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A Vida que Nasce da Morte

“Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
mas se morrer produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perde-a; mas aquele que odeia a sua
vida neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna”, João 12:24-25.
O pensamento que ainda predomina na maioria das pessoas, é que o indivíduo precisa
estar ligado a uma religião para ser salvo. Mas, isso não tem respaldo nas Escrituras.
O essencial é estar em Cristo, e não na instituição religiosa. Cristo é quem regenera e
salva o pecador, e não a religião: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura”, II
Coríntios 5:17. Para estar em Cristo, o pecador precisa ter uma experiência real de
novo nascimento. Entretanto, muitos dos que se dizem convertidos, não dão
importância ao que Jesus disse: “Em verdade, em verdade te digo, que se alguém não
nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”, João 3:3. As expressões: “novo
nascimento”, “nascer de novo,” “nascer do Espírito”, a maioria já conhece; mas, de
modo superficial, sem ter uma experiência real de conversão. Além do mais, a doutrina
do novo nascimento não é vista com muita clareza nas comunidades religiosas, porque
a maioria confunde vida em Cristo, com práticas religiosas; batismo na morte de
Cristo, com batismo nas águas; justificação pela fé, com perdão de pecados; ser feito
justo em Cristo, com integridade moral. Daí, a grande necessidade de conhecermos as
Escrituras com mais profundidade, deixando de lado as idéias preconcebidas, as
crendices, as intolerâncias e as opiniões religiosas.
Para entendermos a doutrina do novo nascimento com mais clareza, é importante
começar com a pergunta que Nicodemos fez a Jesus: “Como pode um homem nascer,
sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”, João
3:4. A pergunta do doutor da lei aponta para uma resposta lógica: Novo nascimento
não é a repetição do nascimento natural – João 113.
As Escrituras mostram também, com muita clareza, que novo nascimento não é
formalismo religioso, nem vida religiosa exemplar, como pensavam os fariseus – Lucas
18:11-12. Existem bons religiosos que precisam nascer de novo: “Eles vêm a ti como o
povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas
palavras, mas não as põe por obra; pois, com a boca confessam muito amor, mas o
coração só ambiciona lucro”, Ezequiel 33:31. Por mais dotado e refinado que seja o
religioso, existe no seu interior uma natureza ímpia que precisa ser tratada em Cristo,
na cruz. Além do mais, o homem sem a experiência real de regeneração é
completamente cego às verdades espirituais. Todos os que são dotados de justiça
própria, boas atitudes e bons costumes, precisam ser regenerados: “Não te admires de
eu te dizer: Importa-vos nascer de novo”, João 3:7.
As Escrituras informam ainda, que, novo nascimento não é rito batismal. A água do
batismo não regenera o pecador. Se o batismo nas águas ou com água, regenerasse o
pecador, Cristo não precisaria ter morrido. Segundo o propósito de Deus, o pecador
precisa ser batizado em Cristo, na cruz, para ser salvo: “Ou, porventura, ignorais que
todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte?”,
Romanos 6:3. Este é o batismo que dá ao regenerado o revestimento de Cristo:
“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes”, Gálatas
3:27. O rito batismal é apenas um símbolo do batismo em Cristo.
Obras religiosas também não provam novo nascimento na vida do crente - Mateus
7:21-23. A educação religiosa e os conhecimentos teológicos dão aos homens
sabedoria; mas, são impotentes para produzirem o milagre da regeneração. Todos
sabem que por trás de muitos púlpitos existem teólogos que precisam ser
regenerados.
Novo nascimento não é reencarnação. Quem afirma que João Batista foi à
reencarnação de Elias, está equivocado, porque Elias nunca desencarnou: “Indo eles
andando e falando... eis que Elias subiu ao céu num redemoinho”, II Reis 2:11.
Novo nascimento não é filosofia de vida; não é código moral. Os códigos morais são
importantes, mas não conferem vida a ninguém; além do mais, os homens fazem as
leis, mas não conseguem cumpri-las.
Novo nascimento não é escapar com vida de um acidente trágico. O motorista perdeu
o controle do automóvel em alta velocidade ao passar por um viaduto. O carro
desgovernado saiu da pista, voou por cima das árvores e caiu no gramado do outro
lado da rua. O motorista não sofreu um só aranhão. O repórter comentando o acidente
disse: “Aquele rapaz nasceu de novo!” O nascer de novo segundo o repórter, foi o fato
do motorista ter escapado com vida daquele acidente de grandes proporções.
Depois dessas considerações negativas sobre o novo nascimento, vejamos o que o
Senhor Jesus diz sobre o assunto: “O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido
do espírito, é espírito. Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo”,
João 3:6-7. Isso significa nascer do alto, nascer do Espírito. É um milagre que só Deus
pode realizar na vida do pecador- João 1:13. Milagre é um acontecimento que não
pode ser explicado pelas leis da natureza. Assim como um lobo não se transforma em
ovelha, nem um tigre em elefante, a não ser por meio de um milagre realizado pelo
poder divino, assim também o homem nasce de novo pelo poder Deus.
Novo nascimento segundo o profeta Ezequiel 36:26-27, é a troca de coração; e na
linguagem paulina é o despir-se do velho homem e o revestir-se do novo - Colossenses
3:9-10.
Novo nascimento é mudança de filiação. O pecador passa da condição de filho da ira -
Efésios 2:3, para a condição de filho de Deus - Gálatas 4:6. O vínculo de filiação na
família humana só pode ser por meio do nascimento natural. E o vínculo de filiação na
família de Deus ocorre por meio do nascimento do Espírito - I João 3:9-10.
Foi Deus quem tomou a iniciativa de regenerar o homem por meio de Cristo. A
salvação que Deus nos deu em Cristo, é perfeita e completa no sentido mais absoluto.
Deus não nos deixa à mercê da nossa natureza pecaminosa. Deus tem poder para
fazer do mais vil pecador, uma nova criatura – Marcos 10:27.
Deus é o autor do novo nascimento - Tiago 1:18. Jesus Cristo é a base - II Coríntios
5:17. O Espírito Santo é o agente - João 3:8. A Escritura é o meio - I Pedro 1:23.
Muitos estão perguntando: “Porque insistir tanto neste assunto?” Deixemos que o
Senhor Jesus dê a resposta: “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar
no reino de Deus”, João 3:5. Com a natureza com a qual todos nascem, ninguém pode
entrar no reino de Deus. Deus diz que a humanidade inteira é corrupta, rebelde,
incrédula e perversa - Salmos 14:2-3. Tendo nascido errado é preciso nascer de novo.
O ser humano em seu nascimento natural é filho espiritual do diabo - I João 3:8. A
Escritura diz que todas as pessoas já nascem espiritualmente mortas em delitos e
pecados - Efésios 2:1. Isso não significa que as pessoas estão fisicamente mortas;
mas, por não possuírem a vida de Cristo, para serem chamadas de vivas, é que estão
espiritualmente mortas. Daí, todos precisam nascer de novo. Mas, lembre-se, não
existe novo nascimento sem morte: “Insensatos! O que semeias não nasce, se
primeiro não morrer”, I Coríntios 15:36.
Se a semente for lançada na terra e não morrer, permanece na escuridão, sozinha,
enterrada debaixo da terra, até que venha apodrecer sem vir à vida, e produzir a
colheita desejada.
Deus incluiu o pecador em Cristo para morrer, conforme o Seu propósito inserido na
Escritura. Esta é a grande verdade que todos devem crer: Se não morrer, não nasce, é
a lei da semeadura.
Embora se trate de uma coisa tão familiar, aprendemos com a lei da semeadura uma
grande lição. A semente morre, para depois nascer e gerar frutos. É o milagre da vida
que nasce da morte. Por isso Deus nos colocou em Cristo, na cruz, para a morte, a fim
de recebermos a nova vida na sua ressurreição - I Pedro 1:3. A morte de Cristo foi a
nossa morte - II Coríntios 5:14. Quem morreu em Cristo vive para Deus – II Coríntios
5:15.
A nossa inclusão em Cristo na sua crucificação, na sua morte e ressurreição, é a
verdade central do Evangelho da Graça, que todos precisam conhecer e crer. Deus diz
que toda a raça humana foi crucificada, morta e sepultada com Cristo no mesmo dia:
“Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete
olhos; eis que eu lavrarei a sua escultura, diz o Senhor dos Exércitos, e tirarei a
iniqüidade desta terra num só dia”, Zacarias 3:9.
Assim como Cristo identificou-se com a raça humana no pecado, para tirar a iniqüidade
da terra, também toda a humanidade identificou-se com Ele na morte, para se livrar
da natureza pecaminosa. Todos nós fomos levados ao Calvário na pessoa de Cristo:
“Fomos unidos com Ele na sua morte”, Romanos 6:5. A lei exige a morte do pecador
para o pecado: “A alma que pecar essa morrerá”, Ezequiel 18:4. Não existe discórdia
entre o amor e a lei; o amor reconhece que o pecador precisa ser punido: “O Senhor é
tardio em irar-se, mas grande em poder, e jamais inocenta o culpado”, Naum 1:3.
Tudo o que Deus fez por meio de Cristo, foi em benefício de todos, ninguém foi
excluído do propósito divino: Deus amou a todos - João 3:16; Cristo atraiu a todos -
João 12:32; todos morreram em Cristo - II Coríntios 5:14; todos foram batizados em
Cristo - Romanos 6:3; todos foram ressuscitados em Cristo - Efésios 2:6; e todos os
que crêem serão feitos filhos de Deus - João 1:12.
A doutrina do novo nascimento é uma verdade radical. Mas, “nada podemos contra a
verdade, senão em favor da própria verdade”, II Coríntios 13:8. Assim afirmou
Reginald Cooke: “Mesmo que a verdade doa, machuque, aceite-a de qualquer
maneira.” A pregação da nossa morte em Cristo, na cruz é vergonhosa e humilhante.
Por isso, não é vista pela igreja moderna com bons olhos. Não combina com o
evangelho popular que está em pleno crescimento em nossos dias. Assim dizia A.W.
Tozer: “A cruz do evangelho popular, não é a cruz do Novo Testamento. É ao contrário
um novo e brilhante ornamento do seio de um cristianismo autoconfiante e carnal. A
antiga cruz matava os homens, a nova os entretém; a antiga os condenava, a nova os
diverte; a antiga destruía a confiança na carne, a nova a estimula; a antiga produzia
lágrimas e sangue, a nova produz risos.”
A maioria dos pregadores não fala da morte do pecador com Cristo, na cruz, porque
essa pregação provoca antagonismo e incompatibilidade com os doutores, com os
nobres, com os empresários, e com a mídia. Acham que a classe nobre não pode ser
hostilizada com uma pregação que visa combater pela raiz a natureza perversa do
homem e suas anomalias sociais, mediante a transformação do caráter, de maneira
inflexível e implacável.
Para quem pensa que essa pregação deve ficar de lado precisa ler Mateus 23:13 e 15.
É impossível o pecador entrar no céu, sem passar pela porta estreita do novo
nascimento. Uma pessoa pode ir à igreja todos os dias, participar da ceia do Senhor
todos os domingos, dar o dízimo de tudo o que produzir e receber, decorar muitos
capítulos da Bíblia, realizar obras sociais importantes, participar de todos os cultos e
grupos de estudos, seminários, programas de missões, evangelização, congressos, e
ler bons livros que existem sobre Jesus Cristo; mesmo assim, precisa nascer de novo.
Clame a Deus para lhe dar a experiência de morte e ressurreição em Cristo. Deus pode
e quer fazer este milagre em qualquer pessoa: “O qual deseja que todos os homens
sejam salvos, e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”, I Timóteo 2:4. O
propósito de Deus é que todos participem da vida que nasce da morte.
Sinval T.Silva

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