Você está na página 1de 55

DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO

DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE


DESENVOLVIMENTO INTEGRADO
OESTE BAIANO

Coordenação Geral
Francisco Mavignier Cavalcante França (Ambiente de Políticas)

Coordenação do Workshop
José Max Araújo Bezerra (Ambiente de Políticas)
Mário Sérgio de Araújo (Gerente do Pólo)

Equipe de Elaboração
Antônio Pereira Neto (Ambiente de Políticas)
Ricardo Lima de Medeiros Marques (Consultor - IICA)

Colaboração Técnica
Antônio Renan Moreira Lima (Ambiente de Políticas)
Carlos Antônio Geminiano da Costa (ETENE)
Francisco Raimundo Evangelista (ETENE)
Maurício Teixeira Rodrigues (ETENE)
José Ivan Caetano Fernandes (Ambiente de Implementação)
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO

ÍNDICE
1. APRESENTAÇÃO................................................................................................................... 3

2. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 5

2.1. ESTRUTURA DO DOCUMENTO ............................................................................................... 5

2.2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS ÁREAS DE CERRADOS............................................................. 8

2.3. CARACTERÍSTICAS DO PÓLO OESTE BAIANO......................................................................... 10

3. DIAGNÓSTICO DOS FATORES ALAVANCADORES E RESTRITIVOS ............................. 19

3.1. DISCUSSÃO SOBRE OS TEMAS ESPECÍFICOS ........................................................................ 19

3.2. FATORES ALAVANCADORES E RESTRITIVOS.......................................................................... 26

3.2.1. INFRA-ESTRUTURA................................................................................................ 26

3.2.2. MEIO AMBIENTE..................................................................................................... 27

3.2.3. PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA.............................. 28

3.2.4. CAPACITAÇÃO, GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS PRODUTORES...................... 29

3.2.5. PRODUÇÃO E MERCADO DE INSUMOS .............................................................. 30

3.2.6. PROMOÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO ..................................................................... 31

3.2.7. AGROINDÚSTRIA.................................................................................................... 32

4. AÇÕES PROPOSTAS .......................................................................................................... 34

4.1 INFRA-ESTRUTURA ....................................................................................................... 34

4.2. MEIO AMBIENTE ........................................................................................................... 35

4.3. P & D E ASSISTÊNCIA TÉCNICA ................................................................................ 36

4.4 CAPACITAÇÃO, GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS PRODUTORES .............................. 37

4.5 PRODUÇÃO E MERCADO DE INSUMOS....................................................................... 37

4.6. PROMOÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO ............................................................................ 38

4.7. AGROINDÚSTRIA .......................................................................................................... 38

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................... 40

ANEXOS ................................................................................................................................... 41
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 3

1. APRESENTAÇÃO

O Banco do Nordeste, em sua missão de promover o desenvolvimento


sustentável de toda a região Nordeste, elegeu como uma de suas macro-
estratégias a potencialização do desenvolvimento de setores dinâmicos da
economia regional, dentre os quais sobressai a cadeia agroalimentar, com foco
nos pólos agroindustriais e áreas de fronteira agrícola dos cerrados nordestinos.
Não obstante as vantagens comparativas, os investimentos já realizados e os
significativos avanços alcançados em algumas dessas áreas, persistem, ainda,
vários fatores restritivos impedindo que suas potencialidades sejam plenamente
exploradas.
A adoção dessa estratégia objetiva dar sustentabilidade e competitividade às
atividades econômicas, gerando maiores e mais rápidos retornos econômicos e
sociais dos investimentos públicos e privados alocados, contribuindo, assim,
para a redução das desigualdades inter-regionais, interiorização com
desconcentração industrial e, em conseqüência, promoção do bem-estar
econômico e social das populações envolvidas.
Assim, o Banco do Nordeste selecionou áreas dinâmicas da região que serão
prospectadas durante o biênio 1997/98. O Pólo Oeste Baiano representa uma
dessas áreas.
Localizado no além São Francisco da Bahia, o Pólo Oeste Baiano afigura-se
como uma das áreas de forte crescimento e ainda com grande potencial de
desenvolvimento do complexo agroindustrial nas áreas dos cerrados
nordestinos. Hoje, o referido pólo está integrado ao processo de expansão da
sojicultura nas fronteiras agrícolas do Nordeste e do Centro-Oeste. O Pólo
detém recursos naturais e vantagens comparativas de expressão para seu
crescimento e dinamização de toda a área sob sua influência, pelo que tem
atraído o interesse crescente de governos e de investidores privados, internos e
externos, dos vários elos da cadeia produtiva.
Nesse contexto, surge o presente documento referencial, a partir do qual o
Banco do Nordeste, em parceria com segmentos do Governo, da iniciativa
privada e da sociedade civil organizada, desenvolverá ações que visam eliminar
ou reduzir significativamente os elementos restritivos à expansão da base
econômica produtiva local e regional, tendo como objetivo geral o
desenvolvimento sustentável do Pólo Oeste Baiano.
Como resultados que se esperam deste trabalho, pode-se destacar:
• aumento da renda da população e conseqüente elevação do nível de
bem-estar;
• redução da taxa de analfabetismo a níveis desprezíveis;

• utilização generalizada de meios de transporte multimodal, com ênfase


no uso da ferrovia e hidrovia, com expressiva redução do frete;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 4

• dotação de infra-estrutura econômica e social suficiente para dar


sustentação ao dinamismo econômico do Pólo;
• integração horizontal e vertical das unidades produtivas;
• implantação de um complexo econômico formado pelos setores da
avicultura, suinocultura, laticínios, frigoríficos industriais, fábricas de
rações e óleos;
• inserção do Pólo nos mercados consumidores nacional e internacional;
• projetos e empreendimentos sustentáveis nos aspectos: econômico,
social, ambiental e político.
• grande produtor de alimentos e absorvedor de mão-de-obra do semi-
árido nordestino;
• Consolidador do desenvolvimento dos cerrados setentrionais do Brasil.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 5

2. INTRODUÇÃO

2.1. Estrutura do Documento

Entendendo o planejamento integrado como um processo dinâmico para o


alcance do desenvolvimento sustentável, o Banco do Nordeste elaborou este
trabalho a partir das seis fases discriminadas a seguir:

1. Conhecimento da realidade do Pólo, a partir de estudos técnicos do


Banco e de outras instituições, bem como de ações conjuntas com
agentes locais, que envolveram os seguintes passos:
a. realização do levantamento preliminar de dados e estudos da região;
b. mobilização das comunidades para a realização dos trabalhos;
c. identificação das potencialidades naturais e econômicas da região;
d. identificação dos pontos que se apresentam como obstáculos à
potencialização das atividades de toda a cadeia agroalimentar.
2. Ampliação dos estudos técnicos com a realização de um workshop na
cidade de Barreiras, ocorrido nos dias 30 e 31 de outubro de 1997. O
evento contou com a participação de técnicos do Banco, do Governo
do Estado do Bahia, do Ministério do Planejamento e Orçamento e de
outras instituições ligadas ao “agribusiness”1 nacional, especialmente
da região Nordeste.
3. Consolidação dos dados e informações coletadas no evento e
sistematização dos resultados das discussões dos temas selecionados,
originando este documento.

4. Realização, prevista para o início de 1998, de outros eventos no Pólo,


os quais tem como objetivo a apresentação do presente documento
referencial ao Governo do Estado e às lideranças econômicas, políticas
e sociais. Nestas oportunidades serão também firmados os
compromissos de apoio governamental, bem como do engajamento dos
demais órgãos, da sociedade civil organizada e dos agentes produtivos
atuantes nos municípios do Pólo.
5. Criação da gerência do Pólo (empreendimento integrado), do conselho
de articulação e da equipe executiva local.
6. Execução dos trabalhos pela sociedade local, pelas instituições
públicas envolvidas e pelos agentes produtivos, sob a coordenação de
um gerente indicado pelo Banco do Nordeste.

1
“Agribusiness”: negócio agropecuário que corresponde a soma total de operações de produção e
distribuição de suprimentos(insumos), operações de produção nas unidades rurais e o armazenamento,
processamento e distribuição dos produtos e itens produzidos por ele.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 6

Os estudos técnicos do Banco e de outras instituições, juntamente com as


informações colhidas no workshop, serviram de base à elaboração deste
documento.
O caráter multidisciplinar e multiinstitucional adotado, bem como a participação
democrática de todos os agentes da comunidade nas discussões, permitiram a
elaboração de uma proposta que refletisse a realidade do Pólo e o balizamento
das ações voltadas para o desenvolvimento da região. Estiveram presentes ao
workshop:

• Banco do Nordeste do Brasil S.A.


• Banco do Brasil S.A.
• Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
• Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia
Legal (MMA).
• Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA).
• Secretaria do Trabalho e Ação Social (SETRAS).
• Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia.
• Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.
• Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia (DERBA).
• Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário (EBDA).
• Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).
• Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco
(CODEVASF).
• Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia(CEFET) –
Barreiras.
• Companhia de Eletrificação da Bahia (COELBA).
• Centro de Recursos Ambientais (CRA).
• Serviço de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa (SEBRAE).
• Programa de Estudos dos Negócios do Setor Agrícola (PENSA-USP).
• Instituto de Terras da Bahia (INTERBA).
• Prefeitura Municipal de Barreiras.
• Prefeitura Municipal de Riachão das Neves.
• Prefeitura Municipal de Correntina.
• Prefeitura Municipal de São Desidério.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 7

• Prefeitura Municipal de Santa Maria da Vitória.


• Escola Agrotécnica Geraldo Rocha.
• Associação dos Irrigantes de Barreiras (AIBA).
• Cargill Agrícola.
• Ceval Alimentos.
• Frutoeste.
• Agrocel.
• Santista Alimentos.
• Agrícola Estrela.
• Casa da Lavoura.
• Associação dos Capricultores do Oeste da Bahia(Caprioeste).
• Associação dos Criadores do Oeste da Bahia(Acrioeste).
• Mineração do Oeste.
• Departamento de Defesa Animal (DDA).
• Agronol.
• Companhia de Engenharia Rural da Bahia(CERB).
• Associação dos Engenheiros Agrônomos.
• Jornal Gazeta do São Francisco.
• FM Líder.
• TV Oeste.
• Jornal A Tarde.
• Jornal Novas Fronteiras.
• Rádio Vale do Rio Grande.
• Rádio Barreiras.
• Fundação Bahia.
• Universidade Estadual da Bahia(UNEB).
• Distrito de Irrigação do Projeto São Desidério.
• Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Região.
• Produtores, suas associações e representações.
• Outras lideranças dos municípios do Pólo.
No encontro de trabalho foram feitas diversas palestras e abordados vários
aspectos da realidade do Pólo, levantando-se fatores alavancadores e restritivos
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 8

que afetam sua sustentabilidade, identificando também as possíveis


contribuições de cada agente para a consecução dos objetivos propostos.
Para a sistematização dos temas tratados e discutidos, o público-alvo do
encontro foi dividido em equipes multidisciplinares e multiinstitucionais que
abordaram temas referentes à infra-estrutura; meio ambiente; pesquisa e
desenvolvimento; capacitação e organização; produção e mercado de insumos;
promoção e comercialização e agroindústria.
A promoção do encontro de trabalho em Barreiras e, em continuidade, o
desenvolvimento de ações para implementação das sugestões contidas neste
trabalho refletem a decisão do Banco do Nordeste, do governo do Estado da
Bahia e do Ministério do Planejamento e Orçamento, em articulação com a
sociedade civil organizada, de construírem, de forma ágil e efetiva, soluções
para os problemas regionais.
Nesse sentido, cabe registrar a valiosa contribuição dos participantes do
primeiro workshop de Barreiras, responsáveis diretos pelo sucesso dos
trabalhos.
Entretanto, para os desdobramentos deste documento referencial torna-se
também imprescindível o trabalho conjunto do Banco e de todos os parceiros
envolvidos com o processo de desenvolvimento sustentado do Nordeste e, em
particular, do Oeste da Bahia, uma vez que, para a superação dos obstáculos ao
desenvolvimento da área, exigem-se diferentes competências e recursos.

2.2. Características Gerais das Áreas de Cerrados

Entende-se por cerrado um tipo de cobertura vegetal caracterizado por árvores


baixas, tortuosas, de casca grossa, folhas largas, sistema radicular profundo (o
volume de biomassa na parte subterrânea tende a superar o da parte aérea da
planta), além de gramíneas e outros tipos de vegetação rasteira. Por
conseguinte, a “região de cerrados” corresponde a uma área contínua, na qual o
“cerrado” constitui o tipo de vegetação predominante.
Essa região é um espaço vasto e relativamente heterogêneo, no qual se
encontra grande quantidade de ecossistemas estáveis e resistentes, manchas
de florestas e solos férteis, variados tipos de solos, clima, relevo e altitude, como
também de sistemas extremamente sensíveis à ação antrópica.
A região dos cerrados representa a grande fronteira agrícola mundial, capaz de
responder à demanda crescente por alimentos, produtos agrícolas e
agroindustrializados. O desenvolvimento harmônico e sustentável dessa região
representa o grande desafio para o negócio agrícola(agribusiness),
historicamente adaptado para as regiões de clima temperado, exigindo, portanto,
significativos esforços para ajustamento no campo tecnológico, social, político,
econômico e ambiental.
Os cerrados brasileiros ocupam uma área de aproximadamente 207 milhões de
hectares, sendo potencialmente utilizáveis 136 milhões de hectares
(MACEDO,1995). Essa imensa área, eqüivalente a 23% do território nacional,
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 9

situa-se no centro geográfico do País, do Sul do Maranhão, passando pelo


Oeste da Bahia, Tocantins, até o Mato Grosso do Sul.
Até por volta de 1970 não se sabia cultivar os cerrados, talvez pela
pressuposição, então aceita, de que as terras dos cerrados seriam impróprias
para explorações agropecuárias. O desenvolvimento geral do País, aliado ao
crescimento populacional, favoreceram a expansão da fronteira agrícola em
direção dos cerrados, interiorizando a produção rumo aos trópicos. A partir de
um certo tempo passou-se a dominar a tecnologia que eliminava ou reduzia as
condicionantes de uso econômico dessa Região, quais sejam: a baixa fertilidade
do solo e a irregularidade das precipitações.
A ocupação dos cerrados foi iniciada nas regiões do Triângulo Mineiro e Sul de
Goiás, influindo posteriormente a zona pecuária extensiva do atual Estado do
Mato Grosso do Sul. A ocupação da parte setentrional dos cerrados da região, o
Sul do Maranhão, o Sudoeste do Piauí, o Oeste da Bahia e o Tocantins deu-se,
sobretudo, a partir da construção de Brasília e da abertura dos corredores:
BR-153 (Belém/PA–Brasília), BR-020 e BR-242 (Brasília–Salvador/BA), BR-
020/BR-135 (Picos/PI–Barreiras/BA–Brasília).
Dentro da política governamental com impacto direto sobre a área dos cerrados,
destaca-se a criação, em 1975, do Programa Para o Desenvolvimento dos
Cerrados(POLOCENTRO). O programa beneficiou principalmente os produtores
de médio e grande porte do Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Minas Gerais
e Mato Grosso. Cabe assinalar que o POLOCENTRO transferiu à EMBRAPA
recursos para que fossem intensificadas as pesquisas no sentido de
desenvolver tecnologias agrícolas e comerciais para os cerrados, dentre estas a
da soja tropical.
O Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro Para o Desenvolvimento dos
Cerrados(PRODECER) deu considerável impulso à agricultura dos cerrados.
Tendo como principal instrumento o crédito supervisionado e como premissa a
tecnologia e valorização do homem na ocupação racional dos cerrados, o
programa é administrado e coordenado pela Companhia de Promoção Agrícola
(CAMPO), fundada em 1978, a qual é composta de executivos brasileiros e
japoneses.
A primeira etapa do Programa, iniciada em 1980, beneficiou o Noroeste de
Minas Gerais(PRODECER I), com o assentamento de 70 mil hectares. A
segunda etapa (PRODECER II) foi iniciada em 1987 e beneficiou regiões de
Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia (dois projetos
na área de Barreiras), com a incorporação de aproximadamente 200 mil
hectares (CUNHA, 1994).
O PRODECER III consistiu na expansão do Programa para beneficiar os
estados do Maranhão(região de Balsas) e Tocantins. Incorporou uma área de 80
mil hectares, sendo 40 mil explorados por 82 colonos. Os investimentos
totalizaram US$ 138 milhões. Para 1998, está sendo estudada sua expansão
para incluir áreas do Piauí, Tocantins e Rondônia.
As áreas de cerrados do Nordeste são vocacionadas para uma agricultura de
alto conteúdo tecnológico, centrada na mecanização e em variedades
especialmente adaptadas. A soja tem sido o carro-chefe dessa agricultura, mas
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 10

a necessidade de alternar seu plantio com o de gramíneas (arroz e milho) tem-


se mostrado vantajosa.
No contexto da economia regional, os cerrados nordestinos tendem a cumprir
quatro funções econômicas básicas a saber:

a) pólo de grãos, sequeiro e irrigado, para a moderna pecuária nordestina


(avicultura, suinocultura industrial e bovinocultura leiteira), cujo
consumo de milho e soja exercem forte pressão sobre a oferta regional
desses produtos;
b) pólo de grãos, sequeiro e irrigado, para consumo humano e industrial,
considerando que a região é deficitária de alguns produtos agrícolas
básicos como feijão, arroz, café e milho, além de matérias-primas
importantes como o algodão;
c) pólo auxiliar de sojicultura de exportação, admitindo que a produção
dos cerrados tende a ser mais regular e menos vulnerável a flutuações
climáticas;
d) pólo agroindustrial processador das matérias-primas produzidas,
especialmente nas áreas dos complexos soja e carne bovina.
Os pólos Sul do Maranhão/Sudoeste do Piauí e Oeste Baiano(BA) têm
apresentado, nos últimos anos, um forte crescimento na produção de soja. Esse
processo de produção agrícola vem sendo complementado com a implantação
de redes de armazenamento e indústrias processadoras de grandes empresas
do agribusiness nacional, como SANTISTA, CEVAL, CARGILL, COTRIPAL,
COTREL, BATAVO NORDESTE e outras. Justifica esse interesse dos grandes
grupos o fato de o complexo soja (grão, farelo e óleo) despontar como um dos
principais itens da pauta de exportações, com US$ 3 bilhões em 1993,
respondendo por cerca de 8% das divisas cambiais do País. (BNDES, 1994.)
A exploração racional de todas as potencialidades dos cerrados: produção de
grãos, agricultura irrigada, fruticultura, mão-de-obra abundante, capacidade
empreendedora dos produtores e mobilização associativa das comunidades,
aliadas à farta disponibilidade de recursos naturais, são fatores de atração de
agroindústrias, favorecendo o estabelecimento das cadeias de produção de
grãos, carnes e lácteos.

2.3. Características do Pólo Oeste Baiano

O Pólo Oeste Baiano compõe-se dos municípios de Barreiras, Riachão das


Neves, Santa Maria da Vitória, Correntina e São Desidério (vide figura 1),
abrangendo uma área total de 44.861 km quadrados e tem uma população de
201.432 mil habitantes, 60% na zona rural. (IBGE de 1991.)
Os principais dados sócio-econômicos do Pólo de Desenvolvimento Integrado
Oeste Baiano são apresentados no Anexo 2.
Conforme o documento “Bahia – Análise e Dados”, a Região compreende duas
zonas, caracterizadas a seguir, e tem como centro mais dinâmico do cerrado
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 11

baiano o município de Barreiras, com uma população de cerca de 92.640


habitantes e que está localizado a 837 km de Salvador e do Porto de Aratu e a
639 km de Brasília.

LOCALIZAÇÃO DO PÓLO OESTE BAIANO NOS


CERRADOS NORDESTINOS

“A Zona I - corresponde quase inteiramente à sub-bacia do Rio Grande,


inclusive com a microbacia do rio Preto, onde predominam as unidades de
paisagens Chapadas Altas e Depressão Sertaneja. Tem como característica
principal a sua extensão, que ocupa aproximadamente a metade do território do
Oeste da Bahia. É a área que contém também o eixo principal das vias de
transportes, ligando a região às capitais do Estado e do País. Também nela se
concentra a maioria dos investimentos produtivos de grandes empresas, o que
deu nova configuração ao Oeste da Bahia, tornando Barreiras o maior centro
polarizador e o município de maior concentração urbana e taxa de crescimento
populacional da região. Nela encontra-se ainda a maior parte da produção de
grãos, a maior concentração industrial, comercial e de infra-estrutura de
serviços. Devido às suas características internas e a sua dimensão, esta área
foi subdividida em três subespaços, a seguir denominados pelos seus aspectos
mais gerais.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 12

Figura 1

EM AÇÃ O

PÓLO
OESTE BAIANO

BAHIA
Riachão das Neves

Barreiras

São Desidério

Santa Maria da Vitória

Correntina
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 13

Subespaço l - Complexo Agroindustrial. Área quase totalmente de chapadas


altas, com uma pequena parcela de depressão sertaneja e localizada
inteiramente na sub-bacia do Rio Grande. É o subespaço mais propício ao
fortalecimento de cadeias produtivas agroindustriais, principalmente com a
implantação de empresas fabricantes de rações, de
abate/resfriamento/embutidos de suínos e aves, processadoras de sucos de
frutas, entre outras. O dinamismo deste setor justifica-se ainda pela
disponibilidade de grãos, existência de infra-estrutura industrial, comercial,
bancária e de outros serviços, além da presença de grupos empresariais
modernos. Este subespaço é o centro político regional e onde se concentra a
maioria da infra-estrutura de serviços Seu centro dinâmico é o município de
Barreiras, com destaque para expressivo crescimento do distrito de Mimoso do
Oeste, e engloba também São Desidério, Catolândia, Angical e Riachão das
Neves. Estes três últimos municípios, embora não possuam as características
dos dois primeiros por serem áreas mais tradicionais de pequena produção
agropecuária familiar, têm sua inclusão neste subespaço justificada não só pela
grande proximidade do centro polarizador, mas também pela função que
poderão exercer via produção agropecuária integrada aos complexos agro-
industriais.

Produção de Soja
no Pólo Oeste
Baiano

Zona lI - corresponde apenas a um subespaço caracterizado principalmente por:

Subespaço 4 – Grãos, Irrigação e Pecuária, inserido na sub-bacia do rio


Corrente, já descrita, e pela microbacia do rio Carinhanha. Nele predomina a
unidade de paisagem Chapadas Altas, seguida da Superfícies "Cársticas" e da
Depressão Sertaneja. Santa Maria da Vitória é o centro político polarizador e
concentra a maioria dos serviços públicos e privados. É composto ainda pelos
municípios de Santana, Canápolis, Correntina, Jaborandi, São Felix do Coribe,
Coribe e Cocos. Neste subespaço vêm sendo realizados investimentos bem
sucedidos em fruticultura, principalmente nas áreas de Superfícies Cársticas, de
alta fertilidade natural e, como atividade emergente, destaca-se a produção de
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 14

soja nos cerrados de Correntina. A pavimentação da BR-349, no trecho Bom


Jesus da Lapa–Santa Maria da Vitória–Correntina e a ligação deste último
município com a BR-020 proporcionarão uma maior integracão deste subespaço
ao Centro-Oeste, principalmente pela possibilidade de escoamento da produção
e abertura de novos mercados, aumentando, assim, a importância econômica.
Além de Santa Maria da Vitória destaca-se ainda o município de Correntina,
tanto pela agricultura moderna como pela presença de áreas irrigadas e de
potencial do turismo ecológico."

Plantio de Soja em Pivô Central

A descrição anterior mostra a existência de condições naturais para o


desenvolvimento de uma moderna e eficiente agricultura granífera, de sequeiro
e irrigada, associada à implantação do complexo agroindustrial, que vem a
somar com a fisiografia favorável para a criação de sistemas intermodais, os
quais garantem logística vantajosa para o escoamento da produção.
Como pode-se ver na tabela a seguir, a Região já é uma das grandes produtoras
de grãos do país e tende a tornar-se uma das maiores, a partir do ano 2.000.
Essa expansão tem gerado crescente arrecadação de ICMS com participação de
4,7% da arrecadação total do Estado da Bahia, em 1993, e até junho de 1994
com 3,7%( SPA,1994).
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 15

Previsão de Produção de Grãos

Em Mil t 1995 2.000


PRODUTO
Soja 1.700 3.600
Milho 500 1.000
Arroz 250 500
Feijão 40 350
Total 2.630 5.450

Fonte: Sec. de Plan. e Avaliação(SPA)

O Pólo Oeste Baiano tem duas opções para escoar a sua produção
agropecuária: o Corredor de Exportação Norte, formado pelo sistema ferrovia
Norte–Sul, estrada de ferro Carajás e porto de Itaqui, no qual se insere o Pólo
Sul do Maranhão/Sudoeste do Piauí, em função das características edafo-
climáticas semelhantes e à proximidade geográfica entre essas áreas, e o
Corredor Região Oeste–Aratu/Ilhéus, que constitui um sistema intermodal rodo-
hidro-ferroviário, com articulações da estrada Barreiras–Ibotirama, hidrovia do
rio São Francisco e ferrovia Juazeiro–Aratu–Ilhéus.
A região apresenta condições edafoclimáticas privilegiadas para exploração não
irrigada de grãos (sequeiro) e áreas próprias para culturas irrigadas. Há
predominância de latossolos (mais de 50%), e a vegetação varia de campos
limpos, com predomínio de capins até cerradões (bosques com arbustos e
árvores). A altitude média gira em torno de 800m.

Produção de Café Irrigado por Pivô Central no Pólo Oeste Baiano


DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 16

As precipitações se apresentam superiores a 1.000mm anuais e a


evapotranspiração é de 1400 a 1600mm anuais. O período chuvoso situa-se
entre outubro e março e o período seco, com déficit hídrico, de abril a
setembro. O veranico, que ocorre geralmente no mês de janeiro, é classificado
como pequeno e o menos freqüente entre os cerrados nordestinos. A
temperatura média é de 22°C. Próximo às áreas de produção existem diversas
indústrias de calcário que permitem o uso desse mineral para a correção dos
solos.
A exploração comercial da soja, por sua vez, iniciou-se na década de 1980,
provocando migração de paranaenses, catarinenses, gaúchos e paulistas, e,
mais recentemente, goianos e mato-grossenses em direção aos cerrados
baianos.
Além da soja, os produtores rurais originários do Sul do país desenvolvem na
região outras culturas, como arroz e milho, e adotam tecnologia moderna, com
uso intensivo de mecanização, adubação e correção de solos. Utilizam também
inoculantes para fixação do nitrogênio, sementes selecionadas, rotação de
culturas, tratos culturais adequados e a prática do plantio direto.
Podem-se destacar, ainda, na safra de 1996/97, as culturas do café irrigado, o
trigo irrigado e o boi debaixo do pivô semiconfinado. A produtividade do café na
região está atingindo em torno de 70 sacas por ha.

Parque Industrial da CEVAL em Mimoso D'Oeste no Pólo Oeste Baiano


DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 17

As potencialidades do Pólo Oeste Baiano podem ser ainda evidenciadas pelos


seguintes fatores:

a) possibilidade de utilização de um sistema intermodal de transporte,


segundo as opções via Balsas–Itaqui e rio São Francisco–Aratu;

b) grande potencial para expansão da irrigação;

c) complexo agroindustrial implantado e em ampliação;


d) disposição e vontade política do governo federal e estadual de
investir no setor de infra-estrutura da região;
e) proximidade dos mercados norte-americano, europeu e nordestino;
f) inserção da região em área contemplada com recursos do FINOR e
FNE;
g) disponibilidade de terras agricultáveis de boa qualidade e de baixo
custo (R$ 50,00 a 300,00 /ha de terra virgem);
h) disponibilidade de jazidas de calcário, insumo de fundamental
importância para a agricultura dos cerrados;
i) tecnologia disponível para exploração, de forma competitiva, da
produção de grãos;
j) mão-de-obra disponível, parte dela com razoável nível de
conhecimento;
l) topografia plana a suavemente ondulada, possibilitando a
exploração da agricultura mecanizada e o emprego de alta
tecnologia;
m) implantação do PRODECER II, como efeito demonstração de
resultados, implicando um efeito multiplicador no médio prazo para
os agricultores da região, com a agricultura de sequeiro e irrigada;
n) organização dos produtores rurais em associações e cooperativas;
o) investimentos realizados pela iniciativa privada na produção de
grãos com alta tecnologia;
p) vocação do Brasil para supridor mundial do complexo soja;
q) forte adoção de medidas preservacionistas (plantios em curvas de
nível, terraceamento, plantio direto etc.);
r) possibilidade comprovada no campo para a exploração racional de:
soja, feijão, arroz, milho, milheto, algodão, café, bovinocultura,
avicultura e suinocultura;
s) interesse internacional em alocar recursos na região, a exemplo do
PRODECER II.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 18

Café Irrigado em Produção

Entretanto, apesar das potencialidades identificadas, a região apresenta pontos


de estrangulamento de caráter geral. Nos capítulos seguintes deste documento,
serão analisados, com maior profundidade, a partir dos debates ocorridos no
workshop, os fatores alavancadores e restritivos do Pólo Oeste Baiano, bem
como as ações recomendadas para potencializar o seu desenvolvimento.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 19

3. DIAGNÓSTICO DOS FATORES ALAVANCADORES E


RESTRITIVOS

3.1. Discussão Sobre os Temas Específicos

INFRA-ESTRUTURA

A região de fronteira agrícola do Nordeste, formada pelo cerrado setentrional,


corresponde a uma parte do cerrado do Oeste da Bahia e apresenta uma infra-
estrutura já bastante diversificada, mas com uma série de fatores considerados
gargalos para o seu desenvolvimento. Há deficiência na infra-estrutura
produtiva, na qualidade de vida e no progresso social. Nesse contexto, inserem-
se todos os setores da infra-estrutura de transporte, energia, telefonia,
armazenagem, saneamento urbano e serviços.
Para serem competitivos, os eixos de transporte necessitam dos insumos de
logística que, no caso do agribusiness de grãos, são: armazéns ao nível de
propriedade agrícola, estradas vicinais, silos coletores, terminais intermodais,
pátios ferroviários, portos, coordenação aduaneira, navegação costeira e
transoceânica e marketing. Os eixos de transporte dotados dos insumos de
logística se transformam em sistemas de logística.
Os sistemas de logística dotados das demais infra-estruturas econômicas, tais
como energia, comunicação e telemática, se transformam em eixos de
desenvolvimento.
Segundo Renato Pavan, a matriz de transporte intermodal tem significativa
importância na formação dos custos globais dos produtos. Os transportes mais
econômicos e que gastam menos combustível são, pela ordem, o de cabotagem,
o hidroviário, o ferroviário e, por último, o rodoviário, na proporção de 1: 2: 4:
8.
A discrepância na utilização das modalidades de transporte no Brasil, conforme
dados do QUADRO 1, faz com que o produto brasileiro seja onerado, deixando
de ser competitivo em relação aos produtos de outros países.
Tomando-se como referência o porto de Rottherdan, o custo total de transporte
dos Estados Unidos é de US$ 28,0/t, da Argentina atinge US$ 43,00/t, o do
Brasil é de US$ 68,00/t, diminuindo a renda do produtor brasileiro e reduzindo a
competitividade do setor exportador brasileiro. (PAVAN, 1993.)

A questão do uso do sistema intermodal de transportes para escoamento da


produção no Oeste da Bahia ainda está um pouco complicado em virtude da
ausência de complementação nos investimentos para ferrovias e hidrovias e
também da falta de conservação das rodovias existentes. A malha rodoviária
está em condições precárias, como a rodovia Barreiras–Brasília (BR 020),
Barreiras–Salvador(BR 242) e Barreiras–Piauí(BR135). Essa situação torna o
tráfego cada vez mais difícil, encarecendo o escoamento da produção e a
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 20

importação de insumos, e dificultando os fluxos intra-regionais, uma vez que


essas rodovias são estruturadoras desse tipo de tráfego. E de fundamental
importância a implantação de, pelo menos, uma opção, dentre os dois
existentes, de sistemas integrados de transportes.
QUADRO 1
PRINCIPAIS PAÍSES PRODUTORES DE SOJA
DISTRIBUIÇÃO DE CARGAS NA MATRIZ DE TRANSPORTE INTERMODAL

PAÍS TIPOS DE TRANSPORTES (%)

Ferroviário Rodoviário Hidroviário Cabotagem

EUA/Argentina 35 20 40 5

Brasil 30 65 2 3

Fonte: PAVAN,1993

Dessa forma, o sistema de transporte constitui o principal ponto a atacar, dentro


de um esforço de estruturação dos cerrados nordestinos, vez que impacta tanto
o custo de produção, via custo com transporte de insumos, quanto o de pós-
produção.
Em termos de infra-estrutura, merece destaque também o processo sistêmico de
armazenagem, que inclui unidades armazenadoras ao nível de propriedade
agrícola, coletora, intermediária e terminal. O Brasil ainda não dispõe de um
sistema nesse nível, mas apenas de um conglomerado de unidades o mais
diversas possível, com predominância de armazéns coletores. Com isso, há uma
perda de aproximadamente US$ 3 bilhões de dólares/ano, ao longo de todo o
sistema. (PAVAN, 1993.)
Os municípios da área de influência do Pólo apresentam ainda sérias
deficiências no que concerne à infra-estrutura urbana (saúde, educação,
saneamento básico, etc.) e serviços na área rural (energia e telefonia). No caso
da energia, o principal problema hoje é a "tensão energética" que está sempre
com interrupções, causando sérios prejuízos às máquinas e equipamentos
elétricos. Ao que parece, a tensão é insuficiente para a demanda. No caso da
telefonia, o sistema existente é precário, inclusive a telefonia celular.

MEIO AMBIENTE

O uso intensivo da área do cerrado está provocando uma série de mudanças


ambientais que reclamam uma ação vigilante da sociedade. A ação antrópica
tem causado grandes impactos na região, entre eles o desmatamento
indiscriminado de grandes áreas, com a destruição da flora e da fauna; a
introdução intensiva de espécies exóticas em forma contínua, e a conseqüente
exigência de tratamentos fitossanitários que utilizam agrotóxicos, os quais
contaminam as águas dos rios; a erosão laminar dos solos causando o
assoreamento dos canais de drenagem que levam as águas para os leitos dos
rios, alterando o regime hidrológico; a intensificação da urbanização, com o
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 21

lançamento nos rios de esgotos sanitários sem tratamento; a poluição causada


pelo lixo urbano etc.
Por outro lado, esse processo traz, também, aspectos positivos ao transformar
solos anteriormente considerados marginais ou improdutivos em solos
economicamente aproveitáveis; a introdução de tecnologias modernas; a
geração de grande quantidade de empregos diretos e indiretos; a implantação
de agroindústrias; a diversificação e dinamização de centros urbanos; a geração
de toda uma gama de serviços correlatos e, principalmente, a elevação da renda
“per capita”.
A sociedade deve, então, criar salvaguardas que impeçam ou, pelo menos,
minimizem as conseqüências danosas que podem influenciar o meio ambiente.

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Existência de um Centro de Pesquisa no cerrado é de fundamental importância


para dar suporte ao processo de modernização da agropecuária da Região. A
prova disso foi o desenvolvimento de culturas adaptadas às condições
ambientais do cerrado, como a soja, carro-chefe do grande impulso que ocorreu
na agricultura local. O incentivo à pesquisa, decorrente de uma política
governamental, gerou resultados positivos em termos de aumento da área
plantada, produção e produtividade para essa commoditie.
Apesar do grande avanço que a pesquisa propiciou a essa Região, é necessário
que os trabalhos continuem para manter o setor competitivo. No momento,
evidencia-se escassez de recursos para continuação das pesquisas. Observa-se
também uma certa falta de sintonia entre o que os técnicos pesquisam e o que
as classes produtivas demandam.
De nada adiantam bons resultados da pesquisa se esta não for acessível aos
produtores. Nesse particular, as empresas de assistência técnica e extensão
rural, públicas e privadas, exercem papel relevante na difusão de tecnologias
apropriadas aos produtores, para que possam inserir-se, de forma competitiva,
no mercado. Portanto, há de se promover uma maior qualificação dos técnicos e
produtores, aproveitando para isso toda a estrutura disponível, a exemplo da
Escola Agrotécnica de Barreiras.

CAPACITAÇÃO, GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS PRODUTORES

A implantação de uma agricultura dinâmica com processamento das matérias-


primas, mediante a implantação de complexos agroindustriais, sobretudo quando
envolve atividades econômicas com elevado grau de modernização - caso do
complexo soja - requer capacitação que abranja um leque bastante amplo de
necessidades, além de envolver atividades com elevado grau de especialização
e sofisticação, de evolução bastante dinâmicos, exigindo, portanto, constante
reciclagem dos recursos humanos envolvidos. No caso do Pólo Oeste Baiano, a
multiplicidade de culturas agrícolas, juntamente com as atividades pecuárias em
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 22

expansão, geram uma demanda crescente de técnicos altamente capacitados,


inclusive daqueles conhecedores da logística de mercados.
A questão da capacitação tecnológica e os esforços concentrados e sistemáticos
no campo da qualidade e produtividade são de importância estratégica no
desenvolvimento da Região. O acesso à educação, à moderna ciência e à
tecnologia são fundamentais para o aproveitamento racional dos recursos
disponíveis, por intermédio da utilização de métodos e processos que permitam
maximizar resultados. A excelência do fator humano é decisivo para a
competitividade sob todos os aspectos técnicos, gerenciais e de organização
dos produtores.
A experiência, os avançados recursos tecnológicos e os modelos de
organização e gerenciamento dos empreendimentos agrícolas, praticados por
produtores oriundos do Centro-Sul do País, têm sido parâmetro para os
produtores locais, cujo “efeito demonstração” tem servido como instrumento
indutor no processo de transformação da economia da região.
É fundamental, também, a questão da capacitação, da gestão e da organização
da atividade produtiva, bem como a capacitação e a gestão da administração
municipal. Na atividade produtiva, porque é nela que está o fator dinâmico da
economia e na administração municipal, porque é no município onde tudo ocorre
e onde se encontram a fonte do poder para decidir sobre as ações a serem
implementadas. Daí por que é importante capacitar os dirigentes na gestão da
coisa pública e privada.
Muitos dos empreendimentos não são exitosos, geralmente pelo total
desconhecimento dos dirigentes público ou privados, das modernas técnicas de
organização e gerenciamento. Empresas agroindustriais de grande porte
necessitam de treinamento constante sobre capacitação de gerentes e de
trabalhadores. Embora a região do Pólo Oeste Baiano tenha tido um afluxo
muito grande de imigrantes do Sul do país com alguma experiência, é
necessário que se invista bastante na capacitação desses produtores.
Não há dúvida, portanto, da necessidade de ações permanentes no sentido de
utilizar as experiências válidas e fortalecê-las, bem como empregar meios para
romper as barreiras que persistem no que diz respeito aos temas em apreço.

PRODUÇÃO E MERCADO DE INSUMOS

A produção de grãos no Oeste baiano vem historicamente crescendo a taxas


elevadas, exceto nos anos de 1991/92 quando, devido a problemas de política
agrícola, houve um decréscimo. A partir desse ano, a produção de grãos, que
atingia em torno de 800 mil toneladas, passou a crescer novamente, chegando a
produzir próximo de 1,0 milhão de toneladas em 1993 e de 941,3 mil toneladas.
Está prevista para o ano 2.000 uma produção de 5,4 milhões de toneladas.

Essa grande expansão na produção de grãos, associada ao aumento da


produção pecuária, criou um grande mercado para trás da produção, o mercado
de insumos e produtos como fertilizantes, máquinas e equipamentos agrícolas, e
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 23

para frente da produção, o mercado de caminhões, máquinas para


agroindústrias e equipamentos para exportação da soja. Isso gerou uma
razoável rede local de distribuição de insumos, máquinas e equipamentos
agrícolas, que vem dando suporte ao desenvolvimento da Região. Pelos dados
de produção de soja do gráfico abaixo, pode-se observar o grau de evolução da
produção dessa cultura.
Evolução da Produção de Soja no Pólo Oeste Baiano

1200

1000

800

600

400

200

0
1985/86

1986/87

1987/88

1988/89

1989/90

1990/91

1991/92

1992/93

1993/94

1994/95

1995/96

1996/97
Estudo recente da então Secretaria de Planejamento, Orçamento e
Coordenação da Presidência da República registra uma diversificação e
tecnificação da exploração, além da integração e verticalização dos processos
produtivos nos modernos padrões da agricultura praticada no país. Além da
rotação das culturas de arroz-soja-milho, já se fazem, nas áreas de lavoura,
consórcios com pecuária bovina, plantação de pastagens e forrageiras e já
começa a proliferar a pecuária bovina confinada.
Estão implantadas diversas indústrias de produção agrícola, induzindo um
processo de verticalização dos sistemas produtivos. Procura-se a transformação
da proteína vegetal em animal, tendo como destaque a promissora atividade
avícola.
A necessidade de rotação de cultura e os condicionantes de mercado abrem
boas perspectivas de diversificação e integração, incluindo-se o algodão de fibra
longa, a ampliação da área com feijão, arroz, milho, café e a utilização do gado
confinado nas áreas de pastejo.
A pecuária bovina superextensiva do passado, ainda hoje explorada por
pecuaristas da região, tende a tornar-se uma atividade desenvolvida em base
moderna e de alta produtividade, compatível com os padrões praticados nos
países que ocupam as primeiras posições no ranking mundial. Destaca-se a
possibilidade de integração da soja com a pecuária bovina, avicultura e
suinocultura, permitindo a geração de produtos de maior valor agregado.
Tratando-se de um Pólo com experiências bem sucedidas e considerando os
favoráveis resultados e as boas perspectivas para a produção e mercado de
insumos, há muitos obstáculos a serem superados, a exemplo da
descapitalização dos produtores, dentre outros.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 24

PROMOÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

A questão da comercialização é fundamental para qualquer empreendimento


agrícola. O comércio mundial de alimentos está hoje totalmente interligado pelas
grandes cadeias comerciais.
As perspectivas de mercado para os produtos da região são promissoras, haja
vista as tendências de crescimento da população e da renda mundial e regional.
Segundo projeções da Food Agriculture Service (FAZ), até 2005 a renda mundial
crescerá em cerca de 5 trilhões de dólares. Isso sugere um significativo
incremento na demanda por produtos agrícolas, especialmente para aqueles
sensíveis ao aumento da renda.
Além dos tradicionais importadores, liderados pela União Européia que importa
85% do farelo de soja e 92% do grão produzido no Brasil, os países do Leste
asiático mostram-se como potenciais mercados importadores de grãos,
derivados e carnes, haja vista o processo de abertura econômica e o
crescimento de suas economias, a exemplo da China, com população de mais
de 1,2 bilhão de habitantes, que vem crescendo nos últimos anos a taxas que
têm oscilado entre 8 e 12% a.a.
Os principais concorrentes do Brasil no mercado de grãos são: Estados Unidos
e Argentina, bem como Canadá e Austrália, no caso do trigo. Especificamente
no caso da soja, a produção brasileira vem respondendo por 20% da produção
mundial, com amplas possibilidades de elevar essa participação.
A região Nordeste, com uma população de aproximadamente 50 milhões de
habitantes, vem apresentando déficits sistemáticos dos principais produtos
básicos: arroz, feijão, milho e carne, sendo, portanto, um grande mercado para
produtos agrícolas, quer em grão para consumo humano, quer para
industrialização (óleo e farelo) ou para atender aos segmentos da avicultura,
suinocultura e bovinocultura de leite. Dados oficiais registram que dos óleos
comestíveis consumidos na região, 80% se originaram de soja e das rações
demandadas pelo Nordeste, 28% são oriundos de farelo de soja.
A soma dos diversos segmentos de consumo da região tem exercido forte
pressão sobre a oferta de milho e soja, exigindo constantes importações de
milho nos últimos anos, oriundas do Sul, do Centro-Oeste e da Argentina.
Num quadro de economia estabilizada e com possibilidade de melhor
redistribuição de renda, as perspectivas são de consumo ainda maior na região
Nordeste, haja vista a grande demanda reprimida por alimentos.
As otimistas perspectivas de conquista e ampliação desses mercados só se
confirmarão se vencidos muitos obstáculos no que tange aos temas abordados.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 25

AGROINDÚSTRIA

Os três maiores produtores mundiais de soja são: o Brasil, os EUA e a


Argentina, que respondem, respectivamente, por 92,4, 76,2 e 67,0% das
exportações de grãos, farelo e óleo. (vide QUADRO 3.)
QUADRO 3
PAÍSES EXPORTADORES DE SOJA E DERIVADOS
ITENS BRASIL ARGENTINA EUA TOTAL
Grão 15,1% 10,3% 67,0% 92,4%
Farelo 32,6% 22,3% 21,3% 76,2%
Óleo 21,2% 29,0% 16,8% 67%
Fonte: CONAB

Aproximadamente 75% da soja brasileira se destina às indústrias moageiras, 5 a


6% para sementes e 20% ao mercado externo, o que representa 8% das
exportações globais e 30% das exportações de produtos básicos.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), a
capacidade de esmagamento de soja no Brasil é de 31 milhões de
toneladas/ano, cujas indústrias estão, na sua maioria, localizadas no Sul do País
e operam com uma capacidade ociosa média anual de 35%. Isso exige, nos
meses de janeiro e fevereiro, período de maior escassez, a importação do
produto, em regime de drawback, para melhor utilização da capacidade
instalada.
A moagem de grãos resulta em 78% de farelo de soja, 19% de óleo e 3% de
perda. Os mencionados produtos destinam-se aos mercados interno e externo
na seguinte proporção:
• Farelo: 30% consumidos no mercado interno em forma de ração para aves e
suínos e 70% destinados à exportação.
• Óleo: 75% consumidos no mercado interno em forma de óleos e margarinas e
25% destinados à exportação.

Em que pese sua importância como significativo pólo produtor de grãos, a região
em estudo necessita de uma estrutura agroindustrial para a absorção de parcela
da produção local, para o consumo ou transformação, garantindo sua
sustentabilidade no médio e longo prazo.
Na medida em que a agroindústria agrega valor ao produto, ampliam-se a
geração e a distribuição de renda, a arrecadação tributária e criam-se novas
oportunidades de empregos diretos e indiretos.
Embora a região de Barreiras se limite hoje basicamente à produção de grãos
para exportação, já conta com unidades instaladas de grandes agroindústrias
nacionais, como a COMPANHIA SANTISTA(antiga OLVEBASA) e a CEVAL,
além de pequenas agroindústrias de beneficiamento e fabricação de farinha de
arroz e de milho.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 26

3.2. Fatores Alavancadores e Restritivos

3.2.1. INFRA-ESTRUTURA

Alavancadores:

a) sistemas intermodais em implantação como o Corredor de Exportação


Norte e o Corredor Região Oeste/Aratu. Os corredores possuem portos
para atracagem de navios de grande porte, principalmente o de São
Luís, condição básica para viabilizar o transporte de grandes volumes
de cargas de grãos para os EUA, Europa e Ásia;
b) agroindústrias implantadas e em implantação que proporcionam à
Região uma grande capacidade de potencialização da sua produção
agropecuária;
c) disposição política dos representantes da Região para imprimir ações
que visem a realização de projetos de infra-estrutura;
d) energia disponível em Barreiras, com linhas de transmissão (LTs) de
138/69 KV, já atendendo à Região;
e) boa capacidade para armazenamento de grãos em granel nas
redondezas da região dinâmica de Barreiras.

Restritivos:

a) deficiente conservação da malha rodoviária estadual e federal;


b) falta de pavimentação nas estradas estaduais que interligam os
municípios da Região;
c) falta de estradas vicinais nas principais zonas produtoras;
d) capacidade operacional dos aeroportos locais insuficiente e
incompatível com o afluxo real e potencial de passageiros, atraídos
pelos negócios gerados no Pólo;
e) transporte intermodal incompleto;
f) correios com capacidade operacional esgotada, necessitando uma
reestruturação e expansão;
g) sistema de telefonia rural e urbana deficiente;
h) sistema de eletrificação rural necessitando de expansão para atender à
demanda;
i) falta armazéns com equipamento de secagem de grãos;
j) inexistência de câmaras frias nos locais de exportação;
l) deficiente sistema de saneamento básico, abastecimento dágua, rede
de educação e saúde pública;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 27

m) insuficientes mananciais d'água (barragens, açudes, poços tubulares,


etc.) para atender à demanda para consumo humano, animal e
irrigação.

3.2.2. MEIO AMBIENTE

Alavancadores:

a) Aproximadamente 10% da área dos cerrados foi explorada. Caso se


promova uma ação imediata, os efeitos sobre o meio ambiente podem
ser minorados;
b) nível cultural dos novos colonizadores mais acessível às orientações
sobre a conservação do meio ambiente;
c) consciência da sociedade da necessidade de se conservar o meio
ambiente;
d) desenvolvimento urbano com oferta mais eqüanime dos serviços
sociais, acarretando menor pressão sobre os recursos naturais, mais
precisamente os recursos de água.

Restritivos:

a) descumprimento das leis ambientais, por falta de uma consciência


conservacionista e por falta de fiscalização;
b) não há educação ambiental para a comunidade;
c) ineficiência dos órgãos de fiscalização ambiental;
d) impactos ambientais causados pelos grandes projetos financiados
pelas instituições de fomento;
e) desmatamento das margens e nascentes dos rios;
f) utilização indevida dos mananciais hídricos (rios, nascentes, etc.), sem
a autorização legal (outorga) dos usuários;
g) erosão causada pelas lavouras;
h) destinação indevida das embalagens dos agrotóxicos e dos resíduos
sólidos, com danos ao meio ambiente;
i) caça e pesca predatórias;
j) queimadas sem controle;
l) turismo predatório;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 28

m) desmatamento e utilização inadequada das margens dos rios, com


sérios danos ao meio ambiente;
n) poluição dos rios causada pela expansão urbana e rural;
o) saneamento básico deficiente;
p) deficiente administração de águas superficiais e subterrâneas;
q) deficiente barramento de mananciais.

3.2.3. PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Alavancadores:

a) existência de uma unidade de pesquisa da EMBRAPA na região,


dedicada a atender aos cerrados;
b) presença de agricultores com nível técnico condizente com uma
agricultura tecnificada e intensiva;
c) bons resultados de pesquisa voltada para o desenvolvimento de
cultivares de soja, milho, algodão, feijão e arroz, mais produtiva e
adaptada às condições dos cerrados;
d) forte parceria do Governo Estadual com instituições privadas para o
desenvolvimento de pesquisas.

Restritivos:

a) desqualificação e insuficiência de técnicos(recursos humanos) para


atender à crescente demanda por assistência rural;
b) existência de corporativismo institucional;
c) carência de recursos financeiros para pesquisa;
d) falta de zoneamento agroecológico para potencializar o uso atual das
áreas e evitar danos ao meio ambiente;
e) necessidade de promover pesquisas sintonizadas com as demandas
da classe produtora.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 29

3.2.4. CAPACITAÇÃO, GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS PRODUTORES

Alavancadores:

a) parceria com instituições de pesquisa como EMBRAPA e a EBDA;


b) atuação conjunta de diversas empresas e programas voltados para a
capacitação, tais como: PRODECER, EBDA, Banco do Nordeste e
Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD);
c) consciência de boa parte dos produtores quanto à necessidade de
capacitação;
d) existência de formas bem estruturadas de organização de produtores e
da sociedade em geral, tais como: cooperativas, associações,
fundações e condomínios;
e) existência de parcela dos produtores individuais e empresas com bom
nível gerencial e empresarial.

Restritivos:

a) carência de instrutores preparados para capacitação em produção e


gestão;
b) falta de centros regionais de treinamento na área agrícola e
agroindustrial;
c) elevado índice de analfabetismo;
d) falta de investimento na área de educação por parte dos órgãos
responsáveis;
e) falta de capacitação dos dirigentes municipais para gerir o setor
público;
f) descontinuidade no processo de capacitação;
g) ausência de uma política integrada que identifique as reais
necessidades dos produtores, em sintonia com as ações de
capacitação;
h) falta de informação sobre cursos de capacitação;
i) descrédito nas entidades governamentais de uma forma geral;
j) falta de comprometimento dos dirigentes e membros das entidades
associativas;
l) forte cultura individualista e dificuldade de organização;
m) falta de apoio de entidades públicas e privadas;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 30

n) falta de planejamento e metodologia adequados, nos programas de


capacitação;

3.2.5. PRODUÇÃO E MERCADO DE INSUMOS

Alavancadores:

a) grande disponibilidade de terras agricultáveis irrigáveis, a preços


baixos, com potencial para geração de grandes volumes de produção
e, conseqüentemente, de ganhos à escala;
b) condições edafoclimáticas favoráveis à produção de grãos e à
exploração pecuária;
c) diversificação de culturas, induzida pela necessidade de
sustentabilidade econômica e ambiental;
d) integração cultural de empresários locais com empresários oriundos do
Centro-Sul do País, com bom nível de capacitação, experiência e um
razoável nível de capitalização;
e) disponibilidade de crédito de longo prazo na rede oficial;
f) mecanismos alternativos de mercado para apoio à produção e
comercialização;
g) existência de jazidas e indústrias de calcário, a distâncias
relativamente próximas ao Pólo;
h) oferta de insumos, máquinas e equipamentos próxima às zonas de
produção.

Restritivos:

a) elevada carga tributária;


b) alto custo financeiro (juros, comissões e tarifas) nos empréstimos
bancários;
c) grande número de canais de intermediários entre produtores e
consumidores;
d) falta de recursos para investimentos em correção de solos;
e) pequeno número de agroindústrias;
f) logística de transporte ainda onerosa (corredores de exportação);
g) estrutura de armazenamento insuficiente;
h) carência de sementes e mudas melhoradas geneticamente;
j) necessidade de fortalecer órgãos que promovam a classificação dos
produtos.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 31

3.2.6. PROMOÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

Alavancadores:

a) disponibilidade de materiais genéticos adaptados às demandas do


mercado asiático (soja);
b) boa qualidade dos grãos produzidos (limpeza, tamanho, alto
rendimento, elevado teor de óleo no caso da soja, etc.), conferindo boa
aceitação dos produtos no mercado;
c) posição geográfica privilegiada, em relação aos mercados
consumidores;
d) possibilidade de escoamento da produção por dois corredores de
exportação;
e) demanda reprimida no mercado regional para milho, feijão, arroz,
algodão e boi gordo, com perspectivas de crescimento;
f) favoráveis tendências do mercado internacional para commodities
agrícolas (saca de soja: US$ 9,75 em 1992; US$ 15,00 em 1997) ;
g) existência de três grandes empresas comercializadoras de soja, em
Barreiras;
h) disponibilidade de mecanismos alternativos de mercado para
comercialização, como o sistema de comercialização de ativos
agropecuários em bolsas de mercadorias - Convênio do Banco do
Nordeste com as bolsas regionais para o mercado à vista;
i) existência de sistemas avançados de informação de preços e mercado
inclusive em “real time”, a exemplo do AgroCast (Agência Estado) e do
Sistema de Informações de Preços Para Gerenciamento do Mercado
Agropecuário do Nordeste(SIGMAN), desenvolvido pelo Banco do
Nordeste.

Restritivos:

a) falta de conscientização dos produtores da necessidade de se


organizarem para tirar partido da produção e venda em escala;
b) burocracia fazendária dificultando a agilidade do processo de
comercialização;
c) necessidade de incrementar trabalho de “marketing” para elevar o
consumo dos produtos agropecuários, sobretudo no exterior;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 32

d) ausência de uma política agrícola compatível com as necessidades dos


produtores;
e) falta recursos nos diversos elos da cadeia produtiva;
f) desunião da classe produtora no planejamento e comercialização da
produção;
g) falta de isonomia de tratamento nas relações comerciais com os países
do Mercosul;
h) falta de zoneamento e informações estatísticas de produção;
i) falta de especialização dos rebanhos.

3.2.7. AGROINDÚSTRIA

Alavancadores:

a) disponibilidade de área física destinada à produção, processamento,


colonização e urbanização;
b) grande oferta de matéria-prima;
c) existência de várias plantas agroindustriais;
d) posição geográfica favorável em relação aos mercados interno e
externo para produtos agroindustrializados;
e) abundante base de recursos naturais adequados à produção de
matéria-prima em escala para atender à agroindústria local e ainda
exportar;
f) mão-de-obra abundante (parte dela já com algum grau de
especialização técnica e gerencial em segmentos agrícolas);
g) disponibilidade de linhas de financiamento de médio e de longo prazo
para o setor agroindustrial;

Restritivos:

a) reduzido nível de verticalização/diversificação da produção


agropecuária e agroindustrial;
b) superdimensionamento de determinados projetos agroindustriais;
c) excessiva burocracia no processo de análise, concessão e liberação
dos financiamentos para a agroindústria;
d) diminuta qualificação de grande parte da mão-de-obra;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 33

e) dispersão da produção;
f) relação entre produtores e agroindustriais em nível insatisfatório.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 34

4. AÇÕES PROPOSTAS

Como resultado das discussões nas comissões de trabalho, foi sugerida a


formação de grupos interinstitucionais, com vistas a desenvolver as seguintes
ações para potencializar os fatores alavancadores e minimizar os restritivos:

4.1 INFRA-ESTRUTURA

a) manter um programa permanente de conservação das rodovias federais que


ligam as cidades do Pólo Oeste Baiano ao Nordeste e ao Centro-Sul;
b) asfaltar rodovias estaduais que interligam os municípios do Pólo ou que
facilitem o escoamento da sua produção;
c) construir e efetuar manutenção das estradas vicinais;
d) implantar balanças rodoviárias nas rodovias federais;
e) implementar projeto de transporte intermodal (rodo-hidro-ferroviário),
enfatizando a criação da “Hidrovia do São Francisco”;
f) ampliar o aeroporto de Barreiras;
g) promover a reestruturação dos correios para atendimento das demandas da
região;
h) implantar e expandir sistema de telefonia rural e urbana, inclusive instalando
telefones públicos em pontos estratégicos nas estradas estaduais e nas
pequenas comunidades;
i) ampliar a rede de distribuição de energia para atendimento das demandas
atuais e potenciais;
j) incentivar o uso de energias alternativas (eólica, solar, biodigestor, etc.),
inclusive promovendo cursos a fim de capacitar os produtores rurais para sua
utilização;
l) ampliar e modernizar a rede de armazéns da região e viabilizar sistemas de
secagem de grãos;
m) promover credenciamento de armazéns privados pelo Governo Federal;
n) viabilizar a construção de câmaras frias para frutas, nos locais de produção e
de exportação;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 35

o) ampliar a oferta dágua para atender as demandas para consumo humano, e


animal, bem como para irrigação (construção de barragens, açudes, poços
tubulares);
p) estender os serviços de distribuição de água encanada para pequenas
comunidades carentes;
q) construir hospitais nas sedes dos municípios e postos de saúde nos distritos
e comunidades rurais;
r) reaparelhar, reformar hospitais e postos de saúde existentes;
s) criar conselhos municipais de saúde;
t) ativar programa de agentes de saúde.

4.2. MEIO AMBIENTE

a) maior rigor na concessão de outorga d’água, via critérios estritamente


técnicos e legais;
b) rever outorgas já concedidas;
c) implementar, através de créditos específicos, programas de microbacias e de
conservação dos solos;
d) observar os termos do Protocolo Verde2, nos processos de concessão dos
créditos (desmatamentos, queimadas, agressão a mananciais dágua, etc.);
e) realizar estudos sobre impactos ambientais na construção de estradas;
f) exigir outorga para perfuração de poços;
g) viabilizar audiência pública com o objetivo de implementar barramentos;
h) implementar programa de saneamento básico nos municípios do Pólo;
i) inserir, no currículo das escolas, disciplina de educação ambiental;
j) disseminar, entre os produtores, a importância da variável ambiental;
l) ampliar a alocação de recursos para órgãos fiscalizadores ambientais;
m) promover o reflorestamento das nascentes e das margens dos rios;

2
Protocolo Verde é um grupo composto de integrantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério
da Fazenda (MF), Ministério do Planejamento (MPO), Ministério da Agricultura (MA), Banco Central e os
bancos oficiais (BNDES, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e BASA) para
apresentar diretrizes, estratégias, recomendações e mecanismos operacionais com o objetivo de inserir a
variável ambiental no processo de concessão e gestão do crédito e dos benefícios fiscais às atividades
produtivas.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 36

n) promover a discussão com a comunidade sobre grandes projetos que


causem impacto ambiental;
o) criar depósito na zona urbana para recepção e posterior reciclagem dos
recipientes dos agrotóxicos;
p) divulgar as linhas de financiamento para empreendimentos voltados à
reciclagem do lixo agrícola, através do sistema de “tríplice lavagem”,
incluindo-se infra-estrutura para incineração de embalagens de agrotóxicos;
q) criar legislação específica que obrigue as empresas fornecedoras de
agrotóxicos a recolherem, nas fazendas, os recipientes utilizados;
r) promover fiscalização específica sobre a aviação agrícola;
s) reaparelhar o IBAMA e outros órgãos ambientais estaduais e municipais,
para incrementar a fiscalização, inclusive promovendo concurso público
destinado à seleção de pessoal, quando for o caso;
t) incentivar o ecoturismo na região;
u) promover a educação ambiental específica para o ecoturismo;
v) criar e conservar áreas de preservação ambiental;
x) incentivar a participação da sociedade, através das prefeituras, ONGs e
câmaras municipais, nas discussões das questões ambientais;
z) renovar e atualizar o Plano Diretor de Barreiras.

4.3. P & D E ASSISTÊNCIA TÉCNICA

a) promover a reciclagem e capacitação dos técnicos;


b) reestruturar a Escola Agrotécnica de Barreiras;
c) prospectar linhas de financiamento de pesquisas a fundo perdido;
d) desenvolver metodologias alternativas destinadas à prestação de assistência
técnica junto aos produtores e cooperativas;
e) mapear ambientes adequados ao desenvolvimento de atividades
agropecuárias de significativa importância social e econômica (zoneamento
agroecológico);
f) desenvolver melhoramento de sementes e mudas com validação em campos
experimentais;
g) regulamentar a “Lei de Proteção de Cultivares”;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 37

h) promover pesquisas sobre: ciências sociais; manejo animal e vegetal;


melhoramento genético; “Post Mortem”; mercado de produtos e insumos;
novas alternativas de exploração pecuária; práticas de conservação do meio
ambiente; manejo de sistemas de irrigação;

4.4 CAPACITAÇÃO, GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DOS PRODUTORES

a) criar balcão de informações a produtores;


b) reduzir exigências burocráticas no registro de associações e cooperativas;
c) buscar maior atuação das entidades governamentais no processo de
organização dos produtores;
d) incentivar “espírito coletivo” junto aos produtores rurais e conscientizá-los
da necessidade de se organizarem;
e) identificar novas lideranças comprometidas com os interesses da classe
produtora;
f) elaborar plano de ação e metas com vistas a capacitar e organizar
produtores rurais.

4.5 PRODUÇÃO E MERCADO DE INSUMOS

a) promover redução da carga tributária incidente sobre a produção e insumos;


e/ou transferir seu ônus para o consumidor final;
b) negociar redução de tarifas bancárias e encargos financeiros;
c) melhorar corredores de exportação;
d) incentivar a instalação de armazéns ao nível de propriedade rural;
e) fomentar a pesquisa/produção de sementes e mudas melhoradas
geneticamente;
f) fortalecer os órgãos responsáveis pela certificação e classificação de
produtos agropecuários;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 38

4.6. PROMOÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

a) agilizar serviços de fiscalização e arrecadação de tributos;


b) promover ações com vistas à regularidade e ao incremento da qualidade da
produção agropecuária;
c) promover estudos mercadológicos;
d) viabilizar pesquisas de mercado (oferta, demanda);
e) melhorar a apresentação do produto ao consumidor final;
f) incentivar a formação de parcerias entre os elos da cadeia produtiva
(formação de “clusters”);
g) apoiar a criação de organizações especializadas em comercialização;
h) reivindicar isonomia de tratamento quando das negociações com parceiros
brasileiros no Mercosul;
i) incentivar melhoramento genético dos rebanhos (a exemplo de experiências
bem sucedidas “Novilho Precoce” e “Proleite”);

4.7. AGROINDÚSTRIA

a) estabelecer zoneamento regional para indústria, com perfil e estudos


validados localmente;
b) priorizar produtos agroindustriais competitivos e potencializá-los;
c) incentivar projetos agroindustriais de tecnologia de ponta;
d) disponibilizar, com agilidade e oportunidade, linhas de crédito, nacionais e
internacionais, com encargos financeiros e prazos de amortização/ carências
adequados;
e) imprimir maior rigor e fiscalização para evitar interferências políticas na
liberação de recursos destinados a agroindustriais superdimensionados;
f) apoiar a instalação de indústrias caseiras;
g) incrementar parcerias interinstitucionais para apoio ao setor agroindustrial;
h) reduzir a burocracia, enfatizando-se a definição de prazos adequados para
análise, concessão e liberação de crédito;
i) incentivar a instalação de frigoríficos e/ou a recuperação dos existentes;
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 39

j) promover ações com vistas ao monitoramento da produção agroindustrial,


selecionando, através do crédito, atividades com melhor poder de
competitividade;
l) incentivar o uso de alta tecnologia para aumento na competitividade;
m) incentivar a diferenciação dos produtos (aparência, qualidade/conveniência
da embalagem, etc.);
n) incentivar a redução de custos com vistas à oferta de produtos a preços
competitivos;
o) melhorar o sistema de estocagem de produtos agroindustrializados;
p) promover a criação de selo de qualidade.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 40

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAUJO FILHO, FRANÇA F.M.C. Subsídios a uma política de


financiamento rural para os cerrados nordestinos. Revista Econômica do
Nordeste, v.23. nº ¼, p.69-118, 1992.

BNDES. Complexo agroalimentar, 1994. 26p.

CAR. Oeste da Bahia – Perfil Regional, 1995;

CUNHA, A.S. et al. Uma avaliação de sustentabilidade da agricultura


nos cerrados. Estudo de Política Agrícola, nº 11. Relatório de Pesquisa.
IPEA PROJETO PNUD/BRA/91014, 1994. 256 p.

MACEDO, J. Os cerrados brasileiros: alternativa para a produção de


alimentos no limiar do século XXI. Revista de Política Agrícola, Ano IV, nº
2, p.11-18, 1995.

PAVAN, R. Segurança alimentar e agribusiness, 1993.

SECRETARIA DE PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E


COORDENAÇÃO, Secretaria de Planejamento e Avaliação. Estudo
sobre o Cerrado Setentrional Brasileiro, 1994.
SEI - BAHIA, Análise&Dados, Desenvolvimento Sustentável, 1996.
BANCO DO NORDESTE. ETENE. Estudo sobre Agroindústria do
Nordeste – Caracterização e Hierarquização de Pólos
Agroindustriais, 1992.
__________ Estudo sobre Agroindústria do Nordeste – Análise
Macroestatística da Agroindústria, 1992.
__________ Estudo sobre Agroindústria do Nordeste –
Agroindústria de Produtos Alimentares,1991.
__________ Estudo sobre Agroindústria do Nordeste –
Retrospecto e Perspectiva da População e Renda do Nordeste,
1992.
__________ Estudo sobre Agroindústria do Nordeste – Situação
Atual e Perspectivas da Produção Irrigada, 1990.
__________ Estudo sobre Agroindústria do Nordeste – As
Cooperativas e Associações de Irrigantes no
Contexto da Agroindústria, 1991.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 41

ANEXOS
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 42

ANEXO 1

METODOLOGIA DE SELEÇÃO DOS MUNICÍPIOS DOS PÓLOS DE


DESENVOLVIMENTO INTEGRADO
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 43

ANEXO 1

METODOLOGIA DE SELEÇÃO DOS MUNICÍPIOS DOS PÓLOS DE


DESENVOLVIMENTO INTEGRADO
,
Resumidamente, o método consiste em classificar os municípios segundo cada
um dos indicadores escolhidos, somando-se as diversas posições (classificação
ordinal) alcançadas por cada um deles, para a obtenção de um resultado final
("score"). Esse somatório é então ordenado, constituindo o "ranking" dos
municípios, que podem então ser agrupados de acordo com a sua dispersão em
torno da média (medida em termos de desvio-padrão, quartis, quintis etc.)
Foram escolhidos, para cada um dos municípios candidatos a integrar o Pólo,
cinco variáveis que, em conjunto, representariam o seu processo de
dinamização econômica. São elas:

a) número de hectares irrigados pelo setor público;


b) quantidade de “megawatts” consumidos na área rural;
c) valor bruto da produção agropecuária;
d) valor bruto da produção agropecuária por quilômetro quadrado;
e) valor financiado pelo Programa de Irrigação do Fundo Constitucional de
Financiamento do Nordeste (FNE-PROIR) ;

Para as primeiras quatro variáveis, foram utilizados os valores do último ano


disponível, enquanto os financiamentos foram considerandos no período 1990-
97.

Em seguida, a pontuação média dos municípios permitiu que se calculasse a


pontuação média dos pólos. Aqueles municípios cuja pontuação situou-se igual
ou acima da média geral do Pólo foram os selecionados para entrar na primeira
fase.

Além desses critérios, foram utilizadas ainda as seguintes convenções:

1) Os municípios que haviam sido desmembrados dos municípios selecionados


também foram incluídos.
Justificativa: Os municípios desmembrados faziam parte da área do
município-origem selecionado e não existem dados atualizados disponíveis
para analisar esses novos municípios.

2) Procurou-se, à medida do possível, constituir pólos com áreas contíguas,


haja vista as importantes vantagens proporcionadas por essa característica,
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 44

tanto como elemento facilitador da integração dos agentes produtivos, como


viabilizadora das necessárias articulações institucionais.

3) Alguns municípios, embora tenham atingido a média, não foram selecionados


por fazerem parte de outro pólo de desenvolvimento ou não estão contíguos.
Justificativa: Alguns pólos apresentam uma área distante da área atualmente
mais dinâmica, composta por outros municípios que, num segundo momento,
poderão formar um novo pólo de desenvolvimento.

4) Alguns municípios, embora não tenham atingido a média, foram selecionados


por estarem dentro da área dinâmica do Pólo.
Justificativa: Na maior parte são municípios que possuem um considerável
potencial de desenvolvimento, além de estarem geograficamente encravados
no Pólo, de forma que sua exclusão tornaria descontígua a área escolhida.

5) Aqueles municípios contíguos aos pólos, com área de irrigação expressiva


em início de operação, foram considerados como municípios do Pólo, mesmo
ficando abaixo da média geral.

"Ranking" Geral dos Municípios do Pólo Oeste Baiano

Irrig. Energia VBP FINANC. ÍNDICES


Municípios VBP/Km2 Médias
Pública Rural P=2 PROIR,P=2 GERAIS
Barreiras 1 9 18 9 4 8,2 1,0000
Correntina 1 5 14 7 10 7,4 0,9024
São Desidério 2 3 16 8 8 7,0 0,8537
Sta Maria da Vitória 3 6 8 4 6 5,4 0,6585
Riachão das Neves 1 7 12 5 2 5,4 0,6585
Angical 1 4 10 6 2 4,6 0,5610
Cotegipe 1 8 4 1 2 3,2 0,3902
Wanderley 1 2 6 2 2 2,6 0,3171
Cristópolis 1 1 2 3 2 1,8 0,2195
Média Geral = 45,60/9 = 5,06.
Municípios Acima da Média Geral: Barreiras, Correntina, São Desidério, Santa
Maria da Vitória e Riachão das Neves.
Municípios do Pólo: Barreiras, Correntina, São Desidério, Santa Maria da Vitória
e Riachão das Neves.
Obs.: Foram criados os seguintes municípios:
De Santa Maria da Vitória criou-se São Félix do Coribe.
De Cotegipe criou-se Wanderley.
De Correntina criou-se Jaborandi.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 45

ANEXO 2

DADOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS MUNICÍPIOS DO PÓLO


OESTE BAIANO
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 46

ANEXO 2
DADOS SÓCIO-ECONÔMICOS DOS MUNICÍPIOS DO PÓLO
OESTE BAIANO

INDICADORES SÓCIO-ECONÔMICOS DO MUNICÍPIO DE BARREIRAS-BA

ESPECIFICAÇÃO ANO UNIDADE QUANTIDADE

Área Terrestre - km2 11.980


Distância da Capital km 857
Pluviosidade Média 1994 mm

População Masculina 1996 hab. 57.309


População Feminina 1996 hab. 56.386
População Urbana 1996 hab. 87.455
População Rural 1996 hab. 26.240
População Total 1996 hab. 113.695

Unidades de Ensino (Escolas) 1994 unid. 194


Número de Salas de Aula 1994 unid.
Alunos Matric. Pré-Escolar 1994 unid. 2.759
Alunos Matric. 1° Grau 1994 unid. 21.866
Alunos Matric. 2° Grau 1994 unid. 3.323

Unidades de Saúde 1995 unid. 23


Número de Leitos 1995 unid. 346
Número de Médicos unid.
Nascidos Vivos unid.
Taxa Mort. Infantil (1000 vivos) unid.

Ligações de Água 1994 unid.

Consumidores Residenciais 1994 unid. 15.578


Consumidores Industriais 1994 unid. 210
Consumidores Comerciais 1994 unid. 2.111
Consumidores Rurais 1994 unid. 153
Total de Consumidores 1994 unid. 20.223
Consumo Residencial 1994 MWh 28.851
Consumo Industrial 1994 MWh 35.168
Consumo Comercial 1994 MWh 14.767
Consumo Rural 1994 MWh 20.364
Outros Consumos 1994 MWh 10.875
Consumo Total 1994 MWh 110.025

Produção de Carvão Vegetal 1992 t


Produção de Lenha 1992 m³
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 47

Produção de Madeira em Toras 1992 m³


Valor da Prod de Carvão Vegetal 1992(1) R$
Valor da Produção de Lenha 1992(1) R$
Valor da Prod de Mad em Toras 1992(1) R$

Arrecadação do IPI 1994 R$


Arrecadação do ICMS 1996 R$ 39.304.453
Receita Municipal 1994 R$
Fundo Particip. dos Municípios 1994 R$

PRINCIPAIS PRODUTOS AGRÍCOLAS DE BARREIRAS EM 1993


ÁREA ÁREA PREÇO
QUANTI- RENDI-
PRODUTOS PLANTADA COLHIDA (mil cruzeiros
DADE MENTO
(Hectares) (Hectares) reais)
Soja(Grão) 129.503 129.503 233.105 1.799 3.845.067
Milho(Grão) 18.550 18.550 90.966 4.903 1.105.237
Feijão(Grão) 11.280 11.280 20.347 1.803 986.097
Mandioca(t) 2.441 2.441 31.733 13.000 461.239
Abacaxi(Mil Frutos) 250 250 6.500 26.000 184.600
Mamão(Mil Frutos) 512 512 4.428 8.648 154.980
Arroz(em Casca)(t) 7.500 7.500 8.267 1.102 113.804
Melancia(Mil Frutos) 912 912 3.055 3.349 91.650
Cana-de-Açúcar(t) 380 380 13.566 35.700 59.690
Algodão Herbáceo(t) 725 725 1.199 1.653 34.729
Manga(Mil Frutos) 87 87 2.778 31.931 13.890
Laranja(Mil Frutos) 67 67 5.509 82.223 13.773
Banana(Mil Cachos) 169 169 173 1.023 11.849
Maracujá(Mil Frutos) 108 108 5.400 50.000 11.016
Tangerina(Mil Frutos) 14 14 1.312 93.714 3.936
Batata-Doce(t) 15 15 186 12.400 2.950
Coco-da-Baía(Mil 23 23 74 3.217 1.502
Frutos)
Abacate(Mil Frutos) 11 11 277 25.181 1.385
Cebola(t) 7 7 70 10.000 1.165
Limão(Mil Frutos) 6 6 725 120.833 943
Anuário Estatístico Bahia - 1995
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 48

INDICADORES SÓCIO-ECONÔMICOS DO MUNICÍIPIO DE CORRENTINA-BA

ESPECIFICAÇÃO ANO UNIDADE QUANTIDADE

Área Terrestre - km2 11.636


Distância da Capital km 920
Pluviosidade Média 1994 mm

População Masculina 1996 hab. 14.813


População Feminina 1996 hab. 14.890
População Urbana 1996 hab. 9.887
População Rural 1996 hab. 19.816
População Total 1996 hab. 29.703

Unidades de Ensino (Escolas) 1994 unid. 55


Número de Salas de Aula 1994 unid.
Alunos Matric. Pré-Escolar 1994 unid. 261
Alunos Matric. 1° Grau 1994 unid. 3.305
Alunos Matric. 2° Grau 1994 unid. 84

Unidades de Saúde 1995 unid.


Número de Leitos 1995 unid.
Número de Médicos unid.
Nascidos Vivos unid.
Taxa Mort. Infantil (1000 vivos) unid.

Ligações de Água 1994 unid.


Consumidores Residenciais 1994 unid. 2.715
Consumidores Industriais 1994 unid. 19
Consumidores Comerciais 1994 unid. 254
Consumidores Rurais 1994 unid. 182
Total de Consumidores 1994 unid. 3.233
Consumo Residencial 1994 MWh 2.154
Consumo Industrial 1994 MWh 53
Consumo Comercial 1994 MWh 487
Consumo Rural 1994 MWh 426
Outros Consumos 1994 MWh 1.514
Consumo Total 1994 MWh 4.634

Produção de Carvão Vegetal 1992 t


Produção de Lenha 1992 m³
Produção de Madeira em Toras 1992 m³
Valor da Prod. de Carvão Vegetal 1992(1) R$
Valor da Produção de Lenha 1992(1) R$
Valor da Prod. de Mad. em Toras 1992(1) R$

Arrecadação do IPI 1994 R$


Arrecadação do ICMS 1994 R$
Receita Municipal 1994 R$
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 49

Fundo Particip. dos Municípios 1994 R$

PRINCIPAIS PRODUTOS AGRÍCOLAS DE CONDADO EM 1993


DE CORRENTINA EM 1993
ÁREA ÁREA PREÇO
QUANTI- RENDI-
PRODUTOS PLANTADA( COLHIDA (mil cruzeiros
DADE MENTO
Hectares) (Hectares) reais)
Milho(grão)(t) 23.000 23.000 98.851 4.297 1.729.893
Feijão(grão)(t) 6.930 6.930 12.727 1.836 875.618
Arroz(em casca)(t) 20.000 20.000 30.000 1.500 819.000
Soja(grão)(t) 91.475 91.475 71.351 780 710.371
Mandioca(t) 400 400 5.200 13.000 20.800
Cana-de-açúcar(t) 160 160 6.400 40.000 14.080
Laranja(mil frutos) 27 27 1.620 60.000 4.212
Melancia(mil frutos) 10 10 52 5.200 2.210
Manga(mil frutos) 10 10 400 40.000 2.000
Banana(mil cachos) 15 15 15 1.000 450
Alho(t) 1 1 3 3.000 293
Coco-da-baia(mil frutos) 2 2 5 2.500 119
FONTE: IBGE - Censo Agropecuário e Municípios – 1985 Anuário Estatístico Bahia - 1995
NOTA: (1) Valores em cruzeiros de 92, atualizados pelo IGP-DI(out-97/dez-92) para outubro/97.
NOTA: (2) Valores em cruzados de 85, atualizados pelo IGP-DI(out-97/dez-85) para outubro/97.
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 50

INDICADORES SÓCIO-ECONÔMICOS DO MUNICÍIPIO DE RIACHÃO DAS NEVES-BA

ESPECIFICAÇÃO ANO UNIDADE QUANTIDADE

Área Terrestre - km2 5.865


Distância da Capital km 912
Pluviosidade Média 1994 mm

População Masculina 1996 hab. 11.035


População Feminina 1996 hab. 10.217
População Urbana 1996 hab. 9.416
População Rural 1996 hab. 11.836
População Total 1996 hab. 21.252

Unidades de Ensino (Escolas) 1994 unid. 112


Número de Salas de Aula 1994 unid.
Alunos Matric. Pré-Escolar 1994 unid. 1.089
Alunos Matric. 1° Grau 1994 unid. 4.423
Alunos Matric. 2° Grau 1994 unid. 164

Unidades de Saúde 1992 unid. 3


Número de Leitos 1992 unid. 26
Número de Médicos unid.
Nascidos Vivos unid.
Taxa Mort. Infantil (1000 vivos) unid.

Ligações de Água 1994 unid.

Consumidores Residenciais 1994 unid. 2.502


Consumidores Industriais 1994 unid. 27
Consumidores Comerciais 1994 unid. 261
Consumidores Rurais 1994 unid. 51
Total de Consumidores 1994 unid. 2.907
Consumo Residencial 1994 MWh 1.634
Consumo Industrial 1994 MWh 117
Consumo Comercial 1994 MWh 384
Consumo Rural 1994 MWh 784
Outros Consumos 1994 MWh 1.005
Consumo Total 1994 MWh 3.923

Produção de Carvão Vegetal 1992 t


Produção de Lenha 1992 M³
Produção de Madeira em Toras 1992 M³
Valor da Prod. de Carvão Vegetal 1992(1) R$
Valor da Produção de Lenha 1992(1) R$
Valor da Prod. de Mad. em Toras 1992(1) R$

Arrecadação do IPI 1994 R$


DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 51

Arrecadação do ICMS 1994 R$


Receita Municipal 1994 R$
Fundo Particip. dos Municípios 1994 R$

PRINCIPAIS PRODUTOS AGRÍCOLAS DE RIACHÃO DAS NEVES-BA


ÁREA ÁREA PREÇO
QUANTI- RENDI-
PRODUTOS PLANTADA COLHIDA (mil cruzeiros
DADE MENTO
(Hectares) (Hectares) reais)
Batata-doce(t) 12 12 149 12.416 2.371
Laranja(mil frutos) 30 30 2.463 82.100 6.281
Limão(mil frutos) 1 1 121 121.000 166
Mamão(mil frutos) 8 8 68 8.500 2.380
Manga(mil frutos) 38 38 1.225 32.236 6.125
Maracujá(mil frutos) 100 100 5.000 50.000 10.200
Arroz(em casca)(t) 2.166 2.166 1.300 600 17.615
Coco-da-baía(mil frutos) 12 12 37 3.083 757
Feijão(em grão)(t) 1.865 1.865 2.519 1.350 122.172
Soja(grão)(t) 25.400 25.400 42.672 1.680 702.808
Milho(grão)(t) 5.030 5.030 22.414 4.456 270.089
Banana(mil cachos) 89 89 91 1.022 6.114
Mandioca(t) 394 394 5.114 12.979 72.414
Cana-de-açúcar(t) 241 241 8.616 35.751 37.307
Anuário Estatístico Bahia - 1995
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 52

INDICADORES SÓCIO-ECONÔMICOS DO MUNICÍPIO DE SÃO DESIDÉRIO-BA

ESPECIFICAÇÃO ANO UNIDADE QUANTIDADE

Área Terrestre - km2 14.876


Distância da Capital Km 869
Pluviosidade Média 1994 Mm

População Masculina 1996 hab. 9.633


População Feminina 1996 hab. 9.060
População Urbana 1996 hab. 6.689
População Rural 1996 hab. 12.004
População Total 1996 hab. 18.693

Unidades de Ensino (Escolas) 1994 unid. 133


Número de Salas de Aula 1994 unid.
Alunos Matric. Pré-Escolar 1994 unid. 1.166
Alunos Matric. 1° Grau 1994 unid. 3.233
Alunos Matric. 2° Grau 1994 unid. 108

Unidades de Saúde 1992 unid. 3


Número de Leitos 1992 unid. 26
Número de Médicos unid.
Nascidos Vivos unid.
Taxa Mort. Infantil (1000 vivos) unid.

Ligações de Água 1994 unid.

Consumidores Residenciais 1994 unid. 1.490


Consumidores Industriais 1994 unid. 15
Consumidores Comerciais 1994 unid. 109
Consumidores Rurais 1994 unid. 35
Total de Consumidores 1994 unid. 1.703
Consumo Residencial 1994 MWh 1.172
Consumo Industrial 1994 MWh 655
Consumo Comercial 1994 MWh 179
Consumo Rural 1994 MWh 70
Outros Consumos 1994 MWh 916
Consumo Total 1994 MWh 2.992

Produção de Carvão Vegetal 1992 T


Produção de Lenha 1992 M³
Produção de Madeira em Toras 1992 M³
Valor Prod. de Carvão Vegetal 1992(1) R$
Valor da Produção de Lenha 1992(1) R$
Valor da Prod. de Mad. em Toras 1992(1) R$
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 53

Arrecadação do IPI 1994 R$


Arrecadação do ICMS 1994 R$
Receita Municipal 1994 R$
Fundo Particip. dos Municípios 1994 R$

PRINCIPAIS PRODUTOS AGRÌCOLAS DE SÃO DESIDÉRIO EM 1993


ÁREA ÁREA PREÇO
QUANTI- RENDI-
PRODUTOS PLANTADA COLHIDA (mil cruzeiros
DADE MENTO
(Hectares) (Hectares) reais)
Cana-de-açúcar(t) 243 243 8.698 35.794 3.046.181
Melancia(mil frutos) 788 788 2.640 3.350 1.181.483
Algodão herbáceo(t) 122 122 104 852 1.006.362
Manga(mil frutos) 150 150 4.692 31.280 861.576
Mamão(mil frutos) 10 10 84 8.400 175.328
Limão(mil frutos) 2 2 243 121.500 79.200
Laranja(mil frutos) 19 19 1.564 82.315 70.870
Coco-da-baía(mil frutos) 18 18 58 3.222 38.837
Banana(mil cachos) 82 82 84 1.024 23.460
Batata-doce(t) 13 13 162 12.461 9.360
Arroz(em casca)(t) 4.500 4.500 5.173 1.149 5.586
Soja(grão)(t) 102.565 102.565 184.617 1.800 3.910
Milho(grão)(t) 13.123 13.123 70.621 5.381 2.940
Mandioca(t) 919 919 12.050 13.112 2.539
Feijão(em grão)(t) 13.060 13.060 24.431 1.870 1.169
Tangerina(mil frutos) 3 3 278 92.666 834
Tomate(t) 980 980 44.100 45.000 323
Anuário Estatístico Bahia - 1995
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 54

INDICADORES SÓCIO-ECONÔMICOS DO MUNICÍIPIO DE SANTA MARIA DA


VITÓRIA-BA
ESPECIFICAÇÃO ANO UNIDADE QUANTIDADE

ASPECTOS FÍSICOS

Área Terrestre - km2 1.898


Distância da Capital km 872
Pluviosidade Média 1994 mm

DEMOGRAFIA

População Masculina 1996 hab. 21.150


População Feminina 1996 hab. 20.945
População Urbana 1996 hab. 22.054
População Rural 1996 hab. 20.041
População Total 1996 hab. 42.095

EDUCAÇÃO

Unidades de Ensino (Escolas) 1994 unid. 127


Número de Salas de Aula 1994 unid.
Alunos Matric. Pré-Escolar 1994 unid. 1.783
Alunos Matric. 1° Grau 1994 unid. 7.532
Alunos Matric. 2° Grau 1994 unid. 933

SAÚDE

Unidades de Saúde 1995 unid. 3


Número de Leitos 1995 unid. 69
Número de Médicos unid.
Nascidos Vivos unid.
Taxa Mort. Infantil (1000 vivos) unid.

SANEAMENTO BÁSICO

Ligações de Água 1994 unid.

ENERGIA ELÉTRICA

Consumidores Residenciais 1994 unid. 5.930


Consumidores Industriais 1994 unid. 54
Consumidores Comerciais 1994 unid. 439
Consumidores Rurais 1994 unid. 80
Total de Consumidores 1994 unid. 6.613
Consumo Residencial 1994 MWh 5.152
Consumo Industrial 1994 MWh 476
DOCUMENTO REFERENCIAL DO PÓLO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO OESTE BAIANO 55

Consumo Comercial 1994 MWh 1.393


Consumo Rural 1994 MWh 603
Outros Consumos 1994 MWh 2.913
Consumo Total 1994 MWh 10.537

EXTRAÇÃO VEGETAL

Produção de Carvão Vegetal 1992 t


Produção de Lenha 1992 M³
Produção de Madeira em Toras 1992 M³
Valor da Prod. de Carvão Vegetal 1992(1) R$
Valor da Produção de Lenha 1992(1) R$
Valor da Prod. de Mad. em Toras 1992(1) R$

Arrecadação do IPI 1994 R$


Arrecadação do ICMS 1994 R$
Receita Municipal 1994 R$
Fundo Particip. dos Municípios 1994 R$

PRINCIPAIS PRODUTOS AGRÌCOLAS DE STA MARIA DA VITÓRIA EM 1993


ÁREA ÁREA
QUANTI- RENDI- PREÇO
PRODUTOS PLANTADA COLHIDA
DADE MENTO (mil cruzeiros reais)
(Hectares) (Hectares)
Arroz(em casca)(t) 500 500 750 1.500 184.266
Coco-da-baia(mil frutos) 5 5 13 2.600 91.940
Melancia(mil frutos) 10 10 52 5.200 29.000
Tomate(t) 1 1 25 25.000 22.275
Milho(grão)(t) 2.200 2.200 4.943 2.246 16.770
Mandioca(t) 300 300 3.900 13.000 5.040
Cana-de-açúcar(t) 290 290 11.600 40.000 2.210
Alho(t) 1 1 3 3.000 2.000
Manga(mil frutos) 10 10 400 40.000 813
Laranja(mil frutos) 28 28 1.680 60.000 319
Banana(mil cachos) 5 5 5 1.000 298
Feijão(em grão)(t) 1.950 1.950 2.610 1.338 150
FONTE: IBGE - Censo Agropecuário e Municípios – 1985 - Anuário Estatístico Bahia - 1995
NOTA: (1) Valores em cruzeiros de 92, atualizados pelo IGP-DI(out-97/dez-92) para outubro/97.
NOTA: (2) Valores em cruzados de 85, atualizados pelo IGP-DI(out-97/dez-85) para outubro/97.