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A Parábola dos Dois Fundamentos (Mt 7.

23-27)

Todos nós sabemos que para enfrentar as tempestades da vida, seja em que área for
necessita-se muito mais que palavras, muito mais que currículos, muito mais que diplomas, muito
mais que conhecimento teórico dos fatos. Ao nos referirmos a vida cristã em si, essa verdade se
comprova com muito mais clareza. A boca fala o que quer e as pessoas afirmam e professam sua fé
com toda liberdade. Contudo só existe uma forma, um único jeito dessa confissão religiosa se
configurar em verdade factual: é quando se suporta a tribulação sem desistir.
O contexto da parábola
O contexto mais amplo dessa parábola é o próprio Sermão de Cristo conhecido como Sermão do
Monte ou da Montanha. Nesse sermão o Senhor admoesta tanto os falsos profetas quanto os
professos genuínos. O contexto mais imediato nesse caso é o próprio capitulo 7 onde Ele fala da
inutilidade da profissão religiosa sem a devida praticidade. O que ninguém duvida embora muitos
não o façam é que um sermão além de ser para ouvir o é também para ser praticado. E com esse
objetivo e justamente por isso que o Senhor Jesus está terminando seu sermão com uma parábola
que trate justamente de praticar a palavra que ouviram.
O clima e a geografia de Israel
Como em outros lugares no mundo, muitos rios permanecem secos durante boa parte do ano e
quando vem as chuvas do inverno e da primavera esses rios enchem de tal maneira que causam
inundações e tudo que estiver em seu caminho, inclusive casas, são levadas com facilidade devido a
força das correntezas. Isso acontece principalmente se as construções a beira de seus leitos não
tiverem alicerces que garantam a sua sustentabilidade.
A engenharia e arquitetura das casas
Na antiga palestina dos tempos Bíblicos, a grande maioria das casas eram simples e feitas com
materiais poucos resistentes comparados aos dos nossos dias. As casas, principalmente dos menos
privilegiados era quase todas feitas de madeira e barro. Os tijolos secam ao sol de forma que uma
construção não suportaria grandes tempestades. Em Mt 6.19 os ladroes conseguem cavar buracos e
roubar e em Mc 2.3,4 vemos alguns homens fazerem um buraco em uma casa por onde desceram
um amigo enfermo.
Não há diferença de proposito entre Mateus Lucas.
Mateus escreve que um homem construiu uma casa sobre a rocha e Lucas diz que um homem abriu
profunda vala e lançou nele o alicerce. Mateus diz que vieram as chuvas, sopraram os ventos,
transbordaram os rios e Lucas disse apenas que veio a enchente e arrojou-se o rio. Mateus diz que
um homem insensato construí a casa sobre a areia e Lucas diz que o homem construí sua casa
sobre a terra sem alicerces. Conforme Kistemaker, não há diferença senão na escrita, isso porque
Mateus escreve para judeus e Lucas escreve para gregos, pessoas cuja forma de construir tem
certas peculiaridades. Ao fim os dois dizem a mesma verdade.
O significado da parábola
O significado da parábola está em estreita concordância com o final do sermão que Jesus espera
que seja praticado por seus ouvintes. É insuficiente apenas ouvir suas palavras. Aquele que crê
deve aceitar a palavra do Senhor e construir sua fé apenas nele e nos seus ensinamentos. É em sua
palavra e Nele que o homem prudente deve construir sua vida. O homem prudente o ouve
atentamente e faz por onde sua vida possa seguir na direção que as palavras e os ensinos de Cristo
apontam. O que não ouve e não as pratica é aquele que coopera para sua própria perdição e ruina.
Não gasta tempo e nem investe os dias de sua vida de forma que possa fazer um bom alicerce. Isso
faz com que pense que toda a estrutura de sua vida já esta pronta e não precise mais de nada. Só
percebe já tardiamente que perdeu a chance quando vem um furacão e o destrói completamente.
Uma confissão de fé sem pratica é vã
No verso 21 desse capitulo 7 está escrito: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino
dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. É Cristo quem diz sobre a
nulidade de uma afirmação de fé sem que haja a devida correspondência prática. Tiago diz que
como o homem que se vê no espelho e depois esquece de como estava sua aparência. Ou seja,
não adiantou ter-se visto e depois não lembrar de nada para melhorar seu look.
O alicerce da parábola
O alicerce da parábola diz respeito a obediência a palavra de Deus. A obediência comprova a
verdadeira fé. Ambos os homens queriam e tinham condição de fazer a melhor casa. Os dois
construíram, mas apenas a casa de um permaneceu de pé diante da enchente e isso se dá
justamente e somente por conta do alicerce. Não foi a estética da casa, a cor, a simetria, ou a
espessura das paredes. A diferença se deu justamente a partir do alicerce.
Para onde a parábola aponta
O verso 22 diz que muitos “naquele dia”. Essa expressão aponta imediatamente e claramente para o
dia da vinda de Cristo. Isso todavia não impede de desde já, enquanto as pessoas caminham para
lá, sejam tomadas de súbito por provas e tribulações que neste mesmo instante possam provar sua
fé. Entretanto, caso estejam vivas no advento do Senhor serão provadas do mesmo jeito.
A aplicação da parábola
Tiago 1.22 diz: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a
vós mesmos”.
Se uma pessoa diz ser cristã, mas não obedece a palavra de Deus, essa profissão de fé não lhes
garante um centímetro de espaço no céu. A profissão de fé pode durar apenas até a primeira grande
tribulação ou pode passar dela. Geralmente as falsas profissões de fé não chegam nem a isso.
Livros consultados:
1. Comentário do Novo Testamento a luz do texto Grego de A. T. Robertson
2. Meditações no Evangelho de Mateus de J. C. Ryle
3. Comentário de Mateus de W. Wiersbe
4. As Parábolas de Jesus de Simon Kistemaker
5. Comentário de Mateus Beacon