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SUPERA

– Explicações Individuais Multidisciplinares


Unidade 2 – Distribuiçã o de maté ria


Biologia | 10.º Ano
1. O transporte nas plantas
Existem plantas que não necessitam de estruturas especializadas para transportar substâncias,
são plantas simples e denominam‐se AVASCULARES. Nas espécies mais evoluídas, mais
complexas, existe um sistema de transporte e denominam‐se VASCULARES.

O movimento de água e de substâncias inorgânicas e orgânicas nas plantas chama‐se


TRANSLOCAÇÃO.

1.1. Sistemas de transporte

Avasculares Vasculares

sem semente sem semente com semente

Angiospérmicas (sem Gimnospérmicas


Briófitas Pteridófitas
flor) (com flor)

Ex.: musgo, algas Ex.: magnólia,


Ex.: fetos Ex.: pinheiro
verdes roseira...

PLANTAS AVASCULARES (NÃO VASCULARES)

Não possuem sistema de transporte, as substâncias deslocam‐se por processos de osmose


(entrada da água na célula) e por difusão simples (nutrientes). A sua simplicidade permite que


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todas as células estejam em contacto com a luz e a proximidade das células da planta permite
a passagem dos nutrientes.

PLANTAS VASCULARES

Possuem um sistema de transporte,


isto é, dois tecidos especializados,
organizados em feixes em todos os
órgãos da planta (raiz, caule e folhas), o
que lhes permite a troca de substâncias
entre o meio e a planta e, dentro desta,
a comunicação entre as células.
Estes dois tecidos são
o XILEMA (transporta água e sais
minerais de baixo para cima, logo, no
sentido ascendente) e o FLOEMA
(transporta os produtos da fotossíntese
desde as folhas, onde tiveram origem, a
todos os restantes órgãos da planta).

Os órgãos da planta (folha, caule e raiz)


têm papéis diferentes que, em conjunto, asseguram o desenvolvimento e sobrevivência da
planta.

Recordar:

raiz caule folha

Assegura a fixação ao solo e capta a Faz a comunicação entre a Estrutura fotossintética,


matéria‐prima (água e sais captação da matéria‐prima local onde há produção de
minerais). e os órgãos de produção de matéria orgânica e onde se
matéria orgânica, as folhas. dá a troca gasosa. Na
A eficiência da captação de água e Assegura o correto superfície externa está a
sais minerais deve‐se à existência transporte. epiderme onde se
dos pelos radiculares que aumentam
a área da raiz em contato com o solo.

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localizam os estomas que
assegura as trocas.

Na estrutura interna, para


além dos tecidos
condutores (xilema e
floema), têm um tecido
clorofilino constituído por
células fotossintéticas, o
mesófilo.

A água e os sais minerais entram na planta através da absorção nas raízes e o dióxido de
carbono entra nos ESTOMAS que se localizam nas folhas.

OS ESTOMAS

São estruturas por onde o dióxido e carbono (CO2) entra na célula e que controlam a quantidade
de água que sai na transpiração. São formadas por duas CÉLULAS GUARDA (têm cloroplastos)
que revestem um orifício: o OSTÍOLO.

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Os estomas controlam a quantidade de água que é perdida pela transpiração da planta. Os


estomas estão sempre "revestidos" por água que vem das raízes. As células guarda são
constituídas por uma parede que é mais espessa no local que revestem o ostíolo. Quando as
células estão turgidas (cheias de água nos seus vacúolos), as células deformam‐se, expandem‐
se no sentido das paredes mais finas das células guarda (a este movimento chamamos de
pressão de turgência), fazendo com que o ostíolo abra. Quando a pressão de turgência diminui,
os vacúolos diminuem igualmente o seu volume e o ostíolo fecha‐se. A pressão de turgência das
células guarda depende de vários fatores como por exemplo, o Ph do meio, a concentração de
iões, a intensidade luminosa etc.

XILEMA ou LENHO

O xilema, ou lenho, é responsável pela condução de água e dos sais minerais ‐ seiva bruta ‐ das
raízes até ao topo da planta.

Existem quatro tipos de células xilémicas: traqueídos, elementos de vaso, fibras lenhosas e
parênquima lenhoso. As primeiras duas são os vasos lenhosos ou vasos xilémicos. Com
exceção do parênquima lenhoso, são células mortas impregnadas por lignina e reforçadas
com celulose.

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Os vasos xilémicos são formados por células mortas colocadas topo a topo e em que
nos traqueídos as paredes transversais estão presentes e as células contactam entre si através
de poros. Nos elementos de vaso, as paredes transversais desaparecem e formam‐se cordões
celulares da raiz até à folha.

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FLOEMA ou LÍBER

Floema ou Líber, conduz a seiva elaborada das folhas às outras regiões da planta.

Existem quatro tipos de células: Elementos dos tubos crivosos, células companhia, fibras e
células parênquimosas. Todas estas células com exceção das fibras, são constituídas por
células vivas.

Os elementos dos tubos crivosos são formados por células anucleadas e alongadas. As
suas paredes transversais possuem vários poros (crivos), formando a placa crivosa, por onde
passa a seiva elaborada de uma célula para outra.

As células companhia estão ligadas às células dos tubos crivosos e fornecem‐lhes energia.

As fibras são células mortas, alongadas, que conferem resistência e suporte à planta.

As células parênquimosas têm função de reserva.

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Comparando a estrutura dos vasos do xilema e do floema

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Os diferentes órgãos da planta, quando observados ao microscópio, apresentam diferentes


posições dos tecidos condutores e diferentes desenvolvimentos relacionados com a função que
cada órgão desempenha (folha, caule e raiz).

1.2. Absorção de água e de solutos pelas plantas

Os pelos radiculares aumentam a superfície de contacto entre a planta e o solo. É no solo que
se encontra o soluto a absorver, e dependendo da qualidade do solo, este terá mais ou menos
iões minerálicos e água. As células da raiz da planta, em geral, têm uma menor concentração de
soluto, meio hipotónico, que o solo envolvente, pelo que os iões minerálicos entram na raiz
por difusão através da membrana das células, enquanto a água entra para a planta
por osmose até atingir os vasos xilémicos.

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Por vezes as raízes podem acumular (são também órgãos de reserva), grandes concentrações
de iões, maior que as do soluto do solo, contra o gradiente de concentração, neste caso os iões
irão entrar por transporte ativo, com gasto de energia.

Os iões e a água vão chegar ao xilema e constituir a seiva xilémica ou seiva bruta que é
constituída por cerca de 99% de água e iões dissolvidos (fosfatos, nitratos, sulfatos, potássio,
sódio e cloro). O movimento é rápido, que no verão pode chegar aos 6ocm por minuto.

1.3. Transporte no xilema

Os iões e a água vão chegar ao xilema e constituir a seiva xilémica que é constituída por cerca
de 99% de água e iões dissolvidos (fosfatos, nitratos, sulfatos, potássio, sódio e cloro). O
movimento é rápido, no verão pode chegar aos 6ocm por minuto.

A água desloca‐se desde a zona apical da raiz (pelos radiculares) até aos vasos xilémicos, por
três vias:

 Via apoplástica: a água desloca‐se através do apoplasto, que representa a ligação de


todas as paredes celulares e espaços intercelulares;
 Via simplástica: a água desloca‐se do simplasto, que representa a ligação de todas as
células do corpo através dos plasmodesmos ("pontes" que ligam as membranas das
células umas às outras), que atravessam as paredes celulares das células, permitindo
que exista uma continuidade citoplásmica entre as células adjacentes;
 Via transcelular: a água passa de célula para célula.


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Como é possível contrariar a ação da gravidade?

Existem várias hipóteses (teorias) que tentam explicar este mecanismo, todas elas recorrendo
a processos físicos, como por exemplo a Hipótese da pressão radicular e a Hipótese da
tensão‐coesão‐adesão, entre outras.

Hipótese da pressão radicular

1. A contínua acumulação dos sais (iões) na raiz, permite a entrada de água por osmose.
Desenvolve‐se, então, uma pressão osmótica que é responsável pela impulsão da seiva
bruta no sentido ascendente;
2. As forças osmóticas geram uma pressão (pressão radicular) que pode explicar a subida
de água no xilema. A pressão radicular é a pressão que permite que a água absorvida
pela raiz se desloque até à parte superior da planta. Admite‐se que, para além da
osmose, esta pressão se deve igualmente ao transporte ativo, devido à presença dos sais
do xilema que possibilitam um gradiente de concentração fazendo com que haja
movimento;
3. O efeito da pressão radicular pode ser observado pela exsudação. Quando a pressão
radicular é muito elevada a água sai através da gutação (gotas de água que saem pelas
folhas).

EXSUDAÇÃO GUTAÇÃO

Figura 1 ‐ A exsudação é utilizada na


indústria da resina e do latex, por
exemplo.

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NOTA: vários estudos comprovam que os valores da pressão radicular não seriam suficientes
para levar a seiva bruta até ao topo de muitas árvores, já para falar do facto de existirem plantas
que não têm pressão radicular, como por exemplo as coníferas.

Hipótese da tensão‐adesão‐coesão

Esta Teoria explica a subida da seiva bruta desde a raiz às folhas, com base na relação entre a
absorção radicular e a transpiração estomática (nas folhas).

Calcula‐se que a tensão produzida pela transpiração seja suficiente para elevar a água até uma
altura de 150m nos vasos xilémicos. Esta é a hipótese mais aceite para explicar a
TRANSLOCAÇÃO do xilema nas plantas.

Na ascensão da seiva bruta intervém os seguintes processos sequenciais:

1. Há perda de água por transpiração, o que


origina um défice de água, que, por sua vez,
origina uma força de SUCÇÃO, fraca força
de TENSÃO que se transmite ao xilema e
deste até às células da raiz, fazendo com
que haja ABSORÇÃO de água por este
órgão;
2. As moléculas de água, unem‐se por pontes
de hidrogénio, à custa da polaridade
dessas moléculas e devido a forças de
COESÃO que fazem com que as moléculas
se mantenham unidas entre si, o que vai
facilitar a subida de água em COLUNA;
3. As moléculas de água formam, então,
ligações com as paredes dos vasos
xilémicos por forças de ADESÃO que
facilitam a ascensão da coluna de água;
4. A água sobe e forma uma coluna contínua.

NOTA: Esta Hipótese funciona apenas se houver uma coluna de água contínua. Quando existem
bolhas de ar na coluna, ou quando há descida de temperatura, a água não sobe e a planta recorre
à pressão radicular. Quando a pressão não é suficiente a coluna de água deixa de funcionar.
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1.4. Transporte no floema

As substâncias produzidas nos órgãos fotossintéticos (seiva elaborada) vão ser transportadas
a todas as células dos restantes órgãos da planta, pelos vasos floémicos. A seiva elaborada é
constituída por sacarose, nucleótidos, hormonas, aminoácidos e iões orgânicos.

Experiência de Malpighi

Para compreender onde e como circulam


os compostos orgânicos, Marcelo Malpighi,
no séc. XVII, fez a seguinte experiência:

Seccionou uma planta em forma de anel,


tendo o cuidado de extrair todos os tecidos
à volta do xilema, incluindo o floema.
Retirou todas as folhas abaixo do corte.
Passado uns dias pode verificar que a
planta, na parte superior do corte, ainda
estava viçosa e que, no corte, no bordo
superior havia um "inchaço" cicatrizado e
no bordo inferior tal não acontecia.

Concluiu, então, que às folhas da planta na


parte superior do corte era‐lhes fornecido
a água e os sais minerais, substâncias
necessárias à produção de matéria
orgânica, isto porque Malpighi não
seccionou o xilema. As plantas elaboravam a seiva elaborada que é enviada para o floema na
parte superior do corte, quando esta, ao descer, encontra obstrução, acumula‐se, provocando
o "inchaço" (ENTUMESCIMENTO), isto é, um aumento de volume no bordo superior.

Enquanto a parte inferior ao corte da planta tiver reservas de compostos orgânicos, a planta
vive. Quando as reservas acabam, as raízes deixam de absorver a água e os sais minerais e a
planta morre.

A experiência de Zimmermann

Para conhecer composição do Floema, Zimmermann em meados do séc. XX pegou num


pulgão que se alimentava e anestesiou‐o, cortou‐lhe o estilete (armadura bucal) de forma a que
este fica‐se preso na planta.

Observou que o floema estava sempre a sair da planta.

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Retirou a amostra do fluido e estudou a sua composição, verificando que as substâncias que
compunham o fluido era: sacarose, nucleótidos, hormonas, aminoácidos e iões orgânicos.

Com esta experiência, para além da composição do floema, pode‐se concluir que o floema está
sob pressão.

A experiência de Münch, 1926

A deslocação de materiais no floema tem sido explicada pela teoria do fluxo de massa proposta
por Münch, que utilizou dois recipientes:

 um recipiente com uma solução concentrada de sacarose, mergulhado no frasco A;

 outro recipiente com uma solução de sacarose mais diluída, mergulhado no frasco B.

Ambos tinham membranas permeáveis à água e impermeáveis à sacarose. Os recipientes


estavam ligados por um tubo de vidro.

Verificou que a água do frasco B (meio hipotónico) deslocou‐se para o recipiente A (meio
hipertónico), criando uma pressão que obrigou a solução a deslocar‐se para B.

O fluxo para quando as concentrações se igualam nos dois recipientes (A e B).


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Teoria do fluxo de massa

Esta teoria considera que a sacarose se desloca através dos vasos crivosos, devido à existência
de um gradiente de concentração, desde o órgão de produção, as folhas, até aos locais de
consumo (tecidos ou órgãos em formação ou crescimento) e aos órgãos de reserva, durante a
fase de acumulação de reservas.

A glicose, produto resultante da fotossíntese, é


convertida em sacarose. A sacarose desloca‐se do
mesófilo (na epiderme), para os elementos do tudo
crivoso, por transporte ativo, com a ajuda da célula
companhia (energia).

Com o aumento de concentração de sacarose no


floema, dá‐se um aumento da pressão osmótica nos
tecidos circundantes e a água do xilema e das células
vizinhas entra por osmose nos tubos crivosos do
floema, aumentando a pressão de turgência e
causando a deslocação da seiva elaborada, através
das placas crivosas para os locais com menor
pressão.

A sacarose passa, possivelmente por transporte


ativo, para os órgãos onde vai ser utilizada ou posta
de reserva. Esta saída faz com que as células dos tubos crivosos fiquem hipotónicas (a pressão
osmótica desce) e a água regressa às células vizinhas e ao xilema, por osmose.

A passagem da sacarose a todas as células será feita, posteriormente, através de transporte


citoplasma a citoplasma, sendo esta depois degradada em glicose e utilizada para a respiração
celular, ou, então, polimeriza‐se e forma amido (produto de reserva).


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