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DIREITO PROESSUAL PENAL

INQUÉRITO POLICIAL

1 – NOÇÕES GERAIS

São ELEMENTOS DE INVESTIGAÇÃO, ATOS DE INVESTIGAÇÃO ou CONJUNTO DE


DILIGÊNCIAS feitas pela polícia judiciária com o intuito de reunir provas da ocorrência de uma certa
infração penal, e assim fornecer elementos de prova para que o titular da ação penal (MP nos crimes de
ação penal pública e ofendido nos crimes de ação privada) possa oferecer a denúncia ou queixa-crime.
É um procedimento ou expediente administrativo (e não um processo).

Objetivo do IP  fornecer subsídios para a formação da OPINIO DELICIT pelo MP ou querelante,


que é o convencimento do órgão de acusação da existência ou não do delito, diante dos elementos
de informação que lhe são oferecidos. Visa obter elementos que apontem a autoria e comprovem a
materialidade dos crimes. A finalidade do IP é reunir provas da materialidade do fato delituoso
e indícios de sua autoria, para o titular da ação, ou seja, demonstrar a justa causa da ação
penal.

Quem investiga não é o mesmo que acusa.


O IP é um procedimento administrativo, preliminar, presidido pelo Delegado de Polícia, no intuito
de identificar o autor do ilícito e os elementos que atestem a sua materialidade (existência), contribuindo
para a formação da opinião delitiva do titular da ação penal.
O IP não é obrigatório, ele é prescindível. Na medida em que seu conteúdo é meramente
informativo, se já dispuserem o MP (na ação penal pública) ou o proponente (na ação penal privada) dos
elementos necessários ao oferecimento da denúncia ou queixa-crime (indícios de autoria e prova da
materialidade do fato), poderá ser dispensado sem que isto importe em qualquer irregularidade.
O IP não está sujeito à argüição de nulidade. No caso de serem inobservadas normas
procedimentais estabelecidas para realização das diligências que o compõem, a consequência será
minimizar-se o já reduzido valor probante que lhe tem sido atribuído pela doutrina e jurisprudência.
O inquérito possui um valor probatório relativo, uma vez que reúne as evidências mínimas que
permitirão uma acusação formal. Assim, suas conclusões devem ser corroboradas na fase judicial, já que
o inquérito policial não tem contraditório ou ampla defesa.

Polícia Administrativa ou de Segurança Polícia Judiciária ou de Investigação


PM, PRF, PFF, Guardas Municipais PC e PF
 Regra Geral  preventiva, ostensiva,  Regra Geral  repressiva, só atua após a
relacionada à segurança, visando impedir a ocorrência do crime, visando auxiliar a justiça.
prática de crimes. No exercício dessa função Intuito de colher elementos que elucidem a
atua a polícia com discricionariedade e prática do fato delituoso de forma a
independe de autorização judicial. possibilitar a instauração da Ação Penal.
 Exceção  preventiva (como na visita de
 Exceção  repressiva Chefes de Estado, e na repressão ao tráfico de
drogas)
Atuação principal sobre bens e direitos Atuação principal sobre pessoas (pois é repressiva,
ou seja, vai atrás do criminoso)
Obs
A Polícia da Câmara e Polícia do Senado possuem atuação híbrida, mista (tanto preventiva,
quanto repressiva). Desta forma não são enquadradas em nenhuma das 2 classes acima elencadas. Elas
são classificadas como POLÍCIA LEGISLATIVA.
Deve-se sempre tomar cuidado com os objetivos de cada polícia. O objetivo principal da Guarda
Municipal é resguardar bens e monumentos públicos, e não exercer ronda ostensiva. Porém, quando há
necessidade, ela o faz.

Obs 2
Os vícios de impedimento e suspeição do juiz (arts. 252 e 254, CPP) não se aplicam à autoridade
policial. Isso significa que o delegado pode, por exemplo, investigar o próprio filho ou seu amigo íntimo. O
fundamento de tal regra é justamente a conclusão de que inquérito e processo são fases distintas. Logo,
não podemos pegar uma regra que foi criada para os sujeitos do processo (impedimento e suspeição) e
querer aplicá-la ao delegado (autoridade que preside o inquérito).

2 – NATUREZA JURÍDICA

Possui natureza administrativa.


É um instrumento meramente investigativo, de caráter informativo, preparatório da ação penal.
Tratando-se de um procedimento inquisitorial, destinado a angariar informações necessárias à
elucidação de crimes, não há ampla defesa no seu curso. Igualmente não há contraditório, salvo em
relação ao IP objetivando a expulsão de estrangeiro. Quem vai acusar o indivíduo é o Processo Penal, e
não o IP.
Considerando-se essa ausência de garantia do contraditório e da ampla defesa durante o IP,
depreende-se que, no processo criminal, o valor probante do IP é relativo, exigindo-se, portanto, como
regra geral, que as provas angariadas durante a investigação sejam renovadas ou ao menos confirmadas
pelas provas judicialmente produzidas sob o manto do devido processo legal. O juiz não pode usar, para
fundamentar sua convicção, somente as provas do IP, mas pode usá-las como elemento secundário de
motivação.

Porém, há determinadas hipóteses em que a lei ou a jurisprudência estabelecem ressalvas, ou


seja, casos em que o juiz pode usar a prova do IP para sua convicção. São elas:

a) Provas técnicas  exames de corpo de delito e perícias em geral.

b) Provas cautelares, antecipadas e não-repetíveis  são aquelas que, produzidas na fase


investigativa, não estejam, por sua própria natureza, sujeitas a repetição, e se justificam
por sua necessidade e urgência, como escuta telefônica, etc. Neste caso será permitido o
CONTRADITÓRIO DIFERIDO, que é aquele possível somente na ação penal para provas
produzidas durante o IP e que não são passíveis de repetição.

c) Decisões proferidas pelo juiz na fase que antecede o ajuizamento da ação penal 
como a decretação de prisão preventiva do investigado, a determinação de que se instaure
incidente de insanidade mental e a ordem de sequestro de bens.

d) Decisões proferidas no julgamento pelo Tribunal do júri pelos jurados  já que estes,
decidindo pela íntima convicção, não estão condicionados a decidirem apenas com base na
prova produzida em juízo.
3 – CARACTERÍSTICAS DO IP

3.1 Formalidade  escrito, respeitando regras e formalidades. Tudo o que for produzido no
IP deve ser formalizado de forma escrita, incluindo testemunhos, depoimentos,
reconhecimentos, acareações, etc.

3.2 Procedimento de caráter administrativo  não é um processo


IP ≠ Processo

Conduzido pelo delegado Conduzido pelo juiz


Atos administrativos Atos judiciais

Vícios do IP não afetam o processo, pois são duas coisas diferentes, que não se
relacionam. No Processo todo o IP pode ser refeito se houver alguma dúvida e, desta forma,
desfazer o vício.
Mas nem sempre o processo será mais importante que o IP. É o juiz que vai decidir.

3.3 Inquisitivo  possui natureza inquisitiva, voltado à obtenção de elementos que sirvam de
suporte à acusação. Objetiva apenas investigar, e não acusar. Por isso, como regra geral
diz-se que o IP não admite contraditório (direito à informação para formular uma reação) e
ampla defesa (direito de presença e de ser acompanhado de uma defesa técnica). Na
verdade pode se dizer que existe no IP o contraditório pelo menos em relação ao direito a
informação. Já com relação à ampla defesa não há nada dela presente no IP. A única
exceção a esta regra é o IP feito nos casos de expulsão de estrangeiros (Lei 6815/80), pois
o estrangeiro está prestes a ser expulso do país, o que é um ato muito forte e muito sério,
admitindo, desta forma, a ampla defesa. Em razão desta natureza é que é facultado ao
delegado o poder de indeferir eventuais diligências postuladas pelo investigado.
A inquisitoriedade permite agilidade nas investigações, otimizando a atuação da
autoridade policial. Contudo, como não houve a participação do indiciado ou suspeito no
transcorrer do procedimento, defendendo-se e exercendo o contraditório, não poderá o
magistrado, na fase processual, valer-se apenas do IP para proferir sentença
condenatória, pois incorreria em clara violação ao texto constitucional.

3.4 Sigiloso  algumas autoridades podem ter acesso ao IP, como os juízes, o MP (promotor)
e o advogado que está defendendo o acusado (de acordo com o STF – Súmula Vinculante
nº 14/2009 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por
órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de
defesa). Esse sigilo é estritamente necessário ao êxito das investigações e à preservação da
figura do indiciado, evitando-se um desgaste daquele que é presumivelmente inocente. O
fundamento desse sigilo é a preservação da honra do investigado. As medidas cabíveis
contra decisão do delegado que indefere pedido de vistas aos IP são: mandando de
segurança e habeas corpus, endereçados ao juiz. O fundamento do MS é a ofensa ao
direito líquido e certo de o advogado ter acesso aos autos do IP sigiloso conferido pelo
estatuto da OAB. O fundamento do HC é a possibilidade de cerceamento do direito de ir e
vir do investigado. Tb cabe reclamação para o STF alegando o descumprimento da Súmula
Vinculante nº 14.
3.5 Discricionário  não há um roteiro para seguir. É a liberdade do delegado escolher como
vai investigar o crime. O que ele não pode é deixar de investigar. Cada delegado poderá
conduzir seu IP da maneira que achar mais conveniente, tem liberdade para decidir
acerca das providências pertinentes ao êxito da investigação. A autoridade policial pode
atender ou não aos requerimentos patrocinados pelo indiciado ou pela própria vítima,
fazendo um juízo de conveniência e oportunidade quanto à relevância daquilo que lhe foi
solicitado. Só não poderá indeferir a realização de exame de corpo de delito quando a
infração deixar vestígios. . Essa discricionariedade sofre limitações, como a moralidade, ou
seja é uma discricionariedade relativa.

3.6 Oficialidade  o IP tem que ser conduzido por um órgão oficial do Estado, neste caso, a
polícia. A investigação deve ser realizada por autoridades e agentes integrantes dos
quadros públicos, sendo vedada a delegação da atividade investigatória a particulares.

3.7 Oficiosidade  ressalvadas as hipóteses de ação penal pública condicionada à


representação e dos delitos de ação penal privada, o IP deve ser instaurado ex officio pela
autoridade policial sempre que tiver conhecimento da prática de um delito,
independentemente de provocação. Essa autoridade policial não necessita pedir
autorização judicial para iniciar as diligências do IP, exceto para as diligências que ferem
direitos constitucionais, como a inviolabilidade de domicílio, o sigilo telefônico, etc, em que
a autoridade policial deve pedir autorização judicial.

3.8 Dispensável  é dispensável para o titular da ação; não é obrigatório, imprescindível para
o início da Ação Penal. Se já existirem outras fontes, provas suficientes para embasar a
denúncia ou queixa-crime, a Ação Penal pode ser iniciada sem o IP.

3.9 Indisponível  uma vez instaurado o IP, não pode a autoridade policial, por sua própria
iniciativa, promover o seu arquivamento, ainda que venha a constatar eventual
atipicidade do fato apurado ou que não tenha detectado indícios que apontem o seu autor.
Em suma, o IP sempre deverá ser concluído e encaminhado a juízo.

Obs
Somente maiores de 18 anos podem ser indiciados por IP. Menores de 18 anos estão no ECA e
não no CP e CPP.
CPI  Comissão Parlamentar de Inquérito  é um inquérito extra-policial para investigar crimes
cometidos por parlamentares. Possuem poderes de investigação, e por isso podem determinar quebras de
sigilos, mas não podem determinar a prisão ou a indisponibilidade de bens.

4 – JUSTA CAUSA NO IP
Os seguintes requisitos devem estar presentes para se instaurar um IP:
a) Fato ser típico, ou seja, constituir crime
b) Sinais da existência do fato
c) Não estar extinta a punibilidade
d) Não ter sido o investigado já condenado ou absolvido pelo mesmo fato.
e) Estarem presentes as condições de procedibilidade
5 – NOTITIA CRIMINIS (noticia do crime)
Não se usa a expressão “prestar queixa”. Quem presta queixa é o advogado ao juiz.

5.1 Conceito  Comunicação da ocorrência de um crime feita à polícia. Essa comunicação


pode ser feita por qualquer do povo, pelo próprio ofendido ou por seu representante.

5.2 Classificação  são as várias maneiras que essa notícia pode chegar à polícia

a) De Cognição Direta, Imediata ou Espontânea  polícia fica sabendo


espontaneamente do crime, por ela mesma, informalmente, através das suas
atividades de rotina (meio não formal). Ex: descoberta de corpo durante ronda, assistir
na TV.

b) De Cognição Indireta, Mediata ou Provocada  polícia fica sabendo do crime porque


alguém a comunica formalmente. Polícia é provocada. É a chamada DELATIO
CRIMINIS, que pode ser simples, quando a pessoa apenas comunica; ou postulatória,
quando requer instauração de IP. A delatio criminis postulatória é a comunicação do
crime mediante representação do ofendido, para os casos de crimes de ação penal
publica condicionada ou ação penal privada. Vítima ou público comunica o crime e
solicita instauração do IP (requerimento da vítima) ou requisição do juiz ou promotor
(MP). No requerimento, por parte da vítima ou de outra pessoa, a autoridade policial
pode indeferir o pedido e não instaurar o IP por achar desnecessário; enquanto na
requisição, feita pelo juiz ou promotor, a autoridade policial está obrigada a instaurar o
IP, não cabendo discutir o mérito da requisição. Há uma exceção em que o delegado
não estaria obrigado a instaurar IP quando da requisição do juiz ou promotor: quando
o delegado for incopetente para investigar o crime, como no caso em que o crime é de
competência da justiça federal e o juiz estadual manda o delegado civil investigar. Do
despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o
chefe de Polícia.

Art.5. § 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de


infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,
comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações,
mandará instaurar inquérito.

c) De Cognição Coercitiva ou Obrigatória  é o caso de flagrante delito. A notícia do


crime vem junto com a obrigatoriedade de instaurar o IP.

Obs

A CF/88 veda o anonimato.


A chamada delação apócrifa ou notitia criminis inqualificada, vulgarmente conhecida como
denúncia anônima, por si só não pode dar ensejo à instauração do IP. Mas é possível utilizá-la, desde que
a autoridade proceda com cautela, colhendo outros elementos de prova para legitimamente dar início ao
procedimento investigatório.
STJ e STF aceitam notitia criminis anônima desde que não seja uma notitia criminis anônima
irresponsável, ou seja, desde que haja um motivo justificante do anonimato. Notitia criminis infundada
não serve de base para instauração de IP. O Delegado vai fazer uma investigação (procedimento)
preliminar antes da instauração do IP.
Calúnia  imputação de fato falso definido como crime.
Difamação  imputação de fato (falso ou verdadeiro) ofensivo à reputação da vítima.
Injúria  imputação de qualidade negativa.
Dizer que alguém é ladrão é injúria.
O início do IP fica condicionado à Ação Penal do crime narrado ao delegado. Se o crime for de ação
penal privada o delegado só pode instaurar o IP com a autorização de quem é competente ara isso. Se a
ação penal for pública condicionada à representação, o IP só será iniciado com a representação da vítima.
Se o fato narrado for de ação pública incondicionada, o delegado pode instaurar o IP de ofício.
Cabe ao delegado analisar apenas uma tipicidade aparente do fato, e não a ocorrência de um
crime. Por isso quanto alguém mata o outro por legítima defesa, o delegado deverá instaurar o IP

6 FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO IP

6.1 Crimes de ação penal pública incondicionada

a) Portaria  ato de ofício feita pela autoridade policial, sem provocação, por
iniciativa própria, assim que a autoridade policial tomar conhecimento da prática
de um crime, como no caso de uma delatio criminis simples. Nestes casos,
verificado a procedência das informações, o delegado mandará instaurar o IP,
importando sua omissão injustificada em responsabilização disciplinar e, conforme
o caso, até mesmo penal por crime de prevaricação, se evidenciado que a omissão
visou à satisfação de interesse próprio ou alheio.

b) Requisição de autoridade judiciária ou do MP  possui conotação de exigência,


determinação, razão pela qual, em tese, não poderá ser descumprida pela
autoridade policial. Mas isso não confere à autoridade requisitante o poder para
dirigir ou conduzir o IP, o que deve ser feito pelo delegado a que incumbir a
presidência do expediente policial.

c) Requerimento da vítima ou de seu representante legal  não possui conotação


de ordem, mas de mera solicitação, podendo ser indeferido pelo delegado de
polícia, como na hipótese de evidente atipicidade da conduta. Deste indeferimento
descabe qualquer recurso judicial, podendo o interessado apenas recorrer
administrativamente ao chefe de polícia.

d) Auto de prisão em flagrante  esse auto de prisão por si só já é uma forma de


início do IP, que é instaurado no caso de prisão em flagrante.

6.2 Crimes de ação penal pública condicionada

a) Representação do ofendido ou de seu representante legal  é a manifestação


pela qual a vítima ou seu representante legal autoriza o Estado a desenvolver as
providências necessárias à investigação e apuração judicial dos crimes que a
requerem. É a delatio criminis postulatória. Não exige rigor formal, e pode ser
oferecida tanto ao delegado de polícia, quanto ao MP e ao juiz. O direito de
representação está sujeito à decadência. Assim, caso não exercido no prazo legal
de 6 meses contados da ciência de sua autoria, acarretará a extinção da
punibilidade. Se a vítima for menor de idade, esse prazo decadencial de 6 meses
só começará a contar quando ela atingir 18 anos.

b) Requisição da autoridade judiciária ou do MP  neste caso o IP só poderá ser


instaurado mediante a existência de representação prévia da vítima ou de quem
legalmente a represente, feita à autoridade requisitante, a qual deverá, inclusive,
acompanhar o ofício requisitório.
c) Auto de prisão em flagrante  neste caso a lavradura do auto de prisão em
flagrante, que é forma de início do IP, condiciona-se a que a vítima ou seu
representante legal estejam presentes no momento da formalização do auto de
prisão e manifestem perante a autoridade policial a vontade de ver apurada a
infração penal. Se não for possível a representação do ofendido previamente à
lavradura do auto, a autoridade policial pode iniciar a confecção do auto,
condicionando-se, porém, à manutenção da prisão a que seja a representação
apresentada antes do decurso de 24h contados do momento da prisão. Passado
esse prazo improrrogável a autoridade deve soltar o flagrado, importando a
persistência do confinamento em evidente constrangimento ilegal, impugnável por
habeas corpus em razão da ausência de legitimidade conferida pelo ofendido para
a prisão. .

d) Requisição do Ministro da Justiça  nos casos de crimes cometidos por


estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, crimes contra a honra cometidos
contra o Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro, e
determinados crimes praticados por meio da imprensa contra o Presidente da
República, Presidente do Senado e da Câmara, e outras autoridades. Nestes
casos, a requisição será pressuposto obrigatório para instauração de eventual IP e
possui natureza de condição de procedibilidade da ação penal. Essa requisição é
destinada ao MP, que vai verificar se é ou não hipótese que autoriza o
oferecimento de denúncia. Não se encontrando presentes elementos que
permitam, de plano, o desencadeamento da ação penal, o MP poderá requisitar à
autoridade policial a instauração de IP para que proceda ás diligências que se
fizerem necessárias à correta elucidação do fato objeto da requisição.

6.3 Crimes de ação penal privada

a) Requerimento da vítima ou de seu representante legal  a autoridade policial


só poderá proceder ao IP mediante requerimento de quem tenha qualidade para o
ajuizamento da queixa-crime, ou seja, pelo ofendido, seu representante legal ou,
no caso de morte ou ausência, por cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. A
instauração do procedimento policial sem a observância desta formalidade gera
constrangimento ilegal, possibilitando o ingresso de habeas corpus visando ao
trancamento do IP. Esse requerimento Tb está sujeito ao prazo decadencial de 6
meses, contado do dia em que a vítima veio a saber quem é o autor do crime. Se
instaurado após a decadência, poderá ser trancado mediante impetração de
habeas corpus, pois haverá evidente constrangimento ilegal.

b) Requisição do juiz ou MP  neste caso dirige-se ao juiz ou ao promotor de


justiça o requerimento do ofendido solicitando providências no sentido de ser
desencadeada a investigação pela delegacia de polícia. Essas autoridades
judiciais, então, mediante requisição, determinarão a instauração do IP. Essa
requisição deve ser acompanhada do requerimento do ofendido.

c) Auto de prisão em flagrante  à semelhança do que ocorre nos crimes de ação


penal pública condicionada, a vítima tem que autorizar ou ratificar a lavradura do
auto de prisão em flagrante no prazo improrrogável de 24h.
Obs
O CPP preceitua que:

Art. 159. § 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao


querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.

Esse direito refere-se às perícias feitas por determinação do juiz no âmbito de procedimento ou
processo sob tramitação judicial, não se estendendo àquelas realizadas por ordem do delegado a título de
diligência investigatória.
Porém, nada impede que o delegado faculte ao advogado do investigado participar da perícia
mediante a formulação de quesitos. Mas esse não é um direito assegurado ao investigado. Isso significa
que o seu indeferimento não vai nulificar exame técnico

7 IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL

Trata-se da colheita das impressões digitais do investigado, visando-se, por meio de método
científico, a sua identificação.
Deve ser levado em conta a precisão constitucional de que:

O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal,


salvo nas hipóteses previstas em lei.

Essa lei a Lei nº 12037/2009, que indica os casos em que, mesmo identificado civilmente, há a
necessidade de identificação criminal:
a) o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação
b) o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado
c) o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes
entre si
d) a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da
autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da
autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa
e) o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do
documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres
essenciais..

É vedado mencionar a identificação criminal do indiciado em atestados de antecedentes ou em


informações não destinadas ao juízo criminal, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
Essas proibições alcançam somente a colheita de impressões digitais, podendo o delegado colher
informações sobre nome, naturalidade, estado civil, etc, além de fotografias do investigado para instruir o
IP.

Obs
Os casos de identificação criminal obrigatória que constavam da Lei nº 10.054/2000 deixaram de
existir, mantendo-se, porém, a exigência de identificação criminal para os membros de organizações
criminosas, ainda que já civilmente identificados, uma vez que tal regra decorre de lei especial ainda em
vigor (Lei nº 9.034/1995).
8 INCOMUNICABILIDADE DA PRISÃO

Falava do juiz poder decretar que o preso provisório ficasse incomunicável por até 3 dias. Este
dispositivo não foi recepcionado pela CF/88.
Hoje a prisão tem que ser comunicada.

9 PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IP

JUSTIÇA ESTADUAL JUSTIÇA FEDERAL TRÁFICO DE DROGAS


15 dias – prorrogável3 uma 30 dias – prazo pode ser
Indiciado Preso1 10 dias – improrrogável 2
única vez por igual período 2 duplicado4
30 dias – sucessivamente
prorrogável por igual ou
30 dias – sucessivamente 90 dias – prazo pode ser
Indiciado Solto maior período 5 (sempre
prorrogável duplicado4
que necessitar; quem pode
prorrogar é o juiz)
1 Prisão em flagrante ou prisão preventiva
2 Se não terminar nesse período tem que soltar o investigado e depois continuar a investigação.
3 Esse pedido de prorrogação deve ser devidamente justificado pela autoridade policial e deferido pelo
juiz.
4 Essa duplicação solicitada pela autoridade policial deve ser devidamente justificada, e precisa ser
deferida pelo juiz, ouvido o MP,
5 A requerimento do delegado e mediante autorização do juiz.
Se o investigado estiver preso, o prazo começará a contar no dia em que for executada a ordem de
prisão. Se estiver solto, o prazo começará a contar do dia de expedição da portaria para IP instaurado ex
officio, ou da data de recebimento pela autoridade policial da requisição, representação ou requerimento.

Obs
Nos crimes contra economia popular e saúde pública, o IP deve ser concluído em 10 dias,
independente de o investigado estar preso ou solto.
O IP militar deve ser concluído em 20 dias para investigado preso, ou 40 dias, prorrogáveis por
mais 20 para investigado solto.

10 SIGILO

O IP deve ser sigiloso, porém esse sigilo não poderá atingir o juiz, o MP e o advogado do
investigado. No entanto, o STJ já determinou que não é direito líquido e certo do advogado o acesso
irrestrito a autos de IP que esteja sendo conduzido sob sigilo, se o segredo das informações é
imprescindível para as investigações. O princípio da ampla defesa não se aplica ao IP, que é mero
procedimento adm.

Obs
O advogado do investigado pode acompanhar alguns dos atos instrutórios do procedimento
policial, mas somente como ouvinte e fiscal, não podendo intervir ou conduzir a linha investigativa.
Esse advogado pode requerer a produção de provas ao delegado, assim como pode fazê-lo à
vítima. O delegado, contudo, não é obrigado a atender a solicitação, ressalvados os casos em que a
perícia é obrigatória, como o exame de corpo de delito para crimes que deixam vestígio. Em caso de
indeferimento do pedido, o advogado ainda pode requerer ao juiz ou MP que requisite ao delegado a
realização da prova, já que a requisição tem caráter de ordem, e deverá ser cumprida.
11 PROVIDÊNCIAS

São as providências a serem tomadas pela autoridade policial, apesar da discricionariedade do IP.
A autoridade policial deve:
 Dirigir-se ao local dos fatos, isolando a área até a chegada dos peritos, providenciando
para que não se alterem o estado de conservação das coisas. Somente após a liberação dos
peritos é que os objetos poderão ser apreendidos e o local alterado;
 Apreender objetos;
 Colher todas as provas;
 Ouvir o ofendido, que não é obrigado a falar a verdade. Mas se der causa à instauração
das investigações ou do processo imputando infração a alguém sabidamente inocente,
incorrerá no crime de denunciação caluniosa. Se o ofendido não comparecer poderá ser
conduzido coercitivamente.
 Ouvir o indiciado, que poderá permanecer calado.
 Proceder ao reconhecimento das pessoas e das coisas e a acareações.
 Determinar que seja realizado exames de corpo de delito e outras perícias.
 Ordenar a identificação datiloscópica do indiciado e fazer juntar sua folha de antecedentes.
 Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social,
sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante
ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu
temperamento e caráter.

12 CONCLUSÃO OU ENCERRAMENTO DO IP

Esgotadas as investigações, seja porque concluídas as diligências determinadas no IP, seja pelo
esgotamento do prazo, o delegado deverá encerrar o IP, mas pode requerer ao juiz a devolução dos autos
para outras diligências em casos de difícil elucidação. O encerramento do IP não significa que o delegado
já dirimiu todas as dúvidas a respeito do caso investigado e elucidado completamente a infração penal,
mas apenas que todas as diligências possíveis foram realizadas.
A autoridade policial deverá fazer um relatório minucioso do que houver apurado, e encaminhar
os autos do procedimento ao juiz, juntamente com os instrumentos e objetos que interessarem à prova.
Neste momento poderá, ainda, indicar testemunhas novas que não tenham sido inquiridas, mencionando
o lugar onde podem ser encontradas. Neste relatório o delegado Tb procede à classificação do crime,
apontando o dispositivo penal violado pelo indiciado. Esse relatório não pode conter juízo de valor sobre a
responsabilidade do investigado.
As conclusões do IP não vinculam o autor da ação penal no que concerne ao delito a ser
imputado, ou seja, o MP pode indiciar o investigado por outro crime diferente do apontado no IP.
Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os
autos do inquérito.
O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou
outra.
O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que
será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão
para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
13 INDICIAMENTO

Indiciamento é o ato pelo qual o delegado atribui a determinada pessoa a condição de provável
autor de uma infração penal. É a imputação dos fatos apurados a uma determinada pessoa. É ato
privativo da autoridade policial, privativo do delegado de polícia.
O indiciamento não é arbitrário e nem discricionário, visto que inexiste a possibilidade legal de
escolher indiciar ou não. Isto significa dizer que, havendo qualquer indício de autoria quanto à prática de
um fato típico devidamente materializado no IP, deve a autoridade policial proceder ao indiciamento.
Ausentes, porém, estes elementos, deve abster-se de indiciar o suspeito.
Contra esse indiciamento cabe um HC para demonstrar que os indícios da autoria não estão
corretos.
O indiciamento não significa culpa ou condenação, mas apenas o ato pelo qual o presidente das
investigações (delegado de polícia) conclui haver suficientes indícios de autoria e materialidade do
suposto crime. Lembrem que a requisição do juiz e/ou Ministério Público obriga o delegado apenas a
instaurar o inquérito, mas não a realizar o indiciamento do suspeito, já que este último é ato privativo da
autoridade policial.

DESINDICIAMENTO  é a retirada do nome da pessoa do IP. Nada impede que a autoridade


policial, ao entender, no transcurso das investigações, que a pessoa indiciada não está vinculada ao fato,
promova o desindiciamento. E a autoridade policial continuará suas investigações.Tudo deve estar bem
descrito no relatório. É possível Tb o desindiciamento de forma coacta, pela procedência de habeas
corpus impetrado no objetivo de trancar o IP em relação a algum sujeito.

14 DESTINO DO IP CHEGANDO A JUÍZO

Somente o juiz pode arquivar. O policial não pode. O promotor não pode.
E esse juiz não pode arquivar “de ofício” (por conta própria), o MP é quem tem que pedir o
arquivamento.
Quando o chefe do MP designa outro membro do MP para oferecer a denúncia não pode dizer que
isso estaria ferindo a independência funcional dos membros do MP, pois a doutrina afirma que esse
membro estaria agindo a longa manus do PGJ (como uma mão estendida desse PGJ)
Não cabe recurso contra o arquivamento.
Nos crimes de ação penal pública o trâmite acima pode ser iniciado e chegar ate o seu fim. Já
para o caso de crimes de ação penal pública condicionada ou ação privada, o IP, instaurado mediante
requerimento da vítima, será remetido ao juízo competente, onde aguardará, até o final do prazo
decadencial, a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal quanto ao ajuizamento da competente
quixa-crime. Se passar o prazo decadencial, o juiz, ouvido o MP, determinará o arquivamento. A vítima
pode requerer cópia do IP, que lhe será entregue por translado.
O arquivamento deverá ser fundamentado.
Depois de ordenado o arquivamento do IP pela autoridade judiciária, por ausência de base
empírica para oferecer a denúncia (falta de provas), a autoridade policial poderá proceder a novas
pesquisas, se de outras provas tiver notícia, e desarquivar o IP. Isto significa que ação penal não poderá
ser ajuizada contra os mesmos investigados e em relação aos mesmo fatos se não surgirem novas provas.
O desarquivamento segue o mesmo roteiro do arquivamento, ou seja, é o juiz que vai desarquivar. Não há
prazo específico limite para que isso possa ocorrer, porém esse desarquivamento só pode ser realizado
enquanto não estiver extinta a punibilidade do agente (crime não estar prescrito).

Motivos de arquivamento:
a) Inexistência de provas  de materialidade
 de autoria
Se arquivado por um desses 2 motivos, o IP
b) Fato atípico nunca mais poderá ser desarquivado, mesmo
c) Extinção da punibilidade* que surjam novas provas. É a chamada COISA
d) Excludente de ilicitude** JULGADA MATERIAL, que diz que não tem mais
como aquela coisa voltar a ser julgada. E Tb não
pode instaurar outro IP sobre o mesmo fato.

Obs
Via de regra, a decisão que arquiva o IP não faz coisa julgada.
*A extinção da punibilidade faz coisa julgada, a não ser que a extinção da punibilidade seja
pautada na morte do agente comprovada por certidão de óbito falsa, pois o STF entende que a decisão
que determinou o arquivamento desse inquérito é inexistente.
**Para o STJ o arquivamento do IP por excludente de ilicitude ocorre com coisa julgada. Já para o
STF esse arquivamento ocorre sem coisa julgada.
Decisão que determina o arquivamento do IP com base na atipicidade do fato ou causas extintivas
da punibilidade faz coisa julgada, ainda que a decisão seja proferida por juiz absolutamente
incompetente.
Arquivamento do IP em feitos de competência originária (aqueles que possuem competência
especial, como deputados federais julgados pelo STF)  se o pedido de arquivamento feito pelo PGR
for fundamentado em hipóteses que não fazem coisa julgada o atendimento é compulsório, ou seja, não
cabe ao Ministro discordar, mas apenas arquivar. Se o pedido de arquivamento for fundamentado em
hipóteses que fazem coisa julgada, é possível que o Ministro discorde do pedido de arquivamento. Não há
solução para isso ainda.

Termo circunstanciado  é uma peça semelhante a um boletim de ocorrência, incorporando,


porém, ao seu conteúdo, uma narrativa mais detalhada do fato registrado, com a indicação do autor do
fato, o ofendido e o rol de testemunhas. Para apuração de infrações de menor potencial ofensivo. Não
resulta em indiciamento. Regulado pelos Juizados Especiais Criminais.
Espécies de arquivamento
a) Arquivamento direito  pedido do MP, decisão do juiz.
b) Arquivamento implícito  criação doutrinária. A jurisprudência não admite. Diante da
omissão do MP, seguida da omissão do juiz fariam com que o IP fosse arquivado. O STF
não aceita esse arquivamento, pois diz que assim que o MP perceber a omissão pode
denunciar o investigado.

15 REFLEXOS DO NOVO CÓDIGO CIVIL

Art. 15 do CPP  toda vez que o indiciado for menor de 21 anos o delegado deverá nomear um
curador para ele.

Após a modificação do Código Civil não há mais essa necessidade

Art. 15 do CPP foi tacitamente revogado


PROVAS

1. CONCEITO

É todo ato, ou conjunto de atos, praticado pelas partes, por terceiros ou pelo próprio juiz, para
averiguar a verdade e formar a convicção do juiz. O processo objetiva fazer a reconstrução histórica dos
fatos ocorridos para que se possa extrair as respectivas consequências em face daquilo que foi
demonstrado.
A finalidade da prova é formar a convicção do juiz. Desta forma, seu destinatário é o magistrado.
A fase processual destinada á produção das provas é Tb chamada de Fase de Instrução.
No processo penal o juiz pode, de ofício, determinar a produção de uma prova.
O ônus prova cabe a quem alega (art. 156, CPP). Costumamos dizer que à acusação cabe o ônus
de provar os fatos constitutivos do direito. Já a defesa deve provar os fatos impeditivos, modificativos ou
extintivos do direito do autor. Assim, se o MP atribui o crime de homicídio a João, aquele é que deve
provar que o crime realmente ocorreu. Porém, caso João alegue que o homicídio foi cometido em legítima
defesa, então é ele quem deverá provar tal fato.
A regulamentação dos meios de prova existente no CPP não é taxativa, podendo ser aceitos meios
de provas atípicos ou inominados, ou seja, sem regulamentação expressa em lei.
Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil.

2. OBJETO

Objeto da prova é, resumidamente, o fato no processo penal que precisa ser provado por gerar
dúvida ao Juiz.
Mas há fatos que não precisam ser provados. São eles:

 FATOS AXIOMÁTI COS OU INTUITIVOS são aqueles que se auto demonstram, que têm
força probatória própria, evidentes e inquestionáveis. Ex: não há necessidade de realização
do exame cadavérico interno quando as lesões externas permitirem precisar a causa da
morte.

 FATOS NOTÓRIOS  São os fatos que encontram embasamento no conhecimento que faz
parte da cultura de uma sociedade. Assim, em um processo contra a honra do Presidente,
por exemplo, ninguém precisa provar em juízo que ele é o Chefe do Executivo Federal, pois
isto é um fato notório.

 FATOS PRESUMIDOS OU PRESUNÇÕES LEGAIS  a própria lei presume a veracidade


de determinados atos. Podem ser de dois tipos:

 Presunções absolutas (jure et de jure)  não admitem prova em contrário, como


o caso de um menor de 18 anos ser inimputável.

 Presunções relativas (juris tantum)  admitem prova em contrário, porém


invertem o ônus da prova, como a presunção relativa de que maior de 18 anos é
imputável. Para dizer que esse maior de anos era inimputável a sua defesa terá que
provar isso.

 FATOS INÚTEIS  São os que não possuem relevância para a causa. Seria o caso, por
exemplo, de em um delito de furto o advogado querer saber qual a preferência sexual do
réu, ou mesmo o que ele fez nas férias passadas, ou qualquer outro aspecto que em nada
agregará ao convencimento do Juiz.
Obs
O direito, como regra, não precisa ser provado. Eventualmente será necessário provar a existência
e a vigência do direito estadual, municipal, consuetudinário e alienígena.
No processo penal, diferentemente do que ocorre no processo civil, os fatos admitidos pelas partes
necessitam de prova, pois, no processo penal, busca-se a verdade material. Desta forma, até mesmo o
juiz pode determinar de ofício a produção de provas.

3. CLASSIFICAÇÃO DAS PROVAS

3.1 QUANTO AO OBJETO

 PROVAS DIRETAS  referem-se diretamente ao fato probando; são aquelas que por si
só e com certeza demonstram um fato controvertido. Ex: testemunha visual.

 PROVAS INDIRETAS  refere-se a outro acontecimento que, por ilação, nos leva ao
fato principal. Exigem um raciocínio lógico para que se deduza determinada
circunstância. A prova não encontra ligação direta com o fato, mas mediatamente
permite conclusões. Ex: álibi.

3.2 QUANTO AO EFEITO OU VALOR

 PROVAS PLENAS  é aquela necessária para a condenação, imprimindo no julgador


um juízo de certeza quanto ao fato apreciado. São provas em que pesam um alto grau
de certeza podendo ser utilizadas como elemento principal de convencimento do
Magistrado. É suficiente para formar um juízo de convicção.

 PROVAS NÃO PLENAS OU INDICIÁRIAS  prova limitada quanto à sua


profundidade. Servem para reforçar o convencimento do magistrado, não podendo
funcionar como elemento principal de convicção. Pode permitir a decretação de
medidas cautelares. Gera apenas juízo de probabilidade. Exemplo: O indício, a
fundada suspeita etc.

3.3 QUANTO AO SUJEITO OU CAUSA

 PROVAS REAIS  São aquelas que não resultam, diretamente, de pessoas e sim de
eventos externos. Exemplo: Cadáver, arma do crime etc.

 PROVAS PESSOAIS  São aquelas obtidas através de PESSOAS. Exemplo:


Interrogatório, testemunho, laudos periciais etc.

3.4 QUANTO À FORMA OU APARÊNCIA

 TESTEMUNHAL  expressa pela afirmação de uma pessoa, independente de ser


realmente testemunha ou não. Ex: interrogatório.

 DOCUMENTAL  elemento que irá condensar graficamente a manifestação de um


pensamento.

 MATERIAL  simboliza qualquer elemento que corporifica a demonstração do fato.


Ex: exame de corpo de delito.
4. PRINCÍPIOS GERAIS DAS PROVAS

4.1 PRINCÍPIO DA COMUNHÃO OU AQUISIÇÃO


A prova não pertence à parte que a gerou, ou seja,uma vez produzida, passa a integrar o processo,
podendo ser utilizada por qualquer dos intervenientes, seja o juiz, seja as demais partes. Por este
princípio é que não se pode desistir da oitiva de uma testemunha arrolada sem a anuência da outra
parte.

4.2 PRINCÍPIO DA AUTO-RESPONSABILIDADE DAS PARTES


Em um processo não há que se falar em OBRIGAÇÃO das partes em produzir provas e sim em
direito das partes de aplicar o princípio da ampla defesa e do contraditório. Desta forma, as partes
assumem as consequências por sua inércia, negligência, erro ou inatividade.

4.3 PRINCÍPIO DA AUDIÊNCIA CONTRADIRÓRIA


Toda prova produzida deve ser submentida ao crivo do contraditório, com oportunidade de
manifestação da parte contrária. Toda prova realizada por uma das partes admite produção de uma
contraprova pela outra.

4.4 PRINCÍPIO DA NÃO AUTO-INCRIMINAÇÃO (Nemo tenetur se detegere)


Ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo. Por este princípio é que o investigado
poderá não responder a perguntas durante o seu interrogatório.

4.5 PRINCÍPIO DA ORALIDADE


Como forma de celerizar e tornar mais espontâneas as declarações proferidas durante um
processo penal, busca-se a utilização do procedimento oral em substituição ao escrito.

4.6 PRINCÍPIO DA CONCENTRAÇÃO


Deve-se, sempre que possível, concentrar a produção de provas em audiência única, ou no menor
número delas.

4.7 PRINCÍPIO DA PUBLIDADE


A regra é a publicidade dos atos, havendo, entretanto, possibilidades excepcionais de sigilo.

5. SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DAS PROVAS

5.1 SISTEMA DA CERTEZA MORAL DO LEGISLADOR, DAS REGRAS LEGAIS, SISTEMA


FORMAL OU DA PROVA TARIFADA
Vigorou durante a Idade Média ( Séculos XI a CV).
Só admitia como prova aquilo que estava expresso na lei.
Havia hierarquia entre as provas. Hoje não há essa hierarquia, todas a provas possuem o mesmo
valor probatório.
A prova mais importante dessa época era a confissão. A pessoa que confessava já era
automaticamente condenada.
No CPP ainda há resquícios desse sistema, como no caso dos crimes que deixarem vestígios
necessitarem de realização de exame de corpo de delito, não podendo a confissão do acusado suprir sua
falta. Outro exemplo é o caso de só aceito como prova da morte de uma pessoa a certidão de óbito.

5.2 SISTEMA DA CERTEZA MORAL DO JUIZ OU ÍNTIMA CONVICÇÃO


O juiz está absolutamente livre para decidir, estando dispensado de motivar sua decisão. Pode
utilizar o que não está nos autos, trazendo ao processo os seus pré-conceitos e crenças pessoais.
Prevaleceu no século XVIII, durante o Iluminismo.
Nesse sistema as provas assumem um papel secundário, uma vez que o juiz possui pleno poder
para decidir conforme aquilo que acredita ser o mais justo, ainda que contrarie as provas do processo.
Esse sistema ainda é adotado no Brasil com relação ao tribunal do júri.

5.3 SISTEMA DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO


É sistema dotado como regra hoje no Brasil.
O juiz forma sua convicção através da livre apreciação das provas, mas deve fundamentar sua
decisão. A ausência de fundamentação é causa de nulidade absoluta da decisão. Todavia, admite-se
fundamentação sucinta.
O CPP não cria uma lista taxativa de provas. Isto significa que sendo lícitas e legítimas poderão
ser admitidas.
As provas devem ser produzidas no curso do processo e na presença do juiz e das partes.
Como é necessária a participação das partes na produção da prova, como regra geral, o IP não
pode ser usado como prova, mas apenas como informação preliminar, exceto nos casos de provas
cautelares, não-repetíveis e antecipadas, em que admite-se a utilização de certas informações do IP como
prova no processo penal.
 Provas cautelares provas técnicas, como laudo de exame cadavérico, laudo de exame
de local de crime.
 Provas não-repetíveis  ex: depoimento de pessoa que morreu antes de iniciado o
processo
 Provas antecipadas  produzidas em incidente específico de produção de provas
antecipadas.

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão
exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação,
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

Como características desse sistema tem-se que:


 O juiz só pode considerar as provas que constam no processo. O juiz fica adstrito às
provas constantes dos autos.
 O juiz deve fundamentar todas as suas decisões.
 Não há hierarquia entre as provas.

6. ÔNUS DA PROVA

É o encargo atribuído à parte de provar, por meios lícitos e legítimos, a verdade de suas alegações.
A demonstração probatória é uma faculdade, assumindo a parte omissa as consequências de sua
inatividade.
A prova da alegação é incumbida a quem a fizer. A acusação fica incumbida de demonstrar
autoria, materialidade, dolo ou culpa, circunstâncias agravantes e qualificadoras, e eventuais
circunstâncias que influam na exasperação da pena. Já a defesa fica incumbida de demonstrar eventuais
excludentes de ilicitude, de culpabilidade, extinção da punibilidade e circunstâncias que venham a
mitigar a pena, como circunstâncias privilegiadoras.
É facultado ao juiz, de ofício, ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção
antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e
proporcionalidade da medida, assim como determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir a
sentença, a realização de diligências para dirimir dúvidas sobre ponto relevante. São casos excepcionais.
A legalidade da produção antecipada dessas provas esta condicionada aos seguintes requisitos:
 Existência de periculum in mora, demonstrado por intermédio da relevância e urgência da
medida determinada pelo magistrado;
 Presença de fumus boni iuris, externado por meio de indício de autoria de uma infração
penal ou de prova de sua materialidade;
 Existência de investigação em andamento;
 Necessidade de que haja um expediente ou procedimento sob análise judicial, como uma
representação pela prisão temporária ou preventiva, requerimento de busca e apreensão,
etc;
 Excepcionalidade da atuação judicial, detectada a partir de critérios de necessidade,
adequação e proporcionalidade da medida probatória.

7. PROVA EMPRESTADA

É aquela que, produzida em processo distinto para nele gerar os efeitos pretendidos pela parte,
vem a ser apresentada documentalmente em outro processo visando à geração de efeitos neste.
Para que seja admissível é preciso que o processo original tenha envolvido as mesmas partes,
submetida, ainda, a respectiva produção (da prova) ao crivo do contraditório. Devem ter sido respeitadas
no processo anterior as formalidades legais. Desta forma, não há empréstimo de prova do IP para
processo, pois o IP é inquisitivo. O empréstimo é de processo para processo. Satisfeitas estas condições –
identidade de partes e observância de contraditório – terá a prova emprestada o mesmo valor das demais
provas realizadas dentro do processo. Ausentes, contudo, perderá muito de seu valor probatório, devendo
ser considerada como simples indício.
A jurisprudência afirma que é possível a utilização da prova emprestada no processo penal, desde
que ambas as partes dela tenham ciência e que sobre ela seja possibilitado o exercício do contraditório.

8. PROVAS ILEGAIS

Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo,


as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas
constitucionais ou legais.
§ 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo
quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou
quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das
primeiras.
§ 2o Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os
trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal,
seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.

A prova é taxada de proibida ou vedada toda vez que sua produção implique violação da lei ou de
princípios de direito material ou processual.
É o princípio da inadimissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos.
As provas ilegais compreender um gênero do qual fazem parte 3 espécies de provas:

a) Provas ilícitas  obtidas mediante violação direta ou indireta da CF/88 violam regras do
direito material (regras de condutas, ou seja, tudo o que pode e não pode fazer na
sociedade). Ex: confissão mediante tortura, interceptação telefônica sem autorização
judicial.
b) Provas ilícitas por derivação  são lícitas na própria essência, mas tonam-se viciadas
por terem decorrido, exclusivamente, de uma prova ilícita anterior.

c) Provas ilegítimas  obtidas ou produzidas com ofensas a disposições legais, sem


qualquer reflexo em nível constitucional. Violam regras do direito processual. Ex: busca e
apreensão com mandado judicial não bem fundamentado; laudo pericial subscrito por
apenas um perito não oficial.

8.1 PROVAS ILÍCITAS

Viola regras do direito material, acarretando ofensa a garantia ou princípio constitucional.


São as que violam as normas constitucionais ou legais.
Ex: interceptação telefônica realizada sem ordem judicial; violação de correspondência lacrada,
busca e apreensão domiciliar sem ordem judicial; interrogatório judicial do réu sem a presença do seu
advogado.
A prova declarada ilícita deve ser desentranhada do processo, sendo inutilizada por decisão
judicial.

Exceções que não tornam a prova ilícita:


 Se não houver nexo causal entre uma e outra prova (a prova não é derivada da prova
ilícita);
 Se a prova derivada puder ser obtida por meio de outras provas lícitas (válidas). Quando
acontecimento posterior afasta vício que tornava a prova precedente ilegal (limitação da
contaminação expurgada)
 Se a prova derivada seria inevitavelmente descoberta

8.2 PROVAS ILÍCITAS POR DERIVAÇÃO

São aquelas que, embora lícitas em sua essência, decorrem exclusivamente de prova ilícita ou de
situação de ilegalidade manifesta ocorridas anteriormente à sua produção, restando, portanto,
contaminadas.
Aplica-se a Teoria Frutos da Árvore Envenenada, segundo a qual o defeito existente no tronco
contamina os frutos. A ilicitude de uma prova, uma vez reconhecida, causará a ilicitude das provas que
dela diretamente decorram.

8.3 PROVAS ILEGÍTIMAS

São as provas produzidas a partir da violação de normas de natureza eminentemente processual,


isto é, normas que têm fim em si próprias. Não há reflexo em nível constitucional.
Ex: perícia realizada por apenas um perito não-oficial; reconhecimento judicial do réu realizado
com inobservância das formalidades legais; juntada aos autos de notícia de jornal para comprovar a
morte do réu para fins de extinção de punibilidade.

Obs  Utilização da prova ilícita em favor do réu diante do princípio da proporcionalidade


Apesar da proibição constitucional de utilizar provas ilícitas, a doutrina e a jurisprudência
determinam que é possível a utilização de provas ilícitas em favor do réu quando se tratar da única forma
de absolvê-lo ou, então, de comprovar um fato importante à sua defesa.
Desta forma diz-se que se pode usar a prova ilícita em 2 casos:
a) Quando for a única prova da inocência do réu;
b) Quando o agente estiver abusando de suas garantias constitucionais, pois para o STF o
direito à intimidade não pode servir para salvaguardar práticas ilícitas. Ex: indivíduo está
sendo extorquido por uma terceira pessoa e solicita a um detetive que coloque escuta
telefônica em seu telefone para gravar o pedido desse terceiro e ele pode usar isso como
prova.
Para isso é aplicado o Princípio da Proporcionalidade ou Princípio do Sopesamento, o qual,
partindo da consideração de que nenhum direito reconhecido na CF/88 pode revestir-se de caráter
absoluto, possibilita que se análise, diante da hipótese de colisão de direitos fundamentais, qual é o que
deve, efetivamente, ser protegido pelo Estado.
A doutrina majoritária entende que essa prova só pode ser utilizada em benefício do réu, e
não para acusar outra pessoa.

9. INTERCEPTAÇÃO, ESCUTA E GRAVAÇÃO TELEFÔNICA

A. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA

Uma terceira pessoa viola a conversa telefônica de duas ou mais pessoas, registrando ou não os
diálogos mantidos, sem que nenhum dos interlocutores tenha conhecimento da presença do agente
violador.

B. ESCUTA TELEFÔNICA

Um terceiro viola a conversa telefônica mantida entre duas ou mais pessoas, havendo, contudo, a
ciência de um ou alguns dos interlocutores de que os diálogos estão sendo captados.

C. GRAVAÇÃO TELEFÔNICA

Não há a figura do terceiro. Um dos interlocutores, simplesmente, registra a conversa que


mantém com o outro. Não há, propriamente, uma violação de conversa telefônica, já que o registro está
sedo feito por um dos indivíduos que mantém o diálogo.

A CF/88 determina que são invioláveis as comunicações telefônicas, salvo por ordem judicial.
As gravações telefônicas não violam a CF/88, mesmo que realizadas sem ordem judicial. Porém,
se obtidas com traição de confiança, nesse caso serão ilícitas as gravações realizadas, pouco importando
se há autorização judicial para tanto.
As interceptações telefônicas e as escutas telefônicas só poderão ser autorizadas judicialmente
quando atendidos alguns requisitos:
 Em investigação policial ou instrução processual penal de crimes punidos com pena de
reclusão;
 Presença de indícios razoáveis de autoria ou participação no crime que se pretenda
investigar, o que configura fumus boni iuris.
 Excepcionalidade. Ou seja, necessidade evidente da violação telefônica, não existindo
outros meios de prova disponíveis, representando o periculum in mora.

Obs  Reconhecimento de excludentes de ilicitude nas interceptações telefônicas e escutas


telefônicas
A está sendo extorquido por B e, cansado disso, contrata um detetive particular para instar uma
escuta telefônica em seu telefone e gravar o momento da extorsão de B. Neste caso, a escuta telefônica,
mesmo sem autorização judicial, poderá ser usada por A baseada no fato de que este age em legítima
defesa.
Já no caso de um policial interceptar uma ligação sem autorização judicial, mesmo que ouça uma
pessoa extorquindo a outra, não poderá usar isso como prova.
Os Tribunais Superiores têm entendido que a conduta de legítima defesa ou de estado de
necessidade é passível de reconhecimento apenas no caso de escutas, quando se tratar de crimes em
plena consumação ou exaurimento via ligação telefônica, e não nas situações de interceptação telefônica.

Obs 2  Descoberta fortuita ou ocasional de crime distinto daquele para o qual foi expedida
a ordem judicial de interceptação telefônica.
Nesta caso a prova obtida será considerada lícita e poderá ser usada desde que guarde relação
com o fato criminoso investigado, não havendo necessidade de esse novo crime ter que ser punido com
reclusão. Se o crime descoberto fortuitamente não guardar nenhuma relação com o anteriormente
investigado, ainda assim a prova não será ilícita, apenas perderá muito de seu valor, podendo ser usada
para iniciar uma investigação, podendo até constar do processo.

São legitimados para requererem ao magistrado a violação do sigilo telefônico do investigado ou


acusado a autoridade policial e o MP, podendo, ainda, o juiz determiná-la ex officio.
O prazo para a interceptação telefônica e para a escuta telefônica será de 15 dias, renovável por
igual prazo sucessivas vezes (quantas forem necessárias), desde que comprovada a efetiva necessidade
desse meio de prova.

10. PRINCIPAIS PERÍCIAS

10.1 EXAME DE CORPO DE DELITO

Por exame de corpo de delito compreende-se a perícia destinada à comprovação da materialidade


das infrações que deixam vestígios
Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais deixados pela infração penal, a materialidade
do crime, aquilo que se vê, apalpa, sente, em suma, pode ser examinado através dos sentidos. Há
infrações que deixam tais vestígios materiais (delicta facti permanentis), como os crimes de homicídio,
lesões corporais, falsificação, estupro etc. Há outros, porém, que não os deixam (delicta facti
transeuntis), como os de calúnia, difamação, injúria e ameaças orais, violação de domicílio, desacato etc.
Quando a infração deixa vestígios, é necessário que se faça uma comprovação dos vestígios
materiais por ela deixados, ou seja, que se realize o exame do corpo de delito. Não se confunde, assim, o
exame do corpo de delito com o próprio corpo de delito. Aquele é um auto em que se descrevem as
observações dos peritos e este é o próprio crime em sua tipicidade. O exame destina se à comprovação
por perícia dos elementos objetivos do tipo, que diz respeito, principalmente, ao evento produzido pela
conduta delituosa, de que houve o "resultado", do qual depende a existência do crime (art. 13, caput, do
CP). O corpo de delito se comprova através da perícia; o laudo deve registrar a existência do próprio
delito.

O exame de corpo de delito pode ser classificado em:


a) DIRETO  É o exame realizado diretamente sobre o corpo de delito.
b) INDIRETO  Advém de um raciocínio lógico, indutivo através de informações colhidas
com o ofendido ou com testemunhas.

10.1.1 OBRIGATORIEDADE DO EXAME DE CORPO DE DELITO E POSSIBILIDADE DE


SUPRIMENTO

O CPP dispõe sobre o exame de corpo de delito deixando clara a sua OBRIGATORIEDADE, quando
a infração deixar vestígios.
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o
exame de corpo de delito, direito ou indireto, não podendo supri-lo a confissão
do acusado.

E quando não deixar vestígios? Complementando o supracitado artigo preceitua o Código:

Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem
desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

A jurisprudência vem aceitando que não apenas a prova testemunhal, mas qualquer outra,
excetuando-se apenas a confissão do acusado que é ressalvada expressamente no art. 158, é capaz de
suprir a falta da perícia na ocorrência do desaparecimento dos vestígios.
O exame de corpo de delito direto pode se suprido, quando desaparecidos os vestígios
sensíveis da infração penal, por outro elementos de caráter probatório existentes no autos, notadamente
os de natureza testemunhal ou documental.
A confissão do acusado não pode suprir a falta do exame de corpo de delito pois aquela é uma
prova de valor relativo, ou seja, é dependente de confirmação por outros meios. É limitada a liberdade de
convencimento do juiz com relação à confissão do acusado, o qual pode utilizá-la como prova, mas não
sem antes cotejá-la com os demais elementos de convicção careados ao processo, a fim de verificar se
corroboram a confissão juridicamente prestada.
A doutrina e jurisprudência majoritária consideram que caso o desaparecimento de um vestígio
tenha ocorrido por culpa do estado, não será possível a aplicação do art. 167 para suprir o exame de
corpo de delito direto ou indireto.

10.1.2 FORMALIDADES DO EXAME DE CORPO DE DELITO

 O exame de corpo de delito deve ser realizado por um perito oficial, portador de diploma de
nível superior, salvo se tiver ingressado na carreira antes da vigência da Lei 11690/2008
(este último preceito não se aplica aos legistas).
 Na ausência de perito oficial, a perícia poderá ser realizada por dois peritos não-oficiais
(peritos leigos), como tais consideradas as pessoas idôneas, portadoras de curso superior
preferencialmente na área que constitui o objeto da perícia, que possuam habilitação
técnica relacionada à natureza do exame e que, nomeadas pelo Delegado de Polícia ou pelo
juiz, prestem compromisso de bem e fielmente desempenharem a função para a qual são
encarregados.

10.1.3 ATUAÇÃO PROCESSUAL DAS PARTES EM RELAÇÃO À PERÍCIA

O MP, o assistente de acusação, o ofendido, o querelante e o acusado podem formular quesitos e


indicar assistente técnico. Esse assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a
conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, devendo as partes ser intimadas da
decisão de admissão.
Esse direito à formulação de quesitos e indicação de assistente técnico é restrito à fase judicial,
não sendo faculdade extensiva à etapa das investigações policiais.
Assim, em relação à participação do investigado e da vítima nos atos do inquérito, persistem em
vigor as normas que estabelecem discricionariedade à autoridade policial para deferir ou não diligências
eventualmente requeridas, inclusive no que concerne à prova pericial, exceto com relação ao exame de
corpo de delito.
As partes poderão requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a
quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam
encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo os peritos apresentar as respostas em
laudo complementar.
Poderão, ainda, indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser
fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.
O Código de Processo Penal prevê também que, se houver requerimento das partes, o material
probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá
sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível
a sua conservação.
Por fim, estabeleceu-se que, em caso de perícia complexa envolvendo mais de uma área de
conhecimento especializado, mais de um perito oficial poderá ser designado, assim como a parte poderá
indicar mais de um assistente técnico.

Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão


minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados.
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10
dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a
requerimento dos peritos.

10.1.4 DIVERGÊNCIA ENTRE PERITOS

Para os casos em que a perícia é realizada por mais de um perito, como na perícia realizada por
dois peritos não-oficiais, no laudo toxicológico definitivo e na perícia realizada para fins de materialização
dos crimes contra a propriedade imaterial de ação penal privada.
Se houver divergência entre os peritos, serão consignadas no auto do exame as declarações e as
respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente seu laudo, e a autoridade nomeará um
terceiro perito. Se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros
peritos.

10.1.5 MOMENTO DA PERÍCIA

Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia
e a qualquer hora.
Art. 162. A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito,
salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser
feita antes daquele prazo, o que declararão no auto.
Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, bastará o simples
exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou
quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver
necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância
relevante.

10.1.6 LIVRE APRECIAÇÃO DO MAGISTRADO

Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou


rejeitá-lo, no todo ou em parte.
Art. 184. Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a
autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes, quando não for
necessária ao esclarecimento da verdade.

10.1.7 AUTÓPSIA E NECROPSIA


Consiste no exame interno do cadáver, visando descobrir a causa mortis.
É necessário nos casos de morte violenta.
Origina o Laudo de Exame Cadavérico ou Laudo Necroscópico.
Esse exame deverá ser feito pelo menos 6 (seis) horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela
evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto
Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver
infração penal que apurar, ou quando havendo infração penal a apurar, as lesões externas permitirem
precisar a causa da morte e não houver necessidade do exame interno para a verificação de alguma
circunstância relevante. Em outras palavras, nem sempre os peritos precisaram examinar os órgãos
internos do cadáver para descobrir a causa da morte.

10.1.8 EXUMAÇÃO E INUMAÇÃO

Ato de retirar o cadáver da sepultura para apurar causa relevante.


Necessidade de autorização judicial e demonstração de justa causa.
Ato será dirigido pelo delegado.
O termo “exumar” significa desenterrar o cadáver. Exige-se que se lavre o respectivo auto, na
presença de testemunhas. A exumação pode ser determinada tanto pela autoridade policial quanto pela
autoridade judicial;
Havendo dúvida quanto à identificação do cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimento
pelo Instituto de Identificação e Estatística (atual IML), ou repartição congênere, ou pela inquirição de
testemunhas.
Inumar é enterrar novamente o cadáver após exumar e examinar.

10.1.9 LESÕES CORPORAIS GRAVES PELA INCAPACIDADE PARA AS OCUPAÇÕES


HABITUAIS POR MAIS DE 30 DIAS

No caso de lesões corporais, considerando que se trata de um crime que deixa vestígios, exige-se a
realização do exame de corpo de delito. Caso o primeiro exame pericial tenha sido incompleto (obscuro,
omisso), deve-se proceder a exame complementar, nos termos do art. 168 do CPP.
A falta do exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal.
Ademais, nos caso específico do art. 129, § 1º, I, CP (lesão corporal grave na qual resulta
incapacidade para as atividades habituais por mais de 30 dias), esse exame complementar deve ser feito
logo que decorra o prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do crime. Só assim será possível saber se a
pessoa realmente ficou incapacitada para as ocupações habituais durante todo o período. A falta desse
laudo complementar levará à configuração do crime de lesão corporal leve.
Não se considera como prova laudo pericial que ateste a incapacidade por mais de 30 dias
realizado antes do decurso desse tempo, pois, nesse caso, estaria havendo um mero prognóstico, despido
de qualquer segurança. É preciso, pois, que haja um diagnóstico quanto à incapacidade.

10.1.10 ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO À SUBTRAÇÃO DA COISA E ESCALADA

Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou por
meio de escalada, os peritos, além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, por que
meios e em que época presumem ter sido o fato praticado.
A jurisprudência admite que, na hipótese de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo, pode
ocorrer o suprimento da perícia por outro meio de prova para fins de comprovação dessa qualificadora,
tais como a prova testemunhal e a documental.
Já quanto à qualificadora da escalada, a exigência do peiriciamento neste caso depende do caso
concreto. Por escalada compreende-se qualquer meio anormal de ingresso em recinto, caracterizando-a a
penetração por janelas, telhados, muros e até mesmo túnel. A jurisprudência tem compreendido que o
delito de furto qualificado pela escalado por normalmente não deixar vestígios pode ser provado com a
utilização de outros meios que não o exame pericial.

10.1.11 INCÊNDIO

No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo
que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as
demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.
A perícia é importante, mas não imprescindível. Assim, se o conjunto probatório possibilitar a
certeza quanto à intenção do agente em cometer o crime de incêndio, como testemunhas, a ausência de
perícia não inviabiliza um juízo condenatório.

10.1.12 RECONHECIMENTO DE ESCRITOS

É o exame grafotécnico.
Seu objetivo é reconhecer a autenticidade de um escrito.
Utiliza o método da comparação de letra.

Art. 174. No exame para o reconhecimento de escritos, por comparação


de letra, observar-se-á o seguinte:
I - a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será
intimada para o ato, se for encontrada;
II - para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a
dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de
seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida;
III - a autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os
documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou
nestes realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados;
IV - quando não houver escritos para a comparação ou forem
insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que
Ihe for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última
diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras
que a pessoa será intimada a escrever.

Apesar de o CPP falar em mandar, a pessoa não é obrigada a escrever para fornecer material de
comparação, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.

10.1.13 INSTRUMENTOS DO CRIME

Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração, a fim de se lhes
verificar a natureza e a eficiência. O obrigatoriedade de realização desse exame depende do caso concreto.

10.1.14 EXAMES POR PRECATÓRIA

Trata-se de uma forma de comunicação dos atos processuais, utilizada toda vez que se exigir
alguma providência (citação, oitiva de uma testemunha, realização de perícia, etc) em outra comarca. É
um pedido que um juiz envia a outro de outra comarca.
Na precatória, teremos sempre duas partes envolvidas. O juízo deprecante (aquele que mandou a
precatória) e o juízo deprecado (juiz que a recebe para dar cumprimento). É uma competência funcional
horizontal, não havendo hierarquia entre deprecante e deprecado.
Especificamente quanto às perícias, aplica-se o art. 177 do CPP que estabelece, como regra geral,
a nomeação do perito no juízo deprecado. Há, porém, uma exceção: caso a ação penal seja privada e haja
acordo entre as partes, essa nomeação poderá ser feita no juízo deprecante.

10.2 INTERROGATÓRIO DO ACUSADO

Consiste no ato pelo qual procede o magistrado à oitiva do réu acerca da imputação que lhe é
dirigida. É ato privativo do magistrado e personalíssimo do acusado. Tem por objetivo primordial buscar
esclarecer como os fatos realmente se passaram. Além disso, auxilia o juiz a verificar as reações do
acusado diante das perguntas que lhe são dirigidas.
É concomitantemente um meio de prova e de defesa (natureza jurídica mista).
Será realizado no final da instrução criminal, após a oitiva das testemunhas de acusação e defesa.
O objetivo é privilegiar a ampla defesa, de forma que a auto-defesa apenas se exerça após o pleno
conhecimento das provas que possui contra si.

10.2.1 CARACTERÍSTICAS

 Obrigatoriedade  tratando-se de uma oportunidade que o réu possui de informar em


juízo a sua versão dos fatos, o interrogatório do réu no curso do processo penal é
imprescindível, sob pena de nulidade do processo.

 Ato personalíssimo do imputado  somente o imputado é quem pode e deve ser


interrogado, não sendo possível a sua representação, substituição ou sucessão neste ato
por qualquer outra pessoa.
No entanto, se o acusado não possuir condições mentais para ser interrogado, duas
situações podem ocorrer:
 Se a incapacidade veio após a prática da infração penal  não haverá
interrogatório, ficando o processo paralisado até que o réu se reestabeleça
ou que prescreva o crime.
 Se o acusado era incapaz ao tempo da infração  o processo terá
seguimento, assistido o acusado por um curador (se advogado). Se o réu não
apresentar condições de se determinar perante o juiz, não se realizará o
interrogatório. O curador representará o imputados nos atos processuais,
exceto nos personalíssimos.

 Oralidade  interrogatório deve ser realizado por meio de perguntas e respostas orais,
exceto para os surdos e mudos. A integralidade do que foi dito pelo réu será reduzida a
termo imediatamente.

 Publicidade  em regra, o interrogatório será público, podendo ser assistido por qualquer
pessoa. Essa publicidade destina-se à comprovação de que as declarações do réu foram
prestadas espontaneamente, sem qualquer pressão. No entanto, se da publicidade do
interrogatório puder resultar escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da
ordem, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento da parte ou do MP, determinar que o ato
seja realizado a portas fechadas, limitando o número de pessoas que possam estar
presentes.
 Individualidade  na hipótese de existirem 2 réus, o interrogatório de cada um será
separado, não sendo possível sequer que um assita ao interrogatório do outro, mesmo que
já tenha sido interrogado. Isso é importante tendo em vista que, havendo, eventualmente,
versos contraditórias, poderá o juiz acareá-los.

 Faculdade de perguntas pela acusação e defesa  as partes podem formular perguntas


para o acusado, que deverão ser feitas por intermédio do juiz, o qual poderá, inclusive,
indeferir determinadas perguntas se as entender impertinentes ou irrelevantes. No
interrogatório realizado no curso do júri, as perguntas serão realizadas diretamente ao ´reu
pela acusação e pela defesa. Já quanto a eventuais indagações dos jurados ao acusado,
permanece a sistemática de que sejam feitas por intermédio do juiz.

Obs  não se admitem detectores de mentira, mesmo que o réu aceite, sob pena de nulidade.

10.2.2 OBRIGATORIEDADE DE ASSISTÊNCIA POR ADVOGADO

Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no


curso do processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu
defensor, constituído ou nomeado.

10.2.3 DIREITO DE ENTREVISTA PESSOAL E RESERVADA

Art. 185. § 5o Em qualquer modalidade de interrogatório, o juiz garantirá


ao réu o direito de entrevista prévia e reservada com o seu defensor; se
realizado por videoconferência, fica também garantido o acesso a canais
telefônicos reservados para comunicação entre o defensor que esteja no
presídio e o advogado presente na sala de audiência do Fórum, e entre este e
o preso.

Essa faculdade não se aplica ao IP, somente ao interrogatório judicial, pois é uma garantia do
direito ao contraditório e ampla defesa, não presentes no IP.
O magistrado deve fazer contar em ata que foi assegurado esse direito.

10.2.4 DIREITO AO SILÊNCIO (Nemo tenetur se detegere)

O acusado tem o direito de permanecer calado e de não responder às perguntas que lhe forem
formuladas. Esse silêncio não importará em confissão, e não poderá ser interpretado em prejuízo da
defesa.
O acusado deve ser informado desse direito pelo juiz antes de iniciado o interrogatório.
Esse direito se aplica tanto no interrogatório judicial, quanto no policial.

10.2.5 PROCEDIMENTO

O interrogatório será realizado em duas partes:


 Interrogatório de identificação  sobre a pessoa do acusado; qualificação do acusado
 Interrogatório de mérito  sobre o fato em apreciação pelo juízo
A maioria da doutrina afirma que o réu tem o direito de permanecer em silêncio em qualquer das
fases do interrogatório.
Ao final o juiz facultará às partes a realização de perguntas ao interrogando, apenas podendo
indeferi-las se impertinentes ou irrelevantes.
A qualquer tempo poderá o juiz requisitar novo interrogatório do réu, assim procedendo de ofício
ou a requerimento fundamentado de qualquer das partes.

10.2.6 INTERROGATÓRIO DE RÉU PRESO

Encontrando-se preso o réu, o CPP diz que o interrogatório será realizado em sala própria, no
estabelecimento em que estiver recolhido, desde que estejam asseguradas a segurança do juiz, do
membro do MP e dos auxiliares, bem como a presença do defensor e a publicidade do ato.

10.2.7 INTERROGATÓRIO POR MEIO DE VIDEOCONFERÊNCIA

§ 2o Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de


ofício ou a requerimento das partes, poderá realizar o interrogatório do réu
preso por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de
transmissão de sons e imagens em tempo real, desde que a medida seja
necessária para atender a uma das seguintes finalidades:
I - prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada
suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra
razão, possa fugir durante o deslocamento;
II - viabilizar a participação do réu no referido ato processual,
quando haja relevante dificuldade para seu comparecimento em juízo, por
enfermidade ou outra circunstância pessoal;
III - impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da
vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por
videoconferência, nos termos do art. 217 deste Código;
IV - responder à gravíssima questão de ordem pública.

Da decisão que determinar a realização de interrogatório por videoconferência, as partes serão


intimadas com 10 (dez) dias de antecedência.
Essa videoconferência é determinada somente para réu preso, sendo incabível para réu solto.

10.3 CONFISSÃO

Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para


os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-
la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe
compatibilidade ou concordância.
Art. 200. A confissão será divisível e retratável, sem prejuízo do livre
convencimento do juiz, fundado no exame das provas em conjunto.

A cofissão é o reconhecimento pelo réu da imputação que lhe foi feita por meio da denúncia ou da
queixa-crime. Se o réu confessar a autoria, deverá ser perguntado das circunstâncias do fato, bem como
se outras pessoas concorreram para a infração, declinando-as em caso positivo.
A confissão deve ter sido realizada pelo próprio réu, não se admitindo seja ela feita por outra
pessoa, como o defensor ou advogado; deve ser reduzida a termo; deve ser espontânea, impondo-se que
seja oferecida sem qualquer coação, e o réu deve apresentar boa saúde mental, possibilitando-o o
convencimento do juízo de que o relato não está sendo fruto da imaginação ou de alucinações do
acusado. A confissão espontânea pode ser utilizada para reconhecimento da atenuante genérica da
confissão espontânea.
Mesmo que tenha sido prestada judicialmente e na presença do defensor, a confissão não tem
força probatória absoluta, havendo a necessidade, para fim de fundamentar a sentença condenatória, de
que seja confrontada e confirmada pelas demais provas existentes nos autos. O juiz jamais pode
considerá-la exclusivamente para efeito de uma condenação. O valor da confissão é averiguado pela
sinceridade, riqueza de detalhes e harmonia com as demais provas.
A característica da divisibilidade significa que o juiz pode considerar verdadeira uma parte da
confissão e inverídica a outra parte, não sendo obrigado a valorar a confissão como um todo.
Já a retratabilidade quer dizer que se o réu, mesmo confesso em juízo, voltar atrás, caberá ao
magistrado confrontar a confissão e a retratação que lhe sucedeu com os demais meios de prova
incorporados ao processo, verificando, então, qual delas deve prevalecer. Nada impede que o juiz, a
partir de seu livre convencimento motivado, considere como verdadeira a confissão e falsa a retratação.

10.4 PERGUNTAS AO OFENDIDO

Ofendido é a vítima do delito, o sujeito passivo da infração.


A oitiva do ofendido é obrigatória, como diz o CPP:

Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será qualificado e


perguntado sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou presuma ser o
seu autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo as suas
declarações.

Se o ofendido não comparecer, e não tiver motivo justificante de sua falta, poderá ser conduzido
coercitivamente.
O valor probatório desse depoimento é relativo, devendo o juiz avaliá-lo à luz das demais provas
produzidas, em conformidade com o sistema do livre convencimento.
Esse ofendido é diferente da testemunha, que é um terceiro que não é sujeito ativo e nem passivo
do crime. Desta forma, a vítima não poderá ser sujeito ativo do crime de falso testemunho. Se mentir,
poderá responder por falsa comunicação de crime (narrativa de crime que sabe inexistente) ou
denunciação caluniosa (falsidade quanto á autoria de crime existente), mas não de falso. Não há que se
falar em recusa em depor, assegurada à testemunha que for cônjuge, ascendente, descendente ou irmão
do réu.

§ 2o O ofendido será comunicado dos atos processuais relativos ao


ingresso e à saída do acusado da prisão, à designação de data para
audiência e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou
modifiquem.

O ofendido deverá ser informado somente dos atos processuais. Uma prisão do
criminoso durante o IP não precisa ser informada à vítima.

§ 6o O juiz tomará as providências necessárias à preservação da


intimidade, vida privada, honra e imagem do ofendido, podendo, inclusive,
determinar o segredo de justiça em relação aos dados, depoimentos e outras
informações constantes dos autos a seu respeito para evitar sua exposição
aos meios de comunicação.

10.5 PROVA TESTEMUNHAL

A testemunha, em sentido próprio, é uma pessoa diversa dos sujeitos principais do processo
(podemos dizer, um terceiro desinteressado) que é chamada em juízo para declarar, positiva ou
negativamente, e sob juramento, a respeito de fatos que estejam relacionados ao julgamento do mérito da
ação penal a partir da percepção que sobre eles (os fatos) obteve no passado.
A testemunha é a pessoa que, perante o juiz, declara o que sabe acerca dos fatos sobre os quais
se litiga no processo penal, ou as que são chamadas a depor, perante o juiz, sobre as suas percepções
sensoriais a respeito dos fatos imputados ao acusado.
O fundamento da prova testemunhal reside na presunção de que os homens percebam e narrem a
verdade, presunção fundada, por sua vez, na experiência geral da humanidade, a qual mostra que no
maior número de casos, o homem é verídico.
Toda pessoa pode ser testemunha. a testemunha não poderá se eximir da obrigação de, salvo
alguns casos previstos na lei (poderão se recusar o ascendente, descendente, cônjuge e filho; menor de
14 anos e doente mental não prestam compromisso de dizer a verdade)).

10.5.1 CLASSIFICAÇÃO

a) Testemunha referida  é aquela que embora não tenha sido arrolada nos momentos
ordinários (denúncia ou queixa, para acusação; resposta à acusação para o réu), poderá
ser inquirida pelo juiz ex officio ou a requerimento das partes em razão de ter sido citada
por uma testemunha. Essa categoria não é considerada para efeito de contagem do
número máximo de testemunhas admitido em cada procedimento penal.

b) Testemunha judicial  é aquela inquirida pelo juiz independentemente de ter sido


arrolada por qualquer das partes ou de ter sido requerida a sua oitiva. O CPP diz que o
juiz, quando julgar necessário, pode ouvir outras testemunhas além das indicadas pelas
partes. Neste caso, a inquirição ex officio fundamenta-se no poder-dever que assiste ao
magistrado de, buscando a verdade real, determinar as providências necessárias para
esclarecer as dúvidas que porventura tiver.

c) Testemunha própria  é a testemunha chamada para ser ouvida sobre o fato objeto do
litígio, seja porque os tenha presenciado, seja porque deles ouviu dizer.

d) Testemunha imprópria ou instrumental  é a que prestará depoimento sobre fatos que


não se referem diretamente ao mérito da ação penal. Neste caso, a testemunha não estará
depondo sobre algo que presenciou ou soube ter ocorrido, e sim sobre um ato da
persecução criminal que tenha assistido ou participado. Ela deporá sobre a regularidade
(autenticidade) de um ato.

e) Testemunha numerária  testemunha regularmente compromissada.

f) Testemunha não compromissada ou informante  são aquelas dispensadas do


compromisso, uma vez que são suspeitas as sãs declarações. São os menores de 14 anos,
os doentes mentais e os parentes do imputado (cônjuge, ascendente, descendente, irmão e
afins). Esta categoria de testemunha não será computada para efeito de determinação do
número máximo de pessoas que podem ser arroladas pelas partes.

g) Testemunha direta  testemunha que presenciou os fatos por meio dos sentidos.

h) Testemunha indireta  é aquela que declara ao magistrado sobre o que não presenciou,
mas soube ou ouviu dizer.

QUADRO RESUMO
Testemunha direta Eu vi os fatos
Testemunha indireta Eu ouvi falar
Testemunha própria Eu vou falar sobre o fato em si e não sobre circunstâncias alheias
Testemunha imprópria ou Fato? Que fato? Vim só falar que vi o acusado chegar na delegacia sem
instrumental ferimentos.
Testemunha referida Poxa, que chato... aquele cara tinha que dar com a língua nos dentes e
referir meu nome para o juiz... agora vou ter que testemunhar”
Testemunha judicial As partes não me chamaram e ninguém citou meu nome, mas o juiz
ainda tem dúvida sobre alguma coisa
Testemunha numerária Que presta compromisso
Testemunha informante Que não é obrigada a prestar compromisso

obs
Não se computarão no número máximo permitido as testemunhas referidas, as não
compromissadas, as judiciais e as que nada souberem que importe à decisão da causa.

10.5.2 CAPACIDADE PARA TESTEMUNHAR

Qualquer pessoa é capaz de ser testemunha, independente de sua idade, condições físicas e
integridade mental, desde que tenha capacidade de perceber os acontecimentos ao seu redor e narrar o
resultado dessas percepções ao juiz.

10.5.3 COMPROMISSO DA TESTEMUNHA

Ainda é controverso o assunto, mas a maioria doutrinária afirma que o compromisso seria penas
um sinal para o juiz de que aquele testemunho provém de pessoas especiais e que poderiam facilmente
faltar com a verdade, apesar de todos estarem obrigados a dizer a verdade e responderão pelo crime de
falso testemunho caso contrário. Outros afirmam que os descompromissados não seriam obrigados a
falar a verdade.

10.5.4 TESTEMUNHA NÃO SUJEITA AO COMPROMISSO

Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor.


Poderão, entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim
em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o
filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-
se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos
doentes e deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às
pessoas a que se refere o art. 206.

A pessoa divorciada está sujeita ao compromisso, pois com divórcio cessa completamente o
vínculo conjugal.
Amigo íntimo ou inimigo capital Tb estão sujeitos ao compromisso. Porém o juiz deverá levar em
conta essa situação na hora de valorar essa prova, e tudo deverá estar anotado nos autos.

10.5.5 CARACTERÍSTICAS DA PROVA TESTEMUNHAL

a) Oralidade  depoimento deve ser dado oralmente ao juiz, sendo vedado trazê-lo por
escrito. Mas pode consultar apontamentos. Presidente da República, seu vice, Presidente
da Câmara, do Senado e do STF e dos Tribunais Superiores poderão fornecer depoimento
por escrito, assim como a testemunha de crime de abuso de autoridade.
b) Objetividade  não é permitida à testemunha fornecer impressões pessoais sobre o fato,
salvo quando forem inseparáveis da narrativa.

c) Individualidade  cada testemunha será ouvida separadamente

d) Incomunicabilidade  as testemunhas não podem se comunicar, para garantir que uma


não interfira na versão do depoimento da outra.

e) Retrospectividade  a testemunha prestará depoimento sobre fatos passados, jamais


sobre fatos futuros, sendo vedado depoimentos de videntes, cartomantes, etc.

f) Obrigatoriedade de comparecimento  uma vez regularmente notificada para depor, a


testemunha tem a obrigação de comparecer a juízo, sob pena de condução coercitiva,
pagamento das despesas da condução, multa e até processo criminal por desobediência. É
claro que há exceções a essa regra, como pessoas doentes e impossibilitadas de se
locomoverem, caso em que o juiz é que vai até onde essas testemunhas estiverem para
ouvi-las. Presidente, vice, deputado, senador, governador, prefeito, secretários de Estado,
ministros dos tribunais podem agendar seu depoimento.

g) Obrigatoriedade da prestação de depoimento  comparecendo em juízo, tem a


testemunha obrigação de depor, não podendo se eximir deste dever que lhe é imposto por
lei. A testemunha não tem, como regra, o direito ao silêncio, o que, se o fizer, poderá
caracterizar crime de falso testemunho, que se caracteriza quando se fizer afirmação falsa,
calar ou negar a verdade sobre fato de que tenha ciência. Exceção são aquelas do art. 206
(família, menor de 14 anos e doentes mentais) e as do art. 207 (quem sabe do fato pro
meio de profissão ou ministério). Essa regra Tb não se aplica para a vítima, que caso se
cale estará auxiliando para a absolvição do réu. Tb não se aplica para o réu, que tem o
direito de permanecer em silêncio, corolário da garantia do Nemo tenetur se detegere.

10.5.6 CONTRADITA E ARGUIÇÃO DE DEFEITO

Existem no ordenamento jurídico institutos capazes de impedir o depoimento de uma


testemunha. Tais instrumentos recebem o nome de contradita e argüição de defeito e nada mais são que
formas processuais adequadas para argüir a suspeição ou a inidoneidade da testemunha.

Art. 214. Antes de iniciado o depoimento, as partes poderão


contraditar a testemunha ou argüir circunstâncias ou defeitos, que a tornem
suspeita de parcialidade, ou indigna de fé. O juiz fará consignar a contradita
ou argüição e a resposta da testemunha, mas só excluirá a testemunha ou não
Ihe deferirá compromisso nos casos previstos nos arts. 207 e 208.

A contradita encontra relação direta com a testemunha, mas nos aspectos relacionados com
situações legais. Aqui não se contesta o que foi dito e sim quem vai dizer, com base nos preceitos da lei.
Assim, podemos resumir que a contradita deve ser utilizada:
 Em relação à testemunha que não deva prestar compromisso. Seu efeito neste caso será a
testemunha ser dispensada do compromisso.
 Em relação à pessoa que seja proibida de depor. Acolhida, neste caso, a impugnação, o
efeito é ser excluída a testemunha.
A contradita deve ser levantada logo após a qualificação da testemunha, podendo ser argüida até
o momento imediatamente anterior ao início do depoimento. Iniciado este, estará preclusa a faculdade de
contraditar a testemunha.
A arguição de defeito é utilizada para situações que podem tornar a testemunha indigna de fé ou
suspeita de parcialidade. Exemplos de casos que justificariam essa forma de impugnação consistem na
amizade íntima ou na inimizade capital com qualquer dos envolvidos no fato delituoso, o parentesco com
a vítima, a circunstância de responder a processo criminal por fato análogo etc.

10.5.7 PROVIDÊNCIAS EM CASO DE FALSO TESTEMUNHO

Se, ao sentenciar, verificar o juiz a ocorrência do crime de falso testemunho, o CPP determina que
o juiz encaminhe cópia do depoimento falso à autoridade policial ou ao Ministério Público a fim de ser
instaurado o inquérito.
Ao prever que o magistrado deva fazer isto ao preferir a sentença, tem que vista o CPP a
circunstancia de que o crime de falso testemunho deixa de ser punível quando, antes da sentença final, a
testemunha retrata-se, bem como o fato de que, segundo entendimento dominante, uma vez proferida a
decisão de primeiro grau, esgota-se a possibilidade de elisão do crime de falso pela retratação posterior.

Art. 217. Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar


humilhação, temor, ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de
modo que prejudique a verdade do depoimento, fará a inquirição por
videoconferência e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a
retirada do réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu defensor.

10.5.8 AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO

Na audiência de instrução serão inquiridas pelo juiz, primeiramente, as testemunhas de


acusação, facultando-se logo após à acusação e depois á defesa a elaboração dos questionamentos que
entenderem pertinentes. Ouvidas as testemunhas de acusação, passará o magistrado à inquisição das
testemunhas de defesa, possibilitando-se depois à defesa e após à acusação a realização de perguntas.
A inversão dessa ordem poderá acarretar nulidade processual se ficar provado que houve prejuízo
para a parte.
Há algumas exceção a essa regra, como por motivo de doença a testemunha tenha que ser ouvida
primeiro.
Na audiência deverá estar presente o defensor do réu, sob pena de nulidade absoluta. O MP deve
ser notificado, mas sua ausência não acarreta nulidade. O réu Tb deve ser sempre notificado para o ato.
As perguntas serão feitas diretamente pela partes á testemunha. As perguntas dos jurados devem
ser feitas ao juiz e este repassa para a testemunha.

Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à


testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta,
não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já
respondida.

10.5.9 INSTRUÇÃO POR PRECATÓRIA

A carta precatória é o instrumento utilizado como forma de colher-se o depoimento de testemunha


que se encontrar fora da jurisdição do magistrado que preside o processo.
A expedição de carta precatória não suspende a instrução criminal. Assim é possível que uma
testemunha de defesa seja inquirida no juízo deprecado antes da inquirição da testemunha de acusação
do juízo deprecante.
Ao expedir a carta precatória o juiz fixa um prazo. Se passar desse prazo a sentença poderá ser
proferida sem essa testemunha. A precatória quando for realizada, a qualquer tempo, será juntada no
processo, mesmo depois de proferida a decisão.
Não há necessidade de intimação das partes para a audiência a ser realizada no juízo deprecado,
sendo suficiente a intimação da expedição da precatória.
A oitiva de testemunha poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso
tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, permitida a presença do defensor e
podendo ser realizada, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento.

 MILITARES  Deverão ser requisitados à autoridade superior. Se o requisitado não


comparecer, nova solicitação deve ser feita. Se novamente não atender o superior, será
intimado para que apresente o subordinado sob pena de desobediência.

 FUNCIONÁRIO PÚBLICO  Deverá ser intimado pessoalmente como qualquer outro


indivíduo, devendo, entretanto, haver comunicação concomitante ao Chefe da Repartição.
Caso este não seja informado, o intimado não precisará comparecer.

 PRESO  Será intimado pessoalmente, mas o diretor do estabelecimento deverá ser


comunicado.

10.6 RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS

Art. 226. I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada


a descrever a pessoa que deva ser reconhecida  objetivo de aumentar o
grau de certeza que se espera com a obtenção da prova
II - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se
possível, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança,
convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la  mas não
se reconhece ilegalidade em colocar o réu sozinho para
reconhecimento

10.7 ACAREAÇÕES

Art. 229. A acareação será admitida entre acusados, entre acusado e


testemunha, entre testemunhas, entre acusado ou testemunha e a pessoa
ofendida, e entre as pessoas ofendidas, sempre que divergirem, em suas
declarações, sobre fatos ou circunstâncias relevantes.

A acareação compreende o procedimento de colocar frente a frente pessoas que já prestaram


depoimento em momentos anteriores, para que esclareçam, mediante confirmação ou retratação,
aspectos que se evidenciaram contraditórios.
Essa acareação poderá ser realizada tanto na fase de IP, quanto no processo judicial. Na fase de
IP poderá ser realizada por iniciativa do próprio delegado, requisição do juiz ou MP ou a pedido das
partes, que pode ser indeferido. No processo pode ser determinada pelo juiz ex officio ou a pedido das
partes.

Art. 230. Se ausente alguma testemunha, cujas declarações divirjam das


de outra, que esteja presente, a esta se darão a conhecer os pontos da
divergência, consignando-se no auto o que explicar ou observar. Se subsistir a
discordância, expedir-se-á precatória à autoridade do lugar onde resida a
testemunha ausente, transcrevendo-se as declarações desta e as da
testemunha presente, nos pontos em que divergirem, bem como o texto do
referido auto, a fim de que se complete a diligência, ouvindo-se a testemunha
ausente, pela mesma forma estabelecida para a testemunha presente. Esta
diligência só se realizará quando não importe demora prejudicial ao processo e
o juiz a entenda conveniente.

10.8 PROVA DOCUMENTAL

Documento é considerado no CPP como os escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou


particulares. Hoje entende-se documento como tudo aquilo capaz de retratar determinada situação
fática, ainda que o seja por meio de áudio ou vídeo.
Os documentos podem ser juntados em qualquer fase do processo. O próprio magistrado, de ofício
ou a requerimento das partes, no curso da instrução ou antes de proferir a sentença, tem a faculdade de
requisitar documentos.
O destinatário pode utilizar a correspondência como prova em defesa de seu direito, ainda que
sem o consentimento do remetente.

10.9 INDÍCIOS

Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato,
autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias.
Hoje em dia não há hierarquia entre as provas. Desta forma, a prova indiciária, se induvidosa,
cabal, sólida e veemente, é capaz de embasar uma sentença condenatória.

Obs  Indícios X Presunções


Os indícios diferem das presunções. Estas são estabelecidas por lei e, por isso, são capazes de, em
situações expressamente autorizadas, por si só fundamentar um juízo de condenação. É o caso da
presunção de violência existente em favor de vítima menos de 14 anos de idade nos crimes contra a
liberdade sexual.

10.10 BUSCA E APREENSÃO

A busca consiste na diligência realizada com o objetivo de investigação e descoberta de materiais


que possam ser utilizados no IP ou no processo criminal. Já a apreensão consiste no ato de retirar
alguma coisa que se encontre em poder de uma pessoa ou em determinado lugar, a fim de que possa ser
utilizada com caráter probatório ou assecuratório de direitos.
Poderá ser realizada tanto durante o IP quanto durante o processo. Pode ser feita de ofício pelo
juiz ou mediante requerimento do MP, do defensor do réu ou representação da autoridade policial.
Tratando-se de busca pessoal, pode o próprio delegado de polícia ordená-la.
A busca domiciliar deve ser precedida de mandado, a não ser que a autoridade judicial a realize
pessoalmente. Já a busca pessoal independe de mandado quando houver fundada suspeita.
Veículos não são considerados residência, podendo ser revistados, com exceção da boleia de
caminhão que se equipara a domicílio na hipótese de se encontrar o motorista em viagem prolongada.
Mas em caso de blitz, mesmo a boleia do caminhão poderá ser revistada.
Para o deferimento da ordem judicial de busca e apreensão domiciliar é necessária fundadas
razões que a autorizem, objetivando:
a) Prender criminosos;
b) Apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;
c) Apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou
contrafeitos;
d) Apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a
fim delituoso;
e) Descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;
f) Apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja
suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato;
g) Apreender pessoas vítimas de crimes;
h) Colher qualquer elemento de convicção.
Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo
arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior.
A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita
de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de
delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar.
As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir que se realizem à
noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerão o mandado ao morador, ou a
quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a porta. Se ausente o morador, é facultado o
arrombamento de portas e emprego de violência contra coisas, devendo, se possível, intimar um vizinho a
acompanhar a diligência, o qual, salvo motivo justo, não poderá se recusar, já que a intimação para
assistir o ato constitui ordem legal.
Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada.
A busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da
diligência.
A autoridade ou seus agentes poderão penetrar no território de jurisdição alheia, ainda que de
outro Estado, quando, para o fim de apreensão, forem no seguimento de pessoa ou coisa, devendo
apresentar-se à competente autoridade local, antes da diligência ou após, conforme a urgência desta.
Poderá haver restituição das coisas apreendidas, desde que não interessem mais à investigação
criminal ou ao processo e em relação às quais não haja dúvida quanto ao direito do reclamante. O pedido
de restituição é cabível tanto na fase de IP quanto do processo. Na fase de IP poderá ser decidida tanto
pelo delegado quanto pelo juiz. Já no processo, só pelo juiz. Quanto ao pedido de restituição será ouvido
sempre o MP

Obs
Os impedimentos e suspeições previstas ao Juiz, aplicam-se também aos Jurados, ao
representante do Ministério Público, bem como aos Peritos, Interpretes e funcionários da Justiça.

PRISÕES

2 Espécies de prisões  prisão cautelar e prisão pena


Antes do trânsito em julgado após o trânsito em julgado

MODALIDADES DE PRISÕES CAUTELARES


 Prisão temporária
 Prisão preventiva
 Prisão em flagrante

PRISÃO TEMPORÁRIA (Lei 7960/89)

Requisitos:
1. Quando for necessária para a conclusão do IP
2. Indiciado sem residência fixa ou sem identidade
3. Fundadas razões de autoria ou participação em um rol taxativo de crimes. Porém há a
possibilidade de incluir os crimes hediondos e equiparados que ali não estejam presentes,
como o terrorismo e a tortura.
 homicídio doloso;
 b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°);
 c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
 d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°);
 e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
 f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo
único);
 g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223,
caput, e parágrafo único);
 h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo
único);
 i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);
 j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal
qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com art. 285);
 l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;
 m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em
qualquer de sua formas típicas;
 n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976);
 o) crimes contra o sistema financeiro

Devem estar presentes os itens 3 e 1, ou 3 e 2.


Momento em que pode ser decretada  só cabe no curso do IP
Competência para decretar  juiz; somente mediante representação da autoridade policial ou
por requerimento do MP. Juiz não pode decretá-la de ofício. Querelante (na ação penal privada) não tem
legitimidade para pedir prisão temporária. Assistente de acusação Tb não possui legitimidade para
requerer a prisão temporária.
Quando for a autoridade policial que pedir a prisão, o juiz, antes de decretar a prisão preventiva,
devera ouvir o MP, e prolatar a decisão em 24h.
Prazo  5 dias prorrogável por mais 5 dias em caso de extrema necessidade.
Se crime for hediondo  prazo será de 30 dias prorrogável por mais 30 dias

PRISÃO PREVENTIVA

Requisitos
 Fumus comissi delicti  indícios (fumaça) do cometimento do delito; indícios da autoria e
da materialidade do fato delituoso.
 Periculum libertatis  perigo que o indiciado representa quando solto, mostrat que a prisão
é necessária para:
 Garantia da ordem pública
 Garantia da ordem econômica
 Conveniência da instrução criminal  como quando o réu está destruindo provas,
ameaçando e/ou matando testemunhas
 Assegurar a aplicação da lei penal  como na possível fuga do indiciado
As duas primeiras são para o bem da sociedade, as duas últimas para o bem do processo.

O que é fundamento idôneo para garantia da ordem pública


 Clamor popular não é fundamento idôneo
 Evitar a prática de mais delitos é fundamento idôneo
 Preservar a integridade física de terceiros é fundamento idôneo
 Preservar a integridade física do próprio acusado não autoriza a prisão preventiva.
 Gravidade do crime pode ser fundamento idôneo, desde que essa gravidade seja concreta,
e não abstrata. Se a questão falar só “gravidade” ela estará falando em gravidade abstrata.
 Dar credibilidade às decisões do Poder Judiciário é um fundamento idôneo para deceretar
a prisão preventiva, segundo o STF.

Hoje a regra é só aplicar a prisão preventiva quando não for possível a aplicação de uma medida
cautelar. (Lei 12403/11). Algumas medidas cautelares são:
 Apresentação periodicamente em juízo
 Proibição de acesso ou freqüência a determinados locais para evitar prática de crimes
 Monitoração eletrônica
O descumprimento de uma medida cautelar imposta é fundamento idôneo para decretar a prisão
preventiva.

Momento em que pode decretar a prisão preventiva  IP ou no curso da ação penal


Competência  juiz, podendo ser de ofício no curso da ação; no curso do IP só mediante
provocação da autoridade policial, MP, querelante e assistente da acusação.
Não há prazo para essa prisão.

PRISÃO EM FLAGRANTE

Flagrante  obrigatório  autoridades policias


Flagrante  facultativo  qualquer do povo

Situações flagranciais
1. Está cometendo a infração penal  deve ter a certeza visual do crime
2. Acaba de cometê-la
3. É perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em
situação que faça presumir ser ele o autor da infração. Exige-se que essa perseguição seja
ininterrupta.
4. É encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração. O prazo máximo para ter sido encontrado não pode
ultrapassar 8h.
Incisos 1 e 2 são chamados de Flagrante próprio, perfeito ou real.
Inciso 3 é Tb chamado de Flagrante imperfeito ou flagrante perseguição
Inciso 4 é Tb chamado de Flagrante presumido ou ficto.

Prisão ao acaso não é um flagrante presumido. O flagrante presumido só ocorrerá se a pessoa, ou


autoridade policial, estiver procurando o criminoso.

Apresentação espontânea não autoriza prisão em flagrante. Pode, no máximo, pedir a prisão
preventiva ou temporária.

Flagrante esperado X Flagrante forjado, preparado ou provocado


Flagrante esperado é lícito. Tem apenas o monitoramento pela polícia.
Flagrante forjado é ilícito. Tem a presença do agente provocador e o monitoramento pela polícia.
Esses dois elementos juntos tornam a prática do crime impossível. Por isso o STF editou uma súmula
vinculante tornando esse flagrante ilegal.