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MICROBIOLOGIA 2012 2º SEMESTRE

Ágar sangue (AS) .............................. 189 Mycobacterium tuberculosis ............ 205


DEFINIÇÃO ........................................... 178
Ágar chocolate (AC).......................... 189 Tuberculose .......................................... 205
HISTÓRIA .............................................. 178 Ágar Macconkey (MC) ...................... 189 Mycobaterium leprae ....................... 206
Ágar Salmonella-Shigella (SS) .......... 189 Hanseníase ........................................... 206
DIVERSIDADE DA VIDA......................... 179
Meio Mtlyer Martin .......................... 190 BACILLUS ............................................. 207
Classificação dos seres ..................... 179
Ágar DNAse ...................................... 190 Bacillus antracis ............................... 207
Sistemas biológicos .......................... 179
COPROCULTURA ................................. 190 Brucella ................................................ 207
Conceito de espécie .......................... 179
SEMEADURA EM MEIO DE CULTURA ... 190 HAEMOPHILUS .................................... 207
Especiação ............................................ 179
Diagnóstico........................................... 207
Taxonomia ........................................ 179 Técnica ............................................. 190
Estria simples ....................................... 190
BORDETELLA ....................................... 208
Grupos taxonômicos ............................. 179
Técnica de Gram............................... 191 Bordetella pertussis .......................... 208
Nomenclatura................................... 180
Características dos animais .............. 180 PROVAS BIOQUÍMICAS .........................192 FUNGOS............................................... 209
Simetria ................................................ 180
PROVAS FERMENTATIVAS ........................... 192 REPRODUÇÃO ..................................... 209
REINOS ................................................ 180
Glicose e lactose ............................... 192 MICOSES SUPERFICIAIS ....................... 210
Reino monera ................................... 180
VM (Vermelho de Metila) ................. 192 Pitiríase versicolor ............................ 210
Reino protista ................................... 180
VP (Voges Proskauer) ....................... 192 MICOSES CUTÂNEAS ........................... 211
Reino fungi ....................................... 180
Teste de citrato ................................ 193 Dermatófitos .................................... 211
Reino plantae ................................... 180
FONTES DE NITROGÊNIO ............................ 193 MICOSES SUBCUTÂNEAS ..................... 212
BACTÉRIAS ........................................... 181 Teste de fenilalanina ........................ 193 esporotricose linfocutâneo ............... 212
Teste lisina descarboxilação ............. 193 Cromoblastomicose .......................... 212
CLASSIFICAÇÃO BACTERIANA .............. 181
Teste indol ........................................ 193 Micetoma eumicótico ...................... 213
Macroscópicas e microscópicas........ 181
Teste de uréase ................................ 194 MICOSES SISTEMICAS.......................... 214
Diferenciação metabólica ................. 181
Teste de catalase .............................. 194 Blastomicose .................................... 214
Diferenciação antigênica .................. 181
Cocoidioidomicose ........................... 214
FORMAS E ARRANJOS .......................... 181 BACTÉRIAS CAUSADORAS DE
Cocos ................................................ 181 DOENÇAS ........................................195 VIRUS .................................................. 215
Bacilos .............................................. 181
ESTRUTURA ......................................... 215
Espiral ............................................... 181 STAPHYLOCOCCUS .............................. 195
Staphylococcus aureus ..................... 195 Ácido nucleico .................................. 215
ESTRUTURAS BACTERIANAS ................ 182
Doenças causadas por toxinas ............. 196 Capsídeos e envelope ....................... 215
Citoplasma........................................ 182
Infecções Supurativas .......................... 196 Vírus helicoidais ................................... 215
Parede celular................................... 182 Vírus poliédricos ................................... 215
Staphylococcus epidermidis ............. 197
Gram-positiva ....................................... 182 Vírus envelopados ................................ 215
Gram-negativas .................................... 182 STREPTOCOCCUS ................................ 198 Vírus complexo ..................................... 215
BAAR 182 Streptococcus agalactiae ................. 198
MULTIPLICAÇÃO ................................. 216
Nucleoide .......................................... 182 Streptococcus pneumoniae .............. 198
Bacteriófago ..................................... 216
Endósporos ....................................... 183 VIBRIO ................................................. 199 Adsorção .............................................. 216
CRESCIMENTO BACTERIANO ............... 183 Vibrios cholerae ................................ 199 Penetração ........................................... 216
Fatores físicos ................................... 183 NEISSERIA ............................................ 199 Biossíntese........................................ 216
Fatores químicos .............................. 183 N. gonorrhoeae e N. meningitidis .... 199 Maturação ....................................... 216
PRODUÇÃO DE TOXINAS ..................... 184 Gonorreia ............................................. 200
Liberação .......................................... 216
DIVISÃO BACTERIANA.......................... 184 Meningite............................................. 200
VIRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA
Meningococcemia ................................ 200
Fases de crescimento........................ 184 HUMANA ..................................... 217
ENTEROBACTÉRIAS ............................. 201
TRANSFERÊNCIA DE GENES ................. 185 PAPILOMAVIRUS ................................. 218
Escherichia coli ................................. 201
Transformação ................................. 185
Meningite neonatal ............................. 201
Conjugação ....................................... 186
Shigella ............................................. 202
Transdução ....................................... 186
Salmonella ........................................ 202
MEIOS DE CULTURAS ............................ 187 Pseudômonas aeruginosa ................ 203
BACTÉRIAS ANAEROBIA....................... 204
TIPOS DE MEIOS DE CULTURA ............. 187
Clostridium ....................................... 204
TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO ........... 188
Clostridium tetani ................................ 204
Ágar nutriente (AN) .......................... 188
Clostridium botulinum ......................... 204
Cary Blair .......................................... 188
MICOBACTÉRIAS ................................. 205
CRESCIMENTO E ISOLAMENTO............ 189

177
DEFINIÇÃO Eles chamavam esse processo de geração
É a ciência que estuda os organismos que espontânea. As pessoas acreditavam que sapos,
somente podem ser observados ao microscópio. cobras e ratos poderiam nascer do solo úmido. O
Os micróbios, também chamados de alemão Rudolf Virchow criou o conceito da
microrganismos, são formas de vida diminutas, biogênese, que dizia que células vivas poderiam
individualmente muito pequenaS para serem surgir apenas de células vivas pré-existentes.
vistas a olho nu. O grupo inclui bactérias, fungos Pasteur forneceu evidências de que os
(leveduras e fungos filamentosos), protozoários e microrganismos não podem originar de forças
algas microscópicas. Neste grupo também estão místicas presentes em seres não vivos.
os vírus, entidades acelulares, algumas vezes
consideradas a fronteira entre seres vivos e não
vivos.

HISTÓRIA
A microbiologia é uma ciência relativamente
nova, com apenas 200 anos, porém, com a
recente descoberta do DNA da Mycobacterium
tuberculosis, numa múmia egípcia de 3000 anos,
indica que os microrganismos estão pelo mundo
há muito tempo. Os ancestrais das bactérias
foram às primeiras células a aparecerem na terra.
O período de 1857 a 1914 foi chamado de a
idade de ouro da microbiologia. Durante esse
período, liderados por Robert Koch, levaram ao
estabelecimento da microbiologia como ciência.
O primeiro a descobrir o mundo microbiológico
foi Antonie Von Leeuwenhock, em 1674 quando
olhava através de lentes de microscópio, um
mundo de milhões de minúsculos animalículos.
100 anos depois o biólogo Otto Friedrich
Mullerampliou os estudos de Van Leeuwenhoek
e organizou as bactérias em gêneros e espécie de
acordo com os métodos de classificação de
Carolus Linnaeus, para provar que os
microrganismos eram causadores de doenças em
seres humanos. Robert Koch e Louis Pasteur
confirmavam esta teoria. A quimioterapia começou
em 1910, quando o químico Paul Ehrlich
descobriu o primeiro agente antibacteriano, um
composto eficaz contra espiroqueta causadorA da
sífilis.

Figura 1: (A) Otto Friedrich Muller (1730-1778) Naturalista


dinamarquês, em 1769, foi eleito membro estrangeiro da
academia real sueca de ciência; (B) Carolus Linnaeus
(1707-1778) Botânico, zoólogo e médico sueco criou a
nomenclatura binominal e a classificação cientifica. Nos
seus últimos anos sofria de gota e dores de dente; (C)
Paul Ehrlich (1854-1915) Bacteriologista alemão recebeu
o Nobel de fisiologia de 1908. Era de uma família judia, foi
senador da sociedade Kaiser Wilhelm.

Após Antonie Van Leeuwenhoek descobrir o


mundo antes invisível dos microrganismos, muitos
cientistas da metade do séc. 19 acreditavam que
algumas formas de vidas poderiam surgir
espontaneamente da matéria morta.

178
DIVERSIDADE DA VIDA Conceito de espécie
A diversidade dos seres vivos também Espécie em latim significa tipo. As espécies são,
conhecidos como biodiversidade. Diz respeito ao no sentido mais simples, os diferentes tipos de
estudo dos seres vivos e das características que organismos. Podem ser definidos como um grupo
os tornam diferentes uns dos outros. O termo de organismos que cruzam entre si, sem cruzar
biodiversidade além de ser aplicável para com representantes de outros grupos. Os
geografia e ecologia, também se refere à geologia. organismos pertencentes a uma espécie devem
Dessa forma a biodiversidade deve sempre referir apresentar semelhanças estruturais e funcionais,
a um determinado local e um intervalo de tempo similaridades bioquímicas e mesmo cariótipo,
específico. além da capacidade de reprodução entre si.
Os seres vivos podem ser postos em grupos
distintos. Por exemplo, os mamíferos designam Especiação
um grupo especifico de seres vivos que possuem É o processo pelo qual as espécies vivas se
glândulas mamárias. Esse grupamento mamífero diferenciam em outras espécies, ou o processo de
pode ser subdividido em subgrupos. Roedores, transformação de uma espécie ancestral em duas
primatas e quirópteros são grupos componentes espécies descendentes. Um evento de especiação
do grupo maior dos mamíferos. dá origem a duas espécies, ditas descendentes, a
partir de uma única espécie, dita ancestral. Todas
Classificação dos seres as espécies modernas e todas as que já
Inicialmente, com base no modo de vida, direção habitaram a terra são evolutivamente
da evolução e tipo da organização de seu corpo, relacionadas, elas têm uma espécie ancestral em
os seres vivos foram divididos em dois grandes comum.
reinos: Animal e Vegetal. Mais tarde, com o No processo de especiação, uma espécie se
desenvolvimento do microscópio, tornou-se obvio transforma em duas, essa duas mais tardes irão
que muitos organismos não se encaixavam em se transformar em quatro, essas quatro em oito, e
nenhum desses reinos. assim por diante, teremos toda a diversidade
Outro sistema proposto e também mais usado foi biológica.
o de três reinos: Protista, Plantae e Animalia.
Nesse sistema, reuniam-se no reino protista Taxonomia
organismos com características vegetais. Estuda, descreve e classifica todos os
Depois, surgiu um novo sistema de classificação organismos em grupos taxonômicos. A taxonomia
agrupando os organismos em quatro reinos: surgiu no século 17, quando Linei criou um
Monera, Protista e Animalia ou Metazoa. sistema hierárquico de nomenclatura, a taxonomia
Um sistema de classificação mais recente descreve e classifica os organismos vivos.
compreende cinco reinos e foi proposto por
Whittaker. É composto por um reino Procariótico, Grupos taxonômicos
Monera, e outros quatro reinos eucarióticos. Tais O reino é a maior unidade usada em
grupos, nas maiorias multicelulares, diferem classificação biológica. Entre o nível do reino e o
fundamentalmente no seu modo nutricional. gênero, foram adicionadas várias categorias.
Temos então, os gêneros agrupados em família,
Sistemas biológicos as famílias agrupadas em ordens, as ordens
Todos os seres vivos podem ser classificados agrupadas em classes e as classes em filos,
como sistemas biológicos. Existem algumas seguindo um padrão hierárquico.
particularidades dos sistemas biológicos quando Há diversos níveis de classificação são
comparados com outros tipos de sistemas físicos agrupados hierarquicamente da seguinte forma:
ou químicos. Os sistemas biológicos diferenciam- domínios, reinos, filos, classes, ordens, famílias,
se pela capacidade de autorreplicação. Isso é ter gêneros e espécie. Um gênero contém várias
a capacidade de produzir copias de si mesma. espécies; da mesma forma, uma família contém
Tais copias são chamadas de descendentes e as vários gêneros; uma ordem várias famílias e assim
originais são chamadas de ancestrais. Esse elo de por diante. O nome específico deve sempre estar
parentesco que liga o ancestral a seus enfatizado no texto, itálico ou sublinhado, isso não
descendentes define as linhagens ancestral- se aplica a outras categorias como famílias,
descendentes. ordens e etc.

179
Nomenclatura REINOS
Os nomes científicos são latinizados porque o Reino monera
latim era uma língua usada pelos estudantes e por Compreende organismos procariontes,
ser uma língua morta, não sofrerá modificações. A unicelulares, apresentando os ribossomos como
nomenclatura cientifica designa para cada uma única organela. É representado pelas
organismo dois nomes, o gênero é o primeiro bactérias e cianobactérias.
nome, sempre sendo iniciado com letra
maiúscula; o segundo nome é o da espécie, Reino protista
escrito sempre em letra minúscula. Ambos, os Compreende as algas e os protozoários. As
nomes são escritos em itálicos ou sublinhados. algas são organismos eucariontes
Por convenção, após um nome cientifico ter sido fotossintetizantes. Os protozoários são
mencionado, ele pode ser abreviado com a inicial organismos unicelulares, eucariontes e
do gênero seguido pelo nome da espécie. heterótrofos (saprófitos, parasitas ou mutualistas).
 Salmonella typhimurium (bactéria);
 Streptococcus pyogenes (bactéria); Reino fungi
 Saccharomyces cerevisiae (levedura); Representado pelos fungos, organismo
 Penicillium chrysogenum (fungo); eucariontes, heterotróficos e geralmente
 Trypanosoma cruzi (protozoário). pluricelulares.

Características dos animais Reino plantae


Inclui uma grande variedade de animais reunidos Reúnem as plantas ou vegetais, organismos
em mais de 35 filos. Podemos reunir os animais eucariontes, pluricelulares e fotossintetizantes.
que compartilham um plano básico de
organização corporal no mesmo grupo, pode ser
dividido em dois grupos:
 Parazoário, constituídos pelas esponjas que
não apresentam tecidos propriamente ditos,
mas apenas conjunto de células diferenciadas;
 Eumetazoário, constituídos por todos os
demais filos onde animais apresentam tecidos
verdadeiros.

Simetria
Divisão imaginária do corpo de um organismo em
metades iguais e simétricas. Existem dois tipos de
simetria, a saber:
 Simetria radial: Ocorrem algumas esponjas,
nos cnidários e nos equinodermos adultos. Os
animais de simetria radial não apresentam
cabeça e cauda nem possuem lado direito e
esquerdo; seu eixo corporal vai da região onde
se encontra a boca até a região oposta.
 Simetria bilateral: nesse caso, há só um
plano de simetria dividindo o corpo em duas
metades iguais, direita e esquerda. Por estar
relacionado a uma movimentação mais ativa, é
característica de animais que nadam, cavam,
rastejam, andam ou voão.

180
BACTÉRIAS são chamados de sarcinas; os que se dividem em
São organismos simples e de uma única célula. múltiplos planos e formam agrupamentos tipo
São seres procariotos, do grego pré-núcleo. As cacho de uva são chamados de estafilococos.
bactérias apresentam formas de bacilos, cocos e
os epirilos, essas são as formas mais comuns. As
bactérias podem formar pares, cadeias, grupos ou
outros agrupamentos; tais características são de
um gênero particular ou uma espécie de bactéria.
As bactérias são envolvidas por um complexo de
carboidratos e proteína chamada de
peptidoglicano.

CLASSIFICAÇÃO BACTERIANA
São classificadas por aspectos microscópicos, Figura 2: (A) A divisão em um plano produz diplococos e
estreptococos; (B) A divisão em dois planos produz
pelas características de crescimento e tétrades; (C) A divisão em três planos produz sarcinas e
propriedades metabólicas, pela antigenicidade e, (D) A divisão em múltiplos planos produz estafilococos.
pelos genótipos.
Bacilos
Macroscópicas e microscópicas Dividem-se ao longo de seu eixo curto; a maioria
Aspectos microscópicos incluem o tamanho, dos bacilos apresenta-se como bastonetes
forma e configuração dos organismos, e a simples. Os diplobacilos se apresentam em pares
capacidade de reter corantes de Gram são as após a divisão e os estreptobacilos ocorrem em
formas iniciais de diferenciação bacteriana. A cadeias. Alguns bacilos são ovoides e parecidos
diferenciação entre as bactérias pode ser com cocos, são chamados de cocobacilos.
realizada pelas características do crescimento em
diversos meios de nutrientes seletivos.

Diferenciação metabólica
É baseado no perfil metabólico da bactéria, que
inclui as exigências de ambientes anaeróbicos ou
aeróbicos, exigência por nutrientes específicos e
produção de metabólitos característicos e de
enzimas especificas.

Diferenciação antigênica
Estas técnicas incluem hibridização de DNA,
amplificação pela reação em cadeia de polimerase Figura 3: (A) Bacilo isolado; (B) Diplobacilos. Na
(PCR). Estas técnicas não exigem bactérias micrografia do alto, alguns pares de bacilos unidos
viáveis ou em crescimento, podendo ser servem como exemplo de diplobacilos; (C)
Estreptobacilos e (D) Cocobacilos.
empregadas para detecção e identificação de
microrganismos d crescimento lento. Espiral
Possuem uma ou mais curvaturas, as bactérias
FORMAS E ARRANJOS parecidas a bastões curvos chamados de vibriões.
As bactérias têm vários tamanhos e formas: há Os espirilos têm uma forma helicoidal, outro grupo
algumas formas básicas: de espiral tem forma helicoidal e flexível, são
 Cocos: esféricos; chamados de espiroqueta.
 Bacilos: bastões;
 Espiral.
Cocos
Os cocos são redondos, podem ser ovais,
alongados e achatados numa extremidade.
Quando se dividem, podem permanecer ligados
uns aos outros. Os cocos que permanecem aos
pares são chamados de diplococos; os que se
dividem e permanecem ligados uns aos outros em
formas de cadeia são chamados estreptococos;
os que se dividem em dois planos e permanecem
em grupos de quatro são chamados como
Figura 4: (A) Vibriões; (B) Espirilos; (C) Espiroquetas.
tétrades; os que se dividem em três planos e
permanecem unidos em cubo, com oito bactérias,

181
ESTRUTURAS BACTERIANAS Gram-negativas
Citoplasma São mais complexas do que as células gram-
Contém o DNA, RNAm, ribossomos, proteínas e positivas, tanto do ponto de vista estrutural quanto
metabolitos. Os cromossomos bacterianos são químico. Estruturalmente, as paredes celulares de
únicos, de dupla fita circular não contida num gram-negativas contêm duas camadas externas à
núcleo, mas numa localização definida conhecida membrana citoplasmáticas. As paredes celulares
como núcleóide. Não tem histonas e o DNA não gram-negativas não contêm ácidos teicoicos.
forma nucleossoma. O citoplasma pode conter Como as paredes celulares das bactérias gram-
plasmidios estruturas circulares de DNA negativas contêm somente uma pequena
extracromossomal. O ribossomo bacteriano é quantidade de peptideoglicana, são mais
constituído de subunidade 30S + 50S, formando o suscetíveis ao rompimento mecânico.
ribossomo 70S.

Figura 5: (A) Uma subunidade menor 30S; (B) uma


subunidade maior 50S; (C) o ribossomo procariótico
completo 70S.

Parede celular
A estrutura, componentes e funções das paredes
celulares diferenciam as bactérias gram-positivas
das gram-negativas.

Gram-positiva Figura 7: parede celular gram-negativa. (A)


lipopolisacarídeos; (b) polissacarídeo O; (b) ceme
Tem uma parede celular espessa em múltiplas polissacarídeo; (c) lipídeo A; (B) parede celular; (d)
camadas constituídas de peptidoglicano membrana externa; (e) peptideoglicana; (f) membrana
plasmática; (g) periplasma; (h) proteína; (i) fosfolipideo;
envolvendo a membrana citoplasmática. O (j) lipoproteína; (l) proteína perina; (m) partes do LPS; (n)
peptidoglicano da célula é suficientemente poroso lipídeo A; (o) ceme polissacarídeo; (p) polissacarídeo O.
para permitir a difusão de metabólitos para a
membrana plasmática. O peptidoglicano é BAAR
essencial para a estrutura, para a duplicação e A coloração álcool ácido resistente é usada para
para a sobrevivência em condições hostis nas identificar bactérias do gênero Mycobacterium e
quais as bactérias crescem. As paredes celulares espécies patogênicas de nocardia. Bactérias
das bactérias gram-positivas contêm ácidos alcool-acido resistentes retêm a cor vermelha da
teicoicos, que consistem principalmente de um carbolfucsina. Se a parede for removida, estas
álcool (como o glicerol ou ribitol) e fosfato. bactérias irão se corar, pela coloração de gram,
Existem duas classes de ácidos teicoicos: ácido como gram-positivas.
lipoteicoico, que atravessa a camada de
peptideoglicana e está ligado à membrana
plasmática, e ácido-teicoico da parede, que está
ligado à camada de peptideoglicano.

Figura 8: (A) flagelo; (B) corpúsculo de inclusão; (C)


cápsula; (D) ribossomo; (F) cromossomo; (G) proteína;
(H) membrana externa; (I) camada de peptidoglicano; (J)
proteínas porina; (L) espaço periplasmático.

Nucleoide
Contém uma única molécula longa e contínua de
DNA de fita dupla, chamada cromossomo
bacteriano. Os cromossomos bacterianos não são
Figura 6: parede celular bacteriana. (1) estrutura de circundados por envelopes nucleares e não tem
peptideoglicanas em bactérias gram-positivas; (a) N-
acetilglicosamina (NAG); (b) ácido N-acetilmuranico histonas. As bactérias possuem fitas duplas aos
(NAM); (c) cadeia lateral de aminoácido; (d) ponte cromossomos e replicar-se independentemente do
cruzada de aminoácido; (e) ligação peptídica (f) cadeia
lateral tetrapeptica; (g) ponte cruzada peptídica; (h)
DNA cromossômica.
esqueleto de carboidrato; (i) peptideoglicano; (j) ácido
lipotecoico; (l) proteína; (m) membrana plasmática; (n)
parede celular; (o) ácido telcoico da parede. (2) parede
celular Gram-positiva.

182
Endósporos CRESCIMENTO BACTERIANO
Quando os nutrientes esgotam-se, algumas Os fatores necessários para o crescimento
bactérias gram-positivas formam células microbiano é dividido em duas categorias: físicos
especializadas de repouso, chamadas e químicos. Os fatores físicos incluem
endósporos. Os endósporos são células temperatura, ph e pressão osmótica. Os fatores
desidratadas muito duráveis, com parede químicos incluem fontes de carbono, nitrogênio,
espessas e camadas adicionais. São formadas enxofre, fósforo e oxigênio.
dentro da membrana celular bacteriana. Quando
liberadas no ambiente, pode sobreviver à Fatores físicos
temperatura extremas, falta de água e exposição a 1. Temperatura: Certas bactérias crescem em
muitas substâncias químicas tóxicas e radiação. temperaturas extremas, e outras crescem nas
O processo de formação de endósporos dentro de temperaturas ideais para os seres humanos.
uma célula vegetativa é conhecido como Os microrganismos podem ser classificados de
esporulação ou esporogenese. acordo com a sua temperatura preferida em:
 Psicófoilos: crescem em baixas
temperaturas;
 Mesófilos: crescem em temperatura
moderadas;
 Termófilos: crescem em altas
temperaturas.
2. pH: a maioria das bactérias crescem melhor
numa faixa estreita de pH perto da
neutralidade, entre 6,5 e 7,5. Poucas bactérias
crescem no pH ácido, algumas bactérias
chamadas de acidófilas, são resistentes à
acidez.
Figura 9: (A) parede celular; (B) membrana plasmática;
3. Pressão osmótica: Quando uma bactéria está
(C) citoplasma; (D) cromossomo; (E) septo. (1) o septo do numa solução cuja concentração de soluto é
esporo começa a isolar o DNA; recém-replicado e uma mais elevada que dentro da célula, a água
pequena porção de citoplasma. (2) a membrana
plasmática começa a circundar o DNA, o citoplasma e a atravessa a membrana celular para o meio
membrana isolados na etapa (1); (F) duas membranas; (3) com a concentração mais elevada de soluto. A
o septo do esporo circunda a porção isolada do pré- perda osmótica pode causar uma plasmólise,
esporo em formação; (4) a camada de peptidoglicano se
forma entre duas membranas; (5) a capa de esporos se ou encolhimento do citoplasma celular.
forma; (6) o endosporo é liberado da célula.
Fatores químicos
Carbono: Ele e a água são elementos essenciais
para o crescimento microbiano. O carbono é o
esqueleto estrutural da matéria viva; a metade do
peso seco de uma bactéria é composta de
carbono.
Nitrogênio, enxofre e fósforo: A síntese de
proteínas requer muito nitrogênio e enxofre. A
síntese de DNA e RNA requer nitrogênio e algum
fósforo que também é essencial para a síntese de
ATP. O nitrogênio corresponde a 14% do peso de
uma bactéria, o enxofre e o fósforo juntos tem 4%.

183
PRODUÇÃO DE TOXINAS DIVISÃO BACTERIANA
São substancias venosas produzidas por O crescimento bacteriano refere-se ao aumento
microrganismos, são frequentemente os fatores do número de bactérias e não ao aumento no
que contribuem para as propriedades patogênicas tamanho individual das bactérias. As bactérias
desses microrganismos. As toxinas podem ser de podem reproduzir-se por divisão binária ou por
dois tipos principais, com base em sua posição brotamento. Na divisão binária a divisão de uma
relativa às células microbianas: exotoxinas e bactéria produz duas células, a divisão dessas
endotoxinas. duas bactérias produz quatro, e assim por diante.
 Exotoxinas: São produzidas no interior de
algumas bactérias, como parte de seu
crescimento e metabolismo, sendo
secretadas pela bactéria no meio
circundante ou liberadas após a lise
celular. As bactérias que produzem
exotoxinas podem ser gram-positivas ou
gram-negativas. As exotoxinas agem
destruindo determinadas partes das
células do hospedeiro ou inibindo certas
funções metabólicas.
 Endotoxinas: Diferem das exotoxinas de
diversas formas. A endotoxinas para a
patogenicidade, a aderência entre Figura 10: diagrama da sequência da divisão celular. (1)
patogenos, chamado adesinas, que se liga parede celular; (2) membrana; (3) DNA (nucleoide). (a) a
célula alonga-se e o DNA é replicado; (b) a parede célula
a receptores complementares de superfície e a membrana plasmática começam a se dividir; (c)
nas células de certos tipos de tecidos do paredes intermediárias se formam, separando
hospedeiro. Os microrganismos possuem a completamente as duas copias do DNA; (d) as células se
separam.
habilidade de se agrupar e grandes
quantidades, aderir a superfícies e Fases de crescimento
compartilhar os nutrientes disponíveis. Há quatro fases básicas de crescimento: a fase
lag, a fase log, a fase estacionária e a fase de
morte celular.
Fase lag: Durante um tempo, a quantidade de
bactéria muda pouco, pois ela não se reproduz
imediatamente num novo meio. Esse período de
pouca ou nenhuma divisão é chamado de fase
lag. A população bacteriana passa por um período
de intensa atividade metabólica, envolvendo a
síntese de enzimas e várias moléculas.
Fase log: As células começarão a se dividir e
entram num período de crescimento, ou aumento.
A reprodução celular é mais ativa durante esse
período, e o tempo de geração atinge um valor
constante. A fase log é o momento de maior
atividade metabólica.
Fase estacionária: Caso a fase de crescimento
continue sem controle, ocorre a formação de um
grande número de células. No final do
crescimento, a velocidade de reprodução se
reduz, o número de mortes microbianas é
equivalente ao número de células novas, e a
população se estabiliza. A causa da interrupção
pode ser, pelo esgotamento dos nutrientes, e
acúmulo de resíduos e mudanças no pH danosas
à células podem ser os motivos.
Fase de morte celular: O número de bactérias
mortas supera o número de novas formadas, e a
população entra na fase de declínio.

184
TRANSFERÊNCIA DE GENES
As bactérias desenvolveram mecanismos para
adaptarem-se às mudanças e desafios do meio
ambiente. A troca de DNA e entre as bactérias
permite a transferência de genes e pode ser
vantajosas para as bactérias receptoras,
especialmente se o DNA transferido codifica a
resistência a antibióticos. Os plasmidios são
elementos genéticos, que se replicam de forma
independente do cromossomo bacteriano os
plasmidios são moléculas circulares, de fita dupla.
A transferência do material genético bacteriano
Figura 11: curva de crescimento bacteriano. (1) log do
número de bactérias; (2) tempo (a) fase lag, intensa
pode ocorrer de três formas: conjugação,
atividade de preparação para o crescimento transformação e transdução.
populacional, mas sem aumento da população; (b) fase
log, aumento logarítmico ou exponencial da população;
(c) fase estacionária, período de equilíbrio as mortes Transformação
microbianas são equilibradas pela produção de novas Resulta na aquisição de novos marcadores
colônias; (d) fase de morte celular, a população se reduz genéticos pela incorporação de DNA exógenos ou
em uma taxa logarítmica.
estranhos; a transformação pode ser identificada
como um processo em que a bactéria captura
fragmentos de DNA livre e incorporam eles em
seus genomas. A maioria das bactérias não exibe
capacidade de capturar DNA.

Figura 12: mecanismo de transformação genético em


bactérias. (a) célula receptora; (b) DNA cromossômico;
(c) fragmentos de DNA da célula doadora; (1) célula
receptora capta o DNA doador; (2) DNA doador alinha-se
com bases complementares; (3) a recombinação ocorre
entre o DNA doador e o DNA receptor; (d) DNA não
recombinado degradado; (e) célula geneticamente
transformada,

185
Conjugação
É a transferência por contato direto ou Transdução
transferência quase sexual de informação É a transferência de informação genética de uma
genética de uma bactéria para outra. A bactéria para outra por um bacteriófago. Essa
conjugação ocorre quase sempre em bactérias da transferência é mediada por um vírus bacteriano,
mesma espécie, o DNA transferido por que capturam fragmentos de DNA e os colocam,
conjugação não é uma dupla-hélice, mas uma de forma condensada, em partículas de
molécula de fita simples. bacteriófagos. O DNA é liberado para a célula
infecta e se torna incorporado nos genomas
bacterianos.

Figura 13: conjugação bacteriana. (a) pilus sexual; (b) ponte


de conjugação.

Figura 14: conjugação bacteriana. (1) quando um plasmideo é


transferido de um doador para um receptor a célula receptora
é convertida em célula doadora. (a) plasmideo; (b)
cromossomo bacteriano; (c) junção conjugal; (d) replicação e
transferência do plasmideo. (2) quando o plasmideo torna-se
integrado no cromossomo de uma célula doadora, transforma
se numa célula de alta frequência de recombinação. (a) a
recombinação entre o plasmídeo e o cromossomo ocorre
num sítio especifico em cada um deles; (b) inserção do
plasmideo no cromossomo; (c) o plasmideo é integrado.

Figura 16: transdução bacteriófago, (1) um fago infecta a


célula bacteriana doadora; (a) capsídeo protetor do fago; (b)
DNA do fago; (c) cromossomo bacteriano; (2) o DNA e as
proteínas do fago são produzidas e o cromossomo bacteriano
é quebrado em fragmentos; (3) ocasionalmente, durante a
Figura 15: quando um doador passa uma porção do seu montagem do fago, fragmentados do DNA bacteriano são
cromossomo para um receptor, o resultado é uma célula empacotados no capsideo do fago, então, a célula doadora é
recombinante. (a) replicação e transferência de partes do ligada, e as partículas do fago contendo o DNA bacteriano
cromossomo; (b) no receptor a recombinação ocorre entre o são liberados; (e) DNA do fago; (f) DNA bacteriano; (4) um
fragmento de cromossomo do doador e o cromossomo do fago carregando o DNA bacteriano infecta a nova célula
receptor. hospedeira, a célula receptora; (g) célula receptora;(5) a
recombinação pode ocorrer, produzindo uma célula
recombinante com um genótipo diferente da célula doadora e
da célula receptora; (h) DNA bacteriano no doador; (i) DNA
bacteriano receptor; (j) a célula recombinante se reproduz
normalmente; (l) muitas divisões celulares.

186
MEIOS DE CULTURAS TIPOS DE MEIOS DE CULTURA
Algumas bactérias podem crescer em qualquer Placa de Petri: É assim chamado em
meio de cultura, outras precisam de meios homenagem ao seu inventor, são placas rasas
especiais. Microrganismos introduzidos num meio com uma tampa que as recobre até o fundo para
de cultura são chamados de inóculos. Os evitar contaminação; quando preenchidas, são
microrganismos que crescem e se multiplicam chamadas de culturas sólidas.
dentro ou sobre um meio de cultura são Meios de pré-enriquecimento: Permitem a
denominados cultura. Os meios de culturas dessensibilização de microrganismos injuriados,
devem conter os nutrientes adequados para os para amostras que sofreram algum tipo de
microrganismos de interesse. O meio deve ser tratamento. Ex.: Água peptonada, caldo lactosado
inicialmente estéril. (isolamento de salmonelas de leite em pó).
Meio de cultura é uma mistura de nutrientes que Meios de Enriquecimento: Quando
possibilitam o crescimento in-vidro de proporcionam nutrientes adequados ao
microrganismos. A maioria das bactérias cresce crescimento de microrganismos presentes
em meios de cultura. As exceções são as usualmente em baixos números ou de
ricketsias, clamídias, Mycobacterium leprae e crescimento lento, bem como microrganismos
Treponema, que são parasitas intracelulares exigentes e fastidiosos. Esses meios têm a
obrigatórios. Neste caso, estes microrganismos propriedade de estimular o crescimento de
podem ser cultivados em culturas de células e determinados microrganismos.
ovos embrionados. Meios diferenciais: Facilita a diferenciação das
Inoculação: é a contaminação proposital de um colônias de um microrganismo desejada em
meio de cultura, ou seja, é a transferência de um relação a outras colônias, crescendo na mesma
determinado número de microrganismos para um placa. O ágar sangue é um meio usado com
meio de cultura a fim de que estes se frequência para identificar bactérias que destroem
desenvolvam e permitam a sua identificação. A hemácias.
inoculação das bactérias em diferentes meios
envolve várias técnicas de semeadura.

Figura 18: As colônias de bactérias no meio diferencial têm


uma aparência diferente. Esse meio é o ágar hipertônico
manitol, e as bactérias nas colônias capazes de fermentar o
manitol do meio em ácidos levam a uma mudança na
coloração. Na realidade, esse meio também é seletivo por
causa da alta concentração de sal que previne o crescimento
da maioria das bactérias, exceto os Staphylococcus spp.
Figura 17:método de esgotamento usado para isolar uma
cultura pura de bactérias.; (1) as setas indicam a
diferenciação da semeadura por esgotamento. A série de
Meios seletivos: Contém substâncias que inibem
estrias (a) é feita com a cultura original, a alça de inoculação o desenvolvimento de determinados grupos de
é esterilizado após cada série de estrias. Nas séries (b) e (c) a microrganismos, permitindo o crescimento de
alça retira bactérias da série anterior, reduzindo cada vez
mais o número celular. (2) na série (c) observa-se que foram outros. Ex.: meios com telurito de potássio, ágar
obtidas colônias bacterianas bem isoladas de dois tipos Salmonella-Shigella (SS) e ágar MacConkey,
diferentes tipos vermelho e amarelo. (d) colônias. meios com sais biliares e verdes brilhantes para
isolamento seletivo de Salmonella, meios com
O crescimento dos microrganismos nos diferentes 7,5% de cloreto de sódio, meio Baird-Parker, para
meios de cultura usados fornece as primeiras isolamento de Staphylococcus aureus, meios com
informações para a sua identificação. É importante antibióticos para isolamento de diversos
conhecer o potencial de crescimento de cada meio microrganismos. A maioria deles é também
de cultura e adequar ao perfil bacteriano esperado diferencial, permitindo diferenciar as colônias dos
para cada material. microrganismos.
Alguns procedimentos são essenciais na hora da Meios de triagem: Meios que avaliam
preparação de cada meio de cultura para a determinadas atividades metabólicas permitindo
obtenção de melhores resultados e evitar caracterização e identificação perfunctória ou
contaminações. presuntiva de muitos microrganismos (ágar tríplice
açúcar e ferro, ureia, etc.);

187
TRANSPORTE E CONSERVAÇÃO
Ágar nutriente (AN)
Identificação: Presta-se para a realização de Meio relativamente simples, de fácil preparo e
provas bioquímicas e verificação de funções barato, muito usado nos procedimentos do
fisiológicas de organismos, submetidos à laboratório de microbiologia.
identificação (meios Oxidação/Fermentação, Ágar  Utilidade: Análise de água, alimentos e leite
Citrato, Caldo nitrato, meio semi-sólido, caldo como meio para cultivo preliminar das
triptofano, meio de Sulfito Indol Motilidade, etc). amostras submetidas a exames
Dosagem: Empregados nas determinações de bacteriológicos e isolamento de organismos
vitaminas, antibióticos e aminoácidos; para culturas puras, conservação e
Contagem: Empregados para a determinação manutenção de culturas em temperatura
quantitativa da população microbiana. ambiente.
Estocagem ou manutenção: Utilizados para  Interpretação: Cor original do meio: branco
conservação de microrganismos no laboratório, opalescente
garantem a viabilidade dos microrganismos. a) Positivo: Crescimento na superfície do
Quanto à composição: Os diversos meios de ágar;
cultura existentes podem ser classificados de b) Negativo: Ausência de crescimento.
diversas formas:
 Naturais: São aqueles encontrados na
natureza, de origem vegetal (ex.: pedaço de
batata, de abóbora) ou animal (ex.: gema de
ovo, pedaço de carne).
 Artificiais: São aqueles fabricados em
laboratório, constituídos de substâncias Figura 19: agar nutrientes.
químicas, podendo ser definidos ou
indefinidos: Cary Blair
a) Definidos: Possui composição definida, ou Formulado a partir do meio de Stuart, uma vez
seja, se conhece qualitativa e quantitativa que micro-organismos patogênicos e outros
sua composição. coliformes fecais sobrevivem bem nesse meio.
b) Indefinidos: A sua composição real não é A carência de uma fonte de nitrogênio impede
conhecida, apenas é feita uma estimativa consideravelmente a multiplicação de micro-
qualitativa. Por exemplo, meios organismos e a composição nutritiva garante a
suplementados com sangue, gema de ovo, sobrevivência deles.
alimentos.  Utilidade: Transporte de material fecal e
 Quanto ao estado: consequente conservação dos micro-
a) Líquido: São desprovidos de Agar - à organismos.
caldo;  Interpretação: Cor original do meio: Branco
b) Físico: Semi-sólidos apresentam em sua opalescente, como esse é um meio de
composição até 1% de Agar; transporte, não há evidência de crescimento
c) Sólido: Apresentam em sua composição bacteriano.
de 1,5 a 2,5% de Agar.

188
CRESCIMENTO E ISOLAMENTO Ágar Macconkey (MC)
Ágar sangue (AS) O cristal violeta inibe o crescimento de
O meio oferece ótimas condições de crescimento microrganismos Gram-positivos especialmente
à maioria dos microrganismos. As conservações enterococos e estafilococos. A concentração de
dos eritrócitos íntegros favorecem a formação de sais de bile é relativamente baixa em comparação
halos de hemólise nítidos, úteis para a com outros meios, por isso não é tão seletivo para
diferenciação de Streptococcus spp e Gram-negativos como, por exemplo, o ágar SS.
Staphylococcus spp.  Utilidade: Isolar bacilos Gram negativos e
 Utilidade: Isolamento de microrganismos não verificar a fermentação ou não da lactose.
fastidiosos, verificação de hemólise dos  Interpretação:
Streptococcus spp e Staphylococcus spp. É a) Cor original do meio: rosa avermelhado.
usado na prova de satelitismo. b) Crescimento de bacilos Gram negativos
 Interpretação: Cor original do meio, vermelho. Colônias cor de rosa: fermentadoras de
a) β-hemólise: presença de halo transparente lactose.
ao redor das colônias semeadas (lise total c) Colônias incolores: não fermentadoras de
dos eritrócitos). lactose. Não há crescimento de cocos
b) α-hemólise: presença de halo esverdeado Gram positivos.
ao redor das colônias semeadas (lise
parcial dos eritrócitos).
c) γ-hemólise (sem hemólise): ausência de
halo ao redor das colônias (eritrócitos
permanecem íntegros).
Figura 22: Agar Macconkey.

Ágar Salmonella-Shigella (SS)


Possui componente que inibem microrganismos
Gram positivos. A incorporação de lactose ao
meio permite diferenciar se o microrganismo é
lactose positiva (bactérias que fermentam a
Figura 20: agar sangue. lactose produzem ácido que na presença do
indicador vermelho neutro resultam na formação
Ágar chocolate (AC) de colônias de cor rosa), e bactérias que não
Amplamente utilizado para o cultivo de fermentam a lactose formam colônias
microrganismos exigentes, embora cresçam neste transparentes. Disulfato de sódio e o Citrato férrico
meio quase todos os tipos de microrganismos. À permitem a detecção de H2S evidenciado por
base do meio, é adicionado sangue de cavalo, formação de colônias de cor negra no centro.
carneiro ou coelho em temperatura alta, o que faz  Utilidade: Selecionar e isolar espécies de
as hemácias lisar, liberando hemina e hematina, Salmonella e Shigella, em amostras de fezes,
compostos fundamentais para o crescimento dos alimentos e água.
microrganismos exigentes.  Interpretação:
 Utilidade: Crescimento de microrganismos a) Cor original do meio: vermelho
exigentes Haemophilus spp, Neisseria spp., alaranjado.
Branhamella catarrhalis e Moraxella spp. b) Colônias com centro negro (H2S) ou
 Interpretação: Cor original do meio castanho colônias incolores: suspeita de
escuro (chocolate). Salmonella.
Colônias de tamanho pequeno a médio, com c) Colônias incolores: suspeita de Shigella
pigmento amarelo: sugestivo de Neisseria spp, spp.
Branhamellacatarrhalis ou Moraxella spp. Colônias d) Colônias cor de rosa ou vermelho:
pequenas e delicadas, com pigmento creme claro: suspeita de Escherichia coli ou Klebsiella
sugestivo de Haemophilus spp. spp.
As bactérias não fermentadoras de lactose são
incolores. As bactérias fermentadoras de lactose
aparecem na cor rosa.

Figura 21: agar chocolate. Figura 23: Agar Salmonela-Sigella.

189
Meio Mtlyer Martin Coleta de amostras
É um meio de crescimento e isolamento para N. Coletar em recipientes estéreis, de boca larga e
gonorreae e N. meningitidis. É constituída por que possam ser hermeticamente fechados.
sangue de carneiro desfibrinado, antibiótico e Para isolar Shiguella spp e Neisseria
fatores de crescimento. gonorrhoeae, utilizar Swab retal, sendo que para a
N. gonorrhoeae tocar o Swab apenas no esfíncter
anal tendo o cuidado de não entrar em contato
com as fezes.
Para o isolamento de bactérias patogênicas é
bom colocar as fezes em um conservante como o
tampão fosfato de sódio ou potássio a 0,033 M
mais glicerol. Se a suspeita for de Salmonella, spp
Figura 24: meio de cultura positivo para N-menigitidis. ou Shiguella, spp, colocar em caldo selenito ou
caldo GN.
Ágar DNAse
Cepas de alguns micro-organismos produzem SEMEADURA EM MEIO DE CULTURA
DNase e endonuclease termoestável. Essas Técnica
enzimas hidrolisam ácido desoxirribonucleico Fazer a desinfecção da área de trabalho, e
(DNA) contido no meio de cultura após um período assepsia das mãos antes e depois de qualquer
de incubação. Posteriormente esse meio é trabalho. Trabalhar sempre na área de segurança:
acidificado com HCl 1N para a revelação da prova. uma área de aproximadamente 10 cm ao redor da
Prova de identificação que separa os principais chama do bico de bunsen.
micro-organismos de importância
Clínica, entre eles:
DNAse-positivos:
 Staphylococcus aureus;
 Serratia spp;
 Proteus spp.
DNase-negativos: Staphylococcus coagulase
negativa, demais enterobactérias,
demais bacilos Gram-negativos não
fermentadores. Figura 25: área de segurança ao redor do bico de Bunsen.

COPROCULTURA Esterilizar adequadamente todo material (ex.:


Este exame é destinado a isolar os alças e agulhas bacteriológicas) antes e depois de
microrganismos causadores das diarreias, seu uso sempre aquecer da base para a ponta,
disenterias purulentas, sanguinolentas e mucosas evitando a formação de aerossóis.
e dores abdominais. Flambar a boca dos frascos e tubos antes e
As fezes podem se apresentar sólidas, líquidas depois das inoculações, evitando a contaminação
ou pastosas; normalmente, as fezes líquidas e da cultura/material a ser analisado e garantindo
pastosas são características de agentes que somente o microrganismo desejado será
gastrointestinais patogênicos. Quando as fezes do inoculado.
paciente estão sólidas e ele está apresentando
dores abdominais, o médico pode administrar um Estria simples
laxante para facilitar o trabalho da coprocultura; se Transferir uma alçada da cultura para meio sólido
as fezes estiverem líquidas ou pastosas há em placa e estriar com a alça bacteriológica sobre
necessidade de se fazer uma suspensão em o meio. A estria pode ser realizada em movimento
salina estéril. de zig-zag (estria sinuosa) ou como uma linha reta
A semeadura é feita num caldo de sobre o meio (estria reta).
enriquecimento, podendo ser utilizado o caldo
selenito, caldo tetrationato ou caldo GN, ou em
meios seletivos.
As espécies que podem ser encontradas
causando gastroenterites são:
Campylobacter pylori, Camppylobacter jejuni,
Salmonella, spp; Shiguella, spp; E. coli,Vibrio
cholerae, Vibrio, spp; Yersinia enterocolitica,
Clostridium difficile e Staphylococcus aureus.
Figura 26: técnicas de semeadura em placa de pedri.

190
Técnica de Gram
Cubra o esfregaço com violeta-de-metila e deixe
por aproximadamente 15 segundos; O Cristal
violeta, cora as células gram-positivas e gram-
negativas de púrpura, pois penetra no citoplasma
de ambos os tipos celulares.
Adicione igual quantidade de água sobre a lâmina
coberta com violeta-de-metila e deixe agir por
mais 45 segundos;
Escorra o corante e lave em um filete de água
corrente;
Cubra a lâmina com lugol diluído e deixe agir por
aproximadamente 1 minuto; Quando o lugol,
solução iodo-iodetada, é aplicado, forma cristais
com o corante que são muito grandes para
escapar pela parede celular.
Escorra o lugol e lave em um filete de água Figura 27: coloração de Gram. legendas: (a) cristal violeta; (b)
iodo; (c) álcool; (d) safranina. (1) aplicação do cristal violeta
corrente; púrpura; (2) aplicação de iodo (mordente); (3) lavagem com
Adicione álcool etílico sobre a lâmina; álcool (descoloração); (4) aplicação de safranina
descorando-a, até que não desprenda mais (contracorante). (a) gram-positivo; (b) gram-negativo.
corante; A aplicação de álcool desidrata a
peptideoglicana das células gram-positivas para
torná-la mais impermeável ao cristal violeta-iodo.
O efeito nas células gram-negativas é bem
diferente; o álcool dissolve a membrana externa
das células gram-negativas, deixando também
pequenos buracos na fina camada de
peptideoglicana, pelos quais o cristal violeta-iodo
se difunde. Como as bactérias gram-negativas
ficam incolores após a lavagem com álcool, a
adição de safranina torna as células cor-de-rosa.
Lave em um filete de água corrente;
Cubra a lâmina com safranina e deixe agir por
aproximadamente 30 segundos; A safranina
fornece a cor contrastante à coloração primária.
Embora as células gram-positivas e gram-
negativas absorvam a safranina, a coloração rosa
da safranina é mascarada pelo corante roxo-
escuro previamente absorvido pelas células gram-
positivas.
Lave em um filete de água corrente;
Deixe secar ao ar livre, ou seque suavemente,
com o auxílio de um papel de filtro limpo;
Coloque uma gota de óleo de imersão sobre o
esfregaço;
Leia em objetiva de imersão (100 X)

191
PROVAS BIOQUÍMICAS VM (Vermelho de Metila)
Provas fermentativas Teste que avalia se as bactérias fermentam a
São reações bioquímicas produtoras de energia glicose pela via ácida-mista, com a produção de
em que moléculas orgânicas servem como vários ácidos (ácido fórmico, lático, acético), o que
aceitadores e doadores de elétrons. A capacidade prova o abaixamento do pH a menos 4,4, que é o
dos microrganismos de fermentarem hidratos de limite de viragem do indicador de pH. Embora
carbono e os tipos de produtos formados é útil na todas as enterobactérias fermentem glicose,
sua identificação. alguns microrganismos, durante a fase final de
Na fermentação, substratos como hidratos de incubação, convertem esses ácidos a produtos
carbono e alcoóis sofrem uma desassimilação não ácidos como o etanol e a acetoína, resultando
anaeróbia, podendo ocorrer produção de num pH mais elevado (pH 6). O indicador de pH é
compostos orgânicos ácidos que podem ser o vermelho de metila que em pH abaixo de 4,4 é
acompanhados por gases, como hidrogênio ou vermelho e acima de 6 é amarelo.
CO2.
A degradação fermentativa faz-se habitualmente
num meio líquido que contém nutrientes para
suporte do crescimento do microrganismo, o
hidrato de carbono específico que serve de
substrato para determinar a sua capacidade
fermentativa e um indicador de pH.
Após incubação, a libertação de compostos
ácidos, resultantes da fermentação do hidrato de
carbono, faz descer o pH o que conduz à
mudança da cor original do meio, pois está Figura 29: (A) Glicose; (B) Ácido pirúvico; (C) fermentação
presente um indicador de pH. São exemplos de mista; (D) ácido acético, fórmico e ácido lático; (E) [pH]= 4,4
vermelho de metila; (F) vermelho.
provas para identificação de microrganismos às
fermentações da glicose, lactose, sacarose, VP (Voges Proskauer)
manose, inositol, sorbitol, arabinose, etc. Há bactérias que usam a fermentação
butilenoglicólica. Fermentam a glicose produzindo
Glicose e lactose acetil-metil-carbinol (acetoína), butilenoglicol e
Um determinado carboidrato pode ser pequenas quantidades de ácidos. Quando KOH é
fermentado originando diferentes produtos finais, o adicionado, e na presença de O2 atmosférico, a
que depende do microrganismo envolvido. Isso acetoína é oxidada a diacetil. A adição de α-naftol
pode gerar gás e ácidos orgânicos (que pode ser nesta reação catalisa a produção de um anel
detectado pela mudança de cor do indicador). vermelha tijolo, após 10 ou15 minutos.
As leituras devem ser feitas no máximo 24h, pois
podem ocorrer reações alcalinas sobre outros
substratos. Utilizam-se meios básicos (pH 7,2) e o
indicador Andrade para ácidos. As bactérias são
inoculadas em tubos contendo glicose, um
indicador de ph e um aminoácido específico.

Figura 30: (A) Glicose; (B) ácido pirúvico; (C) fermentação via
butilenoglicólica; (D) Acetoína; (E) KOH; (F) O2; (G)diacetila;
(H) alfa; (I) anel vermelho

Figura 28: (A) Os indicador de pH se torna amarelo


quando a bactéria produz ácido a partir da glicose; (B)
produtos alcalinos da descarboxilação tornam o
indicador púrprura.

192
Teste de citrato Teste lisina descarboxilação
Determina se a bactéria é incapaz de usar o Algumas bactérias possuem a lisina
citrato de sódio como única fonte de carbono para descarboxilase que atua sobre a porção carboxila
o metabolismo e crescimento. Devemos usar o dos aminoácidos, com a formação de aminas, de
meio citrato de simons contendo citrato de sódio, reação alcalina (cadaverina), e CO2. A reação
fosfato de amônio e azul de bromotimol. Com a ocorre em condições anaeróbicas e pouco ácidas,
facilidade do transporte de citrato pelo citrato- inicialmente ocorre uso de glicose do meio para o
permeases, há sua utilização pela citrase, com enriquecimento da cultura. O meio contém o
produção de hidróxido de amônia que eleva o pH, indicador bromecresol púrpura, nas etapas iniciais
fazendo com que a reação se torne azul. O CO2 de incubação é descarboxilados e o meio retorna
produzido reage com o sódio do citrato formando à cor púrpura. A reação se processa em
carbonato de reação alcalina. anaerobiose, podendo-se cobrir o meio com óleo
mineral para agilizar o processo.

Figura 31: (A) citrato de sódio; (B) fosfato de amônia; (C)


fermentação do citrato; (D) hidróxido de amônio; (E) azul de
bromocresol; (F) azul.
Figura 33: (A) lisina; (B) LDC; (C) cadaverina; (D) CO2; (E)
púrpura de bromocresol; (F) roxo.
Fontes de nitrogênio
Teste de fenilalanina
Teste indol
Há bactérias que produzem enzimas que
É produzido pela ação da triptofanase sobre o
removem o grupo amina da fenilalanina presente
triptofano existente no meio de cultura, ocorrendo,
no meio, originando o ácido fenil pirúvico, que
a produção de ácido pirúvico e amônia. O indol
reage com o cloreto férrico adicionando ao meio
pode ser detectado pela formação de um anel
formando uma cor verde.
rosa na parte superior do tubo, após a adição de
p-dimetilaminobenzoaldeido.

Figura 32: (A) Fenilalanina; (B) FAD; (C) ácido penilpirúvico;


(D) cloreto férrico; (E) verde.
Figura 34: (A) triptofano; (B) triptofanase; (C) indol; (D) ácido
pirúvico; (E) amônia; (F) P-dimetilaminobenzaldeído; (G) anel
rosa;

193
Teste de uréase
Algumas bactérias possuem a enzima uréase
que garante a capacidade de degradar a ureia
presente no meio liberando amônia, CO2 e H2O. a
amônia reage formando carbonato de amônia que
alcaliniza o meio. O indicador de pH e o vermelho
de fenol que em meio alcalino toma a coloração
magenta. Uma coloração meio rosa é suficiente
para considerar a reação positiva.

Figura 35: (A) uréia; (B) 2H2O; (C) urease; (D) CO2; (E) H2O; (F)
2NH3; (G) vermelho de fenol; (H) rosa.

Teste de catalase
Determina a capacidade dos microrganismos de
produzir a enzima catalase para degradar a
peróxidos de hidrogênio. Na respiração aeróbica,
os microrganismos produzem peróxidos de
hidrogênio (H2O2). A acumulação destas
substâncias leva à morte das células, a não ser
que aquelas possam ser enzimaticamente
degradadas. Os microrganismos com capacidade
para produzir catalase ou peroxidase degradam o
peróxidos de hidrogênio a água e oxigenios.
A produção de catalase pode ser determinada
adicionando o substrato H2O2 a uma cultura,
incubada previamente. Se a catalase for produzida
pelo microrganismo ocorre liberação de bolhas de
gás e a prova é positiva na ausência de formação
de bolhas de gás é uma prova negativa.

Figura 36: Escherichia coli, Observe a formação de bolhas.


Catalase positiva.

194
BACTÉRIAS CAUSADORAS DE STAPHYLOCOCCUS
DOENÇAS O nome Staphylococcus refere-se ao fato das
As infecções bacterianas tem tido papel células destes cocos gram-positivos crescerem
importante na história da humanidade há muito com um perfil semelhante a cachos de uvas. Em
tempo, vários agentes bacterianos tem sido materiais clínicos podem aparecer como células
responsáveis por doenças que tiveram efeitos únicas, em pares ou cadeias curtas, são imóveis,
devastadores sobre as sociedades humanas. anaeróbios facultativos. Estas bactérias estão
Com o crescimento do comércio internacional a presentes na pele e nas mucosas dos seres
partir da idade média, doenças como cólera e a humanos.
peste, frequentemente dizimava populações. No O diagnóstico da infecção é feita com o
final do séc. 19 melhorias nas condições de vida isolamento de S. aureus em cultura confirmatória.
associadas ao saneamento básico e durante o Os S. aureus em cultura estão relacionados à
séc. 20, o surgimento dos antibióticos, e das intoxicação alimentar de ingestão de algum
vacinas fizeram as pessoas acreditarem que alimento especifico. Os estafilococos formam
tínhamos controle sobre as doenças, mas aglomerados quando crescem em meios com
estamos muito longe de tal possibilidade. agar. Os Estafilococos crescem em meios não
As doenças bacterianas são causadas pelos seletivos incubados aerobicamente ou
danos produzidos pelas bactérias, e as anaerobicamente, apresentando colônias grandes
consequências das respostas imunes à infecção. e lisas vistas em 24h.
Sinais e sintomas das doenças são determinados Quase todos os S. aureus e alguns Estafilococos
pela função e importância do tecido afetado. coagulase-negativas produzem hemolisinas na
Tempo de incubação é o tempo requerido pela placa de agar, contendo sangue de carneiro.
bactéria ou respostas hospedeiras para causar
dano suficiente e iniciar o desconforto ou interferir Staphylococcus aureus
com funções essenciais. A maioria das amostras possui uma cápsula
O corpo é colonizado por inúmeros micróbios, polissacarídica, cuja função principal é proteger a
muitos apresentando importantes funções para bactéria contra a fagocitose. Eles produzem várias
seus hospedeiros. As bactérias da flora normal toxinas que atuam através de diferentes
ajudam na digestão dos alimentos, produzem mecanismos. Os S. aureus tem como principais
vitaminas e podem proteger o hospedeiro da toxinas as citotoxinas e superantigenas cutâneas.
colonização contra micróbios patogênicos. As Entre as citotoxinas, as mais conhecidas são a α-
bactérias da flora normal causam doenças se elas toxina e a leucocidina, a primeira tem a
entram em sítios normalmente estéreis do corpo. capacidade de formar poros na membrana celular
Dividimos infecções bacterianas em dois grupos: dos leucócitos promovendo a saída do conteúdo
 Exógenas: são infecções que os agentes celular, com a morte da célula.
atingem hospedeiros aparti de um reservatório.
 Endógenas: infecções causadas por agente
da flora normal do próprio hospedeiro.
A doença só ocorre quando a bactéria expressa
efeitos patogênicos e provoca manifestações
clínicas, a patogenicidade e características
básicas dos agentes, para se expressar, depende
das condições do hospedeiro.

Figura 37: S. aureus. Observa-se os agregados em forma de


cacho de uva desses cocos gram-positivos.

É um dos agentes patogênicos mais importantes,


porque atua como agente de uma grande
quantidade de infecções, variando de localização.
Geralmente, suas infecções podem ser
classificadas como superficiais invasivas ou
tóxicas, e apresentam características mistas,
tóxico-invasivo. A lesão celular causada pela α-
toxina pode promover liberação de citosinas, que
podem contribuir para o desenvolvimento de
choque séptico.

195
As principais doenças causadas por S. aureus Infecções Supurativas
podem ser divididas em três tipos: Impetigo: infecção cutânea localizada,
 Infecções superficiais: tais como os caracterizada por uma vesícula cheia de pus
abscessos cutâneos e as infecções de sobre uma base eritematosa;
feridas; Foliculite: impetigo envolvendo o folículo piloso;
 Infecções sistêmicas: como osteomielite, Furúnculo: nódulos cutâneos cheios de pus,
miosite tropical, endocardite, pneumonia e grandes e dolorosos;
septicemia; Carbúnculo: coalescência de furúnculos com
 Quadros tóxicos: tais como síndrome do extensão nos tecidos subcutâneos e evidência de
choque tóxico, síndrome da pele escaldada e doença sistêmica (febre, calafrios, bacteremia);
a intoxicação alimentar. Bacteremia e endocardite: a bacteremia é
Causam doenças pela produção de toxina ou por disseminação da bactéria no sangue a partir de
invasão direta e destruição tecidual. Em sua um foco de infecção; a endocardite é
maioria mede de 0,5 a 1,5 µm de diâmetro, são caracterizada pelo dano no revestimento
imóveis, aeróbios facultativos, ou seja, são endotelial do coração;
aeróbio e anaeróbio. Para uma bactéria o corpo Pneumonia e epiema: consolidação e formação
humano é um conjunto de nichos ambientais que de abscesso nos pulmões; diagnosticada em
fornece calor, umidade, e os alimentos muitos jovens e idosos e pacientes com doença
necessários para o seu crescimento. As doenças pulmonar de base ou recente; uma forma grave de
por S. aureus dependem da habilidade da bactéria pneumonia necrosante com choque séptico e alta
de escapar da fagocitose, produzir proteínas de mortalidade vem sendo identificada;
superfícies que medeiam à aderência da bactéria Osteomielite: destruição dos ossos,
aos tecidos do hospedeiro e da elaboração de principalmente da área de metáfise nos ossos
toxinas específica e enzimas hidroliticas. longos;
Artrite séptica: articulações eritematosas
Doenças causadas por toxinas doloridas com material purulento nos espaços
Síndrome da pele escaldada: descamação articulares.
disseminada do epitélio em crianças; bolhas sem
microrganismos ou leucócitos.
Intoxicação alimentar: após consumo de
alimento contaminado com a toxina termoestável,
início abrupto de vômitos, diarreia e cólicas
abdominais, com resolução em 24h.
Choque tóxico: intoxicação multi-sistêmica
caracterizada, inicialmente por febre, hipotensão e
uma erupção eritematosa macular difusa; alta
mortalidade na ausência de antibiótico-terapia
rápida e eliminação apropriada do foco da
infecção.

Figura 39: (A) impetigo bolhoso, forma localizada de


síndrome da pele escaldada por estafilococos; (B) síndrome
do choque tóxico. É mostrado um caso de infecção fatal com
envolvimento cutâneo e de tecidos moles; (C) impetigo
postular, vesícula em diferente estágio de desenvolvimento,
incluindo vesículas cheias de pús sobre uma base
eritematosa e lesões secas com crosta; (D) carbúnculo por
Staphylococcus aureus. Este se desenvolveu na nádega
durante um período de 7 a 10 dias é preciso drenagem
cirúrgica juntamente com terapia antibiótica.

Figura 38: Síndrome da pele escaldada

196
O sucesso da detecção deste organismo depende
do tipo de infecção e a qualidade do material
submetido à análise. O diagnóstico do S. aureus é
feito pelo seu isolamento em cultura confirmativa.
As amostras devem ser inoculadas em meio
contendo Agar nutricional enriquecido e
suplementado com sangue de carneiro. As
colônias do S. aureus gradualmente se tornam
amarelas. Testes bioquímicos relativamente
simples como, a coagulase e a fermentação do
manitol podem ser usados para a identificação do
S. aureus.

Figura 40: (A) coloração Gram-positiva de Staphylococcus


aureus; (B) meio de cultura agar sangue positivo para
Staphylococcus aureus; (C) teste de coagulase para
Staphylococcus aureus.

Staphylococcus epidermidis
É a espécie que pertence à categoria dos
estafilococos coagulase negativo mais encontrado
na microbiota normal. Está regularmente presente
na pele e nas mucosas. O S. epidermidis é uma
espécie menos virulenta do que o S. aureus. Não
apresentam a produção de coagulase e algumas
cepas apresentam a produção muito tímida de
certas enzimas proteolíticas. O seu sucesso é
relacionado com sua capacidade de aderir às
superfícies de polímeros. Os S. epidermidis
produzem δ-toxina, uma hemoglobina, que tem a
capacidade de formar poros na membrana dos
eritrócitos e outras células do hospedeiro, levando
a lise celular. O S. epidermidis é um risco para
pacientes imunocomprometidos e para usuários
de drogas intravenosas, podendo causar
endocardite e infecções generalizadas não-
piogênicas.
S. epidermidis pode causar septicemia,
endocardite, peritonite, ventriculite e infecções em
locais com prótese.

197
STREPTOCOCCUS Streptococcus pneumoniae
Englobam os cocos gram-positivos, catalase- Cocos gram-positivos que se apresenta aos
negativa, eles compreendem um conjunto pares ou em pequenas cadeias. A cápsula do S.
diversificado de cocos que se dividem em um pneumoniae protege da fagocitose sendo
plano, dispostos em pares e agrupando-se e considerado o principal fator de virulência. As
cadeias. Seu metabolismo é fermentado e o ácido doenças mais associadas a essa bactéria são
láctico é o produto final predominante da pneumonia, meningite, bacteremia, otite e sinusite.
fermentação da glicose. a maioria da espécie é A pneumonia ocorre quando o pneumococo
anaeróbia facultativa e algumas crescem em meio sobrevive à fagocitose, proliferando nos alvéolos,
enriquecido com dióxido de carbono, necessitam sofre e libera as substâncias que provocam
de um meio enriquecidos com sangue ou soro inflamação. S. pneumoniae, é a principal
para o isolamento. representante dos Streptococo beta-hemoliticos e
forma cadeias relativamente longas quando
cultivada em caldo. A faringe pode ser causada
por S. pyogenes, a transmissão ocorre por
gotículas infectadas de pacientes doentes. Suas
manifestações clínicas:
Figura 41: Streptococcus pneumoniae  Pneumonia, sinusite, otite;
 Meningite;
Streptococcus agalactiae  Bacteremia.
Em 1935, foi identificado na secreção vaginal de
mulheres, anos depois foi isolado em casos fatais
de febre puerperal. O S. agalactiae possui
características morfológicas comuns ao gênero
Streptococcus. A cápsula é considerada o
principal fator de virulência do S. agalactiae, pois,
ela interfere com a fagocitose até que o paciente
desenvolva anticorpos específicos. S. agalactiae Figura 43: coloração de Gram Streptococcus pneumoniae.
possuem uma enzima chamada hemolisina que
forma poros nas membranas de diferentes células. O diagnóstico de escarro deve ser inoculado num
Podem colonizar a vagina e causar infecções meio nutricionalmente rico, suplementado com
graves em recém-nascidos, uma etapa crítica na sangue.
doença do recém-nascido é a colonização reto-
vaginal da mulher grávida. Suas manifestações
clínicas são:
 Doença neonatal precoce;
 Sepse materna fulminante pós-parto;
 Meningite neonatal;
 Síndrome da angustia respiratória.
Formam cadeias curtas quando visualizadas nas
amostras e cadeias mais longas quando vistos em
culturas. Crescem em meios nutricionalmente
ricos, produzindo colônias após 24h de incubação.
Uma identificação preliminar de uma cepa isolada
pode ser realizada pela demonstração de um teste
para catalase negativa, positiva para o teste do
CAMP.

Figura 42: teste de CAMP. Os estreptococos produzem uma


proteína difusível e estável ao calor que aumento a β-
hemolise de S. aureus.

198
VIBRIO NEISSERIA
algumas espécies estão associadas a doenças A espécie da Neisseria são bactérias gram
humanas, mas apenas três são importantes. eu negativas, aeróbicas, na forma de cocos e
citarei apenas uma a Vibrio cholerae. dispostas em pares. São móveis e não formam
endósporos. Todas as espécies são positivas para
Vibrios cholerae oxidase e a maioria produz catalase, N.
os V. cholerae é um bacilo Gram-negativo, curvo. gonorrhoeae produzem ácido através da oxidação
fermentadores anaeróbicos facultativos precisam da glicose e N. meningitidis oxida glicose e
de sal para seu crescimento. os V. cholerae maltose. A N. gonorrhoeae não cresce em agar
produzem uma toxina colérica. sangue, mas cresce em agar chocolate e outros
A cólera é transmitida pelo consumo de água e meios enriquecidos. A temperatura ótima de
alimentos contaminados, por causa do inoculo crescimento é de 35 ºC a 37 ºC.
elevado que é preciso para estabelecer a infecção Consiste de 10 espécies encontradas em
numa pessoa com acides gástrica normal. humanos, tendo duas N. gonorrhoeae e N.
Indivíduos expostos ao V. cholorae tem infecções meningitidis. As espécies de Neisseria são
assintomáticas as diarreias autolimitadas, alguns bactérias Gram-negativas, aeróbias, tipicamente
indivíduos desenvolvem diarreia grave e fatal. A na forma de cocos e dispostas em pares com os
manifestação clinica da cólera começa em torno lados adjacentes achatados.
de 2 a 3 dias após a ingestão da bactéria, com Todas as espécies são positivas para oxidase e a
uma diarreia aquosa abrupta e vômito. a medida maioria produz catalase, propriedades que
que ocorre a perda de fluido, as fezes se tornam combinadas com a coloração de Gram e a
sem cor, sem odor, sem proteínas e com muco. A morfologia permitem a identificação rápida e
grave perda de eletrólito e fluidos pode levar à presuntiva de um isolado clínico. A oxidação de
desidratação, dolorosas câimbras musculares, carboidratos induz à produção de ácidos. As
acidose metabólica, hipocalemica e choque cepas de N. gonorrhoeae produzem ácido através
hipovolêmico, com arritmia cardíaca e falha renal. da oxidação da glicose e N. meningitidis oxida
Seu diagnóstico é realizado através de culturas de glicose e maltose
feridas e sangue.

Figura 44: Neisseria meningitidis é uma Gram-negative

N. gonorrhoeae e N. meningitidis
A bactéria é um diplococo gram negativo,
fastidioso, oxidase e catalase positiva, produz
ácido de glicose por via oxidativa. Os gonococos
aderem às mucosas celulares, penetram nas
células, se multiplicam e passam através das
células para o espaço subepitelial, onde a
infecção se estabelece. O antígeno de parede
celular lipo-oligossacarídeo (LOS) estimula a
liberação da citocina pró-inflamatório, que causa a
maioria dos sintomas associados a doenças
gonocócicas. Os portadores podem ser
assintomáticos, particularmente mulheres. É
transmitido por contato sexual. Seu diagnóstico é
através de coloração de gram de espécimes
uretrais é adequada para homens sintomáticos.
Todos os espécimes genitais, retais e da faringe,
devem ser inoculados em meios não seletivos
(agar chocolate) e meios seletivos que inibem o
crescimento de microrganismos contaminantes,
como organismo comensais que colonizam a
superfície dessas mucosas.

199
Gonorreia
A infecção nos homens é restrita à uretra. Após 2
a 5 dias, ocorre um corrimento uretral purulento e
disúria. O sítio primário de infecção em mulheres é
o cérvix (colo uterino), pois a bactéria infecta as
células do epitélio colunar do endocervix.

Figura 48: meningite bacteriana, (a) pressão; (b) contagem


total e diferencia de leucócito; (c) glicose; (d) proteína; (e)
punção lombar; (f) cultura; (g) esfregaço (coloração de Gram)
Figura45:(A)Gonorreia-vaginal; (B) Gonorreia retal; (C) Gonorreia (h) diagnóstico.
ocular; Neisseria gonorreae.

Gonococcemia: Infecção disseminada com Meningococcemia


septicemia e infecção da pele e articulações Septicemia com ou sem meningite é uma doença
ocorrem 1% à 3% das mulheres infectadas e em fatal. A manifestação clinica são trombose de
muitos menos proporção nos homens infectados. pequenos vasos sanguíneos e o
As manifestações clinicas de doenças comprometimento de vários órgãos. A bacterimia
disseminadas incluem febre, artrologia migratória, pode persistir por dias ou semanas e os únicos
artrite supurativa nos punhos, joelhos e tornozelos sintomas da infecção são febre baixa, artrite e
e exantema postular numa base eritematosa sobre petéquias.
os membros, preservando a cabeça e o tronco.

Figura 46: lesão postular de gonococcemia disseminada. Figura 49: Púrpura fulminante resultante de
meningococcemia ou streptococcemia provoca necrose
Meningite cutânea irregular em muitas superfícies corporais.
A meningite é uma inflamação das meninges,
O diagnóstico é realizado com a coloração de
caracterizada por pleocitose células no líquido
gram é muito sensível e específica para a
cerebrospinal. Manifesta sintomas como dor de
detecção de infecção gonocócica em homens com
cabeça, febre, meningismo, convulsões, déficits
uretrite purulenta. A coloração de gram também é
neurológicos focais e distúrbios de consciência.
útil para o diagnóstico precoce de artrite purulenta,
A doença começa abruptamente com dor de
mas sem sensibilidade e especificidade para a
cabeça, sinais menígeose febre. Porém, crianças
detecção de N. gonorreae em pacientes com
menores podem apresentar sintomas não
lesões cutâneas, infecções anorretais ou faringite.
específicos como febre e vômitos.
N. meningitidis pode ser facilmente visualizada no
líquido cefalorraquidiano (LCR) de pacientes com
meningite, a menos que o paciente tenha sido
previamente tratado com antibióticos.

Figura 47: (A) cérebro normal e medula espinhal; (a) cérebro


normal; (b) dura-máter; (c) medula espinhal; (B) cérebro e
medula espinhal com meningite bacteriana; (a) meningite
bacteriana avançada; (b) medula espinhal infectada com Figura 50: Coloração de Gram positiva para Neisseria
meningite bacteriana. meningites.

O diagnóstico da meningite é realizado por


punção lombar. É importante anotar a pressão
de abertura e a aparência do LCE deve ser
enviado para a contagem celular em todos os
casos.

200
ENTEROBACTÉRIAS Meningite neonatal
Os membros da família Enterobacteriaceae são As cepas de E. coli e estreptococos do grupo B
bacilos Gram negativos de tamanho moderado. causam a maioria das infecções do sistema
São móveis com flagelos peritríqueos ou não são nervoso central (SNC) em crianças com menos de
móveis e nem formam esporos. Todos os 1 mês de idade. Aproximadamente 75% das
membros desta família podem crescer cepas de E. coli possuem o antígeno capsular K1.
rapidamente, aerobicamente e anaerobicamente, Este sorogrupo também está presente no trato
em uma variedade de meios seletivos e não gastrointestinal de mulheres grávidas e crianças
seletivos. As Enterobacterias têm necessidades recém-nascidas.
nutricionais simples, fermentam glicose, reduzem
o nitrato, são catalase positiva e oxidase negativa.
Essa família pertence o ser vivo mais conhecido a
E. coli e outros patógenos humano.
As enterobactérias são bacilos gram-positivos,
suas células apresentam membrana, espaço
perioplasmático, peptidoglicano e membrana
externa. A maioria tem flagelos e produzem
fatores de virulência muito diversificados.
Figura 51: E. coli em coloração de Gram.
Escherichia coli
Este microrganismo está associado a uma Esses microrganismos crescem rapidamente na
variedade de doenças, incluindo gastroenterite e maioria dos meios de cultura. Patógenos
infecções extraintestinais como infecções do trato entéricos, com exceção de EHEC, são detectados
urinário, meningites e sepses. São bacilos Gram- somente em laboratórios de referência ou de
negativos anaeróbios facultativos e pesquisa.
fermentadores, oxidase negativo.
Seu principal fator de virulência é a fimbria BFP,
uma proteína chamada de intimina, um aparelho
de secreções e varias proteínas secretadas.
Depois que atravessam a barreira gástrica adere
à mucosa do intestino delgado e grosso,
determinando alterações que levam a diarreia.
Suas manifestações clínicas são: Gastroenterite
de 5 cepas diferentes:
E. coli enterotoxinogênica (ETEC)
 Diarreia do viajante, com a presença de
enterotoxinas LT-1 causando náusea, vômito,
diarreia aquosa.
E. coli enteroinvasora (EIEC)
 Invasão e destruição do epitélio do cólon com
febre e dor, fezes com sangue e leucócitos.
E. coli enteropatogênica (EPEC)
 Os locais com maior riscos são os berçários e Figura 52: (A) Coloração de Gram para E. coli; (B) Agar Cary
Blair para E. coli positivo; (C) Agar Macgonkey para E. coli
enfermarias pediátricas, adesão ao enterócito e positivo; (D) Agar sangue para E. coli positivo.
destruição de microvilosidades causando
diminuição de capacidade de absorção e
diarreia.
E. coli enterohemorrágica (EHEC)
 Diarreia sem complicações a colite
hemorrágica, febre e síndrome urêmica
hemolítica com falência renal aguda,
trombocitopenia e anemia hemolítica.
E. coli enteroagregativa (EAEC)
 Diarreia aquosa persistente com vômito e
desidratação muito comum em crianças.

201
Shigella Salmonella
Bacilos Gram-negativos, anaeróbios facultativos, Bacilos Gram-negativos, anaeróbios facultativos,
fermentadores, oxidase negativo. São móveis e fermentadores, oxidase-negativos. Pode
infectam o homem e alguns macacos e sobreviver no macrófago e se espalhar a partir do
chimpanzés, causando shigelose ou disenteria. É intestino para outros sítios do corpo. A maioria das
uma bactéria altamente infecciosa. infecções é adquirida pelo consumo de alimentos
Shigella causa doença invadindo e se contaminados (aves, ovos e laticínios são as
multiplicando nas células que revestem o cólon. fontes mais comuns de infecção).
Caracterizando-se por invasão e destruição da As salmonelas infectam o homem e praticamente
camada epitelial da mucosa, com intensa reação todos os animais até mesmo os insetos, nos
inflamatória em consequência o paciente homens elas causam febre tifoide e outras
apresenta leucócito, muco e sangue em suas doenças. A febre tifoide é uma infecção sistêmica
fezes. Causam Enterite com incubação de 6 a 48 que se inicia na mucosa intestinal e vai
horas após consumo. Os principais sintomas são: progredindo. Suas manifestações clínicas são:
náusea, vômitos, diarreia não sanguinolenta, febre  Colonização assintomática em poucos
baixa, dores abdominais, mialgia, dor de cabeça. pacientes causa disenteria bacteriana de forma
Sua resolução é espontânea entre 2 à 7 dias. grave.
Podem-se obter três tipos clínicos:
1. Gastroenterites: diarreia de leve a
fulminante, febre baixa, náuseas e vômitos;
2. Bacteremia ou septicemia: febre alta com
hemoculturas positivas;
3. Febres entéricas: febra amena e diarreia.
Pode ser causada por qualquer espécie de
Salmonella, exceto a Salmonella typhi que
causa constipação.
Após a ingestão e passagem pelo estômago, a
Figura 53: Shigella flexinarii
Salmonella adere à mucosa do intestino delgado e
invade as células M (micropregas) localizadas nas
Isolamento dos espécimes de fezes requer uso
placas de Peyer, bem como os enterócitos. As
de meio seletivo.
bactérias permanecem em um vacúolo endocítico,
onde se multiplicam e podem ser transportadas
através do citoplasma, sendo liberadas na
circulação sanguínea ou linfática.

Figura 55: Salmonella


Figura 54: Meio SS positivo para Shiguella.
Isolamento dos espécimes de fezes requer uso
de meio seletivo.

Figura 56: Meio SS positivo para Salmonella

202
Pseudômonas aeruginosa
São bacilus gram-negativos retos ou curvos, não
formadores de esporos. Estas bactérias são
móveis através de flagelos polares. Apresentam
metabolismo oxidativo, mas não por metabolismo
fermentativo e usam poucos carboidratos para seu
crescimento. O trato respiratório é um sítio comum
de colonização, principalmente em paciente que
apresentam fibrose cística associada à doença
subjacente.

Figura 57: Pseudômonas aeruginosa. Essa imagem mostra


flagelos polares, que são características do gênero.

O crescimento das pseudômonas aeroginosa


pode ser realizada em meio de cultivo comum
como Agar sangue ou Agar MacConkey, ou em
meios de cultivo seletivos que inibem o
crescimento de outros microrganismos como meio
Pseudomas Agar. O crescimento é rápido
apresentando colônias de coloração azul-
esverdeada, podendo ser ou não mucoides, e um
odor característico semelhante à uva.
Existem vários testes de suscetibilidade como
disco difusão microdiluição em caldo, Etest e
alguns métodos automatizados.

203
BACTÉRIAS ANAEROBIA
O oxigênio é letal para o anaeróbio porque ao
reduzir o oxigênio forma intermediários tóxicos
que são eventualmente removidos por enzimas
superóxido e peroxidase, sendo assim os
anaeróbios precisam de um ambiente com pouco
oxigênio.

Clostridium
Seu habitat é o solo e o intestino, poucas Figura 59: espasmos facial e riso sardônico num paciente
espécies são responsáveis por infecções no com tétano.
homem e me animais. São bacilos Gram-positivos O tétano localizado resulta de espasmos
esporulados. Os endoporos ovais ou esféricos dolorosos nos músculos adjacentes aos sítios da
usualmente são maiores do que as células lesão
vegetativas. As células vegetativas são bacilos
retos ou curvos, variando de pequenas formas Clostridium botulinum
bastonetes cocóides a formas longas, filamentosa É um bacilo que apresenta esporos ovais, seu
com extremidades arredondadas ou retas. habitat é o solo, poeira, sedimentos marinhos e
uma grande variedade de agroprodutos. O
Clostridium tetani botulismo em seres humanos apresentam quatro
É um bacilo com endósporo terminal é formas:
encontrado no solo de todo o mundo. Ele produz  Botulismo infantil;
duas proteínas, a neurotoxina TeNT e uma  Botulismo clássico;
hemolisina.  Botulismo de lesão;
 Botulismo pós-colonização em adultos.
Após a germinação e consequente produção da
neurotoxina no intestino grosso, BoNT é absorvida
pela corrente sanguínea sendo levada para Às
terminações nervosa periférica, principalmente as
junções neuromusculares dos neurônios motores
ligando, a membrana pré-sináptica, causando
paralisia aguda flácida.
As formas de botulismo manifestam-se como
paralisias simétricas flácidas e com possíveis
Figura 58: (a) Clostridium tetani. Os endosporos dos
clostrídios geralmente deformam a parede celular; (b) Células sequelas neurológicas.
individuais de M. pneumoniae. As setas indicam estruturas A BoNT é considerada uma das toxinas mais
terminais que provavelmente auxiliam na adesão às células
eucarióticas, que se tornam então infectadas.
potentes que se conhece. Essa potência vem de
sua habilidade em bloquear transmissões
A doença ocorre após a introdução dos esporos neuromusculares e levar à morte por paralisia da
na lesão, a toxina liberada após a lise celular, liga- musculatura envolvida na respiração.
se a junções neuromusculares dos neurônios
motores para ser endocitada. Usando o sistema de
transporte retrógrado, através dos axônio, a toxina
chega ao SNC, impedindo a liberação de
neurotransmissores do tipo δ-aminobutírico e
glicina pelos neurônios, e assim bloqueando os
impulsos inibitórios aos neurônios e
consequentemente bloqueando os impulsos
inibitórios dos neurônios motores, levando a uma
paralisia espática. O tétano pode ser local ou
generalizado, o tétano generalizado é conhecido
pelo trismo (espasmos do masseter) e pelo riso
sardônico.

204
MICOBACTÉRIAS
São vários os tipos de bactérias do gênero
Mycobacterium, mas as que merecem maior
destaque são duas: Mycobacterium turbeculosis e
Mycobacterium leprae.
As micobactérias são aeróbias, consideras gram-
positivas, pequenas e em forma de bastão e não
possuem cápsulas. São organismos intracelulares
que infectam e proliferam-se no interior de
macrófagos. Consistem em bacilos aeróbios, Figura 61: colônia de Mycobacterium tuberculosis em agar
imóveis, não formadores de esporos. Os bacilos Lowenstein-Jensen após semanas de incubação.
formam filamentos ramificados que podem ser
interrompidos. A parede celular é rica em lipídios, A maioria dos laboratórios usa uma coloração com
o que torna a superfície hidrofóbica e a fluorescência que permite a visualização das
micobacteria resiste a vários desinfetantes e micobacterias num microscópio de florescência.
coloração comuns de laboratório. Uma vez
corados, os bacilos não podem ser descorados
com soluções ácidas por isso são chamados de
bactérias acido resistentes.

Mycobacterium tuberculosis
Agente etiológico da tuberculose no homem, é
um agente patógeno intracelular de macrófago,
estabelece sua infecção nos pulmões.

Tuberculose
Conhecida como peste branca, foi causadora de
mortes no final do séc. 19 e início do séc. 20,
ainda hoje é uma infecção que causa muitas
mortes em adultos no mundo todo. Descrito pela Figura 62: método de coloração de Ziehl-Neelsen. (a)
primeira vez em textos indianos, ela já era esfregaço de escarro colocado sobre uma lâmina e
conhecida nos tempos de Hipócrates e na idade comprimido contra outra lâmina; (b) lâmina molhada com
carbolfusina e em seguida aquecida; (c) lâmina enxaguada
média. Robert Koch realizou um dos estudos mais com água, descolorida com álcool ácido e novamente
significativo desta doença, pois ele isolou pela enxaguada; (d) lâmina contracorada com azul de metileno ou
primeira vez o agente causador da tuberculose, o verde malagueta por 30 segundos, enxaguadas novamente e
seca; (e) lâmina de escarro corado com carbolfucsina, vista
Mycobacterium tuberculosis, que ficou conhecido sob óleo de imersão, mostrando BAAs como bastões
como bacilo de Koch. A resposta imune do vermelhos brilhantes.
hospedeiro está associada aos danos teciduais,
devido a formação de granulomas e necrose, os
sintomas da tuberculose inclui a destruição
tecidual que liquefaz porções infectada do pulmão.

Figura 63: (1) portador. (a) expulsão de gotículas contendo M-


tuberculosis expulsos com a tosse ou com espirros no ar; (b)
as gotículas permanecem suspensas no ar por uma ou duas
Figura 60: complexo inicial da tuberculose. (a) infecção inicial horas; (c) micobacterias infecciosas preservadas na
de tuberculose. Pequeno infiltrado branco pneumático no escuridão e na umidade de horas e meses; (2) Receptor,
lobo superior direito com linfonodos hílares e implantação. (a) inalação; (b) ingestão; (c) pulmões; (d)
traqueobronquiais muito aumentados; (b) com o tempo, o tonsilas; (e) linfonodos; (f) dedos; (g) intestino.
foco pulmonar cicatriza, formando uma lesão de Ghon.

205
Mycobaterium leprae
São as bactérias causadoras da lepra, essa
bactéria multiplica-se lentamente, os sintomas se
desenvolvem, em até 20 anos após a infecção. As
manifestações clínicas da lepra dependem das
reações imunes do paciente.

Hanseníase
Lepra termo que vem do latim lepro que é o ato Figura 66: lepra lepromatosa. Infiltração difusa da pele por
de suja ou poluir. Em 1400 A.C já era conhecido e múltiplas nódulos de vários tamanhos, cada um deles com
muitas amostras bacterianas.
descrito em escrituras indianas, foi descrita no
velho e novo testamento, Aractus e Galeno a
estudaram por volta de 150 A.C, no primeiro Técnica de Ziel Neelsen: É uma técnica de
século soldados romanos levaram a doença para coloração de bactéria mais agressiva que a
a Itália, após batalhas na índia, disseminando-a técnica de gram. Ela é usada em bactérias que
por todo continente europeu. coloram mal com o gram, como os bacilos da
Pessoas com lepra passaram a ser isoladas, lepra e da tuberculose.
encaminhadas a leprosários, eram tratados como Nesta técnica a fucsina fenicada, vai corar todas
se já estivessem mortas. Os tratamentos eram as células bacterianas e outras estruturas
humilhantes tinham que andar apenas em um lado presentes no esfregaço de vermelho.
da estrada sempre na direção do vento, em alguns O ácido diluído em álcool aplicados vãos descorar
lugares era obrigado a vestir roupas especiais todos as bactérias exceto as ácido-alcool-
carregar um sinal em volta do pescoço que resistentes, que permanecem coradas de
indicava que estava com a doença e tinha que vermelho pela fucsina. Assim, ao serem
usar um sino para alertar as outras pessoas que observadas após a coloração e contraste, com
uns leprosos estavam próximos. Em 1873, ainda azul de metileno, encontraremos as bactérias,
na época que se acreditava que a lepra era uma Ácido-alcool-resistentes corados de vermelho, não
punição divina,o cientista Gerhard Henrik ácido-álcool-resistentes: corados de azul.
Armauer Hansen, associou o microrganismo
Mycobacterium leprae à doença humana.

Figura 67: Bacilo álcool-ácido resistentes em esfregaço de


tecido (Ziehl-Neelsen)

Figura 64: Gerhard Henrik Armauer Hansen (1841-1912) Médico


Meio Lowenstein Jensem: É um meio de cultura
bacteriologista e dermatologista Norueguês. Sua pesquisa uso no isolamento inicial de micobactérias.
ajudou a estabelecer os princípios fundamentais da imunologia, Constituídos por ovos integrais e uma série de
da medicina bacteriológica e política de saúde pública.
outros componentes sua positividade é indicada
por um crescimento de bom a excelente. Sua cor
A Lepra é uma doença, infectocontagiosa, afeta a
normal é verde claro e o crescimento de colônias
pele, as vias aéreas superiores, o sistema nervoso
amareladas é indicativo de positividades. Não
periférico e os olhos. A colonização no SNP causa
existindo crescimento de colônias o resultado da
modificações como degeneração axonal, fibrose e
cultura é negativa. Este meio contém glicerol,
desmilinização, por falta de produção de mielina
fécula de batata, sais e ovos. O verde malagueta é
pelas células do Schwann, infectadas, e sua
adicionado para inibir o crescimento de bactérias
destruição mediada por reações imunes induzem
gram-positivas.
lesões nervosa, perda sensorial e desfiguração.
Teste de Mitsuda: É um teste cutâneo não
específico que mede a reação â lepromina. O
teste é negativo na hanseníase virchoviana e
positivo na hanseníase tuberculóide. Esta reação
consiste na formação de um nódulo eritematoso
infiltrado.

Figura 65: coloração de ácidorresistente de biopsia de pele de


paciente com (a) lepra tuberculoide; (b) lepra tuberculosis
bordeline; (c) lepra lepromatosa bordeline; (d) lepra lepromatosa. Figura 68: (a) Meio Lowenstein Jensem, positivo ;(b)Teste de
Mitsuda

206
BACILLUS HAEMOPHILUS
Consiste em uma variedade de bactérias que Os membros dessa família são bastonetes gram-
crescem aeróbica ou anaerobicamente, em forma negativos pequenos, anaeróbios facultativos.
de cocos ou bacilos, gram positivos ou gram São responsáveis por um amplo espectro de
negativos. doenças. O crescimento da maioria das espécies
de Haemophilus requer suplementação do meio
Bacillus antracis com um ou ambos das seguintes fatores de
Patógeno humano conhecido em 1887 ao ser estimulação de crescimento hemina e
descrito por Koch como agente do antraz ou nicotinamida adenina dinucleotídeo. As espécies
carbúnculo. Nos últimos anos, sua importância de Haemophilus estão presentes em quase todos
sofreu grande impulso por ter seu uso como arma os indivíduos.
de guerra. Ele é uma bactéria gram-positiva O Haemophilus influenza é a espécie mais
esporulada. A contaminação do homem se dá associada à doença, com infecções mais
através da aspiração do esporo bacteriano, no frequentemente observadas em pacientes
organismo, o esporo germina, dando origem a pediátricos antes da introdução da vacina contra
forma vegetativa da bactéria H. influenza.

Diagnóstico
O escarro produzido nas vias aéreas inferiores é
usada no diagnóstico de pneumonia. Os
espécimes não devem ser coletados a partir da
faringe posterior em pacientes com suspeitas de
epiglote pois o procedimento pode estimular a
tosse e obstrução das vias aéreas.
Figura 69: Bacillus anthracis no sangue de um paciente com A cultura, o isolamento de H. influenza é a partir
antraz por inalação.
de espécimes clínicos inoculados em meios de
E produz uma toxina letal (letx) e outra culturas suplementados com fatores de
edemaciante (edtx). A Letx é responsável pelo crescimento adequado agar chocolate e agar
choque e morte, devido a sua interação com os Levinthal são usados na maioria dos laboratórios.
macrófagos, a qual resulta na interação e lise
destas células.

Figura 71: fenômeno de satelitismo: Staphylococcus aureus


excreta adenina nicotinamida dinucleotídeo no meio de
cultura, proporcionando o fator de crescimento necessário
para H. influenza.

Figura 70: Lesão por antraz. O inchaço e a formação de uma


casca preta ao redor do ponto de infecção são características
do antraz cutâneo.

Brucella
É constituída de cocobacilus ou bacilos, gram-
negativo, são encontrados em animais. A
brucelose é uma doença humano causada pela
brucella. As brucellas são transmitidas ao homem
através de contato direto da pele com tecidos de
animais infectados, ingestão de carnes, ou
produtos lácteos contaminados, e através da via
respiratórias. As brucellas são parasitas
intracelulares, com elevada capacidade de
invasão e resistência contra a fagocitose. Ao
atingir os nodos linfáticos, as bactérias
sobreviventes multiplicam-se no interior dessas
células provocando bacteremia e invadem as
células do sistema reticulo endotelial dos nódulos
linfáticos, baço, fígado, medula óssea e outros
órgãos, formando nódulos granulosos que podem
virar abscesso.
207
BORDETELLA
O gênero Bordetella consiste em cocobacilos
Gram-negativos pequenos (0,2 a 0,5 µm) e
aeróbios estritos. São conhecidos oito espécies,
com quatro espécies responsáveis por doenças
humanas: Bordetella pertussis, o agente
responsável pela coqueluche; Bordetella para
pertussis, responsável por uma forma branda de
coqueluche. Bordetella bronchiosentica,
responsável por doenças respiratórias em cães,
suínos e animais de laboratório e Bordetella
homelsii, um agente raro de sepse.
As espécies de Bordetella apresentam exigências
nutricionais simples mas algumas espécies são
altamente suscetíveis a substâncias e metabólitos
tóxicos em meios de cultura comuns de
laboratórios.
Esses microrganismos são imóveis e oxidam
aminoácidos, mas não fermentam carboidratos.
Sua infecção e o desenvolvimento da coqueluche
requer a exposição ao microrganismo, adesão
bacteriana às células epiteliais ciliadas do trato
respiratório e toxicidade sistêmica.
A coqueluche é uma doença humana sem
nenhum reservatório animal ou ambiental
reconhecido. A infecção é iniciada quando
aerossóis são inalados, e a bactérias se adere e
prolifera nas células epiteliais ciliadas.

Figura 72: Bordetella bronchiseptica

Bordetella pertussis
Após o período de incubação de 7 a 10 dias, a
doença é caracterizada pelo estágio catarral,
progredindo para o estágio paroxístico, e então
para o estágio convalescente. O espécime ótimo
para diagnostico é o aspirado nasofaringe. Swab
contendo alginato de cálcio ou fibra Dacron podem
ser usados. O espécime deve ser inoculado na
beira do leito do paciente em meio de cultura
recentemente preparado e enviado para o
laboratório.
O uso tradicional do meio de cultura Borget-
gengou tem sido substituído pelo meio de agar
Carvão regan-lowe, suplementado com glicerol,
peptona e sangue de cavalo.

208
FUNGOS REPRODUÇÃO
O ramo da biologia que estuda os fungos é a Eles reproduzem-se de modo assexuado e
Micologia (myco=fungo). São organismos sexuado na reprodução sexuada do bolor o
pluricelulares ou unicelulares, destituídos de esporo evolui por sucessivas mitoses e forma as
pigmentos fotossintetizantes. Tem parede celular hifas que se multiplicam para originar o micélio e
e possuem células revestidas por quitina. A os esporângios do novo fungo. Com menos
parede é uma estrutura rígida protegendo a célula frequência o bolor preto pode reproduzir-se
de choques osmóticos. A membrana sexuadamente quanto à outra, de modo que a
citoplasmática atua como uma barreira fusão dos núcleos origina o zigoto (2N) este por
semipermeável, no transporte ativo e passivo dos meiose, forma o esporo (N), uma estrutura que
materiais, para dentro e fora da célula. Os fungos germina e constitui o novo fungo.
mais complexos apresentam septos entre as
células. Armazenam glicogênio e apresenta
nutrição heterótrofa, os fungos lançam enzimas
sobre o material e absorve as moléculas
resultantes dessa digestão celular extracorpórea.
Os fungos são compostos de um emaranhado de
filamentos, as Hifas, cujo conjunto se chama
Micélio.
Eles apresentam um conjunto de características
que diferenciam das plantas: Eles não sintetizam
clorofilas nem outros pigmentos fotossintéticos,
não possuem celulose na parede celular e não
armazenam amido como substância de reserva.
Os fungos originam-se de uma única célula ou
Figura 74: ciclo de vida de um fungo. (1) reprodução sexuada;
fragmento da hifa. (e) gameta se forma na extremidade da hifa; (f) plasmogamia;
Eles são enquadrados em um reino só deles o (g) formação do zigosporos; (h) cariogamia e meiose; (i) o
reino Fungi. O ser humano descobriu as mais zigomoto produz um esporângio; (j) os esporos são
liberados; (l) os esporos germinam para produzir as hifas; (2)
variadas aplicações para o uso dos fungos, alguns reprodução assexuada; (a) a hifa área produz o esporângio;
são comestíveis e outros são usados na (b) o esporângio se rompe para liberação dos esporos; (c) os
esporos germinam para produzir hifas; (d) crescimento
fabricação de bebidas, álcool, bebidas alcoólicas, vegetativo do micélio.
pães, queijos e antibióticos.
Os fungos são encontrados nos mais variados
ambientes preferencialmente em lugares úmidos e
ricos em matéria orgânica.

Figura 73: características das hifas dos fungos. (1) hifas


septadas com parede celular, ou septos, dividindo as hifas
em unidades tipo células; (2) hifa cenocítica (sem septo); (a)
parede celular; (b) poro; (c) núcleos; (3) crescimento das
hifas por alongamento da extremidade; (e) esporo.

209
MICOSES SUPERFICIAIS Seu diagnóstico é feito pela visualização direta
São produzidas por um grupo de fungos de dos elementos fúngicos no exame de microscópio
relação entre saprofitismo e parasitismo, das escamas epidérmicas em KOH a 10%. A
provocando alterações na ordem estética, micoses cultura pode ser feita usando-se meio micológico
de pele são caudadas pela, Malassezia Spp e sintético suplementado com óleo de oliva como
Phaeoamelomyces werneckill: piedra negra e fonte de lipídio. O crescimento de colônias
branca. leveduriformes aparece após incubação a 30 ºc
por 5 a 7 dias. As colônias são compostas de
Pitiríase versicolor células leveduriformes com brotamento e hifas
É uma infecção fungica superficial que ocorre em ocasionais.
todo o mundo. é causada pela levedura lipofílica
Malassezia spp. Aparece como grupo de células,
parecidas a leveduras com paredes espessas,
esféricas ou ovais.

Figura 75: Pitiríase versicolor. Escamas de pele coradas com


PAS mostrando hifas curtas e curvas e blastoconidios em
cachos.

Figura 76: Micrografia por varredura eletrônica de Malassezia


spp. demonstrando o colarete semelhante a um lábio ao redor
do ponto do início do broto na célula-mãe.

Suas lesões são pequenas máculas hipo ou


hiperpigmentadas. A parte superior do corpo é a
mais afetada. As lesões são irregulares, com
manchas pigmentadas bem delimitadas, que
podem confluir e serem cobertos por uma escama
fina. Como a m. Spp tende a interferir na
produção de melanina, as lesões são
hipopigmentadas em pessoas de pele escura, em
pessoas de pele clara, as lesões são rosadas.

Figura 77: Pitiríase versicolor. Manchas hiperpigmentadas


múltiplas, castanho-claro no tórax e ombros.

210
MICOSES CUTÂNEAS O diagnóstico laboratorial é baseado na
Dermatófitos demonstração das hifas septadas pela
Refere-se a um grupo de fungos filamentosos microscopia direta de pele, pelos e unhas e no
relacionados aos gêneros Trichophyton, isolamento dos microrganismos em cultura. As
microsporum e epidermophyton. culturas são úteis e podem ser úteis, são obtidos
O gênero Microsporum é identificado pela por raspagem das áreas afetadas e semeadura da
observação de seus microconídio enquanto os pele, pelos ou pedaços de unha em meio
microconídios são estruturas características de micológico padrão, como Agar Sabouraud. As
gênero Trichophyton. colônias se desenvolvem entre 7 a 28 dias.
O epidermophyton floccosum não produz
microconidios, porem seus macroconidio de
parede lisa que nascem em cachos de 2 ou 3
bastonetes característicos.

Figura 78: (a) T. tonsurans produz microconídios de forma e


tamanho variados, com conídios esféricos relativamente
grandes, muitas vezes localizados paralelamente ao lado de
conídios pequenos e outros microconídios de vários
tamanhos e formas; (b) Epidermophyton floccosum. Em
lactofenol azul-algodão mostrando macroconídios de paredes
lisas; (c) Microsporum canis. Em lactofenol azul-algodão
mostrando macroconídios (seta preta) e microconídios (seta
vermelha) de parede rugosa.

Também chamadas de dermatomicose


produzidas pelos dematófitos que provocam
lesões na pele, pêlos e unhas por espécie de
cândida, provocando lesões na pele, unhas e
mucosas. São produzidos por grupos de fungos
especializados denominados dertófitos com
habilidade de degradar a queratina e transformá-la
em material nutritivo para seu crescimento.
No pelo os dermatófitos atacam a camada
superficial avançando até o folículo piloso fazendo
o pelo perder brilho e ficar quebradiço caindo. Na
pele causam lesões com propagação radiais,
circulares, as infecções iniciam-se pela borda livre,
superfície e a área subunqueal. Tornando a unha
branco-amarelada, porosas e quebradiças.

Figura 79: micoses subcutâneas. (a) Tinha capitis causada


por M. canis; (b) Tinha barbae causada por T. verrucosum; (c)
Onicomicose causada por T. rubrum.

211
MICOSES SUBCUTÂNEAS O diagnóstico requer cultura do pus ou do tecido
Seus agentes vivem em estado saprofítico no infectado. S. Schenkii cresce em 2 a 5 dias numa
solo, nos vegetais e nos animais de vida livre são variedade de meios micológicos e aparece como
parasitas acidentais do homem e dos animais que levedura com brotamento a 35 ºC e com um fungo
se infectam por ocasião de um traumatismo na filamentoso a 25 ºC.
pele, com material contaminado. Elas localizam-se
na pele e no tecido subcutâneo próximo ao ponto Cromoblastomicose
de inoculação e é rara sua disseminação. É uma infecção fúngica crônica que afeta a pele e
As principais infecções fúngicas subcutânea os tecidos subcutâneos. É caracterizado pelos
incluem esporotricose linfocutânea, aparecimentos de nódulos ou placas verrucosas
cromoblastomicose, micetoma eumicótico. de crescimento lento. Os fungos associados com
a cromoblastomicose são fungos pigmentados dos
esporotricose linfocutâneo gêneros Fonsecaea, Cladosporium, Exophiala,
É causada pelo Sporothix Schenchii, um fungo Cladophialiphora, Rhinocladiella e Phialophora.
dimorfico ubiquitario no solo e na vegetação em A espécie de Exophiala pode crescer como
decomposição. as culturas em forma filamentosa fungos filamentosos e formar células produtoras
crescem rapidamente e têm uma superficie de conídios chamados anelídios e também como
membranosa rugosa que gradualmente se torna levedura que pode aparecer em colônias
castanha, marrom ou escura. recentemente isoladas. Os fungos que causam a
cromoblastomicose forma caracteristicamente
células muriformes que são castanhos devido à
melanina em suas paredes celulares.

Figura 80: (a) Fase filamentosa do Sporothrix schenckii; (b)


Fase de levedura de Sporothrix schenckii em tecido.

Sua infecção é cronica e caracterizada por lesões


Figura 82: Célula muriforme pigmentada de marrom, da
nodulares e ulcerativa que se desenvolvem ao cromoblastomicose
longo dos linfáticos que drenam o sítio primário da
inoculação. o local da infecção aparece como Tende a ser crônica, muriginosa, progressiva,
nódulo pequeno, que pode ulcerar. depois os indolores e resistente ao tratamento. As lesões
nódulos linfáticos aparecem em cerca de 2 iniciais são pequenas e resistentes ao tratamento.
semanas após o aparecimento da lesão primária As lesões iniciais são pequenas pápulas
que consistem de uma cadeia linear de nódulos verrugosas que, aumentam lentamente. Há formas
subcutâneos indolores que se estendem ao longo morfológicas diferentes da doença, variando
do curso da drenagem linfática da lesão primária. desde lesões verrugosas a placas planas. As
com o tempo, os nódulos podem se ulcerar e infecções estabelecidas se apresentam com
liberar pus. várias verrugas grandes, parecida com um couve-
flor, geralmente agrupados dentro da mesma
região. As lesões grandes não apresentam
hiperqueratose, e o membro é grosseiramente
distorcido devido à fibrose e ao linfoedema
secundária.

Figura 81: Forma linfocutânea clássica da esporotricose


demonstrando uma cadeia de nódulos subcutâneos ao longo
da drenagem linfática do braço.

Figura 83: Cromoblastomicose do pé e da perna.

212
Os achados histológicos das células muriformes
castanhas e o isolamento em cultura de um dos
fungos causais confirmam o diagnóstico. Os
raspados obtidos da superfície das lesões
verrugosas, em que pequenos pontos negros são
observados podem resultar na demonstração das
células características.
Amostras de biopsia corada com H&E também
mostraram o organismo presente na epiderme em
microabscesso contendo macrófagos e células
gigantes.

Micetoma eumicótico
São causados por fungos verdadeiros. que são
causados por Actinomicetos aeróbicos (bactérias).
Um micetoma é definido, como um processo
infeccioso localizado, crônico e granulomatoso Figura 85: História natural do ciclo do fungo filamentoso
que envolve os tecidos cutâneos e subcutâneos. é (saprofita) e da levedura (parasita) de Blastomyces
dermatitidis.
caracterizado pela formação de múltiplas
granulomas e abscessos que contem grandes
agregados de hifas fúngicas, conhecidas como
grânulos ou grãos. O processo pode ser bastante
extenso e deformativo, com destruição do
músculo, TC e ossos. Seus agentes etiológicos
incluem: Phaeoacremonium. curvalaria, fusarium,
mordurella etc.
Os grânulos das micetomas eumicóticos são
compostos por hifas septadas dependendo do
agente etiológico. as hifas são frequentemente
distorcidas e irregulares em relação à forma e ao
tamanho, clamidoconídios grandes, esféricos e de
parede espessa estão presentes. as hifas podem
estar inseridas numa substância amorfa parecida
a cimento.

Figura 84: (a) Grânulo de micetoma por Curvularia geniculata;


(b) hifas demáceas compactas e clamidoconídios inseridos
no tecido.

213
MICOSES SISTEMICAS Cocoidioidomicose
Apresentam varias características em comum, sua É uma micose endêmica causada por qualquer
distribuição geográfica é limitada principalmente, uma das espécies C. immitis e C. posadagin. a
nas Américas. Os agentes etiológicos são doença é causada pela inalação de artroconídios
encontrados no solo e em dejetos de animais, e as infecciosos podendo variar de uma infecção
vias aéreas superiores são sua principal porta de assintomática para uma infecção progressiva e
entrada. A patogenicidade não é essencial para morte.
sua sobrevivência ou disseminação celular é um
processo granulomatoso semelhante aquela da O C. immittis é um fungo dimórfico existe como
tuberculose. um fungo filamentosos na natureza e quando
os patogenos dimórficos influem Blastomyces cultivado no laboratório a 25 ºC. Como esférulo
dermatitidis, Coccidioides immitis e C. posadasii. endosporolada no tecido e sob condições
especificas in-vidro. o crescimento inicial é branco
Blastomicose a cinza, úmido, glabroso ocorrendo de 3 a 4 dias.
É uma infecção fúngica causada pelo fungo As colônias maduras se tornam, acastanhadas a
dimorfico Blastomyces dermatitidis. Está infecção marrom ou lavanda.
é confinada a região geográfica especifica, muita
infecção tem sido diagnosticada em outras partes
do mundo, incluindo África, Europa e Oriente
médio. ele produz células leveduriformes não
encapsuladas no tecido e em cultura em meio
enriquecido a 37 ºC e colônias de fungo
filamentosos branco a acastanhado em meio
micológico padrão a 25 ºC.
A forma de levedura do B. Dermatitidis é vista no Figura 87: (a) Fase filamentosa de Coccidioides immitis; (b)
tecido e em cultura a 37 ºc, esta forma é bastante Esférula de Coccidioides immitis.
distinta. As células leveduriformes são esféricas,
hialinas, multinucleadas e com paredes espessas A C. immittis é o mais virulento de todos os
e de contorno duplo. O citoplasma é fungos que afetam o homem. A inalação de
frequentemente retraído da rígida parede celular poucos artroconídios produz a coccidioidomicose
como resultado do encolhimento durante o primária que pode influir doença pulmonar
processo de fixação. As células leveduriformes se assintomática ou uma doença autolimitada
reproduzem pela formação do brotamento ou parecida com resfriado com sintomas de febre,
blastoconídios. tosse, dor torácica e perda de peso.

Figura 86: (a) Fase de fungo filamentoso de Blastomyces


dermatitidis; (b) Coloração de Giemsa de Blastomyces
dermatitidis mostrando leveduras com brotamento de base
larga.

A via comum de infecção é a inalação de


conídios. A gravidade dos sintomas e o curso da
doença dependente da extensão da exposição e o
Figura 88: História natural do ciclo do fungo filamentoso
grau de imunidade do hospedeiro. A blastomicose (saprofita) e da esférula (parasita) de Coccidioides immitis.
pulmonar pode ser assintomática ou se apresentar
como doença branda parecida com resfriado. O diagnóstico da Coccidioidomicose envolve o
O diagnóstico da blastomicose baseia-se na uso de exames histopatológico do tecido ou outro
detecção microscópica do fungo no tecido ou material clinico, isolamento do fungo em cultura e
outro material clinico e com confirmação pela teste sorológico.
cultura. As amostras mais adequadas para o
diagnóstico incluem escarro, lavado bronco
alveolar ou biopsia de pulmão.

214
VIRUS Dependendo do vírus, os envelopes podem ou
A palavra vírus vem do latim que significa veneno. não apresentar espículas, constituídas por
Em 1935 Wendeli Stanley, químico norte- complexos carboidrato-proteína que se projetam
americano, isolou o vírus do mosaico do tabaco, da superfície do envelope.
tornando possível, o desenvolvimento do estudo
químico e estrutural com um vírus purificado.
Um vírus pode ser considerado um agregado
complexo de elementos químicos ou um
microrganismo simples. Os vírus são entidades
que:
contêm um único tipo de ácido nucleico, DNA ou
RNA;
 Contêm um invólucro proteico que envolve o
Figura 89: Morfologia de um vírus poliédrico não
ácido nucleico;
envelopado. (1) Diagrama de um vírus poliédrico
 Multiplicam-se no interior de células ias usando (icosaédrico). (a) capsômero; (b) ácido nucleico; (c)
a maquinaria de síntese celular; capsídeo. (2) Microfotografia do Mastadenovirus, um
 Induzem a síntese de estruturas adenovírus. São visíveis os capsômeros individuais do
capsídeo.
especializadas na transferência do ácido
nucleico viral para outras células.
Os vírus possuem poucas ou mesmo nenhuma Vírus helicoidais
enzima própria para seu metabolismo. Os vírus O genoma viral está no interior de um capsídeo
devem se apossar da maquinaria metabólica da cilíndrico e oco com estruturas helicoidal. Os vírus
célula hospedeira para sua multiplicação. Os vírus que causam raiva e febre hemorrágica são
causam doenças quando atravessam a barreira de helicoidais.
proteção natural do corpo, escapam do controle
imune e matam as células de um tecido Vírus poliédricos
importante ou desencadeiam uma resposta imune O capsideo da maioria dos vírus poliédricos tem a
inflamatória destruidora. O tecido visado pelo vírus forma de um icosaedro, um poliedro regular com
define a natureza da doença e seus sintomas. 20 fases triangulares e 12 vértices. Os
capsômeros de cada face formam um triângulo
ESTRUTURA equilátero.
um virion é um partícula viral completa e
infecciosa composta por um ácido nucleico envolto Vírus envelopados
por uma cobertura de proteína, que o protege e São relativamente esféricos. Os vírus helicoidais
serve como um veículo de transmissão de uma e os poliédricos envoltos por um envelope são
célula hospedeira para outra. os vírus são chamados vírus helicoidais envelopadas ou vírus
classificados de acordo com as diferenças na poliédricos envelopados. Um exemplo de vírus
estrutura desses envoltórios. envelopado é o vírus influenza.
Ácido nucleico Vírus complexo
Os vírus podem possuir tanto DNA como RNA, Um bacteriófago é um exemplo de um vírus
mas nunca ambos. O ácido nucleico dos vírus complexo. Alguns bacteriófagos possuem
pode ser de fitas simples ou dupla. Assim, existe capsideos com estruturas adicionais aderidas.
vírus com DNA de fita dupla, DNA de fita simples,
RNA de fita dupla e RNA de fitas simples.
dependendo do vírus, o ácido nucleico pode ser
linear ou circular.

Capsídeos e envelope
O capsideo protege o ácido nucleico dos vírus. A
estrutura do capsideo é determinada pelo genoma
viral e constitui a maior parte da massa viral,
especialmente em partículas pequenas. Cada Figura 90: (a) Vírus helicoidais; (b) Vírus poliédricos; (c) Vírus
capsideo é composto por subunidade proteica envelopados; (d) Vírus complexo.
chamadas de capsômeros. A organização dos
capsômeros é caracterizada para cada tipo de
vírus. em alguns vírus, o capsideo é coberto por
um envelope, que normalmente consiste numa
combinação de lipídeos, proteínas e carboidratos.

215
MULTIPLICAÇÃO Biossíntese
O ácido nucleico de um vírus contém apenas uma Assim que o DNA do bacteriófago alcançar o
pequena quantidade dos genes precisos para citoplasma da célula hospedeira ocorre a
síntese de novos vírus. Entre eles estão os genes biossíntese do ácido nucleico e da proteína virais.
que codificam os componentes estruturais do a síntese proteica do hospedeiro é interrompida
vírus, como as proteínas do capsídeo, e os genes pela degradação do seu DNA induzida pelo vírus,
que codificam algumas enzimas usadas no ciclo pela cão de proteína virais que interferem com a
de multiplicação viral. tradução, ou pela ação de proteína viria que
Para que um vírus se multiplique, ele precisa interem com a tração, ou pela inibição da
invadir a célula hospedeira e assumir o comando tradução.
da sua maquinaria metabólica. Um único vírus Inicialmente, o fago usa varias enzimas e os
pode dar origem, a alguns milhões de partículas nucleotídeos da célula hospedeira para sintetizar
virais iguais. cópias de seu DNA do fago para a síntese da
A multiplicação de um vírus pode ser demonstrada enzima viral e das proteínas do capsideo viral. Os
com uma curva de ciclo único. Os dados podem ribossomos, as enzimas. e os aminoácidos da
ser obtidos por infecção de todas as células de célula hospedeiro são usadas na tradução.
uma cultura e posterior teste do meio de cultura e Durante o ciclo de multiplicação do fago, o
das células quanto à presença do vírus, proteínas controle gênico regula a transcrição de regiões
e ácidos nucleicos virais. diferentes do DNA.

Bacteriófago Maturação
O mecanismo básico de multiplicação viral é Nesse processo, vírus complexos são formados a
similar para todos os vírus. Os bacteriófagos partir do DNA e dos capsideos. os componentes
podem se multiplicar por dois mecanismos virais se organizam espontaneamente formando a
alternativos: partícula viral e eliminando a necessidade de
 O ciclo lítico: termina com a lise e a morte muitos genes não estruturais e de outros produtos
da célula hospedeira; gênicos. as cabeças e as caudas dos fagos são
 O ciclo lisogênico: a célula hospedeira montados separadamente a partir de subunidades
contínua viva. de proteína, a cabeça recebe o DNA viral e se liga
Como exemplo usaremos uma infecção viral da à cauda.
E.coli. o ciclo de multiplicação viral ocorre em
cinco etapas distintas: Liberação
 Adsorção; O estágio final da multiplicação viral é a liberação
 Penetração; dos vírus da célula hospedeira. A lisozima
 Biossíntese; codificada por um gene viral é sintetizada dentro
 Maturação; da célula. Essa enzima destrói a parede celular
 Liberação. bacteriana, liberando novos bacteriófagos,
produzidos. os fagos liberados infectam outras
Adsorção células sucetivas, vizinhas, e o ciclo de
Nesse processo um sítio de adsorção no vírus se multiplicação viral é repetida dentro dessas
liga ao sítio do receptor complementar na parede células.
da célula bacteriana, os bacteriófagos possuem
fibras na extremidade da cauda que servem como
sítios de adsorção. Os receptores
complementares estão na parede da célula
bacteriana.

Penetração
Após adsorção, os bacteriófagos injetam seu DNA
dentro da bactéria. para isso, a cauda do
bacteriófago libera uma enzima, a lisozima que
destrói uma porção da parede celular bacteriana.
Durante o processo de penetração, a bainha da
cauda do fago se contrai, e o centro da cauda
atravessa a parede da célula bacteriana. Quando
o centro alcança a membrana plasmática, o DNA
do lúmen da cauda e da membrana plasmática. O
capsideo permanece do lado de fora.

216
VIRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA
O principal determinante na patogênese do HIV é
o tropismo do vírus por células T e macrófagos
que expressam CD4. Durante a transmissão
sexual, o HIV infecta uma superfície mucosa,
entra e infecta células do tecido linfoide associado
a mucosa. os estágios iniciais são mediados pelos
vírus M-tropicos que se ligam ao CD4 e ao
receptor de quimiocinas CCRS e infectam células
dendriticas e outras células da linhagem de
monócitos-macrofagos, assim como células T do
sangue periférico.
a mutação do gene env para o gp120 muda o
tropismo do vírus de M-trópico para T-trópico. A
gp120 do vírus T-trópico se liga ao CD4 e ao
receptor de quimiocinas CXCR4. Mais tarde, com
a progressão da doença.
A redução de número de células TCD4 pode
Figura 91: ciclo lítico de um bacteriófago, (1) adsorção, o fago
adere à célula hospedeira; (2) penetração, o DNA do fago é resultar da citolise direta induzida pelo HI, citolise
injetado na célula hospedeira; (3) biossíntesse, o DNA do imune induzida por células T citotóxicas, levando a
fago direciona a síntese do componente viral pela célula do uma rápida diferenciação terminal e morte de
hospedeiro; (4) maturação, os componentes virais são
montados formando novos vírus; (5) liberação, a célula células T. o desenvolvimento dos sintomas da
hospedeira sofre lise e novos vírus são liberados. (a) parede AIDs se relacionam com a liberação dos vírus no
da célula bacteriana; (b) cromossomo bacteriano; (c)
capsideo; (d) DNA; (e) capsídeo (cabeça); (f) bainha; (g) fibras sangue, um aumento do vírus T-tropico e uma
da cauda; (h) placa basal; (i) parede celular; (j) membrana diminuição das células TCD4.
plasmática; (l) bainha contraída; (m) núcleo da cauda; (n) o HIV induz vários efeitos citopatológicos que
cauda; (o) DNA; (p) capsídeo; (q) fibras da cauda.
podem destruir a célula T infectada. esses incluem
um acumulo de cópias da permeabilidade da
membrana plasmática, formação de sincícios e
indução de apoptose.
A resposta imune contra o HIV restringe a
infecção viral, mas contribui para a patogênese.
Anticorpos neutralizantes são gerados contra
gp120 e participam da resposta de citotoxicidade
celular dependente de anticorpos. O vírus
recoberto por anticorpos é infeccioso e é
capturado por macrófagos, as células TCD8 são
fundamentais para o controle da progressão da
doença. Entretanto, as células TCD8 requerem
ativação por células TCD4.
O HIV compromete todo o sistema imune por
atacar as células TCD4. a infecção persistente de
macrófagos e células TCD4 em repouso mantém o
vírus em células e tecidos imunologicamente
privilegiados ex. o SNC e órgãos genitais.
A evolução da doença é paralela à redução de
células TCD4 e ao aumento da carga viral no
sangue. Após a transmissão o HIV infecta e
elimina as células TCD4 do tecido linfoide
associado ao intestino.
Além da imunossupressão, o HIV pode causar
anormalidades neurológicas. As células da
microglia e macrófagos são os tipos celulares
mais infectados pelo HIV no cérebro.
a maioria dos pacientes com Hiv apresentam
inicialmente uma doença sintomática, incluido
febre, fadiga, faringite, náusea vômitos e diarréia.
depois desses síntomas de doença aguda
remitirem pacientes infectados pelo HIV
permanecem assintomáticos por alguns anos.

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Figura 92: (a) Leucoplaquia Pilosa da Língua; (b) Herpes-
zóster Disseminado; (c) Candidíase Pseudomembranosa da
Boca.

Sorologia: anticorpos contra o HIV são gerados


Figura 93: (a) Condilomas Acuminados do Pênis; (b)
lentamente, levando 4 a 8 semanas na maioria Condilomas Acuminados em Mulheres.
dos pacientes. Técnicas de ensaios
imunoabsorventes ligados à enzima (ELISA) ou de
aglutinação são usadas rotineiramente para
triagem sorológica.

PAPILOMAVIRUS
O Papilomavírus humano (HPV) causam
verrugas, vários genótipos estão associados ao
câncer humano o papilomavirus é vírus pequenos,
não envelopados. De capsideo icosaedrico, com
um genoma de DNA circular de dupla fita.
Eles codificam proteínas que promovem o
crescimento celular; o HPV pode ser classificado
HPV cutâneo ou HP de mucosa com base no
tecido suscetível.
A replicação do HPV é controlado pelo
equipamento de transcrição de células
hospedeiras, conforme determinado pela
diferenciação de epitélio da pele ou da mucosa
onde o vírus está inserido. o vírus acessa a
camada de célula basais por lacerações na pele. o
aumento induzido pelo vírus no número de células
causa espessamento das camadas basal e
espinhosa levando à formação de verrugas e
condilomas.
Quando a célula da pele infectada amadurece e
segue seu caminho até a superfície, o vírus
amadurece é liberado junto com células mortas da
camada superficial.
O papilomavírus infectam e se replicam no
epitélio escamoso da pele (verrugas) e membrana
mucosa (papilomas genitais, orais e conjuntivas)
induzido proliferação epitelial.
A verruga aparece como resultado de
estimulação viral do crescimento celular e
espessamento das camadas basal e espinhosa,
como da camada granulosa.
Coilócitos, característicos da infecção por
papilomavírus, são queratinócitos aumentados
com halos transparentes ao redor de núcleos
congride espontaneamente, mas pode recorrer.

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