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METROLOGIA-2003 – Metrologia para a Vida

Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM)


Setembro 01−05, 2003, Recife, Pernambuco - BRASIL

ESTUDO DA INFLUÊNCIA DO POSICIONAMENTO DE RELÓGIOS


COMPARADORES NOS RESULTADOS DE SUAS CALIBRAÇÕES

Marcelo Kobayoshi 1 , Queenie Siu Hang Chui 2


1
Universidade São Francisco, São Paulo, Brasil
2
Universidade São Francisco, São Paulo, Brasil

Resumo: Os instrumentos denominados relógios posicionamento do relógio comparador, com relação à


comparadores figuram entre os instrumentos de medição de direção da ação da gravidade, é dependente das condições de
maior aplicação na metrologia dimensional industrial, fato espaço físico para a sua montagem, normalmente realizada
este que justifica a existência de uma considerável demanda através de dispositivos, bases e suportes.
por seus serviços de calibração. O objetivo deste trabalho é
Com referência à sua calibração, sabe-se que é oferecida no
estudar o efeito do posicionamento do relógio comparador,
mercado brasileira uma considerável gama de equipamentos
na posição vertical e na posição horizontal, sobre a incerteza
que possibilitam a calibração de relógios comparadores,
dos seus resultados em ensaios e medições, e seu
sendo que a maioria destes sistemas segue uma orientação
desenvolvimento é justificado pelo desconhecimento da
de posicionamento paralela ou próxima à direção da ação da
existência ou não de influências significativas ocasionadas
gravidade (vertical), ou uma orientação ortogonal à direção
por esta variação de posicionamento. Através da aplicação
da gravidade (horizontal).
de um sistema com solução óptica (laser), com um método
interferométrico de controle de deslocamento, foram Analisando os procedimentos adotados pelos laboratórios de
executadas calibrações em 6 relógios comparadores novos, calibração de relógios comparadores da Rede Brasileira de
de 2 diferentes fabricantes, tendo estes o valor de uma Calibração (RBC) no Brasil, observa-se que o
divisão de 0,01 mm e faixa de medição de 10 mm. As posicionamento do relógio comparador durante a sua
diferenças entre os valores obtidos foram todas abaixo dos calibração, via de regra, é definido em função do tipo e
valores das incertezas calculadas nos processos de modelo do equipamento calibrador disponível no laboratório
calibração envolvidos, podendo-se entender que não houve de calibração.
diferenças que indicassem que o posicionamento do relógio
comparador nas posições vertical ou horizontal produza um Em uma pesquisa realizada no período de 01 de agosto a 21
de dezembro de 2001 foram contatados todos os 34
efeito a ser considerado como fonte de contribuição
laboratórios pertencentes à RBC credenciados para a
significativa, nos cálculos de incertezas efetuados para os
resultados de medições ou ensaios. execução de calibrações de relógios comparadores. Destes
foram obtidas respostas de 21.
Palavras chave : Relógio comparador, Instrumento de Dos laboratórios que realizavam a calibração em relógios
medição, Metrologia laboratorial e industrial. comparadores com valor de uma divisão de 0,01 mm, 83%
fazem-na na posição vertical e 17% na posição horizontal
(Figura 1).
1. INTRODUÇÃO
Os relógios comparadores mecânicos pertencem à categoria Horizontal
de instrumentos de medição dimensional conhecida como 17%
indicadores mecânicos que figuram entre os instrumentos
mais utilizados [1] em áreas de produção metal mecânica,
eletroeletrônica, plásticos e construção civil.
Nas atividades de pesquisa e desenvolvimento, são
encontrados vários exemplos da aplicação dos relógios
comparadores. Na caracterização de materiais, por exemplo,
os relógios comparadores podem ser utilizados para auxiliar Vertical
83%
na verificação de propriedades físicas tais como dureza e
resistência à tração de materiais metálicos, de polímeros e de
elastômeros e na verificação de resistência ao desgaste de Figura 1: Percentual de laboratórios que realizam a calibração em
materiais cerâmicos entre outros. relógios comparadores com valor de uma divisão de 0,01 mm na
posição vertical e horizontal.
Sabe-se que na maioria das suas aplicações, sejam elas de
pesquisa e desenvolvimento ou com fins industriais, o
Dos laboratórios que realizam a calibração em relógios “O relógio comparador deve ser testado preferencialmente
comparadores com valor de uma divisão de 0,001 mm, 76% na posição vertical com a haste móvel apontando para
fazem-na na posição vertical e 24% na posição horizontal baixo”.
(Figura 2). Mais clara com relação a esta questão, a norma JIS B7503
[5] traz em seu item 8 (Methods of measuring of
Horizontal performance), Tabela 2, a orientação:
24%
“Fixando-se a haste móvel do relógio comparador
verticalmente e para baixo, execute o seguinte
procedimento...”.
Por fim a norma ASME/ANSI B89.1.10M [6] não possui em
seu texto nenhuma referência quanto à posição do relógio
comparador durante a sua calibração.
Vertical Nota-se assim que os documentos normativos e de
76% recomendação oriundos de diferentes países, apesar de
contemplarem em seu escopo o método de calibração dos
Figura 2: Percentual de laboratórios que realizam a calibração em relógios comparadores, não são unânimes quanto à questão
relógios comparadores com valor de uma divisão de 0,001 mm na do posicionamento dos mesmos durante a sua calibração.
posição vertical e horizontal.
Nestes cinco importantes documentos de referência não foi
observado consenso quanto à posição indicada para a
Observa-se que alguns dos laboratórios consultados
execução da calibração dos relógios comparadores.
possuem equipamentos um ou mais equipamentos que
O presente trabalho visa executar um estudo criterioso sobre
possibilitam a execução das calibrações nas duas posições, e
a variabilidade dos resultados de calibração de um relógio
que neste levantamento, consideramos como vertical os
comparador em função do seu posicionamento, na vertical e
calibradores onde os relógios comparadores são
na horizontal.
posicionados com pequenas inclinações.
Assim, uma visão geral sobre a realidade dos laboratórios
credenciados para a calibração de relógios comparadores no 2. MÉTODOS
Brasil, pertencentes à RBC, mostra que o posicionamento do No estudo utilizaram-se relógios comparadores mecânicos e
relógio comparador durante a sua calibração, via de regra é analógicos com o valor de uma divisão de 0,01 mm e faixa
definido em função do tipo e modelo do equipamento de medição de 10 mm, sendo 3 relógios modelo 2046F
calibrador disponível no laboratório de calibração, e não fabricados pela empresa Mitutoyo Corporation, e 3 relógios
baseado em uma orientação estabelecida por um documento modelo 3025-481 fabricados pela empresa Starrett Industria
normativo ou de referência. e Comércio Ltda.
Os documentos de orientação quanto ao critério de Por motivos éticos, e também por não ser o foco deste
posicionamento de calibração dos relógios comparadores trabalho avaliar possíveis diferenças entre os produtos
foram consultados. Em seguida são relatadas as observações utilizados, optou-se por não identificar o fabricante de cada
mais relevantes. relógio comparador avaliado, observando-se apenas que os
Na Recomendação ISO R463 [2] não é encontrada nenhuma relógios comparadores foram identificados pelos números 1,
orientação específica sobre o posicionamento do relógio 2, 3, 4, 5 e 6.
comparador durante a sua calibração, porém em seu item 3 O local utilizado para o desenvolvimento do experimento foi
(Methods of Test), sub-ítem 3.1, observa-se a seguinte o laboratório de metrologia da escola “Suíço-Brasileira”,
orientação: pertencente ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
“Todos os requisitos de teste devem ser atendidos para (SENAI).
qualquer direção da haste móvel em relação à gravidade”.
Para o desenvolvimento do aparato de calibração, partiu-se
Da mesma forma, não fazendo menção específica sobre o de algumas premissas abaixo apresentadas:
posicionamento do relógio comparador durante a sua
. Desenvolver um aparato que minimizasse a
calibração, a Norma ABNT NBR 6388 [3], em seu item 6
(Inspeção), sub-ítem 3.1, menciona: possibilidade da ocorrência de variações nos resultados
obtidos, devido ao posicionamento de seus componentes em
“Todos os requisitos de teste devem ser garantidos para relação à ação da aceleração da gravidade. A utilização de
qualquer posicionamento da haste móvel com relação à um sistema óptico foi a opção escolhida.
direção da gravidade”.
. A estabilidade temporal deveria ser estudada para a
Já a Norma DIN 878 [4], traz em seu item 4 (Requisitos), os garantia dos resultados obtidos durante toda a fase dos
seguintes dizeres: experimentos.
“... Eles (os valores limites de erro) aplicam-se para todas as
posições do relógio comparador.”, completando a . Possíveis erros devido às falhas de posicionamento,
informação em seu apêndice A com a seguinte nota: falta de rigidez, desalinhamentos, folgas entre outros
deveriam ser previamente estudados e propostas soluções
para evitá-los.
. As condições de referência laboratoriais deveriam ser
providenciadas para garantir os requisitos mínimos
necessários, variações com relação às condições ideais
deveriam ser corrigidas.
. Demais itens de possível influência, como falhas de
alinhamento e gradientes de temperatura deveriam ser
estudados, corrigidos ou considerados no modelo
matemático da calibração e conseqüentemente na análise e
cálculos de incerteza.
Assim identificados estes pré-requisitos, trabalhou-se no
desenvolvimento e montagem do aparato, em que foram
utilizados os seguintes recursos tecnológicos:
Figura 4: Aparato montado e configurado para a execução da
. Uma máquina de medir por coordenadas, sendo sua calibração na posição horizontal
principal contribuição ao aparato a sua rigidez mecânica, a (Laboratório de metrologia da Escola SENAI “Suíço -Brasileira”)
retitude e a ortogonalidade entre os deslocamentos dos seus
eixos X e Z [7].
. Um sistema de medição de deslocamento por principio
interferométrico a laser, sendo a sua principal contribuição a
exatidão de indicação de deslocamento, que deveria ser
adequada ou superior ao estudo a ser desenvolvido. Na
Figura 3 apresenta-se esquematicamente o sistema de
medição sendo aplicado ao eixo de uma máquina [8].

Figura 5: Aparato montado e configurado para a execução da


calibração na posição vertical
(Laboratório de metrologia da Escola SENAI “Suíço -Brasileira”)

Os resultados obtidos no experimento e apresentados abaixo


foram determinados a partir da execução de três ciclos de
medição no sentido crescente e decrescente das indicações
Figura 3: Laser interferométrico controlando o deslocamento do dentro das faixas de medição dos instrumentos, foram
eixo de uma máquina (Fonte: Chapman, 2001. The benefits of laser adotados para a determinação dos parâmetros, fe, fges e fu ,
systems that use remote interferometer optics for linear, angular conforme mostrado no exemplo de “Gráfico de Tendências”
and straightness measureme nts) (Fig. 6), instruções da norma DIN 878 [4] e para
determinação dos pontos de medição a norma JIS B7503
. Dispositivos de posicionamento e fixação dos espelhos [5], conforme orientação do documento DOQ-DIMCI-004 -
refletores, interferômetros, pontos de referência e dos “Orientações para a realização de calibrações na área de
objetos de estudo. Estes dispositivos deveriam ser metrologia dimensional” [9].
fabricados com a exatidão necessária para a sua aplicação,
permitindo a melhor adequação do espaço físico disponível
e eventuais ajustes de posicionamento e alinhamentos. 3. RESULTADOS

Na Figura 4 visualiza-se a execução de uma calibração com 3.1. A avaliação da estabilidade temporal do aparato
o aparato montado e configurado para a execução na posição
horizontal. Considerando que o experimento envolveu uma montagem
de diferentes sistemas metrológicos e elementos auxiliares,
Na Figura 5 visualiza-se a execução da calibração com o julgou-se necessária a análise da estabilidade ao longo do
aparato configurado para a execução na posição vertical. tempo, dos resultados fornecidos pelo aparato de calibração,
Gráfico de Tendências

15
13
11
Tendência (µ m)
9 fu
7
5
3 fe
1
-1
-3 fges
-5
-7
-9
-11
-13
-15
0,00
0,10
0,20
0,30
0,40
0,50
0,60
0,70
0,80
0,90
1,00
1,10
1,20
1,30
1,40
1,50
1,60
1,70
1,80
1,90
2,00
2,50
3,00
3,50
4,00
4,50
5,00
6,00
7,00
8,00
9,00
10,0
Valor Medido (mm)

Decresc. Cresc.

Figura 6: Gráfico exemplificando a determinação dos parâmetros fges, fe e fu, segundo determinações da norma DIN
878

verificando-se assim a presença de deriva que pudesse vir a encontrados para os parâmetros de desvio máximo no
influenciar os dados obtidos no período do experimento. sentido de avanço (fe), desvio máximo nos dois sentidos
(fges) e erro de histerese (fu ), no início e no término da
Foram efetuadas duas calibrações nos relógios
execução do experimento.
comparadores de identificação 1 e 6, sendo a primeira com o
aparato configurado para a execução da calibração na Na Figura 7 faz-se a comparação entre as curvas de
posição vertical, e a segunda para a execução da calibração tendências das calibrações realizadas nas duas datas, com
na posição horizontal. Ambas calibrações foram efetuadas e relógio comparador 1, estando o aparato configurado para a
repetidas com um intervalo de 15 dias, nas datas que execução na posição vertical.
demarcaram o início e o final dos experimentos.
Através da análise dos gráficos obtidos observou-se uma
A avaliação da estabilidade temporal foi realizada através da similaridade de forma e posição entre as curvas de tendência
comparação da forma e do posicionamento entre as duas levantadas, tanto para a calibração vertical, como para a
curvas de tendência obtidas nas diferentes datas, e também, horizontal.
através da análise das diferenças obtidas entre os valores

Estudo da Repetitividade dos Resultados de Calibração - Relógio Nº 1 na Vertical

15

13

11

5
Erro de Indicação (µ m)

-1

-3

-5

-7

-9

-11

-13

-15
10,00
0,00

0,10

0,20

0,30

0,40

0,50

0,60

0,70

0,80

0,90

1,00

1,10

1,20

1,30

1,40

1,50

1,60

1,70

1,80

1,90

2,00

2,50

3,00

3,50

4,00

4,50

5,00

6,00

7,00

8,00

9,00

Indicação (mm)

08/03/2002 Cresc. 08/03/2002 Decresc. 22/03/2002 Cresc. 22/03/2002 Decresc.

Figura 7: Curvas de tendência demonstrando a estabilidade temporal do aparato configurado para calibrações realizadas na posição vertical
Com os valores obtidos nos parâmetros fe, fges e fu observou- Através da análise dos gráficos obtidos observou-se que, de
se que não houve diferenças que indicassem a não forma similar ao relógio 1, todos os demais relógios
estabilidade do sistema durante todo o período de execução demonstram uma similaridade de forma e posição entre as
dos experimentos, pois os desvios entre as datas do início e curvas de tendência levantadas no experimento e nos
do término dos experimentos nos casos estudados laboratórios credenciados pelo INMETRO.
permaneceram dentro da faixa de incertezas expandidas
Os valores obtidos nos parâmetros fe, fges e fu demonstraram
determinadas para os resultados de calibração envolvidos.
que não houve diferenças que indicassem a não validade dos
Foi, portanto, possível concluir que o aparato apresentou-se resultados encontrados no experimento, pois apenas um
adequadamente estável durante toda a execução dos único parâmetro de avaliação de um dos relógios analisados
experimentos, não apresentando erros de deriva que apresentou um desvio superior às incertezas expandidas
pudessem influenciar nos resultados obtidos no determinadas nos resultados de calibração envolvidos. Por
experimento. se tratar de divergências encontradas entre resultados
fornecidos por dois laboratórios da RBC, optou-se por não
3.2. A validação do método discutir esta questão, que foge ao objetivo deste trabalho.
Foi, portanto, possível concluir que o sistema montado
Considerou-se também importante executar a verificação da
apresentou-se satis fatoriamente adequado para a execução
confiabilidade do aparato, buscando-se a validação dos
dos experimentos.
resultados apresentados por este, comparando-se os
resultados experimentais com os obtidos por dois 3.3. A avaliação dos resultados obtidos nas duas posições
laboratórios credenciados pelo INMETRO, pertencentes à
Rede Brasileira de Calibração (RBC). Uma vez confirmada a estabilidade temporal do aparato, e
também a qualidade de seus resultados, partiu-se para o
A avaliação dos resultados foi realizada através da
objetivo principal do trabalho, estudando-se as variações
comparação da forma e do posicionamento entre as curvas
ocorridas devido à diferença de posicionamento do relógio
de tendência obtidas nas calibrações efetuadas no
comparador durante a sua calibração.
experimento e as fornecidas pelos laboratórios pertencentes
à RBC, e também, através da análise das diferenças obtidas As calibrações foram efetuadas na posição vertical e na
entre os valores encontrados para os parâmetros de desvio posição horizontal, levando-se em consideração que a
máximo no sentido de avanço (fe), desvio máximo nos dois maioria dos sistemas de calibração comercialmente
sentidos (fges) e erro de histerese (fu ), nas calibrações disponíveis segue uma orientação de posicionamento do
realizadas pelos diferentes laboratórios. relógio comparador paralela à direção da ação da gravidade
(vertical), ou uma orientação ortogonal à direção da ação da
Na Figura 8 faz-se a comparação entre as curvas de
gravidade (horizontal).
tendências do relógio de Nº 1, obtidas no experimento e nos
laboratórios credenciados pelo INMETRO para a execução O estudo foi realizado através da comparação da forma e do
de calibrações de relógios comparadores sob os números posicionamento entre as curvas de tendência obtidas nas
RBC-031 e RBC-087. calibrações do experimento.

Comparativo dos Resultados das Calibrações - Relógio Nº 1

15
13
11
9
7
Erro de Indicação (µm)

5
3
1
-1
-3
-5
-7
-9
-11
-13
-15
Indicação (mm)

Vertical Cresc. Vertical Decresc. RBC-087 Cresc.


RBC-087 Decresc. RBC-031 Cresc. RBC-031 Decresc.

Figura 8: Comparativo entre as curvas de tendências do relógio nº 1 obtidas no experimento e em outros dois laboratórios de calibração
credenciados pelo INMETRO
Na Figura 9 faz-se a comparação entre as curvas de Onde:
tendências do relógio de Nº 1, obtidas nas calibrações do
experimento, efetuadas nas posições vertical e horizontal.
Observou-se que, de forma similar ao relógio 1, todas as Iins = Indicação no instrumento sob calibração (relógio
curvas de tendência dos demais relógios demonstraram comparador)
uma similaridade de forma e posição, entre as curvas de Ipad = Indicação no padrão (sistema interferométrico
tendência levantadas no experimento, nas posições laser)
vertical e horizontal.
∆pad = Correção devido a erros do padrão
Observou-se que, de forma similar ao relógio 1, todas as
curvas de tendência dos demais relógios demonstraram ∆res.i = Correção devido à resolução apresentada do
uma similaridade de forma e posição, entre as curvas de instrumento
tendência levantadas no experimento, nas posições ∆res.p = Correção devido à resolução apresentada do
vertical e horizontal. padrão
Efetuou-se também a análise das diferenças obtidas entre ∆alin = Correção devido ao erro de alinhamento entre o
os valores encontrados para os parâmetros de desvio instrumento e o padrão
máximo no sentido de avanço (fe), desvio máximo nos
dois sentidos (fges) e erro de histerese (fu ), nas calibrações ∆zer = Correção devido ao erro de retorno ao ponto zero
realizadas nas diferentes posições. ∆tem = Correção devido ao afastamento da temperatura de
Para a determinação das incertezas dos resultados [10], referência
foram seguidas as orientações do ISO GUM - “Guia para δtem = Correção devido à diferença da temperatura entre
Expressão da Incerteza de Medição” [11]. o instrumento e o padrão
Com a experiência e prática na execução de calibrações
desse tipo de instrumento, foram considerados fatores
descritos pela Equação (1), que descreve o modelo
matemático utilizado [12]: Na Tabela 1 apresenta-se os valores de cada um dos
parâmetros nas duas posições, obtidos com os 6 relógios,
junto com as suas respectivas incertezas calculadas.
Iins = Ipad + ∆pad + ∆res.i + ∆res.p + ∆alin + ∆zer + ∆tem + δtem (1)

Comparativo dos Resultados das Calibrações - Relógio Nº 1

15
13
11
9
7
Erro de Indicação µ( m)

5
3
1
-1
-3
-5
-7
-9
-11
-13
-15
10,00
0,00

0,10

0,20

0,30

0,40

0,50

0,60

0,70

0,80

0,90

1,00

1,10

1,20

1,30

1,40

1,50

1,60

1,70

1,80

1,90

2,00

2,50

3,00

3,50

4,00

4,50

5,00

6,00

7,00

8,00

9,00

Indicação (mm)

Vertical Cresc. Vertical Decresc. Horizontal Cresc. Horizontal Decresc.

Figura 9: Comparativo entre as curvas de tendências do relógio nº 1 obtidas com as calibrações efetuadas na posição vertical e horizontal
Tabela 1: Resultados das calibrações dos 6 relógios, efetuadas
no experimento nas posições horizontal e vertical Relógio nº 1 - Desvio máximo nos dois sentidos (f ges)

20,0

Desvio 18,0
Desvio
máximo no Erro de
Calibração máximo nos 16,0
15,2
sentido de retorno 14,9
dois sentidos 14,0
(valores em µm) avanço 12,4 12,8
fu 12,0

Desvio (µm)
fges 10,4
fe 10,0 9,9

8,0

Horizontal 12,4 ± 2,5 12,4 ± 2,5 2,2 ± 2,5 6,0


Relógio
4,0
1
Vertical 12,8 ± 2,4 12,8 ± 2,4 2,6 ± 2,4 2,0

0,0
Horizontal Vertical
Horizontal 8,9 ± 2,5 9,1 ± 2,5 2,4 ± 2,5
Relógio
2
Vertical 8,4 ± 2,4 9,4 ± 2,4 2,6 ± 2,4 Figura 10b: Comparativo entre os valores do parâmetro (fges) do
relógio nº 1 obtidos nas calibrações efetuadas nas posições
horizontal e vertical
Horizontal 8,3 ± 2,5 11,2 ± 2,5 2,7 ± 2,5
Relógio
3
Vertical 8,2 ± 2,2 10,6 ± 2,2 3,3 ± 2,2 Relógio nº 1 - Erro de histerese (fu)

10,0
Horizontal 4,7 ± 2,4 5,2 ± 2,4 1,2 ± 2,4
Relógio
4 8,0
Vertical 4,8 ± 2,0 5,2 ± 2,0 1,0 ± 2,0
6,0
± 2,2 8,1 ± 2,2 1,4 ± 2,2
Erro (µm)

Horizontal 7,4
Relógio 4,7
5,0

5 4,0
Vertical 7,6 ± 1,9 8,1 ± 1,9 1,7 ± 1,9
2,6
2,2
2,0
Horizontal 6,5 ± 2,4 7,5 ± 2,4 1,5 ± 2,4
Relógio
0,2
6 0,0 0,0
Vertical 6,8 ± 2,3 7,2 ± 2,3 1,8 ± 2,3 Horizontal Vertical

Figura 10c: Comparativo entre os valores do parâmetro (fu) do


Para uma melhor visualização, nas Fig. 10a a 10c são relógio nº 1 obtidos nas calibrações efetuadas nas posições
apresentadas graficamente as variações ocorridas em cada horizontal e vertical
um destes parâmetros nas calibrações realizadas com o
relógio 1.
4 - DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Observou-se que as curvas de tendência demonstram uma
Relógio nº 1 - Desvio máximo no sentido de avanço (fe) similaridade de forma e posição, entre as curvas de
20,0
tendência levantadas no experimento, nas posições
vertical e horizontal.
18,0

16,0 Nos resultados encontrados no relógio 1 para desvio


15,2
14,0
14,9 máximo no sentido de avanço (fe), verificou-se que a
12,0 12,4 12,8 diferença entre os resultados de 12,4 µm (horizontal) e
Desvio (µm)

10,0 9,9 10,4 12,8 µm (vertical) foi de 0,4 µm, ou seja, inferior às
8,0
incertezas de ±2,5 µm obtida na primeira posição e ±2,4
6,0
µm obtida na segunda posição (Tabela 1, relógio 1,
4,0
parâmetro fe).
2,0 O resultado da medição na posição horizontal para o
0,0 parâmetro fe compreende o intervalo de (9,9 a 14,9) µm, e
Horizontal Vertical
para a medição na posição vertical, o resultado encontrou-
se no intervalo de (10,4 a 15,2) µm. Para a medição na
Figura 10a: Comparativo entre os valores do parâmetro (fe) do posição horizontal, o parâmetro fges ficou compreendido
relógio nº 1 obtidos nas calibrações efetuadas nas posições
horizontal e vertical no intervalo de (9,9 a 14,9) µm, e para a medição na
posição vertical, no intervalo de (10,4 a 15,2) µm. O [3]. ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas),
resultado da medição na posição horizontal para o NBR 6388: relógios comparadores com leitura de
parâmetro fu compreendeu o intervalo de (0 a 4,7) µm, e 0,01 mm. São Paulo, 6 p, 1983
para a medição na posição vertical, o intervalo de (0,2 a 5) [4]. DIN (Deutsches Institut für Normung), DIN 878:
µm. dial gauges. Berlin: DIN, 5 p, 1983.
Assim como ocorrido com o relógio 1, observou-se que,
para todos os demais relógios estudados, os valores dos [5]. JIS (Japanese Industrial Standard), JIS B7503: dial
parâmetros de avaliação, fe, fges e fu , nas posições vertical e gauges. Tokyo: JSA, 14 p, 1997.
horizontal, eram comparáveis, ou seja, encontravam-se [6]. ASME & ANSI (American Society of Mechanical
dentro dos respectivos intervalos apresentados, podendo- Engineers, ASME/ANSI B89.1.10M: dial indicators
se entender que não eram diferentes entre si. (for linear measurements), New York, 14 p, 1987.
Pode-se, portanto, relatar que não houve diferenças que [7]. BOSCH, John A., Coordinate measuring machines
indicassem que a variação de posicionamento vertical ou and systems. New York: Marcel Dekker, 444 p,
horizontal, para a execução da calibração destes relógios 1995.
comparadores, pudesse alterar os seus resultados, pois os
[8]. CHAPMAN, Mark., 2001, The benefits of laser
desvios encontrados permaneceram inferiores às
systems that use remote interferometer optics for
incertezas expandidas determinadas nos processos de
linear, angular and straightness measurements.
calibração envolvidos.
England: Renishaw, 7 p. Disponível em: <http://
Diante das grandezas dos valores das incertezas obtidas www.renishaw.com.br/client/general/ download-
em suas calibrações, pode-se dizer que, na aplicação de documents.asp?D=368&parentID=74#searchlocatio
relógios comparadores com características similares aos n>. Acesso em: 12 jun. 2002.
utilizados neste exp erimento, as diferentes posições de [9]. INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia,
sua montagem (vertical ou horizontal), não representam Normalização e Qualidade Industrial), DOQ-
fontes de incerteza que necessitem ser consideradas na DIMCI-004: Orientações para a realização de
determinação da incerteza final dos resultados de calibrações na área de metrologia dimensional. Rev.
medições ou ensaios. 00. [s.l.]: INMETRO, 6 p, 1999.
[10]. INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia,
AGRADECIMENTOS Normalização e Qualidade Industrial), Expressão da
Ao SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem incerteza de medição na calibração. Rio de Janeiro,
Industrial) pelos espaços laboratoriais e equipamentos 34 p, 1999.
cedidos para a viabilização da montagem do aparato do [11]. INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia,
experimento. Normalização e Qualidade Industrial), Guia para a
Às empresas Mitutoyo Sul Americana Ltda. e Starrett expressão da incerteza de medição. 2. ed. Rio de
Indústria e Comércio Ltda., por disponibilizarem os Janeiro, 121 p, 1998.
relógios comparadores de sua linha de produtos para [12]. KOBAYOSHI, Marcelo, Calibração de relógios
servirem de objeto de estudo desta pesquisa. comparadores, relógios apalpadores e comparadores
À Universidade São Francisco pela oportunidade de diâmetros internos. São Paulo: SENAI, 106 p,
oferecida para o desenvolvimento desse trabalho. 2002.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Autor: M.Sc. Marcelo Kobayoshi, Universidade São Francisco,


Rua Alexandre Rodrigues Barbosa, 45 – CEP 13.251-900 –
[1]. FARAGO, Francis T.; CURTIS, Mark A. Handbook Itatiba – Brasil, (11) 5641-4072 , mkobayoshi@hotmail.com
of dimensional measurements. 3rd ed. New York:
Industrial Press, 580 p, 1994. Autor: Drª. Queenie S. Hang Chui, Universidade São Francisco,
Rua Alexandre Rodrigues Barbosa, 45 – CEP 13.251-900 –
[2]. ISO (International Organization for Itatiba – Brasil, (11) 4534-8038, queenie@saofrancisco.edu.br
Standardization), ISO/R463: dial gauges reading in
0.01mm, 0.001 in and 0.0001 in. Switzerland: ISO,
8 p, 1965.

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