Você está na página 1de 100

Professor

cpad.com.br

1º Trimestre de 2018 Adultos

ISSN 1678-6823

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
PROFESSOR
Lições
Bíblicas Lições do 1º trimestre de 2018 – José Gonçalves

Sumário S u m á r i o
A Supremacia de Cristo
Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus

Lição 1
A Carta aos Hebreus e a Excelência de Cristo 3
Lição 2
Uma Salvação Grandiosa 10
Lição 3
A Superioridade de Jesus em relação a Moisés 19
Lição 4
Jesus é Superior a Josué — O meio de entrar no Repouso de Deus 26
Lição 5
Cristo é Superior a Arão e à Ordem Levítica 34
Lição 6
Perseverança e Fé em Tempo de Apostasia 43
Lição 7
Jesus — Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior 51
Lição 8
Uma Aliança Superior 59
Lição 9
Contrastes na Adoração da Antiga e Nova Aliança 66
Lição 10
Dádiva, Privilégios e Responsabilidades na Nova Aliança 74
Lição 11
Os Gigantes da Fé e o seu Legado para a Igreja 81
Lição 12
Exortações Finais na Grande Maratona da Fé 89

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 1


PROFESSOR Prezado professor,
Lições Graças a Deus por mais um ano de
estudos bíblicos que daremos início!

Bíblicas
Publicação Trimestral da
Que o Altíssimo Deus ilumine nossas
mentes e aqueça nosso coração com o
entendimento da sua poderosa Palavra.
Neste trimestre estudaremos a
Casa Publicadora das Assembleias de Deus Carta aos Hebreus. Por que estudá-la?
Em primeiro lugar, porque essa carta
Presidente da Convenção Geral é diferente de qualquer outra em o
das Assembleias de Deus no Brasil Novo Testamento. Trata-se de uma carta
José Wellington Costa Junior intensa e poderosa em conteúdo e, por
Conselho Administrativo isso, profunda para o nosso aprendizado.
José Wellington Bezerra da Costa É a carta do Novo Testamento que mais
se refere ao Antigo a fim de expor sua
Diretor Executivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
excepcional ênfase na pessoa e no mi-
nistério de Jesus Cristo. Nesse aspecto,
Gerente de Publicações é uma carta altamente cristológica.
Alexandre Claudino Coelho
Por esses e outros motivos é que
Consultoria Doutrinária e Teológica estudaremos essa maravilhosa epístola.
Antonio Gilberto e Claudionor de Andrade
Nossos votos são de que você inicie
Gerente Financeiro este novo ano estudando e aprendendo
Josafá Franklin Santos Bomfim para viver segundo os ensinos de nosso
Gerente de Produção Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Jarbas Ramires Silva

Gerente Comercial Um trimestre de bênçãos!


Cícero da Silva

Gerente da Rede de Lojas


João Batista Guilherme da Silva
Deus o abençoe!

Gerente de TI
Rodrigo Sobral Fernandes José Wellington Bezerra da Costa
Presdiente do Conselho Administrativo
Chefe de Arte & Design
Wagner de Almeida Ronaldo Rodrigues de Souza
Diretor Executivo
Chefe do Setor de Educação Cristã
César Moisés Carvalho

Redatores
Marcelo Oliveira e Telma Bueno

Projeto gráfico e capa


Flamir Ambrósio

Diagramação
Nathany Silvares

Av. Brasil, 34.401 - Bangu


Rio de Janeiro - RJ - Cep 21852-002
Tel.: (21) 2406-7373
Fax: (21) 2406-7326
www.cpad.com.br

2 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 1
7 de Janeiro de 2018

A Carta aos Hebreus


e a Excelência de Cristo

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“Havendo Deus, antigamente, falado,
muitas vezes e de muitas maneiras, Por meio de Cristo, Deus revelou-se
aos pais, pelos profetas, a nós falou- de uma forma especial e definitiva
nos, nestes últimos dias, pelo Filho.” ao seu povo.
(Hb 1.1)

LEITURA DIÁRIA

Segunda – 2 Tm 3.16 Quinta – Hb 1.2,3


Hebreus, uma carta inspirada como Cristo, a revelação final de Deus
as demais do Novo Testamento
Sexta – Hb 1.4,5
Terça – 1 Tm 3.16 Cristo, superior aos anjos em
Cristo, manifestado em carne natureza e essência
Quarta – Hb 1.1 Sábado – Hb 1.6-8
A revelação profética na Antiga Cristo, superior aos anjos em majes-
Aliança tade e deidade
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 3
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 1.1-14
1 - Havendo Deus, antigamente, falado, 8 - Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu
muitas vezes e de muitas maneiras, aos trono subsiste pelos séculos dos sé-
pais, pelos profetas, a nós falou-nos, culos, cetro de equidade é o cetro do
nestes últimos dias, pelo Filho, teu reino.
2 - a quem constituiu herdeiro de tudo, 9 - Amaste a justiça e aborreceste a
por quem fez também o mundo. iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus,
te ungiu com óleo de alegria, mais do
3 - O qual, sendo o resplendor da sua
que a teus companheiros.
glória, e a expressa imagem da sua
pessoa, e sustentando todas as coisas 10 - E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste
pela palavra do seu poder, havendo a terra, e os céus são obra de tuas mãos;
feito por si mesmo a purificação dos
11 - eles perecerão, mas tu perma-
nossos pecados, assentou-se à destra
necerás; e todos eles, como roupa,
da Majestade, nas alturas;
envelhecerão,
4 - feito tanto mais excelente do que os
12 - e, como um manto, os enrolarás,
anjos, quanto herdou mais excelente
e, como uma veste, se mudarão; mas
nome do que eles.
tu és o mesmo, e os teus anos não
5 - Porque a qual dos anjos disse jamais: acabarão.
Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez:
13 - E a qual dos anjos disse jamais:
Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?
Assenta-te à minha destra, até que
6 - E, quando outra vez introduz no ponha os teus inimigos por escabelo
mundo o Primogênito, diz: E todos os de teus pés?
anjos de Deus o adorem.
14 - Não são, porventura, todos eles
7 - E, quanto aos anjos, diz: O que de espíritos ministradores, enviados para
seus anjos faz ventos e de seus minis- servir a favor daqueles que hão de
tros, labareda de fogo. herdar a salvação?

HINOS SUGERIDOS: 306, 439, 561 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Apresentar as características da Carta aos Hebreus e a superioridade de Cristo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Pontuar a autoria, o destinatário e o propósito da Carta de Hebreus;

II Expor a superioridade de Cristo em relação aos profetas;

III Mostrar a superioridade de Cristo em relação aos anjos.

4 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), iniciaremos mais um trimestre pela graça de Deus.
A carta de Hebreus é o objeto do nosso estudo nestes próximos três meses.
Antes de iniciar o estudo da primeira lição em classe, apresente o comentarista
deste trimestre: pastor José Gonçalves, escritor, conferencista, comentarista
de Lições Bíblicas Adultos da CPAD, membro da Comissão de Apologética da
CGADB e líder da Assembleia de Deus em Água Branca - PI.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Paulo a sua autoria, contudo, ao afirmar
Nesta lição introdutória do nosso que Paulo a escreveu em hebraico e que
estudo da Carta aos Hebreus, queremos Lucas a teria traduzido para o grego,
iniciar dizendo que assim como todos passou a ser duramente questionado.
os escritos da Bíblia, esta carta é um As razões são basicamente duas: O texto
documento especial. Em nenhum outro de Hebreus, um dos mais rebuscados
documento do Novo Testamen- do Novo Testamento grego, não
PONTO parece ser uma tradução. Por
to encontramos um apelo CENTRAL
exortativo tão forte. Isso outro lado, o estilo usado
A carta de He-
possuía uma razão de ser — na carta não parece ser de
breus é uma men-
os crentes hebreus davam sagem de instrução e forma alguma de Paulo.
sinais de enfraquecimento exortação que serve Outros nomes surgiram
espiritual e até mesmo o à Igreja de Cristo como possíveis autores de
risco de abandonarem a fé! ao longo dos Hebreus: Barnabé, Apolo,
séculos. Lucas, Clemente Romano, etc.
Era, portanto, urgente admo-
está-los a perseverarem. Jesus, O certo é que somente Deus sabe
a quem o autor mostra ser maior do quem é o seu autor. Por outro lado, o
que os profetas, maior do que todas as fato de ter sua autoria desconhecida
hostes angélicas, maior do que Arão, em nada diminui a sua autoridade.
Moisés, Josué e até mesmo os céus, é 2. Destinatários. Não há dúvida de
nosso grande ajudador nessa jornada. que a Carta aos Hebreus foi escrita para
cristãos judeus. Deve ser observado que
I – AUTORIA, DESTINATÁRIO essa carta foi endereçada a uma comu-
E PROPÓSITO nidade específica de cristãos e não a um
1. Autoria. A Carta aos Hebreus grupo indeterminado. O autor conhece
não revela o nome do seu autor. Esse o público a quem endereça o seu texto
fato fez com que surgissem inúmeras e espera até mesmo encontrar-se com
controvérsias em torno de sua autoria. É eles (Hb 13.19,23). Onde viviam esses
certo que os cristãos primitivos sabiam crentes é um ponto debatido pelos te-
quem realmente a escreveu; todavia, já ólogos. Baseados na expressão “os da
por volta do segundo século da nossa Itália vos saúdam” (Hb 13.24), muitos
era não havia mais consenso quanto a eruditos argumentam que esses crentes
isso. Clemente de Alexandria, no final se encontravam fora de Roma, capital
do segundo século, atribuiu ao apóstolo do Império Romano. A data da carta é
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 5
AUTORIA Desconhecida.

O escritor I. Howard Marshal DESTINATÁRIO Cristãos judeus,


observa que Hebreus combina instrução provavelmente.
com exortação.

motivo de disputa, mas as evidências Propósito Exortar os


internas permitem-nos situá-la antes cristãos a terem
da destruição do Templo de Jerusalém ânimo e fé em
no ano 70 d.C. tempos de
apostasia.
3. Propósito. O escritor I. Howard
Marshal observa que Hebreus combina
instrução com exortação. De fato, essa II – CRISTO — A PALAVRA SUPERIOR
carta possui uma grande carga exortati- A DOS PROFETAS
va. Ela exorta os crentes a terem ânimo,
1. A revelação profética e a Antiga
confiança e fé em um tempo marcado
Aliança. Ao falar da supremacia de Je-
pela apostasia. Muitos pareciam estar
sus, o autor de Hebreus primeiramente
desanimados com a oposição que a nova
o faz em relação aos profetas. Deus
fé vinha sofrendo e em razão disso esta-
vam voltando às antigas práticas judaicas. falou no passado pelos profetas e no
A carta, portanto, exorta esses crentes a presente pelo Filho (Hb 1.1). A revelação
suportarem as pressões e perseguições, profética no antigo Israel fez com que
lembrando-os que não haviam ainda esse povo se distinguisse dos demais.
derramado sangue pela sua fé (Hb 12.4). O autor mostra um Deus que se revela,
Essas palavras continuam ecoando nesses que se comunica com os seus. Ele fala
dias quando muitos crentes demonstram de uma forma direta a seu povo, não é
apatia e falta de fervor espiritual diante um Deus mudo! Os advérbios gregos
de um mundo hostil. polymerôs (“muitas vezes”) e polytropos
(“muitas maneiras”), que modificam
o verbo falar, mostram a intensidade
SÍNTESE DO TÓPICO I dessa comunicação. Deus, em nenhum
A autoria de Hebreus é desconhe- momento da história, deixou o seu povo
cida; seus destinatários eram cristãos sem orientação. Ele fala, e fala sempre
judeus; seu propósito, exortar os o que é necessário.
cristãos a terem ânimo e fé. 2. A revelação profética e a Nova
Aliança. Aos cristãos da Nova Aliança,
Deus falou por intermédio do seu Filho
(Hb 1.1). O uso das expressões “havendo
SUBSÍDIO DIDÁTICO falado” ou “depois de ter falado” (Hb
Professor(a), para introduzir o 1.1,2) por parte do autor mostra que
primeiro tópico desta lição, se possível, essa ação de Deus foi um fato consuma-
reproduza o quadro-resumo que se do. Isso tem levado alguns intérpretes
encontra acima. O objetivo é pontuar a dizer que a partir daquele momento,
as questões de autoria, destinatário e Deus não falaria mais diretamente com
propósito da carta em estudo. ninguém. Mas isso é ir além daquilo que
6 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
o autor tencionava dizer. O uso dessa Deus e o agente da Criação (Hb 1.2).
expressão é mais bem entendida como Ele é o redentor do mundo! Nenhum
significando que Deus falou de forma profeta morreu de forma vicária pelo
completa nos dias do autor, todavia, povo de Deus.
sem a conotação temporal de que
não falaria mais no futuro. O Espírito
profético, que é o Espírito de Cristo (1
SÍNTESE DO TÓPICO II
Pe 1.11; Rm 8.9,10), continua dando Da Antiga à Nova Aliança, Cristo
à Igreja hoje a percepção do plano e é a revelação plena de Deus Pai, por
vontade de Deus para o seu povo (Jo isso, Ele é superior aos profetas.
14.26; 15.26; 16.13). E isso sempre em
consonância com as Escrituras.
3. Cristo: a revelação final. O
SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO
objetivo do autor aqui, evidentemen- “REVELAÇÃO – [Do gr. apokalupsis;
te, é mostrar que Cristo é o clímax da do lat. revelatio, tirar o véu] Manifes-
revelação profética. Ele é a revelação tação sobrenatural de uma verdade
final! O ministério profético na Antiga que se achava oculta. Tendo em vista
Aliança era de importância ímpar. O o caráter e a urgência das profecias
Senhor disse que falaria por intermédio do último livro da Bíblia, Apocalipse é
de seus profetas: “Certamente o Senhor considerado a revelação por excelência
Jeová não fará coisa alguma, sem ter (Ap 1.1-3).
revelado o seu segredo aos seus ser- REVELAÇÃO BÍBLICA – Conheci-
vos, os profetas” (Am 3.7). O silêncio mento divino preservado nas Sagradas
profético, portanto, era a pior forma de Escrituras, e posto à disposição da hu-
castigo que poderia vir ao antigo Israel. manidade. Consta do Antigo e do Novo
Os profetas eram importantes, mas a Testamento. É a nossa única regra de
relevância deles estava muito longe fé e prática.
daquela possuída por Jesus Cristo, o REVELAÇÃO PROGRESSIVA – Evo-
Filho de Deus. Os profetas eram apenas lução progressiva e dispensacional das
servos, mas o Filho era o herdeiro de verdades divinas que, tendo a sua gêne-

CONHEÇA MAIS
*Hebreus: Inigualável e não convencional
“Com relação à sua forma inigualável e não convencional, Orí-
genes observou: ‘Começa como um tratado, prossegue como
um sermão e termina como uma carta’. Ao invés de iniciar com
uma saudação, o primeiro parágrafo de Hebreus é semelhante
às palavras de abertura de um tratado teológico formal (1.1-4).
Então, o livro prossegue mais como um sermão do que como
uma carta convencional do Novo Testamento, alternando-se
entre um argumento cuidadosamente construído (baseado em
uma exposição do Antigo Testamento) e uma
séria exortação.” Para conhecer mais
leia “Comentário Bíblico Pente-
costal Novo Testamento”,
CPAD, p.1529-39.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 7


se no Antigo Testamento, culminaram e mesmo se pode dizer dos anjos. Eles não
se completaram no Novo. O texto-áureo possuem a mesma essência divina que o
da revelação progressiva acha-se em Filho. É por essa razão que o autor destaca
Hebreus 1.1,2” (ANDRADE, Claudionor que o Filho é chamado de “Deus” (v.8)
Corrêa de. Dicionário Teológico. Rio de e que por isso merece adoração (v.6). A
Janeiro: CPAD, 1999, pp.255,56). Ele toda honra e glória!

III – CRISTO — SUPERIOR AOS


ANJOS SÍNTESE DO TÓPICO III
1. Cristo: superior em natureza e Jesus Cristo é superior aos anjos
essência. Devemos ter sempre em mente em relação à natureza, essência,
que o autor de Hebreus tenciona mostrar majestade e deidade.
a superioridade de Cristo em relação às
demais ordens da criação. O seu foco
aqui são os anjos. A cultura judaica via os SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
anjos como seres de uma ordem superior “ANJOS. A palavra ‘anjo’ (hb. Malak;
e mediadores da revelação divina (At gr. angelos) significa ‘mensageiro’. Os
7.53; Gl 3.19; Hb 2.2). Mesmo cercados anjos são mensageiros ou servidores
de força e poder, os anjos eram inferiores celestiais de Deus (Hb 1.13.14), criados
ao Filho (Hb 1.4). Jesus é o reflexo da por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7;
glória de Deus e possuidor da mesma Sl 148.2,5; Cl 1.16).
essência divina (Hb 1.3). O autor usa (1) A Bíblia fala em anjos bons e em
dois vocábulos gregos que deixam isso anjos maus, embora ressalte que todos os
bem definido: apaugasma e character, anjos foram originalmente criados bons
que significam respectivamente “radi- e santos (Gn 1.31). Tendo livre-arbítrio,
ância” e “reflexo”, traduzidos aqui como numerosos anjos participaram da rebelião
resplendor e “caráter”, com o sentido de de Satanás (Ez 28.12-17; 2 Pe 2.4; Jd 6;
expressão exata do seu ser. Embora sendo Ap 12.9; Mt 4.10) e abandonaram o seu
pessoas diferentes, tanto o Filho como o estado original de graça como servos de
Pai possuem a mesma essência. Cristo é Deus, e assim perderam o direito à sua
o Deus revelado! posição celestial.
2. Cristo: superior em majestade e (2) A Bíblia fala numa vasta hostes de
deidade. O autor passa então a mostrar a anjos bons (1 Rs 22.19; Sl 68.17; 148.2;
supremacia de Cristo em relação aos anjos Dn 7.9,10; Ap 5.11), embora os nomes
por meio de vários fatos documentados de apenas dois sejam registrados nas
nas Escrituras. Os anjos são criaturas, Escrituras: Miguel (Dn 12.1; Jd 9; Ap 12.7)
o Filho é Criador. O filho é gerado, não e Gabriel (Dn 9.21; Lc 1.19,26). Segundo
criado. C. S. Lewis observa que o que parece, os anjos estão divididos em di-
Deus gera é Deus; assim como o que o ferentes categorias: Miguel é chamado
homem gera é homem. O que Deus cria de arcanjo (lit.: ‘anjo principal’, Jd 9; 1 Ts
não é Deus; da mesma forma que o que o 4.16); há serafins (Is 6.2), querubins (Ez
homem faz não é homem. Daí a razão de 10.1-3), anjos com autoridade e domínio
os homens não serem filhos de Deus no (Ef 3.10; Cl 1.16) e as miríades de espíritos
mesmo sentido que Cristo. Eles podem ministradores angelicais (Hb 1.13,14; Ap
assemelhar-se a Deus em certos aspectos, 5.11)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio
mas não pertencem à mesma espécie. O de Janeiro: CPAD, 1995, p.386).
8 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
CONCLUSÃO nessa carta e, ao assim fazer, reconhecia
O autor de hebreus não quis se iden- o profundo valor espiritual de Hebreus.
tificar, mas isso em nada compromete Nesses últimos dias, onde os joelhos
a autoridade desse documento. Desde de muitos cristãos parecem vacilantes,
os primórdios, a igreja valeu-se dos faz-se necessário atentarmos diligente-
ensinos dessa carta para fortalecer a fé mente para o conselho encontrado em
dos crentes. Clemente de Alexandria fez Hebreus, “se ouvirdes hoje a sua voz,
amplo uso das exortações encontradas não endureçais o vosso coração” (3.7).

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

PARA REFLETIR

A respeito de a Carta aos Hebreus e a Excelência


de Cristo, responda:
• Quem é o autor da carta aos Hebreus?
A carta aos Hebreus não revela o nome do seu autor.
• Para quem a carta foi escrita e por quê?
Ela foi escrita para os cristãos judeus. O propósito da carta foi para exortar
aos cristãos a terem ânimo e fé em tempos de apostasia.
• Segundo as Escrituras, o Espírito de Deus deixou de falar nos dias
atuais?
Não. Deus, em nenhum momento da história, deixou o seu povo sem
orientação.
• Qual a pior forma de castigo que poderia vir ao antigo Israel?
O silêncio profético.
• Por que o escritor da Carta aos Hebreus diz que os anjos são inferiores
ao Filho?
Porque os anjos são criaturas, o Filho é Criador.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 36. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 9


Lição 2
14 de Janeiro de 2018

Uma Salvação Grandiosa

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“Como escaparemos nós, se não aten-
tarmos para uma tão grande salvação, A salvação não é algo dado ao crente
a qual, começando a ser anunciada compulsoriamente. O cristão é exor-
pelo Senhor, foi-nos, depois, confirma- tado a ser vigilante e não negligente
da pelos que a ouviram.” em relação a essa dádiva recebida.
(Hb 2.3)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Jo 10.9 Quinta – Hb 2.14
Jesus deu testemunho de uma tão A eficácia da salvação é demonstrada
grande salvação na vitória sobre o Diabo
Terça – Hb 2.3 Sexta – Hb 2.15
A Igreja Primitiva deu testemunho A eficácia da salvação é demonstrada
da salvação no triunfo sobre a morte
Quarta – Hb 2.7,9 Sábado – Hb 2.18
A salvação do homem tornou neces- A eficácia da salvação é demonstra-
sária a humanização do Redentor da na vitória sobre as tentações

10 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 2.1-18

1 - Portanto, convém-nos atentar, com pela graça de Deus, provasse a morte


mais diligência, para as coisas que por todos.
já temos ouvido, para que, em tempo
10 - Porque convinha que aquele, para
algum, nos desviemos delas.
quem são todas as coisas e mediante
2 - Porque, se a palavra falada pelos quem tudo existe, trazendo muitos
anjos permaneceu firme, e toda trans- filhos à glória, consagrasse, pelas
gressão e desobediência recebeu a aflições, o Príncipe da salvação deles.
justa retribuição,
11 - Porque, assim o que santifica
3 - como escaparemos nós, se não como os que são santificados, são
atentarmos para uma tão grande todos de um; por cuja causa não se
salvação, a qual, começando a ser envergonha de lhes chamar irmãos,
anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois,
confirmada pelos que a ouviram; 12 - dizendo: Anunciarei o teu nome
a meus irmãos, cantar-te-ei louvores
4 - testificando também Deus com no meio da congregação.
eles, por sinais, e milagres, e várias
maravilhas, e dons do Espírito Santo, 13 - E outra vez: Porei nele a minha
distribuídos por sua vontade? confiança. E outra vez: Eis-me aqui
a mim e aos filhos que Deus me deu.
5 - Porque não foi aos anjos que sujei-
tou o mundo futuro, de que falamos; 14 - E, visto como os filhos participam
da carne e do sangue, também ele par-
6 - mas, em certo lugar, testificou ticipou das mesmas coisas, para que,
alguém, dizendo: Que é o homem, pela morte, aniquilasse o que tinha
para que dele te lembres? Ou o filho o império da morte, isto é, o diabo,
do homem, para que o visites?
15 - e livrasse todos os que, com medo
7 - Tu o fizeste um pouco menor do da morte, estavam por toda a vida
que os anjos, de glória e de honra sujeitos à servidão.
o coroaste e o constituíste sobre as
obras de tuas mãos. 16 - Porque, na verdade, ele não tomou
os anjos, mas tomou a descendência
8 - Todas as coisas lhe sujeitaste
de Abraão.
debaixo dos pés. Ora, visto que lhe
sujeitou todas as coisas, nada deixou 17 - Pelo que convinha que, em tudo,
que lhe não esteja sujeito. Mas, agora, fosse semelhante aos irmãos, para ser
ainda não vemos que todas as coisas misericordioso e fiel sumo sacerdote
lhe estejam sujeitas; naquilo que é de Deus, para expiar os
pecados do povo.
9 - vemos, porém, coroado de glória
e de honra aquele Jesus que fora feito 18 - Porque, naquilo que ele mesmo,
um pouco menor do que os anjos, por sendo tentado, padeceu, pode socorrer
causa da paixão da morte, para que, aos que são tentados.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 11


HINOS SUGERIDOS: 35, 156, 542 da Harpa Cristã
OBJETIVO GERAL
Explicar que a salvação não é algo dado ao crente compulsoriamente, por
isso, ele deve ser vigilante e não negligenciar a graça recebida.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Mostrar a grandiosidade da salvação divina;

II Discutir a necessidade da salvação;

III Saber que a salvação pela fé em Cristo é eficaz.

12 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), estudaremos a exortação do escritor de Hebreus a
respeito da grandiosidade da salvação. Salvação essa que recebemos mediante a
fé em Jesus Cristo. Ela é resultado da graça divina, mas Cristo pagou um alto preço.
Por isso, no capítulo dois, o autor aos Hebreus faz uma séria advertência a respeito
dos que negligenciam tão grande salvação. Para redimir a humanidade pecadora,
Cristo assumiu a forma humana a fim de se identificar conosco e nos outorgar a
salvação. Ele morreu por nós, mas ao terceiro dia ressuscitou coroado de glória e
honra. Cristo também nos elevou a uma condição superior, a de filhos(as) de Deus.
Jesus é superior aos anjos e a todas as coisas, e a salvação que Ele oferece é o maior
bem que o ser humano pode obter, por isso não devemos negligenciar tal graça.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO Aliança foi intermediada por anjos (v.2), a
O autor dá início à seção de Hebreus Nova Aliança tinha Jesus, o Filho de Deus,
2.1-18 com uma forte exortação. Era como seu mediador. O autor, então, faz uma
necessário por parte dos crentes maior analogia entre as duas Alianças para que o
firmeza em relação as coisas espirituais. contraste entre ambas fique bem definido.
O que o autor observava entre eles era Foi Jesus, o Filho de Deus, e não os anjos,
certa letargia e negligência diante de que anunciou essa tão grande salvação.
um fato de tão grande importância Por serem mediadores da Lei, os
como é a salvação. Nesse aspecto PONTO anjos despertavam grande estima
a resposta devia ser dada por CENTRAL e respeito dos judeus por eles.
meio do retorno às verdades Precisamos ser Se uma Aliança firmada na Lei,
vigilantes e não
anteriormente ouvidas e que negligenciarmos mediada por anjos, imperfeita e
haviam sido esquecidas. Isso a salvação transitória, requeria obediência
divina. por parte dos crentes, muito
era de suma importância porque
evitava que algum deles viesse a se mais a Nova Aliança que é perfeita
desviar. De fato, o vocábulo grego usado e eterna. Se quem não observava os
pelo autor — pararreo —, traduzido como princípios do Antigo Pacto, quebrando
“desviar”, significa originalmente “perder os seus preceitos, era punido de forma
o rumo”. O termo era usado também em dura, que castigo merecia quem ultrajava
relação a um barco que acidentalmente a Nova Aliança, que em tudo era superior?
era desancorado e lançado à deriva em 2. Proclamada pelos que a ouviram.
alto mar. No pensamento do autor só havia Essa salvação grandiosa foi primeira-
uma maneira de manter-se no rumo certo: mente anunciada pelo Senhor e, poste-
ancorando o barco no porto seguro, Jesus. riormente, por “aqueles que a ouviram”
(Hb 2.3). Fica evidente nesse texto que o
I – UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA autor não foi uma testemunha ocular dos
1. Testemunhada pelo Senhor. O feitos de Jesus, mas recebera a Palavra
autor faz um contraste entre as alianças por meio dos que a “ouviram”. Mesmo
do Sinai e do Calvário. Enquanto a Antiga não tendo recebido a Palavra de Deus
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 13
diretamente do Senhor, o autor não tem perseverante em Cristo. Estas sete adver-
dúvida que a mensagem apostólica era tências não são divagações, no entanto se
essencialmente a mesma Palavra de Deus. relacionam diretamente com o principal
Esse fato deveria fazer com que os crentes propósito do autor. A íntima conexão entre
fossem mais diligentes na observância este parágrafo e a interpretação em 1.5-
dos preceitos neotestamentários. De 14 demonstra que a exposição bíblica do
fato, a palavra bebaioô, aqui traduzida autor não era propriamente um fim, mas
como “confirmar”, tem o sentido de algo originou-se de sua preocupação por seus
que transmite segurança e confiança. Em leitores e sua perigosa situação.
outras palavras, o que o Senhor anunciou O rico vocabulário e os dons do
e que, posteriormente, foi proclamado autor como orador são novamente
por testemunhas oculares, deve servir evidentes. A construção grega de 2.1-4
de fundamento da nossa fé. consiste em duas sentenças: uma de-
3. Confirmada pelo Espírito Santo. claração direta (2.1), seguida por uma
A mensagem, que primeiramente fora longa sentença explicativa (2.2-4), que
anunciada pelo Senhor e testemunhada inclui uma pergunta retórica (‘como
pelos que a ouviram, foi instrumentali- escaparemos nós?’) com uma condição
zada pelo Espírito Santo. Nesse aspecto, (‘se atentarmos para [ou negligenciar-
as traduções — “distribuições feitas mos] uma tão grande salvação’, 2.3a).
pelo Espírito Santo” ou “distribuições A expressão “Portanto” (2.1) liga este
do Espírito Santo” (Hb 2.4) — expressam parágrafo ao esplendor e à incomparável
bem o que o autor quis dizer. O Espírito supremacia do Filho no capítulo 1. Pelo
Santo é o agente por trás de cada milagre fato de o Filho ser superior aos profetas
e sinal operados na história do povo e aos anjos, se o que Deus ‘nos falou pelo
de Deus, tanto do passado quanto do Filho’ (1.2) for negligenciado, seremos
presente. O autor quer chamar a atenção muito mais culpáveis: ‘Portanto, convém-
de seu público leitor mais uma vez para nos atentar, com mais diligência, para as
a importância da mensagem recebida, coisas que já temos ouvido, para que, em
ou seja, ela fora também testemunhada tempo algum, nos desviemos delas” (AR-
de uma forma concreta e palpável pelo RINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger
Espírito Santo por intermédio da distri- (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal
buição de seus muitos dons. Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2004, p.1549).

SÍNTESE DO TÓPICO I II – UMA SALVAÇÃO NECESSÁRIA


Pela fé em Jesus Cristo recebemos 1. Por intermédio da humanização
uma salvação grandiosa. do Redentor. Na seção vv.5-9, o autor
toma o Salmo 8 como pano de fundo de
seu argumento (Sl 8.4-6). Nesse aspecto,
SUBSÍDIO TEOLÓGICO ele segue a Septuaginta que usa o termo
Hebreus 2.1-4 “anjo”, em vez do texto massorético, que
“Esta é a primeira de sete passagens traz a palavra “Deus”. Na mentalidade ju-
em Hebreus onde o autor combina uma daica, da qual o autor participa, o homem
urgente exortação com uma solene adver- foi feito como coroa da criação e a ele foi
tência a fim de mover seus leitores a uma confiado todo o domínio. Todavia, devido
confiança renovada, a uma esperança e fé à queda, esse domínio fora perdido. Na
14 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
mente do autor dessa Escritura, portanto, não sofreu para ser glorificado, mas Ele
o Salmo 8 não pode se aplicar a Adão, foi glorificado porque sofreu. Foi por
nem tampouco a raça pós-queda, mas a intermédio do sofrimento que Ele foi
Jesus, o Messias, que por meio da cruz, “coroado de glória e de honra, [...] para
veio restaurar a humanidade caída. que, pela graça de Deus, provasse a morte
2. Por meio do sofrimento do por todos” (Hb 2.9). Para os crentes que
Redentor. Para um judeu do primeiro viam no sofrimento algo incompatível
século era escandalosa a ideia de um com o viver cristão, e que, devido a isso
Messias sofredor. Como então assegu- estavam desanimados, essas palavras
rar que Jesus era superior aos anjos se serviam de ânimo e consolo.
Ele morrera em uma cruz? O autor de
Hebreus usa o versículo cinco do Salmo
8 para explicar esse aparente parado- SÍNTESE DO TÓPICO II
xo. Sim, argumenta ele, Jesus de fato Depois da Queda a salvação tornou-
foi feito um “pouco” menor do que os se necessária, por isso, por meio da cruz,
anjos por causa da sua humanização. Os Jesus veio restaurar a humanidade.
intérpretes entendem que as palavras
“pouco” e “pouco tempo” (Hb 2.7,9)
podem denotar posição ou tempo. Em
outras palavras, Jesus se tornou “menor”
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
que os anjos enquanto vivia os limites “Jesus, superior aos anjos em sua
da condição humana e experimentou missão redentora (Hb 2.5-18)
o sofrimento advindo desse estado Esta seção dá continuidade ao pen-
de humilhação. Todavia, foi por meio samento iniciado em 1.5-14 a respeito
deste mesmo sofrimento de Cristo que da superioridade do Filho em relação
os homens tornaram-se livres. aos anjos, porém sob uma perspectiva
3. Por intermédio da glorificação diferente. No capítulo 1 a ênfase estava
do Redentor. Na mente do autor, Cristo na divindade da natureza do Filho; aqui

CONHEÇA MAIS

*Salvação
“1. Sõteria (σωτηρία) denota ‘libertação, preservação,
salvação’. O termo ‘salvação’ é usado no Novo Testamen-
to para se referir a: (a) o livramento material e temporal
de perigo e apreensão: (1) nacional (Lc 1.69,71; At 7.25,
‘liberdade’); (2) pessoal, como do mar (At 27.34, ‘saúde’);
da prisão (Fp 1.19); do dilúvio (Hb 11.7); (b) o livramento
espiritual e eterno concedido imediatamente por Deus
aos que aceitam as condições estabelecidas por Ele
referentes ao arrependimento e fé no Senhor Jesus,
somente em quem será obtido (At 4.12), e sob confis-
são dEle como Senhor (Rm 10.10); para este
propósito o Evangelho é o instrumento
de salvação (Rm 1.16; Ef 1.13 [...])”.
Para conhecer mais leia “Dicio-
nário Vine”, CPAD, p.967.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 15


o enfoque está em sua humanidade e no diosa salvação. Para que a salvação se
sofrimento como componentes necessá- efetivasse o Salvador precisava sofrer e
rios de sua missão redentora. Os anjos, morrer pelos homens. Somente por meio
por um lado, são servos; sua missão para da morte na cruz, o Diabo, arqui-inimigo
o homem como ‘espíritos ministradores’ é dos homens, seria derrotado (Hb 2.14). O
‘servir a favor daqueles que hão de herdar autor usa o verbo grego catargeo para se
a salvação’ (1.14). O Filho, por outro lado, referir à derrota de Satanás. Esse verbo
é o Salvador; sua missão para o homem tem o sentido de “destronar” ou “tornar
como ‘o Príncipe da salvação deles’ (2.10) inoperante”. Por intermédio da cruz, Cristo
é ‘salvar perfeitamente os que por ele se destronou e desarmou Satanás das armas
chegam a Deus’ (7.25). Entretanto, como que este possuía. Foi na cruz que Ele
Salvador, a missão redentora do Filho despojou os principados e as potestades
envolvia tanto a humilhação como a glória. e nos garantiu a vitória (Cl 2.15).
Como o homem perfeito, Jesus se 2. Vitória sobre a morte. Com a
tornou o verdadeiro representante da entrada do pecado no mundo a morte
raça humana e o cumprimento absoluto passou a ser um inimigo temido. Essa
do Salmos 8. Somente Ele poderia cumprir arma poderosa era usada por Satanás
‘o propósito declarado do Criador quando para manter os homens debaixo do jugo
trouxe a raça humana à existência. Mas, do medo (Hb 2.15). Todavia, ao morrer
assim fazendo, Ele teve de se identificar na cruz por todos os homens, Jesus
plenamente com a condição humana, venceu a morte. Os homens continuam
incluindo o sofrimento humano (cf. Hb a morrer, mas os que o recebem como
4.15,16; 5.6), a fim de ‘abrir o caminho Salvador tem a vida eterna, pois a morte
da salvação para a humanidade e agir não tem mais domínio sobre eles.
eficazmente como o Sumo Sacerdote 3. Vitória sobre a tentação. Pela
de seu povo na presença de Deus. Isto primeira vez na epístola o autor usa
significa que Ele não é apenas aquEle em a denominação “sumo sacerdote” em
quem se cumpre a soberania destinada relação a Jesus (Hb 2.17). O tema do
à humanidade, mas também aquEle sacerdócio de Cristo será explorado
que, por causa do pecado humano, deve pelo autor com maior profundidade em
concretizar esta soberania por meio do passagens posteriores (Hb 3.1; 4.14-16;
sofrimento e da morte. Portanto, o Filho, 5.1-10; 6.20; 7.14-19,26-28; 8.1-6; 9.11-
que já foi apresentado como superior aos 28; 10.1-39). Todavia, aqui o seu uso é
anjos, teve de ser feito ‘um pouco menor justificado no contexto da identificação
do que os anjos’ (2.7a) antes de poder de Jesus com seus “irmãos”, os salvos.
ser ‘coroado de glória e de honra’ (2.7b) Esse sumo sacerdote é misericordioso e
como Senhor sobre todas as coisas” (AR- fiel. Por ter assumido a natureza humana,
RINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger e se identificado com os homens nos seus
(Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal limites, Ele sabe o que é ser tentado e
Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: por essa razão está pronto a ajudá-los.
CPAD, 2004, pp. 1551,52).
SÍNTESE DO TÓPICO III
III – UMA SALVAÇÃO EFICAZ O sacrifício de Cristo foi único,
1. Vitória sobre o Diabo. Na con- eficaz e nos garante a vitória sobre
clusão de seu argumento o autor mostra o Diabo, a morte e a tentação.
os métodos e os resultados dessa gran-
16 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
SUBSÍDIO TEOLÓGICO era detestável e a reivindicação cristã
de que isto convinha, deveria ser vista
“[...] Pela graça de Deus, Jesus contra este panorama. Qualquer que seja
provou a morte por todos os homens a razão para a cruz, não há dúvida alguma
(Hb 2.9). Três verdades importantes de que tais fatos revelam a natureza de
estão sucintamente incorporadas aqui: Deus. É neste sentido que ‘convinha’
1. A morte de Jesus na cruz, para que as coisas ocorressem como de fato
realizar a salvação, foi um ato da graça ocorreram” (ARRINGTON, French L.;
de Deus. STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário
2. Sua morte foi em favor de (byper) Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
cada pecador; um claro ensino de Hebreus 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1553).
é que sua morte foi uma expiação subs-
titutiva pelo nosso pecado (cf. 5.1; 7.27). CONCLUSÃO
Sua morte não foi uma ‘expiação Por meio da sua humanização e
limitada’ — isto é, para algumas pessoas humilhação Jesus se tornou o legítimo
seletas, como alguns reivindicam — mas Sumo Sacerdote representante da hu-
Ele provou temporariamente a morte manidade. Os anjos de fato são seres
por todos os homens. Sua morte é de especiais a serviço de Deus, entretanto,
proveito para todo aquele que por fé Jesus não veio socorrê-los, mas buscar a
se submete a Ele como Senhor e Cristo. descendência de Abraão, os crentes. Por
Para os judeus daqueles dias, ‘a intermédio de seu sofrimento e morte,
ideia de um Messias em sofrimento Ele pode dar vida aos que estão mortos.

PARA REFLETIR

A respeito de Uma Salvação Grandiosa, responda:


• Segundo o autor aos Hebreus, qual a única maneira de manter-se no
rumo certo?
No pensamento do autor só havia uma maneira de manter-se no rumo certo:
ancorando o barco no porto seguro, Jesus.
• Enquanto a Antiga Aliança foi intermediada por anjos, a Nova Aliança
foi mediada por quem?
Enquanto a Antiga Aliança foi intermediada por anjos, a Nova Aliança tinha
Jesus, o Filho de Deus, como seu mediador.
• Como os homens tornaram-se livres?
Por meio do sofrimento de Cristo.
• O que foi preciso ser feito para que a salvação se efetivasse?
Para que a salvação se efetivasse o Salvador precisava sofrer e morrer
pelos homens.
• Por que Jesus Cristo, o verdadeiro Sumo Sacerdote, sabe o que é ser
tentado e, por isso, está pronto a nos ajudar nas fraquezas?
Por ter assumido a natureza humana, e se identificado com os homens nos seus
limites, Ele sabe o que é ser tentado e por essa razão está pronto a ajudá-los.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 17


ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 37. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Doutrinas Ele Escolheu Feridas que


Bíblicas: o os Cravos Curam
Fundamento
da nossa Fé

Nesta obra você fará um O amor e o sacrifício de Jesus A obra examina argutamente
estudo panorâmico sobre os Cristo narrado de uma maneira as implicações da crucificação
temas mais relevantes das surpreendente. de Jesus para a nossa cura e
doutrinas da fé pentecostal. restauração.

18 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 3
21 de Janeiro de 2018

A Superioridade de Jesus
em relação a Moisés

WWW.ESCOLA-EBD.COMBR
Texto Áureo Verdade Prática
“Porque ele é tido por digno de tanto
maior glória do que Moisés, quanto Cristo em tudo foi superior a Moisés
maior honra do que a casa tem aquele na Casa de Deus, pois enquanto o
que a edificou.” legislador hebreu foi um mordomo, o
Salvador foi o dono.
(Hb 3.3)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 3.1 Quinta – Hb 3.2
Uma vocação superior dada a Cristo, o edificador da Casa
Cristo por Deus Pai de Deus
Terça – Lc 19.10 Sexta – Hb 3.5,6
Uma missão superior que apenas Cristo, não apenas servo, mas
Cristo poderia cumprir Filho
Quarta – Hb 3.1; 1 Tm 2.5 Sábado – Hb 3.7,8
Cristo – O único Mediador entre Cristo, superior em palavra
os homens e Deus à Lei

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 19


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 3.1-19
1 - Pelo que, irmãos santos, participantes seu coração e não conheceram os meus
da vocação celestial, considerai a Jesus caminhos.
Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da 11 - Assim, jurei na minha ira que não
nossa confissão, entrarão no meu repouso.
2 - sendo fiel ao que o constituiu, como 12 - Vede, irmãos, que nunca haja em
também o foi Moisés em toda a sua casa. qualquer de vós um coração mau e infiel,
3 - Porque ele é tido por digno de tanto para se apartar do Deus vivo.
maior glória do que Moisés, quanto 13 - Antes, exortai-vos uns aos outros
maior honra do que a casa tem aquele todos os dias, durante o tempo que se
que a edificou. chama Hoje, para que nenhum de vós se
4 - Porque toda casa é edificada por endureça pelo engano do pecado.
alguém, mas o que edificou todas as 14 - Porque nos tornamos participantes
coisas é Deus. de Cristo, se retivermos firmemente o
5 - E, na verdade, Moisés foi fiel em toda princípio da nossa confiança até ao fim.
a sua casa, como servo, para testemunho 1 5 - Enquanto se diz: Hoje, se
das coisas que se haviam de anunciar; ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso
6 - mas Cristo, como Filho, sobre a sua coração, como na provocação.
própria casa; a qual casa somos nós, se 16 - Porque, havendo-a alguns ouvido, o
tão somente conservarmos firme a con- provocaram; mas não todos os que saíram
fiança e a glória da esperança até ao fim. do Egito por meio de Moisés.
7 - Portanto, como diz o Espírito Santo, 17 - Mas com quem se indignou por
se ouvirdes hoje a sua voz, quarenta anos? Não foi, porventura, com
8 - não endureçais o vosso coração, como na os que pecaram, cujos corpos caíram no
provocação, no dia da tentação no deserto, deserto?
9 - onde vossos pais me tentaram, me 18 - E a quem jurou que não entrariam
provaram e viram, por quarenta anos, as no seu repouso, senão aos que foram
minhas obras. desobedientes?
10 - Por isso, me indignei contra esta 19 - E vemos que não puderam entrar
geração e disse: Estes sempre erram em por causa da sua incredulidade.

HINOS SUGERIDOS: 295, 396, 620 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Evidenciar a superioridade de Jesus em relação ao legislador Moisés.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Apresentar a superioridade da vocação, da missão e da mediação de


Jesus em relação a Moisés;
II Exprimir a autoridade maior de Jesus em relação a Moisés;

III Esclarecer a superioridade do discurso de Jesus em relação ao de Moisés.

20 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A Antiga Aliança apresenta Moisés como “apóstolo”, isto é, o mensageiro
de Deus da Aliança com o povo de Israel, e o seu irmão Arão, como sumo
sacerdote do povo de Deus, respectivamente. Essa dispensação deu lugar a
uma nova ordem, a um novo concerto em que Cristo Jesus se apresenta como
executor desses dois ofícios. Agora, Ele é o apóstolo da Nova Aliança e o Sumo
Sacerdote perfeito. Essa verdade é que permeia toda a lição.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO santos, deveriam ficar atentos ao que
O autor dá início ao capítulo três seria dito agora (Hb 3.1). Eles não
fazendo um contraste entre Moisés e eram apenas um povo nômade pelo
Cristo. Ele estava consciente da grande deserto escaldante à procura da Terra
estima que seus compatriotas tinham Prometida, mas herdeiros de uma vo-
pela figura do grande legislador cação celestial. Eles deveriam se
PONTO lembrar de quem os fez aptos
hebreu, Moisés. Em nenhum CENTRAL
momento desse contraste e idôneos dessa vocação.
A carta de Hebreus Nesse aspecto, os leitores
o autor deprecia a pessoa revela a superiori-
de Moisés, mas sempre o dade de Jesus em de Hebreus não deveriam
coloca como um homem relação a Moisés ter dúvida alguma de que
fiel a Deus na execução de quanto à tarefa, à Jesus, como Aquele que os
autoridade e o conduzia ao destino eterno,
sua obra. Entretanto, mes- discurso.
mo tendo assumido a grande era em tudo superior a Moisés,
missão de conduzir o povo rumo a quem coube a missão de conduzir
à Terra Prometida, Moisés não poderia o povo à Canaã terrena.
se equiparar a Jesus, o Autor da nossa 2. Uma missão superior. O autor
fé. O contraste entre Moisés e Cristo pela primeira vez usa a palavra apóstolo
é bem definido: Moisés é visto como em relação a Jesus (Hb 3.1). A palavra
um administrador da casa, Jesus como apóstolo se refere a alguém que é co-
Edificador; Moisés é retratado como missionado como um representante
servo, Jesus como Filho; Moisés foi autorizado. Não havia dúvida de que
enviado em uma missão terrena, Jesus Moisés havia sido um enviado de Deus
numa missão celestial, eterna. em uma missão, todavia, ele não foi
o “apóstolo da grande salvação”. A
I – UMA TAREFA SUPERIOR missão de Moisés foi tirar o povo de
1. Uma vocação superior. O au- dentro do Egito e conduzi-lo à Terra
tor introduz a seção vv.1-6 tomando Prometida, mas a missão de Jesus é a
como ponto de partida o que havia de conduzir a Igreja à Canaã celestial.
dito anteriormente — Jesus era o A missão mosaica era daqui, a Canaã
autor e mediador da nossa salvação terrena; a missão de Jesus possuía uma
(Hb 2.14-18). Tomando por base esse vocação celestial. Cristo não foi apenas
conhecimento, seus leitores, a quem um enviado em uma missão, mas acima
ele chama afetuosamente de irmãos de tudo, o apóstolo da nossa confissão,
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 21
alguém com autoridade na missão de SUBSÍDIO DIDÁTICO
nos conduzir ao destino eterno.
3. Uma mediação superior. Depois Prezado(a) professor(a), inicie a
de afirmar que Jesus era “o apóstolo”, aula desta semana fazendo as seguintes
o autor também diz que Ele é o “sumo perguntas:
sacerdote da nossa confissão”. Jesus a) O que Moisés representou para
era superior a Moisés, não apenas o povo de Israel?
em relação à missão, mas também b) Qual foi o papel de Moisés no
em relação à função que exercia. O estabelecimento da Antiga Aliança de
autor fará um contraste mais deta- Deus com o seu povo?
lhado entre o sacerdócio de Cristo e c) Por que Moisés é uma autoridade
o araônico mais adiante, mas aqui os respeitada na história de Israel?
crentes deveriam ter em mente que a Ouça as respostas dos alunos e em
mediação de Jesus era em tudo superior seguida faça um resumo abordando as
ao sistema mosaico e levítico. Cristo respostas das três perguntas a fim de
era o mediador da nossa confissão. A amarrar as informações. A ideia dessa
palavra “confissão” traduz o termo atividade é familiarizar a classe com
original homologia, que tem o sentido Moisés a fim de, a partir da importân-
primeiro de “concordância”. Quando cia dele para o povo judeu, destacar
confessamos Jesus como Salvador, a magnitude de Jesus Cristo como o
concordamos que Ele em tudo tem a mediador da Nova Aliança.
primazia. Ele é o Senhor. Ele é maior II – UMA AUTORIDADE SUPERIOR
do que tudo e do que todos; Ele, e 1. Construtor, não apenas admi-
somente Ele, é a razão do nosso viver. nistrador. O autor destaca que tanto
Moisés como Jesus foram fiéis na “casa
de Deus” (Hb 3.2). Eles foram fiéis na
SÍNTESE DO TÓPICO I missão que lhes foram confiada. Isso
Em relação a Moisés, a carta de He- mostra o apreço que o autor possuía
breus apresenta o Senhor Jesus com uma pelo legislador hebreu. Todavia, ao se
vocação superior, uma missão superior referir a Jesus, o autor usa a palavra
e uma mediação superior. grega aksioô, traduzida como “digno”,
“valor”, “mérito”. Duas coisas precisam

CONHEÇA MAIS
*A possibilidade de não chegar
ao fim da caminhada
“O livro de Hebreus considera a possibilidade de
permanecer firme na fé ou de abandoná-la como uma
escolha real, que deve ser feita por cada um dos leito-
res; o autor ilustra as consequências da segunda opção
referindo-se à destruição dos hebreus rebeldes no de-
serto após sua gloriosa libertação do Egito.”
Leia mais em “Comentário Bíblico
Pentecostal Novo Testamento”,
CPAD, p.1557-59.

22 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


ser destacadas no uso desse vocábulo
pelo autor. Primeiramente ele quer SÍNTESE DO TÓPICO II
mostrar que o mérito de Jesus era maior
Hebreus destaca o Senhor Jesus como
do que o de Moisés. Nosso Senhor era
o construtor da Nova Aliança; o Filho
o construtor do edifício, da casa de
amado de Deus; o ministro excelente
Deus, e não apenas o mordomo, como
da Igreja de Deus.
fora Moisés. Os crentes precisavam
enxergar isso e, assim, valorizarem
mais a sua salvação. Por outro lado, ao SUBSÍDIO TEOLÓGICO
usar o pretérito perfeito (tempo verbal
grego), ele demonstra que a glória de “[...] Pedro apresenta Jesus como o
Moisés era desvanecente, enquanto a Profeta semelhante a Moisés (vv.22,23).
de Jesus era permanente. Moisés havia declarado: ‘O SENHOR, teu
2. O perigo de ver, mas não crer. Deus, te despertará um profeta do meio
“[...] E viram, por quarenta anos, as de ti, de teus irmãos, como eu; a ele
minhas obras” (Hb 3.9). Erra quem ouvireis’ (Dt 18.15). Seria natural dizer
pensa que só acredita quem vê. Parece que Josué cumpriu essa profecia. Josué,
que quem muito vê, menos acredita. o seguidor de Moisés, realmente veio
Acaba ficando acostumado com o depois deste e foi um grande libertador
de seu tempo. Surgiu, porém, outro Josué
sobrenatural. Para algumas pesso-
(na língua hebraica, os nomes Josué e Je-
as o sobrenatural se “naturaliza”. É
sus são idênticos). Os cristãos primitivos
exatamente isso que aconteceu no
reconheciam Jesus como o derradeiro
deserto e era especificamente isso
cumprimento da profecia de Moisés.
que acontecera com a comunidade dos
No final do capítulo (vv.25,26),
primeiros leitores de Hebreus. Tanto
Pedro lembra aos ouvintes a aliança
Moisés como Jesus foram poderosos
com Abraão, muito importante para
em obras, mas isso não era suficiente
se entender a obra de Cristo: ‘Vós sois
para segurar os crentes. É preocupante
os filhos dos profetas e do concerto
quando o cristão se acostuma com
que Deus fez em nossos pais, dizendo
o sobrenatural e nada mais parece
a Abraão: Na tua descendência serão
impactá-lo ou sensibilizá-lo.
benditas todas as famílias da terra.
3. O perigo de começar, mas não
Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus,
terminar. “Estes sempre erram em
primeiro o enviou a vós, para que nis-
seu coração e não conheceram os
so vos abençoasse, e vos desviasse, a
meus caminhos” (Hb 3.10b). Com essas
cada um, das vossas maldades’. Claro
palavras o autor mostra o perigo de
está que, agora, é Jesus quem traz a
começar, mas não chegar; de andar,
bênção prometida e cumpre a aliança
mas se desviar. Alguns do antigo povo
com Abraão – e não apenas a Lei dada
de Deus haviam começado bem, mas
por meio de Moisés” (HORTON, Stan-
terminado mal. Muitos caíram pelo ca-
ley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma
minho, desistiram da estrada. O mesmo Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro:
risco estava ocorrendo com os cristãos CPAD, 1996, pp.307,08).
neotestamentários — haviam começado
bem, mas corriam o risco de caírem e III – UM DISCURSO SUPERIOR
perderem a fé. Esse alerta é para nós 1. O perigo de ouvir, mas não aten-
hoje! Como está a tua fé? der. Seguindo a redação da Septuaginta
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 23
(tradução grega da Bíblia Hebraica), o
autor cita o Salmo 95.7-11 para trazer SÍNTESE DO TÓPICO III
uma série de advertências. Se o povo A mensagem de Cristo faz alguns aler-
de Deus no Antigo Pacto precisou ser tas: o perigo de ouvir, mas não atender
exortado, maior exortação precisava ao apelo; o perigo de ver, mas não crer
os que tinham maiores promessas. na revelação; o perigo de começar, mas
Primeiramente havia o perigo de ouvir não terminar a jornada.
e não atender (Hb 3.7,8). No passado, o
povo de Deus tinha ouvido a mensagem
divina; entendido, mas não atendido!
SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO
O mesmo erro estava se repetindo. O “SE OUVIRDES HOJE A SUA VOZ Ci-
Espírito Santo, falando profeticamente tando Salmos 95.7-11, o escritor se refere à
pela boca do salmista, advertia os o desobediência de Israel no deserto, depois
leitores para que seus corações não do êxodo do Egito, como advertência aos
se endurecessem. É um apelo atual, crentes sob o novo concerto. Porque os
porque o povo de Deus muitas vezes israelitas deixaram de resistir ao pecado
demonstra ser tardio para ouvir. e de permanecer leais a Deus, foram
2. A humilhação do servo. A hu- impedidos de entrar na Terra Prometida
milhação de Jesus teve início com (ver Nm 14.29-43; Sl 95.7-10). Semelhan-
o esvaziamento de sua glória para temente, os crentes do Novo Testamento
tomar a forma de servo e culminou devem reconhecer que eles, também,
com o sofrimento na cruz (Fp 2.7,8). podem ficar fora do repouso divino, se
Sua humilhação está relacionada aos forem desobedientes e deixarem que
seus sofrimentos, como o ser perse- seus corações se endureçam.
NÃO ENDUREÇAIS O VOSSO CO-
guido, desprezado pelas autoridades,
RAÇÃO
discriminado (Jo 1.46), silenciado
O Espírito Santo fala conosco a
diante de seus acusadores, açoitado
respeito do pecado, da justiça e do
impiedosamente, injustamente julgado
juízo (Jo 16.8-11; Rm 8.11-14; Gl 5.16-
diante de Pilatos e Caifás e, finalmente,
25). Se formos indiferentes à sua voz,
crucificado e morto. Assim se cumpriu
nossos corações se tornarão cada vez
cada detalhe da profecia a respeito do mais duros e rebeldes a ponto de se
Servo Sofredor (Is 53). tornarem insensíveis à Palavra de Deus
3. O exemplo a ser seguido. Quan- ou aos apelos do Espírito Santo (v.7).
do andou na Terra, Jesus nos ofereceu A verdade e o viver em retidão já não
o melhor exemplo, fazendo a vontade serão prioridades nossas. Cada vez
do Pai e amando o próximo com um mais, buscaremos prazer nos caminhos
amor sem igual (Jo 4.34; Lc 4.18,19). do mundo e não nos caminhos de Deus
Logo, a partir da vida do Salvador, so- (v.10). O Espírito Santo nos adverte que
mos estimulados a priorizar o Reino de Deus não continuará a insistir conosco
Deus, a pessoa do Altíssimo em todas indefinidamente se endurecermos os
as áreas de nossa vida, não permitindo nossos corações por rebeldia (vv.7-11;
que nada tome o seu lugar em nosso Gn 6.3). Existe um ponto do qual não há
coração. Assim, somos instados a amar retorno (vv.10,11; 6.6; 10.26)” (Bíblia
o próximo na força do mesmo amor que de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro:
o Pai tem por nós (Mc 12.30,31). CPAD, 1995, p.1902).
24 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
CONCLUSÃO valorizá-la. Ora, se Moisés que não era
Ao mostrar a superioridade de divino, que não se deu sacrificalmente
Jesus sobre Moisés, o autor da Carta em lugar de ninguém, merecia ser
aos Hebreus não tencionava exaltar o ouvido, então por que Jesus, o Filho
primeiro e desprezar o segundo, mas do Deus bendito, Senhor da Igreja e
pôr em relevo a obra do Calvário, bem superior aos anjos, não merecia reco-
como esclarecer como os crentes devem nhecimento ainda maior?

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

PARA REFLETIR

A respeito da Superioridade de Jesus


em relação a Moisés, responda:
• Qual o ponto de partida para o autor aos Hebreus introduzir o assunto
sobre a vocação superior de Jesus?
Que Jesus era o autor e mediador da nossa salvação (Hb 2.14-18).
• Em que concordamos quando confessamos Jesus como Salvador?
Quando confessamos Jesus como Salvador, concordamos que Ele em tudo
tem a primazia. Ele é o Senhor. Ele é maior do que tudo e do que todos; Ele
e somente Ele é a razão do nosso viver.
• O que devemos destacar quando o autor usa aksioô, isto é, “digno”,
“valor” e “mérito”?
Diferente de Moisés, o mérito de Jesus era maior e sua glória era permanente.
• Se Moisés foi um ministro de Deus no culto da congregação do de-
serto, o que foi Jesus?
O ministro da Igreja, o povo de Deus na Nova Aliança, “a qual casa somos
nós” (Hb 3.6).
• Qual risco corria os cristãos neotestamentários?
O perigo de ouvir, mas não atender, o perigo de ver, mas não crer e o perigo
de começar, mas não terminar.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 37. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 25


Lição 4
28 de Janeiro de 2018

Jesus é Superior a Josué —


O meio de entrar no Repouso
de Deus

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“Procuremos, pois, entrar naquele O descanso provido por Josué foi


repouso, para que ninguém caia no terreno, temporário e incompleto; o
mesmo exemplo de desobediência.” descanso provido por Cristo é celestial,
(Hb 4.11) eterno e completo.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 4.2 Quinta – Hb 4.8,9
A mensagem de Deus deve ser A mensagem de Deus promove um
recebida pela fé descanso real e total
Terça – Hb 4.6 Sexta – Hb 4.11
A mensagem de Deus deve ser
A mensagem de Deus promove um
acompanhada pela obediência
descanso eterno
Quarta – Hb 4.7
A mensagem de Deus dever ser Sábado – Hb 4.12
acolhida com contrição A Palavra de Deus é viva e eficaz
26 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 4.1-13
1 - Temamos, pois, que, porventura, 7 - determina, outra vez, um certo dia,
deixada a promessa de entrar no seu Hoje, dizendo por Davi, muito tempo de-
repouso, pareça que algum de vós fique pois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a
para trás. sua voz, não endureçais o vosso coração.
2 - Porque também a nós foram pre- 8 - Porque, se Josué lhes houvesse dado
gadas as boas-novas, como a eles, repouso, não falaria, depois disso, de
mas a palavra da pregação nada lhes outro dia.
aproveitou, porquanto não estava 9 - Portanto, resta ainda um repouso
misturada com a fé naqueles que a para o povo de Deus.
ouviram.
10 - Porque aquele que entrou no seu
3 - Porque nós, os que temos crido, repouso, ele próprio repousou de suas
entramos no repouso, tal como disse: obras, como Deus das suas.
Assim, jurei na minha ira que não
entrarão no meu repouso; embora as 11 - Procuremos, pois, entrar naquele
suas obras estivessem acabadas desde repouso, para que ninguém caia no
a fundação do mundo. mesmo exemplo de desobediência.

4 - Porque, em certo lugar, disse assim 12 - Porque a palavra de Deus é viva, e


do dia sétimo: E repousou Deus de todas eficaz, e mais penetrante do que qualquer
as suas obras no sétimo dia. espada de dois gumes, e penetra até
à divisão da alma, e do espírito, e das
5 - E outra vez neste lugar: Não entrarão juntas e medulas, e é apta para discernir
no meu repouso. os pensamentos e intenções do coração.
6 - Visto, pois, que resta que alguns en- 13 - E não há criatura alguma encober-
trem nele e que aqueles a quem primeiro ta diante dele; antes, todas as coisas
foram pregadas as boas-novas não estão nuas e patentes aos olhos daquele
entraram por causa da desobediência, com quem temos de tratar.

HINOS SUGERIDOS: 47, 146, 212 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Demonstrar que Jesus é superior a Josué na mensagem e no provimento
de repouso para o povo de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Mostrar que a mensagem de Jesus é superior a de Josué;

II Mencionar a provisão de um descanso superior ao de Josué;

III Apontar a superioridade da orientação de Jesus em relação à de Josué.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 27


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O texto de Hebreus 4 mostra o que a história de Josué representa para a
Igreja de Cristo. Enquanto o ministério do sucessor de Moisés foi de caráter
terreno, temporário e incompleto – primeiro porque Israel não conquistou toda
a terra; depois, as guerras continuaram −, Jesus Cristo proveu um descanso
celestial, eterno e completo. Na lição desta semana, é preciso fazer o contraste
entre os ministérios de Jesus e Josué, conforme abaixo:

JOSUÉ ฀ Terreno ฀ Temporário ฀ Incompleto


JESUS ฀ Celestial ฀ Eterno ฀ Completo

Devido à popularização da teologia da prosperidade, bem como o aumento


da “politização ideológica” dos movimentos evangélicos, é comum alguns
cristãos virarem as costas para a dimensão celestial e eterna do ministério
de Jesus, alegando que se dermos ênfase ao “céu” formaremos cristãos
“escapistas”. O problema é que eles se esqueceram de combinar isso com o
autor de Hebreus. A natureza celestial, eterna e esperançosa do ministério
de Cristo é cristalina nas Escrituras! Por isso, embora a obra de Cristo tenha
consequências presentes como uma antecipação das bênçãos futuras, claro
que podemos vivê-las hoje, aqui e agora, não tenha receio de enfatizar a
natureza do porvir da obra de Cristo, pois Ele nos prometeu a vivência da
comunhão no Reino Celestial (Mt 26.28,29).

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO de voltar para a corrida e completar
A conquista de Canaã sob a lide- o percurso, entrando no descanso de
rança de Josué é retratada pelo autor Deus, era observando a sua Palavra.
da Carta aos Hebreus como um tipo da I – JESUS PROVEU UMA MENSAGEM
Canaã celestial. Deus havia prometido a SUPERIOR A DE JOSUÉ
conquista da terra a Moisés e Josué 1. Uma mensagem que deve
(Êx 3.8; Js 1.2,3). Mas ao longo ser recebida pela fé. O autor
PONTO
da jornada do Êxodo muitos CENTRAL inicia sua argumentação com
ficaram pelo caminho. A Enquanto Josué pro- uma afirmação e uma decla-
incredulidade e a desobe- porcionou um descan- ração. Primeiramente ele
diência, somadas à falta so terreno, temporário
e incompleto para Israel,
afirma que as boas-novas
de ânimo, fizeram com Jesus Cristo proveu um foram pregadas a seus
que o povo não vivesse descanso celestial, contemporâneos, assim
as promessas de Deus em eterno e completo como havia acontecido com
para a Igreja.
sua plenitude. O mesmo os crentes dos dias de Josué
processo estava se repetindo (Hb 4.2). Tanto aqui como no
agora com os crentes da Nova Aliança versículo seis, o autor usa o verbo
e pelas mesmas razões. A única forma grego euangelizomai, que significa
28 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
“evangelizar”, “pregar as boas-novas a por Lucas em Atos 19.9 para dizer que
alguém”. É a mesma raiz que dá origem os judeus se “mostraram endurecidos”
à palavra “evangelho”. Em segundo e por essa razão rejeitaram a mensagem
lugar, o autor declara que “a palavra de Paulo. Aqui em Hebreus, como em
da pregação nada lhes aproveitou, outros lugares do Novo Testamento, é
porquanto não estava misturada com o homem, e não Deus, que endurece o
a fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2). seu próprio coração. Deus só endurece
Muitos crentes do Antigo Pacto haviam quem já está anteriormente endurecido
ficado de fora da Terra Prometida por- (Rm 1.28,29). Para que a mensagem
que não receberam a mensagem com tenha efeito é preciso encontrar cora-
fé, o que se poderia esperar então dos ções contritos.
que receberam a mensagem em sua
plenitude, mas não lhe deram crédito?
2. Uma mensagem que se funda-
SÍNTESE DO TÓPICO I
menta na obediência. O autor passa a A mensagem de Jesus deve ser perce-
mostrar a razão de alguns não terem bida pela fé, praticada com obediência
entrado no descanso de Deus: “Visto, e recebida em contrição pessoal.
pois, que resta que alguns entrem nele
e que aqueles a quem primeiro foram
pregadas as boas novas não entraram SUBSÍDIO DIDÁTICO
por causa da desobediência” (Hb 4.6). Professor(a), o recebimento da
A desobediência (gr. apeitheia) é a Palavra com fé, o viver em obediência
manifestação ativa da incredulidade. e o coração contrito e aberto à Palavra
Essa palavra ocorre seis vezes no texto são os três aspectos do ouvinte da
original e foi usada pelo apóstolo Paulo mensagem de Jesus que devem ser
para se referir aos “filhos da desobe- enfatizados neste primeiro tópico. Deixe
diência” (Ef 2.2). O crente, quando não claro que sem fé é impossível agradar a
crê, age da mesma forma do incrédulo. Deus; sem obediência à Palavra não há
O autor de Hebreus usa essa palavra fundamento na vida cristã; sem coração
novamente no versículo 11, do mesmo contrito não há arrependimento.
capítulo, quando alerta o crente a não
“cair no exemplo de desobediência”. II – JESUS PROVEU UM DESCANSO
A mensagem de Deus só tem proveito SUPERIOR AO DE JOSUÉ
quando acompanhada pela obediência. 1. Um descanso total. Quando
3. Uma mensagem que conduz à contrastamos o capítulo 11.23 com o
contrição. A mensagem de Deus para 13.1 do livro de Josué surge uma per-
ser recebida necessita encontrar co- gunta: Josué conquistou ou não Canaã?
rações receptivos, abertos: “Hoje, se Especialistas em línguas semíticas
ouvirdes a sua voz, não endureçais o avaliam que Josué 11.23 refere-se a
vosso coração” (Hb 4.7b). O autor usa uma avaliação otimista das campanhas
o termo sklerynô – traduzido como do líder do povo de Deus. Ora, o povo
“duro”, “endurecido” – quatro vezes peregrino ansiava por vir chegar o dia de
nesta carta. Esse termo deu origem herdar a Terra Prometida. Nesse sentido,
a palavra portuguesa “esclerose”, e como era comum à época, o exército
“esclerosado”, isto é, “endurecido”, de Josué estabeleceu a supremacia
“enrijecido”. É a mesma palavra usada militar por sobre toda Canaã assim
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 29
que chegou ao território, embora não por Josué não foi apenas incompleto e
tivesse pleno controle de cada cidade tipológico, ele foi também temporário:
e vila, conforme deixa patente Josué “Portanto, resta ainda um repouso para
13.1. Logo, os capítulos 11 e 13 não o povo de Deus” (Hb 4.9). O descanso
são contraditórios, mas confirmam que não é aqui! Embora desfrutemos das
o descanso dado por Josué ao antigo bênçãos do reino na era presente, to-
povo de Deus foi incompleto e parcial. davia, o futuro aguarda a sua plenitude.
Por outro lado, o que o autor de Hebreus A estrada é longa e ninguém pode se
está mostrando é que o descanso pro- deixar fatigar pelo caminho. É preciso
vido por Jesus foi completo, total. Nada caminhar com dedicação e vigilância:
ficou para ser conquistado. “Procuremos, pois, entrar naquele re-
2. Um descanso real. A redação pouso, para que ninguém caia no mesmo
de Hebreus 4.8, diz: “Porque, se Jo- exemplo de desobediência” (Hb 4.11).
sué lhes houvesse dado repouso, não
falaria, depois disso, de outro dia”. A
conquista de Canaã era apenas um tipo SÍNTESE DO TÓPICO II
da qual a Canaã celestial é o antítipo. A O descanso que Jesus proveu para
conquista da Terra Prometida por Josué o seu povo é completo, real e eterno.
era apenas uma sombra da qual Jesus
é a realidade. Quem proveu, de fato,
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
um descanso para o povo de Deus foi
Jesus, não Josué: “Vinde a mim, todos “O repouso de Deus, no qual os
os que estais cansados e oprimidos, e crentes são convidados a entrar, é algo
eu vos aliviarei” (Mt 11.28). para o presente ou para o futuro? Certa-
3. Um descanso eterno. Para o mente o repouso de Deus em seu sentido
autor de Hebreus, o descanso provido mais amplo aguarda a era por vir, mas há

CONHEÇA MAIS
*O Descanso
“A preocupação pastoral do autor se torna
novamente evidente: ‘Que, porventura, deixada
a promessa de entrar no seu repouso, pareça
que algum de vós fique para trás’ (cf.3.12,13;
4.11). Entrar no repouso de Deus não é algo que
acontece automaticamente após a conversão a
Cristo, da mesma maneira que Israel não entrou
automaticamente em Canaã após a sua reden-
ção do Egito. Como Bruce observa, os leitores
‘farão bem em temer a possibilidade de perder
a grande bênção que nos está prometida, da
mesma maneira que a geração de israelitas que
morreu no deserto perdeu a Canaã terrestre,
embora este fosse o objetivo que tinham diante
de si quando saíram do Egito’.” Leia mais
em “Comentário Bíblico Pente-
costal Novo Testamento”,
CPAD, p.1563,64.

30 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


também um sentido presente de entrar III – JESUS PROVEU UMA
pela fé, como é indicado pelo versículo 3: ORIENTAÇÃO SUPERIOR A DE JOSUÉ
‘porque nós, os que temos crido [tempo 1. Uma palavra viva. Já vimos que
passado], entramos [tempo presente] no o autor de Hebreus afirma que a geração
repouso’ (cf. a ênfase do tempo presente do Êxodo ouviu as boas-novas da Pala-
em 4.1,10,11). A fé torna possível, no vra de Deus, mas não lhe deu ouvido.
presente, realidades que são futuras, Novamente o povo de Deus estava
invisíveis, ou celestiais (cf. 11.1). diante de sua Palavra. Essa Palavra não
Em 4.3-5, são enfatizados dois foi anunciada por um anjo, Moisés nem
fatos importantes:
tampouco por Josué, mas pelo próprio
1) O repouso de Deus é uma rea-
Filho de Deus — Jesus. Essa Palavra não
lidade presente e completa (4.3c,4) e
mais se limita à letra, a Lei, porque ela
2) Os israelitas não puderam entrar
é “viva” (Ez 37.3,4). Jesus afirmou que
no repouso de Deus (4.3b,5b) por causa
suas palavras “são espírito e vida” (Jo
de sua incredulidade e desobediência
6.63). Como devemos nos portar diante
(3.19; 4.6). Note que nosso autor cita
da Palavra Viva de Deus?
Gênesis 2.2 em Hebreus 4.4 e se refere
2. Uma palavra eficaz. A Palavra
ao Salmos 95.11 (duas vezes) em He-
de Deus é viva, ela produz vida. Mas
breus 4.3,5. Sua preocupação por seus
além de viva, ela é eficaz. Produz re-
leitores é que entrem no repouso de
Deus agora pela fé e que não o percam
sultados: “sendo de novo gerados,
para sempre, como fez a geração que não de semente corruptível, mas da
peregrinou no deserto. A incredulidade incorruptível, pela palavra de Deus,
fecha o coração para Deus e torna sua viva e que permanece para sempre”
promessa sem efeito. (1 Pe 1.23). O autor mostra que essa
O que é o repouso de Deus? É um palavra é produtiva. O termo energes,
repouso baseado na conclusão de sua traduzido como “eficaz”, é usado na
obra na criação (4.3c,4), do qual o sába- Bíblia para se referir à atividade divina
do sagrado é um testemunho duradouro. que produz resultados: “assim será a
Nossa participação em seu repouso é palavra que sair da minha boca; ela
baseada na obra consumada de Cristo não voltará para mim vazia; antes fará
na cruz; o fato de Ele estar ‘assentado’ o que me apraz e prosperará naquilo
(que inclui o pensamento de repouso) para que a enviei” (Is 55.11).
à direita do Pai é o testemunho dura- 3. Uma palavra penetrante. A
douro. O fato de Deus ter repousado Palavra de Deus é retratada como um
não significa que Ele, por conseguinte, instrumento vivo, eficaz e cortante,
tenha estado ou esteja em um estado “mais penetrante do que qualquer
de ociosidade, mas apenas que não há espada de dois gumes, e penetra até
nada a se acrescentar àquilo que Ele à divisão da alma, e do espírito, e das
fez. Deus repousou após criar todas juntas e medulas, e é apta para discernir
as coisas porque sua obra (de criar) os pensamentos e intenções do coração”
foi terminada ‘desde a fundação do (Hb 4.12). A metáfora usada pelo autor
mundo’ (4.3c)” (ARRINGTON, French L.; é muito forte e serve para mostrar que
STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico a Palavra de Deus possui um grande
Pentecostal Novo Testamento. Rio de poder de penetração. Ela não fica na
Janeiro: CPAD, 2004, pp.1563,64). superfície, mas vai até o centro do ser
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 31
humano. Os israelitas falharam por não também de trabalhar com a classe as
ouvir as palavras de Moisés e Josué, e questões da seção Para Refletir.
os cristãos, por outro lado, deveriam
ter mais prontidão para responder a CONCLUSÃO
essa Palavra.
A palavra chave desta lição é
“descanso”. Todos nós nos fatigamos
SÍNTESE DO TÓPICO III na caminhada da vida. O problema,
A orientação de Jesus foi manifesta portanto, não é se cansar, mas permitir
por meio de uma Palavra viva, eficaz que fatores diversos interrompam a
e penetrante. nossa jornada de fé. Com os israelitas
o desânimo veio como consequência
da infidelidade, incredulidade e deso-
SUBSÍDIO DIDÁTICO bediência. As mesmas coisas podem
Ao terminar a exposição deste tópi- acontecer conosco se não atentarmos
co, e com o auxílio das seções objetivos para a santa, viva e eficaz Palavra de
específicos e sínteses dos tópicos, faça Deus. Nessa jornada temos como guia
uma breve recapitulação dos assuntos não um Moisés ou um Josué, mas Jesus,
abordados nesta aula. Não esqueça o autor e consumador da nossa fé.

PARA REFLETIR

A respeito de Jesus é Superior a Josué –


O meio de entrar no Repouso de Deus, responda:
• Qual a primeira afirmação do autor aos Hebreus?
Que as Boas-novas foram pregadas aos seus contemporâneos, assim como
havia acontecido com os crentes dos dias de Josué (Hb 4.2).
• O que é preciso para que a mensagem tenha efeito?
A mensagem de Deus para ser recebida necessita encontrar corações re-
ceptivos, abertos.
• Segundo a lição, o que foi a conquista de Canaã?
A conquista da Terra Prometida por Josué era apenas uma sombra da qual
Jesus é a realidade.
• Para o autor de Hebreus, o que foi o descanso de Josué?
Para o autor de Hebreus, o descanso provido por Josué não foi apenas in-
completo e tipológico, ele foi também temporário: “Portanto, resta ainda
um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9).
• Se os israelitas falharam ao não ouvir as palavras de Moisés e Josué,
qual o cuidado que os cristãos devem ter?
Os cristãos, por outro lado, deveriam ter mais prontidão para responder
a essa Palavra.

32 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 38. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Dicionário Dicionário Gálatas,


Bíblico Vine Filipenses,
Wycliffe 1 e 2 Tessa-
lonicenses,
Hebreus

Um abrangente dicionário Um estudo profundo dos O autor contextualiza as Epís-


bíblico disponível para estu- principais termos bíblicos de tolas, tornando-as imprescin-
dantes, eruditos e leigos. cunho teológico. díveis aos crentes de hoje.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 33


Lição 5
4 de Fevereiro de 2018

Cristo é Superior a Arão


e à Ordem Levítica

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
Texto Áureo Verdade Prática
“Visto que temos um grande sumo
sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que Como Filho de Deus e Sumo
penetrou nos céus, retenhamos firme- Sacerdote, Jesus intercede eficaz-
mente a nossa confissão.” mente por sua Igreja.
(Hb 4.14)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 4.14 Quinta – Hb 5.7
Jesus, Sumo Sacerdote qualificado Jesus, o Sumo Sacerdote de vida
para representar os homens diante santa
de Deus
Sexta – Hb 5.8, 12.28
Terça – Hb 4.15
Jesus, o Sumo Sacerdote obediente
Jesus, Sumo Sacerdote identificado
com a condição humana e submisso que nos ensina

Quarta – Hb 5.4 Sábado – Hb 5.9-14


Jesus, Sumo Sacerdote e ministro Jesus, o Sumo Sacerdote
do santuário transcendente e necessário

34 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 4.14-16; 5.1-14

Hb 4.14 – Visto que temos um grande 6 – Como também diz noutro lu-


sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, gar: Tu és sacerdote eternamente, se-
que penetrou nos céus, retenhamos gundo a ordem de Melquisedeque.
firmemente a nossa confissão.
7 – O qual, nos dias da sua carne,
15 – Porque não temos um sumo sa- oferecendo, com grande clamor e
cerdote que não possa compadecer-se lágrimas, orações e súplicas ao que
das nossas fraquezas; porém um que, o podia livrar da morte, foi ouvido
como nós, em tudo foi tentado, mas quanto ao que temia.
sem pecado. 8 – Ainda que era Filho, aprendeu a
16 – Cheguemos, pois, com confiança obediência, por aquilo que padeceu.
ao trono da graça, para que possamos 9 – E, sendo ele consumado, veio a ser
alcançar misericórdia e achar graça, a causa de eterna salvação para todos
a fim de sermos ajudados em tempo os que lhe obedecem,
oportuno.
10 – chamado por Deus sumo sacerdo-
Hb 5.1 – Porque todo sumo sacerdote, te, segundo a ordem de Melquisedeque.
tomado dentre os homens, é constituído
a favor dos homens nas coisas concer- 11 – Do qual muito temos que dizer,
nentes a Deus, para que ofereça dons de difícil interpretação, porquanto vos
e sacrifícios pelos pecados, fizestes negligentes para ouvir.

2 – e possa compadecer-se ternamente 12 – Porque, devendo já ser mestres


dos ignorantes e errados, pois também pelo tempo, ainda necessitais de que
ele mesmo está rodeado de fraqueza. se vos torne a ensinar quais sejam os
primeiros rudimentos das palavras
3 – E, por esta causa, deve ele, tanto de Deus; e vos haveis feito tais que
pelo povo como também por si mesmo, necessitais de leite e não de sólido
fazer oferta pelos pecados. mantimento.
4 – E ninguém toma para si essa hon- 13 – Porque qualquer que ainda se ali-
ra, senão o que é chamado por Deus, menta de leite não está experimentado
como Arão. na palavra da justiça, porque é menino.
5 – Assim, também Cristo não se glo- 14 – Mas o mantimento sólido é para
rificou a si mesmo, para se fazer sumo os perfeitos, os quais, em razão do
sacerdote, mas glorificou aquele que costume, têm os sentidos exercitados
lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei. para discernir tanto o bem como o mal.

HINOS SUGERIDOS: 152, 291, 402 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Pontuar o sacerdócio do Senhor Jesus como superior à ordem levítica e que,
por isso, Ele teve autoridade para inaugurar uma nova ordem.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 35


OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Demonstrar biblicamente a natureza da superioridade do sacerdócio


de Jesus Cristo;

II Ensinar que o sacerdócio de Cristo foi superior quanto ao serviço;

III Expressar a importância teológica do sacerdócio do Senhor Jesus.

36 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Hebreus 4.14-16 talvez seja a passagem mais enfática acerca da perfeição
do ministério sacerdotal de Jesus Cristo. Ali, o texto apresenta nosso Senhor
como um sumo sacerdote capaz de compadecer-se de nossas fraquezas porque
Ele havia sido tentado em tudo. Com base nesse fato que o autor aos Hebreus
encoraja os cristãos: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para
que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados
em tempo oportuno” (v.16). Encoraje sua classe a partir dessa Palavra!

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Hebreus mostra que o sumo sacerdote
A doutrina do sacerdócio de Je- do Antigo Pacto era escolhido dentre
sus começa a ser exposta a partir de seus pares (Hb 5.1). Com essa expo-
Hebreus 4.14-16. Nessa seção o autor sição o autor quer chamar a atenção
apresenta Jesus como “o grande sumo para o mistério da encarnação, quando
sacerdote que penetrou os céus”. Jesus, Deus se humaniza para tratar com
portanto, era um Sumo Sacerdo- os homens. Mesmo porque,
PONTO
te grandioso, misericordioso como afirma certo teólogo, “é
CENTRAL
e compassivo. Na seção de Jesus Cristo é o sa- necessário que um homem
Hebreus 5.1-10, o autor sacro cerdote perfeito que seja escolhido para repre-
apresenta de forma detalha- executou o mais sentar homens ao tratar dos
perfeito sacrifício
da uma discussão sobre as pela humani- pecados deles contra Deus”.
atribuições e qualificações dade. Jesus, nosso Sumo Sacerdote,
do sacerdócio. A intenção dele é quem nos apresentou diante
é mostrar que o sacerdócio de Jesus de Deus. Ao contrário do sacerdócio
superou o sacerdócio arônico e a ordem arônico, que oferecia ofertas e sacri-
levítica em grandeza e qualificação. Os fícios, Jesus ofereceu sua própria vida
sacerdotes humanos eram cobertos de como oferta a Deus em nosso favor
fraquezas e defeitos e, por isso, pouco (Hb 4.14-16).
podiam fazer pelos homens. Todavia, 2. Por compreender melhor a
Jesus, como Sumo Sacerdote, era de uma condição humana. Para melhor com-
ordem superior e perfeita e, por conta preender a condição humana, o autor
disso, capaz de condoer-se e socorrer prossegue com sua exposição da
os que a Ele recorrem. Por fim, o autor função sacerdotal. O sumo sacerdote
finaliza censurando os crentes pela era alguém tirado de entre o povo e
ignorância deles frente a uma doutrina com a capacidade de compreender a
de tão grande relevância. condição humana. A palavra “compa-
decer-se” (Hb 5.2,3) traduz o termo
I – UM SACERDÓCIO SUPERIOR
grego metriopatheia, que significa
QUANTO À QUALIFICAÇÃO
escolher um meio termo a fim de se
1. Por representar melhor os evitar os extremos. Um sacerdote que
homens diante de Deus. O escritor de trabalhava com as exigências da Lei
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 37
e, ao mesmo tempo com as fraquezas foram escolhidos diretamente por
humanas, necessitava, a todo mo- Deus para esse ministério (Êx 28.1; Sl
mento, evitar os extremos. Isso se 105.26). Jesus, nosso Sumo Sacerdote,
tornava mais emblemático quando em tudo foi superior e mais honrado
ele precisava fazer sacrifícios pelos do que Arão visto pertencer a uma
pecados alheios e os seus próprios. ordem sacerdotal superior e haver
Ele não poderia ser complacente com sido enviado do céu para essa missão.
o pecado nem tampouco agir com
extrema severidade. Na mente do
autor sagrado somente Jesus, o Sumo SÍNTESE DO TÓPICO I
Sacerdote perfeito, pôde cumprir esse O sacerdócio de Cristo é mais qua-
requisito. lificado do que o de Arão e o da ordem
3. Pela posição que exerceu. Não levítica porque representa melhor o ser
era sumo sacerdote quem quisesse humano diante de Deus, pois compre-
ser, mas aquele a quem o Senhor ende a condição humana, e também
chamasse (Hb 5.4). O contexto deixa por pertencer ao “sacerdócio do céu”.
claro que a palavra “honra” tem o
sentido de “cargo” ou “posição” e está
relacionada ao ministério sacerdotal
ao qual o Senhor delegou a alguém. SUBSÍDIO DIDÁTICO
Ser um ministro do altar era algo Enfatize a superioridade da quali-
extremamente honroso, de grande ficação do sacerdócio de Cristo em
importância e de muita responsabi- relação ao de Arão e ao da ordem levíti-
lidade. Tanto Arão como seus filhos ca. Utilize o auxílio do esquema abaixo.

AS RAZÕES DA SUPERIORIDADE DA QUALIFICAÇÃO DO SACERDÓCIO


Representa melhor o Compreende melhor a Pertence a um “sacerdócio
ser humano diante de condição humana: superior”:
Deus:

“Jesus, nosso sumo “Um sacerdote que “Não era sumo sacerdo-
sacerdote, é quem nos trabalhava com as te quem quisesse ser,
apresentou diante de exigências da Lei e, mas aquele a quem o Se-
Deus. Ao contrário do ao mesmo tempo com nhor chamasse (Hb 5.4).
sacerdócio arônico, que as fraquezas huma- [...]Jesus, nosso sumo
oferecia ofertas e sacri- nas, necessitava, a sacerdote, em tudo foi
fícios, Jesus ofereceu todo tempo, evitar os superior e mais honra-
sua própria vida como extremos. Na men- do do que Arão visto
oferta a Deus em nosso te do autor sagrado pertencer a uma ordem
favor (Hb 4.14-16).” somente Jesus, o sumo sacerdotal superior e
sacerdote perfeito, haver sido enviado do
pôde cumprir com céu para essa missão.”
esse requisito [porque
ninguém como Ele
compreendia tão bem
a condição humana].”
38 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
II – UM SACERDÓCIO SUPERIOR
QUANTO AO SERVIÇO
1. Pela realeza e o propósito Nosso Cristo, mesmo sen-
pelo qual viveu. Em sua exposição do Filho de Deus, não glorificou a si
sobre o sacerdócio de Cristo, o autor mesmo nem tampouco buscou honra
combina o Salmo 2.7 com o 110.4. para si, mas exerceu o sacerdócio por
Essas citações servem para o autor meio da vontade do Pai.
sacro argumentar a favor da filiação
divina e da realeza do sacerdócio de
Jesus. Respeitados especialistas em para si, mas exerceu o sacerdócio por
Antigo Testamento ressaltam que o meio da vontade do Pai (Fp 2.5-7).
tipo de “messias” que os judeus da 2. Pela vida santa que possuía.
época de Jesus esperavam era de natu- A primeira parte do versículo sete do
reza político-religiosa. Entretanto, os capítulo cinco de Hebreus é usada
textos dos Salmos mostram que Jesus pelo autor sacro para se referir à vida
Cristo não era um messias político nem piedosa de Jesus. Intercessão, compai-
meramente religioso, mas o Messias xão, oração e súplicas são qualidades
aclamado por Deus em Salmos 2.7 e presentes em um verdadeiro sacerdote.
reconhecido pelo Pai como Sumo Sa- O autor destaca que os fatos por ele
cerdote em Salmos 110.4: o Messias levantados aconteceram quando Jesus
que os cristãos reconhecem como o ainda exercia seu ministério terreno,
Filho de Deus, Rei e Sumo Sacerdote revelando dessa forma o seu viver san-
do Novo Pacto. Nosso Cristo, mesmo to. Os intérpretes destacam que esses
sendo Filho de Deus, não glorificou a fatos estão relacionados com a oração
si mesmo nem tampouco buscou honra de Jesus no Getsêmani (Mc 14.33-36),

CONHEÇA MAIS

*Todo o sumo sacerdote


Duas qualificações são necessárias para um verdadei-
ro sacerdócio. (1) O sacerdote deve ser compassivo,
manso e paciente com aqueles que se desviam por
ignorância, por pecado involuntário e por fraqueza
(v.2; 4.15; cf. Lv 4; Nm 15.27-29). (2) Deve ser designa-
do por Deus (vv.4-6). Cristo satisfaz ambos requisitos.
[...] Cristo aprendeu pela experiência o sofrimento e
o preço que com frequência se paga pela obediência
a Deus num mundo corrupto (cf. 12.2; Is 50.4-6; Fp
2.8). Ele se tornou o Salvador e sumo sacerdote per-
feito, porque seu sofrimento e morte na cruz ocorre-
ram sem pecado. Por isso, Ele estava qualificado em
todos os sentidos (vv.1-6), para nos
prover a eterna salvação.” Leia
mais em “Bíblia de Estudo
Pentecostal”, CPAD,
pp.1905,06.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 39


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Filho e sacerdote (5.5,6). O
O viver temente de Jesus o
autor cita duas passagens. A primei-
conduziu a suportar o sofrimento em
ra estabelece o direito de Jesus, na
favor da humanidade e, dessa forma, a
condição de filho, de ministrar no
completar a obra expiatória em favor
próprio céu (cf.8.3-6). A segunda,
de todos.
estabelece seu direito de servir na
terra como Sumo Sacerdote. A razão
pela qual é importante traçar o sacer-
conforme narra os Evangelhos e serve dórcio de Jesus desde Melquisedeque
para mostrar que um sacerdote assim, é discutida no capítulo 7.
santo, piedoso e compassivo, é capaz Obediência (5.7,8). Obedecer é
de condoer-se das fraquezas humanas responder de acordo com o pedido ou
e dos que sofriam. o comando de outra pessoa. Ambos
3. Pela submissão que demons- os Testamentos deixam claro que a
trou. A expressão “foi ouvido quanto obediência a Deus cresce em direção
ao que temia” (Hb 5.7, ARC) é traduzida ao relacionamento pessoal com Ele e
na Almeida Revista e Atualizada (ARA) é motivado pelo amor. Duas das mais
como “tendo sido ouvido por causa da importantes passagens das epístolas
sua piedade”. A razão da diferença nas examinam a obediência de Cristo.
traduções é a palavra eulabeia usada Filipenses 2 focaliza a atitude de
pelo autor. Essa palavra só aparece humildade e renúncia, expressas na
duas vezes no Novo Testamento grego encarnação de Cristo. E sua trajetória
e as duas ocorrências encontram-se até a cruz. Essa passagem, Hebreus 5,
em Hebreus: uma aqui no capítulo 5 discute o significado da obediência
e outra em Hebreus 12.28. Em He- de Cristo. Ao aprender a obedecer ele
breus 12.28, tanto a ARC como a ARA estabeleceu suas credenciais como
traduzem como “reverência”. Não há um verdadeiro ser humano, vivendo
dúvida que este último sentido deve da mesma maneira que vivemos, no
ser mantido aqui. Eulabeia, portanto, que diz respeito à obediência a Deus.
mantém o sentido de um temor pie- Assim qualificado, Jesus tornou-se o
doso e reverente. O viver temente ‘Autor da salvação eterna para todos
de Jesus o conduziu a supor tar o os que lhe obedecem’” (RICHARDS,
sofrimento em favor da humanidade Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia:
e, dessa forma, a completar a obra Uma análise de Gênesis a Apocalipse
expiatória em favor de todos. capítulo por capítulo. Rio de Janeiro:
CPAD, 2010, p.859).
III – UM SACERDÓCIO SUPERIOR
SÍNTESE DO TÓPICO II QUANTO À IMPORTÂNCIA
A realeza, o propósito pelo qual TEOLÓGICA
viveu, a vida santa que possuía e a 1. Uma doutrina transcendente.
submissão demonstrada no seu mi- A última parte da seção de Hebreus
nistério apontam para superioridade 5.11-14 forma um parêntese feito
do serviço de Cristo. pelo autor para chamar a atenção da
importância teológica que possuía
40 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
essa doutrina — o sacerdócio de Jesus
Cristo. A compreensão dessa doutrina
era de suma importância para o viver Quando não se tem matu-
cristão, mas a falta de crescimento por ridade suficiente na vida cristã fica
parte dos leitores tornava difícil para o difícil e, às vezes, impossível de se
autor torná-la compreendida. Era uma fazer escolhas acertadas.
doutrina que transcendia em muito
aqueles princípios formadores da fé
cristã. Requeria maturidade, o que só dócio (vv.5,6). Cristo também cumpre as
teria sido possível se eles exercitassem qualificações de sensibilidade diante da
suas mentes na meditação da Palavra. fraqueza humana. Como homem, Jesus
2. Uma doutrina essencial. Se aprendeu a obediência pelas cousas
por um lado essa doutrina era por que sofreu (vv.7,8). Devidamente quali-
natureza transcendente, por outro, ficado, foi nomeado sumo sacerdote,
formava o âmago da fé cristã. A sua segundo a ordem de Melquisedeque
compreensão traz substância à nossa e se transformou na fonte de nossa
fé. Não era de admirar que os hebreus salvação (vv.9,10). Isto posto, o autor
estavam indolentes, desanimados e lança mais uma advertência devido à
fracos. Não possuíam uma fé substan- aparente incapacidade de seus leitores
cial (Hb 5.13,14). Quando não se tem de perceberem até mesmo as mais
maturidade suficiente na vida cristã elementares verdades do cristianismo.
fica difícil e, às vezes, impossível de Para caminhar em direção à maturida-
se fazer escolhas acertadas. de, devem se valer das verdades que
têm ensinado, como guia a distinguir
o bem do mal. Para ser considerada
SÍNTESE DO TÓPICO III
alimento sólido e não leite, a verdade
A doutrina da superioridade sacer- deve ser explicitada na prática (vv.11-
dotal de Cristo é transcendental aos 14)” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do
princípios formadores da fé cristã e Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis
essencial à nossa fé. a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio
de Janeiro: CPAD, 2010, p.859).
SUBSÍDIO TEOLÓGICO CONCLUSÃO
“Resumo do capítulo [5]. O sumo O final do capítulo quatro de He-
sacerdote ocupava uma posição única na breus e todo o capítulo cinco trazem
religião de Israel, um cargo acessível tão aspectos relevantes sobre o sistema
somente a um descendente de Arão. Por sacerdotal nos dias bíblicos. Vimos que
isso, o escritor se mostra cauteloso ao o autor apresentou, primeiramente, as
enumerar as qualificações de Cristo para qualificações que eram exigidas para
esse papel na fé, no Novo Testamento. um sacerdote e depois as contrastou
O sumo sacerdote é tomado dentre os com o Sumo Sacerdote perfeito, Jesus.
homens. Sua comissão de representar O Filho de Deus viveu toda a nossa
a outros homens diante de Deus exige condição humana e, como sacerdote
que Ele seja uma pessoa sensível às perfeito, está habilitado para interceder
necessidades dos seres humanos (v.4). por nós. Esta é uma doutrina que todos
Cristo foi ordenado por seu Pai ao sacer- devemos conhecer bem.
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 41
PARA REFLETIR

A respeito de Cristo é Superior a Arão


e à Ordem Levítica, responda:
• Ao contrário do sacerdócio arônico, o que Jesus ofereceu?
Jesus ofereceu sua própria vida como oferta a Deus em nosso favor (Hb
4.14-16).
• Por que Jesus, nosso Sumo Sacerdote, em tudo foi superior e mais
honrado do que Arão?
Jesus, nosso sumo sacerdote, em tudo foi superior e mais honrado do que
Arão visto pertencer a uma ordem sacerdotal superior e haver sido enviado
do céu para essa missão.
• Como foi estabelecido o sacerdócio de Jesus?
Jesus foi aclamado por Deus como Messias davídico (Sl 2.7) e como sumo
sacerdote (Sl 110.4). Portanto, o sacerdócio de Jesus se dá em razão da sua
filiação divina.
• Quais as qualidades presentes em um verdadeiro sacerdote?
Intercessão, compaixão, oração e súplicas são qualidades presentes em um
verdadeiro sacerdote.
• Como seria possível chegar à maturidade cristã?
Exercitando a mente na meditação da Palavra.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 38. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Faces do Teologia Pregando


Antigo do Antigo a partir do
Testamento Testamento Antigo
Testamento

Um exemplar de estudos do Uma exposição dos principais O livro trata do valor, o


Antigo Testamento sendo uma ensinamentos teológicos do problema e a tarefa de pregar
referência muito útil tanto Antigo Testamento. com o Antigo Testamento.
para os estudantes iniciantes
quanto aos mais maduros.

42 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 6
11 de Fevereiro de 2018

Perseverança e Fé
em Tempo de Apostasia

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
Texto Áureo Verdade Prática

“Para que vos não façais negligentes,


mas sejais imitadores dos que, pela fé Contra o perigo da apostasia, a Pala-
e paciência, herdam as promessas.” vra de Deus revela a necessidade de
ânimo e perseverança de fé.
(Hb 6.12)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 6.1,2 Quinta – Hb 6.10
A necessidade do crescimento O serviço cristão, a obra de Deus e
espiritual em Cristo a justiça divina
Terça – Hb 6.4 Sexta – Hb 6.12,13
Apostasia, um perigo na vida de Abraão, um exemplo de
quem foi regenerado perseverança e fidelidade
Quarta – Hb 6.5 Sábado – Hb 6.20
Apostasia, um perigo na vida de Jesus, o nosso precursor na
quem viveu as realidades do Reino Eternidade com Deus

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 43


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 6.1-15
1 – Pelo que, deixando os rudimentos 9 – Mas de vós, ó amados, espe-
da doutrina de Cristo, prossigamos ramos coisas melhores e coisas que
até a perfeição, não lançando de novo acompanham a salvação, ainda que
o fundamento do arrependimento de assim falamos. 
obras mortas e de fé em Deus,
10 – Porque Deus não é  injusto para se
2 – e da doutrina dos batismos, e da esquecer da vossa obra e do trabalho
imposição das mãos, e da ressurreição de amor que, para com o seu nome,
dos mortos, e do juízo eterno. mostrastes, enquanto servistes aos
3 – E isso faremos, se Deus o permitir. santos e ainda servis.

4 – Porque  é  impossível que os 11 – Mas desejamos que cada um


que já uma vez foram iluminados, e de vós mostre o mesmo cuidado até
provaram o dom celestial, e se fizeram ao fim, para completa certeza da
participantes do Espírito Santo, esperança;

5 – e provaram a boa palavra de Deus 12 – para que vos não façais negli-
e as virtudes do século futuro, gentes, mas sejais imitadores dos
que, pela fé e paciência, herdam as
6 – e recaíram sejam outra vez renova- promessas.
dos para arrependimento; pois assim,
quanto a eles, de novo crucificam o 13 – Porque, quando Deus fez a pro-
Filho de Deus e o expõem ao vitupério. messa a Abraão, como não tinha outro
maior por quem jurasse, jurou por si
7 – Porque a terra que embebe a chuva mesmo,
que muitas vezes cai sobre ela e produz
erva proveitosa para aqueles por quem 14 – dizendo: Certamente, abençoan-
é lavrada recebe a bênção de Deus; do, te abençoarei e, multiplicando, te
multiplicarei.
8 – mas a que produz espinhos e abro-
lhos é reprovada e perto está da maldi- 15 – E assim, esperando com paciência,
ção; o seu fim HINOS
é ser queimada. alcançou
SUGERIDOS: 75, 79, 107 daaHarpa
promessa.
Cristã
OBJETIVO GERAL
Conscientizar que para perseverarmos na fé precisamos crescer em Cristo,
estar em constante vigilância e confiar nas promessas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tó-
pico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Afirmar a necessidade do crescimento espiritual;

II Sinalizar a necessidade de vigilância espiritual num tempo de apostasia;

III Conscientizar acerca da necessidade de confiarmos nas promessas de Deus.

44 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Apostasia remonta a ideia de decaída, deserção, rebelião, abandono, retira-
da ou afastamento daquilo que antes se estava ligado. Em relação à nossa fé,
apostasia significa romper o relacionamento salvífico com Cristo. Geralmente
esse fenômeno se manifesta na esfera moral e ética, bem como na esfera dou-
trinária. Neste tempo de apostasia, à luz da Carta de Hebreus, somos chamados
a perseverar na comunhão com Cristo e a viver em fé na esperança renovada
de que um dia estaremos para sempre com o Senhor.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
cristã começa com o arrependimento e
O autor já havia dito que os cren- fé (Mc 1.15). De fato, a Bíblia mostra que
tes deveriam ser mestres, mas em vez para que uma pessoa possa ser salva, ela
disso necessitavam que alguém lhes primeiro deve crer (Mc 16.16; At 16.31;
ensinasse de novo os primeiros Rm 1.16; Ef 2.8; 1 Tm 1.16) e não
rudimentos da fé (Hb 5.12). A PONTO o contrário. Todavia não deve
vida cristã é dinâmica e exige CENTRAL parar aí. Há um longo caminho
que o discípulo vá além dos Devemos ter uma a percorrer e os seus leitores,
primeiros passos. Mas isso vida de perseveran- parece, haviam se esquecido
não estava acontecendo com ça e fé em tempos
desse fato, “estacionando”
de apostasia.
a comunidade com a qual o na jornada.
autor sacro se correspondia. Em 2. Indo além dos rudimen-
vez disso, dava sinais de cansaço, tos doutrinários sobre batismos e
indolência, negligência e imaturidade imposição de mãos. O segundo bloco
espiritual, o que poderia trazer como de rudimentos doutrinários (Hb 6.2)
consequência o esfriamento e o fracasso mostrado pelo autor é formado pelos
na fé. A graça não é irresistível e nem ensinamentos sobre batismos e imposi-
tampouco incondicional. A apostasia é ção de mãos. O contexto mostra que em
retratada pelo escritor como algo real e Hebreus 6.2 a referência é ao batismo
não apenas como um perigo hipotético, cristão em contraste com outros batis-
por isso, ele mostra que para se evitar
mos praticados no judaísmo. Na igreja
decair é necessário perseverança, fé e
primitiva o batismo em águas era feito em
confiança nas promessas de Deus.
razão do “arrependimento para remissão
I – A NECESSIDADE DO de pecados” (Mc 1.4; At 10.47,48; 22.16).
CRESCIMENTO ESPIRITUAL O batismo não possuía poder salvífico,
1. Indo além dos rudimentos dou- isto é, não era um sacramento, mas um
trinários sobre arrependimento e testemunho público da fé em Cristo. Por
fé. Longe de dizer que a doutrina do outro lado, a doutrina da imposição de
arrependimento e da fé não é mais ne- mãos é evidenciada em vários lugares
cessária, o autor quer mostrar que ela na Bíblia, mas era sempre demonstrada
é importante sim, mas que constitui o como um símbolo exterior da prática da
“ABC doutrinário” da fé cristã. A vida oração (At 6.6; 13.3; 1 Tm 4.14).
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 45
3. Indo além dos rudimentos dou-
trinários sobre ressurreição e juízo. SÍNTESE DO TÓPICO I
Fica patente para o leitor do Novo Crescer espiritualmente significa ir
Testamento que a pregação apostólica além dos rudimentos doutrinários do
se fundamentava primeiramente no arrependimento e da fé, do batismo,
fato da ressurreição de Jesus (At 4.33; da imposição de mãos, da ressurreição
17.18). Tanto a doutrina da ressurreição e do juízo.
dos mortos como a do juízo vindouro
são demonstradas pelo autor como
fontes de esperança para os cristãos SUBSÍDIO DIDÁTICO
(Hb 10.36,37; 12.28,29). Elas eram Prezado(a) professor(a), faça um
elementos indispensáveis para que resumo do capítulo 6 de Hebreus para a
o cristão mantivesse sua expectativa classe, antes de introduzir este tópico. Se
no porvir. Mas não deveriam parar aí, possível, reproduza o esquema abaixo:
antes, tinham de avançar.

AS RAZÕES DA SUPERIORIDADE DA QUALIFICAÇÃO DO SACERDÓ

O escritor dá prosseguimento à adver-


tência dirigida aos que, muito embora
ensinem os crentes, falharam em
não alcançar a maturidade (cf.5.11-
Resumo do capítulo. 14). Está lançado o fundamento dos
princípios elementares. Amadurece-
mos pela construção sobre eles, não
voltando repetidas vezes (6.1-3). [...]
Os cristãos são como terra semeada
sobre a qual Deus derrama a chuva.
Somos projetados para produzir uma
boa colheita, não de espinhos (vv.7,8).
O escritor está seguro de que seus
leitores judeus cristãos não repre-
sentam uma terra imprestável, pois
simplesmente deseja estimulá-los a
serem diligentes (vv.9-12).

Versículos-chave. 6.17,18.

Aplicação pessoal. Nossa salvação é um alicerce a ser


construído, não um andaime vacilan-
te onde se caminha receoso.

Conceitos-chave. Arrependimento; Batismo; Ressur-


reição; Juízo; Frutífero; Salvação;
Aliança; Esperança.

Texto adaptado da obra “Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo”, Editora CPAD, p.860.

46 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


II – A NECESSIDADE DA VIGILÂNCIA
ESPIRITUAL
1. Apostasia, uma possibilidade A apostasia, o perigo de
para quem foi iluminado e regenerado. decair da fé, é colocada pelo escritor
As palavras do autor dão início ao ver- de Hebreus como algo factível, um
sículo 4 do capitulo 6 de Hebreus com perigo real a ser evitado por quem
o vocábulo grego adynato, traduzido nasceu de novo.
aqui como “impossível”. É a mais forte
advertência em o Novo Testamento
sobre o perigo de decair da graça. 2. Apostasia, uma possibilidade para
Os gramáticos observam que o seu quem vivenciou a Palavra e o Espírito. A
sentido aqui é enfatizar o que vem possibilidade de decair da graça é posta
colocado depois da conversão (Hb 6.4). para aqueles que “se fizeram participan-
O autor fala de pessoas crentes, por- tes do Espírito Santo, e provaram a boa
que nenhum descrente foi iluminado palavra de Deus” (Hb 6.4,5). O autor sacro
nem tampouco experimentou do dom já havia dito como uma pessoa se torna
celestial. No capítulo 10 e versículo participante de alguma coisa. Os crentes
32 ele usa a expressão “iluminados” tornam-se participantes da vocação ce-
para se referir à conversão dos seus lestial (Hb 3.1); participantes de Cristo
leitores. Além do mais, as palavras (Hb 3.14) e, dessa forma, participantes
“uma vez” (Hb 6.4) contrastam com do Espírito Santo (Hb 6.4). Mais uma vez o
“outra vez” (Hb 6.6), mostrando o texto mostra que a mensagem é dirigida
antes e o depois da conversão. Essas às pessoas regeneradas. Esses crentes ha-
não são expressões usadas para pes- viam se tornado participantes do Espírito
soas não regeneradas. A apostasia, Santo e da Palavra de Deus. Somente os
o perigo de decair da fé, é colocada nascidos de novo participam do Espírito
pelo escritor de Hebreus como algo Santo (Jo 14.17) e provam da Palavra (At
factível, um perigo real a ser evitado 8.14; 1 Ts 2.13). Portanto, trata-se de uma
por quem nasceu de novo. advertência para os salvos.

CONHEÇA MAIS

*Apostasia
“[Do gr. apostásis, afastamento] Abandono preme-
ditado e consciente da fé cristã. No Antigo Testa-
mento, não foram poucas as apostasias cometidas
por Israel. Só em Juízes, há sete desvios ou abjura-
ção da verdadeira fé em Deus. Para os profetas, a
apostasia constituía-se num adultério espiritual. Se
a congregação hebreia era tida como a esposa de
Jeová, deveria guardar-lhe fielmente os preceitos,
e jamais curvar-se diante dos ídolos.” Leia
mais em “Dicionário Teológico”, de
Claudionor Corrêa de Andrade,
CPAD, p.48.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 47


tência enfoca a terrível possibilidade
de uma apostasia irreparável, se tal
Ao receber a Cristo como regressão prosseguir de modo incon-
Salvador, os crentes já participam trolável (6.4-8). O autor então encoraja
antecipadamente das bênçãos do e desafia seus leitores a progredirem,
Reino de Deus. prosseguindo em esperança e fé com
perseverança (6.9-20).
Hebreus 6.4-6 constitui uma frase
3. Apostasia, uma possibilidade longa e complexa em grego, que adverte
para quem viveu as expectativas do solenemente sobre a possibilidade de
Reino. Esses crentes, aos quais o autor abandono (apostasia) da fé cristã e da
se referia, também experimentaram impossibilidade desta vir a ser restau-
“as virtudes do século futuro” (Hb 6.5). rada, uma vez que tal condição tenha
Essa expressão é usada no contexto ocorrido. [...] Quem são os sujeitos desta
da cultura neotestamentária como impossibilidade?
uma referência a era messiânica. Ao [...] O estudioso F.F. Bruce obser-
receber a Cristo como Salvador, os va corretamente que o texto em 6.4-6
crentes já participam antecipada- foi tanto ‘indevidamente minimizado’
mente das bênçãos do Reino de Deus. quanto ‘indevidamente exagerado’. Foi
Vigilância mais uma vez é requerida indevidamente minimizado por aqueles
para os salvos que ingressaram nes- que argumentam de uma forma ou de
se Reino. Quem despreza a graça de outra que as pessoas descritas 6.4,5
Deus, não se torna um “cidadão real”
nunca foram cristãos completamente
desse Reino.
regenerados (por exemplo, Grudem, 1995,
132-182), ou que este foi somente um
caso hipotético sendo apresentado pelo
SÍNTESE DO TÓPICO II
autor e não algo que pode realmente
Precisamos ter vigilância espiritual acontecer na prática (por exemplo, Hewitt,
porque a apostasia é uma possibi- 1960, 110-11). A passagem também foi
lidade para quem foi iluminado e indevidamente exagerada por aqueles que
regenerado, para quem vivenciou a ensinam que uma vez que uma pessoa
Palavra, provou do Espírito e viveu a
tenha se convertido e sido batizada em
expectativa do Reino.
Cristo, e em seu corpo, e então por um
lapso cair novamente em sua antiga vida
pecaminosa, não poderá haver um perdão
SUBSÍDIO TEOLÓGICO futuro ou uma restauração ao convívio
“Alguns intérpretes combinam cristão (por exemplo, Tertuliano sobre o
5.11−6.20 como uma unidade exorta- pecado pós-batismal). Estas interpretações
tiva. No entanto, há boas razões para estão sendo aplicadas à passagem sem
dividir a passagem em duas advertên- uma consideração de seu contexto, e não
cias separadas (embora relacionadas). fazem nenhuma distinção entre ‘desviar-
Enquanto 5.11−6.3 enfoca o perigo se’ e ‘apostatar’” (ARRINGTON, French
da lentidão e da regressão espiritual, L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário
com uma exortação para avançar em Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
direção à maturidade, a segunda adver- Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.1573-75).
48 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
SÍNTESE DO TÓPICO III
É bom saber que mesmo Podemos confiar nas promessas
não recebendo o reconhecimento dos do Senhor, pois à luz da perseverança
homens, teremos o reconhecimento de Abraão e da fidelidade de Deus,
de Deus. nos chegamos a Cristo, o sacerdote
e precursor do crente.

III – A NECESSIDADE DE CONFIAR SUBSÍDIO TEOLÓGICO


NAS PROMESSAS DE DEUS
“A promessa que Deus fez a Abraão
1. O serviço cristão e a justiça de
foi fundamento de todas as promessas
Deus. O autor sabia que usou um tom
da aliança e da atividade redentora de
exortativo forte deixando claro que
Deus (Gn 12.1-3), que foram repetidas
não se pode brincar com a fé. Agora
em inúmeras ocasiões e de formas di-
ele vê a necessidade de consolar os
ferentes ao longo da história do Antigo
cristãos depois desse “tratamento de
Testamento (por exemplo, Gn 15.1-21;
choque” (Hb 6.9,10). Aos crentes fiéis
26.2-4; 28.13-15; Êx 3.6-10). Porém, numa
no seu serviço é dito que Deus, em
ocasião em particular, após Abraão quase
sua justiça, os recompensará. É bom
ter sacrificado Isaque em obediência ao
saber que mesmo não recebendo o
teste de Deus, Deus tornou a veracidade
reconhecimento dos homens, teremos
de sua promessa enfática por meio de um
o reconhecimento de Deus.
juramento (Gn 22.16: ‘Por mim mesmo,
2. A perseverança de Abraão e a
jurei, diz o Senhor’). Hebreus 6.13,14
fidelidade de Deus. A exortação do es-
indica que este juramento mais tarde
critor de Hebreus toma como parâmetro
encorajou Abraão a esperar ‘com paciên-
a pessoa de Abraão. O velho patriarca é
cia’, e assim, posteriormente ‘alcançou
o modelo do crente perseverante, que
a promessa’” (ARRINGTON, French L.;
de posse da promessa de Deus, soube
STRONSTAD, Roger (Ed.).Comentário
esperar com paciência (Hb 6.12,13). Por
Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
que voltar atrás se temos as promessas
Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1577).
de Deus que nos motivam a caminhar
à frente (Hb 6.14,15)? CONCLUSÃO
3. Cristo, sacerdote e precursor O capítulo 6 de Hebreus contém uma
do crente. O autor sagrado volta-se das mais fortes exortações encontradas em
para Jesus, o nosso exemplo maior de todo o Novo Testamento — a necessidade
perseverança, fidelidade e esperança. de perseverança e vigilância para não se
Nessa jornada, Ele se adiantou e foi decair da fé. O processo da salvação não
a nossa frente, tornando-se o nosso se dá de forma mecânica e nem compul-
precursor (Hb 6.20). O termo “pre- sória, mas se firma na entrega e aceitação
cursor” era usado na cultura antiga voluntária a uma dádiva divina. A tudo isso
em referência a um batedor militar, a temos que responder com amor, cuidado
alguém que tomava a dianteira para e zelo (1 Co 10.7-13). Essa exortação de
abrir caminho. Jesus entrou na pre- forma alguma deve levar-nos ao medo,
sença de Deus, como nosso sumo pavor ou pânico, mas conduzir-nos a confiar
sacerdote para nos dar o direito de inteiramente no Senhor que é poderoso
viver eternamente. para guardar-nos até o dia final.
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 49
PARA REFLETIR

A respeito de Perseverança e Fé em Tempo


de Apostasia, responda:
• Como se inicia a vida cristã?
A vida cristã começa com arrependimento e fé (Mc 1.15).
• O que fica patente para todo leitor do Novo Testamento?
Fica patente para o leitor do Novo Testamento que a pregação apostó-
lica se fundamentava primeiramente no fato da ressurreição de Jesus
(At 4.33; 17.18).
• Segundo o autor sagrado, Hebreus 6.4 fala a respeito de quem?
O autor fala de pessoas crentes, porque nenhum descrente foi iluminado
nem tampouco experimentou do dom celestial.
• Segundo Hebreus, quem se torna participante do Espírito Santo e
da Palavra de Deus?
Os crentes.
• Em que sentido o autor de Hebreus usa o patriarca Abraão como
modelo?
O velho patriarca é o modelo do crente perseverante, que de posse da
promessa de Deus soube esperar com paciência (Hb 6.12,13).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 39. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Arminia- As obras Teologia


nismo – A de Armínio Sistemá-
Mecânica tica: Uma
da Salvação Perspectiva
Pentecostal

A presente obra apresenta Livre Arbítrio x Predestinação, Compreenda melhor os


um panorama abrangente Graça Irresistível x Vontade grandes temas da fé expli-
sobre o desdobramento da Permissiva… toda a profun- cados sob o ponto de vista
salvação sob o ponto de vista didade do pensamento do pentecostal.
arminiano. grande teólogo Jacó Armínio
ao seu alcance.

50 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 7
18 de Fevereiro de 2018

Jesus — Sumo Sacerdote


de uma Ordem Superior

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
Texto Áureo Verdade Prática

“Porque nos convinha tal sumo sa-


Como Sumo Sacerdote de outra
cerdote, santo, inocente, imaculado,
ordem, a de Melquisedeque, Jesus
separado dos pecadores, e feito mais
sublime do que os céus.” possui um sacerdócio imutável, per-
feito e eterno.
(Hb 7.26)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Sl 110.4 Quinta – Hb 7.17
Jesus, um sacerdócio com realeza Jesus, um sacerdócio eterno

Terça – Hb 7.11 Sexta – Hb 7.26


Jesus, um sacerdócio santo
Jesus, um sacerdócio perfeito
Sábado – Hb 7.26; cf.2 Co 5.21
Quarta – Hb 7.12 Jesus, um sacerdócio inculpável e
Jesus, um sacerdócio imutável imaculado

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 51


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 7.1-19

1 - Porque este Melquisedeque, que bos de seu pai, quando Melquisedeque


era rei de Salém e sacerdote do Deus lhe saiu ao encontro.
Altíssimo, e que saiu ao encontro de
11 - De sorte que, se a perfeição fosse
Abraão quando ele regressava da
pelo sacerdócio levítico (porque sob ele
matança dos reis, e o abençoou;
o povo recebeu a lei), que necessidade
2 - a quem também Abraão deu o dí- havia logo de que outro sacerdote
zimo de tudo, e primeiramente é, por se levantasse, segundo a ordem de
interpretação, rei de justiça e depois Melquisedeque, e não fosse chamado
também rei de Salém, que é rei de paz; segundo a ordem de Arão?
3 - sem pai, sem mãe, sem genealogia, 12 - Porque, mudando-se o sacerdó-
não tendo princípio de dias nem fim de cio, necessariamente se faz também
vida, mas, sendo feito semelhante ao mudança da lei.
Filho de Deus, permanece sacerdote
13 - Porque aquele de quem essas
para sempre.
coisas  se dizem pertence a outra tribo,
4 - Considerai, pois, quão gran- da qual ninguém serviu ao altar,
de era este, a quem até o patriarca
14 - visto ser manifesto que nosso
Abraão deu os dízimos dos despojos.
Senhor procedeu de Judá, e concer-
5 - E os que dentre os filhos de Levi nente a essa tribo nunca Moisés falou
recebem o sacerdócio têm ordem, de sacerdócio.
segundo a lei, de tomar o dízimo do
15 - E muito mais manifesto é ainda
povo, isto é, de seus irmãos, ainda que
se, à semelhança de Melquisedeque,
tenham descendido de Abraão.
se levantar outro sacerdote,
6 - Mas aquele cuja genealogia não
16 - que não foi feito segundo a lei do
é contada entre eles tomou dízimos
mandamento carnal, mas segundo a
de Abraão e abençoou o que tinha as
virtude da vida incorruptível.
promessas.
17 - Porque dele assim se testifica: Tu
7 - Ora, sem contradição alguma, o
és sacerdote eternamente, segundo a
menor é abençoado pelo maior.
ordem de Melquisedeque.
8 - E aqui certamente tomam dízimos
18 - Porque o precedente mandamento
homens que morrem; ali, porém, aquele
é ab-rogado por causa da sua fraqueza
de quem se testifica que vive.
e inutilidade
9 - E, para assim dizer, por meio de
19 - (pois a lei nenhuma coisa aper-
Abraão, até Levi, que recebe dízimos,
feiçoou), e desta sorte é introduzida
pagou dízimos.
uma melhor esperança, pela qual
10 - Porque ainda ele estava nos lom- chegamos a Deus.

52 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


HINOS SUGERIDOS: 137, 236, 555 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Apresentar a tipologia do sacerdócio de Melquisedeque com relação a Jesus
Cristo, expressando a verdade de que nosso Senhor possui um sacerdócio
imutável, perfeito e eterno.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Explicar o aspecto tipológico de Melquisedeque;

II Destacar a natureza do sacerdócio de Cristo;

III Expor os atributos do sacerdócio de Cristo.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 53


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Caro(a) professor(a), a lição desta semana trata de um assunto muito es-
pecial: o sacerdócio perfeito e eterno de Jesus. Isso significa que estudaremos
como todo o sistema de sacrifício levítico, apresentado no Antigo Testamento,
deu lugar ao sacrifício completo de Jesus no Calvário. Sim, veremos que Jesus
Cristo, e só Ele, tinha todas as prerrogativas para mudar o sacerdócio e a Lei.
E foi isso que o nosso Senhor fez! Por isso, dedique-se para compreender o
melhor que puder o capítulo 7 de Hebreus. Boa aula!

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO I – QUANTO AO ASPECTO
O capítulo sete de Hebreus apre- DE SUA TIPOLOGIA
senta o sacerdócio de Jesus numa nova 1. Um sacerdócio com realeza. O
perspectiva — Ele é sumo sacerdote autor sacro destaca que Melquisedeque
segundo a Ordem de Melquisedeque (Sl era um sacerdote-rei. Como sacerdote,
110.4 cf. Hb 7.17). O autor mostra recebeu dízimos de Abraão e como
que a profecia do salmista, na PONTO rei governava sobre Salém (Hb
qual revela um sacerdócio de CENTRAL 7.2). Embora os reis tivessem
outra ordem, superior à de O sacerdócio alguma participação no culto
Arão e à levítica, teve seu fiel de Cristo é imu- da Antiga Aliança (2 Sm 6.12-
tável, perfeito
cumprimento em Jesus (Hb e eterno. 14; 1 Rs 3.4,15; 9.25), todavia,
7.13). Mas mesmo pertencendo a função sacerdotal levítica, de
à mesma ordem sacerdotal, o au- oferecer sacrifícios e representar o
tor sublinha a proeminência de Jesus povo diante de Deus, cabia somente aos
sobre Melquisedeque quando afirma sacerdotes (1 Sm 13.9,13; 2 Cr 26.16-18).
que este “foi feito semelhante ao Filho Eles não eram reis. A ordem do sacerdócio
de Deus” (Hb 7.3) e não o contrário. levítico não previa a existência de um
O pensamento do autor é mais bem sacerdote-rei. A existência de um sacer-
compreendido se observarmos o sa- dote-rei, portanto, no contexto bíblico
cerdócio de Jesus quanto aos aspectos só poderia acontecer se este fosse de
de sua tipologia, de sua natureza e de outra ordem. Jesus, que era da tribo de
seus atributos. Há muitas especulações Judá, é levantado por Deus como sumo
sobre a pessoa de Melquisedeque, sacerdote segundo essa nova ordem, da
mas à luz do contexto bíblico é melhor qual Melquisedeque é o tipo (Sl 110.4).
vê-lo como uma pessoa histórica de 2. Um sacerdócio firmado na justiça.
natureza tipológica. Melquisedeque, Mostrando a tipologia sobre o sacerdó-
portanto, deve ser visto como um tipo cio de Melquisedeque, o autor destaca
que aponta para Jesus Cristo. Nesse que este fora “rei de justiça e depois
aspecto, o escrito sagrado mostra o também rei de Salém, que é rei de paz”
sacerdócio de Jesus como de natureza (Hb 7.2). A figura histórica de Melquise-
eterna, imutável e perfeita. deque como rei de Salém aparece em
54 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
Gênesis 14.18-20 no contexto da guerra que é tanto sacerdote como rei (v.3). O
de cinco reis contra quatro no vale do sacerdócio de Cristo é ‘segundo a ordem
Rei. O nome Melquisedeque, cujo sig- de Melquisedeque’ (6.20), o que significa
nificado original era “Sedeque é rei”, que Cristo é anterior a Abraão, a Levi
é interpretado pelo autor de Hebreus e aos sacerdotes levíticos e maior que
como “rei de justiça” (Hb 7.2). É fora de todos eles’. As Escrituras mencionam
qualquer dúvida que Melquisedeque também que o rei de Salém não tinha
é um tipo de Jesus, que reinaria com pai nem mãe, o que não ‘significa que
justiça e cujo reinado não teria fim (Is Melquisedeque, literalmente, não
32.1; Jr 23.5; Lc 1.33). tivesse pais nem parentes, nem que
3. Um sacerdócio com legitimidade era anjo. Significa tão-somente que as
divina. O versículo três de Hebreus Escrituras não registram a sua genealogia
sete — “sem pai, sem mãe, sem ge- e que nada diz a respeito do seu começo
nealogia” —, deve ser visto como um e fim. Por isso serve como tipo de Cristo
contraste entre o sacerdócio levítico eterno, cujo sacerdócio nunca terminará”
e o de Melquisedeque. O sacerdócio (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de
levítico dependia da genealogia para se Janeiro: CPAD, 1995, pp.1907,08).
legitimar. Quem não fosse da tribo de
Levi não podia oficiar como sacerdote. II – QUANTO AO ASPECTO
É exatamente isso o que o autor quer DE SUA NATUREZA
mostrar, pois assim como o sacerdócio 1. Um sacerdócio perfeito. A pala-
de Melquisedeque não dependia de vra teleiôsis (perfeição) usada pelo autor
genealogia para mostrar sua legiti- em Hebreus 7.11, quer dizer também um
midade sacerdotal, da mesma forma “alvo a ser atingido”. Nesse contexto ela
o sacerdócio de Cristo era também é usada para se referir ao relacionamento
legítimo por pertencer a uma ordem com Deus. Nem a Lei nem o sistema sa-
superior, a ordem de Melquisedeque. cerdotal do Antigo Testamento puderam
resolver o problema da culpa e produzir
SÍNTESE DO TÓPICO I o perdão que a santidade de Deus exigia.
O autor sacro destaca que o problema
Como o sacerdócio de Melquise- do relacionamento do homem com Deus
deque, o sacerdócio de Cristo tem só pode ser resolvido por um sacrifício
grande realeza, é firmado na justiça perfeito, algo que o sistema levítico não
e é legitimamente divino. tinha possibilidade de realizar.
2. Um sacerdócio imutável. O ca-
pítulo sete ainda destaca que “mudan-
SUBSÍDIO DIDÁTICO do-se o sacerdócio, necessariamente
Neste tópico é importante que se faz também mudança da lei” (Hb
você explique quem foi a pessoa his- 7.12). O Espírito Santo havia falado
tórica de Melquesedeque. Comece o por boca de Davi que seria levantado
tópico abordando que “Melquisedeque, um sumo sacerdote de outra ordem, a
contemporâneo de Abraão, foi rei de ordem de Melquisedeque (Sl 110.4).
Salém e sacerdote de Deus (Gn 14.18). Se uma nova ordem se instauraria,
Abraão lhe pagou dízimos e foi por ele consequentemente a antiga passa-
abençoado (vv.2-7). Aqui, a Bíblia o tem ria. Essa profecia quando cumprida,
como uma prefiguração de Jesus Cristo, necessariamente, tornava obsoleta a
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 55
lei mosaica e o sacerdócio levítico, de- significativos desta seção da carta aos
monstrando dessa forma o seu caráter Hebreus. Ele lembra os leitores de que
transitório. Somente o sacerdócio de a torah é uma só. A revelação mosaica
Jesus seria imutável e de caráter não retrata um sistema interligado no qual
transitório. o relacionamento de Deus com Israel é
3. Um sacerdócio eterno. Assim, definido, um sistema de concerto que
o sacerdócio de Cristo “não foi feito define as exigências de Deus e que equili-
segundo a lei do mandamento car- bra os pecados do homem com sacrifícios
nal, mas segundo a virtude da vida oferecidos pelos sacerdotes Arônicos.
incorruptível” (Hb 7.16). A expressão O que o autor destaca é que uma
“vida incorruptível” é uma referência mudança no sacerdócio destrói o equi-
a ressurreição de Jesus e seu triunfo líbrio do sistema do Antigo Testamento,
sobre a morte, demonstrando assim o e claramente implica numa mudança
caráter eterno do seu sacerdócio. Cristo em todos os demais aspectos também
não era sacerdote por uma imposição – uma mudança na Lei e uma mudança
humana ou mandamento carnal, mas por no sacrifício.
atribuição divina. Como diz o versículo À medida que saímos do capítulo
17: “Porque dele assim se testifica: Tu 7, vemos que o autor desenvolve este
és sacerdote eternamente, segundo a mesmo tema: houve uma mudança dra-
ordem de Melquisedeque” (Hb 7.17). mática na Lei (capítulo 8) e também uma
mudança no sacrifício (capítulos 9−10)”
(RICHARDS, Lawrence O. Comentário
SÍNTESE DO TÓPICO II Histórico-Cultural do Novo Testamento.
Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.501).
A natureza do sacerdócio de Cristo
é expressa pela sua imutabilidade,
III – QUANTO AO ASPECTO
perfeição e eternidade. DE SEUS ATRIBUTOS
1. Um sacerdócio santo. San-
tidade é um dos atributos de Deus
SUBSÍDIO HISTÓRICO-CULTURAL (Is 6.3). Em outro ponto da carta aos
“Porque, mudando-se o sacerdócio, Hebreus, o autor sagrado afirma que
necessariamente se faz também mudança sem “a santificação, [...] ninguém verá
da lei (7.12). Este é um dos versículos mais o Senhor” (Hb 12.14). Esta era uma das

CONHEÇA MAIS
*Sacerdócio Perpétuo
“O escritor se vale de um argumento tipicamen-
te rabínico baseado no fato de que nem o nascimento
nem a morte de Melquisedeque constam dos registros
bíblicos. Assim, de acordo com a Escritura, ele é uma
figura perpétua, um símbolo apropriado de Jesus a quem,
devido a sua vida eterna, permanece como um sacerdote
perpetuamente.” Leia mais em “Guia do Leitor
da Bíblia”, de Lawrence O. Richards,
CPAD, p.861.

56 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


exigências da lei mosaica: que o sumo SUBSÍDIO TEOLÓGICO
sacerdote não apresentasse nenhum
defeito, inclusive físico (Lv 21.16-23). “[7.26 -28] O autor continua a
Assim, devido à condição humana, descrever a principal realização de
não apenas os sacerdotes não eram Jesus como Sumo Sacerdote Perfeito,
perfeitos, mas todo sistema sacerdo- isto é, seu sacrifício único e suficiente
tal levítico era imperfeito. Somente pelo pecado (27): não necessita ‘oferecer
Cristo podia atender as exigências de cada dia sacrifícios, primeiramente, por
um sacerdócio inteiramente santo e seus próprios pecados e, depois, pelos
perfeito (Hb 7.26). do povo’, como fizeram ‘os sumos sacer-
2. Um sacerdócio inculpável. dotes’. Isto é verdade por duas razões:
Vimos que Jesus cumpriu todas as (1) porque Ele próprio era sem pecado,
exigências de uma vida santa reque- e (2) porque sua inigualável oferta de
rida para o sumo sacerdote. Mas além si mesmo pelo pecado pôs fim a todo o
desse atributo, Ele deveria ser também sistema de sacrifícios levíticos (tanto
“inocente” (Hb 7.26). A palavra akakos, aos sacrifícios diários como ao Dia da
traduzida aqui como “inocente”, signifi- Expiação, a cada ano). Como Sacerdote
ca também “sem maldade” e é descrita espiritualmente e moralmente perfeito
pelos lexicógrafos como ausência de (v.26), Jesus podia oferecer o sacrifício
tudo o que é ruim e errado. O apóstolo perfeito e definitivo (v.27), e isto Ele fez.
Pedro afirmou sobre Jesus que Este “não Quando a Bíblia nos diz que seu sacrifí-
cometeu pecado, nem na sua boca se cio pelos pecados foi feito ‘uma vez por
achou engano” (1 Pe 2.22). Não havia todas’ ou ‘uma vez’ (ephapax), significa
culpa nem imperfeição no sacerdócio que Ele foi tanto completo quanto per-
de Cristo Jesus. manentemente válido, sem necessida-
3. Um sacerdócio imaculado. O au- de de repetição. O caráter decisivo da
tor sacro usa o termo amiantos (Hb 7.26), obra de Cristo é uma legitimidade de
para dizer que Jesus é um sacerdote sem Hebreus [...]” (ARRINGTON, French L.;
“mácula”. Essa palavra, que também tem STRONSTAD, Roger (Ed.).Comentário
o sentido de “sem manchas”, era usada Bíblico Pentecostal Novo Testamen-
no contexto bíblico para se referir tanto to. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1583).
a pureza ritual como ética. Foi a essa
vida santa, no seu sentido ético, e não CONCLUSÃO
apenas ritual, que o autor alude para A Carta aos Hebreus é o único texto
retratar o Senhor como “separado dos do Novo Testamento que apresenta uma
pecadores”. O Filho de Deus assumiu doutrina sistematizada do sacerdócio de
a condição humana e se fez pecado Cristo. A carta mostra aos leitores que
pelos homens (2 Co 5.21), mas sem Jesus é o Sumo Sacerdote-Rei predito
pecar. Cristo é o sacerdote imaculado nas Escrituras e que, como tal, superior
e sem manchas. ao sistema levítico. Melquisedeque, rei
de Salém, a quem Abraão entregou o
dízimo, tornou-se um tipo desse sacer-
SÍNTESE DO TÓPICO III
dócio eterno. E não só isso, mas todo
O ministério sacerdotal de Jesus o sistema levítico tornara-se obsoleto
Cristo é santo, inculpável e imaculado. visto que a nova ordem sacerdotal havia
suplantado a antiga.
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 57
ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

PARA REFLETIR

A respeito de Jesus — Sumo Sacerdote


de uma Ordem Superior, responda:
• Qual era a função do sacerdote levítico?
Oferecer sacrifícios e representar o povo diante de Deus.
• “Sem pai, sem mãe, sem genealogia.” O que o autor de Hebreus quer
mostrar com esse texto?
O versículo três de Hebreus sete — “sem pai, sem mãe, sem genealogia” —, deve
ser visto como um contraste entre o sacerdócio levítico e o de Melquisedeque.
• Qual o único sacerdócio podia ser imutável e de caráter não transitório?
Somente o sacerdócio de Jesus seria imutável e de caráter não transitório.
• Além do atributo de “santidade”, qual outro atributo o Senhor Jesus
apresentou?
Além desse atributo, Ele deveria ser também “inocente” (Hb 7.26).
• Segundo a Carta aos Hebreus, quais os significados da palavra “inocente”?
Significa também “sem maldade” e é descrita pelos lexicógrafos como
ausência de tudo o que é ruim e errado.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 39. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Teologia Teologia Guia do


Guia do
do Antigo do Novo Leitor
Leitor
Testamento Testamento da Bíblia
da Bíblia

Uma exposição dos principais Uma exposição dos principais Um guia com informações e
ensinamentos teológicos do ensinamentos teológicos do análise de cada livro e capítulo
Antigo Testamento. Novo Testamento. da Bíblia.

58 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 8
25 de Fevereiro de 2018

Uma Aliança Superior

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“Porque este  é  o concerto que, depois


daqueles dias, farei com a casa de Isra-
el, diz o Senhor: porei as minhas leis A Nova Aliança em tudo é superior
no seu entendimento e em seu coração à Antiga porque se fundamenta em
as escreverei; e eu lhes serei por Deus, promessas superiores.
e eles me serão por povo.”
(Hb 8.10)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 8.2 Quinta – Hb 8.10
Um Tabernáculo celestial fundado Promessas fundamentadas no
pelo Senhor Espírito
Terça – Hb 8.3,4 Sexta – Hb 8.11
Um ministério celestial que Uma promessa de natureza indivi-
transcende o sacerdócio terreno dual e universal
Quarta – Hb 8.6 Sábado – Hb 8.12
Um ministério eficaz e fundamentado Uma promessa de natureza
em promessas superiores misericordiosa

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 59


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 8.1-10

1 - Ora, a suma do que temos dito 6 - Mas agora alcançou ele ministério
é que temos um sumo sacerdote tal, tanto mais excelente, quanto é media-
que está assentado nos céus à destra dor de um melhor concerto, que está
do trono da Majestade,  confirmado em melhores promessas. 
2 - ministro do santuário e do ver- 7 - Porque, se aquele primeiro fora
dadeiro tabernáculo, o qual o Senhor irrepreensível, nunca se teria buscado
fundou, e não o homem. lugar para o segundo.

3 - Porque todo sumo sacerdote é 8 - Porque, repreendendo-os, lhes diz:


constituído para oferecer dons e sa- Eis que virão dias, diz o Senhor, em que
crifícios; pelo que era necessário que com a casa de Israel e com a casa de
Judá estabelecerei um novo concerto,
este também tivesse alguma coisa que
oferecer. 9 - não segundo o concerto que fiz com
seus pais, no dia em que os tomei pela
4 - Ora, se ele estivesse na terra, nem
mão, para os tirar da terra do Egito;
tampouco sacerdote seria, havendo como não permaneceram naquele meu
ainda sacerdotes que oferecem dons concerto, eu para eles não atentei, diz
segundo a lei,  o Senhor.
5 - os quais servem de exemplar e 10 - Porque este  é  o concerto que,
sombra das coisas celestiais, como depois daqueles dias, farei com a casa
Moisés divinamente foi avisado, estando  de Israel, diz o Senhor: porei as minhas
já  para acabar o tabernáculo; porque leis no seu entendimento e em seu
foi dito: Olha, faze tudo conforme o coração as escreverei; e eu lhes serei
modelo que, no monte, se te mostrou. por Deus, e eles me serão por povo.

HINOS SUGERIDOS: 183, 406, 412 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Explicitar a superioridade do Novo Concerto inaugurado por Cristo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Explicar os aspectos de superioridade da Nova Aliança: sua dimensão,


natureza e importância;

II Salientar a superioridade da Nova Aliança em seus aspectos posicional,


funcional e cultual;

III Mostrar que a promessa do Novo Concerto é de natureza interior e espiri-


tual; de natureza individual e universal; bem como de natureza relacional.

60 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), chegamos numa seção bíblica importante da Carta de
Hebreus: os capítulos 8−10. Esses capítulos narram os aspectos da Nova Aliança.
Por isso, estude profundamente esses capítulos a fim de preparar-se para esta
e para as próximas aulas. Assim, o assunto de destaque desta lição abarca
a natureza, os aspectos e a promessa da Nova Aliança. Ore ao Senhor, para
que após a exposição desses capítulos, seus alunos tenham mais convicção
a respeito da dispensação que ora desfrutamos: o tempo da graça.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO finalidade terrena do tabernáculo móvel
O capítulo oito da Carta aos He- e era nesse tabernáculo que tanto os
breus apresenta uma aliança supe- sacerdotes como o sumo sacerdote
rior; um santuário superior e exerciam seus ministérios. Toda-
PONTO via, foi no santuário celestial
também um sumo sacerdote, CENTRAL
Cristo Jesus, com um minis- que Cristo entrou para oficiar,
O Novo Con- como Sumo Sacerdote, em
tério igualmente superior. certo que Jesus
O antigo santuário terreno, Cristo inaugurou nosso favor. Para o escritor aos
com seu complexo sistema é superior ao Hebreus, esse tabernáculo é
de ritos, dera lugar a um novo Antigo. o próprio céu que é chamado
santuário, o celestial, onde o de “verdadeiro Tabernáculo”
próprio Jesus oficia como Sumo por pertencer à dimensão celestial.
Sacerdote. Mas Ele não é apenas um 2. Possuidor de uma natureza
Sumo Sacerdote, Ele é o sumo sacerdo- superior. O santuário terreno, mesmo
te-rei, que está sentado à destra do Pai tendo sido construído com objetos e
para interceder pelo seu povo. A Nova metais preciosos, não era o verdadeiro
Aliança tornou obsoleta a Antiga por tabernáculo, mas apenas um modelo do
ser de natureza espiritual, interior e verdadeiro. Na verdade, o tabernáculo
de se firmar em superiores promessas. terreno era um tipo que aponta para
o santuário celestial: “Olha, faze tudo
I – UM SANTUÁRIO SUPERIOR conforme o modelo que no monte se te
1. Pertencente a uma dimensão mostrou” (Hb 8.5). Ele era o lado visível
superior. Tanto o judaísmo como o cris- de uma realidade invisível. Invisível,
tianismo estavam familiarizados com a mas real! O santuário terreno era por
figura do tabernáculo de Moisés. No livro natureza temporal, figura do verdadeiro
do Êxodo constam as instruções dadas santuário, que é espiritual e eterno. Foi
por Deus a Moisés para a construção do nesse santuário que Jesus se tornou
Santuário (Êx 25.1-9). As recomendações “ministro do santuário, e do verdadeiro
dadas a Moisés, conforme expõe o registro tabernáculo” (Hb 8.2).
sagrado, eram destinadas a construção 3. Possuidor de uma importância
de um santuário, onde Deus habitaria superior. É possível vermos a relevância
com eles (Êx 25.8). Essa era, portanto, a do tabernáculo celeste quando o con-
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 61
trastamos com o terrestre. Certo autor II – UM MINISTÉRIO SUPERIOR
destaca três grandes importâncias do 1. No aspecto posicional. O autor
tabernáculo terrestre. Primeiramente mostra através de seus argumentos
o tabernáculo propiciava as condições que Jesus, de fato, deve ser visto como
necessárias para manter comunhão no verdadeiro sumo sacerdote-rei. Já foi
relacionamento com Deus. No taberná- destacado em lições anteriores que no
culo celestial essa condição é plena- Antigo Pacto nenhum rei exerceu de
mente satisfeita. Em segundo lugar, o forma legítima a função de rei-sacer-
tabernáculo era a garantia da presença dote. Dois exemplos bíblicos de reis
divina no meio do seu povo. Esse fato faz que tentaram atuar como sacerdotes,
com que o tabernáculo se conforme em mas que foram reprovados são os de
cada detalhe ao seu caráter divino, isto Saul e Uzias. Jesus é o único Sumo
é, unidade e santidade. Deus requer um Sacerdote-Rei que cumpriu as exi-
santuário; o Deus santo exige um povo gências da profecia bíblica do Salmo
santo (Lv 19.2). No tabernáculo celeste, 110.4. Por ser de uma ordem superior,
habita a plenitude da divindade. Em a ordem de Melquisedeque, Ele não
terceiro lugar, o tabernáculo revelava está sujeito às exigências do sistema
a perfeição e a harmonia do caráter levítico. E por ser Sumo Sacerdote da
do Senhor vistas na sua arquitetura, ordem de Melquisedeque também não
tais como as gradações em metais e está limitado a um tabernáculo terre-
materiais, os graus de santidade exi- no. O seu santuário, onde Ele oficiou,
bidos no átrio, o lugar santo e o santo é divino, além de maior e melhor em
dos santos. Mas tudo isso era apenas dois outros aspectos.
“sombra” da perfeição e harmonia do 2. No aspecto funcional. No An-
tabernáculo celeste. tigo Pacto, os sacerdotes adentravam
no tabernáculo para oferecer suas
ofertas e sacrifícios muitas vezes, e o
SÍNTESE DO TÓPICO I sumo sacerdote uma vez no ano (Hb
A Nova Aliança é dotada de uma 8.3). Cristo, à semelhança do sistema
dimensão superior, de uma natureza sacerdotal arônico, também deveria ter
superior e de uma importância supe- oferta para oferecer. Contudo, há duas
rior à Antiga. coisas que diferenciam o sacerdócio
de Cristo com o do Antigo Pacto: Ele
mesmo se deu em sacrifício (1 Co 5.7)
e este, ao contrário do sacrifício leví-
SUBSÍDIO DIDÁTICO
tico, não mais se repete, foi efetuado
Prezado(a) professor(a), antes de de uma vez por todas. Cristo, portanto,
introduzir o primeiro tópico da lição não está mais oferecendo sacrifício no
desta semana, escreva no quadro estas céu de forma repetida como fazia os
três expressões: dimensão superior, na- sacerdotes levitas. Agora, Ele intercede
tureza superior e importância superior. por todos os que o invocam.
Após fazer a exposição do primeiro 3. No aspecto cultual. O autor es-
tópico, retorne à lousa e peça para que creve a partir da perspectiva de que o
os alunos expliquem com as próprias culto levítico continuava em pleno fun-
palavras as expressões-chaves sobre cionamento. Havia ainda nos seus dias
o ministério da Nova Aliança. sacerdotes que ofereciam sacrifícios e
62 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
ofertas de acordo com a lei (Hb 8.4). A prenunciam ou tipificam o ministério que
atividade sacerdotal juntamente com as estabeleceu o novo concerto.
demais funções exercidas pelos sacer- (3) Jesus é quem instituiu o Novo
dotes estava estritamente relacionada Concerto ou o Novo Testamento (ambas
ao culto. Nesse aspecto, o sacerdócio de as ideias estão contidas na palavra grega
Cristo era superior porque sua atividade diatheke − testamento), e seu ministério
cultual era em tudo superior, visto se celestial é incomparavelmente superior
realizar no santuário celestial. ao dos sacerdotes terrenos do Antigo Tes-
tamento. O Novo Concerto é um acordo,
promessa, última vontade e testamento,
SÍNTESE DO TÓPICO II e uma declaração do propósito divino em
outorgar graça e bênção àqueles que se
A Nova Aliança inaugurada por Cristo
chegam a Deus mediante a fé obediente.
é superior à Antiga no aspecto posicional,
De modo específico, trata-se de um con-
funcional e cultual.
certo de promessa para aqueles que, por
fé, aceitam a Cristo como o Filho de Deus,
recebem suas promessas e se dedicam
SUBSÍDIO TEOLÓGICO pessoalmente a Ele e aos preceitos do novo
“O ANTIGO E O NOVO CONCERTO concerto” (Bíblia de Estudo Pentecostal.
Os capítulos 8−10 descrevem nu- Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1910).
merosos aspectos do antigo concerto
tais como o culto, as leis e o ritual dos III – UMA PROMESSA SUPERIOR
sacrifícios no tabernáculo; descrevem os 1. De natureza interior e espiri-
vários cômodos e móveis desse centro de tual. Debaixo da Antiga Aliança, Deus
adoração do Antigo Testamento. É duplo havia chamado os israelitas para ser o
o propósito do autor: (1) contrastar o seu povo (Êx 19.5,6). Essa Aliança fora
serviço do Sumo Sacerdote no santuário escrita em tábuas de pedras, revelan-
terrestre, segundo o antigo concerto, do assim o seu lado exterior. Nesse
com o ministério de Cristo como Sumo aspecto, a lei agia de fora para dentro
Sacerdote no santuário celestial segundo (Hb 8.9). Tendo o povo de Deus falhado
o novo concerto; e (2) demonstrar como em cumprir as exigências legais da
esses vários aspectos do antigo concerto Antiga Aliança, Deus prometeu fazer

CONHEÇA MAIS

*Aliança
“[Do lat. alligantia, ligar a, unir-se a] Em lingua-
gem teológica, é um acordo firmado entre Deus
e a família humana, através do qual Ele promete
abençoar os que lhe aceitam a vontade e guar-
dam os seus mandamentos (Gn 17.1-21). A base
das alianças é o amor divino. É um compromisso
gracioso da parte de Deus, pelo qual Ele
concede-nos favores imerecidos”. Para
conhecer mais leia “Dicionário
Teológico”, CPAD, p.39.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 63


uma Nova. Nessa Nova Aliança, a lei
divina não mais seria escrita em tábuas SÍNTESE DO TÓPICO III
de pedras, mas sim no coração. Não
A promessa do Novo Concerto é
mais do lado de fora, mas do lado de
de natureza interior e espiritual; de
dentro (Hb 8.10).
natureza individual e universal; bem
2. De natureza individual e uni-
como de natureza relacional.
versal. A Antiga Aliança é contrastada
com a Nova também quanto ao seu
alcance. Na Antiga Aliança, nem todos SUBSÍDIO TEOLÓGICO
conheciam ao Senhor, o que estava
reservado somente ao sacerdote, ao “Estabelecido o Novo Concerto em
escriba e àqueles que se especializavam Cristo, o Antigo Concerto se tornou obso-
em minúcias da Lei. Nos dias de Jesus, leto (8.13). Não obstante, o Novo Concerto
era comum encontrar os “mestres da lei” não invalida a totalidade das Escrituras
que frequentemente eram consultados do Antigo Testamento, mas apenas as
sobre os detalhes da Torá. Todavia, na do pacto mosaico, pelo qual a salvação
Nova Aliança o Senhor prometeu que era obtida mediante a obediência à Lei
“todos me conhecerão” (Hb 8.11). Na e ao seu sistema de sacrifícios. O Antigo
Nova Aliança o conhecimento do Senhor Testamento não está abolido; boa parte
está à disposição de todos os crentes e de sua revelação aponta para Cristo [...], e
não apenas de uma classe privilegiada. por ser a inspirada Palavra de Deus, é útil
3. De natureza relacional. O as- para ensinar, repreender, corrigir e instruir
pecto relacional é posto em evidência na retidão” (Bíblia de Estudo Pentecostal.
na citação deste versículo: “Porque Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1911)
serei misericordioso para com as suas
CONCLUSÃO
iniquidades e de seus pecados e de suas
prevaricações não me lembrarei mais” O autor já havia mostrado a su-
(v.12). A Nova Aliança é um concerto de perioridade do sacerdócio de Jesus
misericórdia, graça e perdão. Certo autor sobre o arônico e levítico quando o
destaca que o antigo sistema separava coloca como pertencente à ordem de
a religião da vida. O homem podia ser Melquisedeque. Agora, ele mostra que
reto cerimonialmente e perverso no esse sumo sacerdote possui um minis-
coração, ou reto no coração e incorreto tério superior porque ministra em um
cerimonialmente. Na Nova Aliança, em santuário superior e é o fiador de uma
vez de uma “recordação de pecados superior aliança. Por pertencerem a
todos os anos” (Hb 10.3 – ARA), como na essa Nova Aliança, os crentes desfru-
Antiga Aliança, Deus não mais se lembra tam de promessas superiores. Por isso
dos pecados de seu povo (Hb 10.17). glorificamos a Deus por essas bênçãos.

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

64 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


PARA REFLETIR

A respeito de Uma Aliança Superior, responda:


• De acordo com o escritor aos Hebreus, onde “fica” o tabernáculo
em que Jesus entrou para oficiar?
Para o escritor aos Hebreus, esse tabernáculo é o próprio céu que é chamado
“verdadeiro Tabernáculo” por pertencer à dimensão celestial.
• Por que Jesus deve ser visto como Sacerdote-Rei?
Porque Jesus é o único Sacerdote-Rei que cumpriu as exigências da profecia
bíblica do Salmo 110.4.
• Cristo continua oferecendo sacrifícios no ceú? Explique.
Não, pois Ele intercede por todos os que o invocam.
• Qual é a diferença da Nova Aliança, em relação à Antiga, em ter-
mos de alcance?
Na Nova Aliança o conhecimento do Senhor está à disposição de todos os
crentes e não apenas de uma classe privilegiada, como ocorria na Antiga
Aliança.
• No aspecto relacional, qual a grande diferença entre a Nova e a
Antiga Aliança?
Na Nova Aliança, em vez de uma “recordação de pecados todos os anos” (Hb
10.3 – ARA), como na Antiga Aliança, Deus não mais se lembra dos pecados
de seu povo (Hb 10.17).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 40. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

O Tabernáculo Estudo O Taber-


e a Igreja Devocional do náculo e
Tabernáculo suas Lições
no Deserto por Gunnar
Vingren

As riquezas tipológicas das Conheça detalhadamente o Uma obra simples, porém


divisões do tabernáculo, suas Tabernáculo, sua construção, profunda e com muita devo-
mobílias, suas cores e de sua mobília e o plano de salvação. ção, assim como eram suas
construção. pregações.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 65


Lição 9
4 de Março de 2018

Contrastes na Adoração
da Antiga e Nova Aliança

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática

“E quase todas as coisas, segundo a lei,


se purificam com sangue; e sem derra- A eficácia da adoração neste período
mamento de sangue não há remissão.” da Nova Aliança está no fato de ela es-
tar fundamentada no sangue de Cristo.
(Hb 9.22)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 9.2 Quinta – Hb 9.14,15
Os utensílios do culto na Antiga Uma consciência limpa pelo
Aliança sangue de Cristo
Terça – Hb 9.4 Sexta – Hb 9.15,22
O culto, os oficiantes e a liturgia na Uma herança eterna pelo sangue
Antiga Aliança de Jesus
Quarta – Hb 9.14 Sábado – Hb 9.28
Uma redenção eterna pelo sangue Uma promessa gloriosa pelo
do Cordeiro sacríficio do Filho de Deus

66 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 9.1-5,14,15,22-28
1 – Ora, também o primeiro tinha orde- 22 – E quase todas as coisas, segundo a
nanças de culto divino e um santuário lei, se purificam com sangue; e sem der-
terrestre. ramamento de sangue não há remissão.
2 – Porque um tabernáculo estava pre- 23 – De sorte que era bem necessário
parado, o primeiro, em que havia o can- que as figuras das coisas que estão no céu
deeiro, e a mesa, e os pães da proposição; assim se purificassem; mas as próprias
ao que se chama o Santuário. coisas celestiais, com sacrifícios melhores
do que estes.
3 – Mas, depois do segundo véu, estava
o tabernáculo que se chama o Santo 24 – Porque Cristo não entrou num santu-
dos Santos, ário feito por mãos, figura do verdadeiro,
porém no mesmo céu, para agora compa-
4 – que tinha o incensário de ouro e a recer, por nós, perante a face de Deus;
arca do concerto, coberta de ouro toda
em redor, em que estava um vaso de ouro, 25 – nem também para a si mesmo se
que continha o maná, e a vara de Arão, que oferecer muitas vezes, como o sumo sa-
tinha florescido, e as tábuas do concerto; cerdote cada ano entra no Santuário com
sangue alheio.
5 – e sobre a arca, os querubins da glória, que
faziam sombra no propiciatório; das quais 26 – Doutra maneira, necessário lhe fora
coisas não falaremos agora particularmente. padecer muitas vezes desde a fundação do
mundo; mas, agora, na consumação dos
14 – quanto mais o sangue de Cristo, séculos, uma vez se manifestou, para ani-
que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a quilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
si mesmo imaculado a Deus, purificará
a vossa consciência das obras mortas, 27 – E, como aos homens está ordenado
para servirdes ao Deus vivo? morrerem uma vez, vindo, depois disso,
o juízo,
15 – E, por isso, é Mediador de um novo
testamento, para que, intervindo a morte 28 – assim também Cristo, oferecendo-se
para remissão das transgressões que havia uma vez, para tirar os pecados de muitos,
debaixo do primeiro testamento, os chama- aparecerá segunda vez, sem pecado, aos
dos recebam a promessa da herança eterna. que o esperam para a salvação.

HINOS SUGERIDOS: 41,124, 412 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Explicar que a adoração na Nova Aliança está fundamentada no sangue de Cristo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Apontar como era o culto e seus elementos na Antiga Aliança;

II Mostrar a eficácia do culto na Nova Aliança;

III Explicar a singularidade do culto da Nova Aliança.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 67


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A adoração e o louvor a Deus não é algo visto somente na Nova Aliança,
já no Antigo Testamento o desejo de Deus era que os israelitas o adorassem
e tivessem um relacionamento mais profundo com Ele. Por isso, o Criador
ordenou que Moisés construísse uma tenda móvel de adoração, o Taberná-
culo, que acompanharia o povo durante a longa travessia pelo deserto. Este
seria o único lugar onde o povo poderia encontrar-se com Ele e adorá-lo.
Cada detalhe, cada peça, o desenho, ou seja, tudo no Tabernáculo tinha um
significado, simbolizando uma realidade espiritual.
Na carta aos Hebreus o autor detalha alguns principais utensílios do Taber-
náculo a fim de mostrar o sentido da adoração e do serviço sagrado na Antiga
Aliança, comparando com a obra de Cristo no Tabernáculo eterno da Nova Aliança.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO principais divisões do antigo santuário:
Ao falar do tabernáculo como o santo lugar e o santo dos santos. Na
o local de culto na Antiga Aliança, o descrição que ele faz do primeiro com-
autor sagrado detalha alguns dos partimento, o santo lugar, estavam
seus principais utensílios. Ele o candelabro e a mesa dos pães
PONTO
mostra que tem em mente o CENTRAL da proposição. No segundo
culto quando usa a palavra compartimento, o santo dos
A adoração na
grega latreia. Essa palavra é Nova Aliança está santos, que era separado do
usada em outros trechos (Hb fundamentada na primeiro por uma cortina, o
9.1,6,9,14) com o sentido de obra de Cristo autor cita a arca da aliança e
no Calvário.
adoração ou serviço sagrado. o incensário de ouro.
É perceptível que a doutrina do 2. O culto: seus oficiantes
sacerdócio de Cristo domina boa e liturgia. Há toda uma simbologia
parte da epístola e muita coisa que foi nesses utensílios do antigo culto como
dita sobre o assunto é enfatizado nova- demonstra a tipologia bíblica. O can-
mente aqui. A intenção é contrastar a delabro representaria o testemunho
antiga adoração prestada pelo sistema do povo de Deus; a mesa dos pães da
sacerdotal da Antiga Aliança e o serviço proposição, a comunhão com Deus; o
prestado por Cristo no tabernáculo altar do incenso, a oração e a Arca do
eterno da Nova Aliança. Concerto a presença de Deus. Todavia, o
autor não se detém nos detalhes dessa
I – O CULTO E SEUS ELEMENTOS tipologia. A sua intenção é mostrar o
NA ANTIGA ALIANÇA culto como um todo, conforme ele era
1. O culto e seus utensílios. O prestado no antigo tabernáculo e, dessa
autor demonstra profundo conheci- forma, contrastar com o tabernáculo
mento sobre o culto na Antiga Aliança celeste no qual Cristo oficiava como
quando fala do tabernáculo e dos seus sumo sacerdote. No santo lugar, os
utensílios. Ele tem em mente as duas sacerdotes entravam diariamente para
68 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
prestar culto, enquanto somente uma vez mãos humanas, onde Jesus Cristo agora
no ano o sumo sacerdote adentrava no ministra (cf. 8.5,6; 9.11,12).
santo dos santos para oficiar. O serviço O autor destaca que o tabernáculo
sagrado prestado por eles era apenas do Antigo Testamento (quando constru-
uma sombra e não resolvia o problema ído por Moisés no deserto) era dividido
da culpa. Por intermédio do sacrifício de em dois compartimentos (ou salas);
si mesmo, Cristo entrou no santo dos ‘Santuário’ (9.2) e ‘Santo dos Santos’
santos celestial para resolver de uma (9.3). Estas duas salas do tabernáculo
vez por todas o problema do pecado. são distinguidas pelos termos ‘primeiro’
e ‘segundo’. Cada uma delas continha
uma mobília que tinha um significado
SÍNTESE DO TÓPICO I simbólico, conforme as instruções dadas
O culto na Antiga Aliança tinha os por Deus, e o véu que separava as duas
seus utensílios, seus oficiantes e sua salas tinham um profundo significado”
liturgia ordenados por Deus. (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD,
Roger (Ed.) Comentário Bíblico Pen-
tecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio
SUBSÍDIO TEOLÓGICO de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1587,1588).
“De alguma maneira o texto em
Hebreus 9.1-10.18 é o âmago do ar- II – A EFICÁCIA DO CULTO
gumento do autor. Por meio de um NA NOVA ALIANÇA
número considerável de detalhes, ele 1. Uma redenção eterna. A diferen-
contrasta o serviço sacerdotal terreno, ça entre o culto da Antiga e o da Nova
a Antiga Aliança, com o novo ministé- Aliança pode ser vista no contraste
rio sacerdotal de Cristo (o celestial) entre ambas alianças quanto à eficácia
da Nova Aliança, a fim de completar do sacrifício efetuado no contexto de
seu argumento de que a antiga foi cada uma. Sobre a eficácia da redenção
simplesmente um presságio e uma operada por Cristo, o autor diz ir muito
preparação para a nova, e que a nova além da do antigo culto (Hb 9.12). No
cumpre, ultrapassa e substitui a antiga. texto de Hebreus nove, a palavra “re-
Consequentemente, seus leitores não denção” traduz o termo grego lytrôsis,
podem retornar à Antiga Aliança sem que significa “resgate” com o sentido
que sofram resultados desastrosos (cf. de “libertação mediante o pagamento
10.19-31). de um preço”. Enquanto o culto levíti-
Em Hebreus 9.1, o autor apresenta co, com seus muitos rituais, produzia
dois importantes assuntos relacionados apenas pureza cerimonial, o sacrifício
ao ministério sacerdotal sob o ‘primeiro’ de Cristo operou a redenção eterna.
concerto: (1) as ‘ordenanças de culto 2. Uma consciência limpa. Já vimos
divino’, e (2) o ‘santuário terrestre’ (ou que os sacrifícios na Antiga Aliança
‘tabernáculo’, Hb 9.2a), que ele discute possuíam um aspecto meramente
em ordem inversa em 9.2-5 e 9.6-10. O externo, isto é, cerimonial. Eles não
tabernáculo é chamado de ‘terrestre’ conseguiam tratar com a parte interna
(kosmikon) porque foi feito por mãos do homem. Na verdade, esses muitos
humanas (cf. 8.2; 9.11,24) e denota a sacrifícios apenas “cobriam” os peca-
esfera de sua atividade, em contraste dos em vez de removê-los. Por outro
com a esfera celestial não feita por lado, o sacrifício de Cristo trata com o
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 69
problema do pecado em sua raiz. Ele SUBSÍDIO TEOLÓGICO
não apenas “cobre” a transgressão, mas
a remove (Hb 9.14). Nenhum sacrifício “As ordenanças do Antigo Tes-
no antigo culto era capaz de tratar com tamento quanto à adoração levítica
o problema da consciência. Todavia, envolviam coisas como ‘manjares, e
o sangue de Cristo purifica e limpa a bebidas, e várias oblações’ (Hb 9.10).
consciência tornando-a apta para a Estas providências externas e tempo-
adoração a Deus. rárias foram válidas somente ‘até ao
3. Uma herança eterna. O efeito tempo da correção’. Cristo cumpre o que
imediato da purificação interior efetu- é antecipado e prenunciado na Antiga
ada pelo sangue de Cristo é visto nas Aliança. Sua vinda foi, deste modo,
palavras do autor em Hebreus 9.15, uma emenda ou reforma completa da
quando ele afirma que “os chamados estrutura religiosa de Israel. A Antiga
recebam a promessa da herança eterna”. Aliança deveria agora dar lugar à nova;
A palavra “herança” traduz o termo a sombra deveria dar lugar à essência;
grego kleronomia, com o sentido de a cópia exterior e terrena deveria dar
algo que alguém por direito possui. Em lugar à realidade interior e celestial”
o Novo Testamento, é usado em relação (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD,
às coisas terrenas (Lc 12.13) e celestiais, Roger (Ed.) Comentário Bíblico Pente-
no sentido de que Cristo nos chamou costal Novo Testamento. 2.ed. Rio de
“para uma herança incorruptível” (1 Janeiro: CPAD, 2004, p. 1591).
Pe 1.4). Por isso, a nossa herança é III – A SINGULARIDADE DO CULTO
celestial, espiritual e eterna. DA NOVA ALIANÇA
1. O santuário celeste. O tabernáculo
terrestre era um tipo do santuário celeste,
SÍNTESE DO TÓPICO II
onde Cristo oficia como sumo sacerdote
A eficácia do culto na Nova Aliança (Hb 9.24). O culto na Antiga Aliança, com
se dá mediante a redenção operada seu santuário terrestre, era apenas uma
por Cristo. sombra da qual o santuário celeste é a
realidade. O verdadeiro modelo de ado-

CONHEÇA MAIS
*Nova Aliança
“Esta é uma providência de Deus pela qual Ele estabele-
ceu um novo relacionamento de responsabilidade entre Si
mesmo e o seu povo (Jr 31.31-34). A expressão nova alian-
ça também é um sinônimo do NT e, portanto, refere-se aos
27 livros do NT, ou à própria Nova Aliança [...].
A escolha ou a designação da aliança. Quando mencio-
nada pela primeira vez, esta aliança foi chamada de
‘nova’ (Jr 31.31), porque foi estabelecida em oposição
à aliança primária ou a mais antiga de Israel, a saber, a
aliança da lei Mosaica. Este mesmo contraste
também é feito em Hebreus 8.6-13.”
Leia mais em “Dicionário Wy-
cliffe”, CPAD, p.66,68.

70 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


ração não pode ser visto, olhando para a vez, sem pecado, aos que o esperam
terra, mas para o céu. Se a adoração no para salvação” (Hb 9.28). O autor de
antigo santuário, apesar de suas inúmeras Hebreus resume bem a mensagem do
limitações, teve seu valor, que dizer então texto sobre a obra de Cristo, quando diz
da adoração que toma como ponto de que o nosso Senhor “se manifestou, para
partida o santuário celeste? aniquilar o pecado pelo sacrifício de si
2. Um sacrifício superior. O ser- mesmo” (Hb 9.26). Agora, comparece
viço prestado pelos sacerdotes no por nós no céu (Hb 9.24), mas um dia
antigo culto é contrastado com aquele aparecerá para levar-nos ao seu lar (Hb
realizado por Cristo na Nova Aliança. 9.28). Esses “três tempos da salvação”
Cristo, ao contrário dos sacerdotes, não tem como base a sua obra consumada
necessitou repetir o seu sacrifício nem na Cruz do Calvário.
tampouco fazê-lo por meio de sangue
alheio (Hb 9.25). O culto no Antigo
Concerto era imperfeito porque seus SÍNTESE DO TÓPICO III
sacerdotes eram imperfeitos da mesma O culto na Nova Aliança é singular,
forma que o eram os seus sacrifícios. pois apresenta um sacrifício superior.
O verdadeiro culto, em tudo superior,
só foi possível porque o Cordeiro de
Deus se deu em nosso lugar.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
3. Uma promessa gloriosa. O au-
tor encerra a sua exposição sobre o Professor(a), reproduza o quadro
culto na Antiga e Nova Aliança com abaixo e utilize-o para mostrar a cone-
uma promessa: “Assim também Cristo, xão entre o Antigo Concerto e o Novo
oferecendo-se uma vez, para tirar os Concerto Messiânico e a singularidade
pecados de muitos, aparecerá segunda do culto da Nova Aliança.

Referência O Antigo A novo concerto Aplicação


Concerto sob em Cristo
Moisés
Hb 8.3-4 Ofertas e O Cristo morreu por
sacrifícios por autossacrifício você.
aqueles que do Cristo
são culpados de inocente.
pecados.
Hb 8.5-6, 10-12 Focada em um Focada no Deus está
edifício físico reinado de diretamente
onde as pessoas Cristo no envolvido em sua
vão a fim de coração dos vida.
adorar. crentes.
Hb 8.5-6, 10-12 Uma sombra. Uma realidade. Não é temporal,
mas eterna.
Hb 8.6 Promessas Promessas Podemos confiar
limitadas. ilimitadas. nas promessas de
Deus para nós.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 71


Hb 8.8-9 Um acordo no Um acordo fiel Cristo manteve
qual as pessoas realizado por o acordo que
falharam. Cristo. as pessoas não
conseguiram
guardar.
Hb 9.1 Padrões Padrões internos Deus vê tanto as
externos e – um novo ações quanto as os
regras. coração. motivos – somos
responsáveis
perante Deus, e não
perante regras.
Hb 9.7 Acesso limitado Acesso ilimitado Deus está
a Deus. a Deus. pessoalmente
disponível.
Hb 9.9-10 Purificação Purificação A purificação de
legal. pessoal. Deus é completa.
Hb 9.11-14; Sacrifício Sacrifício O sacrifício de
24-28 contínuo. conclusivo. Cristo foi perfeito e
definitivo.
Hb 9.22 O perdão é O perdão é dado Nós recebemos o
conquistado. gratuitamente. perdão verdadeiro e
completo.
Hb 9-28 Repetida Concluída pela A morte de Cristo
anualmente. morte de Cristo. pode ser aplicada
aos nossos pecados.
Hb 9.26 Disponível para Disponível para Disponível para
alguns. todos. você.
Adaptado da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 1797.

CONCLUSÃO celestiais, eternos e perfeitos. Não


O autor conseguiu seu objetivo há, pois, como adorar a Deus de uma
ao contrastar a adoração na Antiga e forma agradável tomando por base os
na Nova Aliança. A adoração antiga rudimentos desta dimensão terrena.
era terrena, imperfeita, transitória, Nossa adoração é superior porque o
incompleta. Por outro lado, a adoração nosso Senhor encontra-se entronizado
no Novo Pacto se firma em princípios acima dos anjos.

ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

72 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


PARA REFLETIR

A respeito de Contrastes na Adoração


da Antiga e Nova Aliança, responda:
• Quais as duas divisões do antigo santuário que o autor de Hebreus
tem em mente?
Ele tem em mente as duas principais divisões do antigo santuário: o santo
lugar e o santo dos santos.
• Enquanto o culto levítico produzia apenas uma pureza cerimonial, o
que opera o sacrifício de Cristo?
O sacrifício de Cristo operou uma redenção eterna.
• Segundo o autor de Hebreus, qual é a nossa herança?
Nossa herança é celestial, espiritual e eterna.
• O culto na Antiga Aliança era a sombra do quê?
O culto na Antiga Aliança, com seu santuário terrestre, era apenas uma
sombra do qual o santuário celeste é a realidade.
• O autor de Hebreus encerra a sua exposição com qual promessa?
O autor encerra a sua exposição sobre o culto na Antiga e Nova Aliança com
uma promessa: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os
pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam
para salvação” (Hb 9.28).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 40. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Manual do Teologia Teologia


Pentateuco do Antigo do Novo
Testamento Testamento

Esta obra permite que você A partir dessa obra você A partir dessa obra você
faça um exame aprofundado perceberá o desenvolvimento perceberá o desenvolvimento
dos cinco primeiros livros da progressivo dos principais progressivo dos principais
Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levíti- temas doutrinários em cada temas doutrinários em cada
co, Números e Deuteronômio), livro do Antigo Testamento. livro do Novo Testamento.
sob a perspectiva do contexto
sócio-cultural da época.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 73


Lição 10
11 de Março de 2018

Dádiva, Privilégios
e Responsabilidades
na Nova Aliança

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“Cheguemo-nos com verdadeiro cora-
ção, em inteira certeza de fé; tendo o A Nova Aliança é uma dádiva
coração purificado da má consciência divina que traz grandes responsa-
e o corpo lavado com água limpa.” bilidades.
(Hb 10.22)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 10.14 Quinta – Hb 10.23
Uma única oferta santificou aos A necessidade de vigilância para
que creem continuar crendo na promessa
Terça – Hb 10.12 Sexta – Hb 10.35
O único ofertante suficiente para o A necessidade de confiança na
sacrifício grande recompensa
Quarta – Hb 10.10 Sábado – Hb 10.36
Uma única vez, um único sacrifício A necessidade de perseverança
e a substituição do culto para alcançar a promessa

74 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 10.1-7,22-25

1 – Porque, tendo a lei a sombra dos 7 – Então, disse: Eis aqui venho (no
bens futuros e não a imagem exata das princípio do livro está escrito de mim),
coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios para fazer, ó Deus, a tua vontade.
que continuamente se oferecem cada ano,
pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. 22 – cheguemo-nos com verdadeiro
coração, em inteira certeza de fé; tendo
2 – Doutra maneira, teriam deixado de o coração purificado da má consciência
se oferecer, porque, purificados uma e o corpo lavado com água limpa,
vez os ministrantes, nunca mais teriam
consciência de pecado. 23 – retenhamos firmes a confissão
da nossa esperança, porque fiel é o
3 – Nesses sacrifícios, porém, cada que prometeu.
ano, se faz comemoração dos pecados,
24 – E consideremo-nos uns aos outros,
4 – porque é impossível que o sangue para nos estimularmos ao amor e às
dos touros e dos bodes tire pecados. boas obras,
5 – Pelo que, entrando no mundo, diz: 25 – não deixando a nossa congrega-
Sacrifício e oferta não quiseste, mas ção, como é costume de alguns; antes,
corpo me preparaste;
admoestando-nos uns aos outros; e
6 – holocaustos e oblações pelo pecado tanto mais quanto vedes que se vai
não te agradaram. aproximando aquele Dia.

HINOS SUGERIDOS: 208,242,303 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Mostrar que a Nova Aliança é uma dádiva divina que traz grandes
responsabilidades.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Saber qual a dádiva da Nova


Aliança;

II Apresentar os privilégios da
Nova Aliança;

III Explicar as responsabilidades


da Nova Aliança.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 75


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), nesta lição veremos os inúmeros privilégios que a
Nova Aliança oferece a todos aqueles que creem no sacrifício de Jesus e buscam
se achegar a Deus. Mediante a fé em Jesus fomos justificados e regenerados e
hoje temos livre acesso a presença do Pai. Com certeza, este é o maior benefício
que nos foi concedido pelo Senhor. Todos os benefícios da Nova Aliança só se
tornaram possíveis mediante a obra expiatória de Jesus Cristo, pois na Antiga
Aliança somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos uma
vez no ano no Dia da Expiação. Hoje por meio do sacrifício perfeito e eterno
de Cristo temos livre acesso à presença de Deus. Este é um grande privilégio
que conduz a uma grande responsabilidade. Como crentes jamais devemos
negligenciar a Nova Aliança menosprezando a graça de Deus.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO judaica, e na língua hebraica, afirmam
O autor sagrado está próximo de que houve situações nas quais os filhos
concluir a sua argumentação acerca do de Arão se gabavam de ficar cobertos de
sacerdócio e do sacrifício de Cristo. sangue sacrifical até os tornozelos.
A seção de Hebreus 10.1-18 é PONTO Em História dos Hebreus (CPAD),
reservada por ele para lem- CENTRAL no livro “Guerras Judaicas”, o
brar, reforçar e concluir os A Nova Aliança historiador Flávio Josefo fala
argumentos anteriormente é uma dádiva divi- em centenas de milhares des-
expostos sobre a singulari- na que traz gran- ses sacrifícios. Para o autor de
des responsa-
dade e a eficiência da obra bilidades.
Hebreus, esses sacrifícios não
expiatória de Jesus Cristo. Tendo passavam de uma sombra da qual
feito isso, ele destaca inúmeros Cristo era a realidade (Hb 10.1).
privilégios desfrutados pelos crentes Cristo, com uma única oferta, realizou a
que só se tornaram possíveis graças à obra da redenção (Hb 10.14).
superioridade da Nova Aliança. O acesso 2. Um único ofertante. A oferta
direto à presença de Deus, graças à me- foi única, o ofertante também (Hb
diação de Cristo, constitui o maior deles. 10.12). Aqui, como já havia feito ante-
Mas ao mesmo tempo em que destaca riormente, o autor destaca o ofício de
as bênçãos da nova vida em Cristo, o Cristo como sacerdote e rei. Este é o
autor também chama a atenção para as diferencial entre o sistema sacerdotal
responsabilidades que derivam dela. do leviticalismo e o do cristianismo. À
semelhança de Melquisedeque, Cristo
I – A DÁDIVA DA NOVA ALIANÇA não apenas oficia como sacerdote, mas
1. Uma única oferta. O Antigo Tes- também governa como rei. Depois de
tamento põe em destaque as centenas fazer a purificação do pecado com seu
de sacrifícios que eram realizados ano próprio sangue, Ele, agora como rei,
após ano no culto judaico. A quantidade assentou-se à direita de Deus (Hb 1.3).
de animais mortos nessas celebrações 3. Uma única vez. Uma única oferta
impressionava. Especialistas em cultura feita uma única vez por um único sumo
76 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
sacerdote (Hb 10.10)! Um dos pontos mais a obra excelente que Cristo faria para
destacados na epístola pelo autor de He- remover os pecados” (Bíblia de Estudo
breus foi o caráter único do sacrifício de Cronológica Aplicação Pessoal. 1.ed.
Cristo. Enquanto os sacrifícios da Antiga Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 1798).
Aliança necessitavam ser frequentemente II – OS PRIVILÉGIOS
repetidos, o sacrifício de Cristo foi feito DA NOVA ALIANÇA
uma única vez em favor de todos os 1. Regeneração. No capítulo oito
homens. Esse fato demonstra inequivo- o autor já havia contrastado a Antiga
camente, que por um lado, os sacrifícios Aliança com a Nova, levando em conta o
de animais eram imperfeitos e jamais seu aspecto cerimonial e ritual. Os inúme-
poderiam aperfeiçoar alguém; e que por ros sacrifícios e rituais jamais puderam
outro, deixa claro que somente o sangue produzir mudança interna. A santificação
de Cristo pode satisfazer a justiça de Deus. no Antigo Pacto se dava mais no aspecto
cerimonial. Todavia, a grandeza da Nova
SÍNTESE DO TÓPICO I Aliança está na mudança interna que ela
A Nova Aliança nos concede uma produz, isto é, no coração (Hb 10.16). O
grande dádiva. apóstolo Paulo disse o mesmo com outras
palavras (Rm 2.29).
2. Adoração. O autor sacro já havia
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO destacado que a adoração na Antiga
“Quando as pessoas se reuniam para Aliança era imperfeita porque poucos
a oferta de sacrifícios no Dia da Expiação, tinham acesso à presença de Deus. O
elas eram lembradas dos seus pecados, povo era representado pelos sacerdotes
e sem dúvida se sentiam culpadas nova- e, uma vez no ano, pelo sumo sacerdote.
mente. O que elas mais precisavam era do Não era uma adoração em espírito e em
perdão — o perdão permanente e pode- verdade (Jo 4.23). Todavia, o autor revela
roso que destrói o pecado, o perdão que que esse fato mudou. No Novo Concerto
temos em Cristo. Quando confessamos o próprio crente tem acesso ao lugar mais
um pecado a Ele, não precisamos pensar íntimo do santuário por intermédio de
nesse pecado nunca mais. Cristo Jesus, o perfeito sumo sacerdote
Os sacrifícios de animais não po- (Hb 10.19). A única atitude necessária
diam remover os pecados; eles forneciam destacada pelo autor é a de chegarmos
apenas uma forma temporária de lidar a Deus “com verdadeiro coração, em
com o pecado até que Jesus viesse para inteira certeza de fé, tendo os corações
lidar com o pecado de forma permanente. purificados da má consciência, e o corpo
Como, então, as pessoas eram perdoadas lavado com água limpa” (Hb 10.22).
nos tempos do Antigo Testamento? Pelo 3. Comunhão. O conceito de Igreja
fato de os crentes do Antigo Testamento como Corpo vivo de Cristo aparece no
seguirem o mandamento de Deus sobre a pensamento do autor de Hebreus. Embora
oferta de sacrifícios, Deus lhes perdoava o antigo povo formasse uma “congregação
quando realizavam seus sacrifícios movi- no deserto”, ele não era uma igreja no
dos pela fé. Mas essa prática aguardava, sentido neotestamentário. A existência
com expectativa, o sacrifício perfeito da Igreja só se tornou possível depois do
de Cristo. O modo de Cristo é superior Calvário. Como Igreja, os cristãos podem
à maneira do Antigo Testamento porque desfrutar da perfeita comunhão com Cristo
o mundo antigo apenas apontava para e uns com os outros. Sem comunhão, sem
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 77
congregação, não há igreja. Ninguém con- duro tom exortativo. Primeiramente, ele
segue ser crente isolado ou sozinho. Por aconselha o crente a se firmar na fé (Hb
isso, o “congregar” é importantíssimo para 10.23). O autor já havia usado a palavra
a saúde espiritual do crente (Hb 10.24,25). “reter” (gr. katecheo) duas outras vezes
(Hb 3.6,14). Essa palavra é usada em Lucas
8.15 (ARA) para os que “retêm a palavra”
SÍNTESE DO TÓPICO II a fim de não se desviarem dela. Esse
Muitos são os privilégios da Nova apego era justificado segundo a pergunta
Aliança, mas o acesso direto à presença retórica do autor: “Quanto maior casti-
de Deus, graças à mediação de Cristo, go cuidais vós será julgado merecedor
constitui o maior deles. aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver
por profano o sangue da aliança com que
foi santificado, e fizer agravo ao Espírito
SUBSÍDIO DIDÁTICO da graça?” (Hb 10.29). Há um preço alto
Reproduza o esquema abaixo no quando nos falta a vigilância.
quadro. Depois inicie a explicação do 2. Confiança. Com o objetivo de ani-
segundo tópico da lição fazendo a se- mar a fé dos crentes, o autor faz menção
guinte indagação: “Quais os privilégios ao histórico da vida deles. Eles haviam
da Nova Aliança?” Ouça os alunos com experimentado sofrimento, abandono
atenção e incentive a participação de e até mesmo a espoliação; contudo,
todos. Em seguida utilize o quadro para permaneceram firmes. O que estava,
mostrar aos alunos alguns dos muitos portanto, acontecendo agora? Aquela
privilégios alcançados pela Nova Aliança. mesma confiança que haviam tido no
passado deveria continuar como um
PRIVILÉGIOS DA NOVA ALIANÇA sólido fundamento (Hb 10.35). Quando
1. Temos acesso pessoal a Deus por o cristão perde a capacidade de confiar,
meio de Cristo e podemos nos apro- ele perde a motivação pelas coisas celes-
ximar dEle sem a necessidade de tiais. O céu é para quem tem esperança!
um sistema elaborado (Hb 10.22); 3. Perseverança. O autor conclui o
capítulo mostrando que na jornada cristã
2. Podemos crescer na fé, vencer
as dúvidas e os questionamentos o crente precisa de paciência (Hb 10.36). A
e aprofundar nossa relação com palavra grega hypomoné ocorre 32 vezes
Deus (Hb 10.23); em o Novo Testamento com o sentido
de “paciência” e “perseverança”. Essa
3. Podemos desfrutar a motivação
uns dos outros (Hb 10.24); palavra aparece também em Lucas 8.15,
referindo-se ao crente que produz fruto
4. Podemos adorar juntos (Hb 10.25). com perseverança. O discipulado cristão,
Adaptado de Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. bem como a produção de frutos, demanda
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 1800.
tempo. E para alcançar as promessas de
III – AS RESPONSABILIDADES Deus é preciso perseverar até o fim.
DA NOVA ALIANÇA
1. Vigilância. O autor volta às exor-
tações feitas nos capítulos dois e seis. SÍNTESE DO TÓPICO III
Não há dúvida de que ele acreditava Na Nova Aliança há privilégios, mas
que um cristão genuíno pode decair da também grandes responsabilidades.
graça, senão, não teria sentido algum seu
78 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
SUBSÍDIO TEOLÓGICO boas obras’ (Hb 10.24). Este verso enfoca
o ‘amor’ (Hb 10.24,25), que completa a
“O autor de Hebreus faz uma série de tríade com a fé (Hb 10.22) e a esperança
exortações e uma delas é: ‘Retenhamos (Hb 10.23). Os cristãos devem encorajar-se
firmes a confissão da nossa esperança’ (Hb mutuamente e estimularem-se uns aos
10.23). O autor retorna à sua preocupação outros (‘incitar’, ‘provocar’) às expressões
pelos leitores, que estão em perigo de se práticas do amor. O objetivo desta ação é
afastar de sua fé e da confissão da espe- o aumento e o aprofundamento do ‘amor
rança em Cristo (cf. 2.1-3; 3.12-14; 4.1; e das boas obras’ em meio aos crentes. O
6.4-6; 10.26-31). ‘Reter firme’ significa amor deve ter ‘um resultado prático’ e ‘uma
literalmente não se desviar nem para expressão tangível’” (ARRINGTON, French
um lado nem para o outro’, e deste modo L.; STRONSTAD, Roger (Ed.) Comentário
significa estar ‘firme’, ‘estável’, ‘inabalável’. Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
Para os leitores, reter firme sua ‘esperança’ 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1602).
em Cristo como judeus convertidos incluía
permanecerem firmes em sua fé, crendo
que Jesus Cristo é o seu sacrifício pelo CONCLUSÃO
pecado e o seu sumo sacerdote diante Chegamos ao final de mais uma lição.
de Deus. A ‘esperança’, porém, é mais Observamos que o autor, neste capítulo,
abrangente do que a ‘fé’, porque inclui praticamente exauriu o assunto em torno
as promessas específicas de Deus sobre do sacerdócio de Cristo. A comparação
o futuro. O incentivo mais forte possível detalhada que ele fez entre os dois pac-
para continuarem em direção à esperança tos, a Antiga e a Nova Aliança, serviu para
é o caráter fidedigno de Deus: ‘Porque mostrar a superioridade desta última.
fiel é o que prometeu’. Nossa esperança Cristo tornou possível o que na Antiga
é baseada na promessa infalível de Deus; Aliança era apenas uma promessa. Toda-
porque não apreciamos e confessamos via, o cristão não deve se acomodar nem
isto confiante e ousadamente. tampouco negligenciar a Nova Aliança,
Outra exortação importante é: ‘Con- abusando do poder da graça de Deus. Em
sideremo-nos uns aos outros, para nos vez disso, ele deve demonstrar vigilância
estimularmos à caridade [ou ao amor] e às e perseverança no caminhar com Cristo.

CONHEÇA MAIS

*Sobre a importância de congregar


“10.25 Quando vedes que se vai aproximando aquele
dia. O dia da volta de Cristo para buscar os seus fiéis está
se aproximando [...]. Até chegar esse dia, enfrentaremos
muitas provações espirituais e muitas falsificações na
doutrina. Devemos congregar-nos regularmente para nos
encorajarmos mutuamente e nos firmarmos em Cristo e na
fé apostólica do novo concerto.
10.26 Se pecarmos voluntariamente. O escritor de Hebreus
volta advertir seus leitores sobre o caso de aban-
donar a Cristo, como fizeram em 6.4-8.”
Leia mais em “Bíblia de Estudo Pen-
tecostal”, CPAD, pp.1914,15.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 79


PARA REFLETIR

A respeito de Dádiva, Privilégios


e Responsabilidades na Nova Aliança, responda:
• Segundo a lição, o que o Antigo Testamento põe em destaque?
O Antigo Testamento põe em destaque as centenas de sacrifícios que eram
realizados ano após ano no culto judaico.
• “Enquanto os sacrifícios da Antiga Aliança necessitavam ser frequen-
temente repetidos, o sacrifício de Cristo foi feito uma única vez em
favor de todos os homens.” O que esse fato demonstra?
Esse fato demonstra inequivocamente por um lado que os sacrifícios de animais
eram imperfeitos e jamais poderiam aperfeiçoar alguém e, por outro lado, dei-
xam claro que somente o sangue de Cristo poderia satisfazer a justiça de Deus.
• Em que está fundamentada a grandeza da Nova Aliança?
A grandeza da Nova Aliança está na mudança interna que ela produz, isto
é, no coração (Hb 10.16).
• Segundo a lição, por que não há dúvida para o autor de Hebreus que
o cristão poderia cair da graça?
Não há dúvida que o autor acreditava que um cristão genuíno pode decair
da graça, senão, não teria sentido algum seu duro tom exortativo.
• O que o autor de Hebreus destaca sobre a jornada da vida cristã?
O autor destaca que na jornada da vida cristã o crente precisa de paciência
(Hb 10.36).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 41. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Santidade Um Mestre Heróis da Fé


que Liberta fora da Lei

Ao ler este livro você descobri- Conheça a surpreendente, Vinte homens extraordinários
rá, por meio de exemplos da perturbadora e apaixonaste que incendiaram o mundo.
vida de Jesus, o plano de Deus personalidade de Jesus.
para sua vida: restaurar você.

80 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 11
18 de Março de 2018

Os Gigantes da Fé
e o seu Legado para a Igreja

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
Texto Áureo Verdade Prática

“Ora, a fé é o firme fundamento das


coisas que se esperam e a prova das A fé é a confiança irrestrita nas
coisas que se não veem.” promessas de Deus.
(Hb 11.1)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 11.4 Quinta – Hb 11.8
O sacrifício de Abel e a fé que A obediência de Abraão em sair
ainda fala para um lugar desconhecido
Terça – Hb 11.5 Sexta – Hb 11.22
O testemunho de Enoque e sua A fidelidade de José e a ordem
trasladação acerca de seus ossos
Quarta – Hb 11.7 Sábado – Hb 11.24,25
A confiança de Noé que o fez A determinação de Moisés em se
herdeiro da justiça recusar a ter o gozo do pecado

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 81


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Hebreus 11.1-8,22-26,30-34

1 – Ora, a fé é o firme fundamento das e deu ordem acerca de seus ossos.


coisas que se esperam e a prova das
23 – Pela fé, Moisés, já nascido, foi
coisas que se não veem.
escondido três meses por seus pais, por-
2 – Porque, por ela, os antigos que viram que era um menino formoso;
alcançaram testemunho. e não temeram o mandamento do rei.
3 – Pela fé, entendemos que os mundos, 24 – Pela fé, Moisés, sendo já grande,
pela palavra de Deus, foram criados; recusou ser chamado filho da filha
de maneira que aquilo que se vê não de Faraó,
foi feito do que é aparente.
25 – escolhendo, antes, ser maltratado
4 – Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior
com o povo de Deus do que por, um pou-
sacrifício do que Caim, pelo qual al-
co de tempo, ter o gozo do pecado;
cançou testemunho de que era justo,
dando Deus testemunho dos seus dons, 26 – tendo, por maiores riquezas, o
e, por ela, depois de morto, ainda fala. vitupério de Cristo do que os tesou-
5 – Pela fé, Enoque foi trasladado ros do Egito; porque tinha em vista a
para não ver a morte e não foi achado, recompensa.
porque Deus o trasladara, visto como, 30 – Pela fé, caíram os muros de Jericó,
antes da sua trasladação, alcançou sendo rodeados durante sete dias.
testemunho de que agradara a Deus. 
31 – Pela fé, Raabe, a meretriz, não
6 – Ora, sem fé é impossível agradar-lhe,
pereceu com os incrédulos, acolhendo
porque é necessário que aquele que se
em paz os espias.
aproxima de Deus creia que ele existe
e que é galardoador dos que o buscam. 32 – E que mais direi? Faltar-me-ia o
tempo contando de Gideão, e de Bara-
7 – Pela fé, Noé, divinamente avisado
que, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi,
das coisas que ainda não se viam, te-
meu, e, para salvação da sua família, e de Samuel, e dos profetas,
preparou a arca, pela qual condenou 33 – os quais, pela fé, venceram
o mundo, e foi feito herdeiro da justiça reinos, praticaram a justiça, alcança-
que é segundo a fé. ram promessas, fecharam as bocas
8 – Pela fé, Abraão, sendo chamado, dos leões,
obedeceu, indo para um lugar que 34 – apagaram a força do fogo, esca-
havia de receber por herança; e saiu,
param do fio da espada, da fraqueza
sem saber para onde ia.
tiraram forças, na batalha se esforça-
22 – Pela fé, José, próximo da morte, ram, puseram em fugida os exércitos
fez menção da saída dos filhos de Israel dos estranhos.

82 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


HINOS SUGERIDOS: 107,126, 459 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Apresentar os gigantes da fé segundo Hebreus 11 e o seu legado para a Igreja.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tó-
pico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I Discutir a respeito da fé que gera confiança em Deus;

II Mostrar que a fé nos faz ver o impossível;

III Compreender que a fé dá poder para avançar.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 83


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), estudaremos um dos capítulos mais conhecidos da
Epístola aos Hebreus, a galeria dos heróis da fé que se encontra no capítulo
11. Esses heróis e heroínas eram pessoas comuns, sujeitos as intempéries da
vida, mas a fé deles em Deus fez com que superassem grandes obstáculos,
fazendo com que o nome do Senhor fosse exaltado. O estudo dessa galeria nos
mostra que a fé, embora sendo algo subjetivo, traz sempre resultados práticos.
É importante que você ressalte, no decorrer da lição, que estes heróis da fé,
não tinham as Escrituras Sagradas como temos hoje, o que tornava o conhe-
cimento deles a respeito de Deus, se comparado a nós, limitado.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO Abel, o primeiro exemplo de homem
O autor acabara de fazer sua longa de fé (Hb 11.4). Abel foi um homem,
exposição sobre a supremacia de Cristo, que nos primórdios da humanidade,
seu sacerdócio e a superioridade ousou confiar em Deus. A Bíblia
da Nova Aliança em relação à PONTO mostra que seu sacrifício, feito
Antiga. Essa exposição come- CENTRAL com fé, agradou a Deus. O
çou no capítulo primeiro e A confiança em culto prestado por ele foi
se estendeu por quase todo Deus fez com que verdadeiro! Há muitas espe-
pessoas comuns se culações sobre a natureza do
o capítulo dez. Aqui, ele faz tornassem gigan-
um apanhado histórico sobre tes da fé. sacrifício oferecido por Abel,
a jornada de fé dos homens e mas o texto sagrado nada diz
das mulheres de Deus no Antigo sobre o assunto. O fato é que a
Pacto e como isso deveria ser tomado fé de Abel foi uma fé operante, dife-
como exemplo para os cristãos do Novo rentemente da fé de Caim, seu irmão.
Concerto. Essa fé, diferentemente do Para o autor de Hebreus, os cristãos,
conceito de justificação dado por Paulo, assim como fora Abel, deveriam ser
aparece aqui com o sentido de ousadia, em tudo confiantes porque o Cristo a
perseverança e confiança nas promessas quem seguem é, em tudo, superior a
de Deus. A fé demonstrada por eles em Abel (Hb 12.24).
diferentes momentos da história, e em 2. O testemunho de Enoque. Há
diferentes situações, foi o que garantiu pouquíssimas referências à pessoa
as suas inserções na galeria dos heróis de Enoque no registro bíblico. Mas o
bíblicos. Essa mesma fé, que garantiu pouco que há é suficiente para inspirar
que eles sempre avançassem e nunca fé e confiança (Hb 11.5). Somente duas
recuassem, devemos imitar. pessoas são citadas na Bíblia que não
experimentaram a morte, um é Elias, o
I – A FÉ QUE GERA profeta de Tisbe, o outro é Enoque. A
CONFIANÇA EM DEUS Bíblia diz que esse traslado de Enoque
1. O sacrifício de Abel. O autor dá se deu por causa deste “andar” com
início a sua galeria dos heróis da fé com Deus. Ninguém se aproxima do Pai,
84 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
nem muito menos anda com Ele, se (2) ‘Alcançou testemunho de que era
não demonstrar fé. Deus é soberano justo’. Caim não era justo; Deus lhe disse
e age como quer, mas o fato é que que sua oferta somente seria aceitável se
Deus chamou Enoque para perto de si fizesse o que era certo (Gn 4.3-7). Deus
por causa do seu andar na fé. Sem fé rejeito a adoração de Caim porque seu
ninguém agrada a Deus. coração não era justo. Abel, por outro
3. A confiança de Noé. No seu ser- lado, demonstra a íntima relação entre
mão escatológico, Jesus se referiu aos a retidão e a fé em 10.38. Sua adoração
dias de Noé como uma época de insen- agradou a Deus porque vivia e agia pela
sibilidade espiritual. Foi uma geração, fé como um homem justo.
à semelhança da nossa, imediatista! (3) Foi mencionado por seu testemu-
Do aqui e agora. Nos dias de Noé já nho. Abel morreu como o primeiro mártir
se vivia uma espécie de hedonismo, profético da história (cf. Lc 11.50,51);
porque todos se preocupavam apenas seu testemunho duradouro passou por
com aquilo que dava prazer imediato sucessivas gerações e continua a falar
(Mt 24.37-39). Eles não “perceberam”, da vida de fé que agrada a Deus, como
mas Noé, sim. Quando ninguém conse- homem fiel que adora a Deus de todo
guia ouvir Deus, Noé o ouviu: “Pela fé, o seu coração” (ARRINGTON, French L.;
Noé, divinamente avisado das  coisas  STRONSTAD, Roger (Ed.) Comentário
que ainda não se viam, temeu,  e,  para Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
salvação da sua família, preparou a 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1612).
arca, pela qual condenou o mundo, e foi
feito herdeiro da justiça que é segundo II – A FÉ QUE FAZ VER O INVISÍVEL
a fé” (Hb 11.7). 1. A obediência de Abraão. Após
ter falado sobre Abel, Enoque e Noé, o
SÍNTESE DO TÓPICO I autor agora foca o seu argumento sobre
a fé da pessoa de Abraão, o patriarca da
A fé produz confiança irrestrita nação hebreia. Todos os nomes citados
em Deus. anteriormente são tidos como exemplos
de fé, mas nenhum deles havia se tornado
um modelo para os judeus, como fora
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO Abraão. Quando chamado por Deus,
“Três coisas são mencionadas a Abraão obedeceu e sua fé o guiou mesmo
respeito da fé de Abel: (1) Ele é elogiado quando não sabia para onde ia (Hb 11.8).
por ser um adorador de Deus. A Escritura Mas Abraão não era apenas pai dos judeus,
somente diz que ‘pela fé, Abel ofereceu ele era pai de “todos os que creem” (Gl
a Deus maior [melhor] sacrifício do que 3.7). Os cristãos deveriam seguir suas
Caim’, porque o sacrifício de Abel era pegadas com a mesma obediência e a
uma expressão de adoração que envol- mesma fé do amigo de Deus.
via toda a sua vida e fé. Apresentou toda 2. A fidelidade de José. A Escritura
a sua fé a Deus, não manteve qualquer testemunha sobre a fidelidade de José.
reserva. Isto representou total devoção Embora tenha sido vendido, ele mesmo
ao Senhor, não simplesmente uma nunca se vendeu (At 7.9,10). A fé o man-
cerimônia religiosa. Pela fé, adentrou teve vivo no Egito. Se a fé de Abraão fez
a mais profunda realidade espiritual e com que conhecesse o desconhecido, por
interior do sacrifício ao Deus invisível. outro lado, a fé de José fez ele enxergar
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 85
o invisível (Hb 11.22). José, pela fé, “viu” 1) Ao obedecer ao chamado de
o Êxodo do povo judeu. De fato, a palavra Deus para partir de Ur dos Caldeus para
grega “saída” (v.22) é a mesma usada para uma terra prometida desconhecida,
se referir ao Êxodo. É essa fé, que nos faz Abraão demonstrou fé no futuro não
enxergar o desconhecido e acreditar no visto (11.8-10).
futuro, que o autor exorta os crentes a 2) Durante longos anos de espera
demonstrarem. pelo filho e descendentes prometidos
3. A determinação de Moisés. A em circunstâncias humanamente im-
jornada do Êxodo, sob a liderança de possíveis, Abraão demonstrou fé na
Moisés, durou quarenta anos. Todavia, promessa impossível (11.11,12).
a jornada da fé de Moisés começou bem 3) Quando Deus pediu que sacrificas-
antes (Hb 11.24,25). Moisés foi um homem se Isaque (seu único filho da promessa),
determinado, ousado, confiante e cheio Abraão demonstrou fé em meio à prova
de fé. A sua fé também permitiu que ele ou ao teste severo (11.17-19). Além destes
enxergasse o invisível, pois teve “por modos em que a fé está poderosamente
maiores riquezas, o vitupério de Cristo ilustrada, um parêntese em 11.13-16
do que os tesouros do Egito” (Hb 11.26). chama a atenção para uma linha comum
Ele “viu” Cristo, mesmo tendo vivido cen- de fé que percorre a vida de Abraão e dos
tenas de anos antes. Por que não seguir outros patriarcas” (ARRINGTON, French
seu exemplo de fé na jornada espiritual? L.; STRONSTAD, Roger (Ed.) Comentário
Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 1614).
SÍNTESE DO TÓPICO II
A fé nos faz ver o invisível e alcançar III – A FÉ QUE DÁ PODER
o impossível. PARA AVANÇAR
1. A ousadia de Josué. Moisés havia
morrido e a Josué coube a missão de
SUBSÍDIO DIDÁTICO introduzir o povo na Terra Prometida.
“Fé no período patriarcal (11.8-22) Contudo, o ingresso na terra não poderia
O período patriarcal do Antigo Tes- ser feito enquanto Jericó permanecesse
tamento se estende de Abraão a José. de pé. De nada adiantava ter saído do
Abraão é como o centro das atenções; Egito para ficar fora de Canaã. O povo
somente um verso é dedicado a Isaque só ficaria de pé se Jericó caísse. Numa
(v. 20), Jacó (v. 21) e José (v. 22). Isto é guerra a vitória pertence a quem for
compreensível, já que Abraão, o homem mais numeroso, bem armado e melhor
de fé por excelência no Antigo Testa- treinado. Israel não possuía tais capaci-
mento, desempenha um papel central no dades. O autor então mostra como eles
princípio da história hebraica e na obra venceram — pela fé (Hb 11.30). Sim,
do plano de salvação de Deus. No Novo a fé foi a arma infalível nessa guerra!
Testamento, Abraão é mencionado mais Se a fé os fez avançar na conquista da
extensivamente do que qualquer outra Canaã terrena, muito mais essa mesma
figura do Antigo Testamento. Aqui em fé pode fazer na jornada celestial.
Hebreus 11, três principais episódios 2. A coragem de Raabe. Na queda
da vida de Abraão são mencionados de Jericó, Raabe escapou com vida.
para ilustrar três importantes faces de Escapou, como afirma o texto bíblico,
sua jornada de fé. pela fé (Hb 11.31). Mas a sua fé fez
86 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
mais — pela fé, Raabe, mesmo sendo única mulher mencionada pelo nome,
gentia, entrou na linhagem do povo de na lista dos heróis da fé em Hebreus
Deus (Mt 1.5). A fé de Raabe deve servir 11. Sua fé é revelada por ter acolhido e
de inspiração e motivação para quem ocultado dois espiais enviados por Josué
está na jornada rumo à Canaã celestial. a Jericó antes da conquista. É também
3. O heroísmo de Gideão. O autor evidente em sua confissão — ‘Bem sei
fecha a sua lista dos heróis da fé citando que o Senhor vos deu esta terra’ (Js 2.9)
vários personagens bíblicos. A lista é — uma fé baseada naquilo que ouviu
encabeçada por Gideão, um dos juízes e creu sobre o relatório do milagroso
durante o regime tribal israelita (Hb Êxodo de Israel do Egito, e das vitórias
11.32). Gideão foi desafiado por Deus de Israel a leste do Jordão, antes de
a buscar o livramento do seu povo por rodearem Jericó (Js 2.10-13). ‘Pela fé’
meio da fé. Em desvantagem numérica ela creu que o Deus de Israel era o Deus
e bélica, ele contava apenas com a fé do céu e da terra. Além disso, Raabe de-
na grandeza de Deus. Com apenas 300 monstrou sua fé arriscando o ‘presente
homens, mas com a promessa divina por causa da perseverança futura. Deste
recebida pela fé, ele deu grande livra- modo, quando Jericó foi conquistada
mento a seu povo. Deus não conta com e seus habitantes destruídos, Raabe
números, Ele conta com quem tem fé! ‘não pereceu com os incrédulos’ (isto
é, os desobedientes da cidade). Raabe
foi poupada — uma mulher gentílica,
SÍNTESE DO TÓPICO III
prostituta secular, pecadora contumaz
A confiança em Deus nos dá poder — este é um clássico exemplo, no An-
para avançar e vencer os obstáculos. tigo Testamento pelo fato de Deus ser
rico em misericórdia e abundante em
graça, é salva pela graça através da fé
SUBSÍDIO TEOLÓGICO (cf. Ef 2.3-9)” (ARRINGTON, French L.;
“Pela fé, Raabe, a meretriz, e sua STRONSTAD, Roger (Ed.) Comentário
família foram poupadas durante a des- Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
truição de Jericó (11.31; cf. Js 6.23). Com 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.
exceção de Sara (Hb 11.11), Raabe é a 1624,25).

CONHEÇA MAIS
*Fé
“No Novo Testamento o verbo pisteuõ (‘creio, confio’) e o
substantivo pistis (‘fé’) ocorrem 480 vezes. Poucas vezes
o substantivo reflete a ideia da fidelidade como no Antigo
Testamento (por exemplo, Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt
2.10; Ap 13.10). Pelo contrário, normalmente funciona
como um termo técnico, usado quase exclusivamente para
se referir à confiança ilimitada (com obediência e total de-
pendência) em Deus (Rm 4.24), em Cristo (At 16.31), no
Evangelho (Mc 1.15) ou no nome de Cristo (Jo
1.12)”. Para conhecer mais leia “Teologia
Sistemática. Uma Perspectiva Pente-
costal”, CPAD, pp.369-70.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 87


CONCLUSÃO para fazer. Sem perseverança, ousadia e
O autor de Hebreus contrasta o ca- fé nenhum deles teria conseguido chegar
minhar de várias personagens da histó- ao seu destino final. A única forma de
ria bíblica com a carreira proposta aos não retroceder é caminhar com fé. A fé
cristãos. Essas personagens tinham em derruba o obstáculo, abate o Inimigo e
comum um longo e desafiador percurso levanta o abatido.

PARA REFLETIR
A respeito de os Gigantes da Fé e seu Legado
para a Igreja, responda:
• Qual elemento o autor aos Hebreus cita para falar que Jesus é supe-
rior a Abel?
O sangue da aspersão (Hb 12.24).
• Noé foi lembrado em qual Sermão do Senhor Jesus?
No seu Sermão Escatológico de Mateus 24.
• Abraão não é pai unicamente dos judeus. Explique.
Segundo Gálatas 3.7, pela fé ele era pai de “todos os que creem”.
• Qual foi o pedido de José?
Que na saída dos filhos de Israel do Egito levassem seus ossos (Hb 11.22).
• Por que Jericó precisava ser destruída?
Porque o ingresso na terra não poderia ser feito enquanto Jericó perma-
necesse de pé.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 41. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Heróis Uma Fé sob Fogo


da Fé Jornada
de Fé

Vinte homens extraordinários Nesta obra, acompanharemos Encontrando força para


que incendiaram o mundo. a história de Moisés no Êxodo enfrentar as investidas de
bem como o seu legado para o Satanás.
povo de Israel.

88 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


Lição 12
25 de Março de 2018

Exortações Finais
na Grande Maratona da Fé

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR

Texto Áureo Verdade Prática


“Portanto, nós também, pois, que
estamos rodeados de uma tão grande
nuvem de testemunhas, deixemos todo
embaraço e o pecado que tão de perto Assim como um atleta, o cristão corre
nos rodeia e corramos, com paciência, a grande maratona da fé.
a carreira que nos está proposta.”
(Hb 12.1)

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Hb 12.1 Quinta – Hb 13.17
O exemplo dos antigos em correr a A necessidade de se valorizar os
maratona da fé líderes espirituais
Terça – Hb 12.2 Sexta – Hb 13.9
O exemplo de Jesus, autor e consu- A necessidade de se valorizar a
mador de nossa fé doutrina bíblica
Quarta – Hb 12.3,4 Sábado – Hb 13.18
O exemplo da igreja em resistir à A necessidade de se cultivar os
perseguição valores espirituais
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 89
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Hebreus 12.1-8; 13.15-18
12.1 – Portanto, nós também, pois, que 7 – Se suportais a correção, Deus vos
estamos rodeados de uma tão grande trata como filhos; porque que filho há
nuvem de testemunhas, deixemos todo a quem o pai não corrija?
embaraço e o pecado que tão de perto
8 – Mas, se estais sem disciplina, da
nos rodeia e corramos, com paciência,
a carreira que nos está proposta, qual todos são feitos participantes, sois,
então, bastardos e não filhos.
2 – olhando para Jesus, autor e con-
sumador da fé, o qual, pelo gozo que 13.15 – Portanto, ofereçamos sempre,
lhe estava proposto, suportou a cruz, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto
desprezando a afronta, e assentou-se é, o fruto dos lábios que confessam o
à destra do trono de Deus. seu nome.
3 – Considerai, pois, aquele que suportou 16 – E não vos esqueçais da beneficên-
tais contradições dos pecadores contra cia e comunicação, porque, com tais
si mesmo, para que não enfraqueçais, sacrifícios, Deus se agrada.
desfalecendo em vossos ânimos.
17 – Obedecei a vossos pastores e
4 – Ainda não resististes até ao sangue, sujeitai-vos a eles; porque velam por
combatendo contra o pecado.  vossa alma, como aqueles que hão de
5 – E já vos esquecestes da exortação dar conta delas; para que o façam com
que argumenta convosco como filhos: alegria e não gemendo, porque isso
Filho meu, não desprezes a correção do não vos seria útil.
Senhor e não desmaies quando, por ele, 18 – Orai por nós, porque confiamos
fores repreendido; que temos boa consciência, como
6 – porque o Senhor corrige o que ama aqueles que em tudo querem portar-se
e açoita a qualquer que recebe por filho. honestamente.

HINOS SUGERIDOS: 25, 320, 539 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL
Mostrar que, assim como um atleta, o cristão corre a grande maratona da fé.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tó-
pico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I Discutir a respeito da corrida que nos foi proposta por Deus;

II Mostrar que precisamos ser corredores bem treinados;

III Saber que estamos na reta final da nossa corrida da fé.

90 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Professor(a), pela graça do Senhor Jesus Cristo, chegamos ao final de mais
um trimestre. Estudamos a Epístola aos Hebreus, uma carta que revela a
superioridade de Cristo, do seu ministério e da Nova Aliança. Ela foi escrita
em um tempo e em um contexto bem diferente do nosso, mas seu conteúdo
é atual e nos ajuda a enfrentarmos os “tempos trabalhosos” pelos quais es-
tamos passando. Nesta última lição estudaremos os dois últimos capítulos,
esses nos exortam a correr a maratona da fé sem recuar ou olhar para trás,
pois em breve o nosso Salvador virá.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO ele o faz com um olhar no passado. A
Os dois capítulos finais da Carta aos “grande nuvem de testemunhas” (Hb
Hebreus constituem-se como um dos 12.1) é uma referência aos heróis da
mais fortes apelos exortativos de fé aos quais ele se referira no
toda a epístola. A exortação, PONTO capítulo 11. Aqueles homens e
que começa no capítulo 12, CENTRAL mulheres de Deus do mundo
é que cada um corra a “ma- Precisamos de antigo também entraram
ratona da fé” que está pro- fé para correr a na corrida. Eles correram, e
grande maratona
posta. A palavra grega agon que nos está
correram tão bem, que por
traduzida como “carreira” proposta. essa razão tinham agora suas
tem o sentido de luta, conflito, vidas como exemplos. Suas
esforço e corrida. No capítulo 11 vidas e exemplos devem servir
o autor havia falado das promessas de motivação a todo que se propõe a
de Deus como o alvo a ser alcançado, entrar na corrida.
agora ele coloca o cristão dentro da 2. O exemplo de Jesus. O autor faz
maratona da fé, correndo rumo a essa um apelo para que os crentes olhem
meta. Como toda corrida, é preciso fa- “para Jesus, autor e consumador da
zer os preparativos necessários. E isso fé, o qual, pelo gozo que lhe estava
tem uma razão de ser — toda corrida, proposto, suportou a cruz, desprezando
especialmente a maratona, demanda a afronta, e assentou-se à destra do
algum tipo de esforço e sofrimento. trono de Deus” (Hb 12.2). Essas palavras
O sofrimento aparece como algo in- devem ser lidas a partir do contexto
trínseco da corrida, já que ela exige do primeiro século. O judaísmo, como
uma vida disciplinada. Todavia, nada uma religião milenar, possuía um sis-
disso deve servir de desmotivação, já tema cerimonialista muito rígido. Esse
que estamos numa pista onde outros, ritualismo quando contrastado com
bem antes de nós, também já trilharam. a fé cristã, ainda embrionária, gerou
fortes conflitos. Muitos crentes não
I – A CORRIDA PROPOSTA demonstravam convicção suficiente
1. O exemplo dos antigos. Muito para suportar essa pressão e, por isso,
embora o autor fale sobre o futuro, esses crentes abandonavam a nova fé
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 91
ou voltavam para o antigo sistema que e perseverança, o autor novamente
haviam abandonado. O autor apela en- enfoca o desafio que seus leitores têm
tão para o exemplo de Jesus, que mesmo de serem firmes na fé e perseverantes
suportando a afronta, a vergonha e a para suportar as provas (cf. 12.1-3,7
ignomínia, não abandonou a carreira com 10.32,36). Ele desenvolve três
que lhe fora proposta. incentivos principais que deveriam
3. O exemplo da Igreja. A visão do inspirar seus leitores a perseverarem
autor em relação a seus companheiros como crentes no Senhor:
de caminhada é a mais realista possível. • O incentivo do exemplo de seus
Ele não nega em nenhum momento antepassados (21.1);
desconhecer a realidade pela qual • O incentivo do exemplo de Cristo
eles estão passando. O sofrimento é (21.2,3);
uma realidade implacável que os cerca. • O incentivo do relacionamento
Contudo, o seu apelo é que eles vejam do Pai-Filho que tinha com Deus
o sofrimento por outro ângulo. Longe (12.4-11)” (ARRINGTON, French L.;
de ser um sinal de reprovação divina, STRONSTAD, Roger (Ed.)Comen-
o sofrimento é tido pelo autor como tário Bíblico Pentecostal Novo
um instrumento pedagógico usado por Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro:
Deus. O escritor volta-se para o Antigo CPAD, 2004, p. 1630).
Testamento onde esse ensino é bem
claro (Hb 12.5,6). Por isso, ninguém II – CORREDORES BEM TREINADOS
na jornada da fé, quando surpreendido 1. Respeitam limites. O autor lem-
pelo sofrimento, deve esmorecer e bra a seus leitores: “Segui a paz com
abandonar a corrida. todos e a santificação, sem a qual nin-
guém verá o Senhor” (Hb 12.14). Certo
autor ressalta que a santificação, como
SÍNTESE DO TÓPICO I
usada na Epístola, é principalmente um
Estamos em meio a uma corrida termo ritual (Hb 10.14,22). Da mesma
que nos foi proposta por Deus. forma que, sob a Antiga Aliança, a pessoa
impura não poderia entrar num recinto
sagrado para adorar, assim também sem
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO santidade a visão final de Deus será
“O chamado a perseverar como impossível (cf. Mt 5.8). O pensamento
filhos (12.1-13) se volta aqui, porém, para a prática da
O vínculo entre a fé e a perse- santidade e da moral. “Corredores” bem
verança (ou paciência) no capítulo treinados respeitam limites.
11 torna-se a plataforma para o cha- 2. Mantêm a mente limpa. Com
mado à perseverança em 12.1-13. Em o texto de Deuteronômio 29.18 em
11.40, duas frases sinalizam o retorno mente, o autor fala em tom exortativo
à aplicação pessoal para os leitores do “cuidado” que deveriam ter a fim
originais e para nós: ‘Alguma coisa me- “de que ninguém se prive da graça
lhor a nosso respeito’ e ‘para que eles, de Deus, e de que nenhuma raiz de
sem nós, não fossem aperfeiçoados’. amargura, brotando, vos perturbe, e
Tendo descrito a história e os triunfos por ela muitos se contaminem” (Hb
espirituais dos antigos santos, que se 12.15). Moisés havia advertido o anti-
tornaram possíveis causas de sua fé go Israel sobre os males da idolatria e
92 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
seu fruto amargo, a apostasia. Alguém mundana que ele possuía. A indiferença
contaminado com a erva daninha da religiosa conduz à apostasia espiritual
apostasia sem dúvida contaminaria e, muitas vezes, fica tarde para se ar-
toda a comunidade. A única forma de repender! “Corredores” bem treinados
se manter livre desse mal era manter valorizam as coisas espirituais.
uma mente sóbria, limpa pela Palavra
de Deus. Dessa forma era possível não
permitir que o grupo fosse contami-
SÍNTESE DO TÓPICO II
nado. Ninguém com raiz de amargura Para vencermos a corrida que nos
no coração consegue fazer com êxito foi proposta pelo Senhor precisamos
a caminhada da fé. “Corredores” bem de treino.
treinados mantêm a mente limpa.
3. Valorizam as coisas espirituais.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
O autor exorta seus irmãos de fé a
valorizarem as coisas espirituais. Se “A santidade na v ida prática
alguém está regredindo e voltando (12.14)
atrás é porque não está dando o real A santidade não é algo opcional
valor a salvação recebida. O exemplo ou extra na vida cristã, mas algo que
vem de Esaú, filho de Isaque e irmão pertence à sua essência. Somente
de Jacó: “E ninguém seja fornicador ou aqueles que têm o coração puro verão
profano, como Esaú, que, por um manjar, a Deus; ninguém mais (Mt 5.8). Aqui (Hb
vendeu o seu direito de primogenitura” 12.14), como no verso 10, trata-se da
(Hb 12.16). De acordo com o livro de santidade na vida prática. Deste modo,
Gênesis, Esaú era um indivíduo mais 12.14 começa exortando os crentes
preocupado com as coisas terrenas do a procurarem verdadeiramente a paz
que com as celestiais (Gn 25.29-34; e a santidade como estilo de vida.
27.33,38). Não hesitou em trocar o seu Fazer todo o esforço possível (dioko)
direito de primogenitura por uma sim- transmite a ideia da diligência na
ples refeição. Esse fato revela a mente busca da paz e da santificação, e não

CONHEÇA MAIS
*Correr
“1. Trechõ (τρέχω), ‘correr’, usado: (a) literalmente (por
exemplo, Mt 27.48); dramõn, particípio aoristo, proveniente
de um verbo obsoleto dramõ, mas suprindo certas formas
ausentes do verbo trechõ, literalmente, ‘tendo corrido, cor-
rendo’, expressivo da determinação do ato; a mesma forma
no indicativo é usada, por exemplo, em Mt 28.8; nos Evan-
gelhos, só é usado o significado literal; em outros lugares,
ocorre em 1 Co 9.24 (duas vezes na primeira parte); Ap 9.9;
(b) metaforicamente, para ilustrar ‘corredores’ numa corrida,
acerca da rapidez ou esforço em atingir um fim (Rm 9.16)
[...]; 1 Co 9.26; Hb 12.1, alude à atividade perse-
verante no trajeto cristão com vistas a obter
recompensa”. Para conhecer mais leia
“Dicionário Vine”, CPAD, p.512.

2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 93


um esforço que produz obras mortas da liderança é traduzida como pastor,
e justiça própria. chefe ou líder e ocorre seis vezes nessa
Muitos intérpretes entendem a busca carta, sendo três delas neste capítulo
da ‘paz’ em 12.14 como se referindo à paz (Hb 13.7,17,24). Essa palavra é igual-
com todos (como na NVI). A preposição mente usada em Atos 7.10 para falar
grega neste verso, é meta com o genitivo, sobre José como governador do Egito.
que traz um sentido de ‘junto com’ (cf. O autor pede que os cristãos não se
11.9; 13.23). Deste modo, o termo ‘todos’ esqueçam do trabalho que os líderes
significa especialmente junto com ‘todos espirituais realizaram em prol deles
os outros crentes’ (cf. 13.24), que também (Hb 13.7). A natureza da missão a eles
estão sendo exortados a procurar a paz de confiada pertence a outra dimensão,
Cristo na comunidade. Como um objeto isto é, a espiritual (Hb 13.17). Onde não
direto do verbo dioko, a paz é vista como há respeito pela liderança, prevalece a
uma realidade objetiva ligada a Cristo e anarquia. Os líderes não são intocáveis
à sua morte redentora na cruz, que torna nem tampouco perfeitos, mas devem
possível a harmonia e a solidariedade na ser honrados pelo trabalho que reali-
comunidade cristã (cf. Cl 1.20). zam (1 Ts 5.12,13), bem como devem
Semelhantemente, a ‘santidade’ é ser lembrados por isso (Hb 13.24).
essencial para a comunidade cristã (cf. 2. Valorizar a doutrina. Desde
12.15). O pecado divide e contamina os primórdios a Igreja foi tentada a se
o Corpo de Cristo (a Igreja), da mesma desviar da verdade. Doutrinas falsas
maneira que o câncer faz com o corpo sempre estiveram à espreita. Aqui não
humano. Procurar a santidade sugere um foi diferente (Hb 13.9). É impossível
processo de santificação no qual a nossa precisarmos que tipo de doutrina
vida e nossa maneira de viver são se- associada ao uso de alimentos o autor
paradas para Deus como santas e como estivesse falando, mas o contexto do
instrumentos de honra a Ele. Somos Novo Testamento revela que esse fato
transformados conforme a semelhança não era estranho para os cristãos (Rm
de Deus quando nos aproximamos e 14.1-4; 1 Co 8.1; Cl 2.21). O certo é que
nos mantemos no Lugar Santíssimo de o autor exorta os crentes a firmarem-se
sua presença. Na união e na comunhão na Palavra de Deus para se manterem
com Deus, no Lugar Santíssimo, reside e não se enredarem para aquilo que
o poder da ‘paz’ e da ‘santidade’” (AR- era de natureza meramente material,
RINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger ritual e externa.
(Ed.) Comentário Bíblico Pentecostal 3. Valorizar a adoração. O autor
Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: havia falado à exaustão nos capítulos
CPAD, 2004, p. 1634). anteriores sobre o sistema de sacri-
fício levítico. A Nova Aliança tornara
III – A CORRIDA FINAL, totalmente dispensável tal sistema.
EXORTAÇÕES FINAIS Em Cristo, sob a Nova Aliança, os sa-
1. Valorizar a liderança. Uma das crifícios são de outra natureza e acon-
exortações e advertências que mais se tecem em outra dimensão (Hb 13.15).
repete nesse capítulo é feita em rela- Louvor, adoração e ação de graça são
ção ao respeito devido aos líderes da formas legítimas de sacrifícios na Nova
comunidade cristã. A expressão grega Aliança. O serviço a favor dos santos
no texto de Hebreus para o exercício e a comunhão são também lembrados
94 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018
como uma poderosa forma de adorar a 1) Proclamaram ‘a palavra de Deus’
Deus (Hb 13.16). Adorar não é apenas (13.7); isto é, eram homens de autorida-
“cantar”, mas “sacrificar”. Infelizmente, de espiritual em virtude de se manterem
é possível termos muita música e não enfocados na Palavra de Deus. É mais
termos nenhuma adoração. provável que a igreja, que reunia em
uma casa, à qual a carta aos Hebreus
foi enviada tenha sido fundada como
SÍNTESE DO TÓPICO III resultado da pregação e do ministério
de ensino destes líderes.
Estamos na corrida final, por isso,
2) Eram homens de ‘fé’ (13.7),
precisamos estar atentos as exorta-
cuja qualidade de fé e modo de vida
ções do Senhor.
exemplar os colocaram ao lado dos
heróis da fé, sob a antiga aliança (veja
11.4-38). Sua vida e fidelidade a Cristo
SUBSÍDIO TEOLÓGICO eram tão exemplares que o autor agora
“Apegar-se ao ensino sadio do exorta os leitores a ‘imitarem’ sua
evangelho (13.7-12) fé. Existe mais poder no testemunho
Os próximos três versos devem de uma pessoa que conhecemos ou
ser vistos como uma unidade de pen- vimos do que quando apenas lemos
samento, sendo 13.8 a ponte entre ou ouvimos a seu respeito. A adver-
13.7 e 13.9. Jesus Cristo é o enfoque tência a considerar o resultado de
invariável da mensagem do evangelho suas vidas também aponta para o seu
(13.8), que foi fielmente pregado por falecimento; agora a totalidade de sua
seus líderes originais (13.7) e que deve vida pode ser vista juntamente com
permanecer de acordo com o padrão seu triunfo final de fé, na partida para
da verdade, pelo qual todos os ensinos estar com o Senhor” (ARRINGTON,
serão julgados (13.9). French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.)
‘Lembrai-vos (uma ênfase na con- Comentário Bíblico Pentecostal Novo
tinuidade no tempo presente, isto é, Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro:
continue lembrando) dos vossos pas- CPAD, 2004, p. 1645).
tores, que vos falaram (no passado, isto
é, antigos líderes) a Palavra de Deus’ CONCLUSÃO
(13.7). Por três vezes neste capítulo o Nesta lição vimos que o autor se
escritor menciona os líderes espirituais vale de uma metáfora — a maratona
dos leitores (13.7, 17,24). Em todas, praticada no mundo antigo, para atra-
é utilizado o termo begoumenoi, que vés dela contrastar a grande corrida
se refere a homens de autoridade em da fé. Quando alguns crentes davam
uma posição de liderança. Em 13.7, sinais de cansaço e fadiga espiritual,
os leitores devem obedecer aos seus o autor de Hebreus exortava-os a
líderes, e em 13.24, o autor envia suas imitar os grandes campeões da fé.
saudações a todos os líderes; em ambos Ninguém vence uma corrida sem que
os versos o autor se refere aos líderes para isso não tenha de se sacrificar.
atuais. Em 13.7, porém, são seus antigos O sofrimento é inevitável, mas o re-
líderes que devem ser lembrados. São sultado alcançado por aqueles que
recordados dois fatos importantes a ousam perseverar é infinitamente
respeito destes antigos líderes. recompensador.
2018 - Janeiro/Fevereiro/Março Lições Bíblicas /Professor 95
ANOTAÇÕES DO PROFESSOR

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
PARA REFLETIR
A respeito de Exortações Finais
na Grande Maratona da Fé, responda:
• A quem o autor se refere ao falar da “grande nuvem de testemunhas”?
A “grande nuvem de testemunhas”(Hb 12.1) é uma referência aos heróis
da fé aos quais ele se referia no capítulo 11.
• Como o autor de Hebreus vê o sofrimento?
Ele vê o sofrimento como um instrumento pedagógico usado por Deus.
• Qual texto o autor tinha em mente ao falar de “raiz de amargura”.
Ele tinha em mente o texto de Deuteronômio 29.18.
• De acordo com o livro de Gênesis, como era Esaú?
De acordo com o livro de Gênesis, Esaú era um indivíduo mais preocupado
com as coisas terrenas do que com as celestiais.
• Quais são as formas de adoração apresentadas pelo escritor aos Hebreus?
Louvor, adoração e ação de graça são formas legítimas de sacrifícios na
Nova Aliança.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 73, p. 42. Você encontrará mais subsídios
para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

O Apóstolo Coleção Gustavo


dos Pés Pioneiros Bergstrom
Sangrentos Pentecostais

Um nobre indiano da seita Estas obras nos contam o Conheça a história de um


Sik se converte ao Evangelho, surgimento e crescimento da herói anônimo do Evangelho.
mas pagará um alto preço maior denominação pente-
por isso. costal do mundo.

96 Lições Bíblicas /Professor Janeiro/Fevereiro/Março - 2018


A mulher que se dedica ao estudo bíblico
colhe seus muitos benefícios
A mulher temente a Deus buscará conformar
suas crenças e comportamento à Escritura,
em vez de apenas selecionar e escolher o
trecho da Escritura que é mais agradável
para seus próprios desejos. A atenção à
Palavra de Deus, a disposição para explorar a
profundidade dos ensinamentos bíblicos, a
disposição para ter comunhão com o Autor
divino e para desfrutar desse relacionamento
com o Senhor inspirarão sua boa vontade
para se tornar uma mulher sábia cuja vida
é estruturada de modo seguro sobre a
rocha ao obedecer e pôr em prática o que
quer que seja que o Senhor diga. Que o
Senhor permita que cada uma de vocês ao
usar a Bíblia como fonte de estudo possa
renovar o compromisso do tempo pessoal
e da determinação para buscar as riquezas
encontradas em um estudo sério da Palavra
de Deus — não só para você mesma, mas
também para ensinar a Palavra escrita em
seu coração.

WWW.ESCOLA-EBD.COM.BR
E disse o rei Davi a Ornã: Não, antes, pelo
seu valor, a quero comprar; porque não
tomarei o que é teu, para o Senhor, para
que não ofereça holocausto sem custo.
1 Crônicas 21.24

Se você baixa ou compartilha uma cópia não autorizada de


um livro, você está participando de algo muito grave: pirataria.
Quem faz isso - até mesmo com livros cristãos – dá a desculpa
de que é para “democratizar” o acesso ao conhecimento e
“abençoar” a obra de Deus. Porém, não existe democracia
sem respeito a lei e a propriedade e não se faz a obra de
Deus por meio de uma fraude.

Na verdade, quem baixa uma cópia pirata de um livro:

01 Comete um ato ilegal previsto em lei – 2 Pe 4.15


02 Impede que autores, tradutores, editores, designers,
gráficos e diversos outros profissionais sejam correta-
mente remunerados pelo trabalho efetuado – 1 Tm 5.18

03 Desmerece o autor pois considera que o que ele escreveu


não tem valor – 2 Tm 2.6

04 Estimula o aumento do preço dos livros e até que nem


sejam publicados, devido a menor procura;

05 Comete um desvio ético pois usa a obra de Deus como


desculpa para cometer uma ilegalidade. Mt 15.3-6
Por isso, se você quer que ser fiel aos princípios da Bíblia, compre legalmente um livro ou e-book.
O preço a se pagar será sempre muito menor do que o valor do conhecimento adquirido.
E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui. Gálatas 6.6

Uma campanha

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

Interesses relacionados