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Como quem me acompanha sabe, há algum

tempo resolvi deixar de ser apenas ouvinte da


minha própria história, para dividi-la com você,
usando frases curtas.

“Talvez seu final feliz esteja


em um recomeço.”
Escrever e desenhar são duas paixões que eu
descobri por acaso e nunca achei que tivesse
talento para tal. Ambos eram escapes para as
coisas que passavam pela minha cabeça louca
e pensante.
Eu escrevia nas ultimas páginas de todos os
meus cadernos da escola. Sobre tudo. Desde os
meus desabafos até letras de músicas que me
tocavam, escrevia coisas que jamais pensaria
em dizer a alguém. Cheia de medos e angústias,
ali, naquele momento, o mundo parava, a
coragem chegava e eu realmente era eu!
Tantas dúvidas e anseios naquela época... E,
após algumas experiências, hoje eu entendo
melhor o que sou e o que me tornei... Sei o
porquê da necessidade de cada passada de
borracha que dei. E quero dividir com você tudo

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isso. Porque acredito que as coisas funcionam
assim: quando vemos que outras pessoas
passaram por problemas semelhantes aos
nossos e os superaram, nossas crenças e
esperanças de que tudo vai dar certo se
renovam.
Então, vou começar dando a resposta para uma
pergunta que recebo com frequência: sim, eu já
sofri por amor. Sofri muito! Inclusive por pessoas
que se quer ficaram por muito tempo na minha
vida. E sinto que essas experiências precisam
ser compartilhadas, para ajudar você e outras
pessoas a lidar e superar esse momento, para
que você entenda que isso é normal e não
pense que é um bicho de sete cabeças.

Porque, quando nos deparamos e vivemos com


tais situações, é assim mesmo que elas são
encaradas. Me diz uma coisa: você já se sentiu
sozinha e insegura? Já teve dificuldade em
visualizar a luz no fim do túnel?

Eu também já passei por isso, e sei como você


se sente. Por esse motivo, me veio à cabeça
escrever esse e-book. Pegar a bagagem que
uso como inspiração nas frases e ajudar
pessoas que estão vivendo momentos
parecidos com os que eu vivi.

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Hoje, eu vejo o fim como um recomeço. Mas
nem sempre foi assim. As imposições da
sociedade e até nós mesmos, nos fazem
acreditar que o fim de um relacionamento é um
fracasso pessoal. Não é mesmo?

É exatamente por isso que nos frustramos tanto


e comparamos essa experiência à dor de um
luto. Se você está passando ou já passou pelo
final de um relacionamento, sabe bem do que eu
estou falando.

Mas devemos nos lembrar que isso não


acontece somente com a gente, e que várias
outras pessoas passam e já passaram também
por esses momentos de tristeza, dor e angústia.
E superação. Amadurecimento. Porque cada
momento vivido tem uma lição a nos ensinar.

Mas só conseguimos enxergar o sentido de tudo


quando encaramos de frente a dificuldade em
deixar de lado uma relação amorosa de longo
tempo. Essa atitude nos faz enxergar
possibilidades que, até então, pareciam estar
escondidas debaixo da nossa cama, do tapete
da sala, dentro do armário... Em qualquer lugar
escuro e de difícil acesso. E só assim
entendemos que tudo passa e a vida se
reconstrói. Mais forte do que era antes.
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Hoje, olhando para trás, consigo listar 5 passos
que foram determinantes para que eu
conseguisse encarar todo esse processo de
forma mais leve e equilibrada.
Tudo isso o que vivi, já passou, mas deixou
muitos ensinamentos que me guiam em cada
escolha atual. E é exatamente por reconhecer
isso, que acredito que, seguindo cada um
desses passos, você também vai conseguir
encarar e destruir o tão temido bicho de sete
cabeças que existe dentro de você em relação
ao seu relacionamento.

Vamos entender juntos


esses passos agora?

Passo 1 - O Luto
Temos uma ideia fixa e permanente de que
relacionamentos foram feitos para durar para
sempre. E é isso que fortalece as nossas dores.

Martelando sempre o famoso clichê ‘’até que a


morte nos separe’’ em nossa cabeça,

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esquecemos de que os relacionamentos são um
processo e podem envolver, sim, um fim.

Temos que lidar com várias etapas de


adaptação e transformação, o que não torna tal
processo simples. Estamos sujeitos, a qualquer
momento, a não conseguir mais suprir essa
crença de que precisa ser para sempre.

E isso precisa ser encarado sem culpa, já que,


junto com a culpa, vem a ideia de que
precisamos nos manter naquele relacionamento
a qualquer custo.

Uma tentativa absurda de caber dentro do


mundo do outro, quando, na verdade, aquele
mundo já não é mais o seu. A culpa te faz refém.

Você não consegue pensar em mais nada e não


acredita que isso pudesse vir a acontecer. Não
aceita que esteja acontecendo. É o momento
que você chora todas as lagrimas possíveis e
chega a pensar que elas poderiam acabar com
tanto choro. Existem pessoas que sofrem mais,
outras menos. Mas ambas vivem aquela
retrospectiva de fatos desde o início até o fim.

A culpa não é sua. Na verdade, nem tem porque


culpar alguém. Mas ela te ronda. E te faz crer
que tudo à sua volta é pesado demais. Você se
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depara, então, com a vontade de vasculhar tudo
que existe dentro de você na procura de uma
pista, de qualquer meio ou de uma última atitude
qualquer que sirva para tentar salvar o que já
teve um fim.

Vale ressaltar que viver o luto é sim, necessário.


Jamais finja que ele não existe. Mas entenda
que você é forte o bastante para passar por cima
dele e alcançar a leveza dos dias melhores.
Para isso, algumas dicas são fundamentais.

No meu caso, para fugir, por algumas vezes, eu


escrevia nos meus fichários as razões de me
sentir daquela maneira. E isso me aliviava.
Sugiro que você também tente escrever em um
caderno ou qualquer folha em branco os
principais motivos para que você sinta a culpa
do fim desse relacionamento.

E, em busca de um equilíbrio, é essencial distrair


a sua mente. Para isso, sugiro a realização de
alguma atividade física. Busque uma dança,
uma caminhada, ou qualquer exercício que tire
a sua cabeça daquela mesmice. Dos mesmos
pensamentos e da tristeza que te consome.
Dessa maneira a sua energia será canalizada
para algo que te alivia e te traz tranquilidade.

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Procure, também, estar rodeada de amigos e
familiares nesse momento. Conversar com
pessoas queridas pode te fazer muito bem. Elas
sempre têm alguma palavra acolhedora, um
abraço aconchegante ou, no mínimo, um
coração pronto para te ‘’ouvir’’.

Buscar ajuda não é vergonha ou sinônimo de


fraqueza. Representa uma grande vontade de
mudar, se conhecer e se sentir bem. Nesse
mesmo contexto, uma ajuda profissional pode
ser bem eficaz, uma vez que a culpa
constantemente acarreta momentos de
depressão e mágoa nessa fase. Isso tudo te
ajudará a compreender e lidar melhor com esse
turbilhão de sentimentos.

Passo 2 – A Aceitação

Aceitar é a chave que abre a porta do sucesso


interno, dá a paz que a gente busca, alivia.
Precisamos sempre saber o nosso real valor, e,
mais ainda, precisamos nos colocar como
ouvintes da nossa própria história.

Quando somos ouvintes conseguimos escutar


(internamente) o que estamos passando como
outra pessoa e é nessa hora que começamos a
entender porque aceitamos tantas coisas.

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Quando eu comecei a entender o quanto eu
valia de verdade eu comecei a sofrer bem
menos...

A minha vida se tornou mais leve, mas


engraçada, eu cabia exatamente dentro de mim,
e isso me bastava. Eu sempre digo que viver a
situação é realmente mais difícil do que
simplesmente dar um conselho. Quem vive é
que sabe e que sente. Mas, muitas vezes,
somos vendados pelo desespero do momento.

A nossa vida é algo muito único e singular.


Temos que nos livrar do medo de perder, abrir
mão da ideia de que a pessoa é a única capaz
de nos fazer feliz. Não somos capazes de fazer
alguém nos amar, mas somos capazes de
conquistar o novo todos os dias. Para isso, basta
querer.

Querer e se amar, amar muito! Quando


entendemos o quanto valemos, entendemos
também que não é qualquer migalha que enche
o peito.

Buscar a reciprocidade. Muitas vezes a gente se


doa mais do que recebe... E o problema nem é
só esse. O x da questão está no fato de que a
gente se molda para caber no mundo de alguém

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e quando a gente percebe a nossa forma única
ficou no passado. A nossa essência também.

E é nessa hora que você precisa se resgatar, se


valorizar, se amar, se aceitar. Se precisar
chorar, chore. Jamais prenda dentro de você os
sentimentos que precisam ser liberados para te
libertar.

A cura pode estar em externar o que sentimos,


os nossos problemas nunca são maiores que o
dos outros, muitas vezes são iguais.

Por isso, não sinta vergonha em buscar ajuda.


Compartilhar experiências é importante para o
autoconhecimento. Para entender que nunca
estamos sozinhos. Perca o medo dela, a solidão
não resolve os nossos problemas. Ela nos
afasta das tentativas por dias melhores.
Aprisiona.

Essa fase é o começo de um despertar sem


culpa. Começamos a encaixar na nossa cabeça,
de alguma forma, o entendimento do fim.
Quando o nosso coração entende que é melhor
estar sozinha do que mal acompanhada, ou
incompleta, infeliz, sabemos que o melhor está
por vir. E confiamos. É importante entender que
aquela pessoa que está com você e aquele
relacionamento não é insubstituível.
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Passo 3 – O Perdão

Essa é a fase mais importante. Não que as


outras não sejam importantes. Mas, quando
conseguimos perdoar, conseguimos realmente
nos libertar e, então, tudo conspira ao nosso
favor.

O perdão não precisa ser dito... No meu caso, o


perdão aconteceu dentro de mim. E foi um
momento tão especial, que o guardo até hoje.

Chega a ser engraçado pensar que o perdão


não é ou não será um ato entre você e o seu
parceiro. E também não acontecerá na
presença dele. É entre você, seus sentimentos,
dificuldades, crenças e limitações. É entre você
e você mesmo.

O perdão não é um ato simples. E talvez você


esteja se perguntando onde eu estou com a
cabeça em dizer que o ato de perdoar tem mais
a ver com você do que com o outro. Confesso
que não conseguia enxergar o perdão assim
anteriormente.

Mas aprendi que o perdão é o momento em que


você se desprende daquela expectativa que

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você criou no outro ou na situação que
aconteceu de forma diferente da qual você
esperava.

Porque, mesmo que o fim do relacionamento


não esteja ligado a algo que você tenha feito,
sempre existe, lá no fundo, aquela dúvida sobre
onde erramos, o que deveríamos ter feito para
ser diferente e a ideia de que, se tivéssemos
agido de outra maneira, tudo poderia estar bem.

Essas perguntas nos rodeiam e alimentam o


sentimento da culpa. Aceitar tudo o que
aconteceu e entender que você fez tudo o que
poderia ter sido feito é abrir os olhos para a
realidade.

Perdoando, você consegue se livrar de toda dor


e tudo aquilo que te prende àquele
relacionamento. O perdão te permite seguir em
frente e abre as portas para o recomeço.

Ele liberta o rancor que existe dentro de você e


fecha as feridas que ainda estão abertas dentro
do peito. Você se sente pronto para viver tudo o
que de positivo te espera. No meu caso, quando
eu consegui perdoar, eu me senti quite com a
vida e livre para segui-la em paz. Para me
entregar a outros relacionamentos, a outras

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experiências... Para me permitir ser feliz
novamente.

Passo 4 – O Amor Próprio

O melhor e maior tipo de amor é aquele que


sentimos por nós mesmos. É necessário
entender que você já é completo. E aí, então,
aceitamos que precisamos de alguém que nos
transborde.

A felicidade está dentro de nós. Sim. Ela pode


estar escondida, adormecida, revoltada, triste,
mas ela sempre está ali... Às vezes precisamos
de força, de muito entendimento e ajuda para
resgatá-la, e isso nunca foi fácil.

Mas também está longe de ser impossível.


Muitas vezes me falam que o meu trabalho com
as frases facilita no encontro desse caminho.
Como se fosse um atalho. Mas nem sempre
queremos encontrar a felicidade.

Ou melhor, queremos muito, mas o medo nos


inibe de buscar o caminho que sabemos que
chegará até ela. Aconteceu bem assim comigo.

Eu dizia que o que mais queria era ser feliz, mas


não mexia uma palha sequer verdadeiramente

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para que isso acontecesse. É ai que te pergunto:
e você, está movendo?

Posso te dizer com toda certeza, que não existe


formula mágica para a felicidade, na busca do
amor próprio, mas existe um caminho a ser
percorrido. Ele é muitas vezes doloroso, mas é
só um percurso na busca de um fim: uma vida
tranquila, com o coração em paz.

Claro que é bem melhor assim, porque se


amando e sendo dona de você, é mais fácil não
permitir alguns absurdos, e mais, ainda é muito
mais prático seguir em frente sem olhar pra trás.
Se sentir segura de si. Ufa, que alívio, hein?

É hora de viver uma vida decidida por nós


mesmos, onde quem manda é você. E aí então,
a procura por alguém passa a não existir de
forma incansável e constante, uma vez que você
tem a segurança de que é feliz, e que, quando
encontrar alguém, valerá a pena somente se for
para somar.

Parece impossível para quem já perdeu as


esperanças. Eu também as tinha perdido. Mas
vi que não é assim e, hoje, te peço para
acreditar.

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É necessário subir degrau por degrau. Às vezes
a gente escorrega, bate a cara no chão, erra...
Mas levanta e vai de novo, sem parar. Porque
vale a pena.

Liberte-se da vontade de querer agradar todo


mundo e agrade a você. Se ame. Você precisa
entender o seu valor e se encontrar de novo, se
reconhecer. Se olhar no espelho, e gostar do
que vê. Se sentir orgulhosa da pessoa que é. E,
se remoldando do seu jeito único, que tinha se
perdido, e se amando por completo, você estará
pronta para amar outro alguém e se sentir
amada. Aí mora a essência do amor próprio.

Passo 5 – O Recomeço

O nosso tempo é precioso. Eu costumo dizer


que o meu tempo é muito caro, e digo isso
porque ele me vale muito. Como já dizia Cazuza:
“O tempo não para”. Chegou a hora de
aproveitar o seu tempo com você e com o que
te faz bem. Se abrir para uma nova fase. Como
dizia Raul Seixas: ‘’Eu prefiro ser essa
metamorfose ambulante do que ter aquela velha
opinião formada sobre tudo’’.

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Nessa fase, é hora de recomeçar sendo a
mesma pessoa que tinha se perdido entre altos
e baixos, porém mais madura, consciente de si
e realizada.

Me lembro bem que quando perdoei e me amei,


passei a lembrar do passado com leveza e não
tive medo do futuro. Do novo. Do que vinha por
aí.

Nessa fase, o passado passa a ser encarado


com leveza. Adquirimos a confiança de que o
amor que vai também vem. E que o que vem
deve ser encarado de peito aberto, sem rancor.
Sem ressentimento.

Se você ainda sente raiva do seu ex e acha que


suprir esse sentimento tóxico não quer dizer
nada, você está muito enganada. Isso só
demonstra o quanto você ainda está ligada a
ele. Concorda que assim como o amor, o ódio
também te faz ter lembranças e ligações àquela
pessoa?

O real contrário do amor não é o ódio e sim a


indiferença. Essa sim, te permite romper os
laços e seguir. E aí você consegue olhar para o
passado e ser grata, reconhecendo a
importância e tudo de bom e de ruim que essa
relação trouxe para a sua vida.
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Pois, por mais que agora tenha acabado, você
não precisa esquecer que um dia se apaixonou
por aquela pessoa, viveu e compartilhou
momentos, dividiu sonhos, aprendeu e se
entregou. Sinta como é libertador reconhecer
isso. E agradecer por isso.

Para fechar

‘’O segredo é não correr


atrás das borboletas. É
cuidar do jardim para que
elas venham até você. No
final das contas, você vai
achar não quem você estava
procurando, mas quem
estava procurando por você’’. Mário Quintana

Cuide do seu equilíbrio. Físico e mental. Só


assim você colherá os melhores frutos que a
vida guarda para você. Desejo que esses
passos te auxiliem a se sentir em paz com o seu
momento de vida e as suas decisões.

Que você veja que não está sozinha nessa e


que, com vontade e determinação, a luta contra

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o bicho de sete cabeças criado por você será
fácil.

O importante é conseguir enxergar a luz no fim


do túnel, e entender que, caminhando, passo
por passo, você chegará até ela e desfrutará de
uma nova vida, que te espera para ser
experimentada. Basta confiar. Não se sinta
perdida e muito menos sozinha. Aqui, você tem
uma amiga que passou por isso e venceu as
dificuldades. Ela conhece bem o caminho. Por
isso eu te digo: Eu estou aqui! Vamos juntas!

Vamos praticar?

Queria propor um exercício para você que


chegou até aqui.
Feche os olhos e imagine algo que você queira
muito.

Agora escreva em algum papel o que você fez


para alcançar esse desejo...

Depois escreva o que ainda falta você fazer...

Em seguida, escreva quais vão ser as suas


sensações e sentimentos quando isso
acontecer...

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E ai? Foi difícil?
Depois de feito, venho com uma pergunta
importante: VAI VALER A PENA?
Se a resposta for SIM, se proponha a colocar em
prática tudo o que você citou que ainda falta ser
feito, imediatamente após ler esse e-book.

Se a resposta for NÃO, abandone essa ideia


agora. Aprenda a escolher o que merece espaço
dentro da sua vida e saiba se libertar do que não
é digno de ficar. Quanto mais você se libertar
desses pesos, mais leve ficará a sua
caminhada... Vai por mim, vale a pena!

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