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gestão empresarial

Direito empresarial

sociedades comerciais
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direito empresarial
sociedades comerciais

Objetivos da Unidade de aprendizagem


Conceituar o que são as sociedades comerciais, quais
são suas espécies, qual é a sua base legislativa, apresen-
tando ainda, suas principais características, de maneira
apresentar noções gerais sobre a temática.

Competências
Identificar os conceitos, fundamentos e características
das Sociedades Comerciais.

Habilidades
Inserir conhecimentos gerais sobre Sociedades Comer-
ciais no contexto da Gestão Empresarial (Processos Ge-
renciais) como necessidade da função administrativa, que
a cada dia deverá acrescentar noções de outras áreas de
atuação, praticando a interdisciplinaridade nas ações.
Apresentação
Nesta Unidade de Aprendizagem vamos conhecer as
Sociedades Comerciais, ou melhor dizendo, adequan-
do a terminologia à nova determinação civilista, as So-
ciedades Empresariais. Que bom estarmos nesta etapa
de estudo, pois, à medida que caminhamos vamos nos
aprofundando em temas atuais e extremamente impor-
tantes ao bom desempenho da função a qual estamos
nos preparando para desenvolver, assim, tais temas
nos apresentam como muito necessários ao nosso co-
tidiano, sendo interessante e envolvente conhecê-los.
Na posição de professores-autores continuamos a
nos empenhar em oferecer a você qualidade de ensino,
para tanto, preparamos um material com o qual possa
ter um conhecimento específico sobre as Sociedades
Empresariais, que hoje é uma das áreas que desperta
muito interesse de todos haja vista, que ao abrir uma
empresa ou necessitar alterar contrato social, há a ne-
cessidade de se optar por um tipo societário e providen-
ciar todos os seus trâmites burocráticos e, desde que se
conheça suas espécies, tal realidade restará mais fácil de
ser promovida.

Para Começar
Nesta Unidade de Aprendizagem estamos nos aprofun-
dando em temas atuais e necessários a nossa compre-
ensão, que envolvem as empresas e, portanto, a gestão.
Tais temas nos apresentam como muito necessários ao
nosso cotidiano, sendo interessante e envolvente conhe-
cê-los.
Na posição de professores-autores continuamos a
nos empenhar em oferecer a você qualidade de ensino,
para tanto, preparamos um material com o qual possa
ter um conhecimento específico sobre as Sociedades
Empresariais, que hoje é uma das áreas que desperta
muito interesse de todos haja vista, que ao abrir uma
empresa ou necessitar alterar contrato social, há a necessidade de se op-
tar por um tipo societário e providenciar todos os seus trâmites burocráti-
cos e, desde que se conheça suas espécies, tal realidade restará mais fácil
de ser promovida.
Por isso, pergunto a você:

1. Você já possui algum conhecimento em Sociedades Comerciais?


2. Quais são os tipos societários que você conhece?
3. Apresente algumas características das sociedades comerciais?
4. Dê o nome de duas sociedades empresariais?

Neste momento anote suas respostas e percepções, use o seu senso co-
mum para responder a esta pergunta, não faça outras pesquisas, nem
avance a leitura antes de responder a esta pergunta. A ideia é conhecer
seu ponto de vista. É importante informar que você usará estas anotações
num exercício ainda no decorrer desta Unidade de Aprendizagem.
Para entender as Sociedades Comerciais torna-se necessário vincular
seus estudos a partir de uma relação com o cotidiano, pois, não basta, tão
somente a “gramática”, há que correlacioná-la com a “prática”, inclusive,
ante o fato de que o que ocorre no dia a dia é muito diferente do que se
acha inserido nos livros.
Outro aspecto de suma importância é apresentar seu ponto de vista a
respeito do que entende ou tem conhecimento sobre noções de Socieda-
des Comerciais e quais são as características de suas espécies, para que
possa fazer uma comparação entre o seu conteúdo prévio a respeito do
tema e o abordado nas Unidades de Aprendizagem, fazendo com que
haja a ampliação de seu entendimento com relação ao assunto.
Um bom gestor, que passa por um curso de Tecnologia em Gestão Em-
presarial – Processos Gerenciais necessita, ainda conhecer os tipos socie-
tários existentes e os entraves burocráticos de cada um deles, para fazer
a melhor escolha quanto ao tipo societário escolhido, se houver necessi-
dade, a posteriori, de abrir uma empresa.

5. Para que você tenha uma real ideia da necessidade de se ter pelo
menos um prévio conhecimento sobre as Sociedades Comerciais
e despertar a sua vontade de desenvolver seus estudos, sugiro a
você que a leitura da obra, muito interessante de autoria de Ponchi-
rolli (2009).

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Fundamentos
1. Noções gerais sobre sociedades empresariais
O ser humano não existe para viver sozinho, aliás, pelo contrário, existe
para “conviver”, ou melhor dizendo “viver com ...”. Nessa sua jornada de
vida, alguns seres humanos optam por desenvolver atividades organiza-
das de produção de bens e serviços, mas não de forma isolada.
Desenvolvem tais atividades de produção, através de uma união de
esforços, que por sua vez, necessita estar dentro das exigências burocrá-
ticas legais, para tanto, resolve abrir uma “sociedade empresarial”, que
nada mais é do que uma organização com finalidade lucrativa.
Ocorre que esta união de esforços nem sempre observa as determina-
ções legais quanto a sua constituição, gerando situações de desconforto
e risco para o próprio mercado, vez que atuam de forma clandestina e
ilegal, lesando direitos de vários seres humanos.
Por esta razão, há a necessidade de se reconhecer a existência de duas
espécies de sociedades empresariais, ou seja, a sociedade empresarial
personificada e a não personificada, quais as suas espécies, característi-
cas, dentre outros aspectos e, é o que será feito desde então.
Mas antes de conceituá-las e estudá-las de forma específica, devemos
entender que de acordo com a legislação vigente, dispõe os arts. 966 e
981, ambos do Código Civil, a sociedade empresária seria aquela formada
por duas ou mais pessoas que, de forma recíproca assumem o compro-
misso de somar esforços no sentido de atingir uma finalidade de interesse
comum, mediante o exercício de atividade econômica profissional, habi-
tual e organizada, que tem por objetivo a produção e circulação de bens
ou serviços.
Dessa noção, se pode extrair dois elementos fundamentais na forma-
ção das sociedades empresárias, que são:

a. A affectio societatis, e;
b. A pluralidade de sócios.

Quanto ao primeiro elemento, a affectio societatis, é a intenção ou vontade


dos sócios de se associarem e se manterem associados, no ideal de somar
esforços para atingir uma finalidade de interesse comum.
A pluralidade de sócios, que representa a união de forças de pessoas
que pretendem entre si colaborarem para atingir um objetivo comum (art.
981, do Código Civil).

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Como se vê para se constituir uma sociedade empresária é extrema-
mente importante se observar esses dois elementos, pois, sem eles, no
mínimo ela seria ilegítima.

1.1. Conceitos
As sociedades empresariais são organizações com fim lucrativo (FÜHRER,
2009). Mas, além do fim lucrativo, segundo (CAMPINHO, 2009), a socieda-
de é:

o resultado da união de duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, que, volunta-


riamente, se obrigam a contribuir, de forma recíproca, com bens ou serviços, para
o exercício proficiente de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados
auferidos nessa exploração.

As sociedades empresariais são de duas espécies:

a. Sociedades personificadas;
b. Sociedades não personificadas.

As sociedades personificadas são aquelas que mediante o registro compe-


tente, nos termos do que determina a LRE – Lei de Registro de Empresas
(Lei nº 8.934/94) ou o Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas (Lei
nº 6015/73) adquirem personalidade jurídica distinta da dos sócios.
O registro mercantil é um ônus que cabe a qualquer empresário indivi-
dual ou sociedade empresarial nos termos do que determina o art. 1.150,
do Código Civil.
As sociedades não personificadas, não possuem e nem adquirem per-
sonalidade jurídica, vez que não possuem registro de seus atos constitu-
tivos. No entanto, há que salientar que o fato de não possuírem registro

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lhes dá uma característica de sociedade contratual, não mercantil, mas de
cunho civil.
Dessas duas espécies de sociedades empresariais, decorrem as sub-
-espécies ou tipos societários, que serão analisados nos demais tópicos.

1.2. Sociedades Não Personificadas


Como já mencionado anteriormente, as sociedades não personificadas
não possuem registro de seus atos constitutivos junto aos órgãos com-
petentes (Juntas Comerciais ou Cartório do Registro Civil das Pessoas Ju-
rídicas), encontrando-se em total irregularidade perante esses órgãos, o
governo e à própria sociedade.
Esse tipo de sociedade possui duas espécies que são:

a. Sociedade em comum; e
b. Sociedade em conta de participação.

A sociedade em comum está prevista no art. 986, do Código Civil, como


um momento anterior a personificação da sociedade, ou seja, é a pre-
visão legal para os contratos de sociedade quando os interessados não
têm intenção de constituírem, a princípio, uma pessoa jurídica de direito
privado, ou seja, de constituírem uma sociedade.

Papo Técnico
Inclusive, por essa razão e respeitando a vontade das partes,
houve o reconhecimento legal desse tipo de situação, no en-
tanto, caso haja problema que venha a lesar algum tipo de
direito, que seja entre os sócios, o art. 987, do Código Civil,
garantiu que a comprovação da existência dessa sociedade
se faz de qualquer modo.

Os sócios nesse tipo de sociedade, respondem solidariamente e ilimitada-


mente pelas obrigações sociais (art.990, do Código Civil), mesmo que no
contrato estabeleçam restrição ao patrimônio de alguns dos sócios, esta
somente tem valor entre os mesmos, não prevalecendo perante terceiros.

Atenção
Quanto à responsabilidade, o pacto limitativo somente tem
valor entre os contratantes, não havendo nenhum tipo de

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prevalência com relação a terceiros envolvidos, salvo, se o
terceiro o conhecia ou por alguma razão devia conhecer esse
tipo de restrição.

Por fim, ainda com relação à responsabilidade, no âmbito do patrimônio


especial da sociedade em comum, determina o art. 989, do Código Civil, que
os bens sociais respondem pelos atos de gestão de qualquer dos sócios.
Já a outra espécie de sociedade não personificada é a sociedade em
conta de participação que se encontra normatizada nos arts. 991 a 996,
do Código Civil (HOOG, 2009).
Nesta sociedade os sócios ajustam entre eles todos os aspectos refe-
rentes a ela, inclusive, quanto à distribuição dos resultados sociais, mas
não dão a conhecer o pactuado a terceiros.
São dois os tipos de sócio, o sócio ostensivo em nome do qual são re-
alizados todos os negócios e o sócio oculto, que também é chamado de
“participante”, que é aquele que jamais aparece perante terceiros.

Papo Técnico
É necessário saber que quando se fala em sociedade em
conta de participação, que ela é uma sociedade oculta, mas
não ilegal, haja vista ser admitida pela lei, onde há sócios
ocultos, mas há também, o sócio ostensivo que terá que ser
um empresário, que responderá perante terceiros. Normal-
mente essas sociedades são tidas como “contratuais”.

Os tipos existentes e reconhecidos por lei, de sociedades não personifi-


cadas, são as especificadas, mas, não se pode deixar de frisar que embo-
ra não tenha personalidade jurídica, possuem responsabilidade quanto
aos atos de gestão perante terceiros envolvidos, como por exemplo, os
trabalhadores que contratam para o desenvolvimento das atividades
da sociedade.

1.3. Sociedades Personificadas


As sociedades personificadas são as que, possuem personalidade jurídica
distinta da dos sócios envolvidos, por terem sido devidamente registrados
no registro competente, seus atos constitutivos e posteriormente, suas
alterações contratuais.

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Inclusive, o art. 981, do Código Civil, dispõe que celebram contrato de
sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com
bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha,
entre si, dos resultados.

Atenção
O registro dos atos constitutivos da sociedade personificada,
arquivamento de demais atos (tais como alteração do con-
trato social etc.) e estruturação das sociedades empresariais
e das empresas individuais devem ser todos efetuados nas
Juntas Comerciais do respectivo Estado em que está situada
a sede das mesmas; por sua vez as Juntas Comerciais se sub-
metem às determinações do DNRC – Departamento Nacional
de Registro do Comércio e ao SINREM – Sistema Nacional de
Registro de Empresas Mercantis, que se acham disciplinados
na LRE – Lei de Registro de Empresas (Lei nº 8.934/94) e o
Decreto nº 1800/96 que a regulamenta (ROQUE, 2006).

As sociedades se classificam como sendo sociedades de pessoas ou socie-


dades de capital. Como o nome mesmo já sugestiona, as sociedades de
pessoas têm como elemento principal os sócios, haja vista, prevalecer à
vontade dos mesmos na sua constituição e desenvolvimento.
Como exemplo de sociedades de pessoas se pode citar: a sociedade
em nome coletivo e a sociedade em comandita simples, que serão objeto
de nossos estudos, oportunamente.
Por outro lado, às sociedades de capital têm outro interesse, qual seja;
o capital que circula nesse tipo societário é o que importa, pois, a vontade
de qualquer dos sócios é irrelevante, no sentido de que os sócios ingres-
sando ou se ausentando da sociedade o que interessa é negociação de
suas cotas.
Como exemplo de sociedades de capitais podemos citar as sociedades
anônimas e as em comandita por ações.
Independentemente de serem sociedades de pessoas ou de capitais, as
sociedades personificadas se dividem em:

a. Sociedades Simples;
b. Cooperativas;
c. Sociedades Empresariais.

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1.3.1. Sociedades Simples
A Sociedade Simples está disciplinada nos arts. 997 a 1038, do Código
Civil, possuindo uma natureza contratual, pois, se dedica ao desenvolvi-
mento de atividades técnicas ou profissionais.
As sociedades simples são aquelas que exercem atividade não empre-
sarial; assim, a constituição de sociedade entre profissionais que desen-
volvem atividades intelectuais de natureza científica, literária ou artística
é a finalidade desse tipo societário, segundo, dispõe o art. 966, § único do
Código Civil.
O contrato escrito que constitui a sociedade simples deve ser inscrito
no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede, devendo em
30 (trinta) dias após a sua constituição ser providenciada a inscrição da
mesma no órgão competente, conforme estabelecido no art. 998, do Có-
digo Civil.
Há que se frisar que a exceção são os registros efetuados junto ao Car-
tório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas, conforme estabelece a Lei nº
6.015/73 em seu art. 114, incisos I, II e III e seu § único e, a sociedade sim-
ples, faz parte dessa exceção; as demais empresas individuais e socieda-
des empresariais, deverão ter seus atos constitutivos inscritos nas Juntas
Comerciais dos seus respectivos Estados.
O registro é exigido com a finalidade de dar publicidade à sociedade
simples, em relação a terceiros que com ela negociam.
As partes contratantes têm ampla liberdade quanto ao estabelecimen-
to das cláusulas contratuais, mas a lei civil determina no art. 997, um con-
teúdo mínimo para o pacto social. Mas não é tão somente o Contrato So-
cial da Sociedade Simples que deve ser objeto de registro, o mesmo deve
ocorrer com quaisquer alterações sofridas no conteúdo do registro inicial.
Como exemplo de sociedades simples, podemos citar as sociedade de
advogados; sociedades de odontólogos; sociedades de psicólogos, socie-
dades de médicos ou as sociedades de engenheiros.
No entanto, pode ocorrer que quanto ao seu objeto a sociedade simples
assuma a forma de um dos tipos societários destinados às sociedades em-
presárias, decorrendo sua definição do próprio objeto social da sociedade.
De maneira, a sociedade pode ser simples com forma de limitada; sim-
ples com forma de sociedade em nome coletivo; simples com forma de
comandita simples e simples com forma de cooperativa.

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1.3.2. Cooperativas

Figura 1. Símbolo
do cooperativismo.

De acordo com o art. 982, § único, do Código Civil, as cooperativas são


sempre consideradas simples.
No entanto, as cooperativas são regidas por legislação especial, sendo
regulamentadas na Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971.
A cooperativa é uma associação de, no mínimo, 20 (vinte) pessoas que
se unem voluntariamente, com um interesse em comum, economicamen-
te organizada de forma própria e democrática, visando, sem fins lucrati-
vos, a satisfação das necessidades e aspirações econômicas, sociais ou
culturais dos seus associados (ROQUE, 2006).
As cooperativas têm sua classificação baseada em seguimentos, de
acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras:

a. Trabalho: Profissionais que prestam serviços a terceiros.


b. Agropecuário: Relativo a qualquer cultura ou a qualquer criação rural;
c. Consumo: Cooperativa de abastecimento;
d. Crédito: Cooperativa de crédito rural e urbano;
e. Educacional: Cooperativas de alunos de escola agrícola e coopera-
tivas de pais de alunos;
f. Especial: Pessoas relativamente incapazes ou de menores de idade,
portanto, não plenamente autogestionadas, necessitando de um tu-
tor para seu funcionamento;
g. Habitacional: Construção, manutenção e administração de conjun-
tos habitacionais;
h. Mineral: Cooperativa de Mineradores;
i. Produção: Cooperativa nas quais os meios de produção, explorados
pelo quadro social, pertencem à cooperativa e os cooperantes for-
mam o seu quadro diretivo, técnico e funcional;
j. Saúde: Cooperativas de médicos, odontólogos, psicólogos e ativida-
des afins;
k. Serviço: Cooperativa que tem como objetivo primordial prestar co-
letivamente um serviço do qual o quadro social necessite;

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l. Outras: Cooperativas que não se enquadram nos demais segmentos.

Uma vez escolhido o segmento de atuação, deverá ser constituída uma


Comissão Organizadora da Cooperativa, que deverá publicar um Edital de
Convocação para Constituição da Cooperativa, no mínimo com 10 (dez)
dias de antecedência, em pelo menos um jornal de maior circulação na
cidade, convocando todos os interessados em criarem a cooperativa, para
que realizem uma Assembleia para a sua Constituição.
Esse Edital de Convocação deve ser assinado por um representante da
Comissão de Constituição.
Na Assembleia Geral de Constituição, deverá haver a aprovação do Es-
tatuto da Cooperativa e a eleição dos membros que ocuparão os cargos
sociais da mesma, ou seja, deverão ser eleitos os membros que comporão
a Diretoria ou Conselho de Administração e Conselho Fiscal.
Antes da reunião da Assembleia Geral de Constituição, algumas provi-
dências deverão ser tomadas, no sentido de haver um Livro de Registro
de Presença, um Livro de Registro de Atas, também deverá ser preparada
a minuta do Estatuto Social e se definir no mínimo uma chapa para elei-
ção da Diretoria, nesse documento deverão ser anexadas Declarações de
Desimpedimento dos candidatos.
Na ata de realização deverão constar os dados dos cooperados, ou
seja, a qualificação completa de cada um deles (Nome completo; ende-
reço residencial completo; fotocópia dos documentos de identidade e do
CPF; nacionalidade; estado civil e duas fotografias 3x4.
Todos os fatos ocorridos durante a Assembleia devem ser obrigato-
riamente registrados imediatamente ao término da reunião, deverá ser
redigida em livro próprio a Ata da Assembleia de Constituição da Coope-
rativa. Após a realização da Assembleia Geral de Constituição, deverá ser
providenciado o registro da Cooperativa na Junta Comercial do Estado,
onde esta passará a possuir o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ.
As cooperativas possuem várias características, assim como requisitos
e especificações necessárias à sua constituição, que se encontram elenca-
dos na Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971.
Um desses requisitos é o Estatuto da Cooperativa. Recomenda-se que o
Estatuto Social trace todas as características da organização jurídica e ad-
ministrativa da Cooperativa, reflita o seu verdadeiro perfil social, evitando
fazer cópias, pura e simples, de estatutos de outras Cooperativas.
No entanto, o texto do estatuto social pode ser redigido na própria Ata
de constituição da cooperativa, ou ser anexado na mesma, devidamente,
rubricado e assinado pelo Presidente e por todos os fundadores presen-
tes, e com o visto do advogado.

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Os Estatutos, antes de serem levados à Junta Comercial, deverão ser
apreciados pela OCE - Organização das Cooperativas do Estado, a fim de
verificar se não conflitam com a legislação cooperativista vigente, pois,
toda e qualquer Cooperativa deverá ser registrada na Organização das
Cooperativas do Estado - OCE, para integrar-se ao Cooperativismo Esta-
dual e fortificar-se no processo de autogestão do sistema, de acordo com
o art. nº 107 da Lei nº 5.764/71.
Cabe mencionar, ainda, que a documentação necessária para o registro
junto à OCE é:

→→ 2 vias da Ata de Constituição da Cooperativa;


→→ 2 vias do Estatuto Social;
→→ 2 vias da Ficha Cadastral, fornecidas pela OCE, devidamente preen-
chidas e assinadas;
→→ 2 vias da certidão de arquivamento dos documentos de sua consti-
tuição na Junta Comercial (autenticadas).

Na Junta Comercial é necessário apresentar os seguintes documentos,


para que se possa proceder ao registro da Cooperativa:

→→ Ata da Assembleia Geral de Constituição da Cooperativa;


→→ Estatuto Social;
→→ Requerimento preenchido, através de formulário próprio, sob a for-
ma de capa, adquirido em papelaria;
→→ Ficha de Cadastro Nacional da Cooperativa (FCN 1 e 2), formulário
adquirido em papelaria;
→→ Cópia autenticada da Carteira de Identidade e CPF dos eleitos;
→→ Comprovante de pagamento do Guia de Recolhimento Federal,
(DARF) formulário a venda em papelarias;
→→ Comprovante de pagamento da Guia de Recolhimento da Junta Co-
mercial, adquirido em papelaria o formulário;
→→ Ficha de Inscrição do Estabelecimento - Sede, CNPJ, em três vias (a
venda em papelaria);
→→ Nada Consta dos componentes do Conselho de Administração junto
à Receita Federal;
→→ Certidão de Desimpedimento do Presidente do Conselho Adminis-
trativo, autenticada em cartório.

Também é importante lembrar que se a cooperativa contrata emprega-


dos iguala-se às demais empresas relativamente aos encargos sociais.
Para isso será necessário efetuar o seu registro no Instituto Nacional do

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Seguro Social e na Delegacia Regional do Trabalho, de conformidade com
o que determina o artigo 91, da Lei nº 5.764/71.
Para que possa efetivamente funcionar, a Cooperativa deverá solicitar
junto à Prefeitura Municipal de sua sede Alvará de Licença, assim estando
legalmente situada e com sua atividade regularizada. Para tanto, é neces-
sária a apresentação dos seguintes documentos:

1. Requerimento padrão fornecido pelo órgão municipal;


2. Ata de Constituição da Cooperativa;
3. Estatuto Social;
4. Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU pago, do local onde fun-
cionará a Cooperativa;
5. Contrato de locação ou título de propriedade de sua sede.

Com relação à sua regularização contábil, são exigidos os seguintes livros:

→→ De Matrícula;
→→ De Atas das Assembleias;
→→ De Atas dos Órgãos de Administração;
→→ De Atas do Conselho Fiscal;
→→ De Atas do Conselho de Ética;
→→ De Presença dos Cooperantes nas Assembleias Gerais;
→→ Outros, Fiscais e Contábeis.

Como se pode constatar é simples constituir uma Cooperativa, basta ter


boa vontade e querer desenvolver uma atividade sem fins lucrativos, se-
guindo o que determina a lei vigente.

1.3.3. Sociedades Empresariais


As sociedades empresariais são:

a. Sociedade em nome coletivo;


b. Sociedade em comandita simples;
c. Sociedade limitada;
d. Sociedade em comandita por ações;
e. Sociedade anônima.

De forma específica, tais sociedades serão abordadas na próxima unidade


de aprendizagem.

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antena
parabólica

1. Texto extraído
Com relação às sociedades personificadas, são elas pes-
da coleção Sinopses
Jurídicas – nº 21 – soas jurídicas de direito privado registradas no órgão
GONÇALVES, Maria competente. A personalidade jurídica das sociedades
Gabriela Venturoti
não se confunde com a dos sócios que a integram. En-
Perrotta Rios.
GONÇALVES, Victor quanto pessoa jurídica distinta de seus sócios, a socieda-
Eduardo Rios. Direito de goza de: 1
Comercial: direito de
empresa e sociedades
empresárias São
a. Titularidade negocial, para, em nome próprio, de-
Paulo: Saraiva, senvolver a atividade empresarial, celebrando os
2005, p. 73. negócios jurídicos necessários ao desenvolvimento
da empresa;
b. Titularidade processual, já que a sociedade pode,
em nome próprio, defender seus direitos e inte-
resses em juízo (muito embora as sociedades sem
personalidade também possam fazê-lo, desde que
representadas pela pessoa a quem couber a admi-
nistração de seus bens, de acordo com o art. 12, VII,
do CPC);
c. Titularidade patrimonial, na medida em que pos-
suem patrimônio social próprio e respondem com
ele pelas obrigações que contraírem. Esse patrimô-
nio é distinto em relação ao de seus sócios.

O patrimônio pessoal dos sócios de uma sociedade per-


sonificada poderá ser atingido de forma limitada ou ilimi-
tada pelas obrigações sociais, dependendo do que estiver
disposto no ato constitutivo da sociedade. Todavia, essa
responsabilidade será sempre subsidiária em razão do
chamado ‘benefício de ordem’. Assim, de acordo com o
art. 1.024 do Código Civil, “os bens particulares dos sócios
não podem ser executados por dívidas da sociedade, se-
não depois de executados os bens sociais”. Dessa forma,
primeiro se esgota o patrimônio da sociedade, como pes-
soa jurídica titular de direitos e obrigações autônomos,
para somente depois buscar-se o patrimônio dos sócios,
de forma limitada ou ilimitadamente, dependendo da es-
pécie de sociedade e do que constar do contrato social.
E agora, José?
Acredito que esta Unidade de Aprendizagem tenha sido
esclarecedora, quanto às noções gerais de sociedades
empresariais, no que diz respeito às suas definições,
suas espécies e contexto legal. Fazendo um breve resu-
mo dos principais assuntos abordados neste capítulo, é
importante mencionar que:

1. As sociedades empresariais são de duas espécies,


as personificadas e as não personificadas;
2. Trata-se de uma matéria importantíssima por en-
volver todas as pessoas que exercem suas funções
no âmbito comercial;
3. Também, cabe ressaltar que pelo espaço que as co-
operativas têm ganhado no mercado, se deve ler
e conhecer a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de
1971, que cuida de sua estruturação;
4. Por fim, em caso de atividades técnicas ou profis-
sionais, o tipo societário adotado será a “socieda-
de simples”.

Na próxima unidade de aprendizagem, daremos conti-


nuidade a este tema, abordando algumas noções dos
tipos de sociedades empresariais existentes no ordena-
mento jurídico, o que também, vai ser muito interessan-
te principalmente para quem tem interesse em constituir
uma sociedade empresarial, pois, terá maiores subsídios
para efetuar sua escolha quanto ao tipo societário.
Glossário
Ato constitutivo: é o ato jurídico materializado público que as torna capazes para a prática
pela vontade dos acionistas grafada no es- de atos jurídicos, uma vez que são reconhe-
tatuto social ou no contrato social, onde se cidas pela lei, tendo direitos e deveres pró-
constitui a sociedade, devendo ser arquivado prios, que não se confundem com os das
e averbado no registro público de empresas pessoas naturais que nelas atuam.
mercantis a cargo das Juntas Comerciais. Responsabilidade solidária: é o ônus que re-
Juntas comerciais: são órgãos estaduais sub- cai sobre os administradores da sociedade
metidos, no âmbito técnico, ao Departamen- empresarial, de responderem perante a so-
to Nacional de Registro do Comércio e admi- ciedade e terceiros prejudicados, no caso de
nistrativamente ao Governo Estadual, sendo ocorrência de danos resultantes de atos do-
responsáveis pelos atos registrais, tais como, losos e culposos, praticados no desempenho
matrículas, atos de arquivamento e auten- de suas funções.
ticações, ou seja, são órgãos responsáveis Responsabilidade subsidiária: é ônus que
pelo registro das empresas. recai sobre determinadas garantias que so-
Personalidade jurídica: é a qualidade das pes- mente são exigidas quando a garantia prin-
soas jurídicas de direito privado e de direito cipal é insuficiente.

Referências
CAMPINHO, S. O
 direito de empresa à luz do HOOG, W. A. Z. Dicionário de Direito Empre-
novo Código Civil. 10. Ed. Rio de Janeiro: sarial. 4. Ed. Curitiba: Juruá, 2010.
Renovar, 2009. PONCHIROLLI, O. Ética e responsabilidade so-
FÜHRER, M. C. A.; MILARÉ, É. M
 anual de Direito cial empresarial. Curitiba: Juruá, 2009.
Público e Privado. 20. Ed. São Paulo: Re- ROQUE, S. J. C
 urso de Direito Empresarial.
vista dos Tribunais, 2015. 3. Ed. São Paulo: Ícone, 2006.
GONÇALVES, M. G. V. P. R.; GONÇALVES, V. E. R.
Direito Comercial – Direito de Empresa
e Sociedades Empresárias. São Paulo: Sa-
raiva, 2006.

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