Você está na página 1de 8

Ordem Social – Previdência e Assistência Social – DIREITO CONSTITUCIONAL

Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

ORDEM SOCIAL – PREVIDÊNCIA E ASSITÊNCIA SOCIAL

Esta aula abordará a previdência e a assistência social que compõem, jun-


tamente com a saúde, a seguridade social, abordada nos artigos 194 e 195 da
Constituição Federal.

1. Introdução (Art. 201 a 204)

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral,
de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preser-
vem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a:
I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
II – proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
III – proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
A previdência pode ser abordada a partir do regime geral, gerenciado pelo
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e pelo regime próprio dos servidores
titulares de cargos efetivos abordado no art. 40. A principal diferença entre assis-
tência e previdência social é que esta última exige contribuição, porém ambas
são direitos sociais descritos no art. 6º do texto constitucional:
Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,
a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.
IV – salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de
baixa renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)

• Sobre o auxílio-reclusão, o Supremo Tribunal Federal entende:


“Segundo decorre do art. 201, IV, da Constituição, a renda do segurado preso
é que a deve ser utilizada como parâmetro para a concessão do benefício e não
a de seus dependentes. Tal compreensão se extrai da redação dada ao referido
ANOTAÇÕES

1
www.grancursosonline.com.br
DIREITO CONSTITUCIONAL – Ordem Social – Previdência e Assistência Social
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

dispositivo pela EC 20/1998, que restringiu o universo daqueles alcançados pelo


auxílio-reclusão, a qual adotou o critério da seletividade para apurar a efetiva
necessidade dos beneficiários. Diante disso, o art. 116 do Decreto 3.048/1999
não padece do vício da inconstitucionalidade.” (RE 587.365, rel. min. Ricardo
Lewandowski, julgamento em 25-3- 2009, Plenário, DJE de 8-5-2009, com
repercussão geral.) No mesmo sentido: AI 767.352-AgR-segundo, rel. min. Ellen
Gracie, julgamento em 14-12-2010, Segunda Turma, DJE de 8-2-2011.
V – pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou com-
panheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º (que afirma que nenhum
benefício pode ser menor que o salário mínimo).

• O Supremo Tribunal Federal compreende que o direito à previdência social


não deve ser afetado pelo decurso do tempo porque o cumprimento dos
pressupostos gera direito adquirido. Não há prazo decadencial para a con-
cessão do benefício, mas há prazo para a revisão deste:
“O direito à previdência social constitui direito fundamental e, uma vez imple-
mentados os pressupostos de sua aquisição, não deve ser afetado pelo decurso
do tempo. Como consequência, inexiste prazo decadencial para a concessão
inicial do benefício previdenciário. É legítima, todavia, a instituição de prazo deca-
dencial de dez anos para a revisão de benefício já concedido, com fundamento
no princípio da segurança jurídica, no interesse em evitar a eternização dos lití-
gios e na busca de equilíbrio financeiro e atuarial para o sistema previdenciário.
O prazo decadencial de dez anos, instituído pela MP 1.523, de 28-6-1997, tem
como termo inicial o dia 1º-8-1997, por força de disposição nela expressamente
prevista. Tal regra incide, inclusive, sobre benefícios concedidos anteriormente,
sem que isso importe em retroatividade vedada pela Constituição. Inexiste direito
adquirido a regime jurídico não sujeito a decadência.” (RE 626.489, rel. min.
Roberto Barroso, julgamento em 16-10-2013, Plenário, DJE de 23-9-2014, com
repercussão geral).
ANOTAÇÕES

2
www.grancursosonline.com.br
Ordem Social – Previdência e Assistência Social – DIREITO CONSTITUCIONAL
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

• Em relação à concessão do benefício previdenciário, o STF compreende


que o interessado deve fazer o requerimento administrativo, e apenas
recorra ao judiciário em caso de negativa ou atraso da decisão:
“A instituição de condições para o regular exercício do direito de ação é com-
patível com o art. 5º, XXXV, da Constituição. Para se caracterizar a presença
de interesse em agir, é preciso haver necessidade de ir a juízo. A concessão
de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, não se
caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e indeferi-
mento pelo INSS, ou se excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver,
no entanto, que a exigência de prévio requerimento não se confunde com o
exaurimento das vias administrativas. (RE 631.240, rel. min. Roberto Barroso,
julgamento em 3-9-2014, Plenário, DJE de 10-11-2014, com repercussão geral).

2. Notas complementares

A aposentaria com direitos ressalvados é a chamada aposentadoria especial.


Essa norma possui eficácia limitada uma vez que necessita da regulamentação
legislativa posterior em lei complementar, como aborda o § 1º:
§ 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a conces-
são de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social,
ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que pre-
judiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados porta-
dores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) n. 20, de 1998).
Caso o trabalhador possua ocupação que prejudique a saúde, mas receba
equipamento que elimine completamente o risco, não terá direito à aposentado-
ria especial. Caso contrário, possui direito à aposentadoria especial:
“Aposentadoria especial. Art. 201, § 1º, da Constituição da República. Requi-
sitos de caracterização. Tempo de serviço prestado sob condições nocivas. For-
necimento de Equipamento de Proteção Individual – EPI. (...) A interpretação do
instituto da aposentadoria especial mais consentânea com o texto constitucio-
nal é aquela que conduz a uma proteção efetiva do trabalhador, considerando
ANOTAÇÕES

3
www.grancursosonline.com.br
DIREITO CONSTITUCIONAL – Ordem Social – Previdência e Assistência Social
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

o benefício da aposentadoria especial excepcional, destinado ao segurado que


efetivamente exerceu suas atividades laborativas em ‘condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física’. Consectariamente, a primeira tese
objetiva que se firma é: o direito à aposentadoria especial pressupõe a efetiva
exposição do trabalhador a agente nocivo à sua saúde, de modo que, se o EPI
for realmente capaz de neutralizar a nocividade não haverá respaldo constitucio-
nal à aposentadoria especial. A Administração poderá, no exercício da fiscaliza-
ção, aferir as informações prestadas pela empresa, sem prejuízo do inafastável
judicial review.
Em caso de divergência ou dúvida sobre a real eficácia do Equipamento de
Proteção Individual, a premissa a nortear a Administração e o Judiciário é pelo
reconhecimento do direito ao benefício da aposentadoria especial. Isto porque o
uso de EPI, no caso concreto, pode não se afigurar suficiente para descaracteri-
zar completamente a relação nociva a que o empregado se submete. (...) Desse
modo, a segunda tese fixada neste Recurso Extraordinário é a seguinte: na hipó-
tese de exposição do trabalhador a ruído acima dos limites legais de tolerância,
a declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profissiográfico Previdenciário
(PPP), no sentido da eficácia do Equipamento de Proteção Individual - EPI, não
descaracteriza o tempo de serviço especial para aposentadoria.” (ARE 664.335,
rel. min. Luiz Fux, julgamento em 4-12-2014, Plenário, DJE de 12-2-2015, com
repercussão geral).
§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendi-
mento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo.
(Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefí-
cio serão devidamente atualizados, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em
caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei. (Redação
dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade
de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdên-
cia. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
ANOTAÇÕES

4
www.grancursosonline.com.br
Ordem Social – Previdência e Assistência Social – DIREITO CONSTITUCIONAL
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas terá por base


o valor dos proventos do mês de dezembro de cada ano. (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 20, de 1998).

3. Condições para aposentação no RGPS

A aposentadoria é uma norma de eficácia limitada pelos termos da lei:


§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos
termos da lei, obedecidas as seguintes condições: (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998)
I – trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribui-
ção, se mulher; (Incluído dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
II – sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se
mulher, reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos
os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia fami-
liar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal. (Inclu-
ído dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo anterior serão redu-
zidos em cinco anos, para o professor que comprove exclusivamente tempo de
efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fun-
damental e médio. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 9º Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do
tempo de contribuição na administração pública e na atividade privada, rural e
urbana, hipótese em que os diversos regimes de previdência social se compen-
sarão financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei. (Incluído dada
pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
Ou seja, para os trabalhadores que contribuíam para o regime geral de pre-
vidência social e que, no serviço público, passam a contribuir para o regime pró-
prio de previdência, é possível haver averbação e compensação da contribuição
já realizada.
ANOTAÇÕES

5
www.grancursosonline.com.br
DIREITO CONSTITUCIONAL – Ordem Social – Previdência e Assistência Social
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

Notas

O Supremo Tribunal Federal entende que é inconstitucional lei estadual que


crie restrições para tal compensação de regimes de previdência:
“Servidor Público. Aposentadoria. Contagem do tempo de contribuição na ati-
vidade privada para fins de compensação financeira. Restrição do período por
lei estadual. Ofensa ao art. 202, § 2º, da Carta Magna (atual art. 201, § 9º)”. (ADI
1.798, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 27-8-2014, Plenário, DJE de 5-
11-2014).
§ 10. Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho, a ser aten-
dida concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor pri-
vado. (Incluído dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorpora-
dos ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente reper-
cussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 12. Lei disporá sobre sistema especial de inclusão previdenciária para aten-
der a trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda própria que se dedi-
quem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde
que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a benefícios
de valor igual a um salário-mínimo. (Redação dada pela Emenda Constitucional
n. 47, de 2005).
§ 13. O sistema especial de inclusão previdenciária de que trata o § 12 deste
artigo terá alíquotas e carências inferiores às vigentes para os demais segurados
do regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n.
47, de 2005).

4. Regime de previdência privada – Complementar

O cidadão que se aposenta pelo regime geral de previdência social possui


um teto do provento, que é atualizado anualmente. Aquele que quiser receber
além desse teto pode contribuir facultativamente para o regime de previdência
privada:
ANOTAÇÕES

6
www.grancursosonline.com.br
Ordem Social – Previdência e Assistência Social – DIREITO CONSTITUCIONAL
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organi-


zado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será
facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício con-
tratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Consti-
tucional n. 20, de 1998).
§ 1º A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante
de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às
informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
“A faculdade que tem os interessados de aderirem a plano de previdência
privada decorre de norma inserida no próprio texto constitucional (art. 202 da
CB/1988). Da não obrigatoriedade de adesão ao sistema de previdência pri-
vada decorre a possibilidade de os filiados desvincularem-se dos regimes
de previdência complementar a que aderirem, especialmente porque a liber-
dade de associação comporta, em sua dimensão negativa, o direito de desfiliação,
conforme já reconhecido pelo Supremo em outros julgados. Precedentes.” (RE
482.207-AgR, rel. min. Eros Grau, julgamento em 12-5-2009, Segunda Turma,
DJE de 29-5-2009). No mesmo sentido: RE 772.765-AgR, rel. min. Rosa Weber,
julgamento em 24-1-2013, Primeira Turma, DJE de 5-9-2014; RE 603.891-AgR,
rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 26-6-2012, Segunda Turma, DJE de
13-8-2012.
§ 2º As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratu-
ais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades
de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes,
assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração
dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional
n. 20, de 1998).
§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela
União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações,
empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas,
salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma,
sua contribuição normal poderá exceder a do segurado. (Incluído pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
ANOTAÇÕES

7
www.grancursosonline.com.br
DIREITO CONSTITUCIONAL – Ordem Social – Previdência e Assistência Social
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Dis-


trito Federal ou Municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades
de economia mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto
patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada, e suas respecti-
vas entidades fechadas de previdência privada.
§ 5º A lei complementar de que trata o parágrafo anterior aplicar-se-á, no que
couber, às empresas privadas permissionárias ou concessionárias de prestação
de serviços públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas de previ-
dência privada.
§ 6º A lei complementar a que se refere o § 4º deste artigo estabelecerá os
requisitos para a designação dos membros das diretorias das entidades fecha-
das de previdência privada e disciplinará a inserção dos participantes nos cole-
giados e instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto de discus-
são e deliberação.

Obs.: Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos
Online, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor
Wellington Antunes.
ANOTAÇÕES

8
www.grancursosonline.com.br