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monitorados por grupos de profissionais e pelo governo.

Epílogo

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Índice remissivo

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INTRODUÇÃO

Como identificar zebras

Todo estudante de Medicina já ouviu esta máxima sobre o


diagnóstico: "O barulho de cascos que você ouve atrás de
si, em geral, não é de zebras”. Fora da África, evidentemente,
barulho de cascos geralmente indica a presença de um
cavalo.

O seriado House apresenta uma equipe de especialistas


médicos, liderada pelo Dr.

Gregory House, cuja função é identificar zebras médicas,


aqueles casos surpreendentes em que o som dos cascos não
anuncia cavalo algum. Quando uma mulher jovem e
aparentemente saudável tem uma convulsão e de repente
perde a capacidade de falar, House e sua equipe encontram
uma tênia em seu cérebro, e não o tumor inicialmente
considerado. Quando um jogador de rúgbi de 16 anos
apresenta visão dupla, a causa não é um acidente no campo,
mas um vírus mutante alojado em seu cérebro.

O personagem Gregory House em parte é baseado no


famoso detetive ficcional Sherlock Holmes e, como Holmes,
o Dr. House está pronto para se valer das mais improváveis
deduções para solucionar os mistérios com os quais depara,
assim que todas as demais possibilidades são eliminadas.
Verdade seja dita, os médicos em House enfrentam uma
combinação de casos bem peculiar e as doenças que
descobrem são, muitas vezes, raríssimas, mas isso não
significa que sejam totalmente impossíveis. Se você destilar
a experiência de milhares de médicos e milhões de pacientes
ao longo de muitos anos, bem, tudo que pode acontecer
provavelmente já aconteceu. Tênias e vírus mutantes são
encontrados, embora raramente, nos cérebros de pacientes
reais por médicos que não tinham a menor idéia de que uma
zebra bateria à sua porta naquele dia específico.

Embora Gregory House chegue a seus mirabolantes


diagnósticos com mais rapidez, charme e arrogância que os
médicos comuns, ele faz o que todos tentam fazer quando
confrontados com um caso difícil: estabelece conexões
críticas entre pistas fracas para identificar e tratar a tempo os
riscos médicos que ameaçam a vida dos pacientes.
Então, como os médicos, seja em um consultório, no setor de
emergência de um hospital ou em um importante centro
médico acadêmico, concluem se as queixas dos pacientes
são rotineiras ou alarmantes?

Nas próximas páginas, vamos repassar os métodos e os


instrumentos de diagnóstico e tratamento para entender os
fatos e a ficção por trás de House. Todo caso está cheio de
elementos desconhecidos no começo... E todo médico deve,
rapidamente, tomar decisões preliminares sobre fragmentos
de informações. O problema de algum modo representa uma
ameaça imediata à vida do paciente? É contagioso? Há
necessidade de intervenção urgente ou existe tempo para
investigar todas as possibilidades?

Conversar com o paciente e realizar um rápido exame físico é


suficiente ou há necessidade de recorrer a testes
laboratoriais, exames radiológicos e outros procedimentos
especiais?

Os médicos fazem perguntas. Fazem um minucioso


levantamento do organismo de seus pacientes. Podem
solicitar exames, avaliações radiológicas ou procedimentos
que os ajudarão a eliminar ou acolher diferentes
diagnósticos possíveis. Muitas das perguntas e opções
nessa gama de decisões são influenciadas pelo ambiente em
que se dá o encontro entre paciente e médico. Um médico de
família pode ser capaz de estabelecer o elo entre os novos
sintomas e uma condição crônica que o paciente enfrenta há
anos. Um médico da emergência agirá para determinar
rapidamente se a vida ou os órgãos do paciente correm risco
imediato. Um especialista procura respostas para as
perguntas específicas que levaram o paciente a seu
consultório. Um oncologista procura um tumor. Um
infectologista procura uma infecção. Um pneumologista
investiga os pulmões. E assim por diante.

Embora a metodologia básica de diagnóstico aplicada pelos


médicos atualmente já venha sendo utilizada há um século
ou mais, os instrumentos disponibilizados pela tecnologia
hoje em dia conferem aos médicos a capacidade de ver
rapidamente o que seus predecessores só viam tarde demais,
durante uma autópsia. Microscópios eletrônicos, testes de
anticorpos monoclonais, ultra-som, tomografias
computadorizadas, imagens por ressonância magnética e
muitos outros dispositivos e técnicas podem ser usados no
processo. Mas essas ferramentas não fazem o diagnóstico;
os médicos decidem quando e como aplicar testes
específicos e depois como interpretar os resultados.

Começa agora uma jornada ao mundo do diagnóstico.

CAPÍTULO 1