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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DE FAMÍLIA

DE CURITIBA(PR)

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO CAUTELAR DE SEPARAÇÃO DE


CORPOS. COMPETÊNCIA DA VARA CÍVEL. RESOLUÇÃO TJMS N. 511, DE 22.11.2006,
ART. 2º. CONFLITO PROCEDENTE.
A competência cível, atribuída pela Resolução 511/06, art. 2º do TJMS e pelo art. 33,
caput, da Lei Maria da Penha à Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher, refere-se tão-somente às medidas protetivas de urgência. Cessando o caráter
emergencial da medida, devem as ações que envolvem outras matérias ser
processadas perante os juízos competentes. Constatando-se o intento de utilizar a
ação de separação de corpos como medida antecedente ao divórcio, e não como
simples forma de repelir a violência doméstica, resta fixada a competência da Vara
Cível para instrução e julgamento do feito. (TJMS - CC 2012.005563-1/0000-00;
Corumbá; Quinta Câmara Cível; Rel. Des. Vladimir Abreu da Silva; DJEMS 28/03/2012;
Pág. 25)

Distribuição de Urgência

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MARIA DAS QUANTAS, casada, de prendas do lar,
residente e domiciliada na Rua Y, nº. 0000, em Curitiba(PR) – CEP 11222-44, inscrita no
CPF(MF) sob o nº. 333.222.111-44, por si, e representando(CPC, art. 8º) KAROLINE,
menor impúbere, FELIPE, menor impúbere, vem, com o devido respeito à presença de
Vossa Excelência, por intermédio de seu patrono que abaixo assina – instrumento
procuratório acostado --, para com supedâneo no art. 1.562 do Código Civil c/c art.
888, inc. VI da Legislação Adjetiva Civil, ajuizar a presente

AÇÃO CAUTELAR DE SEPARAÇÃO DE CORPOS


COM PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR DE
“ALIMENTOS PROVISÓRIOS” e “GUARDA DE MENORES”

contra JOÃO DOS SANTOS, casado, bancário, residente e domiciliado na Rua Y, nº.
0000, em Curitiba(PR) – CEP 11222-44, inscrito no CPF(MF) sob o nº. 444.333.222-11,
pelas seguintes razões de fato e de direito.

1 – EXPOSIÇÃO SUMÁRIA DOS FATOS

(CPC, art. 801, inc. IV)

“Na medida cautelar o juiz não entra no mérito do pedido principal,


apenas julga sobre meros fatos para a concessão da medida. Assim, a

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prova que a parte deve fazer é sobre os fatos alegados no seu pedido
cautelar e não sobre a ação principal, salvo se entrelaçados que não
possam ser separados.” (VILAR, Willard de Castro. Medidas Cautelares,
1972, p. 114, apud Humberto Theodoro Júnior. Curso de Direito
Processual Civil. 45ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. Pág. 528)

A Autora é casada com o Réu sob o regime de comunhão


parcial de bens desde 00/11/2222(doc. 01), onde hoje residem no endereço de
domicílio dos mesmos evidenciado nas considerações do preâmbulo desta peça,
moradia esta de propriedade comum do casal.

Do enlace matrimonial nasceram os menores Karoline e


Felipe, respectivamente com 3 e 4 anos de idade.(docs. 02/03)

O Réu, de outro norte, trabalha no Banco Zeta S/A,


exercendo a função de caixa, recebendo salário mensal na ordem de R$ 0.000,00. (
.x.x.x. ). Por outro lado, a Autora tão-somente cuida da casa e dos menores ora citados,
exercendo, ela, neste caso, os deveres de mãe para com as crianças com tenra idade.

Mais acentuadamente neste último ano, o Réu passou a


ingerir bebidas alcoólicas com frequência ( embriaguez habitual) e, por conta disto, os
conflitos entre o casal tornou-se contumaz. Preocupa mais a Autora, porquanto todas

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estas constantes e desmotivadas agressões são, em regra, presenciadas pelos filhos
menores e, mais, por toda vizinhança.

As agressões, de início eram verbais, com xingamentos e


palavras de baixo calão direcionados à Autora. Nos últimos meses, entrementes,
usualmente este, por vezes embriagado, passou a agredir fisicamente a Autora,
desferindo contra o rosto da, no dia 22/11/3333, um soco que lhe deixou seqüelas, a
qual tivera de fazer um boletim de ocorrência pela agressão sofrida.(doc. 04).

Não bastasse isto, não intimado com a possível sanção


penal pelo gesto grosseiro, o mesmo mais acentuadamente tornou a ameaçá-la, não
restando outro caminho à mesma senão obter novo Boletim de Ocorrência, o qual, em
síntese, descreve o ocorrido no dia 44/11/0000.(doc. 05).

Temendo por sua integridade física e, mais, caracterizada


a inviabilidade da vida em comum, assim como a ruptura pelo Promovido de
dever conjugal, não restou a Autora um outro caminho senão adotar esta providência
processual.

2 – DA NECESSIDADE DA SEPARAÇÃO DE CORPOS

( CC, art. 1.562 )

No que toca aos deveres do casamento, estabelece a


Legislação Substantiva Civil que:
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CÓDIGO CIVIL

Art. 1.566 – São deveres de ambos os cônjuges:


(...)
V – respeito e consideração mútuos.

Como destacado nas linhas fáticas desta peça, maiormente


em face dos Boletins de Ocorrências policiais acostados, a Autora vem sofrendo
agressões e várias ameaças do Réu. Em verdade, a simples existência de conflito entre
os cônjuges já aponta para a quebra do dever conjugal, motivo este que recomenda o
deferimento de medida de separação de corpos, pois cabe ao Poder Judiciário conceder
as medidas necessárias para preservar a integridade física das partes, mormente em
direito de família, quando, na hipótese, como afirmado, há forte animosidade entre o
casal.

Com efeito, maiormente em face das agressões físicas


sofridas pela Autora, urge evidenciar as considerações doutrinárias de Cristiano
Chaves de Farias e Nelson Rosenvald:

“ É que o art. 1.562 do Código Civil, em combinação com o


art. 888, inc. VI, do Código Instrumental, autoriza a concessão de separação de
corpos, como medida cautelar, preparatória ou incidental em uma ação de

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divórcio, dela decorrendo todos os efeitos práticos decorrentes de uma
separação.
Assim sendo, as pessoas que, eventualmente, pretendem
regularizar em juízo a cessação da convivência, mas ainda não possuem a
convicção necessária para o divórcio podem se valer da separação de corpos.
Para atender aos casais que querem, tão somente, ‘dar um tempo na relação’,
deixando uma decisão definitiva para um momento posterior. Para estes, a
separação de corpos se mostra idônea porque produz todos os efeitos jurídicos
que decorriam, outrora, de uma separação, como a cessação do regime de
bens do casamento, extinção dos deveres recíprocos, término do direito
sucessório, dentre outros. “ (In, Curso de Direito Civil, 4ª Ed. Bahia: JusPodivm,
2012, vol. 6. Pág. 418)

Neste diapasão, necessário se faz a separação de corpos,


antes mesmo da Ação de Divórcio Litigioso que apresentar-se-á.

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO. CAUTELAR PARA


AFASTAMENTO DO VARÃO DO LAR. PRELIMINARES AFASTADAS.
A animosidade reinante entre os cônjuges autoriza o deferimento do pedido de
separação de corpos, retirando-se o varão do lar conjugal para preservar os
interesses e, até, a integridade física das partes. Negaram provimento ao
recurso. (TJRS - AC 286268-49.2012.8.21.7000; Porto Alegre; Oitava Câmara
Cível; Rel. Des. Alzir Felippe Schmitz; Julg. 25/10/2012; DJERS 31/10/2012)

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AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE SEPARAÇÃO DE CORPOS.
Supostas agressões físicas, verbais e infidelidade. Convivência inviável.
Animosidade verificada. Necessário afastamento do cônjuge varão do lar
conjugal. Recurso conhecido e provido. "Com a evolução do direito de família,
em especial depois da promulgação da Constituição Federal, a separação de
corpos se afastou da invariável e intransigente exigência da prova da efetiva
existência de agressão física, ou da ameaça de perigo de dano à integridade
física e psíquica do cônjuge e dos filhos, e passou a se ocupar muito mais de
um direito preventivo, ao antecipar a tutela jurisdicional da separação
compulsória de corpos, não mais como medida cautelar, mas como
adiantamento da prestação jurisdicional, porque, ao fim do processo de
separação através do divórcio, de qualquer modo, o casal acabará se
separando fisicamente, servindo a inútil e forçada coabitação ocorrida no
período da tramitação processual tão só para fomentar rancores, medos e
manter próximos os corpos que se repulsam e cujas mentes já de há muito
estão distanciadas entre si" (madaleno, rolf. Curso de direito de família. Rio de
janeiro: Forense, 2011. P. 151). (TJSC - AI 2012.052314-1; Jaraguá do Sul; Sexta
Câmara de Direito Civil; Rel. Des. Subst. Stanley da Silva Braga; Julg.
04/10/2012; DJSC 16/10/2012; Pág. 130)

MEDIDA CAUTELAR INCIDENTAL. AFASTAMENTO DO LAR. COMPETÊNCIA DO


TRIBUNAL. APELAÇÃO CÍVEL INTERPOSTA. DIVÓRCIO CONSENSUAL.

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DESISTÊNCIA DE UMA DAS PARTES. SENTENÇA TERMINATIVA. REQUISITOS
DEMONSTRADOS. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO.
Consoante dispõe a norma consagrada no parágrafo único do art. 800 do CPC,
"Interposto o recurso, a medida cautelar será requerida diretamente ao
tribunal. " Segundo escólio de Marinoni, "Não há dúvida de que, uma vez
interposto o recurso de apelação, mesmo que o processo ainda esteja em
primeiro grau de jurisdição, a medida cautelar deve ser requerida ao Tribunal. "
Ainda que a ação de divórcio tenha sido extinta sem resolução do mérito, ante
a ausência de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do
processo, o efeito devolutivo do recurso atrai a competência para o
processamento e análise da medida cautelar incidental a instância revisora.
Inferindo-se dos elementos de informação contidos nos autos que é
insustentável a vida em comum dos litigantes, apontando a possibilidade
concreta de agravamento das agressões morais entre o casal, mostra-se
temerário manter a convivência marcada pela conflituosidade. Assim, sendo a
prevenção e resguardo da integridade física e intelectual do casal e dos filhos
menores, objetivo da medida cautelar de separação de corpos, impõe-se
determinar o afastamento do varão do lar conjugal. (TJDF - Rec
2012.00.2.004965-7; Ac. 597.323; Segunda Turma Cível; Relª Desª Carmelita
Brasil; DJDFTE 25/06/2012; Pág. 109)

3 – QUANTO À GUARDA DOS FILHOS MENORES

Reza a Legislação Substantiva Civil que:


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CÓDIGO CIVIL

Art. 1.583 – A guarda será unilateral ou compartilhada.


(...)
§ 2º - A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores
condições de exercê-la e, objetivamente, mais aptidão para propiciar aos os
seguintes fatores:
I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar;
II – saúde e segurança;
III – educação

Ficou documentado na inicial que o casal tem dois filhos.

Postula-se, nesta, a guarda em favor da mãe(ora Autora) e


justifica-se.

Nos casos em que envolva menores, prevalece os


interesses destes, a predominância da diretriz legal lançada pelo Estatuto da Criança e
do Adolescente – ECA.

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Assim, a decisão quanto à guarda deve pautar-se não sobre
a temática dos direitos do pai ou mãe. Ao revés, o direito da criança deve ser apreciado
sob o enfoque da estrutura familiar que lhe será propiciada.

Como constatado preliminarmente pelos documentos


imersos, existem fatos que destacam que o Réu faz agressões físicas e morais à
Autora, na presença dos filhos. Estes estão sofrendo igualmente como a mãe e
merecem tratamento judicial pertinente.

Portanto, o presente pedido de guarda deve ser analisada


sob o manto do princípio da garantia prioritária do menor, erigido à ótica dos direitos
fundamentais previstos na Constituição Federal, tais como o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, à dignidade da pessoa humana e à convivência familiar,
competindo aos pais e à sociedade torná-los efetivos.

Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA)

Art. 4º - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder


Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária.

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Art. 6º - Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que
ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e
coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoa em
desenvolvimento.

De outro norte, absoluta e "prioritariamente" a criança e o


adolescente têm direito à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, competindo aos pais, primordialmente, assegurar-lhes tais
condições, sendo vedada qualquer forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão (CF, art. 227, caput).

Assim, qualquer que seja o objeto da lide, envolvendo um


menor, cabe ao Estado zelar pelos seus interesses, pois se trata de ser humano em
constituição, sem condições de se autoproteger. Portanto, é dever do Estado velar por
seus interesses, em qualquer circunstância.

No mesmo sentido reza o Estatuto da Criança e do


Adolescente que:

Art. 17 – O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade


física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a
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preservação da imagem, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos
espaços e objetos pessoais.

Art. 18 – É dever de todos velar pela dignidade da criança e do


adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano,
violento, aterrorizante, vexatório e constrangedor.

Art. 22 – Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos


filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de
cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

Art. 129 – São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:


(...)
VIII – a perda da guarda;

Por conseguinte, a guarda dos menores deve ser avaliada


sob a égide de circunstâncias que demonstrem e possibilitem o desenvolvimento
estável e saudável dos filhos, não apenas sob o aspecto material, mas também
afetivo e social.

Alguns aspectos a serem ponderados são as condições


emocionais e psicológicas de cada um dos pais para cuidar dos filhos e zelar
pelos seus interesses. No caso ora tratado, há indícios de que o Réu é agressivo e
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usuário de álcool com habitualidade, prejudicando sobremaneira a figura paterna e
um salutar ambiente de convívio familiar.

A esse respeito, Flávio Tartuce e José Fernando Simão


assinalam que:

" A respeito da atribuição ou alteração da guarda, deve-se dar preferência


ao genitor que viabiliza a efetiva convivência da criança e do adolescente com
o outro genitor nas hipóteses em que seja inviável a guarda compartilhada (art
7º). Desse modo, a solução passa a ser a guarda unilateral, quebrando-se a
regra da guarda compartilhada constantes dos arts. 1583 e 1584 do CC.”
(TARTUCE, Flávio; SIMÃO, José Fernando. Direito Civil. 7ª Ed. São Paulo:
Método, 2012, vol. 5. Pág. 394)

Do conjunto desses elementos deverá ser formado o juízo


acerca da parte que demonstra melhores condições para exercer a guarda, atendendo,
ao máximo, ao interesse dos menores em enfoque.

E a gravidade desta sanção (perda da guarda), há de


prevalecer quando presente o mau exercício do poder-dever, que os pais têm em
relação aos filhos menores.

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Desta forma, segundo os relatos e documentos acostados,
como prova provisórias, a guarda dos menores deve ser preservada unilateralmente à
mãe, ora Autora.

Como pedido sucessivo, pleiteia-se seja delimitada a


guarda compartilhada (CC, art. 1.584, inc. II).

“ Os fundamentos da guarda compartilhada são de ordem


constitucional e psicológica, visando basicamente garantir o interesse do
menor. Significa mais prerrogativas aos pais, fazendo com que estejam
presentes de forma mais intensa na vida dos filhos. A participação no processo
de desenvolvimento integral dos filhos leva à pluralização das
responsabilidades, estabelecendo verdadeira democratização de sentimentos.
A proposta é manter os laços de afetividade, minorando os efeitos que a
separação sempre acarreta nos filhos e conferindo aos pais o exercício da
função parental de forma igualitária. A finalidade é consagrar o direito da
criança e de seus dois genitores, colocando um freio na irresponsabilidade
provocada pela guarda individual. “(DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito
das Famílias. 8ª Ed. São Paulo: RT, 2011. Pág. 443)

Neste aspecto, espera e pleiteia-se que os filhos do casal


tenham como abrigo domiciliar o lar da mãe, ficando estabelecido como sendo este
a residência dos infantes.
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De outro contexto, requer seja definido o direito de
visitas ao pai, ora Réu, da seguinte forma:
.
a) finais de semana: todos os domingos ficam
destinados à visita dos filhos ao pai, sendo de
apanhá-los às 08:00h e deixá-la às 18:00h, onde a
Autora indicar;

b) aniversários dos menores: período da tarde, de


13:00h às 18:00h, com o pai e, a noite, com a mãe;

c) dia dos pais: Nesta data os menores ficarão com


o mesmo no período de 08:00h às 18:00h;

d) dia das mães: Caso esta data caia no dia de


visita do pai, este de já abdica este dia em prol de
permanecer com sua mãe por todo o dia;

e) Natal: de 08:00h às 14:00h os menores ficarão


com o pai, o qual entregará a mãe neste horário;

f) Ano novo: de 08:00h às 14:00h os menores


ficarão com o pai, o qual entregará a mãe neste
horário;

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g) a esposa, ora separanda, poderá facultar ao pai,
em benefício dos menores, que, em comum acordo,
vislumbrem possibilidade da participação dos
mesmos em conjunto em festas e comemorações
com a filha, para, assim, sobretudo, evitar-se
quaisquer constrangimentos à menor, que, em geral,
busca a presença de ambos nestas ocasiões.

4 – DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS

No tocante aos alimentos em favor da Autora, esposa do


Réu, a obrigação alimentar deste decorre do dever de mútua assistência prevista na
Legislação Substantiva Civil.

CÓDIGO CIVIL

Art. 1.694 – Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos


outros alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua
condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.

Art. 1.695 - São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens
suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele,
de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu
sustento.

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Ressalte-se que a Autora não tem emprego, a qual tinha
como única forma de rendimentos indiretos aqueles antes prestados pelo Réu,
maiormente para seus cuidados pessoais.

A Promovente, pois, deve prover alimentos provisório de


sorte a assegurar à Autora o necessário à sua manutenção, garantindo-lhe meios de
subsistência, quando na hipótese impossibilitada de sustentar-se com esforço próprio,
visto que sua atenção volta-se, devido à tenra idade dos menores, aos cuidados destes.

APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS EM FACE


DE EX-CÔNJUGE. IMPOSSIBILIDADE. EX-CÔNJUGE APOSENTADA POR
INVALIDEZ QUE ENCONTRA-SE IMPEDIDA DE EXERCER SUAS ATIVIDADES
PROFISSIONAIS E NECESSITA DE CUIDADOS MÉDICOS ESPECIAIS.
PROMOVENTE MÉDICO DETENTOR DE VÁRIOS EMPREGOS. ATENDIMENTO
AO BINÔMIO POSSIBILIDADE. NECESSIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 1694, §
1º. REDUÇÃO DA PENSÃO FIXADA EM ACORDO DE 03 SALÁRIOS MÍNIMOS
PARA 02 SALÁRIOS MÍNIMOS. APELAÇÃO CONHECIDA E IMPROVIDA.
SENTENÇA MANTIDA.
1- Acerca dos alimentos devidos pelos cônjuges separados judicialmente,
estabelece o art. 1.704 do CC: "Se um dos cônjuges separados judicialmente
vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestá-los mediante
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pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação
de separação judicial. "
2- Quanto a fixação dos alimentos, a matéria encontra-se albergada no art.
1.694, § 1º e 1.699 do Código Civil Brasileiro onde resta claro que deverá ser
atendido ao BINÔMIO DA NECESSIDADE E DA POSSIBILIDADE.
3- O dever de prestar alimentos é, por sua natureza, variável, de modo que
pode aumentar ou diminuir conforme as necessidades do alimentando e dos
recursos do alimentante. Portanto, caso haja posterior modificação tanto na
capacidade de contribuir do réu quanto da necessidade da parte promovente,
poderá ser intentada a ação competente para rever ou exonerar os alimentos
fixados.
4- In casu, observou-se que o promovente firmou acordo com a promovida
fixando pensão mensal no valor de 03 salários mínimos apenas para o seu
sustento, ficando responsável, ainda, pelo sustento de seus dois filhos que
residiam e fazia faculdade em Recife.
5- Conforme depoimento pessoal do autor, restou evidente que um de seus
filhos já encontra-se formado e com plena capacidade para o trabalho e
apenas o outro filho ainda cursa a faculdade de medicina. Ainda em seu
depoimento, o próprio promovente afirmou que é médico e possui vários
empregos em cidades diferentes como médico de PSF e médico plantonista,
percebendo uma quantia mensal de pelo menos R$ 6.000,00 (seis mil reais). 6-
Não observou-se, portanto, maiores alterações nas despesas do promovente
desde à época do acordo até o presente momento, tendo em vista que, àquela
época, a pensão fora fixada somente em prol da promovida e o genitor já havia

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garantido o sustento dos seus filhos que então faziam faculdade na cidade de
Recife-PE.
7- A promovida, por sua vez, encontra-se impossibilitada de exercer suas
atividades profissionais, em razão de um acidente automobilístico ocorrido
ainda antes do divórcio, que a deixou com severas sequelas mentais e físicas.
Assim, observa-se nos autos que a mesma sobrevive de uma renda de dois
salários mínimos de aposentadoria e do aluguel temporários de sua casa
própria, posto que voltou a morar com o pai.
8- Assim, analisando a situação financeira de ambas as partes, levando-se em
consideração que o promovente exerce atividade laboral remunerada e a
promovida resta impossibilitada de exercê-la tendo em vista as sequelas
decorrentes de uma acidente automobilístico sendo obrigada a sobreviver com
a renda de uma aposentadoria, não há dúvidas de que, respeitado o BINÔMIO
NECESSIDADE POSSIBILIDADE, correta encontra-se a decisão recorrida que
deixou de exonerar os alimentos conforme pretendido pelo autor, e os reduziu
de 03 para 02 salários mínimos.
9- Apelação Conhecida e Improvida. Sentença MANTIDA. (TJCE - AC 0002921-
98.2007.8.06.0112; Sétima Câmara Cível; Rel. Des. Francisco Bezerra
Cavalcante; DJCE 21/11/2012; Pág. 67)

Respeitante aos menores, mister que referidos alimentos


sejam concedidos de sorte a atender às necessidades dos mesmos em sua integridade,
compreendendo os recursos para cobrir despesas de educação, moradia, alimentação
especial, assistência médica, hospitalar e psicológica.
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Assim, mister que, ao despachar esta inicial, sejam definidos
alimentos provisórios aos menores.

LEI DE ALIMENTOS

Art. 4º - Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a


serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que deles
não necessita.

Parágrafo único – Se se tratar de alimentos provisórios pedidos pelo cônjuge,


caso pelo regime de comunhão universal de bens, o juiz determinará
igualmente que seja entregue ao credor, mensalmente, parte da renda líquida
dos bens comuns, administrados pelo devedor.

Diante da situação financeira do Réu, o qual trabalha junto


ao Banco Zeta S/A exercendo as funções de caixa e, segundo o que se apurou junto ao
Sindicato dos Bancários, o piso da categoria é de no mínimo mensal de R$ x.x.x. (
.x.x.x ).

Observados o binômio necessidade e possibilidade de


pagamento, a Autora requer a título de alimentos provisórios:

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a) Para si, como cônjuge necessitada dos alimentos,
o percentual de 15%(quinze por cento) do salário do
Réu, a ser depositado até o dia 05, na conta
corrente da Autora(conta nº. 11222, Ag. 3344, do
Banzo Beta S/A);

b) para os menores, em proporções iguais, o


percentual de 20%(vinte por cento) do salário do
Réu, a ser depositado até o dia 05, na conta
corrente da Autora(conta nº. 11222, Ag. 3344, do
Banzo Beta S/A);

c) requer seja oficiado ao empregador(Banzo Zeta


S/A, sito na Rua X, nº 000, em Curitiba(PR), para
que adote as providências de reter o percentual
acima citados e transferir para conta corrente ora
citada, sob pena de responsabilidade civil e penal;

d) pede, outrossim, que os percentuais acima


descritos incidam sobre o décimo terceiro, horas
extras, férias e eventuais gratificações
permanentes do Réu, por serem rendimentos
decorrentes da relação empregatícia.
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FAMÍLIA. APELAÇÃO CÍVEL. ALIMENTOS. PEDIDO DE MAJORAÇÃO. TRINÔMIO
PROPORCIONALIDADE/NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. DESCONTO SOBRE
RENDIMENTO LÍQUIDO. INCIDÊNCIA SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO,
FÉRIAS, HORAS EXTRAS E PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. VERBAS
PERMANENTES. IGUALDADE ENTRE OS FILHOS. SENTENÇA REFORMADA.
Se modificadas as circunstâncias sob as quais foi proferida a sentença, é
possível o ajuizamento de nova ação de alimentos (revisão ou exoneração). É
correta a incidência dos alimentos no décimo terceiro salário, férias, horas
extras e participação nos lucros, pois estes integram o valor total dos
vencimentos, tratando-se de verbas permanentes percebidas em períodos
certos pelo alimentante. Desta forma, o percentual do desconto dos alimentos
também deve incidir sobre aquelas parcelas, especialmente porque, na
espécie, não existiu acordo que o restrinja. Para se manter a igualdade entre os
filhos, alterada a fixação dos alimentos a serem pagos ao alimentando, ora
recorrente. (TJMG - APCV 1.0479.07.132597-7/002; Rel. Des. Mauro Soares de
Freitas; Julg. 04/10/2012; DJEMG 19/10/2012)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALIMENTOS. PEDIDO DE MAJORAÇÃO.


O valor dos alimentos fixados em 20% dos rendimentos do alimentante está de
acordo com a jurisprudência para situações similares, de sorte que não devem
ser majorados sem a prova robusta da possibilidade ou da imperiosa
necessidade. Incidência sobre abono de férias. Horas extras. Verbas
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rescisórias, décimo terceiro salário e terço de férias. Os alimentos só não
incidem sobre os valores de caráter indenizatório havidos pelo alimentante. Os
demais, com caráter alimentar, incluído entre estes o décimo terceiro salário e
as férias. No caso, excluem-se dos alimentos: A parcela indenizatória das
verbas rescisórias e FGTS. Deram parcial provimento ao agravo de instrumento.
(TJRS - AI 245880-07.2012.8.21.7000; Gravataí; Oitava Câmara Cível; Rel. Des.
Alzir Felippe Schmitz; Julg. 23/08/2012; DJERS 30/08/2012)

Sobre isso, os precedentes do Superior Tribunal de


Justiça:

AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO (ART. 544 DO CPC) FAMÍLIA. AÇÃO


REVISIONAL DE ALIMENTOS. DECISÃO MONOCRÁTICA NEGANDO
PROVIMENTO AO RECURSO. IRRESIGNAÇÃO DO AUTOR/ALIMENTANTE.
1. A Segunda Seção desta Corte Superior, no julgamento do RESP n.
1.106.654/RJ, sob o rito do art. 543 - C do Código Processual Civil, em sessão
realizada em 25/11/2009, firmou a compreensão da incidência da pensão
alimentícia sobre o décimo terceiro salário e o terço constitucional de férias,
também conhecidos, respectivamente, por gratificação natalina e gratificação
de férias.
2. Encontrando-se o aresto de origem em sintonia à jurisprudência consolidada
nesta Corte, a Súmula nº 83/STJ serve de óbice ao processamento do Recurso
Especial.
37
3. Agravo regimental desprovido. (STJ - AgRg-Ag-REsp 27.556; Proc.
2011/0165788-8; DF; Quarta Turma; Rel. Min. Marco Buzzi; Julg. 16/08/2012;
DJE 24/08/2012)

5 – DO PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR

DE SEPARAÇÃO DE CORPOS e MEDIDAS PROTETIVAS

Destaque-se, primeiramente, que o Boletim de Ocorrência


colacionado com esta inaugural traz presunção de veracidade do quanto contido no
mesmo.

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 364 – O documento público faz prova não só da sua formação, mas
também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que
ocorreram em sua presença.

Neste sentido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO CAUTELAR. SEPARAÇÃO DE CORPOS.


AGRESSÃO FÍSICA. BOLETIM DE OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
MANUTENÇÃO DA LIMINAR.
37
O afastamento de um dos cônjuges do lar conjugal tem o objetivo de evitar
atritos entre o casal e preservar a integridade física e psicológica dos membros
da família. O Boletim de Ocorrência é documento hábil para propiciar o
deferimento liminar de separação de corpos, eis que, goza de presunção juris
tantum da verdade, se não forem infirmadas por prova em contrário. Presentes
os requisitos cumulativos do fumus boni juris e periculum in mora, a medida
liminar deve ser concedida. (TJMG - AGIN 1.0153.12.002406-9/001; Rel. Des.
Darcio Lopardi Mendes; Julg. 25/10/2012; DJEMG 30/10/2012)

De outro norte, é de geral ciência que são requisitos da


medida cautelar a presença do fumus boni iuris e do periculum in mora.

Portanto, os requisitos para alcançar-se uma providência de


natureza cautelar são, basicamente, dois:

I - Um dano potencial, um risco que corre o processo principal de não ser útil
ao interesse demonstrado pela parte, em razão do periculum in mora , risco
esse que deve ser objetivamente apurável;

II - A plausibilidade do direito substancial invocado por quem pretenda


segurança, ou seja, o fumus boni iuris.

Sobre o fumus boni iuris, esclarece-se que, segundo a


melhor doutrina, para a ação cautelar, não é preciso demonstrar-se cabalmente a
37
existência do direito material em risco, mesmo porque esse, freqüentemente, é
litigioso e só terá sua comprovação e declaração no processo principal. Para merecer a
tutela cautelar, o direito em risco há de revelar-se apenas como o interesse que
justifica o " direito de ação ", ou seja, o direito ao processo de mérito.

Nesse sentido, imperioso ressaltar as lições de Daniel


Amorim Assumpção Neves:

“ A tutela cautelar é concedida mediante cogninição sumária, diante da


mera probabilidade de o direito material existir. Trata-se da exigência do fumus
boni iuris, que para parcela significativa da doutrina significa que o juiz deve
conceder a tutela cautelar fundado em juízo de simples verossimilhança ou de
probabilidade, não se exigindo certeza, típico da tutela definitiva. Trata-se de
exigência decorrente da própria urgência, presente na tutela cautelar, que não
se compatibiliza com a cognição exauriente típica dos processos/fases de
conhecimento, que naturalmente demanda um tempo para seu
desenvolvimento incompatível com a realidade cautelar. “ (NEVES, Daniel
Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 4ª Ed. São Paulo:
Método, 2012. Pág. 1206)

No caso ora em análise, claramente restaram comprovados,


objetivamente, os requisitos do "fumus boni iuris" e do "periculum in mora", a justificar o
deferimento da medida ora pretendida, sobretudo quanto ao segundo requisito a

37
demora na prestação jurisdicional ocasionará gravame potencial à Autora, alvo
de agressões verbais e físicas.

Ademais, em sede de ação cautelar de separação de


corpos, como na hipótese, com pedido de afastamento compulsório do varão da morada
comum do casal, é desnecessária a cognição plena, sendo suficiente e razoável a
comprovação de que é fundado o temor da esposa de sofrer agressão física, como ora
relatado.

Devemos sopesar, outrossim, constituem motivos suficientes


para a concessão da medida liminar em estudo, os indícios de desarmonia da vida em
comum com ameaças ou agressões físicas, havendo claro constrangimento moral, pois
o objetivo da medida é preservar a segurança física e o equilíbrio emocional das partes,
evitando que continuem dividindo o mesmo lar durante o processamento da ação
principal, pois é incontroversa a ruptura da vida marital e há manifesta beligerância.

De outro norte, restou claro que a questão também gravita


sob o enfoque de notória violência doméstica.

Resta necessário, também, medidas protetivas em favor da


Promovente, o que, a propósito, salientamos as lições de Maria Berenice Dias:

“ Outra providência que cabe ser adotada é manter o agressor distante da


vítima, mediante imposição de medidas que obrigam o agressor (art. 22, II), e

37
das que asseguram proteção à vítima (art. 23, II, III e IV). Para garantir o fim da
violência doméstica é possível impor a saída de quaisquer deles da residência
comum. Determinado o afastamento do ofensor do domicilio ou do local de
convivência com a ofendida (art. 22, II), ela e seus dependentes podem ser
reconduzidos ao lar (art. 23, II).” (DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha
na Justiça: a efetividade da Lei 11.340/2006 de combate à violência doméstica
e familiar contra a mulher. 2ª Ed. São Paulo: RT, 2010. Pág. 112-113)

Nesse sentido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. LEI MARIA DA PENHA. MEDIDAS PROTETIVAS.


SUPOSTA VÍTIMA. BOLETIM DE OCORRÊNCIA CONFECCIONADO. AMEAÇAS.
VÍTIMA QUE PROCURA O AUXÍLIO DE ENTES ESTATAIS PARA LHE ATENDEREM
E A PLEITEAREM EM SEU FAVOR MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA. LEI
MARIA DA PENHA. CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO DE MEDIDAS DE PROTEÇÃO.
PROVA SUFICIENTE. INCIDÊNCIA DAS MEDIDAS. ATO JUDICIAL ORIGINÁRIO
QUE MERECE SER REVISTO. AGRAVANTE QUE PODERÁ MANTER CONTATO
COM O FILHO DO CASAL. ATO QUE DEVERÁ OCORRER POR INTERMÉDIO DE
TERCEIRA PESSOA. SEPARAÇÃO DE CORPOS JÁ EFETIVADA. ALIMENTOS
PROVISIONAIS OU PROVISÓRIOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS SOBRE A
NECESSIDADE. PROIBIÇÃO DE APROXIMAÇÃO DA VÍTIMA OU DE
MANUTENÇÃO DE CONTATO COM A MESMA. RECURSO PROVIDO EM PARTE.
A concessão de alguma das medidas protetivas definidas no art. 22 da Lei nº
11.340/2006 se afigura possível quando presentes indícios de conduta violenta
37
ou agressiva do agente, sendo desnecessário um amplo conjunto de provas
neste aspecto. Em sendo plausível a necessidade da ofendida às referidas
medidas, resulta ser indevida negativa judicial que as indeferiu por completo a
autorizar sua revisão pela instância revisora. (TJMG - AI 1.0024.11.236918-
6/001; Rel. Des. Delmival de Almeida Campos; Julg. 29/08/2012; DJEMG
06/09/2012)

Diante disto, a Autora vem pleitear, sem a oitiva prévia


da parte adversa (CPC, art. 889, parágrafo único), medida cautelar de
separação de corpos, onde pleiteia-se:

a) expedir-se mandado para afastamento coercitivo


do Réu do lar, a ser cumprido com força policial e
ordem de arrombamento, para ser utilizado se
necessário for, a ser cumprido no endereço constante
no preâmbulo desta peça processual;

b) requer-se, mais, a expedição do alvará de


separação de corpos;

c) outrossim, pede-se, à luz do que reza o art. 22,


inc. II, da Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha) seja
fixado, por decisão judicial preliminar, a medida

37
protetiva em favor da Promovente, de sorte que o Réu
seja proibido de aproximar-se da Autora e seus
familiares em um raio de 100 metros.

6 – A LIDE PRINCIPAL E SEU FUNDAMENTO(CPC, ART.


801, III)

VIOLAÇÃO DOS DEVERES DO CASAMENTO

Já destacado inicialmente que, no que tange aos deveres


do casamento, estabelece a Legislação Substantiva Civil que:

CÓDIGO CIVIL

Art. 1.566 – São deveres de ambos os cônjuges:


(...)
V – respeito e consideração mútuos.

Segundos os indícios de provas já colacionados nestes autos, o Réu,


corriqueiramente, agrediu fisicamente a Autora e, mais, na presença de seus filhos
menores.
37
Ademais, quanto à guarda dos menores, destaca-se que
deve ser preservada a guarda unilateral em favor da Autora, porquanto:

Art. 17 – O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade


física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a
preservação da imagem, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos
espaços e objetos pessoais.

Art. 18 – É dever de todos velar pela dignidade da criança e do


adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano,
violento, aterrorizante, vexatório e constrangedor.

Art. 22 – Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos


filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de
cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

Art. 129 – São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:


(...)
VIII – a perda da guarda;

37
No tocante aos alimentos em favor da Autora, esposa do
Réu, a obrigação alimentar deste decorre do dever de mútua assistência prevista na
Legislação Substantiva Civil, levando-se em conta sobretudo que a mesma não tem
emprego fixo, destinando seu tempo aos cuidados dos menores.

CÓDIGO CIVIL

Art. 1.694 – Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos


outros alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua
condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.

Art. 1.695 - São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens
suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele,
de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu
sustento.

Daí, Excelência, como ação principal futura, a ser


impetrada no trintídio legal do cumprimento da medida acautelatória almejada( CPC, art.
806), a Autora, com fulcro nas disposições da Legislação Adjetiva Civil( CPC, art. 801,

37
inc. III), tem como fundamentos a violação dos deveres do casamento e ofensa
ao direito de proteção e guarda do menor, e

indica que ajuizará a competente

AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO


"COM PEDIDO DE ALIMENTOS E GUARDA DE MENOR”

7 – PEDIDOS E REQUERIMENTOS

POSTO ISSO,
como últimos requerimentos desta Ação Cautelar Preparatória, a Autora requer que
Vossa Excelência se digne de tomar as seguintes providências:

a) Conceder, inicialmente, a
medida cautelar ora
requestada;

b)determinar a citação do Réu,


no endereço especificado no
preâmbulo desta peça
37
vestibular, para, no prazo de
cinco(05) dias, querendo,
oferecer contestação aos
pedidos ora formulados, sob
pena de serem presumidos como
verdadeiros os fatos
articulados na presente peça
processual.(CPC, art. 802 c/c
803);

c) julgar procedentes os
pedidos formulados na presente
Ação Cautelar Preparatória,
nos termos do quanto
pleiteado, acolhendo, por
definitivo, a medida cautelar
requerida, concedendo os
alimentos nos montantes
estabelecidos nesta ação, a
guarda unilateral dos menores

37
em favor da Autora, além do
afastamento definitivo do
Promovido do lar conjugal;

d) instar a manifestação do
Ministério Público(CPC, art.
82, inc. II c/c art. 202, do
ECA);

e) pede a condenação no ônus


de sucumbência;

f) protesta, ademais,
justificar os fatos que se
relacionam com os pressupostos
desta Ação Cautelar(periculum
in mora e fumus boni juris),
por todos os meios de provas
admissíveis em direito,
nomeadamente pelo depoimento

37
pessoal do Réu, oitiva das
testemunhas abaixo
arroladas(LA, art. 8º), onde
de já pede a intimações das
mesmas para comparecerem à
audiência de instrução,
juntada posterior de
documentos como contraprova,
tudo de logo requerido.

Atribui-se a presente Ação Cautelar o valor estimativo


de R$100,00 (cem reais).

Respeitosamente, pede deferimento.

Curitiba(PR), 00 de dezembro de 0000.

Beltrano de tal
Advogado – OAB(PR) 112233

37
ROL DE TESTEMUNHAS

1) Fulano de tal, solteiro, comerciário, residente e domiciliado na Rua x, nº 000 –


Curitiba(PR);

2) Cicrano de tal, solteiro, comerciário, residente e domiciliado na Rua y, nº 000 –


Curitiba(PR);

3) João Fictício, solteiro, comerciário, residente e domiciliado na Rua z, nº 000 –


Critiba(PR);

Data Supra.

37

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