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CURSO DE EDUCAÇÃO INFANTIL

PROFESSORA: Socorro Kelly Andrade Vieira

Maria Ester de Sousa Gomes

RESENHA
Educação Infantil no Brasil, a Criança e Seu Desenvolvimento

Itapajé/2017
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CURSO DE EDUCAÇÃO INFANTIL


PROFESSORA: Socorro Kelly Andrade Vieira
Aluno (a) Maria Ester de Sousa Gomes

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) determinam,


desde 2009, que as instituições que atuam nessa etapa de ensino criem procedimentos para a
avaliação do desenvolvimento das crianças. Esse processo não deve ter como objetivo a seleção,
a promoção ou a classificação dos pequenos e precisa considerar "a observação crítica e criativa
das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano" e empregar múltiplos
registros. Tais apontamentos, no entanto, ainda geram dúvidas e interpretações equivocadas.
É fundamental a construção de um modelo que leve em conta o processo educacional,
baseado em informações recolhidas ao longo do tempo por meio de situações significativas no
contexto das atividades realizadas pelos meninos e pelas meninas e que atenda ao que eles
conhecem e são capazes, sem nunca serem penalizados pelo que ainda não sabem.
Os professores devem realizar relatórios individuais (semestrais ou anuais), registros
escritos e audiovisuais semanais como grupo, além de copilar todo o processo em um caderno
ou livro de registro contendo o planejamento e o processo de reflexão pelo qual o grupo foi
passando, sendo avaliado semanalmente, mensalmente, semestralmente e anualmente, mas sem
critérios de reprovação, seleção ou classificação dos alunos.
O projeto político-pedagógico (PPP) da instituição de Educação Infantil deve ser
pensado de maneira a promover situações que desafiem o que cada menina ou menino já sabe,
possibilitar que eles se apropriem de diferentes linguagens e saberes, assegurar que manifestem
seus interesses, desejos e curiosidades e valorizar as produções individuais e coletivas. Para se
chegar a isso, é necessário que o processo educativo contemple a avaliação e, por meio dela, a
constante reflexão sobre os resultados alcançados. "A ação pedagógica só vai favorecer o
desenvolvimento dos pequenos se, primeiro, for planejada; segundo, colocada em prática;
terceiro, avaliada; e, quarto, replanejada". Para manter o foco no desenvolvimento da criança,
precisamos respeitar a individualidade dela e a escutar, tanto ao buscar sua fala como,
principalmente, observando atentamente suas expressões, manifestações e aprendizagens. É
possível conversar com os pequenos, perguntar sobre determinadas atividades, saber o que eles
mais gostaram e pedir a ajuda deles no momento de organizar o portfólio de produções.
Experiências nesse sentido já nos mostraram que eles conseguem fazer uma apreciação crítica
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sobre as próprias produções. Eles falam coisas como ‘antes eu não sabia escrever meu nome’
ou ‘olha como eu desenho bem melhor hoje’", diz. Além de permitir que eles expressem
algumas opiniões sobre suas experiências, essa situação dá pistas sobre como eles veem suas
aprendizagens.
As premissas que integram o PPP também devem refletir na definição dos
procedimentos que norteiam a avaliação. Esse cuidado está presente nos planos, anual e
semestrais, e no planejamento dos professores. Com esses instrumentos, conseguimos refletir
se as práticas e as estratégias estão adequadas aos objetivos que queremos alcançar.
As crianças têm o direito de ser criadas e educadas no seio de suas famílias. O estatuto
da Criança e do Adolescente reafirma, em seus termos, que a família é a primeira instituição
social responsável pela efetivação dos direitos básicos das crianças. Cabe, portanto, ás
instituições estabelecerem um diálogo aberto com as famílias, considerando-as como parceiras
e interlocutoras no processo educativo infantil (RCNEI 1998, P. 76).
A comunicação na educação infantil deve ser formal e não substituída por "recadinhos"
na agenda e reuniões, na qual essa troca de informações tende a ser diária na chegada ou na
saída. Segundo o RCNEI (1998, p.78) "É preciso combinar formas de comunicação para troca
especificas de informações. Para facilitar o trabalho da instituição na troca de informações, a
família pode de início conhecer o professor de seu filho, tratar o professor com respeito, nas
dificuldades da criança procurar que está acontecendo e comunicar a escola. A instituição de
ensino para manter um contato aberto com as famílias e necessário que ela respeite e acolha
seus saberes, tais como: A pluralidade cultural, isto é, a diversidade de etnias, crenças,
costumes, valores, valores, etc. que caracterizam a população brasileira marca, também, as
instituições de educação infantil. O trabalho com a diversidade e o convívio com a diferença
possibilitam a ampliação de horizontes tanto para o professor quanto para a criança. Isto
porque permite a conscientização de que a realidade de cada um é apenas parte de um
universo maior que oferece múltiplas escolhas (RCNEI, 1998, P.77).
A participação da família no acompanhamento no processo ensino aprendizagem é de
suma importância para a criança na sua transformação de poder ter consigo um apoio familiar.
Nesse sentido o brincar é significativo para a criança poder conhecer, compreender e
construir seus conhecimentos através da brincadeira feita na escola ou em casa. Para manter o
equilíbrio com o mundo, a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar. Estas atividades
lúdicas tornam-se mais significativa a medida que se desenvolve, inventando, reinventando e
construindo.
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Vale ressaltar que na Educação Infantil o cuidar e o educar caminham juntos, em que a
criança necessita de um esforço particular e mediação da família, para proporcionar um
ambiente que estimule sua curiosidade com consciência e responsabilidade; tornando-se
obrigatório a parceria de todos para o bem- estar do educando.
A organização do espaço físico deve ser pensada tendo como princípio oferecer um
lugar acolhedor e prazeroso para a criança, isto é, um lugar onde as crianças possam brincar,
criar e recriar suas brincadeiras sentindo-se assim estimuladas e independentes. Diferentes
ambientes se constituem dentro de um espaço. É no espaço físico que a criança consegue
estabelecer relações entre o mundo e as pessoas, transformando-o em um pano de fundo no qual
se inserem emoções. Nessa dimensão o espaço é entendido como algo conjugado ao ambiente
e vice-versa. Todavia é importante esclarecer que essa relação não se constitui de forma linear.
Assim sendo, em um mesmo espaço podemos ter ambientes diferentes, pois a
semelhança entre eles não significa que sejam iguais. Eles se definem com a relação que as
pessoas constroem entre elas e o espaço organizado. O espaço criado para a criança deverá estar
organizado de acordo com a faixa etária da criança, isto é, propondo desafios cognitivos e
motores que a farão avançar no desenvolvimento de suas potencialidades. O espaço deve estar
povoado de objetos que retratem a cultura e o meio social em que a criança está inserida.
Os espaços construídos para criança e com a criança devem ser explorados pela mesma,
em uma relação de interação total, de aprendizagem, de troca de saberes entre os pares, de
liberdade de ir e vir, de prazer, de individualidades, de partilhas, enfim, de se divertir
aprendendo.
A Educação Infantil é uma fase ideal para a formação do interesse pela leitura, pois
nesta fase são formados os hábitos da criança. As escolas de Educação infantil são um local
onde as crianças interagem socialmente, recebendo influências socioculturais para o
desenvolvimento da aprendizagem.
A oralidade é muito importante na Educação Infantil, enriquecendo a comunicação e a
expressão, uma vez que as crianças fazem uso da linguagem a todo momento, esta ajuda
favorece a interação social. Neste sentido, o papel do educador é de assumir um compromisso
com o livro, criando o hábito de contar histórias e despertando curiosidade nas crianças para
que criem suas hipóteses. As histórias infantis nos levam para um mundo imaginário, no qual
as crianças sentem medo, se consolam, relacionam o real com o imaginário, despertam
curiosidade, acreditam nas histórias porque a visão de mundo aí apresentada está de acordo com
a sua.
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É de grande importância que o trabalho do hábito pela leitura seja incentivado também
em casa. Desde o berço, a criança escuta a mãe cantando e balançando, ou contando histórias
antigas. Com isso a criança aprende a gostar do livro pelo afeto, sendo por meio deste que a
criança aprende e desenvolve.
As histórias despertam no ouvinte a imaginação, a emoção e o fascínio da escrita e da
leitura. Afinal, contar histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se
apaixonar... pela história... pela leitura. A contação de história é fonte inesgotável de prazer,
conhecimento e emoção, em que o lúdico e o prazer são eixos condutores no estímulo à leitura
e à formação de alunos leitores.
É fundamental para o desenvolvimento infantil que a criança descubra sozinha como
resolver problemas e descobrir-se como uma pessoa capaz de conhecer e aprender, é
imprescindível para a sua formação humana dentro de uma sociedade cheia de desafios e
problemas a serem resolvidos. Portanto, ao ouvir histórias à criança pode ter as suas
curiosidades respondidas e conseguir encontrar outras ideias para resolver questões (como os
personagens da história fizeram). É uma possibilidade imensa de descobrir outros lugares,
outros tempos, outra cultura.
Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar, indagar, duvidar ou
discutir aspectos a ela referentes, realiza interação verbal, e isso contribui na linguagem. E
notamos o desenvolvimento oral das crianças, a ampliação do vocabulário, a prática de recontar
a história para os outros, a autonomia na escolha do conto preferido no momento da contação.
A criança é um ser social, histórico e cultural está inserida no mundo das múltiplas
linguagens desde seu nascimento. Quando falamos de múltiplas linguagens, pretendemos
enfatizar o cinema, a televisão, os jornais, as revistas, os livros, o teatro, as músicas, as histórias
infantis, pois são linguagens que servem de apoio ao processo ensino/aprendizagem. Abordar
diferentes linguagens na educação infantil, é falar de aspectos que traduzem as características
da linguagem própria da criança: imaginação, ludicidade, simbolismo, representação. A
brincadeira, a arte, as histórias, o choro, o silêncio, mediadas pelo corpo que se move, que
comunica o que não é dito com palavras, são linguagens diferenciadas que a criança usa para
internalizar o mundo a que ela pertence e exteriorizar a sua percepção da realidade, para além
da linguagem verbal. Trabalhar com as múltiplas linguagens significa ajudar as crianças a
perceber qualidades e características nem sempre evidentes, de modo mais profundo e
significativo, pelo uso das linguagens não-verbais. É buscar compreendê-las de uma forma mais
ampla. Estimulá-las a utilizar as centenas de linguagens de que se dispõe hoje é uma maneira
de contribuir com o seu pleno desenvolvimento cognitivo, afetivo e social.
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A valorização da contação de histórias na educação infantil possibilita às crianças um


desenvolvimento mais completo, pois na maioria das vezes é apenas na escola que elas têm
contato com histórias que lhes ajudam a perceber a ludicidade das palavras, podendo criar e
recriar novos textos e iniciar o gosto pela leitura.

Ler histórias para as crianças, sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações
vividas pelas personagens, com a ideia do conto ou com o jeito de escrever dum autor e, então,
poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento...É
também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é
encontrar outras ideias para solucionar questões. (ABRAMOVICH, 2001p. 17)