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Turbinas a vapor

O treinamento básico sobre as turbinas a vapor está segmentado em


princípios de funcionamento, cálculos termodinâmicos, equipamentos
de controle e segurança e sistemas auxiliares.

2.1. Princípio do funcionamento de turbinas a vapor


As turbinas a vapor são máquinas rotativas, as quais transformam a
energia interna e cinética do vapor em energia cinética rotativa no seu
eixo. Essa energia pode ser utilizada para o acionamento de
compressores, ventiladores e bombas para fins quaisquer, ou ainda,
acionando um gerador síncrono trifásico, com o objetivo de converter
energia mecânica em energia elétrica.

Energia interna
do vapor

Energia cinética
no rotor

Acionamento de Energia
máquinas elétrica

Fig. 2.1a - Conversão de energia do vapor para fins industriais.

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O vapor, estando a alta temperatura e pressão, possui grande
quantidade de energia, estando na forma de vibrações
intermoleculares e diferença de pressão entre vapor e atmosfera. Esta
energia é quantificada sob o nome de entalpia. Este vapor é produzido
por um gerador de vapor, mais conhecido como caldeira. A caldeira
aquece água pela queima de um combustível (gás, óleo ou bagaço
de cana), produzindo vapor, o qual é conduzido da caldeira por uma
tubulação.
Este vapor então é introduzido na turbina, até um segmento de
injetores, os quais têm a função de converter a entalpia do vapor em
velocidade. Além de velocidade, o vapor também perde pressão e se
expande. Em seguida, o vapor passa por palhetas, conectadas ao rotor
da turbina. Estas palhetas recebem o impacto do vapor, produzindo
movimento nas palhetas e impulsionando o rotor, fazendo assim com
que o eixo da turbina gire, produzindo energia mecânica de rotação. O
vapor é então expelido da turbina, podendo estar a pressões acima ou
abaixo da atmosférica. A figura 2.1b ilustra um sistema composto de
caldeira e turbina.

Vapor de entrada

Caldeira

Turbina WT

Combustível

Vapor de saída

Fig. 2.1b - Sistema caldeira - turbina.

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2.1.1. Princípio de ação e reação
Podemos imaginar o princípio de movimentação do rotor da turbina
observando o desenho da figura 2.1.1a. No princípio de reação,
ilustrado segundo o exemplo A, o tanque possui rodas, de tal forma que
a força de reação à pressão do vapor de escape movimenta o peso.
No exemplo B, o vapor é introduzido no tanque a uma pressão P1, de
modo que o vapor de saída, a uma pressão P2, P2 < P1, impulsione a
palheta e levante o peso, ilustrando o princípio de ação.

(A) (B)
Vapor P1 Vapor P1

Força de ação
Força de
reação

W
W

Fig. 2.1.1a - Princípios de ação e reação.

Em turbinas, o princípio de ação e reação é classificado segundo a


perda de pressão na passagem da palheta. Nas turbinas de ação, o
vapor ao entrar em contato com a palheta perde somente velocidade,
mas mantém suas propriedades termodinâmicas, como pressão, volume
específico e entalpia. Em palhetas de reação, ocorre uma perda de
velocidade e também de pressão e volume específico, resultando em
uma perda entálpica e expansão do vapor .
( A) ( B)
Injetor Palheta Injetor Palheta

Pressão Pressão

Volume
Volume

Velocidade Velocidade

Fig. 2.1.1b - Propriedades do vapor em turbinas de ação (A) e reação (B).

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Na verdade, todas as turbinas são de reação, pois sempre há uma
perda entálpica nas palhetas. Porém, as turbinas de ação apresentam
grau de reação(*) de no máximo 15% da perda com relação ao
conjunto injetores-palhetas, enquanto que as de reação apresentam
um grau de reação de 50%.

2.1.2. Classificação das turbinas a vapor


As turbinas a vapor são classificadas de acordo com os seguintes
aspectos:
a) Princípio de ação do vapor

• Turbinas de ação: de acordo com o exemplificado em 2.1.1.1,


somente há queda de pressão nos injetores.
• Turbinas de reação: de acordo com 2.1.1.1, a queda ocorre também
nas palhetas.
b) Número de estágios

• Turbinas simples estágio: a expansão do vapor é realizada uma única


vez, podendo o rotor possuir 1 fileira de palhetas (tipo Laval) ou de 2
até 4 fileiras de palhetas (tipo Curtis). As turbinas simples estágio são
sempre de ação.
• Turbinas multiestágio: a expansão do vapor é realizada em várias
etapas, sendo que o rotor possui entre as palhetas móveis, um ou
mais blocos de injetores intermediários (diafragmas) ou palhetas
diretrizes (dependendo do tipo de turbina, se for de ação ou reação),
fixados na carcaça da turbina. Isso resulta em maiores eficiências
para grandes diferenças de entalpia, além do fato que os injetores
não suportariam o aumento do volume específico.
c) Direção do escoamento de vapor

• Axial: O vapor escoa paralelamente pelo eixo de rotação da turbina.


• Radial: O vapor escoa radialmente ao eixo de rotação da turbina.
(*) Grau de reação é definido pela seguinte relação:

G.R. = (Queda entálpica na palheta) / (Queda entálpica no conjunto injetor-palheta)

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d) Tipo de serviço
• Turbinas de contrapressão: a pressão de escape é maior que a
pressão atmosférica. Nesse caso, o vapor será aproveitado para um
processo qualquer.
• Turbinas de condensação: a pressão de escape é menor que a
pressão atmosférica. Este tipo de turbina é mais utilizada para
aproveitamento total da energia do vapor, o qual é condensado
após a saída da turbina por um condensador.
• Turbinas com extração: Possível tanto para turbinas de contrapressão
quanto de condensação. É realizada uma retirada de vapor em um
ponto intermediário da turbina, para ser aproveitado em outro
processo. Tanto para turbinas de ação como de reação, é possível
controlar a vazão de extração. (*)

Princípio de ação Direção de


fluxo

Ação Reação Radial Axial

Núm ero de
Tipo de serviço
estágios

Contrapressão Condensação

Extração
1 2 ou m ais

Fig. 2.1.2a - Classificação das turbinas a vapor.

(*) A extração pode ser:

a) Controlada: onde se controla tanto a vazão como a pressão de vapor que é extraído da
turbina, independente da carga mecânica solicitada ao eixo da turbina.

b) Não controlada ou tomada simples: onde se controla somente a vazão de vapor extraída
da máquina. A pressão estará sujeita a variações dependendo da carga no eixo da turbina.

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2.2. Componentes principais de turbinas a vapor
Cada componente de uma turbina, em virtude do trabalho sob
diferentes condições de serviço, sua dimensão, tipo de fabricação,
esforços a que está submetido, leva a definir um certo número de
critérios que permite escolher entre os diversos materiais que poderiam
ser empregados em sua fabricação, aquele que permita assegurar os
serviços exigidos.
Além disto os materiais devem satisfazer determinadas condições físicas
e químicas, como por exemplo:
• apresentar boa resistência à corrosão e oxidação;

• possuir boa estabilidade estrutural sob elevada temperatura durante


um espaço de tempo prolongado;

• ter dureza superficial para resistir à erosão;

• ser soldável, pois em alguns casos o único modo de montagem é a


soldagem.

Quando a dureza for um fator relevante, uma têmpera será suficiente,


mas em peças onde se deseja outras carcterísticas, é necessário uma
nitretação. Qualquer peça tratada não pode ser usinada ou lixada, pois
ocorrerá remoção do tratamento influenciado no seu desempenho,
principalmente durabilidade e confiabilidade.

A descrição dos componentes segue uma seqüência a partir do


caminho que o vapor faz dentro da turbina, desde a admissão até o
escape. Outras peças que não entram em contato direto com o vapor
também serão mencionadas, dada a sua importância.

2.2.1. Câmara de vapor


Esta peça é feita em ferro ou aço fundido para atender as condições
máximas de trabalho. No seu interior estão localizadas as válvulas de
regulagem de vapor, que realizam o controle de entrada de vapor, e a
válvula de emergência que, em caso de disparo da turbina, fecha
automaticamente.
Assim que o vapor entra na turbina ele é obrigado a passar por um filtro
de tela de aço inox. Este é um complemento normalmente padrão em
todas as turbinas.

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2.2.2. Carcaça
É o suporte das partes estacionárias tais como diafragmas, palhetas
fixas, mancais, válvulas, etc. Na grande maioria das turbinas são de
partição horizontal, na altura do eixo, o que facilita sobremaneira a
manutenção. O material empregado na carcaça da turbina pode ser
ferro fundido, aço ou liga de aço, dependendo das condições de
pressão e temperatura. Por serem bipartidas, são unidas por parafusos
prisioneiros com junta metálica entre elas. A carcaça pode ser sub-
dividida ao longo de seu comprimento caracterizando as seções de
alta e baixa pressão.
A carcaça de alta pressão é fundida. Para condições de temperatura e
pressão severas, o material da carcaça é um aço de baixa liga ou em
condições extremas de aço inoxidável. Para condições de trabalho
moderadas tem-se carcaça de aço fundido.
Na parte de baixa pressão, geralmente seu material é o ferro fundido,
podendo ser de aço carbono fundido em condições um pouco mais
elevadas.
Em turbinas condensantes de potência elevada, a carcaça de baixa
pressão é bastante avantajada fisicamente. Nestes casos é bastante
comum, por finalidade construtiva, a adoção de uma construção
soldada, a partir de chapas de aço carbono, que oferece também
como vantagens, maior rigidez, menor tempo e custo de fabricação e
união perfeita com o condensador diretamente por soldagem.

2.2.3. Válvula de fecho rápido


A maneira usual de parar uma turbina a vapor é pelo fechamento de
uma válvula, chamada válvula de fecho rápido, colocada em série
com válvula de controle de admissão, o que corta totalmente a
admissão de vapor para a turbina. Esta válvula é também conhecida
como válvula de bloqueio automático ou válvula de "trip".
Em uma turbina de uso geral a válvula de fecho rápido é mantida,
durante a operação da turbina, totalmente aberta, contra a ação de
uma mola, travada por um conjunto de alavancas externo, conhecidas
como gatilho e alavanca de "trip". O gatilho do "trip" pode ser acionado
pelo dispositivo de desarme por sobrevelocidade ou manualmente pelo
operador, em ambos os casos liberando a alavanca de "trip", que sob a
ação da mola, fechará a válvula de fecho rápido, cortando a
admissão de vapor e parando a turbina.

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O dispositivo de desarme por sobrevelocidade consiste, como mostra a
figura 2.2.3a, de um pino excêntrico no eixo da turbina. Este é mantido
em seu alojamento pela força de uma mola, disposta de modo a anular
a força centrífuga a qual tende a expulsar o pino. A força centrífuga
aumenta à medida que aumenta a velocidade, então quando a
turbina atinge uma determinada rotação, conhecida como velocidade
de "trip", a força centrífuga vence a força da mola e o pino excêntrico‚
expulso de seu alojamento, aciona o gatilho disparador. Este, por sua
vez, libera a alavanca de "trip", o que provoca o fechamento de
válvula de fecho rápido e a parada da turbina. A velocidade em que o
dispositivo de desarme por sobrevelocidade atuará pode ser regulada,
pela modificação da tensão inicial da mola.

Fig. 2.2.3a - Pino disparador e válvula de fecho rápido.

O dispositivo de desarme por sobrevelocidade protege a turbina,


impedindo que opere em velocidade superiores à velocidade de "trip",
onde as tensões resultantes da força centrífuga poderiam ser perigosas
para a resistência mecânica do conjunto rotativo da turbina.
Em turbinas de uso especial, a válvula de fecho rápido, bem como as
válvulas de controle de admissão e extração, exigem forças bastante
elevadas para sua movimentação e posicionamento. Por isto não

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podem ser acionadas simplesmente por uma transmissão mecânica,
como nas turbinas de uso geral, exigindo acionamento hidráulico por
servo-motores, que permite a ampliação do esforço de saída,
respectivamente, do mecanismo de "trip" e o do regulador, de maneira
a torná-los suficientes ao acionamento da válvula de bloqueio
automático e das válvulas de controle de admissão.
Para aplicações onde são requeridas uma maior confiabilidade e
segurança, assim como turbinas para potências maiores, utiliza-se um
sistema de controle eletrônico para desarme por sobrevelocidade no
lugar do pino excêntrico.

2.2.4. Válvulas de controle de admissão e extração


São válvulas que regulam a vazão de vapor na turbina, tanto na
admissão quanto na extração.
Para evitar a erosão de seu plugue ou sede, o que prejudicaria suas
caraterísticas de controle, ou a corrosão de sua haste, guias e buchas
de vedação, o que poderia causar seu emperramento, as válvulas de
controle têm plugue, sede, haste, guias e buchas de vedação
fabricadas em material resistente a corrosão-erosão, normalmente um
aço inoxidável ferrítico.
Uma vez que a turbina opera normalmente entre condições de vapor
estáveis, as variações da carga devem ser atendidas por meio do
controle da vazão de vapor admitida na máquina. Esta função é
executada, automaticamente, pelas válvulas de controle de admissão,
sob controle de um dispositivo, o regulador de velocidades, a ser
explicado mais adiante.
Existem dois tipos básicos para as válvulas de controle de admissão: a
construção "multi-valve" e a construção "single-valve".

Fig. 2.2.4a - Bloco de 3 válvulas de admissão.

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a) "Multi-valve": neste tipo de construção, o controle da admissão de
vapor é feito através de várias válvulas, em paralelo, cada uma
alimentando um grupo de expansores. A abertura destas válvulas é
sequencial, isto é, para uma carga muito baixa, a vazão de vapor
necessária seria muito pequena, e estaria aberta, total ou parcialmente,
apenas uma válvula, alimentando, portanto, apenas um grupo de
injetores, permanecendo bloqueados os demais grupos. À medida que
a carga aumenta, exigindo uma vazão maior de vapor, vão sendo
abertas, sequencialmente, as demais válvulas, alimentando outros
grupos de injetores, até a condição de carga máxima, onde todas as
válvulas estarão abertas e todos os injetores recebendo vapor. Esta
abertura sequencial permite que, à medida que a vazão total de vapor
cresce, para atender ao aumento da carga, a quantidade de injetores
que está recebendo vapor cresça proporcionalmente. Assim, a vazão
de vapor através de cada injetor em operação pode ser mantida
constante e igual à sua vazão de projeto, a despeito da carga. Isto
aumenta bastante a eficiência da turbina, principalmente em condição
de baixa carga. Estas válvulas de admissão de vapor, de construção
múltipla e abertura sequencial, são também conhecidas, devido à sua
função, como válvulas parcializadoras, figura 2.2.4a. Em turbinas de uso
especial usamos quase sempre esta construção, pois permite obter uma
melhor eficiência para a turbina e um controle mais preciso.
b) "Single-valve": em turbinas de uso geral, onde a obtenção de uma
solução de simples e econômica‚ mais importante que o aumento da
eficiência da turbina ou a precisão do controle, usamos este tipo de
construção, caracterizado pelo estrangulamento da passagem de
vapor. Nesta construção, a válvula de controle da admissão do vapor é
única, admitindo vapor simultaneamente para todos os injetores. Esta
construção‚ bastante ineficiente quando a turbina opera com carga
baixa e, em consequência, com baixa vazão total de vapor, que será
dividida igualmente por cada injetor. Isto fará com que a vazão em
cada injetor seja bastante interior à sua vazão de projeto e prejudicará
a eficiência da turbina.
Algumas turbinas possuem uma retirada parcial de vapor, em um
estágio intermediário, e portanto a uma pressão intermediária, entre a
admissão e a de descarga, conhecida como extração. Como a
pressão em um ponto qualquer ao longo da turbina varia, quando
variam as condições de carga da turbina, se a extração consistir
simplesmente em um flange, através do qual poderemos retirar vapor,
após um determinado estágio da máquina, a pressão do vapor extraído
será influenciada pelas condições de carga da turbina. Em alguns
casos, como por exemplo na retirada de vapor para aquecimento
regenerativo de água de alimentação da caldeira, esta flutuação na
pressão do vapor extraído é perfeitamente aceitável. A este tipo de

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extração chamamos de extração não controlada ou tomada.

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Em outras ocasiões, entretanto, como no caso das refinarias, desejamos
uma retirada do vapor, a pressão constante, para uso no processo ou
para acionamento de máquinas menores. Para manter a pressão do
vapor extraído constante, a despeito das flutuações da carga da
turbina ou do consumo de vapor extraído, a turbina deverá ter um
conjunto de válvulas de controle de extração.
As válvulas de controle de extração funcionam de maneira semelhante
às válvulas de controle de admissão, só que controladas pela pressão
do vapor extraído, através do regulador. Assim, em qualquer aumento
incipiente da pressão de extração, seja causado por flutuação da
carga da turbina ou do consumo de vapor extraído, o controlador de
pressão de extração comandará uma abertura maior da válvula de
extração, permitindo um maior fluxo de vapor para a descarga da
máquina, e, em consequência, um fluxo menor para a extração, o que
restabelecerá a pressão no nível controlado. Em caso de diminuição da
pressão de extração a ação do controlador de pressão seria inversa,
comandando o fechamento da válvula de extração. Este tipo de
extração, com controle de pressão, chamamos de extração
automática.

2.2.5. Regulador de velocidades


Em caso de baixa pressão na linha de escape, a turbina tenderá a
demandar mais vapor que o necessário, resultando também em um
aumento na rotação no eixo. Para evitar que isto ocorra, existe um
regulador de velocidades, o qual controla a admissão de vapor de
acordo com a rotação da turbina, movimentando as válvulas do bloco
de admissão através de um sistema de atuação conectado com o
regulador. O regulador pode ser mecânico, hidráulico ou eletrônico.
O regulador mecânico é ligado ao eixo da turbina, diretamente ou por
meio de uma redução, girando, portanto, a uma rotação igual ou
proporcional à rotação da turbina, e sente as flutuações da carga por
intermédio de seu efeito sobre a velocidade da turbina. Assim, quando
ocorre, por exemplo, um aumento de carga, se a vazão do vapor
permanecer inalterada, haverá uma queda da velocidade incipiente e
comanda uma abertura maior das válvulas de controle de admissão,
permitindo a passagem de um a vazão maior de vapor, necessária ao
aumento de carga e ao reestabelecimanto da velocidade inicial.

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O regulador eletrônico é preferido por sua maior precisão e
confiabilidade no controle de carga para turbinas maiores, além de sua
operação justificar o custo mais elevado com relação aos reguladores
mecânicos. Ainda, este modelo é utilizado quando as válvulas de
controle de admissão e extração requerem forças motrizes muito
elevadas. O regulador emite um sinal elétrico para um conversor eletro-
hidráulico, o qual transforma o sinal de corrente em impulso de óleo
pressurizado. Este óleo é injetado em um servo-motor, responável pelo
controle de abertura e fechamento da haste das válvulas. Os
reguladores eletrônicos também podem regular as válvulas de
extração, através do controle de pressão de extração por um
transmissor de pressão posicionado na câmara da válvula.
O regulador hidráulico atualmente anda em desuso, devido ao avanço
dos dispositivos eletrônicos, porém ainda é utilizado.

2.2.6. Dispositivo de giro lento


Para turbinas de porte maior, é necessário fazer uma partida e parada
progressivas, devido à dilatação térmica conseqüente da alta
temperatura do vapor. Para isso, o regulador de velocidades atua em
conjunto com um dispositivo chamado giro-lento, turning gear device, o
qual reduz a velocidade da turbina nos períodos de partida e parada.
Durante a partida da turbina, o regulador é programado para admitir
somente uma fração de vapor para a turbina, de modo que esta passe
por um pré-aquecimento, permitindo uma dilatação térmica suave dos
componentes. O giro lento consiste em um motor elétrico que aciona
um conjunto de engrenagens engatadas ao eixo de alta rotação do
redutor. Comandado pelo regulador, o motor aciona o dispositivo o
qual obriga a turbina a girar a uma baixa rotação durante o período de
pré-aquecimento. A mesma lógica é executada inversamente durante
a parada, quando se quer evitar brusca queda de temperatura.

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2.2.7. Injetores
O injetor é o elemento cuja função é orientar o jato de vapor sobre as
palhetas móveis. No injetor o vapor perde pressão e ganha velocidade.
Podem ser convergentes ou convergentes-divergentes, conforme sua
pressão de descarga seja, respectivamente maior ou menor que 55% da
pressão de admissão. São montados em determinada quantidade, de
acordo com o tamanho e a potência da turbina, e consequentemente
terão formas construtivas específicas, de acordo com sua aplicação.
É fundamental que os injetores tenham:
• bom acabamento superficial;
• razão de expansão correta;
• igualdade dimensional.
Os injetores de uma turbina de ação, conforme sua situação na
máquina, podem estar colocados em um arco de injetores (primeiro
estágio ou estágio único) ou em um anel de injetores.
Um arco de injetores pode ser obtido a partir de uma peça única onde
são usinados os injetores. Esta construção é muito usada para turbinas
pequenas de estágio único.
O arco de injetores usado no primeiro estágio de máquinas de
multiestágios‚ obtido pela usinagem individual dos injetores, são a partir
de blocos de aço inoxidável ferrítico com cromo. Estes injetores são,
então, encaixados e soldados no arco de injetores.
Os estágios intermediários de uma turbina de ação têm os injetores
constituindo o que se chama um anel de injetores. O anel de injetores
fica colocado em uma peça circular, encaixada na carcaça da
turbina, o diafragma.
Os diafragmas são constituídos por dois semicírculos, que separam os
diversos estágios de uma turbina de ação multiestágio. São fixados no
estator, suportam os injetores e abraçam o eixo sem tocá-lo. Entre o eixo
e os diafragmas existe um conjunto de vedação que reduz a fuga de
vapor de um para outro estágio através da folga entre o diafragma e o
eixo, de forma que o vapor só passa pelos injetores. Este conjunto de
vedação, geralmente labirintos, podem ser fixos no próprio diafragma,
no eixo ou em ambos. Este tipo de vedação‚ chamada selagem
interna.
Os diafragmas de estágios intermediários, onde a pressão‚ mais
elevada, são usualmente de construção soldada. Já os diafragmas dos
estágios finais, onde a pressão‚ menor, são normalmente fundidos. Em
ambos os casos, os injetores são normalmente de aço inoxidável
ferr¡tico com cromo, enquanto as partes estruturais, externas e internas,
são de aço carbono nos diafragmas fundidos.

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2.2.8. Rodas
As rodas são elementos que suportam as palhetas ou injetores.
Geralmente são de aço forjado.
A roda fixa ou estator é o elemento fixo da turbina cuja função é
transformar a energia potencial (térmica) do vapor em energia cinética,
e é quem envolve o rotor.
A roda móvel é o elemento da turbina cuja função é transformar a
energia cinética do vapor em trabalho mecânico, sendo envolvido
pelo estator.
Rotor é o termo usado para definir o conjunto girante e é composto
basicamente pelas rodas e o eixo. O diâmetro do eixo‚ determinado
afim de transmitir o torque e garantir que a turbina será de eixo rígido
nas simples estágio e de eixo flexível nas multiestágios.
a) Eixo Rígido: quando a primeira velocidade crítica está acima da
velocidade máxima contínua de operação.
b) Eixo Flexível: quando a primeira velocidade crítica está abaixo da
velocidade máxima contínua.
O conjunto rotativo de uma turbina é usualmente obtido por meio de
rodas montadas, com interferência e chaveta, em um eixo único; o eixo
pode ser usinado a partir de uma barra de aço laminada, para
temperaturas de trabalho moderadas, ou a partir de uma barra
laminada ou um tarugo de aço liga, para temperaturas de trabalho
mais elevadas. As rodas podem ser usinadas a partir de chapas de aço
carbono laminadas, para temperaturas moderadas, ou a partir de
discos forjados em aço liga, para temperaturas elevadas.
Em máquinas de alta rotação, entretanto, usa-se uma construção
integral para o conjunto rotativo, com rodas e o eixo obtidas a partir de
uma peça forjada em aço liga.

Fig. 2.2.8a. Conjunto rotor-estator.

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2.2.9. Palhetas
São chamadas palhetas móveis, as fixadas ao rotor; e fixas, as fixadas
ao estator.
As palhetas fixas (guias, diretrizes) orientam o vapor para a coroa de
palhetas móveis seguinte. As palhetas fixas podem ser encaixadas
diretamente no estator (carcaça), ou em rebaixos usinados em peças
chamadas anéis suportes das palhetas fixas, que são, por sua vez, presos
na carcaça.
As palhetas móveis, são peças com finalidade de receber o impacto do
vapor proveniente dos injetores (ou palhetas fixas) para movimentação
do rotor. São fixadas na fita de cobertura pela espiga ao disco do rotor
pelo malhete e, ao contrário das fixas, são removíveis. Sua fixação do
disco do rotor (ou tambor para as de reação) depende da
configuração do malhete.

Fig. 2.2.9a - Palheta.

O projeto de uma palheta de turbina deve considerar: a performance


termodinâmica e a eficiência da palheta, sua resistência mecânica na
temperatura de trabalho, seu comportamento com relação a vibrações
e sua resistência à erosão.
As palhetas de turbinas são quase sempre feitas em aço inoxidável
ferrítico com 13% de cromo, porque este material apresenta boa
resistência mecânica em temperaturas elevadas, boa capacidade de
amortecimento de vibrações e boa resistência à erosão.
As palhetas de pequena altura dos estágios iniciais da turbina, que
recebem vapor da alta pressão e alta temperatura, são normalmente
obtidas por usinagem a partir de barras laminadas a quente. As
palhetas de maior altura dos estágios seguintes, que recebem vapor em
pressão e temperatura mais baixas, podem ser obtidas a partir de perfis
laminados a frio.
As palhetas de grandes dimensões dos últimos estágios das turbinas

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condensantes de grande potência são muitas vezes obtidas por
forjamento.
Em algumas aplicações particulares, em turbinas que recebem vapor
de alta temperatura e trabalham com elevada rotação, pode ser
usado um conjunto rotativo completo (eixo, rodas e também palhetas)
usinado por eletroerosão. Neste caso, o conjunto rotativo‚ obtido a
partir de uma única peça forjada, usinada por eletroerosão, isto é‚ por
uma corrosão eletroquímica controlada.

2.2.10. Porta palhetas


O disco do rotor ou porta palhetas é a peça da turbina destinada a
receber o empalhetamento móvel. Este empalhetamento é chamado
de coroa de palhetas, o qual é montado na periferia do porta palhetas
e dependendo do tipo e da potência da turbina pode existir de uma a
cinco coroas em cada disco do rotor.

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2.2.11. Fita de cobertura
É uma tira metálica, seccionada, presa às espigas das palhetas móveis
com dupla finalidade: aumentar a rigidez do conjunto, diminuindo a
tendência à vibração das palhetas e reduzindo também a fuga de
vapor pela sua periferia. São utilizadas nos estágios de alta e média
pressão envolvendo de 6 a 8 palhetas cada seção, figura 2.2.11a. Nos
estágios de baixa pressão, é substituído por um arame amortecedor,
que liga as palhetas, não por suas extremidades, mas em uma posição
intermediária mais próxima da extremidade que da base da palheta.

Fig. 2.2.11a - Fita de cobertura envolvendo palhetamento.

2.2.12. Selagem
Para evitar o escapamento de vapor para o exterior da turbina ou a
passagem do mesmo, de um estágio para outro, que não seja pelas
palhetas ou expansores, são utilizados dispositivos de selagem, os mais
utilizados são:

• anéis de carvão;
• labirintos.
Os anéis de carvão são tripartidos para facilitar a montagem e são
mantidos próximos ao eixo através da pressão de uma mola. A
superfície do eixo onde os anéis trabalham‚ metalizada para garantir
uma alta resistência ao desgaste por atrito e prevenir corrosão. A
vedação‚ feita radialmente através de uma pequena folga anel-eixo e
axialmente através do contato anel-placa espaçadora. As placas são
de aço inox. As placas e os anéis são peças estacionárias, girando o
eixo. A quantidade de anéis e placas espaçadoras depende da
pressão de trabalho da turbina e o tipo do anel depende da
temperatura de operação.
Os labirintos são peças metálicas circulares com ranhuras existentes nos
locais onde o eixo sai do interior da máquina atravessando a carcaça,
cuja finalidade é evitar o escapamento de vapor para o exterior nas

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turbinas não condensantes e não permitir a entrada de ar para o interior
nas turbinas condensantes. Esta vedação é chamada de selagem
externa.
Nas turbinas de baixa pressão utiliza-se vapor de fonte externa ou o
próprio vapor de vazamento da selagem de alta pressão para auxiliar a
selagem, evitando-se assim não sobrecarregar os ejetores e não
prejudicar o vácuo que se obtém no condensador.
Ao escapar entre os anéis e o eixo, o vapor sofre sucessivas quedas de
pressão, enquanto que a velocidade decorrente destas expansões‚
reduzida pelo turbilhonamento.
Nas selagens externas de uma turbina a vapor ocorre uma
condensação contínua de vapor. Para resistir à corrosão, nestas
condições, todos os componentes da selagem, como labirintos,
espaçadores dos anéis de carvão, molas, devem ser de material
resistente à corrosão, como aço inoxidável, monel, inconel.
Segue um esquema típico de selagem e de compensação axial na
figura 2.2.12a.

Fig. 2.2.12a - Esquema de selagem e balanceamento.

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2.2.13. Pistão de balanceamento
O vapor de fuga, ao invés de ser despejado para a atmosfera, pode ser
reaproveitado através do pistão de balanceamento. Este sistema
consiste simplesmente de buchas de labirinto imediatamente antes da
câmara da roda de regulagem, às quais uma tubulação recolhe o
vapor de fuga destes labirintos e despeja para uma região de menor
pressão da turbina.
O vapor retido entre a câmara da roda e os labirintos funciona como
uma compensação sobre as forças axiais no eixo da turbina. Este é
aproveitado em duas faixas de pressão. A primeira (AK I) é a do vapor
imediatamente antes da câmara da roda, lançado para os estágios de
alta pressão. A segunda (AK II) corresponde ao vapor remanescente da
primeira bucha de labirintos, a pressões mais baixas que AK I, sendo
lançado na parte de condensação.

2.2.14. Mancais
Os mancais são os elementos responsáveis pela sustentação do eixo na
carcaça. Eles permitem o movimento relativo entre o eixo (rotação) e a
carcaça (estacionária). São divididos em:
a) mancais radiais ou de apoio
b) mancais axiais ou de escora
Os mancais radiais são distribuídos, normalmente, um em cada extremo
do eixo da turbina com a finalidade de manter o rotor numa posição
radial exata. Os mancais de apoio suportam o peso do rotor e também
qualquer outro esforço que atue sobre o conjunto rotativo, permitindo
que o mesmo gire livremente com um mínimo de atrito.
Em aplicação de turbinas, os mancais utilizados são de deslizamento,
divididos em lubrificação por anéis pescadores e por sistema
pressurizado de óleo. A primeira configuração somente é utilizada para
turbinas de pequenas potências e que são mantidas como stand-by.

20
Os mancais de deslizamento de sistema pressurizado, como mostra a
figura 2.2.14a, constituídos por casquilhos revestidos com metal patente,
com lubrificação forçada, o que melhora sua refrigeração e ajuda a
manter o filme de óleo entre o eixo e casquilho. São bipartidos
horizontalmente e nos casos das máquinas de alta rotação existe um
rasgo usinado no casquilho superior que cria uma cunha de óleo
forçando o eixo para baixo mantendo-o numa posição estável, isto é,
que o munhão flutue sobre uma película de óleo. Os casquilhos dos
mancais de apoio podem ser de aço, bronze ou ferro fundido, porém
sempre revestidos internamente por uma camada de metal patente.

Fig. 2.2.14a - Mancal de deslizamento por lubrificação forçada.

Os moentes do eixo (regiões de trabalho dos mancais radiais) devem ser


usinados de maneira apresentar um ótimo acabamento superficial, pois
qualquer irregularidade poderá prejudicar o formação da cunha de
óleo essencial ao bom funcionamento do mancal. Algumas vezes esta
região recebe uma deposição eletrolítica de cromo, conhecida como
"cromo duro", que permite obter um ótimo acabamento superficial e
uma resistência ao desgaste.

21
O mancal de escora é responsável pelo posicionamento axial do
conjunto rotativo em relação as partes estacionárias da máquina e,
consequentemente, pela manutenção das folgas axiais. Deve ser
capaz de verificar ao empuxo axial atuante sobre o conjunto rotativo
da máquina, que é mais acentuado nas turbinas de reação.
Em turbinas de pequena potência o mancal de escora resume-se a
apenas um rolamento em consequência do esforço axial ser pequeno.
Para as turbinas de uso especial, usa-se mancais de deslizamento, que
consiste em dois conjuntos de pastilhas oscilantes (tilting pads),
revestidas de metal patente, que se apoiam um em cada lado de uma
peça solitária ao eixo, o colar (anel) de escora.
Como os casquilhos dos mancais radiais, as pastilhas oscilantes dos
mancais são também revestidos de metal patente.
O colar de escora, sobre o qual se apoiam as pastilhas, pode ser
integral com o eixo ou não. No primeiro caso seu material será
obviamente igual ao do eixo. No segundo caso o colar de escora
poderá ser de material diferente, ou receber um tratamento térmico
diferente, visando aumentar sua dureza e diminuir seu desgaste.

22
2.3. Sistema de lubrificação
O sistema de lubrificação forçada é fundamental para a lubrificação
dos mancais e a regulagem das válvulas de vapor servo-assistidas. Neste
sistema estão contidos elementos responsáveis pela alimentação,
filtragem, armazenamento, resfriamento e monitoração do óleo da
turbina.
O óleo de circulação possui duas funções básicas, as quais são lubrificar
os mancais hidrodinâmicos da turbina e atuar no sistema de regulagem
e segurança. Posteriormente serão discutidos os componentes dos
sistemas de regulagem e segurança.
Os equipamentos serão descritos de acordo com o caminho de
circulação de óleo.

2.3.1. Tanque de óleo


Responsável pelo armazenamento do óleo circulante, este deve possuir
uma capacidade suficiente para que o óleo seja resfriado em tempo
hábil, e o demande a uma velocidade de escoamento admissível a fim
de evitar a perda das características lubrificantes. Os tanques de óleo
são dispostos em duas possíveis configurações. Podem fazer parte do
quadro base da turbina e da máquina acionada, ficando o tanque
então embaixo destes. É possível também o tanque ser separado do
quadro base da turbina.

2.3.2. Exaustor de névoa


O óleo, devido à constante circulação, tem a tendência de espumar
quando retorna ao tanque. Esta espuma, chamada de névoa de óleo,
é bombeada junto com o óleo de circulação, prejudicando em muito a
lubrificação e a regulagem. Para evitar a formação desta névoa, é
implantado um exaustor sobre o tanque de óleo, de modo a expelir o ar
contido na espuma para a atmosfera.

23
2.3.3. Trocador de calor
O trocador de calor é indispensável para o resfriamento do óleo dos
mancais, que se aquecem devido à alta temperatura (até 90 oC) do
metal patente. Como a função do óleo de circulação é, além de
formar a película hidrodinâmica para os mancais, refrigerar e evitar altas
temperaturas, é necessário que haja um constante resfriamento deste.
O trocador de calor normalmente é posicionado após o tanque de
óleo. Em turbinas, onde não se deve parar o funcionamento do sistema
em caso de manutenção, costuma-se utilizar trocadores duplos, onde
um é reserva do outro. Em caso de problemas com o ativo, basta
acionar uma válvula para direcionar o óleo para o trocador reserva,
para que seja feita a manutenção do equipamento defeituoso.

2.3.4. Filtro de óleo


Com o natural desgaste do equipamento, eventuais impurezas podem
contaminar o óleo de lubrificação, como por exemplo lascas de metal
da tubulação. Para evitar tais problemas utiliza-se um filtro de óleo, o
qual impede a passagem de impurezas para o corpo dos mancais. Os
filtros possuem uma malha de filtragem de metal, com dois possíveis
graus de filtragem (10 ou 25 microns).
Assim como nos trocadores, é comum o uso de filtros duplos para uma
manutenção sem interrupção de funcionamento.

2.3.5. Válvula redutora e placas de orifício


O óleo de circulação é bombeado a um certo valor de pressão,
necessária para a adequada circulação. Esta pressão é muito alta para
ser transmitida diretamente para os mancais. Ainda, em caso de trip, o
óleo de circulação deve ser desviado de volta para o tanque de óleo.
Através de uma válvula redutora de pressão, situada após o filtro, o óleo
é reduzido até a uma pressão menor, para ser conduzido até os
mancais ou para retornar ao tanque. A redução de pressão é
necessária pois o óleo de retorno deve ter a mesma pressão que o
tanque.
Após a válvula redutora, o óleo ainda passa por placas de orifício.
Também conhecidas como orifícios de restrição, as placas de orifício
são malhas com orifícios, os quais reduzem um pouco mais a pressão do
óleo em sua passagem, a níveis adequados para a lubrificação dos
mancais.
2.3.6. Bombas de circulação de óleo
O óleo é circulado pelo sistema através de uma bomba hidráulica, a

24
uma certa pressão de recalque de modo que o óleo possa ser utilizado
tanto para a lubrificação quanto para a regulagem, utilizando válvulas
redutoras e orifícios de restrição.
Como este equipamento é fundamental para o funcionamento do
sistema de óleo, normalmente existem três diferentes bombas em
turbinas:
a) Bomba principal: acionada pelo eixo de baixa rotação do redutor.
Em caso de turbinas com acionamento direto, a altas rotações
(compressores segundo normas API), a bomba deve ser acionada por
uma turbina a vapor, destinada exclusivamente para esse fim.

b) Bomba auxiliar: em caso de falha da bomba principal, quando há


queda na pressão da linha, um sinal elétrico aciona a bomba auxiliar,
acionada por um motor elétrico de corrente alternada.

c) Bomba de emergência: se a bomba auxiliar também falhar, uma


bomba de emergência acionada por um motor de corrente
contínua é responsável para suprir óleo para os mancais, durante o
trip da máquina. Dimensionada para uma parcela da vazão total,
esta só funciona para o período de desarme.

2.3.7. Bomba de elevação de rotor


Esta bomba, também conhecida como jacking oil pump, é utilizada em
grandes turbinas onde o peso do rotor é muito grande. Como
consequência, durante a partida ou parada, somente com o sistema de
óleo não há pressão suficiente para garantir o filme de óleo necessário
à ação hidrodinâmica, havendo risco de se ter a decapagem dos
casquilhos dos mancais. Em adição, o giro-lento torna-se muito grande
devido ao alto torque necessário.
A bomba de elevação do rotor capta uma pequena porção de óleo
do circuito de lubrificação e direciona a uma bomba de alta pressão.
Esta envia o óleo diretamente aos mancais da turbina, e quando
necessário, aos mancais do gerador ou máquina acionada, elevando
o(s) rotor(es) e assim garantindo a formação do filme de óleo. Sua
atuação é sincronizada com o dispositivo de giro-lento, tanto na partida
quanto na parada.

25
2.4. Sistema de regulagem e segurança
Naturalmente, para desarmar uma turbina em caso de emergência,
não basta simplesmente bloquear a passagem de vapor. Como já foi
visto, deve-se manter a lubrificação dos mancais via bomba elétrica em
caso de falha, entre outras medidas.
O sistema de trip da turbina é responsável pela segurança do
equipamento como um todo, evitando que qualquer anomalia advinda
de vibrações excessivas, altas temperaturas ou mesmo de fontes
externas (por exemplo, caso ocorram problemas semelhantes com a
máquina acionanda) possam danificar a máquina, causando grandes
prejuízos materiais e físicos (dependendo da gravidade do problema).
Assim, um conjunto de sensores, pressostatos e termostatos conectados
às mais diversas partes da turbina, monitoram constantemente o
comportamento daquelas variáveis que poderão eventualmente ser a
causa de algum problema.
O trip ou desarme de emergência pode ser acionado pelas seguintes
fontes, dentre outras:
• Sobrevelocidade do eixo da turbina;
• Pressão de lubrificação insuficiente nos mancais;
• Pressão de escape alta;
• Temperatura do metal patente dos mancais alta;
• Excesso de vibração radial e/ou deslocamento axial do eixo.
O desarme pode ser também manual via botoeira que controla a
válvula solenóide ou via chave comutadora localizada na tubulação
de óleo que alimenta a válvula de fecho-rápido.
Seguem abaixo os principais instrumentos e equipamentos de controle e
segurança de uma turbina a vapor.

2.4.1. Termômetros
Utilizados para monitoração local, eles são colocados diretamente nos
poços usinados na turbina, e seu sinal lido por um ponteiro. As variáveis
geralmente monitoradas são:
• Temperatura de óleo nos mancais de turbina, redutor e gerador;
• Temperatura no tanque de óleo;
• Temperatura para o sistema de selagem.

26
2.4.2. Manômetros
Também para monitoração local, estes são colocados no próprio ponto
de medição, ou em um suporte local de instrumentos através de um
capilar, que envia mecanicamente o sinal de presão desde o ponto de
medição até o instrumento. Estes medem a pressão principalmente nos
seguintes pontos de interesse:
• Pressão de vapor para sistema de selagem;
• Pressão de óleo após bombas de circulação.

2.4.3. Resistance temperature detectors (RTD´s)


Os RTD´s são conversores de sinal, os quais transformam um sinal de
temperatura para um valor de resistência elétrica. Utilizados para
transmissão de sinal para uma indicação digital de temperatura, se
aplicam para faixas de temperatura relativamente baixas (até 100 oC).
Como principais aplicações temos:
• Temperatura do metal patente nos mancais;
• Temperatura de óleo antes do resfriador de óleo;
• Temperatura de óleo após o resfriador de óleo.

2.4.4. Termopares
Semelhantes aos RTD´s, os termopares convertem um sinal de
temperatura em tensão elétrica, com maior resistência ao calor e
precisão a altas temperaturas. São utilizados para medições de vapor,
com transmissão de sinal para um indicador digital. Como aplicações
temos:
• Temperatura de vapor vivo;
• Temperatura de vapor de extração;
• Temperatura de vapor de escape.

2.4.5. Transmissores de pressão


Utilizados no lugar dos manômetros, os transmissores de pressão
convertem o sinal de pressão em um sinal elétrico, transmitindo a
informação para um indicador digital. Aplicados geralmente em:
• Pressão de vapor vivo;
• Pressão de vapor na câmara da roda de regulagem (em turbinas
multiestágio);
• Pressão de vapor de extração;

27
• Pressão de de vapor de escape;
• Pressão de óleo após filtro (óleo de impulso P1);
• Pressão de óleo após válvula redutora (óleo de lubrificação);
• Pressão de óleo para servo-motor (óleo de regulagem P3).

2.4.6. Transmissores de temperatura


Estes elementos tem como finalidade converter os sinais de resistência
vindos dos RTD e/ou termopares em sinal de corrente em 4 a 20 mA.
Estes sinais permitem uma maior precisão e melhor gerenciamento do
sinal, que podem ser repetidos diretamente dos transmissores até um
sistema supervisório digital de controle (SDCD). Os sinais são os mesmos
já mencionados para os RTD’s e termopares.

2.4.7. Indicadores digitais


São os dispositivos de recepção dos sinais vindos dos RTD´s, termopares e
transmissores de pressão e temperatura. Estes convertem os sinais
elétricos em valores digitais, informados na tela do aparelho. A
preferência por sinais elétricos é justificada pela transmissão de sinal
para um painel de instrumentos, ao invés do suporte local. Ainda, este
sinal elétrico pode ser passado para um SDCD.
Os sinais de temperatura podem vir tanto de transmissores quanto
diretamente dos RTD´s ou termopares. A diferença é que a repetição de
sinal fica restrita somente ao indicador no segundo caso, enquanto que
no primeiro caso os sinais podem ser repetidos diretamente do
transmissor local. Ainda pode-se desejar uma melhor precisão na
detecção da temperatura, e para isto se utilizam os transmissores como
transdutores auxiliares.
Os sinais indicados são os mesmos já citados na instrumentação dos
RTD´s, termopares e transmissores de pressão e temperatura.

2.4.8. Pressostatos e termostatos


Os pressostatos e termostatos são instrumentos que emitem um sinal
elétrico quando a variável a ser medida alcança um valor pré-
determinado. Portanto, servem para detectar quando uma pressão está
demasiado baixa ou uma temperatura está muito alta, por exemplo.
Estes instrumentos emitem o sinal para um alarme ou para uma válvula
solenóide responsável pelo trip da turbina.
Os principais pressostatos e termostatos para uma turbina a vapor são os
seguintes:

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Função Local Atuação
Baixa pressão de impulso Após filtro Liga bomba auxiliar
(P1)
Muito baixa pressão de Antes dos mancais Alarme
lubrificação
Liga bomba de emergência
Sinal de trip
Alta pressão de vapor de Flange de escape Alarme
escape
Sinal de trip
Alta temperatura metal RTD’s mancais Alarme
patente dos mancais
Sinal de trip
Alta pressão diferencial Filtro de óleo Alarme
Alta temperatura óleo Trocador de calor Alarme

Normalmente quando já há transmissão de pressão ou temperatura nos


pontos de interesse, são utilizados os próprios transmissores de pressão e
temperatura para o envio do sinal, ao invés de pressostatos ou
termostatos.

2.4.9. Sistema de monitoração de vibração


Em função das turbinas de reação funcionarem a rotações mais altas,
muitas vezes existem problemas quanto à vibração radial e axial. A
vibração excessiva resulta em elevado nível de ruído, desgaste dos
mancais e até empenamento do rotor. Em função disso, existe o sistema
de monitoração de vibração axial e radial, os quais estão diretamente
ligados a sinais de alarme e ao sistema de trip em caso de valores
inadmissíveis.
Um sensor de vibração conhecido como proximeter, é instalado nos
mancais e transmite o sinal a um monitor instalado no painel da turbina.
Este monitor processa o sinal e o converte em valor de leitura,
geralmente um sinal de amplitude.
Em caso de deslocamento axial, os sensores fornecem sinais para
medição de distância relativa e não de amplitude de vibração.
Para análises mais detalhadas, pode ser utilizado um medidor de ângulo
de fase (keyphasor).

2.4.10. Equipamentos do sistema de regulagem e segurança


O sistema para controle e proteção da turbina consiste em uma série de
equipamentos que, sobre qualquer anomalia detectada pela
instrumentação, atuam nas válvulas de admissão e na válvula de fecho
rápido.

29
Abaixo segue um breve descritivo de um sistema de regulagem e
segurança eletrônico e seus equipamentos.
O eixo da turbina possui uma roda dentada em uma de suas
extremidades. Um sensor de rotação é direcionado para a roda, de
modo a registrar a rotação instantânea e convertê-la em um sinal
elétrico. Este sinal é emitido para o regulador de velocidades da turbina.
Um sinal de óleo após o filtro é transmitido para um conversor eletro-
hidráulico (CPC), responsável para converter o sinal elétrico do
regulador de velocidades em impulso de óleo; o outro sinal, para
transmitir para uma das admissões do servo-motor das válvulas de
regulagem. O impulso de óleo vindo do CPC é inserido na outra
admissão do servo-motor, de forma que os dois sinais hidráulicos atuam
no comando de abertura e fechamento das válvulas.
Todo sinal elétrico de trip é transmitido para uma válvula solenóide. Esta
solenóide aciona uma válvula direcionadora de fluxo, que desvia o
curso do óleo, direcionado para um aparelho de comando. O aparelho
de comando é uma bóia tipo fole, a qual permanece cheia de óleo. A
ausência de óleo força o aparelho a levantar a bóia, a qual está
conectada com a haste da válvula de fecho rápido.

30
2.5. Cálculos termodinâmicos
2.5.1. Expansão isoentrópica
De acordo com a Primeira Lei da Termodinâmica, temos para o
processo ocorrido na turbina, em regime permanente:

( )
Q& VC + m& . he + Ve2 + g. Ze = m ( )
& . hs + Vs2 + g. Zs + W&VC

Simplificando de acordo com as hipóteses convenientes (desprezar


variação de energia cinética e potencial, não considerar perdas de
calor):
W&VC = m& .( h2 − h0 )

O processo de expansão isoentrópica do vapor pode ser melhor


observado no Diagrama de Mollier, segundo a figura 2.5.1a.

h P0
T0
h0

h1

Fig. 2.5.1a - Expansão isoentrópica no Diagrama de Mollier.

Devem ser levados em conta algumas perdas a serem descontadas na


estimativa da potência. Todas essas perdas termodinâmicas são
representadas pelo rendimento interno da turbina, ηi.

31
2.5.2. Perdas termodinâmicas e mecânicas
Algumas perdas são significativas e devem ser estimadas para o cálculo
da eficiência da turbina. Segue abaixo as principais causas de perda de
eficiência em turbinas a vapor.

• Perdas no bloco de válvulas de admissão

O vapor, antes de ser introduzido entre o segmento de injetores, passa


pelas válvulas de admissão da turbina, as quais controlam o fluxo
necessário de operação. Como o processo de controle baseia-se em
estrangulamento da secção de admissão, existem perdas de
velocidade e pressão do vapor, mas a energia disponível não se perde.
O processo se resume a uma pequena queda entálpica, seguida de um
ganho de entalpia a pressão constante até o mesmo valor de entalpia
anterior (ver gráfico em figura 2.5.2a). A pressão a ser utilizada para os
cálculos será P1 ao invés de P0.

h P0
P1
h0

Perda entálpica
nas válvulas

Fig. 2.5.2a - Processo de perda no bloco de válvulas de admissão.

• Perdas na saída das palhetas

Se toda a energia cinética do vapor fosse convertida em movimento na


sua passagem pelas palhetas, teríamos aproveitamento total desta
energia. Porém, isto é impossível, já que o vapor sai da turbina com uma
certa velocidade. Este vapor é então considerado como uma
quantidade de energia que se perde.

32
• Perdas por atrito e ventilação

O vapor, passando pela roda palhetada, produz efeitos indesejáveis


como o atrito de fricção tangencial na roda, e turbulências devido à
rotação no topo das palhetas. Esses efeitos produzem perdas de
energia do vapor, chamadas de perdas por atrito e ventilação.

• Perdas por fuga de vapor

A turbina possui entre seus mancais, dispositivos de modo a impedir que


ocorram perdas de água ou vapor por estes. São os labirintos de
selagem, os quais consistem em um caminho sinuoso o qual o vapor de
fuga adentra, e é condensado com os choques nas paredes. Este
condensado é recolhido por canais (ver figura 2.5.2b).
Logicamente, este vapor não está sendo aproveitado para gerar
energia, e isto é então considerado como uma perda.

Saída de
vapor de fuga

Entrada de
vapor de fuga

Retorno de
condensado

Fig. 2.5.2b - Esquema de funcionamento de labirinto de selagem.

• Perdas mecânicas

A turbina, como todo equipamento mecânico, não transmite


integralmente os esforços devido à perda de potência nos mancais, já
que eventualmente ocorrem contatos metal-metal e dissipação de
calor. Para turbinas, essas perdas são de certo modo significativas, e
devem ser levadas em conta.

33
2.5.3. Expansão real
Considerando os rendimentos devido às perdas termodinâmicas e
mecânicas ilustradas anteriormente, podemos escrever:

& .( h2 − h0 ).η i .η m
W&VC = m

Este processo pode ser observado no Diagrama de Mollier na figura


2.5.3a.

h P0 P1
T1
h0
Expansão
real

P2

h2´ Expansão
isoentrópica

h2

Fig. 2.5.3a - Expansão real no Diagrama de Mollier.

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