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“Os laços fracos do capitalismo flexível”

“Capitalismo flexível”, um novo sistema de trabalho, com mudanças a curto


prazo, ágil, com probabilidade de riscos e mais liberdade. No entanto sendo
frágil e instável, esta nova ordem, por ter flexibilidade causa grande ansiedade,
além de ser um poder muitas vezes ilegível.

O novo capitalismo, arquitetado aos moldes inconstantes da globalização,


qualifica-se pelos avanços da alta tecnologia, onde a incessante busca por
lucro reflete no comportamento humano tanto em sua vida profissional, uma
vez que o mercado tende a apresentar um trabalho mais dinâmico,
consequente da econômica de concorrência e da grande parcela de
desemprego. Quanto na vida pessoal, afinal, torna-se depende de horários
variantes para satisfazer seus clientes. Agora; tempo é dinheiro! E vê-se uma
profunda obrigação de manter-se a altura da empresa, buscando qualificações,
e mostrando-se preparado e de confiança, já que funcionários tornam-se
coisas, e assim por terem agregado a si valor econômico, ou seja, são
negociáveis.

O caráter do ser humano está relacionado ao compromisso mutuo e a


lealdade a longo prazo, que por sua vez é debilitado pela nova economia.

Enrico, em “A Corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho do novo


capitalismo” de Richard Sennett, reflete a antiga ordem que mostrava
integridade e diciplina, onde havia uma variação mínima de emprego em anos
de trabalho, quando o “Tempo é o único recurso que os que estão no fundo da
sociedade têm de graça”.

Já seu filho, Rico, parte da nova geração, prosperou a partir da mobilidade


ascendente, receptivo a ocorrência de riscos e mudanças na economia,
abrindo sua própria empresa de consultoria, enfrentando as dificuldades na
distância pessoal entre os funcionários.
Todavia, Jeannette, sua esposa, tinha melhor controle de comunicação, a
partir de telefonemas, e-mails, etc. o que facilitava e agilizava a supervisão do
trabalho, importante, afinal aparelhos eletrônicos, e toda a mudança desde a
última Revolução Tecnológica, trouxe as empresas uma nova forma de
trabalho, onde muitos necessitam apenas de um computador para executar
todas as tarefas estabelecidas assim como as demissões da empresa. Esta
questão pode ser levantada no filme “Amor sem escalas”, onde demissões,
caracterizadas pela estreita relação entre o indivíduo com a empresa,
defendidas pelas exigências, normas e procedimentos organizacionais, passam
a ser feitas via computadores, que por sua vez, tornaram se mais fáceis e de
rápido acesso, afinal, graças a tais mudanças discutidas, o computador,
celulares com internet, notebooks, tablets e outros sistemas, vêm como objeto
importante, e algumas vezes principais, de uma pessoa.

No filme, expõe a importância que um cidadão do século XXI dá a seu


trabalho e o espaço cada vez maior que o mesmo ocupa em parâmetro com
sua vida pessoal e questões íntimas. Outra questão abordada o
comportamento de um trabalhador, a personagem principal, Ryan, por
exemplo, após inúmeras demissões apresenta uma personalidade fria e
distante. Será isso, reflexo de sua profissão, ou então obteve sua profissão
graças a esta característica? As duas alternativas podem ser válidas, portanto,
Ryan, agrava sua impiedade perante a necessidade demandada pelos
negócios, independente de seu passado, ou seja seu comportamento e atitude
é uma alavanca para a execução de suas obrigações.

Diferente dos vínculos pessoais e afetivos “as redes institucionais modernas


se caracterizam pela ‘força de laços fracos’ [...] que se concretizam no trabalho
de equipe, em que a equipe passa de tarefa em tarefa e muda de pessoal no
caminho”, afirma o sociólogo Mark Granovetter, evidenciando o distanciamento
e a superficialidade do novo capitalismo, que até afeta a vida das pessoas fora
do ambiente de trabalho, não só pelas ágeis transmissões tecnológicas, livre
comércio e mercados de ações globais, mas pelas mudanças e o curto prazo.

Tanto no texto “A Corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho


do novo capitalismo” quanto no filme “Amor sem escalas”, o trabalho em equipe
é visto como destrutivo, valorizando mais o individualismo dos protagonistas
em questão, porém a fraqueza da lealdade está presente nas relações de curta
duração, possibilitando a corrosão do caráter, principalmente as qualidades do
caráter que relacionam os seres humanos e que os identificam.

O capitalismo aplicado há séculos atras, houve maiores falhas por conta de


investimentos desnecessários e muito mal elaborados, o que custou a grande
queda da bolsa por exemplo. Os trabalhos a curto prazo puderam assim,
desenvolver uma moderna estrutura nas empresas, evitando que tais falhas
ocorram, através de organizações mais planas e flexíveis aos trabalhadores.

Os empregos estão sendo distribuídos como pequenos projetos ou campos


de trabalho. O contratado não possui mais uma determinada função, precisa
obter competência para realizar outras funções exigidas pela empresa, sendo
assim, especificando melhor um determinado perfil de profissional, que seja
mais flexível. Isso se deve por conta da constante mudança que o mercado
tem, graças aos seus consumidores que exigem mais.

Podemos identificar que as relações dos seres humanos com base no novo
capitalismo, apesar de ser mais, ágil, flexível e pratico, traz uma instabilidade,
desequilíbrio e a pressão sobre qualidade da vida, devido ao avanço
tecnológico que temos hoje em dia, visando sempre mercados globais, livre
comércio, ou seja, a busca pelo lucro numa ordem de curto prazo e muitas
mudanças. A dedicação que o ser humano da ao trabalho no decorrer de sua
vida, corrompe outros valores que cada indivíduo possui a favor dos interesses
dessa nova ordem.