Você está na página 1de 55

Da garagem para a televisão:

música “underground” em Portugal


através do programa da RTP2

LICENCIATURA EM ENSINO DA MÚSICA


DISCIPLINA DE SEMINÁRIO.

LUÍS ANTÓNIO ROCHA


NºMEC: 31749
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Índice:
Introdução .......3

O programa Quilómetro Zero .......7

Programa #01 – Coimbra (26-07-2008) .......8


Programa #02 – Braga (02-08-2008) .......8
Programa #03 – Barcelos/Joane (09-08-2008) .......9
Programa #04 – Leiria (16-08-2008) .......10
Programa #05 – Lisboa 1 (23-08-2008) .......11
Programa #06 – Aveiro/Viseu (30-08-2008) .......12
Programa #07 – Tomar (06-09-2008) .......14
Programa #08 – Porto I (13-09-2008) .......15
Programa #09 – Lisboa II (20-09-2008) .......17
Programa #10 – Alentejo e Almada (27-09-2008) .......18
Programa #11 – Algarve (04-10-2008) .......20
Programa #12 – Porto II (11-10-2008) .......21
Programa #13 – Lisboa III (18-10-2008) .......22
Programa #14 – THE END (25-10-2008) .......23

Dados estatísticos .......24

Entrevistas às bandas .......29

Bandas com destaque nos Media .......32

Conclusões .......37

Bibliografia .......39
Anexos .......40

Anexo I – Entrevista a J.P. Simões .......40


Anexo II – Ficha de análise: .......41
Anexo III – Lista de Influências e o número
de bandas que as referenciou: .......42
Anexo IV – Lista do top 40 de influências: .......46
Anexo V – Entrevista às bandas: .......47
Anexo VI – J.P.Simões, nota .......54

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 2
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Introdução:
“A Popular Music é a chamada banda sonora das nossas vidas: podemos ouvi-
la na televisão, nas rádios, nos nossos leitores de CD pessoais, nos nossos
computadores”1 (Wall 2003,1).

O Professor Tim Wall, especializado em “Estudos de Música Popular”


valoriza a Popular Music de um ponto de vista sócio-cultural, dado que esta está
enraizada na nossa vida, associada a tantas experiências e situações marcantes, ou
por mero gosto pessoal. Quase todas as pessoas têm a sua música preferida, ou
estilo preferido, ou associam uma música a uma pessoa próxima, ou a outros
factores ou acontecimentos. A Popular Music está nas nossas casas, seja em que
formato for. Qual de nós não tem um CD de Fado, música tradicional, gravações
antigas da juventude, uma cassete perdida que já tocou horas a fio. E hoje em dia, nas
camadas mais jovens, poucos são os que não têm uma play-list ou um leitor portátil,
com inúmeros nomes e autores variados, com sons de todos os géneros ou
personalizados, colmatando todas as necessidades e gostos.
É esta importância e este valor, que a Popular Music assume no quotidiano,
que me levou a escolher esta temática para desenvolver uma pesquisa original no
âmbito da disciplina de Seminário.
No decorrer da pesquisa preliminar, deparei-me com uma dura realidade,
retratada por Pedro Nunes, doutorado pela Universidade de Stirling, no
departamento de Filme e Media:

“Se os investigadores de jornalismo musical relacionados com a Popular


Music, constituem um corpo de trabalho pequeno e disperso, em Portugal a escassez
é ainda maior e poucos foram os trabalhos realizados sobre jornalismo musical.
Temos de ter em conta que a maioria da literatura disponível sobre Popular Music é
sobre a sociedade, a cultura e o jornalismo Anglo-Saxónico.”2 (Nunes 2004,62)

1 Tradução do inglês da minha responsabilidade.


2 idem

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 3
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Acrescenta ainda, que esta falta de estudos e referências bibliográficas sobre


o jornalismo Musical e a Popular Music em Portugal, se devem a alguns factores:

− visibilidade: não há estudos culturais ou sociológicos (estudos


culturais ainda nem sequer são uma área de tradição nas
universidades portuguesas) sobre Popular Music, sendo que a maioria
da pesquisa académica está sobre a alçada da Etnomusicologia
− tipo de mercado: mesmo considerando a existência de jornalismo
musical, não há uma imprensa organizada só para a Popular Music,
pelo menos, não com o mesmo significado e importância da imprensa
de música britânica.
− contexto nacional: Portugal, comparado com a Grã-Bretanha, assume
uma posição muito inferior no mercado global.

Tim Wall no seu livro Studying Popular Music Culture, propõe uma distinção
importante na Popular Music: Mainstream Music e Underground Music, ou música
marginalizada. A Mainstream Music engloba os nomes de sucesso, de referência, de
valor para os Media e o mercado. São os grupos que marcam os top’s de vendas e
que fazem mexer o mercado discográfico. A Underground Music é o oposto. Inclui-se
neste grupo as bandas e músicos que (ainda) não são conhecidos ou que não trazem
influência à indústria discográfica, e que muitos consideram amadoras, tanto pelo
número reduzido de trabalhos editados, ou mesmo a ausência desses, ou
simplesmente por não cativarem o público, pois também não chegam a ele. Contudo,
esta vertente Underground não quer dizer que seja menos criativa ou que tenha
menos qualidade, como explica Tim Wall, apenas não tem tanto acesso à visibilidade
do público consumista que é alimentada a indústria musical e pelo marketing de
vendas.
“Dave Hacker registou que os discos mais vendidos nos finais dos anos 60 –
período denominado como o período clássico do rock – foram bandas sonoras de
filmes e teatro, como “The Sound of Music” (Hacker 1992). Nos anos 60, as músicas

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 4
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

que se baseavam no formato do rock eram chamadas “the underground” para


distinguir dos formatos musicais que dominavam as editoras, as vendas de discos, a
rádio e a televisão.”3 (Wall, 2003, 12)
Nos E.U.A., muitos dos estilos que conhecemos hoje como Mainstream,
como o rock & roll, rock, punk e house, entre outros, surgiram do mundo
Underground, tal como o jazz e o blues surgiram de uma minoria étnica, e levou
muito tempo até que fossem reconhecidos pelos media e pelas massas. Quando
finalmente foram reconhecidos, passaram a fazer parte da Mainstream, surgindo
assim nova música Underground. Neste trabalho, pretende-se analisar este processo
de passagem da Popular Music em Portugal, através de um programa televisivo que
tem por objectivo principal encontrar e documentar bandas com inexistência de
contractos e de visibilidade comercial relevante.
Considero que é interessante e importante reflectir sobre este aglomerado
de pessoas, que na sua garagem, quarto, ou espaço próprio, compõem e criam novas
sonoridades, recriam e ressuscitam tendências, acrescentam uma panóplia de talento
e emotividade ao panorama musical, a toda a Popular Music.
É possível ainda ter uma visão geral das várias influências, constituição das
bandas e ideais que cada banda tem, e que se reflecte nas suas música. Neste
trabalho pretendo ainda criar uma base para o estudo deste nicho musical, um ponto
de partida para futuros estudos, futuras analises, futuros programas.

Quando ainda não sabia que tema escolher, já tinha uma ideia de que tipo de
trabalho gostava de fazer. Os meus objectivos passavam por estudar a música
enquanto factor social, e como desenvolvimento cultural de um grupo de indivíduos.
E após ver um dos episódio do programa KM0 surgiram-me algumas questões:
“Porque razão, bandas com tanta qualidade, para mim, não tinham mais sucesso?” e
“Porque é que estas bandas não estavam no circuito da indústria musical e
discográfica de Portugal?”. Quando me foi pedido para escolher o tema e definir uma
problemática, escolhi analisar o impacto que a televisão tem na Popular Music,
através da analise do programa, apresentado por J.P. Simões, Quilómetro Zero.

3 Tradução do inglês da minha responsabilidade.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 5
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Foi assim que surgiu o tema, e a proposta de análise ao programa KM0.


Propus-me a cumprir os seguintes objectivos:
- Tentar definir Popular Music em Portugal
- Analisar o fenómeno da música “underground” e o seu impacto, tanto
sócio-económico como cultural.
Estava também prevista uma conferência com algumas pessoas ligadas à área
da Industria Musical Portuguesa, à realização do programa, a bandas que tenham tido
mais destaque depois de participarem no programa, mas que por incompatibilidade
de agenda não foi possível marcar a conferência antes do final deste ano lectivo
08/09.
A metodologia usada passa por uma análise do programa KM0, que consistem
em:
- Recolha de dados sobre as bandas:
 B.I. da banda (nome, local, composição, elementos)
 Língua usada
 Processo de criação
 Repertório
 Influências musicais
 Ferramentas de auto-promoção (MySpace)
- Inquirir o maior número de bandas participantes a fim de determinar que
alterações houve depois de participarem no programa KM0.
- Compilar e interpretar os dados, para tirar elações sobre a importância
da televisão para a música underground e para a Popular Music.
- Análise das “charts”4 nacionais
 Blitz
 Ípsilon
 Programas de Rádio
 Cartazes dos principais eventos musicais do pais, festivais.
 Outros tipos de comunicação social

4
Listas de melhores bandas, listas de vendas de discos, top’s de preferências.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 6
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

O programa Quilómetro Zero


“E assim, tal como o Mundo, começamos! A equipa do Quilómetro Zero prepara-se
para o tremendo desafio de sobreviver nas estradas, nos dilúvios urbanísticos e na
sinalização errónea do nosso requintado país.”

(J.P. Simões, KM0, #01)

O programa Quilometro Zero (KM0), apresentado pelo músico J.P. Simões5,


“surgiu de uma vontade antiga do produtor José Luís Rei de fazer um programa “on
the road” sobre música portuguesa. Quilometro Zero seria o mote para encontrar
jovens músicos talentosos em começo de carreira.” (J.P. Simões, Anexo I).
O programa foi distribuído por 14 episódios de 25 minutos, foram
seleccionadas 39 bandas de 23 localidade de norte a sul do país. Passaram pelas 130
horas de filmagem um total de 159 músicos. Este programa demorou um ano a
gravar, Outubro de 2007 a Outubro de 2008, e foi exibido na Rtp2 entre o período
de 26 de Julho de 2008 a 1 de Outubro de 2008.
A selecção das bandas foi feita entre Outubro de 2007 e Fevereiro de 2008,
“ouvimos 15 mil sites de música feita em Portugal. A restante pesquisa foi feita
através de rádios locais e de boca a boca. Nenhuma outra ferramenta de pesquisa se
mostrou tão abrangente e acessível quanto o MySpace.” (J.P. Simões, Anexo I)

“Quilómetro Zero (KM0) é um programa televisivo sobre músicos


portugueses não conhecidos do grande público e que não têm um contracto
editorial relevante mas que têm já uma obra, de algum modo, apelativa. Quilómetro
Zero é um programa reportagem que em cada emissão está numa região diferente
do país realçando os seus aspectos mais actuais. “Entra nos ensaios de fim-de-
semana, nos concursos de estreantes, nos bares e nas discotecas, nos estúdios das
rádios locais que divulgam nomes novos, nos quartos dos DJ’s, nas salas de gravação
alugadas à hora, nas redacções dos fanzines, nos jardins dos subúrbios, e nas
garagens das bandas.”
“O acesso crescente a escolas de música, a instrumentos musicais e
tecnologias, o fluir mundial de informação musical através da internet, a
disseminação da cultura urbana pela província, a permanente circulação de uma
geração estudantil entre as principais cidades e seus locais de origem e o surgimento
de micro-estruturas de produção artística contribuíram para um elevado e muito
diverso número de projectos musicais: Esta é a matéria-prima que constitui o
Quilómetro Zero. Para aceder a este mundo basta pegar numa qualquer ponta e
seguir um fio condutor de sucessivos contactos. O conteúdo do programa alimenta-
se a si mesmo. O resto faz-se na estrada, com a equipa.”
(J.P. Simões, KM0, Blog6 )

5
J.P. Simões – Músico nascido em Coimbra, nota biografica em Anexo VI
6
Blog do programa KM0, endereço: http://bus-kmzero.blogspot.com/

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 7
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

A BUS produções multimédia é responsável pelo financiamento do programa


piloto do Quilómetro Zero, este programa só foi aceite pela Rtp2 alguns anos após a
sua criação. A BUS possuí um blogue, que serve quase como diário de bordo desta
viagem, e por cada programa existe uma breve explicação das ideias e dos conceitos
das bandas, e muitas vezes, estes textos complementam o conteúdo do programa
com mais informações, partes das entrevista que foram forçosamente cortados e
conversar que foram tidas para além das objectivas das câmaras. É também uma
maneira de divulgar as bandas que participaram, divulgar os endereços do myspace
de cada banda e, claro, de ter um “feedback” do público através da opção de
comentário aos textos “postados”. No blog podemos ler:

Programa #01 – Coimbra (26-07-2008)

O primeiro dos 14 programas foi filmado no distrito de Coimbra, onde


ficámos a conhecer o folk dos Man & Bellas, o pop rock marialva dos The Guys From
the Caravan e a “torrencial” criatividade de Anaquim.

“Fazer música em Portugal, actualmente, é cada vez mais excitante e


recompensador, pela crescente facilidade de ligação à comunidade musical, às novas
tecnologias e ao público. Contudo, pode melhorar-se a construção e divulgação de
salas de espectáculo, bem como fomentar a oferta, procura e exploração de novos
projectos, sonoridades e artistas”, argumenta José Rebola, autor do projecto a solo
Anaquim, cujo primeiro álbum se prevê chegar ao público em Março de 2009.
www.myspace.com/anakinrebolla

Para os The Guys From the Caravan, a cultura está longe de ser uma
prioridade no nosso país. Vale sobretudo o bom ambiente que se vive entre
músicos: “Temos tido oportunidade de partilhar palco com algumas das novas
bandas, que têm um papel preponderante no “refresh” da música feita em Portugal”
– Outubro é a data prevista para lançamento do álbum desta banda de Coimbra.
www.myspace.com/theguysfromthecaravan

Num registo mais popular, os Man & Bellas assumem “uma viagem recreativa
e festiva às raízes culturais tradicionais (medievais, intercélticas e também à música
de dança europeia)”, utilizando sanfonas do séc. XVII, construídas por Fernando
Meireles, músico mentor do projecto.
www.myspace.com/manbellas

Programa #02 – Braga (02-08-2008)

No segundo episódio do KM0, estivemos em Braga, no velho estádio 1º de


Maio, a ouvir a precisão dramática dos Peixe : Avião, o rock satírico dos Smix Smox
Smux e o funk vigoroso dos Monstro Mau.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 8
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Segundo os Peixe:Avião, que lançam o seu primeiro álbum em Setembro –


40.02, “gostamos de fazer boa música em português, independentemente do
contexto actual”. A banda irá andar em tournée no segundo semestre deste ano a
promover o seu primeiro conteúdo de originais. Elementos:

André Covas - guitarras, sintetizador


Luís Fernandes - guitarras, sintetizador
Pedro Oliveira - bateria
Ronaldo Fonseca - voz, sintetizador
José Figueiredo - baixo
www.myspace.com/peixeaviao

O que define os Smix Smox Smux “passa muito também pelas letras, onde a
ironia e a inocência se combinam numa forma especial de escrever que
provavelmente é a principal responsável pela forma como as pessoas nos ouvem e
que normalmente as leva a cair em dois opostos: ou gostam muito ou não gostam
mesmo nada; o que nós gostamos bastante, o que importa é não deixar ninguém
indiferente.” Elementos:

Smix - José Figueiredo - baixo


Smox - Filipe Bernardo - guitarra
Smux - Miguel Macieira - bateria
www.myspace.com/smixsmoxsmux

Para o Monstro Mau “fazer música em Portugal nunca foi tão simples e a
prova disso é a quantidade de bandas que aparecem. O problema está no resto. Não
há circuitos estabelecidos, não há organização, não há produtores de espectáculos
para pequenas e médias salas. E sobretudo não há hábitos de consumo de
espectáculos, nem de discos. Isso faz com que seja complicado sobreviver da música
e torna reduzida a vida útil de uma banda.” Para 2009 o Monstro Mau está já fechado
nos seus laboratórios a preparar mais um disco. Elementos:
Alex - voz
Budda - guitarra
Nico - bateria
Tó Barbot - baixo
http://www.myspace.com/monstromau

Programa #03 – Barcelos/Joane (09-08-2008)

Na terceira emissão do programa, rumamos a Barcelos e Joane, para


conhecer o delicado ‘quase-jazz’ dos La La La Ressonance, o experimentalismo
performativo dos Nikouala e a fusão jazz folk contemplativa dos Gnomon.

La La La Ressonance “é um projecto instrumental orientado para o lado mais


exploratório e experimental da pop. Com influências óbvias do jazz”. Definem a sua

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 9
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

criação musical como “um processo semi-autista, apaixonante e obsessivo, com


pontadas ocasionais de mediatismo fugaz."
Para 2009 projectam a edição do seu 2º àlbum de originais bem como a de
um split-ep de versões.

André Simão – baixo eléctrico /sampling e programação.


Gil Teixeira – guitarra eléctrica /teclados/ sampling e programação
Jorge Aristides – bateria
Paulo Miranda – saxofone alto e soprano/ teclados
Ricardo Cibrão – guitarra eléctrica.
José Arantes – sound design

http://www.myspace.com/lalalaressonance

Nikouala é um duo que opera em conjunto desde 2005 e que trabalha com
áreas tão específicas como o teatro ou o cinema estando agora a desenvolver uma
maior experimentação com a performance ao vivo e com as artes plásticas. Segundo
os músicos "o projecto Nikouala destina-se à composição de temas e ao trabalho de
sonoplastia inerentes à criação de bandas-sonoras originais”.

Filipe Miranda – guitarra eléctrica / sintetizadores / samples / latocello / voz


José Arantes – guitarra preparada / sintetizadores/ samples / violoncelo/ voz
http://www.myspace.com/nikouala

Gnómon é a palavra universal para o ponteiro do relógio do sol. Segundo os


dois fundadores do projecto (Tiago Machado e Carlos Ribeiro) “esta obra é o
reflexo de algum trabalho prévio de pesquisas às raízes da música étnica, não só
portuguesa, mas também mundial, e o reflexo de experiências vividas no momento
da gravação”. Crêem que atravessamos uma fase dourada da música em Portugal e
até ao final deste ano contam ter o seu primeiro álbum de originais gravado.

Carlos Ribeiro – guitarras


Tiago Machado – guitarras
Mário Gonçalves – bateria
Carlos Barros – percussão
Rui Ferreira – piano e acordeão
Bruno Rodrigues – Baixo
Daniela Silva – convidada
João Guimarães – convidado baixo eléctrico
www.myspace.com/gnomongnomon

Programa #04 – Leiria (16-08-2008)

Na quarta emissão do programa e depois da nossa primeira investida no


norte do país a equipa do KM0 vai estar na região de Leiria, a desbravar os projectos
artísticos de Madman Underground, The Clits e Canal 0.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 10
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Baseados na belíssima vila da Nazaré os Madman definem como principal


objectivo deste projecto “experimentar novas dinâmicas sonoras, criar híbridos
musicais de forma a sair um pouco do mainstream nacional”. Estes 5 músicos
oriundos de cidades diferentes pretendem começar a divulgar a sua música - que
definem como “indefinível” - este ano e têm como premissa: “os nossos planos vão
sendo delineados consoante as oportunidades que vão surgindo pelo caminho”.
Sónia Codinha – voz e letras
Fernando Codinha – baixo
Wilson Ferreira – saxofone
Hugo Almeida – guitarra
Bruno Monteiro – bateria
http://www.myspace.com/madmanunderground

20 Quilómetros a Norte da Nazaré, na Marinha Grande, vamos encontrar


um projecto que se enquadra na nova vaga de electro-punk feminista - The Clits.
Provocantes e cheios de maquilhagem gostam de ir “brincar para o palco como duas
miúdas”. Não têm planos para o futuro mas já em Setembro de 2008 vão ser
destaque no site da Levi´s Europeia.
Ana Leorne – voz
Carlos Martins – programação/guitarra e voz
www.myspace.com/myclits

Provenientes das Caldas da Rainha mas filmados no Centa7, em Vila Velha de


Ródão, apresentamos o Canal 0, um projecto musical multimédia que “faz musica
inspirada em imagens e em imagens que lhes inspiram musica” com base no que
afirmam ser “um dialogo entre instrumentos analógicos, electrónicos, capturas
sonoras e projecções visuais de objectos manipulados em tempo real”. Os músicos
afirmam que “é ponto assente que não temos a pretensão de fazer parte do
mainstream nacional ou internacional mas que falta, na realidade, um apoio coerente
em relação a novos projectos na área experimental”.
João Bento – teclado/ pequenas percussões/ melódica/ modelações
analógicas/sampler
João Cabaço – guitarra/ teclado/ programação
Rodolfo Pimenta – imagem em tempo real/som
www.myspace.com/canal0

Programa #05 – Lisboa 1 (23-08-2008)

Cinco semanas decorridas após o primeiro quilómetro da nossa viagem pelo


país, o KM0 chega à capital do nosso pequeno império. Vamos trocar palavras em

7
Centa – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 11
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

crioulo com o MC da Cova da Moura – Kromo Di Ghetto, sentir o rock pesado dos
Zieben e dançar ao som do ska de inspiração balcânica dos Kumpania Algazarra.

Kromo Di Ghetto é um projecto que brota do dia-a-dia e da realidade


específica de um subúrbio que muitos definem como marginal mas que é
indiscutivelmente um dos mais criativos e férteis terrenos da produção hip-hop
nacional. Kromo apresenta-se como “original e 100% realista” e o objectivo
primordial da sua articulação verbal em crioulo é “educar as massas com a
mensagem que transmito”.
Kromo di Ghetto - Mc/ Produtor
Freesytle - Mc Mean / Kady/ Kromo di Ghetto
www.myspace.com/kromodighettokovam

De Sintra chega-nos o rock alternativo dos Zieben. Definem-se como um


“grupo de bons amigos que tem gosto pela música, que prima pela criatividade,
originalidade e irreverência transmitindo-as através da sua música e dos seus
concertos”. Estão na recta final da gravação de um novo EP e pretendem divulgar o
projecto através dos média e dessa forma conseguir o máximo de actuações
possíveis.
Ricardo Campos – baterista
Sérgio Marçal – voz
Rodrigo Sousa – guitarra
João Pereira – baixo
www.myspace.com/zieben

Também em Sintra chocámos com a energia de um projecto que já não


necessita de apresentação. Quando nos cruzámos com eles no estúdio dos Blasted
Mechanism tinham acabado de editar o seu primeiro álbum cuja aceitação pelos
meios especializados em geral foi instantaneamente positiva e em menos de um ano
passaram das ruas para os grandes palcos dos festivais de Verão. Tudo se resume
numa frase – “Dance and fun until the end!”.
Luís (Trinta) – voz/ saxofone
Chiara Picotto – voz
Francisco (Kiko) – trombone
Ricardo Pinto – trompete
Pedro Pereira – contrabaixo/sousafone
Rui Sá – acordeão
Hugo Fontainhas – bateria
Hélder Silva – percussões
www.myspace.com/kumpaniaalgazarra

Programa #06 – Aveiro/Viseu (30-08-2008)

Bem-humorada com a própria finitude, a equipa do KM0 ruma agora em


direcção a Viseu e Aveiro, para conhecer o jazz e a música tradicional de Carlos

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 12
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Peninha, o folclore hardcore dos Fadomorse e a electrónica melancólica dos


Montecalvo 146.

Foi em Tondela, na ACERT8 – uma estrutura que meritoriamente projecta a


região de Viseu no panorama cultural nacional – que nos encontrámos com Carlos
Peninha. Músico cujo percurso no panorama jazz nacional é já conhecido por muitos
e vai apresentar na emissão de hoje do programa dois projectos distintos: “Os
Cantos da Língua” que são o recente passado do novo “A Cor da Língua” e um
projecto mais pessoal. “O meu projecto pessoal pretende ser uma ponte entre a
poesia do espaço lusófono, com incidência nos poetas que fizeram e fazem a fusão da
escrita em língua portuguesa com as suas línguas locais, criando canções e músicas
que reflectem as sonoridades dos locais que vou conhecendo, nomeadamente em
África, de onde trago ideias musicais que procuro fundir com referências e texturas
musicais de sabor popular português e universal”. Para o futuro Carlos Peninha
pretende “continuar a tentar furar o grande anonimato” e também “continuar a
tentar dar a conhecer o meu projecto no estrangeiro”.
Brian Carvalho – trompete
Carlos Peninha – composição e guitarras
José Rui Martins – voz
Lydia Pinho – violoncelo
Miguel Cardoso – contrabaixo
Marcos Cavaleiro – bateria
Mariana Abrunheiro – voz
Pedro Lemos – baixo eléctrico
Rui Teixeira – saxofones

www.myspace.com/carlospeninha

Como se pode ler no site da banda o projecto “Fadomorse surgiu há oito


anos atrás em Trás-os-Montes, nos quais tem vindo a desenvolver uma forma única
de intervir culturalmente junto do público menos cultivado na alma e no sentir
nacional, através de intervenções culturais e com a edição por meios próprios de
registos discográficos. A música e a poesia são assim, os meios de propagação da
mensagem construtiva para um futuro cultural de um povo, no qual o projecto
Fadomorse se empenha com todo o profissionalismo e singularidade, levando até vós
um espectáculo único, digno do melhor conteúdo cultural que vai desde as raízes
populares portuguesas até ao expoente moderno da sonoridade do mundo”. Podem
assistir aos já famosos e intensos concertos da banda na festa do Avante já no
próximo dia 6 de Setembro e percebam como se pode cozinhar Frank Zappa, Mr
Bungle, Zeca Afonso e Sérgio Godinho na mesma panela.

Hugo Correia – voz/ guitarra portuguesa eléctrica


Hugo Ferraz – voz
David Leão – flauta transversal
Ronaldo Firmino – bateria
Rui Ferreira – acordeão/ teclado

8
ACERT – www.acert.pt - Associação Cultural e Recreativa de Tondela

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 13
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Bruno Rodrigues – baixo eléctrico

http://www.myspace.com/fadomorse
http://www.fadomorse.net/

Depois de nos perdermos e sem indicação no GPS do nosso próximo


destino chegámos à Rua Montecalvo nº 146 para conhecer os Montecalvo 146. São
um trio de músicos profissionais que “tentam adaptar-se a este novo paradigma que
é o de conquistar público e o de fazer com que esse público lhes retribua em capital
o trabalho reconhecido sem ter de os “obrigar” a tal”. Definem-se como “uma
metáfora musical/social, uma ruralidade urbana característica de um país conservador
globalizado”. Depois de editarem a sua maquete de apresentação – “Chaves de
Casa” pretendem “fazer uma tour de concertos por esse Portugal fora e se
“tivermos tempo” tirarmos umas férias dos nossos empregos”.

Ricardo Raimundo – guitarras/ voz/ programação


Cristiano Moreira – bateria eléctrica/ voz/ programação
Lionel Fernandes – bateria acústica/ percussões/ programação

www.myspace.com/montecalvo146

Programa #07 – Tomar (06-09-2008)

No episódio de hoje do KM0, estaremos em Tomar, cidade com vários


projectos musicais, essencialmente electrónicos. Vamos conhecer a vertente
industrial dos Waste Disposal Machine, o ‘electro-pop’ de Peltzer e o laboratório
conceptual dos U-Clic.

“These people are not musicians” é o mote para a apresentação deste


projecto. Waste Disposal Machine é o reflexo musical da união de quatro
personalidades com trajectos díspares e influências variadas. “Musicalmente
acabamos por reflectir essas diferenças e o resultado pode definir-se genericamente
como rock electro-industrial.” Depois de em 2003 terem editado o seu primeiro
trabalho – I.D. Code, os WDM preparam-se para lançar já em Outubro o álbum
“Interference”, totalmente gravado nos estúdios Zero em Tomar. Passem pelo
MySpace do projecto e aproveitem para ouvir a versão de “24 Hours” dos Joy
Division.

João Gonçalves - voz e samplers


Miguel Silva - guitarra/ back vocals/ programação
Hugo Santos - baixo
Vítor Silva – laptop

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 14
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

www.myspace.com/wastedisposalmachine

Peltzer é um projecto de um só homem (não confundir com solitário) – Rui


Gaio: “As raízes electrónicas analógicas que caracterizam o meu género migraram
para as combinações de bits, e o electro pop que veste as minhas canções foi
integralmente emulado com instrumentos virtuais. Os timbres e sequências
melódicas são pré-programadas para serem executadas e enquadradas durante a
performance. Esta automação liberta fisicamente o elemento humano de PELTZER
que usa a sua matéria orgânica para interagir com a máquina em tempo real quer
através do canto quer usando periféricos flexíveis que se adaptam à minha biologia”.
Peltzer tem uma parceria com o Homem Bala que faz a gestão e o VJing das suas
performances. Para breve está prevista a edição do seu primeiro e.p. de originais -
“Outdated”. O álbum será editado no segundo trimestre de 2009 e podem assistir,
hoje (06-09-08), pelas 22.30, ao seu concerto no Calça Perra em Tomar.

Rui Gaio - voz/laptop/ sintetizadores


www.myspace.com/peltzerr

Para a apresentação do próximo projecto transcrevemos a entrevista que


fizemos por e-mail. Tem tudo a ver com o conceito:

1. Como apresentam o vosso projecto? U-Clic: rock´n´roll, artes visuais,


conceitos quotidianos e assim exponencialmente. 2. Quais os vossos planos para o
próximo ano? U-Clic ao vivo, U-Clic em estúdio, U-Clic nas pessoas, U-Clic 2009. 3.
Como é fazer música aqui e agora? Aqui em U-Clic: fácil, aqui em Portugal: difícil,
agora em pleno século XXI: fácil, agora de repente: difícil.
Este ano e após a estreia do álbum “Console Pupils”/2007 os U-Clic fizeram
uma digressão com mais de 50 datas que culminou com um grande concerto em
Paredes de Coura.
U-Salgado - sintetizador/guitarra e voz
U- Confra - voz
U- Gonçalo - vj/sintetizador e laptop
www.myspace.com/uclic
www.u-clic.com/

Programa #08 – Porto I (13-09-2008)

Percorridos 6 mil Km’s a equipa do Quilómetro Zero, penetra airosa e


finalmente no centro do Porto e começa este episódio com o pop rock romântico
dos Stoaways, apresenta os 6 discípulos dos Cenáculo e termina com a auto-ironia
de Pz.

Stowaways é um projecto com 6 anos de existência e que já tem um


património com 2 álbuns editados: “We Have Made Thousands of Lonely People

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 15
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Happy - Why Not You?” (em parceria com os Alla Polacca


www.myspace.com/allapolacca) e “Huntclub”. Segundo palavras da banda o projecto
“nasceu de uma vontade de fazer assim uma espécie de qualquer coisa ou qualquer
coisa em forma de assim. Neste momento é de certa forma um anti-projecto,
reflexo de uma imensa vontade de não fazer coisa alguma a não ser feitio”. Para o
próximo ano “temos agendados alguns aniversários e casamentos de amigos.
Pensamos também em publicar na internet de forma gratuita alguns temas antigos
que nunca viram a luz do dia nem o breu da noite. O problema é que temos muito
poucos temas pelos quais não sentimos algum embaraço, daquele embaraço que se
sente quando se vêm fotografias da altura da adolescência em que ainda líamos o
diário de Adrian Mole e estávamos com um corte de cabelo ridículo naquela fase em
que ele está a crescer e não sabe muito bem para onde ir”.

Nuno Sousa – voz/ guitarra


Pedro Gonçalves – guitarra
João Carujo – bateria
Pedro Silva – contrabaixo
João Covita – acordeão
Fred – piano
www.myspace.com/stowawayshuntclub

Os Cenáculo bebem da veia tradicional da canção e tradição musical


Portuguesa fundindo-a com Pop, Rock e World Music e …poesia. Para 2009
pretendem “dar muitos concertos”. Acreditam que ”as editoras continuam a não
apostar o suficiente na música portuguesa” mas que “em contrapartida a novas
tecnologias permitem que se possa realizar e divulgar a baixo custo os projectos
musicais de cada um”. As suas principais referências musicais são Fausto e José Mário
Branco: “o primeiro porque tem uma musicalidade tão própria que é inconfundível.
O segundo porque, no nosso entender, é um dos maiores letristas portugueses”.
Seis discípulos da boa tradição musical.

Carlos Raposo: compositor/ guitarra portuguesa/ guitarra


Vasco Arizmendi: compositor/ voz
Bilan: guitarra
Sérgio Pires: baixo
Márcio Silva: percussão
Tito Santos: flauta
http://www.myspace.com/cenaculopt

PZ é Paulo Pimenta: “este projecto tem um cunho muito pessoal e tem como
expoente máximo o próprio disco: as músicas, a capa, as fotografias inseridas no
booklet, o design, foi tudo feito por mim como uma gravação integral da minha vida,
dos meus medos, das personagens que habitam na minha cabeça, do meu dia-a-dia,
das minhas rotinas quebradas por flashbacks e flash-forwards, um auto-retrato
musical se quiserem”. Web designer de profissão PZ pretende “acabar e compilar as
novas músicas que tenho feito” e desenvolver projectos paralelos como a Zany

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 16
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Dislexic Band e os Lazy Burns. A sua produção musical passa por desenvolver o que
lhe vai na cabeça no momento, qualquer que seja o lugar. “O meu projecto não seria
possível de desenvolver há 20 anos atrás por exemplo. Os temas vão mudando, as
ideias transformam-se ao logo do tempo à medida que vamos sendo influenciados
por nova metamorfoses musicais. Mas o sentimento que nos leva a fazer música é o
mesmo de sempre. A comunicação transcendental entre seres humanos, ou algo do
género”. “Sofá Efervescente” já está no meu IPod há uns mesitos”.

Paulo Pimenta: voz/ sintetizadores/laptop


www.myspace.com/pzpimenta

Programa #09 – Lisboa II (20-09-2008)

A música felizmente é outro mundo que só se ouve neste. Cansados


regressamos a Lisboa para mais um olhar sobre o som que se produz na capital.
Vamos perceber o que está por detrás da mascara dos Gueixa, ouvir o afro-beat dos
Cacique 97 e os mecanismos de precisão enferrujados dos München.

“A vontade de fazer algo de original surgiu, tendo como base ideias musicais
que acumulavam pó nas nossas mentes”. Foi em 2006, numas sessões de fado em
Miratejo que Miguel Baptista e Nuno Correia se conheceram e lançaram as bases
para o projecto Gueixa. Pelo meio, na estação fluvial de Belém conhecem Paulo
Oliveira, o terceiro elemento. Gueixa é um projecto onde existe um espaço de
criação e intercâmbio de ideias musicais, com incentivo a colaborações permanentes
ou temporárias. “Procuramos assim fugir à noção fechada de banda musical, e
procuramos aprender e trocar ideias com qualquer pessoa interessada”. De facto
podem ler no MySpace um post do tipo classificados que identifica essa busca
constante por novos músicos e instrumentos. Para a banda o desafio de produzir
aqui e agora é complicado porque “o ser humano já explorou muitos caminhos a
nível de experimentação entre instrumentos diferentes. No entanto, com o
desenvolvimento destes e acima de tudo com a tecnologia que existe, algumas coisas
estão mais facilitadas, se compararmos com tempos passados. Nos diálogos que
criamos entre instrumentos tentamos fazê-lo com sonoridades não demasiado
exploradas ou divulgadas. Por vezes experimentamos outras abordagens aos
instrumentos, na esperança que nasça algo que ainda não tenhamos ouvido”.

Nuno Correia – viola


Miguel Baptista – viola/ guitarra portuguesa
Paulo Oliveira – baixo
http://www.myspace.com/gueixa

Os Cacique´97 são um colectivo afrobeat. No espírito de Fela Kuti e Tony


Allen (inventores do afrobeat), os Caciques misturam Ritmos africanos com Funk,
Jazz, Soul, adaptando-os à realidade da música africana dos Palops e do Brasil. “Fela e
Allen misturavam o Funk e o Jazz com os ritmos tradicionais nigerianos, nós

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 17
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

adicionamos também os ritmos de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil, etc”. E


utilizando sempre um discurso de intervenção, o que é característico do afrobeat.
Estão a apontar a estratégia deles para o circuito da World Music estando
prevista para o final deste ano ou no começo do próximo a edição do seu primeiro
álbum de originais. Para já o objectivo é tocar ao vivo … contagiar com boa onda.

Milton Guilli – voz/ guitarra


Francisco Rebelo – baixo/ back vocals
João Gomes – teclado/ back vocals
Marco Alves – bateria/ back vocals
Marisa Gulli – percussões/ back vocals
Zé Lencastre – saxofone alto/back vocals
João Cabrita – saxafone tenor/barito e vocals
Vinicius de Magalhães – trombone/back vocals

http://www.myspace.com/cacique97

München é o som de uma nova urbanidade acústica. Servem os palavrões


para dizer que esta música tresanda a mecanismos de precisão enferrujados e, por
isso, doces. São cordas em desuso e percussões em multiusos. Não há meninos.
Todos os elementos dos München já tocaram noutras bandas. Quase todas mais
ruidosas. Em 1999, Bruno Duarte decide sentar-se e desde então os München deram
mais de vinte concertos, todos sentados. Em palco nunca são menos de quatro e
nunca foram mais de nove. O dinheiro para as batatas nunca veio da música. Esta
situação permitiu e permite uma liberdade criativa que enquanto confundir próprios
e alheios é a razão da existência dos München. Confundir próprios é ouvir folclore
turco ou electroacústica experimental e, para raiva ou deleite do parceiro, não tocar
nem uma coisa nem outra. Confundir alheios é mais perigoso. A vida não é fácil. É
claro que há quem, com gavetas e rótulos, a tente simplificar. München é uma banda
de toy music: existem de facto brinquedos sonoros. München é uma pequena
orquestra de câmara: tocam guitarra clássica e viola de arco. München é uma banda
rock: a bateria e guitarra eléctrica estão lá. Em que é que ficamos? Ficamos, como no
princípio, sentados a tocar.

Bruno Duarte – guitarra de plástico/ melódica/ bateria


Mariana Ricardo – ukelele/ guitarra/ melódica
João Matos – percussões/ xilofone/ baixo
João Nicolau – guitarra/ cavaquinho/ melódica

www.myspace.com/munchenpt

Programa #10 – Alentejo e Almada (27-09-2008)

O Alentejo é muito curioso no que toca à sua relação com a música: tem um
povo cantor, com um imenso património de música popular e de modos musicais, e
tomou por sua como nenhuma outra zona do país a música de Zeca Afonso e dos
cantores e compositores de intervenção dos anos 1960 e 1970.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 18
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Por outro lado, o constante abandono político da região desde que o tempo
dos latifundiários quase esclavagistas cessou não tem contribuído para o progresso
material e cultural que seria desejável. A água das barragens limitou-se a afundar
aldeias.
Resumindo, foi-nos difícil encontrar novas criações musicais nesta belíssima
região mas, teimosamente, conseguimos.

Em Almada, portanto para além do Tejo estivemos com o Dr. Estranho


Amor e o seu pop rock romântico, melancólico mas exaltante. As suas histórias
falam de um homem na cidade, debatendo-se na sua luta moral com o passado e à
procura da iluminação do amor … um tema nobre e inesgotável. “Musica estranha
para pessoas normais ou vice-versa” nas palavras de Luís Filipe Martins. Estranho
Amor ainda nos diz que o futuro terá algum sentido se o projecto for mais do que
uma simples recordação e que a luta se faz contra os “bretões, com a ajuda da
Nossa Senhora de Fátima”.

Donavan Bettencourt - baixo eléctrico


Hugo Costa - guitarra/ letras
Luís Filipe Martins - voz
Paulo Sérgio Borges - teclados/voz/ harmónio
Pedro Madeira - guitarra
Rui Freire - bateria
http://www.myspace.com/drestranhoamor

Finalmente no Alentejo, nas imediações de Montemor-o-Novo, vamos


encontrar o estúdio do compositor e produtor Pedro Pereira, mentor do Projecto
Fuga, vencedor do prémio SPA/Antena 3 de 2007 na categoria de melhor colectivo.
E a ideia de colectivo é o que melhor ilustra o primeiro disco do projecto: trata-se
essencialmente de um disco de colaborações onde participam vários artistas de
diferentes quadrantes, portugueses, brasileiros, nigerianos e guineenses, unidos
sobre as composições e sob a batuta de Pedro Pereira. Num futuro próximo
“esperamos levar a nossa música para os palcos de vários auditórios, centros de arte
e teatros no território nacional e visto que iremos editar o disco no Brasil, através
da Allegro Discos, com certeza surgirá uma pequena digressão em parceria com
bandas brasileiras. Seria desejável não ter que esperar 4 anos, como aconteceu com
o disco de estreia, para editar o nosso "02"...

Pedro Pereira: compositor/ piano


Ricardo Moura: baixo eléctrico
Vasco Teodoro: guitarra eléctrica
Milton Lehmkhl: bateria
Miguel Gomes: violinista
Rosete Caixinha: voz

www.myspace.com/projectofuga

E foi com muito prazer que chegámos ao Baixo Alentejo para conhecer um
estúdio incrivelmente situado no alto de uma serra, com vista sobre um mar de

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 19
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

pequenos montes. O estúdio Pomar da Serra pertence a Harida, músico de


nacionalidade chilena, incansável viajante e responsável pela editora Nazca,
essencialmente dedicada à New Age. Por coincidência, num monte um pouco mais
abaixo, vive o exímio teclista português Pedro Sotiry: um simpático pastor foi o
responsável pelo encontro entre os dois que haveria de gerar o projecto Oxalá: chill
out, world music, jazz ambient e lounge music.

Pedro Sotiry - teclados/ sintetizadores


Harida - tablas/santur/ taças tibetanas
www.myspace.com/harida

Programa #11 – Algarve (04-10-2008)

“Há 800 anos, a capital imperial do Algarve era nem mais nem menos do que
Bagdade: vivia-se já o fim da maior dinastia de califas do Islão, os Abássidas, mas esta
zona era ainda um importante centro mundial de cultura e ciência. Hoje, a palavra
progresso substituiu o progresso da palavra; o conceito de auto-estrada substituiu o
conceito de viagem; e o conceito de indígena substituiu o de cidadão.
Mas vale a pena ver o lado bom das coisas; hoje uma lagosta ou um D.
Rodrigo, quando bem avaliados, conseguem ter uma excelente aproveitamento, a
matemática.”
(J.P. Simões, texto de abertura do programa 11)

Vamos até à zona de lagos conhecer o jovem e prodigioso acordeonista João


Frade. Um músico natural que começou por aprender a sua arte nas composições
tradicionais algarvias e que agora embarcou num promissor percurso pelos géneros
mais sofisticados da música instrumental.

João Frade: acordeão/harmónio


Tuniko Goulart: guitarra

www.myspace.com/joaofradetrio

A nossa próxima viagem é o velho teatro Lethes, em Faro, um edifício com


cerca de 400 anos que se dedica às artes da representação desde 1845. Se há um
género musical que tem evoluído no Algarve, graças à persistência de músicos como
o contrabaixista Zé Eduardo e de toda a equipa da Associação Grémio das Músicas,
é o Jazz. Composto essencialmente por músicos algarvios, o grupo Jazztaparta é um
produto dessa evolução. Jazz, Funk e Rock respirando um imaginário que deve tanto
ao cinema popular quanto ao espírito iconoclasta da vida boémia.

André Capela: saxofone/ flauta


Leon Baldesberger: trompete
Amadis Monteiro: bateria

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 20
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

João Aráujo: piano eléctrico


Marco Martins: baixo

www.myspace.com/jazztaparta

Nanook é um bluesman algarvio: toca em bares e hotéis, dá aulas de baixo,


tem um programa de rádio, é desde há pouco tempo presidente do conselho fiscal
da Associação Grémio das Músicas e, sempre que pode, compõe os seus próprios
temas que apresenta ora sozinho ora com a sua banda. Vamos encontrá-lo em Faro
na Associação Recreativa e Cultural de Músicos, pequeno complexo de salas de
ensaio, bar e sala de espectáculos instalado num velho edifício à espera de ser
demolido para dar lugar a mais um belo negócio imobiliário.

Tércio Freire: guitarra/ voz


Sónia Cabrita: bateria
Jorge Pamplona: baixo

www.myspace.com/nanookspace

Programa #12 – Porto II (11-10-2008)

Vagueamos agora pelo concelho da Maia em direcção ao local de ensaios da


banda 2008. O trio formado em 2005 por Pedrim, Andrim e Nicolim, produz
canções de cuidada melodia que conduzem quase sempre à intensa descarga
eléctrica. De repente, a sua música conquistou o interesse do público e de grandes
editoras, ganhou concursos e o quarto concerto da banda teve como palco o
Festival do Sudoeste. E segundo Nicolim – “Gostamos de dizer que os 2008 são uma
banda e não um projecto. Só pela esperança de longevidade ou seriedade. Somos
três rapazes da Maia que ensaiam debaixo da terra. Há quem diga que misturamos
rock velho com música paneleira”.

Pedro Pereira: voz/guitarra


André Augusto: bateria/ teclados/back vocals
Nicolau Fernandes: baixo/ teclados
www.myspace.com/trio2008

A viagem prossegue em direcção a Espinho, onde The Weatherman prepara


o seu novo álbum com a participação de músicos da Academia de Música de Espinho.
A música pop, entre os Beatles e os Beach Boys, é a grande referência do trabalho
de The Weatherman: mas o seu talento como compositor, arranjista e intérprete
confere à sua música algo que ultrapassa o universo de estilos a que se remete: uma
personalidade.
Alexandre Monteiro: compositor/ piano/ guitarra/ voz
André Tentugal: guitarra/back vocals

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 21
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

www.myspace.com/theweathermanpt

De volta à cidade do Porto, temos encontro marcado num velho edifício


essencialmente ocupado por grupos de teatro e conhecido como A Fábrica. A
música dos Mimical Kix tem nascido em estreita colaboração com o teatro,
cruzando a canção com a sonoplastia, o acústico e o electrónico, e os textos
clássicos com os de novos dramaturgos, resultando em temas que conferem uma
invulgar frescura à musica portuguesa.

Rui Lima: voz/guitarra


Sérgio Martins: baixo/laptop
Helena Guerreiro: voz
Pedro Cardoso (Peixe): guitarra eléctrica

www.myspace.com/mimicalkix

Programa #13 – Lisboa III (18-10-2008)

Norberto Lobo é um caso ímpar na nova música Portuguesa: o seu primeiro


disco é composto exclusivamente de temas tocados a solo na guitarra, composições
preciosas, universais e ao mesmo tempo tão próximas de qualquer coisa que
podemos chamar de nossa, interpretadas com um invulgar fôlego e sabedoria por
um músico e compositor no mínimo fascinante.

Norberto Lobo - Guitarra Portuguesa

www.myspace.com/norbertolobo

Seguimos em direcção à Bobadela, mais precisamente para uma praceta


onde, num complexo de pequenas garagens para automóveis, ensaiam cerca de 120
bandas. Os Lobster são um duo de guitarra eléctrica e bateria: fazem rock e fazem-
no com imensa liberdade, quase insolência. O seu som é poderoso e intenso,
conseguindo desenhar todas as nuances de uma gigantesca tempestade hormonal.

Ricardo Martins - bateria


Guilherme Canhão – guitarra
www.myspace.com/wearelobsters

Marco Franco sempre foi um músico com espírito de explorador: toca


vários instrumentos, principalmente bateria, e sempre percorreu um caminho na
fronteira dos estilos ou géneros, aberto à experimentação, tanto no jazz como na
música improvisada. Com os Mikado Lab, Marco Franco conseguiu unir o jazz e o
rock numa série de composições originais que respondem facilmente aos epítetos de
luminosas, graciosas, inspiradas e felizes.

Marco Franco - composição/bateria

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 22
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Ana Araújo - teclados/ programação/sampler


Pedro Gonçalves - baixo

www.myspace.com/mikadolab

Programa #14 – THE END (25-10-2008)

“A primeira série do programa “KM0” terminou hoje com um best of de 50


minutos que compila os melhores momentos da longa viagem musical exibida ao
longo de três meses, na RTP2. Com uma média de 62 mil espectadores por emissão
(920 mil no total), o “Quilómetro Zero” promete voltar aos ecrãs da televisão
pública, para continuar a documentar o fôlego, originalidade e valor da criação
musical portuguesa.”

“Criámos um espaço televisivo de excelência para a documentação e


divulgação da música nacional – desígnio que não acontecia há 14 anos.
Já estamos a preparar uma nova edição do KM0, renovada em termos de
imagem, forma e conteúdos. Há ainda muitos quilómetros de música por desvendar
e revelar no nosso país.
Queremos ouvir as vossas opiniões sobre esta primeira série por forma a
podermos melhorar a próxima.”

(J.P Simões e a produtora BUS)

Assim termina o “diário de bordo” da viagem pelos quatro cantos de


Portugal, desta equipa, que durante um ano procurou documentar e difundir o
melhor da música underground, ou mais amadora, dos nossos jovens artistas.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 23
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Dados estatísticos

A análise do programa consistiu em recolher dados importantes, através do


visionamento de cada programa, compilados numa grelha de análise (anexo II). Cada
banda foi identificada com: nome, localidade, programa, data de emissão, estilo,
elementos, influências, entre outros parâmetros. Depois das fichas estarem todas
preenchidas, procedi a contagem de dados, tendo chegado a valores possíveis de
representar em gráfico. Os gráficos representam o número de bandas escolhidas por
distrito, o número de elementos por banda e ainda a informação cruzada das
influências de cada músico. Gráficos esses que podemos observar a seguir.

Gráfico 1

Número
de
bandas
por
Distrito

10

9

Nº
de
Bandas


8

7

6

5

4

3

2

1

0


Distritos


Como podemos observar no gráfico 1, a escolha das bandas foi mais ou


menos uniforme, se dividida por distrito. Como é de prever, os distritos de Lisboa e
Porto são os distritos normalmente mais representados, mas neste programa surge
um distrito mais forte que o Porto, Braga tem 6 bandas representadas no KM0. Uma
surpresa agradável e mais descentralizada, e que em parte se verificam devido ao
emprenho do município em promover a cultura na sua cidade, ao disponibilizar salas
do estádio 1º de Maio, em Braga, a bandas ou grupos que procurem um local para
ensaiar. É uma medida a louvar e os seus frutos são visíveis neste gráfico. Pela
negativa, estão os distritos de Beja, Évora, Setúbal, Viseu e Castelo Branco, com
apenas uma banda a representá-los.

O próximo gráfico representa o número de elementos por banda. É um dado


que a partida é desinteressante, mas a longo prazo pode revelar-se importante para
retirar outro tipo de informações como por exemplo ao nível social e a das relações
entre amigos. Nos tempos que correm, com as dificuldades e incompatibilidades,

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 24
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

tanto de horários como de personalidades, e pelo desenvolvimento criativo,


podemos verificar que há muitos mais projectos musicais só com uma ou duas
pessoas, pois a electrónica e as novas tecnologias vieram substituir elementos,
instrumentos e mão de obra. Contudo, ainda há puritanos e gente que gosta de se
juntar para fazer uma grande festa, como é o caso dos Kumpanhia Algazarra com 8
elementos bem como o Gnomon.

nº
de
elementos
por
banda

9

3%

7

0%

8
 1

6
 8%
 10%
 2

15%
 15%


5

10%
 3

4
 21%

18%


Gráfico II

Assim podemos concluir que, 10% das bandas têm 1 elemento, 15% têm 2,
21% possui 3 elementos, 18% tem 4 elementos, 10% das bandas são compostas por
5 elementos, com 6 elementos temos 15% das bandas, com 7 elementos não foi
seleccionada nenhuma banda, 8% das bandas têm 8 elementos, e 3% tem 9
elementos.
Deste gráfico, podemos generalizar, que os trios de rock (baixo, guitarra e
bateria) e os quartetos da pop (baixo, bateria, 2 guitarras ou uma guitarra e
instrumento solista) são os mais frequentes e os mais usados como formação das
bandas. Se formos analisar a música Internacional, neste aspecto, vamos encontrar
valores também muito aproximados. Se compararmos com o número de elementos
das bandas que influenciaram estas gerações, podemos ainda concluir que os
números se mantêm.
Outro parâmetro da ficha técnica de análise é o de influências. Neste campo
foram colocados todos os nomes de bandas, filmes, livros, compositores,
realizadores e escritores, que de certa forma influenciaram e inspiraram a criação
artística destas bandas. De uma lista com mais de 190 nomes (anexo III), escolhi os
40 mais referenciados (anexo IV), os nomes que tiveram maior destaque foram os
mais conhecidos da população em geral. Os Beatles são unanimemente a banda que
mais influenciou a geração destes novos criadores, 6 das 39 bandas entrevistadas
fizeram referencia a este grupo. Depois segue o nome dos Nirvana, com 5

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 25
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

referências. Miles Davis, Frank Zappa, John Coltrane e Carlos Paredes foram
nomeados por 4 bandas, o que não deixa de ser interessante, o nome de Carlos
Paredes aparecer num pódio tão famoso como é o destes dois grandes mestres do
Jazz. Em destaque surgem ainda, os Smashing Pumpkins, Sérgio Godinho, Primus, Mr
Bungles, José Afonse, Keith Jarrot, José Mário Branco, Jeff Buckley, Fausto, Jesus and
Mary Chane com o álbum Candy e Bahaus, todos eles com 3 referências.
GráficoIII

Bandas
de
InSluência


Weather
Report

Tom
Waits

The
Doors


The
Beatles

Smashing
Pumpkins

Sergio
Godinho


Revolver

Red
Hot
Chili
Peppers

Rage
Agaist
the
Machine

Radiohead

Primus

Pixies


Nirvana

Nick
Cave

Neil
Young

Mr
Bungles

Miles
Davis

InSluências


Maria
João
e
Mario
Laginha

Leonard
Cohen


Led
Zeppelin

Kraftwerk

Keith
Jarrett

José
Mario
Branco

José
Afonso


Jorge
Palma

John
Coltrane

Jesus
and
Marie
Chane
(Candy)

Jeff
Buckley

Hermeto
Pascoal

Frank
Zappa

Fausto

Deus


Dead
can
dance

David
Bowie

Closer
OST

Charles
Mingus

Carlos
Paredes


Bahaus

Antibalas


0
 2
 4
 6
 8

nºde
bandas
inSluênciadas


Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 26
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Todas as restantes bandas deste top 40, foram referidas por 2 das 39 bandas.
É interessante ver que nomes portugueses continuam a influenciar as nossas bandas.
Um pouco relacionado com as influências e com a quantidade de músicos,
está a escolha dos instrumentos. Através das fichas de análise é possível saber quais
os instrumentos mais usados e que intensidade tem a electrónica e os computadores
ocupam na música portuguesa.
Gráfico IV

Xilofone

Voz/Coros

Violoncelo

Violino

Trompete

Trombone

Sousafone

Sintetizador/teclados

Saxofone
Tenor

Saxofone
Soprano

Saxofone
Baritono

Saxofone
Alto

Sanfona

Samplers

Programação/computador

Piano

Percussão

Melódica

Latocello

Harmónica

Guitarra
Portuguesa

Guitarra
Electrica

Guitarra
Acustica

Flauta
Transversal

Flauta
de
Bisel

Contrabaixo

Cavaquinho

Bateria
electrica

Bateria

Banjo

Bandolim


Baixo
Electrico

Acordeão


0
 5
 10
 15
 20
 25
 30
 35
 40
 45
 50


O gráfico IV representa todos os instrumentos usados pelas bandas. A


voz é o instrumento mais predominante. Guitarra eléctrica, baixo eléctrico e
bateria acústica são os instrumentos com mais destaque. Curiosidade para o
“Latocello”, instrumento inovador e único, que consiste numa lata com um
braço e cordas de baixo. De salientar ainda o uso do sampling e da
programação, na procura de novos sons, ou numa tentativa de personificar

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 27
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

instrumentos da nossa cultura como o cavaquinho e a guitarra portuguesa ou


o acordeão. Ao nível dos sopros temos os instrumentos mais usuais duma big
band, e nas cordas o violoncelo e o contrabaixo destacam-se do violino. A
Melódica, a fazer lembrar a bienal Francesa ao som de Yann Tirsen ou Rène
Aubry, também está bem presente nestes projectos musicais.

A língua é outro item da ficha de análise (anexo II). Dum total de mais
de 100 temas musicais, foram cantados em diferentes línguas e idiomas:

- 28 temas em Português (3 em “brasileiro”)

- 22 temas em Inglês

- 2 em Crioulo, 1 em Francês, 1 em Espanhol, 1 em Romeno.

É interessante ver que a língua portuguesa é cada vez mais usada, e é


um tema muito falado no programa. Segundo a opinião dos Smix Smox Smux,
“o povo português ainda tem um pouco de vergonha de se autocriticar e de
brincar consigo mesmo, e quando chega à língua ainda mete luvas brancas”.

Das fichas de análise foi possível retirar imensa informação mas que,
sem haver qualquer tipo de registo anterior ou estudo de uma temática
como esta, se torna em informação curiosa, pois não há possibilidades de
comparar valores ou comparar comportamentos. Contudo, sinto que é
importante a continuidade deste tipo de trabalhos, porque só assim
poderemos chegar a conclusões mais credíveis e menos subjectivas.

Outro ponto de informação, foi obtido através do contacto com as


bandas, embora indirecto (via MySpace), mostrou-se ser fiável e até sincero.
Nestas entrevistas às bandas podemos ainda perceber como pensa esta nova
geração de músicos e que visão prevêem para o futuro da música e da
industria musical em Portugal.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 28
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Entrevistas às bandas
A informação dos gráficos e da descrição de cada banda, forma informações
retiradas directamente do visionamento do programa. Para além desta recolha, foi
também realizada uma entrevista às bandas. Tal como a equipa do Quilometro Zero,
também eu próprio me rendi às evidências e capacidades de funcionalidade da
ferramenta MySpace9. Através do MySpace foi-me possível consultar informações
sobre as bandas, ouvir as suas músicas e comunicar com eles.
Foi enviado a cada banda um breve questionário. As questões foram as
seguintes:

1. Qual foi o impacto que sentiram ao participar no programa? Porquê?


2. Em que é que se observou?
3. O que é que mudou na carreira da banda depois de aparecerem na
televisão?
4. Na vossa opinião, qual é a importância de um programa destes?
5. Acham que o programa teve influência na vida musical em Portugal?
Porquê?
6. Que perspectivas têm para o futuro da música em Portugal?

Das 39 bandas, apenas 10 responderam, o que não deixa de ser um sinal


positivo, embora considere ser baixo. As bandas foram os Nanook, Jazztaparta, Mad
Man Underground, U-clic, Carlos Peninha, LaLaLa Ressonance, PZ, Mikado Lab,
Nikoala, e Rui Gaio – Petzel.
Deste grupo de 10, consegui aperceber-me de várias formas de pensar e de
várias formas de estar na música, um pouco pela experiência de cada grupo aliada à
idade de cada um.

Na 1ª questão a opinião foi mais ou menos geral. O impacto que o grupo


sentiu foi positivo, foi uma maneira interessante de se mostrarem e de reforçarem a
sua confiança no trabalho que têm desenvolvido. Aumentou a motivação para
continuar a trabalhar e para continuar a compor mediante o seu estilo próprio. Há
apenas duas bandas que consideram um acto banal, Carlos Peninha de 47 anos,
afirma que “ já fui a muitos programas de tv, foi mais um (...) nada de especial, alguma
espectativa, (...) és mais divulgado na Fátima Lopes do que num programa da Rtp2”.
Os Nikoala, consideram que a participação no programa não foi significativa, pois a
sua música é rotulada como “alternativa à alternativa”, porque “o nosso projecto é
um complemento para outras manifestações, não vive do mediatismo usual que
qualquer banda de pop ou rock necessita para se dar a conhecer”.

9
http://www.myspace.com/index.cfm?fuseaction=misc.aboutus - Ideia desenvolvido
por Tom Anderson, e mais tarde tornado num site de rede social global, com
especial atenção para músicos e grupos musicais. Nesta página pode-se ler os
principios do site.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 29
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

A participação no programa trouxe algumas alterações significativas para as


bandas. Nas respostas à questão número 2, é unânime o aumento de comentário
por parte do público, amigos e desconhecidos, na plataforma do MySpace. As visitas
aos MySpace das bandas aumentou, houve mais convites para “tocar fora dos
circuitos habituais”. Rui Gaio dos Petzel afirma: “ Ser documentado no KM0 fez-me
sentir seguro em relação ao registo histórico da minha passagem no panorama
musical popular emergente”. Os Nikoala salientam o facto de ficarem com um
“registo de vídeo em que existiu uma ligação do figurado barcelense – no caso, a
Rosa Ramalho – com a nossa música, o que é importante ao nível de arquivo, tanto
nacional como regional”. Os restantes referem ainda a importância de estarem a ser
vistos por espectadores, que muito provavelmente, não tinham conhecimento de
uma corrente musical desta espécie, e ainda que a motivação aumenta, “vi-me
retratado ao lado de músicos que muito admiro e que aos poucos têm visto o seu
trabalho reconhecido” (Rui Gaio).

Na 3ª questão as bandas mostraram-se fieis à sua própria origem. Ao colocar


esta questão, vi-me um pouco influenciado pela mediatização e pelo poder da
televisão, e após ler as respostas consegui reconhecer isso. Para as bandas, a
participação no programa foi algo que estava no seu percurso natural. As bandas
afirmam, que os seus estilos já estavam definidos, e os caminhos que tomaram jamais
seriam alterados pela mediatização/fama dada pela televisão. A generalidade
respondeu “nada” a esta questão. Os U-clic afirmam: “(...) a participação em
programas como o KM0, não muda propriamente carreiras, ajuda a consolidar uma
ideia de escolhas de caminhos e a mostrar o que se faz às pessoas certas”,
acrescentam ainda que o seu caminho já foi escolhido há muito tempo e a passagem
pela televisão será sempre em “programas de qualidade como este e não a vender
telemóveis ou a musicar casos amorosos em qualquer novela televisiva”. Contudo,
os efeitos da participação num programa de televisão “aumenta a exposição de um
músico”, e PZ continua, “Como exemplo concreto posso referir que a minha página
do MySpace duplicou em visitas diárias e recebi feedback positivo (...) fiquei
surpreendido por ter resultados imediatos”. Na generalidade, o que se notou mudar
na carreira das bandas, foi o aparecimento de mais comentário, concertos e alguma
exposição.

Quando questionados acerca da importância de programas como o KM0, as


bandas afirmam que é importante uma certa continuidade. Divulgar música nova é
fundamental, e é uma forma de premiar artistas que trabalham arduamente para
fazerem música “Underground”, programas com estas característica “é fundamental,
porque nas televisões nacionais não existem divulgações da música que se faz em
Portugal fora dos meios mais Mainstream” (U-clic). Este programa conquistou o
respeito das bandas pelo “método justo de selecção”, pela sua equipa motivadora,
organizada e ao mesmo tempo tão relaxada, refere PZ, “(...) tenho de referir que a
equipa do KM0 foi fantástica, a maneira como nos tratam não tem reparos. Muito
simpáticos, motivados com o que fazem (...) óptima experiência, tudo organizado e
preparado ao pormenor”. A importância deste programa reside ainda na
descentralização e na demonstração que “Portugal não é só Lisboa”, os Nikoala
acrescentam ainda que o programa “demonstrou que Portugal é culturalmente mais
desenvolvido do que aquilo que se pensa. Muito do público generalista ficou mais

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 30
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

consciente de que existe mais música em Portugal que não apenas aquela que é feita
com o apoio da grande indústria discográfica e dos canais Mainstream da rádio e
televisão”. A selecção das bandas é novamente referida como sendo lúcida e
representativa dos vários modos e direcções de criação da música dita
independente.

Uma das problemáticas da música em Portugal surge nas respostas a 4ª


questão, a problemática da industria musical em Portugal e dos circuitos fechados
das Editoras nacionais e dos produtores que definem as tendências e o mercado
discográfico. Esta controvérsia tem origem na falta de aceitação destes projectos
alternativos por parte dos meios de divulgação musical. Como as tendências da
música são definidas pelo mercado, é natural que estes projectos sintam uma certa
resistência em singrar no mercado, tanto pela falta de procura como pelos gostos do
povo com poder comercial, que compram mais depressa um álbum de Tony
Carreira do que um álbum destas bandas, e daí as editoras não quererem produzir
os trabalhos apresentados publicamente pelo programa KM0.
Mas polémicas à parte, as bandas referem nas suas respostas outros meios e
caminhos que começam a fazer frente à industria musical, caminhos esses como as
edições de autor, editoras estrangeiras e a internet, com a plataforma MySpace a
liderar as opções para a divulgação das músicas. Quanto à influência que o programa
poderá trazer à música portuguesa, é importante salientar a rotura do preconceito e
a rotura da supremacia da musica Mainstream. Esta influência é visível, quanto mais
não seja “por ter dado visibilidade a um mundo que existe fora da esfera populista
das televisões” (U-clic). A resposta de Carlos Peninha cinge-se a um comentário
curioso: “Como diria um produtor: para vender um projecto diz-me quanto dinheiro
tens, depois se a música não for boa arranjo-te outra qualquer”. Este programa
provocou ainda algumas sinergias, contactos entre bandas e público, bandas e
bandas, e bandas e empresas.

Quando questionados acerca do futuro da música em Portugal, Nanook


responde: “ o que conta, é continuarmos a tocar, a compor e a transmitirmos os
nossos sentimentos através desta linguagem universal que é a música”, os U-clic
também não sabem como será o futuro, mas quanto ao presente “ faz-se muito boa
música em Portugal e divulga-se mal (...) KM0 foi sem dúvida a excepção à regra.”, os
LaLaLa Ressonance são um pouco mais objectivos e pensam que “o futuro da música
passa pelo entendimento, cada vez mais óbvio, da necessidade de ultrapassar
fronteiras. O conceito “música portuguesa” é um rótulo mais adequado ao Rui
Veloso ou ao André Sardet”. PZ afirma que “há que dar tempo de antena a estes
músicos com alma do norte, do sul, do centro, dar mais oportunidades a músicos
que tenham a coragem de desenvolver projectos alternativos em Portugal.”, é mais
uma vez um apelo a descentralização e a inovação da cultura portuguesa. Alguns
afirmam ainda que há falta de produtores de eventos, de bons agentes e
organizadores de espaços culturais para a música nacional alternativa e mais
contemporânea.

Embora sejam opiniões de variados artistas, muitos referem os mesmos


pontos. Assinalam a inexistência de um circuito para música nova e alternativa, e a
importância do programa KM0 porque “dá a conhecer ao público música que não vai

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 31
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

aparecer tão cedo no telejornal das nove ou publicitada num festival “Super-Rock,
Super-Bock”, ou num “Rock in Rio”. São bandas novas que estão a começar e que
produzem música no mínimo interessante e que cresceram em Portugal.”
Referem ainda que só com a teimosia e insistência, se conseguem fazer ouvir,
e recorrer a edições de autor é um passo necessário para que possam ganhar algum
respeito e fundos para se manterem activos. De salientar também, que grande parte
destes grupos não vive profissionalmente da música, muitos por necessidade
financeira outros porque a música se tornaria um meio de obter sustento em vez de
um meio de expressividade.

Bandas com destaque nos Media:


O jornalismo musical em Portugal, segundo Pedro Nunes, está datado, com
acontecimento muito curtos devido ao regime, desde 1969. Em 1970 foram
publicados alguns jornais ou suplementos de jornal, que eram inteiramente dedicados
à música. Memoria do Elefante, Mundo da Canção e Música & Som são alguns dos
nomes dos jornais que surgiram entre a década de 60 e 70, mas que, ou pela censura
ora por dificuldades financeira, não prosperavam ou lançavam artigos raramente.
Em 1984 é publicada a revista Blitz, com apenas dois escritores, um designer
gráfico e três colaboradores, e um orçamento muito baixo, tentaram cobrir eventos
da popular music tanto nacional como internacional, um trabalho realizade em part-
time, como se tratasse de um hobby de fim de semana.
O sucesso da revista Blitz deu-se devido à sua equipa, que embora reduzida,
era constituída por membros de rádios e pessoas relacionadas com o mundo
editorial. Para além disso, ao nível gráfico foram postas em prática ideias
vanguardistas. Rui Monteiro (membro inicial da Blitz), António Duarte, Luís Pinheiro
de Almeida, Luís Maio, Luís Peixoto e o conhecido dj de rádio António Sérgio,
constituíam a equipa que conseguiu dar credibilidade ao jornalismo musical, embora
o conteúdo fosse “non-mainstream”10.

Apesar de já existir algumas fontes de jornalismo musical11, foram poucas as


noticias sobre o programa KM0. Contudo, as bandas que lá participaram foram
conseguindo alguma atenção de alguns meios de comunicação social, dai ser
importante destacar que o programa conseguiu ter impacto na divulgação destas
bandas de música underground. Para analisar este impacto retirei informações de
vários focos: meios de comunicação social (rádios, televisão e jornais/revistas), os
testemunhos das bandas e recolhi nas páginas das bandas no MySpace informações
interessantes. Destas informações, “postadas” nos blogs, fiquei a conhecer agentes de
divulgação da música underground, como é o caso do portal online A Trompa12 ou a
empreendedora Rádio Universitária de Coimbra.

10
Non-Mainstream: termo usado por Pedro Nunes na sua tese de douturamento sobre Popular
Music, o mesmo que não-Mainstream.
11
Blitz e Ípsilon são as mais credíveis.
12
http://a-trompa.net

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 32
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

No site A Trompa, é possível consultar o top de preferências de 2006 a 2008,


e ainda os nomeados para 2009. Na lista de 2006 são apenas 3 os nomes das bandas
que participaram no programa KM0:
- The Weatherman 13º lugar
- Stoaways 16º lugar
- LaLaLa Ressonance 18º lugar

Na lista de 2007 temos mais nomes que em 2006, embora diferentes:


- The Guys From the Caravan 54º lugar
- U-clic 73º lugar
- Nikouala 94º lugar
- Norberto Lobo 15º lugar

Em 2008, o número de bandas dispara para 7 participantes, sendo eles:


- Mikalo Lab 13º lugar
- Peixe : Avião 28º lugar
- FadoMorse 38º lugar
- Kumpanhia Algazarra 40º lugar
- The Guys From the Caravan 46º lugar
- Wasted Disposal Machine 54º lugar
- Anaquim 69º lugar
Para nomeados em 2009 temos: Cacique 97, Noberto Lobo e Weatherman.

Algumas conclusões que posso tirar daqui é que após o programa KM0,
houve um aumento do nome das bandas nesta lista do site A Trompa, e dos nomes
que já contavam da lista mesmo antes da participação no KM0, subiram de posição
após a sua exposição na televisão. Contudo, e como a televisão assim exige, é um
momento efémero, como podemos ver pela quantidade de nomes para 2009, apenas
3.
Da análise do número de concertos por banda, visíveis no MySpace, e de
notícias pelos jornais, revistas e sites, é possível ver alguma evolução em certas
bandas. Partindo do principio que as bandas tinham pouco sucesso antes do
programa KM0, é notável que algumas evoluíram, ou pelo menos expuseram-se mais,
ou simplesmente tiveram mais cobertura pelos media.
Fiz um apanhado de algumas notícias e reportagem feitas no período pós-
KM0, já que antes do programa não há registos, à excepção de algumas bandas como
os LaLaLa Ressonance, Stoaways, the Weatherman e Kumpanhia Algazarra, mesmo
assim estas bandas tiveram mais concertos e participaram em eventos mais
importantes.

As bandas com mais destaque nos media foram, por ordem cronológica, os
Peixe:Avião, que logo após terem surgido no programa da Rtp2, lançaram o álbum
40.02 com o tema “a espera e um arame” tema esse que teve o interesse da Antena3
que o manteve a tocar na sua Play-list durante alguns meses. Esta banda deteve ainda
o 1ºlugar no top 2008 da RUC13, o 2º lugar no top 2008 da Rádio Universitária do
Minho, e o 2º lugar no top 2008 do site A Trompa, a revista online Magnética

13
RUC – Rádio Universitária de Coimbra

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 33
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Magazine14 publicou uma entrevista sobre a banda numa das suas edições. Na Blitz,
ouve alguns comentários e o nome apareceu numa edição, mas sem qualquer
importância.
Outros nomes que se destacaram foram os Dr. Estranho Amor. Com um
visual arrojado, conquistaram uma página do jornal Metro, edição de 9 de Junho de
2009.

Esta banda também conquistou a atenção da Rádio Antena 3, o tema “Wisky


Mundo Novo” foi adicionada à Play-list de onde constaria ainda a presença da banda
2008 com o tema “Bem melhor 12200074”.

Outros fenómenos interessantes para além do maior número de


concertos, é a qualidade desses concertos. Nas intervistas feitas às bandas,
PZ referia o facto de que muitas destas bandas e da sua música “não vai
aparecer tão cedo no telejornal das nove ou publicitada num festival”. O
certo é que é admirável ver na agenda dos Anaquim a confirmação de
presença no festival Sudoeste, um dos 3 maiores do país. Outra banda que se
salientou foram os Projecto Fuga, que deram uma entrevista para o site A
trompa, para as rádios Antena 1 e Rádio Clube de Portugal. Os Gnomon
conquistaram o 5º lugar nos melhores de 2007 (lançado em 2008) da RUC.
Os The Clits chegaram ao cartaz do festival de Serralves. João Frade Trio
tem uma lista com mais de 15 concertos para os próximos 2 meses.
Norberto Lobo estreia-se em Londres este Verão. Os Mikado Lab tiveram
direito ao reconhecimento da conceitoada revista de jazz, Jazz.pt, e ainda um
destaque do site A Tompa, valorizando o álbum “Baligo”.

14
Magnética Magazine - http://www.magneticamagazine.com/

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 34
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Para terminar este rol de notícias escolhi os Kumpania Algazarra.


Talvez pelo seu estilo inconfundível e apaixonado, fazendo-nos remeter às
fanfarras de Kusturica e à música dos Balcãs, ou simplesmente pela sua
vontade de fazer música, foram os mais destacados na imprensa, tendo
concertos por Portugal e Espanha. Este recortes pertencem a Revista Visão,
jornal Time Out de Lisboa, e nas Crónicas de Victor Sá na Buzz.

Este Verão têm datas para vários festivais espanhóis, e ganharam em


2008 o concurso “Merce a Banda” Internacional de Bandas de Rua de
Barcelona.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 35
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

No top dos melhores de 2008 da Blitz, os Kumpania Algazarra foram


a banda com melhor cotação, das que participaram no KM0, com os
Peixe:Avião numa posição abaixo:

13. If Lucy Fell - Zebra Dance


30. Aldina Duarte - Mulheres Ao Espelho 12. Mão Morta - Maldoror
29. Projecto Fuga - Fuga 01 11. Gala Drop - Gala Drop
28. Alla Polacca - We're Metal And Fire In
The Pliers Of Time
27. Rádio Macau - 8 10. Nel Assassin - Reconstrução
26. We Are The Damned - The Shape of 9. Mariza - Terra
Hell To Come 8. Rita Redshoes - The Golden Era
25. You Should Go Ahead - Emotional 7. Os Pontos Negros - Magnífico Material
Cocktail Inútil
24. Dama Bete - De Igual para Igual 6. X-Wife - Are You Ready For The
23. Men Eater - Hellstone Blackout?
22. Moonspell - Night Eternal
21. Navegante - Meu Bem, Meu Mal
20. Mafalda Arnauth - Flor de Fado 5. Deolinda - Canção ao Lado
4. Buraka Som Sistema - Black Diamond
19. Peixe : Avião - 40.02 3. Foge Foge Bandido - O Amor Dá-me
18. Kumpania Algazarra - Kumpania Tesão/Não Fui eu que Estraguei
Algazarra 2. Camané - Sempre de Mim
17. Bunnyranch - Teach Us Lord
16. Riding Pânico - Lady Cobra
15. Novembro - À Deriva 1. Dead Combo - Lusitânia Playboys
14. Tiago Guillul - IV

Na revista Ípsilon foram feitas algumas entrevistas, nomeadamente a


Nobertos Lobo. Até à data, e pelos dados de 2008, acho que é legitimo dizer
que o programa KM0 é importante para este tipo de estilo e de criação
musical. O programa, nas palavras de J.P. Simões, tinha como interesse
principal “surpreender pessoas com o prazer que (as bandas) suscitaram
através da sua música”, foi a motivação de participar no programa que fez as
bandas continuarem a trabalhar e a esforçarem-se por serem melhores e
terem mais mérito e visibilidade. “Para se ter sucesso em Portugal ainda é
preciso ter apenas uma coisa, dinheiro”. A sorte é sempre um factor a ter
conta, mesmo quando existe talento.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 36
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Conclusões:

Com esta análise apercebi-me de algumas mudanças no jornalismo


musical e na forma de se fazer música em Portugal. Existem mais meios para
divulgar a música dita underground, há cada vez mais bandas talentosas e com
um grau de criatividade muito grande, e há uma efeméride de bandas que
fugazmente aparecem e desaparecem, e que lutam contra a Industria Musical
divulgando a sua música através da Internet, da edição de autor, ou criando as
suas próprias editoras.
Apercebi-me que há inúmeros festivais pelo país fora, com estilos
bem definidos, muitos deles dedicados às músicas do Mundo (World Music)
ou a música Mainstream aliada a uma companhia de cerveja ou a outra fonte
de capitalismo. Falta, talvez, apostar mais em festivais para este tipo de
bandas e de conceitos, para públicos mais exigentes, ou com outro tipo de
conceito como a promoção da novidade.
Contudo, o Programa KM0 abriu o caminho e mostrou que é possível
fazer-se “melhor” música em Portugal, basta procurar e estudar, faz-se tão
boa ou melhor música do que aquela que importamos e que ouvimos nas
nossas rádios, esta não é uma opinião pessoal, mas também de muitos
consumidores de música, público de alguns concertos destas bandas que tive
oportunidade de ouvir ao vivo no teatro Aveirense e em Coimbra.
Este estudo, tendo-se distanciado propositadamente da ideia inicial do
estudo da música Underground em Portugal e do jornalismo musical em
Portugal, converteu-se numa dissecação do programa, KM0, por uma questão
de coerência metodológica. O método que usei, que considero eficaz para
analisar este movimento musical a um nível etnomusicológico, é apenas uma
primeira parte ou capítulo de um grande estudo de jornalismo musical.
Muitas questões ficam por responder, muitas ideias por clarificar, mas o mais
importante de tudo é que o primeiro passo foi dado, e que finalmente alguém
se interessou pela novidade e pela excelência de mentes nobres ou
simplesmente experimentalistas, que gostam de música e de arte, e que não a
vêm como um fim monetário mas sim um fim lúdico e artístico. Infelizmente,
a maior conclusão que tiro deste trabalho é que o dinheiro corrompe a
música portuguesa, e muitos em prol do dinheiro deteriora-se a música.
Sendo nós estudantes de música, mesmo que erudita, e
hipoteticamente com um gosto musical mais apurado, porque não nos
preocupamos com o rumo da música portuguesa? Sinto que a música
underground em Portugal merece mais respeito e estudo, não só pela sua
qualidade, mas também pela sua transparência em definir como pensa e age
uma geração jovem e a precisar de ser ouvida.
Outra conclusão que tiro desta análise, é que uma banda para ter
sucesso, necessita mesmo do ar mediático das televisões e dos meios de
propaganda para as massas como são as novelas e os anúncios publicitários.
Ter dinheiro é fundamental para que se vendam discos. Uma das razões para
muitas destas bandas não terem mais visibilidade está na população a que se

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 37
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

dirigem. Pelo géneros de concertos, podemos ver que muitas destas bandas
já actuaram em palcos das “Queimas das Fitas” ou outros eventos
universitários, define-se assim o público alvo, e como é do conhecimento
geral e com a crescente taxa de “pirataria” musical, este público não são os
consumidores assíduos das discográficas, nem são estes que alimentam os
cofres dos produtores e dos estudos de gravação. Com isto, quero dizer que,
não compensa monetariamente a nenhum produtor ou editora apostar
nestas bandas pois vende poucos discos. Surge assim mais uma questão, será
que a política de lucros das editoras não está um pouco ultrapassada?
No Brasil as editoras chamam-se “gravadoras”, o que permite a que
os discos sejam mais baratos para quem os manda fazer. Penso que o truque
passa, como dizem os Nikoula: “faltam ainda – e infelizmente – bons agentes,
promotores de eventos e programadores de espaços culturais tomarem essa
consciência e decidirem apostar mais seriamente em produções e músicos
nacionais”. É de louvar e reproduzir em outros municípios, teatros e salas de
espectáculo, eventos como promoveu o teatro Aveirense ao receber as
bandas Mikado Lab e Peixe:Avião, ou o trabalho desenvolvido pelo CENTA
ou pela ACERT, associações que desenvolvem e divulgam a cultura. Porque
cultura não é só música erudita, e porque já Nietzsche dizia: “a vida sem
Música seria um erro”, sinto que devemos nos preocupar mais com estas
outras correntes de Popular Music, que me Portugal está ainda a nascer.

Espero que seja lançada a segunda série do KM0, ainda à espera do


consentimento da Rtp2, para que este estudo possa ter mais credibilidade e
para que eu tenha uma oportunidade de estudar novas bandas e a fim de
traçar a linha de evolução da música Underground em Portugal.
Espero que vos tenha cativado para espreitarem o site da RTP e
vejam o programa KM015, apresentado por J.P. Simões, com produção BUS.

Para terminar, gostava de deixar um testemunho de ética e estética.

“Qual é a sua visão sobre a indústria musical portuguesa em relação


aos mercados internos e internacionais?

- É uma visão turva. A indústria é comercio, coisa sobre a qual não


tenho opinião especializada: música é poesia, risco, relação com
outras coisas que não a expectativa apenas do reconhecimento
quantitativo. Trabalho e amor: o público é a entidade mais
secundária da Arte e o mercado é anexo ao suburbano.”

(J.P. Simões, Anexo I, questão 4a)

15
Programas na íntegra: http://ww1.rtp.pt/wportal/sites/tv/kmzero/

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 38
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Bibliografia

- Bennett, Andy; Shank, Barry; Toynbee, Jason (2006) “The Popular


Music studies reader”, Edição de Routledge. Londres.

- Clarke , Eric; Cook, Nicholas (2004) “Empirical Musicology: Aims,


Methods, Prospects”, edição: Oxford University Press. Oxford

- NUNES, Pedro (2004), “Popular Music and the Public Sphere: the
Case of Portuguese Music Journalism”, Dissertação de
Doutoramento. Universidade de Stirling. Sem edição. Stirling.

- Sandie, Standley (2001) “The New Grove, Dictionary of Music and


Musicians”, Popular Music. Edição: Oxford University Press,
Oxford.

- Wall, Tim (2003) “Studing Popular Music Culture”, edições: Hodder


Arnold, Londres.

- http://ww1.rtp.pt/wportal/sites/tv/kmzero/ (site oficial, RTP)

- http://bus-kmzero.blogspot.com/ (blog do programa)

- http://www.myspace.com/quilometrozero (MySpace)

- http://blitz.aeiou.pt/ (revista Blitz online)

- http://ipsilon.publico.pt/ (revista Ípsilon online)

- http://a-trompa.net/ (A-Trompa blog musical)

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 39
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Anexos

Anexo I – Entrevista a J.P. Simões

1- O início.
a) Porque é que foi criado este programa?

O Programa nasceu da vontade antiga do produtor José Luís Rei em fazer um programa on the road
sobre música portuguesa. Quilómetro Zero seria o mote para encontrar jovens músicos talentosos
em começo de carreira.

2- Questões práticas da organização do programa.


a) Quais os critérios para a selecção das bandas? Porquê?

Os critérios foram sendo inventados à medida da pesquisa, até se chegar aos princípios básicos de
selecção: inexistência de contratos e de visibilidade comercial relevante; competência expressiva e, de
preferência, alguma originalidade. Depois, a pesquisa revelou o habitual desiquilíbrio entre Litoral e
Interior, grandes cidades e outras, forçando a dedicar mais programas a determinadas zonas do que a
outras, traçando assim um quadro assimétrico da quantidade e qualidade da criação musical em
Portugal. Por último, a escolha dos projectos pré-seleccionados foi feita pela produção do programa,
respeitando a soma dos gostos e tendências.

b) Porquê o MySpace como ferramenta de selecção?

De Outubro de 2007 a Fevereiro de 2008, ouvimos 15 mil sites de música feita em Portugal. A
restante pesquisa foi feita através de rádios locais e de boca a boca. Nenhuma outra ferramenta de
pesquisa se mostrou tão abrangente e acessível quanto o MySpace.

c) Que interesse demonstrou a RTP neste programa e que directivas foram dadas em relação aos
grupos gravados?

A produtora BUS investiu na criação, estruturação e no programa piloto, aguardando alguns anos até
à primeira demonstração de receptividade por parte da RTP. Depois de estabelecido um acordo, a
equipa, na figura do seu produtor José Luís Rei, fez garantir à RTP que não existiria qualquer espécie
de ingerência do canal nas opções e directivas que a equipa viesse a tomar.

3- As bandas, e o decorrer das entrevistas.


a) Quais os principais objectivos destas bandas e dos músicos que as constituem?

Todos querem ser ouvidos e, depois, cada um terá a sua ideia de sucesso para cumprir.

b) Que relação nutrem com a indústria musical e a comunicação social?

À partida, não escolhemos projectos que tivessem relações relevantes com a indústria e/ou com a
comunicação social: a nosso ver, seria tornar o programa redundante.

c) Para si, qual é a maior dificuldade em apostar nestes projectos?

Nenhuma. Como em tudo, é preciso juntar ao talento e à perseverança, uma boa dose de sorte.

d) Há bandas que já tiveram êxito e continuam a crescer, acha que se prende com o facto de
terem participado no seu programa?

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 40
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Naturalmente que a televisão dá alguma visibilidade, mas o interesse principal do programa foi o de
surpreender pessoas com o prazer que suscitaram através da sua música. Isso é motivante.

4- A música portuguesa e a industria musical.


a) Qual é a sua visão sobre a indústria musical portuguesa em relação aos mercados internos e
internacional?

É uma visão turva. A indústria é comércio, coisa sobre a qual não tenho opinião especializada: música
é poesia, risco, relação com outras coisas que não a expectativa apenas do reconhecimento
quantitativo. Trabalho e amor: o público é a entidade mais secundária da arte e o mercado é anexo ao
suburbano.

b) Quais são os principais “ingredientes” para ter o sucesso comercial em Portugal?

Ter dinheiro.

c) O que será mais importante? Ser “reconhecido” (vender) ou criar música com liberdade e sem
olhar aos resultados, apenas pelo instinto de se fazer arte?

Depende do que é importante para quem faz música. O principal é ser múltiplo, livre e reconhecido:
o tempo, em geral, assiste a quem o assiste.

Anexo II – Ficha de análise:

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 41
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Anexo III – Lista de Influências e o número de bandas que as


referenciou:

2001 Odisseia no Espaço OST 1 Bobby McFerrin 1

Abby Rode 1 Breeder 1

Acordeon Romantic Colection 1 Burt Bacharach 1

Al di Meola 1 Camel (dark side of Moon) 1

Alan Girberg 1 Carlos Bica 1

Alice in Chanes 1 Carlos Paredes 4

Amelie OST (Yann Tiersen) 1 Charles Mingus 2

Amsterdam Klezman Band 1 Cick Corea 1

Ana Faria 1 Cinematic Orchestre 1

Anos Dourados da canção Clash 1


Italiana 1
Closer OST 2
Anthony Jackson 1
David Bowie 2
Antibalas 2
Dead can dance 2
Arvo Part 1
Dead Kennedys 1
At the drive In 1
Deep Purple 1
Ataraxia 1
Deus 2
Audioslave 1
Devo 1
Baader Meinhof 1
Dino Saluzi 1
Bach J.S. 1
Dj Vadim 1
Bahaus 3
Django Reinhardt 1
Beasty Boys 1
Dori Caymmi 1
Bech 1
Edu Miranda 1
Beethoven 1
Egberto Gismonti 1
Bela Fleck and the Fleck Tones 1
Eletric Gypsy Land 1
Black Sabat 1
Elliot Smith 1
Black Velvet 1
Elvis Presley 1
Blur 1
Erik Truffaz 1

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 42
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Eugénio Lima 1 John Coltrane 4

Fausto 3 John Mclaughlin 1

Fear Factor 1 Joni Mitchell 1

Feed 1 Jorge Palma 2

Fela Kuti 1 José Afonso 3

Felix Kubin 1 José Mario Branco 3

Filó Machado 1 Joshua Redwin 1

Finger Sticks 1 Joy Division 1

Frank Zappa 4 Júlio Pereira 1

Franz Ferdinand 1 Kal 1

Garid Blak 1 Keith Jarrett 3

Gavona 1 King Crimson 1

Gismonti 1 Kraftwerk 2

Grand Thomas 1 Kusturica 1

Groren Gregorovisch 1 Led Zeppelin 2

Haja Steely Dan 1 Leonard Cohen 2

Hard Floor 1 Linkin Park 1

Heitor Villa-Lobos 1 Los Alegres Colombianos 1

Herbie Hancock 1 Luciano Berio 1

Hermeto Pascoal 2 Madness 1

I am Sam OST 1 Mão Morta 1

Isaac Eyes 1 Marc Berthoumieux 1

Isequiel 1 Maria João e Mario Laginha 2

Ivan Lins 1 Marvin Gaye 1

Jacke Mittoo 1 Mercury Rev 1

James Last (Beatles) 1 Mesa 1

Jeff Buckley 3 Metalica 1

Jesus and Marie Chane (Candy) 3 Michel Petrucciani 1

Jesus Christ Superstar OST 1 Miles Davis 4

Jim Morruke 1 Morgan Geist 1

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 43
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

MotorHead 1 Revolver 2

Mr Bungles 3 Rian In 1

Neil Young 2 Richard Bona 1

Neon Golden 1 Robert Frit Brian In 1

Nick Cave 2 Robert Johson 1

Nick Drake 1 Robert Whites 1

Nirvana 5 Royksoop 1

Nuno Prata 1 Rufus Wainwright 1

Oasis 1 Sabina Xanadu 1

Ocibisa 1 Salif Keita 1

Ojos de Burro 1 Sepultura 1

Os poetas OST 1 Sergio Godinho 3

Overkill 1 Sétima Legião 1

Paco de Lucia 1 Smashing Pumpkins 3

Pat Metheny 1 Sô Jorge 1

Paulo Gomes Emsemble 1 Space Boys 1

Pearl Jam 1 Steave Gadd 1

Pink Floyd 1 Stevie Wonder 1

Pixies 2 Stone Temple Pilots 1

Pizzicatos 5 1 Suite Afrincane 1

Pole 1 Suspicious 1

Primus 3 Sven Venid 1

Prodigy 1 Take 6 1

Queens of the Stone Age 1 Tertúlia Coimbrã de Miratejo 1

Quinteto Tati 1 The Beach Boys 1

Radiohead 2 The Beatles 6

Rage Agaist the Machine 2 The Doors 2

Rammstein 1 The Fall 1

Red Hot Chili Peppers 2 The Lookest 1

Resistência 1 The Queen 1

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 44
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

The Sins 1 Tosca 1

The Smiths 1 Trance Balcanic Experienc 1

The Stranglers 1 Tuniko 1

The Virgin Suicides OST (Air) 1 Upalapushvinishas 1

Thelonious Monk 1 Vaia 1

To My Boy (liverpool) 1 Vitalogy 1

Tom Waits 2 Viviane 1

Tony Allen 1 Weather Report 2

Tool 1 Wily Colón (trombone) 1

Tortuase TNT 1 Yellow Jackets 1

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 45
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Anexo IV – Lista do top 40 de influências:

Antibalas 2 Leonard Cohen 2

Bahaus 3 Maria João e Mario Laginha 2

Carlos Paredes 4 Miles Davis 4

Charles Mingus 2 Mr Bungles 3

Closer OST 2 Neil Young 2

David Bowie 2 Nick Cave 2

Dead can dance 2 Nirvana 5

Deus 2 Pixies 2

Fausto 3 Primus 3

Frank Zappa 4 Radiohead 2

Hermeto Pascoal 2 Rage Agaist the Machine 2

Jeff Buckley 3 Red Hot Chili Peppers 2

Jesus and Marie Chane Revolver 2


(Candy) 3
Sergio Godinho 3
John Coltrane 4
Smashing Pumpkins 3
Jorge Palma 2
The Beatles 6
José Afonso 3
The Doors 2
José Mario Branco 3
Tom Waits 2
Keith Jarrett 3
Weather Report 2
Kraftwerk 2

Led Zeppelin 2

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 46
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Anexo V – Entrevista às bandas:


Entrevistas às bandas:

NANOOK

Oi Luís, mil desculpas por só agora responder, mas por vezes o tempo é muito
pouco!Desde já agradeço o convite e desejo o melhor para o teu trabalho!
Respondendo ao questionário:

(1) Tanto a nível profissional como a nível pessoal, o convite e a participação no


programa Km0 foi bastante positivo. Sabe-se que a televisão abrange um maior
numero de ouvintes e a escolha da nossa banda foi uma gratificação para o nosso
trabalho!
(2) Como consequência observaram-se mais comentários por parte da audiência e
fomentou um maior numero de visitas no myspace da banda, originando também um
maior numero de convites para tocar ao vivo fora do circuito habitual.
(3) Naturalmente a banda continuou e continua a trabalhar, mas nada a ver com a
participação no programa...É um processo natural! Como a propria televisão impõe,
tudo é mediátio, tudo apenas conta na altura...Passado 5 meses, já não se observa
grandes consequências da participação no programa Km0!
(4) Isto talvez pela continuidade do programa e pela audiência, no entanto
valorizamos, como qualquer músico Português, a existência de programas televisivos
como o Km0, pois de algum modo divulgam a música moderna feita em Portugal por
músicos e bandas menos conhecidas! É no entanto de salientar o facto de não haver
mais programas televisivos com este tipo de conteúdo e a passar em canais
televisivos mais mediáticos e com mais audiência!
(5) Essa resposta, espero que nos venhas dizer depois do teu trabalho concluído:)
A tendência (da música) infelizmente em Portugal, será aquela que as grandes
editoras e produtoras quiserem, no entanto esperemos que seja por pouco tempo
pois novos caminhos estão a ser traçados, novos meios estão a ser cada vez mais
utilizados e claro, haverá sempre a alternativa na musica e mais poder de escolha por
parte dos ouvintes...Uma delas a Internet!
Quanto a nos, o que conta, é continuarmos a tocar, a compor e a transmitirmos os
nossos sentimentos através desta linguagem universal que é a musica!

Jazztaparta

De uma forma resumida:


O impacto do convite para participar neste programa foi principalmente a surpresa.
A nossa actividade musical foi sempre motivada pela amizade, convivio,
experimentação musical e proporcionar bons momentos a quem nos ouvia. Nunca
levamos muito a sério o destino da banda profissionalmente. Paralelamente à
participação no programa, isto é antes da emissão, a solicitação para fazer concertos
foi aumentando. Após a emissão, o que se destacou mais foi a recepção de
mensagens de reconhecimento por pessoas que já nos conheciam e por pessoas que

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 47
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

nos conheceram através do programa. Da nossa parte o efeito do programa não foi
mais longe do que isto porque na mesma altura tivemos de deixar de tocar. Talvez
um pouco pelo "susto" de a música passar a ser uma coisa séria, alguns membro
decidiram largar o projecto para uma mais profunda aprendizagem da música outros
para se concentrarem nas profissões não musicais. No entanto ficamos com uma
noção do poder que a participação num programa destes pode ter, principalmente
se explorada esta oportunidade por parte dos projectos. Neste momento viu-se que
muitos dos projectos selecionados tinham tudo para arrancarem a sério precisando
apenas do empurrão mediatico. O método deste programa parece-me justo e de
bom gosto, mas a verdade é que os lançamentos gigantes fazem-se de outras formas
menos elegantes e injustas: padrinhos, novelas, publicidade, etc...
A continuação deste tipo de programas deverá então continuar, mesmo que não
chegando a toda a gente, pois pela nossa experiência, quem realmente se interessa
por música e novos projectos não os vai perder.
Abraço e bom trabalho!

João Araújo (teclista Jazztaparta)

Mad Man Underground

Caro Luis, antes de mais muito obrigado pelo teu contacto, creio (quem está a
escrever é a Sónia) que o teu projecto de seminário é muito interessante e
pertinente.

Infelizmente não te podemos ajudar para a tua base de dados na medida em que o
projecto MadMan Underground terminou pouco tempo antes do programa ir para o
ar.

A verdade é que questões de ordem profissional dos membros da banda, aliados à


distância geográfica, inviabilizaram, com muita pena nossa, a continuação do projecto.
Quem sabe um dia possamos voltar a trabalhar juntos, mas por agora é muito
complicado.

Desculpa não te poder ajudar mais.


Desejo-te muita sorte e continuação de um bom trabalho.
Um abraço
Sónia Codinha

U-clic

Olá Luis, seguem as respostas de U-Clic. Bom trabalho. Abraço

1. Qual foi o impacto que sentiram ao participar no programa? Porquê?

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 48
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

Devido ao facto de o target de um programa destes ser semelhante ao target de U-


Clic, concerteza que foi mais uma maneira de poder mostrar o que fazemos a
pessoas que gostam, procuram e escolhem a musica que ouvem sem qualquer tipo
de formatação à partida.

2. Em que é que se observou?


É sempre complicado avaliar esse tipo de impacto.

3. O que é que mudou na carreira da banda depois de aparecerem na televisão?


Apesar de não ter sido a primeira vez que o projecto U-Clic apareceu na televisão, a
participação em programas do genero do KM0, não muda propriamente carreiras,
ajudam é a consolidar uma ideia de escolhas de caminhos e a mostrar o que se faz às
pessoas certas. O nosso caminho já foi escolhido à muito tempo e quando passa por
televisão é em programas de qualidade como este e não a vender telemóveis ou a
musicar casos amorosos em qualquer novela televisiva.

4. Na vossa opinião qual é a importância de um programa destes?


É fundamental, porque nas televisões nacionais não existe divulgação da musica que
se faz em Portugal fora dos meios mais mainstream.

5. Acham que o programa teve influência na vida musical em Portugal? porquê?


Teve concerteza. Quanto mais não seja porque deu visibilidade a um mundo que
existe fora da esfera populista das televisões.

6. Que perspectivas têm para o futuro da música em Portugal?


Quanto ao futuro da musica não fazemos ideia. quanto ao presente... faz-se muito
boa musica em Portugal e divulga-se mal, nos sítios errados e normalmente sem
conhecimento do que se passa...o KM0 foi sem duvida uma excepção à regra.

Carlos Peninha

Olá
em primeiro lugar
o convidado era eu proprio
decidi mostrar um pouco do meutrabalho com os cantos da lingua da acert e um
tema meu com a cantora mariana abrunheiro.
ela fez um, casting e está nos madredeus

1. Qual foi o impacto que sentiram ao participar no programa? Porquê?


tenho 47 anos ja fui a muitos programas de tv foi mais um
nada de especial, alguma espectativa
mas rtp2 nao tem amostragem significativa
és mais divulgado no fatima lopes do que na rtp2

2. Em que é que se observou?


alguns amigos e curiosos musicos viram

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 49
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

3. O que é que mudou na carreira da banda depois de aparecerem na televisão?


Nada

4. Na vossa opinião qual é a importância de um programa destes?


é bom poder aparecer a tocar ao vivo

5. Acham que o programa teve influência na vida musical em Portugal? porquê?


como diria um produtor: para vender um projecto diz me quanto dinheiro tens ,
depois se a musica nao for boa eu arranjo-te outra qualquer

6. Que perspectivas têm para o futuro da música em Portugal?


só a teimosia dos projectos os faz existir e só podes ser musico se tiveres outras
formas de ganhar dinheiro, ou o teu projecto um dia se converter num negocio
rentavel

exemplos
xutos e pontapes
uhf
gnr
quase nunca sucesso é sinónimo de qualidade

LALALA RESSONANCE

1 - O impacto nota-se fundamentalmente nas felicitações e mensagens via myspace e


algum burburinho de imprensa. Na altura da nossa participação o jornal Expresso
fazia uma reportagem sobre o programa, acabamos por aproveitar as duas montras.

2 - É dificil medir os reflexos do impacto, podes no entanto presumi-los: casuais ou


intencionais são sempre milhares de espectadores.

3 - A carreira de uma banda não é suposto mudar por causa de um programa de


televisão. Não estarás a sobrevalorizar o poder da caixa mágica?
4 - É naturalmente importante, mais do que tudo, porque a selecção nos pareceu
muito lúcida e representativa dos vários modos e direcções possíveis para a música
dita independente em portugal.

5 - Provocou sinergias, contacto entre bandas e público, entre bandas e bandas,


entre bandas e imprensa.

6 - O futuro da música passa pelo entendimento, cada vez mais obvío, da


necessidade de ultrapassar fronteiras. O conceito "música portuguesa" é um rótulo
mais adequado ao Rui Veloso ou ao André Sardet. Música a metro para mercado
interno.

Abraço, Boa sorte, espero ter sido útil este modesto contributo.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 50
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

PZ

Olá Luís, daqui PZ. http://www.myspace.com/pzpimenta

1.Senti um impacto positivo, um "boost" de confiança na música que faço, e o


orgulho de ter alguém realmente interessado no meu projecto,
dispostos a divulgar um género de música que não vende tão bem, que não é
mainstream, basicamente que não é a música que normalmente
entope os nossos dias na televisão, num café, num bar, num taxi, etc.

2. Desculpa, não percebi muito bem esta pergunta...


Mas tenho que referir que a equipa do KM0 foi fantástica, a maneira como nos
tratam não tem reparos.
Muito simpáticos, motivados com o que estavam a fazer, o JP Simões pôs me logo à
vontade desde que nos conhecemos,
e ele tem um sentido de humor que ajuda claramente uma pessoa a estar relaxada
sem pensar muito no processo "filmático" que de repente se instalou no meu
estúdio de música.
Foi uma óptima experiência, tudo organizado e preparado ao pormenor, eles mais
do que ninguém, merecem o sucesso do programa porque trabalharam para isso.

3. Realmente senti que depois de aparecer na televisão a exposição de um músico


aumenta.
Como exemplo concreto posso referir que a minha página do mySpace duplicou em
visitas diárias, e recebi feedback positivo de pessoas que
deixavam comentários a dizer que me tinham visto no KM0 e tinham gostado,
pessoas que nunca tinham ouvido falar no "PZ" agora já o tinham
visto no seu estúdio a cantar ao vivo, a falar um bocado sobre música com o JP
Simões, viram parte do meu videoclip;
fiquei surpreendido por ter "resultados imediatos".

4. Acho que este programa é importante a partir do momento em que dá a


conhecer ao público música que não vai aparecer tão cedo no telejornal das nove ou
publicitada num festival
"Super-rock, super-bock," ou num "rock in Rio". São bandas novas que estão a
começar e que produzem música no mínimo interessante e que cresceram em
Portugal.
Há que dar tempo de antena a estes músicos com alma do norte, do sul, do centro,
dar mais oportunidades a músicos que tem a coragem de desenvolver projectos
alternativos em Portugal.
E acho que este parágrafo responde um bocado às perguntas 5 e 6.

Mikado LAB

1. . Qual foi o impacto que sentiram ao participar no programa? Porquê

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 51
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

O km0 deu sem duvida oportunidade a todos os projectos que reuniu e é sempre
importante participar num acontecimento tão extenso e essencial que deu tanto a
informar, e para nós foi talvez a única maneira de aparecer na televisão! eu não vejo
televisão sou alérgico e não tenho tempo. mas fiz questão de seguir o programa.

2. Em que é que se observou?

O interesse foi geral e muito positivo e compensador para quem fez e participou.

3. O que é que mudou na carreira da banda depois de aparecerem na televisão?

Mudou o numero de solicitações através da pagina myspace e também contactos


para concertos.

4. Na vossa opinião qual é a importância de um programa destes?


De grande importância, estão de parabéns. acho que vem outro a seguir! espero que
sim.

5. Acham que o programa teve influência na vida musical em Portugal? porquê?


Sem duvida que sim porque deu a conhecer muitas maneiras e abordagens de se
criar e fazer musica.

6. Que perspectivas têm para o futuro da música em Portugal?

As mesmas de sempre...ter concertos, gravar álbuns e continuar inspirado com tanta


musica para ouvir e fazer.

Marco Franco,

Obrigado Luis e desculpa o atraso!

Nikoala

1. Qual foi o impacto que sentiram ao participar no programa? Porquê?


2. Em que é que se observou?
Connosco o impacto não foi significativo. O tipo de som que produzimos será
sempre empurrado para uma "alternativa à alternativa". O nosso projecto é um
complemento para outras manifestações, não vive do mediatismo usual que qualquer
banda de pop ou rock necessita para se dar a conhecer. É um projecto mais de
laboratório, de investigação sonora em estúdio e de trabalho de campo. Com
Nikouala, não fazemos o percurso tradicional de uma banda - ambos fazemos ou
fizemos parte de outro tipo de projectos que poderiam ser mais beneficiados
mediaticamente com este programa.
Mas foi agradável participar, recebemos algumas mensagens positivas de algumas
pessoas e ficámos com um registo de vídeo em que existiu uma ligação do figurado

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 52
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

barcelense - no caso, a Rosa Ramalho - com a nossa música, o que é importante ao


nível de arquivo, tanto nacional como regional.

3. O que é que mudou na carreira da banda depois de aparecerem na televisão?


No nosso caso não mudou em praticamente nada. Nikouala são dois artistas,
músicos e produtores que normalmente trabalham em bandas-sonoras e criação de
sonoplastia. Raramente tocamos ao vivo e quando o fazemos é sempre enquadrado
em situações específicas, como numa performance relacionada com as artes
plásticas, o teatro ou o cinema.

4. Na vossa opinião qual é a importância de um programa destes?


Muito do público de tendência generalista ficou mais consciente de que existe mais
música em Portugal que não apenas aquela que é feita com o apoio da grande
indústria discográfica e dos canais mainstream da rádio e televisão. Houve, também,
o demonstrar que Portugal não é só Lisboa, que existe mais para além disso. Ajudou
a demonstrar que as cidades portuguesas não estão mais atrasadas que a sua capital
e que até se supera, em muitos dos casos, aquilo que se faz em Lisboa. Demonstrou
que Portugal é culturalmente mais desenvolvido do que aquilo que se pensa. Foi um
bom contributo por parte da produtora do programa e da RTP2.

5. Acham que o programa teve influência na vida musical em Portugal? Porquê?


Sim, soubemos da parte de algumas das bandas que participaram que tiveram
propostas para tocar, fazer concertos, e algumas até interesse na edição de um
disco. É muito importante existirem cada vez mais programas deste e esperamos que
o Km0 continue a viajar pelo país a mostrar bandas. Tem de existir mais
democratização e independência nos media e este é um bom exemplo do que se
pode fazer.

6. Que perspectivas têm para o futuro da música em Portugal?


A música produzida em Portugal tem, na nossa opinião, cada vez mais qualidade.
Pensamos que, progressivamente e ao longo do tempo, será mais fácil olharem para
os músicos portugueses que se dedicam a uma vertente mais contemporânea e/ou
alternativa como uma mais valia no que se faz cá. Para já faltam ainda - e infelizmente
- bons agentes, promotores de eventos e programadores de espaços culturais
tomarem essa consciência e decidirem apostar mais seriamente em produções e
músicos nacionais.

Rui Gaio – Petzel

Caro Luís,

Como solicitado segue a minha análise:

Ser documentado no KM0 fez-me sentir seguro em relação ao registo histórico da


minha passagem no panorama musical popular emergente. O impacto que causou na
minha pessoa foi substancial pois vi-me retratado ao lado de músicos que muito
admiro e que aos poucos têm visto o seu trabalho reconhecido. Não duvido que o

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 53
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

meu trabalho também virá a ser reconhecido num futuro qualquer, mas, ao figurar
na única série documental televisiva das últimas décadas sobre nova música
portuguesa faz-me sentir um degrau acima na difícil escalada rumo à auto-realização.

Ao condensar uma pequena selecção da nova música portuguesa de uma forma séria,
inteligente e ao mesmo tempo descontraída, a equipa do KM0 abriu um precedente
que poderá inspirar a classe dos jornalistas a se reaproximar da arte, e em especial
da música, como fonte de notícias e reportagens, devolvendo a devida visibilidade a
quem se esforça todos os dias pelo enriquecimento da cultura popular. A verificar-se
essa continuidade, a população em geral irá perceber que no nosso pais continua a
existir uma efervescente actividade musical que labora à margem, fazendo mais gente
aproximar-se de uma imensa minoria que a aprecia e dela tira experiências ricas,
quer através da escuta e interacção directa na rede Myspace, quer através de
concertos pelo circuito nacional de pequenos concertos.

Espero que ajude, um abraço,


Rui Gaio – PELTZER

Anexo VI – J.P.Simões, nota

JP Simões é um cantor e compositor português. É um artista que passou pelos


projectos Pop Dell’Arte, Belle Chase Hotel e Quinteto Tati.

Biografia:
João Paulo Simões de seu nome, é conhecido por
J.P. (leia-se "JêPê"). Nasceu em Coimbra em
1970, mas ainda criança emigrou para o Brasil.
Regressou a Portugal e mudou-se para Lisboa,
onde se licenciou em Comunicação Social, tendo
encetado o retorno a Coimbra para participar na
fundação dos Belle Chase Hotel.
Belle Chase Hotel e Quinteto Tati têm sido os
habitats onde J.P. Simões tem concebido e
produzido muitas das composições com que se foi distinguindo como magnífico
escritor de canções e intérprete.
Em 2003 foi levado ao palco, através da encenação de João Paulo Costa e da
companhia do Teatro do Bolhão, a "Ópera do Falhado", projecto cujo texto saiu da
pena de JP Simões e a música foi composta a meias com Sérgio Costa, eterno
companheiro de lides, nos Belle Chase Hotel e no Quinteto Tati. O libreto da ópera
foi publicado pela editora "101 Noites", em 2004.
Em 2006, preparou um novo espectáculo intitulado de "Canções do jovem cão" e
anunciou o lançamento da sua carreira a solo.
Foi ante-estreado em 2006 o filme de animação Jantar em Lisboa, com desenhos e
realização de André Carrilho e textos e banda sonora de J.P. Simões. Foi ainda nesse
ano que estreou no cinema o filme "Pele", realizado por Fernando Vendrell, com
banda sonora de J.P. Simões.

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 54
Disciplina de Seminário Orientador: Jorge Castro Ribeiro
Quilometro Zero (KM0)

O seu primeiro disco em nome individual, com o título de "1970", é editado no


início de 2007.

O disco recebeu elogios dos críticos. O público também se rendeu ao trabalho,


tendo o álbum passado pelo top 30 de discos mais vendidos em Portugal durante 3
semanas, tendo chegado ao 12º lugar.
No Outono de 2007, é publicado o livro "O Vírus da Vida", contos de J.P. Simões,
ilustrados por André Carrilho.
Em 2009 é editado o álbum "Boato", registo do concerto ao vivo onde recupera
canções gravadas pelos grupos por onde passou.

Discografia:
1970 (2007)
Boato (2009)
Compilações
Tribute to Scott Walker (2005) - Rosemary
Uma Outra História (2005)

Colaborações:
Rodrigo Leão - Pásion (apenas em concertos)
Riciotti Ensemble Lusitano Tour (2002)
Wordsong (2002)
Couple Coffee (2005)
Cindy Kat (2006)

Grupos:
Pop dell'Arte
Belle Chase Hotel
Quinteto Tati - álbum e participação na compilação "3 Pistas"

Livros:
Próteses
O Vírus da Vida (2007)

Luís António Rocha n.mec: 31749


01 de Julho de 2009 55