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PONTOS

1. Empreendedorismo: histórico, conceitos básicos, desafios,


legislação e políticas aplicados ao setor;
2. Empreendedorismo social: origem e perspectivas;
3. Empresa júnior: histórico, legislação aplicada e
perspectivas;
4. Valoração econômica do meio ambiente: fundamentos
teóricos e metodológicos;
5. Valoração do meio ambiente: métodos da função de
produção;
6. Valoração do meio ambiente: métodos da função de
demanda;
7. Instrumentos econômicos para a conservação: origens e
aplicações no Brasil;
8. Importância econômica da mineração no Brasil.
1. Empreendedorismo: histórico, conceitos básicos, desafios,
legislação e políticas aplicados ao setor;
A etimologia da palavra surge no século XII – Palavra francesa
ENTREPRENEURSHIP – significa aquele que incentiva brigas,
que passa a ser: pessoas que conduzem projetos e
empreendimentos, e depois se referir a pessoas ousadas que
estimulavam o progresso econômico, mediante novas e melhores
formas de agir.

História e conceito do empreendedorismo


1. 1. ETEC – Ibitinga EMPREENDEDORISMO Prof. Gustavo de Souza Gabriel
2. 2. Etimologia • Século XII – Palavra francesa ENTREPRENEURSHIP, vinda do
termo ENTREPRENEUR, significava aquele que incentivava brigas. • Pessoa que
conduzia projetos e empreendimentos; • Pessoas ousadas que estimulavam o
progresso econômico, mediante novas e melhores formas de agir
3. 3. História do Empreendedorismo • Século XII – Termo ENTREPRENEUR,
significava aquele que incentivava brigas, após passou a significar a pessoa que
conduzia projetos e empreendimentos; • Século XVII, Richard Cantillon, primeiro a
definir as funções do Empreendedor, dizia que era quem comprava matéria-prima,
com seu próprio capital, para depois processá-las e revendê-las, por preço a ser
definido, auferindo lucro.
4. 4. História do Empreendedorismo • Século XVIII, Jean-Baptiste Say, define o
Empreendedor como alguém que inova e é agente de mudanças, dedicando-se à
criação de novas empresas e seu gerenciamento. • Século XIX e XX, com a
Revolução Industrial em pleno vapor, confusão entre Empreendedor e
Administrador, ou seja, organizam, planejam, dirigem, controlam a empresa, mas
sempre a serviço do Capitalista.
5. 5. História do Empreendedorismo • No início do Século XX, JOSEPH
SCHUMPETER, definiu-o como sendo uma pessoa com criatividade e capaz de
fazer sucesso com inovações. O Indivíduo que reforma ou revoluciona o processo
“criativo- destrutivo” do capitalismo, por meio do desenvolvimento de nova
tecnologia ou aprimoramento de uma antiga, real papel da inovação. Agentes de
mudança na Economia. • No final dos anos 60, com Kenneth Knight e Peter
Drucker (o pai da administração moderna), introduziu-se o conceito de RISCO, ou
seja, um empreendedor precisa arriscar em algum negócio.
6. 6. História do Empreendedorismo • No anos 70, PETER F. DRUCKER (o pai da
administração moderna), o empreendedor deve aproveitar oportunidades para criar
mudanças. Os empreendedores não devem se limitar aos seus próprios talentos
pessoais e intelectuais para executar o ato de empreender, mas mobilizar recursos
externos, valorizando a interdisciplinariedade do conhecimento e da experiência,
para alcançar seus objetivos.
7. 7. História do Empreendedorismo • Em 1985, Gifford Pinchot, definiu o conceito de
Intra-empreendedor, aquele empreendedor dentro de uma organização. • Robert
Hirsch, define o Empreendedorismo como o processo de criar algo diferente e com
valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros,
psicológicos e sociais (ônus) e recebendo as recompensas (bônus) financeiras e
pessoais.
8. 8. História do Empreendedorismo • Com o avanço da Tecnologia no anos 70/80,
criou-se na Califórnia o chamado Vale do Silício, local atual das sedes das
principais empresas de Alta Tecnologia, como IBM, Microsoft, Intel, etc, sendo
considerados um dos maiores pólos empreendedores do mundo.
9. 9. História do Empreendedorismo • Nos anos 90, o conceito de Empreendedorismo
começou a nortear o ensino norte-americano, com base na valorização da
oportunidade e da superação de obstáculos, conectando teoria com prática.
10. 10. Teorias do Empreendedorismo • Existem 2 Teorias acerca do
Empreendedorismo: • A Teoria Econômica: Richard Cantillon, Jean Baptiste Say e
Joseph Schumpeter • A Teoria Comportamental: Max Weber, David McClelland
11. 11. Teoria Econômica • ESCOLAS DA TEORIA ECÔNOMICA: • PRECURSORA –
RICHARD CANTILLON • CLÁSSICA – ADAM SMITH x JEAN-BAPTISTE SAY •
NEOCLÁSSICA – KEYNES, SCHUMPETER e MARSHALL
12. 12. Teoria Econômica • Jean Baptiste Say, considerava os Empreendedores
pessoas que corriam grandes riscos, pois utilizavam seu próprio capital. • A Lei dos
Mercados, também conhecida como Lei de Say, costuma ser apresentada com o
seguinte enunciado: "A oferta cria sua própria procura". • Associou os
Empreendedores à inovação e os via como agentes da mudança que à época
estavam surgindo rapidamente.
13. 13. Teoria Econômica • ESCOLA NEO-CLÁSSICA - ¨Schumpeteriana¨ •
Compreender o papel do Empreendedor e o impacto de sua atuação na Economia
• Schumpeter lançou o campo do Empreendedorismo associando-o claramente à
essência da inovação.
14. 14. Teoria Econômica • Schumpeter lançou o campo do Empreendedorismo
associando-o claramente à essência da inovação. • Esta essência consiste na
capacidade de percepção e no aproveitamento de novas oportunidades no mundo
dos negócios, inovando o uso tradicional, fazendo surgir novas combinações
daquele mesmo negócio.
15. 15. Teoria Econômica • A sua teoria do desenvolvimento econômico baseia- se na
premissa que o sistema econômico de oferta e procura encontra-se em situação de
equilíbrio e que o empreendedor tende a romper esse equilíbrio através da
inovação. • O Empreendedor como o ser que promove a inovação, sendo essa
radical, na medida em que destrói e substitui esquemas de produção operantes -
Conceito de Destruição-Criativa.
16. 16. Teoria Econômica • O Economista Kirzner (1973) desenvolveu uma teoria
acerca do Empreendedorismo, na qual, a economia era desbalanceada e o
empreendedor era a pessoa que identificava estes desequilíbrios e os explorava
tendendo a trazer o processo para o equilíbrio. • Os Empreendedores eram
capazes ainda de estimular a demanda de mercado através da persuasão,
podendo criar assim um desequilíbrio adicional ao mercado.
17. 17. Teoria Econômica • Logo, verifica-se que Schumpeter e Kirzner atribuem
papéis diferentes ao Empreendedor, • para Schumpeter ação empreendedora leva
ao desequilíbrio devido à inovação; • já para Kirzner, essa mesma ação é que
garante o equilíbrio econômico.
18. 18. Teoria Econômica • A introdução de uma inovação no sistema econômico é
chamada de “ato empreendedor” e é realizada pelo “empresário empreendedor”,
visando a obtenção de um lucro. • O lucro é o motor de toda a atividade
empreendedora, mas lucro não como a simples remuneração do capital investido,
mas como o “lucro extraordinário”, isto é, o lucro acima da média exigida pelo
mercado para que haja novos investimentos e transferências de capitais entre
diferentes setores.
19. 19. Teoria Econômica - Inovações que alteram o Estado de Equilíbrio: • a
introdução de um novo bem no mercado; • a criação de um novo método de
produção; • a criação de um novo método de comercialização de mercadorias –
novo mercado; • a conquista de novas fontes de matérias-primas, • a alteração da
estrutura de mercado vigente, como a quebra de um monopólio.
20. 20. Teoria Econômica • 03 condições para que uma inovação seja realizada: • que
em um determinado período existam novas e mais vantajosas possibilidades do
ponto de vista econômico privado, numa indústria ou num setor de indústrias; •
acesso limitado a tais possibilidades, seja devido a qualificações pessoais
necessárias, seja por causa de circunstâncias exteriores; • e, uma situação
econômica que permita um cálculo de custos e planejamento razoavelmente
confiável, isto é, em uma situação de equilíbrio econômico.
21. 21. Teoria Comportamental • Especialistas do Comportamento Humano: -
Psicólogos; - Psicanislitas; - Sociólogos; - Antropólogos, entre outros
22. 22. Teoria Comportamental • O objetivo é ampliar o conhecimento sobre
MOTIVAÇÃO E O COMPORTAMENTO HUMANO, a fim de identificar e analisar o
PERFIL DO EMPREENDEDOR
23. 23. Teoria Comportamental • Max Weber, identificou o sistema de valores como
um elemento fundamental para a explicação do comportamento empreendedor. •
Os Empreendedores eram visto como inovadores, pessoas independentes cujo
papel de liderança nos negócios inferia (atribuía) uma fonte de autoridade formal.
24. 24. Teoria Comportamental • Os Comportamentalistas pressupõem que o sistema
de valores constitui o eixo principal do desenvolvimento social e econômico,
considerando o Empreendedor o ator principal desse processo. • Estudam os
traços pessoais e atitudes do Empreendedor na tentativa de encontrar a motivação
do Empreendedorismo.
25. 25. Teoria Comportamental • O Empreendedor é alguém que exerce controle sobre
uma produção que não seja só para o seu consumo pessoal, ou seja, um executivo
de uma empresa é um empreendedor – conceito amplo. • Nunca fez qualquer
ligação entre a necessidade de autorrealização e a decisão de começar, possuir ou
gerenciar um negócio.
26. 26. Teoria Comportamental • McClelland aborda o Empreendedor a partir de uma
perspectiva comportamental evidenciando suas características psicológicas,
permitindo traçar um Perfil do Empreendedor. • Tal perfil caracteriza o
Empreendedor como autônomo e dotado de iniciativa, com intuição e amor pelo
seu trabalho, estando continuamente em busca de realização profissional e
pessoal.
27. 27. Teoria Comportamental • A motivação é a principal característica do
Empreendedor, sendo essa fundamentada em três necessidades básicas do ser
humano: • Necessidade de Realização; • Necessidade de Afiliação; • Necessidade
de Poder.
28. 28. Teoria Comportamental • Necessidade de Realização - o indivíduo busca
continuamente a superação de seus limites. É uma característica própria de
pessoas que costumam estabelecer metas passíveis de serem realizadas durante
sua vida, ainda que tais metas os coloquem em situações de competição. • Essa
constitui a primeira necessidade encontrada entre empreendedores de sucesso,
apresentando os seguintes indicadores comportamentais: • superação do padrão
de excelência, • utilização de técnicas de feedback e • resolução de questões
problemas que constituem obstáculos.
29. 29. Teoria Comportamental • Necessidade de Afiliação - o indivíduo mostra-se
interessado em estabelecer, manter ou restabelecer relações emocionais positivas
com demais pessoas. Essa necessidade apresenta como indicadores
comportamentais o estabelecimento de relações de amizade, preocupação com o
bem estar das pessoas em seu ambiente de trabalho e desejo de integrar um
grupo.
30. 30. Teoria Comportamental • Necessidade de Poder - o indivíduo centra-se em
exercer autoridade sobre os outros. Essa necessidade pode ser identificada pela
observação dos seguintes comportamentos: • Capacidade de despertar reações de
caráter emocional nas demais pessoas, • Habilidade para executar tarefas,
pressupõe exercício de comando, preocupação com a posição social e reputação.
31. 31. Teorias • Econômica: • Análise da Inovação • Cantillon, Say, Schumpeter •
Comportamental: • Análise do Perfil do Empreendedor • Weber, McClelland
32. 32. Característica do Empreendedor • Principais características de um
Empreendedor: - Iniciativa; - Visão; - Coragem; - Firmeza; - Decisão; - Atitude de
Respeito Humano; - Capacidade de Organização e Direção.
33. 33. Empreendedorismo • Tomamos diariamente inúmeras DECISÕES. • Os
processos de decisão não são simples, objetivos e eficientes como deveriam ser,
pois, se a intuição está de um lado; a análise racional está do outro.
34. 34. Empreendedorismo • Cohen estabeleceu oito estilos de decisão: • Intuitivo:
tenta projetar o futuro, com perspectiva ao médio e do longo prazo, imaginando o
impacto dessa ação. • Planejador: situa-se onde está e para onde se deseja ir, com
planejamento e tendo um processo de acompanhamento, adequando à realidade
sempre que for necessário. • Perspicaz: diz que além da percepção é necessário
conhecimento.
35. 35. Empreendedorismo • Objetivo: sabe qual o problema a ser resolvido. •
Cobrador: tem certeza das informações, vê a importância de medir e corrigir
quando o resultado não foi o decidido. • O Mão–na–massa: envolve-se pessoal e
diretamente, acredita em grupos para estudos multidiciplinares.
36. 36. Empreendedorismo • Meticuloso: junta opiniões de amigos, especialistas,
funcionários, tentando se convencer da solução a encontrar. • Estrategista: decide
cumprir sua estratégia de crescimento, tendo percepção do que resolver.
Diagnostica o problema para encontrar a solução e sua resolução com eficácia.
37. 37. Empreendedorismo • As características comuns que se encontram no
empreendedor que fez uma escolha são difíceis para listar com precisão. Elas se
referem: • Necessidades; • Conhecimentos; • Habilidades; • Valores.
38. 38. Empreendedorismo • Existem necessidades que se referem a conhecimentos,
por exemplo: • Aspectos técnicos relacionados a negócios; • Experiência na área
comercial; • Escolaridade; • Formação complementar; • Experiência em
organizações; • Vivência com situações novas.
39. 39. Empreendedorismo • Existem também as necessidades que se referem aos
valores existenciais, tais como: • Estéticos; • Intelectuais; • Morais; • Religiosos.
40. 40. Empreendedorismo • As Habilidades de um Empreendedor podem ser
classificadas em 3 áreas: • Técnicas; • Gerenciais; • Pessoais;
41. 41. Empreendedorismo • Técnicas: • Saber escrever; • Ouvir as pessoas; • Captar
informações; • Ser organizado; • Saber liderar; • Trabalhar em equipe.
42. 42. Empreendedorismo • Gerenciais: Incluem as áreas envolvidas na criação e
gerenciamento da empresa, como: • Marketing; • Administração; • Finanças, •
Operacional e produção; • Tomada de decisão, planejamento e controle.
43. 43. Empreendedorismo • Pessoais: • Disciplinado; • Assumir riscos • Inovador,
ousado, persistente; • Visão e iniciativa; • Coragem, humildade e paixão pelo que
faz.
44. 44. Razões do Empreendedorismo • O empreendedorismo busca a auto-realização
de quem utiliza este método de trabalho, estimulando o desenvolvimento como um
todo, apoiando a pequena empresa, ampliando a base tecnológica, criando novos
empregos e mercados consumidores.
45. 45. Empreendedorismo • Algumas diferenças dos 3 personagens que
correspondem a papéis organizacionais: • a) o Empreendedor, que transforma a
situação mais trivial em uma oportunidade excepcional, é visionário, sonhador; o
fogo que alimenta o futuro; vive no futuro, nunca no passado e raramente no
presente; nos negócios é o inovador, o grande estrategista, o criador de novos
métodos para penetrar nos novos mercados; • b) o Administrador, que é
pragmático, vive no passado, almeja ordem, cria esquemas extremamente
organizados para tudo; • c) o Técnico, que é o executor, adora consertar coisas,
vive no presente, fica satisfeito no controle do fluxo de trabalho e é um
individualista determinado.
46. 46. Partes Caracte- rísticas Gerente Empreendedor Intra-empreendedor Motivação
Poder Liberdade de ação, Auto-motivação Liberdade de ação e recompensa
Organizacional Atividades Delega a sua autoridade Arregaça as mangas, Colabora
com os outros Delega mas colabora Competência Administração, Política
Negócios, Gerência e Política Empreendedor com mais habilidade Política
Interesses Acontecimentos internos da empresa Tecnologia e mercado Dentro e
fora da empresa, mercado Erros Evitar erros Aprendizagem com erros Erros são
evitados, mas aprende-se com eles Decisões Interage do assunto para depois
delegar Visão e decisão própria, Ação versus Discussão Fundamentação Sistema
Burocracia o satisfaz Se o sistema não o satisfaz, constrói o seu Acomoda-se ou
provoca curto-circuito Relações Hierarquia Negociação Hierarquia "amiga"
47. 47. Síndrome do Empregado • O termo Síndrome do Empregado nasceu com o
personagem "Seu André" do livro O Segredo de Luísa do autor Fernando Dolabela.
• Seu André preocupado em explicar a ineficácia de grande parte dos empregados
da sua indústria, disse: "eles estão contaminados com a síndrome do empregado".
48. 48. Síndrome do Empregado • A síndrome do empregado designa aquele: •
Desajustado e infeliz, com visão limitada; • Dificuldade para identificar
oportunidades; • É dependente, no sentido que necessita de alguém para se tornar
produtivo; • Sem criatividade;
49. 49. Síndrome do Empregado • Sem habilidade para transformar conhecimento em
riqueza, descuida de outros conhecimentos que não sejam voltados à tecnologia
do produto ou a sua especialidade; • Dificuldade de auto-aprendizagem; • Não é
auto-suficiente, exige supervisão e espera que alguém lhe forneça o caminho;
50. 50. Síndrome do Empregado • Domina somente parte do processo, não busca
conhecer o negócio como um todo: a cadeia produtiva, a dinâmica dos mercados,
a evolução do setor; • Não se preocupa com o que não existe ou não é feito: tenta
entender, especializar-se a melhorar, somente no que já existe;
51. 51. Síndrome do Empregado • Mais faz do que aprende; • Não se preocupa em
formar sua rede de relações, estabelece baixo nível de comunicações; • Tem medo
do erro, não trata como uma aprendizagem;
52. 52. Síndrome do Empregado • Não se preocupa em transformar as necessidades
dos clientes em produtos/serviços; • Não sabe ler o ambiente externo: ameaças; •
Não é pró-ativo (expressão que indica iniciativa, vontade própria e espírito
empreendedor).

Empreendedorismo:
a revolução do novo Brasil

Resumo: Trata-se de um amplo painel sobre o tema empreendedorismo, compreendendo


desde a origem da palavra até sua importância estratégica para o desenvolvimento econômico
do Brasil neste momento de novo governo. O empreendedorismo, ainda que presente em toda
a história econômica contemporânea, é hoje um fenômeno global, dadas as profundas
mudanças nas relações internacionais entre países e empresas, no modo de produção, nos
mercados de trabalho e na formação profissional. O Brasil é apontado como um dos países
mais empreendedores do mundo, mas há muito a melhorar no que se relaciona às condições
de consolidação das milhares de iniciativas de novas empresas. O empreendedor corporativo é
um perfil cada vez mais procurado pelas empresas, nas quais um dos principais objetivos é a
busca da eficiência. Investir na disseminação organizada do empreendedorismo será fator
fundamental de progresso econômico e social e também fonte de geração de novos empregos.
Palavras-chave: Brasil, desenvolvimento econômico, empreendedorismo, empreendedor
corporativo, emprego.

1. A origem da palavra e definições

A raiz da palavra empreendedor remete-nos há 800 anos, com o verbo francês entreprendre,
que significa “fazer algo”. Uma das primeiras definições da palavra “empreendedor” foi
elaborada no início do século XIX pelo economista francês J.B. Say, como aquele que
“transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de
produtividade mais elevada e de maior rendimento”. O termo “entrepreneur” foi incorporado à
língua inglesa no início do século XIX. Entre os economistas modernos, quem mais se
debruçou sobre o tema foi Joseph Schumpeter, que teve grande influência sobre o
desenvolvimento da teoria e prática do empreendedorismo. Em seus estudos, ele o descreve
como a “máquina propulsora do desenvolvimento da economia. A inovação trazida pelo
empreendedorismo permite ao sistema econômico renovar-se e progredir constantemente.” De
acordo com Schumpeter, “sem inovação, não há empreendedores, sem investimentos
empreendedores, não há retorno de capital e o capitalismo não se propulsiona.”
Em minha longa jornada sobre este fascinante e absorvente assunto, resolvi adotar a definição
encontrada em um relatório da Accenture, resultado de uma pesquisa internacional conduzida
entre janeiro de 2000 e junho de 2001: “Empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e
organizações trabalhando juntas para implementar uma idéia através da aplicação de
criatividade, capacidade de transformação e o desejo de tomar aquilo que comumente se
chamaria de risco.”

2. Empreendedorismo e ambiente econômico

O empreendedorismo é hoje um fenômeno global, sobre o qual diversas instituições públicas e


privadas têm investido para pesquisar e incentivar. Existe uma clara correlação entre o
empreendedorismo e o crescimento econômico. Os resultados mais explícitos manifestam-se
na forma de inovação, desenvolvimento tecnológico e geração de novos postos de trabalho. A
riqueza gerada pelos empreendedores contribui para a melhoria da qualidade de vida da
população e, não raras vezes, é reinvestida em novos empreendimentos e, de maneira indireta,
nas próprias comunidades.
O maior exemplo contemporâneo da força empreendedora foi a criação de milhares de novas
empresas e milhões de novos empregos na economia norte-americana em seu recente período
de extraordinário crescimento. Nas palavras do mestre Peter Drucker, “o surgimento da
economia empreendedora é um evento tanto cultural e psicológico, quanto econômico ou
tecnológico.” Estes mesmos traços de dinamismo podem ser encontrados, se bem que com
outros matizes, na economia brasileira.
O desenvolvimento econômico, segundo Schumpeter, tem três pilares: a renovação
tecnológica, o crédito para novos investimentos e o empresário inovador. Este último, agente
principal da mudança, é capaz de erigir um novo e lucrativo negócio, mesmo sem ser dono do
capital. O que conta são suas características de personalidade, seus valores e a capacidade de
utilizar os recursos disponíveis para modificar ambientes e conjunturas. Do ponto de vista
macro-econômico, os empreendedores são capazes de romper os trajetos viciosos da
economia e criar novos paradigmas, marcados pela competitividade e pela geração de
oportunidades. Para além da necessária busca do lucro, a ação positiva dos empreendedores
melhora a qualidade de vida a partir da oferta de novos produtos e serviços. Esse trabalho é
sempre capaz de “provocar” a concorrência e estimular novos hábitos para clientes e
consumidores finais.
Vamos mostrar que cada país pode desenvolver o clima mais apropriado para o
empreendedorismo sem colocar em segundo plano os valores de seu sistema econômico e
social, tais como redistribuição de riqueza ou proteção social.
As alavancas fundamentais para o empreendedorismo em um determinado país são: a) acesso
ao capital de investimento; b) baixo grau de intervenção e regulação do Estado; c) padrões
sócio-culturais que demonstrem uma postura favorável à atividade empreendedora.
Podemos identificar três modelos conceituais de ambiente empreendedor:

- O modelo de livre mercado que conta com uma intervenção governamental mínima, como é o
caso dos Estados Unidos;

- O modelo de individualismo monitorado baseado ainda no estímulo aos empreendimentos


individuais, mas utilizando políticas públicas como catalisadoras das energias
empreendedoras, casos de Cingapura e Taiwan;

- O modelo da social-democracia, que combina o estímulo aos empreendimentos com forte


ênfase na proteção social, no qual o governo é um jogador-chave no estabelecimento das
regras sob as quais os empreendimentos podem florescer, exemplos da Alemanha, Holanda e
Suécia.

As diferenças entre os países também refletem nos dois tipos de força propulsora do
empreendedorismo: os empreendimentos “de oportunidade” e os “de necessidade”. Um
empreendimento é “de oportunidade” quando o empreendedor iniciou ou investiu em um
negócio a fim de aproveitar uma oportunidade percebida no mercado, e “de necessidade”
quando se trata da melhor opção de trabalho disponível. Ambos florescem em países onde há
desigualdade na distribuição de renda, mas onde as pessoas têm expectativa de que a
situação econômica irá melhorar. Os de oportunidade aparecem em maior número onde há
reduzida ênfase na manufatura, baixa intromissão governamental, grande número de
investidores informais e respeito pela atividade empreendedora. Os de necessidade são mais
comuns onde o desenvolvimento econômico do país é relativamente pequeno, a economia não
depende tanto do mercado internacional, os benefícios oferecidos pelo Estado são menos
generosos e as mulheres têm menos influência sobre a economia.

3. O movimento empreendedor no Brasil

O relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – Monitor Global do Empreendedorismo,


organizado por duas renomadas escolas de administração, o Babson College, dos EUA, e a
London School of Business, da Inglaterra, e realizado em 37 países em 2002, apontou os
seguintes resultados para o Brasil:

- O Brasil possui um nível relativamente alto de atividade empreendedora: 13,5 em cada 100
adultos da População Economicamente Ativa (PEA) são empreendedores, colocando o país
em sétimo lugar do mundo. No entanto, mais da metade deles está envolvida por necessidade
e não por oportunidade;

- As mulheres brasileiras são bastante empreendedoras: a proporção é de cerca de 40%, uma


das maiores entre todos os 37 países participantes do levantamento;

- A intervenção governamental possui duas facetas: tem diminuído, mas ainda se manifesta
como um fardo burocrático;

- A disponibilidade de capital no Brasil é escassa. Muitos empreendedores brasileiros ainda


percebem o capital como algo difícil e custoso de se obter. Para piorar, os programas de
financiamento existentes não são bem divulgados;

- A falta de tradição e o difícil acesso aos investimentos continuam a ser os principais


impedimentos à atividade empreendedora no Brasil. Existe uma necessidade urgente de
estimular as práticas de investimento;

- O tamanho do país e suas diversidades regionais exigem programas descentralizados. As


diferenças regionais de cultura e infra-estrutura também exigem uma abordagem localizada do
capital de investimento e dos programas de treinamento;

- Infraestrutura precária e pouca disponibilidade de mão-de-obra qualificada têm impedido a


proliferação de programas de incubação de novos negócios fora dos grandes centros urbanos;

- O ambiente político e econômico tem aumentado o nível de risco e incerteza sobre a


estabilidade e o crescimento. Com o novo governo, aparentemente, estas expectativas
melhorarão em 2003;

- Existe uma necessidade de aprimoramento no sistema educacional como um todo, o que


estimulará a cultura empreendedora entre os jovens adultos. Os programas existentes têm sido
percebidos como desconectados da realidade, com pouca integração à graduação e ensino
básico;

- Não há proteção legal dos direitos de propriedade intelectual, os custos para registro de
patentes no país e fora dele são altos e os mecanismos de transferência tecnológica são
parcos. As universidades ainda estão isoladas da comunidade de empreendedores.

4. O perfil empreendedor

O processo de empreender envolve todas as funções, atividades e ações associadas à


percepção de oportunidades e à criação de organizações que buscam organizadamente estas
oportunidades. Cinco elementos ou qualidades são fundamentais na caracterização de um
empreendedor:

- Criatividade e inovação: empreendedores conseguem identificar oportunidades, grandes ou


pequenas, onde ninguém mais consegue notar;

- Habilidade ao aplicar esta criatividade: eles conseguem direcionar esforços num único
objetivo;

- Força de vontade e fé: eles acreditam fervorosamente em sua habilidade de mudar o modo
como as coisas são feitas e têm força de vontade e paixão para alcançar o sucesso;

- Foco na geração de valor: eles desejam fazer as coisas da melhor maneira possível, do modo
mais rápido e mais barato;

- Correr riscos: quebrando regras, encurtando distâncias e indo contra o status quo.

Algumas idéias equivocadas ainda existem no senso comum. Uma delas é a de que o
empreendedor é um herói solitário. Na realidade, colaboração é a palavra-chave,
empreendedores de sucesso se unem a grupos e seguem trabalhando unidos em direção a um
único objetivo. Esses cinco elementos do empreendedorismo têm mais força quando
compartilhados por um time ou dentro de uma organização.
Outro conceito errôneo é o de que um empreendimento necessariamente precisa ser muito
grande para ser considerado um sucesso. Muitas empresas que se encaixam no critério de
pequena e média são bastante empreendedoras. A distinção está no resultado desejado: seus
proprietários a administram com o objetivo de manter seu estilo de vida e o da sua família, ou
eles reúnem esforços a fim de explorar oportunidades, criar novos produtos ou entregar
serviços de modo inusitado?
Pequenos negócios desempenham um papel muito importante na economia. É por meio da
pequena empresa que obtemos os produtos e serviços já tradicionais. Muitos donos de
pequenas empresas possuem qualidades empreendedoras ao buscar atender à demanda de
produtos e satisfazer os clientes. Mas o conceito de empreendedorismo está baseado em
indivíduos que misturam inovação com as melhores práticas de comercialização de novos
produtos e serviços e que resultam em empresas de crescimento acelerado.

5. Os mitos em torno do empreendedor

Existem ainda alguns mitos que fazem do empreendedor um ser fantástico e de suas empresas
uma obra inatingível ao simples mortais:
Há o mito do “tomador de risco”, segundo o qual a maioria dos empreendedores corre riscos
absurdos e incalculáveis ao iniciar suas empresas: os empreendedores bem sucedidos
estudam previamente os mercados/produtos em que vão atuar, planejam suas ações e ainda
buscam investidores para compartilhar o risco do negócio e seu retorno.
Segundo o mito das invenções high-tech, a maioria dos empreendedores inicia suas empresas
com uma invenção inusitada, normalmente de natureza tecnológica. Mas não é necessária a
existência de uma idéia fabulosa: uma “excepcional execução de uma idéia comum” pode vir a
ser um sucesso; o importante é se distinguir, uma pequena variação ou a mudança no “pacote”
já fará com que o empreendimento se torne único. O importante é proteger essa vantagem
movendo-se rápido e fazendo aprimoramentos freqüentes, sempre mantendo um passo a
frente dos concorrentes.
O mito do expert faz crer que a maioria dos empreendedores possui um passado grandioso e
muitos anos de experiência no mercado em que atuam. Mas, na verdade, 40% dos fundadores
dos 500 maiores empreendimentos da história não tinham experiência anterior na indústria em
que entraram. Muitos deles, aliás, possuíam pouca experiência de modo geral.
Pelo mito da “visão estratégica”, a maioria dos empreendedores possui um plano de negócios
muito bem estruturado e pesquisou e desenvolveu suas idéias longamente antes de tomar a
ação, mas apenas 4% dos fundadores dos 500 maiores empreendimentos da história
possuíam um plano de negócios. Por essa razão, os primeiros esforços de muitos
empreendedores não foram os produtos e serviços que trouxeram sucesso a eles.
Segundo o mito do Venture capital, a maioria dos empreendedores começou seu negócio com
milhões de reais de investimento no desenvolvimento de sua idéia, comprando suprimentos e
contratando funcionários. Entretanto, o Venture capital é comum em setores da indústria nos
quais há necessidade de capital para sair dos estágios iniciais de crescimento como, por
exemplo, biotecnologia.

6. Para saber mais

Recentemente foram lançados alguns livros repletos de casos sobre os empreendedores


brasileiros, gente que montou seus negócios em ambientes econômicos e de mercado nem
sempre amistosos, persistiu em seus objetivos mesmo em momentos adversos, criou novas
idéias e novos empregos e, acima de tudo, proporcionou um saudável efeito demonstração.

Seguem alguns destaques que valem a pena ser pesquisados:

QUEM SETOR FONTE


Alair Martins Distribuição Empreendedores Brasileiros
Aleksandar Empreender não é
Internet
Mandic Brincadeira
Décio da Silva Motores Elétricos Empreendedores Brasileiros
Tecnologia da
Marcelo Salim www.endeavor.org.br
Informação
Empreender não é
Nizan Guanaes Internet / Propaganda
Brincadeira
Locação de
Salim Mattar Empreendedores Brasileiros
Automóveis

Espero que estes exemplos possam inspirar outros empreendedores a criar novos negócios ou
melhorar os existentes por meio das inúmeras experiências relatadas.

7. O empreendedor corporativo – um marco na história

A figura do empreendedor é, ainda hoje, associada romanticamente ao navegador solitário ou


ao desbravador de florestas, que se valem de seus próprios recursos, talentos e contatos para
atingir determinado objetivo. Ao longo da história, os empreendedores têm sido vistos como
loucos ou Quixotes, criaturas imprudentes que perseguem sonhos impossíveis. Eu gosto muito
da definição de Anita Roddick, fundadora das lojas inglesas Body Shop (www.bodyshop.com):
“Há uma linha tênue entre a mente de um empreendedor e a de um louco. O sonho do
empreendedor é quase uma loucura, e quase sempre isolado. Quando você vê algo novo, sua
visão, geralmente, não é compartilhada pelos outros. A diferença entre um louco e um
empreendedor bem sucedido é que este pode convencer os outros a compartilhar sua visão.
Esta é a força fundamental para empreender.”
A história, no entanto, mostra que esses intrépidos “irresponsáveis” foram os próceres que
tiraram os homens dos galhos das árvores e os conduziram às estações espaciais. O viajante
veneziano Marco Polo é um desses pioneiros, capaz de unir culturas, difundir o conhecimento
e estabelecer as bases para o comércio globalizado. No campo da fé, o apóstolo Paulo de
Tarso é um exemplo magnífico, ao disseminar competentemente os ensinamentos de Jesus
em terras estrangeiras. Entre os descobridores, há que se celebrar a valentia e a determinação
de Cristóvão Colombo e de seus comandados.
Um exame mais minucioso dos fatos, no entanto, mostra que os três eram, na verdade,
também intra-empreendedores – uma categoria particular de empreendedor, como veremos a
seguir. Marco Polo viveu por 17 anos na corte do imperador Kublai Khan, onde desenvolveu
importantes atividades administrativas. Definiu novas rotas comerciais, conquistou mercados e
organizou os negócios de uma grande “corporação transnacional”. Paulo estabeleceu alguns
dos pilares do Cristianismo. Como dedicado parceiro de Pedro, sua obra de catequese foi
fundamental para consolidar uma importante “instituição”: a Igreja. O atrevido Colombo insere-
se nesse fantástico time ao compor uma parceria empresarial com a Espanha. A serviço dos
reis católicos, assumiu a missão de estabelecer relações comerciais com a Índia, o que poderia
recuperar a economia espanhola. Em 12 de outubro de 1492, desembarcou em uma das ilhas
Bahamas. Tomou, sim, posse do lugar, mas em nome de Castela.
O ato de empreender, portanto, tem praticamente a idade do homem. Iniciou-se provavelmente
quando um pedaço de osso foi transformado em arma e ferramenta.. O intra-
empreendedorismo, no entanto, mesmo presente em momentos cruciais da história das
civilizações, é ainda tema novo e um tabu para a maior parte das modernas corporações. Foi
disseminado na década de 80 pelo consultor em administração Gilfford Pinchot III, autor do
best-seller Intrapreneuring (1985). Há cerca de 15 anos, os dicionários passaram a apresentar
o termo “intrapreneur”, designativo da pessoa que, dentro de uma grande corporação, assume
a responsabilidade direta de transformar uma idéia ou projeto em produto lucrativo. Para isso,
esse indivíduo introduzirá inovações e assumirá riscos. O uso da palavra e de seus derivativos
tornou-se corrente em várias línguas, o que confirma a importância desse conceito na nova
ordem mundial.

8. Empreendendo dentro das organizações

Empreender, também a partir de instituições já consolidadas, impõe-se hoje como necessidade


estratégica e demonstração de sensatez. Em um mundo mutante e ultra-competitivo, as
exigências do mercado devem ser acompanhadas de uma conduta pró-ativa, caracterizada
pela busca permanente do aproveitamento de oportunidades. Aquilo que hoje é apenas “mais
um produto” ou “um setor secundário” pode rapidamente se converter na escora que manterá a
empresa em pé nos próximos anos.
Para parcela significativa dos empresários, os empreendedores internos são “agitadores” e
“subversivos”, gente inquieta e permanentemente insatisfeita. Talvez tenham razão.
Normalmente, esses indivíduos possuem as seguintes características:

- Jamais se contentam apenas em executar projetos propostos ou definidos por seus


superiores hierárquicos;
- Normalmente, oferecem sugestões sobre oportunidades que jamais foram consideradas por
seus colegas e chefes;
- Normalmente inteligentes e racionais, parecem não temer riscos e adoram desafios;
- São criativos e comprometidos com a inovação;
- Trazem em suas biografias indícios dessa tendência. São aqueles que desde cedo se
apresentavam para organizar as quermesses da escola ou que vendiam pipas para os garotos
do bairro.

Com certeza, esse admirável processo de “subversão” é fundamental à sobrevivência das


corporações nos novos cenários concorrenciais. Segundo Joseph Schumpeter, “o
empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos
produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos
recursos materiais”, ensinava. O conceito-base em questão é o de “destruição criativa”. Trata-
se do impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, criando
melhores produtos, novos mercados e oferecendo alternativas aos métodos menos eficientes e
mais caros. De acordo com o pensador, as novas tecnologias evidenciam o despropósito dos
sistemas de produção vigentes e os substituem. O processo não tem fim. A criatividade permite
sempre a geração de um produto melhor e mais barato.
De certo, o intra-empreendedor deve pautar-se sempre pela busca da inovação, ainda que
precise compatibilizar os interesses gerais da corporação, de acionistas e de investidores.
Dessa forma, não basta que seja competente, entusiasmado, ativo e preparado. Também é
preciso que seja racional, flexível, tolerante e persistente. Deve assumir uma postura dialética,
ouvindo e se projetando no outro, modificando contextos dentro e fora da empresa. No
ambiente externo, será o responsável por procurar novos parceiros e investigar novas
tecnologias e oportunidades de negócios. No ambiente interno, terá como atribuições mobilizar
pessoas, aproveitar inteligentemente recursos materiais e financeiros, potencializar e adaptar
os mecanismos produtivos já existentes, modificar hábitos e regularmente prestar contas de
suas iniciativas. Enfim, o intra-empreendedor precisa atuar também com diplomacia e
administrar interesses eventualmente divergentes. Deve ser um expert em relacionamentos e
precisa cultivar a humildade para aprender permanentemente.
Do ponto de vista técnico, o intra-empreendedor deve conhecer a fundo a corporação na qual
trabalha. Precisa reconhecer seus processos, a cultura gerencial, as práticas na área de
recursos humanos, as características dos mercados de inserção e ter uma noção clara dos
fluxos de caixa. Nem sempre é fácil radiografar com minúcia uma grande empresa. Na
verdade, o gigantismo tem levado companhias tradicionais a naufragar. A alternativa tem sido a
adoção de medidas de descentralização administrativa, nem sempre eficazes. Muitas vezes,
uma empresa lenta e antiquada é fragmentada em unidades de negócios menores. Imagina-se,
assim, que se alcançou a salvação da lavoura. No entanto, com freqüência, essas novas
divisões continuam incapazes de enfrentar os desafios da nova onda produtiva. A questão não
se resolve apenas nos organogramas, mas na mudança efetiva das mentalidades.
Portanto, o intra-empreendedor tem um complicadíssimo desafio à frente de uma nova célula
de negócios: deve impedir que seja contaminada pelos velhos e nocivos hábitos de gestão
vigentes na empresa-mãe e, ao mesmo tempo, manter a coesão interna, mantendo as
diretrizes e compromissos gerais da organização. Em suma, ao empreendedor convencional
basicamente interessa agradar clientes e consumidor. O intra-empreendedor precisa também
ganhar credibilidade entre diretores e acionistas e garantir a manutenção do ânimo dos
integrantes da equipe. Mais que qualquer um na empresa, é cobrado em suas ações e sua
sobrevivência depende de bons resultados.
Para as corporações estabilizadas, o intra-empreendedorismo representa uma oportunidade de
recuperar a juventude e o vigor dos negócios recém-iniciados. Numa época em que
organismos empresariais nascem e morrem tão rapidamente, é necessário que sangue novo
seja constantemente injetado em suas veias. Abdicar dessa política de renovação significa
fragilizar-se e expor-se às intempéries da economia. Mais do que pela ineficiência, as
empresas hoje morrem pela obsolescência, em processos rápidos e devastadores. O
“obsoleto” aqui pode se referir a produtos ou a modelos de gestão. Nos Estados Unidos,
atualmente, metade das empresas fecha as portas em até quatro anos e 98% delas, em até 11
anos. No Japão e na Europa, a vida média das empresas é de apenas 12,5 anos. De acordo
com o Sebrae, de cada 100 empresas criadas em São Paulo, 32 encerram as atividades antes
de completar o primeiro aniversário.
Dessa forma, correr riscos em empreendimentos torna-se ironicamente uma vacina contra o
vírus da obsolescência. Valem aqui os ditados populares “quem não arrisca já perdeu” e “quem
não faz poeira come poeira”. Hoje, administrar seriamente uma empresa deve consistir em uma
série de ações que permitam torná-la ágil, competitiva e apta a assimilar as mudanças súbitas
no cenário político e econômico. Assim, são necessários sistemas que confiram poder de
decisão aos profissionais realmente capazes de prever percalços e desenhar novos caminhos
para a organização. Como diz Pinchot, “precisamos de pessoas mais interessadas em
conquistar resultados do que em ganhar influência.”
Numa empresa moderna, todos, da faxineira ao presidente, têm de gerar valor. Todos têm de
possuir a clara noção de que são mini-centros de custos. E esta noção tem vínculo direto com
a empregabilidade de cada um. Dessa forma, é necessário um espírito renovador que estimule
iniciativas em todos os departamentos da empresa. Para manter a competitividade, os “gurus”
afirmam que é fundamental modificar a relação do indivíduo com a empresa:

- É dever de todos zelar pela qualidade dos produtos e pela imagem da organização;

- É dever de todos produzir mais e viabilizar alternativas para a redução de custos;

- Oferecer bons produtos e serviços não é apenas um dever para com o empregador, mas um
compromisso pessoal e ético com a sociedade. Eficiência e disposição inovadora são
fundamentais.

Essa nova noção de responsabilidade tende sempre a se disseminar pelas equipes,


incentivando-as no desenvolvimento de novos projetos. Nas sociedades altamente
tecnológicas, em que a Era Industrial já cedeu lugar à Era Digital, é preciso que as empresas
renovem suas culturas. Numa época de processos cotidianos interativos e dinâmicos, é difícil
imaginar que as pessoas se submetam livremente à repetição. Numa época de diversificação
de costumes, em que cabelos azuis ou verdes definem opções pela diferença e novos padrões
de conduta, custa acreditar que as pessoas de talento abdiquem da invenção. É preciso,
portanto, que exista a capacidade de implementar um novo modelo na vida corporativa, capaz
de filtrar e absorver as contribuições do espírito criativo.
Essa nova atitude depende de sistemas de trabalho que libertem as pessoas do controle
“policial” e truculento das hierarquias. Esse mecanismo arrogante e prepotente de manutenção
do poder tem historicamente exterminado o talento criativo de jovens talentos. A
experimentação, ao contrário, tem propiciado enormes benefícios à humanidade. Desse
exercício de aplicação do conhecimento surgiram, por exemplo, o telefone, a lâmpada elétrica
e o avião. No âmbito estrito das empresas, nasceram os programas que tornaram o
computador amigável e nos permitem usar interativamente a Internet. Está demonstrado por
várias organizações que o incentivo ao empreendimento resulta, na maior parte das vezes, não
somente em lucro para a empresa, mas em riqueza coletiva.
A idéia básica é a de que as empresas podem se valer de talentos para buscar negócios e
desenvolver novos e lucrativos produtos. Na verdade, não bastam as boas intenções. É
fundamental montar um cardápio de ações para os homens e mulheres que se apresentam
como voluntários para essas fascinantes tarefas. O fomento de iniciativas dessa natureza se
materializa por meio de necessárias regras que possam balizar atitudes, estipular metas e
definir os foros decisórios.

9. O empreendedor corporativo no Brasil

Apesar de não ser substancialmente diferente do observado em outros países, o intra-


empreendedorismo no Brasil ainda é um conceito novo e tem suas particularidades. Este é um
país em que os juros são altos e os tributos excessivos. Só isso seria suficiente para desanimar
qualquer homem de negócios. No entanto, apesar das dificuldades, ao longo do tempo, nossa
economia teima em crescer, nossa indústria insiste em se manter competitiva e há sempre
alguém disposto a assumir o risco do progresso. O ideograma chinês para crise é o mesmo
para a oportunidade. Nada mais justo. Quem passa pela crise e resiste sai dela fortalecido.
Quem nasce na crise tem chances maiores de obter os conhecimentos necessários à
sobrevivência.
Talvez seja o nosso caso. Entre uma crise e outra, nossa democracia fortalecida permitiu a
alternância de poder e a ascensão de novos personagens à ribalta política. Com eles,
apresenta-se um renovado conjunto de idéias e proposições. Não há dúvida de que os ventos
sopram a favor de novas ações empreendedoras. Os tempos são de estímulo às atividades
produtivas e de um novo pacto entre os atores sociais. São eles: o governo, o empresariado,
os investidores e os trabalhadores. Sem dúvida, ainda padecemos do fardo burocrático, da
dificuldade de acesso a investimentos e da falta de proteção aos direitos de propriedade
intelectual. No entanto, contamos com um mercado consumidor em crescimento, uma base
industrial razoável, uma disposição do Congresso para atualizar as leis fiscais e trabalhistas,
além de considerável oferta de mão-de-obra qualificada. O brasileiro, por natureza, tem
facilidade de adaptação e aprende com rapidez.
No que toca ao plano político, há razões para se acreditar em uma mudança de rumos:
especular menos e produzir mais. Grosso modo, para financiar seus projetos sociais, o governo
precisa estimular a produção e aquecer o consumo. Só assim poderá arrecadar mais e
capacitar-se a eliminar a pobreza e oferecer educação e saúde a todos os brasileiros. Portanto,
a função do intra-empreendedor reveste-se de especial importância. Além de concretizar suas
aspirações pessoais no campo do trabalho, esse profissional funcionará como dinamizador das
empresas e como agente local da transformação macro-econômica que deve marcar o Brasil
do novo século. Combinam-se, portanto, a “necessidade” e a “oportunidade”.
Em recente palestra, Peter Drucker destacou a competitividade brasileira no novo cenário
mundial. Segundo ele, o País prima pela versatilidade e adaptabilidade, o que o credencia para
aproveitar as novas oportunidades nesse cenário de formação de blocos comerciais e de
fortalecimento de economias emergentes. Drucker acredita que estamos mais adaptados a
situações como joint-ventures, parcerias e empreendedorismo do que muitos países europeus.
“A mudança não se gere. Descobre-se. Antecipa-se. Lidera-se. Os tempos de transição e de
oportunidade são para empreendedores, não para gestores”, afirma.
Neste sentido, vale lembrar o que Pinchot afirma sobre as virtudes múltiplas e necessárias do
“intrapreneurismo”. Segundo ele, não se trata somente de aumentar o nível de inovação e de
produtividade nas organizações. “Trata-se de uma forma de organizar vastas empresas, de
modo que o trabalho volte a ser uma expressão alegre da contribuição da pessoa à sociedade”,
sentencia. A liberdade empreendedora deve aproximar as empresas dos reais problemas do
cotidiano. Os experimentos devem resultar em soluções para as dificuldades do capitalismo,
especialmente no que tange a questões urgentes como preservação ambiental, distribuição de
renda, educação, saúde e formação de profissionais e geração de empregos. Aquilo que hoje
se apresenta como obstáculo ao crescimento econômico pode se transformar justamente no
objeto das ações empresariais no futuro. Trabalhar na eliminação desses problemas crônicos
representa um exercício da cidadania e, ao mesmo tempo, uma chance de estabelecimento de
novos negócios.

10. A revolução do Novo Brasil

Este início de 2003 marca o início de um novo governo, democraticamente eleito, sob o signo
de um processo de transição inimaginável no Brasil há menos de 12 anos. Um governo que se
propõe a realizar uma série de mudanças, particularmente no terreno social. Entre as
mudanças mais significativas e esperadas encontra-se a geração de milhões de empregos.
Tarefa das mais difíceis, se não forem rapidamente encontrados os caminhos do equilíbrio das
finanças públicas e, por conseguinte, do crescimento econômico.
Está provado no relatório do GEM, já mencionado, e em outras tantas pesquisas locais e
internacionais, que existe uma correlação positiva entre atividade empreendedora e
crescimento da atividade econômica. Aqui se coloca uma excelente oportunidade para que o
novo governo pratique políticas públicas que venham a estimular o empreendedorismo e a
educação para a abertura de novos negócios.
Nas palavras do jornalista Diógenes Ribeiro, da revista Empreendedor, “o quadro complexo
que se desenha para a nova administração deve deixar os empreendedores numa lista de
espera que conta ainda com sem-terra, funcionários públicos, agricultores e aposentados.” No
entanto, diversas declarações do presidente Lula da Silva e de membros seniores de seu
gabinete têm confirmado suas intenções manifestadas durante a campanha. Um bom exemplo
é a provável mudança de rumo que o BNDES deverá implementar na concessão de
empréstimos para as empresas de pequeno e médio porte. Para que se tenha idéia de como
não é fácil a vida do empreendedor, do total de empréstimos concedidos pela instituição até
setembro de 2002, somente 21% chegaram às mãos das pequenas e médias empresas.
O estímulo ao empreendedorismo, sob diversas formas, pode e deve facilitar o alcance do
objetivo de gerar novos empregos. Basta fazê-lo de forma articulada por meio dos diversos
mecanismos e órgãos já existentes como, por exemplo, o Sebrae e as diversas incubadoras de
novas empresas, e também por intermédio de parcerias com as universidades e empresas
privadas.
Segundo o estudo do GEM, existem pelo menos 14,4 milhões de brasileiros que já estão
tomando o risco de ser empresários, 27% deles na faixa de 25 a 34 anos, 42% mulheres. Um
contingente que, recebendo o apoio correto e necessário, pode alavancar milhões de postos no
mercado de trabalho.
O Brasil tem todos os elementos necessários para iniciar uma verdadeira revolução
empreendedora, com benefícios tangíveis para toda a sociedade. É imprescindível que os
setores público e privado trabalhem em sintonia fina para que isto se produza e possa se
transformar numa profecia auto-realizável ainda dentro deste mandato presidencial.

Referências bibliográficas

BRITTO, F.; WEVER, L. Empreendedores Brasileiros. São Paulo: Negócio Editora, 2002.
CHER, R. O Meu Próprio Negócio. São Paulo: Negócio Editora, 2002.
DRUCKER, P. Desafios Gerenciais para o Século XXI e outras obras de referência. Editora
Pioneira, 1999 e outros anos.
DRUCKER, P. / EXPO MANAGEMENT. Management: A nova Organização e a Nova
Estratégia. Vídeo conferência, 2001.
JULIO, C. A. Reinventando Você. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2002.
MARCONDES, P.; WOLLHEIM, B. Empreender não é Brincadeira. São Paulo: Negócio Editora,
2002.
PINCHOT III, G. Intrapreneuring – Por que você não precisa deixar a empresa para tornar-se
um empreendedor. São Paulo: Editora Harbra Ltda.,1989.
SCHUMPETER, J. Capitalism, Socialism and Democracy. New York: Harper, 1975.
The American Heritage Dictionary of the English Language, 1992: (in-tra-pre-neur (InÕtre-pre-
nur) n. A person within a large corporation who takes direct responsibility for turning an idea into
a profitable finished product through assertive risk-taking and innovation [intra(corporate) +
(ENTRE)PRENEUR.])
www.endeavor.org.br – Instituto Empreender Endeavor
www.ibens.org – Instituto Brasileiro de Educação em Negócios Sustentáveis
www.empreendedor.com.br – Revista Empreendedor
www.gemconsortium.org – Global Entrepreneur Monitor

POLÍTICA DE INCENTIVO AO EMPREENDEDORISMO


recisam urgentemente aumentar a quantidade e a qualidade de ações de apoio ao
empreendedorismo e às micro e pequenas empresas (MPE).

A obrigação decorre do artigo 179 da Constituição Federal e mais especificamente da Lei


Complementar nº 123, de 16 de dezembro de 2006, o Estatuto Nacional da Microempresa e
da Empresa de Pequeno Porte, que inclusive criou o Simples Nacional.

A necessidade decorre da convergência entre fatores macroeconômicos


positivos,representados pelos indicadores de crescimento da economia brasileira dos últimos
anos, e fatores estruturais negativos, representados por indicadores do pouco apoio
dispensado pelo Brasil aos seus empreendedores, principalmente às micro e pequenas
empresas.

Focando nos fatores estruturais negativos, destacam-se dois grupos de indicadores. O


primeiro grupo compõe a base de alguns estudos internacionais que comparam o apoio que
os países dão ao empreendedorismo. No mais eloqüente deles, o Doing Business do Banco
Mundial, o Brasil ocupa a intolerável posição 126 entre as 183 economias analisadas, na
medição de 2012. Saiba mais
O segundo grupo de indicadores demonstra os efeitos e as contradições que a falta de apoio
institucional e estruturado ao empreendedorismo geram na economia do país. Saiba mais
E como o Estado de São Paulo irá agir para reverter esse quadro?

Para agir é necessário planejar. Para planejar é fundamental conhecer o campo de ação. Os
motivos que levam aos resultados representados pelos indicadores comportam diversas
versões, cada uma seguindo um viés defendido pelo respectivo interlocutor. Por esse motivo,
a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), por meio da
Coordenação de Empreendedorismo e Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte
e a Junta Comercial do Estado de São Paulo elaboraram um planejamento estratégico para
sua atuação, o qual resultou no Programa VIA RÁPIDA EMPRESA, dentro do Plano Plurianual
PPA 2012-15.

Para implementar esse planejamento estratégico a SDECT criou a POLÍTICA PÚBLICA


ESTADUAL DE ESTÍMULO AO EMPREENDEDORISMO E FAVORECIMENTO À MICRO E PEQUENA
EMPRESA, cujo anúncio foi feito na quinta-feira, 17 de maio de 2012, pelo governador do
Estado.

Com esse anúncio, pretende-se que o conjunto do Governo e a sociedade, por meio das
entidades que estão envolvidas com essa Política Pública, tenham conhecimento e sejam
chamados à participação da construção dos instrumentos e legislação que garantem a
implantação dessa ação. Para isso foi criada a Subsecretaria de Empreendedorismo e da
Micro e Pequena Empresa e anunciado um pacote de medidas. O conjunto deverá garantir o
início da articulação de toda a Administração Pública Estadual (Executivo, Judiciário e
Legislativo), com as demais esferas de governo, municipal e federal, e entidades parceiras,
em torno dos seguintes objetivos centrais da Política Pública:

a) aumentar significativamente a facilidade de prospecção, legalização e exercício de


atividades econômicas pelos empreendedores paulistas, e;
b) aumentar a participação das MPE do Estado no Produto Interno Bruto paulista.

Metas e Medidas da Política Pública de Estímulo ao Empreendedorismo e


Favorecimento à MPE

NATUREZAS JURÍDICAS DOS AGENTES ECONÔMICOS

Até aqui tratou-se da influência da Teoria da Empresa na legislação brasileira e,


consequentemente, do estabelecimento formal da figura do empresário. Todavia, o mesmo
artigo que define empresário prevê, em parágrafo único: Não se considera empresário quem
exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso
de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa.26

Abordar a natureza jurídica dos agentes econômicos significa, grosso modo, identificar os tipos
de negócios previstos pela legislação brasileira. No nosso caso, para efeito deste guia, o que se
pretende é apontar os principais tipos de negócios e as respectivas características. Falaremos
aqui de alguns modelos de arranjos jurídicos privados com finalidade econômica ou lucrativa.
Comecemos pela figura do Empresário Individual (EI). Uma característica deste empreendedor
é o fato de exercer atividade empresarial em seu próprio nome, respondendo de forma ilimitada
pela sua empresa. Entretanto, para fins fiscais, o EI é equiparado à pessoa jurídica, e esta é uma
das razões da necessidade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Vale ressaltar que,
de acordo com o Portal do Empreendedor, “o patrimônio da pessoa natural e o do empresário
individual são os mesmos, logo o titular responderá de forma ilimitada pelas dívidas”.1

1
Detalhes sobre o CNPJ disponíveis em:
2. Empreendedorismo social: origem e perspectivas;
A palavra empreendedorismo tem origem francesa "entrepeneur"[1], que significa fazer algo
novo. Empreendedorismo é o processo de iniciativa de implementar novos negócios ou
mudanças em empresas já existentes e está muito relacionado à questão de inovação,
ontem tem determinado objetivo de criar algo novo dentro de um setor, ou criar um novo
setor. Empreender significa transformar uma realidade em que se está inserido, trabalhar
com seu próprio empreendimento e buscar sucesso com ele. No entanto, nem sempre a
palavra “empreender” vem acompanhada da palavra “lucro” ou “ganhos financeiros”, os
objetivos podem ser outros, como ajudar um certo grupo de pessoas, uma comunidade,
uma classe social, sem visar o lucro monetário, mas sim algo de valor muito maior, um
conhecimento adquirido, uma ajuda, um auxílio e com isso conseguir tornar as pessoas e
a comunidade melhor.

De maneira mais ampla, o termo pode se referir a qualquer iniciativa empreendedora feita
com o intuito de avançar causas sociais e ambientais. Essa iniciativa pode ser com ou sem
fins lucrativos, englobando tanto a criação de um centro de saúde com fins lucrativos em
uma aldeia onde não exista nenhuma assistência à saúde, como a distribuição de
remédios gratuitos para a população pobre. O empreendedorismo é extremamente
importante para a sociedade, pois o ato de empreender está diretamente ligado a atitudes
criativas e inovadoras, que também envolve a capacidade de organizar e obter recursos.
Alguns autores definem empreendedorismo como sendo o envolvimento de pessoas e
processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em oportunidades.[2]

Definição[editar | editar código-fonte]


O empreendedorismo social, antes de tudo, trata-se de uma ação inovadora voltada para o
campo social cujo processo se inicia com a observação de determinada situação-problema
local, para a qual se procura, em seguida, elaborar uma alternativa de enfrentamento [3]. O
empreendedor social visa à maximização do capital social (relações de confiança e
respeito) existente para realizar mais iniciativas, programas e ações que permitam para
uma comunidade, cidade ou região se desenvolverem de maneira sustentável. Ele faz
esses avanços disseminando tecnologias produtivas, aumentando a articulação de grupos
produtivos e estimulando a participação da população na esfera política, ampliando o
"espaço público" dos cidadãos em situação de exclusão e risco. Para tanto utiliza técnicas
de gestão, inovações produtivas, técnicas de manejo sustentável de recursos naturais e
criatividade para fornecer produtos e serviços que possibilitem a melhoria da condição de
vida das pessoas envolvidas e beneficiadas, através da ação dos empreendedores sociais
externos e internos a comunidade.

O empreendedorismo social surge em contextos turbulentos, de crise e desafios


econômicos, sociais e ambientais. O meno que é alvo de pesquisas recentes, tem
combinado diversas ideias para descrever o empreendedor social, sendo esta flexibilidade
dinâmica de noções a principal causa da aparente falta de clareza do conceito [4] Apesar
de ser uma vertente do empreendedorismo considerada nova, os empreendedores sociais
estão presentes na sociedade há muito tempo e podem ser encontrados ao longo da
história. Os empreendedores sociais são motivados por promover o bem estar da
sociedade, tendo assim, uma missão social.

Existe uma diferença entre o empreendedorismo social e a responsabilidade social, que


pode causar certa confusão. A responsabilidade social é caracterizada por produzir bens e
serviços que irão beneficiar a comunidade, mas também a si próprio, e possui como foco o
mercado e atende a comunidade conforme a sua missão. Além disso, a medida de
desempenho utilizada é o retorno aos envolvidos e stakeholders. Outra característica
importante da responsabilidade social, é que ela visa agregar valor estratégico ao negócio,
atender expectativas do mercado e da percepção da sociedade e consumidores. Já o
empreendedorismo social, produz bens e serviços visando beneficiar a comunidade local e
global, e tem seu foco na busca de soluções para os problemas sociais e as necessidades
que a comunidade enfrenta. A medida de desempenho utilizada é o impacto e a
transformação social gerados pela sua ação. O empreendedorismo social visa resgatar
pessoas da situação de risco social e promove-las, gerando capital social, inclusão e
emancipação social.[5][6].

Surgimento do empreendedorismo social[editar | editar código-


fonte]

É de extrema importância para a sociedade que existam iniciativas sociais que busquem
promover o empreendedorismo, visando criar valores para a sociedade. Alguns
autores[7]afirmam que o empreendedorismo social surgiu devido a incapacidade das
entidades governamentais em tratar os problemas sociais, seja devido a questões
orçamentárias ou até mesmo políticas. Abaixo encontram-se alguns dos primeiros
empreendedores sociais[8]:

 A inglesa Florence Nightingale, fundadora da primeira escola de enfermagem que


desenvolveu práticas de enfermagem modernas na Segunda Guerra Mundial através
de reformas profundas nos hospitais do exército inglês[9];
 Michael Young, fundador do “Institute for Community Studies” em 1953 e da “School
for Social Entrepreneurs” (SSE) em 1997, no Reino Unido, apontado como tendo
desempenhado um papel central na promoção e legitimação do campo do
empreendedorismo social;
 Maria Montessori, a primeira médica italiana que, nos anos 60 do século XX, criou um
método de educação revolucionário que consistia na defesa de que cada criança tinha
um desenvolvimento único. O sucesso do seu método conduziu à criação de diversas
Escolas Montessori;
 Susan B. Anthony Lutou pelos Direitos das Mulheres nos Estados Unidos, incluindo o
direito de controlar os bens, e ajudou a liderar o processo de aprovação da 19ª
emenda;
 Vinoba Bhave foi fundador e líder do Land Gift Movement (Movimento de Doação de
Terras), levou à redistribuição de mais de 17.300.000 hectares de terra para ajudar os
intocáveis e os sem-terra da Índia;
 Margaret Sanger foi a fundadora da Planned Parenthood Federation of America
(Federação Americana do Planeamento Familiar) nos Estados Unidos da América, e
dirigiu o movimento em prol do planeamento familiar em todo o mundo;
 John Muir era defensor da natureza e conservador, fundou o Sistema Nacional de
Parques e ajudou a fundar o Sierra Club;
 Jean Monnet foi o responsável pela reconstrução da economia francesa após
a Segunda Guerra Mundial, incluindo a criação da Comunidade Europeia do Carvão e
do Aço(CECA). A CECA e o Mercado Comum Europeu foram precursores diretos
da União Europeia.

O crescimento das estatais aconteceu de maneira pouco articulada e planejada, o que


gerou uma limitação nas possibilidades de realizações de estratégias conjuntas, não
apenas entre as distintas esferas federal, estadual e municipal, como entre órgãos da
administração direta e indireta, diminuindo, assim, a eficácia das políticas
macroeconômicas.[10]

O empreendedorismo social surge com o aumento de diversos fatores que afetam a


sociedade, como as crises humanitárias e ambientais, e com a dificuldade do Estado em
conseguir atender a todas as necessidades sociais emergentes. Isso tem despertado
iniciativas da sociedade civil na busca de alternativas que respondam as necessidades da
mesma, que não são atendidas pelo Estado ou pelo mercado. Os empreendedores sociais
atuam na criação de valores sociais através da inovação e da força de recursos
financeiros, independente da sua origem, visando o desenvolvimento social, econômico e
comunitário, na busca de melhorar a vida das pessoas que estão envolvidas.[11]

Características do empreendedorismo social[editar | editar código-


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O empreendedorismo social é uma forma de empreender, em que o empreendedor monta


um negócio, onde o seu maior objetivo não é gerar lucro financeiro, mas buscar promover
a qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas, através da resolução de algum
problema social existente. Os empreendedores sociais trabalham com uma gestão de
maior risco, por isso tendem ter maior tolerância em relação às incertezas, já que operam
em um cenário mais dinâmico. Contam principalmente com proatividade e inovação em
seu negócio, que é de grande relevância considerando a atuação de uma ideia em um
contexto novo e inesperado.

Os empreendedores sociais criam valores sociais através da inovação e da força de


recursos financeiros, independente da sua origem, visando ao desenvolvimento social,
econômico e comunitário.[12]
A grande diferença dos empreendedores sociais referidos segundo pesquisadores[13],
comparativamente com os atuais, reside na escala e no alcance do impacto social que os
últimos conseguem gerar, bem como na multiplicidade de abordagens que são aplicadas
para resolver os problemas sociais Assim como os empreendedores em geral buscam
inovar nos mais variados tipos de negócios, os empreendedores sociais não fogem dessa
vertente, porém, eles aproveitam as oportunidades afim de melhorar os sistemas e
buscando formas de modificar aspectos da sociedade que podem ser melhorados. É
característico que um empreendedor social proponha soluções para problemas sociais,
com responsabilidade social, visando promover a qualidade de vida dos envolvidos, além
de verificar a viabilidade que esse negócio tem de ser escalável.

São necessários que algumas passos sejam observadas antes da implementação de


empreendimento social. Antes de tudo, é necessária uma ideia e ela deve apresentar
algumas características fundamentais, tais como:

 1º: ser inovadora;


 2º: ser realizável;
 3º: ser autossustentável;
 4º: envolver várias pessoas e segmentos da sociedade, principalmente a população
atendida;
 5º: provocar impacto social e permitir que seus resultados possam ser avaliados.

Os passos seguintes são: colocar essa idéia em prática, institucionalizar e gerar um


momento de maturação até que seja possível a sua multiplicação por outras localidades,
criando, assim, um processo de rede de atendimento ou de franquia social, até se tornar
política pública[14].

Empreendedorismo social no Brasil[editar | editar código-fonte]


Segundo pesquisas[15] o cenário do empreendedorismo social no âmbito brasileiro são
destacadas perspectivas em duas direções: desafios e possibilidades.

Dentre os desafios apresentado na pesquisa são considerados dois dos mesmos, o


primeiro preocupasse em criar o capital social, responsável pelo sucesso e elaboração das
ações do empreendedor social. Levando em consideração a história e a cultura
individualista e egoísta brasileira, ou até mesmo a vaidade dos gestores das organizações
públicas, privadas e do terceiro setor, onde prevalece a cultura da superioridade vê-se
extrema dificuldade em gerar capital social para os empreendimentos sociais.

Outro desafio encontrado pelo empreendedorismo social no Brasil que a pesquisa


afirmou [16] e dá em relação ao empoderamento das pessoas no processo, é preciso
quebrar a cultura de vitimismo entre os marginalizados excluídos e começar uma cultura
de fortalecimento entre os empreendimentos e as pessoas que se beneficiarão dele e
fazer com que ambos trabalhem em conjunto para o atingimento de um objetivo em
comum. No Brasil, existem empreendimentos conhecidos e de sucesso, como por
exemplo:

 Projeto Tamar, que tem como objetivo a preservar as espécies de tartarugas


marinhas;
 Asid surgiu em 2010 com o objetivo de auxiliar na gestão de escolas e instituições que
trabalham com pessoas especiais;
 Instituto Chapada é outro exemplo, cujo empreendimento tem como objetivo ajudar a
formação de professores e coordenadores pedagógicos;
 Enactus, que está presente em 36 países e tem como objetivo inspirar alunos
universitários a melhorar o mundo através da ação empreendedora;
 Asoka, que está presente no mundo todo e tem como objetivo apoiar empreendedores
sociais;
 Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer, a GRAACC tem como meta
oferecer a crianças e adolescente com câncer um atendimento de alto padrão e
qualidade.
 Artemisia, que tem seis diferentes vertentes para ajudar na gestão de
empreendimentos sociais: inspiração, educação, busca e seleção de negócios,
aceleração de empreendimentos, projetos institucionais e conhecimento.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

 OLIVEIRA, E. M. Empreendedorismo social: da teoria à prática, do sonho à realidade.


Rio de Janeiro: Qualitymark, 2008
 PARENTE, C., SANTOS, M., CHAVES, R. R., & COSTA, D. (2011).
Empreendedorismo social: contributos teóricos para a sua definição.
3. Empresa júnior: histórico, legislação aplicada e
perspectivas;
Done!!!
4. Valoração econômica do meio ambiente: fundamentos
teóricos e metodológicos;

Este texto tem como objetivo difundir o conhecimento da valoração


econômica ambiental para contribuir com sua melhor compreensão
para que seja adequadamente utilizada na tomada de decisão, na
pesquisa e na gestão ambiental.

O que é a Valoração Econômica dos Recursos Ambientais (VERA)?

É determinar o valor monetário dos recursos ambientais em relação


aos outros bens e serviços disponíveis na economia. Governos,
organizações não governamentais, empresas e famílias sempre têm
que equacionar o problema de alocar um orçamento limitado frente a
inúmeras opções de gastos e de investimentos ou de consumo.

Embora o uso de muitos recursos ambientais não tenha seu preço


reconhecido no mercado, seu valor econômico existe na medida em
que seu uso altera o nível de produção e consumo (bem-estar) da
sociedade.

Não havendo mercados e com isso a inexistência de preços, as


técnicas de valoração ambiental podem ser aplicadas para conferir
valores monetários aos benefícios decorrentes dos recursos
ambientais, de forma a impedir a supressão desses bens e serviços
quando os mesmos são tratados como sem preço e por isso sem
custo, contribuindo para uma ação mais eficiente dos gestores. Ao
estimar o preço destes recursos, devemos verificar que o valor
econômico destes recursos deriva de seus atributos que podem estar
associados ao uso presente ou futuro, direto ou indireto e ao não uso
através do estabelecimento de valores de existência. A determinação
do preço desses bens e serviços ambientais auxilia na determinação
de seu custo de oportunidade.

Externalidade:

As externalidades são definidas como efeitos colaterais não


intencionais de produção e consumo que afetam positivamente ou
negativamente terceiros. A externalidade surge a partir das falhas de
mercado ou como resultado da falta de um mercado para alocar estes
efeitos colaterais. Ela ocorre pela definição indevida ou indefinição de
direitos de propriedade e responsabilidade, custos de transação ou
característica de uso comum dos recursos (i.e. o ar), entre outras
razões.

Diante da presença destas externalidades ambientais, nós temos


uma situação oportuna para a intervenção governamental, que pode
incluir diversos instrumentos, tais como: a determinação dos direitos
de propriedade, o uso de normas ou padrões (i.e. leis e
regulamentações), os instrumentos de mercado (i.e. Bolsa Verde), as
compensações monetárias por danos, entre outros.

Ativos Ambientais

Recursos naturais como florestas e peixes comercialmente


exploráveis, e atributos ambientais como qualidade do ar, são ativos
valoráveis na medida em que “prestam serviços” para as pessoas.

Bens Ambientais: água, madeira, solo, peixes, minério, etc

Serviços Ambientais: regulação hídrica, formação de solo, ciclagem


de nutrientes, polinização, especiação, regulação climática,
decomposição, limpeza do ar, seqüestro de carbono, etc.

Passivos Ambientais: Solo degradado, poluição hídrica,


contaminação do solo, etc.

Motivação para adoção de práticas de valoração de recursos


ambientais.

Tanto os investidores quanto as empresas estão cada vez mais


conscientes de que é necessário acessar todas as implicações do
nosso capital natural - clima, água, floresta, solo, biodiversidade -
porque suas cadeias de valor são influenciadas pelas limitações de
recursos naturais.

A opção de uma análise de custo-benefício pode ser o caminho mais


fácil em situações como esta. Nesta análise, o gestor fará a
comparação entre o custo e o benefício oriundo de cada opção e
assim decidir qual a melhor opção. Porém a identificação de todos os
custos e benefícios e a definição dos critérios para que as alternativas
sejam comparáveis nem sempre é simples, principalmente quando a
análise não é subsidiada por preços identificáveis em algum
mercado.
Conforme tem sido amplamente debatido, a proteção do meio
ambiente é basicamente uma questão de equidade inter e intra-
temporal. Quando os custos da degradação ecológica não são pagos
por aqueles que a geram, estes custos são externalidades para o
sistema econômico, ou seja, custos que afetam terceiros sem a
devida compensação. Atividades econômicas são desse modo
planejadas sem levar em conta essas externalidades ambientais e,
conseqüentemente, os padrões de consumo das pessoas são
forjados sem nenhuma internalização dos custos ambientais. O
resultado é um padrão de apropriação do capital natural onde os
benefícios são providos para alguns usuários dos recursos
ambientais sem que estes compensem os custos incorridos por
usuários excluídos. Além disso, as gerações futuras serão deixadas
com um estoque de capital natural resultante das decisões das
gerações atuais, arcando os custos que estas decisões podem
implicar.

A novidade e a complexidade do tema, entretanto, induz os gestores


a duas situações distintas aonde (i) o ceticismo rejeita qualquer
abordagem econômica devido a uma percepção quase sempre
insuficiente da teoria econômica que fundamenta estas abordagens,
(ii) e a outra na qual se adotam inadequadamente técnicas de
valoração com base em procedimentos estimativos intuitivos que,
quando não apropriados, aumentam ainda mais o ceticismo e a
rejeição aos métodos adotados.

A adoção de um método é específica a cada caso em estudo.


Entretanto, conhecendo alguns princípios econômicos e a
fundamentação teórica dos métodos, o analista estará em melhor
posição para selecionar procedimentos estimativos

Assim, é comum na literatura desagregar o valor econômico do


recurso ambiental (VERA) em valor de uso (VU) e valor de não-uso
(VNU).

VERA = (VUD + VUI + VO) + VE

Valores de uso podem ser desagregados em:

Valor de Uso Direto (VUD) - quando o indivíduo se utiliza atualmente


de um recurso, por exemplo, na forma de extração, visitação ou outra
atividade de produção ou consumo direto.
Valor de Uso Indireto (VUI) - quando o benefício atual do recurso
deriva-se das funções ecossistêmicas, como, por exemplo, a
proteção do solo e a estabilidade climática decorrente da
preservação das florestas.

Valor de Opção (VO) - quando o indivíduo atribui valor em usos direto


e indireto que poderão ser optados em futuro próximo e cuja
preservação pode ser ameaçada. Por exemplo, o benefício advindo
de fármacos desenvolvidos com base em propriedades medicinais
ainda não descobertas de plantas em florestas tropicais.

Valor de Existência (VE) - que está dissociado do uso (embora


represente consumo ambiental) e deriva-se de uma posição moral,
cultural, ética ou altruística em relação aos direitos de existência de
espécies não-humanas ou preservação de outras riquezas naturais,
mesmo que estas não representem uso atual ou futuro para o
indivíduo. Uma expressão simples deste valor é a grande atração da
opinião pública para salvamento de baleias ou sua preservação em
regiões remotas do planeta, onde a maioria das pessoas nunca
visitarão ou terão qualquer benefício de uso.

MÉTODOS DE VALORAÇÂO ECONOMICADOS RECURSOS


AMBIENTAIS

1) Métodos da Função de Produção

Esta metodologia atribui valor ao recurso ambiental por sua


contribuição como insumo ou fator de produção na produção de
determinado produto negociável no mercado.

Assim, a empresa sabendo a margem de contribuição do recurso


ambiental em seu produto ou serviço pode estabelecer um valor de
referência para melhor gerenciar sua utilização.

1.1 - Método da Produtividade Marginal

1.2 - Métodos de Mercado de Bens Substitutos

a) Método do Custo de Reposição/Restauração

b) Método de Custos Defensivos ou Custos Evitados

c) Método de Custos de Controle


d) Método do Custo de Oportunidade

2) Métodos da Função da Demanda

Os métodos de função de demanda admitem que a variação da


disponibilidade do recurso ambiental altera o nível de bem-estar das
pessoas e, portanto, é possível identificar as medidas de disposição
a pagar (ou aceitar) das pessoas em relação a estas variações.
Identificada a função de demanda para o recurso ambiental, o valor
econômico de uma variação de recurso ambiental é dado pela
variação do excedente do consumidor.

2.1 - Métodos de Bens Complementares

a) Método dos Preços Hedônicos (Preço Implícito)

b) Método do Custo de Viagem

2.2 - Método da Valoração Contingente

Leia
mais: http://www.economiadomeioambiente.com.br/servi%C3%A7os/valora%C
3%A7%C3%A3o-economica-do-meio-ambiente/

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