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28/09/2017 Joaquim Guedes, arquiteto | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Joaquim Guedes, arquiteto
POR GILBERTO BELLEZA
Edição 174 - Setembro/2008

SLIDE SHOW

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Intervenção como essa no Tuca também ilustra um vasto campo de atuação de Guedes em
edificações existentes, dando-lhes nova identidade. Importantes espaços em São Paulo
tiveram propostas de Guedes, como o Teatro Oficina, o Hotel Jandaia, o João Sebastião Bar,
além de várias residências, transformando esses espaços em pontos marcantes da produção
arquitetônica.

Mais recentemente, a produção de Joaquim Guedes havia se reduzido, mais por seu
compromisso com a indústria que havia assumido (a Marsicano), e a uma dedicação integral
à carreira docente. Mesmo assim, ainda é possível ver sua permanente insatisfação e labuta
com a arquitetura, sempre em busca de inovação e pesquisa, como a realizada no Pavilhão
de Lazer no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro (1996), em que o objeto de trabalho foi o
sistema construtivo em madeira.

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Esse rápido relato de seu percurso é necessário para ilustrar sua personalidade. Suas
posições eram radicais. Suas idéias eram para ele as corretas. Defendia suas posições com
extremo rigor, o que o levava a angariar cada vez mais uma grande corrente de opositores e Revistas | Blogs | Livros | TCPO | Treinamentos
até de inimigos. Defendia seus projetos com vigor, o que levava a um difícil relacionamento
com seus clientes, embora o resultado final pudesse até justificar o desgaste, não fosse o
grande sofrimento do processo.

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Sua preocupação com o detalhe e a verdade dos materiais era o que valorizava sua
produção. Muitas vezes, com o projeto já próximo da finalização, repensava tudo na tentativa
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de encontrar uma melhor solução, o que exigia retomar etapas vencidas e, eventualmente,
implicava até um prejuízo financeiro. Cadastre-se e escolha os informes gratuitos

No panorama da arquitetura brasileira, a personalidade de Joaquim Guedes era muito


marcante e importante, não somente por sua produção arquitetônica, mas principalmente por
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ser uma voz destoante. Expressava coerentemente suas idéias e representava uma boa
parcela da visão arquitetônica brasileira que não se enxergava na produção corrente.
Acrescente-se a isso a grande capacidade intelectual de Guedes, que valorizava muito suas
manifestações.
Aplicativos
Há pouco tempo tivemos uma grande divergência pela maneira de gerir o IAB. Guedes havia
aprofundado sua participação na entidade após sua recente aposentadoria da FAUUSP. Nesse
processo, levou para o IAB suas firmes manifestações, que antes faziam parte do grupo de
disciplinas de projeto da FAUUSP (onde também essas discussões eram acaloradas), e que
levaram o IAB-SP a uma divisão desnecessária nesse momento, além do desgaste decorrente
da forma como assumiu a entidade.

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Sua licença do IAB-SP para concorrer ao cargo de vereador na cidade de São Paulo, após a
Revista AU (Editora PI…
grave situação política criada na entidade, inclusive com decisão definitiva de posse a ser 96.990 curtidas
dada ainda pela justiça, serve ao mesmo tempo para ilustrar sua participação nesse processo
e sua eterna busca por uma nova luta e ideais, com espírito jovem e aguerrido.

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De qualquer maneira, Joaquim Guedes será lembrado e reconhecido por sua importante
produção arquitetônica e intelectual, por sua personalidade forte e marcante, deixando Seja o primeiro de seus amigos a curtir isso.
discípulos e seguidores, como uma importante contribuição à cultura e arquitetura brasileira,
reconhecida até mesmo por seus opositores.

Mário Sérgio Pini

"Perdi meu mestre e um grande amigo. A construção dessa amizade, sempre com a minha reverência, se inicia em 1970, no primeiro ano

da FAUUSP, quando reparei que havia um único professor que anotava as minhas falas, ainda que vazias, nas reuniões do curso de Projeto,

então chamado "tempestade de informações". Meus trabalhos na área, ressalvados os dez anos dedicados ao ensino na PUC-Camp

(Pontifícia Universidade Católica de Campinas), se resumem a um período curto e intenso, que se esgotou em 1975, quando retomei

minhas atividades na PINI, e foram dominantemente voltados à convivência profissional com o mestre.

Fiz de tudo um pouco. Desenhista no plano da Nova-Marabá, PA, estagiário no Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega, em

Campinas, SP, e na Ilha do Tamanduá, em Caraguatatuba, SP, e arquiteto na residência Monteil, em Avaré, SP. Eram os anos da vertente

do ocaso do Milagre Brasileiro.

Aquilo que imaginava ser generosidade intelectual do mestre na liderança dos projetos, estimulando e considerando as contribuições de

todos, sem nenhum critério de hierarquia, na verdade era o seu método de projetar. Algo na linha da preparação (educação) para o

desenho.

Defendia o interesse pelos processos construtivos, pela cultura popular, o detalhe, o lugar certo para o tijolo, o vidro e o concreto, a

microanálise das relações entre o interior e o exterior dos edifícios, a pesquisa, o conhecimento da realidade (condicionantes do projeto), a

interdisciplinaridade. Desconfiava de conceitos e modelos prontos para qualquer solução dos abrigos demandados pela vida.

Assisti com grande interesse a uma de suas últimas palestras na FAU-Maranhão, o tema era algo ligado à forma, uma de suas questões

recorrentes, e o tratamento dado foi pela trilha da emoção, em nível de uma Filosofia da Arquitetura. Muito me surpreendeu o seu interesse

juvenil pela disputa de uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo nessas próximas eleições. Meu voto, ainda pude declará-lo por

telefone, num dos longos papos que trocávamos, com freqüência. Ele ficou "devendo-me" uns textos para AU - antes queria os meus

comentários. Eu, nosso almoço, com José Wolf e Miguel Pereira. Até breve, Guedes, caro mestre e grande amigo."

Equipe FGMF

"Muitos, e nos incluímos dentre esses, não concordavam sempre com as opiniões bombásticas do Guedes. Sua polêmica era percebida, às

vezes, como encrenca. Mas, no fundo, ele só estava preocupado em movimentar a discussão da arquitetura - muito saudável,

especialmente para o observador externo! Como um contraponto importante no meio arquitetônico e acadêmico, Guedes representava o

ponto de vista complementar, necessário, desafiador, questionador, erudito e desconfortável. Enfim, fundamental. Lembramos dele com

especial carinho, pois foi em uma matéria ministrada por ele na FAUUSP que começamos nossa parceria e a transformamos no escritório

FGMF."

Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz

Fernando Lara

"Entre os grandes arquitetos da segunda metade do século 20 no Brasil, Joaquim Guedes foi o que desenvolveu o mais elaborado rigor

projetivo e o que menos cultuou o mito do gênio criador. Talvez por isso sua obra nunca tenha tido uma exposição na mídia condizente

com a qualidade da sua arquitetura."

Miguel Pereira

"Tenho pensado muito no Guedes, como pessoa, como arquiteto, como urbanista, como pensador, como amigo. Começo a perceber a falta

que ele já está fazendo. Usuário obsessivo do pensamento crítico ao extremo, amigo contumaz do debate como forma e verificação da

produção de conhecimento, suas idéias, agora, fugiram da oportunidade do colóquio fácil do encontro fortuito ou nos programas culturais

que costumava freqüentar. Essa falta perversa, que já sentimos, exige de nós o exercício da memória sob a forma de livros e de estudos.

Refiro-me à sua obra projetada ou construída, aos seus textos cuidadosamente elaborados; refiro-me ao brilhante exercício de sua atividade

docente. Em suma, a racionalidade severa sempre foi por ele celebrada como procura da forma, do conteúdo, da técnica, da construção, da

beleza e da poesia."

Valentina Figuerola

"Apesar de ter sido aluna de Guedes na FAUUSP, foi só depois de formada que tive o prazer de conhecê-lo um pouco melhor. Como

colaboradora de AU, entrevistei-o algumas vezes e testemunhei um ser humano apaixonado pelo essencial da arquitetura, sem medo de

manifestar suas opiniões, por mais contundentes que fossem."

Ruth Verde Zein

"Fedro, devo calar-me? Pois jamais saberás que templos, que teatros eu conceberia no puro estilo socrático!... Ia fazer-te pensar como eu

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teria conduzido a minha obra. Primeiro desdobraria todas as questões, desenvolveria um método sem lacuna. E, cerceando mais e mais

meu espírito, eu determinaria no mais alto nível, a operação de transformar pedreiras e florestas em edifícios, em equilíbrios magníficos!"

(Trecho de Eupalinos ou O Arquiteto, Paul Valery: a melhor homenagem possível à precipitada ausência de Joaquim Guedes, cuja sombra

agora dialoga com Sócrates e Fedro.)

Mônica Junqueira

"Guedes foi um homem de muitas idéias, com invejável capacidade de exprimi-las na arquitetura, nos textos e nos debates. Claro, sintético,

de extrema poesia. Tinha o dom de articulá-las ágil e precisamente. Apenas o essencial, nada em excesso, nenhum tijolo, nenhuma palavra

além das necessárias, tanto para construir como para destruir, mas nunca meias-palavras. Sentiremos muito sua falta."

Gilberto Belleza é arquiteto, mestre e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da


Universidade de São Paulo. É professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade Presbiteriana Mackenzie e ex-presidente do IAB-SP e do IAB Nacional.
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