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UNIVERSIA BRASIL. Da produção à distribuição de medicamentos. 15 jun. 2005.

Disponível em: < http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=7406>.


Acesso em: 02 fev. 2009.

Da produção à distribuição de medicamentos

A demanda por farmacêuticos no Brasil é muito ampla, até porque o país encontra-se
entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo. Descubra as
várias áreas em que um graduado em Farmácia pode atuar.

Publicado em 15/06/2005 - 02:00

A busca pela cura das doenças têm sido uma das maiores preocupações do homem, desde
os primórdios da humanidade. Para alguns pesquisadores, a descoberta do fogo e a
utilização de recursos naturais para aliviar dores humanas ocupam espaço semelhante na
linha do tempo. Por isso, a Farmácia é considerada uma das profissões mais antigas da
humanidade. No Brasil, o primeiro curso de Farmácia surgiu em 1832, na Universidade do
Brasil, atual UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Porém, a profissão só foi
regulamentada quase cem anos depois, em 1931.

Além de estar entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo, O Brasil é


o país onde a relação de farmácias por habitantes é a maior do mundo. Em território
nacional, são mais de 50 mil farmácias e drogarias, em média uma para cada três mil
habitantes, mais que o dobro recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Esses números ressaltam a importância do farmacêutico no país.

Há algumas décadas, o farmacêutico era considerado apenas o conselheiro das famílias,


estereótipo que tem sido transformado nos dias atuais, com o profissional passando a
desempenhar diversas funções no mercado de trabalho. Hoje, o farmacêutico participa de
toda a cadeia produtiva de um medicamento, desde a sua fabricação até a distribuição.

"Dentro da formação de um farmacêutico existem três habilitações: Farmácia Social, voltada


ao atendimento; Farmácia Industrial; e Bioquímica, que tem duas sub-áreas, a de alimentos
e de análises clínicas. Mas, hoje, a maioria das faculdades forma o profissional para a área
Social e Indústria. Para ter alguma outra habilitação o aluno precisa passar pelo menos mais
um ano dentro da universidade", afirma o coordenador do curso de Farmácia da UFF
(Universidade Federal Fluminense), Antonio Sergio Aymoré.

Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas


Educacionais Anísio Teixeira), existem, atualmente, 211 cursos de Farmácia no Brasil. O
total de matrículas anuais é de 54.297, contrapondo-se bastante ao número de concluintes,
9.703. Em média, os cursos tem duração de quatro anos, com carga horária de
aproximadamente 4.200 horas, contando as horas de estágio obrigatório. As matérias
principais da graduação são: química, bioquímica, fisico-química, biologia, microbiologia e
imunologia, parasitologia e anatomia.

Para os interessados, Aymoré explica que a área " mãe" do farmacêutico é o atendimento,
mas existem diversas outras áreas em que o profissional pode atuar . "São inúmeras as
possibilidades de atuação. Podem trabalhar em farmácias de dispensação ou drogarias,
farmácias de manipulação, homeopáticas, hospitalares, laboratórios de análises clínicas.
Além de também operar na fabricação de produtos biológicos imunoterápicos e produção de
soros e vacinas", diz. "E pode, ainda, prestar serviços em vigilância sanitária, universidades
e institutos de pesquisa. Dentro de cada uma desses estabelecimentos o profissional pode
desenvolver diversas tarefas."

O coordenador relata que, na medida em que as oportunidades de trabalho para os


farmacêuticos aumentaram, proliferou-se o número de cursos universitários no Brasil - e, por
consequência, o número de profissionais no mercado. "O mercado ainda não está saturado,
mas, no ritmo de crescimento atual, essa possibilidade não está muito distante", conta
Aymoré. "Diria que aproximadamente 90% dos profissionais recém-formados ingressam no
mercado de trabalho. Os demais não ingressam por opção. Alguns desistem e mudam de
área e outros optam por uma especialização antes de encararem o mercado", acrescenta.

Para o professor Aymoré, o mercado é mais promissor nas regiões mais populosas e de
maiores recursos, como é o caso do Sul e Sudeste. "Mas a tendência é que no futuro ocorra
um processo de interiorização. Com a nova legislação, cada farmácia precisa ter
obrigatoriamente um farmacêutico responsável, que deve estar à disposição durante todo o
período de atendimento ao público. Por isso, está ocorrendo uma demanda maior por
profissionais em todo país", assegura.

A remuneração dos recém-formados, atualmente, é de R$ 1.700, valor determinado pelo


CFF (Conselho Federal de Farmácia). Mas, como em todas as áreas, o salário de um
Farmacêutico varia de acordo com a área em que atua, com a empresa e com a sua
formação.

O professor Aymoré também alerta aos interessados que, para atuar na área, é necessário,
primordialmente, ter ética. "A conscientização e a ética são coisas importantes de se
desenvolver em qualquer profissional, inclusive na farmácia. Nós trabalhamos com a saúde
de seres humanos, se não tivermos a noção de ética e nem a noção da necessidade de
nossa dedicação, fica difícil atuarmos de forma eficiente", finaliza.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um


profissional a escolher o curso de Farmácia:

Vestibulando - Por que escolheu a profissão?


Sempre pensei em fazer o curso de Farmácia, por gostar muito de química. Mas, só
optei realmente por Farmácia após ter pesquisado muito sobre essa e outras profissões.
O fator decisivo para a minha escolha foi uma palestra sobre a profissão. Por meio
desta palestra pude perceber que a Farmácia era a profissão que mais se adequava aos
meus desejos.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Sempre gostei muito mais da área de biológicas do que das demais, mas até o 3º
colegial, não tinha a menor idéia do que iria escolher. Foi no cursinho que passei a
conhecer melhor as opções, dentro da área de biológicas, que mais me interessavam.
Conversei bastante com professores, amigos e família, pesquisei em vários sites e
procurei me informar sobre o mercado de trabalho. Foi então que optei por Farmácia e
Bioquímica, que parecia corresponder a tudo que esperava da faculdade.
Essencialmente, as matérias envolvidas correspondiam à Biologia e Química eo
mercado de trabalho, além de muito vasto, poderia abranger tanto um campo mais
técnico, como também um contato direto com o consumidor. De fato, as possibilidades
pareciam imensas, e muito me agradavam.
Profissional - Por que escolheu a profissão?
Na época que eu prestei o vestibular o que mais pesou na minha escolha foi o mercado
de trabalho, que era, e ainda é, muito bom e amplo. Sempre gostei da área de saúde e
acabei optando por Farmácia, primeiro por gostar muito de medicamento, e segundo
pelo campo de atuação, que além de ser muito extenso, conta com muitas ofertas de
trabalho. Dentro da Farmácia você pode se identificar com, no mínimo, dez campos de
atuação, encontrando com maior facilidade a identificação com aquilo que gosta.

Vestibulando - O que espera do curso?


Espero que corresponda as minhas expectativas, pois além de ser um curso que exige
muita dedicação, possui uma carga horária elevada. Passar cinco anos dentro da
universidade não é nada fácil, mas isso se torna ainda mais difícil se ele não
corresponder as suas expectativas.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Atualmente, estou cursando o 3º ano, no período noturno. Aqui na USP, o curso no
período noturno é de 6 anos. Tenho que admitir que, no primeiro ano, apesar do
entusiasmo de ter conseguido entrar na faculdade, as matérias não eram bem as que eu
esperava. Claro que tinha química, primeiros socorros, mas também nos deparamos
com Física e Cálculo. Mas, com certeza, tem valido muito a pena. O aprendizado é
imenso, parece que as matérias te incitam a querer saber cada vez mais, e isso é muito
legal. Fazendo um balanço do que aprendi até agora, estou bastante satisfeita, apesar
das dificuldades. E, particularmente, o curso no período noturno abre muitas
possibilidades de estágio, tanto para iniciação científica quanto para estágios em
indústrias.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Na época, eram cinco anos de curso, tínhamos uma carga horária muito elevada e as
matérias podiam ser bem trabalhadas. As pessoas acham que o curso de Farmácia só
envolve a área biológica, mas na verdade é um curso bem abrangente, que engloba
desde a estrutura molecular de uma medicação, que é a química, matemática e
biofísica, até a parte de anatomia. Essa abrangência do curso foi o que mais me atraiu,
pois com isso consegui sair da universidade com um embasamento bem legal e
completo.

Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?


Entre R$1.500 e R$2.000.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Bom, tenho feito estágios na indústria farmacêutica desde o 2º semestre da faculdade, e
desde então venho observando o mercado e as possibilidades que ele oferece. Muitas
pessoas se tornam efetivas antes mesmo de terminarem a faculdade. A bolsa para
estágio integral, atualmente, gira em torno de R$1.200. Para um profissional formado,
essa linearidade, com o salário girando em torno de uma média padrão, não se aplica.
Os profissionais formados, pelo que tenho percebido, têm salário muito variado,
dependendo da área que trabalham e do cargo que ocupam. De qualquer forma, espero
ganhar quando formada por volta de R$ 5.000, apesar de saber que o piso salarial é
bem menor e que isso depende de diversos fatores.
Profissional - Quanto ganha?
Existe um piso salarial de farmacêutico, atualmente revisto pelo CRF (Conselho
Regional de Farmácia). Esse piso está gerando em torno de R$1.600, podendo variar
um pouco de município para município. Apesar de não achar justo, foi determinado pelo
conselho que esse valor refere-se tanto a 20 quanto a 40 horas semanais. É lógico que
esse valor vai aumentando por uma série de motivos, mas é bem variado, dependendo
muito da área de atuação, do cargo e do tempo de carreira. Posso dizer que o
Farmacêutico não é um profissional muito bem pago, mas também não é mau pago.

Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?


Não tenho conhecimento suficiente sobre a profissão para saber o que será bom ou
ruim, mas o que mais me chama atenção em Farmácia são as pesquisas. O fato de
descobrir coisas novas e com essas descobertas poder ajudar as pessoas é o que mais
me fascina na profissão.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Acho que o melhor da profissão é o fato de que ela oferece inúmeras possibilidades.
Você pode optar por ser um profissional autônomo, montando e gerenciando farmácias
de manipulação, por exemplo. Pode trabalhar com atenção farmacêutica, lidando
diretamente com pacientes, em hospitais, por exemplo; pode também trabalhar na
indústria farmacêutica, indústria de cosméticos, indústria de alimentos, também em
laboratórios de análises clínicas, etc. E dentro de cada área, as opções são inúmeras e
vão desde trabalhos mais administrativos e burocráticos, até trabalhos em laboratórios,
mais práticos.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Para mim, o melhor dessa profissão é poder ajudar o próximo, em termos de prestar
assistência farmacêutica, algo que está muito alta hoje. É muito compensador poder
orientar a população com relação ao uso correto de medicamentos e seus efeitos
colaterais, entre outras informações referente a medicamentos, já que muitos médicos,
por falta de tempo, não prestam esse serviço a seus pacientes. Ajudar o próximo
sempre é uma excelente tarefa. Por isso, saber que com o meu trabalho posso, de certa
forma, contribuir com a saúde da sociedade, é bastante animador e é o que mais me
fascina.

Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?


Como já disse não tenho uma panorama completo da profissão, acredito que vou
conseguir esse panorama durante o curso. Por isso, ainda não conheço nada que possa
ser considerado um aspecto ruim dentro da profissão.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Ainda não tenho muito definido o que poderia encontrar de pior na profissão, mas creio
que talvez seja a postura ética envolvida, ou melhor dizendo, a falta dela. Há diversos
exemplos, como por exemplo, os farmacêuticos omissos que apenas assinam para
diversas farmácias, sem de fato estarem presente, analisando as receitas e
acompanhando a dispensa dos medicamentos. E há muito mais.... Li uma vez que a
indústria farmacêutica mundial é considerada como o segundo melhor negócio do
planeta, ficando atrás apenas de companhias de petróleo. Dá pra imaginar o quanto de
dinheiro a indústria farmacêutica movimenta? Pois é, e diante dessa informação, é fácil
perceber o quanto a ética na profissão é essencial, já que o medicamento não pode ser
visto como um produto comum, pois envolve a saúde de milhões de pessoas.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Sou muito suspeita para falar de um ponto negativo na profissão, pois sou muito
apaixonada por ela. Mas acho que hoje, o lado negativo são as próprias faculdades, que
diminuíram muito a sua carga horária, comprometendo o nível de ensino. Com isso, os
profissionais são obrigados a buscar outras formas para adquirirem mais
conhecimentos, se atualizarem e se especializarem. Infelizmente, porém, essa não é a
postura dos profissionais recém-formados. Hoje, muitos profissionais terminam a
graduação e cruzam os braços, não se atualizando. A Farmácia é uma área muito
dinâmica, a cada ano surgem milhares de novidades e por isso é muito importante essa
atualização constante. Mas posso assegurar que existem muito mais pontos positivos
do que negativos.

Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?


Pelo que vejo e escuto o mercado de trabalho do farmacêutico é muito amplo, por isso
são muitas as ofertas.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Acredito que a profissão vem conquistando um espaço cada vez maior e determinante.
Está ocorrendo uma valorização do setor, mesmo que lenta. A oferta de atenção
farmacêutica cada vez mais qualificada tem cooperado para isso e o campo de atuação
do farmacêutico está sendo ampliado para atender uma necessidade, cada vez mais
freqüente, da população. É nítido perceber que a automedicação é uma prática
freqüente da população brasileira. Esse uso indiscriminado de medicamentos, inclusive
dos que deveriam ser vendidos apenas sob prescrição médica, gera um alto índice de
dependência e de intoxicações. Saber lidar com essa questão é um aprendizado, que
deve ser adquirido ao longo de toda a vida acadêmica e exercido durante toda a vida
profissional.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A profissão da área de Farmácia, aos poucos, tem conquistado o seu espaço e, junto a
isso, conquistando valorização, até por uma exigência e luta do nosso conselho.
Antigamente, era difícil encontrar um farmacêutico no atendimento de uma farmácia,
para orientar os seus clientes, uma das funções primordiais do setor. Mas, felizmente,
essa situação foi se modificando aos poucos. Hoje, por uma exigência do conselho é
obrigatória a existência desse profissional neste tipo de comércio. Essa situação, além
de valorizar o graduado, aumenta as oportunidades de trabalho.

Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre
Farmácia e outras áreas?
A única dica que eu posso dar é que a pessoa pesquise muito antes de tomar qualquer
decisão. Por meio dessa pesquisa será possível identificar-se com alguma profissão.
Não se precipite, afinal é o seu futuro que está em jogo.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Farmácia?
Acho que para começar é interessante procurar conhecer a grade curricular do curso.
Essa grade, no início, é essencialmente de química de todas as formas, de todos os
jeitos e com todas as caras. Estudantes interessados no curso de Farmácia devem
gostar, e muito, dessa disciplina, que é a base de todo o curso. Pelo menos foi assim
que eu fiz, e felizmente deu certo.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Primeiro, é importante manter constante atualização, e isso não é uma exigência só
dessa profissão e sim de todas. E segundo, ter muito respeito com o ser humano,
porque o farmacêutico lida direta e indiretamente com eles. Por isso, a importância da
valorização da saúde e da vida das pessoas. Um outro ponto fundamental para todos os
profissionais, principalmente os da área de saúde, é o comprometimento com a ética.