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Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais – TJMG

Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes - EJEF


Programa de Educação a Distância do TJMG – EAD - EJEF

Programa EAD-EJEF

CURSO TÉCNICO OPERACIONAL PARA OS JESPS

Apostila atualizada em 08/04/2015


Curso Técnico Operacional para os JESPs Programa EAD-EJEF

Sumário
COMO UTILIZAR ESTE MATERIAL ........................................................................................................... 3
PARTE I - JUIZADO ESPECIAL CÍVEL ......................................................................................................... 4
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................ 4
MÓDULO I – O MECANISMO DO JUIZADO ......................................................................................................... 5
MÓDULO II - LEGISLAÇÕES E A EFETIVIDADE DO TRABALHO .................................................................................... 8
MÓDULO III - UMA BREVE VISÃO DOS SETORES DOS JUIZADOS ............................................................................. 13
MÓDULO IV – ATOS DA SECRETARIA .............................................................................................................. 17
MÓDULO V – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E RECURSOS ................................................................................... 22
MÓDULO VI – CUSTAS DOS JUIZADOS ESPECIAIS ............................................................................................... 33
MÓDULO VII – APLICAÇÃO PRÁTICA DOS PRINCÍPIOS DOS JUIZADOS..................................................................... 39
FLUXOGRAMA DO PROCEDIMENTO CÍVEL NO JUIZADO........................................................................................ 45
PARTE II - JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL ............................................................................................... 46
APRESENTAÇÃO .......................................................................................................................................... 46
MÓDULO I - SOBRE OS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS ...................................................................................... 47
MÓDULO II - ENTRADA DO PROCEDIMENTO CRIMINAL NO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL........................................... 50
MÓDULO III – AUDIÊNCIA PRELIMINAR ........................................................................................................... 54
MÓDULO IV – SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO .................................................................................... 57
MÓDULO V – AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO ................................................................................... 58
MÓDULO VI – SENTENÇA ............................................................................................................................. 60
MÓDULO VII – RECURSOS ............................................................................................................................ 62
MÓDULO VIII – TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA ...................................................................................... 66
MÓDULO IX – EXECUÇÃO DE PENA ................................................................................................................ 67
MÓDULO X – CUSTAS .................................................................................................................................. 69
MÓDULO XI – DÍVIDA ATIVA......................................................................................................................... 71
MÓDULO XII – ATOS ORDINATÓRIOS – PROVIMENTO 161/CGJ/2006 ................................................................ 72
MÓDULO XIII – SISTEMAS INFORMATIZADOS ................................................................................................... 75
FLUXOGRAMAS DE TRAMITAÇÃO PROCESSUAL .................................................................................................. 77
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 80

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Como utilizar este material


A utilização e impressão dos materiais do curso somente serão permitidas para uso
pessoal do aluno, visando facilitar o aprendizado dos temas tratados, sendo proibida
sua reprodução e distribuição sem prévia autorização da EJEF e de seus autores.

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PARTE I - JUIZADO ESPECIAL CÍVEL


Apresentação
Prezado Servidor,

Estamos iniciando o primeiro curso no modelo de


Educação a Distância, cujo público-alvo é o servidor
que atua diretamente com os feitos de rito especial da
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.

O tema do curso é “Rotinas de Secretaria de Juízo”.


Tem como principal objetivo instrumentalizar o
servidor cursista para a execução de suas atividades
cotidianas com a segurança e a presteza necessárias
ao bom andamento dos trabalhos.

Para tanto, torna-se importante não só conhecer todas as etapas do processo, mas
também oferecer uma visão sistêmica da dinâmica de trabalho e, a partir dessa
percepção, favorecer a execução das tarefas diárias de maneira consciente e
motivada.

O caminho escolhido é compreender os processos de trabalho e os critérios


estabelecidos para sua execução, distanciando seu executor do modus operandi
automatizado, para aproximá-lo de sua função social, que ultrapassa objetivos
pessoais, visando alcançar a coletividade, concretizado na repercussão de seu
trabalho no meio social.

Com certeza, a dignidade com que se atende o jurisdicionado é via de mão dupla, em
que a eficiência, a eficácia e o reconhecimento aumentam a motivação para fazer do
serviço um exercício de cidadania.

Mais do que um curso com bases teóricas, que não dispensa a importância desses
fundamentos, a proposta é ressaltar a prática diária e complementar o conhecimento.

Pautado nos princípios norteadores do Juizado, a proposta é trazer novas ideias para
execução das tarefas, além de buscar o fortalecimento de atitudes como a
organização e a cooperação entre os servidores, habilidades indispensáveis a uma
equipe que se proponha a alcançar um alto desempenho.

Desejamos a você um ótimo curso!

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Módulo I – O Mecanismo do Juizado


1.1- Estrutura de acesso do cidadão
à justiça
Parte integrante do Poder Judiciário, os
Juizados Especiais, por meio da Lei nº
9.099/95, em seu rito sumaríssimo,
propõem uma prestação jurisdicional com
foco na informalidade e na celeridade
processual.

Composto por atividades diversas, mas


interdependentes, esse Sistema busca se
organizar de maneira a obter resultados
que contribuam de forma significativa
para a harmonização dos litigantes, para
a diminuição dos conflitos sociais e para a
implementação de uma cultura da paz.

Assim, em uma conciliação cujo resultado culmine em um acordo satisfatório para


ambas as partes envolvidas no conflito, o conciliador certamente encontrou
informações no termo de atermação que subsidiaram a condução da sessão
conciliatória para um diálogo voltado ao alcance de uma solução consensual.

Da mesma forma, a execução dos atos processuais subsequentes a estas fases


(atermação e conciliação) é permeada pela interdependência e cooperação,
características intrínsecas e indispensáveis a uma equipe que prime pela excelência
na prestação de serviços.

Nessa ótica, o prosseguimento do feito sempre estará condicionado à


complementaridade das atividades cartorárias e à realização delas, com zelo, exatidão
e rapidez, afastando, de pronto, retrabalhos e diminuindo, sobremaneira, o tempo do
curso processual.

Por isso, uma meta do curso é que, a partir das informações adquiridas, você,
servidor, se aproprie não só do conhecimento, mas também do modus operandi de
todas as fases que compõem o ciclo de trabalho.

O maior valor agregado a esse modelo de formação profissional está em propiciar-lhe


uma visão sistêmica de todo o processo, situar sua participação e contribuição nessa
dinâmica e conscientizá-lo de como suas ações interferem na sociedade.

A linha hierárquica específica da execução dessas atividades deve ser respeitada para
evitar o encapsulamento de qualquer uma delas, baseando-se na compreensão de
que a quebra na continuidade dessa cadeia intervém, desfavoravelmente, no resultado
final dos trabalhos.

As habilidades de organização, análise e síntese aparecem como pano de fundo


nessas atividades laborais, alicerçando um clima de trabalho vincado pela cooperação
mútua.

Didaticamente, esse processo de trabalho pode ser representado conforme o


diagrama abaixo:

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1.2- Equipes de alto desempenho


Podemos dizer que equipes de alto desempenho são aquelas que desenvolvem, com
eficiência e eficácia, as tarefas diárias.

Para alcançarem a excelência no trabalho, seus integrantes estabelecem metas e


resultados, buscam alinhar a atividade laboral aos resultados pretendidos, e
empreendem o aprimoramento dos conhecimentos técnico-operacionais e das
habilidades humano-sociais para o bom desempenho das tarefas.

À rotina do trabalho diário contrapõem-se alguns desafios. Desvincular a finalidade


primeira do trabalho, que é suprir a subsistência dos indivíduos, para ousar e dar-lhe
outra conotação mais altruísta e solidária, como a oportunidade de ajudar alguém e
contribuir para disseminação da justiça e melhoria da prestação jurisdicional.

O desejo e a disposição para repensar o afã cotidiano, transpondo o modelo formal,


mecanicista e burocrático, para o fazer social, implica responsabilidades e consciência
nas ações empreendidas. Sabedores de que o conhecimento por si só não resulta em
tarefa bem feita, indispensável dar uma nova dimensão a esse exercício diário,
ampliando o papel do servidor no funcionamento dessa estrutura, lembrando-lhe que o
mais importante não é tão somente o resultado do trabalho por ele executado, mas
também a seriedade com a qual ele o executa.

JUIZADOS ESPECIAS = Prestação jurisdicional adequada e pacificação social

1.3- Servidor público a serviço do público


Na vertente, Servidor Público a serviço do Público, da ENA - Escola Nacional de
Educação Pública, o destaque são o papel e os desafios do servidor público segundo
a Administração Pública. Veja o quadro de notícias abaixo:

A Diretora da ENAP – Escola Nacional de Educação Pública, Maria do Socorro


Mendes Gomes, na “Palestra sobre os Novos Desafios do Servidor Público”, sobre a
vertente Servidor Público a serviço do Público, elencou os tópicos fundamentais:

• Agente de transformação a serviço da cidadania, diferença marcante dos


demais trabalhadores.
• Atua em atividade permanente: estabilidade versus acomodação.
• Compromisso intransigente com a ética e com os princípios constitucionais.
• Necessidade de atualização e desenvolvimento de competências estratégicas
e tático-operacionais continuamente.
• Capacidade ampla de lidar com a diferença e a diversidade.

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• Habilidade política para atuar em diferentes contextos e sob diversos


comandos.
• Lida com o que é de todos.
• Somos todos pagos pela riqueza da população brasileira e lidamos com o que
é da sociedade brasileira.

Fonte:http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal119/senado_novos_desafi
os.aspx - 14/07/2014

Também a Diretora de Recursos Humanos do Senado Federal, Doris Marize Romariz


Peixoto, ao se referir à importância do servidor público, destaca: “a cada dia o seu
papel não é de ser estável, é muito maior do que isso, pois está voltado para os
anseios da sociedade, somos todos privilegiados e com uma responsabilidade muito
grande! Ele é um agente de transformação do Estado”.
Fonte:http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal119/senado_novos_desafi
os.aspx – 14/07/2014

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Módulo II - Legislações e a efetividade do trabalho

2.1- Introdução
Conhecer as legislações é fundamental para executar bem as atividades. Mesmo que
o servidor não tenha formação na área do Direito, a leitura e o conhecimento dos atos
normativos farão com que o cumprimento das atividades seja feito de uma forma mais
segura.

Dúvidas acerca de procedimentos podem ser encaminhadas à Corregedoria-Geral de


Justiça ou ao Conselho de Supervisão e Gestão dos Juizados Especiais.

2.2- Normas fundamentais para o servidor do juizado


>> Lei nº 9.099/95 (Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm)

Não é raro o setor da COJESP - Coordenação dos Juizados Especiais da


Corregedoria-Geral de Justiça - receber perguntas e questionamentos acerca de
procedimentos da Lei dos Juizados. Algumas dúvidas podem ser sanadas com a
simples leitura da lei. Outras, no entanto, geram incertezas quanto à interpretação.

São dúvidas frequentes acerca da Lei nº 9.099/95:

Por que em alguns Juizados não é aceita ação proposta por condomínio?

O entendimento dos magistrados é controverso. Há a corrente que entende que o


condomínio pode ser parte autora nos Juizados, conforme prevê o Enunciado 9 do
FONAJE: “O condomínio residencial poderá propor ação no Juizado Especial, nas
hipóteses do art. 275, inciso II, alínea b , do Código de Processo Civil, mas há quem
entenda que o condomínio não está elencado no rol das pessoas que podem ser parte
no Juizado, conforme o art. 8º da Lei nº 9.099/95.

Por que em algumas ações no Juizado é obrigatória a marcação de audiência


no momento da distribuição, e em outras ações isso não ocorre?

Veja o que dispõe o art. 16 da Lei nº 9.099/95:

“Art. 16. Registrado o pedido, independentemente de distribuição e autuação, a


Secretaria do Juizado designará a sessão de conciliação, a realizar-se no prazo de
quinze dias”.

Porém, nas ações de execução de título extrajudicial, a parte é citada para efetuar o
pagamento. Não sendo realizado o pagamento, será feita, desde logo, a penhora, e,
após isso, será designada audiência de conciliação, ou seja, somente após a garantia
do pagamento da dívida é realizada a audiência de conciliação. Por esse motivo, a
essa classe processual não se designa audiência no momento da distribuição.

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Art. 53. A execução de título executivo extrajudicial, no valor


de até quarenta salários mínimos, obedecerá ao disposto no
Código de Processo Civil, com as modificações introduzidas
por esta Lei.

§ 1º Efetuada a penhora, o devedor será intimado a


comparecer à audiência de conciliação, quando poderá
oferecer embargos (art. 52, IX), por escrito ou verbalmente.

Existe edital no Juizado Especial Cível?

Não existe edital de citação, conforme o § 2º do art. 18 da Lei nº 9.009/95, mas pode
ocorrer na fase de cumprimento de sentença, em razão da realização de leilão de bem
que seja de alto valor, por exemplo, de um imóvel.

“Art. 52. [...] VIII - é dispensada a publicação de editais em jornais, quando se tratar de
alienação de bens de pequeno valor”.

O embargo de execução oferecido pelo devedor pode ser distribuído como


processo em apenso?

Não. O embargo do devedor é processado dentro dos próprios autos. No entanto, a


ação de embargos de terceiro será distribuída em apenso aos autos.

>> Lei nº 12.153/2009 (Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-


2010/2009/Lei/L12153.htm) - Juizados Especiais da Fazenda Pública e Resolução
700/2012

Atualmente a Resolução 700/2012 restringe a competência do Juizado da Fazenda


Pública.

Embora a lei preveja ações no valor de 60 salários mínimos, essa resolução restringiu
esse valor a 40 salários mínimos. No entanto, a partir de 23 de junho de 2015, ou seja,
vencidos os cinco anos em que a lei entrou em vigor, a competência dessa lei passa
ser plena. Isto é, os Juizados passarão receber todos os tipos de ações previstas na
Lei 12.153/2009.

O Juizado da Fazenda Pública possui peculiaridades próprias que difere do trâmite


processual da Lei nº 9.099/95. O servidor precisa estar atento a essa nova legislação.
A citação, por exemplo, é feita sempre por mandado.

É importante ressaltar que no Juizado da Fazenda Pública o ente público não pode ser
autor nas ações; este figurará apenas no polo passivo dos processos.

Assim, comporá o polo das ações do Juizado Especial da Fazenda Pública os


Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios, bem como autarquias,
fundações e empresas públicas a eles vinculadas (art. 5º, II), salvo exceções de
litisconsórcio passivo necessário.

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Na fase de cumprimento de sentença, em virtude da impenhorabilidade dos bens


públicos, o cumprimento das obrigações de pagar quantia certa nos Juizados da
Fazenda Pública se dá por meio de requisição de pagamento de RPV - requisição de
pequeno valor (de 30 a 40 salários mínimos), satisfeitas no prazo máximo de 60 dias,
sob pena de multa.

>> Art. 74 da Lei Complementar nº 123/2006 (ME e EPP) (Disponível em:


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm)

Enunciados do FONAJE

Embora os enunciados não tenham força de lei, se adotados, podem trazer agilidade e
economia processual à tramitação da ação no Juizado.

São exemplos:
ENUNCIADO 135 - O acesso da microempresa ou empresa
de pequeno porte no sistema dos juizados especiais
depende da comprovação de sua qualificação tributária
atualizada e documento fiscal referente ao negócio jurídico
objeto da demanda.

ENUNCIADO 105 - É dispensável a intimação do autor do


fato ou do réu das sentenças que extinguem sua
punibilidade.

>> Lei nº 12.126/2009 - OSCIPs - Organizações da Sociedade Civil de Interesse


Público

Apesar de pouco conhecidas, as OSCIPs podem ingressar com ações nos Juizados
Especiais.

>> Provimento Conjunto nº 15/2010 - Portal TJMG

A regulamentação acerca da cobrança das custas, taxas e despesas processuais está


contida neste provimento. O dinamismo desta matéria exige que o servidor esteja
sempre atento as modificações.

>> Código de Normas - Provimento 161/CGJ/2006 - Portal TJMG

O Código de Normas é a bíblia do servidor do Judiciário. A definição e o


direcionamento de várias questões acerca das atividades das Secretarias de juízo e
sua rotina no cumprimento dos atos judiciais estão normatizados neste provimento.

Para conhecimento dos atos ordinatórios, a leitura e a consulta ao Código de Normas


devem ser constantes. Também é necessário estar atento às mudanças e alterações
do provimento.

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>> Lei nº 20.802, de 26/07/2013 - Cria o Fundo Especial do Poder Judiciário do


Estado de Minas Gerais - FEPJ.

Veja a importância dessa lei:


Art. 2° O FEPJ, de duração indeterminada, tem como
objetivo assegurar recursos necessários ao
desenvolvimento das atividades específicas do Poder
Judiciário, a serem aplicados, em especial, nas seguintes
ações:

I - elaboração e execução de programas e projetos;

II - construção, ampliação e reforma de prédios próprios e


de imóveis utilizados pelo Poder Judiciário;

III - ampliação e modernização dos serviços informatizados;

IV - aquisição de material permanente;

V - aquisição de bens imóveis;

VI - capacitação e treinamento;

VII - realização de despesas de caráter indenizatório,


classificadas em outras despesas correntes;

VIII - realização de outras despesas de capital ou correntes,


exceto as relativas a proventos, vencimentos, pensões e
subsídios dos quadros do Poder Judiciário.

O Portal do TJMG possui local próprio onde estão disponíveis os atos normativos
editados pelo TJMG, Corregedoria e Juizado.

A Rede, antiga Intranet, também disponibiliza importantes informações para o servidor.

Acessar a Rede nos perfis judicial ou administrativo abrirá uma série de informações
úteis para o servidor, tais como enunciados e Manual do SISCOM.

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2.3- Tabelas Processuais Unificadas do CNJ


O Conselho Nacional de Justiça, com o objetivo de uniformizar a Justiça em todo o
país, criou por meio da Resolução-CNJ nº 46, de 18 de dezembro de 2007, as Tabelas
Processuais Unificadas.

Conhecer a dinâmica das Tabelas Processuais Unificadas facilitará o trabalho diário


do servidor.

No Portal do CNJ, é possível consultar o glossário para saber quando utilizar


determinada classe, assunto ou movimentação.

A tabela de assunto possui os mesmos códigos utilizados no SISCOM. Já a tabela de


movimentação e classes é diferente. Mas na Rede do TJMG, no perfil administrativo,
opção SISCOM, existe uma tabela onde estão os códigos do SISCOM, a qual se
refere ao CNJ. Assim, é possível fazer a pesquisa sempre que for necessário.

Acesse as tabelas no seguinte endereço: http://www.cnj.jus.br/sgt/consulta_publica_classes.php

Os processos com as movimentações especiais no SISCOM saem apenas no relatório


de processos paralisados por motivo legal, e não no relatório de processos paralisados
há mais de 30 dias.

Confira quais são essas movimentações na opção do SISCOM caráter:


Tabela>>relatório>>dados de processos>>movimentação.

Imprima a tabela e tenha sempre disponível para consulta.

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Módulo III - Uma breve visão dos setores dos Juizados

3.1- Triagem na Atermação


Adotar alguns procedimentos simples poderá agilizar o atendimento no setor de
Atermação e diminuir o tempo de espera de quem será atendido.

Ter alguém ou um momento separado para realizar uma triagem prévia servirá como
filtro para que o atendimento ao público se direcione apenas aos casos que poderão
ser de fato atermados.

Para que isso ocorra,

Receba com cortesia e presteza o reclamante, ouvindo atentamente o motivo do


conflito e verifique se o ingresso da ação é cabível na esfera dos Juizados.

Caso não seja da competência dos Juizados Especiais Estaduais, informe, se


possível, onde o reclamante poderá ajuizar a ação.

Verifique a documentação trazida pelo reclamante visando instruir o pedido a ser


atermado, e, caso os documentos apresentados sejam insuficientes, liste os
documentos faltantes. Neste caso, é importante agendar nova data para que o
reclamante possa retornar para efetivar o ajuizamento da ação.

Crie uma rotina de organização dos documentos que facilite o manuseio e sua
verificação. Faça a seguinte disposição: Cópia da carteira de identidade e do CPF,
comprovante de endereço atualizado e demais documentos necessários para o
ingresso da ação.

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3.2- Atermação
Avalie a reclamação visando à correta fundamentação jurídica para o ingresso da ação
no âmbito dos Juizados Especiais Cíveis e verifique se há necessidade de pedido de
tutela antecipada, bem como se estão presentes os requisitos para interposição no
âmbito dos Juizados.

Ao lavrar o termo do pedido inicial, este deverá conter: nome completo e CPF do
promovente, nome completo e CPF do promovido, se houver, descrição sucinta e clara
do fato conflituoso, local onde ele ocorreu, pedido(s) que dever(ão) ser apreciado(s)
pelo Judiciário.

Em caso de pedido de tutela antecipada, trazer, de forma destacada, um item


específico para esse pedido, inclusive na capa dos autos.

Leia ou entregue o termo redigido para o promovente. Se este concordar com o termo,
colha a sua assinatura.

É muito importante que o promovente tenha ciência de algumas informações


importantes. São elas:

a) É essencial manter o endereço atualizado no processo.


b) É imprescindível comparecer a todos os atos processuais, sempre que for
intimado;
c) O não comparecimento às audiências para as quais for intimado poderá
resultar em condenação em contumácia, ou seja, o promovente arcará com
todas as despesas havidas no processo, mais custas e taxas judiciais.
d) O acompanhamento processual poderá ser feito através do Portal do TJMG.

3.3- A preparação do processo no setor de conciliação


Devido ao grande volume das audiências de conciliação nos Juizados especiais, os
processos que estão aguardando audiências deverão ficar em um local próprio,
preferencialmente próximo ao balcão de atendimento da Secretaria, mas com o
cuidado para que fiquem fora do alcance das mãos das pessoas a serem atendidas.

A estante de processos que aguardam audiências de conciliação deve ser a que


contém separação por escaninhos. Esses escaninhos podem ser etiquetados com os
meses subsequentes de audiências ou dias do mês em que serão realizadas
audiências, conforme a demanda da Secretaria.

Assim, se a demanda for pequena, a divisão pode ser por meses subsequentes. Nas
demandas maiores, a divisão pode ser feita por dia do mês. Nesse caso, serão
necessários, no mínimo, 31 escaninhos. Tanto em uma quanto em outra forma de
organização, é necessário manter o processo por ordem numérica a fim de facilitar o
manuseio.

Um ou dois dias antes da realização da audiência, imprimir a pauta de audiência


através do SISCOM, na opção do sistema Impressão > Relatório > Pauta de Audiência
> Informar o Período > Opção (2) >F10.

Com a pauta impressa, localize os processos no escaninho correspondente e separe


os processos que serão de AIJ dos demais tipos de audiência (Conciliação, art. 53 da
Lei nº 9.099/95).

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Para facilitar os procedimentos na conciliação, verifique nos autos se todos os


comprovantes de citação estão no processo e se na Secretaria há documentos para
serem juntados.

Caso haja algum documento a ser juntado, proceda à juntada e movimente no sistema
a sua indicação.

3.4- Audiência de Conciliação


O conciliador é uma pessoa que atua como facilitador do acordo entre os envolvidos,
criando um contexto propício ao entendimento mútuo, à aproximação de interesses e à
harmonização das relações.

A conciliação é a forma preferida de resolução de conflitos no nosso sistema


processual, porque é mais rápida, mais barata, mais eficaz e muito mais pacifica. E
nela não há risco de injustiça, na medida em que são as próprias partes que,
mediadas e auxiliadas pelo juiz/conciliador, encontram a solução para o conflito de
interesses. Nela não há perdedor. É um meio alternativo de resolução de conflitos em
que as partes confiam a uma terceira pessoa (neutra), o conciliador, a função de
aproximá-las e orientá-las na construção de um acordo.

A pontualidade deve ser sempre observada. Inicie a audiência por meio do pregão,
isto é, faça a chamada, em voz alta e clara, para que as partes e seus procuradores
saibam que será iniciada a audiência.

Normalmente o pregão é feito na seguinte ordem: horário da designação de audiência,


número do processo, Secretaria, nome das partes e procuradores, se houver.

Os trabalhos de conciliação se iniciam com o cumprimento às partes e a apresentação


do conciliador.

Nesse momento, recolha e confira o documento de identificação dos presentes,


conferindo, também, os atuais endereços das partes.

Lembre-se: esta é a oportunidade de complementar os dados do processo.

Explique para as partes, de forma breve, o tipo da audiência e as vantagens da


solução do conflito por acordo. Explique, também, as consequências do não
firmamento de acordo.

Importante:

Ao iniciar os trabalhos específicos de tentativa de conciliação entre as partes, com as


ponderações e intervenções pertinentes; busque, sempre que necessário, o auxílio do
coordenador e a presença do magistrado. Cuidado para que advogados ou partes
“mais fortes” não conduzam intencionalmente os trabalhos da audiência.

Confeccionar o termo de audiência de maneira sucinta, contudo sem deixar de


registrar informações importantes da audiência, fazendo uso de modelos de termos de
audiências pré-definidos e homologados pelo coordenador e magistrados.

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Isto é celeridade processual!

3.5- Gabinete
Embora o gabinete seja seara do magistrado, é preciso estabelecer uma rotina de
trabalho entre a Secretaria e a equipe de gabinete.

A devolução dos processos para a Secretaria deve ser, preferencialmente, de forma


separada para facilitar o manuseio e o cumprimento das determinações judiciais.

Dividir os processos em cumprimento urgente, como, por exemplo, liminares e


expedição de alvarás, processos com decisões, com sentenças, dos cumprimentos
ordinários. Isso trará agilidade na execução dessas tarefas e facilitará a movimentação
no sistema.

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Módulo IV – Atos da Secretaria

4.1- Organização dos trabalhos


O gerenciamento dos trabalhos e atividades
da Secretaria é de responsabilidade do
Escrivão Judicial.

No entanto, cada um é uma engrenagem


desse processo. Não obstante as obrigações
do escrivão, cada servidor pode e deve
verificar os relatórios do sistema para
gerenciar suas atividades.

Não importa se a forma de divisão dos


trabalhos na Secretaria é por dígitos ou por
tarefas, visto que a qualidade do trabalho
pode ser aferida a partir dos cumprimentos
judiciais de forma célere e satisfatória.

Porém, quando os cumprimentos da Secretaria são feitos com divisão por dígitos,
essa metodologia apresenta alguns benefícios:

1. Cumprimento integral da decisão pelo mesmo servidor, sem que a ordem seja
fracionada em várias etapas.
2. Conhecimento integral do processo, uma vez que o mesmo servidor cumprirá
sempre os mesmos processos; isso significa que os autos terão um
acompanhamento individualizado. Ocorre, consequentemente, facilidade de
manuseio e maior agilidade no cumprimento das determinações das decisões
judiciais.
3. Cumprimento da tarefa de forma mais interessante e inteligente, visto que o
serviço desempenhado não é repetitivo.
4. Motivação, pois o servidor consegue ver o resultado do seu trabalho.

4.2- Expedição de documentos


Na Secretaria são expedidos os documentos para cumprimento da ordem judicial. São
documentos mais comuns expedidos pela Secretaria: carta ou mandado de citação e
intimação, ofícios, cartas precatórias, alvarás e certidões.

Esses documentos deverão ser confeccionados utilizando o sistema judicial, os


modelos aprovados pela Corregedoria. No caso dos processos físicos, atualmente
esses modelos estão no SISCOM Windows.

Ao iniciar o procedimento de expedição de documentos, verifique sempre se os dados


das partes estão atualizados no sistema.

Verifique atentamente o despacho judicial e certifique-se de que não há documentos a


serem juntados nesses autos.

Na expedição de alvará para levantamento de valores, verificar se a guia de depósito


judicial juntada nos autos é referente ao processo e se os dados constantes nela estão

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corretos. Caso não esteja, será necessário intimar a parte depositante para corrigir o
erro ou juntar nova guia.

Nas certidões de débito, normalmente expedidas quando a execução foi frustrada,


deverá constar a origem do débito (sentença ou acordo) e, principalmente, o seu valor
atualizado.

4.3- A citação

É o ato processual no qual se dá conhecimento ao réu de todo o conteúdo de um


processo judicial movido em seu desfavor. No Juizado Cível, a citação, quase sempre,
é feita por carta postal. Neste ato, além de tomar ciência da existência de uma ação
em seu desfavor, a parte ré é intimada a comparecer a audiência de conciliação e/ou
cumprir uma liminar e, no caso de processos de execução de título extrajudicial,
efetuar o pagamento do débito.

O comparecimento espontâneo da parte ré que não foi citada, no balcão, deve ser
certificado. No entanto, na certidão deve constar que o requerido compareceu e se
deu por citado, visto que o ato de citar uma parte é prerrogativa do oficial de justiça.
Se for o caso, faça também a intimação da audiência de conciliação.

4.4- Movimentação processual


Todo o trâmite processual deve ser registrado no sistema, de forma que as partes que
não estão de posse do processo possam compreender e acompanhar o andamento
processual através da consulta pública.

Segundo determinação da Portaria Conjunta 312/2013, as sentenças, decisões e


despachos relevantes deverão ser disponibilizados através do RUPE.

No entanto, a publicação no DJe é que de fato torna o procedimento público e tem


efeito para fins de contagem de prazo.

Se o ato judicial será disponibilizado no RUPE, a publicação deste no DJe poderá ser
de forma sucinta, mas deverá informar que o inteiro teor do ato encontra-se
disponibilizado no documento inserido na movimentação processual da consulta
pública.

Ao fazer a publicação, deverá ser observado se todos os advogados estão


devidamente cadastrados, evitando-se anulação de atos e republicações.

Verifique também se consta petição indicando o nome do advogado que deverá ser
cadastrado. Esse cadastramento será imprescindível, sob pena de nulidade dos atos
processuais.

De acordo com o Provimento nº 161/CGJ/2006, será considerado intimado o


advogado que, comparecendo à Secretaria antes da efetiva publicação do expediente
no Diário do Judiciário eletrônico, tiver ciência do ato a ser realizado e obtiver vista dos
autos no balcão ou mediante carga, devendo o escrivão certificar nos autos a
ocorrência da intimação, iniciando, a partir de então, o fluxo do prazo correspondente,
conforme dispõe o art. 238 do Código de Processo Civil.

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Há casos em que a lei processual prevê a intimação pessoal. Esse é o caso do


defensor público, do defensor dativo e dos procuradores das Fazendas Públicas.
Fique atento para os processos da Lei nº 12.153/2009.

Os sistemas informatizados de processos, sejam esses processos físicos ou


eletrônicos, possuem ferramentas para gestão dos autos processuais e suas
movimentações.

Na Rede do TJMG, no endereço abaixo, há o caminho dos principais relatórios do


SISCOM.

• Manual do SISCOM http://www.tjmg.jus.br/corregedoria-1/siscom/siscom.htm


• Relatórios de processos paralisados há mais de 30 dias Siscom Caracter:
Pesquisa>>Feitos>>Paralisados>>Há mais de 30 dias. Neste relatório
pesquise preferencialmente pela movimentação. Deixe o campo em branco
para que o sistema busque todas as movimentações.
• Relatório de paralisados por motivo legal:
Pesquisa>>Feitos>>Paralisados>> Por motivo legal
• Relatório gerenciais: Pesquisa>>feitos>>movimentação gerencial
• Relatório de prazo vencido: Feitos>>Controle de prazo>>pesquisa prazo.
• Relatório de documentos a serem juntados: Feitos>>Juntada de
documentos
• Relatório de movimento forense: Siscom Windows>>
Impressão>>Relatórios>>Movimento Forense
• Metas do Poder Judiciário: Siscom caracter>>Feitos>>Metas do Poder
Judiciário>>Pendentes

4.5- Juntada de documentos

Por mais simples que seja o ato, a juntada de documentos tem consequência no
trâmite processual.

Por essa razão, todo documento deverá ser cadastrado no sistema, a fim de que seja
feito o acompanhamento da juntada através do relatório do SISCOM.

O ato de juntada deverá ser sempre cronológico e sequencial, ou seja, não poderá
ocorrer em alguma página anterior à atual. Por exemplo, a última página dos autos é a
de número 75; então a juntada de um AR - Aviso de Recebimento - não deve ser
realizada no verso da carta expedida à página 50. Mesmo que este AR se refira a esta
mesma carta.

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Pode ser adotada como regra a inserção de uma observação no rodapé da carta ou
ofício. Por exemplo: “juntada de AR à f. 75v.”.

Na impossibilidade de juntada imediata da petição, ofício etc., arquivar este


documento em pasta própria para esse fim, sempre em ordem numérica, com
separação por dígito.

Realizada a juntada, ela tem que ser registrada no sistema.

4.6- Prazos processuais


Humberto Theodoro Júnior define prazo processual como "[...] o espaço de tempo em
que o ato processual da parte pode ser validamente praticado" (THEODORO JÚNIOR,
1999).

No Juizado, as informações sobre prazo estão contidas nos arts. 42 e 49 da Lei nº


9.099/95:

O Enunciado 13 do FONAJE diz:

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No entanto, se o magistrado da sua comarca não aplica o enunciado do FONAJE,


apenas os prazos de sentença que a Lei nº 9.099/95 estabelece, a contagem será
feita a partir da data de intimação, e os demais prazos contarão da juntada da
intimação nos autos.

4.7- Atos ordinatórios da secretaria


O ato ordinatório está previsto no § 4º do art. 162 do CPC e no Título XV-A, DOS
ATOS ORDINATÓRIOS, art. 263-A e seguintes do nosso Código de Normas,
Provimento 161.

Pode-se afirmar que o ato ordinatório desburocratiza o trabalho e evita o vai e vem de
processos conclusos, garantindo a tramitação célere.

Devido à peculiaridade de tramitação dos feitos do Juizado, bem como seus princípios
norteadores, o servidor tem mais autonomia na condução e cumprimento dos
processos.

É comum a abertura de vista, desarquivamento, redesignação de audiência,


intimações por várias Secretarias do Juizado.

Mesmo a expedição de alvará pode ser feita pela Secretaria, e o despacho é exarado
no momento da conferência e assinatura pelo magistrado.

Atos simples e corriqueiros poderão ser feitos de ofício. Veja também com o
magistrado quais os atos que poderão ser feitos diretamente pela Secretaria além
daqueles já elencados nas normas mencionadas.

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Módulo V – Cumprimento de sentença e Recursos

5.1- Cumprimento Provisório de Sentença


O cumprimento provisório de sentença ou execução provisória de título judicial é o
recurso que o credor tem para garantir, antes mesmo do resultado do recurso, o
pagamento do débito reconhecido em uma sentença. Segue o rito do art. 475-O do
CPC, no que couber.

Esse procedimento é distribuído no sistema e tramita separadamente, visto que o


processo principal foi remetido à Turma Recursal.

Com a prolação da sentença e o trânsito em julgado, forma-se o título executivo


judicial, e o processo entra em uma nova fase: o cumprimento de sentença. Antes da
Lei nº 11.232/05, essa fase era tratada como “execução”.

Caso a sentença não seja cumprida voluntariamente, poderá o exequente solicitar que
seja o executado compelido judicialmente a satisfazer a obrigação que assumiu em
sede de acordo, ou que lhe foi imposta por sentença condenatória.

Na esfera do Juizado Especial, a execução é disciplinada no art. 52 da Lei nº


9.099/95, aplicando-se subsidiariamente as normas do CPC (arts. 475-I a 475-R) e
enunciados do FONAJE.

5.2- Cumprimento de Sentença


A fase de cumprimento de sentença é feita nos próprios autos do processo e seu
registro deve ser feito no sistema informatizado.

O registro da alteração processual é de extrema importância, visto que é comum


verificar que o processo já possui mandado de penhora e demais procedimentos
próprios da fase de cumprimento de sentença, mas continua, no sistema, na fase de
conhecimento. A falta dessa informação resultará em uma estatística errada para o
Tribunal, distorcendo a realidade processual da Secretaria.

As dúvidas comuns, nessa fase, são em relação aos meios de defesas do executado.

O executado dispõe de meios de reação contra a execução já instaurada ou


consumada: a oposição, prevista no art. 736, CPC; a impugnação, art. 475-L; a
exceção de pré-executividade; e os embargos do devedor.

No Juizado, apenas os embargos de terceiro - ou seja, quando uma pessoa que não
pertence ao processo vem discutir a penhora realizada nos autos - serão distribuídos
separadamente e processados em apenso.

As demais defesas do executado serão juntadas nos autos em que ocorrerá sua
tramitação.

Da execução, Lei nº 9.099/95:


Art. 52. A execução da sentença processar-se-á no próprio
Juizado, aplicando-se, no que couber, o disposto no Código
de Processo Civil, com as seguintes alterações:

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I - as sentenças serão necessariamente líquidas, contendo


a conversão em Bônus do Tesouro Nacional - BTN ou
índice equivalente;

II - os cálculos de conversão de índices, de honorários, de


juros e de outras parcelas serão efetuados por servidor
judicial;

III - a intimação da sentença será feita, sempre que


possível, na própria audiência em que for proferida. Nessa
intimação, o vencido será instado a cumprir a sentença tão
logo ocorra seu trânsito em julgado, e advertido dos efeitos
do seu descumprimento (inciso V);

IV - não cumprida voluntariamente a sentença transitada em


julgado, e tendo havido solicitação do interessado, que
poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo à execução,
dispensada nova citação;

V - nos casos de obrigação de entregar, de fazer, ou de não


fazer, o Juiz, na sentença ou na fase de execução,
cominará multa diária, arbitrada de acordo com as
condições econômicas do devedor, para a hipótese de
inadimplemento. Não cumprida a obrigação, o credor
poderá requerer a elevação da multa ou a transformação da
condenação em perdas e danos, que o juiz de imediato
arbitrará, seguindo-se a execução por quantia certa, incluída
a multa vencida de obrigação de dar, quando evidenciada a
malícia do devedor na execução do julgado;

VI - na obrigação de fazer, o juiz pode determinar o


cumprimento por outrem, fixado o valor que o devedor deve
depositar para as despesas, sob pena de multa diária;

VII - na alienação forçada dos bens, o juiz poderá autorizar


o devedor, o credor ou terceira pessoa idônea a tratar da
alienação do bem penhorado, a qual se aperfeiçoará em
juízo até a data fixada para a praça ou leilão. Sendo o preço
inferior ao da avaliação, as partes serão ouvidas. Se o
pagamento não for à vista, será oferecida caução idônea,
nos casos de alienação de bem móvel, ou hipotecado o
imóvel;

VIII - é dispensada a publicação de editais em jornais,


quando se tratar de alienação de bens de pequeno valor;

IX - o devedor poderá oferecer embargos, nos autos da


execução, versando sobre:

a) falta ou nulidade da citação no processo, se ele correu à


revelia;

b) manifesto excesso de execução;

c) erro de cálculo;

d) causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação,


superveniente à sentença.

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Vale ressaltar que é controverso o entendimento que a parte ré deve ser intimada para
cumprir a sentença, antes de incidir a multa prevista no artigo 475, j, do CPC. Por
isso,verifique a linha de entendimento adotada pelo magistrado que você trabalha.

Artigos do Código de Processo Civil em relação aos procedimentos da fase de


cumprimento de sentença:

Art. 475-I. O cumprimento da sentença far-se-á conforme os


arts. 461 e 461-A desta Lei ou, tratando-se de obrigação por
quantia certa, por execução, nos termos dos demais artigos
deste Capítulo. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 1º É definitiva a execução da sentença transitada em


julgado e provisória quando se tratar de sentença
impugnada mediante recurso ao qual não foi atribuído efeito
suspensivo. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 2º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra


ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a
execução daquela e, em autos apartados, a liquidação
desta. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

Art. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de


quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no
prazo de quinze dias, o montante da condenação será
acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a
requerimento do credor e observado o disposto no art. 614,
inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e
avaliação. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 1º Do auto de penhora e de avaliação será de imediato


intimado o executado, na pessoa de seu advogado (arts.
236 e 237), ou, na falta deste, o seu representante legal, ou
pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo
oferecer impugnação, querendo, no prazo de quinze dias.
(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 2º Caso o oficial de justiça não possa proceder à


avaliação, por depender de conhecimentos especializados,
o juiz, de imediato, nomeará avaliador, assinando-lhe breve
prazo para a entrega do laudo. (Incluído pela Lei nº 11.232,
de 2005)

§ 3º O exequente poderá, em seu requerimento, indicar


desde logo os bens a serem penhorados. (Incluído pela Lei
nº 11.232, de 2005)

§ 4º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no


caput deste artigo, a multa de dez por cento incidirá sobre o
restante. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 5º Não sendo requerida a execução no prazo de seis


meses, o juiz mandará arquivar os autos, sem prejuízo de
seu desarquivamento a pedido da parte. (Incluído pela Lei
nº 11.232, de 2005)

Art. 475-L. A impugnação somente poderá versar sobre:


(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

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I - falta ou nulidade da citação, se o processo correu à


revelia; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

II - inexigibilidade do título; (Incluído pela Lei nº 11.232, de


2005)

III - penhora incorreta ou avaliação errônea; (Incluído pela


Lei nº 11.232, de 2005)

IV - ilegitimidade das partes; (Incluído pela Lei nº 11.232, de


2005)

V - excesso de execução; (Incluído pela Lei nº 11.232, de


2005)

VI - qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da


obrigação, como pagamento, novação, compensação,
transação ou prescrição, desde que superveniente à
sentença. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 1º Para efeito do disposto no inciso II do caput deste


artigo, considera-se também inexigível o título judicial
fundado em lei ou ato normativo declarados
inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou
fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato
normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como
incompatíveis com a Constituição Federal. (Incluído pela Lei
nº 11.232, de 2005)

§ 2º Quando o executado alegar que o exequente, em


excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante
da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que
entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa
impugnação. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

Art. 475-M. A impugnação não terá efeito suspensivo,


podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes
seus fundamentos e o prosseguimento da execução seja
manifestamente suscetível de causar ao executado grave
dano de difícil ou incerta reparação. (Incluído pela Lei nº
11.232, de 2005)

§ 1º Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é


lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução,
oferecendo e prestando caução suficiente e idônea,
arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos. (Incluído
pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 2º Deferido efeito suspensivo, a impugnação será


instruída e decidida nos próprios autos e, caso contrário, em
autos apartados. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 3º A decisão que resolver a impugnação é recorrível


mediante agravo de instrumento, salvo quando importar
extinção da execução, caso em que caberá apelação.
(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

Art. 475-N. São títulos executivos judiciais: (Incluído pela Lei


nº 11.232, de 2005)

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I - a sentença proferida no processo civil que reconheça a


existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa
ou pagar quantia; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

II - a sentença penal condenatória transitada em julgado;


(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

III - a sentença homologatória de conciliação ou de


transação, ainda que inclua matéria não posta em juízo;
(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

IV - a sentença arbitral; (Incluído pela Lei nº 11.232, de


2005)

V - o acordo extrajudicial, de qualquer natureza,


homologado judicialmente; (Incluído pela Lei nº 11.232, de
2005)

VI - a sentença estrangeira, homologada pelo Superior


Tribunal de Justiça; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

VII - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em


relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a
título singular ou universal. (Incluído pela Lei nº 11.232, de
2005)

Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, IV e VI, o


mandado inicial (art. 475-J) incluirá a ordem de citação do
devedor, no juízo cível, para liquidação ou execução,
conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

Art. 475-O. A execução provisória da sentença far-se-á, no


que couber, do mesmo modo que a definitiva, observadas
as seguintes normas: (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

I - corre por iniciativa, conta e responsabilidade do


exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a
reparar os danos que o executado haja sofrido; (Incluído
pela Lei nº 11.232, de 2005)

II - fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou


anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as
partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos
nos mesmos autos, por arbitramento; (Incluído pela Lei nº
11.232, de 2005)

III - o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de


atos que importem alienação de propriedade ou dos quais
possa resultar grave dano ao executado dependem de
caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e
prestada nos próprios autos. (Incluído pela Lei nº 11.232, de
2005)

§ 1º No caso do inciso II do caput deste artigo, se a


sentença provisória for modificada ou anulada apenas em
parte, somente nesta ficará sem efeito a execução. (Incluído
pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 2º A caução a que se refere o inciso III do caput deste


artigo poderá ser dispensada: (Incluído pela Lei nº 11.232,
de 2005)

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I - quando, nos casos de crédito de natureza alimentar ou


decorrente de ato ilícito, até o limite de sessenta vezes o
valor do salário mínimo, o exequente demonstrar situação
de necessidade; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

II - nos casos de execução provisória em que penda agravo


perante o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal
de Justiça (art. 544), salvo quando da dispensa possa
manifestamente resultar risco de grave dano, de difícil ou
incerta reparação. (Redação dada pela Lei nº 12.322, de
2010)

§ 3º Ao requerer a execução provisória, o exequente


instruirá a petição com cópias autenticadas das seguintes
peças do processo, podendo o advogado declarar a
autenticidade, sob sua responsabilidade pessoal: (Redação
dada pela Lei nº 12.322, de 2010)

I - sentença ou acórdão exequendo; (Incluído pela Lei nº


11.232, de 2005)

II - certidão de interposição do recurso não dotado de efeito


suspensivo; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

III - procurações outorgadas pelas partes; (Incluído pela Lei


nº 11.232, de 2005)

IV - decisão de habilitação, se for o caso; (Incluído pela Lei


nº 11.232, de 2005)

V - facultativamente, outras peças processuais que o


exequente considere necessárias. (Incluído pela Lei nº
11.232, de 2005)

Art. 475-P. O cumprimento da sentença efetuar-se-á


perante: (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;


(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

II - o juízo que processou a causa no primeiro grau de


jurisdição; (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença


penal condenatória, de sentença arbitral ou de sentença
estrangeira. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

Parágrafo único. No caso do inciso II do caput deste artigo,


o exequente poderá optar pelo juízo do local onde se
encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual
domicílio do executado, casos em que a remessa dos autos
do processo será solicitada ao juízo de origem. (Incluído
pela Lei nº 11.232, de 2005)

Art. 475-Q. Quando a indenização por ato ilícito incluir


prestação de alimentos, o juiz, quanto a esta parte, poderá
ordenar ao devedor constituição de capital, cuja renda
assegure o pagamento do valor mensal da pensão. (Incluído
pela Lei nº 11.232, de 2005)

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§ 1º Este capital, representado por imóveis, títulos da dívida


pública ou aplicações financeiras em banco oficial, será
inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do
devedor. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 2º O juiz poderá substituir a constituição do capital pela


inclusão do beneficiário da prestação em folha de
pagamento de entidade de direito público ou de empresa de
direito privado de notória capacidade econômica, ou, a
requerimento do devedor, por fiança bancária ou garantia
real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. (Incluído
pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 3º Se sobrevier modificação nas condições econômicas,


poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias,
redução ou aumento da prestação. (Incluído pela Lei nº
11.232, de 2005)

§ 4º Os alimentos podem ser fixados tomando por base o


salário mínimo. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005)

§ 5º Cessada a obrigação de prestar alimentos, o juiz


mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou
cancelar as garantias prestadas. (Incluído pela Lei nº
11.232, de 2005)

Art. 475-R. Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da


sentença, no que couber, as normas que regem o processo
de execução de título extrajudicial. (Incluído pela Lei nº
11.232, de 2005).

5.3- Recursos
No Juizado Cível, os recursos previstos são os embargos de declaração (art. 48 da Lei
9.099/95), recurso inominado (art. 41 da Lei 9.099/95), agravo de instrumento para os
processos da Lei 12.153/2009, recurso extraordinário, mandado de segurança e
pedido de uniformização.

A cobrança de custas para os recursos do Juizado está prevista nos arts. 33 e 34 do


Provimento Conjunto 15/2009:

Art. 33. Havendo recurso inominado perante as Turmas


Recursais, a parte recorrente deverá comprovar,
independente de intimação e no prazo de 48 horas contados
da interposição do recurso, ter recolhido:

I - as custas previstas na Tabela A - Grupo 2 do Anexo I


deste Provimento Conjunto;

II - o valor de preparo do recurso, previsto na Tabela B,


Grupo 1, item 1.1.5 do Anexo I deste Provimento Conjunto;

III - o valor do porte de retorno, previsto na Tabela H do


Anexo I deste Provimento Conjunto;

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IV - as verbas indenizatórias previstas na Tabela D do


Anexo I deste Provimento Conjunto e/ou as despesas de
citações postais;

V - o valor da Taxa Judiciária, previsto no Grupo 2 do Anexo


II deste Provimento Conjunto.

§ 1º Havendo pluralidade de recursos, a parte recorrente


deverá recolher os valores constantes nos incisos II e III do
caput deste artigo, exceto se o primeiro recorrente gozar
dos benefícios da assistência judiciária, caso em que o
segundo arcará com todas as despesas.

§ 2º As verbas indenizatórias ou despesas de citações


postais referidas no inciso IV do caput deste artigo serão
destinadas ao Tribunal de Justiça, a título de reembolso.

§ 3º Os recursos oriundos da comarca de Belo Horizonte e


os dirigidos às Turmas Recursais que tenham sede na
própria comarca não estão sujeitos ao pagamento do porte
de retorno.

Art. 33-A. No ato da interposição do recurso de agravo de


instrumento contra as decisões proferidas nos processos da
Lei nº 12.153, de 22 de dezembro de 2009, dos Juizados
Especiais da Fazenda Pública, será cobrado o valor do item
1.1.4, do Grupo 1, da Tabela B do anexo I deste Provimento
Conjunto. (Art. 33-A acrescentado pelo Provimento Conjunto
nº 28/2013, de 19 de novembro de 2013)

Art. 34. Havendo apelação na ação penal que tramite


perante os Juizados Especiais, a parte recorrente deverá
recolher:

I - as custas previstas na Tabela B - Grupo 2 - Item 1.2.2 do


Anexo I deste Provimento Conjunto;

II - o valor do porte de retorno, previsto na Tabela H do


Anexo I deste Provimento Conjunto, quando houver;

III - as verbas indenizatórias previstas na Tabela D do


Anexo I deste Provimento Conjunto ou as despesas de
citações postais.

§ 1º Na apelação em ação penal privada o preparo deverá


ser prévio.

§ 2º Na apelação em ação penal pública não haverá


preparo quando da interposição do recurso, entretanto, se
houver condenação transitada em julgado, o réu deverá
recolher as custas e despesas finais constantes nos incisos
do caput deste artigo.

§ 3º Havendo pluralidade de apelações, a parte recorrente


deverá recolher os valores constantes nos incisos I e II do
caput deste artigo, exceto se o primeiro recorrente gozar
dos benefícios da assistência judiciária, caso em que o
segundo arcará com todas as despesas.

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5.4- Embargos de Declaração


Recurso utilizado quando a sentença proferida possui alguma obscuridade,
contradição ou omissão de algum fato.

Não incide sobre ele cobrança de custas.

Os embargos de declaração são oferecidos no prazo de 05 (cinco) dias, contados da


ciência da decisão e, uma vez recebidos, suspendem (e não, interrompem) o prazo
recursal, que, após a ciência da decisão dos embargos, volta a fluir pelo prazo
eventualmente restante (arts. 49 e 50 da Lei nº 9.099/95). Assim, se uma pessoa está
no 3º dia do prazo recursal, que são de dez dias, havendo a interposição de embargos
de declaração, esse processo será remetido ao juiz para pronunciar-se acerca do
alegado. Após a intimação das partes acerca da decisão dos embargos, o prazo
recursal retornará ao ponto de onde parou. Restarão sete dias para interposição do
recurso, visto que três já haviam se passado.

5.5- Recurso Inominado


Utilizado para que a sentença monocrática, proferida por um único juiz, seja revista.
Essa revisão é feita por uma Turma Julgadora composta por três magistrados. A
sentença de primeiro grau pode não ser reformada ou ser reformada no todo ou em
parte.

As custas estão disciplinadas no Provimento Conjunto 15/2010.

O prazo de interposição do recurso inominado é de 10 (dez) dias, mesmo prazo para


as contrarrazões, contados da intimação da sentença, e não da juntada aos autos da
intimação (art. 42 da Lei nº 9.099/95).

A apresentação de recurso só pode ser feita através de advogado, mesmo que a


causa seja inferior a 20 salários-mínimos (art. 41, § 2°, da Lei nº 9.099/95).

Juntada a petição com as razões recursais, a parte contrária será intimada para
apresentar as contrarrazões.

Consumada a intimação, a parte poderá, caso queira, apresentar as contrarrazões.

Decorrido esse prazo com ou sem manifestação da parte que foi devidamente
intimada, os autos serão remetidos à Turma Recursal.

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5.6- Recursos na Turma Recursal


Alguns recursos só poderão ser interpostos em processos que já se encontram na
Turma Recursal, são chamados de ações originárias. Essas ações, como o nome
mesmo diz, tem sua origem na Turma Recursal mas discutem alguma decisão
proferida em primeiro grau.

São recursos interposto perante as Turmas Recursais cíveis:

• Agravo de Instrumento
• Recurso Extraordinário
• Pedido de Uniformização
• Mandado de Segurança

5.6.1- Agravo de Instrumento


Cabível apenas nos processos da Lei nº 12.153/2009 do Juizado da Fazenda Pública.
Esse recurso é utilizado para que uma determinada decisão do juiz de primeiro grau
seja revista pela Turma Recursal.

Esse procedimento requer o recolhimento de custas e taxas, conforme previsto no art.


33-A do Provimento Conjunto 15/2010.

5.6.2- Recurso Extraordinário


Tem como objetivo preservar a ordem constitucional. Utilizado contra decisão preferida
pelas Turmas Recursais, pois não se poderia deixar de submeter ao STF -Supremo
Tribunal Federal questões em que houvesse a possibilidade de violação da norma
constitucional.

A guia para interposição desse recurso está disponível no sistema emissão de guias
pela web, no Portal do TJMG.

5.6.3- Pedido de Uniformização


Essa inovação processual veio com a Lei nº 12.153/2009 e pode ser utilizada com o
fim de discutir divergência de julgados entre as Turmas Recursais do Estado.

Apesar da previsão de cobrança de custas, a guia para recolhimento desses valores


não foi disponibilizada na web, pois está em fase de elaboração.

Prevê o art. 13, § 1º, da Lei nº 12.153/2009:

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5.6.4- Mandado de segurança


Previsto na Constituição brasileira, o mandado de segurança é ação que visa
resguardar direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data,
que seja negado, ou mesmo ameaçado, por uma autoridade pública ou no exercício
de atribuição do Poder Público.

Nos Juizados essa ação é sempre interposta perante as Turmas Recursais e não
incide o recolhimento prévio das custas processuais.

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Módulo VI – Custas dos Juizados Especiais

6 - Custas dos Juizados Especiais


Apesar de gratuidade de ingresso no Juizado, há incidência de custas, taxas e
despesas processuais. Nas ações cíveis, isso ocorre quando há interposição de
recurso: contumácia, embargos não providos do devedor e litigância de má-fé,
conforme dispõem os arts. 33 a 34 do Provimento Conjunto 15/2010.

6.1- Custas da Contumácia


A condenação em contumácia é o pagamento das custas, taxas e despesas
processuais pela parte autora.

A condenação pode ocorrer em qualquer fase do processo, conforme o art. 51 da Lei


nº 9.009/95.

O Juizado possui um público de origem humilde, e o pagamento da condenação em


contumácia pode ser isentado conforme pedido e comprovação da hiposuficiência, ou
seja, impossibilidade de arcar com a condenação sem comprometer a renda familiar.

No entanto, há casos em que o magistrado não concede essa isenção; nesses casos,
a parte arcará com as custas, taxas e despesas processuais.

O Provimento Conjunto 15/2010 prevê:

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Atualmente, o sistema de emissão de guias na web não permite o parcelamento ou


mesmo percentual ou divisão do valor das custas. Nesses casos, o pagamento é feito
normalmente e, havendo a necessidade de devolução, o valor a ser devolvido segue
os procedimentos da GEREC - Gerência de Receitas do TJMG.

A restituição de custas judiciais, despesas processuais e preços públicos arrecadados


por meio de Guia de Recolhimento de Custas e Taxas Judiciárias (GRCTJ) pode ser
requisitada nas seguintes hipóteses:

- por motivo superveniente, o ato cuja prática motivou o recolhimento não tenha sido
aperfeiçoado;

- por tratar-se de recolhimento em duplicidade, indevido ou em excesso.

Os procedimentos para restituição dos valores são disciplinados pela Portaria


Conjunta 269/2012, modificada pela Portaria Conjunta 301/2013.

O requerimento deve ser feito em formulário, cód. 10.10.500-0, instruído com os


documentos relacionados pela portaria e apresentado no serviço de protocolo
administrativo do TJMG.

No interior, o protocolo é feito na administração do foro, que encaminha para o TJMG,


em Belo Horizonte.

6.2- Custas dos Embargos não Providos do Devedor


Nas ações de execução de título extrajudicial ou na fase de cumprimento da sentença,
o devedor pode interpor embargos. Os embargos, conforme o art. 52, inciso IX, da Lei
nº 9.099/95, só poderão versar sobre:

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Conforme estabelece o art. 475-M, caput, do Código de Processo Civil, os embargos


não terão, em regra, efeito suspensivo, aplicando-se a norma de forma subsidiária aos
Juizados Especiais.

Julgados os embargos interpostos pelo devedor, saindo este vencido, incidirá a


condenação ao pagamento das custas, taxas e despesas processuais.

O servidor deve atentar para que não haja pagamento em duplicidade. Isso porque, se
as despesas processuais já foram pagas em razão de um recurso inominado,
interposto por esta parte, serão cobradas apenas as despesas com as diligências da
execução/cumprimento de sentença.

Parágrafo único do art. 32:

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6.3- Custas da Litigância de Má-fé


O Judiciário não pode ser utilizado para simulação de fato, alteração da veracidade ou
com intuito de obter vantagem ilícita em face de outrem. Nesses casos, o magistrado
pode condenar o litigante ao pagamento das custas, taxas e despesas processuais.

A Lei nº 9.099/95 não prevê pagamento de custas em primeiro grau, mas esse é um
caso de exceção.

A guia pode ser emitida no sistema de guias do Portal do TJMG, mas a Secretaria
deverá efetuar a gravação dos dados no SISCOM Windows na opção de gravação de
dados e no Sistema CNJ - PROJUDI, no ícone de condenação em custas, localizado
na tela do processo.

6.4- Custas de Recursos


O recurso inominado, o agravo de instrumento do Juizado da Fazenda Pública e o
recurso extraordinário são passíveis de pagamento de custas, conforme disposto no
Provimento Conjunto 15/2010.

Atualmente, o sistema de guias na web do Portal do TJMG faz o cálculo de forma


automática dos valores dessas guias.

No entanto, havendo eventual diferença e para não trazer prejuízo às partes, a


orientação da Corregedoria é que tal diferença seja cobrada nas custas finais ou que
seja dado prazo para parte complementar a guia.

Diz o Provimento Conjunto 15/2010:

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6.5- Custas Finais


Ocorrerão custas finais quando o processo que retornou da Turma Recursal, com
condenação ao pagamento de custas, entra na fase de cumprimento de sentença.

Nesse caso, todos os valores referentes às despesas processuais serão cobrados.

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Assim, as despesas postais, precatórias, consulta aos sistemas conveniados e


mandados serão cobradas, conforme tabela de custas que está disponível no Portal
do TJMG, na opção Processos>> tabela de custas.

O não pagamento resultará na inscrição do débito na dívida ativa do Estado, através


da expedição de CNPD - Certidão de Não Pagamento das Despesas Processuais.

Para os processos físicos, quando ocorre a condenação ao pagamento das custas, é


necessário fazer a gravação desses valores no SISCOM Windows, a fim de que a guia
seja disponibilizada na internet para emissão pelo sistema de emissão de guia pela
web.

Já no processo eletrônico, essa gravação ocorrerá apenas para a guia de custas


finais.

6.6- Custas de Desarquivamento


Conforme Provimento-Conjunto 41/2014, que incluiu no artigo 35 do Provimento-
Conjunto 15/2010, haverá a cobrança para o desarquivamento de processos no
Juizado que estão arquivados definitivamente. Esta definição exclui os arquivamentos
provisórios, normalmente utilizados para os casos em que há acordos parcelados.

No entanto, até a presente data a guia de desarquivamento do Juizado não foi


confeccionada pelo setor de Informática, inviabilizando a cobrança por enquanto.

Ressalta-se ainda, que no Juizado não existe a presunção de assistência judiciária e


caso a parte não faça o pagamento do desarquivamento deverá solicitar o benefício.
Este pedido tem que ser encaminhado ao magistrado que deferirá ou não a
gratuidade.

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Módulo VII – Aplicação Prática dos Princípios dos Juizados


Os Juizados Especiais Cíveis são disciplinados pelas Leis 9.099/95 e 12.153/2009, e
também são orientados pelo Fórum Nacional (FONAJE), além do Código Cívil, Código
de Processo Civil e Constituição Federal.

7.1- Os princípios do Juizado


Oralidade - somente os atos essenciais são redigidos a termo nos autos, e a parte
tem direito a compreender e ser compreendida.

Simplicidade - prática de atos sem a complexidade exigida no procedimento


ordinário.

Informalidade - atos processuais sem os rigores legais, bastando que a finalidade


seja atingida.

Economia processual - redução ao máximo das atividades judiciais para a obtenção


de um resultado mais efetivo.

Celeridade - utilização de meios para efetivação da prestação jurisdicional,


respeitados os demais princípios que regem o processo civil.

O cumprimento das determinações judiciais e a rotina das atividades da Secretaria do


Juizado também se pautam nos princípios norteadores do Juizado.

Dessa forma, a Secretaria terá maior agilidade e fluidez no cumprimento das


atividades diárias.

Como aplicar os princípios norteadores do Juizado no


cumprimento das tarefas da Secretaria?

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Alguns procedimentos da Justiça tradicional são importados para o Juizado e junto


com eles uma formalidade que pode se tornar entrave para os Juizados. Por isso,
cuidado com esses procedimentos.

7.2- Intimação e Ofício


Em alguns casos, a intimação é um procedimento que pode ser feito de ofício pela
Secretaria.

Porém, deve ser feita de acordo com o entendimento do magistrado. A Secretaria


deve evitar intimações desnecessárias e reiterações diversas.

Nos Juizados, é valida a comunicação feita por telefone. Esse procedimento, se for
uma ligação para telefone fixo local, sai mais barato que o envio postal, mas é
necessária a certificação nos autos.

7.3- Emissão de Guias na Internet


O Portal do TJMG disponibiliza sistemas para emissão de guias para Depósito Judicial
- DEPOX e guia para pagamento de custas - GRCTJ.

A Secretaria e demais setores do Juizado devem divulgar e incentivar que as partes e


advogados utilizem esses recursos.

Uma boa alternativa é possuir pequenos informes com os endereços e procedimentos


para utilização desses sistemas.

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7.4- Alvará Permanente


O alvará permanente permite, em um processo que tenha, por exemplo, um acordo a
ser pago em várias parcelas, a expedição de um único alvará.

Para isso, o Banco do Brasil precisará saber que o procedimento será adotado.

Quando da expedição do alvará, no modelo do SISCOM Windows, constar no campo


da observação que o alvará tem o valor total de tantos reais, a ser pago em tantas
parcelas no valor de R$, com as correções monetárias, conforme determinação
judicial, se for o caso.

7.5- Dados Atualizados das Partes


Nas ações dos Juizados, nem sempre, no momento da atermação ou distribuição da
ação, os dados das partes estão completos.

O simples fato de o endereço estar atualizado pode alterar o desfecho do processo.


Por isso, será importante estabelecer algumas regras para manter esses dados
atualizados e ficar atento para oportunidade de atualizá-los.

Pelos dados de CPF ou CNPJ é possível verificar na Receita Federal e fazer a


unificação nos bancos de dados dos sistemas de processos físicos ou eletrônicos e,
na fase de execução, fazer a penhora on-line via BACENJUD, por exemplo.

Práticas como essas agilizarão o trâmite processual.

A conciliação é o primeiro momento para conferir e atualizar os dados da parte ré.

Essa é uma rotina que tem que ser implantada no setor de conciliação.

Outro momento é no atendimento às partes no balcão da Secretaria. Logo após o


servidor ou estagiário dar o bom dia ou boa tarde, ele deve pedir a identidade da parte
e conferir se os seus dados estão completos e atualizados.

Deve perguntar se o endereço é o “constante às folhas tais, se o telefone é o número


tal”.

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Essa simples rotina poderá poupar intimações frustradas e atos de consultas à


INFOSEG, ofícios ao TRE - Tribunal Regional Eleitoral ou a outras instituições.

É interessante constar na contracapa do processo uma informação nesse sentido, tal


como: Dados das partes atualizados até folhas tais.

7.6- Consulta Processual no Portal do TJMG

Embora muitas vezes o Juizado atenda um público mais simples, o acesso às


informações digitais é cada vez mais abrangente.

A consulta processual para acompanhamento das movimentações e mesmo das


decisões pelo Portal do TJMG tem que ser incentivado e divulgado às partes. Pode ser
que aquela parte mais simples não saiba ou não tenha acesso à internet, mas o filho
mais novo ou neto talvez já utilize a internet.

Assim, ter um pequeno informativo ensinando, passo a passo, como acessar a


consulta processual no site do TJMG, para ser entregue à parte e dizer que ela pode
saber do andamento de seu processo sem precisar ir ao Juizado ou mesmo sem sair
de casa, pode diminuir o atendimento de balcão na Secretaria.

Experimente: Siga essa sugestão e incentive as pessoas a acompanharem o processo


pela internet. Diga que as decisões importantes e sentenças estarão lá integralmente.
Afinal, essa ferramenta foi implantada no RUPE para isso.

7.7- Uniformidade do Banco de Dados


O banco de dados do sistema é único, tanto para a justiça tradicional como para a
justiça especial.

Manter o banco de dados coeso é algo que todo servidor precisa ficar atento.

O fato de uma mesma pessoa possuir mais de um tipo de cadastro no SISCOM ou no


Sistema CNJ, ex-PROJUDI, pode ocasionar uma emissão de certidão incorreta ou
mesmo a aplicação de um benefício a alguém que não faz jus a ele.

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Tanto no momento da distribuição do processo como em sua tramitação, ao identificar


que a parte está com erro de cadastro, é necessário encaminhar esse processo para o
setor de distribuição para correção dos dados e unificação de pessoas, se for o caso.

No site da Receita Federal, é possível consultar CPF e CNPJ. Esse procedimento


evitará que o banco de dados fique com várias “Pessoas” cadastradas para o mesmo
CPF e CNPJ.

No site www.receita.fazenda.gov.br , vá na opção Certidão Conjunta de Débitos


Relativos a Tributos Federais e à Dívida e simule a expedição desta certidão para
confirmar o nome correto de um CPF ou CNJ.

7.8- Malote Digital


O malote digital é um sistema desenvolvido com a finalidade de possibilitar a
comunicação administrativa, por meio eletrônico, entre os diversos setores do Tribunal
de Justiça de Minas Gerais, as Secretarias, gabinetes e administração das comarcas.

O cadastro dos Juizados é feito pelo Conselho de Supervisão e Gestão dos Juizados,
através da DIJESP, telefone (31) 3237-6177.

Utilizar esse meio de comunicação traz agilidade na tramitação dos documentos


administrativos.

Acesse a rede na opção do menu Ferramentas, malote digital do CNJ e tenha mais
informações sobre esse sistema.

7.9- Consulta de Saldo de Depósito Judicial


O Banco do Brasil permite que escrivães, devidamente autorizados pelo magistrado,
tenham acesso à consulta de saldo de depósitos judiciais.

Essa consulta é feita no próprio site do Banco do Brasil, na aba “governo”, opção
“Justiça Estadual, depósito judicial”.

O cadastro para obter o usuário e a senha de acesso ao sistema pode ser feito através
do e-mail: age1615@bb.com.br.

Esse procedimento evitará o envio de ofícios para o Banco do Brasil informar saldo ou
existência de valores depositados em um determinado processo.

7.10- Manifestação Quando da Entrega do Alvará


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Embora pareça um ato simples, solicitar a manifestação da parte quanto à quitação do


débito, ou que esta fique intimada para manifestar acerca da quitação do débito, no
prazo de cinco dias, sob pena de arquivamento, no momento da retirada do alvará,
poderá economizar vários outros atos de intimação posterior.

7.11- Avaliação das Engrenagens de Trabalho

Por melhor que seja a metodologia e


dinâmica de trabalho adotada em uma
Secretaria, sempre será necessária a
avaliação das engrenagens desse
mecanismo de atuação.

Encontrar caminhos e soluções para


racionalizar e tornar mais eficiente o
cumprimento das demandas judiciais,
visando à melhoria da prestação
jurisdicional, é assunto que deve estar em
pauta na reunião periódica entre
servidores, escrivães e magistrados.

O estabelecimento de metas, rodízio das


atividades, definição de equipes são
exemplos de integração da equipe.

O servidor não pode deixar que a iniciativa parta apenas do gestor. A participação com
ideias e opiniões faz parte do dinamismo de uma Secretaria de Juizado.

Devido à crescente demanda processual, além de uma sociedade cada vez mais
exigente, melhorar o nosso método de trabalho é um desafio que temos diariamente.
No entanto, a resposta só pode ser encontrada conjuntamente, com a minha e a sua,
a nossa participação.

Faça parte dessa engrenagem e conte como você conseguiu racionalizar alguma
demanda em sua Secretaria.

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Fluxograma do Procedimento Cível no Juizado

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PARTE II - JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL

Apresentação
Este curso destina-se ao aperfeiçoamento das
atividades e rotinas de secretaria,
demonstrando o fluxo dos processos que
tramitam no Juizado Especial Criminal, bem
como à apresentação dos novos sistemas
informatizados a serem usados para o
cumprimento dos atos de secretaria.

Neste curso, serão apresentados, ainda, os


atos que devem ser cumpridos pelos escrivães
e servidores, sem a necessidade de ordem
judicial, os chamados atos ordinatórios.

Este curso não tem a pretensão de esgotar


todas as dúvidas dos servidores quanto ao uso
do SISCOM ou qualquer outro sistema informatizado disponibilizado pelo Tribunal de
Justiça do Estado de Minas Gerais, haja vista que a REDE TJMG oferece manuais e
normatização quanto ao uso adequado do sistema. Entretanto, busca demonstrar os
momentos em que os sistemas devem ser usados e explicita os procedimentos que
devem ser adotados.

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Módulo I - Sobre os Juizados Especiais Criminais


Os Juizados Especiais Criminais, instituídos pelo art. 98 da Constituição Federal de
1988, regulamentados e criados pela Lei nº 9.099/95, são responsáveis pela
conciliação, pelo processo e pelo julgamento de todas as contravenções penais
(Decreto-Lei nº 3.688/41) e dos crimes de menor potencial ofensivo, definidos pela Lei
dos Juizados Especiais como os crimes cuja pena máxima seja não superior a 2 (dois)
anos de prisão, com ou sem multa.

Tramitam, perante os juizados especiais, os crimes de ação penal pública


condicionada à representação, os crimes de ação penal pública incondicionada, os
crimes de ação penal privada e as contravenções penais.

Exemplos: briga e discussão entre vizinhos com lesão corporal leve; perturbação
do sossego; música muito alta, especialmente após as 22 horas, incomodando os
vizinhos; maus tratos a animais; crimes de trânsito; uso de drogas ilícitas;
ameaça; desobediência a autoridade formal; desacato a autoridade; dano ao
patrimônio particular ou público, conduzir veículo sem habilitação, jogos de azar,
apreensão de animais silvestres, são alguns dos exemplos de situações que são
julgados no Juizado Especial Criminal.

As maneiras de ingresso dos procedimentos criminais nos Juizados Especiais são:

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através da delegacia, que, tendo notícia de algum fato delituoso que seja da
competência do Juizado, lavrará o termo circunstanciado de ocorrência e encaminhará
ao Juizado;

• pelo Ministério Público;


• pela Defensoria Pública;
• por advogado.

No sistema de Juizados Especiais, a tramitação processual é simplificada e orientada


pelos princípios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e
celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação com o intuito
da pacificação social.

No juizado especial teremos como autores fundamentais para o exercício da prestação


jurisdicional o juiz de direito, o promotor de justiça, o defensor público e o advogado.
Além dos escrivães, servidores, estagiários e conciliadores que auxiliam os trabalhos
jurisdicionais.

Os casos de maior complexidade ou situações em que não se localiza o réu para


citação serão encaminhados à Justiça Comum tradicional para a tramitação no rito
correspondente, como dita o § 2º do art. 77 e p. único do art. 66 da Lei nº 9.099/95,
respectivamente. Ainda que seja afastada a complexidade ou passe a ser conhecida a
localização do réu, o processo não volta a tramitar no Juizado Especial Criminal.

O autor do fato, parte que ocupa a figura de indiciado ou réu, preenchendo os


requisitos legais, poderá ter como benefício a transação penal, oferecida pelo
Ministério Público, que consiste em realizar serviço comunitário, ou prestação
pecuniária, ou frequentar grupos de ajuda mútua. Tal benefício não implica confissão
dos fatos, tampouco gera maus antecedentes. Trata-se de um benefício que a lei
confere ao possível autor do fato delituoso para que não siga a ação penal, que
poderia desaguar em uma condenação. Com a aceitação, o transator, ou seja, autor
do fato que aceitou a transação penal oferecida pelo promotor de justiça, não terá
direito a esse benefício pelo período de 5 (cinco) anos, contados da homologação da
transação penal.

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Esta foi uma breve ideia da sistemática dos Juizados Especiais Criminais e objetiva,
através dos próximos módulos, focalizar as atividades desenvolvidas na secretaria de
juízo para a realização dos atos de ofício a serem realizados nos processos.

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Módulo II - Entrada do Procedimento Criminal no Juizado


Especial Criminal

Ocorrido um fato que constitua uma infração penal e levado ao conhecimento da


autoridade policial, seja pelo flagrante da polícia ou a vítima se dirigindo à delegacia
ou acionando a Polícia Militar, todos os envolvidos serão conduzidos à Delegacia de
Polícia Civil, chamada Polícia Judiciária, onde será lavrado o termo circunstanciado de
ocorrência (TCO). Não sendo possível a realização de audiência imediata, ou seja,
encaminhamento imediato dos envolvidos para a Justiça, para a realização de
audiência preliminar, havendo o interesse da vítima em representar (prosseguir com o
feito), o delegado de polícia irá agendar data e horário, de acordo com a pauta de
audiência preliminar do juizado, para o comparecimento dos envolvidos,
compromissando-os, mediante termo assinado, do seu comparecimento em juízo.

Realizados todos os procedimentos ordinários na delegacia (assinatura de termos de


compromisso, termos de representação, termos de desinteresse, emissão de folha de
antecedentes criminais (FAC), apreensão de eventuais valores ou objetos
relacionados ao fato, colheita de depoimentos, transcrição do relatório contendo a
narração dos fatos, etc.), o TCO será encaminhado ao Juizado Especial Criminal.

CHEGOU O TCO DA DELEGACIA. O QUE FAZER?

No Juizado Especial Criminal, seja na secretaria ou no setor de distribuição, o escrivão


ou servidor responsável irá conferir todos os dados preenchidos no livro da delegacia
com os dados do TCO (nomes, datas, objetos e valores apreendidos).

Em seguida, pegará uma capa de processo e colará uma etiqueta de distribuição


processual (número do processo) na capa processual, outra na primeira página do
TCO e outra no livro de carga da polícia, apondo sua assinatura de recebimento com
número da matrícula e nome legíveis.

Superada a fase de recebimento do TCO, este será distribuído pelo sistema


informatizado SISCOM, e o processo terá a seguinte destinação:

a) Se houver audiência preliminar designada com as partes compromissadas


na delegacia, o procedimento criminal será movimentado com a designação da
data e o horário agendados, bem como o CS (Controle de Secretaria)

50
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correspondente e irá para o escaninho para aguardar a realização da


audiência.

b) Se não houve designação de audiência preliminar na delegacia, o processo


irá com carga ao Ministério Público.

c) Se for procedimento investigatório do Ministério Público, o processo irá


concluso para o juiz da distribuição, se houver mais de um juiz na unidade
jurisdicional.

d) Se for ação penal privada distribuída por advogado ou defensor público, o


processo também irá concluso ao juiz da distribuição.

OBSERVAÇÃO Nº 1 – OBJETOS E VALORES APREENDIDOS

Quando houver materiais ou valores apreendidos, observar o que dispõem o


PROVIMENTO CONJUNTO Nº 24/CGJ/2012 e a PORTARIA CONJUNTA Nº
318/2013.

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O Sistema Nacional de Bens Apreendidos encontra-se no sítio do TJMG. Após


acessar a rede, seguir o caminho: “Página Inicial >> Institucional >> Estrutura
Organizacional >> Corregedoria >> Sistemas do CNJ Gerenciados pelo CGJ” ou pelo
link https://www.cnj.jus.br/corporativo/

OBSERVAÇÃO Nº 2 – PROVIMENTO Nº 269/CGJ/2014

A partir da vigência do Provimento nº 269/CGJ/2014, os inquéritos policiais vão


tramitar diretamente entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público.

A medida já foi adotada em vários Estados e visa desburocratizar a tramitação do


inquérito policial e, consequentemente, agilizar a conclusão das investigações
criminais.

O Provimento nº 269/CGJ/2014 foi disponibilizado na edição do DJe de 27/06/2014 e


entra em vigor no prazo de 120 dias.

Casos em que é necessário encaminhar ao Judiciário:

Observadas as hipóteses de sua competência, os autos de inquérito policial e Termo


Circunstanciado de Ocorrência (TCO) serão distribuídos e remetidos à autoridade
judiciária competente, sempre que houver:

• comunicação de prisão em flagrante, com os devidos autos ou qualquer outra


forma de constrição dos direitos fundamentais prevista no texto constitucional;
• representação ou requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público
Estadual para a decretação de prisões de natureza cautelar;
• requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público Estadual de
medidas constritivas ou de natureza acautelatória;
• oferta de denúncia pelo Ministério Público Estadual ou apresentação de
queixa-crime pelo ofendido ou seu representante legal;
• promoção de arquivamento formulado pelo Ministério Público Estadual;

52
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• requerimento de extinção de punibilidade com fundamento em quaisquer das


hipóteses previstas no art. 107 do Código Penal ou na legislação penal
extravagante;
• alegação de incompetência;
• pedidos de restituição ou promoção de destinação ou destruição de bens
dirigidos ao juiz;
• sequestro de bens imóveis e especialização de hipoteca;
• avaliação de insanidade mental do indiciado;
• exumação para exame cadavérico;
• realização de perícias judiciais e devolução de fiança;
• para realização de audiência preliminar, nos termos dos arts. 74 e 76 da Lei nº
9.099, de 26 de setembro de 1995;
• requerimentos solicitados pela defesa dirigidos ao magistrado;
• e, nos demais casos, por determinação judicial.

Encaminhamento para cadastro:

Não se enquadrando nas hipóteses acima, os autos do inquérito policial e TCO serão
encaminhados ao Poder Judiciário Estadual de Primeiro Grau competente, para
realização dos cadastros respectivos e distribuição.

Em seguida, os autos do inquérito serão encaminhados às respectivas secretarias


para registro das armas e outros objetos vinculados ao respectivo inquérito, além das
demais cautelas de praxe.

Após isso, será realizada a movimentação no SISCOM – "Inquérito com Tramitação


Direta no MP" e, em seguida, os autos serão remetidos ao Ministério Público Estadual,
independentemente de decisão judicial.

Na hipótese de pedidos de dilação de prazo para conclusão das investigações, os


autos serão encaminhados pela Polícia Civil diretamente ao Ministério Público, sem
retornar à secretaria do juízo.

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Módulo III – Audiência Preliminar

ANTES:

Expedir CAC e FAC, juntar documentos


no processo, movimentar no SISCOM
“CS” correspondente.

DURANTE:

Auxiliar o juiz e promotor de justiça na


condução dos trabalhos de audiência;
apregoar as partes; conferir dados de
qualificação das partes (recolher
documentos de identificação CPF/RG e
atualizar endereço), redigir o termo de
audiência e colher assinaturas, emitir
eventuais certidões e confeccionar
ofícios de encaminhamentos.

DEPOIS:

Movimentar no SISCOM a realização da audiência, incluir dados de transação penal,


advogados, alteração de endereços, inclusão e/ou exclusão de parte; anotar dados
para fomentar relatório de estatística.

As audiências preliminares poderão ser conduzidas por conciliadores ou estagiários de


direito, psicologia ou assistência social, sob a coordenação e orientação do
magistrado.

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É muito importante destacar que o conciliador deve sempre se lembrar de que não é
um juiz, de que não tem nenhum poder coercitivo e principalmente de que sua função
é a de pacificar as pessoas em conflito. Assim, não deve forçar o acordo, nem
submeter as pessoas a qualquer tipo de constrangimento; ao contrário, deve procurar
sempre valorizar e demonstrar o potencial e a dignidade que elas têm.

Durante a realização da audiência preliminar, vários situações podem ser


vislumbradas: transação penal, composição civil de danos, retorno do processo à
secretaria para o cumprimento de alguma diligência, retorno dos autos à delegacia
para apuração de algum fato, remessa dos autos ao MP para melhor análise, remessa
dos autos a órgão ou juízo competente, dentre outras. E todas essas situações devem
constar do termo de audiência que será assinado pelas partes presentes, juiz,
promotor de justiça e defensor.

Ao final do expediente de audiências, o escrivão ou o responsável designado deverá


confeccionar relatório padrão para envio mensal ao Conselho de Supervisão e Gestão
dos Juizados Especiais.

a) Composição civil de danos

Uma das situações que pode ocorrer como desfecho da audiência é a chamada
composição civil de danos, prevista no art. 74 da Lei nº 9.099/95, e consiste na
reparação de danos causados à vítima a título de ressarcimento.

Esse acordo, que será homologado pelo juiz, terá natureza de título executivo e será,
em caso de descumprimento, executado no Juizado Especial Cível.

Por exemplo: vizinhos começam a discutir, momento em que os ânimos acaloram-se,


e um dos vizinhos lança uma pedra em direção ao outro, atingindo uma vidraça, um
portão ou um veículo, causando prejuízo material. Em audiência preliminar, a vítima
desiste da representação desde que o autor do fato pague os prejuízos causados ou
repare os estragos. Tal acordo será reduzido a termo, informando as condições e
estabelecendo valor em espécie, mesmo que seja obrigação de fazer, a fim de futura
execução. O acordo será homologado pelo magistrado, e, caso não seja cumprido, a
vitima levará cópia do termo de audiência, devidamente conferido com o original, ao
Juizado Especial Cível, para fins de execução do título executivo judicial.

As condições do acordo celebrado não serão lançadas no sistema SISCOM.

Nesse caso, o processo será baixado com emissão de CDJ - Certidão de Decisão
Judicial - e encaminhado ao arquivo.

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b) Transação penal

Outro desfecho que poderá ocorrer, durante a audiência, é a transação penal:


benefício concedido ao autor do fato que preencher os requisitos elencados no art. 76
da Lei nº 9.099/95 e oferecido pelo promotor de justiça, consistente em pena restritiva
de direitos ou multa.

O aceite da transação penal não configura confissão e não gera antecedentes


criminais. Após o seu cumprimento integral, será extinta a punibilidade do transator, e
o processo será baixado com emissão de CDJ.

O servidor deverá incluir no SISCOM, no campo de dados das partes, a modalidade


de transação penal e suas condições.

As prestações pecuniárias serão sempre realizadas mediante depósito judicial, com


emissão da guia através do sistema DEPOX, disponibilizado no sítio do Tribunal de
Justiça do Estado de Minas Gerais: http://www.tjmg.jus.br/portal/processos/deposito-
judicial/, nos termos da Portaria Conjunta nº 318/2013.

Para as penas de prestação de serviços e/ou frequência a grupos de ajuda ou


palestras, o transator sairá da audiência com cópia do termo de audiência e ofício de
encaminhamento para o cumprimento da medida.

Em todas as situações, o transator deverá, após o cumprimento da medida, protocolar


o comprovante, que será juntado ao processo, e este movimentado no SISCOM e
encaminhado, mediante carga, ao Ministério Público.

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Módulo IV – Suspensão Condicional do Processo

Ao autor do fato, não aceitando a proposta de transação penal ou não tendo direito ao
benefício, o promotor de justiça oferecerá denúncia e, verificando as condições legais
favoráveis, proporá ao denunciado a suspensão condicional do processo, nos termos
do art. 89 da Lei dos Juizados Especiais.

Seu aceite provoca a suspensão do processo por período de 2 (dois) a 4 (quatro) anos
e condiciona o réu ao cumprimento de medidas determinadas na lei e, ainda, às que o
juiz julgar pertinentes.

Nessas circunstâncias, o servidor do Juizado Especial Criminal preencherá a carteira


de SUSPRO (Suspensão Condicional do Processo, nos termos do artigo 89 da Lei
9.099/95.), na qual constarão dados do processo e de identificação do réu, bem como
as condições a serem cumpridas. O servidor, ao entregar a carteira de SUSPRO ao
réu, informará sobre as condições a serem cumpridas e sobre o seu dever de
comparecer em juízo pela periodicidade estabelecida pelo juiz, sempre munido da
carteira e de documento de identidade.

No SISCOM, será movimentada a realização da audiência; recebida a denúncia, se


ainda não fora; na tela de dados das partes, será lançada a suspensão condicional do
processo e demais condições, se houver.

No SISCOM Windows, será expedida a folha de frequência do réu e colocada na pasta


correspondente em ordem alfabética para controle de comparecimento.

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Módulo V – Audiência de Instrução e Julgamento

A audiência de instrução e julgamento será realizada quando o autor do fato não


aceitar ou não tiver direito aos benefícios da lei. Diante disso, o Ministério Público
oferecerá denúncia, e será designada audiência de instrução e julgamento, momento
em que ocorrerá a oitiva das testemunhas e vítimas, o interrogatório dos réus, a
análise das demais provas e a prolação da sentença.

Essa audiência será realizada perante o juiz de direito e promotor de justiça. O réu, se
não estiver constituído por advogado particular, será defendido por defensor público
ou defensor nomeado.

Antes da realização da audiência, é necessário o cumprimento das diligências


determinadas para o comparecimento dos envolvidos:

• Policiais militares são requisitados, mediante ofício, ao


comandante no Batalhão da PMMG da comarca.

• Policiais civis são requisitados, mediante ofício, ao delegado da


delegacia de polícia civil da comarca e intimados por mandado.

• As autoridades, como juízes, prefeitos e vereadores, serão inquiridas em local,


dia e hora previamente ajustados entre a autoridade e o juiz presidente do
processo, mediante ofício, de acordo com o art. 221 do CPP.

• As partes serão intimadas e citadas por mandado a ser cumprido por oficial de
justiça ou pelo escrivão em cartório, ato que supre a expedição do mandado.

• A citação deve ser acompanhada da cópia da denúncia.

• Sempre que possível, fazer uso do malote digital ou de e-mails institucionais


ou meio eletrônico válido e eficaz para o cumprimento das
diligências, garantindo maior economia e celeridade.

• No máximo 5 (cinco) dias antes da audiência, expedir CAC e FAC e juntar ao


processo, bem como verificar se não existem, na secretaria, documentos a
serem juntados.

O escrevente, que auxiliará nos trabalhos da audiência, apregoará as partes, quando


ordenado pelo magistrado, recolherá e conferirá os documentos e qualificação das

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partes, bem como atualizará endereços, redigirá os termos de audiência, depoimentos,


interrogatórios e colherá as assinaturas.

O escrevente, ainda, fornecerá certidões de comparecimento, quando solicitado.

Terminada a audiência, o processo será movimentado no sistema SISCOM,


informando-se sua realização, cadastrando-se advogados e atualizando-se endereços
(informar novo endereço e advogados na capa dos autos).

Se houver sentença proferida em audiência, esta será movimentada no SISCOM e


serão informados os dados de sentença no campo de dados das partes.

Tanto o termo de audiência quanto a sentença proferida serão publicados através do


sistema de Publicação de Sentenças e Despachos na internet (Webdocs). Desse
modo, todas as peças disponibilizadas passam a ser vinculadas à movimentação
correspondente e visualizadas na internet no portal eletrônico do Tribunal de Justiça
do Estado de Minas Gerais, sem prejuízo da publicação via Diário do Judiciário
eletrônico, conforme Portaria Conjunta nº 312/2013.

Todos os documentos juntados ao processo, termos e sentença serão numerados,


seguindo a sequência da última folha numerada.

Não haverá registro de sentença em livros, tampouco livro de rol de culpados, de


acordo com o parágrafo único do art. 307 do Provimento nº 161/CGJ/2006.

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Módulo VI – Sentença

Sentenças, decisões e despachos passam a ser disponibilizados para visualização do


público externo através do portal do Tribunal de Justiça, de acordo com a Portaria
Conjunta nº 312/2013. Frisa-se que é obrigatória a inserção no Sistema RUPE de
sentenças de mérito e decisões interlocutórias e facultativa, quanto aos despachos,
nos termos do artigo 3º da portaria supramencionada.

Dessa forma, garante-se a publicidade dos atos judiciais e, ainda, diminui-se o número
de atendimentos ao balcão para ciência de despachos, sentenças, decisões e cópias
de termos de audiência.

O procedimento de publicação de documentos na web não substitui a intimação por


mandado ou publicação para os advogados pelo Diário do Judiciário eletrônico.

Devolvidos os processos da conclusão, os processos serão movimentados através do


sistema SISCOM, de acordo com a ordem proferida.

Caso se trate de sentença, decisão de suspensão condicional do processo ou outra


decisão que necessite da alteração de dados das partes, alteração de endereço,
inclusão ou exclusão de dados de sentença, inclusão, exclusão ou alteração nos
dados de suspensão, extinção da punibilidade, todos esses procedimentos devem ser
realizados no momento em que se movimenta o processo através do sistema
SISCOM, menu Partes > Alteração.

Publicar, no Diário do Judiciário eletrônico, as sentenças, as decisões e os despachos


que necessitem de intimação. Certificar, nos autos, a publicação, informando a data do
envio e a data da publicação. Quando da publicação, transcrever o teor do despacho
ou da decisão e o dispositivo da sentença. Não se faz necessário aguardar em
escaninho específico apenas para conferir publicação. Não se confere a publicação.
Deve-se, contudo, quando da movimentação, conferir, atentamente, se os advogados
estão cadastrados e se não existem substabelecimentos mais recentes, sempre
anotando na capa dos autos.

O réu deve ser intimado por mandado, e o Ministério Público e a Defensoria Pública
devem ser intimados pessoalmente, mediante carga. O advogado dativo deve ser
intimado pessoalmente.

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Identificar a localização interna dos processos através do “Controle de Secretaria”,


ferramenta disponível no SISCOM.

Numerar todas as folhas dos autos do processo, com caneta de tinta azul ou preta.

Digitalizar os atos judiciais, e, no portal do Tribunal, link


http://www.tjmg.jus.br/redetjmg/ferramentas/publicacao-de-sentencas-na-
internet/publicacao-de-sentencas-na-internet.htm, deve-se publicá-los na
movimentação correspondente, a fim de que possam ser visualizados os documentos
pela internet.

Máxima atenção ao colocar os processos nos escaninhos corretos.

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Módulo VII – Recursos

Em sede de Juizado Especial, são cabíveis os recursos “apelação” e “embargos de


declaração”.

Os embargos de declaração serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, contados da


ciência da decisão, quando a parte verificar, na sentença, alguma obscuridade,
contradição, omissão ou dúvida.

Os embargos de declaração suspendem o prazo recursal, ou seja, a partir da ciência


da decisão dos embargos, conta-se apenas o prazo restante quando da oposição do
mesmo.

Exemplo: Se os embargos de declaração em face da sentença foram opostos no 3º


(terceiro) dia da contagem de 10 (dez) dias para se recorrer, esse prazo é suspenso.
Proferida a decisão sobre os embargos, as partes terão os 7 (sete) dias restantes para
recorrerem da sentença.

O recurso de apelação será interposto, no prazo de 10 (dez) dias, contados da ciência


da sentença, através de advogado, Defensoria Pública ou pelo Ministério Público, não
havendo prazo diferenciado.

Tratando-se de ação penal privada, não estando a parte sob o pálio da justiça gratuita,
deverá apresentar preparo prévio, de acordo com o que determina o art. 34, § 1º, do
Provimento-Conjunto nº 15/CGJ/2010.

Com a interposição da apelação, a parte contrária será intimada para responder por
meio de contrarrazões recursais, pelo prazo de 10 (dez) dias.

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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Protocolizados os embargos de declaração, o


servidor providenciará a sua juntada no
processo correspondente, certificando nos
autos e movimentando no SISCOM a juntada
do documento. Em seguida, fará conclusão
do processo para o juiz que proferiu a
sentença, informando, no SISCOM, mediante
carga.

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Devolvidos os autos da conclusão com a decisão dos embargos de declaração, o


processo será movimentado, com o lançamento da movimentação devida, a
publicação no Diário do Judiciário eletrônico (conferindo, antes, o devido cadastro dos
advogados) e o lançamento do prazo restante para completar os 10 (dez) dias para se
recorrer.

Em seguida, o documento da decisão deverá ser publicado na web, através do link


http://www.tjmg.jus.br/redetjmg/ferramentas/publicacao-de-sentencas-na-
internet/publicacao-de-sentencas-na-internet.htm, na movimentação correspondente.

RECURSO DE APELAÇÃO

Protocolado o recurso de apelação, providenciar sua juntada ao processo


correspondente, certificando nos autos e movimentando no SISCOM.

Em seguida, verificar qual parte recorreu:

a) Se o Ministério Público, abrir vista para o réu, se constituído por advogado,


ou fazer carga à Defensoria Pública.

b) Se o réu, fazer carga ao Ministério Público. Ambos os casos disporão do


prazo de 10 (dez) dias para contra-arrazoarem.

Nos casos em que houver assistente de acusação, este também terá vista dos autos.

Após todos os envolvidos se manifestarem nos autos, os autos serão remetidos à


turma recursal, mediante carga.

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Módulo VIII – Trânsito em Julgado da Sentença

A sentença e a decisão transitam em julgado quando decorre o prazo para recorrer,


fazendo com que a decisão judicial se torne imutável.

Para tanto, é necessário que as partes envolvidas sejam devidamente intimadas do


ato judicial e permaneçam inertes até o vencimento do prazo, ou manifestem o desejo
de não recorrer, ou seja, concordem com a decisão do juiz, ou esgotem todas as
possibilidades de recurso.

Observando que:

a) o Ministério Público será intimado pessoalmente das decisões e das sentenças,


mediante carga;

b) o defensor público e o defensor dativo serão intimados pessoalmente das


sentenças e decisões;

c) o réu deve ser intimado, pessoalmente, por mandado, quando se tratar de


sentenças.

Antes de certificar nos autos, verificar se não existem documentos quaisquer a serem
juntados. Não havendo, certificar, informando, separadamente, o trânsito em julgado
do MP e do réu.

Certificar o trânsito em julgado do réu somente após intimação pessoal do réu e de


seu defensor público ou dativo.

Movimentar, no SISCOM, lançando a movimentação correspondente.

Certificado nos autos e movimentado no sistema o trânsito em julgado, deve-se


proceder ao cumprimento das diligências oriundas da sentença:

a) Sendo extinção da punibilidade, arquivamento ou absolvição, verificar se


existem objetos apreendidos sem destinação (em caso positivo, certificar,
indicando os objetos e as folhas do auto de apreensão e dar carga ao MP). Não
havendo objeto apreendido ainda sem destinação, baixar o processo no sistema;
emitir a CDJ e encaminhá-la ao Instituto de Identificação.

b) Sendo condenação a apenas pena de multa, providenciar o cálculo e, após,


intimar o réu para pagamento, em 10 (dez) dias. O réu deve comparecer ao
Juizado para emissão, via SISCOM Windows, da guia para pagamento, emitir
CDJ e encaminhar ao Instituto de Identificação.

c) Sendo condenação à pena privativa de liberdade ou pena restritiva de direitos


cumuladas ou não com multa, expedir CDJ, expedir ofício ao TRE/MG (quando
determinado), expedir mandado de prisão (tratando-se de pena privativa de
liberdade e, nesse caso, cadastrar o mandado no BEMP – Banco Nacional de
Mandado de Prisão, através do link
http://rupe.tjmg.jus.br/rupe/justica/intranet/mandados
Prisao/mandadosPrisao.rupe), e emitir guia de execução.

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Módulo IX – Execução de Pena

Execução de pena trata-se da fase de cumprimento da medida coercitiva que o juiz


aplicou ao réu.

Quando, na sentença, o juiz condenar apenas a pena de multa, esta deverá ser
executada no próprio juizado.

Quando houver condenação a pena de prisão ou pena alternativa, cumulada ou não


com multa, nas comarcas onde houver vara especializada de execução de pena, esta
será executada na vara especializada, como anunciam os arts. 84 a 86 da Lei nº
9.099/95.

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A guia de execução será emitida após o cumprimento de todas as diligências que


antecedem o cumprimento da execução penal, tais como expedições de ofícios,
emissão de CDJ, cumprimento de mandado de prisão (quando for o caso) e resposta
de seu cumprimento, etc.

A guia de execução será emitida através do sistema SISCOM Windows, pelo menu
Impressão > Documentos > Guia de Execução.

A guia deverá ser conferida pelo escrivão, verificando se todos os dados foram
lançados corretamente e se está acompanhada de todos os documentos, quais sejam:

a. Denúncia
b. Recebimento da denúncia
c. Capa de autuação do TCO
d. TCO
e. Sentença
f. Publicação da sentença
g. Acórdão (quando houver)
h. Certidão de trânsito em julgado do MP e da defesa
i. Planilha do contador (quando houver multa cumulada)
j. Cópia do mandado de prisão cumprido (quando houver)
k. Alvará de soltura (quando houver)
l. Toda documentação dando notícia das fugas, recapturas e transferência do
sentenciado
m. CAC
n. FAC

Enviada a guia para a Vara de Execuções Penais, conferir sua distribuição e, após,
encaminhar o processo para o arquivo.

Quanto à pena de multa, devidamente intimado o réu para efetuar o pagamento, não o
fazendo no prazo, o juiz converterá a multa em dívida ativa, devendo a secretaria
emitir certidão de não pagamento de despesas processuais através do link
http://www.tjmg.jus.br/redetjmg/ferramentas/cnpdp/cnpdp.htm, localizado no portal do
Tribunal de Justiça.

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Módulo X – Custas
O Provimento Conjunto nº 15/2010 dispõe sobre a cobrança das custas judiciais, da
taxa judiciária, das despesas processuais e outros valores devidos nos processos.

Em sede de Juizados Especiais, conforme dispõe o referido provimento conjunto, em


seu art. 32, não há pagamento de custas, da taxa judiciária, da verba indenizatória e
das despesas e citações postais no 1º grau.

Custas judiciais são cobranças de natureza tributária e se referem aos atos judiciais
praticados em razão do ofício da prestação jurisdicional, como o registro, a expedição,
o preparo e o arquivamento do processo. Não estão sujeitas ao pagamento e
recolhimento de custas as ações de competência dos Juizados Especiais, salvo os
casos previstos em lei, e os recursos para as Turmas Recursais, e são isentos do
pagamento e recolhimento de custas os beneficiários da assistência judiciária, o
Ministério Público, a Defensoria Pública e os entes federativos. Contudo, estes não
são isentos das despesas processuais.

Taxa judiciária é um tributo tabelado cobrado sobre o ajuizamento de ações judiciais


perante qualquer juízo ou tribunal. A taxa judiciária não incide nos processos de
competência dos Juizados Especiais, salvo os casos previstos em lei e recursos para
as Turmas Recursais, e está isento da taxa judiciária o Ministério Público e, no
processo em que for vencido, o beneficiário da assistência judiciária.

Verba indenizatória é o valor a ser pago para o cumprimento das diligências pelo
oficial de justiça.

Despesas e citações postais são os atos judiciais elencados nos incisos do § 2º do art.
4º do Provimento Conjunto nº 15/2010.

As guias de recolhimento das taxas e custas judiciais serão, obrigatoriamente,


emitidas eletronicamente, no portal do Tribunal de Justiça, pelo caminho
“PROCESSOS > GUIAS DE CUSTAS > GRCTJ”, link http://www8.
tjmg.jus.br/guiasweb/page/usc001/primeirainstancia/emissaoDeGuia.seam.

Contudo, as guias inicialmente indisponíveis na internet continuarão a ser emitidas


pelo SISCOM Windows.

As guias pagas deverão ser entregues em juízo para juntada aos autos. Não é
permitida a entrega de cópias de comprovantes de pagamentos, tampouco de
impressos de agendamento de pagamentos pela internet.

A tabela de custas estará disponível no portal do Tribunal de Justiça, link


http://www.tjmg.jus.br/portal/processos/custas-emolumentos/.

Interposta a apelação, a parte recorrente, sem o benefício da assistência judiciária


gratuita, deverá recolher, verificando na tabela de custas da 1ª Instância disponível no
portal do Tribunal de Justiça:

a) as custas previstas na Tabela B - Grupo 2 - Item 1.2.2;


b) o valor do porte de retorno, previsto na Tabela H, quando houver;
c) as verbas indenizatórias previstas na Tabela D de citações postais.

O Provimento Conjunto nº 41/2014, de 28 de outubro de 2014, alterou o artigo 35


Provimento Conjunto 15/2010, passando a ser devida a cobrança de despesas para o

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desarquivamento de autos arquivados definitivamente, em sede de Juizados


Especiais, salvo se a parte estiver sob o benefício da justiça gratuita.

Não haverá cobrança de custas para a extração de cópia de peças processuais para
instruir processos que tramitam pelo rito da Lei dos Juizados Especiais. Não haverá,
ainda, cobrança para emissão de certidão e não haverá incidência de custas no
mandado de segurança.

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Módulo XI – Dívida Ativa


A inscrição na dívida pública estadual dar-se-á quando, intimada a parte para o
pagamento das custas e decorrido o prazo, ela não o fizer. E, ainda, quando o juiz
converter a pena de multa em dívida pública estadual e determinar o encaminhamento
de certidão à Advocacia-Geral do Estado (AGE).

Nesses casos, será apurado o cálculo e, unicamente, através do sistema de gravação


de Certidões de Não Pagamento de Despesas Processuais (CNPDP), disponível na
rede interna do Portal do TJMG (Rede TJMG), será encaminhada eletronicamente, por
meio do sistema RUPE, à Gerência de Controle de Receitas (GEREC), em
http://rupe.tjmg.jus.br/rupe/tesouraria/intranet/cnpdp/cadastro/consultaCnpdps.rupe.

Os escrivães deverão verificar, sistematicamente, no ambiente web (RUPE),


disponível na rede interna do Portal do TJMG (Rede TJMG), as mensagens de retorno
relativas a eventuais problemas que tenham inviabilizado o recebimento da CNPDP
pela AGE, procedendo às correções necessárias.

Para a gravação da certidão eletrônica de dívida ativa, serão necessárias as seguintes


informações:

a) valor devido, acrescido da multa de 10% (dez por cento);


b) data do cálculo e do vencimento;
c) número do processo;
d) nome completo de cada parte devedora;
e) qualificação de cada parte devedora;
f) número de inscrição de cada parte devedora no Cadastro Nacional de Pessoas
Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas - CNPJ;
g) endereço completo de cada parte devedora.

A exatidão dos dados lançados na CNPDP é de responsabilidade exclusiva do


escrivão.

Em caso de não pagamento da multa penal condenatória, deverá ser expedida


CNPDP específica e individualizada por réu.

É proibido baixar ou arquivar o processo sem a devida juntada da comprovação do


pagamento da multa e das custas, se for o caso, ou a expedição da CNPDP.

Toda a regulamentação quanto à Certidão de Não Pagamento de Despesas


Processuais encontra-se no Provimento Conjunto nº 15/2010.

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Módulo XII – Atos Ordinatórios – Provimento 161/CGJ/2006

Existem vários procedimentos de secretaria que independem da ordem do magistrado,


que, portanto, devem ser realizados de pronto pelos escrivães e servidores sem que
se enviem à conclusão para que o juiz os ordene.

A observância desses procedimentos otimiza os trabalhos da secretaria e, ainda,


garante a celeridade processual e elimina o tempo “morto” do processo, pois se deixa
de tramitar, ir e vir, movimentar, bater carimbo, numerar, certificar
desnecessariamente.

Os escrivães e demais servidores devem sempre consultar o Provimento nº 161/2006


que rege todos os atos e procedimentos da secretaria de Juízo, bem como devem
sempre acompanhar os demais atos normativos e novas versões dos sistemas
atinentes ao Juizado Especial.

O Provimento nº 161/2006 é o código de normas da Corregedoria-Geral de Justiça do


Estado de Minas Gerais, que, portanto, dita e orienta todos os atos e procedimentos
relacionados aos serviços de secretaria.

Os atos ordinatórios, ou seja, os procedimentos que devem ser realizados sem a


necessidade de envio à conclusão, estão elencados, exemplificadamente, no Título
XV-A, a partir do art. 263-A, do Provimento nº 161/CJG/2006, merecendo destaque:

a) quando o Ministério Público requerer diligência no sentido de que uma das


partes preste informações, intimar a parte para se manifestar ou cumprir a
diligência no prazo de 5 (cinco) dias;

b) atendida a diligência acima referida, renovar a vista ao Ministério Público, ou,


não atendida, encaminhar os autos à conclusão;

c) havendo renúncia das partes quanto ao prazo recursal sem discordância do


Ministério Público, dar imediato cumprimento à decisão;

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d) intimar o réu para recolher as custas judiciais;

e) abrir vista ao interessado para manifestação sobre testemunha arrolada por


ele e não localizada;

f) intimar o Instituto de Criminalística para apresentar o laudo;

g) abrir vista ao Ministério Público e ao defensor quando o procedimento assim o


exigir;

h) em face da renúncia ao mandado judicial, não havendo comprovação de que


o mandante foi dela cientificado, intimar o advogado para apresentá-la;

i) havendo comprovação de que o mandante foi cientificado da renúncia, intimá-


lo para regularizar a representação;

j) certificar o decurso de prazo para manifestações das partes e o trânsito em


julgado de sentenças;

k) intimar as partes e testemunhas arroladas para a audiência, quando houver


requerimento tempestivo;

l) intimar a parte contrária para apresentação de contrarrazões, após o


recebimento da apelação;

m) juntar as petições e documentos protocolizados tão logo recebidos na


secretaria de juízo, ainda que os autos se encontrem conclusos ao juiz de direito;

n) fazer conclusão dos autos no caso de petições juntadas cujos requerimentos


contenham obscuridades ou questões de alta indagação;

o) intimar os transatores para comprovarem o cumprimento da transação penal;

p) intimar o réu para justificar o não comparecimento em juízo quando da


suspensão condicional do processo, após 3 (três) ausências consecutivas;

q) quando do comparecimento do réu para assinar a folha de frequência do


SUSPRO, verificar se não faltou no mês anterior. Caso positivo, solicitar que
justifique a ausência.

As assinaturas apostas pelos servidores e prestadores de serviço das secretarias de


juízo e dos órgãos auxiliares da Justiça de 1ª Instância, no exercício de suas funções,
em atos processuais, certidões, expedientes internos, protocolos ou quaisquer outros
documentos deverão ser identificadas com o nome legível e o número da matrícula
funcional, vedada a simples aposição de “p/” em carimbos com identificação pessoal.

Existem outros atos normativos que são importantes para o trabalho dos servidores
que atuam no Juizado Especial Criminal, quais sejam:

a) Provimento nº 269/CGJ/2014, que passa a vigorar em 120 dias, a contar de


27.06.2014, e trata da tramitação dos termos circunstanciados de ocorrência
diretamente entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público.

b) Provimento Conjunto nº 15/2010, que dispõe sobre o recolhimento das custas


judiciais, da taxa judiciária, da fiança das despesas processuais e de outros
valores devidos no âmbito da Justiça Estadual de 1º e 2º graus.

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c) Provimento Conjunto nº 27/2013, que regulamenta o recolhimento e a


destinação dos valores oriundos de prestações pecuniárias objeto de transações
penais e sentenças condenatórias, em consonância com a Resolução nº 154, de
13 de julho de 2012, do Conselho Nacional de Justiça.

d) Provimento Conjunto nº 24/CGJ/2012, que dispõe sobre o recebimento,


guarda e destinação de armas, munições, bens, valores, substâncias
entorpecentes e instrumentos de crime apreendidos em inquéritos policiais,
processos ou procedimentos criminais e de apuração de atos infracionais.

e) Portaria Conjunta nº 15/2014, que dispõe sobre o acesso de órgãos da Polícia


Civil do Estado de Minas Gerais ao Sistema Malote Digital do Conselho Nacional
de Justiça.

f) Portaria Conjunta nº 2/2008, que dispõe sobre a transmissão do alvará de


soltura por meio eletrônico.

g) Lei Federal nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os


Juizados Especiais Cíveis e Criminais.

h) Enunciados FONAJE.

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Módulo XIII – Sistemas Informatizados

A informatização do Judiciário é o grande


caminho para a otimização dos trabalhos,
integração de dados e modernização na
prestação jurisdicional.

Com as metas impostas pelo Conselho


Nacional de Justiça e as novas diretrizes de
gestão do Tribunal de Justiça do Estado de
Minas Gerais, vários sistemas informatizados
foram implantados no Judiciário mineiro e,
consequentemente, novos procedimentos
devem ser adotados pelos juízes, escrivães e
servidores para alimentar todos os sistemas já
implantados.

No portal do TJMG, estão disponíveis os


sistemas informatizados, quais sejam:

• No portal aberto do TJMG (www.tjmg.jus.br):

>> GUIA DE RECOLHIMENTO

Caminho: “Processos > Guias de Custas > GRCTJ”


(http://www.tjmg.jus.br/portal/processos/guias-de-custas/grctj-guia-de-recolhimento-de-
custas-e-taxas-judiciarias/).

Regulamentado pelo Provimento Conjunto nº 25/2012. A emissão eletrônica da Guia


de Recolhimento de Custas e Taxas Judiciárias (GRCTJ) contempla a 2ª Instância, os
Juizados Especiais e a Justiça Comum, nas 296 comarcas do estado.

>> DEPOX – Emissão de guias de depósitos judiciais

Caminho: “Processos > Depósito Judicial” (http://www.tjmg.jus.br/portal/processos


/deposito-judicial/).

Regulamentado pela Portaria Conjunta nº 318/2013. Em sede de Juizado Especial


Criminal, será utilizada para os depósitos de valores apreendidos e ainda quando do
cumprimento de prestações pecuniárias.

>> DIÁRIO DO JUDICIÁRIO ELETRÔNICO

Caminho: “Processos > Diário do Judiciário” (http://www.tjmg.jus.br/portal/processos/


diario-do-judiciario/).

Regulamentado pelas Portarias Conjuntas nº 123/2008 e nº 119/2008.

Publicação no diário eletrônico através do sistema SISCOM, verificando sempre se


todos os advogados foram devidamente cadastrados.

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>> CERTIDÃO JUDICIAL NEGATIVA

Caminho: “Processos > Certidão Judicial Negativa” (http://www8.tjmg.jus.br/certidao


Judicial/faces/emitirCertidao.xhtml).

A certidão judicial negativa pode ser expedida gratuitamente pela internet. O sistema
de emissão eletrônica da certidão já é utilizado na 2ª Instância para expedição de
certidão cível, criminal e para fins eleitorais, e, na 1ª Instância, para certidão cível e
criminal, em mais de 40 comarcas, conforme listagem disponível no sistema de
emissão. As certidões abrangem os processos distribuídos na Justiça Comum e nos
Juizados Especiais.

• Acesso interno pela Rede TJMG:


http://www.tjmg.jus.br/redetjmg/home-pessoal/avisos.htm. Menu Ferramentas:

>> SISTEMAS CONVENIADOS: BACENJUD, INFOJUD, INFOSEG, RENAJUD e


SIP/INFOPEN

>> MALOTE DIGITAL

>> RUPE

BEMP – Banco Estadual de Mandados de Prisão

Publicação de Sentenças na Internet

CNPDP - Certidão de Não Pagamento de Despesas Processuais

• SNBA – Sistema Nacional de Bens Apreendidos


http://www.cnj.jus.br/programas-de-a-a-z/sistemas/sistema-nacional-de-bens-
apreendidos-snba

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Fluxogramas de Tramitação Processual


Crimes de ação penal pública ou contravenções penais e crimes de ação penal
privada

• Sentença proferida

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• TCO ou procedimento investigatório do Ministério Público ou queixa-crime

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• Retorno da Turma Recursal ou sentença transitada em julgado

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Referências

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. 28. ed. Rio de
Janeiro: Forense, 1999.

http://www.almg.gov.br

http://www.planalto.gov.br

http://www.tjmg.jus.br

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