidade Virtual no IFRS-BG. [marina.dalponte@bento.ifrs.edu.br]
3
Assessora de Ações Inclusivas do IFRS. [andrea.sonza@ifrs.edu.br]
4
Os Leitores de Tela são programas que interagem com o Sistema Operacional, reproduzindo, de forma
sonora, os eventos ocorridos no computador. Essas interfaces leem para o usuário as informações, botões,
enfim, todos os eventos que se apresentam em forma de texto ou equivalente (imagens etiquetadas) na tela
do computador (SONZA, 2008).
MecDaisy. Tal projeto tem como objetivo possibilitar a geração de livros falados e sua reprodução
em áudio gravado ou sintetizado (NCE/UFRJ, 2012).
A conversão de um material para o formato Daisy exige que um usuário que enxerga
(normovisual) utilize um editor de texto para fazer a descrição de todas as imagens (mapas,
gráficos, desenhos, fotografias e quaisquer elementos não textuais) do livro ou outro material
impresso ou digital, adicione estilos e, em seguida, faça a conversão para o formato Daisy. Com
isso, amparadas pelo Tocador MecDaisy, as pessoas com deficiência visual se beneficiam do livro
já adaptado por um normovisual.
Durante a conversão do livro digital acessível, erros e falhas podem ocorrer. Como esta é
uma área ainda pouco explorada e repleta de dúvidas, este artigo apresenta um tutorial que
objetiva auxiliar na diminuição de problemas de conversão de documentos para o formato Daisy.

1 Caracterização do Tocador MecDaisy


O Tocador MecDaisy se originou a partir de uma parceria entre o MEC e do Núcleo de
Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ). Este programa
visa auxiliar pessoas com deficiência visual na leitura de livros, artigos, revistas ou qualquer outra
forma textual a partir da conversão para o formato Daisy e da descrição das imagens contidas
nestes arquivos.
É importante destacar novamente que a conversão (preparação do livro) deve ser
realizada por um normovisual em um editor de texto. Após esta conversão, o usuário poderá
navegar em um documento acessível, no Tocador MecDaisy, possibilitando acesso às
informações.
O Tocador MecDaisy conta com uma série de funções, tais como:

[...] Facilidade de navegação pelo texto, permitindo a reprodução sincronizada de


trechos selecionados, o recuo e o avanço de parágrafos e a busca de seções ou
capítulos. Possibilita também, anexar anotações aos arquivos do livro, exportar o
texto para impressão em Braille, bem como a leitura em caractere ampliado. Todo
texto é indexado, facilitando, assim, a manipulação através de índices ou buscas
rápidas (NCE/UFRJ, 2012).

Após apresentar esse panorama do Programa MecDaisy, na sequência serão descritos a


instalação de aplicativos para geração de livros digitais acessíveis, o processo de conversão e
soluções para possíveis erros ou falhas.

2 Instalação
É importante frisar que, neste trabalho, serão tratadas apenas as situações nas quais a
conversão de documentos para o formato Daisy é realizada utilizando o Sistema Operacional
Windows XP e o editor de texto Microsoft Office Word 2007. Assim, não se pode afirmar que as
soluções trazidas aqui serão eficazes para usuários que estejam utilizando uma configuração de
sistema diferente da supracitada.
Primeiramente, o usuário deve certificar-se de que o Java 1.5 (ou versão superior) e o
Microsoft Word 2007 estão devidamente instalados na máquina que será utilizada. Para verificar
se estes softwares estão instalados, deve-se acessar o Painel de Controle, clicando em Adicionar
ou Remover Programas. Também é necessário possuir o Microsoft .NET Framework. Caso ele
não esteja instalado na máquina, é possível fazer o download5 diretamente do site da Microsoft,
onde é possível encontrar a versão 3.5, utilizada no Windows XP. É preciso seguir os passos
apresentados no assistente de instalação até sua conclusão.
Logo após, é necessário que o usuário faça o download6 do Primary Interop Assembly
(PIA). Ao executar o arquivo baixado, será aberta uma janela que solicitará que o usuário escolha
uma pasta para que os arquivos sejam descompactados. Esta pasta deve ser criada no diretório
C:/ do computador. Depois de descompactados, deve-se executar o arquivo “o2007pia”.
Em seguida, o usuário deve instalar o aplicativo para geração do livro digital acessível. É
preciso fazer o download7 do plugin para a geração do livro digital acessível. Deve-se escolher a
opção de acordo com a configuração do computador em uso. No caso do Windows XP (onde a
versão em português é obrigatoriamente 32 bits), deve-se clicar em “Download from Daisy site
version 2.5.5.1 for 32-bit Office” e baixar o arquivo. Após, é preciso executar o arquivo “Daisy
addin for Word setup” e seguir os passos do assistente de instalação até sua conclusão.
Para certificar-se que o aplicativo foi instalado corretamente, o usuário deve abrir o editor
de texto e visualizar a aba “Accessibility” junto ao menu, conforme a indicação da Figura 1.

Figura 1. Captura de tela indicando a aba "Accessibility"

DAL PONTE et al. (2012) ensinam os passos que devem ser seguidos quando a aba
“Accessibility” não é incluída automaticamente no editor de texto:

[...] Clicando no ‘Botão Office’ no canto superior esquerdo da barra de tarefas


escolha ‘Opções do Word’. Na janela seguinte selecione ‘Suplementos’, e localize
a caixa onde deverá ser marcada a opção ‘suplementos COM’ e clique em ‘Ir’.
Marque a opção ‘Daisy Addin Word 2007’ e pressione OK. Reinicie a janela do
programa. Deverá aparecer uma nova aba chamada ‘Accessibility’, [...] (DAL
PONTE et al, 2012, p. 20).

5
MICROSOFT. Microsoft .NET Framework 3.5. Disponível em <http://www.microsoft.com/pt-
br/download/details.aspx?id=21>. Acesso em abr 2013.
6
MICROSOFT. 2007 Microsoft Office System Update: Redistributable Primary Interop Assemblies.
Disponível em <http://www.microsoft.com/en-us/download/details.aspx?id=18346>. Acesso em abr 2013.
7
DAISY CONSORTIUM. Save As DAISY - Microsoft Word Add-In. Disponível
<http://www.daisy.org/projects/save-as-daisy-microsoft/>. Acesso em abr 2013.
Após isso, é preciso fazer download8 do arquivo MecDaisy_setup_r678.exe que se
encontra dentro da pasta v_1.0_r678, sendo essa a versão mais recente do Tocador MecDaisy.
Depois, deve-se executar o arquivo e seguir as instruções de instalação até a conclusão. Por
último, o usuário deve reiniciar a máquina para concluir a instalação de todos os componentes.

3 Preparo do documento para conversão

O processo de preparação para conversão em Daisy é trabalhoso. Ressalta-se que esses


são os passos que os autores deste trabalho adotam na conversão de documentos. Alguns
desses passos são oriundos da experiência dos autores, outros, porém, são característicos do
programa, como, por exemplo, a hierarquia necessária na aplicação dos estilos Daisy. Nesses
casos, a ordem dos passos deve ser seguida rigorosamente.
A seguir, serão relatados os passos que seguimos e indicamos para a conversão de
documentos para o formato Daisy.

1. Primeiramente, nos casos de documentos providos de imagens, é necessário que todas


essas figuras sejam salvas no computador. Tal passo pode ser executado por meio de uma
captura de tela (Print Screen) e da colagem no Paint (ou outro editor de imagem da preferência
do leitor). Para evitar problemas de nome iguais, é preferível que essas sejam nomeadas
sequencialmente (por exemplo: Figura 01, Figura 02, etc.) em uma pasta reservada para as
imagens do arquivo que será convertido. O formato pode ser escolhido entre JPEG, BMP e
GIF, pois esses serão convertidos sem perda de fidelidade. É importante salientar que este
processo é essencial, pois as imagens devem ser “inseridas”, não “coladas” no documento que
será convertido, para evitar falhas futuras. Essas possíveis falhas serão abordadas mais
adiante.
2. Para que seja possível consultar o documento original, é necessário que seja feita uma
cópia deste para que o arquivo original seja mantido intacto. Esta cópia deve ser colada em um
documento novo de Word. Selecionando todo o texto, aplica-se o estilo Limpar Tudo, próprio
do editor de texto. Essa é uma maneira de obter somente o texto puro, sem formatação. Outra
alternativa é colar o texto no Bloco de Notas e, em seguida, copiá-lo e colá-lo novamente em
um novo documento de Word.
Depois desse processo, como o arquivo está sem formatação, as páginas não
corresponderão às do documento original. Por exemplo, a página 1 do documento original está
ocupando as páginas 1 e 2 do documento limpo. Para que o arquivo convertido tenha o mesmo
número de páginas do documento original, é necessário comparar os dois documentos.
Baseando-se no documento original, deve-se verificar onde começa e onde termina o texto de
todas as páginas e digitar os números dessas no documento limpo. Nesses números de
página, será aplicado mais tarde o estilo Page Number (DAISY) para que o tocador reconheça
cada uma delas.
Outro fator a ser considerado é quando o arquivo estiver em formato .pdf. Nesse caso o
usuário deverá convertê-lo para o formato .docx. Dependendo do conversor utilizado, os
parágrafos deverão ser reorganizados e só depois é aconselhável utilizar o estilo Limpar Tudo,
ou ainda, o usuário poderá utilizar alguns conversores gratuitos de PDF, como o Free OCR9.
Se o usuário optar por um conversor pago, poderá utilizar o Adobe Acrobat Professional ou
ABBY FineReader, que oferecem uma boa fidelidade ao documento convertido.

8
NCE/UFRJ. MecDaisy. Disponível em <http://intervox.nce.ufrj.br/~mecdaisy/windows/>. Acesso em abr
2013.
9
FREE OCR. Disponível em <http://www.free-ocr.com>. Acesso em abr 2013.
3. Caso o arquivo seja muito extenso (acima de 150 páginas), é aconselhável dividi-lo em
capítulos, páginas ou outra forma que se adeque à preferência do usuário. Isso se deve ao fato
de que erros no processo de conversão podem ocorrer com mais frequência com arquivos
muito longos. Esse tópico será abordado mais adiante.
4. Após o texto, sem formatação, ser colado no novo documento, chega o momento de se
inserir todas as imagens no arquivo. Esse processo será facilitado se o usuário fizer alguma
marcação no espaço onde deve ser introduzida a imagem (Inserir Figura 1, por exemplo).
5. O próximo passo é fazer a descrição de todas as imagens. Este é um dos processos que
pode ser feito à parte. Sua ordem não altera o processo de conversão. Então, se o usuário
preferir, esse pode ser o primeiro passo. Quanto à metodologia para a descrição das imagens,
cada indivíduo pode ter a sua própria. No entanto, há documentos oficiais sobre esse assunto,
um exemplo é a Nota Técnica n° 21 (BRASIL, 2012), que traz orientações para descrição de
imagens na geração de material digital acessível – MecDaisy. Outros documentos que
abordam essa temática e que embasam a metodologia utilizada pelas autoras são
apresentados em DAL PONTE et al. (2012). Abaixo um excerto desse artigo:

Uma imagem pode ter diversas formas de se ver e a forma de cada um percebê-la
e apreciá-la depende da própria forma de vê-la. Por isso, chamamos a atenção
para a tentativa de imparcialidade, já que deve-se evitar impor a interpretação do
descritor sobre o que a imagem está retratando. Sentimentos são muito relativos e
cada indivíduo tem o seu próprio entendimento sobre o que está sendo
reproduzido. [...] Além disso, a descrição e os detalhes de uma ilustração podem
determinar o papel que a mesma desempenha no contexto (DAL PONTE et al,
2012, p. 21).

6. Em seguida, devem ser aplicados os estilos. Para isso, é necessário que o usuário acesse
a aba Accessibility, no menu do editor de texto, e clique no botão Import – DAISY Styles,
conforme a Figura 2 (parte superior); ele ficará desabilitado e os estilos serão carregados
juntamente com os estilos do Microsoft Word. Estes estilos podem ser conferidos clicando-se
em Início→Estilo. No canto direito inferior do grupo Estilos, conforme a Figura 2 (parte inferior)
é preciso clicar no ícone que possibilita abrir a janela de seleção de estilos ou usar o atalho
“Alt+Ctrl+Shift+S”.

Figura 2. Captura de tela indicando o Import - DAISY Styles na parte superior da imagem. Abaixo, a indicação do
ícone que possibilita a abertura da caixa de seleção de Estilos
Os estilos definem a hierarquia do documento e possibilitam que o leitor navegue pelo livro
através do sumário do próprio Tocador MecDaisy. Sendo assim, o usuário deve definir
previamente esta hierarquia para poder aplicá-la. São aproximadamente 35 estilos Daisy, além
de aproximadamente 20 estilos do editor de texto. Alguns poucos estilos aplicados são
suficientes para que o leitor possa trafegar pelo documento com precisão.
Na sequência, serão abordados os estilos que mais utilizamos e a função de cada um:

 Convertitle (DAISY): Título principal do documento;


 Author (DAISY): Autor do documento;
 Page Number (DAISY): Número das páginas;
 Image-Caption (DAISY): Legenda de imagem e imagem;
 Citation (DAISY): Citação ou referência de outro documento;
 Definition (DAISY): Definição de algum termo/palavra;
 Table-Caption (DAISY): Leitura da tabela;
 Título 1; Título 2; Título 3 (...): Fazem parte do próprio editor de texto. São utilizados
para marcar níveis do texto, como título, subtítulo e outros subníveis;
 Limpar Tudo: Estilo do editor de texto. Possibilita que toda a formatação do texto,
inclusive outros estilos, sejam apagados, deixando apenas o texto.
Para aplicar cada estilo, é importante que o usuário selecione apenas o texto necessário e
clique no estilo correspondente. Caso o usuário selecione uma linha acima ou abaixo do texto,
ainda que ela esteja em branco, haverá erro durante a conversão. Isso será abordado
novamente na última seção desse tutorial.
7. Depois de retirar a formatação do documento, inserir e descrever as imagens, aplicar todos
os estilos, tanto em títulos, como em imagens e números, é o momento de convertê-lo. Para
isso, o arquivo deve ser salvo no formato .docx.
Essa conversão é feita no próprio editor de texto utilizado. Para tal, o usuário deve clicar no
Botão Office, no canto superior esquerdo, e clicar na opção Save as Daisy. Após, o usuário
deve escolher a opção Full Daisy (from single docx) e clicar em Narrator-DtbookToDaisy. Em
seguida, aparecerá uma nova janela, demonstrada na Figura 3, onde será possível escolher a
pasta de destino do arquivo convertido em Output directory. Deve-se digitar o nome do arquivo
convertido em Title, digitar o nome do autor ou da instituição da conversão em Creator, e o do
editor em Publisher. Na parte inferior da janela há quatro botões, um deles é o Translate onde,
clicando sobre ele, é possível iniciar a conversão do documento. O campo Uid não deve ser
alterado.

Figura 3. Janela Narrator-DtbookToDaisy com os campos "Title", "Creator" e "Publisher" preenchidos


Depois disso, aparecerá uma barra de progresso Translate to Daisy para que seja possível
acompanhar o processo inicial da conversão. Em seguida, aparecerá outra barra de progresso
Pipeline JobProgress, que mostrará o andamento da conversão em 14 passos, que podem ser
acompanhados abaixo da barra de progresso.
Quando a conversão for concluída, aparecerá uma caixa de diálogo denominada Pipeline
JobCompleted, exibindo a mensagem JobCompleted. Será necessário clicar em OK e, em
seguida, a pasta em que o arquivo foi salvo será aberta automaticamente.

Figura 4. Janela de mensagem indicando a conclusão da conversão

Conforme apresentado anteriormente, se o documento for muito extenso é aconselhável


dividi-lo em capítulos ou tópicos. Se o usuário proceder desta forma, poderá converter cada
capítulo individualmente, seguindo os passos acima descritos. Por fim, será necessário agrupar
todas as partes convertidas, sejam capítulos, páginas ou tópicos, e converter todo o arquivo.
8. Após a conversão do documento para o formato Daisy, o usuário poderá ouvir e navegar
pelo mesmo através do tocador MecDaisy. Isto permite que o usuário identifique e anote as
palavras que não estão sendo sonorizadas corretamente, além de outras falhas.
9. No caso de palavras que não são sonorizadas corretamente pelo sintetizador do Tocador
MecDaisy, pode-se incluir a palavra e sua forma fonética no repositório do programa.
Procedendo desta forma, o tocador não apresentará problemas ao ler essa palavra. É
importante destacar que esse repositório varia em cada computador. Desta forma, o usuário
deverá navegar pelos diretórios de seu computador até encontrar a pasta NCEMEC. No
Windows XP, este diretório estará em Arquivos de Programas. Deve-se procurar pela pasta
LianeTTS e, dentro desta pasta, pelo arquivo portug.exc. Neste arquivo devem ser incluídas as
palavras necessárias da seguinte forma: escrever a palavra com sua forma ortográfica correta;
inserir o sinal de igual (=); escrever a palavra na sua forma fonética. Em caso de dúvida, deve-
se seguir o padrão das palavras que já estão no repositório, por exemplo: fluxo=flucsso. É
preciso salvar as alterações e iniciar novamente o livro no tocador para que seja feita a revisão
final do documento.

4 Soluções para possíveis falhas ou problemas durante a conversão


de documentos
Durante a conversão de alguns arquivos, nos deparamos com situações em que a
conversão do documento não era finalizada. Analisando determinadas situações, foi possível
perceber que algumas falhas ocorriam com maior frequência quando determinados passos não
eram seguidos. Na sequência, serão abordados alguns cuidados que devem ser tomados para
que essas falhas não ocorram na conversão de livros e documentos em geral.
 Certificar-se de que o documento que o usuário pretende converter não possui nenhum
resquício da formatação do arquivo original. Por isso, é imprescindível que o texto seja
selecionado e aplicado o estilo Limpar Tudo. Ainda, para garantir que nenhuma forma
geométrica (ou qualquer outro símbolo) tenha sido acidentalmente copiada para o arquivo, é
preciso se posicionar na aba Exibição e marcar a opção Linhas de Grade. Em seguida deve-se
revisar o documento a fim de assegurar somente a presença de texto ao longo do documento.
 Para evitar que haja algum problema em relação às imagens antes ou depois da
conversão, aconselha-se salvar cada uma delas com nomes diferentes. Além disso, é
necessário inseri-las no documento, e não apenas copiá-las. Se o usuário somente copiar as
imagens, há o risco de o arquivo não concluir a conversão. Também aconselha-se a não
exclusão da pasta de imagens até o final da conversão.
 É muito importante que o usuário que estiver inserindo os estilos certifique-se de que
apenas o texto necessário está selecionado. Os maiores problemas de conversão estão nesta
etapa. A ferramenta “¶” mostra parágrafos e símbolos ocultos, como espaços entre palavras.
Com ela, é possível distinguir o que deve ser devidamente selecionado.
 Outra falha frequente é em relação à paginação. É importante que a pessoa que está
fazendo o trabalho de preparar o documento esteja atenta à sequência de páginas, não
esquecendo nenhuma página ou duplicando-as.
 Mesmo se, por exemplo, um livro estiver sendo convertido separadamente por capítulos, é
importante que cada um destes arquivos contenha o estilo Convertitle em seu início. Foram
observadas algumas falhas na conversão de documentos que, por se tratarem de continuação,
não estavam com este estilo. Assim, mesmo que provisoriamente, é aconselhável que ele seja
inserido em cada arquivo. Depois de agrupar todos os capítulos de um livro, por exemplo, eles
devem ser excluídos, deixando apenas o Convertitle original do documento.
 Quando há falha no processo de conversão, uma caixa de diálogo Pipeline JobFailed é
aberta automaticamente, informando o passo em que a conversão falhou. No botão Detalhes é
possível ver a lista de mensagens de erro. Muitas vezes, a linha indicada na janela não
corresponde ao erro efetivamente. Nesses casos, recomenda-se ao usuário, limpar a área “ao
redor” desta linha, ou seja, limpar os estilos mais próximos.
 Outro problema pode ocorrer com documentos muito extensos ou alterados muitas vezes.
Nesses casos, há a possibilidade de o documento ficar corrompido e, então, não haver mais a
possibilidade de conversão. Infelizmente, nesse caso será necessário limpar novamente todo
o documento, inserir novamente todos os estilos (não é necessário inserir novamente as
imagens) e aí sim tentar novamente a conversão.

Considerações Finais

O objetivo desse tutorial foi auxiliar o indivíduo incumbido da conversão de arquivos para o
formato Daisy. Por se tratar de uma proposta relativamente nova, há pouco material disponível
para sanar determinadas dúvidas e problemas que surgem durante o processo de conversão.
Fazendo uma busca superficial na internet, foram encontrados dois tutoriais10 para a conversão de
arquivos em Daisy. Mesmo assim, os problemas que foram abordados nesse tutorial não são
citados nos documentos consultados. Além disso, no endereço da UFRJ11 é possível assistir o
tutorial em vídeo sobre o Tocador MecDaisy.

10
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Assistência Social. Disponível em
<http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/comunidades/assistencia_social/cartilha/>. Acesso em abr
2013.
11
NCE/UFRJ. MecDaisy. Disponível em <http://intervox.nce.ufrj.br/~mecdaisy/tutorial.htm>. Acesso em abr
2013.
Infelizmente, por mais que os passos anteriores sejam devidamente seguidos, às vezes
ocorrem falhas não identificadas durante o processo de conversão. Nesses casos,
frequentemente optamos por limpar todo o documento (com o estilo Limpar Tudo) e recomeçamos
o processo para tentar uma nova conversão, usualmente com sucesso.
Apesar dos percalços, os arquivos convertidos, após corrigidas as palavras mal
sonorizadas de forma diferente pelo tocador, ficam exatos. A pessoa com baixa visão ou cega tem
a possibilidade de navegar por todo o documento facilmente.
Embora seja um processo bastante trabalhoso, a conversão de arquivos para o formato
Daisy é também gratificante, representando um divisor de águas no que tange à inclusão
sociodigital, possibilitando a democratização do acesso a essa parcela de usuários muitas vezes
alijados de espaços digitais tutelados por imagens.

Referências

BRASIL, 2012. Nota Técnica nº 21 - Orientações para descrição de imagem na geração de material
digital acessível – MecDaisy SECADI/MEC. Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10538&Itemid=>.
Acesso em Jun 2012.

DAISY CONSORTIUM. Save As DAISY - Microsoft Word Add-In. Disponível


<http://www.daisy.org/projects/save-as-daisy-microsoft/>. Acesso em abr 2013.

DAL PONTE, Marina; SALVATORI, Tamara; SONZA, Andréa Poletto. Material digital acessível para
deficientes visuais: ampliando o acesso à informação. Instituto Benjamin Constant, Rio de Janeiro, n.53,
p.16-29, 2012. Quadrimestral.

FREE OCR. Disponível em <http://www.free-ocr.com>. Acesso em abr 2013.

MICROSOFT. Microsoft .NET Framework 3.5. Disponível em <http://www.microsoft.com/pt-


br/download/details.aspx?id=21>. Acesso em abr 2013.

MICROSOFT. 2007 Microsoft Office System Update: Redistributable Primary Interop Assemblies.
Disponível em <http://www.microsoft.com/en-us/download/details.aspx?id=18346>. Acesso em abr 2013.

NCE/UFRJ. MecDaisy. Disponível em <http://intervox.nce.ufrj.br/~mecdaisy/windows/>. Acesso em abr


2013.

NCE/UFRJ. MecDaisy. Disponível em <http://intervox.nce.ufrj.br/mecdaisy>. Acesso em abr 2012.

NCE/UFRJ. MecDaisy. Disponível em <http://intervox.nce.ufrj.br/~mecdaisy/tutorial.htm>. Acesso em abr


2013.

SONZA, Andréa Poletto. Ambientes Virtuais Acessíveis sob a perspectiva de usuários com limitação
visual. Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em
Informática na Educação, Porto Alegre, 07 de Maio de 2008. Disponível em
<http://acessibilidade.bento.ifrs.edu.br/manuais-acessibilidade-web.php> Acesso em mar 2013.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Assistência Social. Disponível em


<http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/comunidades/assistencia_social/cartilha/>. Acesso em abr
2013.